Concreto autoadensável contribui para a eficiência e qualidade em obras e estruturas pré-moldadas

O concreto autoadensável (CAA) consolidou sua presença em diversos segmentos da construção civil nas últimas décadas. Desenvolvido no Japão no fim dos anos 1980, o material se destaca pela capacidade de preencher formas e envolver armaduras apenas com a ação do próprio peso, sem necessidade de vibração mecânica. A característica proporciona ganhos de produtividade, melhora o acabamento superficial e reduz riscos de falhas durante a concretagem.

Embora o uso do CAA já seja amplamente difundido em fábricas de pré-moldados e em grandes obras de infraestrutura, sua adoção em construções convencionais ainda enfrenta desafios relacionados à cultura construtiva e à resistência à mudança de métodos tradicionais.

Segundo o engenheiro civil Cesar Henrique Sato Daher, sócio-fundador do IDD Educação Avançada e da DAHER Engenharia Consultiva e Tecnologia, o setor de pré-fabricados foi pioneiro na utilização da tecnologia. "As indústrias de pré-moldados foram as primeiras a adotar o concreto autoadensável. Atualmente, grande parte das fábricas do segmento e diversas obras de infraestrutura utilizam essa solução de forma consolidada", afirma.

Tecnologia elimina a necessidade de vibração mecânica, reduz falhas de concretagem e ganha espaço em projetos de infraestrutura. Ponte da Vitória - Guaratuba/PR Crédito: Divulgação

Crescimento impulsionado pela infraestrutura

De acordo com Daher, a disseminação do CAA no Brasil ganhou força após a publicação da norma técnica específica, em 2010, resultado de pesquisas conduzidas por universidades e centros de pesquisa nacionais.

Apesar disso, a aplicação em edifícios convencionais ainda ocorre de forma mais restrita. Em muitos casos, o concreto autoadensável é utilizado apenas em elementos estruturais com elevada concentração de armaduras ou em fundações especiais. "Nós mesmos tivemos que superar uma grande barreira para utilizar o concreto autoadensável em toda a estrutura da recém-inaugurada Ponte de Guaratuba. Ainda existe uma forte preferência por sistemas que utilizam vibração do concreto", observa.

Museu Iberê Camargo, em Porto Alegre, com uso de concreto autoadensável. Crédito: Divulgação

Entre os sistemas construtivos que mais contribuíram para ampliar a presença do material, estão as paredes de concreto moldadas no local, que demandam alta produtividade e uniformidade de execução.

Evolução dos aditivos ampliou aplicações

O desenvolvimento dos aditivos superplastificantes foi determinante para a expansão do concreto autoadensável. Os primeiros produtos disponíveis no mercado brasileiro, na década de 1990, apresentavam limitações relacionadas à manutenção da trabalhabilidade e ao aumento da viscosidade da mistura.

A situação começou a mudar com a chegada dos aditivos à base de éter policarboxilato, conhecidos como produtos de terceira geração. "Houve uma evolução significativa desses aditivos ao longo dos anos. Hoje eles permitem maior manutenção da trabalhabilidade, podem ser adicionados diretamente na usina de concreto e apresentam melhor desempenho mesmo com cimentos que possuem maiores teores de adições minerais", explica Daher.

Concreto autoadensável (ensaio de anel J). Crédito: Divulgação

Segundo o especialista, as formulações mais recentes também apresentam maior tolerância à presença de argila nos agregados, ampliando as possibilidades de aplicação em diferentes regiões e condições de obra.

Controle rigoroso garante desempenho

Para assegurar a qualidade do concreto autoadensável, são realizados ensaios específicos previstos nas normas brasileiras. Entre eles, estão os testes que avaliam a fluidez, a viscosidade, a estabilidade da mistura e a capacidade de passagem entre armaduras. Esses procedimentos verificam se o concreto consegue escoar adequadamente, preencher todos os espaços da forma e manter a distribuição uniforme dos agregados, sem ocorrência de segregação ou exsudação.

O monitoramento dessas características é especialmente importante em estruturas complexas, como vigas, pilares e elementos pré-moldados de grande porte.

Cuidados especiais

A elevada fluidez do CAA exige atenção especial ao dimensionamento das formas, já que a pressão exercida pelo material é superior à observada em concretos convencionais. Também é necessário reforçar a vedação das juntas para evitar vazamentos de nata de cimento e defeitos superficiais após a desforma.

De forma semelhante aos materiais convencionais, em concretos com alta taxa de armaduras o controle da granulometria dos agregados torna-se um aspecto ainda mais relevante para o CAA. "É fundamental que o diâmetro máximo dos agregados seja compatível com os espaçamentos entre as barras de aço. Dessa forma, evita-se o bloqueio do material e garante-se o preenchimento adequado dos elementos estruturais", destaca Daher.

Ganhos em produtividade e durabilidade

Entre os benefícios mais valorizados do concreto autoadensável, destacam-se a redução do tempo de execução, a melhoria do acabamento superficial e a diminuição de falhas de concretagem.

Segundo Daher, a eliminação da etapa de vibração mecânica reduz a necessidade de mão de obra direta e acelera os ciclos de produção em fábricas e canteiros. "Há uma redução significativa das falhas de concretagem. O concreto preenche os vazios de forma autônoma e garante o cobrimento adequado das armaduras, contribuindo para aumentar a durabilidade e a vida útil das estruturas", afirma. Além disso, a melhoria da qualidade superficial reduz retrabalhos após a desforma, diminuindo a necessidade de correções, lixamentos e reparos. O resultado é um processo construtivo mais eficiente, com maior controle de qualidade e melhor desempenho estrutural ao longo do tempo.

Tabela comparative. Crédito: Divulgação

Entrevistado

Cesar Henrique Sato Daher é engenheiro civil, técnico em edificações pela UTFPR, graduado em Engenharia Civil e Mestre em Construção Civil pela UFPR, conselheiro e diretor no IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto), membro do Conselho Permanente da Associação Brasileira de Patologia das Construções (ALCONPAT Brasil). 36 anos de experiência em tecnologia do concreto, argamassas e materiais, com participação em obras de vulto convencionais e de infraestrutura. Professor universitário há 25 anos e sócio-fundador do IDD Educação Avançada.

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daher@idd.edu.br

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7th fib Congress destaca inovação e sustentabilidade no concreto estrutural

Entre os dias 15 e 19 de junho de 2026, Lisboa, em Portugal, sediou a 7ª edição do fib Congress, um dos principais eventos mundiais sobre engenharia do concreto. Na sequência, Bergamo, na Itália, recebeu o encontro "Estruturas de Concreto: oportunidades e novos desafios". Nos dois eventos, especialistas discutiram as principais tendências para o setor, com destaque para industrialização, Inteligência Artificial e descarbonização.

Íria Doniak, presidente da fib e presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic), participou dos dois encontros. No congresso da fib, atuou como anfitriã da entidade, que reúne representantes de 42 países. Já na Itália, ministrou a palestra magna sobre as transformações que estão remodelando a engenharia estrutural.

"Os dois eventos deixaram claro que os principais vetores da engenharia do concreto para os próximos anos serão a industrialização, a digitalização, os novos materiais e a entrada de novos agentes no mercado. Todos esses temas estão conectados a dois desafios centrais: descarbonização e resiliência", afirma Íria Doniak.

Evento destacou que os principais vetores da engenharia do concreto para os próximos anos serão a industrialização, a digitalização, os novos materiais e a entrada de novos agentes no mercado.
Crédito: fib Congress

Segundo ela, as mudanças climáticas e as questões geopolíticas exigirão estruturas mais resistentes, enquanto a necessidade de reduzir emissões impulsiona soluções capazes de consumir menos recursos. "A saída está no equilíbrio e no avanço tecnológico. Sustentabilidade e resiliência não podem ser vistas como conceitos opostos, mas complementares."

A executiva ressalta que essa visão deve estar presente desde o projeto estrutural, considerando todo o ciclo de vida da obra, incluindo construção, operação, manutenção, reuso, demolição e economia circular.

Estruturas existentes ganham protagonismo

Além das novas obras, Íria destaca que a conservação das estruturas existentes será uma das principais prioridades da engenharia mundial. Segundo ela, o envelhecimento da infraestrutura está acelerando a adoção de tecnologias voltadas ao monitoramento estrutural, à inspeção automatizada e à manutenção preditiva.

"O uso de sensores, drones, visão computacional, Inteligência Artificial e gêmeos digitais permite acompanhar o desempenho das estruturas em tempo real, identificar precocemente sinais de deterioração e planejar intervenções de forma muito mais eficiente", explica.

Na avaliação da presidente da fib, a integração entre monitoramento estrutural, IA e gêmeos digitais representa uma mudança de paradigma ao substituir modelos de manutenção corretiva por estratégias preventivas, aumentando a durabilidade, a segurança e a sustentabilidade das obras.

Ela lembra ainda que o fib Model Code 2020 dedicou amplo espaço às estruturas existentes, estabelecendo metodologias voltadas à durabilidade e ao planejamento do ciclo de vida. "A tecnologia, por si só, não resolve os problemas. A base conceitual e a capacidade de interpretar dados continuam sendo fundamentais."

Sustentabilidade vai além da questão ambiental

Para Íria, a sustentabilidade precisa ser analisada de forma ampla, incluindo também aspectos sociais e econômicos. Um exemplo é a redução da disponibilidade de mão de obra qualificada, fenômeno observado em diversos países.

Arquitetura Paramétrica

Outro ponto destacado por Íria foi a evolução da arquitetura paramétrica, bem como a combinação de diferentes sistemas e materiais nos projetos. “Os grandes desafios não estão ligados apenas à engenharia, mas, principalmente, à visão arquitetônica”, pontua.

Industrialização e concretos de baixo carbono

A executiva afirma que a industrialização da construção é um dos caminhos mais promissores para aumentar a produtividade e reduzir impactos ambientais. O objetivo é utilizar menos concreto, porém com desempenho estrutural superior, aliado ao desenvolvimento de concretos de baixo carbono e novos materiais.

"No Brasil ainda existe uma cultura muito voltada ao menor custo inicial, deixando em segundo plano o custo-benefício ao longo da vida útil da estrutura. À medida que cresce a demanda por soluções sustentáveis, as novas tecnologias tendem a se tornar mais competitivas", afirma.

Segundo Íria, o Brasil tem avançado nesse cenário. "A industrialização tornou-se prioridade para muitas construtoras diante da escassez e do custo da mão de obra. Somos o único país da América Latina com normalização própria nessa área e avançamos em iniciativas como a futura norma para projeto com UHPC, além de pesquisas sobre reforços não metálicos, geopolímeros e outros materiais inovadores."

Inteligência Artificial transforma todo o ciclo da obra

A combinação entre Inteligência Artificial, BIM, sensores e gêmeos digitais está modificando todas as etapas do ciclo de vida das estruturas de concreto.

"No projeto, essas ferramentas permitem otimizar o dimensionamento estrutural, comparar diferentes alternativas e reduzir incompatibilidades. No entanto, elas não substituem a experiência do projetista. Um bom projeto nasce do conhecimento técnico antes mesmo do uso de qualquer software", destaca.

Durante a execução, sensores e drones permitem acompanhar a obra em tempo real, reduzindo desperdícios, retrabalhos e riscos. Já na fase operacional, os gêmeos digitais associados à IA tornam possível monitorar continuamente o desempenho das estruturas, antecipar falhas e otimizar o planejamento da manutenção.

Segundo Íria, além dos ganhos em produtividade e segurança, essas tecnologias contribuem para reduzir a pegada de carbono, ao otimizar o consumo de materiais, prolongar a vida útil das estruturas e apoiar estratégias de economia circular. "Elas não garantem, isoladamente, a neutralidade de carbono, mas são ferramentas essenciais para acelerar essa transição."

Visita técnica

Além das conferências, a programação do fib Congress incluiu visitas técnicas à Ponte Vasco da Gama, ao Phoenix Building e ao MIMA Living (condomínio residencial do Parque das Nações), permitindo aos participantes conhecer na prática soluções inovadoras em engenharia.

Segundo Íria Doniak, a experiência reforçou que inovação também passa pelo aprendizado com obras históricas e contemporâneas. Entre os destaques, o Phoenix Building chamou atenção pelo uso intensivo de protensão, fachadas pré-fabricadas em UHPC e elevado nível de industrialização para vencer vãos livres superiores a 45 metros.

Já a Ponte Vasco da Gama, uma das maiores da Europa, demonstra como concreto de alto desempenho, elementos pré-fabricados e sistemas permanentes de monitoramento estrutural podem garantir durabilidade, segurança e sustentabilidade em uma obra executada sob condições geotécnicas e ambientais extremamente desafiadoras. “Seu principal desafio foi a construção sobre o estuário do rio Tejo, com solos de baixa capacidade resistente, ambiente marinho agressivo e elevada exigência de resistência a ações sísmicas, ventos e marés. Para superar essas condições, foram adotados fundações profundas, concreto de alto desempenho, elementos pré-fabricados e métodos construtivos que reduziram o impacto ambiental e aumentaram a eficiência da execução”, relata Íria.

Impactos para o mercado brasileiro

Na avaliação da presidente da fib, o Brasil acompanha as principais tendências internacionais da engenharia do concreto, embora sua adoção ocorra em velocidades diferentes entre empresas e órgãos públicos.

"A qualidade precisa vir antes da tecnologia. Ainda enfrentamos desafios relacionados à contratação de projetos, burocracia, legislação, qualificação profissional e questões culturais. Precisamos romper paradigmas que consomem tempo e recursos", afirma.

Entre as mudanças com maior potencial de impacto no curto prazo, Íria destaca a ampliação do BIM, da Inteligência Artificial, do monitoramento estrutural por sensores, dos concretos de alto desempenho e da industrialização da construção.

"Em pesquisa e desenvolvimento, a engenharia brasileira evolui rapidamente. O maior desafio não está na tecnologia, mas na forma como contratamos projetos e estruturamos nossos processos. Precisamos transformar esse conhecimento em produtividade, sustentabilidade e infraestrutura de maior qualidade", conclui.

Fonte

Íria Doniak, presidente da fib e presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic).

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Megaporto em Singapura usa caixas gigantes de concreto

Singapura está expandindo seu território sobre o oceano para construir o que será o maior porto automatizado do planeta. Orçado em cerca de US$ 20 bilhões, o Porto de Tuas representa uma das mais ambiciosas obras de engenharia marítima da atualidade, combinando aterro em larga escala, estruturas gigantescas de concreto, automação, inteligência artificial e soluções voltadas à economia circular.

Quando estiver totalmente concluído, na década de 2040, o complexo terá capacidade para movimentar 65 milhões de TEUs (Twenty-foot Equivalent Unit, ou unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) por ano. Esse volume representa quase o dobro dos 37,5 milhões de TEUs movimentados por Singapura em 2021 e permitirá concentrar, em uma única instalação, as operações atualmente distribuídas entre diversos terminais da cidade-Estado.

“Com sua escala incomparável, capacidade e recursos avançados, o megacomplexo portuário está bem posicionado para atender às necessidades em evolução da indústria global da cadeia de suprimentos. Ele oferece garantia de capacidade de longo prazo e conectividade superior aos nossos clientes, consolidando seu status como o hub preferencial do comércio global.”, explica Ong Kim Pong, CEO do Grupo PSA International.

Infraestrutura de contenção é formada por gigantescos caixões de concreto pré-moldados. Crédito: Maritime and Port Authority of Singapore (MPA)

Por trás dos números da logística global, está uma obra monumental de engenharia costeira.

Uma muralha de concreto com quase 18 quilômetros de extensão

A peça central do projeto está praticamente escondida sob o mar. Segundo a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA), a infraestrutura de contenção é formada por gigantescos caixões de concreto pré-moldados, estruturas com altura equivalente a edifícios de dez andares e peso de aproximadamente 15 mil toneladas cada.

Na primeira fase do empreendimento foram instalados 221 caixões, formando 8,6 quilômetros de parede marítima. Já a segunda fase acrescentou outros 227 elementos, totalizando mais 9,1 quilômetros de contenção.

De acordo com a MPA, essas estruturas cumprem múltiplas funções: atuam como muros de contenção, fundações dos cais e suporte para os berços de atracação. Fabricados em um estaleiro próximo, os blocos foram rebocados até o local da obra e afundados sobre fundações previamente preparadas no fundo do mar.

Ao final do projeto, o porto terá 66 berços distribuídos ao longo de 26 quilômetros, aptos a receber os maiores navios porta-contêineres do mundo.

Engenharia geotécnica em escala extrema

A construção do Porto de Tuas exigiu a recuperação de grandes áreas marítimas. Somente na primeira fase, concluída em 2021, foram realizadas melhorias geotécnicas em 414 hectares, incluindo 294 hectares de novas terras conquistadas ao mar.

Segundo a MPA, mais de 34 milhões de horas de trabalho e mais de 450 empresas participaram dessa etapa.

Os sedimentos utilizados no aterro, incluindo materiais argilosos, passaram por tratamentos específicos para garantir níveis rigorosos de estabilidade do terreno. O objetivo era assegurar precisão suficiente para a futura operação dos veículos autônomos responsáveis pela movimentação dos contêineres.

Os berços de águas profundas foram dimensionados para receber navios com calado de até 21 metros, atendendo às futuras gerações de embarcações de grande porte.

Projeto foi elevado para enfrentar a elevação do nível do mar

A adaptação às mudanças climáticas também foi incorporada ao projeto.

Segundo a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA), toda a plataforma operacional do Porto de Tuas foi construída cinco metros acima do nível médio do mar, aumentando a resiliência da infraestrutura frente ao avanço das águas nas próximas décadas.

Além disso, o layout em finger piers — píeres em formato de dedos — permite maximizar o aproveitamento simultâneo das áreas terrestres e marítimas, solução especialmente importante em um país com apenas 730 km² de território.

Essa configuração proporcionou um ganho adicional de cerca de 115 hectares de área útil.

A solução também traz flexibilidade operacional, permitindo que navios de diferentes comprimentos atraquem de forma mais eficiente ao longo dos berços.

Mais da metade do aterro veio de materiais reaproveitados

Um dos destaques do empreendimento é a adoção de princípios de economia circular.

De acordo com a MPA, mais de 50% dos materiais utilizados nas fases iniciais do aterro foram provenientes de sedimentos dragados e terras escavadas em outros projetos de infraestrutura.

Rochas retiradas do fundo marinho também foram reutilizadas nas obras de proteção costeira e preenchimento das áreas recuperadas.

A estratégia reduziu significativamente a dependência de areia para aterros e permitiu uma economia superior a S$ 2 bilhões em materiais de preenchimento.

Inteligência artificial e automação no coração da operação

Além da infraestrutura física, o Porto de Tuas foi concebido para operar praticamente de forma autônoma.

Guindastes eletrificados e automatizados e veículos guiados automaticamente (AGVs) serão responsáveis pela movimentação dos contêineres entre os pátios e os cais.

As operações serão monitoradas remotamente a partir do Centro de Controle do Porto de Tuas, apoiadas por redes privadas 5G, sistemas digitais de gerenciamento do tráfego marítimo e plataformas capazes de otimizar o fluxo de navios em tempo real.

Segundo a MPA, toda a infraestrutura foi concebida para elevar a eficiência operacional e reduzir o tempo de permanência das embarcações no porto.

Meta é atingir emissões líquidas zero em 2050

A sustentabilidade é outro eixo central do projeto. A operadora PSA pretende alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Os equipamentos eletrificados deverão reduzir em aproximadamente 50% as emissões em comparação com os sistemas movidos a diesel.

Os edifícios do complexo também seguem padrões de alta eficiência energética. O edifício administrativo da Base de Manutenção de Tuas, certificado Green Mark Platinum Super Low Energy, consome 58% menos energia que construções convencionais de tamanho semelhante e gera energia solar suficiente para compensar seu próprio consumo.

Prazos

A Fase 1 do Porto de Tuas contará com 21 berços de águas profundas e capacidade para movimentar 20 milhões de TEUs por ano quando estiver plenamente operacional, em 2027. A PSA planeja transferir para o novo complexo as operações dos terminais de Tanjong Pagar, Keppel e Brani até 2027, enquanto o Terminal Pasir Panjang será incorporado ao Porto de Tuas na década de 2040.

Veja cada etapa da construção:

https://www.youtube.com/watch?v=Apy0mMI4gVY&list=PLCtifntA_CXVwM7FRvUoIhX6y2qJ4HogV

Fontes

Ong Kim Pong, CEO do Grupo PSA International.

Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA)

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PSA: j.swiderski@loconi.pl

MPA: serene_liu@mpa.gov.sg

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Colapso de ponte no Acre mobiliza análise de estrutura, solo e cheias

A ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira (AC), desabou na noite de 5 de junho, um dia após ter sido interditada devido ao risco de colapso identificado nas margens do Rio Iaco. A estrutura havia sido entregue em janeiro de 2024 e agora é alvo de investigação do Ministério Público do Acre (MP-AC), que solicitou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) uma perícia para apurar possíveis falhas de projeto, execução ou materiais.

Sinais prévios

A interdição ocorreu após o resultado de uma inspeção realizada em 28 de maio pelo 6º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar, motivada por relatos de fissuras. Em resposta, a Construtora Cidade Ltda., responsável pela obra, seguiu a recomendação dos bombeiros e interditou a travessia.

Ponte Frei Paolino Baldassari foi entregue em janeiro de 2024.
Crédito: Neto Lucena/Secom do Governo do Estado do Acre

Para Sady Ivo Pezzi Júnior, especialista em Engenharia Consultiva e Diagnóstico Estrutural, fissuras associadas a movimentações do solo caracterizam um quadro crítico. “Esses sinais refletem uma perda de equilíbrio das fundações. O recalque diferencial provoca redistribuição de esforços e concentração de tensões, manifestando-se por fissuras que funcionam como um último alerta antes do colapso”, afirma.

Segundo ele, a prevenção exige modelagem avançada da interação solo-estrutura e fundações apoiadas em camadas geotécnicas estáveis, abaixo da zona sujeita à erosão.

Hipótese das “terras caídas”

Informações preliminares do governo estadual apontam que as oscilações do Rio Iaco podem ter contribuído para o desabamento. O rio apresenta ciclos intensos de cheias e vazantes, típicos da Amazônia, que são conhecidos como “terras caídas”.

“O fenômeno das ‘terras caídas’ é uma das forças geomorfológicas mais severas da região. Durante as cheias, o solo se satura e perde resistência; na vazante, a retirada do suporte hidráulico favorece deslizamentos abruptos das margens”, explica Pezzi.

Segundo Pezzi, obras em áreas como essa exigem investigações geotécnicas profundas, estudos hidrológicos e monitoramento da dinâmica do leito do rio. Entre as soluções de estabilização estão gabiões, geotêxteis, bioengenharia e, em cenários mais severos, cortinas de estacas-prancha.

Para Carlos Henrique Siqueira, doutor em vistoria e manutenção de pontes e consultor da Ponte Rio-Niterói, colapsos geralmente resultam de uma causa principal combinada com fatores contribuintes. “Há relatos de que as chuvas intensas e a elevação do nível do rio provocam erosão e instabilidade do solo nas fundações. Como se trata de um fenômeno recorrente, é natural questionar se essas condições foram devidamente consideradas no projeto e na manutenção”, avalia.

Soluções

Segundo Edson Villela, professor do UniBrasil Centro Universitário, a erosão fluvial é comum na Amazônia e a preservação da vegetação ciliar é uma das principais formas de mitigação.

“A mata ciliar é fundamental porque as raízes ajudam a estabilizar o solo e reduzem a ação da correnteza. Sem essa proteção, o processo de erosão se intensifica”, explica.

Além da vegetação, soluções como muros de arrimo, enrocamentos e estruturas de concreto podem proteger as margens. “Nos rios amazônicos, o desafio é maior porque as cheias e vazantes tornam o solo mais instável, favorecendo o fenômeno das terras caídas”, acrescenta.

Villela observa que, em uma ponte tão recente, o colapso tende a estar associado a fatores como erosão, instabilidade do terreno ou falhas de projeto e/ou execução, e não ao envelhecimento da estrutura. “Pelas imagens, uma hipótese é que a erosão tenha comprometido as fundações. Mas apenas a perícia poderá confirmar ou descartar essa possibilidade”, ressalta.

Pezzi destaca três macro-hipóteses para a investigação: falhas de projeto, falhas de execução ou ações ambientais excepcionais superiores aos parâmetros previstos. “A definição da causa ocorre por exclusão, com análise dos modelos estruturais, ensaios laboratoriais e levantamentos do meio físico”, explica.

Monitoramento e prevenção

Villela ressalta que hoje já existem sensores capazes de identificar deslocamentos milimétricos nas fundações e estruturas antes que apareçam fissuras. “Quando as rachaduras se tornam visíveis, normalmente o processo já está em estágio avançado”, afirma.

Pezzi defende a substituição das inspeções apenas visuais por sistemas de monitoramento contínuo, com inclinômetros, células de carga, sensores de fibra óptica, drones e tecnologia InSAR para detectar deformações e deslocamentos das margens.

Para Siqueira, os órgãos públicos e profissionais que conhecem a dinâmica local têm papel importante na identificação dos riscos. “Quando isso não ocorre, cria-se uma sucessão de falhas que pode culminar em acidentes. O episódio também evidencia que o Brasil ainda carece de uma cultura consolidada de inspeção e manutenção preventiva de pontes”, afirma.

Segundo ele, países que possuem programas permanentes de inspeção contam com recursos específicos para esse fim. “No Brasil, existem normas e iniciativas, mas ainda há espaço para aprimorar os programas de conservação. Em muitos casos, estruturas concessionadas tendem a ter rotinas mais frequentes de monitoramento, enquanto no âmbito federal, estadual e municipal ainda há desafios para garantir maior previsibilidade e segurança”, comenta.

Perícia será decisiva

O fato de a ponte ter apenas dois anos reforça a necessidade de uma avaliação rigorosa. Em estruturas relativamente novas, um colapso desse porte normalmente exige investigação ampla, envolvendo não apenas a estrutura da ponte, mas também fundações, encontros, margens do rio, comportamento do solo, regime hidrológico, execução da obra, controle tecnológico dos materiais e medidas de proteção contra erosão.

Segundo Villela, a investigação deverá avaliar se houve falha de projeto ou problemas na execução, incluindo concretagem, posicionamento das armaduras e qualidade dos materiais. “O cobrimento de concreto é essencial para proteger o aço da corrosão. Se essa proteção falha, pode haver perda de resistência e comprometimento estrutural”, explica.

Pezzi acrescenta que o local passa a ser tratado como um cenário forense. Entre os ensaios previstos estão mapeamento por laser scanner 3D, extração de testemunhos de concreto, ensaios no aço e novo levantamento batimétrico do leito do Rio Iaco. “Essas análises permitem reconstruir a cinemática do colapso e identificar, com precisão técnica, o fator desencadeador da queda”, conclui.

Entrevistados
Edson Villela é professor do UniBrasil Centro Universitário no curso de Arquitetura e Urbanismo, mestre em gestão urbana e doutorando em urbanismo.

Carlos Henrique Siqueira é doutor em Vistoria e Manutenção de Pontes e consultor da Ponte Rio-Niterói.

Sady Ivo Pezzi Júnior é engenheiro civil, especialista em engenharia consultiva e diagnóstico estrutural e proprietário da Sady Pezzi Soluções Empresariais Ltda.

Contato
Assessoria UniBrasil Centro Universitário – pauta@acciocomunicacao.com

Carlos Henrique Siqueira - carloshsiqueira@yahoo.com.br

Sady Ivo Pezzi Júnior: sady.pezzi@yahoo.com.br

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Construção civil aposta em concretos leves para ganhar produtividade, reduzir prazos e ter mais previsibilidade nas obras

A busca por maior eficiência tem levado a construção civil a adotar métodos industrializados capazes de reduzir desperdícios, otimizar cronogramas e aumentar o controle de qualidade. Nesse cenário, os painéis de concreto leve vêm conquistando espaço em diferentes tipos de empreendimentos por aliarem produtividade, desempenho e racionalização construtiva.

Produzidos em ambiente fabril controlado, os painéis são utilizados principalmente em sistemas de vedação vertical e fachadas. Sua composição combina concreto leve de alta tecnologia, agregados especiais e materiais que reduzem a densidade do produto sem comprometer sua resistência e durabilidade.

Painéis de concreto leve aplicados no Hotel Grand Oca Maragogi. Crédito: Divulgação/Lightwall Brasil

De acordo com a engenheira Jéssica Dantas, a solução pode ser aplicada em habitações de interesse social, edifícios residenciais de médio e alto padrão, hotéis, empreendimentos comerciais e edificações institucionais, atendendo às exigências de um mercado que busca construções mais eficientes e previsíveis.

Produção industrial garante qualidade e padronização

Material atende às exigências de um mercado que busca construções mais eficientes e previsíveis. Crédito: Divulgação/Lightwall Brasil

Diferentemente dos sistemas convencionais executados diretamente nos canteiros, os painéis de concreto leve passam por um processo industrializado que contempla dosagem controlada dos materiais, moldagem padronizada, inserção de componentes de ligação, cura monitorada e inspeções de qualidade. “Essa metodologia reduz as variáveis da execução em campo e proporciona maior uniformidade de desempenho entre os elementos produzidos”, assinala Jéssica.

A industrialização é um dos fatores que explicam o crescimento da tecnologia no setor. “Os painéis de concreto leve representam uma evolução na forma de construir. Eles unem industrialização, desempenho e sustentabilidade para entregar edificações mais eficientes, previsíveis e alinhadas às demandas da construção contemporânea”, afirma. Outro diferencial está no sistema de encaixe macho e fêmea, que facilita a montagem e contribui para a qualidade final da vedação.

Redução de prazos e maior eficiência operacional

Entre os principais benefícios dos concretos leves, está o ganho de produtividade. Como os elementos chegam prontos ao canteiro, o processo de instalação ocorre de forma mais rápida em comparação aos sistemas tradicionais de alvenaria. “Essa característica permite reduzir o tempo de execução das vedações, diminuir a dependência de mão de obra intensiva e viabilizar a realização simultânea de diferentes frentes de trabalho”, observa.

Painéis leves são compostos por concreto leve de alta tecnologia, com baixa densidade e elevada capacidade de desempenho.
Crédito: Divulgação/Lightwall Brasil

Jéssica aponta que a previsibilidade também é um aspecto valorizado pelas construtoras. “A industrialização reduz as variabilidades típicas dos métodos convencionais, proporcionando mais controle sobre custos, cronogramas e desempenho da edificação”, destaca. Além da agilidade, o sistema contribui para a organização do canteiro, reduz perdas de materiais e minimiza a necessidade de retrabalhos e correções durante a obra.

Conforto térmico e acústico como diferenciais

Os concretos leves também oferecem benefícios relacionados ao desempenho das edificações. Sua composição apresenta maior volume de ar incorporado e utilização de EPS (poliestireno expandido), fatores que favorecem o isolamento térmico. Na prática, isso reduz a transferência de calor entre ambientes, contribui para a estabilidade térmica interna e pode diminuir a demanda por sistemas de climatização, resultando em economia de energia.

O desempenho acústico é outro atributo relevante. As características do material e a configuração dos painéis auxiliam na redução da transmissão de ruídos externos e no isolamento entre ambientes internos, ampliando o conforto dos usuários. “Dependendo da solução adotada, os sistemas podem atender aos requisitos estabelecidos pela ABNT NBR 15575, norma que define critérios de desempenho para edificações habitacionais”, informa.

Tecnologia alinhada às novas demandas da construção

A crescente adoção de soluções industrializadas está diretamente relacionada à necessidade de construir com mais eficiência e menor impacto ambiental. Nesse contexto, os painéis de concreto leve acompanham tendências como Design for Manufacturing and Assembly (DfMA), planejamento Lean e integração com plataformas BIM.

Engenheira Jéssica Dantas. Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Outro aspecto relevante é a redução do desperdício de materiais ao longo da obra, fator que contribui para uma utilização mais racional dos recursos disponíveis. Jéssica acredita que a combinação entre produtividade, desempenho e sustentabilidade coloca a tecnologia em sintonia com os desafios atuais do setor. “Trata-se de uma solução que oferece escalabilidade, controle de qualidade e ganhos operacionais sem abrir mão do desempenho exigido pelas edificações modernas”, conclui.

Entrevistado

Jéssica Dantas é engenheira civil, mestre em Inovação na Construção Civil pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em industrialização, tecnologias emergentes e inteligência artificial aplicada ao setor. Palestrante nacional e internacional, com forte atuação em entidades técnicas como IBRACON e ALCONPAT, conectando tendências globais à realidade do mercado brasileiro com foco em eficiência, escala e impacto.

Contato

je_adantas@hotmail.com

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CEHídrica calcula o consumo de água em obras e edificações

Durante Conferência Internacional Greenbuilding Brasil 2025, o Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) lançou a versão piloto da Calculadora de Eficiência Hídrica na Construção Civil (CEHídrica). A ferramenta foi desenvolvida para mensurar e gerenciar o consumo de água em empreendimentos ao longo de seu ciclo de vida, abrangendo desde a fabricação dos materiais até a fase de uso das edificações. Em maio de 2026, a entidade lançou oficialmente a CEHídrica em um evento realizado no Salão Nobre da Fiesp.

“Em 13 de maio de 2026, foi lançada a versão completa da CEHídrica, ampliando seu escopo de análise, permitindo avaliar o desempenho hídrico dos empreendimentos desde a etapa de projeto até sua operação”, comenta Vanessa Dias, supervisora de meio ambiente do SindusCon-SP.

Para Vanessa, a principal mudança cultural que a CEHídrica pretende promover é a incorporação da gestão da água como um critério estratégico na tomada de decisões das construtoras e incorporadoras.

“A ferramenta permite que as empresas realizem seus inventários de eficiência hídrica ainda na fase de projeto, possibilitando avaliar diferentes soluções construtivas e materiais antes do início da obra. Dessa forma, as decisões podem ser tomadas com base em dados e indicadores, favorecendo a adoção de alternativas mais eficientes e sustentáveis”, aponta a supervisora de meio ambiente.

Participantes do lançamento da CEHídrica e da Plataforma Construção Sustentável SindusCon-SP, realizado no Salão Nobre da Fiesp. Crédito: Divlugação/SindusCon-SP

 Durante a execução de um empreendimento, a CEHídrica também possibilita o acompanhamento e monitoramento contínuo dos indicadores hídricos, permitindo comparar o desempenho real da obra com as estimativas realizadas na fase de projeto.

“Esse processo gera aprendizado, aprimora a gestão dos recursos hídricos e contribui para a melhoria dos empreendimentos.  Mais do que uma ferramenta de medição, a CEHídrica busca estimular uma mudança de abordagem no setor, incentivando que a eficiência hídrica seja considerada desde as etapas iniciais de concepção e planejamento dos empreendimentos”, justifica Vanessa.

Como funciona a CEHídrica?

Por meio de uma plataforma interativa e gratuita, a ferramenta permite que construtoras e incorporadoras calculem a quantidade de água consumida para produzir um metro quadrado de área construída. Além disso, possibilita a identificação do índice de consumo por tipologia residencial, comercial ou de uso misto.

Os dados coletados irão compor um banco de dados do setor, possibilitando análises comparativas mais precisas e a adoção de práticas de gestão mais eficazes. Além disso, a ferramenta contribuirá para avaliar os impactos do empreendimento no entorno, apoiando a implementação de medidas que reduzam os efeitos negativos e potencializem os benefícios para a comunidade e o ambiente local.

“A CEHídrica calcula a pegada hídrica da construção civil com base em uma abordagem de ciclo de vida, abrangendo desde a extração e produção dos insumos até a construção e a fase de uso da edificação. Para isso, a ferramenta considera parâmetros relacionados aos materiais, aos maquinários, ao transporte e ao consumo de água e energia, além de estimativas para a operação da edificação. Os resultados são apresentados por meio de inventários de consumo direto, referente à operação, e indireto, associados aos materiais, à energia e ao transporte”, explica Vanessa.

 Além da quantificação do consumo de água, a CEHídrica aplica o método AWARE (Available Water Remaining), que incorpora a disponibilidade hídrica local à análise. “Dessa forma, a ferramenta permite avaliar não apenas o volume de água consumido, mas também o potencial impacto desse consumo sobre os recursos hídricos de cada região, proporcionando uma visão mais abrangente do desempenho hídrico do empreendimento”, indica Vanessa.

A CEHídrica foi desenvolvida de forma integrada à CECarbon (Calculadora de Consumo Energético e Emissões de Carbono na Construção Civil), possibilitando a geração conjunta de relatórios sobre pegada hídrica e emissões de carbono. Com isso, a ferramenta oferece uma avaliação mais abrangente do desempenho ambiental e da sustentabilidade dos empreendimentos.

Confiabilidade e parâmetros

A confiabilidade dos dados na CEHídrica é garantida principalmente pela utilização de uma metodologia reconhecida internacionalmente, baseada na NBR ISO 14046 e nos princípios da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). “A ferramenta estabelece critérios padronizados para a coleta e inserção das informações e

essa padronização possibilita a comparabilidade dos resultados entre empreendimentos, tipologias construtivas e regiões. Para facilitar o correto preenchimento das informações, a CEHídrica foi estruturada com uma linguagem próxima da realidade das obras, tornando a inserção de dados mais simples e intuitiva”, afirma Vanessa.

 A ferramenta também possui uma política de privacidade que garante a confidencialidade das informações fornecidas. “Os dados individuais são protegidos e utilizados exclusivamente para a geração de indicadores setoriais”, pontua a supervisora de meio ambiente.

Feedbacks

De acordo com Vanessa, os feedbacks recebidos dos usuários têm sido positivos. “As empresas destacam a contribuição da CEHídrica para aprimorar a gestão e o monitoramento do uso da água, apoiar a identificação de oportunidades de redução de consumo e fortalecer o compromisso do setor com a sustentabilidade”, comenta.

 Por ser uma ferramenta online, gratuita e desenvolvida especificamente para a construção civil, a CEHídrica amplia o acesso à gestão da eficiência hídrica. “Sua acessibilidade permite que empresas de todos os portes, incluindo pequenas e médias, possam monitorar indicadores, avaliar seu desempenho e incorporar critérios de eficiência hídrica à tomada de decisão, promovendo uma gestão mais sustentável”, conclui Vanessa.

Fonte

Vanessa Dias é Supervisora de Meio Ambiente do SindusCon-SP.

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Assessoria de imprensa do SindusCon-SP: rmontagnini@sindusconsp.com.br

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP 

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ADIT Arq reúne especialistas para discutir tendências e desafios da construção civil e arquitetura

O setor da construção civil vive um momento de transformação impulsionado por novas demandas de mercado, avanços tecnológicos e mudanças na forma de planejar e ocupar os espaços urbanos. Nesse contexto, eventos que promovem a troca de experiências e a apresentação de soluções inovadoras ganham relevância. Foi o que ocorreu no ADIT Arq, Seminário de Arquitetura, Design e Projetos da ADIT Brasil, que chegou à sua quinta edição nos dias 10 e 11 de junho, reunindo profissionais de diferentes áreas ligadas ao desenvolvimento imobiliário.

A proposta do encontro foi aproximar os diversos agentes envolvidos na criação e operação de empreendimentos, promovendo uma visão mais integrada sobre os desafios e as oportunidades do setor. A programação contemplou debates sobre arquitetura, design, ESG, urbanismo, inovação e tendências que impactam tanto os mercados imobiliário quanto turístico.

Um espaço para conectar diferentes visões

Segundo Camila Oliveira, superintendente de Mercado Imobiliário da ADIT Brasil, o seminário surgiu da necessidade de aproximar profissionais que, tradicionalmente, participavam de discussões em ambientes distintos. "O ADIT Arq surgiu da percepção de que existia pouco espaço para encontros que aproximassem arquitetura e desenvolvimento imobiliário sob uma mesma perspectiva. Muitas vezes, quem projeta e quem estrutura, desenvolve ou opera empreendimentos participa de debates separados", afirma.

Evento contribui para que o mercado desenvolva soluções conectadas às demandas contemporâneas. Crédito: Divulgação

Ela destaca que, ao longo dos anos, o evento ampliou seu alcance e passou a reunir representantes de diferentes segmentos da cadeia produtiva da construção. "O evento nasceu justamente para reduzir essa distância, promovendo conversas sobre projetos relevantes a partir de diferentes visões. Ao longo das edições, evoluiu para um ambiente de troca entre arquitetos, incorporadores, desenvolvedores e demais profissionais do setor", explica.

Construção além da estética

Uma das propostas do ADIT Arq é ampliar o olhar sobre os empreendimentos, considerando fatores que vão além do projeto arquitetônico. Questões relacionadas à eficiência operacional, sustentabilidade, experiência do usuário e impactos urbanos estiveram presentes nas discussões. "A integração acontece principalmente a partir dos projetos apresentados. Os cases discutiram decisões ligadas à implantação urbana, relação com o entorno, soluções construtivas, mobilidade e novos modelos de ocupação dos espaços", afirma Camila.

De acordo com ela, essa abordagem permite compreender a arquitetura como parte de um processo mais amplo de desenvolvimento. "Isso permite analisar arquitetura para além da estética, considerando também impactos sociais, ambientais, econômicos e operacionais dos empreendimentos", complementa.

Cases que apontam novos caminhos

Nesta edição, o seminário alcançou um marco importante ao apresentar o maior número de cases desde sua criação, incluindo referências nacionais e internacionais. A programação incluiu projetos que exemplificam diferentes estratégias de ocupação urbana e desenvolvimento territorial.

Entre os destaques, foram mostrados os cases da Masterplan RDC Parque Una SJC, em São José dos Campos (SP), concebido para integrar moradia, trabalho e mobilidade; o Jardins Dona Isabel, em Bento Gonçalves (RS), voltado à valorização da identidade local; a Fazenda Alegria, em Minas Gerais, que prioriza a preservação das características naturais do território; e o empreendimento Origem, em Balneário Camboriú (SC), que propõe uma relação mais equilibrada entre cidade e natureza.

Além dos empreendimentos residenciais e de uso misto, o evento também trouxe reflexões sobre o crescimento de projetos ligados ao turismo, segmento que tem movimentado investimentos em diferentes regiões do país. "Existe uma demanda crescente por empreendimentos que combinam desenvolvimento imobiliário, hospitalidade, lazer e experiência, impulsionando novos modelos de ocupação e investimento", observa Camila. Segundo ela, especialmente na região Sul, esses projetos têm contribuído para estimular a economia local e gerar novas dinâmicas urbanas.

Referências nacionais e internacionais

Reunindo cerca de 300 participantes, o ADIT Arq reforça seu papel como ambiente de atualização profissional e geração de negócios. Ao promover o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento, o evento contribui para que o setor da construção civil acompanhe as transformações do mercado e desenvolva soluções mais conectadas às demandas contemporâneas.

Entrevistado

Camila Oliveira é arquiteta e urbanista, mestra em Dinâmicas do Espaço Habitado, atua como Superintendente de Mercado Imobiliário da ADIT Brasil, liderando projetos como missões técnicas, seminários, cursos e outros eventos e ações conectados ao setor imobiliário da entidade.

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adler.tavares@adit.com.br (Assessoria de Imprensa)

Jornalista responsável

Ana Carvalho

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Lajes protendidas reduzem prazos, desperdícios e custos na construção industrializada

A busca por soluções mais eficientes tem levado a construção civil a incorporar métodos industrializados em diferentes etapas dos empreendimentos. Nesse contexto, as lajes com vigotas protendidas vêm se consolidando como uma alternativa para obras residenciais, comerciais e industriais que demandam produtividade, controle de qualidade e melhor aproveitamento dos recursos.

O sistema é composto por vigotas pré-fabricadas de concreto protendido, elementos de enchimento, armaduras complementares e uma capa de concreto moldada no local. Sua principal característica é a utilização de fios ou cordoalhas de aço submetidos à protensão durante o processo de fabricação das vigotas. Essa técnica introduz esforços de compressão no concreto, compensando parte das tensões de tração geradas pelas cargas de serviço e proporcionando melhor desempenho estrutural.

Como resultado, as lajes protendidas podem apresentar maior capacidade de vencer vãos, redução de deformações (flechas), melhor controle da fissuração e otimização do consumo de materiais, contribuindo para sistemas construtivos mais eficientes e racionalizados.

Segundo Felipe Schneider, professor universitário e pesquisador na área de tecnologia do concreto, a industrialização é um dos principais diferenciais desse modelo construtivo. "A transferência de parte significativa da produção para o ambiente fabril reduz a dependência de processos executados diretamente no canteiro. Isso exige planejamento e compatibilização de projetos, mas proporciona maior controle sobre o produto final", afirma.

Produtividade e racionalização

Vigotas protendidas e lajotas cerâmicas.
Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Ao contrário das lajes moldadas integralmente no local, que demandam a execução de formas, escoramentos e armaduras diretamente no canteiro de obras, as lajes protendidas chegam à obra com os principais elementos estruturais previamente fabricados. Como resultado, a execução passa a se concentrar no posicionamento das vigotas, instalação dos elementos de enchimento, montagem das armaduras complementares e concretagem da capa superior.

Essa industrialização contribui para uma execução mais organizada e previsível, reduzindo a quantidade de atividades no canteiro e consequentemente, os prazos de execução. Além disso, a redução do uso de formas e escoramentos contribui para diminuir desperdícios e otimizar o uso da mão de obra. Schneider destaca que os benefícios econômicos não se limitam à etapa de execução das lajes. "Dependendo das características do empreendimento, a redução do peso próprio do sistema pode repercutir no dimensionamento de outros elementos estruturais, como vigas, pilares e fundações, gerando reflexos positivos no conjunto da obra", explica.

Diferenças em relação aos sistemas convencionais

A principal distinção entre as vigotas protendidas e as vigotas treliçadas está no tipo de armadura empregado. Enquanto os sistemas treliçados utilizam armaduras passivas, as vigotas protendidas utilizam aços de alta resistência submetidos à protensão durante o processo de fabricação. Em comparação às lajes maciças moldadas no local, a diferença está na própria concepção estrutural. As lajes protendidas são nervuradas e parcialmente pré-fabricadas, incorporando elementos de enchimento que reduzem o peso da estrutura sem comprometer sua capacidade resistente.

As lajes maciças, por sua vez, podem ser mais adequadas em determinadas situações, como projetos com geometrias complexas ou quando há interesse arquitetônico na exposição do concreto aparente. "Não existe uma solução universal. A escolha deve considerar as características do projeto, as exigências de desempenho e as condições de execução. Em muitos empreendimentos repetitivos, a modulação favorece bastante o uso das lajes protendidas", observa o pesquisador.

Pesquisador Felipe Schneider. Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Desempenho além da estrutura

Outro aspecto relevante envolve o desempenho das edificações. Em sua pesquisa acadêmica, Felipe avaliou o comportamento acústico de sistemas de piso compostos por lajes nervuradas com vigotas protendidas. Os estudos analisaram diferentes composições em laboratório, simulações computacionais e aplicações em edificações reais.

Os resultados demonstraram que o sistema pode atender aos requisitos estabelecidos pela norma brasileira de desempenho habitacional. "Uma das conclusões mais interessantes foi perceber que as soluções mais eficientes para isolamento ao ruído aéreo não são necessariamente as melhores para ruídos de impacto. Isso reforça a importância de avaliar o sistema construtivo como um conjunto integrado", destaca.

Aplicações e perspectivas

As lajes com vigotas protendidas são utilizadas em edifícios residenciais, comerciais e industriais, tanto em pisos entre pavimentos quanto em coberturas. A versatilidade permite atender diferentes condições de carregamento e vãos, desde que respeitados os critérios de dimensionamento e detalhamento estrutural. Ao mesmo tempo, empreendimentos com grande número de interferências, geometrias complexas ou cargas concentradas elevadas exigem análises específicas para definir a solução mais adequada.

Com a crescente demanda por métodos construtivos mais previsíveis e produtivos, os sistemas pré-fabricados tendem a ampliar sua participação no mercado. Nesse cenário, as lajes protendidas representam uma alternativa alinhada aos princípios da construção industrializada, combinando desempenho estrutural, racionalização dos processos e maior controle sobre a execução das obras.

Entrevistado

Felipe Schneider é graduado em Engenharia Civil pela UNISINOS, mestre em Arquitetura pela UNISINOS e doutorando em Engenharia Civil, também pela UNISINOS, professor universitário na UNIVATES e pesquisador na UNISINOS em tecnologia do concreto, pré-fabricação, patologia e desempenho de edificações, no qual é doutorando.

Contato

felipe.schneiderlima@outlook.com

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Ana Carvalho

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Resistência à tração do UHPC redefine o projeto de pré-fabricados de concreto

O concreto de ultra-alto desempenho (UHPC, na sigla em inglês) está promovendo uma mudança significativa na forma como os elementos pré-fabricados são projetados e dimensionados. Diferentemente do concreto convencional, cuja contribuição da resistência à tração é normalmente desconsiderada nos cálculos estruturais, o UHPC, especialmente quando reforçado com fibras, apresenta elevada resistência à tração e capacidade residual pós-fissuração. Isso permite que essa propriedade seja incorporada diretamente aos modelos de cálculo estrutural. Na prática, essa característica altera a lógica de dimensionamento de elementos submetidos à flexão e ao cisalhamento, reduz significativamente a necessidade de armaduras convencionais e amplia as possibilidades para a produção de peças mais esbeltas, leves e eficientes.

Mudança na lógica do dimensionamento estrutural em elementos pré-fabricados

De acordo com Daniel de Lima Araújo, professor titular da Universidade Federal de Goiás na Escola de Engenharia Civil e Ambiental,o UHPC, diferentemente do concreto convencional, apresenta elevada resistência à tração, que pode ser considerada no dimensionamento dos elementos estruturais. “Enquanto no concreto convencional as forças de tração são resistidas apenas pela armadura, pois a baixa resistência à tração do concreto, quando comparada à sua resistência à compressão, é geralmente desconsiderada no dimensionamento no estado-limite último, cabendo à armadura resistir às forças de tração. No UHPC, essas forças são resistidas tanto pela armadura quanto pelo concreto. Isso altera a lógica de dimensionamento à flexão e ao cisalhamento dos elementos estruturais. No caso do cisalhamento, os modelos de dimensionamento consideram a contribuição do UHPC de forma aditiva, somando sua resistência à dos estribos. Mas, no caso da flexão, o UHPC entra diretamente nas equações de dimensionamento, tornando o processo de cálculo iterativo”, explica.

A principal vantagem do UHPC é sua elevada resistência à tração, que pode contribuir para a redução das taxas de armadura e, em determinadas aplicações, até mesmo substituir parte ou a totalidade das armaduras convencionais, segundo Araújo. “Além disso, o UHPC pode reduzir as dimensões dos elementos estruturais, facilitando o transporte de peças pré-fabricadas. E, por dispensar a armadura em alguns projetos, permite a moldagem de elementos curvos e esbeltos com mais facilidade”, pontua.

Ganhos estruturais observados no uso de fibras

Araújo destaca que, como a resistência à tração do UHPC é considerada no dimensionamento dos elementos estruturais em estado-limite último, parte da armadura convencional pode ser substituída.

O UHPC apresenta grande potencial de aplicação em regiões críticas das estruturas pré-moldadas, como consolos, dentes Gerber e cálices de fundação.
Crédito: Envato

“Isso pode reduzir a taxa de armadura e, em alguns casos, até mesmo substituir toda a armadura convencional na forma de vergalhões. Em regiões muito armadas, como consolos e dentes Gerber, bastante presentes nas estruturas pré-fabricadas, isso pode representar uma vantagem. Se parte dos esforços de tração é resistida pelo UHPC, a armadura convencional pode ser reduzida, trazendo benefícios ao processo produtivo por simplificar o detalhamento dessas regiões com elevadas taxas de armadura”, comenta Araújo.

O professor ainda destaca que o UHPC pode ser utilizado na moldagem de todo o elemento estrutural, como vigas e pilares, o que pode permitir a redução das dimensões do elemento estrutural. “Mas vejo sua grande aplicação justamente em regiões específicas da estrutura pré-moldada, como consolos, dentes Gerber ou cálices de fundação. Essas regiões são densamente armadas e, frequentemente, apresentam dificuldade no detalhamento devido ao congestionamento de armaduras. O uso do UHPC nessas regiões pode reduzir a quantidade de armadura e facilitar a produção dos elementos estruturais”, justifica.

Teoricamente, as fibras podem substituir toda a armadura de flexão e cisalhamento (estribos) em elementos como vigas, pilares e lajes. “Para isso, é necessário que o UHPC apresente resistência residual à tração suficiente para resistir aos esforços de projeto em estado-limite último. Contudo, outros aspectos precisam ser considerados, como a ductilidade e capacidade de deformação plástica da estrutura. Essas são características fundamentais no dimensionamento de estruturas de concreto. Se toda a armadura convencional na forma de vergalhões for substituída pelas fibras, haverá uma redução na capacidade de deformação plástica dos elementos estruturais. É possível recuperar essa capacidade de deformação no UHPC por outros mecanismos, mas isso deve ser considerado explicitamente no projeto”, afirma Araújo. 

Por essa razão, o projeto de norma nacional de estruturas em UHPC atualmente em elaboração deverá prever uma taxa de armadura mínima de flexão para elementos sujeitos à flexão. “A ideia é garantir uma capacidade mínima de redistribuição de esforços em estruturas monolíticas de UHPC. As estruturas pré-fabricadas têm uma lógica de projeto diferente e, por isso, acredito que a introdução do UHPC seja mais simples nesse segmento. Nesses sistemas, a capacidade de redistribuição de esforços já deve ser verificada explicitamente mesmo quando se utiliza concreto convencional”, expõe Araújo.

Tipos de fibras

De acordo com o professor, não existe um único tipo de fibra para uso em UHPC. “Tanto que a norma ABNT NBR 17246-1 tomou o cuidado de não especificar um único tipo de fibra a ser utilizado no UHPC. Desde que a fibra garanta a resistência residual do UHPC especificada no projeto e não comprometa a durabilidade do material, ela pode ser utilizada. Porém, minha experiência e a literatura nacional indicam que as fibras metálicas são as mais adequadas para se atingir a resistência residual especificada em projetos com UHPC. Isso se deve à sua boa aderência à matriz cimentícia e ao seu alto módulo de elasticidade, que permitem atingir valores elevados de tensões de tração nas fibras com pequenas aberturas de fissuras”, sugere.

Resistência residual à tração

Como a resistência à tração residual do UHPC é considerada no dimensionamento em estado-limite último, uma das principais propriedades mecânicas que precisam ser controladas na produção de estruturas em UHPC é a resistência residual à tração. “A norma ABNT NBR 17246-1, tomando por base as normas francesas, estabelece os valores mínimos da resistência característica à tração no limite de elasticidade e da resistência residual aos 28 dias. Essas são as principais propriedades do UHPC que precisam ser controladas, o que é feito pelo método de ensaio prescrito na norma ABNT NBR 17246-4. Já as normas ABNT NBR 17246-2 e a ABNT NBR  17246-3 apresentam os requisitos para o controle de produção e de qualidade de estruturas em UHPC. A lógica é que, se a resistência à tração do UHPC é considerada na resistência da estrutura, essa propriedade precisa ser controlada adequadamente para garantir a segurança das estruturas”, propõe Araújo.

Outras propriedades, como a resistência à compressão e o módulo de elasticidade, também precisam ser controladas no processo de produção de estruturas em UHPC. “A norma ABNT NBR 17246-1 estabelece os procedimentos para a determinação dessas propriedades. Porém, a resistência à tração é a propriedade fundamental, pois sem atender aos requisitos de desempenho à tração previstos na norma não é possível caracterizar o material como UHPC”, conclui Araújo.

Fonte

Daniel de Lima Araújo possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Goiás (1992), mestrado em Engenharia Civil (Engenharia de Estruturas) pela Universidade de São Paulo (1997) e doutorado em Engenharia Civil (Engenharia de Estruturas) também pela Universidade de São Paulo (2002). Atualmente é professor titular da Universidade Federal de Goiás, atuando junto ao Programa de Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Geotecnia, Estruturas e Construção Civil (PPGGECON) da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da UFG. Tem experiência em projeto e pesquisa de Estruturas de Concreto, atuando principalmente nas áreas de estruturas em concreto pré-moldado, concretos leves, concretos reforçados com fibras de aço e modelagem computacional.

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dlaraujo@ufg.br

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ICOLD 2026 debateu inovação, sustentabilidade e segurança de barragens

A cidade de Guadalajara, capital do estado mexicano de Jalisco, sediou entre os dias 22 e 29 de maio a 94ª Reunião Anual e Simpósio da Comissão Internacional de Grandes Barragens (ICOLD, na sigla em inglês). O encontro reuniu delegados, especialistas e representantes dos comitês nacionais dos 107 países membros da entidade para debater os principais desafios e tendências relacionados ao planejamento, projeto, construção, operação e manutenção de barragens em todo o mundo.

O presidente da ICOLD, Devendra Kumar Sharma, destacou a importância do encontro para a comunidade internacional de barragens e recursos hídricos. Segundo ele, os debates realizados durante a semana contribuem para o avanço das discussões sobre questões emergentes que impactam o setor, reforçando o papel das barragens no fornecimento de água, energia, proteção ambiental e desenvolvimento econômico.

Com o tema “Barragens para as Pessoas, Água, Meio Ambiente e Desenvolvimento”, a edição de 2026 abordou temas estratégicos para o futuro da infraestrutura hídrica. As discussões foram organizadas em quatro grandes eixos: inovação, desenvolvimento sustentável, gestão de riscos e operação em condições extremas.

Roteamento de cheias em reservatórios e galgamento por ondas

Entre os trabalhos técnicos apresentados, chamou atenção o estudo da engenheira hidráulica Anida Zeqirllari, da Binnies, intitulado “Reservoir routing and wave overtopping: Comparative analysis of practices in developed and developing countries” (Roteamento de cheias em reservatórios e galgamento por ondas: análise comparativa de práticas em países desenvolvidos e em desenvolvimento). A pesquisa comparou metodologias adotadas no Reino Unido, França e Albânia para avaliação da segurança hidráulica de reservatórios, identificando diferenças regulatórias, pontos de convergência e oportunidades para maior harmonização entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

A transformação digital da infraestrutura hídrica ganhou destaque com debates sobre barragens inteligentes, inteligência artificial e sistemas avançados de monitoramento e gestão. Crédito: International Commission on Large Dams (ICOLD)

Barragens inteligentes

A transformação digital da infraestrutura hídrica também esteve entre os assuntos de destaque. Durante a sessão dedicada às chamadas “barragens inteligentes”, especialistas discutiram a integração de monitoramento automatizado, modelagem matemática, diagnósticos digitais e ferramentas de apoio à decisão. O uso da inteligência artificial na gestão de barragens e usinas hidrelétricas foi apontado como uma tendência crescente, embora os participantes também tenham debatido os riscos e desafios associados à sua implementação.

Representantes do Comitê Nacional Russo apresentaram uma tecnologia de sondagem microsísmica utilizada em investigações geotécnicas, projetos de novas estruturas hidráulicas e inspeção de barragens existentes. A solução despertou interesse da direção da ICOLD, que anunciou a realização de uma sessão técnica específica sobre o tema para 2027.

Projetos brasileiros

O Brasil também marcou presença na programação técnica do ICOLD 2026 com a apresentação de estudos e casos voltados à segurança, monitoramento e gestão de barragens. Entre os destaques esteve o trabalho "Inspection Findings from One Hundred Brazilian Dams" (Resultados de Inspeções em Cem Barragens Brasileiras), apresentado por Camila de Goes Silva, gerente de projetos da Unidade de Água e Energia (DUAE), que reuniu e analisou os resultados de inspeções realizadas em 100 barragens brasileiras, oferecendo um panorama sobre as condições dessas estruturas e os principais desafios para sua gestão.

Outro estudo brasileiro apresentado foi "Spillway Design Criteria in a Changing Hydrology – A Review of Brazilian Dams" (Critérios de Projeto de Vertedouros em uma Hidrologia em Mudança – Uma Revisão de Barragens Brasileiras), conduzido por José Rodolfo Machado de Almeida, líder da equipe de Hidráulica e Hidrologia da DUAE. O trabalho abordou a atualização dos estudos hidrológicos de 96 barragens e comparou os resultados atuais com os critérios originalmente adotados nos projetos, trazendo reflexões sobre a necessidade de adaptação das estruturas às mudanças nos regimes hidrológicos.

A área de barragens de rejeitos também esteve representada por Júnio Fagundes, líder técnico de Geotecnia da DF+ Engenharia, que apresentou o artigo "Analysis of the Main Failure Modes in Centerline-Raised Phosphate Tailings Dams" (Análise dos Principais Modos de Ruptura em Barragens de Rejeitos de Fosfato Alteadas pelo Método de Linha de Centro). O estudo analisou os principais modos de ruptura em barragens de rejeitos de fosfato construídas pelo método de alteamento a montante central. “O trabalho toca em algo que acreditamos profundamente: conhecimento não compartilhado é conhecimento perdido. Barragens de rejeito de fosfato ainda carregam lacunas importantes na literatura técnica. Levar esse estudo para o ICOLD é contribuir com a comunidade global de engenharia e colocar o Brasil no centro dessa conversa”, destacou Fagundes.

Outro destaque foi a apresentação de Pedro Sydorak de Lara, CPO da Fractal Engenharia e Sistemas, que compartilhou um case de sucesso desenvolvido junto à Defesa Civil de Santa Catarina. O projeto mostrou como a implantação do Sistema de Previsão de Eventos Hidrológicos Críticos (SPEHC) modernizou a gestão de cheias e a operação das barragens de contenção do estado. A plataforma integrou dados hidrológicos provenientes de diferentes fontes em um ambiente digital único, substituindo processos manuais e ampliando a precisão das previsões para 35 municípios. Como resultado, a Defesa Civil passou a emitir alertas com maior antecedência e confiabilidade, otimizar a operação das barragens por meio de protocolos técnicos padronizados e reduzir custos associados às ações emergenciais de resposta a enchentes.

Fontes

Devendra Kumar Sharma é presidente da International Commission on Large Dams (ICOLD).

Pedro Sydorak de Lara é CPO da Fractal Engenharia e Sistemas.

Júnio Fagundes é líder técnico de Geotecnia da DF+ Engenharia.

Contatos

ICOLD – assessoria de imprensa: emmanuel.grenier@icold-cigb.org

Fractal Engenharia e Sistemas: contato@fractaleng.com.br

DF+ Engenharia: dfmais@dfmais.eng.br

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP 

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