Mercado de engenharia: onde anda a experiência?
Estudo do Observatório da Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados da USP constata que setor paga pelo gap dos anos 1980
Por: Altair Santos
O número de cursos de engenharia no Brasil deu um salto em uma década. De 150 que havia no início dos anos 1980, passaram a 650. Segundo o Observatório de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora, formaram-se em 2012 mais de 54 mil engenheiros no país. Em 2011, haviam sido 45 mil - 152% mais que uma década antes (18 mil, em 2001). Porém, o que preocupa é que nada menos que 40% dos engenheiros se diplomam atualmente em cursos mal avaliados, com notas 1 e 2 no Enade.

O problema levou o Observatório da Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados da USP a questionar a qualidade das escolas de engenharia. Parte da conclusão foi publicada em um artigo no jornal Folha de S.Paulo, intitulado Escassez de engenheiros no Brasil? Uma proposta de sistematização do debate. Para aprofundar o assunto, o professor Mário Sérgio Salerno, que coordena o observatório, e participou do estudo sobre mercado de trabalho e nível do ensino de engenharia no Brasil, concedeu a entrevista a seguir. Confira:
O senhor e outros especialistas assinaram recentemente o artigo Escassez de engenheiros no Brasil? Uma proposta de sistematização do debate. O tema trata da qualificação dos engenheiros. A pergunta é: temos muitos engenheiros, mas poucos são qualificados?
No debate tem duas análises. A principal, que aparece no debate público via imprensa, é sobre a falta de engenheiros. Esta é a reclamação básica. Mas quando se vê os números não há uma falta de engenheiros como existe falta de médicos. A escassez de médicos, efetivamente, é um problema, mas engenheiros não. Isso faz com que sigamos estudando para descobrir o verdadeiro problema. Conversando com algumas empresas, principalmente com os gerentes de desenvolvimento de produtos, a reclamação é que faltam engenheiros experientes. O que é um engenheiro experiente? É um engenheiro com vários anos de carreira - dez, vinte anos. Localizamos um gap geracional, nos anos 1980, quando a formação de engenheiros caiu. Então estes engenheiros, que seriam os engenheiros experientes para liderar projetos, não estão no mercado. E não tem o que fazer. Mas vai passar. Esta situação é o tempo que vai resolver.
No caso específico da engenharia civil, o cenário é mais grave?
Não dá para abrir os dados por especialidade. Mas nada leva a crer que seja muito diferente. A engenharia civil enfrentou o problema de que, durante muitos anos, a construção de obras públicas e habitacionais ficou relativamente estagnada. Sem mercado, a procura por cursos de engenharia civil caiu muito. Recentemente, com o reaquecimento da construção civil, através de programas como Minha Casa Minha Vida e investimentos em infraestrutura, este cenário se alterou e a procura por cursos de engenharia civil também. A ponto de na USP, na Escola Politécnica, o curso de engenharia civil tornar-se a modalidade mais procurada. O que não acontecia há décadas. Agora, independentemente da demanda, faltam os engenheiros líderes. Seja na civil, na engenharia naval, na de produção, elétrica etc.
Por causa desse cenário que o senhor explanou, aumentaram os cursos de engenharia civil e o número de jovens matriculados. Mas como será quando esses jovens forem ao mercado do trabalho. A situação tende a melhorar ou piorar?
Com o passar do tempo tende a melhorar. Nós estamos falando de profissionais experientes, certo? Com o passar do tempo, esse engenheiros se tornarão experientes.
E quanto à qualificação dos engenheiros, qual o grau de responsabilidade das universidades?
A formação é uma coisa muito mais complicada. O Brasil tem problemas de formação de profissionais em geral. Os estudantes do país têm um desempenho fraco no fundamental 1, no fundamental 2 e no ensino médio e também em algumas faculdades.
Seria necessário reavaliar a grade curricular dos cursos de graduação?
O problema não é este. Hoje, os bons cursos de engenharia do país têm uma grade relativamente parecida. Eu conheço vários. Trabalho na USP e troco informações com a UFRJ, com a UFMG, com a UFRGS, UFPE, com as quais a gente se compara. A gente se compara também com o exterior. Não tem muita diferença. Os cursos são mais ou menos iguais.
O que é recomendável para que um estudante de engenharia forme-se um bom engenheiro?
Tem que estudar muito e não se deixar levar por teses de que existe diferença entre o ensino prático e o ensino teórico, pois a base conceitual que ele vai levar para a vida toda não volta mais. Se o estudante não souber calcular, jamais será um bom prático. Por isso, sugiro que deixe para fazer estágio no final do curso. É importante também ver os convênios que a universidade mantém. Na Poli, há um curso conjunto com Stanford, na Califórnia, que é considerado o melhor lugar para desenvolvimento de produtos - lá tem o Vale do Silício. Esse convênio propõe um conjunto com aulas aqui (Brasil) e lá (Estados Unidos) onde os alunos vão e voltam. Stanford é uma das universidades de engenharia mais eficientes que existe, pois tem curso com laboratório. Lá, os alunos põem a mão na massa. Só que, ao lado disto, o estudante precisa saber física e precisa saber matemática. Como disse, sem uma boa base conceitual não vai haver um bom engenheiro prático.
O problema de qualificação também não estaria relacionado às chamadas décadas perdidas de 1980 e 1990, quando muitos engenheiros migraram para outras áreas, sobretudo a financeira?
Isso também se fala e estamos iniciando um estudo para tentar verificar se é verdade. Porém, se um engenheiro migrou para o sistema financeiro não quer dizer que ele não continue engenheiro. Há muita atividade de engenharia em banco. Tem atividade de sistemas, tem projeto de produto, tem controle financeiro e, inclusive, em construção civil: reforma de agência, construção de agência, sem contar que vários bancos têm empresas de engenharia. Então, precisa tomar um pouco de cuidado com esta associação. Quem dita isso é o mercado de trabalho.
Qual o tempo de maturação para que se forme um bom engenheiro?
O curso de graduação dura cinco anos. Hoje há muitos indo fazer especialização no exterior por mais um ano, após a graduação, antes de ingressar no mercado de trabalho. Quando, entra em uma empresa, o jovem engenheiro vai precisar entender a companhia e os projetos antes de aplicar seus conceitos. Diria que a experiência prática leva uns dez anos para maturar.
Entrevistado
Mário Sérgio Salerno, professor titular do departamento de engenharia de produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, onde coordena o Laboratório de Gestão da Inovação. Também é coordenador do Observatório da Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados da USP
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Construir no interior já dá mais lucro que nos grandes centros
Escassez de terrenos, principalmente nas capitais, empurra incorporadoras para áreas mais afastadas dos estados e para as regiões metropolitanas
Por: Altair Santos
A escassez de terrenos nos grandes centros urbanos do Brasil, e a tendência de empreendimentos cada vez mais enxutos e com menos vagas de garagem, privilegiando o uso de transporte público, empurra as grandes incorporadoras para o interior dos estados e para as regiões metropolitanas. Nas cidades com até 500 mil habitantes, essas empresas estão encontrando, além de espaço para construir, um custo mais baixo para viabilizar as obras. Segundo Rogério Santos, especialista com mais de 25 anos de mercado imobiliário, e que gerencia as operações de outsourcing de vendas para importantes empresas do país, o atual cenário deu um novo viés ao mercado imobiliário. "A oportunidade tem permitido oferecer espaços maiores e com mais qualidade de vida", resume.

O fenômeno de canalizar investimentos imobiliários para o interior já é realidade em cidades como São Paulo, Rio Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Um exemplo está na empresa paulistana ACS Incorporadora. Com a oferta de bons terrenos em cidades fora de São Paulo, ela tem conseguido projetar lançamentos maiores e as operações no interior devem saltar de R$ 30 milhões para R$ 200 milhões em 2014. "No território paulista, essa tendência é facilmente percebida em cidades da região de Campinas, como Jundiaí, Limeira, Paulínea, Americana, Indaiatuba e Jaguariúna, além de toda a região metropolitana de São Paulo ou em localidades com fácil acesso por rodovias. "Todo esse panorama faz com que o mercado do interior fique mais aquecido", diz Rogério Santos.
Área útil maior

A descentralização da economia em grandes centros urbanos, com as cidades-satélites passando a ter uma maior relevância e se beneficiando do êxodo industrial - o que começou há pelo menos 15 anos no país -, é que permite que o interior tenha seu mercado imobiliário fortalecido. "Campinas e região é um exemplo clássico. As cidades do entorno fortaleceram seu potencial industrial. Todo esse panorama faz com que o mercado do interior fique mais aquecido", avalia o especialista, completando que, no caso da cidade de São Paulo, a aprovação do novo plano diretor acabou potencializando essa nova tendência. Pelo mesmo processo, de revisão de seus planos diretores, também passam cidades como Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife.
A "fuga para o interior", promovida por construtoras e incorporadoras, também influenciou na área útil das unidades. Se nos grandes centros urbanos hoje os apartamentos têm, em média, 60 m², nas cidades alternativas essa metragem sobe para até 100 m². Outro detalhe é que há demanda pela aquisição, pois quem procura comprar esses imóveis geralmente busca a primeira residência. Diante desta migração do mercado imobiliário, Rogério Santos avalia que a tendência é de queda de venda nos imóveis e de aumento do valor do metro quadrado nas metrópoles brasileiras, em contrapartida ao aquecimento no interior. “É uma readequação do mercado, diante dos movimentos de oferta e procura", finaliza.
Entrevistado
Rogério Santos é graduado em marketing pela ESPM e pós-graduado pela FGV. Atua há 25 anos no mercado imobiliário e já trabalhou como diretor de marketing de empresas como Cyrela do Brazil Realty S/A e Abyara Brokers Intermed. É o fundador da RealtON, outlet de imóveis
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Há 10 anos, BIM começava a ser usado no Brasil
Registros históricos mostram que o Building Information Modeling teve primeira incursão no país em 2004. Hoje, se propaga pelas construtoras brasileiras
Por: Altair Santos
Há dez anos, o ato de projetar edificações no Brasil começou a interagir com uma ferramenta denominada BIM (Building Information Modeling). O software, inventado nos Estados Unidos, é um sistema que permite construir protótipos virtuais para avaliar características dos materiais empregados, técnicas construtivas, características termoacústicas e manutenção, entre outras informações relevantes, antes da instalação do canteiro de obras propriamente dito. Sua principal virtude é a capacidade de indicar o risco de erros ainda na fase do projeto. No país, os primeiros a usarem a metodologia foram a Gui Mattos Arquitetura e a MATEC Engenharia e Construções - ambas com sede em São Paulo.

De acordo com o especialista em automação, e professor da FEAMIG (Faculdade de Engenharia de Produção de Minas Gerais) e do Centro Universitário Newton Paiva, Eduardo Henrique Gonçalves, o "processo BIM", como é comumente chamado no meio técnico da construção civil, boa parte das médias e grandes construtoras do Brasil já utilizam o sistema. "Para as empresas, é interessante utilizá-lo nas etapas de pré-construção e construção para aprimorar o processo de gestão dos empreendimentos, além de reduzir o número de ordens de alteração e melhorar a qualidade do produto final. Isto exige que projetistas, construtores e clientes mudem seus processos de trabalho e atuem de maneira mais integrada", cita.
Exigência em licitações públicas
O uso do software propagou-se ainda mais no Brasil depois que organismos governamentais passaram a exigir o emprego do Building Information Modeling na apresentação de projetos que captam recursos federais. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), vinculado ao ministério das Cidades, e que controla as construtoras credenciadas a operar no programa Minha Casa Minha Vida, estão entre os que priorizam projetos apresentados dentro do processo BIM. "O Estado vai exigir cada vez mais essa tecnologia em seus editais e é importante que as empresas construtoras e profissionais estejam aptos e preparados para atuarem neste novo cenário", comenta Eduardo Henrique Gonçalves.

Além de organismos públicos no controle de licitações de obras, grandes contratantes de obras de infraestrutura também já exigem projetos na plataforma BIM. São os casos de Petrobras, Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cedurp), do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e do governo de Santa Catarina - único estado que aprovou lei que requer o uso de sistemas em projetos que concorrem em licitações públicas. "Essa preocupação com o uso do BIM é por que o processo permite o controle do ciclo de vida dos sistemas de infraestrutura", avalia o professor da FEAMIG, para quem, no entanto, apesar de o processo completar dez anos de uso no Brasil ainda é tímido o volume de projetos que utilizam a ferramenta, mas com tendência de crescimento.
Entrevistado
Engenheiro elétrico Eduardo Henrique Gonçalves, professor do curso de engenharia de produção na Faculdade de Engenharia de Produção de Minas Gerais (FEAMIG) e de engenharia da produção no Centro Universitário Newton Paiva, também em Minas Gerais
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Uso de celular fica proibido em canteiros de obras
Medida inédita foi tomada pelos sindicatos patronais e de trabalhadores da construção civil do Distrito Federal e tende a ser seguida em todo o Brasil
Por: Altair Santos
O uso de aparelhos celulares em canteiros de obras se transformou em uma preocupação para as construtoras. O problema está na falta de controle, o que acaba colocando em risco a segurança dos trabalhadores. Após vários debates, que resultaram na ausência de consenso, os sindicatos patronais e de trabalhadores da construção civil do Distrito Federal resolveram tomar uma atitude radical em relação aos equipamentos portáteis, como smartphones, tablets e dispositivos similares. A partir de setembro de 2014, os operários não poderão acessar a internet e as redes sociais nem responder mensagens instantâneas, como as de WhatsApp, nos canteiros de obras.

As ligações por celular serão permitidas, desde que autorizadas por um superior, e atendidas em um local delimitado pelo gestor. Nos intervalos, como o horário de almoço, o uso dos aparelhos fica liberado. Em caso de descumprimento da regra, os operários estarão sujeitos às mesmas sanções aplicadas a quem não usar o Equipamento de Proteção Individual (EPI) o que pode levar até a demissão por justa causa. O diretor de política e relações trabalhistas do SindusCon-DF, Izidio Santos Júnior, explica por que foi necessário tomar essa medida. "Ocorreram alguns acidentes causados pelo uso não só de aparelho de celular, mas de fone de ouvido também", diz.
A proibição será acompanhada de um programa educativo durante 90 dias, para mostrar aos trabalhadores a importância dos novos procedimentos. "Nossa expectativa é de que tenha adesão plena. A gente trata deste assunto como quem trata do uso de um equipamento de segurança, como um cinto ou capacete. O operário que está trabalhando no 10º andar necessita do cinto de segurança para proteger a sua vida. É uma causa de acidentes que está sendo combatida", comenta, assegurando que haverá locais determinados para quem precisa usar os aparelhos como instrumento de trabalho. "Se o profissional estiver em uma área onde existe risco, o uso está proibido", completa.

Propagação pelo país
A medida, ao mesmo tempo que é polêmica, desperta interesse de outros SindusCons. "Os sindicatos nos questionam para ver a eficiência da medida e o porquê dela. Eles estão estudando o assunto, para adotar soluções similares", afirma Izidio Santos Júnior, estimando que mais de dez sindicatos já procuraram o SindusCon-DF. No entanto, ele não acredita que isso possa se tornar lei municipal, por exemplo. No entender dele, ficará restrito a decisões setoriais, com o aval das convenções coletivas e das Delegacias Regionais do Trabalho. "A classificação do Ministério do Trabalho quanto à segurança vai de um a quatro. A construção civil é grau de risco três. É alto, mas estamos conseguindo diminuir consideravelmente. Esta é uma atitude setorial, independentemente de leis", assegura.
No entender do SindusCon-DF, poderá haver ganho de produtividade com a decisão. "Isso virá junto. Hoje, por exemplo, tornou-se um vício esta troca de mensagens por aparelhos celulares. Não apenas na construção civil, mas nas ruas. Isso expõe as pessoas a situações de risco. Estamos atacando a causa de acidentes", finaliza o diretor de política e relações trabalhistas do SindusCon-DF.
Entrevistado
Engenheiro civil Izidio Santos Júnior, diretor de política e relações trabalhistas do SindusCon-DF, vice-presidente do Seconci Brasil e vice-presidente do Clube de Engenharia de Brasília (CEnB)
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Produtividade passa pela engenharia de gestão
No Brasil, curso ainda é novo e só existe uma graduação no país. No entanto, especialidade é cada vez mais exigida na construção civil
Por: Altair Santos
Consolidada no exterior, a engenharia de gestão só agora começa a se propagar no Brasil. A Universidade Federal do ABC paulista (UFABC) é pioneira na oferta de um curso de graduação, enquanto o Instituto de Engenharia de Gestão (IEG) no Rio de Janeiro oferece a especialidade em formato de MBA e pós-graduação. De acordo com Rodrigo Lang, do IEG, tem crescido a demanda pelo curso, sobretudo por profissionais que empreendem na construção civil - com destaque para engenheiros civis. Ainda segundo o especialista, o que eles procuram é imprimir produtividade aos seus negócios. "A gente precisa propagar a produtividade para todas as engenharias e a gestão é fundamental para isso", diz Lang, que na entrevista a seguir explica os fundamentos que fazem a engenharia de gestão ser imprescindível nos sistemas produtivos do país.

Qual a aplicação da engenharia de gestão na construção civil?
O primeiro passo da engenharia de gestão é um conceito bastante horizontal. Ele passa por tudo o quanto é engenharia. É a engenharia de gestão que traz ferramentas de produtividade às outras engenharias. A grande fronteira do Brasil é realmente a produtividade. Vivemos batendo nesta tecla, de que para crescer sem pressões inflacionárias, crescer de forma sustentável, o país precisa ganhar produtividade. Nos últimos anos tivemos bastante investimento em consumo, pouquíssimo investimento em infraestrutura e nenhum investimento em produtividade. Se compararmos com outros países, o Brasil é um dos últimos colocados em produtividade mundial. Então, tanto na construção civil quanto na engenharia mecânica ou na engenharia naval, é preciso ganhar em produtividade. O modelo a ser seguido é o da agroindústria, que recebeu muito investimento em produtividade - produtividade humana e produtividade tecnológica. É o que precisa ocorrer com a construção civil, para que ela produza mais e reduza seus custos. E boa parte destes custos está relacionada à baixa produtividade. Aí é que entra a engenharia de gestão, que precisa ser aceita como um conceito. Um conceito que deveria nascer dentro das universidades, mas que não se disseminou pelas engenharias, exceto a engenharia de produção e a engenharia industrial. A gente precisa propagar a produtividade para todas as engenharias e a engenharia de gestão é fundamental para isso.
No Brasil, ao que parece, só existe um curso de graduação, que é na UFABC (Universidade Federal do ABC Paulista). Por que há tão poucos cursos de engenharia de gestão?
Infelizmente, nossas escolas de graduação estão muito desconectadas do mercado de trabalho. No Brasil, os cursos de engenharia se tornaram cursos teóricos. A engenharia civil, por exemplo, tem uma base curricular que vem desde 1700, dos tempos do Império. Houve apenas adaptações tecnológicas, mas a ementa curricular é a mesma. Todas as mudanças conceituais envolvendo a engenharia não foram incorporadas à graduação, mas empurradas para cursos de MBA, de pós-graduação, enfim, tornaram-se uma complementação do ensino. Por isso, eu vejo muitos alunos desesperados para cursar MBA, cursar pós-graduação, às vezes num momento errado. E aqui há uma parcela de culpa das universidades federais, que ao exigirem exclusividade de seus professores os desconectaram da realidade de mercado. Com o tempo, isso cria um gap muito grande entre o mercado de trabalho e a universidade. Resultado: os cursos de pós-graduação, hoje, tem cada vez mais demanda. Na média, 20% dos que os procuram são engenheiros civis.
O Instituto de Engenharia de Gestão trabalha de que forma para difundir essas mudanças?
Estamos atuando no mercado. Além de consultoria, temos uma escola de negócios que já existe há cinco anos e que prepara os profissionais graduados para ter o foco em gestão. Formamos engenheiros de gestão.
Entre os que procuram se especializar em gestão, quantos são engenheiros graduados?
A maioria. Os engenheiros que mais procuram são os com formação em civil e mecânica. Por quê? Por que o futuro do engenheiro é a gestão.
No caso de um curso de graduação em engenharia de gestão, ele tem duração de quantos anos?
Como as outras graduações em engenharia, cinco anos. Mas se for um curso complementar, como MBA ou pós-graduação, em um ano se consegue converter um profissional de outra engenharia em um profissional de gestão.
Em termos de produtividade, o quanto a boa gestão permite obter ganhos, sobretudo em projetos relacionados à construção civil?
Atualmente, existe um cálculo estimado de que a boa produtividade eleva os ganhos entre 30% a 40%, só melhorando os fundamentos de gestão. Isso vale para todas as engenharias, para todos os projetos. Grande parte das obras de infraestrutura lançadas no país, por exemplo, não tem gestão de projeto. Isso resulta em falha no preço, estouro no orçamento e prazos não cumpridos.
Fora do país, a engenharia de gestão já está bem disseminada?
Os engenheiros fora do país têm ciclos muito claros, ciclos extremamente profissionais. Nos primeiros três, quatro anos, a universidade se concentra nos fundamentos da profissão. Nos últimos anos, o foco é na gestão.
Como está o mercado de trabalho para quem se gradua em engenharia de gestão, e em quais áreas o profissional pode atuar?
A grande vantagem do profissional de engenharia de gestão é que ele pode atuar em todas as áreas, seja ela pública ou privada. Mas o setor público, em especial, tem um grande ganho relacionado a isto, pois no longo prazo ocorre a profissionalização. Futuramente, se o Brasil quiser mesmo ter um crescimento sustentável, deverá ter engenheiros de gestão em cargos estratégicos do governo.
No mercado, os empresários já preferem, normalmente, engenheiros para gerir as suas empresas. Por que isto ocorre?
A vantagem do engenheiro é que ele tem um raciocínio quantitativo e uma capacidade de análise muito forte. Então, ao casar a capacidade de análise de dados do engenheiro, o raciocínio quantitativo do engenheiro, com algumas disciplinas tipicamente de economia e de administração, surge o engenheiro de gestão. Geralmente, outras profissões têm dificuldade de análise de dados, uma dificuldade de raciocínio lógico e estruturado, onde um engenheiro tem muita facilidade. Por isso, a preferência por engenheiros.
Entrevistado
Engenheiro de produção Rodrigo Lang, sócio-diretor do Instituto de Engenharia de Gestão, com especialidade em empreendedorismo, vida corporativa e motivação empresarial. Autor de artigos e publicações nas áreas de Logística e Supply Chain.
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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Tecnologia do concreto salva Estrada da Graciosa
Rodovia centenária ganhou uma ponte no lugar do trecho que desmoronou. Solução bem sucedida teve uso inédito pelo DER-PR
Por: Altair Santos
O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) investiu na tecnologia do concreto para reconstruir o trecho da Estrada da Graciosa que desmoronou em função das chuvas, em março de 2014. Uma ponte substituiu parte da pista danificada. Segundo o engenheiro civil Márcio José Tozo, gerente de obras e serviços do DER-PR, e responsável pela recuperação da rodovia, a opção por uma estrutura de concreto se deu por causa do terreno onde ocorreu o acidente. "Foi uma solução conjunta do DER-PR, que mobilizou engenheiros civis e geólogos para chegar na melhor maneira de se fazer a recuperação. O escorregamento ocasionado não deixou plataforma para a construção de um muro de contenção, nem a execução de um aterro, pois a inclinação é superior a 45 graus", explica.

A Estrada da Graciosa, com seu trajeto original, recoberto por pavimento de paralelepípedo, foi construída em 1873. Atualmente, devido aos recentes danos, a rodovia segue em obras e só será integralmente reaberta em setembro. Por enquanto, ela opera em meia pista. A outra parte será entregue quando for finalizada a pavimentação, seguindo o padrão histórico - com paralelepípedos. Para Márcio José Tozo, o maior desafio nesta etapa de recuperação foi definir a obra a ser executada (tipo de estrutura, fundação e espaço para realizar os serviços) preservando o meio ambiente e as características da estrada, além de levar em conta as questões climáticas, prazos e o transporte de materiais, já que a rodovia centenária tem um limite de carga.
O DER-PR monitora constantemente a Estrada da Graciosa. Na maioria das vezes que a rodovia precisa de manutenção executa-se muros de contenção nos pontos críticos. Para esta obra, que usou uma tecnologia inovadora na estrada, foram utilizados 450 m³ de concreto. A estrutura envolveu 16 pilares, 36 vigas de 10 metros cada, lajotas para sustentar a nova travessia, guarda-corpos, sistemas de drenagens e muros de sustentação. "Quando totalmente liberada, a pista estará apta para receber o tráfego autorizado para a estrada: veículos leves (carros), além de pequenos caminhões e vans", garante o gerente de obras e serviços do DER-PR. Nos dias de semana, a Estrada da Graciosa recebe 50 veículos por hora. Nos finais de semana, este número dobra - 100 veículos por hora.

O tráfego em meia pista na Estrada da Graciosa foi liberado dia 9 de julho. Para organizar o fluxo neste período de transição da obra, foi instalado um semáforo, que permite a circulação e evita acidentes no local. “Foi autorizado o trânsito, antes mesmo da conclusão da ponte, para ajudar a população do litoral e promover o comércio local. Por isso, o motorista deve prestar atenção quando passar pela região”, alerta o superintendente do DER-PR, Gilberto Loyola. A Estrada da Graciosa também é conhecida como PR-410. Levou vinte anos para ser construída e durante quase 80 foi a principal ligação entre Curitiba e o litoral paranaense, tanto para transporte de cargas quanto de pessoas.
Entrevistado
Engenheiro civil Márcio José Tozo, gerente de obras e serviços do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR)
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claragao@seil.pr.gov.br
Créditos Fotos: Arnaldo Alves/ANPr
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Japão projeta megaobra para conter tsunamis
Governo planeja construir 440 muralhas nas cidades mais ameaçadas pelo fenômeno sísmico, ao longo de 370 quilômetros e a um custo de US$ 10 bilhões
Por: Altair Santos
Entre 1972 e 1984, o prefeito Kotaku Wamura, da pequena cidade de Fudai, no norte do Japão, empreendeu suas energias em uma obra que ele considerava essencial para a população de três mil habitantes: construir uma muralha com 15,5 metros de altura e 205 metros de comprimento. Sobrevivente de um tsunami que destruiu o vilarejo em 1933, Wamura gastou cerca de US$ 30 milhões no empreendimento, que consumiu 61.500 m³ de concreto armado. Em 2011, a construção cumpriu sua função. No grande tsunami que atingiu várias cidades japonesas, o paredão conteve uma onda com 20 metros de altura e permitiu que Fudai saísse da tragédia com danos mínimos.

Incentivado pela ideia do ex-prefeito, que morreu em 1997, o governo japonês estuda construir 440 muros de concreto ao longo de 370 quilômetros de praia, protegendo as cidades mais propensas a tsunamis, entre as quais Fukushima, Miyagi e Iwate, destruídas pelo fenômeno sísmico do início desta década. O projeto causa polêmica e é repudiado por ambientalistas, que acusam que as megaobras irão acabar com o litoral japonês e prejudicar uma das principais atividades econômicas do país: a pesca. Mesmo assim, o investimento já está reservado e é estimado em US$ 10 bilhões. Cada muralha teria 20 metros de altura e o volume de concreto estimado para construí-las pode chegar a 8 milhões de m³.
O período de construção duraria cinco anos, avaliam os ministérios da Agricultura e de Terras, defensores das obras. Eles se apegam aos cálculos de que dos 35 mil quilômetros de costa que o Japão possui, 14 mil são vulneráveis a tsunamis. No entanto, Christian Dimmer,
professor-assistente no departamento de estudos urbanos na Universidade de Tóquio, afirma que a construção de muros de contenção não é garantia de que eles irão segurar tsunamis. "Paredões têm o potencial para salvar vidas onde quer que sejam construídas, desde que o tsunami não exceda a altura e não exerça pressão maior do que a que os muros podem suportar", diz.
O custo das construções também é reclamado pelos opositores. O governo japonês está disposto a conceder bônus para as empreiteiras do país, a fim de que elas invistam em pesquisa de sistemas construtivos e em tecnologia do concreto, para construir muralhas que resistam a tsunamis ainda mais intensos do que os que atingiram o país em 2011. Com isso, apontam os críticos, as populações das cidades "protegidas" pagariam impostos mais caros ao longo de 25 anos. "O custo é elevado sob todos os aspectos. Não gostaria que o mundo passasse a ver o Japão como um país cercado por uma muralha de concreto", critica o professor Masahito Abe, um dos opositores às megaobras.
Entrevistado
Universidade de Tóquio (via email e site institucional)
Contato
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Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Banco do BRICS abre mercado para transnacionais de obras
Análise da ANEINFRA considera que grandes empreiteiras brasileiras terão oportunidade de entrar na China, na Rússia, na Índia e na África do Sul
Por: Altair Santos
Fundado em 14 de julho de 2014, durante a VI Cúpula de Fortaleza-CE, o Banco do BRICS - bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - nasceu com um aporte de US$ 100 bilhões (quase R$ 250 bilhões). Um dos objetivos da nova instituição financeira é contribuir com crédito de longo prazo para investimentos em infraestrutura nos cinco países emergentes. Para o Brasil, essa vocação do banco pode representar a oportunidade para exportar os serviços das construtoras transnacionais do país. "O avanço na infraestrutura abre espaço também para o Brasil, que tem uma indústria competitiva em equipamentos, tem uma engenharia reconhecida internacionalmente e empresas de construção bastante competentes”, avalia Luciano Coutinho, presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Compartilha da mesma opinião a presidente da Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura (ANEINFRA) Martha Martorelli. “A ANEINFRA acredita que os recursos oriundos do Banco do BRICS, com seus respectivos critérios, poderão propiciar a ampliação da atuação das empresas transnacionais em outros países, bem como a oferta de empresas estrangeiras no mercado brasileiro", analisa a dirigente, fazendo uma ressalva: "O aporte neste novo banco representa aproximadamente metade do montante investido no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) pelo governo brasileiro. A execução do PAC no Brasil, ainda muito aquém da totalidade dos investimentos, já faz com que o setor de construção trabalhe no limite de sua capacidade de execução. Apesar de ser interessante agregar recurso dos BRICS, não será tão perceptível o incremento resultante às construtoras”.
Clientes em potencial
Para a presidente da ANEINFRA, Índia e China são os países com mais potencial para contratar os serviços das construtoras transnacionais brasileiras, mas a Rússia - futuro país-sede da Copa do Mundo de 2018 - tem potencial para estabelecer parcerias, por causa do know-how que o Brasil adquiriu em obras de estádios. "As construtoras brasileiras, sem dúvida, podem se constituir em uma alternativa a mais para a Rússia, mas o mais interessante seria conseguir entrar na China. O ritmo frenético dos investimentos em infraestrutura verificado naquele país, nos anos recentes, ilustra a dimensão do déficit que ele busca reduzir", cita Martha Martorelli, completando que o modelo de desenvolvimento chinês não pode servir de exemplo para o Brasil. "Infelizmente, falta intercâmbio técnico entre os países para considerá-lo como referência”.

A dirigente da ANEINFRA, no entanto, não tem convicção de que o Banco do BRICS ou até mesmo as reedições do PAC e do programa Minha Casa Minha Vida, que estão indo para a terceira geração, possam reaquecer a construção pesada. "A retomada dos investimentos em infraestrutura, a partir de 2008, num primeiro momento deparou-se com o sucateamento do setor, após 25 anos sem aportes relevantes. Por isso, o otimismo do setor dependerá de um plano de investimento governamental de médio e longo prazos, que encoraje o segmento a investir na própria capacidade técnica para atender a demanda planejada", analisa, concluindo que no momento não há como estimar o volume de recursos que o Brasil precisa para recuperar o terreno perdido na área de infraestrutura e nem quais são as obras prioritárias. "A decisão quanto ao investimento carece de planejamento", finaliza.
Entrevistada
Engenheira com especialização em gestão pública, Martha Martorelli, e presidente da Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura (ANEINFRA)
Contatos
martha martorelli@hotmail.com
diretoria@aneinfra.org.br
Créditos Fotos: Divulgação/Agência Brasil
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Construção civil faturou R$ 35 bilhões com a Copa
Por falta de planejamento, 65 obras ficaram inconclusas. Sinaenco estima que lucro do setor poderia ter ultrapassado os R$ 50 bilhões
Por: Altair Santos
A consultoria Eurasia Group fez um balanço dos efeitos da Copa do Mundo sobre a construção civil. Na análise, concluiu-se que o impacto setorial poderia ter sido maior se todos os projetos de mobilidade e infraestrutura urbana prometidos para o mundial tivessem saído do papel. Mesmo assim, as obras ligadas ao evento movimentaram mais de R$ 35 bilhões desde 2007.

Só os investimentos da chamada Matriz de Responsabilidade - documento que reuniu os projetos a cargo do governo federal, governos estaduais e cidades-sede - somaram R$ 26 bilhões. "No final, as construtoras que ganharam mais com o evento foram aquelas envolvidas nas obras dos estádios e no entorno das praças desportivas. Mas o efeito cascata desses investimentos foi mais limitado do que o esperado", opina João Augusto de Castro Neves, analista da Eurasia Group.
O presidente do SINAENCO Regional Paraná (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva) Carlos Valério Avais da Rocha Esteio mostra que, de acordo com levantamento do sindicato, se todas as obras previstas para a Copa do Mundo tivessem sido concluídas, o faturamento bruto do setor da construção civil poderia passar de R$ 50 bilhões. "Foram 65 obras não finalizadas. Como continuam fazendo parte do PAC2 (Programa de Aceleração do Crescimento) é possível que sejam entregues", acredita.
O dirigente culpa a falta de planejamento pelo atraso. "Embora todos os alertas feitos por várias entidades de classe, principalmente o SINAENCO, a Copa foi recheada por problemas de falta de planejamento, o que acabou gerando contratações de projetos simplificados e obras sem a maturidade técnica necessária", critica.
Olimpíadas 2016
Outros empecilhos para os atrasos foram a burocracia e os problemas ambientais. Além disso, a tentativa do governo federal de agilizar as obras através do Regime Diferenciado de Contratações (RDC) não geraram os efeitos pretendidos. "O RDC acelera a contratação da obra, mas os prazos de estudos e planejamento não podem ser acelerados. Os ganhos do novo regime se mostraram ineficientes para as obras da Copa", avalia Carlos Valério Avais da Rocha Esteio.
Empresário do setor, ele também cita o segmento que mais lucrou, entre os que compõem a cadeia produtiva da construção civil. "O de equipamentos chegou a ter falta de produtos para ofertar ao mercado", revela o dirigente do sindicato, que monitorou a Copa do Mundo desde que o Brasil venceu a eleição para país-sede, em 2007.
Carlos Valério entende que o grau de dificuldade será menor para o Brasil sediar os jogos olímpicos de 2016, que acontecerão na cidade do Rio de Janeiro. "Será menor, pois se trata de um contratante apenas (a Prefeitura e o Governo do Rio de Janeiro). A Copa foi espalhada por doze sedes, o que fazia com que as obras tivessem vários donos e responsáveis. No caso das Olimpíadas será mais fácil, mas ainda temos problemas de planejamento e com a burocracia", conclui.
Entrevistado
Engenheiro civil Carlos Valério Avais da Rocha Esteio, presidente da Esteio Engenharia e Aerolevantamentos S.A., presidente do SINAENCO - Regional Paraná e presidente da APEC (Associação Paranaense de Empresas de Consultoria de Engenharia)
Contato
valerio@esteio.com.br
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Conpasul comemora 30 anos, de olho no futuro
Empresa começou como unidade de britagem e hoje conta com portfólio que vai de concreteiras a usinas de asfalto, todo ele instalado no Rio Grande do Sul
Por: Altair Santos
O município de Estrela, no Rio Grande do Sul, viu nascer, em 1984, uma das principais indústrias da cadeia produtiva da construção civil na região sul do país. Há 30 anos era fundada a Conpasul, que nestas três décadas só faz crescer. A empresa surgiu como uma unidade de britagem, mas logo foi descobrindo novos nichos de mercado, passando a atuar na produção de concreto e asfalto para pavimentação.

Hoje, o portfólio da Conpasul engloba, além da matriz, 11 filiais instaladas estrategicamente no estado gaúcho. “São 30 anos de muito trabalho, prospecção, estudos e investimentos. Nossas conquistas são fruto de uma filosofia que prima pela qualidade, garantida pelo empenho dos nossos funcionários e utilização de tecnologia de ponta, que garante a excelência em nossos produtos e serviços", revela Nilto Scapin, sócio-administrativo do grupo Conpasul.
Estratégia é a palavra que move a Conpasul. A empresa atua com conceitos bem enraizados de planejamento e o objetivo é definir metas a partir da perspectiva do cliente, o que gera novos processos internos de desenvolvimento e inovação. Essa filosofia resultou, por exemplo, em um dos mais completos centros tecnológicos do Rio Grande do Sul em pesquisa do concreto. Nele, são desenvolvidas soluções com as características especiais solicitadas pelo cliente, como resistência do concreto e granulometria da brita. Além disso, a Conpasul prioriza a qualidade do material fornecido pelos seus parceiros, entre os quais está a Cia. de Cimento Itambé. “O CT (Centro Tecnológico) oportuniza um crescimento e acúmulo de experiência em tecnologias voltadas à sua área de atuação. Além disso, leva o que há de mais moderno em tecnologia de concreto e asfalto aos clientes", referenda Nilto Scapin.

O concreto representa 37% do faturamento da empresa, enquanto a pavimentação asfáltica tem fatia de 55% e a britagem 8%. No que se refere à produção de concreto, as centrais dosadoras da Conpasul dispõem do que há de mais moderno em termos de automação. São sistemas que fazem um rigoroso controle da fabricação e da entrega do produto. Além disso, há intensa preocupação com a obediência às normas técnicas vigentes e com a fase de concretagem. A companhia dispõe de frota que pode transportar até 10 m³ de concreto por viagem e conta com modernas bombas de concreto para atender a necessidade de todos os tipos de obras. “O desenvolvimento de nossos produtos e serviços proporciona maior durabilidade e resistência dos materiais, redução de custos nos processos produtivos dos clientes e aumento significativo da qualidade", diz Scapin.
Ações socioambientais
Para produzir, a Conpasul tem também a preocupação em cuidar. Por isso, está sempre agregando tecnologias que ajudam a preservar o meio ambiente. A empresa atua em ações de reflorestamento, produção de asfalto ecológico - que utiliza a reciclagem de pneus -, além da instalação de equipamentos em suas unidades que permitem reduzir a emissão de poluentes. A Conpasul também faz o reaproveitamento da água proveniente do processo de lavagem dos equipamentos e instalações industriais, reutilizando-a na produção do concreto. "Atualmente, o reflorestamento das áreas exploradas pela empresa tem recebido atenção especial, mediante a realização de ações como a recomposição de áreas mineradas com o plantio de árvores e gramíneas", completa Nilto Scapin.
Outra prioridade na empresa é com o relacionamento com seus colaboradores, clientes e com a população das cidades onde operam sua matriz e suas filiais. Por isso, a Conpasul patrocina uma série de iniciativas nas áreas de marketing, educação e esporte. Especificamente na gestão de pessoas, a Conpasul foi mais uma vez inovadora, como revela o sócio-administrativo do grupo. "Implementamos um sistema de treinamento que aproveita os dias de chuva, já que nossos negócios são impactados diretamente pelas condições climáticas. Transformamos essa adversidade em oportunidade", finaliza Scapin.
Entrevistado
Nilto Scapin, sócio-administrativo do grupo Conpasul
Contato
conpasul@conpasul.com.br
Créditos Fotos: Divulgação/Conpasul