Programa Reforma Casa Brasil deve disponibilizar R$ 40 bilhões
No dia 3 de novembro, entrou em vigor o novo programa habitacional do Governo Federal, o Reforma Casa Brasil. Ele tem como objetivo facilitar o acesso a crédito com juros baixos para reformas, ampliações e adequações de moradias em todo o país.
Dentro do programa, serão disponibilizados R$ 40 bilhões para ações como
pequenas instalações ou trocas, serviços elétricos e hidráulicos, correção e prevenção de infiltrações, troca de pisos e azulejos, reboco e pintura, entre outros.
Como funciona o Programa Reforma Casa Brasil?
Segundo o Governo Federal, o programa contará com R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal destinados a linhas de crédito para famílias com renda mensal de até R$ 9.600,00. Já a Caixa Econômica Federal reservará R$ 10 bilhões do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para atender famílias com rendimentos acima desse valor. No total, o volume de crédito disponibilizado será de R$ 40 bilhões.
O programa foi estruturado em três faixas de renda familiar mensal:
- Até R$ 3.200,00 – juros de 1,17% ao mês, com prazo de financiamento de até 60 meses.
- De R$ 3.200,01 a R$ 9.600,00 – juros de 1,95% ao mês, também com prazo máximo de 60 meses.
- Acima de R$ 9.600,00– juros limitados a 1,95% ao mês, podendo ser menor dependendo da análise de crédito e prazo de até 180 meses.
O crédito é destinado a imóveis residenciais, mas também pode abranger propriedades de uso misto, que conciliem funções residenciais e comerciais. Os recursos poderão ser aplicados na compra de materiais, no pagamento de mão de obra e na contratação de serviços técnicos. O programa tem como foco famílias que vivem em moradias com problemas estruturais, como telhados danificados, pisos deteriorados, instalações elétricas ou hidráulicas precárias, além de situações que demandem melhorias de acessibilidade ou ampliação dos espaços.

Crédito: Envato
O crédito será liberado em duas etapas: após a análise de crédito e envio de fotos comprobatórias do “antes”, feita pelo aplicativo da Caixa, a família aprovada receberá 90% do valor solicitado diretamente na conta bancária. Os 10% restantes serão pagos após a conclusão da obra, mediante o envio de fotos que comprovem a finalização dos serviços. A adesão ao programa será totalmente digital e simplificada, podendo ser feita pelo site ou aplicativo da Caixa Econômica Federal. Embora não seja necessário comparecer a uma agência, o interessado também poderá solicitar o crédito presencialmente. Durante o processo, o beneficiário passará por análise de crédito e deverá informar detalhes da reforma ou melhoria pretendida.
Impactos do Programa Reforma Casa Brasil
A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) divulgou o estudo “Perfil da Cadeia Produtiva da Construção – 2025”, realizado pela Consultoria Ecconit, que mostra a forte contribuição do setor para o PIB: em 2024, a cadeia da construção cresceu 4,4%, acima da média nacional, impulsionada pelo mercado de materiais, que movimentou R$ 318,6 bilhões. O setor também gerou 809 mil novos empregos. Em 2025, após um início de ano positivo, houve desaceleração por causa do endividamento das famílias e do alto custo do crédito, levando a projeções modestas para 2025, com crescimento estimado de apenas 0,5%.
Para 2026, porém, as perspectivas melhoram com o Programa Reforma Casa Brasil. "O programa representa uma mudança importante no cenário que vínhamos observando. Dos R$ 40 bilhões disponibilizados, estimamos que R$ 35,2 bilhões se transformem em demanda para fornecedores em geral, e deste total, R$ 12,3 bilhões devem chegar especificamente à indústria de materiais de construção", explica a economista Ana Maria Castelo, responsável pelo estudo.
O impacto inicial deve ocorrer nos distribuidores, que reforçarão estoques. A consultoria projeta crescimento entre 0,9% e 2,9% para o setor em 2026, dependendo da execução do programa.
Apesar do otimismo, a ABRAMAT aponta desafios que podem limitar os resultados: a falta de mão de obra qualificada — com custos quase 10% acima da inflação — e a necessidade de garantir a conformidade dos materiais financiados.
“É crucial que a indústria e o varejo se mobilizem para ajudar a suprir essa demanda por mão de obra e se mantenham vigilantes em relação à conformidade dos produtos adquiridos com o crédito governamental. O sucesso do programa depende disso", conclui Paulo Engler, presidente executivo da ABRAMAT.
Fontes
Paulo Engler é presidente executivo da ABRAMAT.
Ana Maria Castelo é coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre.
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Concretos que “sentem”: pesquisa desenvolve tecnologia para construções mais seguras e resilientes
Em um cenário em que o país convive com envelhecimento de edificações, manutenção insuficiente e eventos extremos, como incêndios e desastres naturais, garantir a segurança estrutural de construções é um desafio crescente. Foi diante desse contexto que o engenheiro civil Gustavo Henrique Nalon, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), desenvolveu uma pesquisa inovadora que propõe materiais cimentícios inteligentes aplicáveis à alvenaria estrutural de concreto, conhecidos como componentes de alvenaria autossensores.
“Esses materiais têm a habilidade intrínseca de perceber e quantificar tensões, deformações e vibrações estruturais por meio de alterações em suas propriedades elétricas, podendo atuar em conjunto ou em substituição a sensores convencionais”, explica Nalon. Isso significa que as construções passam a “sentir” quando algo está errado, abrindo caminho para edificações mais seguras e sustentáveis.

Crédito: Arquivo Pessoal
A pesquisa, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFV (PPGEC), contou com a orientação do professor José Carlos Ribeiro e coorientação de pesquisadores das áreas de estruturas, materiais de construção e física aplicada da UFV e da UFMG. Essa abordagem interdisciplinar uniu engenharia estrutural, nanotecnologia e ciência dos materiais para desenvolver uma solução pioneira de monitoramento estrutural.
Blocos e argamassas que se “autodiagnosticam”
A tese de Nalon concentrou-se na invenção de blocos vazados de concreto e juntas de alvenaria nanomodificados, capazes de automonitorar tensões, deformações e danos antes e após situações críticas, como exposição a elevadas temperaturas e processos de reidratação pós-incêndio.
Segundo o pesquisador, o princípio é simples, mas poderoso. “As adições de nanopartículas condutivas, como o carbon black, permitem que o concreto responda eletricamente a deformações mecânicas. Assim, a estrutura não apenas suporta o carregamento, mas também funciona como um sensor para diagnóstico do desempenho mecânico em tempo real”, assinala.
O comportamento piezoresistivo, caracterizado por variações de resistência elétrica resultantes de deformações, viabiliza um sistema de monitoramento contínuo, durável e de baixo custo, substituindo sensores externos caros e suscetíveis a falhas no longo prazo.
Superando limitações e ampliando possibilidades
Os sistemas tradicionais de Structural Health Monitoring (SHM), que utilizam extensômetros, acelerômetros ou sensores de fibra óptica, podem apresentar diferentes limitações, como alto custo, dificuldade de instalação e baixa durabilidade. Já os componentes autossensores integram material e monitoramento, permitindo o acompanhamento do desempenho estrutural ao longo da vida útil da construção. “As vantagens vão desde a detecção precoce de falhas até a adoção de estratégias de manutenção preventiva, prolongando a durabilidade das edificações e reduzindo custos de reparo”, destaca Nalon.

Crédito: Arquivo Pessoal
Além disso, os blocos e argamassas autossensores são compatíveis com o próprio concreto das estruturas, o que facilita sua aplicação em projetos novos e em estruturas já existentes. Outro diferencial é o uso de adições condutivas de baixo custo, como o negro de fumo condutivo, que possibilita a produção em escala. “Isso torna a tecnologia economicamente viável, sem abrir mão do desempenho e da precisão”, acrescenta o engenheiro.
Impactos sociais, econômicos e ambientais
A pesquisa, vencedora do Prêmio CAPES de Tese na área de Engenharia I, também se destaca pelos impactos que pode gerar em diferentes dimensões. No campo social, os novos componentes de alvenaria poderão aumentar a segurança de edificações, pontes e reservatórios, reduzindo riscos de acidentes. Economicamente, a tecnologia reduz gastos com manutenção e substituição de elementos degradados, além de prolongar a vida útil das construções.
Já sob o aspecto ambiental, o uso desses materiais pode evitar demolições desnecessárias e o consumo excessivo de novos recursos naturais, uma vez que permite reabilitar estruturas comprometidas. “Ao favorecer a recuperação de construções afetadas por incêndios, contribuímos para uma construção civil mais sustentável e menos intensiva em carbono”, afirma o pesquisador.
Para Nalon, o avanço representa um passo para a inovação tecnológica e mudanças de paradigma na construção civil. “Estamos caminhando para uma engenharia capaz de unir inteligência, resiliência e sustentabilidade. As construções do futuro serão, ao mesmo tempo, estruturas e sensores, reproduzindo princípios biomiméticos que definem o modo como a natureza sente e reage ao seu entorno”, conclui.
Entrevistado
Gustavo Henrique Nalon é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Viçosa, graduação-sanduíche em Engenharia Civil na University of Evansville (EUA), mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Viçosa e doutor em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Viçosa. Atualmente é professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PEC) da UFJF. Recebeu o Prêmio CAPES de Tese 2025 da área de Engenharias I pelo trabalho “Self-sensing concrete blocks and mortar joints for health monitoring of structural masonry before and after exposure to high temperatures”.
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gustavo.nalon@ufjf.br
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Tendência: student housing ganha força no Brasil e inaugura nova era de moradias universitárias
O déficit de moradias voltadas ao público universitário tornou-se um dos motores mais relevantes do mercado imobiliário brasileiro. O país ultrapassou 5 milhões de estudantes presenciais, sendo 1,5 milhão migrantes, segundo dados apresentados pela Brain. Ainda assim, a oferta de unidades estruturadas para esse público é mínima: apenas 4.100 camas formais em todo o território nacional. O contraste com mercados mais maduros é evidente. No Reino Unido, são quase 590 mil leitos estudantis; na França e Alemanha, 242 mil e 234 mil, respectivamente.
O movimento coincide com uma mudança importante no perfil do ensino superior. Após anos de avanço acelerado, o Ensino a Distância (EAD) desacelerou: entre 2023 e 2024, o crescimento foi de 5,6%, bem abaixo dos 13,4% registrados no período anterior. As restrições do MEC para áreas como saúde, psicologia e licenciaturas ampliam a permanência física nos campi e, com isso, a urgência por habitação. Globalmente, o setor acompanha trajetória semelhante. O mercado de student housing movimentou US$ 12,7 bilhões em 2024 e deve chegar a US$ 19,6 bilhões até 2033.

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O que é student housing: modelo exclusivo para a vida universitária
Com a necessidade de maior presença física nos campi, a demanda por moradias especializadas tende a aumentar. Para Marcos Kahtalian, vice-presidente de Banco de Dados do Sinduscon-PR, esse cenário reforça a urgência por soluções dedicadas. “O student housing é um tipo de empreendimento no qual todas as unidades são voltadas exclusivamente à moradia estudantil. Ele não pode ter outra destinação”, afirma.
A explicação ajuda a diferenciar esse modelo do mercado tradicional. Kahtalian destaca que, ao contrário de prédios de estúdios e quitinetes, o student housing tem uma lógica própria. “Diferentemente de um prédio de quitinetes, que pode ter todo tipo de morador ou até mesmo hospedagem temporária, o student housing é 100% voltado ao estudante”.
Além disso, a localização é essencial. “Esses empreendimentos normalmente estão muito próximos das universidades. A ideia de o estudante ir a pé para a faculdade é central”, afirma. O modelo também opera com gestão profissionalizada, exigindo operação contínua e especializada. “Não basta construir. É preciso operar o empreendimento e prestar serviços aos alunos que ali vivem”, observa Kahtalian.
Um modelo pensado para a rotina acadêmica
O student housing ultrapassa o conceito de moradia compacta. Trata-se de um projeto concebido desde o início para promover integração, segurança e suporte acadêmico. A operação profissional centraliza contratos, padroniza pagamentos e otimiza ocupação, muitas vezes por meio de aluguel por leito, o que reduz custos para as famílias. Salas de estudo, coworking, cozinhas comunitárias e áreas esportivas compõem a infraestrutura que diferencia o modelo. “Esses empreendimentos atendem às necessidades reais do estudante, garantindo segurança, localização estratégica e ambiente acolhedor”, explica Gabriel Falavina Dias, diretor-executivo da incorporadora ALTMA.

Crédito: Divulgação
Estúdios x student housing: diferenças fundamentais
Enquanto os estúdios tradicionais podem receber moradores de perfis diversos, como jovens profissionais, casais e turistas, o student housing é exclusivo para universitários. Isso se reflete em três pilares:
* Destinação exclusivamente estudantil: a ocupação é restrita a estudantes.
* Operação unificada e especializada: contratos digitais, gestão centralizada e serviços contínuos.
* Infraestrutura acadêmica e de convivência: ambientes de estudo, apoio ao desempenho acadêmico e estímulo à vida comunitária.
No país, o modelo começa a ganhar corpo. Pioneira na incorporação de student housing, a ALTMA lançou o B41 e, mais recentemente, apresentou o Hive, ambos ao lado de uma das maiores universidades de Curitiba, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). O B41 teve 100% das unidades vendidas poucas horas após o lançamento, sinalizando demanda reprimida em centros universitários.
O Hive soma 131 unidades mobiliadas e equipadas, com áreas de estudo, cozinha compartilhada, minimercado, esportes e comércio no térreo. A previsão de conclusão é 2028. “O mercado possui enorme potencial devido à informalidade e ao déficit de oferta”, afirma Falavina. Para ele, o país vive um momento decisivo. “Esse mercado deve crescer rapidamente, derrubando barreiras para que jovens estudem em outras cidades com mais tranquilidade”.
Com a mudança no comportamento universitário e a busca por experiências presenciais mais completas, o student housing não apenas se consolida como tendência, mas inaugura um capítulo na moradia urbana, mais conectado à mobilidade, à segurança e à vida comunitária. Uma transformação que começa nos campi, mas deve ultrapassar as fronteiras da universidade.
Entrevistados
Gabriel Falavina Dias é engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), sócio-fundador e diretor-executivo da incorporadora ALTMA.
Marcos Kahtalian é vice-presidente de Banco de Dados do Sinduscon-PR.
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Nova ligação da BR-101 à Praia Brava promete mudar mobilidade
Uma das obras de mobilidade urbana mais aguardadas no litoral norte de Santa Catarina deu seu primeiro passo. O Instituto Mais Itajaí — Organização da Sociedade Civil (OSC) que reúne mais de 35 empresas — firmou em outubro a ordem de serviço para iniciar o projeto do novo acesso da BR-101 à Praia Brava, em Itajaí (SC).
A intervenção é vista como essencial para aliviar o tráfego na região, hoje marcado por congestionamentos constantes na avenida Osvaldo Reis, principal conexão entre Itajaí e Balneário Camboriú.
A futura via terá cerca de cinco quilômetros de extensão. O traçado deverá partir da região da Arena do Barra, na Canhanduba, seguindo até a avenida Osvaldo Reis, próximo à rua Carlos Drummond de Andrade, já na Praia Brava.
“Essa é uma obra que vai transformar a mobilidade de Itajaí. A Praia Brava é uma região com forte vocação turística e imobiliária, mas hoje depende de vias congestionadas. O novo acesso vai reduzir o tempo de deslocamento, trazer mais segurança e preparar a cidade para crescer de forma planejada e sustentável”, destacou Fábio Inthurn, presidente do Instituto Mais Itajaí.
O prefeito Robison Coelho ressaltou a relevância do projeto: “Trata-se de um dos projetos mais ousados e estratégicos da cidade e de toda a região, que vai contribuir de forma decisiva para o crescimento ordenado e o bem-estar da população”.
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Parceria público-privada
A iniciativa adota um modelo inovador de parceria público-privada: o Instituto Mais Itajaí, representando o setor empresarial, financia e coordena a elaboração do projeto executivo completo – quem ficará responsável por essa etapa é a empresa catarinense PROSUL, que já foi contratada. Esse trabalho é realizado em colaboração direta com a equipe técnica da prefeitura, garantindo alinhamento e viabilidade. Ao final, o projeto será doado ao Município para que a obra seja licitada e executada.
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O Governo do Estado de Santa Catarina já sinalizou apoio à futura execução da ligação e reconhece a importância estratégica da obra para a infraestrutura de transporte e turismo do litoral catarinense.
Primeira fase
A etapa inicial — que envolve o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) e uma série de estudos adicionais, como análises geotécnicas, hidrológicas e de custos — tem previsão de ser finalizada em até seis meses. O EVTEA deverá custar R$ 2,5 milhões.
Para viabilizar a obra, a prefeitura estima investir mais de R$ 100 milhões, valor já contemplado no plano de governo destinado à melhoria da infraestrutura, utilizando recursos da outorga onerosa.
Projeto
De acordo com o Instituto Mais Itajaí, o projeto completo prevê a construção de uma nova via arterial composta por:
• Três faixas de circulação em cada sentido;
• Ciclovia e calçadas acessíveis;
• Iluminação pública em LED, além de mobiliário urbano contemporâneo.
Para assegurar maior fluidez e segurança, a proposta também contempla paisagismo e rotatórias com travessias adequadas para pedestres e ciclistas.
O traçado final será definido a partir de estudos técnicos de alta precisão. Para isso, o Instituto contratou uma empresa espanhola especializada, que realizará análises de fluxo viário com base em dados de telefonia móvel, permitindo simular com fidelidade os impactos da nova conexão. O Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA) ficará a cargo da Acquaplan, garantindo que o empreendimento avance de forma sustentável.
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Concluído o projeto executivo, sua entrega ao Município será seguida da fase de licitação e execução da obra pela prefeitura de Itajaí.
Fonte
Fábio Inthurn é presidente do Instituto Mais Itajaí.
Contato
Instituto Mais Itajaí - redacao5@rotascomunicacao.com.br
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Aditivos cristalizantes aumentam a durabilidade de estruturas submersas
A Barragem de Jucazinho, no Agreste de Pernambuco, passou por obras de recuperação após a identificação de fissuras em sua estrutura de concreto. Para reforçar a durabilidade e estanqueidade,foram aplicados produtos cristalizantes.
Inaugurada em 1998, é o maior reservatório do Estado, responsável pelo abastecimento de cerca de 800 mil pessoas em 15 municípios. Em 2016, enfrentou a pior seca em seis décadas, que a deixou praticamente seca. Esse processo fez com que ela entrasse em colapso. No momento de cheia, essa estrutura poderia se romper, representando risco para a cidade vizinha de Surubim. "As fissuras foram encontradas na estrutura da barragem durante as inspeções. A barragem realmente precisa de um extenso reparo e renovação", disse, na época, Roberto Tavares, presidente da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).
O Departamento Nacional de Armazenamento de Água (DNOCS) fez um estudo e aplicou alguns produtos para selar as fissuras e reduzir a permeabilidade da superfície. Para selar 6 mil metros de juntas de concreto, foi usada resina de poliuretano flexível. Uma argamassa cimentícia modificada por polímero foi aplicada em mais de 20 mil m² das paredes da barragem, com uma espessura de 2 cm. Um aditivo redutor de permeabilidade por cristalização integral foi adicionado ao concreto projetado para melhorar o desempenho e minimizar a permeabilidade das galerias de drenagem.

Crédito: Departamento Nacional de Armazenamento de Água (DNOCS)
Uso de cristalizantes em estruturas submersas
O uso de cristalizantes vêm sendo empregado em diversas obras que contam com estruturas de concreto submersas.
Em entrevista ao Massa Cinzenta, Jair Schwanck Esteves, coordenador de Desenvolvimento Técnico da Concrebras, destacou que a utilização do cristalizante é fundamental para uma estrutura como a laje de subpressão, pois, em conjunto com os ligantes previamente dimensionados, resiste a altas pressões hidrostáticas, possui capacidade de autocicatrização de fissuras até 0,4 mm, resiste a ataques químicos, reduz a penetração de cloretos e protege contra sulfatos.
O mesmo pode ser visto em piscinas de ondas de concreto. O empreendimento BSC Aretê Búzios, que terá uma piscina de ondas, também empregou aditivos cristalizantes. Carlos Britez, um dos responsáveis pela construção do empreendimento e sócio-diretor na Britez Consultoria, destacou o uso de cristalizante, compensador de retração, sílica e estabilizador, para reduzir ao máximo as chances de não conformidades.
A obra do túnel Santos-Guarujá também deverá usar cristalizantes nos pré-moldados do túnel imerso. De acordo com a Penetron Brasil, trata-se de um aditivo para impermeabilização por cristalização integral autocicatrizante, adicionado diretamente ao concreto durante a produção nas docas secas. “O sistema funciona a partir de compostos químicos ativos que reagem com a umidade do concreto fresco e com os produtos da hidratação do cimento, formando uma estrutura cristalina insolúvel nos poros e capilares. Essa cristalização torna o concreto permanentemente selado contra a penetração de água e outros líquidos, mantendo-se ativa durante toda a vida útil da estrutura”, informa a empresa.
Fontes
Departamento Nacional de Armazenamento de Água (DNOCS).
Jair Schwanck Esteves é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC), pós-graduado em Auditoria, Avaliações e Perícias em Engenharia (IPOG) e coordenador de Desenvolvimento Técnico da Concrebras.
Carlos Britez é sócio-diretor na Britez Consultoria.
Contatos
comunicacao@dnocs.gov.br
jair.esteves@concrebras.com.br
carlos.britez@concretophd.com.br
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Déficit habitacional demonstra que Programa Minha Casa, Minha Vida enfrenta o desafio de atender quem mais precisa de moradia
O Brasil ainda enfrenta um déficit de cerca de 6 milhões de moradias, sendo que quase 90% estão concentradas nas faixas 1 e 2 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), justamente aquelas voltadas às famílias de menor renda. No Paraná, o cenário não é diferente: cerca de 491 mil famílias ainda vivem sem moradia adequada, segundo a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). “É um número alarmante que exige uma resposta coordenada entre o poder público e a indústria da construção”, afirma Mariana Basso Boaretto, vice-presidente de Habitação de Interesse Social do Sinduscon Paraná. Em Curitiba, o déficit ultrapassa 90 mil moradias, o que, segundo ela, demanda soluções de adensamento e planejamento urbano focado em habitação de interesse social.
O MCMV continua sendo o principal impulsionador de redução do déficit habitacional no país. “O programa atua como a principal alavanca de demanda e oferta para a moradia popular, ao combinar recursos públicos, subsídios e condições de crédito diferenciadas”, explica Anderson Lopes Morais, diretor comercial da BRZ Empreendimentos.
Ele destaca que a ampliação dos limites de renda e a redução das taxas de financiamento reativaram famílias que estavam com a demanda reprimida, gerando escala para as construtoras. “As empresas precisam redesenhar seus portfólios de produtos para aproveitar as novas regras da política de crédito. Isso inclui localização, padrão construtivo, faixa de preço e velocidade de execução”, acrescenta.
A nova Faixa 4, voltada para famílias com renda de até R$ 12 mil e imóveis de até R$ 500 mil, abriu espaço para a classe média, com juros mais baixos, em torno de 10% ao ano. Apesar de positiva, essa ampliação cobre apenas 3,5% do déficit habitacional nacional, o que indica que os principais desafios continuam entre as faixas mais baixas.
Inovação e eficiência como caminhos de avanço
A industrialização da construção é apontada como uma das principais soluções para melhorar os resultados do programa. “Sistemas como paredes de concreto reduzem tempo de obra, necessidade de mão de obra e garantem maior controle de qualidade”, afirma Mariana.

Crédito: Envato
Essas tecnologias reduzem retrabalho e permitem incorporar conceitos de sustentabilidade, como eficiência energética e hídrica, alinhados com as diretrizes do MCMV. Na visão de Anderson Morais, a padronização e a eficiência construtiva são fundamentais para entregar mais unidades com o mesmo investimento. “Quando otimizamos o projeto e organizamos bem a obra, ganhamos em tempo e custo, o que significa mais apartamentos entregues e mais famílias atendidas”, afirma.
Ele ressalta ainda que o equilíbrio entre ritmo de vendas e execução das obras é determinante para a saúde financeira dos projetos. “Manter o ritmo das vendas alinhado com o avanço das obras garante estabilidade para o cliente e previsibilidade para o empreendimento”, explica.
O desafio da localização e do acesso
A escolha dos terrenos é outro fator crítico para o sucesso do programa. “Quando o projeto nasce em um lugar bem localizado, com acesso a transporte, escola e serviços, a vida do morador melhora e o entorno se desenvolve urbanística e economicamente”, observa Morais.
No entanto, nas grandes cidades, o custo do terreno é um dos principais entraves. “Em Curitiba, o valor elevado do solo tem dificultado o avanço do MCMV, mesmo com os subsídios”, alerta Mariana. Ela defende que a administração municipal deve revisar parâmetros urbanísticos para permitir empreendimentos de habitação de interesse social em áreas urbanas bem localizadas. “Isso reduz tempo e gasto com deslocamentos e permite o uso de infraestrutura já existente, o que também diminui a necessidade de novos investimentos públicos”, acrescenta.
A importância da parceria público-privada
A experiência do Sinduscon Paraná com programas estaduais e municipais mostra que a articulação entre poder público e setor privado é decisiva. O Programa Casa Fácil Paraná, por exemplo, ampliou os subsídios para famílias que não conseguiam arcar com o valor de entrada. “Foi um triplo sucesso: social, econômico e de representatividade para o setor”, afirma.
Para o futuro, o desafio é garantir previsibilidade e sustentabilidade financeira. “Quando o financiamento, a eficiência e as políticas públicas caminham juntos, conseguimos ampliar o acesso à moradia digna de forma sustentável”, conclui Morais.
Entrevistados
Mariana Basso Boaretto é vice-presidente de Habitação de Interesse Social do Sinduscon PR.
Anderson Lopes Morais é graduado em Direito pela Faculdade Unifenas, pós-graduado em Direito Ambiental pela PUC Minas, e especialista em Incorporação Imobiliária e Convenção de Condomínio. Atualmente é diretor comercial da BRZ Empreendimentos.
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fabiane.ribas@sindusconpr.com.br (Assessoria de Imprensa)
brz@nbpress.com.br (Assessoria de Imprensa)
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Caixa começa a oferecer crédito habitacional com novas regras
Desde o dia 13 de outubro, entraram em vigor as novas diretrizes da Caixa Econômica Federal, que ampliam as condições de acesso ao financiamento habitacional.
A CAIXA anunciou sua participação em um amplo pacote de medidas voltado a estimular o crédito imobiliário no país. As mudanças resultam da revisão das regras de direcionamento da poupança, que deve gerar um aumento estimado de R$ 40 bilhões nos recursos destinados ao financiamento habitacional pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) nos próximos dois anos.
As novas medidas devem ampliar significativamente a oferta de crédito, com expectativa de gerar um acréscimo de R$ 3 bilhões em 2025 apenas em razão do aumento das cotas de financiamento.
Elevação do teto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH)
Dentre as principais mudanças está o aumento do limite do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que passa de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões — medida regulamentada hoje pelo Conselho Monetário Nacional e que foi implementada em 13 de outubro. Além disso, o percentual máximo de financiamento foi ampliado para 80% na modalidade SAC e 70% na PRICE.

Crédito: Envato
Para Guilherme Werner, sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica, o teto dos imóveis financiados pelo SBPE, dentro do SFH, já estava defasado há algum tempo. “Foi um ajuste que já deveria ter ocorrido e que naturalmente fomenta o setor. Qualquer ajuste é bem-vindo no que se refere ao limite de teto. Isso é basicamente uma recomposição do processo inflacionário que a construção civil enfrentou nos últimos anos e da própria valorização dos ativos imobiliários no Brasil nesse período. Trata-se de uma recomposição já esperada, que não altera de forma exagerada esse teto — ele muda em um patamar razoável e vai colocar muitos imóveis no radar, lembrando que isso também fomenta o mercado de usados. E isso deve, naturalmente, ampliar a base de demanda de quem é elegível a uma compra dentro do SFH”, declara.
Werner acredita que essa é uma boa notícia, uma vez que amplia o universo potencial de pessoas que conseguem financiar dentro do SFH e do SBPE. “O setor vê com bons olhos esse aumento. Naturalmente, não dá para acreditar que, apenas por esse ajuste, ele será um catalisador do processo de lançamentos imobiliários no Brasil. Mas isso vai ajudar a favorecer a liquidez de produtos enquadrados no que se chama de padrão alto, ampliando, portanto, a base de quem pode comprar, já que esses imóveis agora podem estar dentro do SFH. Lembrando que isso vale tanto para novos quanto para usados”, afirma o sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica.
Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), explica que o novo SFH prevê, em seu modelo, a utilização de 100% dos depósitos em poupança para financiamento imobiliário. “É uma diferença em relação ao que ocorre hoje, quando apenas 65% desses depósitos são utilizados no financiamento habitacional. Isso ocorrerá ao longo de 10 anos, sendo que os primeiros 5% de aumento, passando de 65% para 70%, ocorrerão já em 2026, como uma forma de teste do novo modelo. Dando tudo certo, em 2027 passará a haver um acréscimo de 1,5% ao ano nos depósitos até atingir o total de 100% em 10 anos. Isso traz mais recursos para o mercado imobiliário e vai atender, em especial, à faixa de apartamentos que se enquadram até R$ 2.250.000,00. Sob essa ótica, é muito positivo para o setor”, pontua.
De acordo com Correia, a medida ajudará a destravar parte do estoque existente e, certamente, impulsionará lançamentos de empresas que estavam receosas em lançar por falta de crédito para o cliente final.
Entrevistados
Guilherme Werner é sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica.
Renato Correia é presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
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murilo.sacardi@viracomunicacao.com.br
Assessoria de imprensa CBIC: imprensa@cbic.org.br
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Paraná atrai investidores e compradores e se consolida como um dos mercados imobiliários mais promissores do país
Comprar um imóvel é uma das decisões mais importantes da vida e o Paraná vem se firmando como um dos destinos mais seguros e rentáveis para quem busca qualidade de vida e valorização patrimonial. Curitiba aparece em primeiro lugar no ranking nacional de atratividade para empreendimentos de padrão econômico, com nota 0,890 em uma escala de 0 a 1, superando todas as demais capitais brasileiras. Os dados são da pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), demonstrando que o estado vive um ciclo de expansão consistente.
“A capital liderou a atratividade nacional e isso não acontece por acaso. É resultado de qualidade urbana, segurança, mobilidade e uma cultura de planejamento que dá previsibilidade. No fim, o estado entrega consistência, e isso atrai capital de longo prazo”, afirma Maria Eugenia Fornea, diretora de Expansão da Ademi-PR e CEO da Weefor.
Ela destaca que o desempenho reflete um conjunto de fatores sólidos. “O Paraná reúne algo que o investidor valoriza muito: estabilidade e coerência. Temos cidades bem geridas, infraestrutura que funciona, diversidade econômica e um ambiente de negócios que reduz risco”, completa.
Curitiba mantém um ritmo de crescimento equilibrado, com redução de estoque e aumento expressivo de preços. O número de unidades disponíveis caiu 12% em um ano, passando de 10,9 mil para 9,5 mil, enquanto o valor médio do metro quadrado privativo subiu 15,4% no mesmo período. “A cidade segue aquecida porque tem fundamentos sólidos. Mas é um mercado que exige curadoria e coerência. Hoje, performa bem quem acerta o produto: localização, programa e diferenciais arquitetônicos. Curitiba continuará forte, mas será um mercado que premia inteligência e leitura de micromercados”, analisa Maria Eugenia.
Interior do Estado vive época de maturidade urbana
O interior do estado também mostra força. Maringá e Londrina aparecem, respectivamente, em 11º e 21º lugares no ranking nacional de atratividade. “O eixo Maringá–Londrina é um caso claro de maturidade urbana. São cidades com universidades fortes, setor de serviços robusto e gestão pública eficiente. Isso gera demanda qualificada e mercados com boa liquidez, onde produtos bem posicionados têm performance consistente”, destaca a executiva.
Para Nikolas Batista, diretor de Incorporação da Hype Empreendimentos, a capital paranaense vive um momento de forte vitalidade e consolidação. “O volume de lançamentos verticais permanece elevado, com destaque para o crescimento dos empreendimentos compactos e de médio padrão, que já representam mais de 70% dos novos produtos lançados na cidade”, afirma.

Crédito: Envato
Segundo ele, o valor médio do metro quadrado privativo atingiu R$ 14.500, após uma alta acumulada de cerca de 15% em dois anos, o que reforça o dinamismo do mercado. “Esse aquecimento está diretamente ligado às mudanças no estilo de vida urbano e ao aumento da demanda por imóveis bem localizados, funcionais e integrados à cidade. Jovens profissionais, investidores e famílias menores têm buscado localizações estratégicas com infraestrutura consolidada, mobilidade eficiente e soluções sustentáveis”, explica.
Batista destaca ainda que Curitiba vive um novo ciclo de reocupação do centro, impulsionado pela infraestrutura, vida universitária e novos empreendimentos residenciais. “Essa renovação urbana tem atraído tanto investidores quanto novos moradores e impulsionado a valorização imobiliária. O índice FipeZap mostra alta de 20% no último ano apenas na região central”, observa.
Além disso, a cidade se fortaleceu como destino de turismo e cultura, o que reflete positivamente no mercado imobiliário. “Curitiba voltou a pulsar cultural e economicamente. Pela primeira vez, o turismo de lazer superou o de negócios. Grandes eventos e shows internacionais, como Guns N’ Roses, Linkin Park e Bruno Mars, reforçam o papel da capital como centro de entretenimento e experiências urbanas”, comenta.
Perspectivas para 2026
O cenário para 2026 é de continuidade do crescimento, mas com amadurecimento do mercado. “Curitiba deve seguir liderando o ranking nacional de atratividade, enquanto o interior ganha ainda mais protagonismo”, projeta Batista. O Paraná vive um momento de expansão e consolidação. É um estado que entrega segurança, valorização e qualidade de vida, um dos ambientes mais atrativos do Brasil para morar ou investir.
Segundo Maria Eugenia, 2026 será um ano desafiador, com juros altos e crédito pressionado, que exigem disciplina e eficiência. “Será um ano de oportunidades para quem sabe ler o tempo. Vamos ver um mercado mais seletivo na escolha dos terrenos, produtos muito mais aderentes aos micromercados e um consumidor exigente”.
Segundo ela, o Paraná, e Curitiba em especial, entram nesse ciclo com vantagem competitiva: demanda consistente e qualidade urbana reconhecida. “Se o setor trabalhar com foco no cliente e inteligência coletiva, algo que a Ademi tem papel central em organizar, teremos um ano firme, mesmo em cenário adverso”, conclui.
Entrevistados
Maria Eugenia Fornea é diretora de Expansão da Ademi-PR e CEO da Weefor.
Nikolas Batista é graduado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atualmente é diretor de Incorporação na Hype Empreendimentos.
Contatos
mef@weefor.com.br
nikolas.batista@sejahype.com.br
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Congresso do IBRACON destaca os desafios das edificações altas
Com o avanço da verticalização das cidades brasileiras, projetar e executar estruturas cada vez mais altas tornou-se um dos grandes desafios da engenharia contemporânea. No 66º Congresso Brasileiro do Concreto, promovido pelo IBRACON, o Seminário de Edifícios Altos e Estruturas Protendidas reuniu especialistas para discutir soluções que unem inovação, segurança e durabilidade. Protensão, estruturas pré-fabricadas, incêndios e desempenho de materiais estiveram entre os assuntos mais debatidos, revelando o quanto a engenharia nacional está evoluindo para atender a essas novas demandas.
Protensão como solução estrutural
A protensão foi apresentada pela engenheira Micheli Mohr, da EVEHX Global Co., como uma das soluções estruturais mais importantes da atualidade. Em sua palestra, ela lembrou que a técnica, antes restrita a pontes e obras de infraestrutura, hoje é amplamente aplicada em arranha-céus e edifícios comerciais. “A protensão nasceu da necessidade de criar estruturas mais robustas e econômicas, e hoje é sinônimo de eficiência e sustentabilidade”, afirmou. Segundo Mohr, os avanços em aços de alta resistência, softwares e métodos construtivos impulsionaram a aplicação da protensão aderente e, mais recentemente, da não aderente, predominante no Brasil. Ela destacou ainda que o sistema reduz deformações, melhora o desempenho sísmico e eólico e aumenta a durabilidade das estruturas. “Nos edifícios superaltos, a protensão virou o arroz com feijão da engenharia moderna”, comentou.

Crédito: Envato
Lajes protendidas em situação de incêndio
Já o engenheiro Marcos Terra, diretor técnico na Atex Brasil, abordou um tema ainda pouco explorado: as lajes protendidas em situação de incêndio. Ele lembrou que, apesar da recente revisão da NBR 15200:2024, ainda há poucos ensaios e dados experimentais que permitam compreender melhor o comportamento dessas lajes sob altas temperaturas. “Faltam estudos específicos sobre o desempenho das lajes protendidas em incêndios. Precisamos de mais cooperação entre projetistas, universidades e associações técnicas para avançar nesse tema”, ressaltou. Terra explicou que a resistência ao fogo está diretamente ligada à profundidade do aço inferior (C1) e à espessura da laje, fatores que garantem integridade estrutural e compartimentação entre pavimentos. Ele também comentou sobre a possibilidade de incluir revestimentos aderidos, como contrapiso e gesso, no cálculo da resistência ao fogo — uma das novidades da norma.
Colapso progressivo em estruturas pré-fabricadas
A questão da segurança estrutural também foi destaque na palestra do engenheiro Carlos Melo, sócio-diretor na CMA Engenharia, que tratou do colapso progressivo em estruturas pré-moldadas. Segundo ele, o problema está menos no tipo de sistema construtivo e mais na qualidade do projeto e das ligações. “Não é o método construtivo que define o risco de colapso, mas sim o cuidado técnico durante o projeto e a execução”, afirmou. Melo lembrou que a fase mais crítica é a de montagem, quando a estrutura ainda não está totalmente solidarizada, e reforçou a importância de seguir corretamente as sequências construtivas. “Muitos acidentes poderiam ser evitados com planejamento e controle. O engenheiro precisa antecipar as condições reais da obra”, disse.
Argamassa para fachadas de grandes alturas
Por fim, o engenheiro Luiz Trevisol, gerente técnico do Grupo Hobimix Argamassa e Concreto, apresentou os resultados de dois anos de pesquisa sobre o desenvolvimento de argamassas de hidratação controlada para fachadas de grandes alturas, em conformidade com a NBR 13281. O objetivo foi criar um produto com baixo módulo de elasticidade (cerca de 6 GPa), alta aderência e estabilidade química, adequado a fachadas acima de 60 metros. “Buscamos um equilíbrio entre resistência, elasticidade e durabilidade”, contou Trevisol. O estudo envolveu uma análise detalhada de matérias-primas e resultou em uma argamassa capaz de reduzir fissuras e manter o desempenho por longos períodos. “O segredo está na integração entre indústria, laboratório e campo — é isso que garante o sucesso das obras”, concluiu.
Fontes
66º Congresso Brasileiro do Concreto 2025 - IBRACON
Cobertura da equipe do Massa Cinzenta – Cimento Itambé
Contato
Assessoria de imprensa Ibracon - fabio@ibracon.org.br
Foto Edifícios Altos
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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Nova norma define parâmetros para argamassas de hidratação controlada
A 66ª edição do Congresso Brasileiro do Concreto (IBRACON) apresentou, durante o Seminário de Argamassas, a NBR 17218:2024, primeira norma brasileira dedicada às argamassas de hidratação controlada (AHC) — anteriormente conhecida como argamassas estabilizadas.
A publicação, lançada oficialmente em dezembro de 2024, estabelece diretrizes básicas para coleta, transporte, recebimento e homogeneização de amostras para ensaios, dando início à padronização de um produto que já vinha sendo amplamente utilizado nas obras, mas sem respaldo normativo específico.
Durante a apresentação no congresso, a engenheira e professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Fernanda Nepomuceno Costa, uma das responsáveis pela elaboração do documento, destacou que a norma surge como um marco regulatório. “A NBR 17218 nasceu porque o produto já é uma realidade consolidada nas obras. As construtoras e fabricantes perceberam ganhos expressivos em produtividade, redução de desperdício e uniformização do material”, afirmou.

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Segundo Fernanda, o novo texto também busca alinhar a terminologia técnica: o termo “hidratação controlada” substitui “estabilizada” por representar de forma mais precisa o funcionamento do sistema.“A reação do cimento é temporariamente bloqueada por aditivos, permitindo que a argamassa permaneça utilizável por períodos que variam de 12 a 72 horas, sem perda de desempenho”, explicou.
Apesar de concisa — com apenas quatro páginas —, a norma introduz conceitos relevantes para o controle de qualidade, como a lâmina de água e impurezas que não pertencem a argamassa, além de trazer outros parâmetros fundamentais, como tempo de início de uso, prazo de uso e janela de utilização, que deverão constar em notas fiscais. Esses parâmetros ajudam a garantir a rastreabilidade do produto e a evitar o uso fora do prazo, um problema comum em obras com alto volume de produção.“O objetivo é dar segurança técnica tanto para o fabricante quanto para o aplicador. A rastreabilidade é fundamental para que se possa identificar a origem e o comportamento do material em cada etapa”, reforçou Fernanda.
A palestrante também ressaltou que a publicação é apenas o primeiro passo de um processo de construção normativa mais amplo. “Ainda temos lacunas a preencher. Faltam diretrizes para a estocagem nas obras, para os ensaios de consistência e para o momento ideal de moldagem dos corpos de prova. É preciso criar um ecossistema normativo completo para garantir desempenho e segurança”, observou.
Ela defendeu ainda ofortalecimento do diálogo entre pesquisadores, fabricantes e construtoras para acelerar os avanços técnicos e destacou a importância de formar comissões complementares que possam desenvolver novos documentos, incluindo normas para chapisco e aplicação em campo.
Aplicações na Alvenaria
Ainda neste mesmo seminário, Elaine Guglielmi Pavei Antunes, professora e doutora da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), apresentou a palestra“Argamassa de Hidratação Controlada: Aplicações na Alvenaria”, na qual abordou o uso do produto em sistemas de alvenaria estrutural e de vedação. Elaine explicou que a AHC, produzida em concreteiras e armazenada em reservatórios no canteiro, pode ser utilizada por longos períodos — de 8 até 72 horas, conforme aespecificação do fabricante —, proporcionando maior flexibilidade de execução, controle e desempenho.
“O uso da argamassa de hidratação controlada é uma resposta às novas demandas do mercado. Diante da escassez de mão de obra e da necessidade de padronizar o desempenho das alvenarias, esse tipo de material garante qualidade e constância no canteiro”, destacou. Ela também detalhou como a AHC impacta diretamente no comportamento físico e mecânico da alvenaria, contribuindo para o isolamento térmico e acústico, além de reduzir a ocorrência de fissuras. “Quando aplicamos corretamente, conseguimos melhores resultados em segurança estrutural, conforto e eficiência. É um avanço técnico e produtivo para o setor”, afirmou.
Sobre a importância da normalização, Elaine reforçou que a NBR 17218 cria as bases para a consolidação de uma cadeia produtiva mais segura e eficiente. “As normas traduzem o que há de melhor entre pesquisa e prática. Elas estabelecem o mínimo necessário, mas o engenheiro pode — e deve — fazer melhor”, disse. Segundo ela, o desafio agora é ampliar o escopo normativo, incorporando novos parâmetros de desempenho e controle tecnológico. “Estamos em um momento de transição. A norma trouxe organização, mas ainda precisamos de instrumentos complementares que orientem desde o recebimento da argamassa até sua aplicação final”, completou.
As duas palestrantes concordaram que a argamassa de hidratação controlada representa uma tendência irreversível no setor, por unir tecnologia, sustentabilidade e produtividade. Ao reduzir desperdícios e retrabalhos, o sistema contribui diretamente para a racionalização da construção e para a redução de emissões de CO₂associadas à produção de materiais.
Fernanda Nepomuceno reforçou ainda a importância da colaboração entre todos os agentes da cadeia construtiva: “Temos desafios, mas já recebemos muitos feedbacks positivos das obras. Agora precisamos transformar essaprática consolidada em um sistema normativo completo e confiável, que garanta qualidade, segurança e durabilidade para o futuro da construção brasileira.”
Fontes
66º Congresso Brasileiro do Concreto 2025 - IBRACON
Cobertura da equipe do Massa Cinzenta – Cimento Itambé
Contato
Assessoria de imprensa Ibracon - fabio@ibracon.org.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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