Queda acentuada no funding para produção e custo de capital em alta dificultam atuação da construção civil
A construção civil brasileira vive um momento de atenção em relação ao acesso a recursos para financiar a produção. Embora o crédito para pessoa física, destinado à compra de imóveis, siga em ritmo razoável, o financiamento voltado para as incorporadoras e construtoras tem sofrido forte retração, obrigando as empresas a recorrerem a capital de mercado, com custo significativamente mais alto.
De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o volume de recursos da poupança direcionado pelos bancos para financiar a construção recuou 48,6% nos primeiros quatro meses desse ano em relação ao mesmo período de 2024.
“Os agentes financeiros estão canalizando recursos para pessoa física, mas a produção registrou uma queda muito grande. As empresas estão sendo financiadas com recursos de capital com custo mais elevado, e isso se reflete no preço final do imóvel”, afirma Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre.
Odair Senra, vice-presidente de Imobiliário do SindusCon-SP, explica que a dificuldade é estrutural. Segundo ele, a produção e comercialização de imóveis para habitação, por ser uma atividade que demanda muito capital, precisa contar com financiamentos à produção e à comercialização. “Quando existe a escassez de um desses financiamentos, o mercado tende a adiar lançamentos ou até não produzir essas habitações. O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que conta com recursos das Cadernetas de Poupança, é um meio importante para esse mercado”, assinala.
Pressão no crédito e no preço
O cenário atinge especialmente empreendimentos voltados à média e alta renda, segmentos que já vinham enfrentando desafios com o encarecimento do crédito. Segundo Ana Maria, o custo mais alto do financiamento se soma a outro gargalo: a escassez de mão de obra qualificada. “São duas limitações importantes no momento: financiamento mais caro e falta de trabalhadores especializados. Isso afeta diretamente a confiança empresarial e as perspectivas de crescimento”, explica.
Apesar das dificuldades, o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) segue como principal sustentação para o mercado. Em abril desse ano, o governo criou uma nova faixa para atender parte da classe média, com financiamento de imóveis de até R$ 500 mil e taxas mais baixas que as praticadas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). “Essa mudança deve contribuir, mas não resolve o problema do funding da produção”, pondera a economista.
Alternativas em discussão
Entre as propostas do setor para aliviar a escassez de crédito, está a liberação dos depósitos compulsórios da poupança — atualmente 20% do total fica imobilizado. A proposta, liderada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP), é que os recursos sejam liberados para abastecer os financiamentos imobiliários. Isso representaria uma injeção na ordem de R$ 150 bilhões no setor.
As regras vigentes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) determinam que 65% dos depósitos da poupança devem ir para os financiamentos imobiliários, enquanto 15% são usados livremente pelos bancos e 20% são guardados como depósitos compulsórios para assegurar a liquidez do sistema. “Isso pode ajudar no curto prazo, aumentando a disponibilidade de recursos para o financiamento”, observa Ana Maria.

Crédito: Envato
No diálogo com o poder público, Senra reforça uma preocupação central do setor. “Face às propostas que estão surgindo através do Banco Central, pleiteamos que as atuais regras do SBPE não sejam alteradas sem um período importante de transição, necessário para a adaptação do mercado”, aponta. Segundo ele, isso é fundamental para não estancar a produção de habitações e não prejudicar os potenciais adquirentes de casa própria.
Ele também ressalta que o mercado já vem encontrando alternativas. “Já há alguns anos, vem crescendo a utilização de recursos do mercado de capitais, que podem suprir a eventual falta dos recursos das Cadernetas de Poupança. São os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LGIs, que são gerados e geridos por FIIs (Fundos de Investimentos Imobiliários)”, complementa.
Perspectivas para 2025
A expectativa para 2025 é de crescimento, mas em ritmo menor que o observado no ano passado. Ana Maria projeta que a expansão da construção fique próxima à do PIB, estimada em cerca de 2%. “O boom do mercado imobiliário e os investimentos em infraestrutura devem continuar impulsionando a atividade, mas o ritmo será mais moderado”, analisa.
Mesmo em um cenário mais restritivo, a presença de recursos no orçamento do Minha Casa Minha Vida é vista como fator importante para sustentar o desempenho do setor. “O programa continuará sendo uma força importante e pode ganhar mais protagonismo diante dessa conjuntura mais desafiadora”, conclui.
Entrevistados
Ana Maria Castelo é coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre.
Odair Senra é vice-presidente de Imobiliário do SindusCon-SP
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Lançamento de imóveis em SC cresce 94% em cinco anos
Entre 2021 e 2025, o número de apartamentos lançados no Sul do Brasil cresceu 57%, enquanto as vendas de unidades novas avançaram 46% no mesmo período. Os dados fazem parte de um levantamento divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), feito em parceria com a Brain Inteligência e Estratégia. O estudo abrange 68 dos principais municípios dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, considerando o intervalo entre 1º de abril de 2020 e 31 de março de 2025.
No primeiro trimestre de 2025, entre as capitais do Sul, Florianópolis liderou o mercado imobiliário com aumento de 36,3% nos lançamentos e quase o dobro nas vendas, que cresceram 97% em relação ao mesmo período de 2024. Em contraste, Curitiba registrou forte retração, com quedas de 41,2% nos lançamentos e 12,6% nas vendas. Porto Alegre apresentou crescimento mais equilibrado, com alta de 18,6% nos lançamentos e 43,5% nas vendas. Juntas, as três capitais representaram 21,2% dos lançamentos e 24% das vendas da região no período.
Santa Catarina
A pesquisa aponta que o desempenho de Santa Catarina tem sido o principal motor de crescimento da região.
Nos 25 municípios catarinenses analisados, os lançamentos de apartamentos cresceram 94%, saltando de 24.762 unidades ofertadas entre abril de 2020 e março de 2021 para 41.357 no período correspondente entre 2024 e 2025. No mesmo intervalo, as vendas também apresentaram forte avanço, passando de 28.292 para 48.847 imóveis comercializados — um aumento de 72%.

Crédito: Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú/Divulgação
“Santa Catarina tem uma combinação rara no Brasil: economia forte, segurança acima da média, qualidade de vida e um mercado imobiliário que se valoriza de forma constante. Isso atrai tanto quem quer morar quanto quem quer investir. Com o crescimento populacional puxado por migração de outras regiões, a demanda por moradia cresceu e as construtoras estão acompanhando esse movimento, principalmente em cidades com peso turístico e econômico, como Itajaí e Balneário Camboriú”, afirma Fábio Inthurn, CEO da Lotisa Empreendimentos.
Perfil dos consumidores em Santa Catarina
Para Inthurn, o mercado em Santa Catarina mudou bastante. “Hoje, vemos desde studios compactos até imóveis de alto padrão à beira-mar. Os apartamentos menores, bem localizados e com plantas práticas ganharam espaço, principalmente entre jovens, investidores e quem busca praticidade. Mas em cidades como Itajaí, o que mais cresce é o médio padrão — famílias que querem mais conforto e um bom custo-benefício. Já o alto padrão continua firme em mercados consolidados, como Balneário Camboriú e a Praia Brava, onde luxo e vista para o mar seguem muito valorizados”, comenta.
Ainda de acordo com Inthurn, o perfil dos compradores está cada vez mais diverso. “Santa Catarina foi o estado que mais recebeu novos moradores segundo o Censo de 2022, e isso ampliou muito a base de compradores. Tem gente vindo de todo o Brasil buscando mais segurança, qualidade de vida e oportunidade. Além disso, cresceu muito o número de investidores do agro, especialmente do Paraná, Santa Catarina e do Centro-Oeste, que veem no mercado imobiliário uma forma segura de diversificar o patrimônio. E claro, há também o cliente local que quer trocar de imóvel ou investir em uma segunda unidade”, destaca.
Desafios de lançar em Santa Catarina
Na opinião de Inthurn, os principais desafios hoje são a escassez de terrenos bem localizados, especialmente em cidades como Balneário Camboriú, a burocracia nos processos de licenciamento e o acesso ao funding, que está mais seletivo.
“O mercado financeiro tem sido criterioso na hora de alocar capital, e empresas com boa governança e histórico sólido têm se destacado, mantendo acesso às melhores condições de financiamento. Além disso, mantemos um landbank estruturado, com potencial para R$ 3,5 bilhões em lançamentos futuros, o que nos garante solidez e capacidade de crescimento consistente. Já a burocracia para aprovar um empreendimento, que envolve trâmites necessários, mas ainda falta agilidade, previsibilidade e mais uniformidade entre os municípios. Isso impacta diretamente o ritmo dos lançamentos. Mesmo assim, seguimos confiantes no potencial de expansão do setor em Santa Catarina”, pondera Inthurn.
Outros estados
Ainda de acordo com a pesquisa divulgada pela CBIC, na mesma comparação temporal, os 22 municípios pesquisados no Paraná passaram de 18.784 apartamentos lançados até o fim de março de 2021 para 29.958 em 2025 – elevação de 55,4% – e a vendas subiram 34,7%, indo de 22.378 a 30.156 unidades.
No Rio Grande do Sul, houve 3,87% mais lançamentos nos 21 municípios cujos dados foram analisados, indo de 18.111 para 18.812 imóveis colocados no mercado (no período de 12 meses encerrado no 1º trimestre de 2021) a 23.222 lançados no ciclo fechado no 1º trimestre de 2025. Já a venda de unidades cresceu 22%, indo de 19.038 para 23.222 apartamentos negociados.
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Fábio Inthurn, CEO da Lotisa Empreendimentos.
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Paraná aposta em moradias adaptadas para a população da terceira idade com projetos que unem segurança, acessibilidade e bem-estar
Segundo dados do IBGE, o número de idosos no Paraná deve superar o de crianças até 2027. O Índice de Envelhecimento, que compara o número de idosos ao de jovens, será um indicador central dessa mudança. Atualmente, o índice está em 87,6, mas deverá atingir 100,1 em 2027, indicando que pela primeira vez haverá mais idosos do que jovens no estado. Esse fenômeno é parte de uma tendência nacional, que deverá ser observada em todo o Brasil a partir de 2029.
Esse cenário acendeu o alerta para a criação de políticas públicas voltadas a essa faixa etária. Atento ao rápido envelhecimento da população, a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) está implementando o projeto Viver Mais, uma iniciativa inovadora que visa oferecer moradia digna, acessível e adaptada para pessoas com 60 anos ou mais.
“Existe uma urgência de fazer políticas públicas para o atendimento desse público”, afirma Jorge Luiz Lange, presidente da Cohapar. “O Viver Mais surgiu justamente com essa missão: criar condomínios horizontais adaptados, para atender as pessoas que chegaram a essa idade e ainda não conseguiram a casa própria.”
Condomínios horizontais e adaptados
O projeto contempla a construção de 32 empreendimentos, com 40 unidades habitacionais cada, distribuídos por diversas regiões do estado. Ao todo, serão construídas 1.280 casas voltadas exclusivamente à terceira idade. As obras começaram em 2019 e devem ser concluídas até 2027.
Cada condomínio é estruturado com ampla infraestrutura de lazer, segurança e áreas comuns voltadas ao convívio, promovendo um ambiente acolhedor e comunitário. A construção é aplicada com concreto moldado in loco, tanto nas unidades habitacionais quanto nas áreas compartilhadas, garantindo durabilidade e conforto térmico.
Modelo de acesso: aluguel social com apoio do Estado

Crédito: Divulgação/Cohapar
Ao contrário de programas tradicionais de habitação, o Viver Mais não prevê a venda dos imóveis. Em vez disso, os idosos selecionados pagam um valor simbólico de aluguel social, correspondente a 15% de um salário mínimo, além de arcar com as despesas básicas como água, luz e taxa de manutenção. Após a desocupação, a unidade é destinada a outro idoso inscrito no programa.
“É um modelo rotativo e inclusivo, que permite que mais pessoas tenham acesso a moradia digna mesmo sem poder aquisitivo elevado”, explica Lange.
Parcerias municipais garantem suporte contínuo
Os municípios participantes doam terrenos de até 12 mil m² e firmam convênios com a Cohapar para oferecer suporte contínuo aos moradores. A execução das obras dos empreendimentos é realizada por construtoras contratadas pela Cohapar via procedimento licitatório, com recursos do tesouro estadual.
Além de doar os terrenos, as prefeituras ficam responsáveis por garantir o acompanhamento em saúde, assistência social e educação física, promovendo um cuidado integral à população idosa. “Além do conforto e segurança das moradias, os idosos também recebem todo esse cuidado e têm mais qualidade de vida por meio das práticas de atividades coletivas, culturais e de lazer”, complementa Lange.
Compromisso com o futuro do envelhecimento
O projeto representa um avanço significativo na política habitacional voltada ao público idoso no Brasil. Com foco em inclusão, bem-estar e segurança, o Viver Mais é mais do que um programa habitacional, mas uma resposta concreta a uma das principais transformações demográficas do século XXI. “O que estamos construindo é uma rede de acolhimento que valoriza quem tanto já contribuiu para a sociedade. Estamos preparando o Paraná para um envelhecimento mais digno e humano”, conclui o presidente da Cohapar.
Entrevistado
Jorge Luiz Lange é graduado em Ciências Contábeis pela Fecivel (atual Unioeste), é presidente do Conselho Estadual de Habitação de Interesse Social (COEHIS), presidente nacional do Fórum Nacional de Secretários de Habitação e Desenvolvimento Urbano (FNSHDU) e membro do Conselho Deliberativo no Conselho Consultivo e de Acompanhamento do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (FECOP-PR). Atualmente é presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar).
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Modelo tripartite em normas completa 30 anos
Em julho de 2025, o Brasil celebrou os 30 anos de consolidação do diálogo tripartite no setor da construção.
De acordo com Haruo Ishikawa, vice-presidente de Capital e Trabalho do Sinduscon-SP, o tripartismo começou dentro da NR-18, em 1995, com a criação do Comitê Permanente sobre Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção (CPN). “Esse comitê foi um marco porque uniu, de forma inédita, representantes dos três pilares: governo, empregadores e trabalhadores — ou seja, um modelo tripartite, que garante uma construção coletiva das decisões. E o mais interessante: havia ainda a possibilidade de convocar representantes técnicos e científicos para enriquecer o debate. Essa foi, sem dúvida, uma das maiores virtudes da NR-18: estabelecer um espaço permanente de diálogo e construção conjunta. O CPN está ativo até hoje, quase 30 anos depois, e continua sendo um exemplo de como o tripartismo funciona e dá certo”, pontua.
Histórico da NR 18
A Norma Regulamentadora nº 18 (NR-18) foi criada em 1978, por meio da Portaria MTb nº 3.214, de 8 de junho daquele ano, sob o título “Obras de Construção, Demolição e Reparos”. Seu propósito era regulamentar o inciso I do artigo 200 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), conforme modificação introduzida pela Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977.
Desde sua criação, a NR-18 passou por 24 revisões pontuais e duas reformulações profundas — realizadas em 1995 e em 2020 — que se destacam pela abrangência e impacto das alterações promovidas. As três primeiras atualizações ocorreram antes da grande reformulação de 1995, considerada um marco na modernização do texto original.

Crédito: Envato
Motivada pelo avanço tecnológico, pelas transformações nas relações de trabalho e por índices preocupantes de acidentes e doenças ocupacionais no setor da construção, a então Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho (SSST) deu início, em 10 de junho de 1994, a um amplo processo de revisão da norma. Para isso, foi criado um Grupo Técnico de Trabalho, com integrantes da Fundacentro e da extinta Secretaria de Segurança e Saúde do Trabalho do Ministério do Trabalho, com a missão de propor uma nova versão da NR-18.
Entre os avanços trazidos por essa revisão, destaca-se a criação do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho (PCMAT), que passou a exigir a implementação de ferramentas de controle e gestão nos canteiros de obras. Esse programa se articulava com as Normas Regulamentadoras nº 7 (NR-7) e nº 9 (NR-9), voltadas para o monitoramento e prevenção de riscos ambientais nos ambientes e frentes de trabalho.
Outra inovação foi a previsão dos Regulamentos Técnicos de Procedimentos, com o objetivo de oferecer suporte técnico e facilitar a disseminação das diretrizes da NR-18 entre os diversos atores do setor. A elaboração desses regulamentos ficou sob responsabilidade da Fundacentro.
Em 2020, a NR-18 passou por nova revisão, que passou a valer a partir de 2022. Uma das grandes mudanças foi a substituição do PCMAT pelo PGR. Agora, as obras iniciadas depois de 3 de janeiro de 2022 devem fazer o PGR, que é o Programa de Gerenciamento de Riscos.
Evolução da NR 18
De acordo com Ishikawa, a tecnologia está avançando rapidamente, e não há como ignorar esse movimento. “Por isso, quem atua na área de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) precisa acompanhar de perto essas transformações em todas as frentes. O grande desafio — e a nossa responsabilidade — é garantir que a evolução tecnológica caminhe junto com a proteção ao trabalhador. Esse é justamente o papel da Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP): promover um alinhamento constante entre inovação, execução das atividades e preservação da saúde e segurança no ambiente de trabalho. Em resumo, não basta a tecnologia evoluir. É essencial que sua aplicação seja feita com responsabilidade, colocando a integridade do trabalhador sempre em primeiro lugar”, conclui.
Entrevistado
Haruo Ishikawa é vice-presidente de Capital e Trabalho do Sinduscon-SP. Foi presidente do Seconci-SP e, atualmente, é conselheiro da entidade. Também coordena a bancada dos empregadores na Comissão Nacional Tripartite Temática (CNTT) da NR18.
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Paraná investe R$ 28 milhões em programas para ampliar segurança e fluidez nas rodovias
O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR) está colocando em prática dois importantes programas para melhorar a segurança e a fluidez nas rodovias estaduais: o Programa Rota Segura e o Programa Conexões Seguras. Juntos, os projetos somam mais de R$ 28 milhões em investimentos e visam identificar, priorizar e solucionar pontos críticos nas estradas, promovendo um trânsito mais eficiente e seguro.

Crédito: Envato
No Programa Rota Segura, o foco está em rodovias de pista simples. O DER/PR vai estudar 1.453 quilômetros de estradas estaduais para identificar onde há necessidade de implantação de terceiras faixas. “O objetivo é melhorar a segurança, a fluidez e o conforto dos usuários, além de apontar os investimentos prioritários”, afirma Guilherme Luiz Conte, engenheiro civil e chefe da Coordenadoria Técnica do DER/PR.
O projeto foi dividido em cinco lotes para permitir maior participação de empresas especializadas, aumentar a concorrência nas licitações e gerar economia ao Estado. O processo envolve duas etapas. Primeiro, a análise técnica dos trechos com base em critérios como volume de acidentes, capacidade da via e existência de pontos críticos. Depois, são elaborados anteprojetos de engenharia para 30% do total estudado.
Interseções sob análise detalhada
Outro grande passo está sendo dado com o Programa Conexões Seguras, que prevê o levantamento e análise de 201 interseções em rodovias estaduais. O investimento é de R$ 13,3 milhões e o prazo de execução é de 24 meses.
A ideia é identificar onde são necessárias adequações como acostamentos, ciclovias, vias marginais, passeios e até substituição por novos viadutos. “Com esses dados, o DER/PR saberá quais interseções são mais críticas, podendo se planejar para contratar as respectivas obras, gerando mais segurança e melhorando o fluxo”, destaca Conte.
Assim como no programa anterior, o trabalho é dividido em duas fases: levantamento das condições operacionais e elaboração de anteprojetos. As interseções serão hierarquizadas de acordo com critérios técnicos como geometria inadequada, fluidez e segurança viária. A expectativa é que, ao final do estudo, cerca de 60% das interseções de cada lote recebam propostas de soluções.
Planejamento técnico e impacto direto na população
A criação de um banco de anteprojetos baseado em estudos de campo é apontada pelo DER/PR como fundamental para o uso racional de recursos públicos. “A elaboração desses anteprojetos possibilita o planejamento das intervenções futuras, otimizando a alocação de recursos e garantindo a segurança dos usuários”, explica Conte.
Os benefícios para a população vão além da engenharia. A previsão é de redução de acidentes causados por ultrapassagens forçadas, mais segurança em entroncamentos e interseções e maior fluidez no tráfego diário, impactando diretamente no transporte de pessoas e mercadorias pelo estado.
Mapeamento da malha rodoviária nacional
Enquanto o Paraná estrutura suas intervenções, em nível nacional, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) também avança no mapeamento da malha rodoviária com a Pesquisa CNT de Rodovias 2025. Com o uso de tecnologias avançadas, como georreferenciamento de alta precisão e câmeras embarcadas, o levantamento terá cobertura ampliada, passando de 110 mil para 121 mil quilômetros avaliados em todo o Brasil.
O objetivo da CNT é traçar um panorama detalhado das condições das rodovias pavimentadas e subsidiar políticas públicas e investimentos que contribuam para a melhoria da infraestrutura viária no país. Os dados coletados são fundamentais para apontar gargalos logísticos, orientar planos de manutenção e ajudar na priorização de obras essenciais.
A sinergia entre planejamento técnico, uso de tecnologia e divisão eficiente de contratos tem sido o caminho escolhido pelo DER/PR para garantir rodovias mais seguras no Paraná. Aliado ao esforço nacional da CNT, o foco em diagnósticos precisos pode representar um avanço significativo para a mobilidade e a segurança viária no Brasil.
Entrevistado
Guilherme Luiz Conte é engenheiro civil, servidor público e chefe da Coordenadoria Técnica do DER/PR.
Fonte
Confederação Nacional do Transporte (CNT)
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Construsul reúne mais de 300 expositores em Porto Alegre
Entre os dias 22 e 25 de julho, foi realizada a 26ª Construsul – Feira Internacional da Construção, em Porto Alegre (RS). Durante os quatro dias de evento, mais de 300 empresas apresentarão inovações, tecnologias e soluções voltadas ao setor, com foco em networking, atualização profissional e relacionamento com o mercado.
“A feira tem uma abrangência muito interessante e um porte expressivo, reunindo muitos expositores”, destaca Rômulo Parizotto Machado, gerente comercial da Cimento Itambé. “Nossos clientes relataram um volume significativo de visitas, de todo o estado do Rio Grande do Sul e, inclusive, de Santa Catarina, estado vizinho.”

Crédito: Divulgação
Rômulo também chama atenção para a diversidade de soluções apresentadas. “Na Construsul, é possível encontrar soluções para todas as etapas e tipos de obras da construção civil, observa.
Para ele, o evento é uma excelente oportunidade de relacionamento com o mercado. “As empresas com quem conversei receberam muitos clientes, criaram novas conexões e desenvolveram várias oportunidades. O movimento foi intenso, com grande fluxo de visitantes. É um momento estratégico para atrair novos negócios.”
Além do networking, outro destaque foram os lançamentos e inovações apresentados pelas empresas. Confira a seguir algumas das novidades levadas à feira:
Celucon
De acordo com Rômulo, a empresa fez demonstrações do sistema construtivo com blocos celulares, o que continua sendo inovador para boa parte do público da feira, mesmo sendo um produto presente no mercado brasileiro há mais tempo. “As principais atrações do stand foram a demonstração prática da agilidade e qualidade no levantamento de paredes com os blocos celulares e a competição promovida entre os visitantes de quem conseguiria cortar mais rapidamente um bloco com uso de uma serra manual.”
Cerâmica Kaspary

Crédito: Construsul
Noeli Kaspary Stoffels, da área comercial da Cerâmica Kaspary, conta que esta é o 26° ano que a empresa participa. “Para nós, a participação na feira foi um sucesso. Eu vi a satisfação total dos clientes, o quanto o nosso produto é bom e o quanto faz diferença no mercado”, afirma.
Durante o evento, a empresa lançou o painel protendido. “Com a escassez de mão de obra na construção civil, soluções industrializadas vêm ganhando cada vez mais espaço. É o caso do nosso novo painel protendido, lançado recentemente. Ele possui 1,20 metro de largura e pode ser produzido com até 12 metros de comprimento”, relata Noeli.
O material sai pronto da fábrica e vai direto para a obra, onde a montagem é feita com o auxílio de um guindaste — contratado pelo próprio cliente. “Enviamos também uma pinça especial para facilitar a instalação. O processo é tão ágil que, quando o motorista sai da obra, a estrutura já está praticamente concluída. Basta aplicar o EPS, a malha de ferro e uma camada de concreto para finalizar”, revela Noeli.
Eternit
Para Eder Sá Alves Campos, diretor comercial da Eternit, a Construsul demonstrou a força do mercado de MatCon para economia. “Um fluxo alto de pessoas interessadas no mercado da construção. Muitas marcas fortes presentes valorizando e reconhecendo a força da região sul, em especial do Rio Grande do Sul, para o Brasil. Nós da Eternit, marca da cobertura do brasileiro, indústria com 85 anos de tradição, marcamos presença com foco em reconhecer nossos clientes parceiros e reforçar nosso compromisso de qualidade e presença em todo território nacional”, comenta.
No evento, a Eternit reforçou seu compromisso com a qualidade da telha de fibrocimento. Campos destaca a telha Eternit Imper+, que garante um dos melhores custo-benefícios para soluções de cobertura do mercado.
“Levamos ainda nossas soluções de placa cimentícia, com destaque para placa piso, bem como nossa linha de produtos para construção a seco. Soluções na qual viemos investindo e seguimos apostando para ser uma indústria provedora com escala, capacidade de customização e alto padrão de qualidade”, afirma.
JR Comercio de Cimento e Concreto LTDA
Roberto Solda Andreetta, sócio fundador da empresa JR Comércio de Cimento e Concreto, destacou que a feira traz o sul do país para dentro dela, com muitas oportunidades para toda a cadeia da construção civil.
“É uma ótima oportunidade de se tornar mais conhecido na praça, no mercado da região sul onde a gente participa”, pontua.
Na feira, a JR Comércio de Cimento e Concreto apresentou diversas inovações, como as estacas tubulões produzidas por um processo mecanizado e industrializado, que permite atender com agilidade qualquer região do Rio Grande do Sul. Outra novidade foram as telhas térmicas e acústicas, que contribuem tanto para o conforto sonoro quanto para o controle da temperatura nos ambientes.
Tilecol
Para Antonio Carlos Delavi Gama, diretor na Tilecol, o evento é uma oportunidade para realizar campanhas voltadas à ampliação do mix de produtos dentro da própria base.
Dentre os lançamentos da Tilecol, um dos destaques foi o chapisco desempenado, uma evolução do tradicional chapisco rolado. “Além disso, com a retomada do uso de pedras ornamentais e naturais na construção civil, identificamos uma demanda específica e lançamos o rejunte para grandes juntas, com aplicação em vãos de 20 a 50 milímetros. Hoje, apenas a Tilecol e mais uma marca oferecem esse tipo de produto no mercado nacional”, comenta Gama.
A feira também foi palco de outros lançamentos importantes, como a Super Cola 12, Tecnogum Manta Líquida, Cola 6 Plus, Tecnogum Parede e Bloqueador de Vapor.
Com a recente inauguração da fábrica da Tilecol no Rio Grande do Sul, a marca criou uma identidade pra mostrar que também está no Rio Grande do Sul e usou uma chamada de Tchêlecol.
Entrevistados
Rômulo Parizotto Machado, gerente comercial da Cimento Itambé.
Noeli Kaspary Stoffels, da área comercial da Cerâmica Kaspary.
Eder Sá Alves Campos, diretor comercial da Eternit.
Roberto Solda Andreetta, sócio fundador da empresa JR Comercio de Cimento e Concreto LTDA.
Antonio Carlos Delavi Gama, diretor na Tilecol.
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Manual do Sinduscon-SP propõe soluções para atrair e reter mão de obra na construção civil
A construção civil brasileira enfrenta um dos seus maiores desafios: a renovação da mão de obra. Dados do IBGE projetam que, até 2070, a população entre 50 e 75 anos será maioria, enquanto o número total de habitantes diminuirá. Esse panorama já é sentido nos canteiros de obras, onde a média de idade dos trabalhadores gira em torno de 43 anos.
A escassez de jovens no setor compromete prazos, produtividade e a capacidade de inovação. “Há uma deficiência enorme no ingresso de jovens no setor. A grande incidência de atrasos nas obras e a procura crescente por mão de obra de qualidade evidenciam esse cenário”, alerta David Fratel, engenheiro civil e diretor de Gente no Comitê de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP.

Crédito: Envato
Estratégias para valorizar e reter profissionais
Diante desse cenário, o SindusCon-SP desenvolveu o Manual de Boas Práticas em Gestão de Pessoas na Construção Civil , com foco em tornar o setor mais atrativo, especialmente para a Geração Z, composta por pessoas nascidas entre 1995 e 2010.
O material propõe estratégias para atrair, reter e valorizar profissionais, reconhecendo que o perfil do trabalhador mudou e que novas abordagens são necessárias. “A chegada da Geração Z exige mais inovação, colaboração, além de valorizar propósito social e uso intensivo de tecnologia”, afirma Fratel.
Segundo ele, o setor precisa se modernizar, adotar práticas inclusivas e valorizar o desenvolvimento humano. Já o jovem precisa entender que a construção civil está se modificando para recebê-lo.
Como atrair jovens para o setor
A principal frente de ação é a mudança na imagem do setor. Para Fratel, a construção civil vive um momento de reinvenção, com forte avanço na industrialização de sistemas construtivos, digitalização e soluções sustentáveis. “Isso gera ambientes mais organizados, seguros e produtivos, mais alinhados ao perfil da nova geração”, destaca.
Ambiente e cultura para reter talentos
Para manter os profissionais no setor, o manual destaca a importância de um ambiente de trabalho estruturado. Isso inclui desde a oferta de planos de carreira e remunerações atrativas, até ações de saúde, segurança e bem-estar. Transparência, oportunidades multidisciplinares e valorização constante também são pilares. “O jovem precisa de clareza, movimento e reconhecimento. Um bom ambiente de trabalho, aliado à capacitação constante, é chave para reter talentos”, explica Fratel.
Soluções práticas para a modernização da gestão de pessoas
O documento também propõe ações concretas de gestão, como a construção de uma cultura organizacional sólida, estratégias de experiência do colaborador, programas de endomarketing e canais de comunicação mais eficientes.
“Uma cultura ética e positiva aumenta a satisfação no trabalho. Isso passa por engajamento, diversidade, gestão de clima e um ambiente físico inspirador. A experiência do colaborador precisa ser pensada desde o recrutamento até o desligamento”, defende o diretor.
O Manual de Boas Práticas representa uma ferramenta estratégica para enfrentar o déficit de mão de obra qualificada e promover a sustentabilidade da construção civil. Mais que atrair profissionais, o objetivo é transformar a forma como as empresas se relacionam com seus colaboradores. “Mais do que um emprego, o setor oferece um caminho. Precisamos de mentes criativas e jovens dispostos a construir o futuro das cidades e do país”, finaliza Fratel.
Entrevistado
David Fratel é engenheiro civil e diretor de Gente do Comitê de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP.
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Vendas de cimento crescem 3,5% no primeiro semestre e projeta um crescimento de 2,1% para o ano
A indústria brasileira do cimento encerrou o primeiro semestre de 2025 com alta de 3,5% nas vendas, atingindo um total de 32 milhões de toneladas comercializadas, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Apesar da leve retração de 1,7% nas vendas em junho, o volume médio diário cresceu 0,5% em relação ao mesmo mês do ano passado.
De acordo com o diretor executivo do SNIC, Bernardo Jannuzzi, o resultado é reflexo direto do bom momento vivido pelo setor imobiliário e pela economia. “No primeiro trimestre, os lançamentos imobiliários cresceram 11%, e o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) avançou 31,7%. Além disso, o mercado de trabalho segue em expansão, com um número recorde de 39,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Esse aumento na massa salarial impulsiona diretamente o consumo de cimento”.
Coprocessamento ganha espaço
Além do desempenho de mercado, a indústria do cimento vem investindo fortemente em soluções ambientais. O destaque vai para o coprocessamento, tecnologia que substitui combustíveis fósseis por resíduos industriais e biomassas, como casca de arroz e cavaco de madeira.
Segundo Jannuzzi, o setor já coprocessou 3,25 milhões de toneladas de resíduos, o que representa 32% da matriz térmica e evitou a emissão de mais de 3,36 milhões de toneladas de CO₂. “O coprocessamento é a melhor alternativa para reduzir a pegada de carbono do setor, alinhando sustentabilidade e eficiência produtiva”, afirma.
A Rio Bonito Soluções Ambientais, empresa do mesmo grupo da Cimento Itambé, por exemplo, coprocessou 155.786 toneladas de resíduos em 2024, um volume significativo que reflete seu papel essencial no setor.
Leia mais: https://www.cimentoitambe.com.br/rio-bonito-obtem-acreditacao-do-inmetro-e-diferencia-se-em-solucoes-ambientais-sustentabilidade-e-coprocessamento-de-residuos
Incertezas no horizonte: juros, crédito e confiança

Crédito: Envato
Apesar do desempenho positivo, o setor mantém postura cautelosa quanto ao segundo semestre. “Historicamente, os últimos seis meses do ano são mais fortes em vendas, mas enfrentamos riscos importantes: endividamento das famílias, alta da Selic, inadimplência e incertezas políticas”, analisa Jannuzzi.
Um dos pontos mais críticos é a possível taxação das Letras de Crédito Imobiliário (LCI), hoje isentas de Imposto de Renda para Pessoa Física. “Essa medida pode desestimular o investimento no setor imobiliário, encarecer o financiamento habitacional e afetar diretamente o consumo de cimento”, alerta o executivo do SNIC.
A confiança do consumidor e da indústria também deu sinais de enfraquecimento em junho, segundo índices da FGV, indicando uma possível desaceleração da atividade econômica no segundo semestre.
Infraestrutura e transição verde: prioridades para o futuro
Apesar dos desafios, o setor continua mobilizado em torno de pautas estruturantes. A indústria participa da elaboração de metas setoriais de descarbonização dentro do Plano Clima, que será apresentado na COP30, e atua ativamente na Missão 5 da Nova Indústria Brasil, voltada à bioeconomia e à transição energética.
Para além da habitação, a demanda por cimento também passa pela infraestrutura, especialmente pelas rodovias. Hoje, apenas 12,4% da malha viária brasileira é pavimentada. O SNIC aponta ser fundamental ampliar os investimentos em pavimento de concreto, que além de mais durável e seguro, também tem menor impacto ambiental.
O setor projeta um crescimento de 2,1% para o ano, abaixo da previsão observada no primeiro semestre. O consumo deve seguir apoiado pelos construtores e pelos investimentos residuais em infraestrutura. No entanto, o desempenho do segundo semestre dependerá do equilíbrio entre variáveis macroeconômicas e políticas públicas que garantam segurança para os investimentos.
Entrevistado
Bernardo Jannuzzi é economista formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atualmente é diretor executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), com ampla experiência na análise de informações setoriais e econômicas, atuando na produção de estudos e relatórios estratégicos voltados a empresas associadas, instituições privadas e órgãos públicos.
Contato
daniela.nogueira@fsb.com.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Construção de data centers exige alta técnica e impulsiona setor no país
Por conta da crescente demanda digital, os data centers se consolidam como estruturas essenciais para o funcionamento de sistemas de TI, exigindo projetos de engenharia altamente especializados e soluções de construção com foco em desempenho, segurança e sustentabilidade.
De acordo com Luis Tossi, vice-presidente da Associação Brasileira de Data Center (ABDC), essas edificações precisam ser muito mais robustas que prédios convencionais. “Os data centers concentram equipamentos pesados em espaços compactos. Um data hall padrão, por exemplo, suporta entre 1.500 e 2.000 kg/m², contra os 250 a 450 kg/m² das edificações tradicionais. Isso exige estruturas reforçadas e planejamento rigoroso, principalmente para compatibilizar os sistemas de refrigeração”, explica.
Além dos data halls, os projetos devem comportar sistemas de apoio, como quadros elétricos, baterias, UPS, geradores e chillers. Valesca Pavan Guimarães, diretora de projetos e obras da JLL, complementa: “A função principal do data center é manter serviços digitais funcionando sem parar. Isso exige um nível de confiabilidade que torna sua construção mais cara e complexa, envolvendo desde o início diversas especialidades da engenharia e tecnologias digitais para evitar erros.”
Mercado aquecido pela IA
A expansão dos data centers está diretamente relacionada ao crescimento da computação em nuvem, da inteligência artificial (IA) e do edge computing (processamento de dados perto de onde são gerados, como em sensores ou celulares). Valesca aponta que essa transformação tecnológica tem gerado oportunidades para toda a cadeia da construção civil. “Projetos desse tipo exigem profissionais altamente qualificados e favorecem o surgimento de cursos técnicos e certificações. Além disso, o modelo de edge data centers — menores e distribuídos geograficamente — exige soluções adaptadas a contextos locais, impulsionando o uso de construções modulares e pré-fabricadas.”
Segundo Tossi, o segmento mais expressivo do setor é o dos data centers comerciais, incluindo os de colocation, cloud e, especialmente, os hyperscale. “Essas instalações têm capacidade de 20 a 100 megawatts, e já há projetos previstos com até 400 MW. Isso mostra a escala e a complexidade dessas operações”, afirma.
A chegada da IA tem acelerado ainda mais esse movimento. “As aplicações de IA multiplicam por três ou quatro vezes a taxa de crescimento dos data centers convencionais. No Brasil, esse processo ainda está em fase inicial, mas já apresenta um ritmo de expansão entre 15% e 20% ao ano, acompanhando o cenário global”, completa Luis.
Requisitos técnicos e estruturais
Segundo Valesca, a construção de um data center começa com a escolha criteriosa do local: precisa estar fora de áreas de risco e contar com fácil acesso à energia e fibra óptica.
Do ponto de vista físico, Valesca aponta que os edifícios exigem tetos altos (de 4 a 5 metros), paredes com resistência ao fogo por no mínimo duas horas (conforme normas da NFPA) e pisos elevados entre 60 e 100 cm, feito de materiais que evitam eletricidade estática, para organizar cabos e ajudar na ventilação.

Crédito: Envato
Os data centers usam materiais especiais para garantir desempenho, segurança e durabilidade. “Materiais que emitem poucas partículas são usados nas salas de servidores para manter o ar limpo e proteger os equipamentos. Isolantes térmicos, como poliuretano ou lã mineral, evitam perdas de calor em áreas refrigeradas, e sistemas avançados de impermeabilização protegem contra infiltrações, especialmente em locais chuvosos. Esses materiais são escolhidos para atender regras de segurança, manter a eficiência e suportar as condições extremas dos data centers”, comenta Valesca.
Tecnologias como construção modular e pré-fabricada são muito usadas porque aceleram as obras em até 30-40% e garantem que todas as partes sejam iguais. “Paredes, lajes e colunas de concreto pré-moldadas são feitas em fábricas e montadas no local, reduzindo o tempo de construção”, expõe Valesca.
Climatização
A climatização é um dos maiores desafios operacionais. Os equipamentos eletrônicos geram calor intenso, especialmente com o uso de IA. “Um rack com IA pode chegar a consumir entre 30 e 50 kW, exigindo sistemas de refrigeração extremamente potentes”, observa Valesca.
As soluções mais comuns são as unidades CRAC e CRAH, que mantêm a temperatura entre 20 °C e 24 °C e a umidade entre 40% e 60%. Há também o uso de corredores quentes e frios, sensores inteligentes e sistemas de gestão automatizados (BMS) para controlar o ambiente em tempo real. Tossi complementa que a refrigeração é o segundo maior consumo energético em um data center — atrás apenas dos próprios servidores. “Por isso, adotar soluções eficientes nesse aspecto impacta diretamente no desempenho e na sustentabilidade da operação”, diz.
Infraestrutura elétrica
A confiabilidade elétrica é fundamental. Os data centers utilizam fontes de energia duplicadas (com diferentes subestações), transformadores de alta capacidade e sistemas UPS com baterias de íon-lítio, garantindo energia durante quedas. “Além disso, geradores a diesel com tanques para até 72 horas de operação são instalados para garantir continuidade em emergências”, explica Valesca.
Ela acrescenta que os sistemas de distribuição utilizam barramentos e quadros reserva, com monitoramento contínuo via EPMS (Electrical Power Monitoring Systems), garantindo qualidade da energia em tempo real. “E há também um movimento crescente por energia limpa, com data centers contratando fontes renováveis via PPAs e utilizando baterias para armazenamento e estabilidade”, conclui.
Entrevistados
Valesca Pavan Guimarães é diretora de Projetos e Obras da JLL.
Luis Tossi é vice-presidente da Associação Brasileira de Data Center (ABDC). Atua no mercado de datacenter desde sua graduação, há mais de 35 anos. Graduado em engenharia elétrica pela Universidade Mackenzie, com MBA em gestão de negócios. Carreira iniciada na área de engenharia de campo, com larga experiência em sistemas de energia para datacenter, com passagens pelas empresas Siemens, Chloride, Emerson, entre outras empresas do segmento. Colaborador em eventos e publicações do segmento, sempre com o objetivo de compartilhar conhecimento e educar o mercado. Desde 2015, atua na empresa LT Consult, provendo consultoria em projetos e gestão de datacenters, como foco no mercado público.
Contatos
JLL – Assessoria de imprensa: jessica@tecere.com.br
ABDC - atendimento@datacenter.org.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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Galpões industriais ganham protagonismo no desenvolvimento logístico de Santa Catarina
O crescimento industrial e logístico de Santa Catarina tem impulsionado a construção de galpões industriais em regiões estratégicas, como Joinville, Araquari e Garuva. Esses espaços, fundamentais para o armazenamento, transporte e distribuição de mercadorias, exigem soluções construtivas robustas e tecnicamente rigorosas.
Construir galpões industriais envolve mais do que apenas erguer estruturas amplas. Trata-se de atender a exigências de performance, durabilidade e segurança. “Os pisos são projetados para suportar cargas pesadas e ter uma vida útil de várias décadas com manutenção adequada”, explica o engenheiro Marcel Alberto Brümmer, proprietário da Brümmer Soluções de Engenharia.

Crédito: Divulgação/Brümmer Engenharia
Segundo ele, o concreto precisa ser lançado de forma contínua e ágil, para evitar falhas como juntas secas e fissuras. “Se não houver controle adequado no tempo de cura, pode ocorrer desplacamento no acabamento”, acrescenta.
A demanda por pisos resistentes também permite o uso de acabamentos como polimento e endurecedores superficiais, o que garante maior resistência ao desgaste e propriedades antiderrapantes. Em um projeto recente em Joinville, Brümmer detalha que o piso executado com concreto fornecido pela Concrebras tem capacidade para 5 toneladas por metro quadrado, com área total de 5.400 m², espessura de 18 cm e concreto FCK 35 MPa.
Concrebras: fornecimento estratégico com controle tecnológico
Com papel fundamental nesse tipo de obra, a Concrebras se destaca como fornecedora de concreto usinado para pisos industriais de alto desempenho. Presente em diversas obras industriais na região, a Concrebras tem sido uma parceira estratégica para projetos de grande porte.
“Em 2024, executamos galpões com um total de 20 mil metros cúbicos de concreto em Garuva e Itapoá. Neste ano, já finalizamos uma obra com 6 mil metros cúbicos em Araquari”, informa o engenheiro Bruno Leonardo Garcez Alves, coordenador da central da Concrebras em Joinville e Araquari.
A empresa adota rigorosos controles tecnológicos, desde a escolha dos agregados até o transporte e lançamento do concreto. “Para nós, cada etapa é crucial. Nivelamento, limpeza, compactação e armação bem executadas evitam problemas futuros. Nosso papel é garantir a qualidade e constância do fornecimento para não comprometer o andamento da obra”, pontua Bruno.
Multiplicidade de usos e impulso ao desenvolvimento regional

Com vocação para diferentes usos, como locação, centros de distribuição, logística de transportadoras e armazenamento de materiais, os galpões industriais são peça-chave na cadeia produtiva. Em regiões com forte presença do setor metalmecânico, como o norte catarinense, essas construções respondem à necessidade crescente de infraestrutura para atender à demanda do mercado.
Além de economicamente viáveis, os pisos de concreto contribuem com práticas sustentáveis, graças à possibilidade de reciclagem do material e à inércia térmica que colabora com a eficiência energética dos galpões. Investir em obras industriais de qualidade é, portanto, uma forma direta de fomentar o desenvolvimento socioeconômico regional e ampliar a competitividade das empresas.
“A Concrebras atendeu a obra com zelo, cumprimento dos horários e sem interrupções no lançamento do concreto”, conclui Marcel Brümmer, destacando o diferencial que a eficiência do fornecimento representa em projetos desse porte.
Entrevistados
Marcel Alberto Brümmer é engenheiro civil graduado pela Faculdade de Engenharia de Joinville (FEJ/UDESC), pós-graduado em Metodologias para Melhoria da Qualidade de Processos e Produtos pelo Instituto Superior Tupy (IST), Curso de Extensão em Laudo Pericial de Engenharia pela INBEC, graduando em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário UniBF e pós-graduando em Engenharia de Segurança do Trabalho. Atualmente, é proprietário da Brümmer Soluções de Engenharia.
Bruno Leonardo Garcez Alves é engenheiro civil graduado pela Faculdade Meridional (IMED) do Rio Grande do Sul e atualmente é coordenador da central de Joinville e Araquari da Concrebras.
Contatos
marcel@brummer.eng.br
bruno.alves@concrebras.com.br
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