Colapso de ponte no Acre mobiliza análise de estrutura, solo e cheias

A ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira (AC), desabou na noite de 5 de junho, um dia após ter sido interditada devido ao risco de colapso identificado nas margens do Rio Iaco. A estrutura havia sido entregue em janeiro de 2024 e agora é alvo de investigação do Ministério Público do Acre (MP-AC), que solicitou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) uma perícia para apurar possíveis falhas de projeto, execução ou materiais.

Sinais prévios

A interdição ocorreu após o resultado de uma inspeção realizada em 28 de maio pelo 6º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar, motivada por relatos de fissuras. Em resposta, a Construtora Cidade Ltda., responsável pela obra, seguiu a recomendação dos bombeiros e interditou a travessia.

Ponte Frei Paolino Baldassari foi entregue em janeiro de 2024.
Crédito: Neto Lucena/Secom do Governo do Estado do Acre

Para Sady Ivo Pezzi Júnior, especialista em Engenharia Consultiva e Diagnóstico Estrutural, fissuras associadas a movimentações do solo caracterizam um quadro crítico. “Esses sinais refletem uma perda de equilíbrio das fundações. O recalque diferencial provoca redistribuição de esforços e concentração de tensões, manifestando-se por fissuras que funcionam como um último alerta antes do colapso”, afirma.

Segundo ele, a prevenção exige modelagem avançada da interação solo-estrutura e fundações apoiadas em camadas geotécnicas estáveis, abaixo da zona sujeita à erosão.

Hipótese das “terras caídas”

Informações preliminares do governo estadual apontam que as oscilações do Rio Iaco podem ter contribuído para o desabamento. O rio apresenta ciclos intensos de cheias e vazantes, típicos da Amazônia, que são conhecidos como “terras caídas”.

“O fenômeno das ‘terras caídas’ é uma das forças geomorfológicas mais severas da região. Durante as cheias, o solo se satura e perde resistência; na vazante, a retirada do suporte hidráulico favorece deslizamentos abruptos das margens”, explica Pezzi.

Segundo Pezzi, obras em áreas como essa exigem investigações geotécnicas profundas, estudos hidrológicos e monitoramento da dinâmica do leito do rio. Entre as soluções de estabilização estão gabiões, geotêxteis, bioengenharia e, em cenários mais severos, cortinas de estacas-prancha.

Para Carlos Henrique Siqueira, doutor em vistoria e manutenção de pontes e consultor da Ponte Rio-Niterói, colapsos geralmente resultam de uma causa principal combinada com fatores contribuintes. “Há relatos de que as chuvas intensas e a elevação do nível do rio provocam erosão e instabilidade do solo nas fundações. Como se trata de um fenômeno recorrente, é natural questionar se essas condições foram devidamente consideradas no projeto e na manutenção”, avalia.

Soluções

Segundo Edson Villela, professor do UniBrasil Centro Universitário, a erosão fluvial é comum na Amazônia e a preservação da vegetação ciliar é uma das principais formas de mitigação.

“A mata ciliar é fundamental porque as raízes ajudam a estabilizar o solo e reduzem a ação da correnteza. Sem essa proteção, o processo de erosão se intensifica”, explica.

Além da vegetação, soluções como muros de arrimo, enrocamentos e estruturas de concreto podem proteger as margens. “Nos rios amazônicos, o desafio é maior porque as cheias e vazantes tornam o solo mais instável, favorecendo o fenômeno das terras caídas”, acrescenta.

Villela observa que, em uma ponte tão recente, o colapso tende a estar associado a fatores como erosão, instabilidade do terreno ou falhas de projeto e/ou execução, e não ao envelhecimento da estrutura. “Pelas imagens, uma hipótese é que a erosão tenha comprometido as fundações. Mas apenas a perícia poderá confirmar ou descartar essa possibilidade”, ressalta.

Pezzi destaca três macro-hipóteses para a investigação: falhas de projeto, falhas de execução ou ações ambientais excepcionais superiores aos parâmetros previstos. “A definição da causa ocorre por exclusão, com análise dos modelos estruturais, ensaios laboratoriais e levantamentos do meio físico”, explica.

Monitoramento e prevenção

Villela ressalta que hoje já existem sensores capazes de identificar deslocamentos milimétricos nas fundações e estruturas antes que apareçam fissuras. “Quando as rachaduras se tornam visíveis, normalmente o processo já está em estágio avançado”, afirma.

Pezzi defende a substituição das inspeções apenas visuais por sistemas de monitoramento contínuo, com inclinômetros, células de carga, sensores de fibra óptica, drones e tecnologia InSAR para detectar deformações e deslocamentos das margens.

Para Siqueira, os órgãos públicos e profissionais que conhecem a dinâmica local têm papel importante na identificação dos riscos. “Quando isso não ocorre, cria-se uma sucessão de falhas que pode culminar em acidentes. O episódio também evidencia que o Brasil ainda carece de uma cultura consolidada de inspeção e manutenção preventiva de pontes”, afirma.

Segundo ele, países que possuem programas permanentes de inspeção contam com recursos específicos para esse fim. “No Brasil, existem normas e iniciativas, mas ainda há espaço para aprimorar os programas de conservação. Em muitos casos, estruturas concessionadas tendem a ter rotinas mais frequentes de monitoramento, enquanto no âmbito federal, estadual e municipal ainda há desafios para garantir maior previsibilidade e segurança”, comenta.

Perícia será decisiva

O fato de a ponte ter apenas dois anos reforça a necessidade de uma avaliação rigorosa. Em estruturas relativamente novas, um colapso desse porte normalmente exige investigação ampla, envolvendo não apenas a estrutura da ponte, mas também fundações, encontros, margens do rio, comportamento do solo, regime hidrológico, execução da obra, controle tecnológico dos materiais e medidas de proteção contra erosão.

Segundo Villela, a investigação deverá avaliar se houve falha de projeto ou problemas na execução, incluindo concretagem, posicionamento das armaduras e qualidade dos materiais. “O cobrimento de concreto é essencial para proteger o aço da corrosão. Se essa proteção falha, pode haver perda de resistência e comprometimento estrutural”, explica.

Pezzi acrescenta que o local passa a ser tratado como um cenário forense. Entre os ensaios previstos estão mapeamento por laser scanner 3D, extração de testemunhos de concreto, ensaios no aço e novo levantamento batimétrico do leito do Rio Iaco. “Essas análises permitem reconstruir a cinemática do colapso e identificar, com precisão técnica, o fator desencadeador da queda”, conclui.

Entrevistados
Edson Villela é professor do UniBrasil Centro Universitário no curso de Arquitetura e Urbanismo, mestre em gestão urbana e doutorando em urbanismo.

Carlos Henrique Siqueira é doutor em Vistoria e Manutenção de Pontes e consultor da Ponte Rio-Niterói.

Sady Ivo Pezzi Júnior é engenheiro civil, especialista em engenharia consultiva e diagnóstico estrutural e proprietário da Sady Pezzi Soluções Empresariais Ltda.

Contato
Assessoria UniBrasil Centro Universitário – pauta@acciocomunicacao.com

Carlos Henrique Siqueira - carloshsiqueira@yahoo.com.br

Sady Ivo Pezzi Júnior: sady.pezzi@yahoo.com.br

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Construção civil aposta em concretos leves para ganhar produtividade, reduzir prazos e ter mais previsibilidade nas obras

A busca por maior eficiência tem levado a construção civil a adotar métodos industrializados capazes de reduzir desperdícios, otimizar cronogramas e aumentar o controle de qualidade. Nesse cenário, os painéis de concreto leve vêm conquistando espaço em diferentes tipos de empreendimentos por aliarem produtividade, desempenho e racionalização construtiva.

Produzidos em ambiente fabril controlado, os painéis são utilizados principalmente em sistemas de vedação vertical e fachadas. Sua composição combina concreto leve de alta tecnologia, agregados especiais e materiais que reduzem a densidade do produto sem comprometer sua resistência e durabilidade.

Painéis de concreto leve aplicados no Hotel Grand Oca Maragogi. Crédito: Divulgação/Lightwall Brasil

De acordo com a engenheira Jéssica Dantas, a solução pode ser aplicada em habitações de interesse social, edifícios residenciais de médio e alto padrão, hotéis, empreendimentos comerciais e edificações institucionais, atendendo às exigências de um mercado que busca construções mais eficientes e previsíveis.

Produção industrial garante qualidade e padronização

Material atende às exigências de um mercado que busca construções mais eficientes e previsíveis. Crédito: Divulgação/Lightwall Brasil

Diferentemente dos sistemas convencionais executados diretamente nos canteiros, os painéis de concreto leve passam por um processo industrializado que contempla dosagem controlada dos materiais, moldagem padronizada, inserção de componentes de ligação, cura monitorada e inspeções de qualidade. “Essa metodologia reduz as variáveis da execução em campo e proporciona maior uniformidade de desempenho entre os elementos produzidos”, assinala Jéssica.

A industrialização é um dos fatores que explicam o crescimento da tecnologia no setor. “Os painéis de concreto leve representam uma evolução na forma de construir. Eles unem industrialização, desempenho e sustentabilidade para entregar edificações mais eficientes, previsíveis e alinhadas às demandas da construção contemporânea”, afirma. Outro diferencial está no sistema de encaixe macho e fêmea, que facilita a montagem e contribui para a qualidade final da vedação.

Redução de prazos e maior eficiência operacional

Entre os principais benefícios dos concretos leves, está o ganho de produtividade. Como os elementos chegam prontos ao canteiro, o processo de instalação ocorre de forma mais rápida em comparação aos sistemas tradicionais de alvenaria. “Essa característica permite reduzir o tempo de execução das vedações, diminuir a dependência de mão de obra intensiva e viabilizar a realização simultânea de diferentes frentes de trabalho”, observa.

Painéis leves são compostos por concreto leve de alta tecnologia, com baixa densidade e elevada capacidade de desempenho.
Crédito: Divulgação/Lightwall Brasil

Jéssica aponta que a previsibilidade também é um aspecto valorizado pelas construtoras. “A industrialização reduz as variabilidades típicas dos métodos convencionais, proporcionando mais controle sobre custos, cronogramas e desempenho da edificação”, destaca. Além da agilidade, o sistema contribui para a organização do canteiro, reduz perdas de materiais e minimiza a necessidade de retrabalhos e correções durante a obra.

Conforto térmico e acústico como diferenciais

Os concretos leves também oferecem benefícios relacionados ao desempenho das edificações. Sua composição apresenta maior volume de ar incorporado e utilização de EPS (poliestireno expandido), fatores que favorecem o isolamento térmico. Na prática, isso reduz a transferência de calor entre ambientes, contribui para a estabilidade térmica interna e pode diminuir a demanda por sistemas de climatização, resultando em economia de energia.

O desempenho acústico é outro atributo relevante. As características do material e a configuração dos painéis auxiliam na redução da transmissão de ruídos externos e no isolamento entre ambientes internos, ampliando o conforto dos usuários. “Dependendo da solução adotada, os sistemas podem atender aos requisitos estabelecidos pela ABNT NBR 15575, norma que define critérios de desempenho para edificações habitacionais”, informa.

Tecnologia alinhada às novas demandas da construção

A crescente adoção de soluções industrializadas está diretamente relacionada à necessidade de construir com mais eficiência e menor impacto ambiental. Nesse contexto, os painéis de concreto leve acompanham tendências como Design for Manufacturing and Assembly (DfMA), planejamento Lean e integração com plataformas BIM.

Engenheira Jéssica Dantas. Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Outro aspecto relevante é a redução do desperdício de materiais ao longo da obra, fator que contribui para uma utilização mais racional dos recursos disponíveis. Jéssica acredita que a combinação entre produtividade, desempenho e sustentabilidade coloca a tecnologia em sintonia com os desafios atuais do setor. “Trata-se de uma solução que oferece escalabilidade, controle de qualidade e ganhos operacionais sem abrir mão do desempenho exigido pelas edificações modernas”, conclui.

Entrevistado

Jéssica Dantas é engenheira civil, mestre em Inovação na Construção Civil pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em industrialização, tecnologias emergentes e inteligência artificial aplicada ao setor. Palestrante nacional e internacional, com forte atuação em entidades técnicas como IBRACON e ALCONPAT, conectando tendências globais à realidade do mercado brasileiro com foco em eficiência, escala e impacto.

Contato

je_adantas@hotmail.com

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Ana Carvalho

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CEHídrica calcula o consumo de água em obras e edificações

Durante Conferência Internacional Greenbuilding Brasil 2025, o Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) lançou a versão piloto da Calculadora de Eficiência Hídrica na Construção Civil (CEHídrica). A ferramenta foi desenvolvida para mensurar e gerenciar o consumo de água em empreendimentos ao longo de seu ciclo de vida, abrangendo desde a fabricação dos materiais até a fase de uso das edificações. Em maio de 2026, a entidade lançou oficialmente a CEHídrica em um evento realizado no Salão Nobre da Fiesp.

“Em 13 de maio de 2026, foi lançada a versão completa da CEHídrica, ampliando seu escopo de análise, permitindo avaliar o desempenho hídrico dos empreendimentos desde a etapa de projeto até sua operação”, comenta Vanessa Dias, supervisora de meio ambiente do SindusCon-SP.

Para Vanessa, a principal mudança cultural que a CEHídrica pretende promover é a incorporação da gestão da água como um critério estratégico na tomada de decisões das construtoras e incorporadoras.

“A ferramenta permite que as empresas realizem seus inventários de eficiência hídrica ainda na fase de projeto, possibilitando avaliar diferentes soluções construtivas e materiais antes do início da obra. Dessa forma, as decisões podem ser tomadas com base em dados e indicadores, favorecendo a adoção de alternativas mais eficientes e sustentáveis”, aponta a supervisora de meio ambiente.

Participantes do lançamento da CEHídrica e da Plataforma Construção Sustentável SindusCon-SP, realizado no Salão Nobre da Fiesp. Crédito: Divlugação/SindusCon-SP

 Durante a execução de um empreendimento, a CEHídrica também possibilita o acompanhamento e monitoramento contínuo dos indicadores hídricos, permitindo comparar o desempenho real da obra com as estimativas realizadas na fase de projeto.

“Esse processo gera aprendizado, aprimora a gestão dos recursos hídricos e contribui para a melhoria dos empreendimentos.  Mais do que uma ferramenta de medição, a CEHídrica busca estimular uma mudança de abordagem no setor, incentivando que a eficiência hídrica seja considerada desde as etapas iniciais de concepção e planejamento dos empreendimentos”, justifica Vanessa.

Como funciona a CEHídrica?

Por meio de uma plataforma interativa e gratuita, a ferramenta permite que construtoras e incorporadoras calculem a quantidade de água consumida para produzir um metro quadrado de área construída. Além disso, possibilita a identificação do índice de consumo por tipologia residencial, comercial ou de uso misto.

Os dados coletados irão compor um banco de dados do setor, possibilitando análises comparativas mais precisas e a adoção de práticas de gestão mais eficazes. Além disso, a ferramenta contribuirá para avaliar os impactos do empreendimento no entorno, apoiando a implementação de medidas que reduzam os efeitos negativos e potencializem os benefícios para a comunidade e o ambiente local.

“A CEHídrica calcula a pegada hídrica da construção civil com base em uma abordagem de ciclo de vida, abrangendo desde a extração e produção dos insumos até a construção e a fase de uso da edificação. Para isso, a ferramenta considera parâmetros relacionados aos materiais, aos maquinários, ao transporte e ao consumo de água e energia, além de estimativas para a operação da edificação. Os resultados são apresentados por meio de inventários de consumo direto, referente à operação, e indireto, associados aos materiais, à energia e ao transporte”, explica Vanessa.

 Além da quantificação do consumo de água, a CEHídrica aplica o método AWARE (Available Water Remaining), que incorpora a disponibilidade hídrica local à análise. “Dessa forma, a ferramenta permite avaliar não apenas o volume de água consumido, mas também o potencial impacto desse consumo sobre os recursos hídricos de cada região, proporcionando uma visão mais abrangente do desempenho hídrico do empreendimento”, indica Vanessa.

A CEHídrica foi desenvolvida de forma integrada à CECarbon (Calculadora de Consumo Energético e Emissões de Carbono na Construção Civil), possibilitando a geração conjunta de relatórios sobre pegada hídrica e emissões de carbono. Com isso, a ferramenta oferece uma avaliação mais abrangente do desempenho ambiental e da sustentabilidade dos empreendimentos.

Confiabilidade e parâmetros

A confiabilidade dos dados na CEHídrica é garantida principalmente pela utilização de uma metodologia reconhecida internacionalmente, baseada na NBR ISO 14046 e nos princípios da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). “A ferramenta estabelece critérios padronizados para a coleta e inserção das informações e

essa padronização possibilita a comparabilidade dos resultados entre empreendimentos, tipologias construtivas e regiões. Para facilitar o correto preenchimento das informações, a CEHídrica foi estruturada com uma linguagem próxima da realidade das obras, tornando a inserção de dados mais simples e intuitiva”, afirma Vanessa.

 A ferramenta também possui uma política de privacidade que garante a confidencialidade das informações fornecidas. “Os dados individuais são protegidos e utilizados exclusivamente para a geração de indicadores setoriais”, pontua a supervisora de meio ambiente.

Feedbacks

De acordo com Vanessa, os feedbacks recebidos dos usuários têm sido positivos. “As empresas destacam a contribuição da CEHídrica para aprimorar a gestão e o monitoramento do uso da água, apoiar a identificação de oportunidades de redução de consumo e fortalecer o compromisso do setor com a sustentabilidade”, comenta.

 Por ser uma ferramenta online, gratuita e desenvolvida especificamente para a construção civil, a CEHídrica amplia o acesso à gestão da eficiência hídrica. “Sua acessibilidade permite que empresas de todos os portes, incluindo pequenas e médias, possam monitorar indicadores, avaliar seu desempenho e incorporar critérios de eficiência hídrica à tomada de decisão, promovendo uma gestão mais sustentável”, conclui Vanessa.

Fonte

Vanessa Dias é Supervisora de Meio Ambiente do SindusCon-SP.

Contato

Assessoria de imprensa do SindusCon-SP: rmontagnini@sindusconsp.com.br

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ADIT Arq reúne especialistas para discutir tendências e desafios da construção civil e arquitetura

O setor da construção civil vive um momento de transformação impulsionado por novas demandas de mercado, avanços tecnológicos e mudanças na forma de planejar e ocupar os espaços urbanos. Nesse contexto, eventos que promovem a troca de experiências e a apresentação de soluções inovadoras ganham relevância. Foi o que ocorreu no ADIT Arq, Seminário de Arquitetura, Design e Projetos da ADIT Brasil, que chegou à sua quinta edição nos dias 10 e 11 de junho, reunindo profissionais de diferentes áreas ligadas ao desenvolvimento imobiliário.

A proposta do encontro foi aproximar os diversos agentes envolvidos na criação e operação de empreendimentos, promovendo uma visão mais integrada sobre os desafios e as oportunidades do setor. A programação contemplou debates sobre arquitetura, design, ESG, urbanismo, inovação e tendências que impactam tanto os mercados imobiliário quanto turístico.

Um espaço para conectar diferentes visões

Segundo Camila Oliveira, superintendente de Mercado Imobiliário da ADIT Brasil, o seminário surgiu da necessidade de aproximar profissionais que, tradicionalmente, participavam de discussões em ambientes distintos. "O ADIT Arq surgiu da percepção de que existia pouco espaço para encontros que aproximassem arquitetura e desenvolvimento imobiliário sob uma mesma perspectiva. Muitas vezes, quem projeta e quem estrutura, desenvolve ou opera empreendimentos participa de debates separados", afirma.

Evento contribui para que o mercado desenvolva soluções conectadas às demandas contemporâneas. Crédito: Divulgação

Ela destaca que, ao longo dos anos, o evento ampliou seu alcance e passou a reunir representantes de diferentes segmentos da cadeia produtiva da construção. "O evento nasceu justamente para reduzir essa distância, promovendo conversas sobre projetos relevantes a partir de diferentes visões. Ao longo das edições, evoluiu para um ambiente de troca entre arquitetos, incorporadores, desenvolvedores e demais profissionais do setor", explica.

Construção além da estética

Uma das propostas do ADIT Arq é ampliar o olhar sobre os empreendimentos, considerando fatores que vão além do projeto arquitetônico. Questões relacionadas à eficiência operacional, sustentabilidade, experiência do usuário e impactos urbanos estiveram presentes nas discussões. "A integração acontece principalmente a partir dos projetos apresentados. Os cases discutiram decisões ligadas à implantação urbana, relação com o entorno, soluções construtivas, mobilidade e novos modelos de ocupação dos espaços", afirma Camila.

De acordo com ela, essa abordagem permite compreender a arquitetura como parte de um processo mais amplo de desenvolvimento. "Isso permite analisar arquitetura para além da estética, considerando também impactos sociais, ambientais, econômicos e operacionais dos empreendimentos", complementa.

Cases que apontam novos caminhos

Nesta edição, o seminário alcançou um marco importante ao apresentar o maior número de cases desde sua criação, incluindo referências nacionais e internacionais. A programação incluiu projetos que exemplificam diferentes estratégias de ocupação urbana e desenvolvimento territorial.

Entre os destaques, foram mostrados os cases da Masterplan RDC Parque Una SJC, em São José dos Campos (SP), concebido para integrar moradia, trabalho e mobilidade; o Jardins Dona Isabel, em Bento Gonçalves (RS), voltado à valorização da identidade local; a Fazenda Alegria, em Minas Gerais, que prioriza a preservação das características naturais do território; e o empreendimento Origem, em Balneário Camboriú (SC), que propõe uma relação mais equilibrada entre cidade e natureza.

Além dos empreendimentos residenciais e de uso misto, o evento também trouxe reflexões sobre o crescimento de projetos ligados ao turismo, segmento que tem movimentado investimentos em diferentes regiões do país. "Existe uma demanda crescente por empreendimentos que combinam desenvolvimento imobiliário, hospitalidade, lazer e experiência, impulsionando novos modelos de ocupação e investimento", observa Camila. Segundo ela, especialmente na região Sul, esses projetos têm contribuído para estimular a economia local e gerar novas dinâmicas urbanas.

Referências nacionais e internacionais

Reunindo cerca de 300 participantes, o ADIT Arq reforça seu papel como ambiente de atualização profissional e geração de negócios. Ao promover o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento, o evento contribui para que o setor da construção civil acompanhe as transformações do mercado e desenvolva soluções mais conectadas às demandas contemporâneas.

Entrevistado

Camila Oliveira é arquiteta e urbanista, mestra em Dinâmicas do Espaço Habitado, atua como Superintendente de Mercado Imobiliário da ADIT Brasil, liderando projetos como missões técnicas, seminários, cursos e outros eventos e ações conectados ao setor imobiliário da entidade.

Contato

adler.tavares@adit.com.br (Assessoria de Imprensa)

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Ana Carvalho

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Lajes protendidas reduzem prazos, desperdícios e custos na construção industrializada

A busca por soluções mais eficientes tem levado a construção civil a incorporar métodos industrializados em diferentes etapas dos empreendimentos. Nesse contexto, as lajes com vigotas protendidas vêm se consolidando como uma alternativa para obras residenciais, comerciais e industriais que demandam produtividade, controle de qualidade e melhor aproveitamento dos recursos.

O sistema é composto por vigotas pré-fabricadas de concreto protendido, elementos de enchimento, armaduras complementares e uma capa de concreto moldada no local. Sua principal característica é a utilização de fios ou cordoalhas de aço submetidos à protensão durante o processo de fabricação das vigotas. Essa técnica introduz esforços de compressão no concreto, compensando parte das tensões de tração geradas pelas cargas de serviço e proporcionando melhor desempenho estrutural.

Como resultado, as lajes protendidas podem apresentar maior capacidade de vencer vãos, redução de deformações (flechas), melhor controle da fissuração e otimização do consumo de materiais, contribuindo para sistemas construtivos mais eficientes e racionalizados.

Segundo Felipe Schneider, professor universitário e pesquisador na área de tecnologia do concreto, a industrialização é um dos principais diferenciais desse modelo construtivo. "A transferência de parte significativa da produção para o ambiente fabril reduz a dependência de processos executados diretamente no canteiro. Isso exige planejamento e compatibilização de projetos, mas proporciona maior controle sobre o produto final", afirma.

Produtividade e racionalização

Vigotas protendidas e lajotas cerâmicas.
Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Ao contrário das lajes moldadas integralmente no local, que demandam a execução de formas, escoramentos e armaduras diretamente no canteiro de obras, as lajes protendidas chegam à obra com os principais elementos estruturais previamente fabricados. Como resultado, a execução passa a se concentrar no posicionamento das vigotas, instalação dos elementos de enchimento, montagem das armaduras complementares e concretagem da capa superior.

Essa industrialização contribui para uma execução mais organizada e previsível, reduzindo a quantidade de atividades no canteiro e consequentemente, os prazos de execução. Além disso, a redução do uso de formas e escoramentos contribui para diminuir desperdícios e otimizar o uso da mão de obra. Schneider destaca que os benefícios econômicos não se limitam à etapa de execução das lajes. "Dependendo das características do empreendimento, a redução do peso próprio do sistema pode repercutir no dimensionamento de outros elementos estruturais, como vigas, pilares e fundações, gerando reflexos positivos no conjunto da obra", explica.

Diferenças em relação aos sistemas convencionais

A principal distinção entre as vigotas protendidas e as vigotas treliçadas está no tipo de armadura empregado. Enquanto os sistemas treliçados utilizam armaduras passivas, as vigotas protendidas utilizam aços de alta resistência submetidos à protensão durante o processo de fabricação. Em comparação às lajes maciças moldadas no local, a diferença está na própria concepção estrutural. As lajes protendidas são nervuradas e parcialmente pré-fabricadas, incorporando elementos de enchimento que reduzem o peso da estrutura sem comprometer sua capacidade resistente.

As lajes maciças, por sua vez, podem ser mais adequadas em determinadas situações, como projetos com geometrias complexas ou quando há interesse arquitetônico na exposição do concreto aparente. "Não existe uma solução universal. A escolha deve considerar as características do projeto, as exigências de desempenho e as condições de execução. Em muitos empreendimentos repetitivos, a modulação favorece bastante o uso das lajes protendidas", observa o pesquisador.

Pesquisador Felipe Schneider. Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Desempenho além da estrutura

Outro aspecto relevante envolve o desempenho das edificações. Em sua pesquisa acadêmica, Felipe avaliou o comportamento acústico de sistemas de piso compostos por lajes nervuradas com vigotas protendidas. Os estudos analisaram diferentes composições em laboratório, simulações computacionais e aplicações em edificações reais.

Os resultados demonstraram que o sistema pode atender aos requisitos estabelecidos pela norma brasileira de desempenho habitacional. "Uma das conclusões mais interessantes foi perceber que as soluções mais eficientes para isolamento ao ruído aéreo não são necessariamente as melhores para ruídos de impacto. Isso reforça a importância de avaliar o sistema construtivo como um conjunto integrado", destaca.

Aplicações e perspectivas

As lajes com vigotas protendidas são utilizadas em edifícios residenciais, comerciais e industriais, tanto em pisos entre pavimentos quanto em coberturas. A versatilidade permite atender diferentes condições de carregamento e vãos, desde que respeitados os critérios de dimensionamento e detalhamento estrutural. Ao mesmo tempo, empreendimentos com grande número de interferências, geometrias complexas ou cargas concentradas elevadas exigem análises específicas para definir a solução mais adequada.

Com a crescente demanda por métodos construtivos mais previsíveis e produtivos, os sistemas pré-fabricados tendem a ampliar sua participação no mercado. Nesse cenário, as lajes protendidas representam uma alternativa alinhada aos princípios da construção industrializada, combinando desempenho estrutural, racionalização dos processos e maior controle sobre a execução das obras.

Entrevistado

Felipe Schneider é graduado em Engenharia Civil pela UNISINOS, mestre em Arquitetura pela UNISINOS e doutorando em Engenharia Civil, também pela UNISINOS, professor universitário na UNIVATES e pesquisador na UNISINOS em tecnologia do concreto, pré-fabricação, patologia e desempenho de edificações, no qual é doutorando.

Contato

felipe.schneiderlima@outlook.com

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Ana Carvalho

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Resistência à tração do UHPC redefine o projeto de pré-fabricados de concreto

O concreto de ultra-alto desempenho (UHPC, na sigla em inglês) está promovendo uma mudança significativa na forma como os elementos pré-fabricados são projetados e dimensionados. Diferentemente do concreto convencional, cuja contribuição da resistência à tração é normalmente desconsiderada nos cálculos estruturais, o UHPC, especialmente quando reforçado com fibras, apresenta elevada resistência à tração e capacidade residual pós-fissuração. Isso permite que essa propriedade seja incorporada diretamente aos modelos de cálculo estrutural. Na prática, essa característica altera a lógica de dimensionamento de elementos submetidos à flexão e ao cisalhamento, reduz significativamente a necessidade de armaduras convencionais e amplia as possibilidades para a produção de peças mais esbeltas, leves e eficientes.

Mudança na lógica do dimensionamento estrutural em elementos pré-fabricados

De acordo com Daniel de Lima Araújo, professor titular da Universidade Federal de Goiás na Escola de Engenharia Civil e Ambiental,o UHPC, diferentemente do concreto convencional, apresenta elevada resistência à tração, que pode ser considerada no dimensionamento dos elementos estruturais. “Enquanto no concreto convencional as forças de tração são resistidas apenas pela armadura, pois a baixa resistência à tração do concreto, quando comparada à sua resistência à compressão, é geralmente desconsiderada no dimensionamento no estado-limite último, cabendo à armadura resistir às forças de tração. No UHPC, essas forças são resistidas tanto pela armadura quanto pelo concreto. Isso altera a lógica de dimensionamento à flexão e ao cisalhamento dos elementos estruturais. No caso do cisalhamento, os modelos de dimensionamento consideram a contribuição do UHPC de forma aditiva, somando sua resistência à dos estribos. Mas, no caso da flexão, o UHPC entra diretamente nas equações de dimensionamento, tornando o processo de cálculo iterativo”, explica.

A principal vantagem do UHPC é sua elevada resistência à tração, que pode contribuir para a redução das taxas de armadura e, em determinadas aplicações, até mesmo substituir parte ou a totalidade das armaduras convencionais, segundo Araújo. “Além disso, o UHPC pode reduzir as dimensões dos elementos estruturais, facilitando o transporte de peças pré-fabricadas. E, por dispensar a armadura em alguns projetos, permite a moldagem de elementos curvos e esbeltos com mais facilidade”, pontua.

Ganhos estruturais observados no uso de fibras

Araújo destaca que, como a resistência à tração do UHPC é considerada no dimensionamento dos elementos estruturais em estado-limite último, parte da armadura convencional pode ser substituída.

O UHPC apresenta grande potencial de aplicação em regiões críticas das estruturas pré-moldadas, como consolos, dentes Gerber e cálices de fundação.
Crédito: Envato

“Isso pode reduzir a taxa de armadura e, em alguns casos, até mesmo substituir toda a armadura convencional na forma de vergalhões. Em regiões muito armadas, como consolos e dentes Gerber, bastante presentes nas estruturas pré-fabricadas, isso pode representar uma vantagem. Se parte dos esforços de tração é resistida pelo UHPC, a armadura convencional pode ser reduzida, trazendo benefícios ao processo produtivo por simplificar o detalhamento dessas regiões com elevadas taxas de armadura”, comenta Araújo.

O professor ainda destaca que o UHPC pode ser utilizado na moldagem de todo o elemento estrutural, como vigas e pilares, o que pode permitir a redução das dimensões do elemento estrutural. “Mas vejo sua grande aplicação justamente em regiões específicas da estrutura pré-moldada, como consolos, dentes Gerber ou cálices de fundação. Essas regiões são densamente armadas e, frequentemente, apresentam dificuldade no detalhamento devido ao congestionamento de armaduras. O uso do UHPC nessas regiões pode reduzir a quantidade de armadura e facilitar a produção dos elementos estruturais”, justifica.

Teoricamente, as fibras podem substituir toda a armadura de flexão e cisalhamento (estribos) em elementos como vigas, pilares e lajes. “Para isso, é necessário que o UHPC apresente resistência residual à tração suficiente para resistir aos esforços de projeto em estado-limite último. Contudo, outros aspectos precisam ser considerados, como a ductilidade e capacidade de deformação plástica da estrutura. Essas são características fundamentais no dimensionamento de estruturas de concreto. Se toda a armadura convencional na forma de vergalhões for substituída pelas fibras, haverá uma redução na capacidade de deformação plástica dos elementos estruturais. É possível recuperar essa capacidade de deformação no UHPC por outros mecanismos, mas isso deve ser considerado explicitamente no projeto”, afirma Araújo. 

Por essa razão, o projeto de norma nacional de estruturas em UHPC atualmente em elaboração deverá prever uma taxa de armadura mínima de flexão para elementos sujeitos à flexão. “A ideia é garantir uma capacidade mínima de redistribuição de esforços em estruturas monolíticas de UHPC. As estruturas pré-fabricadas têm uma lógica de projeto diferente e, por isso, acredito que a introdução do UHPC seja mais simples nesse segmento. Nesses sistemas, a capacidade de redistribuição de esforços já deve ser verificada explicitamente mesmo quando se utiliza concreto convencional”, expõe Araújo.

Tipos de fibras

De acordo com o professor, não existe um único tipo de fibra para uso em UHPC. “Tanto que a norma ABNT NBR 17246-1 tomou o cuidado de não especificar um único tipo de fibra a ser utilizado no UHPC. Desde que a fibra garanta a resistência residual do UHPC especificada no projeto e não comprometa a durabilidade do material, ela pode ser utilizada. Porém, minha experiência e a literatura nacional indicam que as fibras metálicas são as mais adequadas para se atingir a resistência residual especificada em projetos com UHPC. Isso se deve à sua boa aderência à matriz cimentícia e ao seu alto módulo de elasticidade, que permitem atingir valores elevados de tensões de tração nas fibras com pequenas aberturas de fissuras”, sugere.

Resistência residual à tração

Como a resistência à tração residual do UHPC é considerada no dimensionamento em estado-limite último, uma das principais propriedades mecânicas que precisam ser controladas na produção de estruturas em UHPC é a resistência residual à tração. “A norma ABNT NBR 17246-1, tomando por base as normas francesas, estabelece os valores mínimos da resistência característica à tração no limite de elasticidade e da resistência residual aos 28 dias. Essas são as principais propriedades do UHPC que precisam ser controladas, o que é feito pelo método de ensaio prescrito na norma ABNT NBR 17246-4. Já as normas ABNT NBR 17246-2 e a ABNT NBR  17246-3 apresentam os requisitos para o controle de produção e de qualidade de estruturas em UHPC. A lógica é que, se a resistência à tração do UHPC é considerada na resistência da estrutura, essa propriedade precisa ser controlada adequadamente para garantir a segurança das estruturas”, propõe Araújo.

Outras propriedades, como a resistência à compressão e o módulo de elasticidade, também precisam ser controladas no processo de produção de estruturas em UHPC. “A norma ABNT NBR 17246-1 estabelece os procedimentos para a determinação dessas propriedades. Porém, a resistência à tração é a propriedade fundamental, pois sem atender aos requisitos de desempenho à tração previstos na norma não é possível caracterizar o material como UHPC”, conclui Araújo.

Fonte

Daniel de Lima Araújo possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Goiás (1992), mestrado em Engenharia Civil (Engenharia de Estruturas) pela Universidade de São Paulo (1997) e doutorado em Engenharia Civil (Engenharia de Estruturas) também pela Universidade de São Paulo (2002). Atualmente é professor titular da Universidade Federal de Goiás, atuando junto ao Programa de Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Geotecnia, Estruturas e Construção Civil (PPGGECON) da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da UFG. Tem experiência em projeto e pesquisa de Estruturas de Concreto, atuando principalmente nas áreas de estruturas em concreto pré-moldado, concretos leves, concretos reforçados com fibras de aço e modelagem computacional.

Contato

dlaraujo@ufg.br

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ICOLD 2026 debateu inovação, sustentabilidade e segurança de barragens

A cidade de Guadalajara, capital do estado mexicano de Jalisco, sediou entre os dias 22 e 29 de maio a 94ª Reunião Anual e Simpósio da Comissão Internacional de Grandes Barragens (ICOLD, na sigla em inglês). O encontro reuniu delegados, especialistas e representantes dos comitês nacionais dos 107 países membros da entidade para debater os principais desafios e tendências relacionados ao planejamento, projeto, construção, operação e manutenção de barragens em todo o mundo.

O presidente da ICOLD, Devendra Kumar Sharma, destacou a importância do encontro para a comunidade internacional de barragens e recursos hídricos. Segundo ele, os debates realizados durante a semana contribuem para o avanço das discussões sobre questões emergentes que impactam o setor, reforçando o papel das barragens no fornecimento de água, energia, proteção ambiental e desenvolvimento econômico.

Com o tema “Barragens para as Pessoas, Água, Meio Ambiente e Desenvolvimento”, a edição de 2026 abordou temas estratégicos para o futuro da infraestrutura hídrica. As discussões foram organizadas em quatro grandes eixos: inovação, desenvolvimento sustentável, gestão de riscos e operação em condições extremas.

Roteamento de cheias em reservatórios e galgamento por ondas

Entre os trabalhos técnicos apresentados, chamou atenção o estudo da engenheira hidráulica Anida Zeqirllari, da Binnies, intitulado “Reservoir routing and wave overtopping: Comparative analysis of practices in developed and developing countries” (Roteamento de cheias em reservatórios e galgamento por ondas: análise comparativa de práticas em países desenvolvidos e em desenvolvimento). A pesquisa comparou metodologias adotadas no Reino Unido, França e Albânia para avaliação da segurança hidráulica de reservatórios, identificando diferenças regulatórias, pontos de convergência e oportunidades para maior harmonização entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

A transformação digital da infraestrutura hídrica ganhou destaque com debates sobre barragens inteligentes, inteligência artificial e sistemas avançados de monitoramento e gestão. Crédito: International Commission on Large Dams (ICOLD)

Barragens inteligentes

A transformação digital da infraestrutura hídrica também esteve entre os assuntos de destaque. Durante a sessão dedicada às chamadas “barragens inteligentes”, especialistas discutiram a integração de monitoramento automatizado, modelagem matemática, diagnósticos digitais e ferramentas de apoio à decisão. O uso da inteligência artificial na gestão de barragens e usinas hidrelétricas foi apontado como uma tendência crescente, embora os participantes também tenham debatido os riscos e desafios associados à sua implementação.

Representantes do Comitê Nacional Russo apresentaram uma tecnologia de sondagem microsísmica utilizada em investigações geotécnicas, projetos de novas estruturas hidráulicas e inspeção de barragens existentes. A solução despertou interesse da direção da ICOLD, que anunciou a realização de uma sessão técnica específica sobre o tema para 2027.

Projetos brasileiros

O Brasil também marcou presença na programação técnica do ICOLD 2026 com a apresentação de estudos e casos voltados à segurança, monitoramento e gestão de barragens. Entre os destaques esteve o trabalho "Inspection Findings from One Hundred Brazilian Dams" (Resultados de Inspeções em Cem Barragens Brasileiras), apresentado por Camila de Goes Silva, gerente de projetos da Unidade de Água e Energia (DUAE), que reuniu e analisou os resultados de inspeções realizadas em 100 barragens brasileiras, oferecendo um panorama sobre as condições dessas estruturas e os principais desafios para sua gestão.

Outro estudo brasileiro apresentado foi "Spillway Design Criteria in a Changing Hydrology – A Review of Brazilian Dams" (Critérios de Projeto de Vertedouros em uma Hidrologia em Mudança – Uma Revisão de Barragens Brasileiras), conduzido por José Rodolfo Machado de Almeida, líder da equipe de Hidráulica e Hidrologia da DUAE. O trabalho abordou a atualização dos estudos hidrológicos de 96 barragens e comparou os resultados atuais com os critérios originalmente adotados nos projetos, trazendo reflexões sobre a necessidade de adaptação das estruturas às mudanças nos regimes hidrológicos.

A área de barragens de rejeitos também esteve representada por Júnio Fagundes, líder técnico de Geotecnia da DF+ Engenharia, que apresentou o artigo "Analysis of the Main Failure Modes in Centerline-Raised Phosphate Tailings Dams" (Análise dos Principais Modos de Ruptura em Barragens de Rejeitos de Fosfato Alteadas pelo Método de Linha de Centro). O estudo analisou os principais modos de ruptura em barragens de rejeitos de fosfato construídas pelo método de alteamento a montante central. “O trabalho toca em algo que acreditamos profundamente: conhecimento não compartilhado é conhecimento perdido. Barragens de rejeito de fosfato ainda carregam lacunas importantes na literatura técnica. Levar esse estudo para o ICOLD é contribuir com a comunidade global de engenharia e colocar o Brasil no centro dessa conversa”, destacou Fagundes.

Outro destaque foi a apresentação de Pedro Sydorak de Lara, CPO da Fractal Engenharia e Sistemas, que compartilhou um case de sucesso desenvolvido junto à Defesa Civil de Santa Catarina. O projeto mostrou como a implantação do Sistema de Previsão de Eventos Hidrológicos Críticos (SPEHC) modernizou a gestão de cheias e a operação das barragens de contenção do estado. A plataforma integrou dados hidrológicos provenientes de diferentes fontes em um ambiente digital único, substituindo processos manuais e ampliando a precisão das previsões para 35 municípios. Como resultado, a Defesa Civil passou a emitir alertas com maior antecedência e confiabilidade, otimizar a operação das barragens por meio de protocolos técnicos padronizados e reduzir custos associados às ações emergenciais de resposta a enchentes.

Fontes

Devendra Kumar Sharma é presidente da International Commission on Large Dams (ICOLD).

Pedro Sydorak de Lara é CPO da Fractal Engenharia e Sistemas.

Júnio Fagundes é líder técnico de Geotecnia da DF+ Engenharia.

Contatos

ICOLD – assessoria de imprensa: emmanuel.grenier@icold-cigb.org

Fractal Engenharia e Sistemas: contato@fractaleng.com.br

DF+ Engenharia: dfmais@dfmais.eng.br

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Pesquisa realizada no Pará utiliza resíduos da indústria de celulose para produzir cimento com menor impacto ambiental

A busca por soluções que reduzam as emissões de gases de efeito estufa tem mobilizado pesquisadores e diferentes setores produtivos. Na construção civil, um dos desafios está na fabricação do cimento, especialmente na produção do clínquer, responsável por emissões de dióxido de carbono (CO2).

Análise térmica de DT/DTG/DSC do cimento CP R-I, CP R-II e CP R-III. Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Foi nesse contexto que o professor e pesquisador Marco Antonio Barbosa de Oliveira, do Instituto Federal do Pará (IFPA), desenvolveu uma pesquisa que transforma resíduos da indústria de celulose em materiais capazes de substituir parte do clínquer na fabricação do cimento Portland. A solução permite reduzir a pegada de carbono do material sem comprometer seu potencial de aplicação em larga escala. “Busquei apresentar uma resposta e me concentrei no esforço de contribuir para soluções que possam contribuir para a redução das emissões de gases do efeito estufa, ou mesmo reforçar a capacidade de adaptação e resiliência diante dos impactos das mudanças climáticas”, afirma o pesquisador.

Aproveitamento de resíduos de celulose

Com o objetivo de reduzir o fator clínquer/cimento, o pesquisador identificou uma oportunidade no reaproveitamento de resíduos gerados pela indústria de celulose, setor em que o Brasil ocupa posição de destaque internacional. Em 2025, a produção brasileira de celulose alcançou o recorde de 29,4 milhões de toneladas, ampliando também a disponibilidade de subprodutos com potencial de valorização. “Surgiu a ideia de desenvolver um cimento Portland menos emissivo, por meio da substituição do clínquer por dois resíduos da indústria de celulose, utilizados como materiais cimentícios suplementares”, explica.

Os materiais empregados na pesquisa foram a Cinza de Biomassa de Celulose (CBC) e o Filler de Biomassa de Celulose (FBC), resíduos gerados no processo industrial de produção de celulose. Para avaliar sua viabilidade como materiais cimentícios suplementares, ambos passaram por uma ampla caracterização, incluindo análises físicas, químicas, mineralógicas, microestruturais, térmicas e ambientais. Um dos diferenciais identificados no estudo é que esses resíduos podem ser incorporados em seu estado natural, sem necessidade de processos adicionais de calcinação ou tratamento térmico.

Testes comprovaram desempenho técnico

Difusão CO2 nas argamassas com CP R-I, CP R-II e CP R-III.
Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Para avaliar o comportamento do novo material, foram desenvolvidas 24 combinações de misturas binárias e ternárias, com teores de substituição do clínquer variando entre 5% e 50%. Os produtos obtidos foram denominados no estudo como CP R-I, CP R-II e CP R-III e submetidos a uma série de ensaios laboratoriais que avaliaram características físicas, químicas, mineralógicas, microestruturais, térmicas, reológicas e mecânicas.

De acordo com Oliveira, os resultados demonstraram que os cimentos desenvolvidos na pesquisa atenderam aos requisitos estabelecidos por normas técnicas nacionais e internacionais. Além dos testes de caracterização dos cimentos, foram produzidas argamassas para avaliar desempenho mecânico, atividade pozolânica e durabilidade. Os materiais também foram submetidos a ensaios de carbonatação acelerada e natural.

Potencial para uma construção mais sustentável

Um dos resultados observados durante a pesquisa foi a capacidade das argamassas produzidas com esses materiais cimentícios de absorver dióxido de carbono (CO₂) ao longo do tempo. “Houve maiores níveis da difusão de CO2 e profundidade de carbonatação à medida que aumentou a idade das argamassas, tanto na condição de exposição acelerada quanto natural. Portanto, ocorreu a captura de CO2”, afirma o pesquisador.

Segundo ele, todas as argamassas avaliadas atenderam os critérios estabelecidos pelas normas técnicas vigentes. Além da redução das emissões associadas à fabricação do cimento, a pesquisa contribui para a valorização de resíduos industriais que normalmente seriam destinados a áreas de descarte.

Pesquisador Marco Antonio Barbosa de Oliveira, do Instituto Federal do Pará. Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Para Marco Oliveira, o aproveitamento desses resíduos representa uma oportunidade de integrar sustentabilidade, economia circular e inovação tecnológica. “A indústria brasileira de celulose ocupa posição de destaque no cenário mundial, com consequente geração de resíduos em quantidades significativas, que necessitam de destinação ambiental adequada com reaproveitamento em novos materiais por outras indústrias”, ressalta.

Ao transformar passivos ambientais em insumos para a construção civil, o estudo demonstra que é possível conciliar desempenho técnico, redução de impactos ambientais e aproveitamento de recursos regionais em uma mesma iniciativa.

Entrevistado

Marco Antonio Barbosa de Oliveira é graduado em Engenharia Civil, especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho, MBA em Gerenciamento de Obras e Tecnologia das Construções, Mestrado em Construção Civil e Materiais e Doutorado em Estruturas e Construção Civil. É docente do Instituto Federal do Pará (IFPA). Detentor de registros de depósitos de patentes. Possui premiações em nível nacional.  Autor e coautor de artigos de publicações nacionais e internacionais. Atua no desenvolvimento de projetos inovadores focados na sustentabilidade, bioeconomia circular, reaproveitamento de resíduos como subproduto e incentivo ao uso sustentável de recursos locais. Tem a proposta de contribuir para soluções climáticas replicáveis de construção sustentável, valorização de insumos de identidade regional e o protagonismo da Amazônia na agenda climática.

Contato

marco.barbosa@ifpa.edu.br

Jornalista responsável

Ana Carvalho

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IDD Summit promove palestras, visitas técnicas, experiências práticas e integração entre diferentes áreas da engenharia

A busca por atualização constante e a necessidade de integração entre diferentes áreas da construção civil estão entre os principais desafios enfrentados pelos profissionais do setor. Com o objetivo de fortalecer essa conexão e proporcionar experiências que complementem a formação técnica, o IDD Educação Avançada promoveu entre os dias 28 a 30 de maio, a 5ª edição do IDD Summit. O evento reuniu profissionais, especialistas, empresas e lideranças da engenharia, consolidando-se como um espaço para troca de conhecimento, networking e vivências práticas.

IDD Summit reuniu profissionais que buscam acompanhar as transformações da construção civil e os desafios atuais do setor. Crédito: Divulgação

Segundo o engenheiro Cesar Henrique Sato Daher, sócio-fundador do IDD Educação Avançada e da DAHER Engenharia Consultiva e Tecnologia, a iniciativa surgiu com o propósito de aproximar pessoas em um momento em que as atividades educacionais migravam para o ambiente virtual. "O IDD Summit foi criado logo após a pandemia, quando transformamos nossos cursos de pós-graduação presenciais em aulas online ao vivo. Embora essa metodologia seja mais democrática e alcance um número maior de pessoas, ela torna o relacionamento humano mais distante. Criamos o evento para proporcionar esse encontro presencial da nossa comunidade, que vai muito além do aspecto técnico", afirma.

Desenvolvimento profissional e integração multidisciplinar

Além da atualização de conhecimentos, o evento busca estimular competências cada vez mais valorizadas pelo mercado, como comunicação, colaboração e visão sistêmica dos projetos. Para Cesar Daher, a construção civil exige uma atuação integrada entre diferentes especialidades, o que torna a troca de experiências um fator importante para o desenvolvimento profissional.

Idealizadores do IDD Summit, Luís César De Luca e Cesar Henrique Daher. Crédito: Divulgação

"O IDD Summit trabalha as habilidades interpessoais, promove a interdisciplinaridade e a integração das diversas áreas da construção civil, além de proporcionar experiências que permitem aos participantes realizar visitas técnicas e participar de workshops práticos", ressalta. Entre os destaques desta edição, está o Ingenia Netweaving, iniciativa que reúne salas temáticas para apresentação e discussão de cases entre profissionais, empresas parceiras e membros da comunidade do IDD.

Neste ano, o evento contou com a palestra magna do disruptivo professor José Ivair Motta Filho, que tem vasta experiência em inovação na educação e no Vale do Silício norte-americano, que trouxe uma visão do presente com a IA, os robôs e a importância da relação humana nesse mundo cada vez mais tecnológico.

Itambé e Concrebras abrem as portas para experiências práticas

Visita técnica à fábrica da Cimento Itambé proporcionou uma imersão nos processos industriais, controles de qualidade e iniciativas de inovação da empresa. Crédito: Divulgação/Cimento Itambé

Uma das atividades mais aguardadas da programação foi a visita técnica às instalações da Cimento Itambé e da Concrebras. A proposta é permitir que os participantes acompanhem de perto processos industriais, controles tecnológicos e aplicações práticas dos materiais utilizados na construção civil.

Para o diretor comercial da Cimento Itambé, Marcio Lobo, a participação no evento fortalece a conexão da empresa com profissionais que atuam diretamente na especificação e utilização de cimento e concreto. "Eventos como o IDD Summit reúnem exatamente o público e os segmentos nos quais nos especializamos, proporcionando contato direto com profissionais estratégicos do setor, além de um fórum qualificado para discutir tendências, desafios e demandas da indústria da construção civil, do cimento e do concreto", afirma.

Durante a visita à unidade industrial, os participantes puderam conhecer processos automatizados de produção, sistemas de controle de qualidade, aplicações de inteligência artificial e iniciativas voltadas à sustentabilidade. "Visitar uma planta industrial de cimento é uma experiência que costuma surpreender até mesmo profissionais do setor. O objetivo foi proporcionar aos visitantes uma visão prática de como tradição, inovação e responsabilidade ambiental podem caminhar juntas na indústria do cimento", explica Lobo.

Controle tecnológico e demonstração ao vivo

Programação também incluiu uma visita à Central da Concrebras, no CIC, onde foram apresentados os processos de dosagem, produção e controle tecnológico do concreto. Crédito: Divulgação/Cimento Itambé

Na Concrebras, a programação incluiu a apresentação dos processos de dosagem, produção e controle tecnológico do concreto, além de visitas ao laboratório da empresa. Segundo o diretor da Divisão Concreto da Concrebras, Tárik Andrade, os participantes tiveram contato direto com todas as etapas que garantem a qualidade do material entregue às obras. "Os participantes acompanharam a dosagem de um caminhão betoneira, conheceram um de nossos laboratórios e verificaram o rigor com o qual conduzimos nossos ensaios. Buscamos mostrar o que acontece em uma concreteira, desde a recepção dos materiais até os testes que garantem a qualidade do concreto", afirma.

Participantes vivenciaram experiência de execução de PUC ao vivo pela Concrebras. Crédito: Divulgação/Cimento Itambé

Outro destaque foi a execução ao vivo de um Pavimento Urbano de Concreto (PUC), utilizando um concreto desenvolvido especificamente para essa aplicação. "A Concrebras realizou uma concretagem ao vivo com um concreto desenvolvido especialmente para o PUC. Mostramos que é um processo simples, que permite a aplicação de um produto extremamente técnico de maneira rápida, com baixo custo e resultados que proporcionam um pavimento mais durável e com menor necessidade de manutenção", destaca Andrade.

Com uma programação que combina conhecimento técnico, experiências práticas e relacionamento profissional, o IDD Summit reforça a importância da educação continuada para acompanhar as transformações da construção civil e preparar profissionais para os desafios atuais do setor.

Confira como foi a nossa participação no IDD Summit: Assista ao vídeo

Entrevistados

Cesar Henrique Daher é engenheiro civil, técnico em edificações pela UTFPR, graduado em Engenharia Civil e Mestre em Construção Civil pela UFPR, conselheiro e diretor no IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto), presidente de honra da Associação Brasileira de Patologia das Construções (ALCONPAT Brasil). 36 anos de experiência em tecnologia do concreto, argamassas e materiais, com participação em obras de vulto convencionais e de infraestrutura. Professor universitário há 25 anos.

Marcio Lobo é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Positivo (UP) e MBA em Gestão Comercial pela Universidade Positivo (UP). Atualmente, é diretor comercial da Cimento Itambé.

Tárik Andrade é engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com mais de 26 anos de experiência em liderança no setor de concreto, com atuação na América Latina e na América do Norte. Ao longo da carreira, conduziu projetos de expansão, abertura de mercados e transformação organizacional, com foco em eficiência operacional, resultados sustentáveis e fortalecimento das equipes. Atualmente, é diretor da Divisão Concreto da Concrebras.

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daher@idd.edu.br
marcio@cimentoitambe.com.br

tarik.andrade@concrebras.com.br

Jornalista responsável
Ana Carvalho
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Construsul BC destaca sistemas construtivos industrializados

Entre os dias 26 e 29 de maio, Balneário Camboriú (SC) recebeu a 3ª edição da Construsul BC – Feira da Indústria da Construção e Acabamento. O evento reuniu mais de 20 mil visitantes e apresentou lançamentos, tendências e soluções de mais de 200 expositores do setor. Segundo os organizadores, a expectativa é que a feira tenha movimentado mais de R$ 300 milhões em negócios.

A feira também tem alcance nacional, reunindo expositores de mais de sete estados além de Santa Catarina.

“A feira apresenta novidades distribuídas por todos os segmentos da construção civil. Gosto sempre de destacar que a exposição é um momento importante para que as indústrias apresentem seus lançamentos e inovações. Como a Construsul BC abrange desde a fundação até o acabamento, os visitantes encontram soluções e tendências em todas as etapas da construção”, destaca Ricardo Richter, diretor da Construsul BC.

Construção a seco em destaque

Evento mostrou que sistemas construtivos industrializados vêm ganhando cada vez mais espaço no mercado pela eficiência e sustentabilidade. Crédito: Divulgação/Construsul

Para Richter, os grandes destaques desta edição estão ligados à construção a seco e aos sistemas construtivos industrializados, que vêm ganhando cada vez mais espaço no mercado pela eficiência e sustentabilidade que proporcionam.

“Esses sistemas também contribuem para a redução do tempo de obra, o que beneficia tanto as construtoras quanto os consumidores. Para quem constrói, isso significa a possibilidade de executar mais projetos em menos tempo, aumentando a capacidade de faturamento. Já para quem adquire o imóvel, há uma redução no prazo de entrega”, pontua Richter.

Conteúdo técnico

A feira reuniu mais de 50 horas de conteúdo técnico através de uma agenda de eventos paralelos, incluindo seminários, workshops e congressos sobre sustentabilidade, segurança do trabalho, tecnologia, acústica, mobilidade elétrica, pisos industriais, vidro estrutural e gestão de obras.

Um dos destaques do evento foi o seminário da Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Concretagem (ABESC). Os engenheiros Alvaro Barbosa, Ary Fonseca Jr. e Arnoldo Wendler destacaram como a industrialização dos canteiros de obras vem se consolidando como uma estratégia essencial para ampliar a eficiência operacional e acelerar a descarbonização da construção civil.

Os engenheiros mostraram que para incorporadoras e construtoras que buscam maior escala, produtividade e previsibilidade, o modelo oferece vantagens competitivas relevantes:

• Maior agilidade na execução: ciclos de concretagem mais rápidos, reduzindo os prazos das obras.

• Ganhos financeiros: diminuição significativa do desperdício de materiais e melhor aproveitamento da mão de obra.

Sustentabilidade aplicada: redução na geração de resíduos e maior alinhamento às metas ESG do setor.

Outro conteúdo de destaque foi o workshop da Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho (ANAPRE), onde discutiram os cuidados para a conquista da qualidade de um piso de concreto e para uma boa aplicação de revestimentos de alto desempenho. Na apresentação, Daniela Felix, engenheira de projetos da JAL Industrial, e Levon Hovaghimian, diretor adjunto de lapidação da ANAPRE falaram sobre o RAD – Revestimento de Alto Desempenho, que são sistemas aplicados sobre o concreto para proteger a superfície, aumentar a resistência e melhorar o desempenho ao longo do tempo. De acordo com a ANAPRE, sem o tratamento adequado, o piso de concreto em áreas de alta exigência pode sofrer desgaste prematuro, fissuras e baixa durabilidade. 

Conteúdo sobre gestão

O conteúdo da feira é fortemente voltado à construção civil, mas vai além das discussões técnicas do setor. Nesta edição, por exemplo, a programação também contou com palestras de empresários da área, que compartilharam suas trajetórias, os desafios enfrentados ao longo da carreira e a construção de seus negócios. “Esse tipo de troca é muito importante para contextualizar e inspirar visitantes que também possuem empresas ou estão iniciando suas atividades no mercado, permitindo acesso direto à experiência de profissionais que já atuam há muitos anos no setor”, explica Richter.

A feira recebeu nomes como Rodrigo Pimentel e João Branco. Rodrigo Pimentel, ex-capitão do BOPE e uma das inspirações para o personagem Capitão Nascimento, dos filmes Tropa de Elite, abordou temas ligados à tomada de decisão, liderança e formação de equipes de alta performance dentro das empresas. Já João Branco, ex-vice-presidente de marketing do McDonald's e responsável pelo reposicionamento da marca no Brasil, falou sobre marketing, relacionamento com clientes e construção de marca.

Fonte

Ricardo Richter é diretor da Construsul BC.

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