Barueri investe em grandes obras para conter enchentes

Crédito: Divulgação Barueri
Em fevereiro de 2023, uma forte chuva atingiu cidades da Região Metropolitana de São Paulo, em especial municípios como Barueri, Osasco e Santana de Parnaíba, causando diversos pontos de alagamento. Para evitar esse tipo de problema, desde novembro de 2021, a Prefeitura de Barueri, por meio da Secretaria de Obras, vem realizando obras para conter as enchentes na região. Dentre as obras, estão reservatórios e um túnel para escoar a água.
"Estamos quase finalizando esse reservatório ao lado da estação ferroviária. Ainda estamos com obras em outro piscinão próximo do complexo esportivo do Jardim Silveira para contenção das águas do córrego Laranja Azeda e com 60% das obras já feitas no Tamboré, na construção de um túnel para ajudar a escoar as águas da chuva naquela região", destaca o secretário de Obras, Beto Piteri.
Piscinão do Jardim Silveira
Uma das obras que está sendo realizada é o piscinão ao lado da estação ferroviária do Jardim Silveira (linha 8 – Diamante da CPTM). Em fevereiro de 2023, mais de 80% da sua obra já estava concluída, e ele já estava em funcionamento para evitar alagamentos na região central da cidade.
De acordo com a Prefeitura, ao ser finalizado, este piscinão terá cerca de 24 mil metros quadrados de área e aproximadamente 22 metros de profundidade. Com isso, ele será capaz de suportar mais de 200 milhões de litros de água.
Reservatório no Laranja Azeda
Outro piscinão que está sendo construído é o do córrego Laranja Azeda, que também fica perto do reservatório da estação ferroviária. Com capacidade de 120 milhões de litros de água, o terreno do reservatório fica na avenida Alziro Soares e terá profundidade de 24,5 metros quando pronto. Em fevereiro de 2023 já havia sido construída a primeira cortina (“parede de contenção”). Em seguida, deve-se iniciar a escavação vertical do reservatório.
Piscinão Vila Marcia
No bairro da Vila Marcia, está sendo construído um piscinão com 24 mil metros quadrados de área e capacidade para reter mais de 350 milhões de litros de água.
Tunnel liner
Na região do Tamboré, está sendo construído um túnel subterrâneo para canalização e drenagem de águas da chuva. Esta obra será responsável por escoar a água para o rio Tietê. O sistema de construção a ser utilizado é conhecido como “não destrutível” do chamado tunnel liner. Com isso, a obra deverá trazer menos transtornos para o trânsito, uma vez que estará cerca de seis metros abaixo do nível da rua. Em fevereiro de 2023, 60% da obra estava concluída.
“Trata-se de uma região que tem integração com um grande sistema viário com acesso à rodovia Castello Branco, ligando cidades como Osasco e Carapicuíba, de modo que quando alaga causa enormes transtornos ao trânsito”, explica Piteri.
Fonte
Prefeitura de Barueri
Contato
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Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
Tendências da construção civil para 2023

Crédito: Envato
Em 2023, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) prevê um crescimento de 2,5% para o setor da construção civil. Dentro deste contexto, quais são as tendências que devem surgir neste ano nesta área? Quais os impactos da economia neste setor e quais efeitos podemos esperar?
Inteligência artificial
Em 2023, a inteligência artificial tem ficado em voga com a chegada do ChatGPT. Para Victor Moraes, engenheiro civil e CEO da BR Work, a tecnologia do ChatGPT irá aumentar a competividade do mercado uma vez que os processos serão otimizados, no final da cadeia produtiva isso sempre é revertido em uma redução de custo no produto final.
“Podemos afirmar com uma margem pequena de erro que isso deve ser cada vez mais comum nos próximos anos. Isso permitirá aprimorar desde a metodologia da cadeia de ensino de nossa classe até as operações in-loco dos canteiros de obras”, afirma Moraes.
Já Mariana Albuquerque, arquiteta e sócia do Studio Dwg, acredita que a inteligência artificial será um importante recurso de comunicação entre as empresas e os clientes – algo que sempre foi um desafio para a construção civil pelo grande volume de informações. “Melhorar a eficiência, a qualidade e a agilidade desta troca proporcionarão um grande ganho para esta indústria. Desta forma, os arquitetos poderão dedicar mais tempo ao desenvolvimento e criação dos projetos e o cliente terá uma melhor experiência em todos os sentidos”, argumenta Mariana.
Para o engenheiro Milton Bigucci Junior, diretor da MBigucci, a expectativa é que este tipo de ferramenta agregue mais agilidade, qualidade e maior volume nas informações, levando, consequentemente, a uma melhora no desenvolvimento do setor como um todo. “Seja em planejamento, projetos, documentação, compra de materiais, contribuindo também para execução das obras, tornando-se uma ferramenta extremamente útil para os profissionais da área, bem como para o mercado em geral”, opina Junior.
Sustentabilidade na construção civil
Cada vez mais as empresas do setor de construção civil têm buscado opções sustentáveis – seja com materiais com menos emissão de gases ou técnicas construtivas com menos desperdício. 2022 também foi marcado pela Copa do Qatar, na qual construções temporárias foram erguidas e que posteriormente poderão ser reaproveitadas com outros usos.
Na opinião de Moraes, as empresas do setor da construção civil perceberam um amadurecimento do setor. “A sigla ESG (Governança ambiental, social e corporativa) tem ganhado muito mais relevância, a empresa que está ligada neste novo comportamento de mercado terá vantagens na comunicação com seu time, fornecedores e clientes”, esclarece o engenheiro.
Mariana pontua que o maior foco de tudo que está relacionado ao mercado de construção civil deve estar voltado a evitar o desperdício. Além disso, ela vê que há anos é realizado o lançamento de materiais e técnicas que reduzem o consumo de energia. “Os telhados verdes, por exemplo, surgiram assim e conquistaram o mundo”, exemplifica.
Um conceito que vem crescendo muito, segundo Mariana, é o da biofilia na arquitetura. “Projetos estão nascendo cada vez mais incorporando a natureza no ambiente construído. Dentro e fora se mesclam. Conceitos como este são apaixonantes e retomam a estrada correta do modernismo que nos trouxe até aqui”, comenta.
Ainda, Junior aponta que a construção industrializada vem tomando corpo, uma vez que a mão de obra para o setor está cada vez mais difícil. “A industrialização dos procedimentos passou a ser uma realidade, contribuindo e muito para a redução de desperdícios”, destaca.
Técnicas construtivas: impressão 3D
Para Moraes, as construções com impressão 3D ganharão mercado nos próximos anos por conseguirem minimizar o impacto de três ou até mais dos principais obstáculos da área: gestão do coeficiente de erro humano nas obras, previsibilidade de tempo no processo construtivo e padronização dos resultados. “Esses pontos sempre foram grandes desafios para área. Ao minimizá-los, poderemos ter uma indústria mais competitiva, limpa e inteligente”, expõe Moraes.
No entanto, segundo Moraes, os custos não fecham em boa parte das operações. “Seja pela falta de mão de obra para operar as máquinas ou até mesmo pela tecnologia ainda estar em aprimoramento, a indústria da construção civil está entre as mais conservadoras. Sendo assim, a tecnologia deve ganhar força nas próximas décadas, mas terá grandes desafios pela frente”, opina o engenheiro.
Mariana, por sua vez, entende que a tecnologia e a impressão 3D possibilitam a exploração de novas formas, estruturas e materialidades. “Isto tudo abre novos caminhos para o processo criativo, mas do nosso lado surge um receio que por este motivo os projetos fiquem muito mirabolantes e futuristas. O mais belo seria usar esta tecnologia para aperfeiçoar soluções e a qualidade da construção, porém resgatar no conceito dos projetos a simplicidade e a eternidade”, argumenta a arquiteta.
Por outro lado, Junior acredita que a construção com impressoras 3D ainda é uma realidade muito distante para ser produzida em escala. “Pela construção de um prédio ser algo bastante volumoso fica mais difícil a logística para esta produção. Entretanto, a produção de pequenas peças que compõe uma residência por exemplo já é bem mais viável e pode ser uma realidade muito em breve, sempre falando em grande escala, uma vez que já existem diversos produtos impressos em 3D” pondera.
Influência do contexto socioeconômico na construção civil
2022 foi marcado pelo aumento de preços em vários setores decorrentes da guerra entre Rússia e Ucrânia, inclusive na construção civil. No mundo todo, a inflação aumentou. E, no Brasil, não foi diferente. Além disso, foi um ano de eleições. O que esperar para 2023 na construção civil?
Mariana vê que o contexto socioeconômico elevou muito o preço dos materiais e construir ficou mais caro. “Isto influencia diretamente nos projetos de arquitetura que devem buscar soluções economicamente viáveis e fontes de materiais disponíveis”, explica. Segundo a Pesquisa IPC Maps, as famílias brasileiras gastaram cerca de R$ 217,6 bilhões com materiais de construção no ano passado e R$ 91,8 bilhões na aquisição de imóveis. Junior acredita que as consequências da Guerra na Ucrânia, bem como da alta taxa de juros no País, já foram absorvidas pelo mercado que agora se mantem estabilizado. “Tivemos uma forte alta de preços dos materiais em 2022, porém, apesar da inflação, atualmente esta alta está mais controlada. A taxa de juros teve um impacto no crédito dos clientes imobiliários e trouxe uma estabilidade nas vendas que vinham crescendo significativamente nos últimos anos. Acreditamos que estes juros não devem aumentar e sim diminuir a médio prazo, o que vai favorecer o setor imobiliário”, defende o engenheiro.
Para 2023, Moraes lembra que o Governo atual aposta no programa Minha Casa, Minha Vida. “A meu ver, traz mais pontos bons do que ruins. Dados da Fundação João Pinheiro apontam que o Brasil tem um déficit habitacional de 5,876 milhões. E o programa deve fazer avanços nesta área. Olhando pelo ponto de vista econômico, a solução traz resultados de médio e longo prazo, uma vez que o programa é subsidiado pelos contribuintes. Se o governo atual conseguir reduzir a taxa básica de juros isso significará mais dinheiro injetado na economia. E, consecutivamente, mais recurso para esse e outros Programas”, opina.
Por outro lado, Mariana vê que a questão das habitações sociais é controversa. “No mundo ideal seria muito mais benéfico tornar acessível a aquisição de moradia em bairros inseridos no contexto urbano do que construir habitações em série em áreas periféricas e às vezes até rurais com uma padronização das construções totalmente desinteressante”, conclui.
Entrevistados
Mariana Albuquerque é arquiteta e sócia do Studio dwg.
Milton Bigucci Junior é engenheiro e diretor da MBigucci.
Victor Henrique Duque Castilho de Moraes, engenheiro civil e CEO da BR Work.
Contatos
Mariana Albuquerque: studiodwg@studiodwg.com.br
Milton Bigucci Junior: imprensa@mbigucci.com.br
BR Work: contato@brwk.com.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
Tecnologia BIM vai revolucionar a construção civil em três anos, diz especialista
Um dos desafios da tecnologia BIM (Modelagem de Informação da Construção) é conseguir conectar todos os agentes da cadeia de produção em um único sistema integrado, e isso deve acontecer de forma efetiva em três anos, causando uma disrupção na construção civil.
É o que estima o presidente do BIM Fórum Brasil, Rodrigo Koerich, que diz já haver exemplos muito claros dessa mudança. "Vão surgir inúmeros outros modelos de negócio, com ganhos e reduções de custo e processo, que vão mudar drasticamente a cadeia. O que vai acontecer nesses próximos poucos anos é realmente uma transformação muito grande."
Sobre o cenário atual, Koerich, que é Engenheiro Civil e Mestre em Estruturas, ressalta que o uso da tecnologia no Brasil ainda é menor em relação ao que deveria ser, mas que está crescendo - e destaca o fato de que o BIM é restrito, atualmente, à fase do projeto, sendo deixado de lado quando a construção, em si, é iniciada. "Isso é um problema que temos que resolver."
Em entrevista exclusiva ao Massa Cinzenta, o especialista, que também é Diretor de Portfólio na empresa AltoQi Tecnologia (desenvolvedora de softwares BIM para projetos, orçamento e gestão de edificações), fala sobre os custos do investimento e a busca por uma participação mais ativa do governo, para que possa criar políticas complementares e contratar em larga escala projetos em BIM.
A tecnologia BIM é muito usada em projetos no Brasil?
Rodrigo Koerich: Ainda é pouco em relação ao que deveria ser, mas está crescendo. Mais e mais projetistas, mais e mais construtoras estão contratando projetos em BIM. Depois que um projeto é contratado, entregue e começa a construção, aí o BIM deixa de ser usado por quase todas as construtoras. Ele deveria prosseguir sendo atualizado e mantido durante a fase de construção, mas não é isso que está acontecendo no mercado, infelizmente. O uso do BIM, hoje, ainda é bem restrito à fase do projeto. E isso é um problema que a gente tem que resolver.
Por que ainda é restrita à fase do projeto?
Por enquanto, as tecnologias que estão disponíveis para projeto conseguem ser integradas. Quando a gente vai para a fase de execução, existem tecnologias, mas elas estão desconectadas - muitas startups fazem pedacinhos do processo de gerenciamento da construção, mas não o fazem de maneira completa e não de maneira integrada. Por isso, os empreendedores também não estão conseguindo transformar em realidade os benefícios que o BIM pode oferecer.
Em sua avaliação, quando seria possível essa integração?
Se as coisas forem feitas a seu próprio tempo, sem que haja interferência, vai demorar, porque o mercado teria que, passo a passo, ir descobrindo as coisas. Eu venho defendendo que é preciso ter um trabalho intencional, planejado e estrategicamente concebido e executado para que isso seja acelerado. O que tem que ser feito? Existe um trabalho que a gente vem fazendo, no BIM Fórum Brasil, que é sensibilizar os entes do governo, acelerar a adoção da estratégia BIM BR e criar políticas e ações complementares para que ela seja adotada - especialmente que o governo realmente contrate em larga escala projetos em BIM.
Mas também é preciso fazer uma iniciativa e um trabalho dentro do setor produtivo, dentro da iniciativa privada, que envolve toda a cadeia da construção, desde as incorporadoras, as construtoras, os fabricantes. O investidor já percebeu o benefício do BIM e precisa estar sensibilizado de que realmente isso é possível e traz benefícios para ele. A gente também está começando a estruturar uma ação trazendo para a mesa o representante da cadeia produtiva, tentando começar a desenhar e a construir estratégias para que a cadeia da construção primeiro se sensibilize, e depois se prepare para fazer essa mudança de chave.
É muito caro o investimento na tecnologia BIM? Os custos devem diminuir?
Em toda nova tecnologia, a tendência é de que o custo vá diminuindo ao longo do tempo, então, aqui nesse caso, não seria diferente. Mas o investimento proporcional, o quanto que custa a mais para fazer o projeto em BIM, ele é um custo absolutamente marginal frente ao investimento e aos materiais que são utilizados.
Os erros que acontecem durante as fases de projeto e construção, as tomadas de decisão que são mal feitas porque não tinha informação suficiente, custam muitas vezes mais do que o custo da adoção da tecnologia. Então eu posso garantir que o investimento para a transformação digital é muitas vezes menor do que o benefício que se passa a ter.
E, quanto mais o tempo passar, quanto mais essas tecnologias estiverem integradas e mais agentes da cadeia de produção estiverem envolvidos, mais esse investimento será diluído. Construtoras e incorporadoras precisam fazer a virada de chave. Se demorarem a fazer, vão demorar a ter os benefícios. Mas alguém está fazendo isso.
Quando a gente conseguir conectar os agentes da cadeia, vai haver uma disrupção na construção. Vão surgir inúmeros outros modelos de negócio, inúmeras outras possibilidades, ganhos e reduções de custo e processo que vão mudar drasticamente a cadeia. O que vai acontecer nesses próximos poucos anos é realmente uma transformação muito grande.
Em quanto tempo você prevê essa grande mudança?
Eu estimo que em 3 anos. A gente já está vendo exemplos muito claros de vários empreendimentos que vão passar a ser construídos e gerenciados de uma maneira muito diferente daquela que estamos acostumados hoje.
Imagine dois empreendimentos iguais, um ao lado do outro, e um deles é vendido por 5% a menos. Só que 5% em um empreendimento que custa muitos mil, eventualmente, milhões de reais, é um dinheiro representativo para o comprador. Então faz diferença a escolha de um produto que tem base tecnológica, que foi construído em BIM, que tem mais qualidade, que tem mais informações agregadas, que facilita depois o processo de manutenção, em detrimento de um outro do lado, que custa 5% a mais e que não tem isso.
Portanto, quem fizer isso vai ter diferenciais de mercado impactantes para a cadeia. E isso já está em processo de acontecer.
Fontes
Rodrigo Koerich, presidente do BIM Fórum Brasil
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
Vogg Experience
Neuroarquitetura busca melhorar a produtividade e o bem-estar
O ambiente físico impacta diretamente no comportamento humano, provocando estímulos variados de acordo com cada espaço. E esse é o objetivo da neuroarquitetura, o de decorar e estruturar cada cômodo de acordo com as necessidades de cada local, com base em estudos científicos, e melhorar desde a produtividade no trabalho até a noite de sono em casa.
O Massa Cinzenta conversou com a neurocientista Geissy Araújo, pós-doutora em Neurociências pelo Instituto do Cérebro da UFRN, e a arquiteta e urbanista Rafaela Lopes, pós-graduada em Neurociências e Comportamento na PUC/SP, sobre o crescimento da neuroarquitetura no Brasil e os principais elementos utilizados nas mudanças de ambientes.
As especialistas, que trabalham juntas em projetos neuroarquitetônicos, também falaram sobre como a pandemia fez com que as pessoas buscassem a modificação dos espaços residenciais, não apenas para facilitar o home office, mas para trazer mais conforto e a sensação de identidade.
Pela experiência e observação de vocês, a aplicação da neuroarquitetura é cada vez mais crescente no Brasil?
Geissy e Rafaela: Cada vez mais a neurociência está sendo aplicada a projetos arquitetônicos com o intuito de melhorar a qualidade de vida e bem-estar dos seres humanos. Apesar de ser um campo novo no Brasil, a neuroarquitetura possui anos de pesquisa a aplicação ao redor do mundo.
É interessante observar que uma equipe multiprofissional passa a se unir com um propósito de utilizar o melhor da ciência e aproximar esses saberes de forma prática na vida das pessoas. Desse modo, observamos um grande crescimento na busca de projetos que utilizam a neurociência aplicada à arquitetura, o que acaba representando um avanço importante na integração e relação das pessoas com o ambiente que vivem em busca de mais qualidade e conforto.
Podemos dizer que os principais elementos utilizados nos ambientes são relacionados a cores, espaços verdes, iluminação e sons?
Geissy e Rafaela: Sim, a biofilia é o campo de estudo que aproxima elementos da natureza aos espaços residenciais, visando o bem-estar e conforto humano. Desse modo, além de plantas vivas e ornamentais, busca-se inserir elementos com textura, cor, densidade, ajustar luz e inserir sons que nos aproximem ao máximo da natureza.
Nosso sistema nervoso capta essas informações e, de certo modo, se regula para reduzir liberação de hormônios relacionados a estados mais reativos como ansiedade e estresse. Além disso, um projeto neuroarquitetônico é pensado de modo a utilizar o máximo de luz natural, favorecendo a regulação do ciclo sono-vigília, concentração e foco durante períodos de trabalho em home office.
Finalmente, os espaços são pensados de acordo com seus objetivos, tendo como prioridade o conforto e a funcionalidade juntamente com a integração com elementos da natureza.
A busca pela neuroarquitetura aumentou depois da pandemia?
Geissy e Rafaela: Com a pandemia e as recomendações de distanciamento físico, fomos obrigados a habitar espaços que antes eram ocupados apenas em momentos de descanso após um dia de trabalho. Tendíamos a passar o dia inteiro fora de casa e retornar apenas para dormir, descansar para retomar a rotina no dia seguinte.
Nos primeiros meses, toda a falta de informação acerca da Covid nos manteve em casa e nos deparamos com a necessidade de modificação do nosso espaço residencial, não apenas para adaptação ao home office, mas também para trazer mais conforto e identidade. Com esse movimento, muitos elementos que já sabemos por meio das neurociências que impactam o nosso bem-estar foram inseridos nos mais diversos cômodos.
Observamos o aumento de espaços verdes, com plantas naturais em casa, a utilização de materiais que trazem uma maior sensação de conforto aos sentidos, com uma iluminação mais adequada a uma leitura de qualidade, com menor impacto ao ciclo de sono-vigília (luzes branco quente/amarelas). Além disso, a liberação de espaço, retirando excessos de elementos que causam sensação de aperto/claustrofobia, também foi um processo observado na busca por modificações.
Mudança de coloração das paredes, com tons mais claros que remetem a uma sensação de bem-estar e favorecem a luminosidade do ambiente. De modo geral, a pandemia promoveu, portanto, uma transformação da casa em lar, aumentando o vínculo afetivo das pessoas com suas casas.
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
Vogg Experience
Urbanização no Brasil cresceu 19% de 2015 a 2019, segundo IBGE

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma pesquisa que mostra que as áreas urbanizadas cresceram 19% entre 2015 e 2019. Estão inclusos nesta estatística aglomerados de casas, ruas e edificações.
De acordo com IBGE, o Brasil tem 45.945 km² de áreas urbanizadas. Apesar de parecer um número alto, ele corresponde a 0,54% do território total brasileiro.
Urbanização x setor imobiliário
Para Luis França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), o mercado imobiliário é o grande responsável pela construção das cidades e essa alta demanda favorece o desenvolvimento delas. “Trata-se de um setor que tem um efeito direto na prosperidade econômica de diversas regiões do Brasil, visto que ele movimenta 97 atividades econômicas e é responsável pela geração de 10% dos empregos no país. Obviamente, quanto maior a diversidade econômica dos locais onde ocorre o aumento da urbanização mais perene será o impacto na economia. Portanto, a urbanização fortalece o desenvolvimento dos municípios brasileiros, estimula o transporte público, atrai investimentos, melhora a segurança e outros itens que impactam na qualidade de vida da população brasileira”, aponta França.
Déficit habitacional no Brasil
O crescimento das cidades e a concentração da população nacional em médios e grandes municípios é um reflexo da transição urbana iniciada no final do século XIX e acelerada a partir da década de 60 do século passado. “Como resultado, atualmente, 85% da população brasileira vive em centros urbanos impondo uma série de desafios no combate ao déficit habitacional. Por outro lado, é preciso considerar que o aumento da população urbana gera uma demanda por imóveis formais, que pode ser amplamente respondido pelo setor imobiliário, mas faz-se cada vez mais necessários programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida; uma legislação cada vez mais clara que favoreça o investimento em novos empreendimentos e acesso a crédito para investidores e consumidores. Isto pode garantir, ainda, o desenvolvimento destas localidades e geração de empregos. Sem estas medidas, o déficit habitacional pode aumentar”, explica França.
A pesquisa do IBGE apontou que o Brasil possui uma concentração habitacional forte no litoral, seguindo um padrão iniciado ainda na colonização. A costa tem 443 municípios, que representam 27% do território nacional e 8% das áreas urbanizadas. Fora do litoral, as cidades se concentram alinhadas com vias de circulação, como rodovias. “O litoral brasileiro compreende uma extensão de 7,4 mil quilômetros, portanto, dado a sua dimensão, é natural o desenvolvimento imobiliário. Todavia, os investimentos em empreendimentos no litoral brasileiro são parte do próprio projeto de desenvolvimento das cidades brasileiras, em um processo de urbanização iniciado há décadas. O dinamismo econômico de algumas cidades litorâneas, que aos poucos deixam de ser meros pontos turísticos com a expansão de polos industriais também atraem investimentos imobiliários de todos os tipos”, destaca França.
Por fim, a pandemia do coronavírus e o home office podem ter alterado alguns comportamentos de consumo e estimulado o trabalho remoto diretamente de cidades litorâneas, aliado às plataformas de locação de imóveis online. Um exemplo disso é que dados do DataZAP+ do segundo trimestre de 2021 apontam que houve aumento da participação das buscas de 1,49 p.p. por imóveis nas cidades do litoral do Estado – Santos, Praia Grande, Guarujá, São Vicente, Bertioga e Caraguatatuba. “Isto atrai investimentos de todos os tipos, gera empregos, tributos e contribuem para a diminuição do déficit habitacional”, conclui França.
Fonte
Luis França é presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC)
Contato
Assessoria de imprensa: marcos.araujo@loures.com.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
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Casas inteligentes se popularizam no Brasil

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Robô aspirador, fechadura eletrônica, luzes com controle de voz, assistente virtual... Hoje existem diversas tecnologias que auxiliam no dia a dia em casas. O mercado global de automação doméstica deve atingir US$ 10,9 bilhões (R$ 58,8 bilhões) até 2028, com uma taxa de crescimento anual de 10,2% no período analisado, segundo dados da empresa de pesquisas internacional ReportLinker. Atualmente, o Brasil ocupa a 11ª posição no mercado de casas inteligentes, com US$ 1,116 bilhões. Nos Estados Unidos, primeiro colocado, o mercado é de US$ 25,246 bilhões. A previsão é que este mercado continue crescendo a uma taxa de 30% ao ano no Brasil e 11,9% ao ano no mundo todo, segundo o International Data Corporation (IDC).
“Nos últimos anos, o custo de instalar sistema de automação residencial caiu de forma significativa. O apelo do uso de smartphones e assistentes de voz tornou mais intuitiva e viável a introdução e o uso pelos moradores. Questões ligadas à segurança e ao monitoramento de nossas casas também têm impacto positivo. Além disso, sistemas que possibilitam economia de energia e de manutenção passam a ser mais utilizados. Por fim, empresas de tecnologia mais conhecidas (como Amazon, Apple, Google, Samsung e outras) favorecem a divulgação das novidades”, aponta o engenheiro José Roberto Muratori, gestor do Projeto Conectar e do Instituto da Automação.
Em 2021, entrou em vigor a Lei 14.108, que dá incentivos à chamada internet das coisas. Para Muratori, os benefícios não são imediatos nem mensuráveis, mas acontecem quando desenvolvedores locais buscam soluções mais inovadoras para seus produtos e podem contar com estes incentivos. “De certa forma toda a cadeia que atua com Internet das Coisas se beneficia e a automação residencial aos poucos tem incorporado estas tendencias também”, destaca o engenheiro.
Tecnologias mais buscadas
As tecnologias mais solicitadas estão ligadas a aspectos de segurança, conforto e lazer, segundo Muratori. “Nos últimos anos, em função da massiva adoção de home office, a busca por redes de dados mais confiáveis e robustas tornou possível o uso de produtos de casa inteligente que antes precisavam de uma infraestrutura mais complexa. Alguns exemplos são as fechaduras digitais, câmeras e controles de iluminação e similares”, explica o engenheiro.
Desafios do setor de automação
Na opinião de Muratori, existem dois principais desafios: “O primeiro é esclarecer ainda mais os potenciais clientes (moradores) sobre a grande gama de benefícios que é possível usufruir com a instalação destes sistemas. Em segundo lugar, capacitar e certificar mais profissionais para que as novas empresas que surgirem no mercado possam atender a demanda com qualidade e presteza”.
Fonte
José Roberto Muratori é engenheiro e gestor do Projeto Conectar e do Instituto da Automação.
Contato:
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Jornalista responsável
Marina Pastore
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Como a realidade virtual pode impactar a construção civil
Novas tecnologias surgem a todo o momento para revolucionar todos os segmentos da sociedade, e a construção civil, claro, também acaba sendo diretamente impactada por essas inovações.
Os treinamentos em realidade virtual (RV) têm potencial para beneficiar diversos setores da área, desde as primeiras etapas do projeto até o momento da venda. Segundo o arquiteto e urbanista Cauê Duarte Costa, as equipes podem se "encontrar" dentro do modelo tridimensional para discutir opções e decisões projetuais, além de potencializar a experiência vivida pelo público. "Com óculos de realidade virtual, a sensação passada para um cliente de realmente estar em uma sala ou dormitório, por exemplo, fica muito maior."
Quando o assunto é a proteção dos profissionais, a tecnologia também pode ser fundamental. "A partir do momento que se tem um modelo tridimensional da obra ou da construção, é possível programar um treinamento similar à realidade. Situações de risco como quedas de altura e incêndios podem ser utilizadas para treinar os trabalhadores a praticar as medidas de segurança", afirma.
"O treinamento de montagens de peças em locais complexos pode ser feito antes em realidade virtual, permitindo uma aproximação inicial ao objeto do trabalho", explica Cauê, que é mestre em Design com o tema "Realidade virtual de baixo custo no ensino de Design de Interiores".
Investimento
O ambiente de realidade virtual possibilita a geração de cenas e objetos que parecem reais, permitindo, assim, que os usuários se sintam imersos no universo proposto. Para isso ser viável, são necessários um computador com alto potencial gráfico e os óculos compatíveis com o sistema - gastos, em tese, não muito altos para uma empresa.
"Porém, para treinamentos, é possível que seja necessário utilizar mais de um conjunto, podendo elevar o custo. A produção e a programação dessas experiências também podem ter um custo mais elevado, pois são normalmente feitas para cada uma das soluções indicadas de uma obra ou projeto. Os benefícios para elas são os apresentados anteriormente: segurança em treinamentos, gerenciamento de projetos mais assertivos e marketing", explica Cauê.
Segundo o arquiteto, a tecnologia ainda não é tão difundida no Brasil, apesar de haver cada vez mais empresas que investem no segmento e produzem esses ambientes digitais. "Eu acredito que a RV tem um potencial muito grande em situações específicas, como é o caso da construção civil. Os óculos de realidade virtual têm tido um investimento de pesquisa muito grande, com lançamentos mais baratos a cada ano e com uso mais simplificado. Produzir um ambiente em RV também tem ficado mais simples ao longo dos anos. Por isso, entendo que a médio e longo prazo a RV será uma realidade no meio."
Em relação à adequação de faculdades e cursos especializados a essa nova realidade, Cauê acredita que eles ainda não estejam totalmente adaptados - de acordo com sua experiência com a pesquisa de mestrado, em 2019. "Porém, entendo que, mesmo sendo utilizada de forma inicial, a RV tem grande potencial de ser usada na graduação de forma cada vez maior."
Fonte
Cauê Duarte Costa, arquiteto e urbanista
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
Vogg Experience
Pesquisa discute perspectivas e desafios para 2023 no mercado imobiliário
Empresários do setor da construção participaram da pesquisa "Economia e Mercado Imobiliário: Perspectivas e Desafios para 2023", realizada pela Brain e pela Secovi-SP e divulgada durante webinar realizado em 15 de fevereiro.
Estiveram presentes na live Celso Petrucci, presidente da Comissão da Indústria Imobiliária da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CII/CBIC), Ieda Vasconcelos, economista da CBIC, Marcos Kahtalian, fundador da Brain, e Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain.
A pesquisa em questão foi realizada em novembro de 2022 com cerca de 350 empresários, que destacaram o ambiente político-institucional, a taxa de juros elevada e o aumento de custos com materiais como sendo os fatores mais preponderantes que podem afetar os próximos lançamentos do setor.
Dados da pesquisa
Em relação à expectativa para o mercado imobiliário, 51% dos entrevistados consideram-na regular, enquanto 40% dizem ser boa. No final de 2022, quando a pesquisa foi feita, 55% dos empresários disseram estar investindo naquele momento, 40% só observando e 5% desinvestindo.
Além disso, 66% dos participantes acham excelente ou boa a expectativa para as próprias empresas nos próximos 12 anos, com 30% vislumbrando algo regular. No quesito segmentos que oferecem melhores oportunidades, 74% disseram ser o residencial, seguido de 41% para galpões, 38% para loteamentos e 14% para escritórios.
Opinião dos especialistas
Sobre as perspectivas para este ano, Ieda Vasconcelos diz que há expectativas positivas, mas, também, grandes desafios. "Colocando a construção civil de forma geral, e não só o mercado imobiliário, há dois anos nós crescemos acima do PIB do país", explica. "Em 2021, a construção cresceu 10%, enquanto a economia nacional cresceu 5%. Em 2022, a economia cresceu 3%, de acordo com as expectativas, e a nossa projeção da construção, como um todo, é de 7%. Isso não significa que o setor estaria em 'céu de brigadeiro'. Nós estamos recuperando uma parte dos 30% que caímos de 2014 a 2020."
A economista da CBIC completa citando a importância do programa habitacional brasileiro. "Nós temos para este ano, em termos de crescimento, o que a gente já tinha lançado e o que nós estamos construindo, então vamos continuar o nosso desempenho positivo em 2023. E temos uma expectativa positiva ainda maior no segmento de baixa renda, com o lançamento de novas unidades - com projeção de mais de 2 milhões de unidades até 2026 - para a faixa de habitação social do Minha Casa, Minha Vida."
Para Celso Petrucci, presidente da CII/CBIC, o setor tem muito chance de continuar crescendo. "Tem a resiliência do mercado imobiliário, do incorporador imobiliário e de quem trabalha com a indústria da construção civil. Eu sou um pouco mais otimista do que a média porque já é o 4º ano que estamos entrando com uma expectativa muito ruim, e os últimos três surpreenderam favoravelmente", afirma. "E eu quero crer que vamos ter um ano onde a maturidade do setor imobiliário e do sistema financeiro de habitação vai fazer com que tenhamos resultados satisfatórios em relação a outros segmentos."
Fontes
Brain
Secovi-SP
Celso Petrucci, presidente da CII/CBIC)
Ieda Vasconcelos, economista da CBIC
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
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Taxa Selic em 13,75%: qual impacto para a construção civil?

Crédito: Envato
Em janeiro, durante a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), foi anunciado que a taxa Selic seria mantida em 13,75% a.a.. Com isso, ela continua no mesmo patamar de dezembro/16 e é a maior desde outubro/16 (14%), de acordo com Informativo Econômico da Câmara Brasileira da Indústria da Construção.
Além disso, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de inflação no País, encerrou em 5,79%, valor acima do teto da meta que era de 5%. “A inflação do ano passado só não foi ainda maior em função da desoneração dos preços dos combustíveis, que tiveram as alíquotas de impostos federais zeradas”, lembra Ieda Vasconcelos, economista da CBIC.
De acordo com Ieda, a taxa Selic foi elevada para ajudar a conter a inflação, encerrando o ano passado em 13,75%, o que correspondeu a um aumento de 11,75 pontos percentuais, já que em março de 2021 ela estava em 2%.
Projeções para o ano
Para Ieda, a estimativa para a inflação é de mais um ano de alta superior ao teto da meta. Segundo a economista, em janeiro de 2023, o IPCA aumentou 0,53% em relação a dezembro de 2022.
De acordo com o Boletim Focus do Banco Central, a projeção é que a Selic termine 2023 em 12,50%. Ieda destacou que as estimativas, de uma forma geral, não sinalizam redução da Selic antes do segundo semestre de 2023. “Ao final de 2022, acreditava-se que a taxa poderia iniciar o seu ciclo de queda em julho, ou agosto. No entanto, com as perspectivas para a inflação ainda em alta, as projeções de mercado já indicam o mês de setembro como o início do recuo da taxa”, pontuou.
Consequências
Diante deste cenário, Ieda lembra que a elevação da Selic traz algumas consequências como o aumento dos juros cobrados pelos bancos, a redução dos investimentos produtivos e a queda do consumo da população.
Um dos efeitos que já pode ser observado é o aumento de 0,46% do Índice Nacional de Custo da Construção Civil (INCC) em janeiro de 2023. Segundo a economista, trata-se da maior alta desde julho/22 (0,86%). Este acréscimo foi motivado principalmente pelo custo com a mão de obra, que aumentou 0,70%. Já o custo de materiais e equipamentos subiu 0,05% e o custo com serviços teve alta de 1,02%.
Segundo Ieda, o custo com materiais e equipamentos vem registrando variações mais modestas desde agosto do ano passado – o único mês que não teve resultado negativo foi novembro de 2022. “Depois de mais de dois anos preocupando a construção civil com fortes elevações, vale lembrar a importância desse comportamento do custo com insumos”, ressaltou Vasconcelos.
Crescimento da construção civil
Em 2023, a perspectiva é que a construção civil siga crescendo, uma vez que já existe um ciclo de negócios em andamento e que trouxe este resultado. “No entanto, isso não constitui ausência de desafios – sendo o maior deles o patamar elevado da taxa de juros”, pondera a economista.
Da mesma forma, o Programa Minha Casa Minha Vida também traz expectativas positivas, segundo Ieda.
Em fevereiro de 2023, o Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção (ICEI) deu sinal de melhoras, após uma sequência de quatro meses em queda. No último mês, ele avançou 2,1 pontos, na comparação com janeiro, para 51,7 pontos. Além disso, o índice voltou a superar a linha de 50 pontos, mostrando que os empresários estão confiantes. A Sondagem da Indústria da Construção também apontou que o índice de intenção de investimento da indústria da construção avançou 6,2 pontos na passagem de janeiro para fevereiro, atingindo 44,7 pontos.
Fonte
Ieda Vasconcelos é economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)Contatos
Assessoria de imprensa CBIC – ascom@cbic.org.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
Construção Civil gerou cerca de 195 mil empregos formais em 2022
O Ministério do Trabalho divulgou dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes ao número de novos postos de trabalho com carteira assinada em 2022. Na construção civil, foram 194.444 no total, um crescimento de 8,42% em relação a 2021, quando o total de trabalhadores formais passou de 2,3 milhões para 2,5 milhões.
Tendo esse bom desempenho como base, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em dezembro de 2022, revisou as expectativas de seu crescimento: a projeção é de alta de 7% no PIB da Construção em 2022.
Detalhes dos empregos gerados
Os dados detalhados mostram que o setor de Construção de Edifícios foi responsável por 84.878 novos empregos, seguido por Serviços Especializados para a Construção, que gerou 80.486 postos, enquanto as Obras de Infraestrutura criaram 29.080 vagas.
Em relação aos locais com mais oportunidades geradas no ano passado, os números revelam que os cinco estados com mais novos postos de trabalho formais foram São Paulo (57.504), Rio de Janeiro (27.950), Bahia (19.567), Santa Catarina (10.376) e Pernambuco (8.920). E as cinco cidades com mais novas vagas no setor foram São Paulo (25.591), Rio de Janeiro (11.759), Salvador (8.011), Brasília (7.033) e Fortaleza (6.192).
"Desde que a pandemia da Covid-19 chegou ao Brasil, a construção civil já gerou quase meio milhão de novos empregos, o que evidencia toda a importância social e econômica do setor", afirmou Ieda Vasconcelos, economista da CBIC. A especialista também destaca que "de março de 2020 até dezembro de 2022, o setor criou 474.988 novos empregos com carteira assinada".
Vale ressaltar que, considerando o período compreendido entre 2012 e 2022, o último ano se tornou o segundo com melhor resultado de vagas geradas pela Construção, de acordo com o Caged. O primeiro lugar fica com 2021, que contabilizou 245.044 novos postos formais.
O saldo positivo foi possível mesmo considerando uma queda em dezembro passado, quando o setor perdeu pouco mais de 74 mil empregos. Porém, a série histórica do Caged mostra que esse é um movimento sazonal e que, sempre neste mês, há registro de perda de postos de trabalho nesse segmento.
Construção no retrato geral
Os dados gerais do levantamento no Brasil mostram que, em 2022, houve registro de 2.037.982 novas vagas de trabalho com carteira assinada, considerando todos os segmentos. A Construção foi responsável por quase 10% desse total, com 194.444.
Para efeito de comparação, os outros setores de destaque são os de Serviços, que contribuiu com 1.176.502 postos formais, de Comércio, com 350.110 vagas, e a Indústria, com 251.868.
Fontes
Caged
Ministério do Trabalho
Ieda Vasconcelos, economista da CBIC
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Fabiana Seragusa
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