Norma admite agregados reciclados em concreto estrutural

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O CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados), vinculado à ABNT, publicou em junho a nova versão da ABNT NBR 15116:2021 (Agregados reciclados para uso em argamassas e concretos de Cimento Portland – Requisitos e métodos de ensaios). A anterior era de 2004. A norma especifica os critérios para produção, recepção e uso dos agregados reciclados (miúdos e graúdos) obtidos a partir do beneficiamento de resíduos da construção civil (RCC). A novidade da ABNT NBR 15116:2021 é que ela agora admite esse tipo de agregado em concretos estruturais. A versão antiga recomendava o uso apenas em concretos sem função estrutural.
A nova norma técnica define que não é qualquer agregado reciclado que serve para produzir concreto estrutural. A ABNT NBR 15116:2021 separa os resíduos da construção civil em “classes A, B, C e D”. Apenas o de classe A é recomendado. Trata-se do agregado graúdo de resíduo de concreto, cujas especificações são as seguintes, diz a norma: “Deve ser composto na sua fração graúda de, no mínimo, 90% em massa de fragmentos à base de Cimento Portland e rochas”. Ou seja, além de ser da classe A, o resíduo deve pertencer à subclasse ARCO, que significa Agregado Reciclado de Concreto (ARCO).
As outras duas subclasses da classe A são o Agregado Reciclado Cimentício (ARCI) e o Agregado Reciclado Misto (ARM), mas essas não são aceitas pela norma para a produção de concreto estrutural. Além disso, ela define o percentual que pode ser incluído na mistura. Diz o trecho da ABNT NBR 15116:2021: “Admite a possibilidade do uso de agregados reciclados para dosagens de concretos com fins estruturais, desde que sejam respeitadas as devidas recomendações: uso restrito de ARCO, teor de substituição de 20% dos agregados convencionais pelo reciclado e uso em concretos das classes de agressividade I e II, de acordo com a ABNT NBR 6118:2014.”
Agregados reciclados são admitidos para a produção de concretos estruturais com resistência máxima de 20 MPa
As classes de agressividade I e II referem-se a ambientes em que o risco de deterioração das estruturas é insignificante ou pequeno. Além disso, a ABNT NBR 15116:2021 aconselha o uso de agregados reciclados para a produção de concretos estruturais com resistência máxima de 20 MPa – geralmente usados para a construção de obras leves e unidades unifamiliares de até 2 pavimentos (casas e sobrados). Em laboratório, concretos com agregados reciclados, que são entre 60% e 70% menos resistentes do que os que utilizam brita, já atingiram 45 MPa. Isso foi obtido em ensaios realizados na Alemanha, na Inglaterra, na Suíça e na Índia, que há anos desenvolvem pesquisas para obter concretos estruturais usando agregados reciclados.
Além de seguir os requisitos da ABNT NBR 15116:2021, o CB-018 recomenda que o concreto estrutural que utilizar agregados reciclados deve atender também a ABNT NBR 6118 (Estruturas de concreto armado), a ABNT NBR 7211 (Agregados para concreto – Especificações) e a ABNT NBR 16917 (Agregado graúdo – Determinação da densidade e da absorção de água) também recentemente revisada pelo Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados. Segundo a Abrecon (Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição) a revisão da ABNT NBR 15116:2021 deve levar também à revisão das outras 4 normas técnicas correlatas, que são:
– ABNT NBR 15115:2004 – Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil – Execução de camadas de pavimentação – Procedimentos
– ABNT NBR 15114:2004 – Resíduos sólidos da Construção civil – Áreas de reciclagem – Diretrizes para projeto, implantação e operação
– ABNT NBR 15113:2004 – Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes – Aterros – Diretrizes para projeto, implantação e operação
– ABNT NBR 15112:2004 – Resíduos da construção civil e resíduos volumosos – Áreas de transbordo e triagem – Diretrizes para projeto, implantação e operação
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CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados) e Abrecon (Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição) (via assessorias de imprensa)
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Meta da indústria do cimento é emissão zero de CO₂ até 2050

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A Global Cement and Concrete Association (GCCA) – Associação Global de Cimento e Concreto – anuncia que as indústrias responsáveis por 80% da produção de cimento nos países ocidentais chegaram a um acordo sobre as 7 principais metas a serem alcançadas em 2050, a fim de que o setor zere a emissão de carbono no processo de fabricação do insumo.
Para obter emissão zero é necessário compensar o CO₂ emitido. Assim, os objetivos para se chegar ao 100% de compensação são os seguintes:
1. Eliminar 22% das emissões
2. Aumentar em 11% a eficácia na produção de cimento
3. Melhorar em 9% o desempenho do cimento e os demais ligantes na produção de concreto
4. Descarbonização do clínquer em 11%
5. Capturar e armazenar no concreto 36% do CO₂
6. Elevar em 5% a transição para energias renováveis
7. Reduzir em 6% a carbonatação natural do concreto armado
O acordo entre as cimenteiras ocidentais foi divulgado dia 12 de outubro de 2021, em Londres-Inglaterra, semanas antes da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP-26, que acontece até dia 12 de novembro em Glasgow-Escócia. O documento não foi assinado pelas cimenteiras chinesas, mas a China National Building Material – organismo que regulamenta a produção de cimento no país – prometeu tomar medidas para mitigar a emissão de CO₂ de sua indústria.
A Global Cement and Concrete Association definiu as metas como “um passo importante para eliminar a pegada de CO₂ do concreto”. O documento, que leva o nome de “Concreto Net Zero em 2050”, também tem entre suas cláusulas o compromisso do setor de reduzir em mais de 25% as emissões de CO₂ até 2030. A GCCA reúne cimenteiras da Europa, das Américas do Norte, Central e Sul, da África e da Ásia.
O CEO da GCCA, Thomas Guillot, fala da importância do acordo. “A cooperação global na descarbonização de concreto é uma necessidade, já que os países que estão desenvolvendo sua infraestrutura e habitações serão os maiores usuários de concreto nas próximas décadas”, diz. Guillot também pediu a parceria dos governos para ajudar no cumprimento das metas. “Precisamos do apoio deles para mudar a regulamentação que limita o uso de materiais reciclados e impede a transição para uma economia circular e de baixo carbono”, completa.
À COP-26, Brasil informa que tem a indústria cimenteira menos agressiva do mundo
No Brasil, o SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) e a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) enviaram documento à COP-26 mostrando que no país o setor é um dos menos agressivos do mundo. “Dentre as iniciativas promovidas pelas empresas estão o uso de matérias-primas alternativas (fíler calcário, escórias siderúrgicas e cinzas de termelétricas, por exemplo) e de combustíveis alternativos, tais como biomassas, resíduos industriais, comerciais e domésticos, pneus, entre outros. Essas ações elevaram o Brasil à condição de referência global como o país que menos emite CO₂ por tonelada de cimento produzida no mundo”, afirma o relatório enviado a Glasgow.
Enquanto a indústria de cimento global responde por 7% da emissão de CO₂, no Brasil o setor emite apenas 2,3% do volume de gás carbônico lançado na atmosfera, segundo dados do Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal. Segundo o presidente do SNIC e da ABCP, Paulo Camillo Penna, a indústria cimenteira nacional tem a meta de reduzir em 33% suas emissões até 2050. “Isso evitará a emissão de 420 milhões de toneladas de CO₂ e implicará na redução da intensidade carbônica do cimento brasileiro de 564 quilos por tonelada para 375 quilos por tonelada, tornando-se a menor do planeta”, afirma.
Clique e saiba mais sobre o relatório da GCCA
Entrevistado
Reportagem com base no Roadmap da Global Cement and Concrete Association (GCCA) para chegar ao NET Zero do Concreto em 2050
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Investimento seguro, imóvel valoriza 12,5% em 12 meses

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O IGMI-R (Índice Geral de Preços do Mercado Imobiliário Residencial) medido pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) mostra que, de novembro de 2020 a outubro de 2021, os preços dos imóveis valorizaram 12,5% no Brasil. Com exceção das aplicações de alto risco, foi o investimento que mais rendeu em 12 meses, entre os considerados mais seguros.
O IGMI-R avalia imóveis em 10 capitais: São Paulo-SP, Rio de Janeiro-RJ, Curitiba-PR, Porto Alegre-RS, Goiânia-GO, Salvador-BA, Brasília-DF, Belo Horizonte-MG, Fortaleza-CE e Recife-PE. Houve cidades em que a valorização foi maior que a média nacional, como São Paulo-SP, onde os preços dos imóveis evoluíram 19,3%.
Com base no índice medido pela Abecip, o presidente da ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) Luiz Antônio França, cita que, em comparação com as aplicações em renda fixa, o investimento em imóvel teve rendimento 56% maior em um ano. “O imóvel sempre foi um ativo seguro e com boa rentabilidade no longo prazo. Agora tem se mostrado também um bom investimento no médio prazo”, afirma.
Para o dirigente, a atratividade dos investimentos em imóvel tende a se manter, mesmo com a elevação da taxa básica de juros (Selic). “O cenário de boas oportunidades de investimento no setor da construção não deve arrefecer com o aumento da taxa de juros”, avalia. No entender de Luiz Antônio França, enquanto os riscos da pandemia não estiverem zerados os imóveis residenciais seguirão despertando o interesse maior do investidor.
Imóveis de alto padrão, luxo e super luxo são os que mais valorizam no mercado
Ainda segundo o presidente da ABRAINC, a valorização dos imóveis como investimento é uma tendência mundial. “No Reino Unido, por exemplo, a valorização de imóveis como investimento é a maior em 50 anos”, diz.
No Brasil, os segmentos que apresentam as maiores valorizações são os imóveis residenciais de alto padrão, luxo e super luxo. A medição da Abecip mostra que as cidades de São Paulo-SP, Rio de Janeiro-RJ e Belo Horizonte-MG foram as que tiveram as maiores valorizações nestes nichos do mercado imobiliário.
A Abecip calcula que, entre recursos desembolsados para a compra de imóveis e a rentabilidade sobre as aquisições, os investidores brasileiros movimentaram 1,5 bilhão de reais nos 12 meses recentes. A entidade também projeta que para os próximos 12 meses, por causa da elevação da taxa Selic, os fundos imobiliários também possam surgir como investimentos com boa rentabilidade, concorrendo com os imóveis físicos.
De acordo com o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, o investimento em imóvel envolve também o amadurecimento do mercado imobiliário. “O mercado está profissionalizado e traz junto o crescimento do setor, com financiadores, compradores e empreendedores. Além disso, o cidadão também passou a entender as possibilidades que o investimento em imóveis gera”, comenta.
Entrevistado
Reportagem com base nos debates ocorridos dentro do evento “Incorpora 2021”, promovido pela ABRAINC, com participação da Abecip e da CBIC
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Concreto é resiliente às mudanças climáticas, mostra EUPAVE

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O recente relatório da EUPAVE (European Concrete Paving Association) trata dos aspectos positivos do pavimento de concreto, sob o ponto de vista das mudanças climáticas. Esse é o 3º documento divulgado pela associação europeia de pavimento de concreto. O primeiro, de 2018, aponta que as pistas de pavimento rígido são as mais recomendáveis para o tráfego de veículos elétricos ou híbridos (movidos a energia armazenada e a combustão). O segundo, de 2020, revela que o pavimento de concreto ajuda a reter o CO₂.
Agora, o novo relatório mostra que os pavimentos de concreto são mais resistentes às condições severas do clima. “As duas principais consequências das mudanças climáticas sob as estradas são a elevação da temperatura e o aumento das chuvas. Na Europa são esperadas mais inundações, erosões de aterros e fundações, perda da integridade estrutural das rodovias e da integridade do pavimento. Isso requer soluções robustas, como o pavimento de concreto. Sua rigidez suporta grandes períodos de elevada temperatura, chegando a resistir ao fogo em caso de incêndios florestais”, cita o documento da EUPAVE.
O relatório também destaca a resiliência do pavimento de concreto, ao lembrar que esse tipo de estrutura rodoviária também suporta ao gelo e às enchentes. “Pavimentos de concreto, em comparação com o asfalto, resistem não apenas ao tráfego extremo, mas às variações extremas do clima”, resume. Com base em dados coletados de organismos que medem as variações climáticas, a EUPAVE cita no documento que na década de 2011-2020 a temperatura média global aumentou 1,1 °C, levando a verões mais quentes e invernos mais rigorosos. “Isso causa mudanças climáticas radicais. Em comparação a 1981, os incêndios florestais na Europa aumentaram até 40%. Já as enchentes cresceram 35% em relação ao mesmo período no continente”, diz.
Alterações no clima tornaram os pavimentos com asfalto 35% menos resistentes
As variações de clima mais extremas na Europa levaram as rodovias revestidas com asfalto a se tornarem mais vulneráveis. No continente, o Índice Internacional de Rugosidade Asfáltica detectou que, em 20 anos, os problemas em estradas com pavimento betuminoso aumentaram 35%. Por outro lado, a EUPAVE conclui seu mais recente relatório sugerindo que os projetos de novas rodovias na Europa optem pelo pavimento de concreto continuamente armado. A alegação é que o sistema funciona excepcionalmente bem para áreas sujeitas a enchentes. “O reforço contínuo habilita o pavimento a suportar melhor a erosão causada pelas chuvas. Ele cria um ‘efeito ponte’ na estrada”, afirma o documento.
O recente boletim da EUPAVE também reforça outras características do pavimento de concreto, independentemente das mudanças climáticas, que são: robustez, desempenho, durabilidade, baixa manutenção, custo baixo em relação ao ciclo de vida e refletância eficaz.
Entrevistado
Reportagem com base no boletim da EUPAVE “Estradas de concreto mostram melhor resiliência às mudanças climáticas e eventos meteorológicos extremos”
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Prédio de luxo possui 1.500 vícios construtivos

Crédito: Wikimedia Commons
Entre 2015 e 2019, o 432 Park Avenue detinha dois recordes: o de prédio residencial mais alto do mundo, com 426 metros, e o de ter os apartamentos mais caros do planeta, com preços variando entre 10 milhões e 100 milhões de dólares por unidade. Após perder essas marcas, o edifício passou a enfrentar uma espiral de problemas.
Há quase 3 anos o empreendimento da construtora CIM e da incorporadora Macklowe enfrenta processos milionários movidos pelos proprietários das unidades, e cuja soma das indenizações pode superar 1 bilhão de dólares. Motivo: a obra tem 1.500 vícios construtivos, segundo laudo dos engenheiros civis da SBI Consultants – escritório contratado para embasar as ações que correm na corte de Nova York.
A coleção de problemas vai desde infiltrações até defeitos no acabamento, passando por deficiências acústicas nas lajes, vazamentos hidráulicos e de gás, curtos-circuitos, falhas de vedação nas janelas e no sistema de aquecimento, o que transforma os 179 apartamentos em verdadeiras “geladeiras” durante o inverno nova-iorquino.
Os vícios construtivos mais graves começaram a aparecer em 2019. Isso fez com que 2/3 dos moradores do prédio já abandonasse suas unidades. De acordo com o laudo dos engenheiros civis contratados pelos proprietários, o 432 Park Avenue só não apresenta problemas estruturais. Na construção do edifício foram consumidos 53.200 m³ de concreto.
Prédio fica na Rua dos Bilionários e taxa de condomínio chega a 25 mil dólares
Os apartamentos do edifício possuem de 2 a 8 quartos. Os mais luxuosos contam com academias de ginástica dentro da unidade, clubes privados, piscinas e quadras para práticas esportivas. Localizado em Manhattan, o 432 Park Avenue fica de frente para o Central Park, localizado em uma rua com nome sugestivo: a Billionaire Row ou Rua dos Bilionários.
Isso explica o alto valor imobiliário de suas unidades. Entre os proprietários do prédio estão celebridades do cinema e da música, jogadores das ligas de beisebol, basquete e futebol americano, além de empresários e nomes ligados à moda e às artes. A taxa média de condomínio é de 25 mil dólares por mês.
Estruturalmente, o edifício é uma construção de concreto armado moldado “in loco”. O prédio apoia-se em colunas de concreto branco arquitetonicamente expostas em torno de seu perímetro e possui um núcleo de paredes de concreto em torno dos poços do elevador e das escadas, e que funcionam como a coluna vertebral do 432 Park Avenue. As lajes de concreto armado possuem 25 centímetros de espessura, apoiadas nas colunas externas e no núcleo central do prédio. Além dos 53.200 m³ de concreto, o prédio consumiu 12.500 toneladas de barras de aço.
O projeto estrutural e arquitetônico é assinado pelo uruguaio Rafael Viñoly, que é parte solidária no processo movido pelos proprietários. A obra polêmica do arquiteto deixou de ser o prédio residencial mais alto do mundo em 2019, quando foi inaugurado o Central Park Tower, também em Nova York, e que alcança 472 metros de altura.
Entrevistado
Reportagem com base no relatório de inspeção divulgado pela SBI Consultants e no processo público que corre na corte de Nova York
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Nível de atividade da construção é o melhor desde 2010

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Números revelados pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) em conjunto com a CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostram que o nível de atividade da construção civil no 3º trimestre de 2021 chegou a 50,4 pontos e alcançou o maior patamar desde 2010.
Outro dado que chama a atenção é o que mede a utilização da capacidade operacional das empresas de construção, e que chegou a 65%. O percentual é superior à média histórica (62%) e o maior desde 2014, quando registrou 67%. Diante do cenário, CBIC e CNI fazem avaliações positivas dos números.
É o que revela Marcelo Souza Azevedo, gerente de análise econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Apesar de uma trava por conta dos aumentos dos insumos, tudo indica que há espaço para continuar com expectativas positivas”, avalia.
A construção imobiliária segue puxando o bom desempenho do setor, impulsionada pela demanda por imóveis, pelas taxas de juros ainda atrativas e pela oferta de crédito imobiliário. A assessora econômica da CBIC, Ieda Vasconcelos, acrescenta ainda que o avanço do processo de vacinação também ajudou a impulsionar os bons índices do 3º trimestre.
Os dados recentes levaram a CBIC a confirmar que a indústria da construção civil crescerá 5% em 2021. Para o presidente do organismo, o engenheiro civil José Carlos Martins, o crescimento poderia ser ainda mais relevante se não fosse a inflação que atingiu os insumos do setor. “Estamos andando bem, mas poderíamos andar muito mais. Difícil achar outro setor que sofreu uma inflação como o nosso, o que inibiu nossa capacidade de contribuir ainda mais com o crescimento do PIB”, destaca.
Empregos formais crescem, mas vagas informais ainda dominam mercado da construção
Na divulgação ocorrida dia 25 de outubro, outro índice chamou a atenção: pelo 8º mês consecutivo, o volume de contratações de mão de obra supera o de demissões no setor. Ao longo de 2021, a construção já abriu 238 mil vagas formais de trabalho. Segundo dados do Novo CAGED (cadastro Geral de Empregados e Desempregados) é o melhor resultado para o período desde 2012.
A indústria da construção volta a ultrapassar a marca de mais de 2,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o que não acontecia desde 2015. “O número de vagas formais disseminou por todo país. Com exceção de Roraima, todos os demais estados registraram saldo positivo em contratações, com destaque para São Paulo, Minas Gerais e Paraná”, explica Ieda Vasconcelos.
José Carlos Martins lembra que o número de empregos formais na construção civil poderia ser ainda maior, se houvesse uma política para regularizar a situação dos informais. “O número de trabalhadores informais chega a 60% das ocupações do setor. Se eles fossem formalizados poderiam contribuir para melhorar o cenário socioeconômico do país. Por isso vale reforçar a importância desse saldo positivo de contratações no setor. Quanto mais carteiras assinadas registrarmos, melhor para a economia formal do país”, conclui.
Assista à apresentação do cenário econômico da construção civil
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Reportagem com base na apresentação do “Desempenho Econômico da Indústria da Construção do 3º trimestre de 2021”, apresentada pela CBIC e pela CNI
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Após leilão, Dutra quer inaugurar nova era de rodovias no Brasil

Crédito: Márcio Lino/Prefeitura Municipal de Guarulhos
A rodovia Presidente Dutra – principal ligação entre as duas maiores cidades do país (São Paulo e Rio de Janeiro) – foi a leilão em 29 de outubro de 2021. O grupo CCR, que já administrava a concessão antiga desde 1996, ganhou o certame e seguirá à frente da gestão da estrada por mais 30 anos. Foram concedidos 625,8 quilômetros, dos quais 355,5 quilômetros da BR-116 (Via Dutra) e 270,3 quilômetros do trecho da BR-101 conhecido como Rio-Santos.
A outorga foi vencida pelo grupo CCR, com a oferta de 1,77 bilhão de reais e compromisso de investimento de 14,83 bilhões de reais ao longo do período de concessão. O grupo EcoRodovias, que também participava do certame, foi derrotado no leilão. A empresa vencedora assume o compromisso de executar uma série de projetos de modernização da Dutra. Através da futura concessão, é esperada uma nova era de rodovias no Brasil.
A promessa é que a estrada se transforme na mais tecnológica e também na mais segura do país. Atualmente, ela tem trechos que variam entre duas e três estrelas no ranking de segurança rodoviária. Pelo contrato, em 5 anos terá que alcançar a graduação máxima, ou seja, cinco estrelas. Os critérios são do International Road Assessment Programme (iRap) – Programa Internacional de Avaliação de Estradas.
As cláusulas contratuais definem que a companhia vencedora deverá realizar a construção de 557,91 quilômetros de faixas adicionais, 25,24 quilômetros de faixas reversíveis, 28 quilômetros de barreiras antirruído, 133,42 quilômetros de vias marginais, 133 novas obras de arte especiais (pontes e viadutos) e 92 passarelas. A principal obra será a construção de um novo traçado de subida na Serra das Araras, no Rio de Janeiro-RJ, com extensão de 16,20 quilômetros, e que está orçado em 1,2 bilhão de reais.
Modernização da Dutra prevê pavimento de concreto em alguns trechos
A modernização da Dutra prevê pavimento de concreto em alguns trechos, mas ainda não estão definidos quais serão. A rodovia também terá iluminação de LED em toda a sua extensão, além de 520 câmeras de monitoramento e 1.282 sensores para detecção automática de acidentes. A estrada será a primeira do Brasil preparada para a tecnologia 5G e vai disponibilizar acesso à internet aos usuários ao longo de todo o trecho entre São Paulo-SP e Rio de Janeiro-RJ.
Rodovia mais movimentada do país, trafegaram pela Dutra em 2020 cerca de 120 milhões de veículos, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Com a nova concessão, haverá 7 praças de pedágio para quem trafegar entre São Paulo-SP e Rio de Janeiro-RJ, e vice-versa. Os preços vão variar entre 3,83 reais e 14,49 reais, com descontos para quem for usuário frequente da rodovia.
Já na BR-101 haverá três praças de pedágio. Segundo os termos do leilão conduzido pelo ministério da Infraestrutura e pela ANTT, está previsto em contrato a duplicação de 80,1 quilômetros na rodovia Rio-Santos, o que deverá ocorrer a partir do 6º ano da concessão. O objetivo é transformar a estrada em um corredor turístico, já que ela faz ligação com várias cidades litorâneas dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
Veja o volume de obras previstas na Dutra e na Rio-Santos
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Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) (via assessoria de imprensa)
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Altair Santos MTB 2330
Pré-fabricados de concreto tem um novo protagonista: o dormente

Crédito: MInfra
O Senado prorrogou a validade da medida provisória que autoriza o repasse de trechos ferroviários para a iniciativa privada, sem a necessidade de licitação. A MP 1065/2021 venceu em 29 de outubro, mas seguirá ativa até que o marco legal ferroviário seja aprovado no Congresso Nacional e vá para a sanção da Presidência da República.
A medida abre espaço para que o capital privado assuma as operações das estradas de ferro no Brasil, desde que invista em obras, planos de expansão e na manutenção dos trechos outorgados. A expectativa é que até 2030 a privatização possa acrescentar pelo menos mais 10 mil quilômetros à malha ferroviária nacional, que atualmente abrange 29.165 quilômetros. Confirmada essa previsão, um elemento de concreto tende a ter alta demanda nos próximos anos: o dormente.
Apesar de existirem dormentes de aço, madeira e polímeros reciclados, os fabricados com concreto são os mais usados nas ferrovias nacionais. A razão, explica o engenheiro civil Tharlles José Fernandes – especialista em projetar esses elementos pré-fabricados -, é que os dormentes de concreto dão mais estabilidade à via, têm vida útil de 50 anos e excelente custo-benefício por causa da baixa manutenção.
Porém, para transferir às ferrovias todas as ótimas propriedades, os dormentes de concreto precisam ser fabricados com qualidade. A referência normativa neste caso é a ABNT NBR 11709:2015 (Dormente de concreto – Projeto, materiais e componentes). “O dormente deve ser compatível com as exigências do projeto, ou seja, cada ferrovia requer um tipo de dormente”, resume Tharlles.
Por isso, diz o engenheiro, recomenda-se que as peças sejam produzidas em indústrias de pré-fabricados de concreto e não “in loco”. O processo de produção controlada permite que a fabricação tenha controle de qualidade, que se divide em 3 etapas: planejamento, teste e refinamento e produção em série. A 1ª etapa envolve projeto estrutural, ensaio dos insumos e a adoção de procedimentos na fase de execução. A 2ª etapa possibilita otimizar o layout de produção e ajustar os elementos às necessidades da ferrovia em que serão instalados. Por fim, a produção em série deve ser executada com controle tecnológico.
Traço do concreto e tempo de cura são definidores para que dormente não desenvolva etringita tardia
Esse controle na fabricação dos dormentes evita que os elementos desenvolvam etringita tardia, considerada uma patologia capaz de inutilizar as peças usadas nas ferrovias. Tharlles José Fernandes alerta ainda para outros cuidados na fabricação de dormentes. “Os elementos devem estar adequados às cargas que irão trafegar na ferrovia. O traçado e a bitola da linha também influenciam na produção das peças. Eles ainda devem ser projetados para atender os raios das curvas e a velocidade de tráfego das locomotivas”, explica.
Por isso, complementa o engenheiro civil, o traço do concreto e o tempo de cura são definidores para a qualidade do dormente. Outra informação é que a maioria das novas ferrovias do Brasil utiliza dormentes fabricados com concreto protendido. Em média, um quilômetro de estrada de ferro é sustentado por 1.600 elementos de concreto.
Desde a publicação da MP 1065/2021, em agosto, 19 solicitações de pedidos de novas ferrovias já foram encaminhadas à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Isso equivale ao acréscimo de mais 5 mil quilômetros à malha ferroviária nacional até 2025. Significa que pelo menos 8 milhões de dormentes deverão ser fabricados para suprir a demanda do setor.
Assista à palestra sobre fabricação de dormentes
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Reportagem com base na palestra promovida pelo Instituto de Engenharia, sob o título “Cuidados na produção de dormentes monoblocos de concreto protendido”
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Pandemia mexe no ranking das 50 maiores construtoras latinas

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A revista Construção Latino Americana divulgou em outubro a edição 2020-2021 do ranking das 50 maiores construtoras do continente – o CLA50. A lista inclui, além das empresas com sede nos países latinos, as corporações de nacionalidade espanhola, italiana e portuguesa, mas que também operam na América do Sul e na América Central. Por causa dos impactos econômicos causados pela pandemia de COVID-19, o ranking teve alterações em quase todas as posições. Das 50 listadas, apenas 8 preservaram as colocações que tinham na lista de 2019-2020.
O ranking CLA50 mostra que o faturamento de 30 das empresas listadas caiu na pandemia. Isso não tem relação direta com o volume de obras, mas com a desvalorização das moedas locais diante do dólar. Também reduziu o fluxo de grandes obras de infraestrutura, porque os governos tiveram que canalizar recursos para combater o COVID-19. Porém, houve o aumento de empreendimentos da construção imobiliária, o que compensou o desempenho de algumas empresas que atuam tanto no mercado imobiliário quanto no de infraestrutura.
Apesar do cenário de anormalidade, o top 3 do ranking da revista Construção Latino Americana se manteve inalterado, com a chilena Sidgo Koppers liderando a lista, seguida da espanhola Sacyr e da brasileira MRV Engenharia. O faturamento da companhia do Chile, porém, caiu 4,1%, indo de 2,334 bilhões de dólares no período 2019-2020 para 2,238 bilhões de dólares em 2020-2021. Sacyr e MRV viram seus faturamentos crescerem 17,5% e 9,8%, respectivamente. A espanhola faturou 2,002 bilhões de dólares em 2020-2021 e a brasileira 1,289 bilhão de dólares no mesmo período.
Com 19 empresas, Brasil tem maioria na lista e também maior volume de faturamento
O ranking CLA50 avalia construtoras e empreiteiras de 10 nacionalidades. A saber: Brasil, Chile, Espanha, México, Peru, Colômbia, Itália, Portugal, Costa Rica e Argentina. Na lista recentemente divulgada, as empresas brasileiras são maioria: 19. O faturamento de todas elas soma 5,559 bilhões de dólares. No top 10, além da MRV, aparece a Andrade Gutierrez, que ocupa a 9ª posição. Destaca-se também a Odebrecht Engenharia e Construção, que subiu 15 posições em relação ao ranking passado, saindo da 27ª para a 12ª. Na década passada, a empresa foi fortemente impactada pela operação Lava-Jato.
Três construtoras brasileiras estreiam no ranking: a Construtora Ferreira Guedes, que aparece na 32ª posição; a Gafisa, em 34º, e a MPD Engenharia, em 47º. Todas atuam fortemente no segmento de construção imobiliária. A empresa que mais caiu no ranking foi a Tegra Incorporadora, que é uma subsidiária da canadense Brookfield Asset Management e tem sede na cidade do Rio de Janeiro-RJ. No CLA50 de 2019-2020, ela aparecia na 26ª colocação e agora surge em 49º. A espanhola FCC, que tem como acionistas alguns dos homens mais ricos do mundo, como os norte-americanos Bill Gates e George Soros, além do mexicano Carlos Slim, também caiu 23 colocações, indo da 19ª para a 43ª posição.
Acesse o ranking das 50 maiores construtoras que atuam na América Latina
Entrevistado
Reportagem com base no ranking e nos dados divulgados pela revista Construção Latino Americana, da editoria KHL Group
Contato
latina-americana@khl.com
Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330
Período de residência para engenheiros civis pode virar lei

Crédito: Pixabay
Se o Brasil mantiver um crescimento sustentável ao longo dessa década, vai voltar a faltar engenheiros civis para abastecer o mercado da construção civil. Preocupado com o risco de escassez da mão de obra especializada, o sistema Confea/CREA está propondo que estudantes recém-formados nas universidades passem por um período de residência, inspirado no que acontece atualmente com os cursos da área da saúde. A ideia foi apresentada no seminário “Residência em engenharia: uma proposta”, que aconteceu no 2º dia do 93º ENIC (Encontro Nacional da Indústria da Construção).
Pelo segundo ano consecutivo o evento foi 100% virtual, e participaram do debate sobre a residência para engenheiros o vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ricardo Portella; o diretor-presidente da Mútua, Francisco Almeida; o vice-presidente do Confea/CREA, João Carlos Pimenta, e o presidente do CREA-PR, Ricardo Rocha de Oliveira, que é um dos primeiros defensores de um modelo de transição entre as universidades e o mercado, para preparar melhor os novos profissionais.
Ricardo Rocha de Oliveira explica que através do CREA-PR, o governo do Paraná adotou um programa de residência-técnica, que absorve engenheiros que tem até 3 anos de formatura. Para atuar em organismos governamentais voltados para obras, eles são contratados como bolsistas. “O que precisa ocorrer é o acolhimento do egresso, para que ele possa ser inserido no mercado de trabalho. A residência é uma ideia de aprendizagem no trabalho. A sugestão foi levada recentemente ao ministério do Trabalho e trabalhamos junto a deputados federais para que seja criado um projeto de lei no Congresso, a fim de que futuramente isso possa virar lei”, diz o presidente do CREA-PR.
Universidades priorizam mestres e doutores e esquecem de formar engenheiros-práticos
Ricardo Portella, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), defende a ideia e lançou duas perguntas para medir a qualificação dos engenheiros que saem das universidades. “A formação que os estudantes recebem na graduação de engenharia civil está alinhada com as necessidades do mercado? Ao sair das salas de aula, os novos profissionais de engenharia civil estão aptos a encarar os desafios do que é ser engenheiro?”, questiona. Portella também criticou as instituições de ensino – principalmente as públicas – ao afirmar que elas privilegiam a formação de doutores e mestres e esquecem de formar engenheiros-práticos.
Francisco Almeida, diretor-presidente da Mútua, foi mais enfático. “No Brasil, o ensino superior virou um mercantilismo, infelizmente. O Confea-CREA não pode intervir no currículo da engenharia, pois essa é uma atribuição do ministério da Educação. Mas há muitos países que possuem parceria intensa entre universidades e empresas. Um exemplo é a Alemanha, onde os engenheiros em fase final de formação são captados para iniciar a preparação para o mercado. Hoje trabalhamos para que haja uma lei nesse sentido, mas não apenas para as universidades públicas, mas as privadas também. Nesse projeto, o Mútua e o Confea/CREA poderiam organizar o acompanhamento desses novos profissionais”, sugere.
João Carlos Pimenta, vice-presidente do Confea/CREA, entende que o currículo das graduações de engenharia civil está defasado. “Os egressos das universidades não saem preparados para o mercado. Essa é a realidade. Por melhor que seja o aluno, o currículo das faculdades tem uma enorme defasagem do que o mercado precisa atualmente. O que propomos é a criação de um período de residência, inspirado no que acontece atualmente na área de saúde. Não precisa se chamar residência, mas a proposta é de transferir conhecimento prático ao graduado, para que ele possa exercer sua profissão”, conclui.
Entrevistado
Reportagem com base no seminário “Residência em engenharia: uma proposta”, que aconteceu no 2º dia do 93º ENIC (Encontro Nacional da Indústria da Construção).
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enic@cbic.org.br
Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330









