Nova ponte Brasil-Paraguai prevê 960 dias de obras

Construção, que está em processo licitatório, vai desafogar tráfego na Ponte da Amizade, que hoje recebe fluxo de 40 mil veículos por dia

Por: Altair Santos

No dia 1º de março era para ter sido definida a contratação das obras para a construção da nova ponte Brasil-Paraguai. Porém, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) adiou o processo para resolver entraves sobre a aquisição de mão de obra estrangeira. A licitação, que ocorrerá na modalidade de Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) tende a ser retomada ainda no 1º semestre de 2013. A partir do momento em que haja uma empresa vencedora, o prazo de execução previsto no edital é de 960 dias consecutivos, contados desde a emissão da ordem de início dos serviços pelo Dnit.

Ponte será estaiada e terá 760 metros de comprimento.

A nova ponte será estaiada, com comprimento total de 760 metros e vão central de 380 metros, além de dois vãos laterais de 190 metros. O tabuleiro apresenta largura total de 19,8 metros, implicando uma área total de tabuleiro de 15.048 m². Sua localização será ao sul da Ponte da Amizade, sobre o Rio Paraná, ligando Foz do Iguaçu ao município paraguaio de Ciudad Presidente Franco. Outra característica técnica é que a obra será construída em concreto protendido e as faixas de rodagem receberão pavimento flexível (asfalto). O projeto foi concebido pela Vetec Engenharia.

Nele, as duas torres de estais terão 136 metros de altura, deixando o leito do rio livre de pilares. A pista de rolamento terá duas faixas e dois acostamentos, duas barreiras e duas passagens para pedestres. Prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a obra está orçada em R$ 195 milhões, porém somente depois da execução de todos os projetos é que o valor real será conhecido. O governo paraguaio entrará com US$ 720 mil dólares (cerca de R$ 1,4 milhão) para viabilizar as obras de acesso à cidade de Presidente Franco. Do lado brasileiro, será construída uma via de 14,5 quilômetros, interligando a ponte à BR-277.

Ponte será construída em concreto protendido e receberá pavimento asfáltico.

Este acesso viário viabilizará o tráfego de veículos vindos de outras partes do país pela BR-277, sem passar pelo centro de Foz do Iguaçu, o que preservará o tráfego local e agilizará o acesso à nova ponte. Outra função da obra será desafogar a Ponte da Amizade, inaugurada em 1965, e que atualmente recebe 40 mil veículos por dia (caminhões, carros e motos) em média. Para este projeto, o Dnit não exigiu que ele fosse apresentado na modelagem BIM. Com o adiamento da licitação, as empresas interessadas na concorrência estão liberadas a realizar novas visitas técnicas ao local da obra.

Confira o edital de licitação: clique aqui.

 

Entrevistado
Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensa@dnit.gov.br
Créditos fotos: Divulgação/Dnit

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Normas contra incêndio: saiba onde é preciso evoluir

Sumidade sobre o assunto, professor-doutor Valdir Pignatta e Silva aponta os avanços do país e também o que é necessário ser feito para melhorar

Por: Altair Santos

No Brasil, as normas ABNT NBR 15200 - Projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio - e ABNT NBR 14432-2001 - Exigências de resistência ao fogo de elementos construtivos de edificações - estão entre as mais atuais e avançadas do mundo. Por outro lado, o país já está atrasado na revisão da ABNT NBR 9077 - saídas de emergência em edifícios -, assim como na busca de um aprimoramento dos códigos de obras nas cidades brasileiras. A constatação vem do professor-doutor Valdir Pignatta e Silva, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli - USP), considerado a sumidade nacional a respeito de estruturas em situação de incêndio.

Valdir Pignatta e Silva: no Brasil não há ainda uma norma que dimensione edifícios de alvenaria estrutural em situação de incêndio.

Autor de sete livros, o especialista defende que haja nas universidades de engenharia civil uma disciplina obrigatória sobre segurança contra incêndio em edificações. É dele também a constatação de que falta qualificação nos organismos públicos credenciados para liberar projetos de edifícios, sobretudo no conhecimento das normas técnicas. Mesmo assim, defende Pignatta, o Brasil está muito a frente de outros países sul-americanos quanto à legislação sobre estruturas anti-incêndio. Esse é um dos temas que ele aborda na entrevista a seguir:

O Brasil tem normas atualíssimas sobre situações de incêndio em edificações. Destaque para a ABNT NBR 15200 - Projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio, revisada em 2012, e a ABNT NBR 14432-2001 - Exigências de resistência ao fogo de elementos construtivos de edificações. No entanto, nem sempre elas são cumpridas. Por qual motivo?

Informo que existe também a norma ABNT NBR 14323 - Dimensionamento de estruturas de aço e de estruturas mistas aço-concreto de edifícios em situação de incêndio -, que após revisada está em processo de ser publicada em 2013, e a sobre projeto de estrutura de madeira, que é a ABNT NBR 7190/2012, que tem capítulo sobre estruturas de madeiras em situações de incêndios. Então, o que precisa é o engenheiro calcular as estruturas seguindo a norma. Sempre lembrando que as exigências aumentam à medida que o edifício aumenta de altura, por que é uma composição de perigo e consequência. Quanto mais alto o edifício, as consequências são maiores. Mas o que interessa para o projeto de engenharia é que existe um padrão, em função do aquecimento das estruturas. As estruturas perdem capacidade de resistência com o aquecimento, seja qual for o material. Então, o engenheiro deve calcular a estrutura para suportar esse aquecimento. Se ele fez um projeto conforme as normas, conforme as exigências, conforme os padrões internacionais, este projeto está bem feito. O que não significa que ele vai ou não cair. O engenheiro jamais vai dizer que uma estrutura vai cair ou não. O que importa é que estes padrões internacionais e exigências sejam seguidos. Isso vale para ação da gravidade, ação do vento e vale também para ação do fogo. Se o projeto não seguir estas exigências, há uma maior probabilidade de ruína. Nós, engenheiros de estrutura, somos probabilísticos. Dizemos que existe uma maior probabilidade de ruína ou uma menor probabilidade de ruína conforme forem seguidas as exigências e as normas técnicas.

A regulamentação da profissão de bombeiro civil tem ajudado no cumprimento dessas normas?
No final de 2010 foi criada a profissão de bombeiro civil e bombeiro civil mestre. O bombeiro civil é o bombeiro que cuida do combate ao fogo e de instruir brigada de incêndio. É uma atividade mais técnica. Já o bombeiro civil mestre seria uma atividade conforme a letra da lei, de uma pessoa formada em engenharia ou arquitetura que tenha prática ou feito cursos sobre seguranças contra incêndios. Isso é muito pouco conhecido no Brasil. Eu diria que isso não existe na prática. Por quê? Por que as exigências de segurança contra incêndio são amplas e para cumpri-las deveria haver um gerenciador, algum profissional de engenharia, de arquitetura, que tenha conhecimento destes aspectos para contratar especialistas e realizar o trabalho adequadamente. Só que existe um problema no Brasil: não há nenhuma universidade brasileira com disciplina obrigatória sobre segurança contra incêndio, quer para engenharia civil, quer para arquitetura. Então o profissional se forma, vai para a prática e é obrigado a seguir a legislação que ele não aprendeu com a devida profundidade na escola. Resultado: há poucos especialistas nesta área no país. E não há esse tipo de gestor formado por cursos, formado nas escolas brasileiras de engenharia e arquitetura.

O fato de cada estado, e às vezes cada município, ter uma legislação ou não ter legislação nenhuma sobre vistoria técnica de edificações, dificulta o cumprimento das normas sobre incêndio?
Vou falar por São Paulo, mas isso talvez sirva para outras capitais ou outras cidades. No caso de São Paulo, há um código de obras, mas ele não trata muito sobre incêndio. Fala sobre locais de reuniões públicas. Mas se eu fizer um projeto em uma outra cidade, onde não haja código de obras ou nenhum outro tipo de recomendação, serão seguidas as instruções técnicas do Corpo de Bombeiros. No que tange as estruturas, essas instruções têm as exigências de tempo de restrição ao fogo, mas não dizem como cumprir as exigências a partir de normas nacionais da ABNT. Então, dependendo do aspecto, isso pode confundir o meio técnico.

O Corpo de Bombeiros de São Paulo criou o Projeto Técnico Simplificado, desburocratizando a regularização das edificações. A burocracia atrapalha o cumprimento da normatização?
Trabalho há 25 anos na parte de estrutura em situação de incêndio e conheço também outros aspectos na parte de segurança contra incêndio. No caso do Projeto Técnico Simplificado, ele vale para pequenas edificações, ou seja, onde as exigências sejam mínimas. Neste caso, a desburocratização ajuda. Mas em se tratando de edifícios altos, o projeto acaba indo para o Corpo de Bombeiros e leva um certo tempo para análise. Por quê? Volto para a minha máxima: faltam especialistas brasileiros na área de segurança em construção.

O Grupo de Pesquisa em Segurança contra Incêndio, do Núcleo de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo da USP, tem conseguido desenvolver e difundir o conhecimento científico sobre o tema?
Este grupo tem 18 anos de existência. Hoje ele chama-se grupo de fomento de segurança contra incêndio. Tem um site para quem quiser buscar mais informações (http://www.gsi-incendio.com.br). A ideia é difundir mais a área e promover cursos pela defesa da vida em casos de incêndio.

O senhor avalia que é preciso rever leis e normatizações sobre incêndio em edificações?
Quanto às regulamentações do Corpo de Bombeiros, elas são estadualizadas e, não há duvida, existe a necessidade de uma releitura. Por exemplo, eu não sei se há um artigo que trate de artefatos pirotécnicos acesos em ambientes fechados. Por outro lado, existem as normas brasileiras, como a ABNT NBR 9077 - saídas de emergência em edifícios, que é datada de 2001, mas o fato é que ela é dos anos 1990. Ela só foi reimpressa nos anos 2000. Há mais de uma década especialistas da área lutam por uma revisão desta norma e acredito que agora isso vá ocorrer, por pressão da sociedade e do meio técnico.

Edificações com estruturas em concreto seguem se sobrepondo às de aço quando se fala em resistência ao fogo?
Esta é uma pergunta recorrente. É importante frisar que a estrutura deve ser dimensionada para a situação de incêndio, seja concreto, aço, alvenaria estrutural, enfim qualquer uma delas. Se elas forem dimensionadas adequadamente, todas resistem de forma igual. Ocorre que, no caso do concreto, o calculista, ao projetar a estrutura, já a faz pensando na resistência ao fogo. No caso da estrutura de aço, como a peça não é feita in loco, isso é mais difícil. Mas hoje há materiais de revestimento antifogo e a espessura destes materiais também são calculadas por especialistas. Se forem bem calculadas, elas resistem. Só que eu diria que no Brasil não há ainda uma norma que dimensione edifícios de alvenaria estrutural em situação de incêndio. Neste caso, o Corpo de Bombeiros recomenda que devem ser seguidas as normas europeias, mas é bastante difícil seguir uma norma internacional, pois não se sabe se os blocos usados lá são os mesmos usados aqui.

A NBR 15575 - norma de desempenho - faz alguma referência à segurança contra incêndio?
Salvo engano, o que ela diz é seguinte: caso existam normas dos materiais utilizados, que sigam estas normas. No caso do concreto, do aço, os materiais mais convencionais, devem seguir as normas da ABNT. Para novos materiais, ela lista uma série de ensaios que devem ser feitos para comprovar o comportamento destes materiais. Também salvo engano, pois há poucos laboratórios no Brasil capacitados para esse tipo de ensaio. Parece-me que apenas o IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológico) está aparelhado para isso. Isso é um problema.

Comparativamente a outros países, o Brasil tem normas competentes sobre estruturas anti-incêndio e resistência ao fogo?
Em maio estarei em Portugal, palestrando sobre normas e exigências de estruturas na América Latina. Falando em termos de continente sul-americano, o Brasil está muito à frente dos demais países. Lendo a legislação, só Colômbia e Argentina têm algo semelhante. Os demais países estão muito pobres em termos de legislação de segurança contra incêndio. No caso dos países chamados desenvolvidos, todos têm uma normatização bastante avançada. As mais avançadas são os códigos europeus chamados eurocodes. As normas brasileiras se inspiraram nestes eurocodes.

Incidentes com incêndio, apesar de indesejáveis, acabam resultando em melhorias das normas de segurança e de construção?
Como começaram as regulamentações de segurança no Brasil? Foram a partir dos terríveis incêndios nos edifícios Andraus, em 1972, e Joelma, em 1974. Nos Estados Unidos, tragédias ocorridas no final do século 19 e início do século 20 também incentivaram a criação de leis e normas. Infelizmente, é assim que ocorre no mundo todo.

Entrevistado
Valdir Pignatta e Silva, professor-doutor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP)
Currículo
- Valdir Pignatta e Silva é professor-doutor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e autor de 7 livros e de mais de 150 artigos publicados

- Ocupa o cargo de vice-presidente da ALBRASCI (Associação Luso-Brasileira para Segurança contra Incêndio)
- Atua na área de Engenharia de Estruturas, com ênfase em "engenharia de estruturas em situação de incêndio"
- É membro da IAFSS, IBRACON e ABECE
Contato:  valpigss@usp.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Ano da reforma deve movimentar quase R$ 75 bilhões

Pesquisa revela que perto de 17 milhões de residências serão submetidas a algum tipo de melhoria ao longo de 2013, incrementando o PIB da construção civil

Por: Altair Santos

Até o final de 2013, 16,8 milhões de residências passarão por algum tipo de reforma no Brasil. Estima-se que serão gastos, em média, R$ 4.445,00 por unidade. Se confirmados os dados da pesquisa realizada em dezembro de 2012 pelo Instituto Data Popular, significa que haverá a injeção de R$ 74,6 bilhões na economia. A expectativa é que a demanda reprimida pela reforma também faça crescer o percentual deste segmento no PIB da construção civil. Hoje, ele representa 35%. "Esse mercado tem grande potencial de expansão, pois o aumento e a melhor distribuição de renda, acompanhada da maior disponibilidade de crédito, fizeram com que milhões de famílias passassem a ter acesso a novos produtos e serviços”, analisa Carina Saito, gerente de autoconstrução da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e responsável pelo Clube da Reforma, que encomendou a pesquisa.

Reforma residencial: só 5% contratam empresas especializadas.

Boa parte das residências que passarão por reforma está vinculada às famílias das classes D e E, aponta o Instituto Data Popular. É a fatia de zero a três salários mínimos que deveria ser contemplada pelo programa Minha Casa, Minha Vida, mas pelo qual apenas 1,2% foi atendida até agora. Por isso, a opção por melhorar e ampliar as construções já existentes. “A reforma é uma boa opção para diminuir o déficit qualitativo de residências, pois atinge mais pessoas e é mais barato do que as demais alternativas de habitação”, analisa Carina Saito. Outro fator determinante que passou a impulsionar as reformas foi a aprovação, em outubro de 2012, das novas regras para financiamento de material de construção com recursos do FGTS. Elas abriram linhas de crédito aos trabalhadores, que permitem a eles levantar até R$ 20 mil para viabilizar a melhoria de suas residências.

Em relação a 2012, o aumento de casas que passarão por reformas em 2013 será de 28,58%, aponta a pesquisa. Destas, segundo as 3.969 pessoas entrevistadas pelo Instituto Data Popular, 35% pretendem corrigir problemas em suas residências, como infiltrações, troca do telhado ou até mesmo reforços estruturais. Já 21% planejam ampliar a casa. O mesmo número (21%) quer melhorar a estética da moradia, através de pinturas e reformas na fachada. Já 17% quer aperfeiçoar o espaço interno, seja quebrando uma parede para ampliar um cômodo, instalando uma janela para melhorar a ventilação ou trocando pisos e azulejos. Outros 6% planejam reformas externas, como calçadas, muros, churrasqueiras ou garagens. “A pesquisa identificou que a reforma tem um aspecto emocional, relacionado à intimidade, à sociabilidade e ao reconhecimento", completa Carina Saito.

Outro dado importante apontado pelo levantamento está relacionado à mão de obra que irá viabilizar a reforma. Dos entrevistados, 79% preferem contratar profissionais conhecidos e com boa referência no círculo social. Outros 12% afirmaram que eles mesmos viabilizam a reforma e 4% disseram que aderem ao sistema de mutirão. Só 5% contratam empresas de construção especializadas em reforma. Além disso, neste tipo de obra, aponta a pesquisa, apenas 10% das pessoas delegam aos profissionais contratados a compra de materiais de acabamento. No entanto, em relação aos materiais básicos (cimento, ferragens, tubos e conexões) quase 35% deixa a escolha das marcas a cargo dos profissionais da construção civil ou dos vendedores. “A parte estrutural da reforma é a que mais demanda qualidade e confiabilidade, pois dela depende a durabilidade da obra”, complementa Saito.

Entrevistado
Carina Saito, gerente de autoconstrução da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e responsável pelo Clube da Reforma
Currículo
- Carina Saito é graduada em arquitetura pela Universidade Estadual de Campinas
- Ocupa o cargo de gerente de autoconstrução da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e de coordenadora do Clube da Reforma
Contato: www.clubedareforma.com.br / asimprensa@abcp.org.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Escola chega ao canteiro de obras, para ficar

Programa criado em 2010 pelo SindusCon-SP, que prioriza trabalhadores maiores de 18 anos, e que não tenham concluído o ensino fundamental, repercute em outros estados

Por: Altair Santos

A baixa escolaridade nos canteiros de obras espalhados pelo país cria uma série de obstáculos ao trabalhador da construção civil. Eles vão desde dificuldades em cumprir tarefas simples, como ler placas com avisos e instruções para utilizar os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) até operar equipamentos mais sofisticados. Segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho) 33% dos que atuam no setor têm perfil de analfabetismo funcional. Para reverter esse quadro, o SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de São Paulo) em parceria com o Sesi-SP, criou em 2010 o Projeto Elevação da Escolaridade. O público alvo do programa são os trabalhadores maiores de 18 anos, e que não tenham concluído o ensino fundamental.

Já há muitas construtoras transformando refeitórios em salas de aula.

Hoje, a ação pioneira do SindusCon-SP repercute em outros estados. Do sul ao nordeste do país, há iniciativas semelhantes, sempre vinculadas ao Sistema S. Todas buscam dar conhecimento básico de língua portuguesa e matemática. Os cursos duram três meses e o horário das aulas, que acontecem três vezes por semana, é estabelecido pela empresa, com a sugestão de que ocorra antes do início das atividades do trabalhador. "Atualmente, em São Paulo, o programa registra 54 turmas em andamento, com mais de 300 alunos matriculados, segundo dados fornecidos pelo Sesi-SP. Devido à metodologia dinâmica do curso, o aluno pode iniciar as aulas em qualquer etapa sem problemas", explica Roseane Petronilo, gerente de Estratégia e Produtividade do SindusCon-SP. A meta do programa é alcançar 900 canteiros de obra em São Paulo.

A vice-presidente de Responsabilidade Social do SindusCon-SP, Maristela Alves Honda, avalia que a implantação do programa e sua disseminação pelo país pode ser interpretado como "um sonho que ajudará o trabalhador a entender melhor seu papel na sociedade e melhorar a comunicação com os companheiros". Roseane Petronilo complementa dizendo que "a prioridade é promover a complementação da escolaridade básica do trabalhador da construção, habilitando-o à compreensão de textos e operações aritméticas simples, de forma a tirá-lo do analfabetismo funcional". Caso haja interesse do aprendiz em prosseguir com os estudos, ele sai do programa com certificado de conclusão da 4ª série, podendo dar continuidade aos estudos a partir da 5ª série do ensino fundamental.

Com a participação do Sesi, trabalhadores da construção civil recebem aulas de português e matemática.

Roseane Petronilo afirma ainda que a adesão a programas de incentivo à escolaridade trazem ganhos para os trabalhadores e para as construtoras. "Para o trabalhador, as conquistas em autoestima e renda são preciosos, com a perspectiva de início de uma carreira que pode chegar a mestre de obra. Para a construtora, ter uma sala de aula no canteiro aumenta a motivação dos trabalhadores, com reflexos em sua produtividade", ressalta, destacando que a construção civil atualmente é um dos setores da economia nacional que mais tem se mobilizado pela qualificação dos trabalhadores. "Hoje há uma grande oferta de cursos de qualificação e de atualização, que podem ajudar os trabalhadores neste caminho. Muitas das empresas fabricantes de materiais e sistemas oferecem estes cursos também no canteiro de obras e contribuem para a melhoria do setor", completa.

Veja o que o Projeto Elevação da Escolaridade, parceria do SindusCon-SP com o Sesi, oferece:

- Acompanhamento in loco de um analista pedagógico

- Jornada do professor de 9 horas semanais

- Apostilas elaboradas pelo Sesi

- Acompanhamento pedagógico realizado por técnico designado pela divisão de educação

Obrigação das construtoras que aderem ao programa:

- Disponibilizar espaço no canteiro de obra para realização das aulas

- Apresentar a lista de inscritos, com no mínimo 10 e no máximo 30 participantes

- Indicação de um representante da construtora que ficará responsável pela divulgação permanente do curso em suas dependências, bem como, a interlocução do programa no canteiro de obra

- Mobiliário, para as aulas e material para o aluno

Entrevistadas
Maristela Alves Honda, vice-presidente de Responsabilidade Social do SindusCon-SP, e Roseane Petronilo, gerente de Estratégia e Produtividade do SindusCon-SP. (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensa@sindusconsp.com.br
Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Concreto viabiliza acessibilidade nas metrópoles

Peças pré-fabricadas, que utilizam microconcreto de alto desempenho, têm ajudado nas obras de requalificação urbana de grandes cidades brasileiras

Por: Altair Santos

Desde a publicação da ABNT NBR 9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos -, em 2004, as principais cidades brasileiras passaram a se valer do concreto para facilitar a mobilidade de pessoas com algum tipo de limitação motora. Rampas, calçadas tácteis e ciclofaixas para cadeirantes entraram em cena na paisagem urbana e despertaram nos fabricantes de artefatos de cimento a necessidade de produzir peças que permitissem uma rápida adaptação de ruas e avenidas. Neste ponto, a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) teve um papel destacado. "A ABCP fez a costura entre o meio técnico e o poder público, para que se chegasse a um produto padronizado", destaca o professor-doutor da FAUUSP, Paulo Eduardo Fonseca de Campos.

Paulo Eduardo da Fonseca Campos: projetos precisam estar adequados à NBR 9050.

A ABCP também foi importante no desenvolvimento de pré-fabricados à base de microconcreto de alto desempenho, para que pudessem ser produzidas peças com espessura média de 25 a 30 milímetros, facilitando a requalificação urbana. "O microconcreto de alto desempenho é um concreto para peças delgadas. Na composição da matriz deste concreto não há agregado graúdo (brita). Só areia ou pó de pedra. Esta tecnologia permite atingir espessuras que de outra forma não seria possível", explica Paulo Eduardo Fonseca de Campos, lembrando que o estado da arte das peças de acessibilidade foram alcançadas na reurbanização das calçadas da Avenida Paulista, em São Paulo, hoje reconhecidamente uma das melhores do mundo. "Foi um exemplo positivo de como fazer o projeto", completa.

Para o engenheiro e arquiteto, a Avenida Paulista não é referência para o mobiliário urbano apenas por causa da tecnologia empregada em sua reestruturação, mas também pelo conceito que foi empregado na obra. "A questão da acessibilidade é um conjunto de providências que têm de ser tomadas a nível urbano, não só referentes a espaço público, mas também da transição do espaço público para o espaço privado. A urbanização da Avenida Paulista, se por um lado foi uma ação do poder público, também foi uma ação dos proprietários de imóveis que estão localizados na avenida. Eles também entenderam que precisavam se adequar à nova calçada. Isso gerou mais produtos para a acessibilidade e, com certeza, há mais a serem desenvolvidos", avalia.

Avenida Paulista: modelo de reurbanização, dentro dos padrões de acessibilidade.

Paulo Eduardo Fonseca de Campos, que também é sócio-diretor da Precast Desenvolvimento de Produtos - empresa especializada em sistemas e componentes construtivos industrializados -, destaca que o concreto tem sido fundamental para modernizar o mobiliário urbano e permitir mais acessibilidade às pessoas. "Há diversas alternativas em termos de materiais para revitalizar o mobiliário urbano. Mas só o concreto permite produzir peças que preencham os requisitos de conservação, durabilidade e resistência ao vandalismo a um custo compatível com o orçamento das prefeituras. Por que é preciso pensar que, na medida em que eu implanto milhares de peças numa cidade, tenho que prever também a manutenção. Nesse item, o concreto é o mais barato dos materiais", explica.

 

Confira o conteúdo da ABNT NBR 9050: clique aqui.

Entrevistado
Paulo Eduardo Fonseca de Campos, professor-doutor da FAUUSP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo)
Currículo
- Paulo Eduardo Fonseca de Campos é arquiteto urbanista graduado pela PUC de Campinas (1981), além de mestre em engenharia civil pela EPUSP (1989) e doutor em arquitetura e urbanismo pela FAUUSP (2002)

- É professor-doutor da FAUUSP e do programa de pós-graduação em arquitetura e urbanismo da mesma instituição, onde coordena o grupo de pesquisa DIGI-FAB - Tecnologias digitais de fabricação aplicadas à produção do Design e Arquitetura Contemporâneos, o qual se dedica à pesquisa sobre projeto de produto, com destaque para temas vinculados à arquitetura e indústria e ao design
- Coordena atualmente o curso de design da FAUUSP
- É coordenador internacional do projeto de pesquisa “MicroCAD” do Programa Ibero-americano de Cooperação CYTED e membro correspondente do Grupo de Trabalho sobre Pré-fabricação da FIB (Fédération Internationale du Béton)
- Tem experiência na área de arquitetura e urbanismo, com ênfase em sistemas construtivos pré-fabricados, atuando principalmente nos seguintes temas: pré-fabricados, habitação, concreto de alto desempenho, urbanização e saneamento
- Atua como sócio-diretor da PRECAST Desenvolvimento de Produto, empresa especializada no desenvolvimento de sistemas e componentes construtivos industrializados
- Desde março de 2012 assumiu a superintendência do CB-02
Contato: pfonseca@usp.br
Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Preservar a saúde da obra é tarefa do engenheiro

Poder público acorda para vistorias técnicas, mas projetos de lei propostos não atacam cerne do problema, aponta perito Tito Lívio Ferreira Gomide

Por: Altair Santos

Desde 27 de janeiro de 2013, câmaras municipais, assembleias legislativas e o Congresso Nacional se movimentam para elaborar projetos de lei que possam fazer as construções cumprirem com mais eficiência sua função precípua: preservar vidas. O problema é que a pressa em legislar em cima da emoção pode resultar em mais dificuldades. É o que avalia o perito Tito Lívio Ferreira Gomide, membro titular do Instituto de Engenharia e do IBDiC (Instituto Brasileiro de Direito da Construção). "O que precisamos é de uma legislação clara e objetiva, determinando a responsabilidade de forma direta, que diga que toda a edificação deve ter um engenheiro civil responsável pela sua manutenção e uso", defende.

Tito Lívio Ferreira Gomide: toda edificação deveria ter um engenheiro civil responsável pela manutenção e uso daquela obra.

O especialista apoia que haja uma lei federal que obrigue o proprietário, os sócios ou o condomínio de um empreendimento a contratar um engenheiro civil responsável pela manutenção e pelas providências para a segurança do imóvel. "Esse profissional responderia por qualquer sinistro, qualquer problema que possa ocorrer na edificação. Sendo um técnico, ele vai providenciar os laudos de inspeção e, principalmente, os serviços. Assim, o ciclo estaria fechado: haveria um responsável, as vistorias técnicas seriam realizadas e os serviços executados", explica Tito Lívio Ferreira Gomide, para quem o problema das leis está em atribuir ao poder público a exclusividade da fiscalização técnica das edificações. "Está comprovado que há erros flagrantes e corrupção nestas fiscalizações. Qualquer nova lei que surja sustentando essa fórmula não resolverá os gargalos existentes", completa.

Ainda de acordo com o perito, seria necessário mexer também no Código Civil, que atribui a responsabilidade pela conservação do edifício ao síndico, que, na maioria das vezes, não é engenheiro civil. "Repito: o que importa para a boa saúde da obra é a execução e a realização da manutenção predial. Neste sentido, as vistorias prévias levantam os problemas que devem ser solucionados. Porém, se esses serviços não forem realizados os imóveis continuarão apresentando problemas de segurança e uso. Assim, o mais adequado, no meu modo de ver, seria uma legislação que determinasse que toda a edificação pública tivesse um engenheiro responsável pela sua manutenção e uso", reafirma. "Da mesma forma que as pessoas buscam o médico para detectar e tratar as doenças, o engenheiro civil deve ser acionado no caso das edificações", completa.

Leis pelo país afora

Estima-se que atualmente 20% das 5.570 cidades brasileiras estejam elaborando, em suas câmaras municipais, leis que regulamentem vistorias técnicas em edificações. O mesmo ocorre em 17 estados da União, através de suas assembleias legislativas. Desde setembro de 2012 também tramita na Câmara Federal um projeto de lei sobre o mesmo tema. Em comum, as propostas pretendem estender as prerrogativas de fiscalização para o Crea e o CAU. Segundo Tito Lívio Ferreira Gomide, isso pode causar um imbróglio jurídico. "O Crea é uma entidade profissional que fiscaliza a profissão tão somente. Entendo que seria uma atribuição indevida", analisa o especialista, finalizando: "A lei que precisa ser criada é simples: ela deve obrigar os proprietário ou os gestores de uma edificação a manter, sob regime de contrato, um engenheiro civil responsável pela manutenção e uso daquela obra."

Entrevistado
Tito Lívio Ferreira Gomide, perito e membro titular do Instituto de Engenharia e do IBDiC (Instituto Brasileiro de Direito da Construção)
Currículo
- Tito Lívio Ferreira Gomide é graduado em engenharia civil pela FAAP (1977) e em direito pela USP (1983). Tem pós-graduação em perícias e avaliações (UNISANTA, 2001), com especialidade em direito imobiliário empresarial pela Universidade Secovi (2010) e em Arquitetura Sustentável pela universidade Sorbonne (2011)
- Foi o primeiro coordenador do curso de pós-graduação em perícias e avaliações da FAAP e da Câmara de Inspeção Predial do Ibape-SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo)
- É professor de inspeção predial, perícias judiciais, perícias em edificações, engenharia diagnóstica e grafoscopia
- Especialista em avaliações, perícias de engenharia e grafoscopia desde 1982, com centenas de casos judiciais e extrajudiciais nos mais diversos foros do país
- Atualmente dirige o gabinete de perícias Gomide e é membro titular do Instituto de Engenharia e do IBDiC (Instituto Brasileiro de Direito da Construção)
Contato: www.gabinetegomide.com.br / gpgomide@gabinetegomide.com.br / gpgomide@uol.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Concreto estampado vira moda nas praias e sobe a serra

Durabilidade do piso, que quando bem executado resiste até dez anos sem manutenção, atrai interesse das prefeituras para revitalizar calçamento público

Por: Altair Santos

O verão 2013 revelou uma tendência na orla brasileira: o concreto estampado. Rapidez na construção, durabilidade, excelente acabamento e custo baixo levaram o material a ser o preferido para revitalizar a mobilidade urbana à beira das praias. Não é à toa que as empresas que produzem esse tipo de piso têm entre as prefeituras litorâneas seus maiores clientes. Não significa, porém, que o consumo do material esteja limitado aos calçadões no litoral. Ele já subiu a serra, como diz o presidente da Abrace (Associação Brasileira de Piso em Concreto Estampado) Fernando Majerowicz na entrevista a seguir:

Calçada com concreto estampado: mercado está em alta, seja no litoral ou em cidades do interior.

Neste verão, o concreto estampado ganhou os calçadões de algumas praias brasileiras. A partir do litoral, o material pode subir a serra e ganhar as calçadas das principais cidades brasileiras?
O concreto estampado já subiu a serra. Hoje nós temos obras realizadas no interior de São Paulo e em todo o Brasil, sejam em praças, calçadas, indústrias ou até residências.

Quais as virtudes do concreto estampado?
O piso de concreto estampado tem alta durabilidade. É piso monolítico de concreto e tem um acabamento colorido com vários desenhos e cores. Umas das vantagens é que o próprio contrapiso é aproveitado para fazer a estampagem do concreto. Ele pode ser executado sobre laje ou qualquer tipo de piso rígido.

O processo de construção com concreto estampado é totalmente industrializado?
Não. Industrializados são os produtos utilizados para endurecer e colorir a superfície, os moldantes e as resinas. O restante do processo é feito in loco. Contrata-se uma concreteira, que fornece concreto usinado e o material é lançado na área a ser executada. Depois faz-se todo o trabalho de sarrafeamento e pigmentação, utilizando-se formas de borracha. Estampamos o concreto de forma consecutiva, como se fosse um carimbo, ou seja, batem-se as formas e os desenhos se formam, enquanto o concreto ainda está plástico, ou seja, no estado fresco (mole). No dia seguinte, trabalha-se nas juntas e na resinagem. Com uma equipe é possível fazer 750 metros quadrados por dia.

Fernando Majerowicz, presidente da Abrace: associação oferece treinamento para as prefeituras.

Para utilizar concreto estampado, usa-se algum tipo especial de concreto?
Utilizamos concreto usinado, com traço já definido. A grande maioria das especificações é fck 20 MPa, com pedrisco.

Como está o mercado para quem fabrica concreto estampado?
O mercado está em alta. As empresas do setor têm bons projetos ainda para ser executados, muitos deles vinculados aos grandes eventos que o Brasil irá sediar, como Copa do Mundo e Olimpíadas.

No Brasil, o maior comprador de concreto estampado ainda é a indústria ou as prefeituras têm aderido ao conceito de calçadas com o material?
Os maiores compradores ainda são as prefeituras. Diria que 80% das obras hoje ainda são contratadas pelo poder público municipal.

Em termos de durabilidade e manutenção, o concreto estampado supera, por exemplo, o bloco de concreto (tipo paver) ou até mesmo as calçadas de pedra?
Desde que bem executado, o concreto estampado suporta até mais de dez anos sem reparos. O que recomendamos é que, a cada dois anos, seja aplicado uma resina seladora que vai dar mais durabilidade e reavivar a tonalidade do piso.

Em outros países, a empregabilidade do concreto estampado está bem popularizada?
O concreto estampado veio dos Estados Unidos. Então, lá é comum encontrá-lo em condomínios, calçadas e parques. No México, o concreto estampado também é muito forte. Em Cancún, a orla marítima é totalmente em concreto estampado. Trata-se de uma das maiores áreas de concreto estampado no mundo.

Alta durabilidade e baixa manutenção ajuda concreto estampado a entrar nas residências.

Como é atingida a resistência do concreto estampado? Ele recebe armações de ferro, por exemplo?
Sim, normalmente especificamos que seja solicitado tela de aço. Todas as obras que executamos, tanto para tráfego de pedestres quanto para tráfego de veículos, há uma especificação de tela diferenciada.

E quanto à mão de obra que trabalha com concreto estampado, ela precisa ser altamente especializada?
Ela precisa ser especializada, sim. Tem que ter um treinamento específico. É um processo em que os cursos são ministrados na própria empresa ou na Abrace. Também passamos a dar qualificação para os funcionários das prefeituras, para que elas mesmas executem, com mão de obra própria, o piso de concreto estampado. Já fizemos isso em Indaiatuba-SP e São Vicente-SP. Há outros municípios também se credenciando para aplicar o concreto estampado em suas calçadas.

Entrevistado
Fernando Majerowicz, presidente da Abrace (Associação Brasileira de Piso em Concreto Estampado)
Currículo
- Fernando Majerowicz é graduado em engenharia civil, preside a Abrace (Associação Brasileira de Piso em Concreto Estampado) e dirige a Crete Construções e Comercio Ltda - empresa especializada em produtos e execução de piso em concreto estampado
Contato: www.crete.com.br / fernando@crete.com.br
Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Nutec viabiliza casa básica e busca certificação ITA

Desde a sua fundação, Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará desenvolve estudos ligados à construção civil, principalmente os vinculados à habitação popular

Por: Altair Santos

O Nutec (Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará) quer se tornar o terceiro centro de pesquisa voltado à construção civil a obter credenciamento como Instituição Técnica Avaliadora (ITA) na região nordeste do país. Os outros dois, já reconhecidos pela Comissão Nacional do Sistema Nacional de Avaliação Técnica (CN-Sinat) são o Tecomat (Tecnologia da Construção e Materiais Ltda.) e o Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep), ambos em Pernambuco. No país, são sete ITAs em operação.

Casa Olé desenvolvida pelo Nutec serviu de protótipo para a produção em escala industrial.

Para conseguir a aprovação, o Nutec tem intensificado as parcerias para controle tecnológico de materiais e ensaios de avaliação de desempenho de novos sistemas construtivos. Para isso, o núcleo tecnológico conta com laboratórios para testes físicos e químicos e agregou a colaboração do departamento de engenharia civil da Universidade Federal do Ceará. "São três doutores da universidade que passaram a ajudar nas pesquisas", ressalta Roney Sérgio Marinho de Moura, que junto com José Ramalho é um dos engenheiros civis que coordena o setor do Nutec dedicado à construção civil.

Fundado em 1978, o Nutec tem uma relação intrínseca com pesquisas de materiais e sistemas construtivos. No entanto, foi a partir de 1985 que os projetos se intensificaram. Primeiro, com estudos voltados ao aproveitamento de matérias-primas na fabricação de tijolos ecológicos e de baixo custo, que pudessem ser aproveitados em mutirões pelas comunidades carentes do Ceará. Depois, desenvolvendo processos construtivos para habitações populares até culminar no projeto Casas Olé, que atualmente já são produzidas industrialmente no Ceará.

Casas Olé no interior do Ceará: construídas com painéis pré-moldados, elas ficam prontas em dois dias.

As casas desenvolvidas no Nutec são construídas com painéis pré-moldados de alvenaria, tijolo cerâmico e argamassa vibrada. O sistema possibilita a construção de habitações através de paredes pré-moldadas. Em média, cada casa é construída em dois dias, incluindo esquadrias, telhado, pintura e sistemas hidrossanitário, telefônico e elétrico. "Atuamos na melhoria desse processo construtivo, agilizando a execução de habitações para populações mais carentes", conclui Roney Sérgio.

Entrevistado
Roney Sergio Marinho de Moura, engenheiro civil da Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec)
Currículo
- Roney Sergio Marinho de Moura é graduado em engenharia civil pela Universidade de Fortaleza (1979). Atualmente é engenheiro civil da Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará. Tem experiência na área de engenharia civil
Contato: http://www.nutec.ce.gov.brroneyribeiro@gmail.com
Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Mobilidade urbana, o legado da Copa, está comprometido

Seriam 83 obras vinculadas ao evento, com o objetivo de melhorar tráfego urbano, transporte público e qualidade de vida dos cidadãos. Porém, só 25 saíram do papel

Por: Altair Santos

No começo seriam 101. Daí, baixaram para 83. No final de 2012, com a revisão da Matriz de Responsabilidades para a Copa do Mundo, seis delas foram excluídas do cronograma. Em tese, o número oficial caiu para 77. Mas o fato é que, independentemente da quantidade, as obras de mobilidade urbana para o evento da Fifa que acontecerá em 2014 no Brasil representam hoje a maior ameaça para que o país possa sair do mundial com uma boa avaliação internacional. Pior: pelo atraso que vêm apresentando, é possível que a maioria não consiga ser concluída até junho do próximo ano. Significa que o principal legado que a Copa deixaria para os brasileiros está comprometido.

Deputado Romário: gestores foram incapazes de planejar além dos mandatos que terminaram em 2012.

Na opinião de um dos principais críticos de como o Brasil vem se organizando para a Copa do Mundo, o diagnóstico é simples. Para o deputado federal Romário Faria - ex-jogador de futebol e tetracampeão mundial com a Seleção Brasileira -, os gestores públicos fizeram uso político do evento, em vez de planejá-lo. "O erro está na incapacidade de alguns gestores de planejar, pensar no futuro para além de sua gestão", resume, quando perguntado onde o país errou ao não priorizar o legado da Copa. Sem rodeios, Romário vai além. Avalia que a falta de obras estratégicas para o bom funcionamento do evento fará o Brasil ter problemas em junho de 2014. "Não há dúvida de que vamos passar vergonha", diz.

Segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgado no final de 2012, das 77 obras de mobilidade urbana que ainda estão programadas, somente 10 mantiveram-se fiéis ao projeto original e apenas 25 saíram do papel. "O atraso e as alterações nos projetos destas obras encareceram em R$ 3,5 bilhões o custo do mundial, segundo o mais recente levantamento do Tribunal de Contas da União. Este número ainda não está fechado e pode encarecer ainda mais até a Copa", revela Romário. As obras a que se refere o deputado são corredores de ônibus, metrôs, linhas de trem, terminais rodoviários, ferroviários e aéreos, além de adequações em vias públicas.

Entre os projetos que já estão certos que não serão viabilizados estão os seguintes: VLT do Distrito Federal, ligando o aeroporto à Asa Sul; duplicação da DF-047, também em Brasília; corredor metropolitano de Curitiba, ligando o aeroporto Afonso Pena à rodoferroviária da capital paranaense; extensão do metrô de Fortaleza; monotrilho de Manaus; BRT de Manaus; reurbanização da avenida Engenheiro Roberto Freire, em Natal; monotrilho entre o aeroporto de Congonhas e o bairro do Morumbi, em São Paulo, e a ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. "Muitos políticos fizeram carnaval em cima da escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo. Eles demoraram para botar os pés no chão, pensar no país e iniciar as ações", critica Romário.

Para a construção civil, atrasos e interrupções de projetos também causam prejuízos. No final de 2012, relatório da Rio Bravo Investimentos, que analisou dados do PAC da Copa apenas em São Paulo e Rio de Janeiro, estimou que construtoras contratadas para atuar nas obras de infraestrutura nestas cidades amargariam uma perda de R$ 800 milhões só com o adicional de turno extra a ser pago aos operários. Porém, apesar do aumento de custo das empresas, o impacto causado pelo corte de obras levou o governo federal a rever o número de empregos diretos que seriam gerados pelo legado da Copa. Estimavam-se 710 mil, mas atualmente não chegam a 330 mil.

Entrevistado
Deputado Federal Romário Faria
Currículo
- Romário de Souza Faria é ex-jogador de futebol e, como parlamentar, cumpre seu primeiro mandato, eleito pelo PSB do Rio de Janeiro.
Contato: dep.romario@camara.gov.br
Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Processo de Fabricação

A Itambé possui uma capacidade instalada de produção de 2,8 milhões de toneladas de cimento/ano, através das suas 3 linhas. Convidamos você a fazer uma visita pelas nossas instalações e conhecer cada etapa do processo de fabricação do cimento.