Adesão às engenharias cresce, mas evasão segue alta

Cursos ofertados pelas universidades recebem quatro vezes mais estudantes. Porém, de cada 100, só 44 se formam

Por: Altair Santos

Dados do ministério da Educação, a partir do censo de 2010, demonstram que os cursos de engenharia concentram o segundo maior volume de estudantes nas universidades brasileiras - perdem apenas para os de administração. De acordo com o levantamento, dos que optam pelas engenharias, 24% cursam civil, 18,6% produção, 11,5% mecânica e 11,3% elétrica. No total, 227,8 mil estão matriculados atualmente nas graduações de engenharia.

Roberto Leal Lobo e Silva Filho, ex-reitor da USP e presidente do Instituto Lobo: engenharia civil é o símbolo das engenharias.

Apesar do aumento da demanda, o MEC ainda se preocupa com a alta evasão dos cursos, principalmente nos primeiros dois anos. As aulas excessivamente teóricas e a exigência de conhecimento aprofundado de matemática e física são apontados como os responsáveis pela fuga, que em alguns cursos ultrapassa os 60%. Para Roberto Leal Lobo e Silva Filho, ex-reitor da USP (Universidade de São Paulo) e presidente do Instituto Lobo, esse é um gargalo que as escolas de engenharia precisam solucionar. "O engenheiro moderno deve ser orientado a saber o que precisa ser feito, mais do que como fazer", afirma, abordando este e outros temas na entrevista a seguir. Confira:

Recentemente, o jornal Folha de S. Paulo publicou reportagem mostrando que os cursos de engenharia são o segundo mais procurados, perdendo apenas para os de administração. Quais os pontos positivos dessa alta demanda?
O número de ingressantes nos cursos de engenharia tem crescido vertiginosamente nos últimos anos, cerca de quatro vezes mais que a taxa de crescimento dos ingressantes em geral. No último ano documentado, 2011, os ingressantes aumentaram 27% em relação aos do ano anterior. A maior parte deste crescimento se verificou no setor privado (34%). Até 2005, a demanda esteve quase estagnada, iniciando em 2006 um período de grande recuperação. Para o Brasil, que tinha uma baixa proporção de engenheiros formados em relação ao total de formados (5%) diferentemente dos países da OECD - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (13%) e da Coreia (23%) esse crescimento é benéfico, porque vai formar mais profissionais necessários para atuar em projetos de crescimento industrial e da infraestrutura. Acredito que esse crescimento foi uma resposta a duas sinalizações: a recuperação do crescimento do PIB até 2008 e a sinalização de investimentos estatais e privados pelo PAC e a realização de grandes eventos internacionais no Brasil, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Por outro lado, nem todos que entram nos cursos de engenharia concluem a graduação. A evasão ainda é alta. Como reverter isso?

A evasão é um dos componentes que ameaça o crescimento sustentável da engenharia no país. Crescimento, esse, que está ameaçado pelos seguintes fatores:

1) Desaceleração da economia (crescimento pequeno do PIB).
2) Altas taxas de evasão dos ingressantes (na engenharia, para cada 100 ingressantes se formam aproximadamente 44). Como a evasão se dá principalmente no setor privado, o crescimento do número de ingressantes neste setor provavelmente representará um aumento da evasão global.
3) O número de estudantes que conclui o ensino médio é quase igual ao de novos ingressantes no ensino superior. Isso quer dizer que o crescimento dos ingressantes nas engenharias está se dando à custa da redução de ingressantes em outras áreas.

Para combater a evasão, há várias medidas possíveis que dependem de diferentes agentes. Para as instituições de ensino superior é possível procurar selecionar melhor os estudantes, criar programas de recuperação de conteúdos - principalmente para os alunos dos primeiros anos -, criar programa de orientação vocacional, trazer algumas práticas profissionais já para o início do curso para não deixar o aluno se desmotivar com a carreira. Para o governo, a criação de bolsas de estudo e ampliação dos programas de financiamento ao estudante, como o FIES e o PROUNI, também seria válido. Já para as entidades profissionais, como Confea e Creas, cabe flexibilizar as atribuições profissionais, incentivando a aglutinação de especialidades para formar o engenheiro com uma visão mais geral e com formação pessoal mais ampla. Isso inclui competências não específicas da engenharia, como planejamento, liderança, trabalho em equipe e línguas.

Quando esses estudantes concluírem os cursos e chegarem ao mercado de trabalho, haverá emprego para todos, haja vista que o país não vem crescendo nas taxas que deveria?

Confio na empregabilidade do grande número de engenheiros que eventualmente venha a se formar nos próximos anos. Por dois motivos:

1) Há uma forte carência de engenheiros atualmente no Brasil (estima-se em cerca de 150 mil) e estudos sugerem que se o Brasil mantiver uma taxa de crescimento entre 3 e 5% serão necessários mais de 60 mil formados por ano para suprir as novas demandas. Em 2011, formaram-se 44 mil engenheiros.
2) A formação dos engenheiros em matemática, modelagem e métodos científicos de abordagem de problemas, prepara-os para várias funções no mercado que não de engenharia propriamente dita. Se houver, eventualmente, uma redução na demanda específica de engenheiros muitas outras ocupações poderão estar disponíveis: funções de gerenciamento, bancos, mercado financeiro, etc. Atualmente, somente 1/3 dos engenheiros formados atua na área. Este número não é diferente nos Estados Unidos.

Poderia haver um volume ainda maior de engenheiros no país se o ensino de matemática e física nos ensinos fundamental e médio fosse desmistificado?

Certamente, um dos problemas da educação brasileira que prejudica muito a formação de profissionais nas áreas de ciências exatas é a má formação em matemática e ciências no nosso ensino básico. As colocações brasileiras nos exames internacionais do ensino básico, realizados pela OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), através do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), estão entre as 10 piores entre os países participantes.

Das engenharias, a engenharia civil é a que tem a maior demanda. O status do curso tem influência nisso ou é por que a construção civil realmente sinaliza que tem espaço para absorver novos profissionais?

A engenharia civil é o símbolo das engenharias e um termômetro de seu prestigio e da sua demanda. As previsões feitas pelo Ipea ( Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) colocam a construção civil como uma das três maiores demandas na área das engenharias.

Surpreende o volume de estudantes que cursam engenharia da produção, superando mecânica e elétrica. Quais as virtudes desse curso para atrair um bom número de alunos?

Verifica-se também uma demanda alta pela engenharia de produção, que é uma área mais multidisciplinar e atende aos estudantes que procuram uma engenharia menos dura e especializada, com maior ênfase em processos e em gestão. Ela acaba absorvendo estudantes que se dividiriam entre outras áreas da engenharia.

Faltam nas universidades uma gama maior de cursos de engenharia?

A excessiva especialização dos cursos de engenharia é outro problema que o setor enfrenta. Havia no Confea 258 especialidades de engenharia, o que indica uma pulverização perigosa. Mesmo porque, a alta especialização no nível de graduação em uma época de acelerado progresso tecnológico tende a fazer com que o estudante se forme em áreas que já se tornaram obsoletas, ao invés de prepará-los para uma rápida adaptação aos novos conceitos e tecnologias por meio de uma formação mais abrangente e menos focada. É o técnico e o tecnólogo que, pela própria formação vocacional, deveriam ter uma visão mais focada em áreas mais restritas e uma formação que os colocasse imediatamente no mercado de trabalho. Não é papel da graduação universitária a de preparar profissionais para se inserirem imediatamente em uma empresa específica. O que se espera deste profissional é uma visão mais ampla. O engenheiro moderno deve saber o que precisa ser feito, mais do que como fazer, segundo os estudos internacionais apontam.

Num comparativo, as universidades públicas ainda têm os melhores cursos de engenharia ou as instituições privadas já equilibraram essa disputa?

De modo geral, as instituições públicas têm apresentado um melhor resultado nas avaliações de seus estudantes do que as instituições privadas. Isso se dá pela maior seleção dos estudantes. As relações candidatos/vagas são muito maiores nas instituições de ensino superior público, por que têm maior prestígio, mais professores titulados e em dedicação exclusiva e, ainda mais, são gratuitas. A qualidade dos estudantes tem influência direta na qualidade dos formandos. Além disso, a maioria dos cursos de engenharia do setor público são diurnos ou em horário integral, absorvendo alunos recém-saídos do ensino médio, o que não ocorre no setor privado, com cursos noturnos, estudantes que trabalham e estudam e trazem menor bagagem cultural.

Como está o nível dos professores que lecionam engenharia nos cursos espalhados pelo país?

O maior problema do corpo docente que atua nos cursos de engenharia no Brasil é a dificuldade de encontrar professores com formação acadêmica avançada - doutorados, de preferência -, que aliem esta formação a uma experiência relevante no mercado de trabalho, como existe nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. No Brasil, o docente tem boa formação acadêmica, mas pouca experiência profissional ou muita experiência profissional e pouca formação pós-graduada. Isto se deve ao fato de que há uma geração atrás havia pouca pós-graduação instalada no Brasil e a pós-graduação se concentrava nas áreas das ciências básicas. Outro problema é o fato de que as empresas brasileiras não dão o valor devido à formação pós-graduada. Em parte, pela quantidade muito limitada de programas de inovação competitivos internacionalmente, o que faz com que estes profissionais se abriguem nas universidades e não tenham experiência profissional no setor produtivo (para cada 50 doutores trabalhando em nossas universidades há somente 1 nas empresas).

Entrevistado
- Roberto Leal Lobo e Silva Filho, engenheiro e doutor em física, ex-reitor da USP, presidente do Instituto Lobo e diretor do ISITEC (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia)
Currículo
- Roberto Leal Lobo e Silva Filho é graduado em engenharia elétrica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1961), com mestrado em Física pela Purdue University (1967) e doutorado em Física pela Purdue University (1967)
- Atualmente é membro do conselho deliberativo do núcleo de pesquisas sobre ensino superior (USP), sócio-diretor do Lobo & Associados Consultoria e Participação S/C Ltda., professor-visitante do Instituto de Estudos Avançados (USP) e presidente do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia
Contato: www.loboeassociados.com.brrllobo@loboeassociados.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Maquete decide venda de imóvel na planta

Miniaturas das edificações desempenham contundente estratégia de marketing sensorial e têm forte influência no momento da compra

Por: Altair Santos

O novo mercado imobiliário, onde boa parte dos negócios é fechada com os imóveis ainda na planta, ganhou um componente decisivo nas vendas: as maquetes. As miniaturas das edificações passaram a desempenhar contundente estratégia de marketing sensorial, pois o detalhamento de suas construções consegue transmitir a informação exata dos empreendimentos. Esse realismo transfere credibilidade e segurança ao comprador, segundo explica Fábio Fogassa, diretor-geral da Adhemir Fogassa Maquetes. "Ela mostra a realidade antes de existir e ajuda o investidor a se imaginar dentro do local depois de pronto. Enfim, mostra o sonho fisicamente e não apenas por imagens", diz.

Vila olímpica do Rio de Janeiro: maquete influenciou na decisão do COI em escolher a cidade para sediar Olimpíadas de 2016.

Construídas com tecnologia, as maquetes contam com máquinas de corte a laser, integradas a resinas, cores e materiais de acabamento, que permitem que elas cheguem o mais próximo possível da realidade. São elementos que possibilitam, em escala reduzida, reproduzir acessórios com aparência de vidro, mármore, pedra, cimento, azulejo ou madeira, o que ajuda a simular qualquer tipo de ambiente em áreas internas e externas. "Com a tecnologia disponível hoje, uma maquete consegue ser 100% fiel à edificação que será construída", afirma Fogassa, lembrando ainda que a qualificação da mão de obra também tem sido decisiva nesta evolução.

Um maquetista - nome do profissional que fabrica maquetes - leva cerca de cinco anos para aprender todas as técnicas. Atualmente há estudantes de arquitetura e designer investindo nesta qualificação, mas a maioria que atua no país não passou por cursos ou universidades. "São práticos com vocação artística, que aprenderam a profissão fazendo", revela Fábio Fogassa, atribuindo à computação um peso relevante na construção das maquetes produzidas atualmente. "Antes da participação das novas ferramentas, a empresa produzia 25 maquetes em um mês, contando com o trabalho de 140 funcionários. Hoje, com os equipamentos avançados, são 170 maquetistas em ação, produzindo três vezes mais para atender a demanda do mercado, que não para de crescer", observa.

Maquetes são cada vez mais detalhadas e passam credibilidade ao comprador.

O custo médio de uma maquete depende da demanda de trabalho. Há casos em que pode custar tanto quanto um apartamento, chegando a R$ 3 milhões. Na média, elas têm o valor de R$ 10 mil a R$ 30 mil, dependendo da região do país em que são fabricadas. "Uma maquete custa para o nosso cliente uma porcentagem insignificante do valor dos imóveis que ela vai ajudar a vender", ressalta Fogassa. Um exemplo clássico é a maquete da vila olímpica do Rio de Janeiro, feita para a candidatura da cidade às Olimpíadas de 2016. A miniatura, que custou R$ 230 mil, foi decisiva para que o COI (Comitê Olímpico Internacional) definisse a sede.

Esta e outras maquetes produzidas pela Adhemir Fogassa Maquetes são mantidas como obras de arte pelos clientes. Na maioria das vezes, porém, os materiais são reciclados, permitindo abatimento no custo e produção mais rápida de outras miniaturas. Há fabricantes de maquete que também estão investindo em materiais reciclados, como garrafas pet e embalagens tetra pak, para fabricar seus produtos.

Fábio Fogassa: maquete consegue ser 100% fiel à edificação que será construída.

Entrevistado
Fábio Fogassa, diretor-geral da Fogassa Maquetes
Currículo
Fábio Fogassa herdou a técnica de construção de maquetes do pai, Adhemir Fogassa. Atua no setor desde os oito anos de idade e recentemente sucedeu o pai na administração da empresa
Contato: maquetes.com.br/contato
Créditos fotos: Divulgação/Adhemir Fogassa Maquetes

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Lei das domésticas leva mulher à construção civil

PEC recentemente aprovada estimula trabalhadoras a buscarem cursos de qualificação para atuar em canteiros de obras

Por: Altair Santos

Promulgada em 3 de abril de 2013, a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que ficou conhecida como "Lei das Domésticas" passou a estimular ainda mais o fluxo de mulheres em direção à construção civil. A mudança na relação entre quem contrata e quem atua no trabalho doméstico deixou direitos em suspenso, causando o deslocamento de trabalhadoras desta categoria profissional para o canteiro de obras. Para isso, elas precisam de qualificação, o que ampliou também a demanda por cursos. Só no Projeto Mão na Massa, um dos mais conhecidos do país em formação de mão de obra feminina para a construção civil, as turmas de 60 vagas têm sido procuradas por até 280 mulheres. "A cada nova turma que abrimos, a procura é intensa", revela a engenheira civil Deise Gravina.

Projeto Mão na Massa: cursos com 60 vagas têm procura de até 280 mulheres.

Antes mesmo de a "Lei das Domésticas" passar a vigorar, o interesse das mulheres por qualificação na construção civil já era intenso. Entre os motivos, estão as garantias trabalhistas e os salários atrativos. "O aumento de salário é um deles, assim como o registro em carteira e o reconhecimento de uma profissão. Acompanhamos casos de evidente elevação de autoestima, principalmente entre as ex-domésticas, já que o trabalho doméstico, ainda que equivocadamente, é visto como um trabalho de menor valor", explica Deise Gravina, afirmando que atualmente a qualificação mais procurada no Projeto Mão na Massa, cuja sede fica no Rio de Janeiro, é o de carpinteira de fôrmas. Os cursos da ONG também formam pedreiras, pintoras e eletricistas.

Pioneiro no Brasil em qualificar mulheres para a construção civil, o Projeto Mão na Massa começou em 2008. Hoje, a mão de obra feminina em canteiro de obras já é uma realidade em todo o país. "Percebemos que nestes cinco anos conseguimos quebrar o paradigma de que obra não é lugar para mulheres. E isso não tem mais volta. Elas entraram no canteiro e, bem qualificadas, irão permanecer", analisa Deise Gravina, citando que alguns empregadores já preferem a mão de obra feminina à masculina. "Na carpintaria, na gestão de segurança de obras, assim como na fase de acabamento, as mulheres já são mais competitivas do que os homens", completa a engenheira civil.

O número de mulheres que atua na construção civil aumentou 65% em cinco anos, segundo dados do ministério do Trabalho e Emprego. Estima-se que atualmente elas ocupem cerca de 400 mil vagas formais. Isso equivale a 11,59% do total de mão de obra empregada no setor. Segundo dados publicados em abril de 2013 pela pesquisa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), há 3,450 milhões de trabalhadores atuando na construção civil.

Entrevistada
Deise Gravina, coordenadora do Projeto Mão na Massa
Currículo
Deise Gravina, 56 anos, é graduada em engenheira civil e idealizadora do projeto Mão na Massa
Contato: contato@projetomaonamassa.org.brcoordenacao@projetomaonamassa.org.br
Créditos foto: Ana Branco/Mão na Massa

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Alvenaria estrutural: saiba como evitar patologias

Mão de obra qualificada, blocos em conformidade com as normas e projeto bem especificado são fundamentais para o sucesso deste tipo de obra

Por: Altair Santos

Na história da construção civil brasileira há relatos de que na década de 1960 surgiram os primeiros prédios em alvenaria estrutural. A tecnologia intensificou-se nos anos 1970, recrudesceu, mas a partir de 2009, quando foi lançado o Minha Casa, Minha Vida, praticamente transformou-se no sistema construtivo oficial do programa. Hoje, a alvenaria estrutural que utiliza blocos de concreto é a que predomina nas obras do MCMV. A intensidade de uso do sistema levou a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) a se debruçar, entre 2010 e 2011, na revisão das normas de blocos cerâmicos e blocos de concreto, assim como dos métodos de construção. As medidas focaram no combate às patologias.

Construção em alvenaria estrutural: fase de planejamento é que garante a operacionalidade do sistema.

Segundo as diretoras do CDTEC (Centro de Desenvolvimento Tecnológico S/A) Tayana Bianco Garcez Castellano Cunico e Lidia Krefer, as patologias que mais afetam a alvenaria estrutural são as fissuras, decorrentes dos seguintes problemas: variação de temperatura, principalmente nos pavimentos mais altos; cargas atuantes que excedam a capacidade resistente da estrutura solicitada; recalques nas fundações e o assentamento inadequado das aberturas, como portas e janelas. "Para que uma obra não venha a sofrer com patologias é sempre importante respeitar o sistema construtivo, ou seja, cada etapa deve ser realizada atendendo as particularidades de cada item", ressalta Lidia Krefer.

A afirmação da tecnóloga é corroborada pelo gerente de desenvolvimento de produtos da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) Cláudio Oliveira Silva. "No último pavimento é preciso um cuidado especial com a movimentação da laje, caso contrário surgirão fissuras entre a laje e o respaldo da parede", frisa. Ele alerta ainda que a alvenaria estrutural é o sistema construtivo que mais requer cumprimento das normas. "Os projetistas têm um guia normativo para ser cumprido. A partir do momento que o projeto segue as normas, o risco de patologias é muito pequeno", diz.

As especialistas destacam ainda que na concepção dos projetos arquitetônicos em alvenaria estrutural deve-se estar atento a critérios como modulações, tipos de blocos, argamassa e graute. "A mão de obra também deve ser treinada para entender as particularidades do sistema construtivo, bem como ter ferramentas adequadas. A fiscalização eficiente das etapas executadas é outro fator decisivo no sucesso desta tecnologia", diz Tayana Bianco, sem esquecer que a manutenção também é componente relevante para a alvenaria estrutural. "A conservação preventiva está prevista em norma, assim como são vetadas alterações arquitetônicas sem autorização do projetista da obra", complementa.

Blocos de concreto

Tayana Bianco: mão de obra deve estar bem treinada.

É preciso observar ainda a conformidade dos blocos de concreto. A não obediência das características físicas em relação à análise dimensional, como largura, altura e comprimento, pode acarretar falhas na modulação, tanto horizontal quanto vertical, assim como na precisão geométrica do conjunto - fundamental para a segurança das paredes que serão elevadas. Já quanto à absorção dos blocos, se a porcentagem recomendada for superior ao especificado as paredes ficam porosas e podem rapidamente absorver umidade e causar infiltrações, manchas e bolor no revestimento interno. "Se essas especificações forem insatisfatórias, tendem a prejudicar a integridade e a segurança de toda a estrutura", destaca Tayana Bianco.

Neste item, mais uma vez Cláudio Oliveira Silva confirma o que diz a engenheira. "Como estamos falando de um sistema que vai receber o carregamento da estrutura, construir com um bloco que não atenda a resistência mecânica especificada no projeto traz um risco muito grande para essa estrutura. Então, eu diria que usar blocos em conformidade, aliada a uma mão de obra bem treinada, assim como o cumprimento das normas, permite que uma edificação em alvenaria estrutural gere uma economia de até 30% em relação à alvenaria convencional, em se tratando de um edifício de até quatro pavimentos", compara.

Lidia Krefer: alvenaria estrutural requer cumprimento das normas.

Outro elemento importante para o sucesso da alvenaria estrutural é a argamassa de assentamento. Ela possui as funções básicas de solidarizar os blocos de concreto, transmitir e uniformizar as tensões entre as unidades de alvenaria, absorver as deformações naturais a que a alvenaria estiver sujeita e selar as juntas contra a penetração da água da chuva. "Por isso, devem ser aplicadas as espessuras de juntas horizontais e verticais dentro dos limites das superfícies estabelecidas e tolerâncias de norma, pois é através deste material que podem ser detectados os primeiros sinais de falhas de todo o conjunto da estrutura", lembra Lidia Krefer, citando as normas que regulamentam a alvenaria estrutural:

- ABNT NBR 15961- Alvenaria Estrutural – Blocos de concreto - Parte 1: Projeto.
- ABNT NBR 15961- Alvenaria Estrutural – Blocos de concreto - Parte 2: Execução e controle de obras.
- ABNT NBR 6136 – Blocos vazados de concreto simples para alvenaria - Requisitos.
- ABNT NBR 12118 – Blocos vazados de concreto simples para alvenaria – Métodos de ensaio.
- ABNT NBR 15812 - Alvenaria Estrutural – Blocos Cerâmicos - Parte 1: Projeto.
- ABNT NBR 15812 - Alvenaria Estrutural – Blocos Cerâmicos - Parte 2: Execução e Controle de obras.
- ABNT NBR 5738 e 5739 - Moldagem e ensaio de resistência à compressão do graute.

Entrevistados
Tayana Bianco Garcez Castellano Cunico e Lidia Krefer, diretoras do CDTEC (Centro de Desenvolvimento Tecnológico S/A), e Cláudio Oliveira Silva, gerente de desenvolvimento de produtos da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
Currículos
- Tayana Bianco Garcez Castellano Cunico é graduada em engenharia civil pela UTP (Universidade Tuiuti do Paraná) com pós-graduação em gestão da qualidade pela FAE (Faculdade de Administração e Economia)
- Atua como Diretora Técnica do CDTEC desde 2002
- Lidia Krefer é graduada em tecnologia da construção civil pela UTFPR, e especialista em concreto pelo IDD
- Atua como gerente técnica do CDTEC desde 2006
- Localizado em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, o CDTEC atua no controle tecnológico do concreto e da alvenaria estrutural, prestando assessoria quanto aos ensaios necessários dentro das recomendações das normas que englobam todo sistema, bem como os especificados no projeto estrutural
- Cláudio Oliveira Silva é graduado em engenharia civil pela Universidade de Guarulhos (1993) com mestrado em materiais de construção e administração industrial pela USP (Universidade de São Paulo), além de marketing pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing)
Contatos: www.cdtecsa.com.brcdtecsa@cdtecsa.com.brclaudio.silva@abcp.org.br
Créditos fotos: Chico Rivers / ABCP / Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Em vigência plena, NR 35 amplia segurança

Por: Altair Santos

Desde 27 de março de 2013, as empresas ligadas à construção civil estão obrigadas a treinar os trabalhadores que tiverem de cumprir tarefas nas alturas (acima de dois metros) assim como as equipes de emergência e salvamento. Com essa exigência, a NR 35 passa a vigorar plenamente. Publicada em março de 2012, a norma regulamentadora foi instituída através da portaria 313 do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e deu prazo de 12 meses para que o setor se adaptasse integralmente. Parte da NR 35 já vigora desde setembro do ano passado e agora passou a ser exigido o termo final, que é o capítulo 3 do item 6.4, e que trata da qualificação e da capacitação.

Haruo Ishikawa: NR 35 não tende a onerar o custo das obras.

Segundo o vice-presidente de relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP, Haruo Ishikawa, a medida não atinge apenas as construtoras, mas toda a cadeia produtiva. "A construção civil já tem uma norma de trabalho em andaimes, que é a NR 18.15. Com a NR 35, aprimora-se a anterior, pois ela passa a exigir planejamento na execução e capacitação da mão de obra, garantindo mais segurança na atividade trabalho em altura e abrangendo toda a cadeia produtiva", explica, complementando que a nova norma regulamentadora instrui que o trabalhador que vá atuar em alturas superiores a dois metros receba, no mínimo, um treinamento de oito horas.

No entender de Haruo Ishikawa, nas capitais brasileiras, boa parte das construtoras já aderiu à NR 35 antes mesmo de ela passar a vigorar integralmente. Em São Paulo, e nos estados da região sul, o SindusCon tem sido atuante, dando cursos de qualificação, principalmente para as empresas com número inferior a 50 funcionários. A expectativa, no entanto, é que a adesão no interior do país, e em regiões como centro-oeste, norte e nordeste, seja gradual. "É natural isso, pois será preciso ter equipes suficientes para dar o curso de capacitação", afirma. A obrigação de fiscalizar o cumprimento da NR 35 será do Ministério do Trabalho e Emprego, através de seus auditores, que estão espalhados em todo o território nacional.

A expectativa é que a NR 35 não influencie no custo da obra, até porque o número de trabalhadores a serem capacitados refere-se apenas àqueles que vão trabalhar em altura. Outro detalhe lembrado pelo vice-presidente de relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP é que a NR 18.15 já preparou boa parte das construtoras para a nova norma regulamentadora. "Como houve investimento forte para a NR 18.15, vários requisitos já foram atendidos. O que a NR 35 faz é melhorar alguns itens que não estavam claros. Por isso, ela não tende a onerar custos", avalia, concluindo que o importante é que o Brasil dá mais um passo para atingir padrões internacionais de segurança em canteiro de obras.

Entrevistado
Haruo Ishikawa, vice-presidente de relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP
Currículo
- Haruo Ishikawa é graduado em engenharia civil e ocupa o cargo de vice-presidente de relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP
- É também conselheiro do Instituto Falcão Bauer de Qualidade e da Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes (ABPA)
- Integra o efetivo da Comissão Permanente de Relação trabalhista da CBIC e é membro do Comitê Permanente Nacional da NR 18 (CPN NR18), onde foi coordenador entre 2010 e 2012
- Também é membro efetivo do Comitê Permanente Regional da NR 18 de São Paulo e sócio-presidente da construtora H. Ishikawa Engenharia e Construções Ltda.
Contato: haruo@ishikawaengenharia.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Universidades corporativas priorizam engenheiros

Grandes Companhias nacionais, como Embraer, Petrobras e Vale, investem em formação complementar para acelerar processos produtivos

Por: Altair Santos

Embraer, Petrobras e Vale são algumas das grandes Companhias nacionais que decidiram resolver o problema da formação inconsistente de engenheiros, investindo em universidades corporativas. O objetivo é fazer com que os profissionais contratados, e que vêm de formações heterogêneas, entendam o espírito da engenharia que é praticada nas empresas. Segundo o headhunter Leandro Muniz, da consultoria Michael Page, o que as corporações têm feito é salutar tanto para elas quanto para os profissionais. "Com as universidades corporativas, elas conseguem uma formação bastante específica no seu nicho de mercado, sanando suas necessidades específicas. Trata-se de um modelo interessante, pois os profissionais ficam prontos mais rapidamente", avalia.

Objetivo das universidades corporativas é dar homogeneidade à formação dos engenheiros.

Ainda segundo o especialista, o ideal no Brasil é que fosse perseguido um sistema similar ao que se pratica no Canadá. "Lá os cursos de engenheira, independentemente da especialização, são divididos em trimestres. A partir do quarto trimestre, o aluno, obrigatoriamente, passa a intercalar um período de estágio e um período de disciplinas na universidade. A própria universidade mantém convênios com grandes empresas e oferece as vagas de estágio. São todas remuneradas, justamente para que os alunos (mesmo aqueles que possuem renda baixa) tenham a possibilidade de cumprir os estágios. Com isso, o aluno sai da faculdade com uma visão ampla do mercado e um bom direcionamento do que quer fazer no futuro", explica.

Por enquanto, no Brasil, o exemplo melhor acabado deste tipo de parceria universidade-empresa é o que existe entre ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e Embraer, onde a universidade forma engenheiros para a empresa. Na USP (Universidade de São Paulo) recentemente passou-se também a valorizar este modelo. "Temos feito muito investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) inovação e empreendedorismo, justamente para atender a demanda das empresas que nos procuram", diz José Roberto Castilho Piqueira, vice-diretor da Escola Politécnica da USP.

Especificamente sobre a engenharia civil, tem-se investido na formação humanista dos profissionais. "O relacionamento com vários stakeholders está ficando cada vez mais complexo na construção civil. Então, o engenheiro precisa interpretar demandas que vão desde os sentimentos dos clientes até questões de sustentabilidade ambiental", completa Leandro Muniz.

Leandro Muniz: universidade corporativa não forma engenheiro, apenas lapida.

Piqueira lembra, no entanto, que as escolas de engenharia não podem também perder o foco, que são as ciências exatas, somente em função das novas demandas do mercado. "A base do direito é a linguagem; da medicina, a biologia, e da engenharia, é a matemática. Ninguém concebe um advogado que se expressa mal no idioma pátrio e isso equivale ao engenheiro que não sabe matemática e física. Então, as universidades corporativas são importantes para isso. São elas que vão fazer a abordagem transdisciplinar, complementando a formação do engenheiro", afirma. "É importante saber que não é a universidade corporativa que vai formar o engenheiro. Essa realização ele vai obter na universidade. A universidade corporativa apenas irá lapidá-lo para as necessidades da empresa", complementa o headhunter Leandro Muniz.

Entre as universidades corporativas do país, a da Embraer já formou 1.200 engenheiros de 2001 até 2012. O curso conta hoje com uma demanda de 50 candidatos por vaga e é feito em parceria com o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica). São três fases: 1) Fundamental, de cinco meses; 2) Especialização, de quatro meses, e 3) Projeto. A mesma metodologia é aplicada na Universidade Petrobras. Na estatal de petróleo há cursos com duração de 3 a 13 meses e, além das engenharias, engloba outras 16 profissões de nível superior. Em qualquer uma das empresas, a universidade corporativa é acessível apenas para os funcionários.

José Roberto Castilho Piqueira: universidade corporativa faz a abordagem transdisciplinar.

Outros modelos

Além das universidades corporativas, outros modelos de relação empresas-escola prevalecem no país. Um deles é o convênio, do qual a Cia. de Cimento Itambé é adepta. Por meio de acordos com universidades, a empresa participa ativamente do aprimoramento da construção civil. A meta é apoiar a formação de novos engenheiros. Desde 2007, a Companhia possui um convênio com o Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR). São realizadas palestras, aulas de laboratório, visitas à fábrica, à mineração e às centrais de concreto. Em 2010, a Itambé fechou um convênio nos mesmos moldes com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Em 2012, as atividades promovidas pela parceria beneficiaram 198 alunos das duas instituições. A empresa também apoia programas de Mestrado e Iniciação Científica.

Entrevistados
Leandro Muniz, headhunter e integrante da equipe de consultoria da Michael Page
José Roberto Castilho Piqueira, vice-diretor da Escola Politécnica da USP
Currículos
- Leandro Muniz é graduado em engenharia civil, com MBA em finanças pela Ibmec Business School
- Trabalhou como consultor financeiro e coordenador de projetos na Votorantim Industrial e Votorantim Cimentos por quase 10 anos
- Atua na Michael Page, como headhunter, desde 2010
- José Roberto Castilho Piqueira é graduado em engenharia elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP) em 1974
- Obteve os títulos de mestre em engenharia elétrica também pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP) em 1983. Em 1987, obteve o título de Doutor em Engenharia Elétrica pela Poli e, em 1995, o de livre docente em controle e automação, também pela Poli
- No setor industrial, trabalhou em vários projetos ligados à comunicação de
dados para várias empresas e órgãos governamentais, assessorando também
entidades de fomento à pesquisa. No âmbito da USP, Piqueira participa da
Comissão Permanente de Avaliação e já foi membro do Conselho Universitário
e da Comissão Especial de Regimes de Trabalho
- É presidente da Sociedade Brasileira de Automática e, atualmente, concilia as atividades da vice-diretoria da Poli USP com as de professor titular e coordenador do Laboratório de Sincronismo, iniciado por ele em 2002
- Participa ainda do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Complexos (CNPq)
Contatos: www.michaelpage.com.br / engineering@michaelpage.com.br
                   jose.piqueira@poli.usp.br / diretoria@poli.usp.br
                   jlvi_leandromuniz@yahoo.com.br

Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Pequenas empresas dominam construção civil no país

Pesquisa mostra que quase 95%, das 195 mil construtoras em atividade, têm idade média de 13 anos e menos de 50 empregados

Por: Altair Santos

Ampla pesquisa encomendada pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) ao Instituto Sensus revela que o setor da construção civil, que atua diretamente no canteiro de obras, está dominado por empresas de pequeno porte, com até 49 empregados. Este segmento, que engloba construtoras, incorporadoras, demolidoras, preparadoras de terreno, instaladoras elétricas e hidráulicas, acabamento e outros serviços especializados, representa atualmente 184,8 mil (94,8%) das 195 mil que estão em atividade no país.

Luís Fernando Melo Mendes: formalização da mão de obra é peça-chave para o setor das pequenas construtoras.

Destas, quase a metade (49,4%) tem a receita operacional bruta anual de até R$ 5 milhões. Já 14%, faturam de R$ 5 milhões a R$ 10,5 milhões. Quase 5%, entre mais de R$ 10,5 milhões até R$ 15 milhões. Outras 4% indicam receita entre R$ 15 milhões e R$ 30 milhões. Cerca de 3,5% têm faturamento bruto entre mais de R$ 30 milhões e menos de R$ 60 milhões e 5,1% registram receita igual ou superior a R$ 60 milhões.

O maior contingente das pequenas empresas é representado por construtoras (cerca de 60%) que até o lançamento de programas como o Minha Casa, Minha Vida e o PAC atuavam como terceirizadas das grandes empreiteiras. No entanto, impulsionadas principalmente pelo crescimento do setor habitacional, elas passaram a ter mais autonomia para empreender e promover seus próprios negócios. Com isso, conquistaram uma participação maior no PIB da construção. Em 2009, era 0,7%. Hoje, esse setor representa 11,6%.

A pesquisa "A Construção na visão de quem produz" revela ainda que boa parte destas pequenas empresas que dominam o setor, e que têm em média 13 anos de existência, está preocupada agora em buscar novas tecnologias construtivas, novas técnicas de gestão e novas regras de negócio, além da formalização da mão de obra. "A sinalização clara do mercado é que, quem não se formalizar, tende a ficar fora das oportunidades e no limite do próprio mercado", destaca Luís Fernando Melo Mendes, assessor econômico da CBIC.

Aproximadamente 48% destas pequenas empresas atuam no segmento da construção de edifícios. Trata-se de um setor em que a idoneidade é peça-chave para se conseguir sobreviver e atrair novos negócios. "É uma demanda do consumidor, que passou a rechaçar a informalidade, e também dos governos, que contratam essas construtoras para atuar em programas habitacionais", diz Luís Fernando Melo Mendes, para quem o cenário é de estabilização no surgimento de novas construtoras no mercado. "O cenário atual aponta para o aperfeiçoamento das empresas, para que elas construam atendendo as exigências dos consumidores. Se novas construtoras surgirem, elas deverão se diferenciar pelo modelo de gestão e pela tecnologia", completa.

Outro dado relevante trazido pela pesquisa encomendada pela CBIC é que, das receitas das pequenas empresas, 72,2% advêm de obras industriais e obras residenciais, contratadas por clientes privados. As obras públicas, como edificações, saneamento e transporte, são minoritárias na composição da receita operacional: 22,6% tinham origem em obras municipais; 15,5%, em obras estaduais, e 9,7%, em obras federais. Já a incorporação imobiliária foi apontada como a segunda principal fonte de receita indicada pelas pequenas construtoras. O maior volume de recursos tem como origem a compra de imóveis pela classe média (29,3%).

Confira a pesquisa completa

Entrevistado
Luís Fernando Melo Mendes, assessor econômico da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
Currículo
- Luís Fernando Melo Mendes é graduado em economia e atua como assessor econômico da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção)
Contato: economista@cbic.org.br
Créditos foto: Divulgação/CBIC

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Das 50 maiores obras no mundo, 14 estão no Brasil

Juntas, elas movimentam alguns milhões de m³ de concreto, mas avançam lentamente por causa de entraves burocráticos

Por: Altair Santos

Entre projetos já em andamento e ainda não iniciados, o Brasil detém 14 das 50 maiores obras de infraestrutura do mundo. Elas ocupam posição de destaque no ranking, seja por qual ângulo que se queira analisar. Sob o ponto de vista de recursos, equivalem a R$ 250 bilhões. Olhando-se pelo volume de concreto, são empreendimentos que precisarão, no mínimo, de 26,3 milhões de m³ para serem concluídos.

Cinturão das Águas no Ceará: obra leva irrigação para produção de frutas no nordeste brasileiro.

A previsão era que todas as construções - boa parte delas vinculadas ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) - fossem concluídas até 2015. Mas hoje estima-se que muitas podem se estender até 2020. Um exemplo clássico é a usina de Belo Monte, no rio Xingu, dentro do território do estado do Pará. Iniciada em 2011, a obra já sofreu 11 interrupções, seja por liminares que paralisam seu andamento, seja por manifestações de movimentos sociais, indígenas e moradores locais ou por invasões dos canteiros de obras.
Belo Monte é também o maior empreendimento em construção no Brasil. Orçada em R$ 26 bilhões, a hidrelétrica envolve 22 mil operários e irá consumir 3,7 milhões de m³ de concreto até ser concluída. A usina, e outras obras, fazem da região norte do país a que mais concentra megaconstruções. Os estados de Amapá, Amazonas, Pará e Rondônia englobam os seguintes projetos, além de Belo Monte: hidrelétricas Teles Pires (na divisa entre Pará e Mato Grosso), Santo Antônio (Rondônia), Jirau (Rondônia), São Luiz de Tapajós (Pará), Linhão Manaus-Tucuruí-Amapá (entre Amazonas e Amapá), Gasoduto Urucu-Coari-Manaus (Amazonas) e Arena Amazônia (Amazonas).

Rodoanel, em São Paulo: confiabilidade de que esteja 100% concluído até 2016 é alta.

Do complexo de obras que faz o Brasil aparecer com destaque na construção civil internacional, o único que deve ser concluído até 2014 é o que envolve os projetos da Copa do Mundo. Doze estádios e obras de mobilidade espalhados pelas subsedes irão consumir 8,6 milhões de m³ de concreto (5,1 milhões de m³ só nos estádios). Também se mostram confiáveis de serem concluídas até 2016 os seguintes empreendimentos: Rodoanel de São Paulo (trechos leste e norte), usina nuclear Angra 3 e Arco rodoviário do Rio de Janeiro. Tratam-se de construções que, além de recursos federais, contam com investimentos estrangeiros e estaduais e, por isso, estão mais rigorosas com o prazo de entrega.

O contraponto dessas obras com previsão para acabar é o que envolve a transposição do rio São Francisco. Iniciada em 2005, passados quase oito anos, a megaobra não tem cronograma de entrega definido. Só seu custo avança. Saiu de R$ 4,7 bilhões para R$ 8,2 bilhões, e somente 43% está concluído. O problema é que são trechos que não se interligam e que, portanto, ainda não têm condições de conduzir a água para o sertão nordestino - historicamente afetado pelas secas. Pela quantidade de problemas, é provável que a transposição do São Francisco seja concluída depois de uma obra similar que avança no Ceará: o Cinturão das Águas. Ele parte do sul do estado e envolve todo o território cearense. A 1ª etapa já foi entregue e vem beneficiando diretamente a produção de frutas no nordeste brasileiro.

Usina de Santo Antônio: uma das megaobras em andamento na região norte do país.

Confira as 14 megaobras do Brasil, em volume de concreto:

Obras da Copa - 5,1 milhões m3 (estádios) 3,5 milhões m3 obras de mobilidade
Hidrelétrica Belo Monte - 3,7 milhões m3
Hidrelétrica Santo Antônio - 3,2 milhões m3
Hidrelétrica Jirau - 2,8 milhões m3
Programas de saneamento - 2 milhões m3
Hidrelétrica São Luiz de Tapajós - 1,5 milhão m3
Transposição do São Francisco - 1,3 milhão m3
Rodoanel de São Paulo - 800 mil m3
Gasoduto Urucu-Coari-Manaus - 800 mil m3
Cinturão das Águas do Ceará - 600 mil m3
Hidrelétrica Teles Pires - 480 mil m3
Linhão Manaus-Tucuruí-Amapá - 240 mil m3
Usina nuclear Angra 3 - 200 mil m3
Arco rodoviário do Rio de Janeiro - 92 mil m3

Angra 3: após 23 anos parada, obra no Rio de Janeiro foi retomada em 2010 e avança rapidamente.

Entrevistados
Ministério do Planejamento, SUDAM (Superintendência do desenvolvimento da Amazônia) e governos de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará (via assessoria de imprensa)
Contatos: www.pac.gov.br / www.sudam.gov.br / www.ceara.gov.br
                   www.rj.gov.br / www.sp.gov.br
Créditos fotos: Divulgação

 

 

 

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Empresas recém-nascidas aderem à filosofia 4P

Conceito permite planejamento adequado, otimiza uso de recursos, dá visão de futuro e constrói alianças produtivas e duradouras

Por: Altair Santos

Depois da filosofia 5S, as empresas agora estão descobrindo o conceito 4P (propósito, processo, pessoas e parcerias). Cada um desses itens está voltado à melhoria da gestão.O Sebrae já trabalha com esse modelo inovador, quando orienta a formação de novos empreendimentos. No entanto, Marcelo Sinelli, consultor de marketing do Sebrae-SP, explica que o princípio 4P deve ser aplicado sempre, e não só na abertura de negócios.

Marcos Sinelli, do Sebrae: propósito, processo, pessoas e parcerias regem a filosofia 4P.

Segundo o especialista, o método pode ser usado para redimensionar a empresa, aproveitar a sazonalidade, promover inovação ou mirar novos nichos. "Podemos dizer que o princípio pode ser usado por todo tipo de empresa e, principalmente, pelas que estão iniciando suas atividades. Ele permite que a Companhia faça um planejamento adequado, otimize o uso dos seus recursos, tenha uma visão de futuro e construa alianças produtivas e duradouras com todas as partes interessadas no seu negócio", afirma.

O consultor de marketing do Sebrae-SP distingue também a diferença entre o conceito 5S [do japonês Seiri (utilização) Seiton (ordenação) Seisō (limpeza) Seiketsu (Saúde) e Shitsuke (Autodisciplina)] e o 4P. "Os dois conceitos são ligados ao aumento de produtividade e eficiência. No entanto, a filosofia do 5S é voltada para dentro da empresa e de seus processos e métodos de trabalho. O conceito do 4P é um pouco mais abrangente e não fica restrito ao âmbito interno, na medida em que trabalha a questão da parceria e do propósito", diz.

Dentro da filosofia 4P para gestão, cada P tem um significado:

Propósito
É a razão de ser da empresa ou sua missão. Sua correta definição é fundamental para a empresa crescer e se desenvolver. O conceito empresta personalidade à corporação e é importante para criar um diferencial. Muitas vezes, o Propósito não tem relação direta com o produto que a Companhia vende. Ele pode ser definido como: qual o problema que a empresa resolve para seu cliente e o que o cliente busca encontrar quando procura a empresa?

Processo
Se em Propósito falamos sobre o que a empresa faz, aqui falamos sobre como ela faz. A correta definição dos processos padroniza os produtos, otimiza o uso dos recursos e, mais importante, permite que a empresa institucionalize suas atividades. Ou seja, faz com que ela não fique refém da competência ou da boa vontade de determinados profissionais. No Processo, todos os funcionários sabem o que têm que fazer e como fazer.

Pessoas
É quem faz. Isso inclui empregado e empregador. Os dois devem construir uma relação baseada na inspiração e não no poder. A noção de hierarquia mudou bastante. O empresário precisa entender que seus funcionários podem contribuir de forma positiva se forem corretamente estimulados.

Parceria
Parceria envolve as partes interessadas na gestão, incluindo fornecedores e até mesmo concorrentes. O empresário deve ficar atento às oportunidades que podem surgir de uma parceria bem planejada. É possível se unir com concorrentes para entrar em novos mercados ou desenvolver novos produtos. Com fornecedores, pode-se pensar, por exemplo, em trabalhar com estoque enxuto, melhorando o capital de giro.

Marcelo Sinelli lembra que qualquer setor industrial ou comercial pode implantar a filosofia 4P. Na construção civil, ele avalia que o conceito pode trazer a economia de materiais no canteiro de obras, minimizando perdas e reduzindo o retrabalho. Além disso, permite aprimorar a mão de obra, atingindo o propósito do setor, que é construir com qualidade, satisfazendo as pessoas (clientes) e as parcerias (fornecedores). "Como a construção civil tem uma cadeia produtiva ampla, a filosofia 4P encontra no setor um ambiente desafiador para ser implantada", define.

Entrevistado
Marcelo Sinelli, consultor de marketing do Sebrae-SP
Currículo
Marcelo Sinelli é graduado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com pós-graduado em marketing pela Universidade Metodista de São Paulo e MBA em gestão empresarial na Fundação Getúlio Vargas
Contato: ‏@marcelosinelli /  imprensa@sp.sebrae.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Arena Pernambuco une futebol e usina solar

Quarto estádio a ficar pronto para a Copa do Mundo tem capacidade de gerar um megawatt e abastecer seis mil residências

Por: Altair Santos

Os 73,5 mil m³ de concreto estrutural usados para construir a Arena Pernambuco sustentam a principal inovação do estádio. A cobertura de um dos palcos da Copa do Mundo de 2014 foi transformada em uma usina de energia solar, com capacidade de um megawatt de potência instalada - suficiente para abastecer seis mil residências por mês. A preocupação com a sustentabilidade foi um dos compromissos assumidos pelos projetistas da arena, cuja arquitetura também a torna ecoeficiente em ventilação e iluminação natural.

Arena Pernambuco: teto funciona como usina solar.

Pré-inaugurada em 14 de abril de 2013, e com o primeiro evento-teste programado para 14 de maio, a Arena Pernambuco foi concluída oito meses antes do planejado. A aceleração encareceu a obra em cerca de 30%. O valor inicial, estimado em R$ 532 milhões, tende a fechar em R$ 680 milhões. Construído no regime de PPP (Parceria Público-Privada) o estádio de 46 mil lugares envolveu 4.600 operários e representa o marco de uma nova centralidade urbana para a Grande Recife, expandindo a região metropolitana para a zona oeste.

Uma obra estratégica para esse projeto é a Via Mangue - considerada a maior obra viária da capital pernambucana em 20 anos. No sentido Centro-Boa Viagem, o corredor terá 4,5 quilômetros de extensão. Já no sentido contrário, serão 4,37 quilômetros. O investimento total é de R$ 432,9 milhões, alternando pavimento em concreto e pavimento asfáltico, além de obras de arte. Serão dois elevados, oito pontes, uma passagem semienterrada, uma alça de ligação e uma ponte estaiada com altura de 70 metros.

Via Mangue: avenida dará acesso ao novo estádio de Recife.

A Via Mangue teve suas obras iniciadas em 7 de abril de 2011. Em dezembro de 2012, a obra encontrava-se 38,22% concluída, com ritmo mensal médio de 1,82%. Ao final do mês de março de 2013, o empreendimento apresentava 50% de conclusão, com ritmo mensal de 3,66%. A previsão é que a obra esteja concluída em dezembro de 2013. O canteiro de obras envolve 1.650 trabalhadores e todo o material utilizado na obra é pré-fabricado e montado "in loco". O volume de concreto empregado deve chegar a 65 mil m³.

Ficha técnica da Arena Pernambuco
A Arena
- 6 pavimentos
- 46 mil lugares
- 102 camarotes
- 4.700 assentos Premium
- 15 mil lugares para o Todos com a Nota (programa que combate a sonegação fiscal em Pernambuco. Quem junta uma quantidade de notas fiscais, troca por ingresso)

Conforto
- 13 escadas rolantes
- 9 elevadores
- 8 rampas de acesso no térreo
- 42 quiosques de alimentação e 2 restaurantes
- 84 sanitários femininos e masculinos, além de 32 cabines para pessoas com necessidades especiais
- 4.700 vagas de estacionamento, sendo 800 cobertas
- Espaços de convivência, como lounges e restaurantes
- Cadeiras individuais e rebatíveis

Tecnologia
- 2 telões de LED em alta resolução com 77 m²
- Usina de energia solar

Segurança
- 271 câmeras de segurança, sendo 34 em HD
- Evacuação do público em, no máximo, 8 minutos
- Orientadores em todos os setores, especialmente treinados para manter o bem-estar do público

Capacitação de pessoas
- 250 trabalhadores de limpeza
- 400 profissionais de catering
- 50 integrantes para guest service
- 250 seguranças
- 6 equipes de socorristas, cada uma com dois profissionais

Operação
- Cerca de 1.000 integrantes a cada evento com capacidade total
- 9 áreas de primeiros socorros e um posto médico
- 5 ambulâncias, cada uma composta por uma equipe médica

Entrevistada
Secretaria Estadual da Copa (Secopa-PE)
Contato: media@secopa.pe.gov.br
Créditos fotos: Divulgação/Secopa-PE

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330