Rodoanel: 32% da obra foi pavimentada com concreto

O trecho sul do Rodoanel em SP interliga as principais rodovias do estado e mostra que o concreto pode ter um custo-benefício satisfatório a longo prazo

A escolha do pavimento em uma das maiores obras do país, o trecho sul do Rodoanel, em São Paulo, chama a atenção pelo uso de tecnologias na construção da rodovia. São 32% de pavimento rígido e 68% de asfalto, escolhidos através de uma análise geológica - realizada antes do projeto ser executado.

O trecho sul do Rodoanel, em São Paulo, inaugurado no final de março deste ano, interliga as rodovias Anchieta e Imigrantes, além do ABC paulista a outras pistas importantes, como Bandeirantes, Castelo Branco, Raposo Tavares e Régis Bittencourt. O empreendimento tem 61,4 quilômetros de extensão e é o mais importante do Rodoanel, pelo seu impacto no trânsito e no transporte de carga.

A obra, que iniciou no final de 2007, levou pouco mais de trinta meses para ser concluída e foi projetada pela Dersa (Companhia de Desenvolvimento Rodoviário do Estado de São Paulo) que utilizou o pavimento rígido em 132 pontes, viadutos e acessos, o que equivale a 20 km de extensão de todo o Rodoanel.

A obra

Ponte sobre a represa Billings, mais de 1000 metros de concreto pré-moldado fabricado no canteiro de obras

Uma obra dessa natureza foi fruto de intensos estudos para avaliar os impactos ambientais, envolvendo, inclusive, pesquisadores de universidades. Tudo isso porque uma das pontes - a mais importante delas com mais de 1000 metros de extensão -, que faz ligação entre o trecho sul e a região metropolitana de São Paulo, cruza a represa Billings. As licenças ambientais permitiram o investimento no local e hoje a ponte sobre a represa tem um movimento diário em torno de cem mil veículos. Ela foi construída com concreto pré-moldado e, devido à sua grandiosidade, as peças tiveram que ser feitas no canteiro industrial.

De acordo com o diretor de engenharia da Dersa, Pedro da Silva, a escolha do material, principalmente no caso das pontes, se deu devido à boa relação custo-benefício e à alta resistência do material. A companhia estima assegurar a durabilidade do concreto utilizado no pavimento através da análise técnica de engenheiros, que acompanharam a evolução de cada um dos trechos do Rodoanel sul.

Benefícios do concreto

Para o diretor de engenharia da Dersa o uso de tecnologias para construção de rodovias tem crescido no país, principalmente em estradas feitas somente de concreto. "O Brasil está começando a explorar mais o concreto e isso é muito positivo. Optamos por fazer uma parte da obra do Rodoanel só de pavimento rígido (32% de pontes e viadutos) e o restante da rodovia de asfalto, sendo que, em alguns trechos estratégicos, como nos principais cruzamentos, utilizamos o pavimento semirrígido", explica Pedro da Silva. Segundo ele, o concreto disponibiliza, além de mais vida útil à estrada, mais segurança aos motoristas. Ainda de acordo com o diretor da Dersa, a previsão é de que o concreto das pontes e dos viadutos não exija manutenção nos próximos dez anos. "Mas é importante frisar que cada obra tem a sua particularidade", destaca.

Números da obra

A construção do trecho sul do Rodoanel exigiu investimento do governo do estado de São Paulo e do governo federal de R$ 5 bilhões, sendo R$ 3,2 bilhões referentes às obras brutas e o restante, R$ 1,8 bilhão, destinados às compensações ambientais, desapropriações e reassentamentos.

Estiveram envolvidos no projeto 11 mil trabalhadores e cinco empreiteiras. Estima-se que o Rodoanel deve desafogar 43% do movimento de veículos pesados, cerca de 80 mil caminhões que trafegam pela Avenida Bandeirantes e mais 200 mil veículos, correspondentes a 47% da frota de carros que passam diariamente pela Marginal Pinheiros.

Especificidades técnicas

No total da obra, foram utilizados 348 mil metros cúbicos de concreto moldado, 458 mil metros cúbicos de pavimento de concreto, 380 mil metros cúbicos de areia, outros 327 mil metros cúbicos de material betuminoso, além de 540 mil metros cúbicos de pedras.

Uma curiosidade: o volume de material betuminoso empregado na obra seria suficiente para encher 23.240 caminhões, com capacidade para 14 metros cúbicos; e o volume de pedras, 38.780 caminhões do mesmo tamanho.

 

Entrevistado
Pedro da Silva - Diretor de engenharia da Dersa
E-mail: imprensa@dersa.sp.gov.br


Liderança paternalista: a preferida entre brasileiros

Estudo afirma que aplicar a gestão paternalista apresenta melhores resultados com funcionários brasileiros

O modelo de liderança paternalista, que relaciona a ação do gestor com proteção, amizade e familiaridade, é o preferido entre brasileiros. Essa afirmação surgiu após a recente publicação na revista científica Thunderbird International Business Review (publicada bimestralmente nos EUA) de um artigo produzido pelo brasileiro Alfredo Behrens. O estudo realizado por Behrens, que é professor e pesquisador do Profuturo (Programa de Estudos do Futuro) e da FIA (Fundação Instituto de Administração), avaliou a preferência de alunos de MBA do Brasil e da Europa.

Alfredo Behrens. "O papel do gestor é lutar por seus colaboradores".

Behrens conta que para descobrir qual estilo de gestor é o preferido entre os trabalhadores foram disponibilizados seis vídeos curtos, sem áudio, representando cada estilo de liderança. Além do paternalista e do intelectual  - no qual o líder conquista a admiração de seus colaboradores pelo seu conhecimento - , outros quatro modelos de liderança foram citados na pesquisa: o estilo coercivo, que força a concordância imediata de seus subordinados; o autoritário, focado na motivação e inserção dos colaboradores no plano geral da empresa; o democrático, que atua através da análise e aceitação das ideias dos funcionários; e o líder modelo, que estabelece altos níveis para o desempenho da equipe e dá o exemplo de funcionário ideal.

Para realizar o estudo, o pesquisador contou com o apoio de colegas docentes de MBA no Brasil e no continente europeu, que apresentaram os vídeos aos seus alunos e coletaram as preferências dos grupos. "O estilo de liderança preferido entre os estudantes europeus é o do líder com foco intelectual - dois terços da amostra pesquisada preferiram este modelo. O percentual no Brasil foi o mesmo, porém o tipo de líder escolhido foi o paternal e protecionista", afirma o professor.

Para confirmar as constatações da pesquisa o professor realizou um pequeno questionário informal durante uma palestra na UFPR (Universidade Federal do Paraná). "Mostrei os mesmos seis vídeos e fizemos uma rápida enquete. Os alunos de graduação confirmaram o perfil brasileiro, com a preferência pelo líder paternalista", conta Behrens.

Preconceito

Os termos paternalista e protecionista normalmente possuem uma conotação pejorativa quando ligados à liderança. Isso acontece devido ao pré-conceito de que um amigo não pode cobrar resultados como um chefe. "O papel do gestor paternalista é lutar pelos seus colaboradores, principalmente, quando estes estiverem vulneráveis", analisa o professor. "Cuidar um do outro não significa confundir a relação, principalmente, em um país como o Brasil onde a hierarquia é uma característica tão presente na sociedade", afirma Alfredo Behrens.

Uma dica para garantir o respeito às hierarquias é que o chefe seja competente. "Quando o líder atua mais pela força do cargo em detrimento do caráter podem ocorrer rebeldias dos funcionários", afirma o professor. Para ser um líder paternalista e garantir o sucesso das suas ações o gestor deve saber delegar. "Ele deve ser um líder autêntico e deixar que seus colaboradores cresçam com ele, assim todos terão oportunidades para progredir profissionalmente e a empresa terá maiores resultados", ressalta o professor.

História

A preferência brasileira por uma liderança paternalista é justificada pela história nacional de lutas e insurreições populares. "Os líderes nacionais são sempre carismáticos e a política brasileira é voltada ao impacto populista", explica Behrens. A população se subordina ao juízo do líder em troca de proteção e uma ação semelhante ocorre na relação empresarial. "Se a população prefere um modelo populista na política, preferirá, também, um com o mesmo perfil nas empresas. O profissional só irá se dedicar totalmente a esse chefe se acreditar que ele será capaz de protegê-lo", afirma o pesquisador.

Alfredo Behrens defende que a liderança deve ser moldada ao que é esperado pelo colaborador. "Quando a liderança é adequada à realidade dos funcionários e ao que eles esperam de um líder a empresa torna-se mais produtiva", afirma.

Entrevistado
Alfredo Behrens - Economista com PhD pela Universidade de Cambridge
Professor de Gestão Intercultural no MBA Internacional da FIA (Fundação Instituto de Administração)
Autor do livro Culture and Management in the Americas, pela Stanford University Press, 2009. Este livro foi finalista do Prêmio Jabutí em 2008 e que também foi recomendado pela Época Negócios como um dos melhores livros de negócios do ano.
http://www.alfredobehrens.com/

Caso você queira saber mais sobre os outros modelos de gestão citados nessa matéria, deixe um comentário a seguir.


Liderança paternalista: a preferida entre brasileiros

Estudo afirma que aplicar a gestão paternalista apresenta melhores resultados com funcionários brasileiros

O modelo de liderança paternalista, que relaciona a ação do gestor com proteção, amizade e familiaridade, é o preferido entre brasileiros. Essa afirmação surgiu após a recente publicação na revista científica Thunderbird International Business Review (publicada bimestralmente nos EUA) de um artigo produzido pelo brasileiro Alfredo Behrens. O estudo realizado por Behrens, que é professor e pesquisador do Profuturo (Programa de Estudos do Futuro) e da FIA (Fundação Instituto de Administração), avaliou a preferência de alunos de MBA do Brasil e da Europa.

Alfredo Behrens. "O papel do gestor é lutar por seus colaboradores".

Behrens conta que para descobrir qual estilo de gestor é o preferido entre os trabalhadores foram disponibilizados seis vídeos curtos, sem áudio, representando cada estilo de liderança. Além do paternalista e do intelectual  - no qual o líder conquista a admiração de seus colaboradores pelo seu conhecimento - , outros quatro modelos de liderança foram citados na pesquisa: o estilo coercivo, que força a concordância imediata de seus subordinados; o autoritário, focado na motivação e inserção dos colaboradores no plano geral da empresa; o democrático, que atua através da análise e aceitação das ideias dos funcionários; e o líder modelo, que estabelece altos níveis para o desempenho da equipe e dá o exemplo de funcionário ideal.

Para realizar o estudo, o pesquisador contou com o apoio de colegas docentes de MBA no Brasil e no continente europeu, que apresentaram os vídeos aos seus alunos e coletaram as preferências dos grupos. "O estilo de liderança preferido entre os estudantes europeus é o do líder com foco intelectual - dois terços da amostra pesquisada preferiram este modelo. O percentual no Brasil foi o mesmo, porém o tipo de líder escolhido foi o paternal e protecionista", afirma o professor.

Para confirmar as constatações da pesquisa o professor realizou um pequeno questionário informal durante uma palestra na UFPR (Universidade Federal do Paraná). "Mostrei os mesmos seis vídeos e fizemos uma rápida enquete. Os alunos de graduação confirmaram o perfil brasileiro, com a preferência pelo líder paternalista", conta Behrens.

Preconceito

Os termos paternalista e protecionista normalmente possuem uma conotação pejorativa quando ligados à liderança. Isso acontece devido ao pré-conceito de que um amigo não pode cobrar resultados como um chefe. "O papel do gestor paternalista é lutar pelos seus colaboradores, principalmente, quando estes estiverem vulneráveis", analisa o professor. "Cuidar um do outro não significa confundir a relação, principalmente, em um país como o Brasil onde a hierarquia é uma característica tão presente na sociedade", afirma Alfredo Behrens.

Uma dica para garantir o respeito às hierarquias é que o chefe seja competente. "Quando o líder atua mais pela força do cargo em detrimento do caráter podem ocorrer rebeldias dos funcionários", afirma o professor. Para ser um líder paternalista e garantir o sucesso das suas ações o gestor deve saber delegar. "Ele deve ser um líder autêntico e deixar que seus colaboradores cresçam com ele, assim todos terão oportunidades para progredir profissionalmente e a empresa terá maiores resultados", ressalta o professor.

História

A preferência brasileira por uma liderança paternalista é justificada pela história nacional de lutas e insurreições populares. "Os líderes nacionais são sempre carismáticos e a política brasileira é voltada ao impacto populista", explica Behrens. A população se subordina ao juízo do líder em troca de proteção e uma ação semelhante ocorre na relação empresarial. "Se a população prefere um modelo populista na política, preferirá, também, um com o mesmo perfil nas empresas. O profissional só irá se dedicar totalmente a esse chefe se acreditar que ele será capaz de protegê-lo", afirma o pesquisador.

Alfredo Behrens defende que a liderança deve ser moldada ao que é esperado pelo colaborador. "Quando a liderança é adequada à realidade dos funcionários e ao que eles esperam de um líder a empresa torna-se mais produtiva", afirma.

Entrevistado
Alfredo Behrens - Economista com PhD pela Universidade de Cambridge
Professor de Gestão Intercultural no MBA Internacional da FIA (Fundação Instituto de Administração)
Autor do livro Culture and Management in the Americas, pela Stanford University Press, 2009. Este livro foi finalista do Prêmio Jabutí em 2008 e que também foi recomendado pela Época Negócios como um dos melhores livros de negócios do ano.
http://www.alfredobehrens.com/

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Congresso do Crea-PR irá debater a sustentabilidade na construção civil

Evento que acontece no final de maio no Paraná também irá discutir o exercício da profissão entre profissionais de todo país

por: Vanessa Bordin – Vogg Branded Content

Entre os dias 26 a 28 de maio, será realizado o 7º Congresso Estadual de Profissionais do  Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná), em Foz do Iguaçu. Entre os diversos temas que serão abordados, o foco estará na discussão sobre sustentabilidade na construção civil. Devem participar em torno de 350 pessoas do Paraná, além de profissionais de outros estados.

As propostas que serão abordadas durante o evento vieram de debates entre engenheiros, arquitetos e estudantes de universidades de 35 cidades no Paraná, realizados no mês de março. Entre os assuntos mais interessantes, levantados durante esses encontros do Crea, está o aprimoramento do modelo de gestão e de certificação do acervo técnico, ou seja, como implementar novas possibilidades de exercer as profissões de engenharia, arquitetura e agronomia. Também, estiveram em destaque a discussão de como incentivar a prática da sustentabilidade, pensando na preservação do meio ambiente e dos recursos naturais, e a utilização correta dos materiais, como, por exemplo, o concreto, para que não haja desperdício.

Segundo Joel Krüger, presidente do Crea-PR, outra discussão importante que deve permear o debate do congresso estadual será a necessidade da criação de um exame de proficiência para os recém-formados. “Hoje apenas o curso de Direito exige uma prova para certificar a profissão. Queremos implantar esse modelo também dentro dos cursos de Agronomia, Arquitetura e Engenharia. Isso daria mais suporte aos futuros profissionais”, destaca Krüger.
O 7º Congresso Estadual de Profissionais do Crea-PR vai contar com a participação de cinco palestrantes de outros estados, entre eles estão: o presidente do Conselho Nacional do Crea, Marcos Tulio de Melo; o presidente do Crea da Bahia, Jonas Dantas dos Santos; e o diretor nacional da Usina Hidrelétrica de Itaipu, Jorge Samek.
Conselho Nacional e a sustentabilidade

Segundo Joel Krüger, o Conselho Nacional se reúne de três em três anos para ouvir o que foi debatido nos conselhos regionais e tentar por em prática as medidas solicitadas nos estados. “Este ano a nossa expectativa é de que o comitê paranaense leve para o Congresso Nacional, que será realizado no segundo semestre deste ano, a sustentabilidade. Temos base para apresentar bons projetos e defendê-los também, vai depender dos resultados no final de maio, de nosso congresso em Foz”, revela o presidente do Crea-PR.

Ele deu exemplos de sustentabilidade como: reutilização da água, captação da água da chuva em residência, mecanismos que incentivem o uso de materiais ambientalmente corretos e uso racional da energia. “Cada projeto, cada material, tem a sua particularidade. O cimento, por exemplo, pode ser mais utilizado na construção de casas, pois o produto tem uma boa durabilidade e apresenta boa relação custo-benefício. Mas, é preciso analisar a cadeia produtiva num todo. Há uma universidade do Paraná em que os alunos aprendem como reutilizar o pó do mármore e transformá-lo em tijolos. Esses são exemplos de que a sustentabilidade pode ser feita e depende só de nós. No entanto, ela é urgente. É a saúde do planeta que está em questão”, finaliza o presidente do Crea-PR.

Outros estados

O mesmo congresso que acontecerá no final de maio no Paraná também será realizado em outros estados, envolvendo profissionais dos Creas regionais de cada capital do país. No segundo semestre do ano haverá, ainda, um encontro nacional reunindo os participantes de todos os Creas para aprovação das medidas finais – que devem ser colocadas em prática dentro de três anos. No Rio Grande do Sul, o congresso regional será realizado já no próximo dia 16 de maio, na Assembléia Legislativa de Porto Alegre.
Entrevistado: Joel Krüger - Presidente do Crea-PR
E-mail: comunicacao@crea-pr.org.br

FRASE FINAL: Em sua opinião, a criação de um exame de proficiência para os recém formados nos cursos de Agronomia, Arquitetura e Engenharia seria um ganho para o mercado? Participe dessa discussão e deixe um comentário a seguir!

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content


Comunicação vira alicerce da boa construção

Se fazer entender pelo canteiro de obras é hoje um dos pontos chave para que o projeto tenha uma gestão eficiente

Ricardo Rocha de Oliveira

A utilização eficiente da comunicação é considerada, atualmente, como um dos fatores de sucesso para a gestão de projetos na indústria da construção civil. Para isso, é preciso que ocorram mudanças no papel da liderança, com a adoção de novos conceitos e na forma de compreender a organização da construção. "O canteiro de obras hoje exige da liderança novos paradigmas da produção", defende o engenheiro e professor da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) Ricardo Rocha de Oliveira.

Integrante do GESTCON (Grupo de Gestão da Construção), ele avalia que a diferença entre construções que cumprem o cronograma e não desperdiçam material, para aquelas que operam de forma caótica, passa pela liderança e comunicação na gestão da construção civil. Como atingir isso, é o que ele explica na entrevista a seguir. Confira:

Daria para dizer que há um vácuo entre o que se ensina na teoria e o que a construção civil é, na prática, e que, por isso, se criam problemas de comunicação?
Ricardo - É preciso discutir e desenvolver teorias que sejam fundamentadas e utilizadas nas práticas da construção civil. Atualmente a maior parte das teorias apresenta a comunicação de uma forma limitada e, às vezes, equivocada. O processo de comunicação é visto somente como a circulação de informação para dar a conhecer o que deve ser feito, como deve ser feito e quem faz o quê. O processo de comunicação deve ser pensado através de perspectivas mais amplas, na forma como as pessoas efetivamente fazem no seu dia-a-dia. Esse processo deve ser compreendido como um sistema de interações entre pessoas e grupos que se interligam e se influenciam mutuamente. A melhor forma hoje de compreender essa interação é como uma conversação. As conversações são formas eficazes de compreender e desenvolver um processo de comunicação adequado à gestão das obras na construção civil.

Uma comunicação bem direcionada no canteiro de obras é capaz de tornar a construção mais ágil e ajudá-la a não atrasar o cronograma?
Ricardo - Na concepção de comunicação como conversações é preciso entender que o papel dos responsáveis pelas obras é o de um líder. A ação dos líderes deve estar voltada para a articulação e ativação de uma rotina de conversações que criam as conexões de compromissos para se atingir os objetivos estabelecidos para aquela construção, tais como prazo e qualidade. Nessa compreensão, a tarefa do líder passa a ser produzir confiança entre as pessoas participantes da rede de compromissos para permitir que os diversos grupos se enxerguem dentro de desempenhos factíveis e possam aprender a conectar os interesses de cada um aos interesses gerais do projeto.

Como os cursos de engenharia têm lidado com o choque cultural do engenheiro saído dos bancos acadêmicos e seus subordinados, muitas vezes, com baixa qualificação?
Ricardo - Em geral, os cursos de engenharia ainda apresentam uma maior atenção à formação com relação aos aspectos técnicos. No entanto, está havendo uma grande evolução nos últimos anos, na busca de introduzir aspectos sócio-comportamentais ao conjunto de competências desenvolvidas durante a formação acadêmica. Hoje há exigência de estágio em todos os cursos de graduação, como um processo de interação entre a teoria ensinada nas universidades e a vivência prática necessária à adaptação do profissional ao seu campo de trabalho. Outras boas iniciativas têm ocorrido nos processos de qualificação de profissionais em cursos de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado). Vários trabalhos são desenvolvidos em estudos em empresas construtoras e em ambientes de obras, com o desenvolvimento dos profissionais nesse processo. Algumas construtoras têm buscado parcerias com programas de pós-graduação e absorvido esses profissionais. Para o entendimento de comunicação e liderança como conversações esse processo é muito importante. Os profissionais interagem e começam a compreender formas de se relacionar com pessoas e grupos de diferentes origens. Esse processo é o que forma líderes, eles passam a compreender que é necessário conversar adequadamente em ocasiões distintas, usar diferentes meios de comunicação e diferentes formas de linguagem para diferentes públicos.

Qual o caminho para que um responsável por um projeto consiga liderar o canteiro de obras?
Ricardo - Ao compreender o papel fundamental das conversações para o gerenciamento das obras, o líder passa a ter uma função de produzir a confiança necessária de forma que as pessoas unam seus interesses, coordenem ações, aprendam e façam inovações juntas. O papel do líder passa a ser o de moldar as circunstâncias onde os grupos envolvidos desenvolvam um entendimento compartilhado, cultivam a construção de compromissos e produzam intenções coerentes, através do uso de conversações adequadas. A liderança inicia, facilita e participa dessas conversações. Para se tornar líder o profissional deve desenvolver habilidades relacionadas à comunicação: ouvir atentamente e considerar opiniões divergentes; detectar diferenças entre os requisitos necessários para o gerenciamento da obra e a cultura existente nos vários grupos com que trabalha; ser o responsável por identificar os tipos de interação existentes e desencadear formas para adicionar, modificar e suprimir conversações necessárias à obtenção dos resultados do projeto.

Hoje, a base da pirâmide da construção civil - os operários -, já está melhor qualificada. Esse é o caminho: entender que a gestão da obra depende de um trabalho coletivo?
Ricardo - A melhoria na qualificação dos operários é um fator necessário para o desenvolvimento do setor da construção. Não é possível pensar em um melhor desempenho das obras sem profissionais com competência em todos os níveis, do estratégico ao operacional. As obras são organizações dependentes da articulação e coordenação de vários grupos. Quanto mais qualificados forem os operários, melhor a comunicação. É primordial que eles saibam ouvir e falar com colegas e superiores. Também devem compreender melhor os textos aos quais as obras se referenciam, tais como instruções de trabalho, cronogramas e projetos de arquitetura e engenharia, para desenvolver conversações mais embasadas. Há muitas sugestões e contribuições originadas de pessoal operacional, devido à sua proximidade e a experiência na execução das obras. Um líder compreende que essas contribuições podem ser aproveitadas para melhorar os trabalhos, além de criar um clima agradável, ao ouvir e considerar as opiniões de todos. A tarefa de liderança no gerenciamento das obras deve encampar a busca do desenvolvimento de aspectos de comunicação dos recursos humanos.

Existem casos em que os operários respeitam mais o mestre de obras do que o engenheiro, pois consideram que o primeiro tem uma longa experiência em canteiro de obras e o segundo tem apenas a teoria. Como solucionar um impasse desses?
Ricardo
- Há algumas propostas inovadoras de organização de obras que tem abolido ou reduzido a presença do mestre de obras. No entanto, na maioria dos canteiros a figura do mestre de obras ainda é bastante importante no gerenciamento dos trabalhos, justamente por ter uma linguagem e desenvolver conversações com os operários de obras mais facilmente que boa parte dos engenheiros. Ao estruturar uma organização da obra com a presença do mestre é preciso deixar claro as esferas de competência desse profissional e do engenheiro. Em alguns momentos é preciso delegar para ganhar confiança e em outros definir parâmetros e limites necessários ao desempenho das tarefas. Ao considerar as conversações como fundamental à gestão das obras, o engenheiro como líder deve estruturar e articular uma rotina adequada de conversações com esse e outros profissionais da obra, para manter claro o papel de cada um na gestão. Um líder efetivo tem a compreensão de que as diferenças não devem ser ignoradas, mas alvo de conversações para se atingir um alinhamento do grupo na obtenção dos objetivos de custo, prazo e qualidade da obra.

No que a tecnologia da informação, por exemplo, pode ajudar a resolver conflitos de comunicação na construção civil?
Ricardo - A tecnologia da informação é uma aliada à melhoria da comunicação e cada vez mais presente nas obras. É impossível pensar as obras atualmente sem a incorporação de rotinas com apoio de computadores e uso de programas e outros recursos da tecnologia da informação na coordenação de orçamentos, prazos e processos gerenciais de suprimentos. No entanto, o potencial que as tecnologias da informação apresentam deve ser complementado por uma compreensão do processo como as pessoas e as organizações usam e compartilham as informações produzidas. Nesse sentido, considero que a tecnologia da informação é fundamental, mas o que ela produz só se torna comunicação quando interpretada pelas pessoas. Por isso, deve-se ampliar a concepção e usar a tecnologia da informação como aliada aos processos de gestão, ao considerar a comunicação um processo humano e levar em conta pontos de vista gerenciais e organizacionais.

Entrevistado
Ricardo Rocha de Oliveira:
- Graduação: Engenharia Civil pela UEL - Universidade Estadual de Londrina (1988)
- Mestrado em Engenharia pela UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (1993)
- Está em fase de conclusão de doutorado pelo PPGEC - Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFSC, com o tema Gestão de Obras e Comunicação como um processo de tradução de conversações em texto
- Professor da Unioeste - Universidade Estadual do Oeste do Paraná, desde1995. Atua em disciplinas da área de Gestão e Economia da Construção e Planejamento e Controle de Obras
- Coordenador de Projetos de Pesquisa na área de Gestão, Qualidade e Produtividade de Obras Habitacionais de Interesse Social
- Autor de 46 trabalhos científicos publicados em diversos eventos da área de construção civil
- Autor do capítulo Metodologia para melhoria da qualidade e produtividade em obras habitacionais de caráter repetitivo, no livro Inovação, Gestão da Qualidade & Produtividade e Disseminação do Conhecimento na Construção Habitacional. Publicado pela: ANTAC - Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído em 2003
- Tem experiência profissional em construção civil, com ênfase em Gestão da Construção
E-mail: rroliveira@ecv.ufsc.br ou rroliveira@unioeste.br

Vogg Branded Content - Jornalista responsável Vanessa Bordin MTB 00779


Comunicação vira alicerce da boa construção

Se fazer entender pelo canteiro de obras é hoje um dos pontos chave para que o projeto tenha uma gestão eficiente

Ricardo Rocha de Oliveira

A utilização eficiente da comunicação é considerada, atualmente, como um dos fatores de sucesso para a gestão de projetos na indústria da construção civil. Para isso, é preciso que ocorram mudanças no papel da liderança, com a adoção de novos conceitos e na forma de compreender a organização da construção. "O canteiro de obras hoje exige da liderança novos paradigmas da produção", defende o engenheiro e professor da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) Ricardo Rocha de Oliveira.

Integrante do GESTCON (Grupo de Gestão da Construção), ele avalia que a diferença entre construções que cumprem o cronograma e não desperdiçam material, para aquelas que operam de forma caótica, passa pela liderança e comunicação na gestão da construção civil. Como atingir isso, é o que ele explica na entrevista a seguir. Confira:

Daria para dizer que há um vácuo entre o que se ensina na teoria e o que a construção civil é, na prática, e que, por isso, se criam problemas de comunicação?
Ricardo - É preciso discutir e desenvolver teorias que sejam fundamentadas e utilizadas nas práticas da construção civil. Atualmente a maior parte das teorias apresenta a comunicação de uma forma limitada e, às vezes, equivocada. O processo de comunicação é visto somente como a circulação de informação para dar a conhecer o que deve ser feito, como deve ser feito e quem faz o quê. O processo de comunicação deve ser pensado através de perspectivas mais amplas, na forma como as pessoas efetivamente fazem no seu dia-a-dia. Esse processo deve ser compreendido como um sistema de interações entre pessoas e grupos que se interligam e se influenciam mutuamente. A melhor forma hoje de compreender essa interação é como uma conversação. As conversações são formas eficazes de compreender e desenvolver um processo de comunicação adequado à gestão das obras na construção civil.

Uma comunicação bem direcionada no canteiro de obras é capaz de tornar a construção mais ágil e ajudá-la a não atrasar o cronograma?
Ricardo - Na concepção de comunicação como conversações é preciso entender que o papel dos responsáveis pelas obras é o de um líder. A ação dos líderes deve estar voltada para a articulação e ativação de uma rotina de conversações que criam as conexões de compromissos para se atingir os objetivos estabelecidos para aquela construção, tais como prazo e qualidade. Nessa compreensão, a tarefa do líder passa a ser produzir confiança entre as pessoas participantes da rede de compromissos para permitir que os diversos grupos se enxerguem dentro de desempenhos factíveis e possam aprender a conectar os interesses de cada um aos interesses gerais do projeto.

Como os cursos de engenharia têm lidado com o choque cultural do engenheiro saído dos bancos acadêmicos e seus subordinados, muitas vezes, com baixa qualificação?
Ricardo - Em geral, os cursos de engenharia ainda apresentam uma maior atenção à formação com relação aos aspectos técnicos. No entanto, está havendo uma grande evolução nos últimos anos, na busca de introduzir aspectos sócio-comportamentais ao conjunto de competências desenvolvidas durante a formação acadêmica. Hoje há exigência de estágio em todos os cursos de graduação, como um processo de interação entre a teoria ensinada nas universidades e a vivência prática necessária à adaptação do profissional ao seu campo de trabalho. Outras boas iniciativas têm ocorrido nos processos de qualificação de profissionais em cursos de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado). Vários trabalhos são desenvolvidos em estudos em empresas construtoras e em ambientes de obras, com o desenvolvimento dos profissionais nesse processo. Algumas construtoras têm buscado parcerias com programas de pós-graduação e absorvido esses profissionais. Para o entendimento de comunicação e liderança como conversações esse processo é muito importante. Os profissionais interagem e começam a compreender formas de se relacionar com pessoas e grupos de diferentes origens. Esse processo é o que forma líderes, eles passam a compreender que é necessário conversar adequadamente em ocasiões distintas, usar diferentes meios de comunicação e diferentes formas de linguagem para diferentes públicos.

Qual o caminho para que um responsável por um projeto consiga liderar o canteiro de obras?
Ricardo - Ao compreender o papel fundamental das conversações para o gerenciamento das obras, o líder passa a ter uma função de produzir a confiança necessária de forma que as pessoas unam seus interesses, coordenem ações, aprendam e façam inovações juntas. O papel do líder passa a ser o de moldar as circunstâncias onde os grupos envolvidos desenvolvam um entendimento compartilhado, cultivam a construção de compromissos e produzam intenções coerentes, através do uso de conversações adequadas. A liderança inicia, facilita e participa dessas conversações. Para se tornar líder o profissional deve desenvolver habilidades relacionadas à comunicação: ouvir atentamente e considerar opiniões divergentes; detectar diferenças entre os requisitos necessários para o gerenciamento da obra e a cultura existente nos vários grupos com que trabalha; ser o responsável por identificar os tipos de interação existentes e desencadear formas para adicionar, modificar e suprimir conversações necessárias à obtenção dos resultados do projeto.

Hoje, a base da pirâmide da construção civil - os operários -, já está melhor qualificada. Esse é o caminho: entender que a gestão da obra depende de um trabalho coletivo?
Ricardo - A melhoria na qualificação dos operários é um fator necessário para o desenvolvimento do setor da construção. Não é possível pensar em um melhor desempenho das obras sem profissionais com competência em todos os níveis, do estratégico ao operacional. As obras são organizações dependentes da articulação e coordenação de vários grupos. Quanto mais qualificados forem os operários, melhor a comunicação. É primordial que eles saibam ouvir e falar com colegas e superiores. Também devem compreender melhor os textos aos quais as obras se referenciam, tais como instruções de trabalho, cronogramas e projetos de arquitetura e engenharia, para desenvolver conversações mais embasadas. Há muitas sugestões e contribuições originadas de pessoal operacional, devido à sua proximidade e a experiência na execução das obras. Um líder compreende que essas contribuições podem ser aproveitadas para melhorar os trabalhos, além de criar um clima agradável, ao ouvir e considerar as opiniões de todos. A tarefa de liderança no gerenciamento das obras deve encampar a busca do desenvolvimento de aspectos de comunicação dos recursos humanos.

Existem casos em que os operários respeitam mais o mestre de obras do que o engenheiro, pois consideram que o primeiro tem uma longa experiência em canteiro de obras e o segundo tem apenas a teoria. Como solucionar um impasse desses?
Ricardo
- Há algumas propostas inovadoras de organização de obras que tem abolido ou reduzido a presença do mestre de obras. No entanto, na maioria dos canteiros a figura do mestre de obras ainda é bastante importante no gerenciamento dos trabalhos, justamente por ter uma linguagem e desenvolver conversações com os operários de obras mais facilmente que boa parte dos engenheiros. Ao estruturar uma organização da obra com a presença do mestre é preciso deixar claro as esferas de competência desse profissional e do engenheiro. Em alguns momentos é preciso delegar para ganhar confiança e em outros definir parâmetros e limites necessários ao desempenho das tarefas. Ao considerar as conversações como fundamental à gestão das obras, o engenheiro como líder deve estruturar e articular uma rotina adequada de conversações com esse e outros profissionais da obra, para manter claro o papel de cada um na gestão. Um líder efetivo tem a compreensão de que as diferenças não devem ser ignoradas, mas alvo de conversações para se atingir um alinhamento do grupo na obtenção dos objetivos de custo, prazo e qualidade da obra.

No que a tecnologia da informação, por exemplo, pode ajudar a resolver conflitos de comunicação na construção civil?
Ricardo - A tecnologia da informação é uma aliada à melhoria da comunicação e cada vez mais presente nas obras. É impossível pensar as obras atualmente sem a incorporação de rotinas com apoio de computadores e uso de programas e outros recursos da tecnologia da informação na coordenação de orçamentos, prazos e processos gerenciais de suprimentos. No entanto, o potencial que as tecnologias da informação apresentam deve ser complementado por uma compreensão do processo como as pessoas e as organizações usam e compartilham as informações produzidas. Nesse sentido, considero que a tecnologia da informação é fundamental, mas o que ela produz só se torna comunicação quando interpretada pelas pessoas. Por isso, deve-se ampliar a concepção e usar a tecnologia da informação como aliada aos processos de gestão, ao considerar a comunicação um processo humano e levar em conta pontos de vista gerenciais e organizacionais.

Entrevistado
Ricardo Rocha de Oliveira:
- Graduação: Engenharia Civil pela UEL - Universidade Estadual de Londrina (1988)
- Mestrado em Engenharia pela UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (1993)
- Está em fase de conclusão de doutorado pelo PPGEC - Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFSC, com o tema Gestão de Obras e Comunicação como um processo de tradução de conversações em texto
- Professor da Unioeste - Universidade Estadual do Oeste do Paraná, desde1995. Atua em disciplinas da área de Gestão e Economia da Construção e Planejamento e Controle de Obras
- Coordenador de Projetos de Pesquisa na área de Gestão, Qualidade e Produtividade de Obras Habitacionais de Interesse Social
- Autor de 46 trabalhos científicos publicados em diversos eventos da área de construção civil
- Autor do capítulo Metodologia para melhoria da qualidade e produtividade em obras habitacionais de caráter repetitivo, no livro Inovação, Gestão da Qualidade & Produtividade e Disseminação do Conhecimento na Construção Habitacional. Publicado pela: ANTAC - Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído em 2003
- Tem experiência profissional em construção civil, com ênfase em Gestão da Construção
E-mail: rroliveira@ecv.ufsc.br ou rroliveira@unioeste.br

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Especialistas debatem tendências na execução de estruturas de concreto

Seminário realizado discutiu racionalização de custos, conformidade técnica, desempenho e durabilidade do insumo

A PINI realizou, no mês de abril, em São Paulo, o seminário Projeto e Execução de Estruturas de Concreto. O evento discutiu temas como a racionalização de custos, conformidade técnica, desempenho e durabilidade do insumo. O público, que lotou o auditório do Centro de Convenções Milenium, conferiu palestras de cinco profissionais reconhecidos no mercado nacional. Confira, a seguir, os principais destaques do encontro:

Estudos e tecnologia do concreto
A primeira palestra foi ministrada por Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, coordenador da pós-graduação em Engenharia Civil da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e diretor regional do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto).

Segundo Luiz Carlos, não há, no Brasil, estatísticas e dados suficientes sobre o concreto. Há necessidade, por exemplo, de novos modelos sobre a fadiga do material. Na opinião do diretor do Ibracon, o conhecimento de tais informações seria fundamental para o melhor uso do concreto, face à sua crescente complexidade.

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Aliando produtividade à boa saúde

Estatísticas apontam: profissionais que dedicam alguns minutos do dia para exercícios físicos no ambiente de trabalho melhoram a produtividade e descartam chances de futuras doenças

Ana Beatriz de Oliveira

"Se por um lado a medicina vem avançando nos últimos anos em diagnósticos, a saúde da população brasileira não", é o que diz a fisioterapeuta, doutora em ergonomia da Universidade de São Carlos, em São Paulo, Ana Beatriz de Oliveira. Estatísticas recentes mostram que aumentou o número de pessoas no Brasil com problemas de coluna e, na maioria dos casos entre pessoas de 25 a 40 anos, decorrentes da falta de exercícios físicos. "O trabalho em excesso, numa só posição, cansa os músculos e pode provocar as mialgias, dores nos músculos do corpo", explica Ana Beatriz.

No Brasil, os homens são os que menos adotam exercícios terapêuticos no trabalho. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina, 70% do público que segue a medicina complementar é formado por mulheres.

Segundo a doutora da Universidade de São Carlos existe uma série de exercícios simples que pode ser feita no próprio ambiente de trabalho de forma rápida, em pequenas pausas. As recomendações valem para profissionais que trabalham em escritórios e que passam muito tempo sentados.

Deixar alguns objetos, como impressoras e pastas com documentos, longe da mesa de trabalho é uma dica para que o profissional levante e caminhe um pouco. A doutora acredita que o ideal é fazer esse exercício a cada uma hora. "Ao levantar o profissional pode alongar o pescoço mexendo a cabeça para cima e para baixo e movimentar os ombros, isso já vai proporcionar uma sensação de relaxamento e na hora em que a pessoa voltar ao trabalho se sentirá bem melhor", revela.

A respiração como boa aliada

"O profissional que trabalha em escritórios acaba depositando todo o estresse do dia a dia na região dos ombros, por isso as dores são comuns nessa região e, neste caso, o que deve ser feito é controlar a respiração", diz a fisioterapeuta. Respirar melhor ajuda a aliviar as tensões. "Ao inspirar e expirar o abdômen é contraído, fortalecendo a musculatura da barriga", explica. Outra dica importante e que traz benefícios é respirar profundamente, várias vezes ao dia.

Ambiente adequado

No ambiente de trabalho o profissional pode adequar a terapia ao espaço físico para se exercitar. "Como, por exemplo, alongando os pés, levantando o calcanhar e contraindo as panturrilhas. Isso pode ser feito várias vezes ao dia e vai auxiliar a circulação sanguínea e acelerar os batimentos do coração por alguns minutos, o que é ótimo para quem passa muito tempo sentado", destaca Ana Beatriz.

Para evitar as mialgias, a fisioterapeuta acrescenta que todo profissional deve sentar-se encostado na cadeira com um ângulo de 100°, isso significa que a pessoa deve estar um pouco inclinada para trás, apoiando a região lombar na cadeira e aliviando a dos ombros. "Todas essas medidas são simples e podem ser adotadas em qualquer ambiente de escritório com facilidade", recomenda.

As pernas e os pés devem formar um ângulo de 90° e os pés devem estar sempre em contato com o chão. Para os profissionais que trabalham sentados usando o computador o ideal é ter um apoio para as mãos ao utilizar o teclado, que preferencialmente, não deve ficar muito afastado do corpo. O centro da tela do computador deve estar alinhado à altura dos olhos do profissional. E, quanto aos braços, o mais adequado é deixá-los na posição semi-refletida, ou seja, nem muito esticados e nem totalmente dobrados. "Isso tudo evita futuras lesões nas articulações, como tendinite e bursite", explica a doutora.

"O que os profissionais precisam saber é que se esses exercícios terapêuticos forem seguidos, diariamente, a resistência física melhora consideravelmente", complementa Ana Beatriz.

A prática de pequenos exercícios ao longo do dia pode evitar mialgias e futuras doenças na coluna.

Currículo
- Graduação em Fisioterapia pela Universidade Federal de São Carlos
- Doutorado em Fisioterapia, na área de Fisioterapia Preventiva/Ergonomia pela Universidade Federal de São Carlos
- Aprimoramento em Segurança e Saúde Ocupacional pelo Instituto Sueco de Vida no Trabalho (Arbetslivsinstitutet)
- Professora do Departamento de Fisioterapia e do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da Universidade Federal de São Carlos
- Atuação na área de biomecânica ocupacional, saúde e segurança ocupacional e prevenção de lesão musculoesquelética
E-mail: biaoliveira@gmail.com

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Disseminando novas ferramentas e tendências para a construção civil

Sinduscon-RS promove seminários durante o ano de 2010 para empresários e engenheiros de todo país com foco no mercado interno e externo

A CII/Sinduscon-RS (Comissão da Indústria Imobiliária, do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul) iniciou no dia 27 de abril um ciclo de seminários para o ano de 2010, com o propósito de atualização das empresas do setor, independente do porte, com as novas tendências do mercado, que vem sendo praticadas em nível nacional e internacional. No primeiro módulo realizado, o foco foi gestão, sendo abordados os temas governança corporativa, importância dos indicadores e adoção de estratégias para obter sucesso num cenário altamente competitivo. Para o vice-presidente do Sinduscon-RS, coordenador da CII, Mauro Touguinha, os eventos buscam desmistificar a ideia de que novas tecnologias são adequadas somente às grande empresas. “Nosso objetivo é apresentar ferramentas viáveis e eficientes também para as micro, pequenas e médias empresas, cerca de 90% do universo de filiados do Sinduscon-RS”, salientou. Nos próximos módulos serão abordados os temas produto (junho), financiamentos (agosto) e vendas (outubro).

O tema gestão atraiu cerca de 70 pessoas, entre empresários e profissionais no Teatro do Sinduscon-RS. Na primeira palestra Jairo Gudis, cofundador do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa RS, mostrou os benefícios da ferramenta de gestão, que é viável a todas as empresas, independente do porte ou segmento econômico. Para o mercado imobiliário, que vive um momento de grandes oportunidades, Gutis salientou os benefícios da boa Governança Corporativa: menor custo de capital, melhor desempenho da organização, soluções alternativas de conflitos entre sócios, menor risco empresarial, maior valor da companhia e, em função da transparência que envolve a ferramenta, melhor acesso a recursos financeiros externos, devido, obviamente, a uma melhor análise do grau de risco das empresas.

Na palestra Indicadores: Ferramenta para o Sucesso de Gestão, o consultor da Quality Inn, Newton Dri, salientou que ainda não descobriram melhor método de se retroalimentar os negócios, que não seja através de um controle rigoroso de indicadores, que demonstram se as estratégias das empresas são as mais adequadas para se atingir os seus principais objetivos. São os indicadores que demonstram os pontos fortes e os pontos fracos das atuações das organizações, quando se avalia resultados quanto a lucros, satisfação de clientes, qualidade de produção, custos, receitas, despesas, possibilitando, inclusive, uma percepção de como estão os negócios, quando comparado com os demais concorrentes do mercado.

Finalizando o primeiro módulo do Seminários Sinduscon-RS 2010, o diretor executivo da Inex Marketing, Henri Peixoto Krause, provocou os empresários presentes a uma reflexão sobre a diferença entre eficiência operacional e estratégia em si. Krause afirma que o latino não tem a cultura de pensar e, muito menos, definir estratégias nos negócios. A ferramenta permite que as empresas compreendam melhor os conceitos envolvendo seus negócios e o comportamento de seus clientes. “Estudos e pesquisas mais direcionados aumentam o grau de acertos”, concluiu.

Fonte: Sinduscon Rio Grande do Sul

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Conheça alguns pavilhões da ExpoXangai 2010

Exposição que abriu em 1° de maio reúne 190 países e mais de 50 organizações internacionais. Arquitetos e designers entraram na disputa pelo pavilhão mais chamativo

As portas da World Expo 2010 em Xangai foram abertas para o público no dia 1° de maio. Com o tema Melhor Cidade, Melhor Vida, o evento reúne 190 países e mais de 50 organizações internacionais, divididos em cinco zonas da exposição dentro do distrito de Pudong. A previsão é que 70 milhões de pessoas visitem o evento até seu término, dia 31 de outubro.

Levantando uma preocupação internacional sobre desenvolvimento urbano sustentável, a Expo 2010 conta com mais de 100 pavilhões, cujas próprias estruturas arquitetônicas circulam sobre o tema. O Brasil finalmente terá um pavilhão próprio - a última vez foi em 1970, quando Paulo Mendes da Rocha projetou o pavilhão em Osaka. Durante 40 anos, dividimos pavilhões-padrão com outros países, como na última Expo, em Zaragoza, ou até mesmo quando se fez um concurso: em 1992, apesar de ter havido um concurso com projeto de Alvaro Puntoni, Angelo Bucci e José Oswaldo Vilela, decidiu-se não construir um pavilhão e dividir um com outros países.

O pavilhão do Brasil, desenvolvido pelo escritório Fernando Brandão, possui uma fachada produzida com pedaços sobrepostos de madeira reciclada e pintada de verde, apoiados em uma estrutura metálica. Brandão foi vencedor do concurso criado pela AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura) em parceria com a APEX (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) - em um concurso fechado aos associados AsBEA, em que os interessados tiveram de apresentar um projeto de ideias em dez dias.

ExpoXangai 2010

Brandão criou a marca de um "Brasil de braços abertos", como o arquiteto explica, com dois parênteses invertidos, instalado na frente do Pavilhão. A ideia de pulsação, por sua vez, está em toda fachada com os pequenos pedaços de madeira que parecem estar vibrando. Fã dos irmãos Campana, Brandão explica que tentou se apropriar da linguagem da dupla de designers para a criação dessa fachada.

Localizado na zona C da Expo, o projeto foi desenvolvido em um pavilhão de 1500m², que os organizadores da exposição alugam aos países que optam em não construir uma edificação própria. Com um mezanino apenas para os comissários e imprensa, o pavilhão possui um pavimento de 900 m² de área útil, dividido em seções que trazem vídeos interativos da produtora O2 sobre as torcidas de futebol, os cotidianos dos trabalhadores, as festas comemorativas, a diversidade racial, o turismo e a sustentabilidade.

Outros pavilhões

Há de tudo na Expo para chamar a atenção, e arquitetos e designers entraram na disputa pelo pavilhão mais chamativo. Alguns atraem por serem inusitados, outros pela boa arquitetura.

Pavilhão da Dinamarca

Um dos mais bem comentados é o pavilhão da Dinamarca, assinado pelo escritório BIG com a Arup e a 2+1 - interessante não apenas pelo ponto de vista estrutural e arquitetônico, mas também pelo espírito dinamarquês que representa. O pavilhão tem a forma de um looping, e os visitantes podem conhecê-lo em uma das 1500 bicicletas disponíveis na entrada - o objetivo é experimentar o jeito urbano de viver no país.

Pavilhão do Reino Unido

O pavilhão britânico, assinado pelo escritório do arquiteto Thomas Heatherwick e orçado em 42 milhões de dólares é um dos mais comentados. Chamado de "Seed Cathedral", o projeto lembra um ouriço, com mais de 60 mil hastes de acrílico transparente presos na fachada. As organizações britânicas explicam que o formato arrojado é justamente para romper com a visão tradicional que os chineses têm do Reino Unido.

Pavilhão da Holanda

Outro pavilhão que gerou muita polêmica foi o da Holanda. Desenvolvido pelo designer John Kormeling, o projeto é chamado "Joy Street". Diferentes estruturas urbanas que se tornam harmoniosas por um estilo lúdico, em uma planta no formato de oito - número que segundo as tradições chinesas corresponde à sorte e à fortuna. Kormeling tentou encarnar os estilos arquitetônicos clássicos da Holanda, dentro de uma lógica em que os fatores sustentáveis de construção fossem respeitados.

Pavilhão da Turquia

Mais do que buscar suas origens nacionais, a Turquia desenvolveu um pavilhão com um design que alude aos períodos antes da civilização. Com o tema "Cradle of Civilization", o pavilhão possui uma fachada inspirada na região de assentamento Catalhoyuk do período neolítico, em que uma estrutura vermelha está sobre o pavilhão pintado de bege.

Pavilhão da China

O pavilhão do país-sede fica na parte central da Expo, com 63 m de altura - no mínimo o triplo de qualquer outro pavilhão. O projeto é do arquiteto chinês He Jingtang, que propôs a celebração de diversos elementos tradicionais chineses - entre eles, a arquitetura, a caligrafia, a jardinagem e o planejamento urbano. Chamado "The Crown of the East" tem marcadas sua verticalidade e simetria. A cobertura é inspirada na dougong, uma técnica construtiva milenar no oriente.

Pavilhão da Espanha

Dentro desta cartela de cores também está o Pavilhão da Espanha, apelidado pelos visitantes como "o cesto". Com o tema "From the City of Our Parents to the City of Our Children", a Espanha desenvolveu um pavilhão em que uma estrutura de aço recebe uma vestimenta feita com mais 8 mil painéis de vime na cor marrom, bege e preto - todos tecidos à mão por artesãos na província de Shandong. Este tipo de tecelagem é uma tradição antiga tanto na Espanha quanto na China. O projeto é do escritório catalão Miralles Tagliabue Embt.

Pavilhão da Suécia

Já o pavilhão da Suécia, cujo tema é "Spirit of Innovation", é composto por quatro edifícios cúbicos, dispostos de forma com que os espaços vazios entre eles formem uma cruz, semelhante à bandeira do país. A fachada tem um design que lembra a grade de uma cidade, já as paredes internas estão cobertas de imagens que lembram a natureza. Com 3 mil m², todo o pavilhão está interligado por passarelas elevadas, que levam os visitantes para os espaços de exposições, loja, café e um grande pátio coberto. O pavilhão foi projetado pelo escritório Sweco, especializado em design e engenharia sustentável.

Pavilhão de Israel

Inovação também era tema do pavilhão de Israel. Com a proposta de "Innovation for Better Life", o edifício israelense feito pelo designer Haim Dotan, aparenta ser dois tipos de edificações se entrelaçando. Enquanto um é todo feito de pedra, o outro é de vidro transparente. A ideia foi evidenciar pela arquitetura dualidades como tecnologia e cultura antiga judaica, passado e futuro. O pavilhão é composto basicamente por três áreas: o jardim, que recebe os visitantes que entram no prédio; o "Hall da Luz", que é a parte do edifício em vidro; e do "Hall of Innovations", a outra lateral do edifício, que simboliza os laços com a terra e história, e necessidade da reciclagem dos recursos naturais.

Fonte: Piniweb 03/05/2010

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