Pacote logístico abre portas para salto tecnológico

Concessões de rodovias e ferrovias são oportunidade para engenharia nacional qualificar mão de obra e inovar através de novos materiais e sistemas construtivos

Por: Altair Santos

Lançado em agosto de 2012, o Programa de Investimentos em Logística é uma nova tentativa do governo federal de dar qualidade às malhas rodoviárias e ferroviárias do país. Desta vez, 7,5 mil quilômetros de estradas e 10 mil quilômetros de linhas de ferro serão concedidas à iniciativa privada para que consigam agregar inovação e tecnologia. O investimento total está estimado em R$ 133 bilhões, com previsão de R$ 79,5 bilhões nos próximos cinco anos.

Júlio Timerman, da ABECE: oportunidade única de inovar em obras de infraestrutura.

Serão 9 trechos de rodovias e 12 de ferrovias. No caso das estradas, 5,7 mil quilômetros terão de ser duplicados. No entender de organismos como ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) ABCIC (Associação Brasileira da Construção industrializada do Concreto) e ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) é a melhor oportunidade dada ao Brasil para que consiga uma infraestrutura rodoviária e ferroviária compatível com o que há de melhor nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo.

Para o engenheiro civil Júlio Timerman - coordenador do comitê técnico de pontes e grandes estruturas da ABECE - trata-se de uma oportunidade para a engenharia nacional também evoluir nos quesitos construção de estradas e ferrovias. "A engenharia nacional deve estar preparada para fazer frente a esta demanda, qualificando a mão de obra e estudando alternativas de materiais e soluções construtivas a serem aplicadas neste processo", avalia.

A aposta é que os sistemas pré-fabricados e pré-moldados in loco, principalmente para pontes e viadutos, assim como o pavimento em concreto ganhem espaço significativo dentro do Programa de Investimentos em Logística. "Certamente, será uma chance única de se aplicar novas tecnologias e inovações para viabilizar as obras previstas, sejam em função dos prazos exíguos assim como na destinação racional dos recursos disponíveis", cita Timerman.

No caso das rodovias, o especialista indica que o estado de São Paulo tem estradas construídas com alta tecnologia que podem servir de modelo ao projeto federal. A implantação do Rodoanel, a pista descendente da Imigrantes, além de outras concessões rodoviárias no estado, são exemplos de procedimentos construtivos avançados", diz, entendendo que o grande desafio para a engenharia nacional esteja nas ferrovias. "O Brasil tem uma matriz de transporte eminentemente rodoviária. Por isso, os investimentos e os projetos ferroviários serão muito mais desafiadores. Os sistemas de trens de alta velocidade deverão ser considerados como alternativas interessantes para este processo", completa.

Veja o que prevê o Programa de Investimentos em Logística: clique aqui.

Confira os trechos rodoviários e ferroviários que serão entregues à iniciativa privada:

Entrevistado
Ministérios dos Transportes (via assessoria de imprensa) e Júlio Timernan, coordenador do comitê técnico de pontes e grandes estruturas da ABECE
Currículo
- Júlio Timerman é engenheiro civil graduado pela EPUSP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo)
- Ocupa o cargo de delegado regional da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) em São Paulo e membro do conselho deliberativo.
- É coordenador do Comitê Técnico de Pontes e Grandes Estruturas constituído pela ABECE em 2009 para propor ações para melhoria da qualidade e competitividade dos projetos e serviços ligados à construção de pontes e grandes estruturas.
- Também é vice-presidente do IABSE (International Association for Bridge and Structural Engineering) e do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto).
- Consultor na área de Projetos de Reabilitação e Recuperação de Estruturas para diversas concessionárias de rodovias, com intervenções em mais de 100 mil metros quadrados de tabuleiros.
- Diretor da Engeti Consultoria e Engenharia.
Contato: abece@abece.com.br
Créditos foto: Divulgação/ABECE

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Revisão da NBR 6118 abrange concretos de alta resistência

Segundo a engenheira Suely Bueno, que coordena a comissão da ABNT responsável pela norma, reavaliação abre espaço para novas tecnologias em torno do material

Por: Altair Santos

Em processo de revisão, a norma NBR 6118 Projeto de estruturas de concreto - Procedimento vai permitir que concretos de alta resistência, de 50 MPa a 90 MPa, sejam usados com maior segurança nas obras dentro do país. A expectativa é que ela também propicie avanços tecnológicos ao material, segundo avalia a engenheira civil Suely Bacchereti Bueno, que coordena a comissão da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) responsável pela revisão da NBR 6118. Na entrevista a seguir, ela detalha o que vai mudar em relação à edição de 2003 e quando a norma deverá entrar em vigor:

Suely Bacchereti Bueno: NBR 6118 vai permitir que novas classes de concreto cheguem ao mercado com segurança.

A edição 2003 da NBR 6118 fixava a resistência entre 20 MPa e 50 MPa como condição básica exigível para projetos de estruturas de concreto. Com a revisão em curso, serão abrangidos concretos de alta resistência?
A principal mudança na NBR 6118 é a introdução das classes de concreto com resistência acima de 50 MPa. Agora chegaremos até 90 MPa. Já estávamos utilizando em algumas obras concretos com resistências maiores que 50 MPa, seguindo as recomendações das normas internacionais, e com ótimos resultados. Acreditamos que chegou a hora de introduzir estas novas classes de concreto e assim ampliar a sua utilização.

Projetos de concreto para edificações e pontes serão os mais impactados pela norma revisada?
Não existem grandes impactos nesta revisão proposta. Diferentemente da revisão de 2003, quando nossa norma passou por uma grande reformulação, estamos fazendo apenas ajustes baseados no conhecimento que foi agregado ao longo destes anos. O conceito de revisão das normas é que está mudando. A ideia é que elas estejam em processo contínuo de evolução e que sejam publicadas revisões num intervalo máximo de cinco anos.

Após a etapa da conclusão da revisão, quando ela irá para consulta pública e por quanto tempo deverá ficar nesse estágio?
Ainda não definimos qual será o tempo que vamos indicar à ABNT para consulta pública. Acredito que o prazo não deva ser longo, pois as mudanças não foram grandes e toda a comunidade técnica tem acesso aos textos propostos de forma que nada será uma grande novidade.

A expectativa é que na consulta pública haja muitas mudanças ou a tendência é ela ser aprovada quase que com o texto original?
Nós gostaríamos que todos estivessem participando e tomando conhecimento do que está sendo proposto ao longo do processo. Estamos sempre fazendo ampla divulgação das reuniões e abertos para sugestões através do Livelink da ABNT. Qualquer pessoa pode se cadastrar no sistema, ter conhecimento ao texto que é atualizado a cada reunião da comissão e enviar sugestões utilizando o formulário que está disponível no site. Todas as sugestões serão analisadas pela comissão e receberão um retorno nosso quanto à sua aprovação, rejeição ou se esta sugestão será arquivada para a próxima revisão. Com este processo de trabalho, acredito que se as pessoas se manifestarem, dentro dos prazos, não teremos tantas questões durante o período de consulta pública. Com esta perspectiva de um processo de revisão constante tudo fica mais confortável.

Já há uma data de quando a norma passará a entrar em vigor?
Nossa norma foi aprovada pela ISO (International Organization for Standardization) em 2007, passando a ser uma norma reconhecida internacionalmente. Como signatários da ISO, temos o compromisso de atualizar ou confirmar nossos documentos a cada cinco anos. Desta forma, nosso objetivo é o fechamento do texto em 2012 e a entrega para a ABNT, estourando um pouquinho nosso prazo, mas já com um resultado para a próxima reunião da ISO que deve acontecer em junho de 2013.

Quantos especialistas estão envolvidos na revisão da norma?
Esta proposta de revisão começou com uma coleta de sugestões que foi lançada pela ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural). Recebemos inúmeras sugestões de todo o país. Foi então desenvolvido um trabalho de avaliação destas sugestões dentro do CT-301 do IBRACON em parceria com a ABECE. Tivemos a colaboração, não só dos membros do Comitê, mas também de inúmeros profissionais e pesquisadores que nos enviaram trabalhos, sugestões e que também avaliaram as propostas. Hoje temos um grupo de aproximadamente 20 especialistas que está participando mais ativamente das reuniões. Mas como eu disse antes, todos podem participar nesta revisão e nas próximas. Basta abrir mão de algumas horas, que na maioria dos casos, é tirada do nosso lazer.

Por que a NBR 6118/2003 é também chamada de norma-mãe (ou NB-01)?
Uma norma é chamada de norma-mãe quando ela define diretrizes e conceitos que serão utilizados por várias outras normas. Por exemplo, as normas de estruturas pré-moldadas, paredes de concreto, lajes alveolares não vão definir como se dimensiona uma seção de concreto armado ou protendido, pois isto está definido na NBR 6118. É que vai fornecer diretrizes específicas para os elementos que estão em foco nas outras normas. Quanto à numeração NB-1, acredito que seja porque foi a primeira norma a receber uma numeração pela ABNT. Esta história da criação da ABNT pode ser conferida num documento disponível na internet com o título de ABNT 65 anos. Ele traz todo o relato das primeiras reuniões que formaram a ABNT e a oficialização da NB-1, em 28 de setembro de 1940.

A revisão da NBR 6118/2003 abre espaço para avanços na tecnologia do concreto?
Sem sombra de dúvida. As resistências características do concreto vão crescer com certeza, incluindo um melhor detalhamento dos tipos de agregados relacionados com o Módulo de Deformação do Concreto, a influência das diversas características climáticas neste nosso país continental e uma melhor definição dos graus de agressividade, tudo isso com os devidos mapeamentos. Enfim, toda a evolução das pesquisas que estão sendo realizadas no Brasil e no mundo aplicadas ao dimensionamento das peças serão agregadas com a revisão da norma. Temos um enorme campo de desenvolvimento.

Entrevistada
Suely Bacchereti Bueno, coordenadora da comissão da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) responsável pela revisão da NBR 6118
Currículo
- Suely Bacchereti Bueno é graduada em engenharia civil pela EPUSP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo). Iniciou seu desenvolvimento na área de estrutura, em 1973 , na empresa Roberto Rossi Zuccolo Engenharia Civil e Estrutural Ltda., atuando na área de edificações e obras de arte
- Em 1980, passou a integrar o quadro de engenheiros do Escritório Técnico Julio Kassoy e Mário Franco Engenheiros Civis Ltda. onde, a partir de 1986, passa a integrar esta sociedade, desenvolvendo inúmeros projetos de edifícios Altos e obras especiais
- É vice-presidente de relacionamento da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) e coordenadora da CE 02:124.15 – Comissão de Estudo de Estruturas de Concreto – Projeto e Execução, constituída pela ABNT para revisar a NBR 6118 Projeto de estruturas de concreto – Procedimento
Contato: abece@abece.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Nova regra da poupança alavanca crédito imobiliário

Relação PIB/financiamento habitacional subiu de 1,72% em 2008 para 5,62% em 2012, segundo estudos revelados pela Abecip

Por: Altair Santos

Quando houve alteração no cálculo da poupança, o mercado ficou receoso de que o volume de depósitos despencasse e comprometesse o financiamento habitacional. Passados alguns meses, ocorre exatamente o contrário. A captação da poupança tem aumentado mês a mês. Em setembro de 2012, os depósitos superaram os saques em R$ 5,951 bilhões, segundo dados do Banco Central (BC). Os recursos levaram a um recorde histórico. No acumulado dos 12 meses, a captação foi de R$ 33,186 bilhões. Isso permitiu que outra marca fosse superada: a liberação de 8,25 bilhões para a aquisição e construção de imóveis em um só mês.

José Pereira Gonçalves, da Nova Sec: setor imobiliário no Brasil está muito longe de correr o risco de formar uma bolha.

Por causa dessa injeção de dinheiro nos meses recentes, atualmente há a disponibilidade de R$ 80,2 bilhões para financiamentos imobiliários através do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A generosidade de recursos possibilitou que, desde que houve mudança nas regras da caderneta de poupança, os financiamentos de imóveis no país crescessem 31%, de acordo com acompanhamento da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). "Só este ano foram contratados R$ 51,7 bilhões, superando ligeiramente o nível de contratações do mesmo período de 2011, que foi de R$ 51,5 bilhões", destaca o economista José Pereira Gonçalves, ex-superintendente da Abecip.

O especialista aponta que, em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) o crédito imobiliário no Brasil vem apresentando crescimento sustentável desde 2008. "Há quatro anos, essa relação era de apenas 1,72% do PIB. No começo do segundo semestre de 2012, chegou a 5,62%, ou seja, em menos de cinco anos a participação do crédito imobiliário no PIB foi multiplicada por 3,26. Nesse período, 1,8 milhão de famílias tiveram condições de adquirir moradia própria. Apesar desse extraordinário desempenho, as expectativas continuam muito positivas, indicando que será possível atingir 10% do PIB por volta de 2015", estima José Pereira Gonçalves.

O bom momento do setor se revela também nas baixas taxas de inadimplência. Dados verificados pela Abecip mostram que o número de mutuários com mais de três prestações em atraso situa-se abaixo de 2%. Se considerados apenas os financiamentos concedidos após 1997, quando passou a ser utilizada a alienação fiduciária como mecanismo de garantia, esse percentual é inferior a 1,5%. "A inadimplência não é um aspecto preocupante. Isso, no entanto, não quer dizer que as instituições financeiras poderão afrouxar as regras de concessão de crédito. O crédito continuará sendo concedido observando-se o máximo de rigor possível. Esse aspecto, inclusive, aliado à estabilidade econômica, é um dos responsáveis pelos baixos níveis de inadimplência. Vale ainda destacar que baixa inadimplência representa maior volume de recursos que pode ser reemprestado", destaca o economista, convicto de que o sistema de financiamento imobiliário no Brasil só ganhou com as novas regras da caderneta de poupança.

Para conferir o recente boletim imobiliário da Abecip, clique aqui.

Entrevistado
José Pereira Gonçalves, economista e ex-superintendente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança)
Currículo
- Economista graduado pela Universidade Federal Fluminense, com especialização na Fundação Getúlio Vargas
- Já atuou como superintendente na Abecip e chefe de departamento na Larcky - Sociedade de Crédito Imobiliário
- Atualmente é diretor-presidente na Nova Sec (Nova Securitização S/A)
Contato: pereira@novasec.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Processos sucessórios requerem planejamento

Pequenas e médias empresas estão mais suscetíveis a procedimentos mal conduzidos, e que podem resultar até na falência da Companhia

Por: Altair Santos

sucessão nas empresas é um fenômeno que requer paciência. Normalmente, quando o dono do negócio decide transferir o comando, o processo, se feito criteriosamente, pode durar até uma década. Sobretudo se a Companhia em questão for familiar. Por isso, planejamento é a palavra-chave. Caso contrário, a sucessão pode causar disputas judiciais e até comprometer a vida da empresa. "Em geral, processos planejados são mais tranquilos. Os mais complicados são quando a sucessão ocorre por morte", alerta a consultora Cláudia Tondo, autora dos livros Desenvolvendo a Empresa Familiar e a Família Empresária e Protocolos Familiares e Acordos de Acionistas: ferramentas para a continuidade da Empresa Familiar.

Cláudia Tondo: empresas sem sucessor têm a fusão como alternativa.

A especialista destaca que os processos sucessórios exigem mais cuidados quando as corporações são familiares e com perfil de pequena e média empresa. "Normalmente, nas empresas familiares há questões emocionais muito fortes envolvidas. No caso das pequenas e médias empresas, além deste ingrediente, pode ocorrer o caso de não haver sucessores diretos. Neste caso, o recomendável é que a companhia busque a fusão ou a venda, caso contrário ela pode vir a morrer ou não ter um processo sucessório adequado", ressalta, destacando que promover esse modelo de governança é sempre mais complicado para a primeira sucessão. "Por isso, independentemente do setor de atuação da empresa, o importante é que as famílias estejam atentas e preparadas para cuidar deste assunto", completa.

Empresas que cuidam dos processos sucessórios com antecedência e transparência conseguem ganhos de produtividade e lucratividade. É o que ficou claro em um dos estudos mais completos já realizados sobre o tema. No Canadá, as professoras Stéphanie Pontet, Carsten Wrosch, Marylene Gagne, todas ligadas às áreas de administração, negócios e recursos humanos, pesquisaram 100 empresas familiares canadenses e chegaram à conclusão que quanto mais desmistificada e planejada for a sucessão menos a empresa irá sentir o período transitório. Para isso, diz a pesquisa canadense, o processo precisa envolver mais pessoas que apenas o sucessor e o sucedido.

A participação dos stakeholders (demais gerentes, parentes, empregados, fornecedores e clientes) é importante, principalmente, para balizar o processo sucessório e impedir que a empresa passe por situações de dupla liderança e potenciais conflitos durante a troca de sucessores. O grau de aceitação dos stakeholders também é fundamental para confirmar se o procedimento está adequado às exigências da empresa. "A sucessão em uma empresa familiar raramente é um evento isolado. Pelo contrário, é um processo que se desenrola por muitos anos. Começa, normalmente, com o planejamento e estabelecimento de regras, avança com o fomento e desenvolvimento de potenciais sucessores, continua com a escolha do sucessor e é finalizada com a transição completa de poder e saída do sucedido", finaliza o estudo canadense.

Entrevistada
Cláudia Tondo, consultora especializada em processos sucessórios em empresas familiares
Currículo
- Possui graduação em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1989), mestrado em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1993) e doutorado em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1999) com doutorado sanduiche na HEC-Montreal (1998-1999)
- Atua como consultora em empresas familiares e em famílias empresárias desde 1993
- É associada ao Family Firm Institute (FFI) e Family Business Network (FBN) e ao Membro do conselho de consultores do FBN - Brasil
- Está vinculada ao Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e é membro do conselho de consultores do FBN - Brasil
- Associada e professora do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)
- Organizadora e autora dos livros Desenvolvendo a Empresa Familiar e Família Empresária e Protocolos Familiares e Acordos de Acionistas: ferramentas para a continuidade da Empresa Familiar (2009)
- Sócia da Tondo Consultoria
Contato: claudia.tondo@tondoconsultoria.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Qualidade da engenharia nacional preocupa governo

Para o especialista Joel Weisz, país falhou ao não desenvolver políticas públicas que fomentassem a formação e a qualificação de engenheiros

Por: Altair Santos

Com base em informações do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de que, apesar da alta demanda, o Brasil produz atualmente apenas 38% da força de trabalho com diploma de nível superior em engenharia de que precisa, o Governo Federal decidiu agir. Recentemente colocou  a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) para analisar a crise ligada, principalmente, à capacitação no setor da construção civil. Criou-se um grupo de trabalho vinculado a 52 representantes do segmento, com o objetivo de que, até 2020, o país possa ter superado os gargalos nesta que é uma das áreas mais estratégicas para seu crescimento sustentável.

Joel Weisz: se não houver produção de engenheiros, Custo Brasil só vai aumentar.

O primeiro passo do grupo de trabalho foi promover um workshop para identificar os entraves a serem enfrentados e propor políticas públicas para o crescimento da engenharia nacional. Nesta primeira etapa concluiu-se que são sete os problemas mais relevantes:

1) A inexistência de demanda interna consistente e continuada de serviços de engenharia de projeto no país;

2) Fragilidade da estrutura de capital das empresas nacionais para contratação de projetos de porte;

3) Necessidade de aprimorar mecanismos de financiamento;

4) Carência de recursos humanos qualificados;

5) Baixa atratividade do emprego em engenharia de projetos;

6) Inadequação do marco legal e ordenamento jurídico;

7) Custo Brasil.

Para ajudar a superar esses entraves, desde 2006 a Finep mantém o Programa de Promoção e Valorização das Engenharias (Promove). A ideia é possibilitar que faculdades de engenharia, setor empresarial e escolas do nível médio e técnico interajam, combinando atividades de divulgação das áreas de engenharia e proporcionando aprimoramento contínuo de professores de ciências exatas e naturais do ensino médio (matemática e física). A partir do grupo de trabalho, a tendência é que essas iniciativas se aprofundem, com a Finep liderando esse movimento. "Esse deve ser um debate de toda a sociedade brasileira, pois refere-se ao Custo Brasil e afeta a todos", conclama o mestre em engenharia Joel Weisz.

Autor dos livros “Mecanismos de Apoio à Inovação Tecnológica” e “Projetos de Inovação Tecnológica”, Weisz entende que o Brasil enfrenta hoje um problema de carência de engenheiros mais por falta de planejamento do que investimento. "Pessoalmente, acredito que seja um problema de planejamento de longo prazo, ou melhor, de constância e continuidade nas políticas públicas. O estudante que decide estudar engenharia ingressará no mercado em cinco ou seis anos e espera permanecer por alguns decênios atuando. Porém, a inconstância nas políticas públicas e as frequentes mudanças nas regras que se observam no país não são o melhor estímulo para a formação de engenheiros", avalia.

Por isso, Weisz defende que o Brasil tenha um banco de projetos de engenharia, para que eles possam maturar e, quando colocados em prática, permitam gastar com eficiência os recursos públicos. "Esse é o caminho, mas o obstáculo para tal é essencialmente político", diz o especialista, completando que o país precisa também focar em profissões técnicas. "Educação de qualidade, aliada a uma proporção razoável de estudantes que sejam atraídos para profissões técnicas, será sempre um bom investimento. Sobretudo num país que tem tanto a construir pela frente", completa.

Entrevistado
Joel Weisz, ex-chefe de setor da Finep, ex-professor da FGV e autor de livros sobre inovação tecnológica
Currículo
- Joel Weisz é engenheiro eletricista pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e, mestre em engenharia de produção pela New York University
- Atuou em diferentes indústrias e empresas de engenharia, implantou e chefiou o departamento de engenharia industrial na Eletromar-Westinghouse, além de ter sido coordenador de planejamento e estudos econômicos na Esso Química
- Foi também superintendente financeiro da Rio Doce Engenharia e Planejamento, professor na FGV em análise de investimentos e em gestão da tecnologia e chefe várias áreas na Finep
- É autor dos livros “Mecanismos de Apoio à Inovação Tecnológica” e “Projetos de Inovação Tecnológica” e atualmente dirige a Cognética, Consultoria de Empreendimentos Ltda. com ampla carteira de projetos
Contato: jweisz@globo.com

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Empresa analítica é sinônimo de líder de mercado

Há cinco estágios a serem superados pelas companhias que queiram adotar esse conceito de gestão em seus departamentos

Por: Altair Santos

A concepção de empresas analíticas está entre as novidades corporativas que começam a ser implantadas no Brasil. Mais do que um conceito, o método se sustenta em cinco etapas que precisam ser superadas pelas companhias para que elas atinjam esse grau de desenvolvimento. Segundo a professora Maria Angélica Lencione Pedreti, da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e das Faculdades Oswaldo Cruz, em São Paulo, as corporações líderes são as mais sintonizadas com esse modelo de gestão. "Não diria que as líderes de mercado têm mais perfil para serem líderes analíticas, mas o oposto: uma líder analítica constrói um sistema de decisões que a aproxima do sucesso de forma sustentável, por que ela analisa para competir melhor", resume.

Maria Angélica Lencione Pedreti, da FGV: escolas de administração já se preocupam em formar líderes analíticos.

Baseando-se em estudos dos pesquisadores norte-americanos Thomas H. Davenport e Jeanne G. Harris, que lançaram o livro "Competing on Analytics: The New Science of Winning", Maria Angélica Lencione Pedreti resume quais são as cinco etapas que levam as corporações a alcançar o perfil de empresa analítica. "O primeiro estágio é quando a empresa decide buscar no passado uma explicação para seus negócios, com o intuito de melhorar suas operações. No segundo, passam a ser usadas métricas para que ela faça da interpretação do passado um retorno ao investimento. No terceiro estágio, a empresa se preocupa em entender o presente e faz análises para prever o futuro. No quarto, ela passa a inovar. No quinto, encontram-se as que construíram vantagens competitivas sustentáveis", explica.

A professora da FGV destaca que, em tese, qualquer corporação pode superar os cinco estágios para se tornar uma empresa analítica, desde que ultrapasse obstáculos tecnológicos, comportamentais e gerenciais. Para isso, é necessário que ela tenha um líder analítico, cuja virtude é orientar suas decisões pelas informações corretas e saber fazer elas chegarem aos vários sistemas da companhia. Isso serve também para empresas familiares, ressalta. "Desde que a alta administração tome decisões fundamentadas em análises e não apenas em sentimentos não objetivos, as empresas familiares podem ser líderes analíticas. Para isso, elas precisam percorrer, é claro, os estágios deste processo de desenvolvimento", completa.

O conceito de empresa analítica ainda é muito recente no Brasil. "Avalio que a evolução é uma consequência. As empresas que entraram no processo anos atrás já avançaram e alcançaram estágios superiores. Seu exemplo de sucesso tende a motivar novas investidas", analisa Maria Angélica Lencione Pedreti, para quem as escolas de administração têm sido importantes por já desenvolverem disciplinas para formar líderes analíticos. "Os cursos passaram a contemplar mais horas para análises, estatística e econometria, que são habilidades essenciais aos líderes analíticos. Mas o conhecimento sobre o mercado em que se atua e a experiência também são essenciais", afirma.

No dia a dia, uma empresa analítica se manifesta na postura dos colaboradores. Funcionários que analisam cada informação antes de tomar decisões, e que a relacionam com outras informações, posicionando a companhia à frente do mercado e antecipando-se ao cliente, são os que têm o perfil para atuar nesse modelo de corporação. Segundo a especialista da FGV, organismos governamentais, por serem altamente regulados e compartilharem poucas informações, têm mais dificuldades para alcançar o grau de empresa analítica. Por outro lado, ela cita a Disney como um modelo mundial. "A Disney mantém os chamados olhos e ouvidos, que são funcionários que observam os convidados o dia todo e se antecipam às suas necessidades. Esta competência permite que ela tenha acesso a diversos mercados, o que a torna ainda mais sustentável", elogia.

Entrevistada
Maria Angélica Lencione Pedreti, da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e das Faculdades Oswaldo Cruz
Currículo
- Maria Angélica Cristino Lencione Pedreti é graduada em administração de empresas pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (1995) e mestre em administração de empresas pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (1999)
- Atualmente é professora da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, administradora na Camil Alimentos S/A e professora das Faculdades Oswaldo Cruz
- Tem experiência na área de administração, com ênfase em administração financeira, atuando principalmente nos seguintes temas: custo de capital, custos, investimento, financiamento e capital de giro
Contato: maria.lencione@fgv.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Maior túnel do Brasil usará tecnologia de ponta

Na BR-040, mais conhecida como rodovia Rio-Petrópolis, obra terá 4.640 metros e vai expor todo o conhecimento técnico da engenharia nacional

Por: Altair Santos

A tradicional estrada Rio-Petrópolis (BR-040) que divide tráfego pesado com interesse turístico na região serrana fluminense, ganhará o maior túnel rodoviário do país. Perto do trecho conhecido como Belvedere, será construída uma obra com 4.640 metros de extensão. O empreendimento, ainda em fase de obtenção de licença ambiental, tem previsão de ficar pronto até 2015.

Edson Peev, do CBT: projetos futuros de rodovias não podem mais descartar os túneis.

Para a engenharia nacional, que só recentemente passou a incorporar a construção de túneis em projetos de rodovias, a obra na BR-040 será a oportunidade de consolidar tecnologias e incorporar novas técnicas de escavação. Por causa das características geológicas do terreno, é possível que os três métodos mais conhecidos de abertura de túneis sejam aplicados no empreendimento: o em abóboda e rebaixo, que utiliza explosivos; a NATM (New Austrian Tunnelling Method) e o TBM (Tunnel Boring Machine).

Segundo o engenheiro Edson Peev, que integra a diretoria do Comitê Brasileiro de Túneis, o Brasil possui know-how suficiente para aplicar as três tecnologias no túnel da Rio-Petrópolis. "As construtoras brasileiras, inclusive, têm sido convidadas e participado de vários projetos de construção de túneis na América Latina, e em alguns países da Europa, da África e do Oriente Médio", diz.

Peev também destaca que o país não precisa importar profissionais para atuarem no túnel da BR-040, pois possui engenheiros especializados nesse tipo de obra. "Temos um bom número de especialistas em túneis, principalmente para construção com o método convencional. No entanto, com a crescente demanda por túneis que se espera para os próximos anos, é provável que haja falta de profissionais, sobretudo com especialidade em escavações mecanizadas", afirma.

Segundo o diretor do CBT, a expectativa é que com o recente anúncio de concessões de rodovias e ferrovias para a iniciativa privada os trechos passem a ganhar mais túneis para encurtar distâncias. "Pelos projetos apresentados até o momento, vê-se maior preocupação em encurtar distâncias através da construção de túneis e, principalmente, para evitar a degradação do meio ambiente. Acredito que cada vez mais a solução do túnel será incorporada em projetos futuros", avalia Edson Peev.

Concreto projetado

Trecho em azul mostra percurso do túnel a ser construído na BR-040.

No caso do túnel da BR-040, independentemente da tecnologia empregada, o projeto prevê que haverá duas frentes de escavações, cada uma avançando até 180 metros por mês. Conforme os trechos forem abertos, o revestimento será feito com concreto projetado. O sistema consiste em lançar o material sob alta pressão contra as paredes do túnel. O impacto do concreto contra a base promove sua compactação, resultando em um revestimento de alta resistência. Para esse método, a dosagem de cimento oscila entre 300 kg/m³ a 500 kg/m³, com a espessura da camada chegando a 150 mm.

Saiba mais sobre as obras na BR-040: clique aqui

Confira o projeto do maior túnel brasileiro: clique aqui

Entrevistado
Edson Peev, diretor do Comitê Brasileiro de Túneis
Currículo
- Edson Peev é graduado em engenharia mecânica pela FEI (Faculdade de Engenharia Industrial)
- Já atuou como engenheiro e gerente de projetos nos ramos siderúrgico, petroquímico, químico, automobilístico, produtos pessoais e alimentos
- Desde 1997 trabalha na Herrenknecht AG, líder de mercado na fabricação de tuneladoras de todos os tipos e diâmetros, como gerente de vendas e suporte pós vendas e na consultoria de aplicação de máquinas para túneis e microtúneis e shafts
- Também ocupa o cargo de tesoureiro do CBT (Comitê Brasileiro de Túneis da ABMS)
Contato: peev.edson@herrenknecht.com.br www.tuneis.com.br

Créditos foto: Divulgação/CBT

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Compósitos de carbono reforçam estruturas de concreto

Sistemas à base de fibras têm como função principal recuperar ou promover o aumento da capacidade portante das construções, em relação à concepção original

Por: Altair Santos

Compósitos com fibras de carbono têm se mostrado uma excelente alternativa como reforço de estruturas de concreto. Na maioria das vezes, são utilizados para recuperar a capacidade portante perdida por quaisquer danos ocorridos na estrutura ou promover aumento da capacidade portante em relação à originalmente concebida.

Michel Haddad, da Sika: compósitos corrigem problemas de projeto, falhas executivas ou com o fck do concreto fornecido.

No Brasil, especialmente sob o aspecto da agilidade com que podem ser executados, tendo em vista suas características de "sistema industrializado", esses materiais começam a visualizar um mercado em expansão. Shopping centers e obras de infraestrutura, como pontes, têm sido os principais "clientes" no país.

Outro fator que tem feito os compósitos de carbono serem mais usados no Brasil é que, aos poucos, o mito do "alto custo" está se desfazendo. Atualmente, a aplicabilidade do material equivale a 25% do preço que custava quando ele foi apresentado ao mercado nacional. É o que explica o engenheiro civil Michel Haddad, na entrevista a seguir:

Como funcionam os sistemas compósitos de fibras de carbono para reforço de estruturas de concreto?
Basicamente, as fibras de carbono estão disponíveis no mercado mundial em forma de fios, os quais são empregados em sua grande maioria na indústria aeronáutica e aeroespacial. No mercado da construção civil, especificamente para o uso de reforço de estruturas de concreto, estes fios são manipulados para produção de dois tipos de sistemas: os tecidos uni e bidirecionais e os perfis laminados pultrudados. A forma de instalação destes tecidos e laminados é por colagem, de forma geral, com adesivos epóxidos, os quais devem possuir características diferenciadas daqueles normalmente empregados para colagens e ancoragens. Tais características se referem principalmente ao módulo de elasticidade, que deve ser mais alto em relação aos adesivos convencionais para melhorar o desempenho conjunto com a estrutura de concreto, altas resistências mecânicas nas primeiras idades (aproximadamente 80% das resistências finais nas primeiras 24 horas) para rápida liberação do sistema, resistência de aderência mínima para garantir a transferência de cargas entre a estrutura de concreto e o sistema de reforço (sendo esta a propriedade crítica para o funcionamento do sistema) e consistências adaptadas para melhor trabalhabilidade e impregnação das fibras.
Considerando-se a aderência e o módulo de elasticidade como fatores críticos para o dimensionamento e desempenho em serviço, é muito importante que os adesivos empregados tenham sido testados em conjunto com os materiais de fibra de carbono. Finalmente, citam-se características de desempenho em serviço muito importantes na escolha do sistema, tais como:
Sistema leve demanda menor mão de obra e propicia maior agilidade na aplicação.

- Não corrói. Portanto, apresenta excelente durabilidade em ambientes onde materiais metálicos entrariam facilmente em corrosão.
- Baixíssima ou nenhuma manutenção ao longo da vida útil.
- Não gera incremento na seção de elementos estruturais.
- Grande agilidade na aplicação e na liberação.

Em sua palestra no Concrete Show 2012, o senhor citou que esses sistemas têm sido usados em construções e ampliações de shopping centers e na adaptação de pontes e viadutos para a passagem de veículos com grande peso. Como é a aplicação para esse tipo de obra?
As estruturas mencionadas possuem características particulares ao ponto que demandam grande agilidade na aplicação e liberação para o uso. Em princípio, a forma de aplicação é a mesma para a grande maioria das estruturas, mas para esse tipo de projeto, os compósitos de fibra de carbono permitem grandes ganhos para o cliente final ao ponto que:

- Geram baixa interferência em termos de operação de aplicação.
- Podem ser aplicadas em horários alternativos sem interferir na operação do cliente em horários de grande fluxo de usuários.
- A estrutura é liberada para uso com as novas cargas em apenas 24 horas.
- Não gera desgastes de imagem do cliente com os seus usuários.

Eles são úteis também para construções habitacionais?
O espectro de utilização das fibras de carbono é bastante grande e, em princípio, qualquer estrutura poderia receber um reforço com este tipo de sistema, dependendo da necessidade e cargas envolvidas. O projetista de reforço estrutural (calculista) é o profissional qualificado para analisar esta e outras alternativas e avaliar o custo benefício em cada caso. Em obras de arquitetura diferenciada, a fibra de carbono pode ser uma alternativa bastante interessante, pois gera pouco ou nenhum impacto na arquitetura, podendo-se inclusive optar-se pelo embutimento dos perfis laminados na estrutura de concreto.

Que tipos de construções mais têm requerido a aplicação de compósitos de fibras de carbono?
Além de shopping centers e obras de infraestrutura, as indústrias têm cada vez mais optado por este tipo de sistema por apresentarem menor interferência em sua produção. Este tipo de cliente analisa o valor agregado do sistema e não somente o custo isolado dos materiais, pois entende que as perdas por dias parados de produção seriam muito maiores se optassem por métodos convencionais.

Os compósitos em fibra de carbono são recomendados apenas para reforçar estruturas já construídas ou eles podem fazer parte do projeto de uma estrutura que ainda está em construção?
O mais comum é encontrarmos a necessidade de reforçar uma estrutura recentemente concretada e ainda em execução, devido a problemas de projeto, falhas executivas ou problemas com o fck do concreto fornecido. Considerar o emprego das fibras de carbono já na concepção do projeto ainda é uma realidade um pouco distante quando consideramos o que foi mencionado anteriormente, de que o grande volume desses materiais ainda é destinado para outros tipos de indústria, ou seja, ainda é uma questão de oferta e demanda pela tecnologia.

Neste caso, qual a diferença de desempenho dos compósitos de uma estrutura para outra?
Acredito que tanto o comportamento como o dimensionamento estrutural teriam características específicas, ao ponto de o reforço estrutural, tal como é empregado atualmente, sempre contemplar um fator já mencionado referente à aderência, para a qual lançamos mão de adesivos epóxidos. No caso de uso das fibras de carbono em forma de barras, por exemplo, em substituição às armaduras de aço carbono, esta aderência com o concreto teria de ocorrer de outra forma. Questões como deformação dos elementos de concreto também teriam de ser verificadas.

Em termos de ampliar a vida útil de uma estrutura, qual o alongamento que os sistemas compósitos de fibras de carbono conseguem?
Os sistemas de fibras de carbono têm como função principal recuperar a capacidade portante perdida por quaisquer danos ocorridos na estrutura ou promover aumento da capacidade portante em relação à originalmente concebida, seja por alterações de uso da estrutura, para atender novas cargas e também eventos temporários. A questão de durabilidade das estruturas pode ser considerada com o uso de sistemas de fibras de carbono ao ponto que, no caso dos tecidos, criam-se áreas localizadas ou extensivas onde a camada de adesivo acaba por promover uma proteção por barreira ao ingresso de agentes agressivos. Mas esta não é a função principal, e sim uma possível consequência. Para durabilidade da estrutura, o reforço com fibras de carbono deve ser considerado como parte de um sistema mais amplo que pode contemplar argamassas de reparo, inibidores de corrosão, proteção catódica, hidrofugantes, pinturas e revestimentos especiais.

Os sistemas compósitos de fibras de carbono já estão no mercado há mais de 15 anos. No Brasil essa tecnologia está bem difundida?
Todo e qualquer projeto de reforço estrutural, bem como os sistemas escolhidos para atender esta necessidade, devem ser concebidos por profissionais habilitados em projeto estrutural (calculistas). Muito já se fez no Brasil com este tipo de sistema, porém é consenso de que muito mais poderia ter sido feito. Em parte, este cenário se deve ao desconhecimento de muitos profissionais de cálculo estrutural sobre os métodos de dimensionamento, desconhecimento quanto ao desempenho do sistema em serviço e finalmente pelo mito de que trata-se de um sistema de alto custo. A maior dificuldade atualmente para reverter este cenário se refere ao mito do "alto custo", uma vez que muitos profissionais ainda não consideram todas as vantagens que o sistema oferece, o que chamamos de "valor agregado", e que deveriam compor a análise de custo benefício ao cliente final. De qualquer forma, vale ressaltar que no início estes materiais eram orçados em moeda estrangeira e hoje em dia chegam a ser comercializados por 25% do valor que eram vendidos há 10 anos, por exemplo. Como muitos temas da construção, ainda se trata de uma mudança de paradigmas.

No caso de estruturas pré-moldadas, a aplicabilidade dos compósitos muda em relação aos sistemas convencionais?
Em geral, a aplicabilidade é a mesma. Como vantagem, pode-se comparar a agilidade com a qual estruturas pré-moldadas são executadas, o que demanda também sistemas rápidos para reforço, em caso de necessidade, para atender tanto ao perfil do projeto como o perfil do cliente final.

Também no Concrete Show 2012, o senhor fez uma abordagem sobre a forma como a construção civil brasileira tem encarado eventos trágicos envolvendo ruínas de edifícios. Qual sua visão sobre isso?
Vivemos um momento de transição econômica em que muitas obras da fase anterior passaram anos sem manutenção adequada e se apresentam em seus limites de vida útil de serviço. Em alguns casos, chegando à ruína. Além disso, o momento é propício ao desenvolvimento, e existe um grande volume de projetos em andamento com grande pressão por prazos e custos extremamente reduzidos, o que também gera muitas falhas de projeto e execução. Em ambas as situações, é preciso que o poder público e entidades de classe se organizem para evitar que mais tragédias ocorram. Atualmente, existem diversos projetos de lei tramitando em muitos municípios do país para instituir regras de fiscalização e inspeção de edificações existentes. Além disso, as principais associações e entidades de classe estão se movimentando e se organizando para criar grupos de profissionais capacitados em todo o país a fiscalizar o cumprimento da legislação que está por vir.

Entrevistado
Michel Haddad, coordenador técnico e responsável pelo mercado de recuperação e reforço estrutural da Sika Brasil S/A
Currículo
- Michel Haddad é engenheiro civil graduado pela Universidade Mackenzie, com pós graduação em longevidade de edificações pela Universidade Mackenzie e pós-graduando do curso de MBA em gerenciamento de projetos pela Fundação Getúlio Vargas
- Há 15 anos atua em obras de fiscalização e execução de recuperação estrutural, inspeção e avaliação de estruturas e consultoria técnica em produtos químicos para construção. Atuou em empresas como Recuperação, Brucken e Concremat
- Há 7 anos na Sika Brasil, atualmente é coordenador técnico e responsável pelo mercado de recuperação e reforço estrutural
Contato: haddad.michel@br.sika.com

Créditos foto: Divulgação /  Quakewrap

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Demanda devolve engenheiros aposentados ao mercado

Atualmente, 20% das empresas brasileiras vinculadas ao setor da construção civil estão contratando especialistas que recentemente pararam de atuar

Por: Altair Santos

Segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) a demanda por engenheiros para a construção civil deve aumentar de 2,5% a 5,5% em 2012, em comparação ao ano passado. Mas, contrapondo a oferta de vagas, faltam profissionais. Para suprir essa defasagem, as empresas do setor buscam alternativas. Uma solução é reter especialistas em vias de se aposentar ou buscar em casa engenheiros que pararam de atuar, no entanto ainda se mostram atualizados ou carecem apenas de cursos rápidos de qualificação para retomar a atividade.

 
Priscila de Oliveira, consultora de recursos humanos: país precisa do dobro de engenheiros que forma por ano.

Dados revelados pela especialista em recursos humanos, Priscila de Oliveira, mostram que atualmente 20% das empresas brasileiras vinculadas à construção civil contratam profissionais já aposentados para voltar ao mercado de trabalho. "Dessas contratações, pelo menos metade é por conta da falta de mão de obra especializada, e 80% delas busca profissionais formados em engenharia. A opção que algumas empresas fazem pelos aposentados é que eles têm competências que são conquistadas somente pela experiência", explica, lembrando que as regiões centro-oeste e nordeste do país são as que mais têm carência de profissionais, sobretudo de engenheiros civis.

Especialistas em recursos humanos detectam que o Brasil está carente de engenheiros, principalmente no campo técnico com foco na engenharia prática, longe das esferas administrativa, financeira e de consultoria. "Do total de formandos, apenas 1/3 atua na parte técnica. O restante, ou monta a própria empresa ou está em áreas mais burocráticas que, na última década, contrataram muitos engenheiros pagando salários atrativos. Com o mercado de infraestrutura superaquecido, a necessidade de mão de obra técnica aumentou e há dificuldade de encontrar engenheiros recém-formados, assim como seniores com mais de cinco anos de profissão", ressalta Priscila de Oliveira.

Atualmente, o país forma, em média, 40 mil engenheiros por ano, incluindo todas as especialidades, enquanto a demanda é o dobro disso. Porém, apesar da falta de engenheiros, a quantidade de graduações – em todas as 60 habilitações – aumentou seis vezes em 15 anos. Saltou de 454 cursos em 1995 para 3.045 em 2012. Entre as áreas que mais cresceram está a engenharia da produção, que passou de 30 para 450 cursos. "Ainda assim, se comparado a outros países, o mercado brasileiro apresenta um grande déficit de engenheiros por número de habitantes. Nos Estados Unidos e no Japão, para cada grupo de mil habitantes há 26 profissionais da área. No Brasil, são apenas 6, afirma a consultora.

Priscila de Oliveira avalia que o apagão de engenheiros, hoje enfrentado pelo Brasil, se explica pelo fato de que nos anos 1980 e 1990 eles se voltaram às necessidades financeiras das empresas durante o longo período inflacionário. "Nessas décadas, os engenheiros dedicaram-se a atividades pouco ligadas à sua especialidade, ainda que se necessitasse das suas habilidades para o cálculo matemático, a visão analítica e a capacidade de modelar e resolver problemas. Por isso, hoje, há um déficit espantoso de profissionais de engenharia. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, faltarão até o final 2012 aproximadamente 150 mil engenheiros no mercado", completa.

Entrevistada
Priscila de Oliveira, da Search Consultoria em Recursos Humanos

Currículo
- Priscila de Oliveira é graduada em psicologia, como especialização em consultoria interna de recursos humanos pela Universidade Mackenzie
- Em 1998, iniciou carreira em Executive Search
- Em 2000, passou a assumir função gerencial em empresas de tecnologia
- A parte de 2004, retomou a carreira de Executive Search, assumindo projetos de aconselhamento de carreiras para executivos e programas de trainees
- Na Search Consultoria, desenvolve atua em projetos de gerenciamento de pessoas e de relacionamento com clientes
Contato: www.searchrh.com.br / vero@agenciavero.com.br (assessoria de imprensa)
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB2330

Há 70 anos, Cientec aprimora tecnologia do concreto

Fundação de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio Grande do Sul é um dos poucos centros de pesquisa do país com setor dedicado à construção civil 

Por: Altair Santos

Um dos mais tradicionais laboratórios para ensaios e análises de materiais de construção civil do país está localizado dentro da Cientec (Fundação de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio Grande do Sul). Em área de 6.200 m², no município de Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre, o centro de pesquisa gaúcho desenvolve um trabalho relevante para o controle de qualidade dos produtos que já estão no mercado e os que encontram-se em fase de desenvolvimento. "Atuamos em consultoria e assessoria técnica, com foco no dimensionamento e correto uso dos materiais de construção civil. Também realizamos vistorias em edificações, com a identificação e o diagnóstico de manifestações patológicas causadas por deterioração, mau uso, falta de manutenção ou utilização inadequada dos materiais", explica o engenheiro civil Fernando Antônio Piazza Recena. 

Departamento de Materiais de Construção da Cientec: referência em ensaios com concreto.

Recena gerencia o DEMACC (Departamento de Materiais de Construção Civil) cujo laboratório atua fortemente na tecnologia de concretos e argamassas, realizando dosagens experimentais e ensaios para o controle da qualidade, bem como o desenvolvimento de concretos especiais e argamassas otimizadas. "Os testes com o concreto empregado nas bases das torres dos aerogeradores dos parques eólicos de Osório, Tramandaí e Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, e do Parque de Bom Jardim da Serra, em Santa Catarina, foram realizados no DEMACC. Também desenvolvemos no laboratório o concreto empregado na produção das peças pré-moldadas para a composição das torres dos parques instalados no Rio Grande do Sul e no Rio Grande do Norte", revela o gerente da Cientec, que em 2012 está completando 70 anos. 

O concreto autoadensável também tem sido objeto de pesquisas realizados no DEMACC. "Ainda no campo específico da pesquisa e do desenvolvimento, o laboratório tem trabalhado na identificação e no mapeamento do comportamento dos diversos agregados para verificar o potencial de reação com os álcalis do cimento e com o aproveitamento de resíduos das mais variadas origens e naturezas", acentua Fernando Antônio Piazza Recena, reforçando que muitos ensaios realizados no departamento da Cientec ajudam a consubstanciar projetos de restauro de prédios históricos no Rio Grande do Sul. Para isso, o DEMACC atua em conjunto com o setor de edificações da Cientec, cujo laboratório é voltado para a avaliação de construções convencionais e sistemas industrializados, promovendo testes e inspeções, além de verificação estrutural de marquises, estruturas de concreto armado e de alvenaria. 

Inovação

A Cientec investe maciçamente na descoberta de produtos inovadores. O mais recente foi conseguido em julho de 2012, com a conquista da concessão da patente do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual). A invenção é um equipamento de calcinação de materiais cálcicos em leito fluidizado. A tecnologia permite a obtenção de produto cimentante ou aglomerante destinado a construção civil, para aplicação em trabalhos não estruturais, como assentamento de tijolos em alvenarias diversas, revestimentos, assentamento de pisos e contrapisos. Outro aspecto importante desta tecnologia é seu baixo impacto ambiental, onde destacam-se as mínimas emissões de NOx e SOx, assim como de particulados sólidos, que são capturados e integrados aos materiais cimentantes.

 
Entrevistado
Fernando Antônio Piazza Recena, gerente do DEMACC (Departamento de Materiais de Construção Civil) vinculando a Cientec
Currículo
- Fernando Antônio Piazza Recena é graduado em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 1977
- Tem mestrado em engenharia pela mesma UFRGS (1994) e doutorado em engenharia pela UFRGS (2011)
- É pesquisador da Cientec desde 1978, onde ocupa o cargo de gerente do Departamento de Materiais de Construção Civil (DEMACC) desde 1979
- É professor da Faculdade de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS) da cadeira de materiais de construção
- Também é consultor independente
Contato: http://www.cientec.rs.gov.br  / recena@cientec.rs.gov.br
Créditos foto: Divulgação/Cientec 

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB2330