Eficiência energética estimula cimento ecológico

Em congresso da ABCP, indústria do setor revela comprometimento para mitigar consumo de energia, sem prejudicar aumento da produtividade

Por: Altair Santos

O Brasil, de acordo com a Cement Sustainability Initiative (CSI) - organismo global que promove auditorias de sustentabilidade na indústria de cimento - é benchmarking mundial em coprocessamento de biomassa. Isso se deve à grande eficiência energética atingida pelas plantas instaladas no país. O setor alcança esse desempenho ao substituir a queima do coque de petróleo, para a fabricação de clínquer, por resíduos líquidos, pastosos e sólidos em seus fornos, economizando matérias-primas. Só no ano passado, 1,2 milhão de toneladas de resíduos foram coprocessados nas instalações produtoras de cimento.  Os números foram apresentados no 6º Congresso Brasileiro de Cimento (CBC) pelo diretor de tecnologia da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) Yushiro Kihara.

Yushiro Kihara, diretor de tecnologia da ABCP: eficiência energética é um dos pilares que fundamentam a sustentabilidade da indústria de cimento

Segundo o geólogo e dirigente da ABCP, hoje o grande desafio da indústria de cimento é aliar desenvolvimento com baixo impacto ambiental. No Brasil, essa equação segue equilibrada, mas é preciso ter estratégias para enfrentar os desafios que virão. "Hoje, do total de cimento consumido no mundo, o país responde por 1,8%. É muito pouco. Por habitante, o brasileiro consome 350 quilos por ano, enquanto a média mundial é de 550 quilos. No entanto, a indústria nacional de cimento caminha para a conquista do oeste, planejando novas plantas em cidades do interior, e isso vai demandar estratégias para que o Brasil siga como referência em baixas emissões de CO₂", cita Yushiro Kihara, lembrando que atualmente os setores agropecuário e de produção de energia - por causa das termoelétricas - respondem por 88% das emissões de CO₂ no país.

No 6º CBC, o consultor norte-americano Allan Andersen, especialista em estudos de novos materiais para a produção de cimento, lembrou que o Brasil tem um ambiente propício para a fabricação de materiais ecológicos, a partir da calcinação da argila em substituição ao clínquer. "Esta tecnologia garante um cimento de alta qualidade, com menos consumo de energia e emissões, e menor investimento inicial do que os processos tradicionais. O Brasil encontra-se numa posição privilegiada para essas pesquisas, pois tem várias reservas de argila e as usa pouco. Se quisesse, teria potencial para substituir imediatamente 50% do clínquer pela argila calcinada em seus cimentos", afirma.

Coprocessamento na Itambé

Dair Favaro: Itambé projeta coprocessar 92 mil toneladas de resíduos em 2014

Há um ano, a Cia. de Cimento Itambé intensificou o coprocessamento de resíduos líquidos, pastosos e sólidos. Em 2013, foram levados aos fornos da fábrica de Balsa Nova, na região metropolitana de Curitiba, 63 mil toneladas de resíduos industriais. Para 2014, a projeção é de que sejam coprocessadas 92 mil toneladas. Para isso, foi criada a empresa Rio Bonito, que recebe, trata e analisa em laboratório próprio a qualidade dos resíduos. "O grande benefício é que o coprocessamento tira dos lixões materiais que ficariam expostos, muitos deles tóxicos, e que poderiam emanar vapores que contribuem para a emissão de CO₂ e de NOx, elemento responsável pela chuva ácida", explica Dair Favaro Júnior, gerente industrial da Itambé, e que no 6º CBC palestrou sobre o case da empresa em coprocessamento.

Entrevistados
- Geólogo Yushiro Kihara, diretor de tecnologia da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
- Engenheiro industrial Allan Andersen, pesquisador de materiais para a fabricação de cimentos ecológicos
- Engenheiro químico Dair Favaro Junior, gerente industrial da Cia. de Cimento Itambé
Contatos
yushiro.kihara@abcp.org.br
dair.favaro@cimentoitambe.com.br
info@flsmidth.com

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Arquitetura brasileira perde "pai do pré-fabricado"

João Filgueiras Lima, o Lelé, deixa um dos maiores legados à construção civil do país. Contemporâneo de Niemeyer, ele também se dedicou ao concreto

Por: Altair Santos

Lúcio Costa - responsável por projetar Brasília - definia Oscar Niemeyer como o "criador" e João da Gama Filgueiras Lima, o Lelé, como o "construtor". Foi essa tríade de arquitetos que tornou possível o sonho de erguer a capital federal no centro do Brasil. Pois no dia 21 de maio de 2014, o único dos três que ainda estava vivo veio a falecer - vítima de câncer. João Filgueiras, 82 anos, foi pioneiro no país na adoção de sistemas construtivos industrializados. Não é à toa que o definiam como o "pai do pré-fabricado de concreto".

João Filgueiras Lima, o Lelé: para ele, pré-fabricado acelerou progresso do Brasil

Lelé entendia que o pré-fabricado aceleraria o progresso do país e atenderia as altas demandas que o Brasil ainda tem em construções de escolas, hospitais, habitações e outros equipamentos comunitários. Porém, tinha consciência de que seu ideal estava longe de ser alcançado. "O Brasil ainda deve muito à industrialização na construção. O que ocorre é o seguinte: embora haja uma demanda grande em termos de obras habitacionais, escolas e prédios na área de saúde, o investimento é muito pequeno em processos industriais", disse em entrevista concedida ao Massa Cinzenta, em abril de 2012.

O arquiteto desenvolveu sua tecnicalidade com pré-moldados em cursos que realizou no Leste Europeu nos anos 1960. Foi quando estava construindo a Universidade de Brasília (UnB) sua primeira experiência com a industrialização da construção civil. Já nos anos 1970, iniciou a série de projetos para a Rede Sarah de hospitais, que até hoje é uma de suas obras mais marcantes.

Também neste período, João Filgueiras criou em Salvador-BA a Fábrica de Equipamentos Comunitários (FAEC). O objetivo era oferecer soluções inovadoras para as cidades, atendendo, principalmente, construção de creches, escolas e postos de saúde. A tecnologia desenvolvida por ele prometia erguer um equipamento desses em até 15 dias. Sem demanda do poder público, a FAEC durou apenas três anos.

Referência à arquitetura

Hospital Regional de Taguatinga, no Distrito Federal: uma das obras mais emblemáticas de Lelé

Para Haroldo Pinheiro, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), Lelé era um profissional comprometido com a dimensão ética da arquitetura e colocou sua arte de projetar e construir a serviço, sobretudo, de obras públicas em programas sociais. "Por falta de uma cultura arquitetônica maior, o país talvez não tenha conhecimento exato dos méritos dele, do quanto ficamos empobrecidos culturalmente nesse momento. É uma perda que ocorre justamente quando a sociedade exige cidades com espaços e equipamentos coletivos de boa qualidade, que era o que João Filgueiras propunha", afirmou.

De acordo com Thiago de Andrade, presidente da regional do Distrito Federal do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) a morte de Lelé deixa uma lacuna na área de soluções arquitetônicas, principalmente para a saúde."Os hospitais da Rede Sarah são faces do Brasil das quais nos orgulhamos. A beleza, a dignidade e o amplo aspecto de soluções integradas, a humanização dos espaços sem concessões ao luxo, torna-os, por isso mesmo, objetos ímpares e um necessário estudo de caso para hospitais do mundo inteiro", comentou, finalizando: "Lelé foi uma escola."

Confira aqui entrevista concedida por João Figueiras Lima ao Massa Cinzenta

Entrevistados
Presidentes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo e do Instituto de Arquitetos do Brasil, regional DF, Haroldo Pinheiro e Thiago de Andrade
Contatos
rrt@caubr.gov.br
iabdf@iabdf.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/Joana França

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Cumprir normas técnicas evita confrontos com a lei

É o que diz artigo da superintendente do CB-18, Inês Laranjeira da Silva Battagin, onde são abordadas as controvérsias sobre o assunto

Por: Altair Santos

Norma técnica tem força de lei? O aprimoramento da sociedade brasileira e os esforços da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) em estabelecer parâmetros cada vez mais rigorosos para que os produtos estejam adequados às exigências do mercado têm levados os setores produtivos, indistintamente, a fazer esse questionamento. No entender do poder judiciário, a norma técnica não é lei, mas serve como um instrumento para balizar o poder público sobre uma prática adequada, que deve ser seguida na ausência de outra comprovadamente melhor ou igual.

Inês Battagin: tema é recorrente em eventos da construção civil

Já o entendimento internacional é que, quando o conteúdo de uma norma é transcrito em uma lei, essa norma passa a ter caráter legal. A controvérsia entre a interpretação jurídica dentro do Brasil e fora do país é de solução complicada, entende a engenheira civil Inês Laranjeira da Silva Battagin, superintendente do ABNT/CB-18 e membro dos conselhos técnico e deliberativo da ABNT. "Essa difícil separação tende a ser mais complexa, especialmente em função de processos de acreditação e de certificação que embasam os programas governamentais (diversos na construção civil) como os previstos pelo Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat e respectivos Programas Setoriais da Qualidade", explica.

Inês Battagin escreveu recentemente o artigo Norma não é lei, mas por força de lei é obrigatória. Ela afirma que foi motivada a expor seus conceitos sobre o assunto, por causa da frequência com que é consultada a respeito do caráter legal das normas técnicas brasileiras. "Tenho percebido que esse tema é recorrente em eventos da construção civil. O assunto é amplo e controverso e tem, de forma crescente, chamado a também a atenção de profissionais do Direito, valendo ser explorado, para melhor entendimento", completa.

A superintendente do CB-18 - Cimento, Concreto e Agregados - entende que as normas técnicas refletem o consenso técnico de um país sobre um determinado tema, em um dado momento da história e que, portanto, são evolutivas e sujeitas ao gatilho de uma revisão (ou de um novo trabalho) de acordo com a necessidade da própria sociedade. Por esse motivo, Inês Battagin destaca que é crescente a busca por processos de certificação que possibilitem comprovar que produtos e serviços seguem rigorosamente as normas. "Além de uma garantia para o consumidor, os processos de certificação têm servido como instrumento de marketing e acabam gerando o que se convencionou denominar de círculo virtuoso”, destaca.

Esse processo evolutivo se firmou a partir do Código de Defesa do Consumidor, em que as relações de consumo tornaram-se mais claras, apesar de complexas, e passou-se a falar de responsabilidade compartilhada a todos que de alguma forma fazem parte de um determinado sistema (produtor, importador, vendedor, instalador e outros, se houver). Foi a partir daí que a normalização técnica tornou-se uma legítima aliada no combate ao uso indiscriminado de produtos perigosos, às práticas comerciais abusivas e à busca pela sustentabilidade, entre outros importantes objetivos. "Nos dias atuais há um limite tênue no campo da normalização técnica, entre o que se considera atendimento obrigatório e o que pode ser uma simples recomendação", reflete Inês Battagin, reforçando a tese de seu artigo, de que norma não é lei, mas por força de lei é obrigatória.

Clique aqui e leia a íntegra do artigo

Entrevistado
Engenheira civil Inês Laranjeira da Silva Battagin, superintendente do ABNT/CB-18 - Cimento, Concreto e Agregados.
Contato
ines.consult@abcp.org.br
cb18@abcp.org.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Boas práticas para ensaiar cimento e concreto

Assessoria técnica da Cia. de Cimento Itambé torna visível ao setor da engenharia a qualidade e a tecnologia empregadas para fabricar seus produtos

Por: Altair Santos

Para comprovar toda a qualidade e tecnologia utilizadas na fabricação de seus produtos, a Cia. de Cimento Itambé disponibiliza vídeos de alguns ensaios. A assessoria técnica da empresa mostra as boas práticas para realizar ensaios de cimento e concreto. Onze vídeos já estão disponíveis: Ensaios químicos do cimento, Ensaios físicos do cimento, Granulometria, Massa específica dos agregados, Ensaio de abatimento do concreto, Ensaio de espalhamento do concreto, Moldagem dos corpos de prova, Ensaio de ruptura dos corpos de prova, Ensaio de ruptura de postes, Ensaio de ruptura de tubo de concreto e Ensaio de ruptura de blocos.

Onze vídeos sobre ensaios de cimento e concreto já estão disponíveis no site da Itambé

Cada vídeo funciona como uma miniaula sobre cada um dos processos. A produção é da Redirect Digital Marketing. Além de ser um complemento ao trabalho que a assessoria técnica da empresa presta aos seus clientes, os vídeos também têm a função de esclarecer dúvidas que exigem respostas rápidas e de mostrar aos profissionais da construção civil, estudantes de engenharia civil, engenharia química e geologia como atuam os laboratoristas.

O objetivo pedagógico dos vídeos é reforçado pela forma como eles foram produzidos. Todos possuem legendas e frisam frequentemente quais normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) são seguidas em cada um dos ensaios. Destacam-se também as tecnologias e os equipamentos empregados para que se obtenham os resultados desejados. Além disso, revelam a transparência com que a Cia. de Cimento Itambé fabrica seus produtos e a preocupação em sempre orientar os clientes sobre as melhores práticas para usá-los em suas obras.

Assessoria permanente
Os onze vídeos técnicos disponíveis no site da Itambé são uma extensão da assessoria técnica que a empresa presta há 19 anos para seus clientes. Neste caso, uma equipe especializada orienta tanto parceiros industriais quanto construtoras e clientes dos revendedores de Cimento Itambé - na maioria, microempresas que fabricam artefatos de concreto. Para receber uma visita destes especialistas, o cliente pode acionar o assessor comercial da empresa ou entrar em contato através do site da Itambé ou pelo telefone 0800 419002. O serviço é prestado nos estados da região sul do país (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

Atualmente, a pedido dos próprios clientes, a assessoria técnica da Cia. de Cimento Itambé passou a orientá-los também sobre a disposição dos equipamentos de produção (layout), a ampliação do parque industrial e o uso de novos materiais e tecnologias. No entanto, a maior parte dos serviços está relacionada a dosagens de concreto, dosagens de argamassa, ensaios de cimento, controle tecnológico do concreto, ensaios de agregados, acompanhamento e avaliação do processo produtivo e apoio técnico em processos de certificação. Com os novos vídeos, a vocação da empresa de compartilhar conhecimento fica ainda mais reforçada.

Acesse os vídeos da assessoria técnica
http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/assessoria-tecnica/videos-tecnicos/

Entre em contato com a assessoria técnica
http://www.cimentoitambe.com.br/assessoria-tecnica ou pelo telefone 0800419002
Obs: serviço exclusivo para clientes Itambé

Crédito Foto: Reprodução

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Patologia do concreto ainda é ignorada nas graduações

Alconpat Brasil está empenhada em disseminar disciplina nos cursos de engenharia civil, já que demanda por especialistas só faz aumentar

Por: Altair Santos

Os conceitos de sustentabilidade fizeram crescer a demanda por recuperação de estruturas antigas. Desde 2005, quando nasceu a ALCONPAT Brasil, criando um braço nacional da ALCONPAT (Associação Latino Americana de Combate e Patologias das Construções) a procura por especialistas neste segmento da engenharia civil aumentou significativamente. Ao mesmo tempo, serviu para revelar uma contradição dentro das universidades: poucas ainda têm corpo docente e laboratórios para ensinar essa disciplina em sua grade de graduação. Os estudantes que querem atuar na área de patologias - principalmente as relacionadas ao concreto - precisam buscar cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado, muitas vezes fora do país.

Paulo Helene: valor do pesquisador se mede pelo número de trabalhos que ele publica

No 1º Congresso Brasileiro de Patologia das Construções (CBPAT) realizado de 21 a 23 de maio em Foz do Iguaçu essa constatação foi realizada com sentimento de "mea culpa", mas também com o propósito de reverter o quadro. "Infelizmente, na maior parte de nossas universidades a patologia ainda não é uma disciplina obrigatória. Essa é uma agenda que a ALCONPAT quer perseguir", revela o professor Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, titular de uma das poucas escolas de engenharia que trata do tema: a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). "Treinamos muito nossos jovens para lidar com estruturas jovens, mas não os ensinamos a atuar com estruturas antigas", completa.

Foi consenso no CBPAT de que o segmento da engenharia civil que trata das patologias da construção precisa de novos profissionais para consolidar as conquistas da ALCONPAT. "Precisamos de gente querendo trabalhar, para levar à frente todas as conquistas da ALCONPAT Brasil. Estamos conseguindo devolver nossas conquistas, nossas pesquisas à comunidade, e para que isso avance precisamos fazer com que nossos jovens se qualifiquem", reforçou Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, respaldado pelo professor da USP (Universidade de São Paulo) Paulo Helene. "A ALCONPAT é uma certificadora desses estudos, mas para tal precisamos que haja pesquisadores. E o valor do pesquisador se mede pelo número de trabalhos e pela quantidade artigos que ele publica."

Edificação mais segura
Um dos passos da ALCONPAT Brasil para qualificar engenheiros civis foi lançado recentemente. Trata-se do programa Edificação Mais Segura, que vai funcionar em parceria com o Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto), a Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) e a ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem). Com duas turmas em atividade desde 7 de maio de 2014 - uma em São Paulo; outra em Porto Alegre -, o curso capacita profissionais para realizarem inspeção de estruturas de concreto com o conhecimento necessário para o diagnóstico e a indicação de medidas corretivas e preventivas.

Luiz Carlos Pinto da Silva Filho: na maior parte das universidades, patologia não é disciplina obrigatória

Com duração de 62 horas (incluindo horas de provas) o programa Edificação Mais Segura também pretende qualificar profissionais para que a legislação e as normas técnicas sejam cumpridas.  "Quando ocorre uma tragédia, um colapso, o poder público diz: vamos fazer uma lei. Mas é chover no molhado. Se não tiver gente boa para aplicar os conhecimentos, se não tiver fiscalização, não há suporte para que a legislação seja aplicada", lembra Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, que junto com Paulo Helene, Bernardo Fonseca Tutikian, Eduardo Barros Millen, Francisco Paulo Graziano e Maria Angélica Covelo Silva está à frente do curso.

Itambé presente
Uma das patrocinadoras do CBPAT, a Cia. de Cimento Itambé aproveitou o evento e divulgou sua mais nova ferramenta para ajudar engenheiros e técnicos a reconhecer manifestações patológicas. Criado pela Redirect, parceira da Itambé em produtos ligados à internet , o aplicativo para smartphones e tablets trata com uma linguagem bastante simples de casos como corrosão de armaduras, desplacamento em pisos, eflorescências, esfarelamento do concreto, expansão dos componentes do concreto, falhas ou ninhos e trincas ou fissuras. Além de explicações, a ferramenta mostra imagens de como as patologias se manifestam. Conheça e baixe o APP: http://www.cimentoitambe.com.br/aplicativos/

Entrevistados
- Engenheiro civil Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Conselheiro e dirigente de organismos como IBRACON, IBAPE-RS, ACI, ALCONPAT e ABNT
- Engenheiro civil Paulo Roberto do Lago Helene, professor da USP, consultor e diretor da PhD Engenharia

Contatos
lcarlos@cpgec.ufrgs.br
paulo.helene@poli.usp.br

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Medicina inspira combate das patologias do concreto

Monitoramento do “paciente”, tomografias, investigação das causas e remédios cada vez mais eficazes também são usados pelos engenheiros civis

Por: Altair Santos

Os métodos para diagnosticar patologias em construções perseguem os sistemas já usados na medicina. As tecnologias não invasivas têm sido levadas a este ramo da engenharia civil, assim como os estudos para entender as causas e poder prevenir que estruturas de concreto não fiquem "doentes". "Hoje em dia, o monitoramento, as estruturas inteligentes à base de sensores e as tomografias do concreto têm sido usadas cada vez com mais frequência, não só para detectar as manifestações patológicas, mas também para preveni-las e para entender como é que elas surgem", explica o professor e diretor da escola de engenharia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Luiz Carlos Pinto da Silva Filho.

Bernardo Tutikian: Alconpat Brasil cresce em importância, principalmente depois das normas publicadas a partir de 2010

Segundo o professor titular da Universidade Federal de Goiás, Enio José Pazini Figueiredo, os sistemas não invasivos para analisar estruturas de concreto começaram na Dinamarca e passaram a exigir dos profissionais que atuam na área especializações bem específicas.  "Este é um segmento recente, mas evoluído. É também multidisciplinar e exige conhecimento", diz. Assim como na medicina, cada patologia do concreto tem suas características e merece tratamento diferenciado. "Comparativamente, é como uma doença coronariana, que não pode ser tratada de forma semelhante a um câncer", completa Luiz Carlos Pinto da Silva Filho. Por isso, existem hoje detecções eletromagnéticas de armaduras, ensaios de esclerometria, ensaios eletroquímicos e outras tecnologias para se prospectar patologias em estruturas.

O presidente da ALCONPAT Brasil, Bernardo Fonseca Tutikian, lembra que os avanços nas formas de se estudar e combater patologias do concreto coincidiram com o surgimento de importantes normas técnicas que foram publicadas ou revisadas a partir de 2010. "Esse crescimento, sem dúvida, está calcado na evolução e na aprovação de importantes normas que o país ganhou nos últimos quatro anos. A principal delas, a Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575) que pela primeira vez especificou vida útil com manutenção. Daí vieram, a norma de manual e uso de operação e manutenção (NBR 14037 - Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e manutenção das edificações - Requisitos para elaboração e apresentação dos conteúdos), a norma para reformas (ABNT NBR 16280:2014 ) e mais uma série de normas que levaram ao aprimoramento do estudo das patologias", destaca.

As comparações entre estudo das patologias do concreto e o campo da medicina se deram no 1º Congresso Brasileiro de Patologia das Construções (CBPAT) realizado de 21 a 23 de maio em Foz do Iguaçu. O tema também foi preconizado na palestra da engenheira e professora da UFRGS, Denise Dal Molin. Ela fez a abordagem ao falar sobre a vida útil das estruturas de concreto, de acordo com a NBR 15575. "Há muitos elementos que coincidem nestas duas áreas, que, a princípio, parecem antagônicas. Mas a engenharia está sempre atenta a outras ciências e, afinal, também tem como objetivo principal preservar vidas humanas", afirmou.

Entrevistado
Engenheiro civil Bernardo Fonseca Tutikian, professor  da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e presidente da ALCONPAT Brasil
Contato: bftutikian@unisinos.br

Crédito Foto: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Copa do Mundo salvou obra tombada do Maracanã

Estádio tinha série de manifestações patológicas, que foram sanadas com as exigências da Fifa para que fosse palco da decisão do mundial

Por: Altair Santos

O que teria sido do Maracanã, se a vinda da Copa do Mundo para o Brasil não tivesse resultado na mais profunda intervenção de retrofit que já se viu em uma obra deste tipo no mundo? Pelo estado de suas estruturas, o patrimônio tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) corria risco se mantivesse o projeto original. Foi o que revelou o engenheiro civil e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Ênio José Pazini Figueiredo, responsável por diagnosticar as patologias existentes no estádio. "Havia muita agressividade e grau elevado de deterioração. Em alguns setores, as barras de aço quebravam como gravetos secos", relatou o especialista durante o 1º Congresso Brasileiro de Patologia das Construções (CBPAT) realizado de 21 a 23 de maio em Foz do Iguaçu.

Ênio Pazini Figueiredo: ensaios diagnosticaram que reparos deveriam ser bem maiores do que se imaginava

Construído com tecnologia dos anos 1940, o estádio exigiu de Ênio José Pazini Figueiredo uma investigação profunda. Primeiro, ele estudou o projeto antigo, promoveu um levantamento fotográfico, fez ultrassonografia das estruturas, ensaios de esclerometria no concreto e utilizou técnicas eletroquímicas e outros procedimentos não destrutivos. "Os exames não batiam com a avaliação clínica, pois encontramos estruturas muito diferentes dentro de uma mesma construção. Isso exigiu que fossem extraídos corpos de prova e percebemos que os reparos deveriam ser muito maiores do que se imaginava. Em alguns casos, o aço da infraestrutura não se deformava nem 3%. Tudo que levantei fez parte de um relatório que circulou por várias instituições do Brasil", lembra Pazini.

O professor relata que foram detectados fenômenos não conhecidos, e que resultarão em teses acadêmicas sobre patologias da construção, mas também alertou para o fato de não haver diretrizes normativas para as obras tombadas. "Uma reforma da importância que foi a que recuperou o Maracanã certamente vai irradiar novas metodologias e, inclusive, influenciar os catálogos técnicos das empresas que fabricam materiais. Estamos falando de uma das maiores obras de recuperação de concreto", diz. Ênio Pazini completou que o Maracanã está fadado a desafiar o tempo com as novas intervenções feitas. "Se durou 60 anos, ele agora está pronto para ter uma vida útil ainda mais longa. Por isso, estou preparando o manual de estrutura de concreto e manutenção do estádio", revela.

Corrosão nas armaduras proliferavam em vários pontos do Maracanã

Pazini reforça ainda que o Maracanã, assim como as outras obras envolvendo estádios e projetos de mobilidade, deixará um legado técnico para o setor. "A engenharia nacional está ganhando especialistas para as duas próximas gerações, pois essas obras ajudaram a formar novos profissionais muito competentes", ressalta. O professor da UFG finaliza dizendo que, independentemente dos resultados da Copa do Mundo, o grande vencedor do mundial no Brasil foi o concreto. "Foi o material mais utilizado em obras de estádios, seja na forma de pré-fabricado, pré-moldado ou protendido. Então, já temos um campeão desta Copa do Mundo: o concreto", exalta. O retrofit do Maracanã consumiu 31.000 m³ de concreto. Para o Green Building Council Brasil, foi a obra mais sustentável entre as envolvidas com o mundial.

Entrevistado
Engenheiro civil Ênio José Pazini Figueiredo, especializado em Patologia das Construções pelo Instituto Eduardo Torroja, da Espanha, e professor titular da Universidade Federal de Goiás (UFG)
Contato: epazini@eec.ufg
Créditos Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Protegida de patologias, Itaipu faz 40 anos e recebe CBPAT

Marco da engenharia mundial, usina hidrelétrica é modelo para monitoramento e prevenção contra as manifestações que atingem o concreto

Por: Altair Santos

Tudo na hidrelétrica de Itaipu é superlativo. A usina, que dia 17 de maio de 2014 comemorou 40 anos - a data marca a fundação da empresa Itaipu Binacional, que proporcionou a construção da barragem -, consumiu 12,7 milhões de m³ de concreto. A obra se deu ao longo de sete anos (1975 a 1982) e neste período consumiu aproximadamente 500 mil toneladas por ano de construção. Depois de pronto, o empreendimento propôs outro desafio à engenharia civil brasileira: como operar a manutenção e preveni-lo de patologias que atingem o concreto, o que desencadeou os primeiros estudos sobre esse tema no país. Não foi à toa, então, que o Parque Tecnológico de Itaipu sediou de 21 a 23 de maio o 1º Congresso Brasileiro de Patologia das Construções (CBPAT).

Hidrelétrica de Itaipu, cenário do 1º CBPAT: obra coincidiu com primeiros estudos sobre patologia das construções no Brasil

O evento reuniu nomes consagrados e pioneiros no estudo de patologias do concreto dentro das escolas de engenharia das universidades brasileiras. Entre eles, o professor Paulo Helene, da Universidade de São Paulo (USP). Ph.D no assunto, ele destacou que Itaipu serviu como um divisor de águas na engenharia civil brasileira. “A partir desta obra monumental, fruto da união de esforços de duas nações, a engenharia em nosso país passou a ser vista com outros olhos, sob o ponto de vista internacional. Lembro que essa obra começou quando finalizava minha graduação e, desde então, muitos avanços ocorreram. Mas Itaipu continua sendo um marco. Temos nesta barragem quarenta anos de engenharia”, destaca.

Itaipu é monitorada diariamente por uma equipe interdisciplinar de engenheiros e por dois mil equipamentos distribuídos ao longo da barragem, que medem a resistência da megaobra. Além disso, conta com um laboratório de tecnologia do concreto que é referência na América Latina. É a partir dele que são desenvolvidas atividades relacionadas ao controle e à qualidade das estruturas da usina. A área de ação do laboratório também inclui estudos geológicos do terreno onde está instalada a hidrelétrica. Eles permitem confirmar os parâmetros geomecânicos, a fim de que sejam executados trabalhos que aliviem as subpressões atuantes na fundação. “Por tudo isso, a abertura deste congresso só poderia ser realizada aqui, na jusante da Itaipu”, exalta o também Ph.D em patologias, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho.

Para o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) José Marques Filho - especialista em construção e manutenção de barragens -, a importância de Itaipu para o estudo de manifestações patológicas começa em seu projeto. “Houve um estudo de análise de risco muito qualificado. Nele foram previstas as manifestações e, com base nisso, programado o controle de vida útil da usina. Itaipu é uma obra que precisa que sua vida útil seja prorrogada sempre. Por isso, exige conceitos diferentes de estudos de patologia do concreto”, ressalta, resumindo em uma frase a importância da hidrelétrica para o Brasil. “Itaipu é tão relevante para o país, que basta dizer que se ela ficar dois minutos desligada o sistema de energia brasileiro entra em colapso.”

Entrevistados
- Engenheiro civil Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Conselheiro e dirigente de organismos como IBRACON, IBAPE-RS, ACI, ALCONPAT e ABNT
- Engenheiro civil Paulo Roberto do Lago Helene, professor da USP, consultor e diretor da PhD Engenharia
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paulo.helene@poli.usp.br

Crédito Foto: banco de imagens

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Concreto em túneis supera 11 milhões de m³ no Brasil

Em 20 anos, obras subterrâneas cresceram 500%, segundo números do Comitê Brasileiro de Túneis (CBT) e do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon)

Por: Altair Santos

Em pouco mais de duas décadas, o uso de concreto em construções subterrâneas quase triplicou no Brasil. Saiu do patamar de 4 milhões de m³ para 11 milhões de m³, segundo dados do Comitê Brasileiro de Túneis. No mesmo período, ou seja, entre os anos 1990 até 2012 - duração do levantamento - as obras envolvendo túneis no Brasil cresceram aproximadamente 500%. As informações foram apresentadas no Congresso Mundial de Túneis (World Tunnel Congress – WTC 2014) que aconteceu de 9 a 15 de maio em Foz do Iguaçu-PR.

Imagem da construção da linha 1 do metrô de São Paulo, com a TBM chegando à estação São Bento, em 1973

A demanda maior por túneis veio da indústria da construção voltada às hidrelétricas. Desde que a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) definiu, em 1998, regras para o investimento privado para a geração de eletricidade, um grande número de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) foi construído com obras subterrâneas associadas. A opção pelos túneis para a transmissão da água até a usina geradora de energia está ligada à redução do impacto ambiental. O Brasil conta atualmente com 389 PCHs e há projetos para que esse número avance até 900. Porém, desde 2010, o interesse do governo federal em priorizar o uso de termoelétricas desestimulou o setor.

Antes da construção de túneis para abastecer usinas hidrelétricas, o Brasil utilizou a escavação de rochas para transpor obstáculos e construir sua primeira malha ferroviária, a partir do século 19. O imperador Dom Pedro II foi o incentivador de linhas férreas transpassando túneis e estimulou as escolas de engenharia da época a desenvolverem a tecnologia de construções subterrâneas a partir de explosões com dinamite. Assim, túneis, que antes levavam até sete anos para serem abertos, passaram a ser construídos em onze meses. Na época, o Brasil teve no engenheiro Francisco T. da Silva Telles o protagonismo de ser o maior executor de túneis do país.

Entre os anos 1950 e 1960, o Brasil passou a viabilizar túneis urbanos. A cidade do Rio de Janeiro foi pioneira neste tipo de construção. Em Copacabana, foram concluídos os túneis Sá Freire Alvim (1960) e Major Vaz (1963). Também nos anos de 1960, dois dos maiores túneis da cidade foram entregues ao tráfego: o Santa Bárbara (1963) e o Rebouças (1967). Em 1971, vieram os túneis de interligação da Zona Sul com a Barra da Tijuca (Joá, São Conrado e Dois Irmãos). Depois, ainda nos anos de 1970, concluíram-se as obras do Frei Caneca e do Noel Rosa.

Na sequência, o país começou a projetar suas primeiras linhas de metrô. Na linha 1 de São Paulo, construída no início dos anos 1970, foram utilizados todos os tipos de métodos disponíveis na época: NATM (New Austrian Tunnelling Method), valas a céu aberto (cut&cover) e TBMs (Tunnel Boring Machines). A obra serviu para balizar as demais construções de linhas de metrô no país e até hoje serve como referência, apesar de todo o avanço tecnológico e de equipamentos para a construção de túneis.

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Entrevistado
Comitê Brasileiro de Túneis
Contato: www.tuneis.com.br

Crédito Foto: Divulgação/MetroSP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Indústria tuneleira experimenta aquecimento global

Brasil tem números mais modestos, mas acompanha tendência mundial de avançar em obras de túneis e no espaço subterrâneo, com foi revelado no WTC 2014

Por: Altair Santos

O Congresso Mundial de Túneis (WTC 2014) realizado de 9 a 15 de maio em Foz do Iguaçu-PR, trouxe para a indústria tuneleira do Brasil uma série de novidades. Além de tecnologias e métodos construtivos, revelou obras internacionais que servem de referência para o país.

Hugo Rocha, presidente do CBT: túneis convivem melhor com grandes ocupações urbanas.

Especialistas de 64 nacionalidades participaram do evento, e mais de 1.200 congressistas expuseram trabalhos. Para o presidente do Comitê Brasileiro de Túneis, Hugo Rocha, que junto com a Associação Internacional de Túneis e do Espaço Subterrâneo (ITA) promoveu o WTC 2014, ficou evidente que o mercado de túneis está em crescimento em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Apesar de o país ter poucas obras em andamento, se comparado à China e à União Europeia, a indústria tuneleira nacional experimenta aquecimento de 265%, entre 2010 e 2014. O Comitê Brasileiro de Túneis saiu de 126 sócios para 460, revela Hugo Rocha, que na entrevista a seguir faz um balanço do setor. Confira:

Qual balanço o senhor faz do WTC 2014, realizado de 9 a 15 de maio em Foz do Iguaçu-PR?
Do ponto de vista da comissão organizadora, o evento foi avaliado como um sucesso. Tivemos 1.208 congressistas de 64 países e mais 200 expositores. O feedback é de aprovação.

Em termos de novas tecnologias e inovações, o WTC 2014 destacou alguma?
Foi mostrado um avanço grande em termos de tecnologia de equipamentos, tanto os mecanizados quanto os de automação para túneis convencionais. A cada congresso mundial, que é de periodicidade anual, percebemos que as inovações são constantes. Não só em relação a equipamentos, mas também quanto à segurança de trabalho, revestimentos impermeabilizantes e tecnologia do concreto.

Quais obras relevantes, em termos de túneis, foram destacadas no congresso?
Foram muitas obras. Mas os projetos futuros chamaram mais atenção. Entre eles, uma obra de onze quilômetros em um fiorde na Noruega, que passará pelo subleito do mar. Outro projeto é o da travessia do Estreito de Gibraltar, em uma região cheia de falhas geológicas. Também tem os túneis andinos, que se propõem atravessar a Cordilheira dos Andes, ligando a Argentina e o Chile. Mas quem mais se destaca são as obras na China. Hoje já há mais de trezentas tuneladoras trabalhando naquele país. Só para comparação, no Brasil atualmente existem quatro tuneladoras em operação e quatro que devem entrar em funcionamento em breve.

O Brasil hoje tem um volume significativo de obras envolvendo túneis ou poderia estar melhor?
O Brasil tem o aspecto topográfico, cujo relevo não é muito acidentado. Isso exige menos túneis. Mas o país está acordando para uma tendência forte na Europa, que é a de enterrar as estruturas de transporte, armazenamento e comunicação. Só no caso do metrô, o país tem obras em andamento e projetos que devem duplicar a rede atual. Além das construções em São Paulo e Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza e Belo Horizonte também planejam metrôs. Além disso, tem o Rodoanel Norte, em São Paulo, que também inclui túneis em seu projeto, assim como o TAV (Trem de Alta Velocidade). Apesar de este projeto estar dormindo atualmente, é uma obra inevitável. Além disso, a própria EBL (Empresa Brasileira de Logística) planeja de cem a cento e cinquenta quilômetros de túneis para ferrovias. O mercado está decolando muito rápido. Uma prova é que o CBT (Comitê Brasileiro de Túneis) tinha cento e vinte e seis sócios há três anos e hoje conta com quatrocentos e sessenta. Isso é consequência do mercado.

Hoje, qual é a obra mais significativa, em termos de escavações de túneis, no Brasil?
Não cito apenas uma, mas um conjunto de obras, entre elas o Rodoanel Norte, a Linha 5 do Metrô de São Paulo, o Porto Maravilha e a Linha 4 do Metrô, ambas no Rio de Janeiro.

Os túneis e transposições subterrâneas são, atualmente, obras muito mais sustentáveis do que pontes e viadutos?
Depende do ponto de vista. Cada obra tem sua aplicabilidade, em razão da situação topográfica, geológicas e de ocupação urbana. Em alguns casos, é mais adequado o uso de pontes; em outros, túneis. Agora, sob o ponto de vista de interferência ao meio externo, o túnel tem um impacto menor. Ele só tem o emboque e o desemboque. Diria que os túneis têm uma convivência ambiental muito mais ajustada com situações de grande ocupação urbana.

Nas alegadas obras de mobilidade que vieram à tona por causa de Copa do Mundo e Olimpíadas, o senhor avalia que os túneis foram bem contemplados?
Não. Primeiro, porque as obras de mobilidade para a Copa do Mundo não ficarão prontas a tempo. As que foram concluídas são as mais fáceis, mas com resultados de médio e longo prazo discutíveis. Agora, as obras subterrâneas, que têm uma contribuição maior para a mobilidade urbana, praticamente nenhuma vai estar pronta.

O próximo WTC será na Croácia, em 2015. O que esperar até lá em termos de novidades?
Após a crise na Europa, todos estão concentrados no desenvolvimento tecnológico. A premissa é reduzir custo, melhorar a eficiência, reduzir prazo de execução e ganhar produtividade. Também são esperados equipamentos que reduzam impactos ambientais, reduzam perdas de materiais e reciclem materiais.

Entrevistado
Geólogo Hugo Cássio Rocha, chefe do departamento de projeto civil do Metrô de São Paulo e presidente do Comitê Brasileiro de Túneis
Contato: www.tuneis.com.br/footer/fale-conosco

Crédito Foto: Divulgação/WTC 2014

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330