El Niño e tornados colocam construção civil em alerta

Chuvas intensas e ventos com grande poder de destruição obrigam empresas a se precaverem para evitar prejuízos e risco de perder obras

Por: Altair Santos

Anomalias climáticas, como chuvas ininterruptas e tornados, incorporaram um novo elemento aos canteiros de obras: as previsões meteorológicas. É de acordo com boletins sobre o tempo que as construtoras passaram a definir seu cronograma de obras. Etapas como terraplanagem e concretagem de fundações, pilares e lajes são cada vez mais pautadas por boletins climáticos.

Construção em concreto armado destruída por tornado que atingiu Xanxerê-SC, em abril de 2015
Construção em concreto armado destruída por tornado que atingiu Xanxerê-SC, em abril de 2015

Segundo o meteorologista César Ferreira Soares, do Climatempo, ferramentas que fazem previsões ajudam, principalmente, a produtividade no canteiro de obras. “Com o acesso a serviços sobre o clima a empresa melhora o planejamento, principalmente das etapas que exigem ser realizadas com tempo seco, como concretagem e terraplenagem”, diz o especialista.

A antecipação das adversidades climáticas também é uma questão de segurança para os profissionais que atuam no canteiro de obras. “Um meteorologista treinado é capaz de identificar uma tempestade ou um tornado e emitir um alerta para evacuar o canteiro de obra em tempo hábil. As estações meteorológicas também são importantes para esse tipo de trabalho”, completa César Ferreira Soares.

Mais comuns nas regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil, os tornados são os sistemas mais severos e temidos pela construção civil. Dependendo da intensidade, o fenômeno pode destruir casas, tombar guindastes, arrancar estruturas metálicas e até esfacelar obras de concreto armado. “São ventos que podem ultrapassar 300 km/h. Dependendo do estágio do empreendimento, um edifício ou uma ponte também podem sofrer danos”, afirma o meteorologista.

Enchente em Encantado-RS, causada pelo El Niño: fenômeno paralisou obras no Rio Grande do Sul
Enchente em Encantado-RS, causada pelo El Niño: fenômeno paralisou obras no Rio Grande do Sul

Prejuízo na casa dos milhões

Nos Estados Unidos, onde os tornados estão mais incorporados ao clima do país, ocorreram alterações profundas nos sistemas construtivos. Também houve a preocupação na elaboração de normas técnicas que orientassem a construção civil a empreender obras mais seguras e capazes de poupar vidas quando afetadas por esses fenômenos. No Brasil, ainda não existem normas com esta finalidade. “A princípio, não há nenhuma norma na construção civil brasileira relacionada aos fenômenos meteorológicos severos”, cita César Ferreira Soares.

Segundo estudo da Bloomberg, agência internacional de notícias econômicas, os tornados provocam estragos que, anualmente, passam da casa dos 3 bilhões de dólares nos Estados Unidos. Não há um estudo similar para o Brasil, mas segundo informações da Defesa Civil o mais recente tornado verificado no país, e que atingiu a cidade de Xanxerê, em Santa Catarina, em abril de 2015, causou danos equivalentes a R$ 60 milhões.

Neste ano, só as chuvas intermitentes no Rio Grande do Sul, provocadas pelo El Niño, causaram prejuízos em ordem equivalente a dos tornados. A instabilidade climática também paralisou uma série de obras em várias cidades gaúchas e catarinenses, colocando a construção civil em alerta contra esses novos fatores climáticos.

 Meteorologista César Ferreira Soares: Brasil não tem norma técnica na construção civil relacionada aos fenômenos meteorológicos severos

Meteorologista César Ferreira Soares: Brasil não tem norma técnica na construção civil relacionada aos fenômenos meteorológicos severos

Veja aqui a cartilha do Climatempo que alerta sobre os efeitos dos tornados na construção civil.

Entrevistado
Meteorologista César Ferreira Soares
Contato: cesar@climatempo.com.br

Créditos Fotos: Julio Cavalheiro/Secom/Antonio Paz/Governo do RS/Divulgação/Climatempo

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Pavimento rígido ganha versão 100% permeável

Revestimento monolítico apresentado como novidade na Inglaterra tem similar no Brasil, na forma de artefatos de cimento para pisos intertravados

Por: Altair Santos

Uma inundação que atingiu a Inglaterra em 2007, deixando 57 mil casas danificadas por causa de problemas com o escoamento das águas pluviais, levou laboratórios britânicos a investirem em pesquisas que resultassem em um concreto 100% permeável. Com investimento bancado por cimenteiras e concreteiras europeias, o material foi apresentado recentemente como uma inovação para o mercado.

No teste de absorção, fabricante despejou quatro mil litros de água no concreto permeável
No teste de absorção, fabricante despejou quatro mil litros de água no concreto permeável

O segredo do pavimento rígido permeável desenvolvido na Inglaterra está nos agregados. Seixos com granulometria maior, colocados tanto na camada de cima quanto na sub-base, permitem que o revestimento tenha rigidez, resistência e alta capacidade de absorção de água. Nos testes, o material foi capaz de absorver quatro mil litros de água em questão de segundos.

Recomendado para estacionamentos, ciclovias e ruas onde só trafeguem veículos de pequeno porte, a inovação inaugura uma nova geração de pavimento rígido, trazendo-o para dentro do espaço urbano. No entanto, as pesquisas sobre o produto precisam equacionar dois problemas: o comportamento do concreto permeável ao ser recoberto pela neve e a perda da permeabilidade quando atingido por águas barrentas, as quais entopem os vãos entre os seixos, principalmente na sub-base.

Pavimento intertravado

A questão da carga que o concreto permeável pode suportar também é um fator que limita sua área de atuação. No Brasil, onde as pesquisas dentro da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) se concentram no pavimento permeável intertravado, em vez do revestimento monolítico, têm conseguido resultados melhores no que diz respeito a testes de carga. “O intertravado permeável, que é testado no Brasil desde 2008, tem conseguido apresentar boas soluções para o tráfego pesado”, diz Cláudio Oliveira Silva, gerente de inovação da ABCP.

O engenheiro civil explica como funciona o sistema de concreto permeável desenvolvido no país, em relação à inovação britânica. “Eles coincidem no que se refere à pavimentação permeável. O que muda é o modelo de revestimento. Em um pavimento, o britânico, nós temos um revestimento monolítico feito com concreto moldado in loco. Em outro, o que desenvolvemos aqui na ABCP, usa-se o pavimento intertravado permeável. Neste caso, diferentemente do pavimento intertravado convencional, o encaixe das peças geram vazios que permitem a passagem da água”, afirma Cláudio Oliveira Silva.

O gerente de inovação da ABCP revela que o mercado de pavimento permeável intertravado está em ascensão no Brasil. “As prefeituras têm usado bastante. Além do pavimento intertravado, utilizam também as placas de concreto permeável. Em termos de tecnologia, o grande avanço está na questão do dimensionamento hidráulico, ou seja, em como fazer com que a superfície pavimentada permita a passagem da água e, ao mesmo tempo, suporte cargas”, revela.

Veja vídeo do concreto permeável desenvolvido na Inglaterra:

Entrevistado
Engenheiro civil Cláudio Oliveira Silva, gerente de inovação da ABCP
Contato: claudio.silva@abcp.org.br

Crédito Foto: Divulgação/Tarmac

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Concretos duráveis: saiba quando vale a pena usar

Material foi tema de recente seminário da ABCP. Sua principal característica é a adaptação ao meio ambiente e o risco menor de patologias

Por: Altair Santos

Concretos projetados para durar acima de cem anos são definidos como “concretos duráveis”. O material tem um processo de produção mais rigoroso, seguindo controles mais rígidos, e conta com aditivos que incrementam as características relevantes do material, influenciando a durabilidade e as características do cimento Portland. Na prática, adapta o concreto à realidade do meio ambiente e ao clima local, minimizando o risco de patologias e de influências externas, como chuva, insolação e raios UV.

Seminário da ABCP promoveu debates técnicos sobre produtos e sistemas à base de cimento, entre eles os concretos duráveis
Seminário da ABCP promoveu debates técnicos sobre produtos e sistemas à base de cimento, entre eles os concretos duráveis

Obviamente mais caro, há quem defenda o uso de “concretos duráveis” apenas para obras de grande porte e que precisam de alta produtividade no canteiro de obras. Um dos principais especialistas brasileiros sobre concretos duráveis, o professor Oswaldo Cascudo, da UFG (Universidade Federal de Goiás), recentemente palestrou em seminário promovido pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). Confira na entrevista o conhecimento do especialista sobre concretos duráveis:

Por que os concretos duráveis são o novo desafio da engenharia?
Porque a durabilidade é um dos quatro pilares fundamentais em termos de requisitos para os sistemas estruturais em concreto. Espera-se de uma estrutura de concreto que ela apresente segurança e estabilidade, rigidez e deformabilidade controlada, durabilidade e sustentabilidade. As obras em engenharia no Brasil têm um histórico de baixa durabilidade, com a incidência prematura e acentuada de manifestações patológicas, em alguns casos provocando acidentes estruturais. Quem paga essa conta é sempre o usuário final, o que é injusto. Esse quadro vem mudando desde a edição da última grande revisão da principal norma de concreto brasileira, a NBR 6118 - Projeto de Estruturas de Concreto, em 2003, que introduziu um capítulo exclusivo sobre durabilidade do concreto. Atualmente, com a edição da nova norma de desempenho das edificações (NBR 15575:2013), há uma prescrição tácita para que um tempo mínimo de vida útil seja aplicado a uma estrutura de concreto, a ser estabelecido em projeto, a chamada vida útil de projeto (VUP), que deverá ser igual a 50, 63 ou 75 anos, respectivamente para um nível de desempenho mínimo, intermediário ou superior. Em outras palavras, desde 2013 existe uma exigência normativa que torna compulsória dotar as estruturas de durabilidade, por fazer valer uma VUP mínima no projeto. Isto representa uma revolução na forma de conceber, projetar, formular o concreto, construir e usar a estrutura. É puro respeito ao usuário, é defesa do consumidor.

A diferença entre concretos duráveis e convencionais está apenas nos aditivos ou o tipo de cimento e os agregados também influenciam nesta diferenciação?
A especificação de um concreto durável passa por toda a essência da tecnologia do concreto, que buscará a melhor formulação de acordo com a agressividade ambiental. O concreto durável aplicável a uma estrutura é aquele suficiente para alcançar a vida útil estabelecida em projeto, o que significa considerar aspectos da agressividade do ambiente, ao mesmo tempo em que deverá ser economicamente viável e competitivo. Também é indissociável sua especificação ocorrer em bases cada vez mais sustentáveis, dentro de um contexto de responsabilidade socioambiental. Nesse cenário, fazem parte do concreto durável os cimentos Portland e agregados em conformidade com suas normas de especificação, com os devidos ajustes dos tipos, principalmente dos cimentos, em função das características do ambiente. Também se incluem os aditivos, em especial os plastificantes e os superplastificantes ou aditivos de alta capacidade de redução de água, de terceira geração, além das adições minerais, especificamente as superpozolanas (adições de alta finura e de alta atividade pozolânica), que propiciam microestruturas de concreto muito fechadas, através das quais o transporte de massa de agentes agressivos é muito restrito ou inexistente. O resultado é uma altíssima durabilidade.

Em quais obras os concretos duráveis são mais recomendáveis ou requisitados?
É preciso salientar que não existe um único concreto durável. Existem muitos concretos duráveis, com as características e formulações do concreto ajustadas em função da agressividade ambiental e da expectativa de vida útil. O conceito de durabilidade evoluiu muito nos últimos anos. Passou de mera constatação daquilo que vence o tempo para algo que mantém seus aspectos funcionais e propriedades fundamentais ao longo do tempo. Deixou de ser um conceito qualitativo, algo que se conquista ao acaso ou por métodos empíricos, para algo palpável e mensurável, por meio da inserção do conceito de vida útil. A durabilidade pode ser inserida no projeto, por meio do conceito de vida útil de projeto, que sinaliza uma expectativa de durabilidade, a ser conquistada com a boa execução, com a definição correta e conforme os materiais e componentes de construção, e com um adequado uso e operação, que contemple as ações de manutenção preventiva e, quando necessária, corretiva. A durabilidade, portanto, deixou de ter um significado abstrato, evoluindo para algo real, fruto de ações absolutamente sistêmicas. No campo das estruturas de concreto, a compreensão científica dos materiais e o aprofundamento nos mecanismos físico-químicos e eletroquímicos dos fenômenos patológicos, e de degradação e envelhecimento estrutural, propiciaram um avanço extraordinário, que mudou a abordagem de durabilidade. Inicialmente calcada em avaliações sintomatológicas de fenômenos, caminha agora para uma abordagem baseada no desempenho. Esta nova abordagem permite, com boa margem de segurança, por meio dos parâmetros de desempenho e dos modelos de previsão de vida útil, conceber uma estrutura de concreto para vencer certa durabilidade.

Oswaldo Cascudo: edifício e-Tower, em São Paulo, é referência em construção com concretos duráveis no Brasil
Oswaldo Cascudo: edifício e-Tower, em São Paulo, é referência em construção com concretos duráveis no Brasil

As influências do clima - lugares mais quentes ou frios - podem ser determinantes para a opção pelos concretos duráveis?
Sim, nem tanto por ser mais frio ou mais quente, mas principalmente por ser mais agressivo ou menos agressivo. A base conceitual para a concepção de estruturas de concreto duráveis passa por uma adequada classificação do ambiente quanto à sua agressividade. No Brasil, a NBR 6118 estabelece 4 classes de agressividade ambiental (CAA), sendo as mais agressivas as atmosferas urbano-industriais e marinhas (CAA III) e as atmosferas quimicamente agressivas ou zonas de respingo de maré (CAA IV). Para se ter uma ideia do grau de detalhamento diferente, a norma europeia possui atualmente 18 classes de exposição agrupadas em 6 famílias.

Em termos de ciclo de vida útil, uma estrutura em concreto durável resiste quanto tempo mais que uma em concreto convencional?
O conceito contemporâneo de concepção estrutural baseada no desempenho prevê que todas as estruturas tenham durabilidade, algumas mais e outras menos. Pela normalização brasileira atual, a vida útil de projeto mínima prevê 50 anos para que uma estrutura, desde que executadas as operações programadas de manutenção preventiva, apresente-se com suas funções e propriedades acima de um limite mínimo aceitável. Evidentemente que o tipo de concreto a ser especificado para essa vida útil pode ser mais simples se a agressividade do ambiente for menor. Caso a agressividade seja mais intensa, o concreto terá que ser mais elaborado e, claro, será mais caro. Obras especiais como pontes, viadutos e grandes estruturas, independentemente da agressividade ambiental, podem já partir de uma vida útil de projeto elevada. Nesses casos e, notadamente se a agressividade ambiental for alta, serão necessários concretos especiais, tais como os concretos de alto desempenho (CAD) ou, em situações muito particulares, os concretos de ultra-alto desempenho. Esses concretos especiais normalmente estão atrelados a VUPs superiores a 100 anos ou 120 anos, ao passo que os concretos convencionais se propõem a atender a VUPs de 50 anos (no máximo de 63 anos).

No Brasil, como está o uso do concreto durável?
No Brasil ainda é incipiente o emprego desses concretos especiais, principalmente os concretos de ultra-alto desempenho. Mais que isso, ainda é embrionária a abordagem estrutural, em termos de concepção, projeto e especificação do concreto, tendo como base o desempenho e a durabilidade. Com a exigência da nova norma de desempenho das edificações, esse status deve paulatinamente ir mudando, pela incorporação na dosagem dos concretos dos chamados “indicadores de durabilidade”. Estes indicadores são parâmetros de desempenho mensuráveis, com métodos de ensaio existentes e que avaliam propriedades do concreto, intimamente relacionadas aos mecanismos que levam à degradação. A saber: absorção de água, índice de vazios, coeficientes de permeabilidade à água e ao gás, coeficiente de difusão de cloretos, coeficiente de carbonatação, resistividade elétrica etc. Ao se especificar o concreto com base nesses indicadores e controlá-los durante a produção da estrutura, a garantia de durabilidade é muito maior. Uma abordagem que teremos no futuro, que representa o ápice da contemporaneidade, é aquela em que se utilizam os modelos preditivos de vida útil (determinísticos ou probabilísticos), como já se pratica na normalização europeia.

Como é o histórico do concreto durável no país, e quando ele foi usado pela primeira vez?
Não há esse levantamento no Brasil. O que sabemos é que existem muitos concretos duráveis aplicados no país, porém sem ter havido um estudo criterioso de formulação do concreto e de concepção estrutural que levasse em conta a projeção futura de durabilidade (abordagem de desempenho). Uma obra emblemática em estrutura de concreto no Brasil - empregado com fck superior a 100 Mpa - é o edifício e-Tower em São Paulo. Seu fck é igual a 115 MPa, sendo que resultados de controle tecnológico aos 63 dias atingiram um valor de 156 MPa.

E fora do Brasil, como é a aplicabilidade?
No exterior, o emprego de concretos duráveis é mais ordenado, seguindo a lógica da concepção estrutural baseada no desempenho, notadamente nos países mais desenvolvidos da Europa. São referências de obra no mundo em que se têm estruturas com concretos duráveis a Ponte Vasco da Gama (sobre o Rio Tejo), em Lisboa; o Viaduto Millau, no interior da França; a Ponte da Confederação, na Ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá; e a Ponte Rion-Antirion, na Grécia.

Em termos de custo da obra, o concreto durável encarece ou não influencia no orçamento?
O concreto especial concebido para elevada durabilidade vai, certamente, ser mais caro. Ele se utilizará dos aditivos mais eficientes do mercado. Também, muito provavelmente, incorporará adições minerais de alta performance, como o metacaulim de alta reatividade, a sílica ativa ou a nanossílica (todos insumos de custo relativamente elevado). Contudo, este acréscimo no custo do concreto é desprezível em comparação aos eventuais custos de manutenção corretiva, nos casos de falta de durabilidade e de descumprimento da vida útil de projeto.

Uma estrutura com concreto durável atinge quanto de resistência (fck e MPa) em relação ao convencional?
Concretos de ultra-alto desempenho podem ter resistências superiores a 200 MPa. Porém, os fck mais comuns dessas obras tidas como muito especiais são da ordem de 80 a 120 MPa. Os fck de estruturas convencionais mais praticados em projetos no Brasil são da ordem de 25 a 40 MPa.

Com o concreto durável usa-se menos concreto para uma determinada estrutura do que se fosse usar convencional?
Sim, de fato a resposta é afirmativa se considerarmos o mesmo carregamento incidente na comparação. Isso ocorre porque nos concretos de alta durabilidade normalmente sua resistência mecânica aumenta. Com maior resistência intrínseca do concreto, as seções dos elementos estruturais são diminuídas, bem como o volume e a densidade de elementos constituintes do conjunto estrutural global.

Entrevistado
Engenheiro civil Oswaldo Cascudo, professor-doutor da escola de engenharia civil e ambiental da Universidade Federal de Goiás (UFG)
Contato: oscascudo@gmail.com

Créditos Fotos: Divulgação/ABCP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Após 300 anos, ladrilho hidráulico ressuscita no Brasil

Artefato de cimento ganha espaço nas construções sustentáveis, pois produção dispensa uso de fornos e, consequentemente, emite menos CO2

Por: Altair Santos

O projeto da prefeitura de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, de recuperar os famosos ladrilhos que revestem o patrimônio histórico dos tempos do Império, levou o revestimento artesanal - inventado no século XVIII - a renascer na região. Empresas fabricantes de artefatos de cimento passaram a investir no produto, a fim de fornecer material para a restauração, e enxergaram nele a possibilidade de desenvolver um novo segmento no mercado.

Além de ter cores e desenhos que chamam a atenção, ladrilhos hidráulicos são versáteis: servem tanto para revestir pisos quanto paredes
Além de ter cores e desenhos que chamam a atenção, ladrilhos hidráulicos são versáteis: servem tanto para revestir pisos quanto paredes

Outro impulso dado à fabricação desses artefatos, que ainda segue um viés artesanal, vem da construção sustentável. Como os ladrilhos hidráulicos dispensam o uso de fornos e, consequentemente, emitem menos CO2 na produção, têm ganhado a preferência para compor pisos decorativos ou revestir paredes, tornando-se um concorrente para cerâmicas e porcelanatos. A alta resistência à abrasão também faz do produto um elemento requisitado em calçadas.

Durabilidade é outra virtude do ladrilho hidráulico. A mistura de cimento com pigmentos faz com que as cores resistam íntegras por décadas. A composição do desenho vem das formas de metal, que são preenchidas com o cimento e as misturas de cores. Em seguida, o material é compactado sobre grande pressão, por meio de prensas manuais ou mecânicas. Depois de formatado, o ladrilho hidráulico é retirado da prensa e colocado para secar em prateleiras, para, após ficar imerso em água por 24 horas, ir para a cura e a secagem.

Faltam opções no mercado

Um case que resume o bom momento do mercado de ladrilhos hidráulicos foi relatado pelo economista, com formação em engenharia de planejamento, Felipe Honorato. O profissional integra o grupo que atua no PDE (Plano de Desenvolvimento Empresarial) voltado para o setor de artefatos de concreto e ligado à Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Em palestra na edição 2015 do Concrete Show, Honorato usou o modelo da empresa Ladrilhos Petrópolis, que hoje vende artefatos através de uma plataforma online. “A empresa recebe o projeto do arquiteto, determina cores e desenhos e executa as peças, com entrega em 30 dias. Isso é uma inovação importante”, ressalta.

Filipe Honorato: falta portfólio variado para a maioria das empresas de artefatos de cimento
Filipe Honorato: falta portfólio variado para a maioria das empresas de artefatos de cimento

Honorato lembra que o Plano de Desenvolvimento Empresarial tem atualmente a adesão de 374 empresas. O grande desafio que se impõe a elas é diversificar produtos. “Falta um pouco de inovação. Isso ainda não é um grande gap (atraso) para o setor, mas pode ser no futuro. Um exemplo comparativo ocorre com a espanhola Breinco, uma das maiores fábricas de artefatos de cimento do mundo. Ela tem um portfólio de quase 2.500 produtos. Aqui, nossas fábricas mais desenvolvidas têm 120. Mas a grande maioria trabalha com 4 ou 5 produtos. É preciso rever isso e os ladrilhos hidráulicos estão aí para provar que é possível”, finaliza Filipe Honorato.

Entrevistado
Economista Filipe Honorato, mestre em engenharia de planejamento e doutor em métodos quantitativos

Contato: selo.artefatos@abcp.org.br

Créditos Fotos: Divulgação/Ladrilhos Petrópolis/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Casas sustentáveis não abrem mão do concreto

Material é estratégico para atender requisitos de conforto térmico, exigidos nas certificações exclusivas para residências unifamiliares

Por: Altair Santos

Certificações sustentáveis específicas para residências unifamiliares começam a chegar ao Brasil. Duas casas já estão chanceladas pelo GBC Brasil. Nove estão em processo de obter a certificação e outras onze em fase de projeto. Em comum, elas têm o concreto aparente como elemento base. O piso em cimento queimado também está presente em alguns conceitos. O motivo é a capacidade de refletir luz, minimizar ilhas de calor e ajudar no conforto térmico.

Primeira casa com certificação construída na cidade de São Sebastião, no litoral paulista: concreto explora luz natural e minimiza ilhas de calor
Primeira casa com certificação construída na cidade de São Sebastião, no litoral paulista: concreto explora luz natural e minimiza ilhas de calor

Estruturas pré-fabricadas de concreto e sistemas inovadores, como o que utiliza painéis de argamassa armada com miolo de EPS (Poliestireno Expandido), também estão presentes nos projetos de casas que buscam certificações sustentáveis. O objetivo é dispor de tecnologias que atendam a Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575), em seus requisitos termoacústicos, e sejam geradoras de baixo volume de resíduos da construção civil.

A primeira residência com a certificação GBC Brasil Casa foi construída na cidade de São Sebastião, no litoral paulista. Há outra edificação em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, que se destaca pelo telhado em forma de folhas. Agora, as casas sustentáveis começam a chegar às capitais, como Brasília e São Paulo liderando esse movimento, segundo o Referencial GBC Brasil Casa - programa criado para avaliar diferentes questões de sustentabilidade específicas para projetos residenciais.

Proprietários sustentáveis

Na cidade de São Paulo, primeiro projeto de casa sustentável com certificação já está pronto para ser executado
Na cidade de São Paulo, primeiro projeto de casa sustentável com certificação já está pronto para ser executado

Acima de normas e programas que estimulam construções sustentáveis está o desejo dos proprietários que encomendam os projetos. Um caso é o do empresário Henrique Cury. Ele concorre para ser o dono da primeira casa com certificação LEED específica para residências na cidade de São Paulo. O motivo dessa opção ele explicou em palestra no Greenbuilding Brasil, que aconteceu em agosto de 2015. “Vivemos um período de despertar da consciência sustentável e, apesar de incipiente, são necessárias ações para que este movimento aumente. O que busco com essa construção certificada é deixar um legado para meus filhos”, afirmou.

O projeto é da arquiteta Kika Camasmie, para quem o maior desafio das construções sustentáveis é educar a cadeia produtiva da construção civil. “A arquitetura já pensa na sustentabilidade, mas existe toda uma dificuldade. Porém, acredito que seja um caminho sem volta”, disse Kika Camasmie, que investiu em telhado verde, parede verde e na permeabilidade. “A casa é toda permeável, ou seja, boa parte da água que ela receber será captada para reúso”, completou.

Outro elemento importante deste modelo de casa sustentável está relacionado com a escolha da construtora. Por exigência da certificação LEED para casas, a empresa deve atuar totalmente dentro da formalidade, além de ter mão de obra treinada para atuar em construções sustentáveis. Da mesma forma, os fornecedores. “Para atender os requisitos, existe um raio máximo em que devo contratar fornecedores. Isso exigiu uma busca minuciosa para termos materiais certificados”, disse Henrique Cury, cuja intenção é iniciar as obras ainda em 2015.

Kika Camasmie e Henrique Cury: casas sustentáveis são caminho sem volta
Kika Camasmie e Henrique Cury: casas sustentáveis são caminho sem volta

Entrevistados
Empresário Henrique Cury e arquiteta Kika Camasmie
Contato: contato@kikacamasmie.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/LCP Engenharia/Henrique Cury/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Invento permite reúso de água residual do concreto

Conhecida como planta medicinal nas regiões norte, nordeste e centro-oeste do Brasil, moringa oleifera é a base da pesquisa desenvolvida na UFG

Por: Altair Santos

A moringa oleifera é tratada em regiões mais pobres do Brasil como uma planta quase milagrosa. O poder nutricional das folhas e da vagem ajuda no combate à fome em estados do norte, nordeste e centro-oeste do país. Além disso, o caule é usado para a produção de artefatos de madeira, entre eles baquetas para instrumentos musicais. Mas é na semente que se concentra a fama da árvore de operar milagres. Mergulhada na água barrenta, ela consegue decantar as impurezas e tornar o líquido potável. Essa propriedade inspirou uma pesquisa na Universidade Federal de Goiás (UFG), que utiliza a moringa oleifera como coagulante para tratar a água residual do concreto.

Professor Heber Martins de Paula, do campus da UFG, em Catalão-GO: sementes da moringa oleifera agem como coagulantes naturais para decantar a água dos resíduos do concreto
Professor Heber Martins de Paula, do campus da UFG, em Catalão-GO: sementes da moringa oleifera agem como coagulantes naturais para decantar a água dos resíduos do concreto

Desenvolvido originalmente como tese de doutorado pelo engenheiro civil e professor da UFG, Heber Martins de Paula, o invento permite o reúso da água utilizada na lavagem dos caminhões-betoneira e de outras ações para se produzir concreto. “A pesquisa surgiu após visita a uma usina de concreto em Catalão-GO. O objetivo inicial era fazer a gestão da água, mas descobriu-se que o maior desafio seria tratar o grande volume de água residual, que chegava a 50% do que era efetivamente gasto para produzir concreto”, explica o especialista. Para otimizar o processo, Heber de Paula chegou a uma fórmula que utiliza coagulantes químicos associados a um coagulante natural, no caso a semente da moringa oleifera.

O tratamento remove até 99% da turbidez da água residual. Boa parte desta purificação se deve às reações causadas por elementos contidos na planta. “Existe uma proteína dentro da semente da moringa oleifera que consegue aglutinar partículas sólidas e formar flocos passíveis de sedimentação. A partir daí, consegue-se remover estes sólidos por propensão. O coagulante químico potencializa a ação da proteína contida na semente”, revela o professor da UFG. A experiência mostrou ainda que quanto maior a presença de resíduos na água mais eficiência tem o tratamento proposto pelo invento. Já o tempo de sedimentação pode variar de 15 minutos a 30 minutos, dependendo do grau de turbidez.

Sementes da moringa oleifera: árvore milagrosa também viabiliza práticas sustentáveis na construção civil
Sementes da moringa oleifera: árvore milagrosa também viabiliza práticas sustentáveis na construção civil

Pesquisa premiada pela CBIC
Foram usados, junto com as sementes da planta, o sulfato de alumínio e o cloreto férrico - dois coagulantes comumente utilizados no tratamento de águas superficiais para o consumo humano. “Quando entram em contato com a proteína produzida pela moringa oleifera, esses dois agentes conseguem potencializar a capacidade dela de realizar a coagulação dos resíduos presentes na água usada na produção do concreto”, diz Heber de Paula, cujo trabalho rendeu o 1º lugar, na categoria pesquisa, durante a 20ª edição do Prêmio CBIC de Inovação e Sustentabilidade (promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção).

Realizado em parceria com a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), onde Heber de Paula concretizou seu doutorado, a pesquisa envolveu a participação de dez pessoas, entre professores, alunos e funcionários da usina de concreto de Catalão-GO - a Brasmix. Agora o estudo entra em uma nova fase. O objetivo é que o resíduo sólido gerado pelo tratamento da água possa ser utilizado como agregado na produção de blocos de concreto para fins não estruturais. “Além das descobertas práticas, a pesquisa serviu para mostrar que a universidade é um lugar ideal para se desenvolver estudos que levem a práticas sustentáveis dentro da indústria da construção civil”, conclui o professor da UFG.

Entrevistado
Engenheiro civil Heber Martins de Paula, professor-adjunto do curso de engenharia civil da Universidade Federal de Goiás, no campus de Catalão-GO

Contatos
heberdepaula@hotmail.com
heberdepaula@ufg.br

Créditos Fotos: Divulgação/UFG

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Nanotecnologia do concreto ganha impulso no Brasil

Novo centro de pesquisa inaugurado recentemente no Coppe/UFRJ permitirá desenvolver agregados que tornem o material mais resistente e sustentável

Por: Altair Santos

Presente em várias inovações ligadas ao concreto, a nanotecnologia tem a oportunidade de ganhar um forte impulso no Brasil. Um passo importante nesta direção foi dado em 14 de setembro de 2015, quando o Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia) inaugurou o Núcleo de Microscopia Eletrônica. O centro de pesquisa ganhou o mais moderno microscópio eletrônico em operação no Brasil. Com resolução atômica, o equipamento permite aumentar o tamanho de partículas 800 mil vezes. É o que faltava para o país avançar em pesquisas químicas para produzir novos materiais, catalisadores, polímeros e medicamentos.

Professor Martin Schmal:  Núcleo de Microscopia Eletrônica do Coppe/UFRJ trará avanços para as pesquisas no país, incluindo as voltadas para materiais como o concreto
Professor Martin Schmal: Núcleo de Microscopia Eletrônica do Coppe/UFRJ trará avanços para as pesquisas no país, incluindo as voltadas para materiais como o concreto

Segundo o professor emérito da UFRJ, e doutor em engenharia química, Martin Schmal, o concreto está entre os materiais que irão se beneficiar das novas tecnologias disponíveis. “A meta é conseguir modificar o concreto, através das nanoestruturas, para otimizar comportamento e desempenho, aumentando as propriedades mecânicas, a durabilidade e a sustentabilidade do material”, diz Schmal, que completa: usando a nanotecnologia, será possível criar um concreto mais resistente, com volumes menores. “As pesquisas permitirão produzir nanomateriais que, futuramente, poderão substituir alguns agregados que hoje são usados na produção do concreto”, afirma.

A partir de um concreto mais resistente e durável, o professor da UFRJ entende que o Brasil poderá entrar no mercado das superconstruções, fornecendo matéria-prima para erguer arranha-céus que ultrapassem os 100 pavimentos ou pontes com vãos maiores. “O primeiro passo é fabricar os materiais; o segundo, conhecer todas estas propriedades. Nestes quesitos, a microscopia eletrônica de alta resolução é muito importante. Sem dúvida, as pesquisas desenvolvidas no país poderão viabilizar materiais para superconstruções”, avalia Martin Schmal.

Engenheiros-pesquisadores

Microscópio eletrônico do centro de pesquisa do Coppe/UFRJ permite aumentar o tamanho de partículas 800 mil vezes
Microscópio eletrônico do centro de pesquisa do Coppe/UFRJ permite aumentar o tamanho de partículas 800 mil vezes

O novo laboratório do Coppe/UFRJ também vai permitir mapeamentos em alta velocidade. Uma análise, que hoje leva 1h54, baixará para 115 segundos. Em termos práticos, significa que será possível alcançar precisão ultramicroscópica para diferenciar as nanoestruturas dentro do material. O equipamento também abre a possibilidade de detectar fissuras e patologias, que, com microscópios menos potentes, são invisíveis. Assim, as certificações se tornarão mais rigorosas.

O Núcleo de Microscopia Eletrônica também será uma nova porta para a formação de pesquisadores mais qualificados. “Dentro do laboratório teremos condições de capacitar engenheiros com profundo conhecimento nas diferentes tecnologias ligadas à nano, tanto na síntese como na caracterização dos materiais. Antes, precisávamos importar especialistas. Hoje, já existem profissionais interagindo com grupos internacionais, como o Max-Planck, da Alemanha, o CNRS, da França, e várias universidades norte-americanas ou europeias. Esta formação é feita com pessoal preparado, com pós-graduação, doutorado e intercâmbio no exterior”, afirma o professor emérito da UFRJ, prevendo que o Brasil definitivamente entrou na era da nanotecnologia.

Entrevistado
Professor-doutor em engenharia química, Martin Schmal, emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autor dos seguintes livros: Cinética Homogênea e reatores (1982), Cinética e Reatores (2010) e Catálise Heterogênea (2011)

Contatos
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Créditos Fotos: Divulgação/Coppe/UFRJ

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Escolas públicas de engenharia ainda são as melhores

Entre as dez mais bem-conceituadas do Brasil, só uma é particular; na região sul, UFRGS e UFSC lideram edição 2015 do Ranking Universitário Folha

Por: Altair Santos

A edição 2015 do Ranking Universitário Folha (RUF), elaborado pelo jornal Folha de S. Paulo, tem se tornado referência para mostrar onde estão os melhores cursos do país. No caso da engenharia civil, a lista incluiu 424 graduações, com destaque para as escolas públicas. Entre as dez melhores, nove são federais ou estaduais. Na edição deste ano - a 4ª desde que o RUF foi elaborado -, a Poli-USP foi eleita a melhor, seguida do curso da UFRJ e da Unicamp. No sul, os melhores cursos de engenharia civil estão, pela ordem, na UFRGS, na UFSC e na UEM (Universidade Estadual de Maringá).

Foram avaliadas 424 graduações de engenharia civil em todo o país: Paraná tem seis entre as 40 melhores
Foram avaliadas 424 graduações de engenharia civil em todo o país: Paraná tem seis entre as 40 melhores

O ranking segue dois critérios principais: avaliação da universidade no mercado, ou seja, como as empresas veem os graduandos que se formam nas instituições, e qualidade de ensino dos cursos, a qual considera a formação dos professores e as avaliações do MEC (ministério da Educação). Tanto no quesito mercado quanto ensino, a USP mantém-se como primeira colocada. Já a UFRJ, que é 2ª em qualidade de ensino, desponta na 5ª posição em reconhecimento do mercado. O inverso ocorre com a Universidade Presbiteriana Mackenzie – 11ª em qualidade de ensino e muito bem avaliada pelo mercado.

Para posicionar as universidades, e seus respectivos cursos, o ranking faz uma média entre os dois quesitos (mercado e qualidade de ensino). Assim, as dez melhores graduações de engenharia civil em 2015 são:
1º Universidade de São Paulo (USP)
2º Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
3º Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
4º Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
5º Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
6º Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
7º Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP)
8º Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
9º Universidade Presbiteriana Mackenzie (MACKENZIE)
10º Universidade Federal do Ceará (UFC)

Pelos mesmos critérios, o Ranking Universitário Folha também aponta os cursos de engenharia civil com as piores avaliações e, coincidentemente, todas são particulares:
415º Faculdades Integradas dos Campos Gerais (CESCAGE)-PR
416º Escola Superior de Criciúma (ESUCRI)-SC
417º Faculdade de Ciências Exatas e Tecnológicas Santo Agostinho (FACET)-MG
418º Faculdade Evangélica de Goianésia-GO
419º Faculdade Metropolitana de Guaramirim (FAMEG)-SC
420º Faculdade Anhangüera de São José-SP
421º Faculdade Anhanguera de Taubaté-SP
422º Faculdade Finom de Patos de Minas (FINOM)-MG
423º Faculdade Anhanguera de São Caetano (Fasc)-SP
424º Faculdade Anhanguera de Cuiabá (FAC)-MT

Na região Sul
Ainda que a UFRGS e a UFSC despontem como as universidades do sul do país com os melhores cursos de engenharia civil, o estado do Paraná é o que tem o maior número de graduações melhor ranqueadas na região. Além da UEM, UFPR, UTFPR, PUCPR, UNICESUMAR e Universidade Positivo aparecem entre as 40 melhores do país. Pelo Ranking Universitário Folha, os dez melhores cursos de engenharia civil no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná são os seguintes:
1º Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (5ª no ranking geral)
2º Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)(6ª no ranking geral)
3º Universidade Estadual de Maringá (UEM)(11º no ranking geral)
4º Universidade Federal do Paraná (UFPR) (13ª no ranking geral)
5º Universidade do Vale do Rio Dos Sinos (UNISINOS) (15ª no ranking geral)
6º Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) (25º no ranking geral)
7º Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) (28º no ranking geral)
8º Centro Universitário de Maringá (UNICESUMAR) (35º no ranking geral)
9º Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) (36ª no ranking geral)
10º Universidade Positivo (UP)(37º no ranking geral)

De todas as universidades da região sul, a que mais deu um salto no ranking, de 2014 para 2015, foi a Universidade Federal de Santa Catarina. Para a reitora Roselane Neckel, é a prova de que a UFSC tem professores e estudantes comprometidos com a instituição. “Ser uma das melhores universidades do país em qualidade de ensino, além de subir posições nos quesitos pesquisa e mercado, é um orgulho para todos nós. Agradecemos esta conquista e parabenizamos a comunidade universitária”, disse.

Confira aqui a lista completa do RUF para engenharia civil.

Entrevistado
Com base em ranking divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo, na edição de 14 de setembro de 2015
Contatos
@folha_educacao
ruf@grupofolha.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Reuniões vão aumentar em 2016, mas virtualmente

Ferramentas que permitem encontros via internet estão cada vez mais sofisticadas e garantindo maior produtividade para as empresas

Por: Altair Santos

A necessidade de as empresas aprimorarem seus sistemas para enfrentar melhor a concorrência leva à convicção de que o número de reuniões corporativas deve continuar a crescer. É o que aponta estudo da LogMeIn, empresa global de TI. Nos países onde a pesquisa foi realizada, 90% dos entrevistados esperam maior número de reuniões nos próximos anos. Para suprir a demanda, as corporações estão apostando cada vez mais nas reuniões virtuais. Nas nações mais desenvolvidas, elas já representam 33% dos encontros. No Brasil, estão na faixa dos 25%. Entre as que aderem a este movimento estão as construtoras. É o que revela Gustavo Boyde, gerente de marketing da LogMeIn para a América Latina. Confira:

É possível mensurar o quanto as empresas ganham em tempo e recursos ao substituir as reuniões presenciais por reuniões virtuais?
Uma reunião virtual não tem o tempo de deslocamento de um local para outro. Se ganha tempo e se poupa recursos. A reunião virtual ajuda muito na questão da produtividade, principalmente quando são usadas as ferramentas adequadas. Uma reunião virtual também pode ter um custo elevado se feita por telefone, por causa dos interurbanos e das chamadas internacionais. Então, o uso da tecnologia certa pode fazer um executivo até dobrar o número de reuniões por dia, otimizando os negócios.

Ferramentas como Skype e Webex são as mais usadas em reuniões virtuais?
No Brasil, estes são, sim, dois nomes muito fortes para reuniões virtuais. Existem outras ferramentas além destas que são utilizadas, dependendo do tamanho da empresa. O mercado para reuniões virtuais é bastante amplo e tem diversas e diferentes ferramentas destinadas a necessidades diferentes. O Skype é muito utilizado para pessoa física e pequenas empresas. Já o Webex e ferramentas como o Join Me são utilizados para grandes empresas e para o ambiente corporativo, que exige mais segurança. Então, diria que sim, Skype e Webex são as mais conhecidas e as mais usadas no mercado.

O setor da construção civil é um dos que mais utiliza reuniões virtuais?
A construção civil atua em vários locais. Uma empresa tem canteiros de obras em diferentes cidades e as reuniões virtuais dão agilidade ao andamento do cronograma. O único empecilho é que, em certas ocasiões, o local da obra é remoto e impede o uso de ferramentas para reuniões virtuais. Mas não tenho dúvidas em afirmar que a construção civil é um dos setores que mais se beneficia desta tecnologia.

No Brasil, a internet já favorece as reuniões virtuais sem risco de cair a conexão?
O Brasil ainda está atrás de alguns países em termos de internet. Em algumas regiões do país as conexões ainda são instáveis. No sul e sudeste, tem uma maior cobertura de internet. Mas de certa forma, o Brasil já está preparado. Praticamente, qualquer centro urbano, qualquer cidade tem internet. Também existem ferramentas que utilizam bandas menores. Além disso, o datacenter destas ferramentas também é decisivo para a boa conexão.

Em comparação a outros países, como está o Brasil no volume de reuniões virtuais?
Hoje, 25% das reuniões do Brasil já são virtuais. Em termos globais, são 33%. Então, o país está um pouco abaixo da média de reuniões virtuais on-line, mas ele está quase lá.

Quais os setores econômicos que mais realizam reuniões virtuais no Brasil?
Depende muito da maturidade da indústria. A gente enxerga que empresas de tecnologia geralmente estão mais acostumadas às novas ferramentas e geralmente elas são as pioneiras. Empresas de tecnologia, empresas de marketing e vendas são as que mais utilizam as reuniões on-line. Mas em geral, temos percebido que todos os segmentos estão se abrindo a essa tendência. Principalmente, as corporações com jovens executivos entre 26 anos e 35 anos. Mas as ferramentas estão disponíveis a todos e a todas as áreas. Depende muito mais dos profissionais envolvidos do que do perfil da empresa.

Com as reuniões virtuais ocupando mais espaço nas corporações, as reuniões presenciais serão usadas para quais finalidades?
A tendência é que uma reunião virtual possa substituir todas as reuniões. Claro que ela não tem o contato humano, mas com os recursos disponíveis é possível compartilhar telas, trocar informações e fazer anotações de forma até mais eficaz do que uma reunião presencial.

As reuniões virtuais são mais produtivas?
Ao se evitar o deslocamento já se ganha em produtividade. Além disso, a reunião virtual praticamente elimina as conversas laterais, tornando o encontro mais objetivo. Isso torna a reunião virtual mais eficaz, e com um tempo menor que a reunião presencial. Na reunião presencial, existem os atrasos causados pelo trânsito e outros imprevistos. Além disso, existe a transição da informalidade para o aspecto formal da reunião, ou seja, as pessoas chegam batem papo e depois tratam dos assuntos da reunião. No encontro virtual, se vai direto ao ponto, aos objetivos do encontro. Então, sim, as reuniões virtuais são mais produtivas.

As reuniões virtuais se dão mais por desktops, notebooks, tablets ou smartphones?
Hoje, reuniões virtuais se dão mais por desktops e notebooks. Mas já existem tablets e smartphones adaptados para essas ferramentas, onde é possível falar por voz, compartilhar a tela, ver a tela de outra pessoa. A única diferença é que as telas são menores e as pessoas tendem, nas reuniões virtuais, a preferir telas maiores.

Os colaboradores gostam de participar de reuniões, sejam elas presenciais ou virtuais?
Em geral, os colaboradores não gostam de participar de reuniões. Na nossa pesquisa, dois terços deles (em torno de 66%) acham que as reuniões são improdutivas. Na mesma pesquisa, porém, 90% dos entrevistados avaliam que em 2016 o número de reuniões vai aumentar. Então, essas ferramentas vêm para ajudar, para tornar as reuniões mais produtivas e mais práticas. Mas em geral, a satisfação das pessoas com reuniões não são muito boas. Uma das dicas é reduzir o número de pessoas nos encontros, para que eles se tornem mais curtos e produtivos. Algumas corporações têm optado pelas reuniões chamadas de “um-para-um”. Aí, quando todas as definições já estão praticamente certas é que se faz uma reunião maior apenas para fechar a questão. Óbvio, isso precisa de um bom mediador para encaminhar os assuntos das reuniões.

Entrevistado
Gustavo Boyde, graduado em marketing pela UFRGS e com MBA em marketing digital pela ESPM. Atualmente é o gerente de marketing da LogMeIn para a América Latina
Contato: logmein@singcomunica.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/LogMeIn

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

CT Paralímpico une melhores conceitos de mobilidade

Construções pré-fabricadas permitem atender atletas de 15 modalidades, os quais representarão o Brasil nos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro

Por: Altair Santos

Os melhores atletas paralímpicos do Brasil ganham até o final de 2015 um completo centro de treinamentos, a fim de intensificar os preparativos para os jogos de 2016, no Rio de Janeiro. A área construída de 94 mil m² vai atender 15 modalidades: atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, esgrima em cadeira de rodas, futebol de 5, futebol de 7, golbol, halterofilismo, judô, natação, rúgbi, tênis, tênis em cadeira de rodas, triatlo e voleibol sentado. O complexo é uma referência mundial, pois une os melhores conceitos de mobilidade para pessoas com necessidades especiais.

Localizado na cidade de São Paulo, Centro Paralímpico está com 97% da execução das obras concluída
Localizado na cidade de São Paulo, Centro Paralímpico está com 97% da execução das obras concluída

Projetado pela LM+Gets e executado pela BF Construtora, a obra é dividida em cinco setores. O primeiro engloba a recepção principal, as garagens e as quadras de tênis em cadeira de rodas. O segundo é destinado ao treinamento de vôlei, basquete, rúgbi e futebol de 5, enquanto o terceiro é o do parque aquático. No setor 4, fica o ginásio, onde será praticado judô, esgrima, bocha, golbol, tênis de mesa e futebol de 7. Já no setor 5 ficará o centro de pesquisa e medicina do esporte, áreas de fitness e de ensino, além de uma pista de atletismo.

Para atender os paratletas, não existem escadas no centro de treinamentos. Os acessos são por rampas e elevadores, e cumprem a ABNT NBR 9050 - Acessibilidade a edificações, vias públicas e sistemas de transporte coletivo. O projeto é da LM+Gets, especializada em construções hospitalares e em ambientes de alta complexidade. Já a execução da obra está a cargo da GBF Construtora, que considera o empreendimento um legado para os portadores de necessidades especiais. Após os jogos paralímpicos, o CT será transformado em um centro de pesquisa e de reabilitação.

Estruturas pré-fabricadas

Com 97% das obras concluídas, o CT Paralímpico, localizado no Parque Fontes do Ipiranga, na cidade de São Paulo, é uma parceria entre governo do estado de São Paulo e governo federal. O local será o principal centro de excelência do Brasil e da América Latina e tem a pretensão de ser um dos quatro melhores do mundo. Só Ucrânia, China e Coreia do Sul têm estruturas semelhantes. O centro agrupará treinamento de paratletas de alto nível, formação de técnicos, árbitros e gestores, desenvolvimento das ciências do esporte e atuação interdisciplinar em medicina, fisioterapia, psicologia, fisiologia, biomecânica, nutrição e metodologias do treinamento.

Projeção de como ficará o Centro de Treinamento Paralímpico, quando concluído
Projeção de como ficará o Centro de Treinamento Paralímpico, quando concluído

Literalmente, o que sustenta toda essa estrutura é o concreto. Elementos pré-fabricados, por exemplo, dão apoio à pista de atletismo, assim como as instalações esportivas indoor e outdoor. Os sistemas construtivos à base de pré-moldados permitiram também erguer uma área residencial composta por alojamentos para 280 pessoas, refeitório e lavanderia, além de um centro de medicina e ciências do esporte, incluindo academia, vestiários e outros espaços de apoio. O volume de concreto usado na obra ultrapassa os 150 mil m³. O custo do empreendimento é de R$ 288,700 milhões.

Entrevistados

Secretaria de Direitos da Pessoa com Deficiência do estado de São Paulo (via assessoria de imprensa)
Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) (via assessoria de imprensa)

Contatos:
imprensa@sedpcd.sp.gov.br
imprensa@cpb.org.br

Crédito Foto: Divulgação/Brasil2016.gov.br/CPB

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330