Obras tornam RJ recordista em consumo de concreto
Volume de empreendimentos faz com que material empregado no estado passe de um milhão de metros cúbicos até 2016
Por:Altair Santos
O Rio de Janeiro se transformou em um canteiro de obras de 43,7 mil km², o que equivale à sua dimensão territorial. Principal cidade-sede da Copa do Mundo de 2014, sede dos Jogos Olímpicos de 2016, protagonista dos investimentos destinados ao pré-sal e ponto turístico número um do Brasil, o estado desencadeou investimentos na ordem de R$ 213,9 bilhões, que começaram em 2010 e devem se estender até 2020. O volume de recursos faz com que o Rio de Janeiro seja recordista em quantidade de obras no país e um dos mais destacados centros da construção civil mundial na atualidade.

Apesar de todos os 92 municípios do estado estarem envolvidos em obras, 60% delas estão concentradas na capital fluminense. No entanto, a que irá consumir o maior volume de concreto localiza-se em Angra dos Reis. Trata-se da terceira usina nuclear em construção, e que envolverá 200 mil m³ do material. Ainda sem números fechados, a Secretaria de Obras do Rio de Janeiro estima que todos os empreendimentos irão consumir mais de um milhão de metros cúbicos de concreto. Além de Angra 3, o Arco Metropolitano - anel rodoviário que unificará todas as rodovias que cruzam o estado - também receberá um volume intenso de concreto. Calcula-se 92 mil m³.
Levantamento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro mostra que, dos R$ 213,9 bilhões a serem investidos, R$ 83 bilhões irão para a cadeia de exploração e produção de petróleo. A logística e a infraestrutura urbana receberão R$ 61,9 bilhões. Em seguida, virão os setores de siderurgia (R$ 20,1 bilhões); energia (R$ 14,8 bilhões); petroquímica (R$ 14,6 bilhões), indústria naval (R$ 9,5 bilhões); indústria de transformação (R$ 7,9 bilhões); serviços (R$ 1,3 bilhão) e telecomunicações (R$ 800 milhões). Ainda de acordo com o documento elaborado pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) denominado Decisão 2011-2013, desse volume de recursos R$ 181 bilhões serão investidos até 2013.
Entre as obras prementes estão a reforma do estádio Maracanã, que consumirá 31 mil m³ de concreto; a linha 4 do metrô, que facilitará o acesso do transporte público à Barra da Tijuca, e que consumirá 108 mil m³, além das quatro linhas de BRT (Bus Rapid Transit), que dos 180 quilômetros de extensão terão 125 executados em pavimento de concreto. A ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) assessora o projeto, que custará R$ 16 bilhões. Cada linha (TransOeste, TransCarioca, TransOlímpica e TransBrasil) deverá absorver perto de 70 mil m³ de concreto. No conjunto de construções, estão previstas 60 obras de arte, com duas pontes estaiadas e três túneis.
Outro empreendimento relevante é o que promoverá a maior intervenção urbana em uma capital brasileira. Trata-se do Porto Maravilha, que irá transformar os 5 milhões de m² da região portuária e do centro histórico do Rio de Janeiro, cujo investimento em obras de infraestrutura chega a R$ 7,6 bilhões. Previsto para ser entregue em 2015, esse projeto, assim como os demais em construção, promete concorrer com os cartões postais que o Rio herdou da natureza. Agora, moldados em concreto.
Confira relatório da Firjan sobre investimentos no Rio de Janeiro: clique aqui
Entrevistados
Secretaria de Obras do Rio de Janeiro (SEOBRAS), Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro e Firjan
Contatos: ascom@emop.rj.gov.br/ ascom@desenvolvimento.rj.gov.br /imprensa@firjan.org.br
Créditos foto: Divulgação/Governo do RJ
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Brasil é referência mundial em cimento ecoeficiente
Por: Altair Santos
O setor cimenteiro do Brasil vive uma nova era. A necessidade de produzir com mais eficiência, atendendo requisitos ambientais, faz com que as fábricas invistam maciçamente em futuras instalações ou na expansão de seus complexos industriais. Boa parte das cimenteiras hoje já opera com moinhos de alta competência energética e fornos aptos a queimar a maior variedade de resíduos coprocessados. O objetivo é superar o desafio de diminuir emissões de gases, o que tem sido alcançado com louvor, segundo destacam os especialistas Arnaldo Battagin e Paulo Helene.

No entender do chefe dos laboratórios da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) o investimento em tecnologia só vem reforçar a posição do setor cimenteiro nacional que, perante outros países, é considerado o mais ecoeficiente do mundo. "Essa aplicação de tecnologia resulta em uma redução ainda maior de emissões. Com essas novas instalações, têm sido praticados valores de emissão de materiais particulados menores que 20 mg/Nm3 (lê-se miligramas por normal metro cúbico) contra 50 mg/Nm3, que é o limite prescrito pelo regulamento ambiental do Conama", destaca Arnaldo Battagin.
O engenheiro civil e pesquisador Paulo Helene também destaca esse comprometimento do setor com a responsabilidade ambiental. Segundo ele, as cimenteiras do Brasil estão entre as indústrias que mais praticam o conceito de sustentabilidade. É o que ele escreveu em seu mais recente artigo Sustentabilidade das Estruturas de Concreto. "Em 1987, a Brundtland Commission da ONU registrou a definição do termo sustentabilidade. A partir desse conceito, o mundo produtivo passou a trabalhar freneticamente no sentido de aperfeiçoar os processos industriais. Em particular, o setor de concreto conseguiu vitórias expressivas nesse campo, sendo o Brasil hoje considerado referência mundial em produção de cimentos com baixa emissão de CO²", ressalta.
Enquanto, na média mundial, a indústria de cimento é responsabilizada por 5% da emissão de gases no planeta, no Brasil essa taxa é de 1,4%. Segundo o Inventário Nacional dos Gases de Efeito Estufa, com dados referentes ao período de 1990 a 2005, a maior concentração de emissões de gases no país está relacionada às queimadas, à agropecuária e ao uso de energia. "No Brasil, a emissão especifica de CO² está abaixo de 600 quilos por tonelada de cimento, o que tem colocado a indústria cimenteira do país em uma posição de destaque no cenário mundial, sendo considerada a mais ecoeficiente", reforça Arnaldo Battagin.

Paulo Helene, no entanto, destaca que as vitórias do setor não podem estimular a acomodação, mas sim a busca de mais eficiência, sobretudo na qualidade do concreto. "Hoje há concretos com resistências mecânicas de 100 MPa a 800 MPa, que praticamente ainda não são explorados por necessitarem uma mudança de postura em relação ao projeto arquitetônico e estrutural. Acompanhar essa evolução é o grande desafio para aqueles que desejam estar atualizados ou na vanguarda. Para tal, é fundamental uma educação continuada, a participação em eventos, congressos e feiras, além de estar perto da academia e da indústria, pois hoje o conhecimento de qualidade é gerado das mais distintas formas e nas mais diferentes organizações, sejam elas de ensino, empresariais, públicas ou privadas", conclui.
Confira na íntegra o artigo Sustentabilidade das Estruturas de Concreto: clique aqui
Entrevistados
Paulo Helene, engenheiro, pesquisador e professor da USP, e Arnaldo Battagin, chefe dos laboratórios da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)
Currículos
Paulo Helene é graduado em engenharia civil, pesquisador e professor-titular da Universidade de São Paulo e diretor da Ph.D Engenharia
Arnaldo Battagin é graduado em geologia pelo Instituto de Geociências da USP (1974)
- Tem especialização nas áreas de tecnologia básica de cimento e concreto, durabilidade do concreto, técnicas experimentais, administração e gestão da qualidade
- É autor e coautor de cerca de 60 trabalhos técnico-científicos publicados em revistas e congressos nacionais e internacionais
- Atualmente é chefe dos laboratórios da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)
Contatos: arnaldo.battagin@abcp.org.br / paulo.helene@poli.usp.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Garagem pega o elevador e se instala no apartamento
Edifícios de alto padrão reservam espaço para o veículo na área útil, mas isso requer que o projeto garanta reforço nas lajes e tratamento acústico das paredes
Por: Altair Santos
A nova tendência entre os edifícios de alto padrão é acoplar a garagem à área útil do apartamento. O arquiteto Gustavo Penna tem sido um dos mais atuantes em utilizar esse conceito no Brasil. Radicado em Belo Horizonte, foi na capital mineira que ele projetou o prédio que virou modelo para outros empreendimentos: o Parc Zodíaco. A obra, inaugurada há três anos, foi concebida com plantas flexíveis, em que a garagem poderia ficar tanto na sala quanto na área de serviço.

Para conceber o projeto de Gustavo Penna, o engenheiro civil Eduardo Luiz Silva revela que o maior desafio foi definir a área em que o elevador exclusivo para os veículos seria instalado. Na planta, o equipamento ocupa o centro do edifício, com portas que se abrem dos dois lados - uma delas permite que o automóvel se instale na sala e a outra que ele ocupe a área de serviço. "O elevador demanda um espaço significativo no pavimento do apartamento. Além disso, foi preciso projetar uma estrutura que suportasse a carga de um veículo no andar", diz Eduardo Luiz Silva.
No caso do Parc Zodíaco, a EPO Engenharia, que construiu o prédio, optou por usar lajes nervuradas protendidas. Por serem mais esbeltas, elas suportam cargas elevadas, o que era necessário por causa do projeto contemplar a permanência de um veículo na área útil do apartamento. "Também reforçamos o contrapiso e o piso para resistir à carga extra proporcionada pelo peso do automóvel", destaca o engenheiro, revelando que o consumo de concreto no edifício não foi muito diferente do usado num prédio convencional, por que houve a utilização de concreto protendido nas lajes.

O cálculo do projeto foi assinado pelo escritório de Raul Neueschwander, que permitiu que o Parc Zodíaco fosse erguido consumindo 12,5 mil m³ de concreto. O edifício também tem compromissos com a sustentabilidade, haja vista que a implantação do prédio no terreno apresenta uma taxa de ocupação de 11,8% e uma área permeável de 38,7%, com 2.752,5 m² de jardins e áreas abertas, atendendo com folga a taxa exigida pela lei de uso e ocupação do solo, que é de 20%. Quanto à garagem dentro do apartamento, o empreendimento dispõe de um sensor de gás carbônico que detecta a emissão do veículo e aciona um sistema de exaustão retirando todo os gases do ambiente.
Outra preocupação foi com o tratamento acústico das paredes que envolvem a garagem dentro do apartamento. Há casos em que o carro fica estacionado ao lado de um quarto, e isso exige um cuidado acústico", relata Eduardo Luiz Silva, destacando que foi possível chegar a esse conceito de edifício por que os projetos arquitetônico e estrutural foram concebidos desde o início para esta finalidade. Em uma área construída de 13.800 m², o Parc Zodíaco tem 22 pavimentos, 70 metros de altura, 14 apartamentos e 66 garagens.
Confira vídeo do edifício Parc Zodíaco: clique aqui
by Action Labs
Ataque por íons de cloreto custa R$ 800 milhões por ano ao Brasil
Quantia equivale a quanto o país gasta para recuperar obras públicas afetadas por uma das principais patologias em armaduras de concreto
Por: Altair Santos
O ataque por íons cloreto às armaduras embutidas no concreto é, em todo o mundo, a patologia mais estudada pelos pesquisadores envolvidos com a construção civil. O que se busca é obter para a estrutura agredida uma vida útil maior. Por isso, boa parte das análises tentam melhorar o sistema concreto-aço para que não haja a entrada de agentes agressivos, tais como Cl-, O₂ e CO₂ . Há avanços, principalmente para reduzir as heterogeneidades do aço (composição, presença de impurezas e tratamentos térmicos e mecânicos), mas também existe consenso de que dificilmente se conseguirá anular totalmente essa patologia.

No Brasil, a professora Joseanne Maria Rosarola Dotto, do Departamento de Estruturas e Construção Civil da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM-RS) está entre os principais pesquisadores do país voltados para o estudo do ataque por íons cloreto. Segundo ela, as obras públicas, principalmente pontes e viadutos, são as mais expostas à patologia. A ponto de os gastos governamentais para recuperar estruturas danificadas chegar ao valor de R$ 800 milhões por ano. "O que acontece é que aqui normalmente não se faz a inspeção periódica e nem o monitoramento das estruturas de concreto armado. Então, as intervenções são feitas somente quando a estrutura já está com um processo de corrosão avançado, o que eleva consideravelmente os custos para a reabilitação", explica.
Os íons cloreto podem entrar no concreto vindos do ambiente externo, principalmente nas estruturas expostas à névoa salina e a altas taxas de poluentes, ou estar contido no concreto devido ao uso de água ou agregados contaminados, incluindo aditivos aceleradores de pega e endurecimento (base de cloreto de cálcio, CaCl₂). "Considerando que as cidades crescem muito nas regiões litorâneas e que o concreto armado é o material mais utilizado, temos muitas estruturas com problemas de corrosão nessas áreas. Um levantamento feito na cidade de Recife, por exemplo, aponta que 64% das patologias em estruturas de concreto estão relacionadas à corrosão por íons cloreto", cita Joseanne Dotto.
A pesquisadora da UFSM, no entanto, ressalta que o concreto proporciona um ambiente favorável para que a armadura nele embutida não corroa. "Os compostos do cimento (silicatos C₂S e C3S) ao se hidratarem liberam hidróxido de cálcio e que somado aos álcalis do cimento (Na+, K+) proporcionam um ambiente alcalino com pH ≥12,5. Neste ambiente, a armadura forma uma camada de óxido protetor. A entrada de agentes agressivos, tais como o íon cloreto, pode levar ao início de um processo de corrosão pela ruptura do filme de óxido em um determinado ponto", explica Joseanne Dotto, lembrando que cimentos Portland que utilizam pozolanas em sua composição são recomendados para a fabricação de concretos que pretendem combater os processos de corrosão. "Os produtos da reação pozolânica, que ocorre entre a pozolana finamente moída+ Ca(OH)₂em presença da água, são bastante eficientes no preenchimento dos espaços capilares, obstruindo os poros vazios, conhecido como efeito filler", completa.
Avanço nas normas

Joseanne Dotto destaca que no Brasil houve um avanço significativo na redução dos ataques por íons cloreto desde que a norma NBR 6118- Projeto de estruturas de concreto armado sofreu revisão em 2003. A nova versão recomenda um cobrimento mínimo em função da classe de agressividade do meio ambiente (tabela 7.1 -Correspondência entre classe de agressividade e qualidade do concreto; e Tabela 7.2 - Correspondência entre classe de agressividade ambiental e cobrimento nominal). Além disso, encontra-se uma recomendação na mesma norma para o consumo de cimento por metro cúbico de concreto. "O consumo mínimo de cimento por metro cúbico de concreto deve estar de acordo com as recomendações da NBR 12655 - Concreto: Preparo, controle e recebimento, não sendo permitido o uso de aditivos contendo cloretos na sua composição, sobretudo em estruturas de concreto armado e protendido", destaca.
Por fim, a professora da UFSM avalia que, dependendo do modelo da obra, o recomendado é utilizar estruturas pré-fabricadas. Segundo ela, por que os artefatos são produzidos em unidades fabris que dispõem de mão de obra treinada e especializada, além de rigoroso controle de qualidade dos insumos, dosagem em peso dos materiais, cura adequada e laboratórios para ensaio das propriedades. "Esses cuidados com a produção garantem um concreto de maior durabilidade e compacidade do que aqueles executados in loco, se produzidos sem os mesmos cuidados", recomenda Joseanne Dotto.
- Joseanne Maria Rosarola Dotto possui graduação em engenharia civil pela Universidade Federal de Santa Maria (1982), mestrado em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Santa Maria (1986) e doutorado em engenharia de minas, metalúrgica e de materiais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1998)
- Atualmente é professor-adjunto I da Universidade Federal de Santa Maria. Tem experiência na área de química, com ênfase em físico-química. Atuando principalmente nos seguintes temas: corrosão do aço, métodos eletroquímicos e durabilidade das estruturas de concreto.
Contato: jmrdotto@smail.ufsm.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Planejamento estratégico requer mergulho no DNA da empresa
Companhias despertam para esse modelo administrativo, onde buscam conjunto de ações táticas e operacionais para ficar alinhadas com as exigências do mercado
Por: Altair Santos
Atentas aos movimentos econômicos, construtoras e incorporadoras têm procurado projetar seus negócios a médio e longo prazo. Para obter respostas, buscam novos modelos administrativos. Entre eles, o planejamento estratégico. "As empresas recorrem a essa ferramenta para entender o ambiente externo, perceber as perspectivas da economia brasileira e projetar o mercado imobiliário pelo menos para os próximos três anos. Com ela, é possível detectar as virtudes e fraquezas da companhia, em comparação aos seus principais concorrentes, e implantar um plano de ação que vai balizar os caminhos da corporação", explica Roberto de Souza, diretor-presidente do CTE (Centro de Tecnologia de Edificações).

Atualmente, entre as construtoras que adotam políticas de planejamento estratégico estão Plaenge, Andrade Gutierrez, Odebrechet, Brookfield, Cyrela Brasil, Even, PDG, Tecnisa, Camargo Corrêa, MRV e Gafisa. No entanto, a construção civil não está entre os setores da economia que lideram o ranking de ações voltadas a esse modelo de gestão. As áreas financeiras e de tecnologia estão mais adaptadas ao conceito. E poder público também começa a mergulhar neste universo. "Percebe-se ainda um despertar das empresas de médio e pequeno porte", afirma Roberto de Souza.
No entanto, o especialista alerta que, embora as empresas reconheçam a necessidade desse planejamento, muitas delas esbarram em dificuldades para elaborá-lo. "Um dos empecilhos reside na cultura da maioria das incorporadoras e construtoras, que estão focadas muito mais na visão operacional que nas visões táticas e estratégicas. Por conta do crescimento acelerado do mercado, os esforços e o tempo dos executivos e gestores têm se concentrado na geração de negócios, na aprovação de projetos, no controle de prazos e custos e na qualidade das obras. A falta de dados e informações sistematizadas das operações empresariais dificulta a análise macro do mercado e dos negócios das empresas", destaca Roberto de Souza.
Independentemente do setor em que atua, a companhia que deseja adotar o planejamento estratégico em sua administração precisa envolver todos os seus setores e promover o autoconhecimento da organização, procurando descobrir suas vocações. "Trata-se de um verdadeiro mergulho no DNA empresarial, o que permitirá identificar seus pontos fortes e fracos, as ameaças e oportunidades oferecidas pelo mercado, além de mapear a capacidade da empresa de criar valor para o seu negócio", cita o diretor-presidente do CTE, ressaltando que o que falta às corporações é fazer rodar o ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Action) na gestão dos processos empresariais, ou seja, planejar, fazer, checar e agir. "Ele ajuda a identificar desvios e promover ações corretivas e preventivas."
Roberto de Souza enumera que atualmente as construtoras precisam cuidar dos seguintes ativos: profissionais qualificados, boas parcerias, gestão tecnológica, ações de sustentabilidade, tecnologia da informação, marketing e fidelização de clientes. São componentes que formam o planejamento estratégico, sem os quais a empresa se comporta como um barco à deriva. Por outro lado, a adoção do planejamento estratégico constitui-se em um grande passo para minimizar riscos e manter a empresa viva e competitiva", ressalta, lembrando, porém, que planejamento estratégico não é apenas adquirir softwares que permitam implantá-lo. "Tudo depende do envolvimento da alta e da média direção da empresa para que o conceito seja disseminado", completa.
O diretor-presidente do CTE avalia ainda que sempre é bom ter o apoio de consultores para dar o "start" no processo. "O especialista vai proporcionar aos acionistas e executivos uma visão objetiva dos fatores que devem ser considerados no desempenho competitivo da organização, assim como orientar quais devem ser os esforços de planejamento e gestão estratégica", cita, lembrando que há uma vasta literatura sobre o assunto para quem quiser saber mais sobre esse modelo gerencial.
Confira: Clique aqui
Entrevistado
Roberto de Souza, diretor-presidente do CTE (Centro de Tecnologia de Edificações)
Currículo
- Engenheiro civil, mestre e doutor em engenharia pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo)
- Atualmente é o diretor-presidente do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), empresa associada ao Instituto Ethos, USGBC, GBC Brasil e CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável)
- Em 2011, o CTE ganhou o prêmio Green Building Brasil como empresa sustentável de serviços
Contato: roberto@cte.com.br / http://www.cte.com.br
Créditos foto: Divulgação/CTE
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Mão de obra é o que mais encarece o metro quadrado
No acumulado dos últimos doze meses, segundo dados do IBGE, custo dos trabalhadores foi 85% maior que o dos materiais
Por: Altair Santos
Apesar de o nível de atividade da construção civil apresentar um viés de baixa em 2012, como mostra levantamento mensal realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor vive um paradoxo: o metro quadrado construído não para de ter seu preço valorizado. Segundo o índice FipeZap, que baliza o mercado nas principais capitais do país, no acumulado dos 12 meses (junho de 2011 a junho de 2012) a alta foi de 18,4%. Hoje, a média nacional está em R$ 6.661,00. Atualmente, neste valor, o peso maior é o da mão de obra.

Dados do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi) apurados mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que a mão de obra hoje tem um peso de 53% sobre o preço do metro quadrado construído, seguido de tributos, com 28%, equipamentos e maquinários (10%) e material de construção (9%). Só no acumulado dos 12 meses, o valor do trabalho formal que atua nos canteiros de obras teve reajuste de 9,57% contra 1,47% dos materiais.
Segundo Augusto de Oliveira, gerente de pesquisas do Sinapi, recentemente esses custos da construção civil têm se refletido mais na região Sul. No acumulado dos 12 meses, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul a alta foi de 7,01%. "Isso se deve à pressão exercida pelo reajuste salarial decorrente de acordo coletivo, que possui peso no cálculo do índice", destaca Oliveira, ressaltando que Santa Catarina é o estado que tem registrado as maiores variações no custo do metro quadrado construído. Só em Balneário Camboriú/SC, o metro quadrado construído chega a R$ 8 mil nas regiões mais valorizadas do município. Se equipara aos mais caros do país, que, segundo o índice FipeZap, estão no Distrito Federal e no Rio de Janeiro: R$ 8.280,00 e R$ 8.072,00.
Há indicadores que mostram que esses valores deverão ter uma aceleração mais lenta. O próprio Sinapi revela essa tendência. Entre as cidades que têm o metro quadrado mais caro do país, o Rio de Janeiro, em junho de 2012, registrou variação de apenas 0,05%. Porém, segundo especialistas, o avanço mais lento do preço do metro quadrado construído é um sinal de alerta, mas não significa que as construtoras estejam dispostas a reduzí-lo. Até por que, o peso da mão de obra seguirá influenciando fortemente esse custo. "Entre conceder reajuste e perder a mão de obra qualificada, as empresas preferem dar o aumento. Elas têm receio de não achar novos trabalhadores e isso influencia toda a cadeia do setor”, avalia o coordenador de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), Armando Castelar.
Entrevistados
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), CNI (Confederação Nacional da Indústria) e FGV (Fundação Getúlio Vargas)
Contatos: comunica@ibge.gov.br / imprensa@cni.org.br / ibre@fgv.br
Créditos foto: Arquivo/ABr
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Setor privado ajuda governo a dar velocidade ao PAC
Em 2012, performance de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento caiu quase 25% em relação ao ano passado
Por: Altair Santos
Um grupo de trabalho liderado pela Comissão de Obras Públicas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (COB/CBIC) uniu-se ao Ministério do Planejamento para viabilizar um projeto que consiga dar mais agilidade ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O setor entende que uma série de gargalos tornou-se ameaça a uma das principais ações governamentais para manter a economia brasileira aquecida. "Em 2012, a performance do PAC segue aquém do desejado: os investimentos caíram 24% no primeiro quadrimestre em relação ao quadrimestre anterior. Melhorar o ritmo do PAC será uma ferramenta importante e estratégica para alavancar o crescimento do país", avalia Arlindo Moura, que preside a COB/CBIC e lidera o grupo de trabalho junto ao governo federal.

Os esforços serão para destravar obras paralisadas nas áreas de transporte, saneamento, mobilidade urbana e energia. "Boa parte destes projetos encontram problemas na execução de seus contratos, fato que em boa medida explica o ritmo não adequado de vários empreendimentos", afirma Arlindo Moura, que completa: "A demora na licitação, a falta de projetos completos e as reprogramações junto à Caixa Econômica Federal são fatores que consomem de oito a dez meses no prazo para a ordem de início das obras." Por isso, segundo dados da Secretaria de Orçamento Federal (SOF) dos R$ 125 bilhões empenhados para o PAC, entre 2007 e 2011, apenas R$ 86,7 bilhões foram efetivamente gastos no período.
Entre as obras que serão priorizadas pelo grupo de trabalho junto ao governo federal estão as ferrovias Transnordestina e Norte-Sul, a refinaria Premium I do Maranhão, a transposição do rio São Francisco e a usina hidrelétrica Belo Monte, bem como os atrasos registrados nas obras de saneamento. De acordo com números mostrados no 84º ENIC (Encontro Nacional da Indústria da Construção) com dados levantados pela ONG Trata Brasil, em maio de 2012, das 114 obras de saneamento contratadas em cidades com mais de 500 mil habitantes, apenas 7% estavam concluídas e 60% apareciam como atrasadas, paralisadas ou não iniciadas. "Para a COP/CBIC todas as obras do PAC são relevantes. Sobretudo, num país como o nosso em que são evidentes as carências em praticamente todas as áreas da infraestrutura social", enfatiza Arlindo Moura.
Estima-se que o grupo de trabalho instalado pela COB/CBIC e o Ministério do Planejamento inicie os estudos no segundo semestre de 2012, podendo concluí-los até abril de 2013. A expectativa é que ele indique que as parcerias público-privadas sejam a melhor solução para algumas obras travadas do PAC. "Não há recursos públicos suficientes para atender nossa demanda em infraestrutura. Diante disso, o poder público deve criar as condições mais atrativas e seguras para poder contar com a parceria do capital privado", cita Arlindo Moura, ressaltando que o PAC é prioritário para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. "Mas para que tais investimentos ocorram dentro do ritmo e da qualidade esperados, a administração pública precisa voltar-se para um melhor planejamento, melhorar a sua gestão, exigir projetos de qualidade e também substituir a cultura do menor preço pela valorização do melhor preço", conclui.
Arlindo Moura, presidente da Comissão de Obras Públicas da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
Currículo
- Graduado em engenharia mecânica pela Escola de Engenharia Mauá do Instituto Mauá de Tecnologia (1970)
- Presidiu a Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop) durante o período de 2001 a 2009
- Foi conselheiro da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi - 1981/1985)
- É vice-presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo (2011/2013)
- Atua na presidência da Comissão de Obras Públicas (COP) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) desde 2003
- É diretor da empresa Planova Planejamento e Construções S/A, que atua nas áreas de Edificações, Saneamento, Pavimentação, Energia e de Concessões Rodoviárias
Contato: cbic@cbic.org.brCréditos
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Burocracia atrapalha boas práticas de engenharia
Legislação faz com que construtoras invistam mais em seus departamentos jurídicos do que na área técnica, alerta setor da construção civil
Por: Altair Santos
A tradição da engenharia civil brasileira, de construir obras púbicas reconhecidas internacionalmente, como Brasília, Itaipu e a ponte Rio-Niterói, está ameaçada. O motivo: as exigências impostas às construtoras do país quando elas se envolvem com empreendimentos que têm origem no poder público. O tempo e a energia dispensados aos trâmites burocráticos têm comprometido as boas práticas de engenharia. Chega até a existir um consenso entre as empresas de que, atualmente, para se ganhar licitações, vale mais a atuação dos departamentos comerciais e jurídicos do que das áreas técnicas propriamente dita.

Essa é a síntese do discurso do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão no seminário "Os Novos Paradigmas da Engenharia Brasileira", ocorrido em julho de 2012, em Brasília. O evento teve a participação dos principais agentes da construção civil brasileira. Houve uma cobrança ativa para que o governo federal resolva os gargalos que atrapalham as obras de infraestrutura no país e impedem a engenharia de exercer sua função primordial, que é construir. "Precisamos de um melhor ambiente de negócios. Esses gargalos representam um prejuízo que custa ao Brasil mais de 80 bilhões de dólares, por ano, segundo estudo da Fundação Dom Cabral. Isso equivale a 4% do Produto Interno Bruto brasileiro", destacou Safady.
Organismos como CBIC e ANEOR (Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias) defendem que os processos de licitações precisam ser revistos para estimular a inovação entre os construtores. Para o setor, o foco na melhor qualidade dos projetos, e não no preço, deveria ser o ponto de partida de qualquer processo licitatório. "As tabelas de custo deveriam ser referência e não teto de preços. Nesse contexto, seria fundamental que as novas técnicas e processos construtivos fossem analisados dentro de uma visão muito mais ampla, que considerasse todos os benefícios que a inovação agrega para a sociedade, inclusive no aspecto da sustentabilidade", cita Paulo Safady Simão.
O governo não se mostrou refratário. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que participou do seminário, assumiu o compromisso de levar o apelo da construção civil ao Executivo e prometeu que, ainda em 2012, serão lançadas novas concessões na área de infraestrutura, para obras voltadas às rodovias, ferrovias e aeroportos. "A parceria com o setor privado é uma parceria importante na realização dessa estratégia”, disse, sinalizando que as parcerias público-privadas tendem a ser fortalecidas a partir de agora.
Mesmo com o discurso otimista da ministra, o setor mostrou preocupação com o novo modelo de licitações que o governo pretende imprimir, através do Regime Diferenciado de Contratação (RDC). O sistema foi criado para resolver problemas de urgência na execução das obras da Copa, mas passou a ser adotado em algumas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). "A medida pode ser um grande equívoco. É uma legislação que substitui a lei 8.666, que regula as licitações, e que só precisa de algumas mudanças de aperfeiçoamento. A RDC exclui 90% das pequenas e médias construtoras do mercado. De um total de 500 construtoras, só dez podem se beneficiar dessa nova legislação", alerta José Alberto Pereira Ribeiro, presidente da ANEOR.
A preocupação dos organismos ligados à construção civil é que a dificuldade de acesso às obras públicas inviabilize a aplicação de novas tecnologias no setor. "Se a indústria da construção não tiver condições de investir em tecnologia, capacitação e inovação não conseguiremos responder aos desafios do país. Isso representa um enorme desestímulo ao setor. Se não rompermos com essa lógica, não alcançaremos o estágio de evolução de outros países. Vamos continuar construindo empreendimentos da mesma forma de sempre, sem incorporar novas tecnologias e gerando prejuízo ao erário público em médio ou longo prazos, além de ficarmos sem condições de voltar a praticar o que fazemos melhor: engenharia", completou o presidente da CBIC.
Entrevistados
- Paulo Safady Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
- José Alberto Pereira Ribeiro, presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (ANEOR)
Currículos
- Paulo Safady Simão é graduado em engenharia civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1971
- Especializou-se em Administração de Empresas na Fundação João Pinheiro, em conjunto com a Graduate School of Business da Columbia University de New York
- Foi presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (SindusCon-MG) no período de 1986 a 1992
- Vice-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) de 1989 a 1995
- Preside a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) desde 2003
- Também integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES)
- É vice-presidente da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC) e da Confederação das Associações Internacionais de Empreiteiras de Construção (CICA)
- Ocupa o cargo de diretor-presidente da Wady Simão-Construções e Incorporações LTDA
- José Alberto Pereira Ribeiro é graduado em engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
- É presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (ANOER) há 18 anos
- É vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e membro do Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria e do Conselho Consultivo da Presidência da FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo)
- Também preside a Sulbras Construtora
Contatos: www.cbic.org.br / jornalista@cbic.org.br / aneor@aneor.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
SENAI inaugura escola só para a construção civil
Iniciativa surgiu no Rio de Janeiro e pode se propagar por todo o país. Preocupação é adequar mão de obra às inovações do setor
Por: Altair Santos
A demanda por mão de obra na construção civil levou o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) a lançar um projeto exclusivo para o setor. Desde o começo do segundo semestre de 2012, entrou em funcionamento, na zona portuária do Rio de Janeiro, a primeira escola voltada exclusivamente para a qualificação de jovens que queiram atuar profissionalmente em canteiros de obras.

A nova unidade é um projeto-piloto que, se bem sucedido, pode ser estendido para outros estados. Com seis laboratórios-oficinas, que ocupam uma área de dois mil metros quadrados, a escola do SENAI tem capacidade de atender 2.500 estudantes por ano. Os cursos oferecidos são os seguintes: pedreiro de alvenaria, pedreiro de alvenaria estrutural, pedreiro de revestimento em argamassa, aplicador de revestimento cerâmico, pedreiro de concreto, armador de ferro, carpinteiro de obras, pintor predial e montador de divisória em drywall.
Além do apoio da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) a escola também conta com as parcerias do SindusCon-RJ, da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e da Bloco Brasil (Associação Brasileira da Indústria de Bloco de Concreto). "Essas parcerias reforçam a qualidades dos cursos, pois permitem aos alunos assistir palestras ministradas por entidades técnicas, fabricantes e construtoras no decorrer do curso", explica o supervisor técnico de construção civil do SENAI-RJ, Roberto da Cunha.
Uma das preocupações do SENAI ao lançar a nova escola foi equipá-la adequadamente para que ela possa formar profissionais conectados com as tecnologias atualmente aplicadas na construção civil. "A necessidade de produção em escala obriga o setor a investir em mecanização e industrialização, bem como em gestão, projeto, planejamento e logística. O SENAI acompanha essa necessidade da indústria em seus programas de qualificação profissional", ressalta Roberto Cunha.
Mesmo com capacidade de formar 2.500 novos profissionais por ano, a escola do SENAI servirá apenas como paliativo para a demanda de mão de obra na construção civil do Rio de Janeiro. Estima-se que, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (CAGED) nos próximos dois anos o mercado formal no estado vai precisar de 3.900 trabalhadores por mês.
Além de eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas, a indústria da construção civil do Rio de Janeiro também será desafiada a atender atividades econômicas como petróleo e gás, saneamento básico, mercado imobiliário e infraestrutura. "Na escola, vamos procurar formar novos profissionais para atender todos esses segmentos", afirma o supervisor técnico de construção civil do SENAI-RJ.
Entrevistado
Roberto da Cunha, supervisor técnico de construção civil do SENAI-RJ
Currículo
Graduado em engenharia civil, com mestrado em arquitetura e urbanismo
Contato: rcunha@firjan.org.br / imprensa@firjan.org.br
Créditos foto: Antônio Batalha/Firjan
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Saneamento oferece oportunidades ao setor privado
Por: Altair Santos
Considerado um dos principais gargalos da infraestrutura nacional, o setor de saneamento básico enfrenta um dilema. Ao mesmo tempo que o governo federal projeta universalizá-lo em 15 anos, há falta de recursos para tal. O alcance da meta exige que sejam investidos R$ 20 bilhões por ano, quando o máximo de recursos disponibilizados pelo poder público é de R$ 7,5 bilhões. Para complementar esse investimento, o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, sugere que empreendimentos voltados ao saneamento básico sejam compartilhados com a iniciativa privada.

Segundo ele, só assim o país conseguirá atingir o objetivo da universalização. Godoy destaca ainda que trata-se de uma questão de vontade política, já que existe uma legislação para balizar investimentos privados no saneamento básico. "A lei 11.445/2007, que ficou conhecida como o marco regulatório do setor, tenta incentivar os municípios a buscarem a universalização a partir de diversos mecanismos já existentes de financiamento e investimento. Então, cabe às cidades decidirem o modelo de investimento", destaca o presidente da Abdib.
Paulo Godoy realça que as empresas privadas têm amplo interesse em investir em saneamento básico e prospectam, junto às prefeituras, negócios nesse sentido. Até por que, a lei 11.445/2007 estabeleceu um prazo para que os municípios elaborem um plano básico de saneamento, descrevendo a situação do atendimento local, as metas para oferecer o serviço para 100% da população, os investimentos necessários e as fontes de financiamento existentes. O limite vai até 31 de dezembro de 2013. "Vive-se um período de transição para o saneamento no país e o setor privado prospecta o mercado para conquistar novos contratos", afirma Godoy.
Para o presidente da Abdib, só o poder público não conseguirá universalizar o saneamento básico no Brasil. O problema, de acordo com ele, é que muitas cidades não contam com equipes técnicas para elaborar projetos e executar os investimentos. "O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ofereceu R$ 40 bilhões mediante a apresentação de projetos bem estruturados, mas, no geral, os recursos não conseguiram ser plenamente utilizados. Só cidades com parcerias público-privadas conseguiram se beneficiar dos recursos", lembra Paulo Godoy.
A Abdib entende ainda que a adoção de novos modelos de gestão na área do saneamento básico gera uma série de incentivos à cadeia produtiva da construção civil. A associação se ampara nos números da pesquisa Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro, publicada há dois anos pela Fundação Getúlio Vargas, a qual mostra que a indústria de artefatos de cimento poderá ganhar um incremento mínimo de 35% na produção. Além disso, estima-se que possa ocorrer uma valorização de 18% no valor dos imóveis com a universalização da rede de esgoto. "Estamos falando de um setor com amplas oportunidades e com enorme potencial", finaliza Paulo Godoy.
Entrevistado
Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib)
Currículo
- Graduado em administração de empresas pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Mackenzie (1976), com diversos cursos de especialização no Brasil e no exterior
- Há muitos anos participa em entidades de classe. Entre elas, Câmara Brasileira da Indústria de Construção (CBIC), Fórum Nacional da Construção Pesada, Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (APEOP) e Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), da qual é presidente desde 2004
Contato: pgodoy@abdib.org.br / jcasadei@abdib.org.br (assessoria de imprensa)
Créditos foto: Divulgação/Abdib
