Justiça dá nova interpretação à comissão de corretagem

TJ-PR concede ganho de causa à construtora, em ação movida por consumidores, e tende a embasar julgamentos semelhantes em outros estados

Por: Altair Santos

Decisão inédita do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) deu parecer favorável a uma construtora do Estado (DGC Ecoville Ltda.) em ação de devolução do valor de comissão de corretagem cobrada em decorrência de contrato de promessa de compra e venda de imóvel. Na ação em questão, os adquirentes requeriam a devolução dos valores pagos pela comissão de corretagem sob o argumento de que não contrataram um corretor de imóveis para auxiliá-los na compra, visto que foram atendidos por pessoas que se encontravam no próprio plantão de vendas da construtora.

Antônio Augusto Harres Rosa: decisão consolida modelo de negociação, em que a comissão do corretor de imóveis faz parte do contrato entre incorporadora, construtora e consumidor

Ainda alegaram que só tiveram o conhecimento deste pagamento depois da celebração do contrato, sendo compelidos a cumprir as obrigações contratadas sob pena de não realização do negócio. Entretanto, os documentos anexados ao processo demonstraram que os clientes já tinham prévio conhecimento do valor total a ser desembolsado, o qual foi rigorosamente mantido na contratação final, não havendo quaisquer ônus aos clientes. A sentença do desembargador Ruy Muggiati, relator do processo, pode criar jurisprudência para encerrar as polêmicas em torno de comissões de corretagem na compra e venda de imóveis. É o que aponta o advogado Antônio Augusto Harres Rosa, na entrevista a seguir:

A decisão do TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná) que deu ganho de causa a uma construtora em relação ao tema comissão de corretagem, cria jurisprudência?
Certamente. Em primeiro lugar, trata-se de decisão do órgão máximo do Poder Judiciário paranaense (TJ-PR) que certamente influenciará as decisões dos Juizados Especiais Cíveis (JECs) deste mesmo Estado. Além disso, é possível que as demais decisões do TJ-PR passem a ser neste sentido, de modo que, em se unificando o entendimento no Judiciário do Paraná, a tendência é de que tal posicionamento tenha peso nas decisões de outros estados.

Essa jurisprudência seria restrita ao mercado imobiliário do Paraná ou pode se estender para todo o país?
No sistema brasileiro de jurisprudência, os julgados individuais de Tribunais de Justiça não detêm força vinculante obrigatória em relação aos demais julgadores. O que há é um sistema de sopesamento (ponderação) das decisões pelo juiz da causa, que escolhe o rumo de sua sentença conforme a decisão que melhor lhe aprouver. Assim, juízes de um estado da federação comumente embasam seus entendimentos em julgamentos de outros estados, de maneira que esta decisão poderá servir de referência ao mercado imobiliário de outras unidades da federação.

A ação ainda tramita, houve recurso ou a sentença é definitiva?
Trata-se de acórdão (decisão de segundo grau) em relação ao qual não houve interposição de recurso, de maneira que já ocorreu o trânsito em julgado e, portanto, a decisão não pode mais ser modificada.

Para o mercado imobiliário, o que significa essa vitória?
Este êxito, que nada mais é do que a consagração do que as normas jurídicas dispõem acerca da comissão de corretagem, representa um freio ao retrocesso que se vinha tentando implementar, na medida em que prestigia e remunera adequadamente a profissão do corretor e, talvez ainda mais importante, viabiliza a manutenção da importante parceria entre incorporadora, construtora e corretor de imóveis para a venda das unidades imobiliárias.

E para o consumidor, o que muda a partir desta decisão do TJ-PR?
Para o consumidor de boa-fé, que não tenta se enriquecer ilicitamente às custas das construtoras e dos corretores de imóveis, não haverá mudança alguma, pois restou confirmado que o modelo de negociação - com base no amplo dever de informação, com valores devidamente discriminados com antecedência - está acertado e nada muda. Para aqueles que pretendiam obter ganho fácil às custas dos demais, tiveram seu ímpeto refreado, provocando uma reflexão acerca do ajuizamento de demandas aventureiras e oportunistas.

Todo negócio imobiliário envolve comissão de corretagem ou há exceções?
Há exceções. Há casos, por exemplo, em que a construtora tem como objeto social também a venda dos imóveis, concentrando tanto a construção quanto a alienação das unidades imobiliárias e, no mais das vezes, deixando de aplicar a cobrança da comissão de corretagem.

Qual é hoje esse percentual de comissão de corretagem sobre o valor do imóvel?
O percentual costuma variar entre 4% e 6%, com algumas exceções, obedecendo à tabela homologada pelo órgão regulador.

É possível saber qual construtora obteve a vitória na justiça paranaense?
Sim, até porque o processo é público e pode ser acessado por qualquer cidadão (Apelação Cível nº 1.122.538-6, em anexo) (Trata-se da DGC Ecoville Ltda.).

A questão da comissão de corretagem já havia gerado outras ações, inclusive favoráveis aos consumidores. Por que nessa houve decisão favorável à construtora?
Sabe-se que as decisões favoráveis, normalmente, advêm de Juizados Especiais Cíveis (JECs), ambiente exacerbadamente protecionista ao consumidor, além do que as demandas que lá tramitam, com o intuito de seguirem procedimento mais célere, por vezes acabam não sendo analisadas mais detidamente, em especial quanto às provas que demonstram situações em que não há qualquer abuso. Já as ações cíveis ordinárias tendem a ser analisadas com maior cuidado, o que acaba possibilitando que as empresas que atuam dentro dos parâmetros da boa-fé objetiva e do respeito ao consumidor possam obter decisões favoráveis e justas.

A decisão não pode gerar um mal-estar entre consumidores e construtoras, principalmente em tempos de redes sociais?
Por certo que isso poderá ocorrer, mas é interessante que se tenha em mente que, quando a construtora respeita o consumidor e observa os deveres que circundam o negócio jurídico, parece não haver motivo para ajuizamento de uma demanda judicial, de maneira que os resultados que agora começam a surgir são apenas uma reação a uma ação prévia, possivelmente descabida, do comprador.

Confira aqui a cópia do acórdão
Documento anexo em pdf

Entrevistado

Advogado Antônio Augusto Harres Rosa, especialista em direito imobiliário do escritório Santos Silveiro, em Curitiba-PR
Contato: www.santossilveiro.com.br/contato

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Obesidade chega ao canteiro de obras, diz pesquisa

Consumo excessivo de gorduras e açúcares, junto com automação de tarefas, que diminuem gastos energéticos dos operários, contribui com sobrepeso

Por: Altair Santos

Há pouco mais de uma década, a realidade nos canteiros de obras era bem diferente da atual. Operários apresentavam quadros de subnutrição e anemia ao invés de sobrepeso e obesidade, como ocorre agora. “A qualidade de vida melhorou, sobretudo no que diz respeito ao acesso à alimentação. Também houve avanços dos empresários da construção civil no respeito aos direitos dos trabalhadores, e a alimentação acompanhou essa evolução”, cita Paula Simões Garcia, nutricionista do Seconci-SP (Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo) que coordenou uma recente pesquisa sobre a saúde alimentar de operários que atuam no setor.

Trabalhadores da construção civil: risco de doenças cardiovasculares

O trabalho trouxe dados alarmantes. Mostra que 23,9% dos trabalhadores entre 18 e 29 anos apresentam sobrepeso, enquanto na faixa de 50 anos a 59 anos esse índice sobe para 47,1%. No grupo considerado obeso, a maior proporção está entre os trabalhadores no estrato de 30 e 39 anos, com 30%. No apanhado geral - considerando todas as faixas etárias -, 37,6% dos operários que atuam nos canteiros de obras apresentam sobrepeso e 20,2% estão obesos. Além disso, 61,2% apresentaram percentual de gordura corporal acima dos valores de normalidade e 51,7% apresentaram massa muscular desenvolvida.

A pesquisa abrangeu 263 trabalhadores em um canteiro de obras localizado na cidade de Ribeirão Preto-SP, mas Paula Simões Garcia avalia que o quadro reflete o que está ocorrendo nos campos de trabalho da construção civil pelo país afora. “Especificamente, em relação à construção civil, o que observamos em consultório é que, embora os trabalhadores do setor exerçam uma atividade por si só fisicamente mais ativa, por outro o consumo excessivo de gorduras e açúcares os coloca na mesma condição do perfil de sobrepeso e obesidade, que resulta em comorbidades como as doenças cardiovasculares”, diz.

Acidentes de trabalho
A especialista avalia que a automação dos canteiros de obras contribui para que haja uma diminuição de gastos energéticos, sem que ocorra a contrapartida da mudança de hábitos e opção por alimentos mais saudáveis por parte dos operários. Por isso, ela recomenda que as empresas passem a fazer o acompanhamento nutricional dos trabalhadores, e que se invista na educação alimentar. “Temos experimentado muito sucesso com nossas palestras em canteiros de obras. Mas a avaliação nutricional da alimentação oferecida a esses trabalhadores é importante e complementar a essas palestras”, afirma.

Paula Simões Garcia, nutricionista do Seconci-SP: operários precisam mudar hábitos e optar por alimentos mais saudáveis

Paula Simões Garcia alerta que a obesidade e o sobrepeso acarretam prejuízos à saúde, como distúrbios do aparelho locomotor (coluna e joelhos). “As atividades exercidas na construção civil exigem que o funcionário esteja apto e saudável, a fim de que diminuam os riscos de acidentes de trabalho. O sobrepeso e a obesidade são fatores de risco para o desenvolvimento de doenças como o diabetes, hipertensão arterial, entre outras, e significam um enorme perigo nas obras”, destaca. “O momento em que estamos agora é o de, justamente, regular essa alimentação que, hoje, se encontra rica em gorduras saturadas e trans, açúcar, sódio e corantes”, completa.

Dicas para uma nutrição balanceada
• Consuma diariamente frutas, verduras e legumes nas refeições.
• Inclua cereais integrais, grãos e sementes na alimentação.
• Dê preferência às carnes magras, frango sem pele, peixe e ovos cozidos.
• Evite frituras e controle a quantidade de óleo no preparo dos alimentos.
• Evite os embutidos (mortadela, salsicha e linguiça) leite de coco e óleo de dendê.
• Dê preferência ao leite e iogurtes desnatados, queijo branco, ricota ou cottage.
• Evite produtos industrializados, como biscoito recheado, sorvete de massa e doces concentrados.
• Mantenha seu peso dentro dos limites da normalidade.
• Pratique atividade física regularmente.

Entrevistada
Paula Simões Garcia, nutricionista-clínica do Seconci-SP
Contato: comunicacao@seconci-sp.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/Seconci-SP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Industrialização: antídoto contra horas extras

Construção civil busca soluções para não estender carga horária dos trabalhadores, mas segmento vive dilema de não atuar como linha de montagem

Por: Altair Santos

Não é raro que temas como “hora extra” e “horário interjornada” estejam entre os assuntos mais polêmicos da construção civil. Mas como resolver esse impasse? Para o consultor em concreto dosado em central, e ex-presidente da ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem) Arcindo Vaquero y Mayor, a solução - ou pelo menos a amenização deste problema - está em melhorar a produtividade dentro do canteiro de obras. “Não é fácil solucionar esse problema. A construção civil não atua com linha de montagem. Acontecem muitos imprevistos numa obra, que vão desde ajuste de fôrmas até rearranjo nos horários dos caminhões. O que melhora isso é aumentar a industrialização. Só assim é possível reduzir as horas extras e ter um trabalho muito mais racional”, avalia.

Arcindo Vaquero y Mayor: cada vez mais os associados da ABESC têm investido na racionalização da programação

Para o especialista, o ideal é que o trabalho se realize dentro do horário, sobretudo para as concreteiras, pois qualquer falha no cronograma pode refletir na segurança de trabalho e em problemas econômicos. “Qualquer atraso afeta toda a estrutura da concreteira. Não só motoristas, mas equipes de apoio, mecânicos, balanceiros, operadores de bomba e lavadores”, diz, completando que, para aprimorar seu desempenho, as empresas filiadas à ABESC não têm poupado em tecnologia. “Pela complexidade da mobilidade urbana atualmente, principalmente nas grandes cidades, cada vez mais nossos associados têm investido na racionalização da programação, seja usando softwares, radiocomunicação, telefonia celular ou GPS.”

Arcindo Vaquero y Mayor afirma que não existe setor mais preocupado em reduzir os impactos das horas extras do que a construção civil. “As horas excessivas trazem risco à obra. Uma grande quantidade de funcionários trabalhando em horários excepcionais abre brecha para acidentes de trabalho. Mas, como disse, não atuamos em linha de montagem. Hoje, a questão da mobilidade urbana, por exemplo, não só reflete na questão das horas extras como na produtividade. O ideal, aqui na cidade de São Paulo, era que cada caminhão fizesse quatro viagens (duas pela manhã e duas à tarde). O que acontece é que estamos fazendo em média 3,1 viagens por caminhão/dia. Isto acarreta em uma perda acumulada grande por caminhão”, esclarece o engenheiro civil.

Canteiro não atua como linha de montagem e imprevistos impõem cargas horárias flexíveis

Mudança na lei amplia polêmica

Recentemente, o Congresso Nacional passou a discutir a redução da jornada semanal de trabalho e o aumento do valor da hora extra. Há consenso no setor da construção civil de que a mudança na carga horária tende a elevar em até 10% o custo com mão de obra. A medida, alerta a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), pode impactar no programa Minha Casa Minha Vida. Cálculos preliminares apontam que 48 mil unidades deixariam de ser construídas. Outra preocupação é que a medida volte a estimular a informalidade no setor, que nos cinco anos recentes (2008 a 2013) caiu praticamente pela metade. “A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 231, que reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40 horas semanais, e aumenta a remuneração das horas extraordinárias de 50% das 75%, não leva em conta peculiaridades regionais e diferenças das diversas atividades econômicas”, reforça nota da CBIC.

Entrevistado
Engenheiro civil Arcindo Vaquero y Mayor, consultor na área de tecnologia do concreto dosado em central e meio ambiente, ex-presidente da ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem) e ligado à FIPH (Federación Ibero Americana de Hormigón Premezclado).
Contato: www.abesc.org.br/contato.html

Créditos Fotos: Divulgação/ABECE

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Concreto agrega mais tecnologia para ampliar mercado

Equipamentos e novos produtos, mostrados no Concrete Show 2014, ajudam construções que demandam grandes volumes de concreto a ganhar produtividade

Por: Altair Santos

A produtividade na construção civil passa pelo concreto. É o que ficou evidente no Concrete Show 2014, que aconteceu no final de agosto, em São Paulo. O mercado se amplia para o material, principalmente por ser a matéria-prima de peças pré-fabricadas e pré-moldadas, que também começam a ganhar espaço em construções residenciais.

Hugo Rodrigues (dir.) e outros diretores da ABCP: setor do concreto tem inúmeros cases para mostrar

Neste segmento, as paredes de concreto têm agregado muita tecnologia, seja na forma de equipamentos ou de produtos que melhoram seus processos construtivos e incrementam o acabamento. “Aplicar a inovação não é tarefa das mais fáceis. Mas hoje o setor tem inúmeros cases para mostrar. A ponto de apresentar neste evento um caderno de boas práticas, que elenca processos e equipamentos que qualificam as construções e alavancam a produtividade no canteiro de obras”, diz Hugo Rodrigues Filho, diretor de comunicação da ABCP (associação Brasileira de Cimento Portland).

De argamassas a uma nova geração de formas de alumínio, passando por esquadrias que podem ser instaladas simultaneamente à montagem, além de equipamentos que tornam as tarefas cada vez mais precisas, os processos de construção industrializada têm conseguido, em média, ganhos de produtividade na ordem de 35%. Quando há uso de mão de obra qualificada no canteiro de obras, os avanços no cronograma podem chegar a 50%.

Neste quesito, a tecnologia também está presente. No Concrete Show 2014 foram apresentados simuladores para treinamentoque ensinam a operação de máquinas complexas como se fosse um videogame. “Colaboradores com conhecimento e experiência garantem economia, otimização dos equipamentos, segurança, redução de custo e cumprimento do cronograma”, afirma Daniel Silva, responsável pelo setor de treinamentos da SCHWING-Stetter.

Simulador para treinamento: preparando a mão de obra para novas tecnologias


Máquinas compactas

Além de simuladores, linhas de equipamentos compactos, e que desempenham dupla função, como pás carregadeiras e empilhadeiras, também se destacaram no Concrete Show 2014. As máquinas atraíram o interesse de fabricantes de blocos de concreto, e também de construtoras de conjuntos habitacionais horizontais que atendem o programa Minha Casa Minha Vida.

Um exemplo está na Realiza Construtora, que opera na região do Triângulo Mineiro, principalmente entre Uberaba-MG e Uberlândia-MG.  A empresa adquiriu autoconcreteiras que fizeram a produtividade alcançar os seguintes números: 20 casas com paredes de concreto em 280 horas. “Para o modelo do nosso negócio, esse equipamento é o ideal. Em dois anos, construímos sete mil unidades”, comemora Plauto Humberto do Nascimento, supply chain da Realiza Construtora.

Caçamba-trituradeira: equipamento recicla até 20 m³ de concreto por hora

Paralelamente aos equipamentos compactos, máquinas que promovem o reaproveitamento de resíduos do concreto também chamaram a atenção no Concrete Show 2014. Destaque para a caçamba-trituradeira da MB Crusher, que separa o agregado fino (terra) do agregado sólido (pedaços de concreto e pedras). O fabricante garante que o acessório reduz o tempo de trituração em até 60% e ajusta-se a qualquer granulometria. Além disso, se adapta a retroescavadeiras, carregadeiras e minicarregadeiras de qualquer porte.  O novo equipamento ficou em demonstração durante os três dias da feira e a capacidade de processamento chega a 20 m³ por hora.

Entrevistados
- Hugo Rodrigues Filho, diretor de comunicação da ABCP (associação Brasileira de Cimento Portland)
- Daniel Silva, responsável pelo setor de treinamentos da SCHWING-Stetter
- Plauto Humberto do Nascimento, supply chain da Realiza Construtora
- MB Crusher

Autoconcreteira: eficiente para construções horizontais

Contatos
abcp@abcp.org.br
www.realizaconstrutora.com.br/contato.php
dasilva@schwingstetter.com.br
info@mbcrusher.com.br

 

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Produtos adequam retrofit à Norma de Desempenho

Mantas, contrapisos, esquadrias com vidros especiais e portas estão entre as novidades para quem quer reformar o imóvel de acordo com a NBR 15575

Por: Altair Santos

A prova de que a ABNT NBR 15575 - Edificações Habitacionais – Desempenho mexeu com o mercado da construção civil está no volume de produtos recentemente lançados para atender os requisitos termoacústicos da norma. São mantas, contrapisos, esquadrias com vidros especiais e portas, entre outros equipamentos, que prometem adequar imóveis construídos antes de 19 de julho de 2013 (data da entrada em vigor da Norma de Desempenho) quando estes forem submetidos a obras de retrofit.

Manta aplicada embaixo de contrapiso em reforma: melhora do desempenho acústico

Para atender à norma, projetistas, construtores e arquitetos precisam conhecer o desempenho dos sistemas que adotam e aumentar o rigor na especificação e na escolha de produtos como portas, paredes de vedação, janelas, pisos, revestimentos e coberturas, além de levar em conta a vida útil da edificação. No caso das janelas, elas agora têm que vir com duas folhas de vidro. A qualidade da instalação destes equipamentos também é outro item exigido pela NBR 15575. Eles precisam ter desempenho mínimo de 25 dB (decibéis) de isolamento acústico. Antes, esse valor ficava em torno de 15 dB.

A mesma exigência serve para portas e batentes, principalmente no que se refere aos sistemas de paredes internas que dividem o apartamento de halls e áreas de circulação. “O mercado dispõe de tecnologias, com produtos e sistemas de isolamento acústico, que se utilizadas com critério não precisam fazer com que voltemos a construir como há 40 anos”, diz Davi Akkerman, presidente da ProAcústica (Associação Brasileira para a Qualidade Acústica).

Contrapiso com camada de vermiculita: corrige desempenho acústico da “laje zero”

Corrigindo a “laje zero”

No caso de retrofit em prédios construídos nos anos 1990, quando o mercado adotou a chamada “laje zero”, com espessura menor que 10 cm, também já estão disponíveis soluções que melhoram principalmente o desempenho acústico. Entre elas, as argamassas a base de vermiculita expandida, que podem ser aplicadas tanto em paredes de vedação quanto em contrapisos. A vermiculita é um mineral que, quando aquecido, se transforma em floco expandido com alto potencial de isolamento térmico e acústico.

Outras opções já existentes são as mantas termoacústicas. Há modelos para quase todos os tipos de obras de retrofit. Algumas não requerem reformas tão profundas e podem ser colocadas sobre o contrapiso, antes da aplicação do revestimento, sejam eles pisos de madeira, cerâmicas ou porcelanatos. Há também mantas para serem usadas durante a construção das lajes, e que prometem melhorar o desempenho acústico em até 40%, assim como mantas próprias para o isolamento térmico das lajes de cobertura.

Uso de argila expandida em teto verde: eficiência reconhecida pela certificação LEED

Quem busca soluções mais sustentáveis, reconhecidas inclusive pela certificação LEED, tem a opção da argila expandida, que pode ser aplicada solta ou ensacada e serve tanto como elemento para aumentar o desempenho térmico quanto para obter desempenho acústico. Material leve, ele se encaixa perfeitamente entre a laje e o contrapiso. Também tem propriedades para servir como base para “telhados verdes”. Neste caso, a aplicabilidade deve ser entre a manta asfáltica e a manta de drenagem.

Entrevistado
Davi Akkerman, presidente da ProAcústica (Associação Brasileira para a Qualidade Acústica)
Paulo Ricardo, bussiness advisor da Styroplast Cinexpan, empresa especializada em argila expandida

Contatos
http://www.proacustica.org.br/fale-conosco.html
www.styroplast.com.br
argila@cinexpan.com.br

Janela em acordo com a ABNT NBR 15575: desempenho mínimo de 25 decibéis

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Principal obra urbana de Porto Alegre entra na reta final

Viaduto será inaugurado no primeiro trimestre de 2015 e é o primeiro em dois pavimentos da capital gaúcha e um dos poucos existentes no Brasil

Por: Altair Santos

Incluído no pacote de mobilidade para a Copa do Mundo, o viaduto que ligará as avenidas Doutor Salvador França e Coronel Aparício Borges, sobre a Bento Gonçalves, em Porto Alegre-RS, entrou na fase final da obra. Era para ter sido finalizado no começo de 2014, mas ficará pronto apenas no primeiro trimestre de 2015. Não houve interrupção no repasse de recursos nem problemas com o projeto. O atraso, neste caso, se deu por causa dos desafios tecnológicos que o empreendimento impôs.

Projeção de como ficará o viaduto quando pronto: único de Porto Alegre com dois pavimentos

Trata-se do primeiro viaduto em dois pavimentos construído na capital gaúcha. Na parte superior vão circular veículos leves e pesados. Na inferior, haverá um corredor exclusivo para BRT (Bus Rapid Transit). A fim de suportar o tráfego intenso, a obra terá pavimento em concreto. “Não só o viaduto, mas as alças de acesso e os ramos laterais também receberão pavimento de concreto”, explica o engenheiro civil Élvio Bernardi, responsável pelo empreendimento. O concreto também está presente nas peças pré-fabricadas que compõem sua estrutura.

O consumo total de concreto está estimado em 10 mil m³. Entre as partes do viaduto que recorreram à construção industrializada estão lajes pré-moldadas de seção plena dos viadutos de acesso, pré-lajes do trecho estaiado e peças pré-moldadas dos muros de arrimo de acesso aos viadutos. “Por ser obra urbana, com trânsito ininterrupto, as dificuldades e os desafios para construí-la são imensos. Mas com a utilização de mão de obra e equipamentos especializados estamos superando-os”, assegura Élvio Bernardi.

Por ser uma obra inédita em Porto Alegre, o viaduto também tem exigido investimentos em gruas e guindastes projetados para construções com esta dimensão. “Precisamos recorrer a máquinas de grande porte para a montagem dos pré-moldados e das estruturas de aço. Também foram requisitados equipamentos para fundação e protensão, assim como para a execução do trecho estaiado”, diz o engenheiro responsável. O empreendimento tem 540 metros de extensão e 70% do cronograma já foi concluído.

Viaduto em fase de construção: 70% do cronograma já foi cumprido

O viaduto sobre a Avenida Bento Gonçalves terá uma estação de BRT e será preparado para se interligar à futura linha 2 do metrô de Porto Alegre. A região deve se transformar em um dos principais pontos de integração entre os passageiros da capital e da região metropolitana, em especial pessoas que vêm da cidade de Viamão e do bairro Lomba do Pinheiro, e se deslocam para as zonas Sul ou Leste.

O responsável pela obra é o Consórcio Nova Bento, formado pelas construtoras Cidade Ltda. e Sultepa Comércio e Construções Ltda.
O valor estimado é de R$ 69 milhões.

Entrevistado
Engenheiro civil Élvio Bernardi, da construtora Cidade
Contato: elvio@ccidade.com.br

Construção do viaduto investiu em peças pré-fabricadas e pré-moldadas e terá pavimento em concreto

*Com informações complementares da Prefeitura de Porto Alegre.

Créditos Fotos: Divulgação/PMPOA

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Escassez de água transforma construção civil em SP

Principal estado da União enfrenta maior estiagem em 70 anos e obriga setor a se reequipar, a buscar alternativas e a realinhar projetos

Por: Altair Santos

O Estado de São Paulo enfrenta a maior estiagem em 70 anos. Se há um setor diretamente afetado pela escassez de água, este é o da construção civil. A necessidade de economizar tem feito o segmento se mover em três direções. Em uma delas, busca se reequipar com máquinas projetadas para demandar menos água ou promover o reúso do líquido. Noutra, investe em tecnologia, principalmente para a produção de concreto. Numa terceira via, procura colaborar com a preservação dos recursos naturais ao projetar edificações que poupam o uso de água.

Blocos de concreto: máquinas que economizam água têm a preferência dos fabricantes

Como os outros estados não estão livres de ter de enfrentar problemas de escassez, a perspectiva é de que as medidas tomadas em São Paulo se propaguem por todo o país. Além disso, está em processo de revisão a norma técnica que trata do uso de água na fabricação de concreto, e que deve contribuir para mudar procedimentos da construção civil em relação ao consumo de recursos hídricos. A norma em questão é a ABNT NBR 15900:2009 - Água para amassamento do concreto, partes 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 11.

Na linha de equipamentos que economizam água, alguns estiveram entre os mais requisitados na recente edição do Concrete Show, realizado no final de agosto de 2014 em São Paulo. Destaque para as máquinas que produzem blocos de concreto para alvenaria estrutural e para paredes de vedação. Segundo os fabricantes, os novos modelos podem economizar entre 20% e 30% de água. As betoneiras com novas tecnologias embarcadas também são mais precisas no controle da água liberada para o balão onde fica o concreto.

Em países com grande escassez de água, como determinadas regiões do continente australiano, os procedimentos para a redução do desperdício de água na produção de concreto fazem parte da rotina das centrais de concreto e fábricas de pré-moldados. Lavagens de caminhões e bombas de concreto são bastante reduzidas e o que não pode ser evitado é totalmente reutilizado na produção de outros volumes.

Aditivos substituem água

Maurício Garcia: ambiente propício para o mercado de aditivos

Mas nada parece mais importante, no momento, do que a tecnologia dos aditivos para a fabricação de concreto. Alguns produtos prometem substituir até 40% da água necessária para a produção do material. É o caso da linha MasterGlenium, da BASF. À base de policarboxilato, o produto substitui a água para dar plasticidade ao concreto. “A vantagem é que ele pode se adequar à exigência do cliente. Foi o que fizemos ao empregá-lo no concreto produzido para erguer a hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia. Adaptamos o aditivo, levando em consideração os agregados usados para produzir o concreto”, revela Maurício Garcia, coordenador técnico de desenvolvimento de químicos para construção da BASF.

Nestes casos de substituição de parte da água de amassamento pelo uso de aditivos, devemos tomar o cuidado de considerar um volume mínimo de água necessário para hidratar toda a quantidade de cimento. Caso contrário, poderemos ter no concreto, parte do cimento sem hidratar, o que prejudicaria a resistência final.

No entender do especialista, aditivos devem ganhar mercado para substituir a água na produção de concreto, e em outras atividades da construção civil. “Já existem aditivos que podem ser usados na lavagem do caminhão-betoneira. O produto requer quantidade menor de água e o produto da lavagem pode ser reservado por até três dias para ser usado em nova produção de concreto”, diz o engenheiro civil.

A construção civil também tem sido parceira na economia de água, principalmente ao planejar edificações cada vez mais sustentáveis. Já não são raros os prédios que promovem o reúso da água. Da mesma forma, cresce o número de produtos permeáveis, que ajudam o meio ambiente a reabsorver melhor a chuva. “Essa preocupação com a Pegada Hídrica será cada vez mais relevante para a construção civil”, avalia o professor-doutor da Escola Politécnica da USP, Vanderlei John. São Paulo que o diga.

Entrevistados
Engenheiro civil Maurício Garcia, coordenador técnico de desenvolvimento de químicos para construção da BASF
Engenheiro civil Vanderley M. John, professor-doutor do departamento de engenharia civil da Escola Politécnica da USP, coordenador do Comitê Técnico de Materiais do CBCS e coordenador do Programa ACV Modular

Contato: comunicacao.corporativa@basf.com

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Novas normas mexem com paradigmas da construção civil

ISO 14046, que trata da Pegada Hídrica, e ISO 14067, que redefine a Pegada de Carbono, devem influenciar na fabricação de materiais de construção

Por: Altair Santos

Em todo o planeta, fabricantes de materiais de construção começam a ficar atentos a duas normas ISO que prometem influenciar nos processos de produção, nos ciclos de vida e no resgate de resíduos dos componentes. Uma é a ISO 14046, que trata da Pegada Hídrica; outra, a ISO 14067, que redefine a Pegada de Carbono. Só recentemente elas começaram a ser traduzidas no Brasil, mas seus conteúdos têm potencial para mexer com paradigmas como consumo de energia, consumo de materiais, consumo de água e geração de resíduos. "O setor da construção civil é um grande consumidor de materiais. Nos Estados Unidos, por exemplo, chega a duas gigatoneladas (2 bilhões de toneladas) por ano. No Brasil, está em 800 milhões de toneladas. Por isso, essas duas ISO trarão bastante influência para o segmento", avalia o professor-doutor Sérgio Almeida Pacca.

Sérgio Almeida Pacca: novas ISO sobre Pegada Hídrica e Pegada de Carbono terão forte influencia na construção civil

O especialista tratou da Pegada Hídrica e da Pegada de Carbono no seminário Introdução à Avaliação do Ciclo de Vida Modular (ACV-M) de Materiais Cimentícios, que foi promovido pelo Comitê Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) dentro do Concrete Show 2014. "Materiais são definidores de sustentabilidade no setor da construção civil. Por isso, essas ferramenta (ISO 14046 e ISO 14067) aprimoram a avaliação dos impactos em cada uma das etapas do ciclo de vida dos produtos usados nas obras", cita Sérgio Almeida Pacca. No caso da norma sobre Pegada Hídrica, ela especifica princípios, requisitos e orientações relacionadas com a avaliação de componentes, processos e organizações, com base na Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). No Brasil, o grupo de estudos que discute a implantação da norma ISO 14046:2014 está no âmbito da CB-38/ABNT (Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental).

Controle do RCD
O mesmo comitê analisa a ISO 14067:2013, que também está em fase de preparação para ser absorvida pelo mercado brasileiro. O objetivo é que a nova norma sobre Pegada do Carbono fortaleça a lei federal 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). No que se refere à cadeia produtiva da construção civil, a ISO 14067 também impõe parâmetros mais rígidos para a coleta de RCD (Resíduos de Construção e Demolição). De acordo com a 11ª edição do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, elaborado pela ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) e lançado dia 4 de agosto de 2014, em 2013 foram coletadas 117.435 toneladas/dia de RCD em todo o país, com aumento 4,6% em comparação a 2012. Mesmo assim, o documento constata que cerca de 60% dos municípios brasileiros ainda encaminham seus resíduos para locais inadequados.

Vanderlei John: investimento em qualificação da mão de obra, equipamentos e materiais de qualidade permitem produzir concreto com menor Pegada de Carbono

O professor-doutor Vanderlei John, que também participou do seminário, palestrando sobre cenários e desafios para a sustentabilidade de produtos cimentícios no Brasil, lembrou que 56% do que é gerado como resíduo da construção é proveniente de materiais cimentícios. Para ele, esse quadro se reverte com a produção, principalmente, de concreto de melhor qualidade, mas sem aumentar volume e custo. "Como se consegue isso? Investindo em recursos humanos, ou seja, mão de obra qualificada, equipamentos e matéria-prima. Com essas três combinações, é possível reduzir de 30% a 40% a Pegada do Carbono do concreto. Se eu tenho pessoal treinado, maquinário de ponta, agregados de qualidade e o cimento certo para determinado tipo de concreto, produzo mais concreto usando menos quilos de cimento, sem precisar recorrer a cinzas volantes ou subterfúgios como retalhos de pneus velhos na composição do cimento", alertou o especialista.


Entrevistados

Engenheiro civil Vanderley M. John, professor-doutor do departamento de engenharia civil da Escola Politécnica da USP, coordenador do Comitê Técnico de Materiais do CBCS e coordenador do Programa ACV Modular
Cientista social Sérgio Almeida Pacca, professor-doutor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, na área de gestão ambiental

Contatos
vanderley.john@poli.usp.br
spacca@usp.br

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Produtividade passa pela construção industrializada

Desafio dentro do canteiro de obras é neutralizar custo. Para isso, empresas precisam trocar a improvisação por planejamento e processos modulares

Por: Altair Santos

Com a presença de duzentos profissionais e técnicos ligados aos segmentos de engenharia e arquitetura, a ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) promoveu no Concrete Congress - evento paralelo ao Concrete Show 2014 - o seminário Soluções Industrializadas em Estruturas de Concreto para Edificações de Múltiplos Pavimentos. Entre os palestrantes esteve o engenheiro civil Jorge Batlouni Neto, coordenador do comitê de tecnologia e qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e presidente da Tecnum Engenharia. Ele analisou o momento do mercado brasileiro da construção civil, ressaltando a importância da interação entre projeto e sistemas pré-fabricados. A seu ver, será difícil obter crescimento na produtividade sem que o setor abrace a construção industrializada. Confira:

Jorge Blatouni Neto, do SindusCon-SP: inovação, desempenho e sustentabilidade são os caminhos para a construção civil enfrentar margens de lucro cada vez mais apertadas

Qual o atual desafio da construção civil?
De dez anos para cá, o cenário mudou. Desde que a construção civil saiu da inércia, entre 2004 e 2005, o desafio era entregar a obra dentro do cronograma. Hoje, é neutralizar custos. De que forma: aumentando a produtividade. A produção de obras praticamente dobrou no Brasil neste período, mas não houve aumento real de produtividade. O contexto mudou, os atores mudaram. Produzir mais em menor tempo, mas sem descuidar da qualidade, do compromisso com a sustentabilidade e com a vida útil das construções são as novas prioridades.

Onde entra a construção industrializada neste novo contexto?
As novas diretrizes passam por inovação, desempenho e sustentabilidade. De que forma? Acabando com a improvisação e optando por métodos construtivos previamente definidos.  É preciso diminuir a variabilidade do projeto, e isso se faz através da padronização modular e transferindo processos para a construção industrializada.

Quando decidir por uma obra industrializada ou não?
A decisão de industrializar deve ser tomada na fase de elaboração do projeto. Mas há outras variantes que precisam ser levadas em conta. Por exemplo: a área onde será construída a obra tem disponibilidade de energia elétrica? Afinal, serão usados equipamentos que consomem energia, como as gruas. Outro fator determinante é saber se há equipamentos disponíveis e se existe mão de obra especializada. Trabalhar com pré-fabricados requer muitos cuidados em termos de segurança e o operário especialista precisa ser treinado até para escapar de um acidente, se ele vier a ocorrer.

O risco de patologias em obras industrializadas é maior ou menor?
Diria que a industrialização não é o fim, mas o caminho para reduzir riscos de patologia. Além disso, a certificação de produtos e sistemas usados em obras pré-fabricadas é cada vez maior. Os selos de qualidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) estão aí para comprovar isso.

O que ainda impede que a construção industrializada tenha um mercado mais amplo?
O Brasil tem uma cadeia de impostos terríveis. Para se ter uma ideia, o concreto produzido no país é 50% mais caro do que na Alemanha. Mas, mesmo assim, a construção industrializada é o caminho para a construção civil nacional conseguir aumentar sua produtividade em 4% ao ano, como planeja o setor. E quando se fala em produtividade, é a produtividade do dinheiro. A margem de lucro na construção civil está cada vez mais apertada. É preciso buscar sistemas que permitam construir neutralizando os custos.

Entrevistado
Engenheiro civil Jorge Batlouni Neto, coordenador do comitê de tecnologia e qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e presidente da Tecnum Engenharia
Contato: jbn@tecnum.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Prédio residencial em pré-fabricado: por que não?

Fora do Brasil, processo construtivo já está incorporado pelo mercado; no país, ABCIC trabalha para disseminar tecnologia entre as construtoras

Por: Altair Santos

No Concrete Congress - evento que aconteceu paralelamente ao Concrete Show 2014 -, o engenheiro britânico Kim Elliott, integrante da comissão de pré-fabricados (C6) da FIB (Federação Internacional do Concreto) revelou que na Europa já é comum prédios residenciais ou comerciais, de até 50 pavimentos, serem construídos com a tecnologia do pré-fabricado. Ele apresentou soluções técnicas para estabilizar estruturas pré-fabricadas de concreto em termos de ações laterais, forças de cisalhamento, efeito diafragma e ligações para cargas acidentais, as quais reduzem significativamente o risco de colapso progressivo neste tipo de obra.

Augusto Pedreira de Freitas: nova norma de painéis pré-fabricados de concreto trará mais segurança para quem construir edifícios residenciais

No Brasil, o colapso progressivo em estruturas pré-moldadas de concreto é visto como um tabu e, de certa forma, um entrave para o avanço da tecnologia. Para pôr fim a esse temor, a Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) e a Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece) trabalham juntas na elaboração da norma técnica para painéis e paredes pré-moldadas de concreto, cujo coordenador é o engenheiro civil Augusto Pedreira de Freitas. Especialista em obras que usam alvenaria estrutural, concreto armado e concreto protendido, Pedreira de Freitas lançou um desafio em sua palestra: por que a construção civil brasileira não constrói edifícios residenciais de múltiplos pavimentos usando pré-fabricados e pré-moldados?

Segundo ele, a partir da nova norma, o mercado poderá atuar com essa tecnologia sem medo. "Diria que o meio técnico tem receio do insucesso quando aborda esta tecnologia, da mesma forma que age com um certo conservadorismo. Sempre vem aquele comentário de que construir edificações com múltiplos pavimentos em pré-fabricados é como erguer um castelo de cartas. A norma se propõe a acabar com esse estigma, tratando de todos os calcanhares de Aquiles do pré-moldado, como as conexões para a fixação dos painéis", atesta Augusto Pedreira de Freitas.

Vice-presidente de relacionamento da Abece e projetista de estruturas, o engenheiro enfatizou ainda que todas as normas já aprovadas em relação a estruturas pré-fabricadas, como as de estacas e lajes alveolares, e as que estão em revisão, como a ABNT NBR 9062 - Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-Moldado, além da que irá tratar de painéis e paredes pré-moldadas de concreto, têm como objetivo dar suporte e segurança para o desenvolvimento de projetos que utilizam esse sistema construtivo. "As normas permitem a evolução do sistema, mas considerando sempre a segurança das estruturas como item fundamental. A lenda do castelo de cartas não existe mais", afirma.

Augusto Pedreira de Freitas lembrou que o preconceito em relação a construir prédios com estruturas pré-fabricadas vem dos próprios programas habitacionais que funcionam no Brasil. "O Minha Casa Minha Vida, por exemplo, trata o sistema como inovador, sendo que há mais de 50 anos ele é praticado com sucesso na Europa. Até Cuba, há quase 30 anos, constrói com esta tecnologia", diz, completando que o desafio não está na comprovação de que as estruturas pré-fabricadas funcionam, mas na demonstração de que elas podem reduzir custos. "Com a questão cada vez mais complicada da mão de obra, eu pergunto: por que não construir edifícios residenciais em pré-fabricado? Talvez ainda nos faltem fornecedores e talvez ainda nos faltem equipamentos, mas em termos de tecnologia e normalização ela é plenamente segura", finaliza.

Entrevistado
Engenheiro civil Augusto Pedreira de Freitas, vice-presidente de relacionamento da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) e diretor da Pedreira Engenharia
Contato: http://pedreira.eng.br/index.php/contato

Crédito Foto: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330