World of Concrete: 40 anos de referência à engenharia
Principal evento global do setor reúne 1.400 expositores em Las Vegas, nos Estados Unidos, e mostra novidades relacionadas ao mundo do concreto
Por: Altair Santos
O primeiro World of Concrete ocorreu na cidade de Houston, no Texas-EUA, em 1975. No ano seguinte, mudou para Las Vegas, no estado de Nevada-EUA, onde, até hoje, reúne dezenas de milhares de profissionais. Na edição de 2015, quando o evento completa 40 anos, 674 mil pessoas visitaram os estandes dos 1.400 expositores. Paralelamente à maior feira global sobre concreto e equipamentos para construção civil, ocorre o congresso que apresentou inovações e novos procedimentos envolvendo o material e seus derivados.

O Instituto Americano do Concreto (ACI, na sigla em inglês) aproveita o World of Concrete para lançar a University ACI. Trata-se de um projeto de ensino à distância para difundir globalmente temas relacionados ao material, à construção civil, à arquitetura e ao design. O instituto também se vale do evento para apresentar novas normas técnicas sobre construções em alvenaria com blocos de concreto, que passam a vigorar nos Estados Unidos.
Para o presidente do ACI, William E. Rushing, a universidade garantirá que as futuras gerações tenham acesso aos avanços contínuos das tecnologias do concreto, que o instituto pesquisa, acredita e ajuda a dar publicidade desde 1904. “Fazer a diferença na indústria de concreto é uma tarefa difícil. Para isso, requer pesquisas sobre novos métodos, técnicas e materiais. Mas isso também significa mudar a forma como pensamos sobre esse material”, discursou em entrevista coletiva dada na abertura do World of Concrete, que acontece de 2 a 6 de fevereiro.
John Nehasil, diretor de certificação do ACI, também exaltou a ideia do instituto de propagar conhecimento. “Isso permite à ACI levar suas pesquisas ao mercado com mais eficiência”, completou, destacando também as novas certificações sobre construções em alvenaria com blocos de concreto. “O objetivo é tornar rotineiras as inspeções e os testes em laboratórios, não só das estruturas de alvenaria, mas também de argamassas, rejuntes e outros materiais correlatos”, disse.
Além de apresentar pesquisas e debater o concreto em seus seminários, o World of Concrete é mundialmente conhecido pelos equipamentos inovadores que costuma apresentar. Na edição de 2015, chamam a atenção os robôs que promovem o alisamento do concreto e aceleram a cura emitindo raio laser. Também não faltam as tradicionais competições para erguer muros com blocos de alvenaria e as manobras radicais com máquinas para a construção pesada. As apresentações sempre mobilizam torcidas e transformam o evento em um show mundial do concreto.




Entrevistados
Presidente do Instituto Americano do Concreto, William E. Rushing, e John Nehasil, diretor de certificação do ACI (via conferência de imprensa realizada no World of Concrete e transmitida pela web)
Contatos
Registration@WorldofConcrete.com
www.worldofconcrete.com
Crédito foto: Divulgação/WOC
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Hidrodemolição recupera estruturas com patologias
Robôs retiram concreto danificado sem comprometer a armação e agilizam reformas em obras como pontes, viadutos, túneis e barragens
Por: Altair Santos
Nos Estados Unidos, a recuperação de estruturas de concreto afetadas por patologias ou atingidas por incêndios tem se beneficiado cada vez mais da hidrodemolição. A tecnologia começou a ser testada em 2008, usando robôs. As máquinas evoluíram e a demanda por elas também. Usando jato d’água sob alta pressão, os equipamentos removem camadas danificadas sem prejudicar as armaduras. Outra aplicação está na remoção de tintas e na preparação da superfície para receber novas demãos.

A tecnologia aplica microjatos nas cavidades naturais do concreto, provocando o rompimento de estruturas fragilizadas. Um case emblemático ocorreu na cidade de Santa Clarita, no estado da Califórnia-EUA. Um túnel da rodovia Interstate 5 foi atingido por um incêndio, após a explosão de um caminhão, e algumas camadas de concreto foram submetidas a temperaturas que chegaram a 1.400 ºC. Com o robô, a recuperação foi concluída duas semanas antes do previsto. As camadas afetadas foram totalmente removidas, deixando a área livre para que fosse concretada novamente.
A evolução dos robôs, que são controlados via rádio, sem expor os operadores a risco, permite que concretos com até 400 MPa de resistência sejam removidos. Por isso, as aplicações dos equipamentos são cada vez mais diversificadas. Eles estão presentes em rodovias de concreto que precisam ser recuperadas e também em tabuleiros de pontes. Fora dos Estados Unidos, a hidrodemolição já foi usada em reparos no Canal do Panamá e no tratamento de patologias detectadas na hidrelétrica Guri, na Venezuela.

Brasil desconhece tecnologia
Na Europa, reparos em túneis, pontes e barragens têm requerido cada vez mais a hidrodemolição. No Brasil, a tecnologia ainda utiliza equipamentos operados manualmente e com capacidade de reparar poucas áreas. São máquinas que conseguem cobrir até 5 m² por hora, enquanto os robôs cobrem uma área 10 vezes maior no mesmo tempo. Se comparado com britadeiras, que dificilmente deixam de afetar as armações, a área coberta pelos robôs chega a até 50 vezes maior por hora de trabalho.
As empresas especializadas em fabricar esses robôs preparam novos passos para tornar a hidrodemolição ainda mais sintonizada com processos sustentáveis. Um deles é permitir que as máquinas utilizem água de reúso. A outra é que o equipamento colete os resíduos de concreto, a fim de que eles possam ser usados como agregados na fabricação de artefatos, como blocos de concreto e pavers.
Atualmente, o maior fabricante de robôs projetados para a hidrodemolição é a sueca Conjet. A empresa levou para a World of Concrete, que acontece de 2 a 6 de fevereiro de 2015 em Las Vegas-EUA, uma nova versão de suas máquinas. São equipamentos com scanners, que, antes de entrar em operação, fazem uma leitura do concreto danificado e mapeiam a área que deve receber os jatos d’água. “É um avanço que irá trazer ganho de tempo na recuperação de estruturas e permitirá que as máquinas forneçam um diagnóstico completo sobre as patologias a serem extraídas”, explica Mats Johansson, diretor de engenharia da Conjet.
Entrevistado
Mats Johansson, diretor de engenharia da Conjet (via assessoria de imprensa do World of Concrete)
Contato: conjet@conjet.com
Crédito fotos: Divulgação/Conjet
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
One World Trade Center conduz à nova era do concreto
Para ser bombeado a 185 metros de altura, e cumprir metas ambientais, material exigiu composição inovadora para grandes estruturas
Por: Altair Santos
Inaugurado sem alardes em 3 de novembro de 2014, o One World Trade Center é um colosso de 541,3 m de altura que agrega o que há de mais moderno e seguro em tecnologia de concreto. Construído no mesmo local das Torres Gêmeas - tragicamente destruídas em 11 de setembro de 2001 -, o novo símbolo dos Estados Unidos foi erguido em Nova York para ser inabalável. Em alguns pontos, as fundações chegam a 185 m de profundidade e se espalham em uma área de 2 milhões de m². Elas sustentam um enorme radier, cuja superestrutura consumiu 150 mil m³ de concreto.

O imenso platô de alto desempenho sustenta 105 pavimentos erguidos com estrutura mista - colunas de aço encapsuladas por um concreto altamente resistente, que alcançou 124 MPa após 56 dias de cura. Essa etapa da obra consumiu mais 61 mil m³ de concreto e envolveu um desafio inédito para edifícios construídos em território americano: bombear o material a uma altura de 185 m, de uma só vez. Além de equipamentos de alta precisão e elevada potência, a demanda também exigiu composições especiais de concreto por parte dos fornecedores: Eastern Concrete Materials, Collavino Construction Co. e Concrete Alliance Inc..
As especificações para conseguir bombear o material exigiram que o concreto tivesse no máximo 400 kg de cimento por metro cúbico, combinado com altos níveis de materiais suplementares, como cinzas volantes, escórias e sílica ativa. O controle de temperatura de hidratação do cimento e a trabalhabilidade do concreto também careceram de preparos especiais. Era imprescindível que o concreto mantivesse sua fluidez em um intervalo de duas horas. Por isso, foi usado gelo no transporte do material pelas betoneiras e boa parte da concretagem do One WTC ocorreu à noite.
Prédio verde
Como o One WTC buscou a certificação LEED Platinum - a mais exigente da construção sustentável -, o concreto precisou cumprir requisitos ambientais rígidos. Entre eles, menor produção de dióxido de carbono. Assim, o material usado na estrutura do edifício exigiu a aplicação de 40% menos cimento para economizar cerca de 33.000 t de dióxido. Da mesma forma, precisou cumprir as normativas norte-americanas no que se refere à resistência ao fogo e aos desempenhos térmico e acústico. “O One World Trade Center lança o concreto em uma nova era”, diz Robert A. Ledwith, presidente da Concrete Alliance Inc..
As obras do One WTC começaram em 2006. O projeto arquitetônico e o projeto estrutural são de responsabilidade das companhias Skidmore, Owings & Merrill e WSP Cantor Seinuk, respectivamente. “As lições do passado nos fizeram caminhar ao encontro de um superconcreto que pudesse oferecer o máximo de segurança a essa construção”, afirma o projetista Ahmad Rahimian, da WSP Cantor Seinuk. Ao contrário das Torres Gêmeas, que predominantemente eram sustentadas por estruturas metálicas, e por isso não resistiram às altas temperaturas do incêndio causado pelo impacto dos aviões contra os edifícios, o One WTC consumiu apenas 27 mil toneladas de aço.


Entrevistados
Eastern Concrete Materials, Collavino Construction Co. e Concrete Alliance Inc., Skidmore, Owings & Merrill e WSP Cantor Seinuk (através dos sites das empresas)
Contatos
parts@allianceconcretepumps.com
dbrown@us-concrete.com
BusinessDevelopment@collavinogroup.com
somnewyork@som.com
isabelle.adjahi@wspgroup.com
Crédito fotos: Divulgação/Collavino Construction Co./James Ewing/ Skidmore, Owings & Merrill/
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Mercado vai exigir engenheiros-empreendedores em 2015
Ainda que setor experimente desaquecimento, consultoria entende que empresas absorverão profissionais com especialidades e domínio de tecnologias
Por: Altair Santos
Todo ano que começa leva a uma pergunta inevitável: quais profissões estarão em alta? Para respondê-la, a Innovia Training & Consulting organizou ranking de profissões e especialidades que devem obter bons resultados em 2015. O levantamento aponta que o segmento da engenharia civil, que entre 2008 e 2014 despontou com uma das qualificações com mercado ascendente, tende a desaquecer. Por dois motivos: o momento econômico do Brasil e a operação Lava Jato, que paralisou as principais empreiteiras do país. “Sem dúvida, causou reflexo negativo no setor. Não na credibilidade da profissão, mas no mercado”, avalia Ricardo M. Barbosa, diretor-executivo da consultoria, antevendo que o engenheiro civil que quiser se destacar deverá realçar seu perfil empreendedor.

Contudo, o consultor faz um alerta: “Ao mesmo tempo em que o empreendedorismo é o caminho mais rápido para o sucesso, também pode ocasionar facilmente a falência. Por isso, para quem deseja atuar como empreendedor é necessário preparo”. Dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, realizada anualmente em parceria entre Sebrae e o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), revela que a cada ano são criados mais de 1,2 milhão de novos empreendimentos formais no Brasil. Desse montante, 99% são micro e pequenas empresas, que sozinhas são responsáveis por mais de 60% dos postos de trabalho com carteira assinada. Apesar da relevância econômica e social, os primeiros anos de vida dessas empresas são os mais críticos. Muitas delas não completam cinco anos de existência.
Visionário e líder
De acordo com a Innovia Training & Consulting, os cinco pontos que definem um empreendedor são: 1) Iniciar um novo negócio ou projeto; 2) Observar o cotidiano das pessoas e notar necessidades ainda não exploradas; 3) Sair na frente de outros e realizar algo interessante; 4) Transformar sonhos em realidade; 5) Assumir riscos e fazer acontecer. No entanto, Ricardo M. Barbosa ressalta que um colaborador de uma empresa pode ter também uma atitude empreendedora. “O empreendedor é visionário e líder. Ele está à frente das ações a serem tomadas em uma empresa. Assim, com certeza, terá uma visibilidade maior que os demais colaboradores. Se souber utilizar isso de forma positiva, terá sucesso profissional”, diz, referindo-se a engenheiros que buscam o empreendedorismo.
A consultoria avalia que os conselhos valem para quem busca criar startups. “A palavra da moda agora é startup. Mas isso não faz com que essas empresas tenham compromissos diferentes das demais. Assim, o mercado será promissor às startups desde que elas tenham boas ideias e tenha qualidade para aplicá-las”, ressalta Ricardo M. Barbosa, para quem a engenharia civil, apesar de cenário menos favorável de anos anteriores, não corre o risco de voltar a viver um vácuo de oportunidades como o experimentado nos anos 1980 e 1990, quando muitos profissionais da área migraram para o mercado financeiro. “O momento do Brasil requer engenheiros, pois o país precisa de obras de infraestrutura. Mas creio que o mercado exigirá profissionais com cada vez mais especialidades e com domínio de tecnologias”, completa.
Áreas cotadas para obter sucesso em 2015
Gerência Financeira: a necessidade das empresas reduzirem custos e aumentar a rentabilidade é praticamente obrigatória. Isso faz com que seja crescente a procura de profissionais com capacidade de gerenciamento financeiro, para um posicionamento estratégico.
Controladoria: em período de crise, dispor de dados e saber utilizá-los é fundamental. Assim, o papel do controller, que é quem garante a qualidade das informações e sua adequada utilização, torna-se estratégico nos negócios.
Advocacia empresarial: ramos específicos da advocacia, como trabalhista e tributário, devem se valorizar. Há a necessidade de uma melhor estratégia perante impostos e para se evitar problemas relacionados com funcionários, principalmente em caso de demissões.
Empreendedorismo: períodos de dificuldades são marcados pelo aumento de pessoas que prospectam novos negócios. Assim, áreas que auxiliam esses novos empreendedores, como coaching e consultorias, devem crescer.
Marketing digital: é uma área ainda pouco explorada, e que cada vez mais demonstra ter fundamental importância para as empresas. Seja em relação a sites ou otimização de redes sociais. Os consumidores utilizam mais que nunca a internet para adquirir produtos e serviços, e esses profissionais são essenciais.
Contabilidade e consultorias contábeis: a complexidade tributária e trabalhista do país, em conjunto com a falta de mão de obra qualificada, tem como reflexo o crescimento da procura por contadores e contabilistas. O país necessita de profissionais responsáveis por administrar impostos e taxas.
Recursos humanos: a escassez de profissionais qualificados em diversas áreas de atuação faz com que o profissional de recursos humanos que pense de forma estratégica se torne primordial. Ele busca alternativas no mercado de trabalho e opções de qualificações para os contratados.
Tecnologia da Informação: esse profissional já esteve mais em alta, chegando a ser supervalorizado, porém a necessidade das empresas em melhorar a produtividade torna a TI imprescindível.
Entrevistado
Ricardo M. Barbosa, diretor-executivo da Innovia Training & Consulting, graduado em engenharia de produção, com várias especializações, e professor de programas de pós-graduação.
Contato: contato@innovia.com.br
Crédito fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Formas para concretagem ganham um aliado: o papelão
Equipamento, apesar de mais caro que concorrentes de madeira e metal, gera ganhos ambientais no canteiro de obras e economia com mão de obra
Por: Altair Santos
Tubos de papelão, impermeabilizados internamente e externamente, estão ganhando mercado junto às construtoras quando há necessidade de formas para concretagem. O aspecto positivo é que os equipamentos já vêm prontos, dispensando a montagem, como ocorre com as formas de madeira ou metálicas. “Nosso produto não requer o uso de desmoldantes e é entregue na medida para o cliente, evitando desperdício. Além disso, o material é leve, o que facilita o manuseio na obra, assim como o transporte”, explica Ana Luiza Lapa, gerente comercial da Dimibu, que detém a tecnologia das formas de papelão.

Versáteis, os tubos permitem várias aplicações. Entre elas, moldes para colunas de diversos formatos, execução de tetos abobadados, formação de peças pré-moldadas, forma perdida para tabuleiro de pontes, enchimento de rebaixos de lajes, formas para luminárias embutidas em lajes, execução de vãos e balanços elevados, além de formação de vazios maiores, com finalidade decorativa em lajes tipo grelha, e eliminação de rebaixos na passagem de canalização hidráulica. “Outra vantagem é que as formas podem receber qualquer tipo de concreto, desde os convencionais até os autoadensáveis”, reforça a representante da Dimibu.
Tanto obras imobiliárias quanto empreendimentos ligados à infraestrutura têm usado formas de papelão. “Atendemos desde construção de casas até viadutos e pontilhões”, cita Ana Luiza Lapa, elencando as principais construções em que a tecnologia foi usada recentemente: Biblioteca Brasiliana, estádio Maracanã, Centro Administrativo do DF, edifício Infinity, Parque Olímpico do Rio de Janeiro, Centro Paraolímpico de Treinamento, Shopping Cidade Jardim e WTorre Morumbi. “Entre estes clientes, concretamos colunas a partir de 8,50 metros. No entanto, em alguns casos, emendando as formas, tivemos concretagem de pilares livres com 25 metros de altura”, realça.

Construção sustentável
As formas de papelão permitem executar pilares de diferentes formatos: quadrados, retangulares, hexagonais e outros recortes específicos, além dos tradicionais cilíndricos. O equipamento também ganhou a simpatia dos certificadores de construção sustentável. “Após o uso, as formas podem ser redirecionadas às centrais de reciclagem. Sendo assim, a cadeia produtiva se fecha e a obra não fica com um volume de resíduos prejudiciais ao meio ambiente”, destaca Ana Luiza Lapa, completando que a condição ambientalmente correta do produto compensa o custo das formas de papelão, que são mais caras que as de madeira.
Para a representante da Dimibu, no custo final da obra o valor se dilui. “As formas de papelão possuem um valor mais caro que as formas de madeira. No entanto, é preciso quantificar os gastos com mão de obra e acabamento que as formas de madeira exigem. Além da questão ambiental, a madeira é um insumo muito agressivo e exige um descarte correto. Já o papelão é feito com papel reciclado e depois de utilizado pode retornar à cadeia. Em relação às formas de alumínio, o custo unitário da forma de papelão é superior, mas ela gera economia de tempo, pois são entregues no comprimento do pilar, ou seja, não é preciso montá-las, passar desmoldantes e esperar a cura do concreto para retirar a forma. Além disso, é infinitamente mais leve, economizando custo com caminhões-munck e guindastes”, finaliza.
Entrevistado
Ana Luiza Lapa, graduada em administração de empresas pela FEA-USP e gerente comercial da Dimibu
Contatos
dimibu@dimibu.com.br
www.dimibu.com.br
Crédito fotos: Divulgação/Dimibu
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Laboratório da Rio Bonito busca acreditação do Inmetro
Meta é prestar serviços de gestão de resíduos e análises laboratoriais para outros parceiros, além da Cia. de Cimento Itambé
Por: Altair Santos
Inaugurada em 19 de agosto de 2013, a Rio Bonito Soluções em Coprocessamento prepara-se para levar sua expertise para outros parceiros. Hoje, a empresa presta serviço exclusivamente à Cia. de Cimento Itambé, mas adquiriu know-how para expandir os conhecimentos adquiridos nas áreas de gestão de resíduos, licenciamento ambiental e análises laboratoriais de materiais com potencial para serem coprocessados. Por isso, uma das prioridades da Rio Bonito é buscar certificação do Inmetro para oferecer esses serviços ao mercado. “A acreditação nos dará a possibilidade de ofertar serviço nesta área e expandir nossos negócios”, avalia Alcione Rezende, superintendente industrial da Itambé.

Com uma equipe formada por 84 colaboradores, a Rio Bonito agrega todo o conhecimento adquirido ao longo de quase 22 anos pela cimenteira, na área de coprocessamento. Em 1993, a Cia. de Cimento Itambé foi pioneira no aproveitamento de resíduos industriais em fornos rotativos. Ao longo destas mais de duas décadas, qualificou profissionais nas tecnologias de coprocessar e de produzir combustíveis alternativos certificados para serem usados em fornos rotativos. “O que é um combustível certificado? É um combustível que tem características físicas e químicas controladas e adequadas para substituir o combustível principal, que no caso da indústria de cimento no momento, é o coque de petróleo”, explica Alcione Rezende.
Empresas com o perfil da Rio Bonito são fundamentais para a cadeia produtiva industrial, pois detêm o conhecimento de aproveitar uma grande maioria dos resíduos gerados, através do coprocessamento, ao contrário de outras alternativas - como a incineração e os aterros. “Para a sociedade, o coprocessamento é o mais recomendado. Ele destrói resíduos sem gerar outros resíduos. Já para a indústria cimenteira, a tecnologia permite fabricar cimento sem afetar a qualidade do produto, pelo fato de estar recebendo resíduos industriais. É uma economia para todos”, diz o superintendente industrial da Cia. de Cimento Itambé.

Produtividade
Em 2014, a Rio Bonito e a Itambé coprocessaram 62,5 mil toneladas de resíduos industriais. Para 2015, em função da desaceleração econômica do país, a meta está em 64 mil toneladas. Isso resultará em uma economia de 17 mil toneladas/ano na importação de coque de petróleo.
Se o consumo de cimento estivesse em viés de alta no Brasil, a economia na importação de coque seria ainda maior. Atualmente, as linhas 2 e 3 da cimenteira têm capacidade instalada para coprocessar 90 mil toneladas/ano. “Quando a Itambé adquiriu a linha 3, que está operando desde maio de 2012, já o fez com essa finalidade: a de coprocessar um volume maior de resíduos industriais. Por isso temos condições de, até 2018, transformar as atuais 90 mil toneladas de capacidade instalada em 200 mil toneladas. Para isso, precisamos produzir clínquer. Para produzir clínquer, precisamos que haja consumo de cimento. Assim, precisamos que a economia se acelere um pouco”, lembra Alcione Rezende.

Além de buscar acreditação do Inmetro para seu laboratório, a Rio Bonito já começa a viabilizar outros objetivos. Um deles é investir na preparação de resíduos trituráveis (plástico e papel) como complemento e alternativa para os materiais pastosos (sobras de fabricação de tintas e vernizes e da indústria petroquímica, como exemplos). Outra meta é estar pronta para mudanças que tendem a ocorrer na Resolução Conama 264/99, que hoje regula o coprocessamento. Atualmente, a lei proíbe queimar resíduos de tratamento de efluentes domésticos, resíduos de agrotóxicos e resíduos de materiais radioativos. “Como já vêm ocorrendo no resto do mundo, em breve acreditamos que haverá mudanças nesta legislação, o que permitirá coprocessar resíduos de estações de tratamento de efluentes domésticos. Quando isso ocorrer, a Rio Bonito estará preparada para essa nova era no coprocessamento”, assegura o superintendente industrial da Itambé.
Entrevistado
Engenheiro químico Alcione Rezende, com especialização em segurança do trabalho, e superintendente industrial da Cia. de Cimento Itambé

Contato: rezende@cimentoitambe.com.br
Crédito fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Concreto de pós reativos rende prêmio à Unisinos
Universidade do Rio Grande do Sul é a primeira a desenvolver material para o mercado nacional. Fora do país, CPR está em várias obras
Por: Altair Santos
Na 20ª edição do Prêmio CBIC de Inovação e Sustentabilidade, promovido em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Instituto Tecnológico em Desempenho e Construção Civil (ITT Performance), vinculado à Unisinos-RS, conquistou uma das premiações com base em pesquisa sobre Concreto de pós reativos (CPR).

A partir do material, o ITT Performance conseguiu desenvolver estruturas de grande durabilidade, que podem ser aplicadas em construções militares, pontes e também em plataformas petrolíferas. O CPR surgiu nos anos 1990, na França, e passou a substituir o Concreto de Alto Desempenho (CAD) e, em algumas situações, até mesmo o aço. Suas especificações são bem superiores a de um concreto convencional.
O concreto convencional atinge em média valores na faixa de 60 MPa (600 kgf/cm²), enquanto o CAD atinge resistências entre 60 e 120 MPa (600 a 1.200 kgf/cm²). Já o CPR está numa faixa de resistência à compressão entre 180 MPa e 800 MPa (entre 2.000 kgf/cm² e 8.000 kgf/cm²). O concreto de pós reativos premiado pela CBIC conseguiu resistência à compressão de mais de 180 MPa e resistência à tração na flexão de 40 MPa, como explica o coordenador do ITT Performance, Bernardo Tutikian. Confira a entrevista:
A pesquisa envolveu quanto tempo e quantas pessoas do ITT Performance?
A pesquisa tem sido desenvolvida desde 2012, com a participação de alunos dos níveis de graduação, especialização e mestrado, em uma equipe, entre estudantes e profissionais, que envolve mais de dez pessoas. Além disso, é uma pesquisa aplicada, que foi desenvolvida dentro da Unisinos e levada ao mercado através da Indústria de Pré-fabricados Premold. Diretamente envolvidos na pesquisa estiveram Roberto Christ e Rafael Fávero, que desenvolveram mestrado em CPR no Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil da Unisinos; Fernanda Pacheco, Fabrício Bolina e Diego Schneider, que desenvolveram trabalhos em CPR em nível de especialização e graduação na Unisinos e ajudaram na execução da caixa na Premold; Newton Di Napoli, Carlos Zanetti e Luis Cavalieri, que desenvolveram a caixa de CPR pela Premold, e Luiz Carlos Pinto da Silva Filho e Maurício Mancio, que ajudaram a orientar muitos dos trabalhos citados.

No caso, foi desenvolvida alguma estrutura pelos pesquisadores e submetida a testes. Quais foram os resultados?
Ao longo do tempo, as pesquisas desenvolveram amostras para caracterização do material em relação a seu comportamento mecânico (resistência à tração e à compressão, tenacidade, módulo de elasticidade), comportamento durável (resistência do material à imersão em soluções ácidas, carbonatação, névoa salina, abrasão superficial) e aplicabilidade em indústria de pré-fabricado, viabilidade de substituição de parte do cimento por cinza volante, viabilidade do hibridismo de fibras metálicas e de polipropileno, entre outros. Os resultados destas pesquisas apontam o CPR como material consideravelmente superior aos concretos convencionais, com valores de resistência à compressão de mais de 180 MPa e resistência à tração na flexão de 40 MPa. Tudo isso, com consumos de cimentos menores de 300 kg/m3. Os ensaios de durabilidade apontaram o material como resistente à ação de ataques de agentes externos, apresentando níveis desprezíveis de carbonatação, corrosão das fibras metálicas ou outros danos. Quanto à viabilidade do hibridismo de fibras, aponta-se que a união de fibras metálicas e de polipropileno foi favorável para o comportamento do material. De modo prático, o material foi aplicado na indústria de pré-fabricados com a criação de um produto eficaz para unidades de tratamento de esgoto, mostrando o potencial de produção em grande escala. Esta última ação culminou no 1° lugar no Prêmio SindusCon-RS 2014 e no 3° lugar no Prêmio CBIC de Inovação de 2014.

Como se define concreto de pós reativos, que é o principal material usado na pesquisa?
O concreto de pós reativos é definido como um concreto de ultra-alto desempenho, no qual faz-se o uso de pós que se unem em uma matriz com compacidade ideal, sem o uso de agregados graúdos. Portanto, sem a zona de transição entre agregados e pasta. Tal material possui características mecânicas superiores aos concretos especiais e visam usos específicos, como em casos de grandes carregamentos, em grandes vãos, com pequenas espessuras e, principalmente, para ambientes com grande agressividade (gases, soluções ácidas, poluição, entre outros).
Os pós reativos se referem a agregados em pó. No caso, quais elementos são usados para produzir o concreto de pós reativos?
São utilizados o pó de quartzo, a sílica ativa e o cimento, podendo ser utilizados ainda outros materiais pozolânicos, como cinza volante.
O concreto de pós reativos é aplicado em quais tipos de obras?
Pode ser usado como caixa de passagem de líquidos extremamente agressivos e em plantas de petróleo. O principal fator é que o CPR é armado com fibras, ou seja, não há armaduras em seu interior para serem corroídas. No Canadá, ele é utilizado na construção de estações de esgoto, em virtude de sua alta densidade e baixa porosidade (interessante ao trabalhar-se com contaminantes agressivos). No museu Rainha Sofia, na Espanha, seu uso foi para que os pilares pudessem apresentar seção reduzida e melhor design. No Japão, foi empregado na construção de uma passarela com 50 metros de comprimento e apenas 5 centímetros de espessura, capaz de resistir aos ciclos de gelo e degelo do local. Dessa maneira, pode caracterizar-se que o uso de CPR ocorre em construções com fins específicos e rigorosos de suporte de cargas, reduzidas seções e durabilidade.

Qual o custo para se produzir concreto de pós reativos, comparado, por exemplo, com o concreto convencional?
É difícil fazer esta comparação, pois o CPR é armado com fibras, portanto, deve ser comparado ao custo da estrutura de concreto armado, e não apenas ao concreto. Também diminui muito as espessuras necessárias para resistir a carregamentos similares. Desta forma, deve-se comparar o custo da estrutura de CPR versus o custo da estrutura em concreto convencional. Fizemos isto na execução da caixa em CPR na Premold. Chegamos a um aumento de custo de cerca de 50% da caixa de CPR frente à de convencional. Mas não quantificamos economia de equipamentos de transporte e montagem, nem economias de reposição, pois a durabilidade desta caixa é até quatro vezes maior. Logo, terá menos custo de substituição da caixa ao longo da vida útil.
No Brasil, há obras que já utilizaram concreto pós reativos?
Desconheço a aplicação do CPR em obras em território nacional, em virtude da não existência de normativas acerca dos concretos de alta resistência e ultra-alto desempenho. Claro que há o caso da caixa na Premold, e com a mesma empresa estamos com projeto de aplicação do material em viaduto que está sendo construído no Rio Grande do Sul.
Quem inventou ou produziu concreto pós-reativo pela primeira vez?
O CPR foi desenvolvido pela união de três empresas: a Lafarge, fabricante de materiais de construção; Bouygues, contratante na engenharia civil, e a Rhodia, fabricante de materiais químicos. Foi produzido primeiramente na França e registrado como Ductal. O material teve seu início de desenvolvimento em 1990, por Pierre Richards, sócio da empresa Bouygues.
Entrevistado
Bernardo Tutikian, engenheiro civil, professor-doutor e pesquisador. Coordenador do ITT Performance da Unisinos-RS
Contatos
bftutikian@unisinos.br
ittperformance@unisinos.br
Crédito fotos: Divulgação/ITT Performance-Unisinos
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Três Gargantas supera definitivamente usina Itaipu
Plenamente em operação, maior hidrelétrica do mundo influencia até na rotação da Terra, tornando o planeta 0,06 microssegundos mais lento
Por: Altair Santos
O ano de 2014 terminou com a hidrelétrica de Três Gargantas, na China, tornando-se definitivamente a maior usina do mundo. Até 2013, Itaipu ainda detinha esse posto, pois produzia mais megawatts que a concorrente chinesa. No ano que acaba de terminar, Três Gargantas superou a hidrelétrica brasileira também em geração de energia. Com capacidade instalada de 22,5 mil MWh, em 12 meses a hidrelétrica chinesa gerou 98,8 milhões de megawatts (MW) contra 98,5 milhões de MW de Itaipu, cuja capacidade instalada é de 14 mil MWh.

Três Gargantas começou a ser construída em dezembro de 1992. Seu projeto cumpriu três propósitos: fornecer energia para 60 milhões de habitações chinesas, controlar as enchentes do rio Yang-Tsé e melhorar a navegação. A obra civil foi concluída em 2006, quando a hidrelétrica entrou em operação com 24 turbinas geradoras. Em dezembro de 2013 foi instalada a última das 32 turbinas previstas, fechando 100% do empreendimento. Por isso, foi possível estabelecer um novo recorde de produção de energia. Mais até do que o previsto inicialmente, que era 84,7 milhões de megawatts.
Durante os 21 anos em que esteve em obras, Três Gargantas consumiu 27,94 milhão m³ de concreto. Mais de duas vezes do que foi usado para construir Itaipu: 12,7 milhões de m³. Os números na casa dos milhões não param por aí quando se trata da hidrelétrica chinesa. A barragem com 175 metros de altura e dois quilômetros de extensão retém 22 bilhões de m³ de água. O volume retido pela represa equivale a 39 trilhões de quilos. O peso concentrado em uma única região do planeta levou a NASA a calcular que Três Gargantas alterou a rotação da Terra e fez o dia alongar em 0,06 microssegundos.

Nova Muralha da China
O reservatório de Três Gargantas tem uma extensão de 600 quilômetros e área de 1.084 km². O lago causou a inundação de 13 cidades chinesas e exigiu que 1,2 milhão de pessoas fossem deslocadas. A hidrelétrica chinesa usou seis usinas como referência para sua construção: Debdon, na Grã-Bretanha, construída em 1863; Mareges, na França, de 1935; Hoover, nos Estados Unidos, de 1936; Grand Coulee, também nos Estados Unidos, de 1941; Krasnoyarsk, na Rússia, de 1972, e Itaipu, que entrou em operação em 1984. “Estudamos os projetos mais ousados, em termos de construção de hidrelétricas, e construímos o maior projeto de engenharia da história recente da China”, diz Li Yong'an, gerente-geral da China Three Gorges Corporation (Companhia de Desenvolvimento do Projeto de Três Gargantas).
Com Três Gargantas, o rio Yang-Tsé tornou-se navegável para grandes embarcações. Navios com capacidade para transportar dez mil toneladas agora percorrem o trajeto entre Xangai, na costa Leste, e Chongqing, a dois mil quilômetros de distância. A China também reduziu sensivelmente a dependência de usinas de carvão e de petróleo e, através da China Three Gorges Corporation, assegura que a estrutura da usina suporta qualquer ataque terrorista e terremoto de até sete graus na escala Richter. “É a nossa nova Muralha da China”, garante Li Yong'na.
Entrevistado
Li Yong'an, gerente-geral da China Three Gorges Corporation (Companhia de Desenvolvimento do Projeto de Três Gargantas) (via site)
Contato: www.ctgpc.com
Crédito fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Para 20% da classe média, imóvel é prioridade em 2015
Pesquisa mostra consumidor atento aos movimentos da inflação e poupando dinheiro para concretizar sonho da casa própria
Por: Altair Santos
A Hibou, empresa especializada em monitoramento de mercado e consumo, divulgou pesquisa no final de 2014, onde apontava tendências para 2015. Realizado em cinco capitais (Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Brasília) o levantamento abrangeu desde expectativa de inflação até fidelidade a marcas, passando por mercado de trabalho e no setor imobiliário. Focado exclusivamente no comportamento da classe média, o estudo revela que 20% dos entrevistados priorizam a compra ou a troca de imóvel neste ano. Boa parte confidenciou que, para realizar esse sonho, está disposta a investir entre R$ 150 mil e R$ 500 mil. Para o coordenador da pesquisa, Marcelo Beccaro, isso demonstra busca de segurança, combinada com antecipação de compra para fugir de eventuais distorções econômicas. Confira a análise do especialista:

A pesquisa Hibou mostra uma classe média com os pés no chão para 2015. Mesmo assim, 20% dos entrevistados disseram que pretendem comprar um imóvel. Isso mostra a maturidade do consumidor?
Mostra que o brasileiro não desistiu. Imóvel é um permanente sonho de consumo. Seja primeira moradia, upgrade ou investimento, sempre existiu no brasileiro a intenção de comprar imóvel e ainda existirá por muitos anos. Para um país como o Brasil, é sinônimo de conquista. Já a segunda moradia é lazer e status associado a investimento. Deve-se lembrar que pretensão e realização são dois atos separados. Concretizar a compra depende de economia favorável, da aprovação de crédito e da oferta que venha de encontro à demanda.
Diante de um cenário com baixo crescimento, inflação e risco de desemprego, qual o perfil do consumidor de classe média que busca a compra de um imóvel?
Por experiência sabemos que não existe um único perfil consumidor para imóvel. Essa é uma compra que tem mais relação com o momento de vida do consumidor, e sua família, do que com um perfil específico. Se estivéssemos falando de "quem compra studio" ou "de quem compra apto de 56m², com dois quartos", existe sim perfis socioeconômicos razoavelmente bem definidos. O que vale ressaltar dentro da classe média é tipicamente uma compra pensada, voltada para a expansão da família. Seja sair da casa dos pais, criar um novo núcleo familiar ou a necessidade de outro quarto. No caso de um novo emprego ou promoção, a classe média não busca um upgrade de moradia sem necessidade, preferindo como segunda moradia uma casa de praia ou de campo. Nos anos recentes, temos visto a queda da segunda moradia em favor do primeiro imóvel para investimento (entre 7% e 14% das procuras) dentro da classe média.
Diante da incerteza econômica, o consumidor pode antecipar compras. Em vez de deixar para comprar um bem durável em 2016, comprar em 2015, mesmo não tendo todo o dinheiro?
Sim, dependendo da disponibilidade de crédito e da insegurança no governo, isso tem trazido de volta o medo da inflação. No Natal, foi possível ver lojas de varejo, e até incorporadoras, fazendo promoções que chamavam por "preços dos anos passados", mostrando que o desconto - que tem sido a grande arma da publicidade varejista nos últimos anos - mal consegue mitigar o aumento de preço do período.
Outro dado interessante da pesquisa é que 74% disseram que estão poupando dinheiro para comprar um bem durável. Isso também é um sinal positivo, correto?
Sim, e por dois motivos. Primeiro, por mostrar maturidade do consumidor, que está entendendo que juros de cartão de crédito, de empréstimo e de conta no vermelho saem mais caro que o produto. Segundo, por que mostra uma posição positiva em relação ao ciclo virtuoso de produção: poupança leva à compra, que leva à produção, que leva à contratação, que leva ao salário, que leva à poupança.
Houve a estratificação da pesquisa, ou seja, mostrando que em São Paulo há um percentual maior de interesse em comprar imóvel do que em Curitiba, por exemplo?
Não analisamos os dados separadamente, o objetivo foi entender o consumidor brasileiro por isso a seleção das 6 capitais que melhor refletem o cotidiano do Brasil. Para compra de imóveis não houve relevância percentual.
A pesquisa abrangeu Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Brasília. Mesmo assim, ela conseguiu refletir uma tendência nacional?
Sim. Estatisticamente, uma amostra aleatória e devidamente coletada consegue mostrar o panorama da população, dada sua significância e margem de erro. Considerando o quanto do consumo existe, e é puxado pelas capitais citadas, temos a maior parcela desta significância contemplada. E sendo estas cidades referência em comportamento do brasileiro para suas regiões, podemos ver a influência que a relação demanda-oferta nelas terá no restante do país.
Para a Hibou, qual dado da pesquisa chamou mais a atenção?
Os 41% dos brasileiros que pensam em atuar em outra área profissional, ou seja, que estão insatisfeitos com o seu momento de vida profissional. Eles querem buscar novos horizontes, mas o cenário do dia a dia não é compatível. Então, ele vai levando. Apenas 2% está efetivamente tentando mudar.
Pelo que a Hibou sentiu da pesquisa, quais setores da economia devem sentir mais a crise?
As primeiras marcas a sentir serão as afuniladas entre as multinacionais consolidadas com qualidade e preço e as populares de baixo custo. Isto porque, quando aumenta o preço, o que o consumidor faz é tentar manter seu padrão de vida, substituindo o produto de que gosta por similares de preço acessível. Por exemplo, poucos anos atrás vimos o suco pronto para beber substituindo o suco em pó na mesa do brasileiro. Esse upgrade será mantido enquanto possível, indo para faixas mais baratas de suco pronto para beber antes, de retornar ao suco em pó. Grosso modo, as grandes holdings são as capazes de ter tanto o menor custo produtivo quanto ter a maior qualidade aparente – isso consolidado em amplo gasto em comunicação. Já as empresas médias, e mesmo as grandes nacionais, acabam preenchendo esse espaço intermediário e, como é problema conhecido há décadas na indústria brasileira, sofrem com o peso dos custos altos, com a péssima malha logística e com o preço de insumos importados.
As marcas vão ter de se readequar para conquistar o consumidor? Caso sim, de que forma?
Isso já vem acontecendo mundialmente. O consumidor mudou, e cada vez a informação é uma arma. No Brasil, e em especial na situação econômica que passamos, marcas e agências já estão vendo que os olhos do consumidor mudaram. Paradoxalmente, o próprio consumidor brasileiro ainda não percebeu a dimensão do que deveria ser uma economia estável e funcional e nem se deu conta de todo seu potencial de consumo. Isso porque, ainda alimentamos hábitos passados e movimentos como tecnologia verde, custo-benefício real, aplicabilidade de impostos, vigilância de preço, entre outros, tratados no Brasil como modismos. Só incorporamos no consumo o que foi necessidade até hoje: como reciclagem e direitos do consumidor. Os dois lados do consumo, tanto oferta quanto demanda, ainda estão se readequando para o século 21.
Qual a conclusão que a Hibou tirou da pesquisa, sobretudo no interesse dos consumidores em adquirir imóveis?
Que a economia atual está colocando os brasileiros no sinal de alerta, onde eles veem uma possível última chance de aquisição do imóvel, mas se preocupam muito com o descontrole da economia e possível volta da inflação. Esse impasse, só a manutenção da estabilidade econômica poderá solucionar.
Clique aqui e confira a íntegra da pesquisa Hibou
Entrevistado
Marcelo Beccaro, graduado em engenharia naval, com especialização em logística e mais de 15 anos de atuação em pesquisa, análise mercadológica, marketing e inteligência aplicada
Contato: menina@lehibou.com.br
Crédito foto: Divulgação/Hibou
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
Natureza inspira domo de concreto sem estrutura de apoio
Desenvolvida pela Universidade de Tecnologia de Viena, construção usou conceitos que sustentam as conchas das ostras e os cascos das tartarugas
Por: Altair Santos
Para resgatar a construção de cúpulas e abóbodas sem estruturas de apoio – algo que a engenharia considera obras artesanais e, por isso, demoradas –, a Universidade de Tecnologia de Viena, na Áustria, desenvolveu pesquisa para encontrar uma tecnologia à base de concreto que reinventasse essas modalidades arquitetônicas. Para chegar ao material ideal, os professores Johann Kollegger e Benjamin Kromoser inspiraram-se na natureza. Copiaram conceitos que mantêm as conchas e os cascos das tartarugas com o formato côncavo. A solução veio de um engenhoso sistema que envolve placas de concreto, barras metálicas e uma membrana inflável instalada embaixo destas estruturas.

As placas de concreto são ajustadas formando uma figura geométrica e mantêm-se conectadas por barras metálicas. Quando a membrana é inflada, o domo assume a forma desejada pelos engenheiros e as barras passam a funcionar com travas para que a estrutura não se desmonte. “É como um escudo que se arma. As lajes de concreto são montadas no chão, sobre a membrana plástica. Quando ela infla, as peças vão se ajustando, tensionando um cabo de aço, o qual trava as barras metálicas e encaixa uniformemente as lajes de concreto”, explica Johann Kollegger. Quando as placas de concreto se juntam, as membranas podem ser desinfladas sem prejudicar a estrutura.
De acordo com Johann Kollegger e Benjamin Kromoser, que são professores do Instituto de Estruturas de Construção da Universidade de Tecnologia de Viena, o importante era provar que é possível, com a nova tecnologia, produzir formas livres complexas. Por isso, eles se limitaram a fabricar um protótipo com cúpula com 2,90 metros de altura. Os pesquisadores, no entanto, asseguram que podem construir estruturas com até 50 metros de altitude. Outra vantagem, segundo os professores, é que, além do tempo extremamente curto para viabilizar estas estruturas, elas são bem mais baratas que a construção de domos pelo sistema convencional. “Imaginamos que o custo é 1/3 da construção tradicional”, estima Benjamin Kromoser.
Além de domos para shows e assembleias, as estruturas inventadas na Áustria podem servir também para fabricar conchas acústicas para recitais ao ar livre e passarelas para transpor linhas férreas. Nos testes, os pesquisadores detectaram que quando a concha de concreto se forma, as placas apresentam pequenas fissuras. Eles asseguram que isso não impacta na segurança. “Isto também ocorre em cúpulas construídas de forma convencional. Além disso, o revestimento com argamassa impermeável encobre as fissuras”, afirma Johann Kollegger, que após patentear a invenção agora tem a expectativa de que a o mercado se disponha a produzi-la em série.




Veja vídeo sobre a nova tecnologia para construir cúpulas
Entrevistados
Engenheiros Johann Kollegger e Benjamin Kromoser, professores do Instituto de Estruturas de Construção da Universidade de Tecnologia de Viena
Contatos
johann.kollegger@tuwien.ac.at
benjamin.kromoser@tuwien.ac.at
Crédito fotos: Divulgação/TU View









