Programa habitacional Minha Casa, Minha Vida é retomado; veja mudanças

Residencial do Minha Casa, Minha Vida em Santo Amaro, na Bahia.
Crédito: Marcelo Camará/ MCid

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória no último dia 14/2 para retomar oficialmente o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV), voltado a famílias de baixa renda. O anúncio foi feito durante a passagem do presidente pela cidade de Santo Amaro, na Bahia, onde, na ocasião, foram entregues 684 obras em dois conjuntos habitacionais (Vida Nova Santo Amaro 1 e Residencial Vida Nova Sacramento).

Criado em 2009, o MCMV foi substituído pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2020, passando a se chamar Casa Verde e Amarela, com alterações de alguns pontos presentes no projeto inicial.

Uma das novidades é o retorno da chamada Faixa 1, agora voltada para famílias com renda bruta de até R$ 2.640,00 - em vez dos R$ 1.800,00 exigidos anteriormente. Dos 2 milhões de moradias que o governo pretende contratar até 2026, 50% devem ser destinadas a esse público. Historicamente, o subsídio oferecido a famílias dessa faixa de renda varia de 85% a 95%.

Veja as faixas do programa

O Minha Casa, Minha Vida atenderá famílias residentes em áreas urbanas com renda bruta familiar mensal de até R$ 8 mil e famílias residentes em áreas rurais com renda bruta familiar anual de até R$ 96 mil.

De acordo com a faixa de renda:

Faixa Urbano 1 - renda bruta familiar mensal até R$ 2.640,00

Faixa Urbano 2 - renda bruta familiar mensal de R$ 2.640,01 a R$ 4.400,00

Faixa Urbano 3 - renda bruta familiar mensal de R$ 4.400,01 a R$ 8.000,00

No caso de famílias residentes em áreas rurais:

Faixa Rural 1 - renda bruta familiar anual até R$ 31.680,00

Faixa Rural 2 - renda bruta familiar anual de R$ 31.680,01 até R$  52.800,00

Faixa Rural 3 - renda bruta familiar anual de R$ 52.800,01 até R$ 96.000,00

Opinião das entidades

As alterações no programa geram expectativas no setor da construção. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio de seu presidente, José Carlos Martins, afirma que o retorno do programa é "muito bom" e que parte do mercado, que estava desativado, será aquecido. "Pode, inclusive, compensar a iminente baixa de financiamento da caderneta de poupança."

Segundo Martins, além de finalizar as obras paralisadas, o MCMV oferece dispositivos para a construção de conjuntos habitacionais em parceria com a iniciativa privada. "A medida provisória que criou o MCMV abre um leque de opções para resolver esse problema do déficit habitacional, como, por exemplo, produtos que você consiga ter uma maior rapidez de execução e tenha menores perdas."

O SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil) também divulgou nota dizendo ser positivo o retorno do programa - e ponderou que o projeto é passível de aperfeiçoamentos. "O programa também contempla a possibilidade de financiar a produção de unidades comerciais, e de financiar infraestrutura para aquisição e instalação de tecnologia de informação e de comunicação, desviando-se de seu foco habitacional, o que deveria ser evitado", afirma o sindicato.

Fontes
Gov.br
CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil)

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Fabiana Seragusa 
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Taxação de lucros e dividendos: o que mudaria no mercado imobiliário?

Taxação de lucros.
Crédito: Envato

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) são uma modalidade de investimento com suas operações focadas no mercado nacional de imóveis. Atualmente, os dividendos pagos pelos fundos imobiliários são isentos. No entanto, em setembro de 2021, foi aprovado pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2.337/21 (PL 2.337/21), que propõe a tributação dos dividendos. O projeto ainda transita pelo Senado, mas desde sua campanha o presidente Lula vem afirmando que é necessário fazer “uma reforma tributária de verdade para que pessoas mais ricas, que vivem de dividendos, que ganham mais dinheiro, paguem mais Imposto de Renda”.

Na opinião de Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), a medida traria consequências negativas ao setor que necessita de financiamento a juros mais baixos para se viabilizar. “Com o fim da isenção, haveria uma fuga de investimentos para outras modalidades de renda fixa, o que reduziria investimentos e geração de empregos no setor”, explica. 

Atualmente, os FIIs representam R$ 220 bilhões em estoque, esse investimento foi responsável pela geração de 2,7 milhões de empregos, segundo França. “A poupança, tradicional fonte de financiamento do setor, está em queda e por isso é essencial manter a isenção dos FIIS para preservar o volume de investimentos no setor além da geração de emprego e renda”, pontua.

Taxação de lucros e dividendos: isso realmente deve acontecer?

Para França, o governo não deve adotar a medida, pois seria um grande desestimulo à geração de emprego e renda. “Precisamos considerar que o setor da construção emprega 7,4 milhões de pessoas, de acordo com a PNAD, e, em diversos outros países, os fundos imobiliários possuem isenção tributária e são muito usados como fonte de financiamento setorial. A medida também traria prejuízo ao patrimônio dos 1,9 milhão de pessoas físicas que investem em fundos imobiliários. Por fim, vale reforçar, que os FIIs já são tributados em 20% sobre o ganho de capital”, justifica o presidente da Abrainc.

Como se preparar para este cenário?

França acredita que é preciso ter no Brasil um número cada vez maior de produtos de investimentos destinados ao financiamento habitacional

“O crédito imobiliário somente se viabiliza com juros baixos e financiamento de longo prazo, por isso precisamos de linhas específicas. A LIG (Letra Imobiliária Garantida), criada em 2018 e inspirada nos Covered Bonds, que são ativos, geralmente isentos de tributação, e lastreados em ativos imobiliários muito usados como fonte de financiamento setorial nos EUA e Europa, foi um passo muito importante. Além disto, precisamos constantemente debater a criação de novas alternativas de funding ao setor e garantir que as fontes tradicionais, poupança e FGTS, sejam preservadas” argumenta França.

Por fim, o presidente da Abrainc aponta que a securitização de ativos com lastro imobiliário é uma alternativa muito utilizada em todo o mundo e que poderia ser mais estimulada no Brasil. “Para isso, é fundamental ter uma legislação que garanta isenção a essa classe de ativos, o que proporciona ao investidor uma boa rentabilidade e atrairia um grande volume de investimentos ao setor”, conclui.

Entrevistado
Luiz França é presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc)

Contato
Assessoria de imprensa Abrainc - marcos.araujo@loures.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
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Energia solar se torna a segunda fonte mais utilizada no Brasil

Desde 2012, fonte solar já gerou 705 mil empregos.
Crédito: Divulgação

O aumento na utilização de energia solar no Brasil chegou a um outro patamar no início de 2023, quando a fonte solar fotovoltaica se tornou a segunda maior da matriz elétrica brasileira, com 23,9 gigawatts (GW) de potência instalada operacional.

O número se refere à somatória das grandes usinas e dos pequenos e médios sistemas de geração própria em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos. 

Segundo os dados divulgados pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a fonte hídrica é a mais usada atualmente (com 109,7 GW), e o terceiro lugar, agora, fica com a fonte eólica (23,8 GW).

O mapeamento realizado pela entidade mostra que, desde 2012, a fonte solar já gerou mais de 705 mil empregos e proporcionou cerca de R$ 38 bilhões em arrecadação para os cofres públicos, além de ter trazido ao Brasil mais de R$ 120 bilhões em novos investimentos. Evitou, ainda, a emissão de 33,3 milhões de toneladas de CO2 na geração de eletricidade. A previsão é de que, até o final de 2023, o setor solar chegará a 1 milhão de empregos acumulados, contados desde 2012. 

Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar, ressalta o fato de que o avanço da energia solar no Brasil é fundamental para o desenvolvimento social, econômico e ambiental. "A tecnologia ajuda a diversificar a matriz elétrica do país, aumentar a segurança de suprimento, reduzir a pressão sobre os recursos hídricos e proteger a população contra mais aumentos na conta de luz", afirma. "O crescimento da fonte solar fortalece também a sustentabilidade, a transição energética e a competitividade dos setores produtivos."

Nova lei - Marco Legal

Dr. Rodrigo Lopes Sauaia, CEO da Absolar.
Crédito: Divulgação

A lei 14.300/2022, que institui o Marco Legal da Micro e Minigeração de Energia, foi regulamentada em 7 de fevereiro deste ano pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As novas regras envolvem procedimentos que têm a ver com a geração de energia, incluindo cobrança pelo uso da rede de distribuição.

"Desde a publicação da lei, em janeiro de 2022, a Absolar trabalha para que estes benefícios sejam corretamente valorados e incluídos nas diretrizes a serem oficializadas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)", afirma Rodrigo Sauaia. "Esperamos que a preocupação muito falada pelo atual Governo com a pauta ambiental e climática se traduza em diretrizes que impulsionem ainda mais a geração distribuída renovável."

Em relação aos pontos legais que foram ajustados durante a aprovação da lei, a vice-presidente de geração distribuída da Absolar, Bárbara Rubim, destaca a alteração nas taxas sobre os pequenos consumidores geradores de energia. "Houve avanços importantes em relação ao que tinha sido proposto pelas áreas técnicas da Aneel, sobretudo a eliminação da cobrança em duplicidade do custo de disponibilidade e da chamada TUSD Fio B, encargo pelo uso da rede, o que afastou o risco de inviabilizar a geração própria de energia solar para a sociedade brasileira."

Fontes
Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar
Bárbara Rubim, vice-presidente de geração distribuída da Absolar 

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Fabiana Seragusa 
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Grafeno ganha 1ª norma técnica nacional

A norma ABNT ISO/TS 21356-1 trata da caracterização estrutural do grafeno na forma particulada e dispersões.
Crédito: Envato

O grafeno acaba de ganhar a sua primeira norma técnica nacional, a ABNT ISO/TS 21356-1. O documento foi publicado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e contou com apoio do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

O Grafeno é um nano material de carbono com um conjunto de propriedades físicas e químicas inusitadas, cujas multifuncionalidades têm atraído a indústria para sua utilização e na criação de uma nova classe de materiais.

“Ele tem o potencial de revolucionar o uso não só com novos materiais, mas com uma nova visão de engenharia para materiais já consagrados como polímeros, elastômeros, materiais cimentícios e outros diretamente ligados a mercados que são relevantes na economia brasileira e com entrada quase que imediata no mercado nacional”, aponta Valdirene Sullas Teixeira Peressinotto, Head de P&D da Gerdau Graphene e membro da Comissão de Estudo Especial de Nanotecnologia (ABNT/CEE-089).

Valdirene também ressalta que o grafeno é peça fundamental na revolução tecnológica em mercados como o de energia, possibilitando novas tecnologias mais sustentáveis para baterias, por exemplo.

Norma ABNT ISO/TS 21356-1

Quando se desenvolve um novo material como o grafeno, surgem várias questões sobre quais propriedades deste material são interessantes, e sobre como estas propriedades podem ser determinadas.

A norma ABNT ISO/TS 21356-1, que de fato é uma especificação técnica, trata da caracterização estrutural do grafeno na forma particulada e dispersões, segundo o professor Luiz Gustavo Cançado, do Departamento de Física da UFMG e coordenador da Comissão de Estudo Especial de Nanotecnologia (ABNT/CEE-089).

“Ela apresenta definições e protocolos para determinação do número de camadas, dimensões laterais dos flocos, alinhamento entre camadas, nível de desordem e área específica do pó contendo grafeno. A ISO/TS 21356-1 foi traduzida para o português pelo grupo de trabalho GT4-Materiais Bidimensionais, da Comissão de Estudo Especial de Nanotecnologia (ABNT/CEE-089)”, pontua Cançado.

De acordo com o professor, algumas definições podem parecer triviais, mas principalmente em se tratando de nanomateriais, o consenso só é possível após amplo debate. “Esta norma serve para estabelecer padrões e dar algum tipo de direcionamento nos procedimentos de caracterização estrutural do grafeno”, expõe Cançado. 

Uma das questões debatidas foi o limite de número de camadas de um floco para que ele seja considerado grafeno. “O grafeno não é necessariamente formado por uma única camada. Ele pode ser formado pelo empilhamento de várias camadas, tal como o grafite. Após muito debate, os especialistas que criaram esta norma decidiram que um floco deve possuir entre 3 e 10 camadas para ser denominado como grafeno de poucas camadas. Abaixo disso temos o grafeno de uma única camada ou a bicamada de grafeno. Acima temos as nanoplacas de grafeno, que possuem espessura entre 1 e 3 mm, ou o próprio grafite que é um cristal formado por camadas de grafeno empilhadas”, destaca o professor.

Além de estabelecer as definições das propriedades de interesse e dos termos relacionados, a norma define as melhores técnicas e procedimentos para se medir tais propriedades. “Novamente, tais definições são baseadas em amplo debate entre especialistas. Voltando ao exemplo de número de camadas, trata-se de uma característica estrutural que pode ser medida de diversas formas, principalmente microscopias (de varredura por sonda ou eletrônica de transmissão) ou espectroscopias ópticas (espalhamento Raman e absorção no UV-visível). Como se tratam de técnicas indiretas, algo bem comum em nanomateriais, os resultados obtidos entre as técnicas nem sempre concordam entre si. É preciso então que se compreenda os resultados de cada técnica, e que se estabeleça o tipo de informação que aquele resultado pode entregar. Tomando novamente o exemplo de número de camadas, uma técnica pode indicar que um certo material possui um percentual grande de grafeno, e outra pode indicar o oposto. Isso pode ser causado, por exemplo, pela formação de agregados facilmente detectáveis por microscopia de varredura, mas indetectáveis pela espectroscopia Raman. A norma ABNT ISO/TS 21356-1 busca informar e instruir as pessoas para o entendimento correto sobre este tipo de informação desencontrada. Ela ainda possui limitações que deverão ser discutidas nas etapas de revisão, algo natural quando se trata de um material relativamente novo”, explana Cançado.

Uso do grafeno no Brasil

O Brasil possui abundância de matéria-prima para produção de grafeno, seja para métodos de produção a partir de grafite ou para métodos de produção a partir de outras fontes de carbono, segundo Valdirene. Além disso, possui mercado para absorver a entrada do material e possui conhecimento científico para qualificação técnica. “O grafeno é produzido a partir de fontes de carbono, como por meio da grafita, ou por fonte orgânica como metano ou celulose. Os processos industriais de produção de grafeno em larga escala concentram-se em produção a partir da grafita e o Brasil está entre os três primeiros colocados e reserva do minério grafita, bem como entre os três maiores produtores de grafite”.

Atualmente existem alguns produtos comerciais com grafeno, principalmente em produtos poliméricos, alguns revestimentos, pneu e alguns produtos na área de energia. “Porém, com entrada no mercado ainda de forma modesta frente ao potencial de mercado para estas e outras áreas”, explica Valdirene

Um exemplo disso é a diminuição de petroquímicos em plásticos mais resistentes que possibilitam a diminuição de espessura na aplicação final, ou redução das emissões de CO₂ devido a redução do uso de clínquer em concretos aditivados com grafeno. 

“Estamos desenvolvendo aditivos a base de grafeno e lançando os primeiros produtos no mercado nacional voltados para os mercados de polímeros, tintas e revestimentos, concretos e materiais cimentícios, elastômeros e óleos lubrificantes”, destaca Valdirene.

Para a adoção do grafeno no mercado, um dos gargalos está representado na necessidade das empresas de conseguirem qualificar os diferentes produtos que compõe a classe de materiais que recebem o nome de grafeno. “Começa com a nomenclatura e com as metodologias de caracterização do nano material, de forma que a indústria possa desenvolver seus métodos de controle e de reprodutibilidade. A norma é o primeiro passo para a adoção do material na indústria e para que comece a ocorrer a migração de concentração do conhecimento da academia para a indústria e, consequentemente, o desenvolvimento de aplicações industriais e aumento de produtos com grafeno no mercado”, conclui Valdirene.

Entrevistados:

Valdirene Sullas Teixeira Peressinotto é Head de P&D da Gerdau Graphene e membro da Comissão de Estudo Especial de Nanotecnologia (ABNT/CEE-089).

Luiz Gustavo Cançado é professor do Departamento de Física da UFMG e coordenador da Comissão de Estudo Especial de Nanotecnologia (ABNT/CEE-089).

Contato
Assessoria de imprensa ABNT - daniela.nogueira@fsb.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
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Arábia Saudita vai construir um dos maiores aeroportos do mundo

Até 2030, o aeroporto quer transportar 120 milhões de passageiros por ano.
Crédito: Foster + Partners

Nos últimos anos, a Arábia Saudita fez muitos esforços para diversificar sua economia – que ainda é bastante focada no petróleo. E uma das formas de conquistar esta meta é através do turismo. Anteriormente, apenas aqueles com vistos de negócios, peregrinos religiosos e trabalhadores expatriados podiam visitar o país. Em 2019, a Arábia Saudita decidiu liberar vistos de turistas. No ano seguinte, permitiu a entrada de turistas com vistos existentes nos EUA, Reino Unido e Espaço Schengen. Com este foco em aumentar o turismo local, um dos planos é construir o Aeroporto Internacional Rei Salomão (King Salman International Airport), que ficará localizado na capital Riyadh e promete ser um dos maiores do mundo.

O aeroporto terá seis pistas paralelas, o que possibilitará a passagem de 185 milhões de pessoas anualmente até 2050. Construído sobre o atual Aeroporto Internacional King Khalid, ele terá 57 km², e deve ser projetado pelos arquitetos Foster + Partners, que venceram uma competição internacional. Os terminais existentes deverão ser mantidos. Também incluirá 12 km² de instalações de apoio aeroportuário, instalações residenciais e recreativas, lojas de varejo e outros imóveis logísticos.

De acordo com Luke Fox, chefe de estúdio da Foster + Partners, o aeroporto “reimaginará o terminal tradicional como um único saguão servido por várias entradas. O terminal tem muito a ver com o seu lugar e conecta os passageiros às experiências sensoriais da cidade, com elementos naturais, luz temperada e instalações de última geração.”. 

Aeroporto terá 12 km² de instalações de apoio aeroportuário, instalações residenciais e recreativas, lojas de varejo e outros imóveis logísticos.
Crédito: Foster + Partners

Seif A. Bahaa Eldin, sócio sênior da Foster + Partners, acrescentou: “Este desenvolvimento visionário desempenhará um papel importante na transformação da cidade em um centro global de criatividade e inovação”.

Aumento de capacidade

Até 2030, o aeroporto quer transportar 120 milhões de passageiros por ano, antes de aumentar 50% nas próximas duas décadas. O plano é movimentar 3,5 milhões de toneladas de carga por ano até 2050. Seif A. Bahaa Eldin, sócio sênior da Foster + Partners, disse em comunicado que o objetivo é que o aeroporto ajude Riad a se tornar um “centro global de criatividade e inovação."

Sustentabilidade

A exemplo de muitas construções que foram feitas para a Copa do Qatar, uma das características deste novo aeroporto é a sustentabilidade. A ideia é que ele seja tão sustentável quanto um edifício que atende à indústria da aviação pode ser – com energia renovável e uma certificação LEED Platinum (Liderança em Energia e Design Ambiental).

Contato: press@fosterandpartners.com

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Marina Pastore
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Cadeia da Construção deve movimentar R$ 2,7 trilhões no Brasil até 2030

Estudo prevê investimentos de R$ 312,8 bilhões em obras urbanas e construção civil e de edifícios.
Crédito: Envato

Uma pesquisa realizada com 144 empresas brasileiras serviu como base para o estudo inédito "Produtividade e Oportunidades para a Cadeia da Construção Civil", produzido pela Deloitte e divulgado na última quinta-feira (9) pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias).

A previsão é de que os três setores que compõem a cadeia de construção (construção, infraestrutura e indústria de base) realizem investimentos no total de R$ 2,7 trilhões até 2030, contando a partir de 2021, ano de coleta dos dados. Desse montante, R$ 312,8 bilhões seriam destinados para o segmento da construção, que engloba obras urbanas e construção civil e de edifícios.   

Os números foram obtidos a partir de projeções e anúncios divulgados por empresas privadas e públicas, associações e órgãos governamentais.

Luiz França, presidente da Abrainc, diz que o estudo permite entender mais sobre produtividade e medir novos indicadores. "Trata-se de um trabalho de grande valia para a incorporação imobiliária e a construção civil, pois a troca de informações e o diálogo com todos os elos que nos envolvem são caminhos para aumentar a competitividade e oferecer serviços de qualidade."

Dados da cadeia de construção

A pesquisa apurou que atualmente existem cerca de 23 mil empresas (com mais de 30 pessoas ocupadas) do segmento da construção no Brasil. Essas companhias somam R$ 2,3 trilhões em receitas líquidas e pagam R$ 443 bilhões de impostos, taxas e deduções. Em relação aos empregos gerados, são aproximadamente 3,7 milhões.

Ainda de acordo com o estudo, a maior parte das empresas da cadeia de construção investe até 3% de sua receita líquida em tecnologia. Nos setores de Construção e incorporação e de Serviços, o principal foco é o seu uso em gestão de projetos e cronogramas. Já nos segmentos de Comércio de materiais, Fornecedores de insumos e Indústria de base, a aplicação da tecnologia é feita na própria atividade produtiva e na execução de serviços. 

"Uma cadeia madura vê os ganhos em produtividade não apenas no número frio do orçamento mais baixo, mas no real valor que aquele terceiro pode trazer para o projeto como um todo", conta Eduardo Raffaini, sócio-líder de Infrastructure & Capital Projects da Deloitte. "Este estudo confirma a importância de considerar fatores de longo prazo - como a incorporação de soluções inovadoras e a sustentabilidade do projeto - na contabilização do que é ser produtivo."

Giovanni Cordeiro, diretor de Pesquisa e Inteligência da Deloitte, também destacou as mudanças no comportamento do setor. "Nos últimos anos, foram registrados grandes avanços no campo tecnológico com a busca de parcerias junto a empresas de tecnologia como startups e construtechs."

O estudo revela que as construtechs são a categoria com as quais as empresas participantes mais realizam parcerias (38% das companhias do setor de Construção e incorporação, por exemplo), seguidas pelas startups da área financeira, chamadas fintechs (14% do segmento de Comércio de materiais de construção).
O alto indicador de startups de setores diversos que trabalham em parceria com empresas da pesquisa mostra, de acordo com a sondagem, que há uma gama de diversidade e oportunidades a serem exploradas, em relação à conexão entre o ramo industrial, de construção e outros segmentos.

Fontes

Luiz França, presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias).

Eduardo Raffaini, sócio-líder de Infrastructure & Capital Projects da Deloitte.

Giovanni Cordeiro, diretor de Pesquisa e Inteligência da Deloitte.

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Fabiana Seragusa 
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4 problemas de uma construção mal planejada

Para um bom planejamento de uma obra, é essencial que todos os projetos sejam bem coordenados.
Crédito: Envato

Quem é que nunca ouviu a história comecei uma reforma, que nunca acabou e custou o dobro”? Este é um problema clássico decorrente da falta de planejamento em uma obra. 

Para Rodrigo Fairbanks Von Uhlendorff, coordenador do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), o planejamento envolve expectativa do cliente, melhores datas para começar e terminar a obra, além de um custo assertivo.

“Para fazer uma obra bem-feita, dentro do custo estimado e no prazo, é fundamental ter um preparo: ter todos os serviços e materiais comprados, com data certa para entrar, entrega na hora. Este é o trabalho da engenharia, juntar este monte de peças funcionando, em um bom ambiente, com o menor estresse possível. Isto tudo é muito difícil”, esclarece Uhlendorff.

Ao fazer uma obra bem planejada, gasta-se uma determinada quantidade de energia. No entanto, se ela for mal planejada, a energia empregada pode aumentar cinco vezes. “Você deixa de ser engenheiro para virar bombeiro – você fica apagando incêndio o tempo todo. Em uma obra bem planejada, observa-se um clima homogêneo. Por outro lado, em uma obra mal planejada, o clima fica ruim, há correria e isso consome as pessoas”, destaca Uhlendorff.

Veja os principais problemas decorrentes de um planejamento de obra ruim:

Prazo

Na opinião de Uhlendorff, uma das principais dificuldades decorrentes de um planejamento deficiente é a incapacidade de cumprir prazos. “Aqueles que não planejam não conseguem entregar a obra no prazo”, pontua. 

Aumento de custo

Para Uhlendorff, é o irmão gêmeo da falta de prazo. “Ao fazer uma obra sem planejamento, certamente o custo irá aumentar. Vamos imaginar que há uma construção para ser feita em seis meses. Consequentemente, o orçamento vai prever a contratação de um engenheiro por este período. No entanto, se a obra durar oito meses, o engenheiro já custou dois meses a mais. Isso quando não acontece do empreiteiro ir embora, por ter outra obra, aí é necessário contratar outro profissional. É uma bola de neve monstruosa”, alerta.

Outra questão que pode alterar prazos e custos é a necessidade de refazer algum serviço. “Se for necessário refazer qualquer coisa (seja porque não ficou bem feito ou pelo fato de algum material não ter chegado), há sempre o aumento de custo”, esclarece Uhlendorff.

Qualidade

A qualidade começa a ficar comprometida quando há a necessidade de refazer certos serviços. “Ela também pode ser prejudicada quando não há um sistema perfeito onde as atividades realizadas estão conforme o previsto. No momento em que você começa a dispersar, você perde a mão”, sugere Uhlendorff.

Assistência técnica

Em obras com problemas de má qualidade, há chances de haver questões na assistência técnica, isto é, a manutenção. “Vamos imaginar que você pega um pintor e ele pinta sua casa inteira. Se dá um problema em um pedaço da obra, você sabe com quem falar, é possível rastrear os responsáveis. No entanto, em uma obra grande, que é dividida em inúmeras pessoas, você perde a rastreabilidade, fica mais difícil de identificar quem fez o que. É um trabalho após o outro. Exemplo: a parede tem que estar lisa para ser pintada corretamente. Se isso não acontecer, o trabalho será comprometido. Não adianta reclamar com o pintor de um trabalho que era um pré-requisito para ele. Concatenar todos estes serviços e as interfaces destes subsistemas é a arte”, explica Uhlendorff.

Planejamento de uma obra: como é o ideal?

Para Uhlendorff, trata-se de um conceito holístico e o projeto tem um papel fundamental.  “Existem diversos projetos em uma obra – iluminação, alvenaria, fachada, elétrica, hidráulica, ar-condicionado, entre outros. E é necessário fazer um projeto que esteja coordenado – uma disciplina deve conversar com a outra. Em cima de um bom projeto, a empresa de engenharia está lá para executá-lo. Isso significa que ele deve conter o máximo possível de informações para que não cause dúvidas – ele tem que ter comando, prazo e determinação. O projeto é uma das fases mais importantes”, aponta. 

Uhlendorff também acredita que se não houver um bom planejamento, a expectativa jamais será alinhada ao resultado

Entrevistado:

Rodrigo Fairbanks Von Uhlendorff é coordenador do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP)

Contato:
Assessoria de imprensa SindusCon-SP: dbarbara@sindusconsp.com.br

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Marina Pastore
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EUA constrói 1ª casa de dois andares com impressora 3D

Simulação da fachada da residência em 3D.
Crédito: Hannah

Houston, no Texas, foi a cidade escolhida para a construção da primeira casa de dois andares nos Estados Unidos com o uso de impressora 3D. O local vai contar com três quartos divididos em dois pavimentos, em uma área total de 370 metros quadrados.

No canteiro de obras, o tradicional fluxo de dezenas de operários e de veículos pesados foi substituído pela presença de uma impressora enorme, de 12 toneladas, responsável por criar as camadas de concreto que darão vida às paredes e às estruturas do imóvel.

Com finalização prevista para o segundo semestre de 2023, o projeto é realizado por meio de uma parceria entre o estúdio de design Hannah (responsável pela arquitetura e pelo planejamento), a Peri 3D Construction (especialista em soluções de impressão 3D para construção) e a empreiteira Cive (serviço de engenharia e contratação geral). Todo o planejamento levou dois anos para ser concluído - e serão necessárias 330 horas de impressões, no total.

Método de impressão 3D

A casa de dois andares está sendo construída de forma híbrida, utilizando as possibilidades da tecnologia de impressão 3D e métodos convencionais da construção. Os núcleos impressos contêm espaços funcionais que estão sendo conectados por estruturas de madeira (sistema chamado de "wood frame"), para criar uma alternância arquitetônica de concreto e interiores emoldurados.

Hachem Domloj, presidente da Cive, diz que o projeto abre espaço para iniciativas ainda maiores. "Coletivamente, estamos mudando a forma como nosso país constrói e abrindo caminho para habitações mais acessíveis, maior integridade estrutural e capacidade de construções mais rápidas. As possibilidades da impressão 3D são infinitas."

Impressora 3D coloca camadas de concreto na obra.
Crédito: Hannah

Além da inovação, outro ponto de destaque da nova casa é que o uso do concreto vai oferecer mais segurança aos moradores, já que o material pode resistir a furacões, fortes tempestades e outras condições climáticas severas que estão se tornando cada vez mais frequentes no Texas.

"Estamos convencidos de que o projeto estabelecerá novos padrões, do ponto de vista do design e da execução da impressão, e isso também enfatiza o nosso papel como precursor dessa nova técnica de construção", afirmou Fabian Meyre-Broetz, CEO da Peri 3D Construction. Ele destaca que esta é a sétima e maior habitação em 3D que a empresa realizou.

Leslie Lok e Sasa Zivkovic, do estúdio Hannah, ressaltam a empolgação dos envolvidos com o potencial do projeto. "Esses esforços de design visam aumentar o impacto, a aplicabilidade, a sustentabilidade e a eficiência de custos da impressão 3D para futuros edifícios residenciais e multifamiliares nos Estados Unidos."

Fontes

Fabian Meyre-Broetz, CEO da Peri 3D Construction
Hachem Domloj, presidente da Cive
Leslie Lok e Sasa Zivkovic, do estúdio Hannah

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Fabiana Seragusa 
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Índice da construção civil fecha 2022 em alta de 10,9%; veja projeção 2023

Sinapi leva em conta preços de materiais de construção e da mão de obra.
Crédito: Envato

O Índice Nacional da Construção Civil fechou 2022 com alta de 10,9% no acumulado do ano, de acordo com dados do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), uma produção conjunta do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da Caixa Econômica Federal. 

Essa foi a segunda maior taxa registrada desde 2014, mesmo com queda de 7,75 pontos percentuais em relação a 2021 (que chegou a 18,65%). Em 2020, o número ficou um pouco mais baixo, em 10,16%.

O relatório mede o custo nacional para o setor habitacional por metro quadrado, ficando assim divididos com os novos dados, em relação às regiões do país: R$ 1.560,52 (Nordeste); R$ 1.697,69 (Norte); R$ 1.722,72 (Centro-Oeste); R$ 1.735,03 (Sudeste); e R$ 1.761,89 (Sul).

De acordo com Augusto Oliveira, gerente do Sinapi, houve dois momentos distintos em 2022 que refletiram neste alto número dos custos da construção civil. "O primeiro semestre apresentou taxas para a parcela dos materiais ainda próximas das captadas em 2021, com uma desaceleração a partir de agosto, chegando ao final do ano com taxas mais próximas de anos anteriores à pandemia", explica.

Oliveira também afirma que "a parcela da mão de obra, responsável por aproximadamente 40% do custo das obras, teve, em 2022, influenciada pelos acordos coletivos homologados entre sindicatos patronais e dos empregados, uma maior influência no resultado final, apresentando um acumulado de 12,18%, aproximadamente o dobro do ano anterior".

 Rodrigo Navarro, presidente da Abramat.
Crédito: Divulgação

E completa: "Como estes acordos levam em conta a perda salarial do ano anterior, inflação do consumidor, e em 2021 o INPC ficou em 10,16%, os índices utilizados para o reajuste das categorias profissionais foram maiores do que em anos anteriores."

A Covid-19 também é citada por Rodrigo Navarro, presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), como sendo um dos principais motivos para a alteração nas taxas. "A pandemia gerou aumentos de custos de matérias-primas e variações de preços de commodities, devido a desequilíbrios globais nas cadeias de suprimentos de diversos setores. A guerra da Ucrânia também contribui negativamente neste cenário."

Sobre 2022, o executivo cita que, segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas), "a variação de preços de materiais medida pelo INCC (Índice Nacional de Custo de Construção) indicou não apenas desaceleração, mas já apontou queda nos preços de alguns insumos, como aço, tubos de PVC e condutores elétricos".

Ainda segundo Navarro, "a Abramat está projetando um crescimento de 2% para as vendas de materiais em 2023, na comparação com o volume de 2022." O executivo também ressalta o fato de que a FGV aponta que as perspectivas são de desaceleração da alta do custo da construção civil, em direção à inflação esperada para o ano.

Fontes

Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil)
Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção)

Jornalista responsável
Fabiana Seragusa 
Vogg Experience


NBR 6118 passa por revisão e consulta popular

Crédito: Envato

O Brasil possui um excelente know-how no projeto e produção de estruturas de concreto. Este material vem sendo utilizado há décadas na construção de pontes, viadutos, túneis, barragens, edifícios, residências, monumentos, etc. A norma-mãe que rege o uso do concreto, a NBR 6118 tem um impacto direto nesse cenário.  Em 2022, a ABNT NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimentos passou por um processo de revisão e de consulta popular.

“Evidentemente, há diversas outras normas específicas tão importantes como a NBR 6118. Vale lembrar que a NBR 6118, ainda carinhosamente chamada por muitos de NB-1, foi a primeira norma técnica brasileira, criada junto com a fundação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O Brasil possui um excelente know-how no projeto e produção de estruturas de concreto, reconhecido internacionalmente e, graças a um conjunto de notáveis e abnegados engenheiros brasileiros, possui uma norma técnica própria, com padrão internacional. A NBR 6118 é importante não somente para a construção civil, mas sim para toda a sociedade brasileira”, apontam a engenheira Suely B. Bueno, diretora de Normas Técnicas da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE), e Alio Kimura, diretor-adjunto de Normas Técnicas da ABECE.

Esse projeto de revisão, iniciado em 2018, cancelará e substituirá a NBR 6118:2014 por completo. “A revisão dessa norma é necessária pois ela trata de um assunto (Projeto de Estruturas de Concreto) que está em constante evolução tecnológica, seja nas pesquisas como nas aplicações práticas, seja no desenvolvimento de novas metodologias como de novos materiais. Além disso, por ser uma norma que envolve a segurança e o conforto dos usuários das construções de concreto, é fundamental que ela seja revisada, atualizada e melhorada, de forma contínua e paulatina”, afirmam Suely e Kimura. 

Pontos de destaque

Nesta revisão, a base de 2014 foi mantida, isto é, a sua abrangência e as suas seções continuam as mesmas. Ao todo, foram debatidas 182 sugestões nas plenárias, dentre as quais 134 foram aprovadas. 

“A grande maioria das novidades consiste na introdução de textos e figuras, certas vezes com a imposição de limites, cujo objetivo é esclarecer como os procedimentos e requisitos devem ser considerados nos projetos estruturais de forma correta. Não há alterações significativas nas metodologias e formulações atuais, com exceção para concretos de alta resistência, em que foi introduzido um novo coeficiente de fragilidade, baseado no código-modelo europeu”, explicam Suely e Kimura.

Outra novidade da norma é a presença de um novo diagrama para análise estrutural não-linear, além de pequenos ajustes e melhorias na parte de fadiga

“Essa revisão demonstra os sinais de maturidade do texto atual. Porém, isso não significa que não há mais trabalho pela frente. Pelo contrário, a Comissão de Estudos continuará se reunindo, e outras novidades poderão surgir em futuras emendas em breve”, opinam Suely e Kimura.

 Melhorias após a publicação

Logo após a publicação da NBR 6118:2023, está prevista a continuidade dos trabalhos pela Comissão de Estudo que elaborou a revisão dessa norma, com a realização de reuniões ao longo de 2023 para debater algumas propostas de melhorias recebidas durante o período de Consulta Nacional. 

“Elas serão analisadas com a devida atenção, podendo, se aprovadas, serem publicadas em futuras emendas em breve. Cabe destacar também que o Brasil mantém sua participação ativa em diversos comitês de normas internacionais, como os do ACI (American Concrete Institute), da fib (Fédération internationale du béton) e da ISO (International Organization for Standardization), o que faz com que a norma brasileira esteja sempre atualizada com as novidades que estão sendo introduzidas em outros países”, destacam Suely e Kimura. 

Entrevistados:

A engenheira Suely B. Bueno é diretora de Normas Técnicas da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE) e coordenadora da CE-002:124.015 – Comissão de Estudo de Estruturas de Concreto – Projeto e Execução, que revisou a NBR 6118. 

O engenheiro Alio Kimura é diretor-adjunto de Normas Técnicas da ABECE e secretário da CE-002:124.015.

Contato
ABECE: prefixo@prefixocomunicacao.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP