"Doença da pressa" contamina profissionais

Consultor empresarial ressalta que trabalho e descanso precisam estar em equilíbrio

Humberto César Costa de Souza: trabalho deve se guiar pela matriz GUT (Gravidade, Urgência e Tendência)
Humberto César Costa de Souza

Um dos atuais desafios dos profissionais é gerir o tempo. O que se impõe é aumentar a produtividade sem que isso interfira na vida pessoal. Mais que uma arte, operar a gestão do tempo requer organização. Como fazê-lo? O consultor empresarial Humberto César Costa de Souza, que há 10 anos ministra cursos sobre gestão do tempo, revela que os profissionais adquiriram a “doença da pressa” e perderam a noção do tempo que devem dedicar ao trabalho. Pior: passaram a fazer mau uso da tecnologia, sem conseguir a almejada qualidade de vida. É o que ele explica na entrevista a seguir. Confira:

Os recursos tecnológicos, que em tese surgiram para dar mais tempo, hoje parecem ter transformado a vida dos profissionais em um caos. Por que isso ocorre?
Infelizmente, grande parte da população está sofrendo da “doença da pressa”. O que isso significa: em vez de usar os recursos tecnológicos para ganhar tempo e melhorar a qualidade de vida, o profissional reage abruptamente e, muitas vezes, passa a acumular atividades. Quer um exemplo: surge uma mensagem no celular. Em vez de terminar o que está fazendo, e depois responder, a pessoa interrompe uma tarefa que às vezes é mais importante para priorizar a mensagem. Isso é anular o ganho proporcionado pela tecnologia.

As pessoas, de fato, estão trabalhando mais ou essa é uma falsa impressão e o que ocorre é que elas não estão sabendo aproveitar as horas de folga?
Acredito que muitas pessoas se desacostumaram com as “horas de folga”. Esse período foi contaminado pelas atividades de trabalho. Há pessoas que se sentem envergonhadas de dizer “eu não estou fazendo nada”. Não importa se é domingo, feriado ou fora do horário de trabalho normal, elas se sentem na obrigação de ter uma atividade produtiva.

Durante a idade profissional existe uma faixa etária que é mais vulnerável ao trabalho excessivo ou todos são afetados indiscriminadamente?
Normalmente, os profissionais em início de carreira são mais vulneráveis ao trabalho excessivo, por quererem mostrar serviço e subir mais rápido nas organizações. No outro extremo, os profissionais em vias de se aposentar também tendem a trabalhar mais. Por dois motivos: medo da aposentadoria, onde eles imaginam que vão passar muito tempo sem atividade, ou para tentar demonstrar que ainda são úteis para a organização. Profissionais com a carreira mais estabilizada tendem a não abusar do horário de trabalho.

Os novos profissionais que estão surgindo não estariam vindo com uma concepção de tempo diferente de outros que estão no meio da carreira, por exemplo?
Novos profissionais estão vindo com a ideia de dar uma carga maior de trabalho no início da carreira para subir rápido nas organizações. Contudo, se as organizações não satisfazem suas necessidades, eles inicialmente diminuem o ritmo e depois mudam de emprego. Nisso eles diferem dos profissionais mais antigos, que normalmente se dedicavam a construir a carreira já desde cedo numa mesma empresa.

O profissional não estaria vivendo um dilema: se trabalhar pouco pode ficar sem recursos para sua qualidade de vida; se trabalhar muito, fica sem componentes fundamentais para a qualidade de vida, como lazer e família. Onde está a equação ideal?
O segredo está no equilíbrio: estabelecer um planejamento adequado e aplicar, por exemplo, em um plano de previdência desde cedo (a partir dos 23 anos). Não precisa ser uma quantia exagerada, mas sim uma que possa dar tranqüilidade no futuro. O que não recomendo é se privar de todo e qualquer lazer hoje, somente pensando no futuro. É preciso que trabalho e descanso estejam em equilíbrio na vida.

Algumas empresas, para gerar qualidade de vida aos seus funcionários, criaram sistema de trabalho em que os empregados poderiam trabalhar de casa ou sem cumprir um horário rígido. Resultado: muitas delas voltaram atrás e readotaram o horário de trabalho. O que ocorreu de errado nestes casos?
O que faltou, nestes casos, foi um planejamento adequado. Nem todas as pessoas gostam de trabalhar em casa, sem um certo padrão de controle. Além disso, não é qualquer atividade que pode ser executada de forma mais eficaz fora do ambiente de trabalho. Mas o que ocorreu é que houve a adoção de um modismo sem um amadurecimento do conceito à realidade brasileira. Vale mencionar o equilíbrio nas ações: se, por alguma razão, um profissional precisa ficar em casa para dar algum tipo de assistência maior à família, por que não fazê-lo? O erro, a meu ver, está em se implantar indiscriminadamente a medida e também em não estabelecer, num acordo, a forma de verificação dos resultados esperados do processo.

O quanto nesta questão da gestão de tempo é culpa do profissional e o quanto é culpa da empresa?
No meu entender, a maior culpa é do profissional. Se ele dá espaço em sua rotina, a empresa ocupa este espaço. Ele tem que aprender a dizer não, a demonstrar que para tudo existe um limite. Caberia à empresa também não abusar ou querer ocupar todo o espaço. O diálogo, como se vê, é indispensável.

Questões regionais afetam na gestão de tempo do profissional? Um exemplo: diz-se que os nordestinos são mais donos de seu tempo, enquanto o pessoal do Sul/Sudeste corre contra o tempo.
Deste ponto posso falar com total conhecimento de causa, pois sou baiano e vivi na Bahia por muitos anos. Realmente, no Nordeste, em razão principalmente do clima extremamente quente, as pessoas tem que ter um ritmo mais lento de trabalho, o que não significa necessariamente que produzam menos. Na verdade, eles se acostumaram a ter o seu tempo e só quem estranha isso é o pessoal do sul que vai para lá.

Uma pessoa que trabalha em ritmo alucinado e, de repente, é forçada a parar abruptamente, seja por questão de saúde ou por ter sido demitido, como deve encarar essa situação?
Dependendo do motivo, pode ser um baque muito grande e a família precisa dar apoio e também fazer com que a pessoa tenha atividades que possam suprir esta falta, como um curso que preencha parte daquele tempo perdido. Se o problema for saúde, o cuidado tem que ser maior e as atividades devem ser muito bem dosadas para evitar estresse.

A velha canção do Geraldo Vandré (Pra não dizer que não falei das flores) diz “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Esse poderia também ser o lema de quem quer gerir bem seu tempo?
Não acho isso. Às vezes, deixar para depois nem sempre é ruim. Quando trabalhava em empresa, na ânsia de entregar logo um trabalho, fazia na hora. Daí, as orientações mudavam um pouco e tinha de refazer. O que recomendo sempre é usar a matriz GUT, que avalia a Gravidade, a Urgência e a Tendência para determinar o quão rápido o trabalho precisa ser feito. Vale lembrar que esta música foi composta no auge da ditadura militar, nos final dos anos 60, em um outro contexto social, o que não é o nosso caso agora.

Entrevistado: Humberto César Costa de Souza: humberto.c.souza@terra.com.br

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Cuidados ao comprar imóveis na planta

Item básico, como checar em um cartório para obter informações sobre a construtora, deve ser indispensável para adquirir bem que ainda está no papel

Idealizada pela maioria das pessoas, a compra da casa própria é um sonho que requer análise e cuidado, principalmente quando a compra do imóvel é feita ainda na planta. A realização de um sonho pode virar uma dor de cabeça se não forem tomadas algumas precauções básicas - é preciso saber o que levar em consideração na hora da compra e ter muita paciência com os pormenores. É necessário que o comprador tenha atenção para buscar informações, ir atrás do histórico da construtora, procurar um cartório da região para garantia e segurança sobre o imóvel e ficar atento à assinatura do contrato.

A primeira orientação às pessoas que irão comprar um imóvel na planta é procurar informações sobre a construtora no cartório de registro de imóveis. Como as construtoras têm de registrar seu projeto de incorporação em cartório, ela terá de apresentar uma série de documentos que comprovam sua idoneidade. Sendo assim, é fundamental que o projeto de incorporação esteja aprovado pela prefeitura e registrado no cartório de Registro de Imóveis da região, significando que a obra está devidamente regularizada de acordo com as exigências legais. Uma boa providência para não se frustrar com diferenças de medidas constada nos folhetos de propagandas, é solicitar no cartório uma certidão do memorial descritivo da obra, verificar a informação registrada com a que consta nos anúncios e publicações divulgados pela construtora e em relação à planta aprovada pela prefeitura.

De acordo com o presidente da Associação dos Notários e Registradores do Paraná (Anoreg-PR), José Augusto Alves Pinto, quando possível, é recomendável ainda conhecer outras obras feitas pela mesma empresa para checar a qualidade, tanto da construção como dos materiais empregados. Alves Pinto pede ainda ao comprador uma pesquisa no registro da incorporação do empreendimento, onde há informações sobre medidas e quantidade de unidades, e também um histórico da empresa na Junta Comercial. O presidente ressalta também a importância de gastar um valor relativamente pequeno com a certidão no Registro de Imóveis para saber mais sobre a incorporação, do que se arriscar com prejuízos caso a empresa não corresponda aos critérios exigidos pela prefeitura.

Custos

Mas não basta apenas comprar o imóvel para ser proprietário. Item fundamental é o correto registro do bem. Por isso, no planejamento de compra da casa própria, é fundamental também programar o pagamento de escrituras, certidões, taxas. É necessária bastante documentação para a aquisição e o registro do bem, os gastos com o cartório e tabelionato, no entanto, são importantes porque garantem a segurança do negócio. "Essas despesas são pagas à vista, e os documentos têm prazo de validade, por isso, é necessário se organizar", alerta o presidente da Anoreg-PR.

A documentação exigida pode variar de acordo com o banco. Em caso de dúvida, o presidente da Anoreg-PR, José Augusto Alves Pinto aconselha a consulta de um funcionário do banco para assegurar-se de que não falta nenhum documento.

Contrato

Outra orientação é o cuidado na hora da assinatura do contrato. É preciso ler atentamente o contrato de compra e venda, conferindo se ele contém todos os itens obrigatórios. Confira os principais documentos necessários para a aquisição de um imóvel:

· Cópia da carteira de identidade e do CPF (Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda);
· Certidão de nascimento e/ou casamento
· Comprovante de renda (contracheque ou declaração de rendimentos do Imposto de Renda)
· Comprovante de residência
· Índice de reajuste, periodicidade de reajuste (deve ser anual como exigido pela lei);
· Local de pagamento;
· Cópia da escritura e matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis da região;
· Certidão de propriedade com negativa de ônus (débitos, pendências);
· Valor do sinal antecipado;
· Indicação da unidade privativa (apartamento) e garagem que você está comprando, ou seja, localização, metragem de área total e privativa, áreas comum e de garagem;
· Prazo para início e entrega da obra;
· Multa por atraso na entrega;
· Cópia da certidão do cartório de registro de imóveis que comprova a regularidade e legalidade do empreendimento, e demais condições prometidas pelo vendedor.

Antes de fechar o negócio, fique atento a todas essas cláusulas e, por segurança, peça para assinar o contrato na presença de testemunhas qualificadas e da pessoa responsável pela venda. Também é preciso estar discriminado no contrato a data de início das obras, término e entrega do imóvel, caso não seja cumprido o prazo está previsto um pagamento de multa por parte da construtora.

Não esqueça de levar uma via original e de reconhecer as firmas de todas as assinaturas. Vale ressaltar que nas vendas fora do estabelecimento comercial, o Código de Defesa do Consumidor estabelece prazo de sete dias, a partir da assinatura, para a desistência da compra.

“Registre o seu contrato no cartório de Registro de Imóveis da região, pois para efeitos legais, o imóvel é de quem aparece como proprietário no registro”, também uma recomendação do presidente da Anoreg-PR, José Augusto Alves Pinto, que aconselha a guardar todo o material de publicidade, pois poderá servir como comprovação de promessas anunciadas. “Estamos em um momento propício para a compra de imóveis. As oportunidades são para todos, só é preciso segurança na checagem de informações”, completa.

Fonte: Centro de Notícias Comunicação

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Crise afeta menos a construção civil

Economistas avaliam 21 áreas industriais e setor se destaca entre os que têm as melhores perspectivas no Brasil

Segmentos industriais que ainda não foram fortemente atingidos pela crise podem vir a ser, embora em 14 de 21 setores muito atingidos a situação tenha parado de piorar e já haja até alguns em recuperação. Um quadro incerto, heterogêneo, com oportunidades, mas basicamente sombrio foi montado para os próximos cinco anos por economistas convidados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante painel de debates realizado em junho para comemorar os 57 anos da instituição.

O ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Julio Sergio Gomes de Almeida, do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial (IEDI) e da Universidade de Campinas (Unicamp), iniciou as apresentações mostrando a diversidade com que os setores da indústria estão reagindo à crise.

De 76 subsetores, 32 estão com tendência de aumentar o seu contágio pela crise, 19 estão estáveis, 19 estão com contágio menor e seis estão em recuperação, segundo sondagem com empresários. Segundo ele, há setores que estão melhorando, como celulose e automóveis, e há os que vão piorar. "Alimentos e bebidas é um setor que está na fila (de maior contágio)", disse. Gomes de Almeida considera que, no longo prazo, a indústria tradicional e de insumos básicos "estão em xeque".

Mas, no momento, ele destacou que a queda dos juros está levando os bancos a emprestar mais, sobretudo para o consumo das pessoas físicas, e a construção civil tem boas perspectivas. Também citou que o emprego "surpreendentemente" está melhor do que se esperava, porque não se vê para o momento ondas de demissões.

Já o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) David Kupfer vê a possibilidade de grande desemprego nos próximos cinco anos - uma onda de fusões e aquisições, com desnacionalização de indústrias e desconstituição de sistemas de inovação. "Receio que a indústria volte a precarizar e a demitir, matando a origem do ciclo de dinamismo no mercado interno (a renda)", disse Kupfer, que também acredita que a retomada das exportações será lenta. "A indústria tradicional já estava mal antes da crise e tem mais fragilidade competitiva", disse.

Segundo ele, a indústria tradicional responde por 60% do emprego tradicional e entre seus setores estão vestuário, têxteis, calçados, alimentos e bebidas, móveis e utensílios domésticos. "Um grande tombo na siderurgia afeta pouco o emprego, mas um pequeno tombo no vestuário é um grande tombo no emprego", afirmou.

O professor da Universidade de São Paulo (USP) Guilherme Dias colocou mais dúvidas em relação à indústria. Ele apontou que pode haver uma grande transformação tecnológica em relação à energia. "Se é por aí, para tudo o que é investimento na indústria de bens de consumo duráveis", disse. "Com a TV digital, por 10 a 15 anos ninguém investiu em uma planta de TV de tubo. Temos de analisar onde há essa transformação."

Fonte: Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI)

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Rode Bem é referência para outras empresas

Programa de segurança nas estradas, implantado em 2005 pela Cimento Itambé, chama a atenção pelo seu índice de eficiência

Em março deste ano, um representante da Arauco do Brasil procurou o departamento de logística da Cimento Itambé com o objetivo de conhecer o Rode Bem. A intenção era verificar o programa de segurança nas estradas e tirar ideias que pudessem servir à multinacional chilena - uma das líderes do continente em beneficiamento de madeira. “O mais interessante é que a Arauco chegou até nós pelas mãos dos motoristas. Eles tinham um programa de segurança que não conseguia atingir o objetivo e os caminhoneiros disseram para virem conhecer o Rode Bem”, explica o gerente de logística da Cimento Itambé, Rafael Kulisky Júnior.

Quando viu como funcionava o programa, o emissário da multinacional chilena ficou bem impressionado. O Rode Bem é presencial e adaptado à realidade dos caminhoneiros que carregam cimento e descarregam insumos na fábrica da Itambé, em Balsa Nova (PR). Através de palestras, ele já orientou 5.115 motoristas entre janeiro de 2005, quando foi criado, e julho deste ano. Além disso, o programa também promove a avaliação física dos profissionais da estrada e faz treinamento ambiental. “Ele já ganhou características de um programa social”, diz Ivo Renato Chequim Júnior, assistente de logística da Cimento Itambé.

Destaque na mais recente reunião de análise crítica da Cimento Itambé, o Rode Bem revelou seu segredo. “Antes, fazíamos as palestras em um anfiteatro, com cadeiras aconchegantes, telão, som e todo conforto. Mesmo assim, alguns motoristas resistiam a participar. Descobrimos que eles não estavam à vontade e fizemos o programa se adaptar aos caminheiros. Hoje, as palestras e a avaliação física ocorrem no pátio da fábrica e temos batido sucessivos recordes de público”, revela Ivo Renato. A tendência é que o número de participantes de 2009, que já está em 858, supere o de 2008, que reuniu 1.536 motoristas. Melhor: o programa ajudou a reduzir o índice de acidentes a zero.

José Gequelin
José Gequelin

Um dos fatores para a eliminação de acidentes, além das orientações aos motoristas, é que eles estão sabendo cuidar melhor da saúde. Através de exames de medição de pressão, índice de massa corporal, altura, peso, glicemia e avaliação postural, os participantes, muitas vezes, detectam problemas que nem desconfiavam. “Eu descobri que tinha diabetes e hoje me trato”, revela José Gequelin, que há 25 anos transporta calcário para a Cimento Itambé.

Fernando Ferreira
Fernando Ferreira

Outro caso é o de Fernando Ferreira, que na avaliação física soube que a glicose estava alta e alterou seus hábitos alimentares. “Antes sentia dores nas pernas e com a alimentação e dicas de alongamento estou bem melhor”, disse.

O sucesso do Rode Bem, segundo Rafael Kulisky Júnior, se deve à interatividade do programa com os motoristas. “Ao longo desses quase cinco anos fomos aprimorando a abordagem. Selecionamos os palestrantes que obtiveram maior sucesso e estamos sempre em contato com os organismos ligados ao transporte para atualizar os temas. Hoje estamos priorizando as palestras-show, que prendem mais a atenção dos motoristas”, diz. As palestras abrangem assuntos como segurança no trânsito, direção defensiva, ergonomia, impacto ambiental e saúde. “Definimos um cronograma anual, mas os assuntos são flexíveis. No momento, vamos incluir uma palestra sobre gripe A para orientar os motoristas”, completou Ivo Renato Chequim Júnior.

Novidades

Com as palestras e as avaliações físicas, feitas por profissionais de educação física, já consolidadas, o Rode Bem prepara novidades. Vem aí o Jogo do Rode Bem, no qual os motoristas terão seus conhecimentos testados e concorrerão a brindes. “É preciso sempre inovar para mantê-los motivados”, diz o assistente de logística. O programa é repetido mensalmente e atinge os transportadores cativos, as equipes de comodato, autônomos, terceirizados e motoristas de clientes da Cimento Itambé. “Os caminhoneiros que participam avisam outros e a adesão é cada vez maior. Também estamos abrindo as palestras para a comunidade”, revela Rafael Kulisky Júnior, que destaca o constante zelo de sua equipe para manter o Rode Bem como referência de programa de segurança nas estradas.

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Cura Interna

Conheça outra forma de realizar a cura e evitar fissuras no concreto

Créditos: Engª. Naguisa Tokudome – Assessora Técnico Comercial Itambé

Através da evolução de alguns materiais, é possível reduzir a relação água/cimento e, desta forma melhorar várias características do concreto.
Os resultados são vários como melhora da resistência, baixa permeabilidade, peças mais densas e duráveis.

Porém, estes concretos estão suscetíveis à retração autógena em função da baixa relação a/c. Segundo Adam Neville a retração autógena ocorre em consequência da remoção da água dos poros capilares pela hidratação do cimento.

Esta ocorrência está diretamente relacionada com a disponibilidade de água no interior da massa de concreto. Sem uma quantidade mínima, o cimento não alcança a hidratação máxima e pode promover o surgimento de microfissuras, principalmente nas primeiras idades. Quanto menor a relação, maior a chance de ocorrer retração. Segundo artigo publicado pelo ACI (American Concrete Institute), a cura externa deixa de ser eficaz para relação a/c menor ou igual a 0.35.

Uma proposta para mitigar este fenômeno é a realização da cura interna através da substituição de uma pequena parte do agregado miúdo comum por agregado leve saturado com água (saturado superfície seca). A melhora da hidratação do material cimentício se deve à disponibilidade da água contida nos poros (absorvida durante a saturação) que é liberada lentamente.

O agregado leve funciona como um reservatório e a água absorvida é puxada por capilaridade do agregado para o espaço formado pela água de amassamento consumida na hidratação. No Guia de Agregado Leve para Concreto Estrutural do ACI, esta água não é considerada como parte da mistura (a/c). Para melhorar o desempenho, o agregado leve deve ter alto grau de absorção e capacidade de liberação rápida. A distribuição granulométrica deve ser similar à areia que foi substituída.

Uma vez conhecido o grau de saturação, é possível estimar a massa do agregado leve seco para promover a cura interna adequada. Dois pesquisadores (Zhutovsky e Bentz) sugeriram equações semelhantes que levam em consideração:
* Massa do material cimentício
* Retração química. O índice de retração varia conforme mistura de materiais cimentícios (ex: sílica ativa, metacaulim e cinza pozolânica)
* Grau de hidratação máxima esperada
* Capacidade de absorção do agregado leve (kg de água por kg de agregado leve seco)
* Relação a/c

Um exemplo de aplicação da cura interna foi a construção de um pavimento de concreto em Hutchins no Texas, cujo consumo foi de 190.000 m3 de concreto. Análises em campo revelaram uma quantidade mínima de fissuras no pavimento e ensaios indicaram que a resistência à flexão por tração, com 7 dias, alcançou 90% do valor esperado para 28 dias – resultado atribuído à melhor hidratação do cimento.

Apesar de várias pesquisas comprovarem os benefícios da cura interna em laboratório e em campo, os estudos para determinar o prolongamento da vida útil através deste processo ainda continuam.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Escola sustentável traz mudanças à educação

Projeto usa conceitos de prédio verde e quer servir de modelo para a construção de futuros colégios

Maira Del Nero
Maira Del Nero

Os obstáculos arquitetônicos que a maioria das escolas brasileiras impõe aos alunos levaram um grupo de professores de São Paulo a fundar o Projeto Schola. Desta ação, que agregou engenheiros e arquitetos, nasce a primeira escola brasileira dentro do conceito de prédio verde. A construção, a princípio bancada por ONGs ligadas à educação, será erguida na zona norte da cidade. Sua estrutura poderá comportar 120 alunos de 5.ª a 9.ª séries do ensino fundamental e será um plano-piloto para a implantação de novas escolas em São Paulo.

Segundo a arquiteta Maira Del Nero, integrante do projeto, a escola permitirá que seus alunos tenham uma aula prática de sustentabilidade. “O prédio será um modelo de aprendizado para as crianças. Elas vão vivenciar todo o conceito de prédio verde, como reduzir os consumos de energia e de água, além de a construção agregar produtos mais naturais, renováveis, que tenham menos toxinas e gerem um ambiente mais saudável.”

A planta do projeto também prioriza a mobilidade. Por isso, o pré-moldado é o sistema construtivo escolhido pelos idealizadores. “Além de trazer economia para a obra, o pré-moldado se adapta melhor ao conceito, que troca as escadas por rampas. A escola também prevê a instalação de elevadores para alunos com deficiências mais graves e que não consigam acessibilidade pelas rampas”, explica Maira Del Nero.

Projeto Schola: construção opta pelo pré-moldado e troca escadas por rampas
Projeto Schola: construção opta pelo pré-moldado e troca escadas por rampas

O plano do Projeto Schola é iniciar a construção em 2010, em uma área de 1.000 metros quadrados. Já há negociações para atrair o poder público, a fim de que futuras escolas construídas em São Paulo possam seguir o mesmo conceito. Um dos acordos prevê que a escola, depois de pronta, selecione os melhores alunos dos colégios públicos em seu entorno, dando ao projeto um caráter social. “O objetivo é criar interação com a comunidade e permitir que essas crianças devolvam o que aprenderam sobre sustentabilidade à própria comunidade em que vivem”, diz Del Nero.

Inovações
Entre as tecnologias verdes, o projeto prevê o uso de painel fotovoltaico para a geração de energia e o reuso de água. Neste quesito, a inovação é que o reuso não será somente da água da chuva, mas dos chuveiros dos vestiários. “O que for coletado vai alimentar o vaso sanitário e usado para a lavagem do pátio. A gente também previu a automação das salas de aula para setorizar o acendimento da luz. As lâmpadas próximas das janelas vão ligar por último. Tudo isso para otimizar o gasto de energia”, revela a projetista.

Entrevistada: Maira Del Nero: maira@criaarquitetura.com.br

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Estrutura com maior balanço em concreto protendido do Brasil

Quem passa pela principal via de acesso na cidade de Natal na BR-101, não deixa de admirar o belíssimo pórtico suspenso

Créditos: Vanda Pereira Cúneo - Assistente de Marketing

Estrutura com Maior Balanço em Concreto Protendido do Brasil

O RankBrasil certificou na cidade de Natal - RN o recorde de “Estrutura com Maior Balanço em Concreto Protendido do Brasil ”, e possivelmente a “Maior Estrutura” das Américas, com uma incrível estrutura de 60 metros total, sendo 50 metros em balanço e dez metros de engaste.

O monumento está localizado na principal via de acesso a cidade de Natal, na BR-101, podendo ser admirada por todos, como um reluzente cometa iluminado, tem acabamento de uma estrela espacial com barras metálicas inscrita em uma esfera de quatro metros.

O Pórtico Monumental que atravessa a larga via de acesso possui um balanço de 50 metros e termina do outro lado da calçada sobre três estátuas representando os Reis Magos, foi um presente em comemoração aos 400 anos da cidade, no ano de 1999, e representa o cometa que orientou os três Reis Magos a Belém para o nascimento de Jesus Cristo.

O projeto arquitetônico do Pórtico é de autoria do arquiteto Moacyr Gomes, e a estrutura foi construída em um tempo recorde de 60 dias, tendo como um grande desafio construí-lo sem obstruir o trânsito.

Pela beleza e criatividade da obra, o Pórtico é referência na cidade e símbolo de destaque, sendo veiculadas imagens noturnas do monumento nas chamadas do Programa Jô Soares, pela Rede Globo de Televisão.

Estrutura do pórtico
Com uma inclinação de 37 graus. Na seção triangular possui uma base superior de 4,54 m e uma altura de 6,39 m. Foram consumidos 102 m³ de concreto protendido. A seção é protendida com 26 cabos de 12 cordoalhas 12,7 mm de aço RB-190. Na extremidade, a seção triangular se reduz para 0,70 m de base e 1,00 m de altura. No vértice inferior, o ângulo é constante em todo o comprimento, para facilitar as formas. Os cabos de protensão são protendidos e ancorados pela parte inferior e pré-blocados na extremidade, possuindo comprimentos variáveis de acordo com a necessidade estática.

Fonte: http://www.rankbrasil.com.br/Recordes/Materias/?Estrutura_com_maior_balanco_em_concreto_protendido_do_Brasil+1210&Grupo=3

Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 - Tempestade Comunicação


Construindo Melhor

Ao fazer o comparativo de custo entre uma parede de tijolos cerâmicos e uma de blocos de concreto, lembre-se: os blocos de concreto absorvem menos umidade, consomem menos argamassa de assentamento e revestimento, possuem melhor isolamento termo-acústico e consomem menos tempo de execução.

Créditos: Engº. Carlos Gustavo Marcondes – Assessor Técnico Comercial Itambé

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Rodovia do Parque livra Grande Porto Alegre de grandes congestionamentos

Congestionamentos gigantes entre a capital gaúcha e cidades vizinhas estão com os dias contados

Considerada uma das principais obras do PAC para o sul do país, a Rodovia do Parque (BR-448) é a solução para desafogar o trânsito na região metropolitana de Porto Alegre. A obra está a cargo do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) e vai receber um investimento de R$ 850 milhões. Serão 22,34 quilômetros de extensão, partindo do entroncamento entre a BR-116 e a RS-118, terminando na BR-290 no acesso ao bairro Humaitá, em Porto Alegre. O início da obra começa neste mês de agosto. Em entrevista, o superintendente regional do Dnit no Rio Grande do Sul, Vladimir Roberto Casa, revela detalhes da construção. Confira:

A Rodovia do Parque vai atravessar uma área pantanosa e alagadiça. Em termos de engenharia, essa rodovia vai utilizar alguma tecnologia diferenciada em sua construção?
O projeto dedicou-se a solucionar os problemas com estabilidade do aterro e recalques excessivos da plataforma de terraplenagem, devido à predominância de solos moles na região do traçado. As soluções para a estabilização e aceleração dos recalques da plataforma da rodovia são convencionais e consagradas na engenharia de obras de terra. São elas: remoção total no caso de camadas de solos moles superficiais, eliminando a possibilidade de recalques; implantação de bermas de equilíbrio, com geodrenos para aceleração dos recalques em zonas pouco urbanizadas, sem restrição de faixa de domínio, e reforço estrutural com geogrelhas vinculadas a solução de geodrenos para aceleração dos recalques em zonas com densa urbanização, ou seja, com restrição de faixa de domínio. Cabe destacar a solução de estrutura em elevada, de 2,6 quilômetros, para minimizar o impacto ambiental com o Parque Estadual Delta do Jacuí. Solução semelhante foi implantada na várzea do Maquiné, na duplicação da rodovia BR-101.

Há a intenção de usar pavimento de concreto em alguns trechos da rodovia?
Não, devido à provável ocorrência de recalques diferenciais no aterro da rodovia. A solução com pavimento de concreto não é recomendável para este tipo de situação.

Haverá muitas pontes e viadutos no trajeto? Caso sim, a tecnologia de pré-moldado irá prevalecer nas construções?
Sim. Dos 22,34 quilômetros de extensão da rodovia projetada, aproximadamente 4,50 quilômetros serão em obras-de-arte especiais do tipo pontes, viadutos, elevadas, passagens inferiores e vão estaiado. Além das obras indicadas, há ainda as obras-de-arte nas interseções e acessos que totalizam aproximadamente 25.000 metros quadrados de estrutura em concreto. As obras serão todas com vigas pré-moldadas, visando maior agilidade e melhor qualidade da construção.

Destas obras-de-arte, alguma se destaca?
Das obras-de-arte especiais, destacamos a ponte sobre o rio Gravataí, que sofreu imposição de gabarito vertical para a navegação, imposta pela Marinha, e restrição de altura das torres devido ao gabarito de segurança aérea, especificado pela Aeronáutica/V Comar para operação dos aeroportos próximos. Para realizar a transposição do rio Gravataí, foi projetada uma ponte estaiada com duas torres centrais, no segmento sobre a calha do rio, com extensão total de 268 metros. Os dois acessos de conexão com o vão estaiado possuem comprimento total de 1.160 metros. Ou seja, a ponte sobre o Rio Gravataí terá 1.428 metros de extensão estrutural.

Há três lotes da obra. Qual deles vai demandar mais tempo para ser construído e por quê?
Os três lotes deverão ser construídos simultaneamente. O dimensionamento das equipes de construção para a implantação da obra foi definido para um tempo total de 30 meses, a partir de seu início, programado para este mês de agosto. Ou seja, teoricamente todos os lotes demandarão o mesmo tempo de construção.

O que está previsto, em termos de construção, para que a obra tenha pouco impacto ambiental?
O projeto atendeu plenamente as recomendações do Estudo de Impacto Ambiental, assim como incorporou as determinações da audiência pública a que foi submetido. Dos 4.500 metros projetados em obras-de-arte especiais (pontes, viadutos, elevadas, passagens inferiores e vão estaiado), 2.620 metros referem-se à elevada prevista por restrições ambientais, por ocorrência da presença do Parque Estadual Delta do Jacuí. Destacam-se também as passagens de faunas efetuadas por túneis sob a rodovia, contenções dos derrames de cargas tóxicas, assim como o benefício ambiental obtido pelo reassentamento da população de baixa renda atingida e a implantação do dique principal formado pelo corpo estradal da rodovia BR-448, atenuando, no futuro, os custos com o sistema contra inundações do rio dos Sinos.

Durante a obra da Rodovia do Parque haverá muita intervenção no trânsito da região? O DNIT será o único responsável pela obra ou ela será tocada em parceria com o estado e os municípios que englobam a Rodovia do Parque?
As intervenções rodoviárias serão pontuais. Ocorrerão apenas nos pontos onde a nova rodovia se conecta na malha atual, através de interseções em desnível. Isto ocorrerá junto às rodovias BR-116 e RS-118, na interseção com a BR-386 e na chegada a Porto Alegre, junto à BR-290 (a Freeway). Com os sistemas viários municipais, existe interferência com os municípios de Porto Alegre, Canoas, Esteio e Sapucaia do Sul, quando da compatibilização dos seus acessos à BR-448. A responsabilidade pela implantação da obra é integralmente do DNIT, entretanto, na fase de projeto, todas as instituições e entidades atingidas foram oficialmente comunicadas, e as mesmas manifestaram-se favoráveis à execução da obra, demonstrando comprometimento e disposição para colaborar.

Qual será a importância da construção da Rodovia do Parque para a economia do Rio Grande do Sul, já que ela vai ajudar a desafogar o tráfego no trecho entre Porto Alegre e Novo Hamburgo, considerado o segundo mais congestionado do país, com trânsito diário de mais de 120 mil veículos?
A construção da rodovia BR-448 tem como principal objetivo a solução do grande conflito do tráfego na região metropolitana de Porto Alegre. É de conhecimento geral a existência deste gargalo no sistema rodoviário do estado. No segmento Novo Hamburgo a Porto Alegre, na rodovia BR-116, circula o escoamento produtivo de aproximadamente 80% do PIB do Rio Grande do Sul. Portanto, o tráfego de longo percurso com destino ao norte e ao sul do país terá maior fluidez. Além disso, será intrínseco o crescimento econômico da região, garantido através de empregos diretos e indiretos gerados pelo empreendimento e pela expansão urbano-industrial efetuada com sustentabilidade ambiental através dos planos diretores dos municípios.

Apesar de ser uma obra importante, existe quem avalie que ela só vai desafogar o tráfego na região por no máximo 10 anos. A construção de outras obras ao longo do trecho urbano da BR-116 está prevista?
A BR-448 é somente uma parte das obras necessárias para a formação de um grande anel rodoviário importante para garantir o escoamento produtivo do Rio Grande do Sul com eficiência. Após 10 anos de implantação da BR-448, o sistema viário formado pelas rodovias BR-116 e a própria BR-448 apresentarão nível de serviço inferior ao desejado para permitir fluidez de tráfego. Neste período será necessário estudar e projetar alternativas para o tráfego da região. Uma destas alternativas poderia ser a via Leste, que conecta as cidades de Porto Alegre a Novo Hamburgo, e que já foi objeto de estudos anteriores.

Aterro com bermas de equilíbrio aplicado em zonas de baixa densidade urbana.
Aterro com bermas de equilíbrio aplicado em zonas de baixa densidade urbana.
Aterro reforçado com geogrelha aplicado em zonas de média densidade urbana.
Aterro reforçado com geogrelha aplicado em zonas de média densidade urbana.
Estrutura em elevada motivada pela restrição ambiental imposta pelo Parque Delta do Jacuí.
Estrutura em elevada motivada pela restrição ambiental imposta pelo Parque Delta do Jacuí.
Vista Geral da Ponte-Viaduto sobre o Rio Gravataí e BR-290 – 1.428 metros.
Vista Geral da Ponte-Viaduto sobre o Rio Gravataí e BR-290 – 1.428 metros.
Detalhe do Vão Estaiado – 268 metros.
Detalhe do Vão Estaiado – 268 metros.

Entrevistado: Vladimir Roberto Casa: vladimir.casa@dnit.gov.br

Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 - Tempestade Comunicação


Minha Casa, Minha Vida finalmente sai do papel

Maior programa habitacional do país entra em ação e pode gerar até 7,5 milhões de casas até 2023

Maioria dos empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida vai atender famílias com renda de até três salários mínimos
Maioria dos empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida vai atender famílias com renda de até três salários mínimos

O Diário Oficial da União publicou, no dia 9 de julho, o texto da lei federal 11.977, que dispõe sobre o Programa Minha Casa, Minha Vida. Lançado em março, através de medida provisória, o programa sancionado sofreu algumas modificações em seu texto original. Foram mudanças que ampliam o potencial de construção. Entre elas, a que estende o Minha Casa, Minha Vida a todos os municípios do país e não somente aos com população acima de 100 mil habitantes.

Antes mesmo de ser sancionado, o programa já trazia otimismo ao setor imobiliário. Sobretudo porque reativa o potencial de compra da casa própria de brasileiros que estavam excluídos do mercado, que são aqueles que têm faixa de renda de três a dez salários mínimos. Por isso, até o final do 1.º semestre deste ano, a Caixa Econômica Federal já havia recebido 581 propostas de empreendimentos. Até o momento, foram contratados 97, que serão responsáveis pela construção de 10.168 unidades habitacionais em diversas regiões do país. Caso todas as 581 propostas sejam aprovadas, elas resultarão na construção de 100.865 unidades.

Segundo a secretária nacional de Habitação, Inês Magalhães, dos 581 empreendimentos apresentados até agora, 42.292 unidades serão destinadas aos beneficiados com renda de zero a três salários mínimos. Essas habitações estão distribuídas em 164 empreendimentos. “Já para a fatia que recebe entre três e seis salários mínimos são 33.040 unidades, divididas entre 260 empreendimentos, e para a fatia entre seis e dez mínimos são 25.533 unidades previstas, divididas em 157 empreendimentos”, informou.

Dos empreendimentos contratados, 47 serão realizados na região Sudeste, com a construção de 4.189 unidades habitacionais; 26 na região Sul, com 1.963 moradias; 13 na região Nordeste, com 2.122 unidades; nove empreendimentos na região Centro-Oeste, gerando 1.862 habitações; e dois na região Norte, com 32 unidades previstas. O valor médio das unidades contratadas para o segmento de menor renda é de R$ 37,4 mil. Para a faixa de três a dez salários mínimos é de R$ 81,6 mil.

Sinergia entre poderes

De acordo com o consultor Jorge Alberto da Cunha Moreira, da BDO Trevisan, as condições para o sucesso do Minha Casa, Minha Vida estão criadas. Não só para reduzir o déficit habitacional de 6,27 milhões de moradias, segundo o ministério das Cidades, mas porque se trata de um estímulo considerável à economia do país, especialmente em razão da criação de milhares de empregos e da inclusão de boa parcela da população à casa própria. “A história demonstra que o desenvolvimento de grandes projetos estimulados pelo Estado é a principal mola propulsora para que as economias nacionais escapem dos problemas provocados pelas crises”, avalia. Moreira, no entanto, acredita que para ser colocado em prática o programa terá como desafio a agilidade. “Terá de haver uma sinergia entre os governos federal, estadual e municipal para a viabilização de terrenos adequados, processos de contratação céleres e disponibilização de infraestrutura que atenda às necessidades da população beneficiada”, resume.

O alerta dado pelo consultor foi tema central do recente Fórum Nacional dos Secretários de Habitação e Desenvolvimento Urbano (FNSHDU) e a Associação Brasileira de Cohabs (ABC). Eles levaram ao governo federal o pedido para que as Cohabs e órgãos governamentais similares participem nas mesmas condições das construtoras para dar agilidade ao processo, uma vez que possuem grande experiência na área habitacional. Outra questão levantada pelo fórum foi a proposta para que os estados e municípios participem com a contrapartida necessária à complementação dos empreendimentos.

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, o programa Minha Casa, Minha Vida abre a possibilidade de, em longo prazo, gerar muito mais casas do que o um milhão projetado pelo governo. “Ele vai funcionar como um passaporte para a produção de 7,5 milhões de unidades até 2023”, prevê. Simão alerta, porém, que o programa só se tornará perene se for aprovado outro projeto em debate no Congresso: Moradia Digna. Trata-se de um programa que prevê a vinculação permanente de 2% do orçamento federal e de 1% da verba de estados e municípios para a habitação. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e agora está na comissão especial de habitação da Câmara dos Deputados. A expectativa do presidente da CBIC é que a aprovação do novo programa ocorra até o primeiro semestre de 2010.

Entrevistados:

Paulo Safady Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção: cbic@cbic.org.br
Jorge Alberto da Cunha Moreira, da BDO Trevisan: cunha@trevisan.com.br
Inês Magalhães, secretária nacional de Habitação: snh@cidades.gov.br

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação