Ensaios não destrutivos penetram concreto a dentro
Ainda que a tecnologia transmita mais confiabilidade aos materiais, construção civil explora muito pouco o potencial dos chamados ENDs
Por: Altair Santos
Apesar de os Ensaios Não Destrutivos (ENDs) serem aplicados no Brasil desde a década de 1950 - há normas com mais de 60 anos que regem a inspeção visual, por exemplo -, a construção civil utiliza raramente as tecnologias que permitem avaliar a integridade de uma estrutura, sem danificá-la. "Ainda há poucas empresas dispostas a investir nestes métodos, mesmo com a tecnologia em estágio avançado", comenta Thomas Gabriel Rosauro Clarke, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mestre em engenharia de materiais.

No país, a indústria de petróleo e gás é a que mais usa Ensaios Não Destrutivos. Por estar ligado à soberania nacional, e ter alto valor agregado, o setor faz dos ENDs uma ferramenta valiosa. Primeiro, na questão da segurança, para garantir a integridade das estruturas e evitar acidentes que possam ter impacto ambiental e, consequentemente, multa para a empresa; segundo, para que a produção não seja interrompida. "O fabricante sempre ganha com Ensaios Não Destrutivos, pois a confiabilidade no material que ele produz aumenta significativamente", diz Thomas Gabriel Rosauro Clarke.
Quando usados na construção civil, os ENDs prestam auxílio técnico ao engenheiro estrutural, fornecendo, por exemplo, dados sobre a integridade do concreto a ser usado na obra, para que ele possa verificar os coeficientes de segurança. "Como o concreto é um material mais complexo, por ter propriedades anisotrópicas, ele requer tecnologias mais avançadas", alerta o professor da UFRGS. Entre esses métodos hoje aplicados, estão o ultrassom em 3D, o com líquidos penetrantes, o de partículas magnéticas e o de análise dimensional. "Com eles, já é possível submeter estruturas de concreto armado a análises precisas", diz o especialista.

De maneira geral, existem duas classes de Ensaios Não Destrutivos para aplicação em estruturas de concreto. A primeira consiste em métodos usados para estimar a resistência do material, tais como o ensaio de dureza superficial (esclerometria), resistência à penetração, ensaios de arrancamento e método da maturidade. A segunda classe inclui os métodos que medem outras características e defeitos internos do concreto, por meio de propagação de ondas e termografia infravermelha. Além dessas metodologias, existem outros que fornecem informações sobre a armadura, como a localização das barras de aço, seu diâmetro e o potencial de corrosão.
Os Ensaios Não Destrutivos têm um custo maior que os ensaios tradicionais, mas por não causar danos à estrutura permitem que ela continue em operação ao mesmo tempo em que tem sua integridade avaliada. "Esta é a primeira grande vantagem. Não são necessários cortes especiais, que vão ter que ser ensaiados de forma destrutiva. Os ENDs permitem ganho de produtividade. O engenheiro pode seguir com a obra fazendo controles periódicos do material que está sendo utilizado, sem a necessidade de parar e aguardar ensaios de laboratórios", explica Thomas Gabriel Rosauro Clarke, garantindo que as pesquisas sobre Ensaios Não Destrutivos estejam entre as que mais apresentam inovações. "Dois anos já é tempo suficiente para que o setor rompa paradigmas", conclui o especialista.
Saiba mais sobre Ensaios Não Destrutivos
Entrevistado
Thomas Gabriel Rosauro Clarke, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Currículo
- Thomas Gabriel Rosauro Clarke é graduado em engenharia de materiais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (2002)
- É mestre em engenharia de materiais, com ênfase em metalurgia, pelo programa de pós-graduação em engenharia de materiais, metalúrgica e de minas, com orientação de professor-doutor Afonso Reguly (PPGEM-UFRGS) (2004)
- É Ph.D pelo departamento de engenharia mecânica da Imperial College London, na área de acústica, vibrações e Ensaios Não Destrutivos, sub-área inspeção de estruturas complexas, monitoramento de integridade estrutural e ondas guiadas
- Atualmente é professor adjunto I do departamento de metalurgia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
- É responsável pelo Grupo de Ensaios Não Destrutivos (GEND) do Laboratório de Metalurgia Física (LAMEF-UFRGS) cujo coordenador-geral é o professor-doutor Telmo Strohaecker
Contato: tclarke@demet.ufrgs.br
Créditos fotos: Divulgação autorizada
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Projeto mapeia blocos de concreto sustentáveis
ABCP, BlocoBrasil e CBCS unem-se para aferir índices de eficiência nos processos de fabricação dos artefatos e melhorar qualidade dos produtos
Por: Altair Santos
Três importantes organismos ligados à cadeia produtiva da construção civil estão unindo esforços para medir o grau de sustentabilidade encontrado no setor de fabricação de blocos e pisos de intertravados de concreto. ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), BlocoBrasil (Associação Brasileira da Indústria de Blocos de Concreto) e CBCS (Conselho Brasileiro da Construção Sustentável) vão mapear um grupo de 43 indústrias espalhadas por todas as regiões do país, a fim de definir um índice denominado de Avaliação de Ciclo de Vida Modular (ACV-m). Ele vai mensurar o quanto a produção de artefatos de cimento impacta no consumo de energia, de água, de geração de CO2, de geração de resíduos e consumo de matéria-prima.

Segundo Cláudio Oliveira Silva, gerente da área de Inovação e Sustentabilidade da ABCP, o projeto pretende estimular o processo de boas práticas dentro das indústrias e minimizar o impacto na fabricação dos blocos. "O objetivo é induzir o fabricante a gerar economia, fazendo ele perceber onde estão os desperdícios dentro de seu processo produtivo. Tudo isso, fazendo comparações entre o modelo de fabricação dele com o de outros fabricantes. Ele poderá comparar práticas que dão certo ou dão errado e daí obter indicadores com melhores níveis. Esses indicadores, que vão definir parâmetros para o ACV-m, antes de serem repassados aos fabricantes serão auditados por uma comissão", explica Cláudio Oliveira Silva.
Ultrapassada a fase de coleta de dados, ABCP, BlocoBrasil e CBCS, em parceria com o Senai-RJ (Serviço Nacional da Indústria) irão definir uma metodologia de produção mais limpa para repassar a todos os fabricantes de blocos e pisos intertravados de concreto do país. Serão ferramentas que irão mostrar onde a produção está sendo bem feita e onde ela precisa melhorar. "Nesse sentido, o estudo servirá também como um modelo de gestão para o fabricante. Ele pode se tornar mais competitivo e ampliar a lucratividade, fazendo melhor uso da água, da energia e das matérias-primas - no caso, de cimento e agregados", afirma Marcelo Kaiuca, presidente da BlocoBrasil.

Antes de o projeto ir a campo, os 43 fabricantes selecionados - entre eles há grandes, médias e pequenas indústrias - passarão por workshops no Senai-RJ para entender como o estudo será feito e para preparar as unidades sobre as questões que serão abordadas pelos pesquisadores. Os índices de cada indústria serão de conhecimento apenas dos auditores do Senai-RJ e de cada fabricante, que terá acesso somente aos seus dados específicos para poder comparar aos números gerais do setor. A previsão é que esse projeto esteja concluído até o final de 2013, com as informações principais divulgadas no início de 2014. "Será um grande ato de transparência do setor para a sociedade", resume Kaiuca.
De acordo com a diretora do CBCS, Érica Ferraz de Campos, serão gerados indicadores nacionais e regionais das empresas participantes. Os indicadores serão divulgados em base de dados aberta online, no site do CBCS. Estarão disponíveis as faixas de resultados (valor mínimo, mediano e máximo) para cada indicador e a posição do conjunto de empresas participantes. Cada fabricante receberá as informações relativas à sua própria produção e sua posição entre as demais participantes. "As vantagens dos fabricantes em participar são: conhecer seu desempenho dentro do mercado, envolver sua equipe em processos de sustentabilidade e receber apoio técnico sobre a medição e a quantificação dos resultados", explica Érica Ferraz de Campos.

Entrevistados
- Cláudio Oliveira Silva, gerente da área de Inovação e Sustentabilidade da ABCP
- Marcelo Kaiuca, presidente da BlocoBrasil
- Érica Ferraz de Campos, diretora do CBCS
Currículos
- Cláudio Oliveira Silva é graduado em engenharia civil pela Universidade de Guarulhos, com pós-graduação em administração industrial na Escola Politécnica da USP e mestrado em engenharia na área de materiais de construção, pela Escola Politécnica da USP
- Atua como gerente da área de inovação e sustentabilidade da ABCP
- É representante da ABCP no CBCS (Conselho Brasileiro da Construção Sustentável) no comitê de materiais
- Marcelo Kaiuca é sócio da Multibloco Indústria e Comércio de Artefatos de Concreto, no Rio de Janeiro
- Preside a Associação Brasileira da Indústria de Blocos de Concreto (BlocoBrasil) na gestão 2011-2013
- Érica Ferraz de Campos é graduada em arquitetura e urbanismo pela EESC-USP (2003)
- Pós-graduada em gestão ambiental pela Unicamp (2007)
- Mestre na área de materiais e componentes de construção civil pela Escola Politécnica da USP (2012)
- Coordenadora Técnica do CBCS (2010 a 2012) e atualmente diretora do CBCS
Contatos: claudio.silva@abcp.org.br / blocobrasil@blocobrasil.com.br / comunicacao@cbcs.org.br / twitter.com/cbcssustentavel
Créditos fotos: ABCP / BlocoBrasil / Calao Jorge / CBCS / Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Norma de desempenho aquece engenharia diagnóstica
Profissionais que tenham essa especialidade tendem a conquistar mais mercado, a partir da entrada em vigor da ABNT NBR 15575, no dia 19 de julho
Por: Altair Santos
Os requisitos da norma de desempenho - ABNT NBR 15575 -, que entrará em vigor dia 19 de julho de 2013, tendem a favorecer uma especialidade cada vez mais presente na construção civil: a engenharia diagnóstica. O profissional desta área tem como atribuições vistoriar, inspecionar, auditar, periciar e promover consultorias sobre normalização. Por isso, cabe a ele verificar se um empreendimento atende os índices mínimos, segundo parâmetros técnicos, de segurança, habitabilidade e sustentabilidade. "O profissional com essa especialização é quem faz o controle de qualidade de uma edificação predial", resume Marco Antonio Gullo, diretor de cursos do Instituto de Engenharia de São Paulo.

Outro fator que estimula a procura por especialistas em engenharia diagnóstica são as várias leis que têm sido aprovadas pelos municípios brasileiros, e que exigem inspeção predial. Essa demanda cresceu após desabamentos de edifícios, coberturas e marquises, que ganharam o noticiário nacional entre 2011 e 2012. "Isso desencadeou a busca por profissionais especializados em serviços diagnósticos e, por conseguinte, estes buscam cursos e publicações afins", explica Marco Antonio Gullo, lembrando que é relevante que o especialista em engenharia diagnóstica tenha conhecimento jurídico, para que possa orientar seu cliente nas questões de direito do consumidor, responsabilidades construtivas e outras demandas judiciais.
Além de engenheiros civis, arquitetos e profissionais que atuam na área de gestão patrimonial imobiliária são os que mais procuram pela especialidade em engenharia diagnóstica. Organismos como os institutos de engenharia e o Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (IBAPE) estão entre os que costumam ministrar cursos. Dentro das universidades, a disciplina ainda é pouco relevante. "Nas escolas de engenharia, as prestações de serviço que dão apoio às obras de construção são pouco abordadas", reconhece Marco Antonio Gullo, citando que o setor habitacional, seguido do segmento comercial, é o que mais demanda pelos profissionais com a qualificação em engenharia diagnóstica.

Em países como Estados Unidos, Alemanha e também no Reino Unido, a engenharia diagnóstica já é ministrada como pós-graduação nas universidades. No Brasil, ainda funciona como uma especialização, com cursos que variam de 12 horas a um mês de carga horária. A expectativa do setor é que com legislações e normas mais rigorosas, a qualificação também seja aprimorada. Uma tendência é que a engenharia diagnóstica não se limite apenas à edificação, mas se estenda à linha de produção, ao longo de toda a cadeia da construção civil. Neste caso, fabricantes contratariam o profissional para dar resposta às questões conflitantes entre produto e consumidor. "A área de atuação só tende a ampliar", avalia Marco Antonio Gullo.
Entrevistado
Marco Antonio Gullo, diretor de cursos do Instituto de Engenharia de São Paulo
Currículo
- Marco Antonio Gullo é graduado em engenharia civil, com pós-graduação em perícias de engenharia e avaliações e administração de empresas
- Possui cursos de extensão em patologias construtivas e avaliações de imóveis
- É diretor de cursos do Instituto de Engenharia de São Paulo e ex-coordenador da câmara técnica de perícias em edificações do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (IBAPE-SP)
- Atua ainda como assistente técnico em ações judiciais envolvendo perícias de engenharia
- Militante em reuniões da ABNT/CB02 (Comitê Brasileiro da Construção Civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas) para elaboração das normas técnicas de Manutenção de Edificações, Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e manutenção das edificações (CE-02:140.01), Desempenho de Edificações (CE-02:136.01) e Inspeção Predial (CE-02:140.02), sendo relator dos estudos do I.E. (Instituto de Engenharia) na proposta de alteração da NBR-15575/Parte I (no processo de consulta nacional da ABNT)
Contatos: www.mgconsult.com.br / m.a.gullo@mgconsult.com.br / cursos@iengenharia.org.br
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Censo dos arquitetos revela desafios à profissão
Sair da informalidade, melhorar a qualificação e levar os profissionais para o interior do país estão entre as prioridades do CAU
Por: Altair Santos
Os arquitetos brasileiros já sabem que desafios precisam superar para que a profissão ganhe novos mercados e obtenha avanços qualitativos. As respostas estão no primeiro censo realizado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). A pesquisa levantou dados junto a mais de 83 mil profissionais, abordando temas como segmento de atuação, renda, formação, interesses gerais e expectativas quanto ao crescimento do mercado. "Esse levantamento é fundamental para melhorar a gestão e o planejamento de nossa profissão", explica o presidente do CAU-PR, Jeferson Dantas Navolar, com sede em Curitiba, onde o censo nacional foi apresentado dia 24 de junho de 2013.

Atacar a informalidade que hoje cerca a arquitetura é uma das primeiras prioridades apontadas pelo censo. Atualmente, 80% dos que atuam no país estão nesta condição. "A grande maioria não tem estrutura jurídica por trás, são desenhistas de luxo. "Nós somos educados para fazer gestão, para fazer planejamento, seja de uma residência ou de um espaço público, mas para que possamos exercer estas atribuições necessitamos minimamente de estruturas de organização social ou jurídica que nos dê suporte", avalia Navolar. Do universo de arquitetos no país, apenas 20% estão constituídos como empresas.
Outro dado trazido pelo censo é que 60% dos profissionais hoje se concentram nos grandes centros urbanos. Interiorizar a profissão é outro desafio à arquitetura. "Não é possível que em um estado como o Paraná, por exemplo, dos 399 municípios 198 não tenham um arquiteto sequer. Como se faz gestão nestes territórios? O Estatuto das Cidades foi criado há 11 anos, mas são outros profissionais que estão se beneficiando dele. Não são arquitetos nem engenheiros, mas sim os lobistas. O resultado é que não temos qualidade nos investimentos em infraestrutura nos municípios. É preciso que o arquiteto chegue a todas as cidades", avalia o presidente do CAU-PR.
O censo apontou também que são poucos os arquitetos que avançam na qualificação. Dos que responderam ao questionário, 85% se satisfazem com a graduação e apenas 1,5% tem pós-graduação em nível de mestrado. Na avaliação do CAU, isso dificulta a gestão e o planejamento. "Poucos estão teorizando sobre a profissão. Como é possível? Se não se teoriza, não há como apontar soluções para as políticas públicas de habitação e mobilidade, por exemplo", diz Navolar. "Arquitetura é trabalho intelectual e tem que ser contratado por qualidade e não só por preço", completa.
O primeiro censo do CAU levou três meses para a coleta de dados e foi respondido espontaneamente por 88% dos 95.169 arquitetos e urbanistas com registro profissional e em atividade no país. Os dados apontaram que 60,5% são mulheres e 39,5% homens. As regiões sudeste e sul concentram a maior parte dos profissionais. A grande maioria tem entre 30 e 35 anos. Um dado interessante é que, por causa da informalidade, quase 34% não contribui para nenhum fundo previdenciário e quase metade não possui imóvel próprio. Também entre os que responderam, a maioria atua na área de concepção de projetos de arquitetura e urbanismo, seguido de execução de projetos e arquitetura de interiores.
Confira todos os dados do censo
Serviço
Para ajudar os arquitetos a saírem da informalidade, o CAU-PR instalou em sua sede o Núcleo de Empreendedorismo, Sustentabilidade e Cidadania (NESC). O objetivo é apoiar os profissionais no processo de constituição de pessoas jurídicas. O núcleo tem o apoio do Sebrae, da Caixa Econômica Federal, da Fomento Paraná, do Banco do Brasil, do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial – CPCE/FIEP, da Aliança Nosso Paraná Sustentável – ONU, da Associação Comercial do Paraná e do FUNSAU (Fundo de Assistência Social dos Arquitetos e Urbanistas).
Informações:
Telefones: (41) 3244-3117 / (41) 3243-5496
E-mail: atendimento@caupr.gov.br
Sede CAU-PR: Av. N. Sra. da Luz, 2.500 - Curitiba-PR
Entrevistado
Jeferson Dantas Navolar, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU-PR)
Currículo
- Jeferson Dantas Navolar é graduado em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Paraná (1983)
- Fez pós-graduação em nível de especialização na área de conservação e restauração de monumentos e conjuntos históricos (CECRE) na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (1984)
- Também na UFB, fez mestrado em preservação do patrimônio histórico em Curitiba (2004-2006). O trabalho que resultou na publicação de livro “A Arquitetura Resultante da Preservação do Patrimônio Edificado em Curitiba”
- Foi membro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios ICOMOS/UNESCO (1988), presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-PR) (2008 – 2011) membro do Conselho Nacional de Política Cultural – CNPC (2010 – 2011) e do Conselho Consultivo do IPHAN/MINC (2010 – 2012)
- Desde dezembro de 2011 é presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná
Contato: comunicacao@caupr.gov.br
Créditos foto: Marcus Simão / CAU-PR
Jornalista responsável: Altair santos - MTB 2330
Cidadania caminha pelas calçadas
Segundo Benedito Abbud, um dos principais especialistas em mobilidade para pedestres do país, poder público deve assumir calçamento nas cidades
Por: Altair Santos
O artigo 5º da Constituição Federal define uma série de direitos do cidadão brasileiro, entre eles o de ir e vir. Por isso, o arquiteto e paisagista Benedito Abbud passou a defender que o poder público assuma integralmente a construção de calçadas no país. Hoje, em boa parte dos municípios brasileiros, sobretudo nas capitais, essa responsabilidade é do morador. O resultado são pavimentos irregulares, sem padronização, o que acaba gerando uma visão negativa do ambiente urbano. "A cidadania passa pelas calçadas, pois consta na constituição o direito de ir e vir com segurança. Se é lei, o poder público é quem deve instalar esses equipamentos e preservá-los", prega Abbud.

No entender do arquiteto, calçadas bem concebidas, sustentáveis e acessíveis propiciam cidades mais civilizadas, com melhor qualidade de vida para seus habitantes e, consequentemente, com mais cidadania. "É através das calçadas que se tem a imagem da cidade", diz Benedito Abbud, que desde 2006 vem trabalhando com o projeto Calçada Viva. "Ele foi pensado para ser aplicado pelo poder público. Várias prefeituras se interessaram por alguns dos seus aspectos e algumas estão estudando a viabilidade de implantação", revela. "A ideia é que, em cada cidade, uma equipe de urbanistas pense as calçadas de acordo com a geografia da localidade e até os aspectos culturais e históricos do município", completa.
No projeto liderado por Abbud, as calçadas devem ser mais largas, com faixas de serviços para arborização, rampas para cadeirantes e piso táctil de orientação e alerta. "A projeção de calçadas vivas incentivaria as pessoas a caminhar mais. Afinal, a maioria das nossas calçadas são ruins, com desníveis, buracos, pisos irregulares, degraus, entre outros obstáculos. Isso causa acidentes. Se é difícil uma pessoa sem limitações físicas andar a pé, imagina os cadeirantes, cegos e até mesmo os idosos e as mães com carrinhos de bebê? As calçadas deveriam ser acessíveis para o uso comum de todos", afirma o arquiteto.
Além disso, Abbud defende que deve haver um planejamento em conjunto com as Companhias fornecedoras de energia, água, gás e telefone que quebram constantemente o piso das calçadas, resultando em prejuízos estéticos e obstáculos para o passeio (buracos, emendas e caimentos inapropriados). Nesse caso, são indicados produtos e técnicas para as chamadas calçadas inteligentes, que funcionam como uma galeria no subsolo, permitindo que as fiações da rede elétrica, telefônica, de TV, fibras ópticas, rede de água e esgoto sejam embutidas. A medida ajudaria na manutenção dos serviços sem necessidade de quebrar o piso e ainda diminuiria a poluição visual da cidade.
O projeto Calçada Viva segue os seguintes parâmetros:

- Contribuir para amenizar o ambiente árido de muitas ruas, com projetos paisagísticos para calçadas ajustados à realidade de cada rua, bairro, e inseridos no contexto de uma megalópole numa região de Mata Atlântica.
- Promover a aproximação da comunidade com o meio ambiente natural, com o plantio de ervas e árvores frutíferas naturais de Mata Atlântica nas calçadas, conforme viabilidade.
- Garantir boa acessibilidade para todos no uso dos passeios.
- Aumentar a permeabilidade do solo, colaborando para evitar enchentes e para a reposição dos aquíferos.
- Contribuir para a diminuição da poluição visual e sonora.
- Melhorar a qualidade do ar na cidade, reduzindo os gases tóxicos e nocivos ao clima.
- Melhorar a qualidade de vida da comunidade.
Entrevistado
Benedito Abbud, arquiteto, urbanista e paisagista
Currículo
- Com 40 anos de experiência, Benedito Abbud é formado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, na qual foi professor na disciplina de paisagismo de 1980 a 1985. Ministrou aulas, também, na Faculdade de Arquitetura da PUC – Campinas de 1977 a 1981. É pós-graduado e mestre pela FAU-USP
- Em 1981, fundou sua própria empresa, que hoje conta com aproximadamente 5.200 projetos paisagísticos desenvolvidos em todo Brasil e em outros países, como Argentina, Uruguai e Angola. Abbud foi presidente da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (Abap) durante os biênios de 1987-1988 e 1999-2000
Contatos: www.beneditoabbud.com.br / babbud@beneditoabbud.com.br
Crédito: Nicola Labete / Michel Willian / SMCS
Jornalista responsável: Altair santos - MTB 2330
Gestão de risco é insipiente na construção civil
Eventuais ações preventivas, que vão além do sistema produtivo do dia a dia, são realizadas pela minoria das empresas do setor
Por: Altair Santos
Recente pesquisa da Deloitte revela que mais de 80% das empresas, de um universo de 54 grandes corporações multinacionais, dizem estar longe do ideal quanto aos processos de gestão de risco. Destas, 59% admitiram não ter um comitê de risco estruturado. Os dados levaram à seguinte reflexão: se Companhias que agem mundialmente são deficientes neste área, como estariam as empresas nacionais - em especial, as voltadas para a construção civil? A resposta é que elas também agem de forma insipiente em relação à gestão de risco.

Para o especialista Mozart Bezerra da Silva, que desde 2008 estuda gerenciamento de risco na construção civil, o motivo de as corporações darem pouca atenção a esta área é que trata-se de um tema intangível, quando comparado aos processos diários de operação das Companhias. "As empresas inicialmente se preparam para lidar bem com questões visíveis e comuns, inclusive para corrigir os problemas depois que eles acontecem. O gerenciamento do risco trata de ações de natureza preventiva, que muitas vezes são deixadas em segundo plano. Principalmente para quem nunca foi atingido por um prejuízo que nunca havia considerado a hipótese de ocorrer", explica.
Mozart Bezerra da Silva, que em 2008 realizou um estudo de mestrado na Universidade Federal do Paraná (UFPR) sobre gerenciamento de risco na construção civil, detectou que não existe essa cultura no setor. "A indústria da construção civil é bem menos preparada que as de produção em série. Eventuais ações preventivas que ocorrem no setor são realizadas por uma minoria", diz, completando que a maioria das construtoras se dá por satisfeita em conseguir controlar o sistema produtivo do dia a dia.
Deveria ser o contrário, já que naturalmente toda construção tem um escopo de risco. "O risco está presente no porte do negócio, na mão de obra, no projeto, na meteorologia, nos recursos, enfim, nas indecisões que fazem da construção civil um setor extremamente arriscado", destaca Mozart Bezerra da Silva, enfatizando que toda empresa que quer operar por longo prazo e com garantia de bom resultado deve ter aversão ao risco.
O especialista deixa claro que a gestão de risco não faz distinção entre grande e pequena empresa ou entre corporação de capital aberto ou familiar. "É uma questão de cultura da Companhia, de sua percepção e aversão ao risco, muito mais do que do porte ou do modelo que ela adota", define, apontando os cinco passos básicos para que uma empresa implante um procedimento de gestão de risco:

1) Reunir os colaboradores mais experientes.
2) Brainstorming sobre o que pode dar errado (identificação de risco).
3) Classificação do impacto dos riscos. Quais têm mais chance de ocorrer e poder de reduzir a lucratividade da empresa.
4) Busca de respostas ao risco. O que pode ser feito hoje, dentro da viabilidade, do planejamento, do orçamento e do gerenciamento, que pode reduzir o impacto dos riscos e os problemas potenciais.
5) Monitoramento contínuo, pois sempre podem surgir novos riscos.
Fora do Brasil, os Estados Unidos são os mais avançados em procedimentos de gestão de risco. No país, os modelos tem sido aprimorados desde a década de 1960. Já no Brasil, ainda que em um universo pequeno, quem promove gestão de risco obtém ganho de produtividade. "Os problemas potenciais que pertencem a todos podem ser transformados em oportunidades por alguns que tenham percepção e criatividade. O maior ganho talvez seja a garantia de perder menos, driblando alguns problemas potenciais e tendo menores prejuízos com os problemas que aparecem", assegura Mozart Bezerra da Silva.
Confira estudo de mestrado de Mozart Bezerra da Silva
Entrevistado
Mozart Bezerra da Silva, pesquisador de gerenciamento de risco na construção civil
Currículo
- Mozart Bezerra da Silva é engenheiro civil graduado pela PUC Campinas (1979)
- É mestre em gerenciamento de risco na construção civil, pela UFPR (2008)
- Tem 10 anos de experiência como construtor
- Possui experiência como professor, com 20 anos ministrando cursos de treinamento de curta duração
- Tem participação em cerca de 500 eventos, como 12,5 mil profissionais treinados
- Atua como consultor em empresas como Petrobrás, Sabesp, Infraero, Chesf, Cemig, Caema, Sanepar, Casan, Codebras, Odebrecht, Matec, Espaço Aberto, Ellenco, Tecmac, SindusCon-PR e Ademi-AL
- É autor do livro "Manual de BDI", publicado pelas editoras Pini e Blucher, em 2006, e de artigos técnicos
Contatos: www.mozarnet.com / adm@mozarnet.com
Créditos fotos: Divulgação autorizada
Jornalista responsável: Altair santos - MTB 2330
Engenhão é exemplo de como não se deve construir estádio
Inaugurado há seis anos, complexo esportivo encontra-se interditado, apresentando tanto problemas de projeto quanto de execução das obras
Por: Altair Santos
Desde 26 de março de 2013, o estádio olímpico João Havelange - popularmente conhecido como Engenhão - está sob interdição decretada pela prefeitura do Rio de Janeiro. O complexo esportivo foi fechado depois que estudos realizados pela empresa alemã SBP (Schlaich, Bergermann und Partner) concluíram que a estrutura da cobertura do estádio extrapolava os níveis de segurança recomendados pelas normas técnicas, principalmente a NBR 6123 - Forças devidas ao vento em edificações.

No relatório da SBP, a resistência ao vento da estrutura metálica que sustenta a cobertura do Engenhão caiu de 115 km/h, como previa o projeto original, para 63 km/h. Esse deslocamento de 54% surpreendeu até o consórcio que assumiu a construção do estádio em sua reta final. A princípio, a obra estava sob o comando das construtoras Delta, Racional e Recoma. Depois deste grupo admitir que não tinha capacidade técnica para instalar a cobertura, a prefeitura do Rio de Janeiro assinou contrato emergencial com a Odebrecht e a OAS, formando o consórcio Engenhão, que também será responsável por recuperar a cobertura do estádio, o qual irá precisar de reforço estrutural.
O projeto da cobertura do Engenhão foi assinado pelo engenheiro civil Flávio D'Alambert, da empresa Alpha. Na época da interdição, o profissional admitiu que o cronograma apertado exigiu mudanças nos processos construtivos, mas negou, em nota oficial, que o prazo curto tenha afetado a qualidade da obra. "O projeto previa a construção total da estrutura em forma de anel, com quatro grandes arcos, e ela seria escorada até o final da obra. Depois seriam retiradas essas escoras e ela entraria em trabalho uniformemente. Essa era a ideia inicial. Mas, infelizmente, devido ao prazo que se tornou muito curto, teve que se desenvolver uma série de outros estudos para adaptar esse modelo, ou seja, para se atingir o prazo de entrega da obra a retirada das escoras foi feita por trechos, mudando as concepções iniciais", justificou.

Os reparos no estádio, que custou R$ 380 milhões e foi inaugurado há seis anos, só devem ficar prontos em novembro de 2014. Até lá, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) espera ter concluído as investigações para determinar responsabilidades e possíveis falhas no exercício profissional em relação à obra do estádio olímpico João Havelange. O organismo formou uma comissão integrada por especialistas e já está de posse das Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) para avaliá-las. “No que diz respeito aos profissionais com registro no Crea-RJ, vamos apurar responsabilidades. Quanto aos que são de outros estados, isso implicará em ações de outros conselhos regionais”, diz o presidente do Crea-RJ, Agostinho Guerreiro.
Quem também acompanha as investigações sobre o que ocorreu no Engenhão é a comissão do legado da Copa do Mundo e Olimpíadas no Rio de Janeiro, criada no Congresso Nacional e presidida pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ). "Nossa preocupação é que o mau exemplo dado pelo Engenhão não se repita em outros estádios. É um absurdo que uma obra com seis anos de vida, e que custou quatro vezes mais aos cofres públicos, tenha que ser interditada", afirma o parlamentar, que integra a comissão do Crea-RJ e revela outros problemas já detectados no estádio carioca. "As falhas não estão só na cobertura. Verificamos erros nos projetos de abastecimento de energia e de água do estádio, além de infiltrações que estão causando a queda de placas da fachada da obra", revela. O Engenhão precisa estar 100% recuperado até os jogos olímpicos de 2016, quando receberá as provas de atletismo.

Entrevistados
Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) (via assessoria de imprensa)
Deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ) presidente da Comissão do Legado da Copa do Mundo e Olimpíadas no Rio de Janeiro
Currículo
- Alessandro Molon é graduado em direito e mestre em história pela Universidade Federal Fluminense. É professor em direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
- Eleito com mandato até dezembro de 2014, é deputado federal e membro titular da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, além de relator do Marco Civil da Internet e da Reforma do Código Penal, que tramita na Câmara.
- Preside a Comissão do Legado da Copa do Mundo e Olimpíadas no Rio de Janeiro.
Contatos: atendimento@crea-rj.org.br / dep.alessandromolon@camara.leg.br
Crédito: Crea-RJ / Wilson Dias / Abr / Divulgação
Jornalista responsável: Altair santos - MTB 2330
Congresso decifra preferência por ponte estaiada
Evento promovido pela ABECE e pela ABPE destaca que "arte de projetar" leva a um número significativo de obras que adotam modelo de estrutura
Por: Altair Santos
As pontes estaiadas se destacaram no VI Congresso Brasileiro de Pontes e Estruturas, que aconteceu dias 27 e 28 de junho de 2013, em São Paulo. O evento, que é promovido anualmente pela ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) e pela ABPE (Associação Brasileira de Pontes e Estruturas) reuniu conferencistas consagrados da engenharia nacional. Entre eles, Carlos Henrique Siqueira, João Luís Casagrande, Roberto Alves, Rui Oyamada, Fernando Rebouças Stucchi, Bruno Contarini, Catão Francisco Ribeiro e Ubirajara Ferreira da Silva, que em sua palestra destacou que a "arte de projetar" é que tem levado a um número significativo de construções de pontes estaiadas.

Segundo o vice-presidente da ABPE, as pontes estaiadas esbanjam técnica e visual e remetem a sociedade às obras clássicas do passado da engenharia, como as estruturas pênseis e em arco. Por isso, prevalecem hoje no modelo de construção de pontes e viadutos. Além disso, ele ressalta que a evolução das ferramentas de cálculo e o maior conhecimento da ciência dos materiais contribui para os projetos das pontes estaiadas. "O único risco é que elas sejam projetadas de forma indiscriminada. Quando é recomendável construir uma ponte estaiada? Para superar grandes rios, grandes depressões, áreas de navegação ou transposições de extensos vãos", explica.
Ubirajara Ferreira da Silva revela que atualmente há dois projetos de pontes estaiadas que se destacam no Brasil. "Um tem 460 metros de vão e será construído em Santos, mas depende de questões jurídicas para ser liberada a construção. Tem também o projeto em Laguna, Santa Catarina, com o vão de 200 metros", relata, observando que pontes estaiadas, apesar de permitirem estilos arquitetônicos maravilhosos, são estruturas caras que precisam de tecnologia e de projetos feitos por engenheiros experientes. "Na minha conferência no congresso, destaquei que uma ponte precisa contemplar quatro componentes: concepção estrutural adequada, realidade econômica, técnica construtiva e beleza", diz, cujo título da palestra foi "Considerações técnicas em projetos e em execução de pontes em concreto".
O engenheiro explica que é possível superar vãos extensos com projetos convencionais e mais econômicos do que os de pontes estaiadas. "Eu estou fazendo um projeto de uma ponte sobre o Rio Madeira, no Amazonas, que tem 1.100 metros de comprimento, com vão central de 170 metros e 8,6 metros de altura. É uma estrutura que não é estaiada, mas é mais econômica", afirma Ubirajara Ferreira da Silva, alertando, porém, que é preciso não se ater apenas ao aspecto econômico para construir pontes e viadutos. Ele cita como exemplo as estruturas em pré-moldado. "Em Porto Alegre, tem um viaduto do qual eu sou crítico, pois ele foi construído todo em viga pré-moldada, em curva horizontal e em curva vertical, que é um verdadeiro absurdo", avalia.

Pré-moldados e especialistas
Ubirajara Ferreira da Silva faz ressalvas também à utilização de vigas protendidas pré-moldadas em tabuleiros de pontes. "Eu projeto este tipo de ponte. Mas acontece que estão fazendo de uma forma que prejudica não só a economia como prejudica também a estética. Os engenheiros projetistas têm a obrigação de estudar soluções para uma ponte, antes de lançá-las. Por isso, elas são chamadas de estruturas especiais", opina, completando que o custo do canteiro de obras e dos equipamentos para içar os pré-moldados ainda não é competitivo. "A utilização de vigas pré-moldadas exige aparelhos de apoio e canteiros de obras bastante sofisticados. Para se ter uma ideia, cada lançamento de uma viga, desde o canteiro de pré-fabricação até o posicionamento no tabuleiro, custa cerca de 30 mil reais. Isso onera muito a obra."
O vice-presidente da ABPE alertou que a engenharia brasileira, que já bateu recordes em várias obras de pontes e viadutos, atualmente está precisando recorrer a tecnologias estrangeiras para se assessorar. "Os grandes engenheiros que tínhamos no passado, hoje contam-se nos dedos. O que nós temos são engenheiros muito teóricos e com pouca ou nenhuma experiência na área de pontes e edificações. Esse é um problema sério nas escolas de engenharia. Outra questão são as normas técnicas, que atualmente têm passado por revisões importantes por causa dos documentos internacionais. Há 30 anos o Brasil vivia uma realidade e hoje vive outra no setor de construção de pontes", concluiu.
Leia conteúdo da conferência de Ubirajara Ferreira da Silva
Entrevistado
Ubirajara Ferreira da Silva, vice-presidente da ABPE (Associação Brasileira de Pontes e Estruturas)
Currículo
- Ubirajara Ferreira da Silva é engenheiro civil graduado pela PUC-RJ, em 1960
- Tem diversos cursos de especialização em pontes de concreto, inclusive em Paris-França, na ASTEF, em 1965, e reciclagem, em 1975, na L´ATIME
- É membro da diretoria da ABPE (Associação Brasileira de Pontes e Estruturas) e ocupa atualmente o cargo de vice-presidente
- Trabalhou no DNER por cerca de 30 anos, na seção de obras de arte
- Projetou cerca de 600 pontes em concreto, sendo 16 executadas pela técnica de balanços sucessivos. As mais recentes foram sobre o rio Machado (RO) e rio Ariquindá (PE) em 2012
- É diretor-técnico da UFS Engenharia Ltda
Contato : ubirajarafs@gmail.com
Créditos fotos: Divulgação/ABECE
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Pequenas empresas despertam para a ISO 9001
Busca pela certificação tem atraído muitas construtoras, pois tornou-se exigência do PBQP-H para a concessão de financiamento público
Por: Altair Santos
Quando se fala em melhorar a operacionalidade, ampliar a participação no mercado, reduzir os custos, gerenciar riscos e atingir a satisfação do cliente, nenhuma outra estrutura de qualidade é melhor que a ABNT NBR ISO 9001. Para conduzir aos objetivos traçados, a norma se sustenta sobre três pilares: melhoria da satisfação dos clientes, motivação dos colaboradores e superação contínua. Há mais de uma década, as grandes empresas brasileiras sabem que o caminho para alcançar essas metas é ter a certificação. Desde 2008, quando saiu uma nova versão, a qual facilitou o entendimento da norma, são as pequenas empresas nacionais que passaram a despertar para a ISO 9001.

Atualmente, segundo dados da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) já existem 35.000 certificados de ISO 9001 emitidos no Brasil. Deste volume, 3.798 abrangem pequenas empresas, entre as quais 934 são ligadas à construção civil. Segundo o consultor de empresas, com foco em diagnóstico e análise da estrutura organizacional e mapeamento de processos, Carlos Bonetti, boa parte destas 934 são construtoras. "Por dois motivos: o amadurecimento do mercado, com o consequente aumento da competitividade, e a exigência da certificação junto ao PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade-Habitar) para se obter financiamento público para a construção de moradias", explica.
Para Carlos Bonetti , quando uma pequena empresa se propõe a obter a ISO 9001 ela está disposta a quebrar paradigmas. De acordo com o especialista, seriam três: certificação é possível e é acessível, gestão profissional não é perda de controle e retenção de talentos não é moda ou privilégio de multinacionais. Bonetti também destaca que os requisitos da ISO 9001 pedidos para grandes e médias corporações são os mesmos solicitados às pequenas. "Os critérios têm como base princípios gerenciais consagrados na década passada: foco no cliente, liderança, abordagem de processo e melhoria contínua", afirma, completando que tratam-se de componentes essenciais para a empresa que busca crescimento sustentado, independentemente do tamanho.
Qualquer empresa que queira adotar a ISO 9001 precisa ter consciência de que passará por mudanças, em menor ou maior grau. "O nível de transformação será de acordo com o grau de maturidade da organização. Mas as transformações sempre são positivas. A minha experiência com empresas certificadas mostra que a opção pela certificação é uma decisão acertada, com melhorias ao longo de toda a cadeia produtiva", ressalta o especialista, mostrando os pontos comuns entre as empresas que buscam se adequar à norma: "O perfil é de companhias em expansão de seus negócios e que querem evitar um crescimento desordenado, que provoque descompasso entre vendas e produção."
Quando adotada, a certificação traz conquistas às empresas que podem ser divididas em dois grupos: financeiras e não financeiras.
Financeiras
Maior organização e controle dos processos internos
Redução dos custos operacionais
Melhorias nos produtos e serviços fornecidos
Redução de refugos e retrabalhos
Melhorias sustentadas e nas performances
Produtividade
Não financeiras
Melhorias nas operações
Melhorias na motivação
Melhoria de imagem (interna e externamente)
Melhoria do desempenho produtivo
Já, quanto ao custo para a implantação da ISO 9001, vai depender do investimento, do tempo, do tamanho da empresa, do grau de maturidade e, principalmente, do grau de comprometimento da alta direção. "O que indico ao empresário é que o planejado não é caro, ou seja, ele precisa planejar a certificação como um investimento e analisar criteriosamente o custo/benefício e o prazo estimado de retorno financeiro", sugere Carlos Bonetti. Na média do mercado, a implantação de uma ISO 9001 em uma pequena empresa pode custar de R$ 15 mil a R$ 40 mil, dependendo da organização que a Companhia já possua e do tempo para consolidar a certificação, que pode variar de seis meses a um ano.
Entrevistado
Carlos Bonetti, consultor de empresas, com foco em diagnóstico e análise da estrutura organizacional e mapeamento de processos.
Currículo
- Carlos Benetti é graduado em química, com especialização em gerenciamento ambiental na indústria e MBAs em estratégia e gestão empresarial, pela UFPR, e em finanças, auditoria e controladoria pela FGV-ISAE
- É instrutor, professor e atua como consultor de empresas com foco em diagnóstico e análise da estrutura organizacional e mapeamento de processos
- Tem experiência de mais de 20 anos em indústria química nas áreas de projetos, suprimentos e gestão de sistemas da qualidade, meio ambiente e segurança industrial
- Atuou como consultor e diretor industrial em empresa metalúrgica e possui vivência como facilitador de inovação e compliance
Contatos: carlos.paula@bsiexternal.com / carlos-benetti@hotmail.com
Créditos fotos: Divulgação autorizada
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Combate às patologias começa na impermeabilização
Estanqueidade de uma obra precisa vir contemplada no projeto. Caso contrário, além de infiltrações, custo da construção encarece mais de 12%
Por: Altair Santos
O custo de uma boa impermeabilização representa de 1% a 2% no orçamento total da obra. Isso, se ela já vier incluída no projeto do empreendimento. Caso contrário, se tiver que ser feita depois de constatados problemas na construção, o processo pode gerar um acréscimo superior a 12% no custo da mesma obra. Por isso, impermeabilizar corretamente é melhor do que combater patologias. Esse foi o legado do 13º Simpósio Brasileiro de Impermeabilização, que aconteceu em junho de 2013, em São Paulo. No encontro, foram apresentadas inovações, tendências e tecnologias que devem estar presentes tanto nas grandes obras quanto nos empreendimentos imobiliários, como explica na entrevista a seguir a arquiteta Elka Porciúncula, especialista em impermeabilização com ênfase em projetos. Confira:

Os projetos, sejam de grandes obras ou de empreendimentos imobiliários, têm dado relevância à impermeabilização ou essa é uma preocupação ainda periférica na construção civil?
A conscientização da necessidade de uma boa impermeabilização na construção civil decorre da crescente ocorrência de patologias, fruto de mau serviço executado em obra, no que diz respeito a estanqueidade e proteção estrutural. Nos empreendimentos imobiliários, isso é computado em planilha de custo com orçamentos planejado que não admitem desvios. Portanto, corrigir ou refazer a impermeabilização é bastante oneroso. Nas grandes obras, geralmente com recursos públicos, essas ocorrências são resolvidas com novas contratações e não com cobranças dos responsáveis pelo serviço mal executado. Deveria ser diferente, com a maior fiscalização do uso de verbas públicas.
Em termos de custo/benefício e vida útil de um empreendimento, qual o peso da impermeabilização na obra?
O custo de uma boa impermeabilização em uma obra esta dentro de uma margem de 1% a 2% do custo geral e representa muito pouco na planilha de custo final, visto que significa preparar a edificação contra os efeitos de infiltração , dando estanqueidade a sistemas construtivos e protegendo a estrutura contra corrosão, fissuras, descolamentos, ações químicas etc. Refazer a impermeabilização eleva esse custo a uma margem superior a 12%, segundo estudos já elaborados.
Quais normas estão vinculadas hoje ao correto emprego da impermeabilização?
A NBR 9575 - Projeto de Impermeabilização; NBR 9574 - Serviços de Impermeabilização, e NBR 15575 - Desempenho dos Sistemas Construtivos, além de todas as normas que se referem aos produtos e elementos utilizados em impermeabilização, como NBR 9952 - Mantas Asfálticas; NBR 9910 - Asfalto Modificado, e NBR 9686 - Solução e Emulsão Asfáltica.
Sabe se há alguma norma em processo de revisão ou sendo criada para melhorar o processo de impermeabilização?
Atualmente, as NBR 9952 – Mantas Asfálticas para impermeabilização, está na comissão de estudo de sistemas de mantas asfálticas da ABNT, assim como a NBR 11905 - Sistema de Impermeabilização Composto por Cimento Impermeabilizante e Polímeros, que encontra-se na comissão de estudo de sistemas rígidos da ABNT.

No que a norma de desempenho (NBR 15575) vai acrescentar na melhoria dos processos de impermeabilização?
A NBR 15575 – Desempenho dos Sistemas Construtivos para Edificações Residenciais chega em um excelente momento da construção civil, onde novas tecnologias e materiais estão sendo utilizados e precisam ser balizados para atender aos critérios desejados pelos usuários, que são o objetivo final da edificação. As incorporadoras e construtoras devem conceber e executar as obras de acordo com processos construtivos que atendam o nível de desempenho especificado em projeto para ser atingido ao longo de uma vida útil. Isso envolve toda a cadeia construtiva - incorporadores, projetistas, construtores, fabricantes, fornecedores de insumos e o usuário. Em impermeabilização teremos um processo muito mais planejado em suas etapas, que possibilitará rastrear o que foi executado, como e por quem, desde que devidamente documentado o procedimento. A NBR 15575 se baseia nas normas prescritivas que, em impermeabilização, seriam a NBR 9575 e a NBR 9574, acrescentando conceitos novos ao que se pretende em requisitos de estanqueidade, proteção das estruturas, resistência ao fogo etc. Também define quais os prazos de garantias para cada sistema construtivo e sua vida útil e vida útil de projeto. Muito ainda será preciso medir em laudos e ensaios técnicos. Não temos as informações balizadas para definir esses prazos, mas certamente é um avanço no que diz respeito à qualidade da construção civil.
Quando se elabora um projeto de impermeabilização, o que deve ser levado em consideração?
Em impermeailização é preciso um processo muito mais planejado, que começa pelo estudo do terreno e suas características geomorfológicas e químicas, bem como o entorno, além de estudos de drenagens. Também é preciso ter a compreensão do projeto de arquitetura e de todos os outros envolvidos numa obra, compatibilizando sempre as indicações dos sistemas de impermeabilização e os sistemas construtivos adotados. Por fim, quando o empreendimento estiver pronto, se faz necessário orientar o usuário sobre como utilizar as áreas que receberam impermeabilização.
O que diferencia, em termos de impermeabilização, quando se faz um projeto para uma grande obra (pontes, viadutos, estádios etc) e para um empreendimento imobiliário, por exemplo?
Na elaboração de projetos de impermeabilização não existe diferença entre empreendimentos imobiliários e grandes obras. O que difere são os estudos técnicos necessários para iniciar um estudo preliminar de impermeabilização para a obra a ser executada. Grandes obras possuem interfaces multidisciplinares que precisam ser bem discutidas, até para se formatar a real necessidade de impermeabilizar e como isso funcionará em decorrência de diversos fatores possíveis no pós-obra, como ações de vento, chuvas, movimentos, alto tráfegos, exposição ao sol etc. Geralmente, as grandes obras são com recursos públicos e não valorizam essa fase projetual, deixando consequências para correção no pós-obra, sem a devida fiscalização e com os serviços mal executados. Em empreendimentos imobiliários, essa fase projetual tem sido bem discutida pelas empresas, que já perceberam a importância de um projeto de impermeabilização.

Quais patologias podem afetar uma obra se a impermeabilização for mal feito ou ignorada?
Diversas são as patologias decorrentes da falta ou má execução de impermeabilização, tais como infiltrações por capilaridade ascendente, que causam aquele bolor e fungos em rodapés e pisos; manchas por eflorescência, carbonatação, corrosão das armaduras, infiltrações em juntas e detalhes construtivos, manchas de umidade por absorção, trincas e fissuras, descolamento de revestimentos internos e externos, para citar as mais comuns.
Construções que usam concreto pré-moldado usam que tipo de impermeabilização em comparação com as de concreto armado?
Sistemas construtivos que utilizam estruturas pré-moldadas precisam estar atentos aos detalhes de juntas verticais e horizontais, além dos encaixes, que sofrem grandes movimentações. O tipo de uso a que estará exposta a edificação também influencia, assim como o tipo de concreto, que pode ser mais leve, mais aerado e com maior facilidade de absorção de água. O uso acentuado de desmoldantes, alterando as propriedades da superfície, bem como a grande quantidade de elementos que serão fixados aos pré-fabricados, pós-serviços, também podem influenciar na impermeabilização.
Em termos de mão de obra, equipamentos e produtos para impermeabilização, a construção civil brasileira está bem servida ou tem muito a evoluir em relação ao que é aplicado fora do país?
No que diz respeito à impermeabilização, o Brasil está muito bem em produtos e técnicas construtivas. Mas em mão de obra qualificada, está muito fraco. Não temos ainda a cultura do treinamento técnico e aperfeiçoamento. Precisamos qualificar e reconhecer a boa mão de obra, isso é o que há de fraco em toa a cadeia, não apenas em impermeabilização. É importante pensar em impermeabilização em fase de projeto e fazer com que ele se compatibilize com todos os outros projetos. Também é necessário que ele faça parte da planilha de orçamento previsto com menor desvio possível. A prática nos apresenta que a impermeabilização só é decidida na fase em que a obra já esta muito avançada e muitos serviços precisam ser refeitos por não estarem previstos em projeto. Isso foi tema relevante no Simpósio de impermeabilização que aconteceu recentemente em São Paulo e fez parte do trabalho de dissertação de mestrado do engenheiro Jorge de Aquino Lima, sob o título "Processo integrado de Projeto, aquisição e execução de sistemas de impermeabilização em edifícios residenciais: diagnóstico e proposição de melhorias de gestão".
Entrevistada
Elka Porciúncula, arquiteta, assessora técnica e especialista em impermeabilização com ênfase em projetos
Currículo
- Elka Porciúncula é graduada em arquitetura pela Universidade Federal de Pernambuco (1986)
- Atua como assessora técnica na ADEMI-PE (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário no Estado de Pernambuco)
- É sócia-diretora do escritório Paralelas Projetos, especializado em impermeabilização com ênfase em projetos
Contato: elkawp@hotmail.com
Créditos fotos: Divulgação autorizada