Na arquitetura hospitalar, cada caso é um caso

Projetos têm especificidades muito particulares, ensina Siegbert Zanettini, com quase 60 anos de experiência neste tipo de edificação

Por: Altair Santos

Siegbert Zanettini: construindo hospitais há quase 60 anos
Siegbert Zanettini: construindo hospitais há quase 60 anos

Professor titular da FAU USP, e especialista em arquitetura hospitalar, Siegbert Zanettini afirma que projetos arquitetônicos para hospitais estão entre os mais complexos. “Cada caso é um caso”, diz. Para elaborá-los, é preciso considerar condicionantes, como vocação da unidade (regional, alta complexidade, geral), especialidade (maternidade, neurologia, doenças do coração, gastroenterologia) e a localização em que o prédio será construído. Siegbert é responsável por projetos como os do hospital Municipal Ermelino Matarazzo, Albert Einstein Morumbi, São Camilo Pompéia, São Luiz Anália Franco, Bandeirantes, Mater Dei Contorno e Betim, Moriah SP e Hospital Universitário da USP. O arquiteto acumula em seu currículo mais de 12 premiações com projetos de saúde. Na entrevista a seguir, ele detalha o que é arquitetura hospitalar. Confira:

Em arquitetura hospitalar é correto dizer que cada caso é um caso?
Sim. Pode-se dizer que cada projeto de hospital tem suas especificidades. Primeiro, existe uma hierarquia por nível de complexidade de ocorrências médicas, que é a seguinte:
- Hospitais de referência de alta complexidade são aqueles que atendem pacientes de urgência em alto risco, além de ambulatorial, e tem instalações, equipamentos e espaços destinados a todas e quaisquer tipos de enfermidade. Possuem equipes médicas e de enfermagem especializadas em qualquer tipo de ocorrência médica;
- Hospitais universitários são destinados a atendimentos diversos e conectados à instituição de ensino e pesquisa;
- Hospitais regionais destinam-se a dar suporte a uma rede de hospitais locais de municípios, na área de abrangência de seu entorno;
- Hospitais locais de menor complexidade atendem a uma faixa de enfermidades mais recorrentes e que, em determinados casos, são especializados: maternidade, infantil, coração, ortopédico, etc;
Segundo, é preciso observar as necessidades funcionais de um hospital, que exige circulação diferenciada de público externo, assim como de pessoal de trabalho. Além disso, é conveniente separar os fluxos limpos e sujos de materiais e descartes. Também é recomendável separar no zoneamento interno os setores de pacientes internos e externos: pronto socorro, pronto atendimento e seus ambientes complementares, como os de atendimento de urgência, consultórios ambulatoriais e setores afins.
Terceiro, todos os acessos em desnível devem conter rampas e elevadores acessíveis a deficientes físicos e pacientes com dificuldade motora e idosos. As instalações também devem possuir espaços bloqueados para evitar infecções cruzadas, como centros cirúrgicos e obstétricos, berçários, laboratórios, setor de imagens (ressonância magnética, tomografia, câmara hiperbárica), lavanderias e cozinhas. Essas e outras condicionantes, por si só, justificam ao hospital um tratamento arquitetônico específico.

Até que ponto a especialidade do hospital influencia em sua arquitetura?
Um dos conceitos relevantes que defendo em meus artigos publicados e em palestras proferidas é que o projeto de arquitetura está holística e sistematicamente integrado a todos os projetos de engenharia e, em algumas situações, a outras ciências do conhecimento, como é o caso das biológicas, nos projetos de um hospital. A importância e a complexidade dos sistemas hidráulicos e elétricos, de ar-condicionado e de oxigênio, entre outros, junto com estrutura, fundações e conforto acústico, obriga a resolvê-los integradamente e com controle por automação. Tudo isso, pois é importante uma durabilidade sem reformas indesejáveis, seja por omissão de projetos específicos ou por mau funcionamento. Elas resultam em custo e em interferências e paralisações problemáticas para uma tipologia de edifício que funciona 24 horas, em feriados e em fins de semana.

A arquitetura dos hospitais antigos é verticalizada, com rampas e elevadores. Hoje, a arquitetura hospitalar privilegia os projetos horizontais?
A verticalização ou não do hospital não caracteriza em si uma posição privilegiada ligada às funções de um hospital. Normalmente são condições locais que pesam mais, como área disponível de 120 m² por leito, áreas extensas para estacionamento, exiguidade de áreas disponíveis ou declividades acentuadas para implantação, situação em áreas urbanas adensadas ou com acessos limitados pela condição do terreno ou pela valorização vizinha, como também o zoneamento estipulado por posturas municipais.

A Norma de Desempenho se enquadra na construção de hospitais, em função de suas exigências termoacústicas?
As exigências termoacústicas devem atender a Normas de Desempenho como qualquer outra edificação, pois abriga não só pacientes, já com condições fragilizadas ao frio ou ao calor, assim como a ruídos indesejáveis, mas também os profissionais-médicos, enfermagem e pessoal de manutenção, que devem permanecer horas ou, às vezes, plantões seguidos.

Dos hospitais que o senhor já projetou, algum requereu uma inovação construtiva?

Hospital Mater Dei Contorno, em Belo Horizonte: exemplo de que obras com esta especificação devem apostar na industrialização
Hospital Mater Dei Contorno, em Belo Horizonte: exemplo de que obras com esta especificação devem apostar na industrialização

Quase todos os projetos envolvem inovações de sistemas, materiais, técnicas construtivas e atendimento. Só para citar: o Hospital Mater Dei Contorno, em Belo Horizonte, com 70.000 m² de construção, teve toda a tecnologia estrutural metálica. Menos as paredes de diafragmas e as fundações. Quase toda a obra não ocorreu no canteiro, como normalmente é, mas constituiu uma sequência de montagens de lajes em “steel deck”, paredes em “drywall”, fachadas unitizadas e acabamentos internos industrializados, assim como a ocupação de ambientes realizados em tempo recorde. Outro exemplo: a colocação de banheiros prontos montados em uma semana no bloco 2 do hospital São Camilo Pompéia, assim como todas as fachadas em painéis pré-moldados de concreto leve. Há ainda, a construção do Hospital Leforte, um retrofit de uma antiga escola que recebeu vários pavimentos, transformando-se em um hospital-geral.

O que é mais comum na construção de hospitais: alvenaria convencional, alvenaria estrutural, estruturas pré-fabricadas de concreto ou estruturas mistas?
Já utilizamos praticamente todos os sistemas construtivos existentes, além dos que criamos em mais de cinquenta hospitais novos ou retrofits.

Nas universidades, há disciplinas que tratem do tema arquitetura hospitalar ou o currículo é carente neste aspecto?
A área é carente em profissionais que nela trabalhem, assim como na sua formação.

Há quantos anos o senhor atua nesta área e o que o fez se especializar em arquitetura hospitalar?
São cerca de 60 anos atuando como profissional em todas as áreas da arquitetura. Para exemplificar, realizei, como recém-formado em 1961, o hospital de Osasco e o hospital-piloto da usina hidroelétrica de Jupiá, na cidade de Urubupungá-SP. Em 1968, a maternidade de Vila Nova Cachoeirinha para a Prefeitura de São Paulo. Em 40 anos como professor da FAU, da Universidade de São Paulo, dei cursos para profissionais, arquitetos, engenheiros, médicos e enfermeiros, junto com a Faculdade de Higiene e com os médicos do Hospital das Clínicas.

Entrevistado
Arquiteto Siegbert Zanettini, professor-titular da FAU USP e especialista em arquitetura hospitalar. Titular da Zanettini Arquitetura, com mais de 53 anos de atuação profissional e 1.200 projetos

Contato
zanettini@zanettini.com.br

Crédito Fotos: Divulgação/Zanettini Arquitetura

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

 


Revisão da Lei das Licitações trava infraestrutura

Substitutivo que procura corrigir distorções da lei 8.666 encontra-se em discussão no Senado. Demora pode inviabilizar contratação de obras

Por: Altair Santos

O governo federal planeja lançar 30 projetos ligados a obras de infraestrutura para irem a leilão entre 2017 e 2018. Mas há setores da construção civil que avaliam que o plano possa esbarrar em um ponto fora da curva: a revisão da Lei de Licitações (8.666/1993). Ela encontra-se na Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional, dentro do Senado, e existe a expectativa de que seja votada até o final do ano legislativo de 2016. Mas se não avançar no Congresso, tende a se tornar mais uma barreira a travar a modernização da infraestrutura nacional.

Senador Fernando Bezerra Guimarães, relator da revisão da Lei 8.666: o que não faltam são pontos polêmicos
Senador Fernando Bezerra Guimarães, relator da revisão da Lei 8.666: o que não faltam são pontos polêmicos

Um dos pontos mais relevantes do substitutivo está relacionado ao fim do projeto básico. Por conta da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas 2016, as obras públicas no Brasil passaram a ser regidas pelo RDC (Regime Diferenciado de Contratação), sancionado em 2011. Ele permitia a contratação pelo menor preço, mas sem levar em conta a complexidade do projeto. A justificativa era que o prazo da licitação seria encurtado de 240 dias para, no máximo, 90 dias. O modelo do RDC, no entanto, apresentou anomalias na fase de execução das obras, por ignorar projetos mais complexos de engenharia.

No final das contas, os termos aditivos acrescentados à execução da obra, para corrigir falhas no projeto, tornavam-na mais cara. Segundo o relator da revisão da Lei de Licitações (8.666/1993), o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), o objetivo é corrigir essas distorções. “O texto contempla medidas importantes para uma legislação mais ágil e segura, incluindo atualização monetária dos valores de referência, alterações de nomenclatura, reformulação dos limites de contratação integrada, conceito de contratação semi-integrada, mudanças na tipificação penal e aprimoramento da sistemática de seguros”, relata.

Para o presidente da Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional, senador Otto Alencar (PSD-BA), o substitutivo está aberto para sugestões, mas, na opinião dele, “vai atender às várias demandas que foram formalizadas, principalmente pelo setor da construção civil”. Entre os pontos mais debatidos do projeto está a contratação integrada. Prevista no projeto como uma opção de licitação para obras de engenharia, essa modalidade transfere ao contratado a responsabilidade por todas as fases da obra - do projeto à execução, incluindo a fiscalização - tendo como obrigação entregar a obra acabada no prazo estabelecido em contrato.

Não há consenso
Neste modelo, de acordo com o substitutivo, o contratado assume a maior parte dos riscos, o que, para especialistas, pode encarecer a obra. De acordo com Rafael Jardim Cavalcanti, da Secretaria de Operações Especiais em Infraestrutura do Tribunal de Contas da União (TCU), a contratação integrada serve para aproveitar a expertise de empreiteiras, mas deveria se justificar somente quando houver uma complexidade grande no objeto do contrato. Já para Fernando Guimarães, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a contratação integrada deve ser apenas destinada a obras de grande vulto. “Na nossa visão, é necessário que haja a previsão de pressupostos técnicos para a utilização da contratação integrada”, avalia.

Diante das críticas, o relator da proposta afirmou que vai analisar qual será o valor mínimo da obra para a utilização da contratação integrada. O Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) propõe que o valor mínimo seja R$ 2 bilhões. Já o TCU sugere um patamar de R$ 100 milhões, enquanto a proposta do substitutivo é de utilizar os valores definidos na lei da Parceria Público-Privada, ou seja, R$ 20 milhões. Também não está descartada a exigência de contratação de seguradoras por parte das empreiteiras, a fim de dar garantia à entrega da obra. Neste caso, há quem defenda que o agente segurador fiscalize a execução do projeto, o que desencadeia mais uma polêmica em torno da revisão da Lei das Licitações.

Entrevistados
- Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) (via assessoria de imprensa)
- Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) (via assessoria de imprensa)
- Tribunal de Contas da União (TCU) (via assessoria de imprensa) (via assessoria de imprensa)
- Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional do Senado Federal (via assessoria de imprensa)

Contatos
comunica@cbic.org.br
fernandobezerracoelho@senador.leg.br
sinaenco@sinaenco.com.br
imprensa@tcu.gov.br

Crédito Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Casas em concreto aparente: as 10 mais bonitas do mundo

Entre os vencedores estão projetos de renomados arquitetos brasileiros, como Oscar Niemeyer, Vilanova Artigas, Ruy Ohtake e Paulo Mendes da Rocha

Por: Altair Santos

Casa construída na China: grande fenda atravessa estrutura aparente de concreto armado
Casa construída na China: grande fenda atravessa estrutura aparente de concreto armado

Quais casas construídas em concreto aparente são as mais bonitas do mundo? Sites especializados em arquitetura decidiram elegê-las, mostrando as virtudes do material. Foram eleitos, principalmente, os projetos que se destacaram pela inovação na fachada, valorizando concepções modernistas e brutalistas. Entre os que foram elencados estão consagrados arquitetos brasileiros, como Oscar Niemeyer, Vilanova Artigas, Ruy Ohtake e Paulo Mendes da Rocha. Mas há também construções na China e na Austrália, mostrando que a versatilidade das estruturas de concreto está globalizada.

A eleição levou em consideração também a qualidade do concreto aparente. Obtido da mistura de cimento, agregados, água e, em praticamente todos os casos, aditivos químicos, o material requer cuidados especiais para cumprir a função de acabamento. A execução por mão de obra qualificada é fundamental para assegurar a aparência final desejada. A palavra que define uma obra bem construída em concreto aparente é uniformidade, além dos cuidados muito rigorosos com as fôrmas. Via de regra, não existe “conserto” para deslocamento ou abertura de fôrmas em concreto aparente. Para se atingir o equilíbrio é importante observar a granulometria dos agregados e a procedência do cimento, para não criar distorções de tonalidade.

“Casa Cubo”, construída na cidade de São Paulo: assinada pelo escritório MK27
“Casa Cubo”, construída na cidade de São Paulo: assinada pelo escritório MK27

Todas as obras escolhidas cumpriram esses requisitos. Como a casa eleita na China, onde inclusive o telhado é em concreto aparente. No projeto do escritório AZL Architects, do arquiteto chinês Zhang Lei, vidros e uma grande fenda que atravessa a estrutura garantem luminosidade ao interior da casa. O projeto chinês se assemelha com o da “casa Cubo”, construída na cidade de São Paulo e assinada pelo escritório MK27, do arquiteto brasileiro Marcio Kogan. Tanto na concepção chinesa quanto na brasileira, as casas se sustentam em pilares ocultos, valorizando a fachada.

Com um projeto menos brutalista, a Argentina também aparece na lista, com a casa assinada pelo escritório portenho Vanguarda Architects. Minimalista, a edificação localizada em Buenos Aires concentra-se em três materiais: concreto armado, vidro e madeira. O conceito é semelhante ao seguido pelo arquiteto australiano Matt Gibson, que concebeu sua casa de concreto em Melbourne. O que caracteriza esse projeto é que não se consegue identificar qual é a fachada da frente e qual é a fachada dos fundos - ambas em concreto aparente. O objetivo do arquiteto é passar a impressão que existem duas casas em um só terreno.

Retrofit

Casa de 1969, assinada pelo arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha: restaurada em 2012
Casa de 1969, assinada pelo arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha: restaurada em 2012

A Casa de 1969, assinada pelo arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, foi restaurada em 2012 pelo próprio arquiteto. Por isso, entrou na lista das mais bonitas do mundo. Construída na cidade de São Paulo há mais de 40 anos, o que chamou a atenção foi a integridade da estrutura em concreto aparente. A restauração se concentrou na troca das janelas, no revestimento do piso e nas portas internas e externas. Outro retrofit que mereceu a indicação dos especialistas foi o da casa conhecida como Unidade Habitacional (Unité d´Habitation) de Marselha, na França, assinada por Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido como Le Corbusier. A residência, construída em 1949, é considerada a pioneira da arquitetura brutalista.

Referências mundiais no uso do concreto aparente, Oscar Niemeyer, Vilanova Artigas e Ruy Ohtake não poderiam faltar na eleição. Entre suas obras, estão a casa conhecida como “Tenda Modernista”, na região serrana do Rio, desenhada em 1954 por Niemeyer, e a residência Olga Baeta, projetada por Vilanova Artigas em 1956, e que passou por restauração em 1998. De Ohtake, o projeto escolhido foi o da “Casa de Valinhos”, cujas curvas em concreto aparente se destacam entre as eleitas. Esses três arquitetos brasileiros inspiraram o espanhol Joaquin Torres a projetar a “Casa Verde, em Pozuelo de Alarcón, e que fecha a lista das dez mais bonitas do mundo em concreto aparente.

Entrevistado
Reportagem com base em eleição promovida pelo site Archdaily

Contato
http://www.archdaily.com/contact

 

 

Crédito Fotos: Divulgação AZL Architects/ MK27/ Vanguarda Architects e Matt Gibson

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Novas medidas de segurança para a construção civil

Portarias ministeriais dão mais rigor à NR 18, principalmente para o uso de elevadores e guindastes em canteiros de obras

Por: Altair Santos

A portaria nº 573, do ministério do Trabalho e da Previdência Social, publicada no Diário Oficial da União de 9 de maio de 2016, acrescentou medidas que buscam garantir mais segurança à construção civil, minimizando o risco de acidentes. Entre elas, a criação de um portal da transparência, o qual mostra quais empresas têm mais acidentes. Esses dados permitem que o trabalhador possa pesquisar sobre o empregador, verificar a quantidade de acidentes e entender a periculosidade da atividade.

Guindastes e gruas em canteiros de obras: NR 18 torna mais rigorosa a instalação e operação destes equipamentos
Guindastes e gruas em canteiros de obras: NR 18 torna mais rigorosa a instalação e operação destes equipamentos

Juntam-se à portaria nº 573, as recentes alterações que ocorreram na Norma Regulamentadora (NR 18), que trata sobre segurança, transporte e saúde dos trabalhadores da construção civil. Essas mudanças passaram a valer em 2016. Através da portaria 597 do Ministério do Trabalho e da Previdência Social, foi alterado o item 18.14 da NR 18. Entre as principais modificações estão o uso de elevadores de cremalheira - agora obrigatórios - e a instalação de ganchos de segurança nas fachadas de prédios com mais de 13 andares ou altura equivalente.

Estão proibidos elevadores de cabo único e com freio de emergência tipo flutuante, por serem considerados dispositivos comprovadamente inseguros. A nova portaria obriga a substituição deste modelo por elevadores de obras com sistema eletromecânico para acionamento do freio, o que garante mais segurança para o trabalhador em situações de emergência. Porém, canteiros de obras instalados até 10 de maio de 2016, e que utilizem elevadores de cabo único, poderão usá-los até o término da construção.

Guindastes e gruas
Outra medida importante está relacionada ao uso de gruas e guindastes, definindo critérios para a operação desses equipamentos e suas instalações. A NR 18 acrescentou a exigência do plano de cargas para a utilização deste tipo de maquinário, que envolve estudos sobre o local da instalação, exigência de documentos sobre o fornecedor da grua e o responsável pela manutenção, além de comprovada qualificação do operador.

O relatório do plano de cargas deve ser minucioso, principalmente para guindastes móveis, que se sustentam sobre pneus ou esteiras. Ele deve informar o posicionamento correto do equipamento, a distância que a peça deve percorrer até chegar ao destino, os acessórios que serão utilizados no içamento e a quantidade de calços a serem usados para sustentar o peso em relação ao solo. A documentação deve prever, também, procedimentos de segurança em caso de fenômenos climáticos, como vendavais e temporais.

Para o engenheiro de segurança Raphael Benício, as medidas são corretas. “Trata-se de um trabalho de perícia e de responsabilidade, pois estamos falando de cargas que pesam toneladas, como peças de concreto, ferro e estruturas metálicas. Se não houver o içamento de maneira correta, podem ser letais”, afirma. Felizmente, no entender de Benício, há cada vez mais construtoras atentas às questões de segurança. “Além dos procedimentos obrigatórios previstos em lei, algumas empresas têm normas internas que solicitam uma ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) para o controle de segurança no canteiro de obras. Isso é uma evolução”, garante.

Entrevistado
Engenheiro de segurança Raphael Benício, diretor da Alpha Omega Treinamentos

Contato
contato@alphaomegacursos.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Norma define altura de prédio em alvenaria estrutural

Revisão da ABNT NBR 15961 pretende definir novos parâmetros, a fim de ajudar a dar mais confiabilidade ao sistema construtivo

Por: Altair Santos

Em processo de revisão, a ABNT NBR 15961- partes 1 e 2 -, que trata de alvenaria estrutural com blocos de concreto, vai criar parâmetros para a altura de prédios construídos com este sistema. O engenheiro civil e professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), Guilherme Parsekian, que faz parte do comitê que revisa a norma, disse que essa é uma das prioridades da comissão, pois ainda não existe referência no Brasil sobre o tema. Segundo ele, a medida servirá para garantir mais segurança para as obras que utilizem alvenaria estrutural.

Edifício Fit Terra Bonita, em Londrina: com 19 pavimentos, é o mais alto construído recentemente no Brasil
Edifício Fit Terra Bonita, em Londrina: com 19 pavimentos, é o mais alto construído recentemente no Brasil

De acordo com Parsekian, que palestrou sobre o tema na mais recente edição do Concrete Show, é importante definir limites de pavimentos na revisão da norma. “Não existe nada sobre estabilidade global de edifícios altos em alvenaria estrutural. A revisão da norma trará isso”, disse. Esse parâmetro influencia também no custo da obra. É sabido que em edifícios de até cinco pavimentos o sistema gera economia de 30% em relação à alvenaria convencional. Já em edificações com mais de dez andares, a economia chega, no máximo, a 10%.

Especialistas em alvenaria estrutural não recomendam a construção de prédios com mais de 25 pavimentos. Neste caso, o sistema se torna mais caro que o convencional, mesmo com o uso de ferramentas tecnológicas que ajudam a modelar o projeto. No Brasil, a mais recente edificação em alvenaria estrutural que ultrapassou os 10 andares foi construída em Londrina-PR. O prédio atingiu 19 pavimentos. Neste sistema, o edifício mais alto do mundo é o hotel Excalibur, em Las Vegas, nos Estados Unidos, construído em 1990, e que tem 30 andares.

Unificação da norma
A mais recente atualização da ABNT NBR 15961 aconteceu em 2011. Dividida em duas partes, cada uma delas funciona como uma norma independente, o que, para Parsekian, também precisa ser revisto. O professor da UFSCar defende a unificação da norma. Atualmente, ela tem a seguinte composição: ABNT NBR 15961-1:2011 – Alvenaria estrutural – Blocos de concreto – Parte 1: Projetos. Ela especifica os requisitos mínimos exigíveis para o projeto de estruturas de alvenaria de blocos de concreto. Já a parte 2 tem a seguinte nomenclatura: ABNT NBR 15961-2:2011 - Alvenaria estrutural - Blocos de concreto - Execução e controle de obras. Ela estabelece requisitos mínimos exigíveis para a execução e o controle de obras com estruturas de alvenaria que utilizam blocos.

A mais recente revisão da ABNT NBR 15961, em 2011, coincidiu com o auge da alvenaria estrutural no Brasil. O sistema tornou-se o preferido das construtoras que aderiram ao programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Predominou principalmente em conjuntos com mais de 100 unidades, e com até 10 pavimentos. Erros construtivos, porém, acabaram minando a credibilidade da alvenaria estrutural, que acabou ganhando um concorrente forte: o sistema de paredes de concreto - hoje o preferido para os que ainda operam no MCMV. Com a nova revisão da ABNT NBR 15961, o que se pretende também é redimir a alvenaria estrutural.

Entrevistado
Engenheiro civil Guilherme Parsekian, professor do departamento de engenharia civil da UFSCar e membro do comitê de normas da ABNT

Contato
parsekian@ufscar.br

Crédito Foto: Divulgação/Graúna Construções Civis

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Mercado já rejeita engenheiro que não fale inglês

Não basta dominar termos técnicos. A nova realidade exige conversação fluente, apesar de apenas 5% dos brasileiros dominarem o idioma estrangeiro

Por: Altair Santos

A formação técnica do engenheiro está cada vez mais dependente da língua inglesa. Durante os cursos de graduação, compreender textos escritos em inglês faz a diferença para ter acesso a livros e artigos publicados fora do país, e que agregam conhecimento ao universo acadêmico. Para quem tem a pretensão de fazer mestrado e doutorado, o idioma se torna ainda mais indispensável.

Falar inglês está se tornando necessidade básica para engenheiros e arquitetos
Falar inglês está se tornando necessidade básica para engenheiros e arquitetos

Já no âmbito do mercado de trabalho, a língua estrangeira tornou-se imprescindível. Em boa parte das empresas, o domínio da língua inglesa não é mais visto como um plus curricular, mas uma obrigação do candidato. Alemão e espanhol, sim, são aceitos como uma diferenciação para quem busca vaga no mercado de trabalho.

No caso da engenharia civil e da arquitetura, a interação cada vez mais intensa com projetos elaborados por escritórios fora do país, além da perspectiva de que construtoras estrangeiras possam vir a atuar com mais intensidade no Brasil, mostra que não se restringir à língua portuguesa é importante.

Por essas novas nuances do mercado, deter conhecimento do que se convencionou chamar de “inglês técnico” - aptidão para entender termos restritos à área de atuação - já não é mais suficiente. A exigência, agora, está na conversação, o que, segundo headhunters, é a maior dificuldade dos profissionais brasileiros.

Estudo da Talenses - grupo especializado em recrutamento e consultoria – revela que, mesmo que os candidatos sejam capazes de compreender textos em inglês, apresentam defasagens quando precisam conversar na língua. Principalmente nas áreas comercial, de TI (Tecnologia da Informação) e de engenharia.

Maioria só domina inglês básico
De acordo com o levantamento da Talenses, feito com 1.423 entrevistados, 52% dos recrutados para cargos de média e alta gerência no país têm somente conhecimento de inglês básico. Profissionais com nível intermediário e avançado, somados, não passam de 10% dos analisados.

Outro dado é que apenas 30% dos candidatos que dizem dominar a língua inglesa em seus currículos de fato têm fluência no idioma. “É um fator preocupante. Muitos dos candidatos afirmam no currículo que têm nível intermediário, quando na verdade têm apenas o básico”, revela Felipe Brunieri, gerente da Talenses.

A análise da empresa especializada em recrutamento faz ainda a seguinte observação: “No caso do profissional de engenharia ainda há a crença de que o inglês técnico adequado para a leitura de manuais, ou até mesmo para envio de e-mails, é o suficiente. Mas este conceito está mais que ultrapassado.”

O problema, aponta a consultoria, está no ensino incipiente de língua estrangeira nas escolas e faculdades públicas do Brasil. Só aprende efetivamente quem busca um curso de idiomas. Mas é preciso também saber filtrar essas escolas, já que algumas ensinam um inglês muito pasteurizado. No entanto, é inegável que ganha pontos profissionalmente quem aprende o idioma.

Em universidades, o conhecimento de inglês abre oportunidades para intercâmbios e participação em programas importantes. Em 62% dos casos, mostra estudo do MEC (Ministério da Educação), costumam conquistar estas vagas aqueles que dominam um idioma estrangeiro. No Brasil, porém, segundo dados da British Council, apenas 5% da população sabe realmente falar inglês.

Entrevistado
Talenses, recrutamento e consultoria (via assessoria de imprensa)

Contato
contato@talenses.com

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Sem concreto, obras emblemáticas não sairiam do papel

Seminário no 58º Congresso Brasileiro do Concreto do Ibracon abrangeu construções que usam alta tecnologia em seus projetos estruturais

Por: Altair Santos

MIS do Rio: alta tecnologia em concreto adensável, mas obra está inacabada
MIS do Rio: alta tecnologia em concreto adensável, mas obra está inacabada

O 58º Congresso Brasileiro do Concreto do Ibracon, que neste ano aconteceu em Belo Horizonte-MG, de 11 a 14 de outubro, mostrou a importância do concreto para obras emblemáticas que estão em construção no Brasil. Engenheiros e projetistas que atuaram nos empreendimentos contaram os desafios para viabilizar construções como o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, o Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica da Marinha (LABGENE), em Iperó-SP, além do Museu do Amanhã, também no Rio; o Teatro Digital, em São Paulo, e um complexo de edifícios de alta performance, tanto na cidade do Rio de Janeiro quanto na cidade de São Paulo.

Em comum, boa parte das obras utilizou concreto autoadensável. No caso do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, o material foi usado para vencer um problema de taxa de armadura extremamente elevada, que chegava a 500 kg/m³, quando o usual é uma taxa de armadura de 100 kg/m³. Por ser um empreendimento com fachada em concreto aparente, e de frente para o mar, na Praia de Copacabana, era necessário também que o material tivesse resistência a patologias, o que fez com que se tornasse uma das primeiras obras no Brasil a conter elementos autocicatrizantes (que se auto regeneram) em sua estrutura. O prédio de sete pavimentos, no entanto, ainda não foi concluído. As obras iniciaram em 2011 e foram paralisadas por falta de recursos.

Para o centro tecnológico da Marinha, conhecido como LABGENE - ainda em construção -, o concreto autoadensável foi usado para pré-fabricar elementos estruturais de sacrifício (elementos utilizados para estudos). As peças envolverão o reator da turbina do primeiro submarino nuclear brasileiro. Neste tipo de material, a resistência à compressão se aproxima de 100 MPa e o risco de fissura deve ser zero. Por isso, foi usado gelo para diminuir a temperatura inicial de lançamento do concreto. Assim, foi possível reduzir as tensões de origem térmica da peça concretada, de modo a evitar sua elevação a uma intensidade que ultrapassasse o limite da capacidade de resistência e gerasse trincas, fissuras ou rachaduras que comprometessem a integridade estrutural.

Teatro Digital

Teatro Digital: cúpula esférica com placas de cobre, para receber membrana de concreto
Teatro Digital: cúpula esférica com placas de cobre, para receber membrana de concreto

Uma exceção ao uso do concreto autoadensável foi o material utilizado na construção do Museu do Amanhã. A edificação principal emprega estrutura de concreto armado e protendido para dar forma aos elementos curvos e inclinados da arquitetura, além de funcionar como suporte para a cobertura. Outra característica da obra é o uso de lajes nervuradas com 27 metros de vão e balanços de 15 metros. O projeto estrutural ficou a cargo da Engeti Consultoria e Engenharia. A obra demandou aproximadamente 55 mil toneladas de concreto, que dão sustentação a uma cobertura que pesa 3,8 mil toneladas.

Uma das obras emblemáticas mostradas no 58º Congresso Brasileiro do Concreto do Ibracon, o Teatro Digital teve uma das concretagens mais desafiadoras entre os cases apresentados. A cúpula em formato de concha foi construída com placas de cobre. Por cima desta estrutura esférica foi aplicada uma membrana em concreto de superfície corrugada. O objetivo era dar ao material uma textura semelhante ao das conchas. A solução foi lançar o concreto usando a técnica de jateamento sobre uma armadura de ferro que envolveu as placas de cobre. Em

Conseguir a textura para o concreto, que imitasse a de uma concha, foi o desafio para a concretagem do Teatro Digital
Conseguir a textura para o concreto, que imitasse a de uma concha, foi o desafio para a concretagem do Teatro Digital

seguida, foi aplicada uma camada protetora para impermeabilizar o concreto, sem prejuízo da textura desejada. O Teatro Digital faz parte do complexo conhecido como Praça Pamplona, que inclui ainda uma torre comercial, um edifício destinado a um centro de pesquisa e a restauração do prédio construído em 1950, e que foi a primeira sede do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Nos edifícios de alta performance, o que os caracteriza como obras emblemáticas é a precisão das estruturas mistas projetadas em BIM, que se encaixam milimetricamente no concreto. No caso das torres do complexo Pátio da Marítima, construído na região do Porto Maravilha, no Rio, foram usados materiais com três tipos diferentes de resistência nas estruturas dos pilares e do núcleo das torres (35, 50 e 80 MPa). Os dois edifícios consumiram 31 mil m³ de concreto. As torres exploraram ao máximo a industrialização na construção civil. Os mesmos conceitos serão usados na Brookfield Towers, em São Paulo, e que ainda estão em fase de projeto.

Entrevistados
Conteúdo com base nas palestras do seminário sobre obras emblemáticas no 58º Congresso Brasileiro do Concreto

Contato
www.ibracon.org.br

 

Créditos Fotos: Clarice Castro/GERJ e Divulgação/Marinha do Brasil/ PERI Brasil/ Kruchin Arquitetura/ JKMF

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Índia quer ser 1ª no ranking de pavimento em concreto

País adota programa para requalificar rodovias e prevê investimento inicial de US$ 3 bilhões, através de parcerias público-privadas

Por: Altair Santos

A Índia lançou em 2012 um programa de repavimentação de suas principais rodovias. O objetivo é que o asfalto seja integralmente substituído pelo concreto. Segundo Shri Nitin Gadkari, ministro de transporte e infraestrutura do país, o motivo é simples. “O asfalto não suporta mais de cinco anos sem manutenção. Já o concreto pode resistir até 100 anos”, diz. O primeiro projeto já está em obras e prevê a pavimentação de mil quilômetros, ligando as cidades sagradas de Yamunotri, Gangotri, Kedarnath e Badrinath. Quando pronta, a estrada vai se chamar Chaar Dhaam Yatra.

Trecho da rodovia Yamuna Expressway: Índia quer 15 mil quilômetros de pavimento em concreto nas rodovias
Trecho da rodovia Yamuna Expressway: Índia quer 15 mil quilômetros de pavimento em concreto nas rodovias

Dentro do programa indiano, duas rodovias já foram executadas com pavimento rígido: a Yamuna Expressway e a KMP Expressway (KMP, de Kundli Manesar Palwal), com 170 e 140 quilômetros de extensão, respectivamente. A meta do governo indiano é chegar a 15 mil quilômetros até 2022. Para isso, a National Highways Authority of India (Autoridade Nacional para Rodovias da Índia) lançou no final de setembro de 2016 uma série de concessões, a fim de atrair parcerias público-privadas. O plano é conseguir US$ 3 bilhões. Em troca, os investidores poderão explorar as estradas por 30 anos.

Alguns grupos já se interessaram pelos projetos. Entre eles, o fundo de pensão Canadian PSP, assim como o CLSA (Credit Lyonnais Securities Asia), além do Goldman Sachs e o Abu Dhabi Investment Authority (ADIA). O Goldman Sachs, por exemplo, já investiu US$ 220 milhões em rodovias indianas, assim como o Brookfield Asset Management do Canadá. A empresa privada Reliance Infrastructure de Anil Ambani - principal conglomerado da construção civil indiana - é outro que investe maciçamente no programa rodoviário do país. A exigência para todos os investidores é uma só: as estradas devem ser em concreto.

Para estimular rodovias em pavimento rígido, o governo indiano oferece subsídio para a compra de cimento, a fim de manter o preço do quilômetro construído tão competitivo quanto o asfalto. Além da durabilidade, o pavimento rígido tornou-se obsessão para as autoridades da Índia depois que um estudo mostrou que em uma década o país perdeu US$ 8 bilhões com o desperdício de cargas, seja por causa de acidentes ou devido ao atraso na entrega. Nos dois casos, as condições precárias das rodovias tiveram forte influência. A conclusão do governo indiano foi óbvia: as más condições das rodovias estavam custando mais caro que a implantação de um programa para recuperá-las.

Reconhecimento internacional
Para acelerar o investimento em estradas, a Índia destravou todos os empecilhos que poderiam atrasar as obras. Desde licenças ambientais até a autorização para a importação de equipamentos. O orçamento da National Highways Authority of India também foi valorizado e hoje representa 2% do PIB do país. O resultado é que as várias frentes de trabalho nas rodovias indianas têm conseguido construir 12 quilômetros de novas estradas por dia - a meta é chegar a 30 quilômetros por dia.

Tamanha disposição em revitalizar o sistema rodoviário fez com que a Índia fosse destaque na 11ª conferência internacional sobre pavimentos de concreto - reunião que acontece de quatro em quatro anos no Texas-EUA, e que é promovida pela ACPA (American Concrete Pavement Association). No encontro, autoridades do país apresentaram um projeto ousado: querem que a Índia se torne o primeiro em rodovias pavimentadas com concreto. Atualmente, os Estados Unidos são soberanos neste quesito.

Entrevistado
National Highways Authority of India (Autoridade Nacional para Rodovias da Índia) (via departamento de comunicação)

Contato
secy-road@nic.in

Crédito Foto: Divulgação/NHAI (National Highways Authority of India)

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Torres mais altas elevam em 6 vezes potencial eólico

Estudo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas revela que captar ventos a 100 metros de altura é o ideal

Por: Altair Santos

Revisão do potencial eólico do Brasil aponta que o país pode ter capacidade seis vezes maior de produzir energia a partir dos ventos que o estimado no levantamento de 2001, e registrado no Atlas do Potencial Eólico Brasileiro. O estudo, realizado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-Clima), aponta que com o uso de torres mais altas é possível obter o aumento de geração de energia, captando ventos a uma velocidade de 7m/s.

Peças pré-fabricadas para eólicas de grande porte: concreto suporta melhor torres com mais de 100 metros de altura
Peças pré-fabricadas para eólicas de grande porte: concreto suporta melhor torres com mais de 100 metros de altura

Segundo o coordenador da pesquisa, Ênio Bueno Pereira, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), quando o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro foi elaborado, estimava-se o uso de torres de 50 metros de altura. No entanto, a tecnologia para a fabricação de torres evoluiu e hoje é possível ter elementos de sustentação das pás rotatórias que chegam a mais de 150 metros. “Só elevando a altura, é viável ampliar o potencial de exploração de 143 gigawatt/ano para 880 gigawatt/ano”, diz.

A indústria brasileira de pré-fabricados de cimento já desenvolve torres com até 120 metros de altura. No Rio Grande do Norte, boa parte do parque eólico instalado no estado usa esses elementos. As peças são construídas com aço de protensão incorporado ao concreto. Com medidas menores, elas permitem uma logística mais adequada para o transporte rodoviário que os elementos em aço. Além disso, possibilitam a construção de torres com estruturas mistas - base e pedestal em concreto e demais componentes em aço.

No Brasil, o primeiro parque eólico foi construído em Osório-RS, cuja instalação começou em 1999. As 75 torres que compõem o empreendimento são em concreto e possuem 100 metros de altura. A produção de energia estimada é de 425 MW/ano. O Atlas do Potencial Eólico Brasileiro mostra que há atualmente no país 167 parques geradores de energia a partir do vento. O Rio Grande do Norte e a Bahia são os estados que mais produzem esse tipo de energia renovável.

Potencial para suprir a demanda nacional

Parque eólico de Osório: 75 torres com 100 metros de altura, feitas em concreto pré-fabricado
Parque eólico de Osório: 75 torres com 100 metros de altura, feitas em concreto pré-fabricado

Segundo o mais recente relatório sobre a capacidade instalada de geração eólica no Brasil, em julho de 2016 o país atingiu 9.265 MW, com crescimento de 44,1% em relação a julho de 2015. Com esse montante, a fonte eólica já representa 6,3% da capacidade total de geração de energia do país. Para os próximos anos, segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024), a capacidade instalada deve alcançar 24 mil MW até 2024, quando representará 11,6% da capacidade instalada total no país.

De acordo com o pesquisador Ênio Bueno Pereira, teoricamente fontes eólicas e solares já seriam capazes de suprir a demanda nacional. Contudo, ainda é necessário ultrapassar obstáculos financeiros e de conhecimento. “O problema do custo tem sido superado pela evolução tecnológica, tanto que esses dois tipos renováveis já são competitivos com a energia termelétrica. Já a barreira do conhecimento é aquela que ainda impede investidores de ter mais interesse na geração eólica e solar. Esse é nosso papel: investigar e disseminar os dados científicos sobre os verdadeiros potenciais dessas energias”, diz.

Entrevistado
- Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-Clima) (via assessoria de imprensa)
- Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) (via assessoria de imprensa)
- Associação Brasileira de Energia Eólica ( ABEEólica) (via assessoria de imprensa)

Contatos
imprensa@inpe.br
comunicacao@abeeolica.org.br

Crédito Foto: Divulgação e Heitor Carvalho Jorge/Agência Brasil

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Brasil fica na lanterna do BRICS em competitividade

Ranking mostra país atrás de China, Rússia, Índia e África do Sul, principalmente em infraestrutura e qualificação da mão de obra

Por: Altair Santos

Entre China, Rússia, Índia e África do Sul, o Brasil ocupa a lanterna dentro do grupo conhecido como BRICS, no que se refere à competitividade. É o que revela a mais recente edição do ranking elaborado desde 1997 pelo Fórum Econômico Mundial. No país, o levantamento dos dados é realizado em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), que aponta problemas na infraestrutura (portos, aeroportos, rodovias, ferrovias e hidrovias), junto com mão de obra pouco qualificada, como os principais entraves brasileiros.

Cúpula do BRICS, recentemente reunida na China: Brasil tem mais entraves que demais países do bloco
Cúpula do BRICS, recentemente reunida na China: Brasil tem mais entraves que demais países do bloco

Professor da FDC e coordenador da pesquisa no Brasil, Carlos Arruda faz a seguinte análise no relatório: "O Brasil tem marco regulatório atrasado, infraestrutura insuficiente e qualidade humana deficiente. Isso tudo gera perda de produtividade", diz. O país caiu para 81º lugar na lista, entre 138 nações. Trata-se da pior colocação desde que o ranking passou a ser divulgado. Desde os primeiros sinais da crise econômica, em 2012, o Brasil já despencou 33 posições. Naquele ano, obteve sua melhor colocação: 48º.

O ranking de competitividade se baseia em 12 pilares: 1. Desenvolvimento do mercado financeiro; 2. Sofisticação dos negócios; 3. Inovação; 4. Ambiente econômico; 5. Prontidão tecnológica; 6. Tamanho do mercado; 7. Educação superior e treinamento; 8. Eficiência do mercado de trabalho; 9. Saúde e educação primária; 10. Infraestrutura; 11. Instituições; 12. Eficiência do mercado de bens. Destes, o país caiu nos seis primeiros, manteve-se estável no 12º item e cresceu pouco nos demais, em relação ao ranking de 2015.

Recuperação leva 4 anos
No relatório feito ao Fórum Econômico Mundial, a Fundação Dom Cabral faz a seguinte observação: “Fatores da conjuntura presente, como a crise econômica e política que vem se deteriorando desde 2014, estão associados a fatores estruturais e sistêmicos, tais como: marcos regulatório e tributário inadequados, infraestrutura deficiente e baixa produtividade. São fatores que resultam em uma economia fragilizada e incapaz de promover avanços na competitividade interna e internacional, sem conseguir inserção no mercado mundial."

O levantamento de dados para o ranking de competitividade ocorreu antes do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Portanto, de acordo com o professor Carlos Arruda, as perspectivas para a edição 2017 tendem a melhorar para o Brasil. O especialista avalia que, se as medidas corretas forem tomadas, o país pode voltar ao patamar de 48º no ranking daqui a quatro anos, ou até melhorar. "Uma posição boa para o Brasil atualmente seria algo entre o 45º e o 55º lugar", avalia.

No topo do ranking de competitividade estão Suíça, Cingapura, Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Suécia, Reino Unido, Japão, Hong Kong e Finlândia. Entre as características comuns dos países líderes do ranking, o relatório destaca a capacidade de se inserir na chamada quarta revolução industrial, caracterizada pelo desenvolvimento de tecnologias de fronteira como computação cognitiva, robótica, internet das coisas, biotecnologia e impressão 3D. Na América Latina, o melhor posicionado é o Chile, que ocupa a 33ª posição.

Confira o ranking completo!

ranking

Entrevistado
Carlos Arruda, doutor em administração internacional pela University of Bradford Inglaterra, e professor na área de Inovação e Competitividade e Gerente do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral

Contatos
arruda@fdc.org.br
carruda@gmail.com
www.fdc.org.br/inovacao

Crédito Foto: Agência Brasil

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330