Década digital trouxe qualidade ao setor imobiliário

Presidente da Ademi-PR, Gustavo Selig, avalia que a internet aprimorou o consumidor, qualificou o corretor e agilizou a venda no local

Hoje é possível comprar um imóvel pela internet, sem sair de casa. Mudam-se projetos via computador. A tecnologia transformou o sonho da casa própria em um game. Mas quais os prós e contras deste agregado de novidades que invadiu o setor?

Gustavo Selig

Segundo o presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), Gustavo Selig, as novas mídias agregaram muitos valores à venda de imóveis. A internet tornou o consumidor mais exigente e, por consequência, aprimorou o trabalho do corretor de imóveis.

No entanto, Selig avalia que a década digital não vai acabar com a venda pessoal. Os clientes continuarão finalizando a compra somente após a visita ao local do empreendimento e à sede da construtora ou da imobiliária. A diferença, é que ele fará a aquisição tendo mais informações sobre o imóvel que está comprando. Confira a entrevista:

Um dos setores que mais se beneficiou da chamada década digital foi o imobiliário. Hoje é possível até comprar imóveis online. No que essa tecnologia incrementou as vendas imobiliárias?
As ferramentas eletrônicas fortaleceram o processo de vendas. O cliente entra nos sites das construtoras e imobiliárias previamente e chega ao plantão de vendas para fazer a negociação com conhecimento praticamente pleno do imóvel. Hoje, quando o cliente chega ao plantão de vendas, ele já tem praticamente 70% das informações e faz a visita com o intuito de fechar o negócio, tornando mais ágil este processo. A velocidade da informação é a grande vantagem da Internet.

Hoje há até a possibilidade de planejar o imóvel digitalmente, alterando o desenho da planta. Isso se tornou um diferencial para as imobiliárias. Mas até que ponto ajuda o consumidor a ter certeza do que está comprando?
Estas são ferramentas ilustrativas que ajudam a expor o produto, porém não são elas que vendem o imóvel ou determinam a decisão de compra do cliente. Estas ferramentas auxiliam o comprador que não tem facilidade em ler um projeto, oferecendo uma visão espacial melhor do imóvel que ele está adquirindo.

Quando se fala em década digital, não dá para esquecer que ela acrescentou a chamada “venda na planta”. Hoje, quanto isso representa na venda de um empreendimento?
As vendas na planta representam em torno de 50% da comercialização de unidades de empreendimentos novos em Curitiba, incluindo as fases de pré-lançamento, lançamento e período de execução da obra.

Como o consumidor deve ficar atento para não cair em fraudes digitais na hora de comprar um imóvel?
Ninguém hoje compra um imóvel somente pelo computador, embora seja indiscutível o fato de que, atualmente, a web é uma ferramenta indispensável para o fornecimento de informações antecipadas sobre o produto e a empresa, sendo vastamente utilizada pelos clientes. Entretanto, estes ainda têm a necessidade de ir ao plantão e visitar as obras da empresa antes de fechar o negócio.

Para o profissional de venda de imóveis, no que a década digital modificou a forma de ele trabalhar?
Hoje os corretores têm de estar bem mais preparados para vender o imóvel, porque aquela informação básica sobre os produtos, que era passada no plantão, hoje não é mais tão necessária, pois o cliente, na maioria das vezes, já a tem antecipadamente. Isto exige dos corretores maior conhecimento técnico do produto para concretizar o fechamento do negócio, o que demanda um novo processo de capacitação destes profissionais, inclusive sobre questões técnicas, como leitura de projetos, memorial descritivo e documentação.

A década digital também serviu para que construtoras e imobiliárias também diagnosticassem melhor o gosto do consumidor?
Não. As ferramentas eletrônicas são facilitadores para os clientes levantarem os produtos de sua preferência, mas o mercado está tão aquecido que atualmente há clientes para diferentes segmentos e tipos de produtos. Esse não é um ponto fundamental.

E o perfil do consumidor, mudou com a década digital?
Com certeza. O consumidor chega ao plantão mais exigente quanto à empresa e ao empreendimento, solicitando um atendimento mais personalizado.

A forma de venda tradicional de imóveis está condenada ou ela vai continuar sobrevivendo?
Não. O digital é um complemento da venda pessoal.

O setor imobiliário do Paraná incorporou bem a década digital ou há muito ainda a ser feito?
O setor imobiliário paranaense incorporou bem a década digital. Hoje este é um instrumento usado por praticamente todas as empresas. É uma ferramenta que os próprios clientes exigem que a construtora ou a imobiliária tenha. A falta desta ferramenta já mostra que a empresa não é tão atualizada em termos de mercado, dando a ela pouco status na prospecção de clientes. Muitas empresas inclusive contam com perfis nas redes sociais que aproximam a empresa do consumidor e do público em geral. Além disso, estes canais auxiliam na prospecção de novos clientes, não apenas no sentido de incremento nas vendas, mas também de pessoas que comprem e acreditem na marca de determinada empresa, divulgando-a e fortalecendo-a perante o mercado.

O que vem pela frente, em termos de novidades digitais em venda de imóveis?
É difícil prever exatamente, porque a informatização tem um processo muito acelerado de atualização. Porém, mesmo com o avanço nas mídias e nos usos das ferramentas eletrônicas, a venda do imóvel é uma prática que não vai dispensar a visita pessoal. O que vai haver é um número maior de informações sobre o produto e a empresa disponibilizadas na rede digital, e de instrumentos virtuais de atendimento ao cliente, que vão exigir que as construtoras e imobiliárias repensem mais frequentemente suas práticas para a venda de imóveis.

Entrevistado: Gustavo Selig, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR): contato@memilia.com (Maria Emilia Staczuk, assessora de imprensa)

Vogg Branded Content – Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330


Green Buildings, antes tarde do que nunca!

* Marcos Casado

A onda de prédios verdes "Green buildings", chegou definitivamente no país. Conforme dados do Green Building Council Brasil, o número de empreendimentos registrados junto ao USGBC para obterem a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) cresce exponencialmente e o movimento da construção sustentável já faz parte da agenda mundial e felizmente não há mais como desprezar esse movimento. Ou as empresas do mercado se atualizam ou vão ficar obsoletas em um futuro próximo.

Hoje no país há 166 empreendimentos registrados (veja o gráfico anexo) em vários estados brasileiros buscando a certificação de desempenho ambiental para seus empreendimentos, com uma previsão de ultrapassar 300 empreendimentos no final do ano no Brasil, destes 14 empreendimentos já foram certificados no Brasil com um crescimento de 250% no último ano. E até 2010, a meta mundial é que 100 mil construções estejam em processo de certificação LEED.

Para receber a certificação, o empreendimento deve atender pré-requisitos e recomendações que avaliam o tipo de terreno, a localização, a infra-estrutura local, o uso racional de água, eficiência energética, qualidade do ar interno, reciclagem e diversas outras medidas que garantam eficiência operacional ao usuário e preservação do meio ambiente, antes, durante e após a obra. Todos estes critérios começam a impulsionar e a transformar o mercado da construção civil e têm se tornado uma importante ferramenta educacional e de comunicação com o consumidor, além de criar parâmetros de qualidade para o mercado.

A sociedade está chegando à conclusão de que, embora tenha trazido o maior desenvolvimento tecnológico que a humanidade já experimentou, o século 20 também registrou a gênese daquele que vem sendo considerado o maior desastre ecológico do planeta. Quando acompanhamos os índices de poluição do ar, água ou solo, o consumo de recursos naturais e a capacidade do planeta de repor estas necessidades, temos realmente que nos preocupar.

O novo contexto global exige, cada vez mais, por parte das empresas, governantes e sociedade a capacidade de levar em consideração fatores sociais, ambientais e econômicos de uma forma equilibrada em suas tomadas de decisões.
Portanto, o desafio mundial para este século é conciliar o desenvolvimento tecnológico com a preservação dos recursos naturais, garantindo a aplicação de práticas sustentáveis por parte dos atores deste processo.

Os impactos que o mercado da construção civil deixa ao planeta são imensos. O setor é responsável por até 35% das emissões de CO2 diretas ou indiretas em todo o mundo; as edificações no Brasil consomem cerca de 21% de toda a água tratada, 42% da energia gerada e geram cerca de 70% dos resíduos.

A construção civil começa a demonstrar que está se adequando cada vez mais aos conceitos de sustentabilidade que estão sendo impostos em todos os setores da economia e que a cada dia passam a ser uma exigência da sociedade, principalmente da nova geração. Os mais jovens estão começando a exigir de seus fornecedores uma postura mais correta em relação ao meio ambiente, desenvolvendo um dos maiores desafios corporativos deste milênio: o consumo consciente.

Consultores, grandes construtoras de imóveis, empreendedores e incorporadores tanto comerciais quanto residenciais, fornecedores de materiais, insumos e tecnologias, estão aos poucos, desenvolvendo expertise nessa área, em um movimento que ganhou força nos últimos cinco anos e que hoje já começa a criar uma nova demanda no mercado da construção civil no Brasil.

Além da certificação, que com certeza tem um peso importante nesta transformação mas por si só não será capaz de resolver todos os problemas, é muito importante o desenvolvimento de iniciativas educacionais para disseminar informações sobre as melhores práticas e tecnologias sustentáveis, a fim de capacitar os envolvidos na concepção, construção, operação e manutenção das edificações e espaços construídos. Toda essa nova visão começa a demandar a cada dia mais especialistas em áreas como, por exemplo, de comissionamento de sistemas de energia, profissionais especialistas em softwares de simulação energética e profissionais capacitados em consultoria para green buildings que no caso do LEED são os LEED AP´s, que também vem crescendo ano a ano no Brasil, porem os 62 profissionais LEED-AP´s no Brasil (veja gráfico anexo) ainda são poucos, devido a demanda que o setor hoje esta exigindo.

Além disso, é imprescindível o engajamento do governo neste processo de transformação, por meio de incentivos, bons exemplos e políticas públicas focadas no desenvolvimento da construção sustentável. O governo seja ele federal, estadual ou municipal é detentor de uma grande percentual das edificações construídas e também responsável por uma importante parcela das novas construções, podendo além de praticar estes conceitos em suas construções, impulsionar o mercado para esta transformação, por meio de exemplos ou na criação de legislações que viabilizem e estimulam as novas construções ou reformas, atendendo esta nova realidade.

Um empreendimento sustentável pode reduzir em 30% o consumo de energia, 50% o consumo de água, 35% das emissões de CO2 e até 70% o descarte de resíduos. Se os clientes finais também mudarem sua postura e passarem a exigir das construtoras uma posição mais sustentável, certamente veremos um movimento muito maior do mercado nesta direção. O futuro da construção civil já tem um caminho traçado e a sustentabilidade não será apenas um modismo. As boas práticas do mercado devem ser disseminadas, assim como o maior número de informações possíveis sobre as soluções implantadas, experiências de sucesso e iniciativas em prol da sustentabilidade.

A construção sustentável veio para ficar, talvez um pouco tarde, mas com o engajamento de toda a sociedade, revendo nossas ações e atitudes, certamente alavancará a formação de uma nova cultura baseada na visão sistêmica preconizada pela sustentabilidade.

*Eng. Marcos Casado é o Gerente Técnico do Green Building Council Brasil.

Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 - Vogg Branded Content


Calçadas e Acessibilidade

Caminhar com segurança e conforto é um direito de todo cidadão

Créditos: Engª. Giovana Medeiros – Assessora Técnico Comercial Itambé

No dia 27 de março de 2007, foi publicado no informativo Massa Cinzenta da Itambé, um artigo sob o tema Segurança das Calçadas, onde foi citado que cerca de 30% das pessoas tem como seu meio de transporte exclusivo a caminhada. Sendo assim, as calçadas mostram ser de grande importância no dia- a- dia da população, porém não é difícil encontrá-las em condições precárias. O artigo também relata que, segundo a Legislação Municipal da grande maioria das cidades brasileiras, o responsável pela construção e manutenção das calçadas é o proprietário nos trechos em frente ao seu imóvel, cujo material para a pavimentação tem padrões definidos de acordo com os logradouros existentes na cidade.

Quase 3 anos se passaram, e infelizmente continuamos a presenciar não só calçadas em péssimas condições, mas também sua falta de acessibilidade. Sabemos que todo cidadão tem o direito de ir e vir, ou melhor, qualquer pessoa, livre ou não de necessidades especiais deve ter acesso fácil para sair e chegar ao seu destino.

A liberdade que possibilitaria a todos caminhar pelos passeios, seria não deparar com desníveis, buracos, rampas fora dos padrões, lixeiras, pontos de ônibus, cabines telefônicas e outros. As calçadas inadequadas e os locais inacessíveis inibem a circulação das pessoas, principalmente daquelas com dificuldade de locomoção. Nossos passeios deveriam facilitar a circulação dos pedestres e proporcionar pouca ou nenhuma dificuldade para pessoas com necessidades especiais de chegar ao destino desejado.

Por isso, é de grande importância que as calçadas tenham superfície regular, contínua, firme e antiderrapante, executados sem mudanças abruptas de nível ou inclinações que dificultem a circulação dos pedestres. Não podem existir degraus, muito menos rampas para veículos na faixa da calçada, porque atrapalham a passagem de pessoas, principalmente aquelas com dificuldades de locomoção.

Outro fator importante é a rampa de acesso, indicada na Figura 1, que deve existir em todas as travessias, sobretudo para o acesso de pessoas com cadeiras de rodas e para o conforto de pedestres que empurram carrinho de bebê ou mala de rodas. Também é necessária a locação de forma adequada do mobiliário urbano, tais como: árvores, postes, cabines telefônicas e outros, necessários para não dificultar o trajeto do pedestre. Por fim, o piso táctil também conhecido como sinalização podotática, indicado na Figura 1, que conduz, alerta e identifica obstáculo para a locomoção segura dos deficientes visuais.
Devido a todas as dificuldades citadas sobre a locomoção nos passeios e a falta de acessibilidade, a solução é a conscientização, isto é, cada um fazer seu papel. Tanto a iniciativa privada como os órgãos públicos devem ser responsáveis pelas suas próprias calçadas, sempre seguindo um projeto de acessibilidade, para proporcionar a todos não só uma qualidade de vida melhor, mas também deixar a cidade muito mais bonita e com um acesso seguro aos espaços urbanos para toda população.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content


Arquitetura sustentável requer estratégia

Uma obra que mereça o rótulo de sustentável precisa ter projeto, materiais e mão de obra compromissados com o meio ambiente

Professor Eloy F. Casagrande Jr.

Muito se fala em arquitetura sustentável. Mas quais são os processos que devem ser seguidos para que uma obra possa dizer que segue o conceito de arquitetura sustentável? Professor da área de Inovação Tecnológica e Sustentabilidade e coordenador do escritório verde da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Eloy Fassi Casagrande Júnior revela que muitos setores da cadeia produtiva da construção civil se apropriaram de termos ecológicos e sustentáveis, porém sem praticá-los.

Segundo ele, obras com padrões de sustentabilidade precisam atender requisitos que vão desde o projeto, até a escolha dos materiais e a contratação da mão de obra. Fora isso, alerta o especialista, a arquitetura sustentável não se sustenta. É o que ele explica na entrevista a seguir. Confira:

O senhor não acha que o marketing se apropriou do termo “arquitetura sustentável” e muitas vezes se vende uma edificação como sendo sustentável e ela não segue nem 10% dos conceitos de sustentabilidade em seu processo construtivo?
Acho que você tocou num ponto certo. O que estamos vendo nos últimos cinco anos é exatamente isso. Como o meio ambiente se tornou um argumento de venda no setor da construção civil, ele se apropriou desta questão, da palavra eco, da palavra sustentável. Todo o mundo agora é ecológico, todo o mundo agora é sustentável. Mas quem comprova isso? O que está faltando realmente são sistemas que garantam que aquilo que é anunciado por uma construtora ou por um profissional realmente cumpre com as normas de sustentabilidade. Então, o que vemos é uma gama enorme de anúncios de construções deste padrão, feitas, muitas vezes, por profissionais que não têm formação adequada. Quem quer buscar este conceito de construção tem que se aprofundar, às vezes até de forma empírica, ou buscar conhecimentos numa especialização, num mestrado ou num doutorado. Em certos casos, há até má fé no anúncio deste tipo para um público leigo.

Modelo de casa sustentável: equilíbrio em entre concreto, madeira e área verde

Quais os princípios básicos que devem ser seguidos para que uma obra possa dizer que segue o conceito de arquitetura sustentável?

A gente sempre diz que uma obra é 70% planejamento e 30% execução. Então, se você, desde o início, atentar para elementos que sejam do critério de sustentabilidade na elaboração do projeto, você já está ganhando pontos nisso. A primeira situação é ver o terreno em que será construída a obra, respeitando as condições físicas, geográficas do local, não fazendo muitas movimentações de terra, não desmatando, preservando o máximo possível. É preciso verificar também se há alguma fonte de água, a qual precisa ser respeitada. Depois, têm as questões do mapa climático, para adequar as condições de conforto térmico da casa. A obra precisa ser mais quente ou tem de ser mais fresca? Para isso existem as linhas, os critérios muito bem definidos dentro daquilo que se chama arquitetura bioclimática. A outra situação é a questão dos materiais. É preciso fazer um check list sobre o impacto que os materiais irão causar.

Hoje existe uma ciência que se chama análise do ciclo de vida, que permite saber do berço ao túmulo sobre aquele material, desde a extração até o destino final. Nesta sequência, dá para estabelecer se o material é mais ou menos ecológico, do ponto de vista de uso de energia, de emissão de carbono, do uso de água na sua fabricação.

Outra questão é a quantidade de resíduos produzidos na obra. A gestão de resíduos é importantíssima na construção civil. Nós temos uma lei do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) - a resolução CONAMA N.° 307 de 5 de julho de 2002 -, que reza que todo o município tem que estabelecer uma gestão dos resíduos. Hoje se produz muito mais resíduos na construção civil do que resíduos domésticos. E estes entulhos, às vezes, não têm local apropriado para o seu destino final e acabam aí indo parar em vales, rios, áreas abandonadas e isso causa um problema ambiental seriíssimo.

Por fim, outro ponto de vista da questão sustentável é a questão social. Você tem que ver as condições do trabalhador, a questão de segurança, a questão de mão de obra especializada. É preciso ter maior atenção no uso de determinados materiais e no uso de determinadas tecnologias na construção sustentável. Os profissionais que operarem nesta obra precisam ser certificados.

Há uma prática comum de padronização das construções. Se constroi da mesma forma em Manaus, Salvador e Porto Alegre. Uma construção sustentável precisa respeitar o meio ambiente local?
Com certeza, este é um dos grandes problemas do Brasil. Convencionou-se um padrão de construção, sem levar em conta as questões climáticas. Na Amazônia, por exemplo, deveriam prevalecer as construções com madeira certificada. Mas é na região Sul, onde é mais frio, com temperaturas que chegam abaixo de zero, que há mais casas de madeira. E essas são casas que não tem a mínima condição de manter um conforto térmico para as pessoas. O mesmo ocorre no Rio de Janeiro, onde as construções obrigam que o ar-condicionado fique ligado 24 horas. Imagine o impacto que isso causa na produção de energia. Tudo isso é reflexo de construções inadequadas para o ambiente onde elas foram construídas.

Existem normas da ABNT que servem para orientar uma construção de acordo com a arquitetura sustentável?
Não existem normas específicas para a construção sustentável, mas existem algumas normas que servem de base para que uma construção siga o conceito de sustentabilidade.

Tecnologias locais devem ser levadas em conta na arquitetura sustentável?
Com certeza. Nós perdemos muito das tradições construtivas que havíamos herdado de um conhecimento tácito, empírico, de nossos ancestrais, de nossos avós e bisavós, que foi se perdendo ao longo do tempo. Abandonamos, em nome da tecnologia, da inovação, soluções que estavam mais ao alcance da população. Em troca, importamos know-how caros, que requerem uso intenso de energia e, às vezes, inapropriados para aquele ambiente. Isso gerou construções menos humanas e mais agressivas esteticamente. Muitas vezes, elas são impostas por modelos construtivos que desrespeitam a cultura local e o padrão de construção local. Em lugares históricos às vezes vemos aberrações da arquitetura que ofendem a própria cultura. Acho que tem que ter um pouco de atenção a isso, não deixando o lado da modernidade, da inovação, mas respeitando as culturas e as tradições locais.

Em relação ao bahareques, da Colômbia: como são essas construções?
O bahareques não é nada mais que a nossa construção de pau a pique, a famosa construção de estrutura de madeira de bambu com argamassa. E esta argamassa pode ser o barro ou um cimento de baixa emissão. O bahareques é uma construção rápida, de menor ameaça em casos de sismos. Na Colômbia existe um manual para construção de bahareques em áreas de sismo, que foi inclusive executado na Armênia após o terremoto de 1999. E não só lá. Antigamente, no próprio Japão, usavam estrutura de bambu em áreas de sismo. Em outros países desenvolveram outras tecnologias também, mas o importante é voltar àquela questão: saber o que os nossos antepassados usavam. Trata-se de um conhecimento que estamos passando por cima, em nome da modernidade da construção.

Eventos como os que ocorreram em Angra dos Reis e no Haiti podem servir para reorientar os processos construtivos, levando a uma arquitetura sustentável menos marqueteira e mais conectada com a realidade?
Eu acho que infelizmente são estes tipos de situações que nos levam a repensar todo o sistema. Foi preciso que acontecesse isso na Colômbia para que houvesse uma mudança de área de construção e uma recuperação do conhecimento do bahareque, melhorado pela engenharia das universidades. Talvez agora no Haiti ou na Itália, onde aconteceu a mesma coisa no ano passado, se repense como vão reconstruir os edifícios. Tratam-se de áreas sujeitas a terremotos e é preciso repensar a construção neste sentido para garantir a segurança das pessoas.

A busca pelo menor custo não atrapalha a sustentabilidade das construções?
Isso varia muito em relação a custo. A sustentabilidade pode estar de acordo com o orçamento de cada um. Você pode executar com alta tecnologia, dentro do conceito sustentável, e gastar um milhão ou gastar cem mil e também executar uma construção sustentável. Hoje há uma oferta muito maior de materiais e de tecnologia, inclusive a reutilização de materiais. Um exemplo é a casa onde eu moro, em Curitiba, construída há 10 anos. Ela privilegiou a reutilização de materiais e foi construída com 80% de material de demolição. Além disso, ela dispõe de aquecimento solar da água e coleta de água da chuva. A construção também atendeu aos princípios de arquitetura bioclimática, como ventilação cruzada, iluminação natural, telhado de vidro, clarabóia e área de jardim de inverno. Nem por isso ela ficou mais cara que uma casa convencional. Aliás, ficou 30% mais barata que uma construção convencional.

Os novos profissionais que as escolas estão formando têm essa consciência de sustentabilidade mais arraigada?
Eu acho que a geração que está vindo aí já tem muita informação sobre os problemas ambientais. O que falta, muitas vezes, é o currículo escolar se adaptar a esta nova realidade. O currículo de uma universidade, por exemplo, é muito lento para se adaptar a esta transformação. Apesar das pessoas estarem informadas, há resistência nas mudanças, um pouco por causa da burocracia. É preciso uma agilidade maior nas mudanças, nas grades curriculares, na mentalidade daquele que ensina, para que se atualize com as novas necessidades em relação ao ambiente.

Entrevistado: Eloy F. Casagrande Jr: eloy.casagrande@gmail.com
Currículo do entrevistado
Ph.D em Inovação Tecnológica & Sustentabilidade
Professor do departamento Acadêmico de Construção Civil – DACOC, do programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil – PPGEC, do programa de Pós-Graduação em Tecnologia – PPGTE e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR
Bacharelado em Design, PUC-PR (1983)
Doutor em Eng. de Recursos Minerais e Meio Ambiente, University of Nottingham, UK (1996)
Pós-doutor em Inovação Tecnológica e Sustentabilidade, Instituto Superior Técnico, IST, Lisboa (2007)

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content


Industrialização dos sistemas construtivos

A escolha do sistema construtivo ideal permite executar projetos mais ágeis, econômicos, sustentáveis e com qualidade

Os dados revelam que a construção civil está a todo vapor no Brasil. Um exemplo disso é que o brasileiro nunca financiou tanto imóvel como em 2009. No ano passado, 302,7 mil unidades foram financiadas com os depósitos da caderneta, em um total de R$ 34 bilhões. E a expectativa é que esse recorde seja ultrapassado em 2010.

Valter Frigieri Júnior, gerente de Desenvolvimento de Mercado da ABCP

Diversos fatores como a estabilização econômica, a redução de juros, a ampliação de crédito, entre outros alteraram a dinâmica do mercado imobiliário. De acordo com Valter Frigieri Júnior, gerente de Desenvolvimento de Mercado da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), se antes o fluxo de caixa das construtoras não permitia a realização de obras mais rápidas, atualmente, as empresas dependem de um sistema ágil para atender a demanda.

Além disso, ele ressalta que a abertura de capital das construtoras possibilitou que elas expandissem suas áreas de atuação, deixando atuar apenas regionalmente. “Com isso sentiu-se a necessidade de padronizar a construção e o desenvolvimento de produtos, para que as obras pudessem ser realizadas com os mesmos parâmetros em regiões distintas” explica. E para isso os fornecedores também tiveram que se adaptar. Percebeu-se que a produção industrializada, em escala, tornou-se mais do que uma alternativa, tornou-se uma necessidade de mercado. “E não é só isso, a demanda por qualidade também está maior. Os consumidores, inclusive das classes mais baixas, estão mais exigentes” garante.

Soluções em sistemas construtivos

Teoricamente, de acordo com Frigieri, existem três opções de sistemas:
* Sistemas tradicionais não racionalizados.
* Sistemas “tradicionais racionalizados”, ou seja, melhorados com pequenas/médias inovações.
* Sistemas “industrializados”.

Além das estruturas de concreto que, por muito tempo, foram a solução hegemônica das construções no país, a alvenaria estrutural tem se mostrado eficiente em habitações populares, como é o caso do Programa Minha Casa, Minha Vida. Neste tipo de estrutura, a alvenaria tem a finalidade de resistir ao carregamento da edificação, tendo as paredes função resistente, além da função de vedação. As lajes da edificação normalmente são em concreto armado ou protendido, podendo ser moldadas no local ou pré-fabricadas.

Dois outros sistemas, segundo Frigieri, também vêm se fortalecendo: a parede de concreto e os pré-fabricados de concreto. “Esses sistemas estão sendo implantados numa velocidade que chega a ser surpreendente para nós (da ABCP)” afirma.

Ele avalia que não tem um sistema construtivo que vá prevalecer. “Cada sistema deverá ocupar um nicho. O bloco cerâmico, por exemplo, tem dado espaço ao bloco de concreto” diz.

Para o gerente da ABCP, custo, qualidade e velocidade são os pilares que influenciam na decisão do sistema construtivo a ser empregado. Sendo assim, o construtor vai medir a viabilidade de cada sistema de acordo com o que ele quer ou necessita.

Caminhos para a regulamentação de novos sistemas construtivos

O Sinat (Sistema Nacional de Avaliações Técnicas), do PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat), foi criado para avaliar o desempenho de materiais e sistemas construtivos que ainda não possuem normas técnicas prescritivas específicas. Para Frigieri, “o Sinat é um caminho seguro para quem quer desenvolver um sistema inovador, pois estabelece critérios e metodologias de avaliação que validam o sistema antes de ser colocado em prática”. Este sistema funciona como uma espécie de garantia de que o produto ou sistema construtivo atende a requisitos de desempenho pré-determinados.

Sustentabilidade e racionalização

Os sistemas construtivos também contribuem para a sustentabilidade da construção ao minimizarem os desperdícios. “Com a industrialização é possível tornar a obra mais limpa, utilizando a quantidade exata de materiais” exemplifica Frigieri. “Sem falar na durabilidade do concreto, que aumenta o ciclo de vida da obra, sem a necessidade de reparos ou reconstrução em curtos espaços de tempo” complementa.

Um dos obstáculos para a implantação de sistemas construtivos inovadores é justamente a falta de uma cultura de racionalização. “Os profissionais do setor passaram muitos anos sem praticar a racionalização e agora estão tendo que se adaptar rapidamente” analisa.

Em relação aos custos, cada vez mais as construtoras estão adotando sistemas construtivos que minimizem erros e evitem refações. “Afinal tempo e material perdido com retrabalho, refletem em um custo a mais” garante.

Ações da ABCP

A ABCP há alguns anos vem trabalhando com diversos parceiros a fim de promover junto à cadeia da construção os sistemas construtivos à base de cimento/concreto. Em relação à alvenaria estrutural foram qualificadas empresas para a fabricação de blocos de concreto, garantindo a qualidade final do produto. A entidade também promoveu a capacitação de profissionais para a correta aplicação do sistema.

Equipes da ABCP, da Associação Brasileira de Serviços de Concretagem (Abesc) e do Instituto Brasileiro de Tela Soldada (IBTS) desenvolveram ações pioneiras para conhecer mais sobre as edificações feitas com paredes de concreto moldadas in loco.

Entre as diversas iniciativas, as associações lideraram um grupo de construtoras que, em comitiva técnica, visitaram obras em Santiago (Chile) e Bogotá (Colômbia), onde as paredes de concreto são amplamente utilizadas.

A ABCP também firmou um convênio com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) visando ao desenvolvimento do uso de elementos pré-fabricados de concreto.

Não perca!
Acompanhe nas próximas edições do Massa Cinzenta mais informações sobre os principais sistemas construtivos à base de cimento/concreto.

E-mail de contato: cristina03@lide.com.br (assessoria de imprensa)

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content


Setor hoteleiro investe no pré-moldado

Copa do Mundo e Olimpíadas exigem ampliação rápida no número de leitos e sistema construtivo ajuda a cumprir cronograma apertado

O setor hoteleiro corre contra o tempo para conseguir atender as demandas que virão por aí em 2014 e 2016, com Copa do Mundo e Olimpíadas. Atualmente, o país dispõe de 1,1 milhão de leitos e, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), vai precisar gerar, nas cidades envolvidas com os eventos, pelo menos mais 100 mil vagas em três anos. A expectativa é de que em 2014 e em 2016 o Brasil receba um fluxo de 500 mil turistas a mais do que o normal nos meses de junho, julho e agosto.

Pré-moldados agilizam obras

Diante da carência de leitos, e do prazo curto para construir novos hotéis, o setor descobriu as estruturas pré-moldadas em concreto para agilizar as obras. Já há empreendimentos na Bahia, em Santa Catarina e no Rio de Janeiro sendo erguidos através deste sistema.

A Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) tem prestado consultoria e ressalta as vantagens do modelo construtivo:

1) Menores prazos para entrega, unindo maior velocidade à redução dos custos fixos, proporcionando a garantia de retorno financeiro rápido.
2) Maior qualidade, produtividade e redução de desperdícios, limpeza dos canteiros de obras.
3) Agrega sustentabilidade, qualificação de mão de obra e mudanças culturais à construção civil.
4) Maior resistência ao fogo.

Iria Doniak

Segundo a diretora-executiva da ABCIC, Iria Doniak, a opção pelos pré-fabricados de concreto reduz, em média, 50% o tempo de construção, em relação a uma obra convencional. Ela estima que, por isso, não será apenas o setor hoteleiro que irá abraçar este sistema construtivo. “As obras de infraestrutura, assim como os estádios e os demais complexos esportivos devem se beneficiar dos pré-moldados. Sem contar que o sistema vai poder servir também para a construção de pontes, viadutos, aeroportos e outras obras estruturais”, diz.

Especificamente sobre edifícios pré-moldados, o aperfeiçoamento do sistema hoje permite que se ergam empreendimentos com até 40 andares, como já ocorre na Bélgica. No Brasil, o recorde é de 24 andares - o Pátio Dom Luís, em Fortaleza, um composto de shopping e com torres comerciais e residenciais de 20 e 24 pavimentos. Em comum, essas obras estão sendo construídas com pilares moldados “in loco”, lajes alveolares e vigas pré-fabricadas de concreto protendido.

Custo x benefício

Antes de optar pelo sistema de pré-moldados, é preciso uma análise de viabilidade com base no custo x benefício. A avaliação deve levar em consideração localização, tipo de terreno, acessibilidade, distância da fábrica e aspectos de logística. Outro aspecto é o tipo de estrutura pré-fabricada a ser utilizada e a capacidade de carga de equipamentos envolvidos. “Às vezes, um estudo de viabilidade, por determinadas condições do terreno, vãos ou condições arquitetônicas, poderá apontar para uma estrutura mista. Por exemplo, parte da estrutura moldada in loco e parte pré-fabricada ou estrutura pré-fabricada de concreto e cobertura metálica, como é no caso dos estádios”, cita Iria Doniak, lembrando que construções em pré-moldado têm carga tributária mais baixa, o que ajuda a desonerar os empreendimentos.

Entrevistada: Iria Doniak, diretora-executiva da ABCIC: iria@abcic.org.br
Site: www.abcic.org.br

Texto complementar

BNDES cria linha de crédito especial para hotéis

O BNDES lançou no início de 2010 um programa que vai destinar até R$ 1 bilhão à construção, reforma, ampliação e modernização de hotéis. Batizado de BNDES ProCopa Turismo, o incentivo vai preparar a rede hoteleira do país para o aumento de demanda ocasionado pela Copa, induzindo ainda o comprometimento ambiental do setor ao oferecer condições mais favoráveis aos projetos que levem em conta a preocupação com a eficiência energética e a sustentabilidade ambiental.

Os prazos máximos de amortização, inéditos para o setor, poderão chegar a até 12 anos para modernização de unidades existentes e até 18 anos para construção de novas unidades. Poderão ter o benefício de ampliação do prazo de financiamento empreendimentos que obtiverem certificação de eficiência energética e construção sustentável.

Caso seja apresentada certificação de eficiência energética, os projetos de reforma, modernização e ampliação poderão ter seu prazo estendido para até 10 anos. No caso de construção de novas unidades, esse prazo poderá chegar a 15 anos.

Já para obter o benefício máximo de prazo (12 e 18 anos, respectivamente) os proponentes devem apresentar certificação de construção sustentável que, além da eficiência energética, agrega outras exigências, como racionalização do uso da água e gestão de resíduos. Nas operações diretas, os juros do programa variam entre 6,9% (micro, pequena e média empresa) e até 8,8% (grande empresa), mais o spread de risco. Para se candidatar aos recursos do programa, os proponentes devem encaminhar seus pedidos até 31/12/2012.

O programa permitirá também a realização de operações diretas a partir de R$ 3 milhões (normalmente, operações de até R$ 10 milhões são realizadas por meio de agentes financeiros). Para grandes empresas, a participação máxima do BNDES será de 80% dos investimentos totais, sendo que para MPMEs este percentual pode atingir 100%.

Fonte: Agência Brasil

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content


Reunião: um mal necessário?

Com planejamento e liderança é possível tornar as reuniões mais produtivas

Você acha reuniões de trabalho desgastantes, ultrapassadas ou inúteis? Saiba que muitas pessoas pensam como você. E de fato, em muitos casos, quando a reunião não é bem planejada e executada, o resultado pode ser um verdadeiro fracasso. Por outro lado, reuniões presenciais continuam sendo importantes para definições e tomadas de decisão.

Sonia Jordão

Para a consultora empresarial e autora do livro “A Arte de liderar – Vivenciando mudanças num mundo globalizado”, Sonia Jordão, “quando estamos vendo as pessoas é mais fácil captar as mensagens enviadas através do corpo. Assim podemos mudar de atitude se julgar interessante”. Ela também alerta para o fato de que muitas pessoas ainda não se sentem à vontade em reuniões pela internet, por exemplo.

A falta de planejamento está entre as principais causas de reuniões improdutivas. Outro fator apontado por Sonia é o despreparo de quem conduz a reunião. Segundo ela, para o sucesso do encontro, é fundamental que a reunião seja conduzida por alguém capacitado que saiba direcionar os assuntos e os participantes adequadamente. Para a consultora, a reunião torna-se desnecessária se for apenas para repasse de informações. O objetivo de agendar uma reunião deve ser decidir alguma coisa.

Confira algumas dicas simples para tornar as reuniões mais produtivas:

Antes da reunião
* Anote todos os pontos que precisam ser decididos na reunião.
* Selecione criteriosamente quem realmente deve participar, ou seja, quem está envolvido diretamente com os assuntos da pauta. Para algumas pessoas, o envio da ata para acompanhamento pode ser suficiente.
* Verifique o dia e horário em que a maior parte dos participantes estará disponível.
* Divulgue a pauta com antecedência a todos os participantes para verificar se há mais algum item a ser tratado e para que eles possam se preparar com dados e ideias.
* Delimite um tempo para a reunião que seja suficiente para expor, debater e concluir o assunto. “Acredito que, a partir de 3 horas, nenhuma reunião consegue ser produtiva”, alerta Sonia.
* No dia da reunião confira se todos os preparativos estão em ordem e faça de tudo para que não haja atrasos.

Durante a reunião
* É importante deixar todos falarem, evite que alguém monopolize o assunto.
* Se for preciso, interrompa delicadamente quem estiver se excedendo. Se o problema for tempo, simplesmente alerte: “Fulano, poderia concluir sua exposição? Nosso tempo está expirando”.
* Indique quem pediu a palavra primeiro.
* Se durante a reunião surgirem novas ideias e assuntos que não estavam previamente na pauta, anote-os e oriente as pessoas que esses assuntos poderão ser tratados em outra ocasião.
* Registre a discussão em uma ata, de maneira que ela contenha tudo o que for necessário para que qualquer pessoa possa saber o que foi tratado, mesmo não tendo participado. “O ideal é que o responsável por redigir seja uma pessoa que goste de escrever e tenha boa memória e capacidade de anotar os tópicos tratados na reunião” sugere Sonia.

Após a reunião
* Crie o hábito de definir os responsáveis e os prazos para todas as decisões que forem tomadas na reunião. Assim, se precisar de mais alguma coisa, após a reunião, o responsável entra em contato com os interessados.
* Envie a ata a todos os participantes e permita que eles sugiram ajustes ou acrescentem dados. Dê um prazo para que eles se manifestem. Faça as alterações necessárias e envie novamente a ata com as considerações finais.
* Faça um balanço de como foi a reunião. Verifique o que pode ser melhorado, o que deve ser eliminado, o que poderia ter sido feito e não foi. Aplique as melhorias nas próximas reuniões e confira o resultado.

Texto complementar

FAZENDO REUNIÕES PRODUTIVAS

Os líderes precisam se encontrar regularmente com seus liderados e com seus superiores hierárquicos para discutir como as coisas estão evoluindo. Um item da pauta poderia ser comparar seus planos de desenvolvimento e descobrir o que está funcionando e o que não está funcionando nas atividades uns dos outros.

Para conseguir uma reunião produtiva é importante que todos estejam preparados e saibam o que esperar. Para tanto, a reunião deve ser organizada e a pauta planejada e o líder desta deve cuidar para que a pauta seja cumprida e os integrantes precisam atingir um consenso antes de terminar a reunião. Além disso, deve ser facilitada a democracia e a participação de todos os integrantes do grupo, motivando-os a opinar e propor idéias, de modo a propiciar a comunicação e a tomada de decisões, levando em conta os pontos a favor e contra.

É fundamental escutar a todos. Às vezes só se escuta o que dizem determinadas pessoas do grupo, geralmente aquelas que falam melhor e tem maior fluência. Isso deve ser evitado para que não se deixe de ouvir com atenção aos tímidos, aos que se expressam com menos clareza ou aos que têm uma opinião distinta. Escutar significa ter a capacidade de receber o que o outro quer dizer da forma mais próxima a que ele está sentindo e pensando.

O líder deve promover a participação do grupo na tomada de decisões. Na vida de uma organização decisões devem ser tomadas continuamente, cabendo ao líder conduzir este processo e preocupar-se para que todos participem ativamente deste. É necessário deixar claras as alternativas que estão em jogo e possibilitar que as pessoas dêem argumentos para apoiar uma ou outra alternativa. Daí ser necessário facilitar a integração do grupo, confrontando a opinião de uns com as dos outros possibilitando, assim, que todos se escutem e destacando as opiniões mais significativas.

Existem algumas regras que fazem com que as reuniões sejam rápidas e com melhores resultados. Uma delas é pedir a todos que desejam apresentar um problema que se preparem antes respondendo às perguntas: Qual é o problema? Quais são suas causas? Quais são as possíveis soluções? Qual é a melhor solução possível? E, finalmente, escrevendo: “Esta é a solução que recomendo”.

Com isso, obtém-se muito mais ação para que as coisas corram bem. Essas quatro perguntas para resolver problemas podem ser usadas em memorandos ou cartas tão eficazmente como em reuniões. Podem também ser usadas em conversações telefônicas. Algumas vezes a melhor solução pode ser a combinação de duas ou mais das possíveis soluções oferecidas.

Se você for o responsável pela direção da reunião é bom que procure seguir as seguintes regras:
• Procure começar a reunião com uma breve explicação do problema. Veja, em seguida, se os participantes compreenderam o problema;
• Questione as causas do problema;
• Faça resumos com freqüência do que foi discutido até então;
• Peça as soluções possíveis, buscando ter as evidências que comprovem a praticidade de cada solução;
• Após o problema ter sido suficientemente discutido, faça um resumo final e proceda, então, à sua votação;
• O ideal é que todas as soluções apontadas tenham responsáveis e prazo para execução;
• Sempre que for conveniente, nomeie uma pessoa ou uma comissão encarregada de verificar se a decisão foi tomada corretamente e no tempo previsto;
• Evite expressar suas idéias pessoais e só o faça depois que os outros as tenham expressado. Seu objetivo principal é dirigir e não participar calorosamente da discussão;
• Seja flexível. No entanto, se você tem mais de doze pessoas em uma reunião, procure garantir que a pessoa que queira falar obtenha a sua autorização. Essa pessoa deverá levantar a mão e você, ao dar a sua autorização, deve mencionar o seu nome ou acenar afirmativamente com a cabeça. Outra forma é fazer uma bolinha de papel e só permitir que fale aquele que estiver com a bolinha na mão;
• Mantenha a reunião ativa, sem se desviar do tema. Garanta que seja rápida, com exposições curtas. Intervenha quando alguém quiser falar muito ou com demasiada freqüência, assim como quando alguém sair do tema, reforce: “O assunto que estamos discutindo é... Por favor, não se afaste do tema”;
• Procure fazer com que todos participem da reunião, porém evite perguntar diretamente a cada um a sua opinião.

Quando você participa de uma reunião, você obtém melhores resultados se todos os participantes observarem as regras seguintes:
• Fale do seu lugar sem se levantar, a não ser em uma grande assembléia;
• Fale de maneira breve, resumida e sobre o tema que se discute;
• Preocupe-se com o seu tom de voz. Fale sempre em tom de conversação, mas garanta que todos os participantes estejam ouvindo;
• Admita só uma solução do problema de cada vez;
• Apóie cada solução que for sugerida para o problema que se discute, desde que tudo indique que dará resultado;
• Apresente evidências que demonstrem que a solução proposta é coerente;
• Evite expressar suposições ou generalidades numa reunião;
• Ouça atentamente a todos os participantes;
• Não interrompa quando outra pessoa estiver falando;
• Em vez de fazer afirmações diretas, faça perguntas;
• Se alguém fizer alguma afirmação com a qual você não concordar não discuta, mas pergunte a essa pessoa por que pensa dessa maneira. Se a pergunta vier em tom amigável, não causará ressentimentos e lhe permitirá averiguar por que a pessoa pensa daquele modo. Dessa maneira você poderá obter informações muito valiosas.

Você pode fazer um “algo a mais” para que as reuniões fiquem ainda melhores:
• Ao invés de simplesmente seguir a pauta, discuta as coisas certas e inclua itens mais importantes e urgentes nela;
• Aproveite os estilos e preferências dos membros na distribuição das tarefas ao invés de simplesmente começar e terminar a reunião na hora marcada;
• Passe a maior parte do tempo tomando decisões e não apenas relatando e compartilhando informações;
• Envolver todos os membros da equipe nas reuniões é fundamental, porém você pode fazer mais: inclua parceiros internos, clientes e fornecedores na reunião.

Extraído do livro A Arte de Liderar – Vivenciando mudanças num mundo globalizado de Sonia Jordão

Contato da entrevistada:
E-mail: sonia@soniajordao.com.br
Visite os portais: www.soniajordao.com.br e www.tecerlideranca.com.br

Vogg Branded Content – Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330


Cresce otimismo na indústria de materiais de construção

Em fevereiro, segundo termômetro da associação, 78% dos fabricantes estavam confiantes no desempenho das vendas

O cenário da indústria de materiais de construção aponta para a superação da crise financeira internacional. De acordo com o termômetro da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) - sondagem realizada entre as empresas que fazem parte da associação -, 78% dos fabricantes de materiais estão otimistas quanto ao desempenho das vendas no curto prazo, para o mês de fevereiro. No mês anterior, esse indicador era de 71%.

O índice de otimismo é de 75% quanto às ações do governo voltadas para o setor da construção civil nos próximos 12 meses. “A prorrogação da desoneração do IPI reduzido e a proximidade do início de projetos para a Copa do Mundo são fatores determinantes para essa recuperação”, comenta Melvyn Fox, presidente da entidade. “Também influencia a retomada do número de empreendimentos oferecidos pelas construtoras.”

A perspectiva de atendimento à demanda segue estável. De acordo com o termômetro, o nível de capacidade instalada utilizado está em 86%. “Isso ainda não é preocupante, mas é um sinal de alerta de que investimentos na capacidade de produção serão necessários em breve”, lembra Fox. Cerca de 60% das indústrias de materiais têm pretensão de investir nos próximos 12 meses. Houve crescimento em relação a janeiro de 2009, auge da crise, quando apenas 37% planejavam investir.

Fonte: ABRAMAT

Vogg Branded Content – Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330


Brasil mede o grau de inovação de sua indústria

Com incentivo governamental, construção civil se mobiliza para atingir o nível dos principais setores inovadores do país

Sete em cada dez reais investidos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no Brasil vêm do caixa das empresas privadas. No entanto, ainda se investe pouco em inovação no País. Os recursos equivalem a 1% do Produto Nacional Bruto (PNB), ante 3,17% no Japão e 2,61% nos Estados Unidos. Para aumentar esses investimentos e possibilitar maior competitividade internacional ao produto brasileiro é que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como o com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), retomou a Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec).

Fernanda Vilhena, coordenadora da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec)

O levantamento engloba as empresas brasileiras com mais de 500 empregados. O resultado será divulgado em julho de 2010. A economista Fernanda Vilhena, responsável pela Pintec, destaca a importância da pesquisa no auxílio da elaboração de políticas públicas para o setor da inovação. “O governo utiliza a Pintec como uma referência para os indicadores de inovação e de P&D para elaborar políticas específicas”, disse. Ela lembrou, também, que a Pintec é fonte de vários trabalhos acadêmicos que pesquisam o fenômeno da inovação.

Estão sendo entrevistadas 16,3 mil empresas em todo o país, dos setores industrial, de telecomunicações, de informática e de P&D. Foram selecionadas aquelas que participam com mais de 1% do Valor da Transformação Industrial (VTI). Como a primeira pesquisa foi realizada em 2000, seguida de outras duas em 2003 e 2005, o levantamento atual pegará dados de 2006, 2007 e 2008. Na Pintec 2005, o Paraná possuía 10,4% das empresas industriais inovadoras do Brasil, com a segunda maior taxa de inovação (40,5) e representando 4,5% do total de gastos em P&D no país.

Ainda de acordo com a última Pintec, a taxa de inovação nas indústrias brasileiras se mantém estável em torno de 33,4%. A pesquisa investiga se as empresas lançaram produtos novos no mercado (com uma tecnologia inovadora) ou se utilizaram processos novos na produção. As questões incluem também os gastos efetuados no esforço inovador, pessoal ocupado em P&D, impactos da inovação, além de fontes de financiamento público ou privado; formas de proteção, como registro de patentes; cooperação e parceria; e obstáculos enfrentados no processo inovador.

Um panorama da inovação na construção civil

Segundo a Pintec 2005, os setores brasileiros com as maiores taxas de inovação no período foram o automobilístico, o de equipamentos de informática, o de instrumentação médico-hospitalares, instrumentos de precisão e ópticos e o de equipamentos para automação industrial, cronômetros e relógios.

A construção civil aparece discretamente no levantamento. Há um consenso de que, até então, a inovação não era uma prática comum na construção civil brasileira. Especialistas são categóricos ao afirmar que, apesar de responder por uma fatia significativa do Produto Interno Brasileiro (PIB), cerca de 16%, o setor ainda não se industrializou por completo, não deu um salto tecnológico significativo. "A inovação na construção civil começou a ser significativa a partir do final dos anos 1990, mas ainda está aquém do que de fato precisaria ser para melhorar os patamares de produtividade, reduzir custos, avançar na qualidade, segurança e impacto ambiental”, explica a engenheira civil, mestre e doutora em engenharia, Maria Angélica Covelo Silva, diretora da NGI Consultoria e Desenvolvimento.

Construção Civil: setor corre atrás de outros segmentos da indústria para se equipar em processos inovadores

Mas o setor começa a mudar esse perfil, sobretudo por causa do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-Habitat), que envolve toda a cadeia produtiva da construção civil e conta com o apoio do Comitê Nacional de Desenvolvimento Tecnológico (CTECH). Criado formalmente em 1998, o PBQP-H investe em ações para qualificação de construtoras e de projetistas, melhoria da qualidade de materiais, formação e requalificação de mão de obra, normalização técnica, capacitação de laboratórios, aprovação técnica de tecnologias inovadoras, comunicação e troca de informações. A meta é o aumento da competitividade no setor, a melhoria da qualidade de produtos e serviços, a redução de custos e a otimização do uso dos recursos públicos.

A inovação tecnológica na construção civil também começa a ganhar incentivo do governo federal. Além de estimular a participação das empresas do setor no PBQP-H, o Ministério das Cidades criou, em 2007, o Sistema Nacional de Avaliação Técnica (Sinat), que nasceu para avaliar as novas tecnologias a serem utilizadas no processo de construção. Com o lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida, também foi instituído o Sistema de Qualificação de Materiais Componentes e Sistemas Construtivos (SiMaC), no âmbito do PBQP-H. A função do SiMaC é avaliar e monitorar a fabricação de materiais e componentes para a construção civil, para elevar a qualidade, atendendo às políticas do Sistema Nacional de Metrologia (Sinmetro), em harmonia com o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC). De acordo com a coordenadora geral do PBQP-H, Maria Salette de Carvalho Weber, o SiMaC permitirá que o BNDES e a Caixa Econômica Federal tenham mais eficácia em cadastros para linhas de financiamento.

Mas no entender do Fórum Permanente das Relações Universidade-Empresa (UNIEMP), o governo poderia criar um organismo similar à Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) para a construção civil. "Em trinta anos de funcionamento, e atuando em várias frentes, a Embrapa foi responsável pela criação de novas tecnologias que proporcionaram um aumento expressivo da produtividade agrícola no Brasil. Se tivesse sido criada uma Embrapa da construção civil, certamente este setor também teria gerado e agregado progressos tecnológicos expressivos", avalia o conselheiro do UNIEMP, Walter Cirillo. Para ele, a alternativa salutar, além das medidas já tomadas, seria a reunião de diferentes competências - empresas, universidades, institutos de pesquisa e entidades do setor -, visando à promoção de ações inovadoras na construção civil brasileira.

Entrevistados:
Fernanda Vilhena, coordenadora da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec): paulo.encarnacao@ibge.gov.br (Assessor de imprensa Paulo Encarnação, da Coordenação de Comunicação Social – IBGE)

Fórum Permanente das Relações Universidade-Empresa (UNIEMP): info@uniemp.org.br

Maria Salette de Carvalho Weber, coordenadora geral do PBQP-H: snh@cidades.gov.br

Vogg Branded Content – Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330


Fibras para Concreto

Fibras de diversos tipos e composições ajudam a reforçar características importantes para o concreto

Créditos: Engº Jorge Aoki - Gerente de Assessoria Técnica da Itambé

Fibras para Concreto

As fibras para concreto vêm aos poucos ocupando um espaço significativo como material componente. Assim como os aditivos líquidos, tudo indica que sua utilização será quase obrigatória em poucos anos. Hoje em dia, não se imagina mais elaborar uma dosagem sem incorporar um aditivo polifuncional ou superplastificante, não só pela questão econômica, mas técnica também, pois em determinadas aplicações o resultado final é incomparável. Podemos dizer que, nestas últimas três décadas, os aditivos foram os que mais evoluíram como materiais componentes do concreto.

Será que agora "a bola da vez" são as fibras? Ou as adições como metacaulim e sílica ativa? Quem ganha com esta "briga" são os tecnologistas, pois podem dispor de muitos recursos para dosar um bom concreto. Vale lembrar que estes materiais não são "milagrosos", ou seja, não são como uma poção mágica que adicionamos em um concreto ruim e, de repente, tudo fica bom. Eles são ótimos para reforçar ou melhorar uma característica que o concreto já tenha ou alterar alguma propriedade que queremos reduzir como a retração. Portanto, o segredo sempre é fazer uma boa dosagem.

Na realidade, fibras, aditivos e adições se completam e podem ser utilizados em conjunto com ótimos resultados.

Evolução dos tipos de fibras e suas aplicações

As fibras são fabricadas em diversos materiais, diâmetros e comprimentos. Podem ser usadas praticamente em qualquer tipo de concreto, inclusive combinadas, para atender simultaneamente a finalidades diferentes. Assim, podemos precisar de um reforço no concreto para altas temperaturas e um aumento do módulo de deformação ao mesmo tempo.

Hoje no mercado encontramos diversos tipos de fibras: polipropileno, aço, vidro, nylon, poliéster, carbono, sintética, celulose, amianto, sisal e fibras vegetais.

No passado, as fibras para concreto eram utilizadas apenas para evitar a retração ou reforçar a resistência mecânica. Mas, atualmente diversas aplicações foram incorporadas. Um bom exemplo é o uso de fibras de polipropileno em concretos submetidos a altas temperaturas ou com grande risco de incêndio. Nesta situação, ocorre a extinção das fibras e em seu lugar surgem diversos canais interligados na massa de concreto, que aliviam a pressão interna gerada pelo vapor d'água e evitam o desplacamento.

Outro avanço importante foi a redução do diâmetro, do comprimento e da flexibilidade das fibras. No passado, para se evitar a retração era usada uma fibra de polipropileno em forma de ráfia, que ficava aparente na superfície do concreto, prejudicando muito a textura e o acabamento. Nesta nova geração, após o concreto estar endurecido, não percebemos mais a presença das fibras.

Outra dificuldade do passado também foi reduzida bastante - a mistura das fibras no concreto. Antes as fibras eram separadas manualmente e colocadas na correia transportadora dos agregados aos poucos para ficarem distribuídas homogeneamente. Com as novas dimensões e outra boa evolução - as embalagens hidrossolúveis - a mistura fica muito facilitada. Nas utilizações convencionais a dosagem varia de 600 a 900 g/m3.

Ainda nesta questão da fissuração por retração e reforço na estrutura do concreto as fibras de aço também são largamente utilizadas. Obtidas a partir do arame trefilado, lã de aço ou ainda chapas de aço cortadas, tem como característica o módulo de deformação alto o que facilita seu desempenho nestes objetivos. As dosagens são muito variadas, dependendo da finalidade, e sua utilização vai desde o concreto convencional até o pavimento rígido, passando por pisos, pátios e estacionamentos.

Mais recentes no mercado, dois outros tipos de fibras estão incorporando tecnologia ao concreto: as fibras de vidro e as macrofibras sintéticas estruturais.

As fibras de vidro são obtidas em um processo de fusão de sílica, diferentes, porém, do que conhecemos como fiberglass, utilizada na indústria automobilística e outras. Têm módulo de elasticidade muito alto e atendem bem às questões de retração e reforço estrutural do concreto. As macrofibras sintéticas são formadas por monofilamentos sintéticos e tem a finalidade principal de substituir armaduras e fibras de aço até certo grau de solicitação. Podem ser utilizadas em pisos, pavimentos com grande solicitação de tráfego e pré-fabricados em geral. Também são fornecidas em embalagens hidrossolúveis o que facilita sua mistura no concreto.

As fibras, de maneira geral, podem melhorar de fato outras propriedades do concreto como a ductibilidade (capacidade de se deformar) ou a baixa permeabilidade, mas ainda não temos normas brasileiras para o concreto reforçado com fibras - CRF e os profissionais da construção civil, projetistas e construtores, precisam conhecer melhor as características destes materiais. Mas o avanço já é muito bom.

Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 - Vogg Branded Content