Placas cimentícias evoluem e chegam ao banheiro

Elementos são fabricados a partir de cimento, celulose e agregados, permitindo que as áreas úmidas da casa se beneficiem da construção a seco

Por: Altair Santos

Banheiros construídos inteiramente com placas cimentícias já são viáveis. Valendo-se da construção a seco, o sistema elimina custos com fundações e pode receber ligações hidráulicas e revestimentos de diferentes tipos. Isso se deve à evolução das placas cimentícias, fabricadas com nova tecnologia em fibrocimento, que utiliza cimento e celulose como matérias-primas, dispensando fibras minerais e sintéticas. A construção se mostra eficiente para hotéis, hospitais e shopping centers, mas tem também aplicabilidade em empreendimentos residenciais. “O sistema é adaptável a qualquer tipo de obra, mas é importante que seja prevista essa questão no projeto”, diz a engenheira civil Thaís Helena Martinetti, especialista em soluções com placas cimentícias NTF.

Paredes com placas cimentícias podem receber revestimento como as construções convencionais

NTF (Nova Tecnologia em Fibrocimento) é a sigla que define as novas placas cimentícias que incorporam tecnologia capaz de resistir às ações da água, como paredes exteriores e áreas molhadas (cozinha, banheiro e lavanderias). “Desde que a execução atenda aos requisitos de projeto, a durabilidade dos produtos aplicados nesse ambiente pode ser até superior ao sistema convencional”, diz Thaís Helena Martinetti. “Essas placas recebem tratamento específico contra o acesso da água, o que permite a passagem do vapor, porém impede o acesso da água por sua superfície. Isso auxilia na garantia da estanqueidade do banheiro”, completa a engenheira.

As placas cimentícias seguem a norma técnica ABNT NBR 15498 - Placa de fibrocimento sem amianto – Requisitos e métodos de ensaio. Diz a norma que, para estes produtos, os materiais a serem utilizados para assentamento de revestimentos cerâmicos ou argamassa devem ser compatíveis com o processo de construção a seco (steel framing + placas cimentícias) devido ao comportamento da estrutura. “Esses materiais são facilmente encontrados no mercado e os fabricantes possuem seus fornecedores homologados, para evitar uso de materiais inadequados e patologias”, explica Thaís Helena Martinetti.

Placas agregaram tecnologia e cimento está entre as matérias-primas

Foco nas construções habitacionais

Para adequar as placas cimentícias em áreas úmidas é preciso construir a estrutura em steel framing para fixação das placas cimentícias (parafusadas). Essa estrutura é fixada na alvenaria por meio de ancoradores. Elas podem substituir a argamassa e possibilitam uma parede com elevada planicidade, reduzindo o consumo de materiais de acabamento. “Há estudos de eliminação da estrutura de aço por assentamento das placas cimentícias com argamassa específica para este fim”, afirma a especialista, que ajudou a montar um modelo de banheiro com NTF na recente edição da Feicon (Feira Internacional da Construção) no estande da Infibra.

O protótipo pode ser montado fora da obra e vir completo para ser instalado, diminuindo o impacto no cronograma e gerando desperdício zero de materiais. Por isso, empresas especializadas em construir hotéis são os principais clientes deste tipo de tecnologia. No entanto, o setor fabricante de placas cimentícias quer conquistar espaço nas construções residenciais de múltiplos pavimentos. “O banheiro proposto na Feicon foi idealizado para apartamentos”, confirma Thaís Helena Martinetti. O próximo passo dos fabricantes é viabilizar banheiros com placas cimentícias para obras em reforma. Por enquanto, explica a engenheira, para substituir um banheiro convencional em reforma por um com placas cimentícias é necessário consultar um profissional experiente da área, que irá verificar a possibilidade de adequação para cada situação de projeto.

Thaís Helena Martinetti: sistema é adaptável a qualquer tipo de obra, mas precisa estar no projeto

Outro diferencial do material é a variedade de espessuras, que vão de 5 mm a 30 mm, cada uma adequada a um tipo de aplicação. “As de 8 mm são ideais para interiores, enquanto que placas de 10 mm e 12 mm seriam para situações exteriores, com tratamento de juntas. Já as placas de 14 mm a 20 mm são ideais para fachadas de edificações, lojas,hospitais e shopping centers, podendo ser aplicadas com ou sem tratamento de juntas expostas às intempéries. Placas acima de 22 mm são recomendadas para uso em pisos. Elas são utilizadas como base para pisos ou mesmo como piso acabado”, conclui Thaís Helena Martinetti.

Entrevistada
Thaís Helena Martinetti é engenheira civil, com mestrado pela UFSCar. Atua como engenheira de novos produtos na Infibra, principalmente em soluções com placas cimentícias NTF

Contato: thaishm@infibra.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/Infibra

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Ranking ITC mostra as 100 construtoras de 2014

Grupos Plaenge e Thá são eleitos os melhores do sul em construções residenciais e comerciais; Matec vence no segmento construção industrial

Por: Altair Santos

Cinco construtoras paranaenses se destacaram na 11ª edição do Ranking ITC, que anualmente aponta as 100 construtoras que mais empreenderam no país - de acordo com o volume de m² ativos de 2014. Duas delas foram eleitas as melhores da região sul, nos segmentos construções residenciais e construções comerciais. São os grupos Plaenge e Thá. Já em área total construída, a Casa Alta, que atua principalmente nos interiores do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, apareceu na 5ª colocação geral, com 3.233.536,47 m² de obras produzidas em 2014. A empresa superou gigantes como Rossi e Gafisa. As outras paranaenses bem posicionadas no ranking (estão entre as 50 melhores) foram a A. Yoshi, de Maringá, e a Construtora JL, de Cascavel.

Gilberto Kaminski, do Grupo Thá: liderança consolidada no sul do país

Apontado como um dos principais termômetros de desempenho pelas construtoras, o Ranking ITC teve a sua 11ª edição divulgada no dia 4 de março, durante a Expo Revestir, que aconteceu na cidade de São Paulo. Repetindo anos anteriores, o prêmio contemplou empresas nas seguintes categorias: residencial, comercial e industrial, todas subdivididas pelas regiões do país (sul, sudeste, norte, nordeste e centro-oeste). O ITC também premiou construtoras que se destacaram nas seguintes categorias: residências populares, mais lançamentos e mais obras entregues. Pela soma de todos os itens, a mineira MRV ganhou o prêmio Top ITC, por empreender 8.707.012 m² de obras em 2014.

Plaenge e Thá
No ranking geral, os grupos Plaenge e Thá apareceram, respectivamente, nas 14ª e 22ª colocações. No entanto, se destacaram regionalmente pela qualidade de seus empreendimentos. “Este prêmio mostra nossa consolidação no mercado do sul do país”, comemora Gilberto Kaminski, diretor de planejamento e controle da produção do grupo Thá, que recebeu o prêmio regional sul pela produção da empresa no segmento de edifícios comerciais. Já o grupo Plaenge ganhou pelo seu desempenho regional na construção de prédios residenciais. A construtora atua no Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Em 2014, entregou 1.529.367,43 m² de área total construída, segundo o Ranking ITC. Ainda na região sul, no segmento obras industriais, a premiada foi a Matec. Fundada em São Paulo, a empresa consolidou subsidiárias que atuam fortemente no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Premiação do Ranking ITC aconteceu dia 10 de março, na ExpoRevestir

O Ranking ITC mostrou que, em comparação com 2012 e 2013, em 2014 houve um incremento expressivo do setor imobiliário na área comercial. Em 2012, o segmento recebeu US$ 40,70 bilhões (R$ 126 bilhões); em 2013, US$ 44,47 bilhões (R$ 136,92 bilhões) e em 2014, US$ 171,20 bilhões (R$ 530,7 bilhões). Neste mesmo período de 2014, a área industrial recebeu US$ 104,47 bilhões (R$ 323,85 bilhões) e a residencial US$ 12,32 bilhões (R$ 38,19 bilhões). Quanto ao número de obras, o destaque ficou com o segmento residencial. Foram 2.191 empreendimentos entregues em 2012; 1.529 em 2013, e 3.882 em 2014. Juntas, as regiões norte e nordeste viabilizaram 844 obras residenciais em 2014. Já o centro-oeste teve 258, o sul 769 e o sudeste 2.011. Segundo especialistas, esse número significativo de obras residenciais entregues no ano passado tem relação com empreendimentos iniciados durante o boom imobiliário experimentado no Brasil entre 2009 e 2012.

 

 

Confira o ranking ITC

Entrevistado
Inteligência Empresarial da Construção (ITC) (via assessoria de imprensa)

Contato: ranking@itc.etc.br

Créditos Fotos: Divulgação/ITC

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fachadas de concreto colorido propagam-se pelo mundo

Quinze casos, considerados emblemáticos, foram mostrados em fórum internacional que aconteceu na cidade de Recife-PE

Por: Altair Santos

Pela primeira vez, o Brasil sediou um fórum internacional sobre concreto colorido. O evento ocorreu na cidade do Recife-PE, no final de 2014, quando foram apresentados os 15 casos mais bem sucedidos quanto à aplicação deste material. Destacam-se obras na Espanha (2), na Polônia, na Holanda (2), na Colômbia, na Coreia (2), no Chile, nos Emirados Árabes, na Suécia, na África do Sul, na Áustria, em Portugal e no Brasil, com o projeto Praça das Artes, em São Paulo.

Ponte Arsta, em Estocolmo: concreto colorido protege obras de arte de patologias

A um custo que pode ser até três vezes maior do que o m³ do concreto convencional, o concreto colorido é obtido através da adição de pigmentos diretamente à mistura, o que, geralmente, é feito quando o material está no caminhão-betoneira, logo após a dosagem de outros materiais. Além de ser aplicado para dar melhor efeito arquitetônico, é usado também em grandes obras para associar uma cor a uma peça em processo de concretagem, minimizando o risco de uma estrutura ser montada de forma errada.

Nos 15 cases apresentados no 7º Fórum Colored Concrete Works, o concreto colorido foi usado para atingir objetivos arquitetônicos e estéticos, e também para prevenir patologias. Na Praça das Artes, em São Paulo, cuja obra foi finalizada em novembro de 2012, o material destacou-se pela sua alta resistência à poluição e o baixo custo de manutenção. As cores em tom madeira e vermelho-ocre também serviram para demarcar os edifícios do complexo cultural. A edificação consumiu aproximadamente 10.000 m³ de concreto.

Na Holanda, sete pequenas pontes construídas sobre o canal Het Len, em Roterdã, procuraram demarcar a ligação com o novo bairro construído no entorno da cidade: o Spijkenisse. Cada travessia recebeu um tom de concreto colorido e estilo arquitetônico que imita as pontes presentes nas notas de 5, 10 e 50 euros. Houve uma busca estética na execução, mas também a preocupação em proteger as estruturas contra patologias. Cada obra recebeu, em média, 20 m³ de concreto colorido.

Na ilha de Jeju, na Coreia do Sul, o material foi empregado na construção da sede da Daum - uma das principais empresas de TI (Tecnologia da Informação) do país. O imponente prédio de 132 mil m² simula tábuas corridas de madeira. Para atender esse conceito estético, foram utilizados 6 mil m³ de concreto colorido.

Maior obra em consumo de concreto colorido na Europa – foram empregados 240 mil m³ do material -, a Cidade da Justiça, em Barcelona, envolve um complexo de nove edifícios de até 14 andares. Cada prédio tem um tom diferente. Os pigmentos foram agregados diretamente nos caminhões-betoneira. O mesmo processo foi usado para construir o conjunto de torres erguido em Bogotá, na Colômbia, para a nova sede da Aliança Francesa. Na obra, foram consumidos 5.300 m³ de concreto.

De prédios culturais a hotéis de luxo
Muito empregado em projetos voltados para casas de cultura, o concreto colorido viabilizou em Cascais, na Costa do Estoril, em Portugal, o museu da artista plástica Paula Rego. Consumiu 750 m³ do material e é apontado como uma das mais arrojadas obras da recente arquitetura portuguesa. Em Cracóvia, na Polônia, o Museu da Aviação Lotnictwa Polskiego tem uma arquitetura que lembra um origami (arte com dobraduras de papel) e também se valeu do concreto colorido para se viabilizar. Foram pigmentados 3.500 m³ do material. Já a Vila das Artes, em Heiry, na Coreia do Sul, tem vários pequenos edifícios - cada um de uma cor -, usados para oficinas de arte e como espaço para eventos de artistas populares.

Para mostrar a versatilidade do concreto colorido, o fórum internacional escolheu o teleférico Ahornbahn, na Áustria, e o estádio Soccer City, na África do Sul, onde placas do material revestem as obras. Conceito semelhante foi usado na reconstrução do prédio da prefeitura de Middelburg, capital da província holandesa de Zeeland. O material foi escolhido também para revestir as salas de envelhecimento de vinho na adega Antión, em La Rioja, na Espanha. Utilizou-se cerca de 12.000 m³ de concreto colorido na obra, assim como para construir o hotel ESO, no Chile.

Porém, dos 15 cases mostrados no fórum, dois são emblemáticos: a Ponte Arsta, em Estocolmo, e o hotel Emirates Palace, em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos). O primeiro, por que exigiu ações inovadoras para o bombeamento do concreto colorido em uma estrutura de 19,5 metros de largura, 26 metros de altura e 993 metros de comprimento. Foram empregados 6 mil m³ do material na ponte que desafogou o sistema ferroviário da capital sueca. No outro caso relevante, impressiona o volume de concreto colorido usado. O edifício, cuja arquitetura lembra um palácio, é atualmente o maior do mundo no uso do material, consumindo 243 mil m³.

Veja as 15 obras mais importantes no uso do concreto colorido
http://www.forumcoloredconcreteworks.com/downloads.asp

Entrevistado
Conteúdo com informações do relatório sobre os casos estudados no fórum

Créditos Fotos:Divulgação/Fórum do Concreto Colorido

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

 


Pesquisa consolida bambu como parceiro do concreto

Alguns tipos da planta, denominada de “aço verde” ou “madeira do futuro”, têm resistência de até 100 MPa e podem atuar como elemento estruturante

Por: Altair Santos

Na Índia, Indonésia e China, e em países sul-americanos, como Colômbia, Peru e Equador, o emprego do bambu em substituição ao aço, junto a estruturas de concreto armado, já é realidade. Há mais de um século, a engenharia civil destas nações incorpora a planta à construção de casas populares e prédios habitacionais com até quatro pavimentos. Os bons resultados estimulam o Brasil a começar a testar essa tecnologia. “Dependendo da espécie, maturidade, tratamento e teor de umidade, o bambu pode ser empregado com eficiência como elemento de colunas e vigas estruturais, suportando cargas bem altas”, explica Vitor Hugo Silva Marçal, secretário-executivo da Associação Brasileira de Produtores de Bambu (APROBAMBU).

Sobrado de alvenaria, reforçado como estrutura de bambu: substituto do aço

O engenheiro civil cita que na Colômbia há casas de bambu estrutural revestido de concreto que possuem mais de 100 anos e continuam íntegras e funcionais. Atualmente, no Brasil, universidades e grupos de pesquisa passaram a desenvolver projetos utilizando a planta, a fim de diminuir os gastos energéticos e aumentar a sustentabilidade das construções. Estudos mostram que o bambu pode sim ser utilizado no lugar do aço, já que sua resistência à tração e à compressão atinge valores médios de 100 MPa e 40 MPa, respectivamente. Segundo Vitor Marçal, a planta no formato roliço se adapta muito bem a sistemas construtivos pré-fabricados, pois ajuda a produzir peças eficientes sob o ponto de vista de leveza e eficiência térmica.

Norma técnica
UnB (Universidade de Brasília), Unicamp (Universidade de Campinas) e PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) já possuem núcleos em seus departamentos de engenharia civil para estudar o bambu e os tipos da planta que melhor se adaptam à construção civil (há variedades que funcionam melhor para a fabricação de

Vitor Hugo Silva Marçal, presidente da ABPD: Índia, Colômbia, Equador e China usam o bambu como elemento estruturante há mais de um século

laminados e aglomerados de madeira). Mas o que leva as universidades a pesquisar o material está relacionado ao seu grau de resistência a patologias, quando aplicado ao concreto. “Muitas das patologias encontradas até o momento estão relacionadas ao mau dimensionamento das peças e à utilização de material com pouca qualidade, imaturo e com teor de umidade inadequado”, diz o secretário-executivo da APROBAMBU.

As universidades que pesquisam o bambu como elemento-estruturante também atuam para que o material possua norma técnica, junto à ABNT, a fim de que possa ser usado na construção civil brasileira. Só assim, ele poderá ser incorporado, por exemplo, em sistemas construtivos credenciados para o programa Minha Casa Minha Vida. Como material de construção, o bambu precisa estar maduro, ser cortado da forma correta, passar por tratamento adequado, secar de forma progressiva e ser bem armazenado. Outro fator importante é a capacitação e o conhecimento da mão de obra que trabalha com o bambu. “Na Colômbia, onde a planta tem normalização, ela é adotada em programas de habitação popular para edificações de até dois pavimentos. Na Índia, existem estruturas construídas com quatro pavimentos”, exemplifica Vitor Marçal, apostando que o “aço verde” e a “madeira do futuro” ainda irão revolucionar a construção civil brasileira.

Casa pré-fabricada, com estrutura em bambu, e que depois será revestida com concreto

Entrevistado
Engenheiro civil Vitor Hugo Silva Marçal, secretário-executivo da Associação Brasileira de Produtores de Bambu (APROBAMBU)

Contatos
vitormarcal@projetobambu.com
vitor_vhsm@hotmail.com
www.projetobambu.com

Créditos Fotos: Divulgação/ APROBAMBU

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Informalidade na construção custa R$ 1,8 bi por ano

Valor engloba mão de obra sem carteira assinada, materiais sem nota fiscal, sonegação tributária e obras sem alvará, alertam organismos ligados ao setor

Por: Altair Santos

A informalidade é um dos principais desafios dos setores produtivos, em todo o Brasil. Para driblar esse gargalo, a indústria da construção civil desenvolve uma série de ações. No Paraná, foi constituído há 14 anos o Comitê de Incentivo à Formalidade - uma ação do SindusCon-PR, em parceria com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e outros 20 organismos ligados direta ou indiretamente ao setor. A boa iniciativa se propaga por outros sete estados e já ajudou a regularizar a situação de 500 mil trabalhadores.

Reunião do Comitê de Incentivo à Formalidade: no Brasil, pode haver 3 milhões de trabalhadores atuando sem registro na construção civil

Mas ainda há muito trabalho a ser feito. Para o coordenador do comitê paranaense, e vice-presidente do Sinduscon-PR, Euclésio Finatti, a informalidade deve envolver atualmente, no país, 3 milhões de trabalhadores. Mas ela não está apenas na regularização da mão de obra, ramificando-se por outras vertentes da atividade empresarial, como compra de materiais sem nota fiscal, sonegação tributária, obras sem alvará e a ausência de segurança do trabalho. Somente no que se refere aos trabalhadores na informalidade, o Brasil deixa de arrecadar anualmente R$ 1,8 bilhão.

A carga tributária é responsabilizada por esse quadro. O comitê usa o exemplo da construção de uma casa popular do programa Minha Casa Minha Vida para demonstrar o “custo Brasil”. Do valor total pago para viabilizar a obra, 45% são convertidos em impostos e contribuições sociais. Isso resulta em um círculo vicioso, que afeta desde a qualidade do empreendimento até a saúde e a segurança do trabalho, influenciando nos índices de sonegação e de acidentes. “Por isso, o Comitê de Incentivo à Formalidade age para diminuir a precarização do trabalho na construção civil”, ressalta o presidente do SindusCon-PR, José Eugenio Gizzi.

Paraná é modelo
Desde o período em que o comitê está em atuação, a informalidade no Paraná caiu de 55% para 39%. Em Curitiba, os números são ainda melhores: de 45% para 25%. “Nós não podemos afirmar categoricamente que se trata de uma ação exclusiva do comitê. Mas uma atuação forte do programa em todo o Paraná, durante esses 14 anos, contribuiu para que a realidade melhorasse, ou seja, o nosso trabalho formiguinha colaborou para estimular a formalização”, reforça Euclésio Finatti.

Além do planejamento periódico de ações, o Comitê de Incentivo à Formalidade atua com visitas técnicas por meio de um representante do CREA-PR, um do SindusCon-PR e um dos trabalhadores, que vão até as obras para orientar quanto à saúde, segurança do trabalho e para exigir um responsável técnico na obra. “A ação propaga a conscientização e a necessidade de mudanças”, afirma Finatti.

Com apoio governamental, o comitê estima que conseguiria formalizar anualmente cerca de 22 mil trabalhadores por ano no Paraná, aumentando a arrecadação estadual em aproximadamente R$ 75 milhões.

Entrevistado
Comitê de Incentivo à Formalidade, durante palestra concedida dia 6 de abril na sede da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná)
Contato: imprensa@sindusconpr.com.br

Crédito Foto: Divulgação/Fiep

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Norma das reformas faz um ano, mas enfrenta descaso

Para organismos envolvidos com a ABNT NBR 16280, como a AsBEA, a falta de divulgação impede que ela se popularize e chegue aos condomínios

Por: Altair Santos

Dia 18 de abril de 2014 entrou em vigor a ABNT NBR 16280 - Reformas em edificações. A norma técnica define procedimentos para que o proprietário viabilize obras em seu imóvel, assim como estabelece limites para intervenções nas áreas externas de um edifício sob o regime de condomínio. Entre as diretrizes, a NBR 16280 vincula-se ao Código Civil Brasileiro para responsabilizar civil e criminalmente, síndico e proprietário, caso a reforma cause danos ao prédio.

Keiro Yamawaki, presidente da AsBEA-PR: escritórios de arquitetura esperavam maior volume de projetos com a ABNT NBR 16.280

Mesmo carregada de relevância, a norma técnica completa um ano enfrentando descaso. Principalmente, por causa da desinformação de síndicos, administradoras de condomínios e proprietários sobre os riscos a que estão sujeitas reformas sem assessoria técnica. Mal realizadas, elas podem danificar estruturas, trazer problemas hidráulicos, gerar sobrecarga elétrica, comprometer a impermeabilização e afetar a termoacústica das edificações. “Por isso, o pleno acompanhamento de um arquiteto ou de um engenheiro civil evita riscos à obra”, explica Keiro Yamawaki, presidente da AsBEA-PR.

Arquiteto e urbanista, Yamawaki entende que o problema da ABNT NBR 16280 é de comunicação. “Neste primeiro ano, observo que a norma ainda não pegou completamente. Na AsBEA, entendemos que ela deve ser mais divulgada e vista como um avanço para o cidadão comum. Hoje, ela só é lembrada quando acontecem fatalidades, ainda que o número de síndicos que tomam conhecimento da norma aumente significativamente”, destaca.

Por conta da indiferença à norma, as projeções feitas por arquitetos e engenheiros que atuam com reformas de imóveis não se confirmou. “A entrada em vigor da norma nos fez criar a expectativa de que haveria um aumento mais acentuado de consultorias e contratações de projetos, mas isso ainda não se confirmou”, avalia o presidente da AsBEA-PR.

Cinco passos básicos

Norma das reformas exige contratação de mão de obra especializada e acompanhamento técnico

A norma das reformas não interfere em obras que não representem risco à segurança do prédio, como pinturas, por exemplo. No entanto, orienta que o síndico esteja à par de qualquer procedimento, por mais simples que ele seja. Já as seguintes intervenções precisam seguir trâmites técnicos. A saber:

1) Alterações que afetem estruturas e paredes de vedação deverão possuir um responsável técnico (engenheiro civil ou arquiteto) e a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e ou Registro de Responsabilidade Técnica (RRT). Caso contrário, qualquer cidadão que se sinta prejudicado pela obra pode requerer o embargo através de denúncia ao CREA e ao CAU.

2) O síndico deve ser comunicado antecipadamente sobre a obra e submetê-la à análise de um responsável técnico de confiança do condomínio. Dependendo do parecer, ele poderá autorizá-la ou rejeitá-la.

3) A reforma precisa que seu cronograma seja comunicado ao condomínio e não poderá ferir o regulamento do condomínio, como horários para obras, lei do silêncio, etc.

4) O síndico deve também controlar a entrada de materiais de construção e mão de obra especializada no local da obra.

5) Todos os documentos ligados à reforma devem ser arquivados pelo condomínio.

Entrevistado
Arquiteto e urbanista Keiro Yamawaki, presidente da AsBEA-PR (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura) na gestão 2014-2016
Contato: asbea@asbea-pr.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/AsBEA-PR e Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

E-commerce: mercado da construção está pronto para ele?

Segundo especialista, setor precisa se preparar para atender as próximas gerações, cujo hábito de consumo estará calcado na internet

Por: Altair Santos

Em 2014, o comércio eletrônico obteve crescimento de 21% em comparação a 2013. De acordo com dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas), são 63 milhões de brasileiros que utilizam a internet para comprar eletrodomésticos, vestuários, calçados e perfumaria. Na construção civil, no entanto, o e-commerce engatinha. Mesmo na área de varejo, as redes que vendem material de construção não abrem mão da venda física. Por quê? A alegação é que a especificidade dos produtos limita a venda on-line. Há analistas, no entanto, que veem certo conservadorismo no setor ou que o próprio mercado ainda não está pronto para o e-commerce. Essa e outras teses são analisadas pelo especialista em marketing digital e e-commerce, Márcio Eugênio. Confira a entrevista:

Márcio Eugênio: frete é um grande desafio para o e-commerce na construção civil

O comércio digital só faz crescer. No entanto, a construção civil parece alheia a isso e praticamente não adere ao e-commerce. Há uma explicação para isso?
Existe uma explicação. Primeiro, são os hábitos de consumo. Muitas pessoas têm o hábito de ver os produtos, de ir até o local para analisar o produto e comprar. Segundo, que muitos dos produtos da área da construção civil têm a questão do frete que, dependendo do tamanho e do volume, inviabiliza a questão de atendimento para todo o território nacional. O frete é um grande desafio para toda a construção civil.

Mesmo grandes redes de varejo da construção civil, apesar de detalharem seus produtos em seus sites, preferem a venda física. Será que material de construção não tem comprador na web?
Acredito que tenha, mas é preciso trabalhar melhor a questão de hábitos de consumo. O público atual está acostumado a ir até o local para comprar os produtos, mas acho que conforme as próximas gerações forem entrando no mercado, forem ficando mais maduras, elas tendem a utilizar, junto aos materiais de construção, os mesmos hábitos que têm hoje para consumir outros produtos. Os varejistas do setor precisam estar alinhados e preparados para essa mudança.

O conservadorismo do setor pesa na hora de o e-commerce ser incorporado ao negócio?
Sim, pesa porque muitas vezes o pessoal desta área está acostumado a fazer negócio de um jeito tradicional. Isso ainda não é um grande problema para eles, por que a maioria dos consumidores deste tipo de material ainda é conservadora. Então, há tempo para aprender, se adaptar e para um novo tipo de público que virá.

A especificidade dos produtos que a construção civil vende atrapalha para que sejam negociados via e-commerce?
Bem pelo contrário, facilita. É muito mais fácil ter uma especificação de um produto e localizá-lo pelo sistema eletrônico, através de um Google ou através de uma busca dentro de um site, do que você ter que sair numa loja física com milhares de produtos e tentar localizá-lo. Então, para as pessoas que têm o hábito de consumo, mas não gostam de fazer compra no varejo, a especificação através da internet facilita o consumo.

O senhor sabe se essa restrição da construção civil ao e-commerce é uma característica do mercado brasileiro ou fora do país também é assim?
Fora do Brasil existem redes de varejo que tem uma atuação muito forte na internet. Eu vi uma campanha de uma rede americana, voltada para donos de casas no estilo colonial, que mostrava produtos da loja virtual apenas para quem utiliza esse tipo de construção. Era uma campanha em vídeo, extremamente interativa e muito mais envolvente que um e-mail com promoções tipo “Tá barato!”, “Quer comprar?”. Esse tipo de segmentação funciona muito bem para produtos relacionados à construção civil.

A tendência é a construção se render ao e-commerce? Caso sim, de que forma isso deve ocorrer?
Não acredito que isso possa acontecer no curto prazo. Hoje, quem consome produtos da construção civil não está 100% adaptada a compras através da internet. É um público um pouco mais velho. Mas nos próximos anos, acredito que isso vai ser uma necessidade. Quem se posicionar primeiro, quem estiver atuando e conseguir resolver os desafios do comércio eletrônico para este tipo de venda vai se destacar e vai ter muito sucesso.

Por outro lado, o e-commerce para venda de imóveis parece já funcionar a pleno vapor?
Sim, existem construtoras com ações incríveis para fazer venda pela internet. Elas têm muito a ensinar a quem atua no varejo e no atacado da construção civil. O e-commerce está aí para ajudar os donos de empresas deste setor a ter resultados nas vendas on-line.

Entrevistado
Márcio Eugênio é especialista em e-commerce, fornecedor de plataformas de lojas virtuais para empresas e consultor em comércio eletrônico

Contatos
marcio.eugenio@dlojavirtual.com
www.dlojavirtual.com

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Tecnologias aprimoram manutenção de pontes e viadutos

Na Road Expo 2015, presidente do IBRACON, Túlio Nogueira Bittencourt, destaca novas ferramentas que serão incorporadas na revisão da ABNT NBR 9452

Por: Altair Santos

Na recente edição da Brazil Road Expo, especialistas debateram a manutenção de estruturas em concreto convencional e pré-fabricado. No encontro, o presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) Túlio Nogueira Bittencourt, destacou que atualmente há uma série de ferramentas modernas e eficientes para executar a manutenção de pontes e viadutos. Segundo o engenheiro civil, e professor da Poli-USP, há instrumentos que indicam, inclusive, quando agir na estrutura. “Com essas tecnologias, que fornecem não apenas uma visão global das estruturas, mas também elementos para uma análise local, envolvendo detalhes de juntas e ligações, é possível perceber níveis de deterioração provocada pela ação do tempo, intempéries e também das cargas às quais a ponte é submetida, além de detectar danos como trincas e fissuras”, afirma.

Modelos computacionais possibilitam análises dinâmicas entre veículos, vias e pontes

Para Túlio Nogueira Bittencourt, que palestrou no II Seminário Abcic/IBRACON de Infraestrutura Viária e Mobilidade Urbana, organizado pelo IBRACON em parceria com a Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), essas novas tecnologias colocam o setor diante de uma nova realidade. “Há soluções sofisticadas, baseadas em modelos computacionais e sistemas de monitoramento, que possibilitam identificar deformações e fazer análises não-lineares ou dinâmicas, inclusive calculando a interação entre veículo, via e ponte. São modelos que desenvolvem cargas móveis realistas, compatíveis com as condições reais de tráfego e, finalmente, incorporam esses resultados para melhor avaliar as condições de segurança e desempenho das estruturas, ao longo do tempo”, diz.

O presidente do IBRACON salientou, no entanto, que para se conseguir o resultado esperado pelos profissionais da área é imprescindível que se tenha parâmetros históricos sobre o uso das pontes. “Temos casos de estruturas e de pontes, das quais não se encontra sequer o projeto quanto mais um histórico com as ocorrências, as cargas e as manutenções realizadas ao longo do tempo. Ressalto, porém, que essa falta de histórico não é uma característica apenas do Brasil. Ele lembra que, em recente viagem à Alemanha, ouviu de colegas engenheiros alemães a mesma queixa sobre falta dos projetos originais”, comenta.

Julio Timermann, coordenador da revisão da ABNT NBR 9452: inspeções rotineiras em pontes e viadutos terão prazo de execução

Revisão da ABNT NBR 9452
Tanto a inclusão de novas tecnologias quanto a preservação de documentos e projetos estão contempladas na revisão da ABNT NBR 9452 – Inspeção de Pontes, Viadutos e Passarelas de Concreto. De acordo com o engenheiro civil Julio Timermann, vice-presidente do IBRACON e coordenador da Comissão de Estudos de Inspeção de Estruturas de Concreto da ABNT/CB-18, a atualização da norma técnica prioriza tipos de inspeção e critérios de classificação das obras. Aprovada consensualmente entre os envolvidos na cadeia produtiva, incluindo organismos governamentais, a NBR 9452 já está com o texto-base concluído e passa agora por formatação na ABNT para entrar em consulta pública ainda neste semestre.

Segundo Timermann, a norma revisada prevê quatro tipos de inspeção: cadastral, rotineira, especial e extraordinária. Além disso, sugere prazos para a execução das inspeções rotineiras (não superior a um ano) e especial (de cinco a oito anos, dependendo da classificação da obra). “Há ainda um anexo para a realização de inspeção subaquática, já que existem fissuras que aparecem por questões como a erosão”, aponta.

Outra mudança importante realizada no novo texto da NBR 9452 é a inclusão de critérios de classificação das obras, que considera parâmetros estruturais, funcionais e de durabilidade. A partir daí, são atribuídas notas de 1 a 5 para cada parâmetro, refletindo a maior ou menor gravidade dos problemas detectados, e classificando as obras por níveis. “Nosso objetivo é fornecer subsídios para entidades que administram rodovias, a fim de que elas realizem manutenção e inspeção de pontes de maneira eficiente e segura”, finaliza.

Entrevistados
Engenheiros civis Túlio Nogueira Bittencourt e Julio Timermann, presidente e vice-presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto)
Contato: qualificacao@ibracon.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/Dnit e Brazil Road Expo

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Expectativa do mercado imobiliário é crescer 6% em 2015

Nova presidente da Ademi-PR avalia que, apesar das indefinições da macroeconomia, quem aliar conhecimento com criatividade tende a manter vendas

Por: Altair Santos

A engenheira civil e diretora de marketing da Construtora San Remo, Aline Perussolo Soares, é a primeira mulher a assumir a presidência da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR) - entidade que representa as construtoras e incorporadoras no Estado. Empossada em 24 de fevereiro de 2015, a empresária afirma que o objetivo de sua gestão (2015-2016) é trabalhar para que as empresas do setor mantenham a produtividade, a fim de que o lançamento de unidades novas cresça 6% em relação a 2014. Esta estimativa e outras análises estão na entrevista a seguir. Confira:

Aline Perussolo Soares: primeira mulher a presidir a Ademi-PR

Em um ano de estresse econômico, quais são os desafios para as construtoras e incorporadoras paranaenses?
O atual momento é de indefinições quanto às diretrizes da política econômica nacional. As construtoras e incorporadoras têm de esperar o cenário se estabilizar, especialmente quanto à opção que será feita pela equipe de governo: se por investimento ou por corte de custeio, para concluir o seu planejamento em definitivo. Na área empresarial, especificamente quanto ao mercado imobiliário, o desafio é as empresas manterem a produtividade ante a uma economia que se encontra em ritmo mais lento. Ainda assim, estamos numa situação mais favorável do que em épocas anteriores, marcadas por mudanças de planos econômicos, congelamentos, oferta de crédito restritiva, inflação descontrolada e em níveis estratosféricos. Além disso, se o momento apresenta desafios, também oferece oportunidades para as empresas usarem a criatividade e o conhecimento construído ao longo dos anos para buscar novas soluções, fazer diferente, inovar, sem desconsiderar as experiências anteriores, elevando a qualidade dos produtos e serviços colocados no mercado.

O setor de construção imobiliária no Paraná projeta crescimento para 2015, em relação a 2014?
Em função das indefinições da macroeconomia, nesse momento, é difícil elaborar previsões. É preciso que o cenário se estabilize para fazermos projeções mais alinhadas com a realidade do mercado. Entretanto, estamos otimistas, e acreditamos que o número de unidades lançadas em Curitiba nesse ano seja, no mínimo, 6% superior ao ano de 2014. Além disso, o imóvel novo tende a continuar em valorização, com índices muito próximos da inflação.

Sob o ponto de vista de ganhos de produtividade das construtoras, a senhora acredita que elas estão preparadas para obter ganhos nesta área?
Acreditamos, sim, que as construtoras e incorporadoras podem garantir produtividade nesse ano. Em alguns segmentos, como o da habitação econômica, isso se dará em termos de aumento de lançamentos, visto que esse é um setor em que a demanda é latente. No Paraná, muitas empresas diversificaram seus negócios nos últimos anos, inclusive expandindo a sua atuação para cidades do interior do Estado, que ainda não chegaram à fase de “pós-boom” imobiliário, o que, no conjunto das receitas apuradas, deve garantir o faturamento. O segmento de alto padrão e luxo é, naturalmente, mais estável quanto à relação oferta e demanda, visto que se trata de um nicho de mercado para atendimento das altas rendas da cidade, e deve-se manter constante. Já para as habitações de padrão standard, com preço de R$ 250 mil a R$ 400 mil, que atende a classe média e, proporcionalmente aos demais setores, ele apresenta maior concorrência. As oportunidades estão no desenvolvimento de projetos exclusivos, com menos unidades e com diferenciais que garantam maior valor agregado para a venda.

Em sua posse, a senhora disse que uma de suas metas é contribuir para que as associadas da Ademi-PR conquistem desenvolvimento técnico e profissional. A senhora poderia explicar melhor esse ponto?
A nova gestão da Ademi-PR pretende ampliar a qualificação técnica de seus dirigentes e profissionais do mercado de incorporação imobiliária, por meio de uma agenda de capacitação, que compreende a promoção de cursos e palestras exclusivos e periódicos aos associados. Na área estratégica, nosso objetivo é ampliar o escopo da pesquisa de mercado que é realizada pela entidade de classe, agregando novas categorias de monitoramento como, por exemplo, sobre a oferta e os preços dos terrenos comercializados na capital paranaense, otimizando o uso desse levantamento enquanto ferramenta de planejamento e de venda pelas empresas associadas.

Hoje é sabido que sistemas construtivos industrializados estão cada vez mais confiáveis e mostrando ser bem competitivos. A Ademi-PR pretende estimular que as empresas invistam em sistemas que garantem obras com cronogramas mais enxutos?
A construção civil brasileira avançou muito nos últimos anos em tecnologia, no que se refere a sistemas construtivos. Entretanto, é importante destacar que muitos deles ainda estão em processo de certificação junto aos organismos responsáveis, e até mesmo a agentes financeiros, para a concessão de crédito imobiliário, assim como alguns funcionam em caráter de projeto-piloto. O mesmo vale para os materiais empregados na construção. Ao mesmo tempo em que a nova Norma de Desempenho das Edificações aumentou as exigências de qualidade desses insumos na obra, também obriga que os materiais passem por ensaios laboratoriais ou contem com certificação por organismo autorizado para uso nas habitações, o que ainda está em processo de adequação pelos fornecedores. Esses avanços são altamente relevantes e terão uma participação cada vez maior no setor nos próximos anos. De modo geral, a construção civil no país ainda é bastante artesanal, não apenas em função do custo de incorporação das novas tecnologias, mas também por esses processos de certificação de qualidade. Enquanto entidade de classe, somos apoiadores e incentivadores das novas tecnologias na construção civil, desde que conjuguem produtividade e qualidade, sem onerar empreendedores e compradores, e na medida em que não gerem impactos sociais bruscos quanto à geração de emprego e renda no setor.

Com relação a itens como sustentabilidade e respeito ao meio ambiente, como sua gestão pretende atuar?
Buscar alternativas para diminuir os impactos da construção civil no meio ambiente já é prioridade na gestão das construtoras e incorporadoras. Não apenas pela implantação de procedimentos e práticas menos agressivas no canteiro de obras, como otimização de uso e reaproveitamento dos materiais, mas também em sistemas inteligentes quanto à utilização dos recursos naturais nos empreendimentos, como captação da água da chuva, sensores de iluminação e placas de captação da energia solar para aquecimento da água. Do mesmo modo, a descoberta e o repasse de informações sobre técnicas mais sustentáveis na construção civil estão entre as prioridades da nossa gestão. Inicialmente, vamos subsidiar a disseminação e adesão a esse conceito por meio da realização de ações, junto aos associados, que permitam o conhecimento e o intercâmbio de experiências sobre as novas soluções e tecnologias utilizadas no setor. Nosso intuito é que esse trabalho seja realizado em parceria com outras entidades representativas do setor, como SindusCon-PR, Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e as demais Ademis do Brasil.

Em que patamar as construtoras e incorporadoras paranaenses encontram-se hoje, sob o aspecto de volume de obras e solidez nos negócios, em relação a outros estados?
Essa avaliação depende do referencial para comparação, que pode ser tanto uma cidade como São Paulo quanto Porto Alegre, que estão em situações bastante diversas. De modo geral, é possível afirmar que o mercado imobiliário paranaense, especialmente em Curitiba, atingiu a sua maturidade e encontra-se numa fase de adequação entre oferta e demanda, com a redução das unidades em estoque. Os dados mostram um salto na participação da incorporação imobiliária formal, ou seja, obras realizadas por construtoras e incorporadoras. Em 2007, um terço das unidades residenciais foi licenciada por meio da incorporação formal. No ano passado, metade das unidades residenciais foi licenciada pelas construtoras e incorporadoras, o que indica maior profissionalização do setor e mais qualidade técnica e confiabilidade dos empreendimentos imobiliários. Quanto aos preços, os dados mostram que os imóveis novos continuam a valorizar na capital paranaense, dentro de um patamar de regularidade.

Hoje, com quantos associados conta a Ademi-PR e com que áreas eles estão relacionados?
Atualmente, a Ademi-PR conta com aproximadamente 50 associados, entre construtoras, incorporadoras, imobiliárias e empresas com atuação diretamente relacionada ao mercado imobiliário do Paraná, sendo que a maioria das empresas está situada em Curitiba e região metropolitana. Entre os objetivos dessa nova gestão, está a ampliação do quadro associativo, inclusive com a adesão de construtoras e incorporadoras do interior do Paraná.

Ainda compensa investir em imóveis?
Adquirir um imóvel para investimento sempre é um bom negócio porque, mais do que uma alternativa de diversificar as aplicações financeiras, trata-se da constituição de um patrimônio. Mas é importante atentar-se que, somado ao seu baixo risco, é uma operação com resultados no longo prazo. O momento também é bastante favorável para quem busca um imóvel para moradia, pois, o mercado oferece uma gama ampla de opções, com condições de pagamento atrativas.

Veja como ficou a nova diretoria da Ademi-PR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrevistada
Engenheira civil Aline Perussolo Soares, com pós-graduação em marketing, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR) e diretora de marketing na Construtora San Remo
Contato: ademipr@ademipr.com.br

Crédito Foto: Divulgação/ Carol Sábio

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Sistema protendido e concreto autoadensável dominam pré-fabricado

Pesquisa divulgada pela ABCIC mostra que setor aprimora suas linhas de produção, tanto no que se refere a materiais quanto a equipamentos

Por: Altair Santos

Recente balanço divulgado pela ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), intitulado “Sondagem de Expectativas da Indústria de Pré-fabricados de Concreto”, revela que sistemas protendidos de concreto e o concreto autoadensável passaram a dominar a linha de produção das empresas que atuam no setor. Em 2014, 59,5% das peças produzidas consumiram concreto com protensão e 58,1% utilizaram autoadensável como matéria-prima. Já o concreto armado foi usado por 40,5%. O estudo, organizado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) revela ainda que, no ano passado, o segmento da construção industrializada absorveu 407 mil toneladas de cimento e produziu 1,063 milhão de m3 em estruturas pré-moldadas.

Em 2014, construção industrializada consumiu 407 mil toneladas de cimento e produziu 1,063 milhão de m³ em estruturas pré-moldadas

Os ganhos de produtividade é que passaram a dar protagonismo aos sistemas protendidos e ao concreto autoadensável dentro da indústria de pré-fabricados. No caso da técnica com protensão, ela oferece menor risco de fissuras, a possibilidade de construir peças mais esbeltas e resistentes e a oportunidade de vencer vãos maiores do que com o concreto armado convencional. Já o concreto autoadensável reduz custos por m³, garante melhor acabamento e permite bombeamentos à longa distância, além de otimizar a mão de obra.

O estudo revela ainda que 18,6% das indústrias do segmento já implantaram em suas fábricas a ferramenta BIM (Building Information Modeling). Em relação às empresas que conhecem, e que pretendem implantar o sistema nos próximos anos, o percentual é de 27,9% - um pouco abaixo dos 31,2% registrado no levantamento anterior. Somando quem já utiliza e quem planeja adotar o BIM nos próximos dois anos, o total já equivale a 46,5%. Tal percentual, ao lado do maior uso de sistemas protendidos de concreto e do concreto autoadensável, confirma maior consonância do segmento com preceitos de sustentabilidade e do intenso desenvolvimento tecnológico do setor.

Outro dado relevante mostrado na pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas está no fato de que 44% das empresas do segmento de pré-fabricados de concreto investiram em 2014 mais do que em 2013. Deste percentual, 78% responderam que destinaram os recursos para a compra de equipamentos para produção; 53,7% disseram ter ampliado suas áreas de produção; 41,5% aplicaram em infraestrutura de equipamentos em geral; 36,6% expandiram as áreas de estocagem e 34,1% investiram em galpões e obras civis. O levantamento apurou ainda que 31,1% das empresas do segmento planejam investir mais em 2015 do que investiram no ano passado.

Shopping centers lideram
A sondagem da FGV também levantou os segmentos da construção civil onde mais foram utilizadas estruturas pré-fabricadas de concreto em 2014. Houve alterações no ranking, em comparação com 2013. A área de shopping centers assumiu a liderança, seguida de indústrias, área de infraestrutura e obras especiais, conforme atesta a maior presença do segmento na viabilização de obras em aeroportos e também em estádios. O ranking de 2014 é completado ainda por centros de distribuição e logística, edifícios comerciais, obras para a área de varejo e, por último, o segmento habitacional.

No que diz respeito ao nível de emprego gerado pelo segmento de pré-fabricado, a sondagem da FGV registrou, com base em dados de 2013, que a indústria empregava 12.066 pessoas, ou seja, 1,5% do contingente da indústria da construção civil e 9,2% do segmento de fabricação de artefatos de concreto. Na comparação com o ano anterior, houve uma queda de 9% no número de trabalhadores por empresa. Na média, 33% das empresas possuíam até 100 empregados; 53% delas registravam entre 101 e 500 trabalhadores, e 14% contavam com mais de 500 funcionários.

O estudo da FGV revelou ainda dados sobre o perfil de produção das empresas do segmento. Mostrou, por exemplo, que aumentou significativamente o percentual de pré-fabricadores que processam anualmente um volume entre 30,1 mil m3 a 100 mil m3 de estruturas. Esse percentual era de apenas 6,4% em 2012 e saltou para 16,3%, em 2013. A pesquisa, que teve a coordenação da economista Ana Maria Castelo, foi realizada entre os meses de agosto a novembro de 2014 e ouviu 45 das 53 empresas associadas da ABCIC. Esta foi a segunda edição do estudo voltado exclusivamente para o setor de pré-fabricados de concreto.

Entrevistado
ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) (via assessoria de imprensa)
Contato: meccanica@meccanica.com.br

Crédito Foto: Divulgação/ABCIC

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330