Aberto novo edital para obra rodoviária
Dnit publica edital de licitação para obras no Anel Rodoviário de Belo Horizonte

O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) publicou o edital de concorrência pública para as obras de revitalização do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. A reforma nos 31,6 km do sistema será dividida em dois lotes, com prazo de execução previsto para três anos. O investimento do governo federal pode chegar a 837,6 milhões de reais.
O projeto prevê intervenções em 17 pontos, principalmente nos acessos, como os entroncamentos com as avenidas Amazonas e Pedro II. Estão previstas, ainda, a construção de 11 trincheiras, seis viadutos e oito passarelas.
Cada lote da licitação possui 15,8 km. O lote 1 é dividido em dois segmentos e deverá ter valor máximo de 281,7 milhões de reais. O primeiro segmento refere-se aos 13,67 km entre a saída para a MG-437 (Sabará) e o trevo do Bairro Califórnia, no entroncamento com a BR-040, sentido Brasília. Já o segundo segmento tem 2,13 km e destina-se às melhorias no entroncamento com a MG-435, sentido Caeté.
O lote 2 da concorrência prevê mudança em outros 15,8 km do Anel Rodoviário e é considerado mais complexo do que o primeiro, já que envolve intervenções em trechos onde ocorre o maior número de acidentes. O valor a ser liberado pelo Dnit para essa etapa é de 555,9 milhões de reais, quase o dobro do primeiro lote. Os recursos serão empregados em alterações desde o trevo de acesso ao Viaduto da Mutuca, na BR-356, até o Shopping Del Rey.
A concorrência, do tipo menor preço, é aberta a empresas de todo o País. As propostas deverão ser entregues no dia 5 de maio, às 09h30, na sede do Dnit em Brasília. Clique aqui para acessar o edital da licitação.
Fonte: PINIweb
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Brasil descobre a engenharia de confiabilidade
Especialização começa a chamar a atenção das empresas e de algumas das principais universidades do país
A engenharia da confiabilidade tem como foco a otimização de produtos ou processos que proporcionem o melhor desempenho com o menor custo. O grande desafio é fazer as companhias perceberem sua importância na redução de impactos ao meio ambiente, por exemplo. A confiabilidade é bastante flexível e pode ser aplicada em diversas áreas, como engenharia e desenvolvimento de produtos, qualidade, pós-vendas, manutenção e linhas de produção.

Para difundir o tema, ocorrerá um simpósio em São Paulo em maio deste ano para falar de confiabilidade. O evento tem entre os protagonistas o consultor sênior da ReliaSoft, Denis Mazzei. Trata-se de um dos principais especialistas do Brasil no assunto. Na entrevista a seguir, ele revela a aplicabilidade da Engenharia de Confiabilidade, principalmente no setor da construção civil. Confira:
No Brasil, o que deve fazer quem quiser se especializar em engenharia de confiabilidade?
Dependendo do nível que se deseja de especialização no tema, posso citar dois caminhos conhecidos do público industrial: as pós-graduações Lato-Sensu e Stricto-Sensu. Esta última, com direito a título, se dá quando o engenheiro, por exemplo, defende uma tese segundo um projeto desenvolvido voltado à engenharia de confiabilidade e suas aplicações. Já em São Paulo, a especialização Lato-Sensu é trabalhada por algumas universidades de ponta e vem ganhando muito terreno no segmento da manutenção. Desde já recomendo que se avalie bem o conteúdo técnico programático oferecido pela entidade educadora para que não se tenha surpresas ao final da especialização, já que neste nível torna-se mais abrangente no tema quando comparado ao anterior. Em qualquer uma delas, a região Sudeste surge no pódio destas qualificações, com bons investimentos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Além destes, posso citar os treinamentos rápidos que encontramos no mercado geralmente ditados por consultorias e assessorias que nivelam o profissional ao uso da metodologia com foco na análise e interpretação da Engenharia de Confiabilidade Aplicada.
Quais escolas já ministram o curso?
As melhores pós-graduações Lato ou Stricto-Sensu estão na FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), na USP (Universidade de São Paulo), que possuem currículos nos dois graus, e na UNICAMP (Universidade de Campinas), que trabalha o tema também em uma pós-graduação focada à gestão de ativos para o nível Lato-Sensu e que vale destacar. No Rio de Janeiro, a UFRJ (Universidade federal do Rio de Janeiro) tem bons programas no tema, e, em Florianópolis, a UFSC (Universidade federal de Santa Catarina) possui cadeiras em ambas as qualidades. Em Minas Gerais, a PUC (Pontifícia Universidade Católica) inicia neste ano uma pós-graduação em confiabilidade também em nível Lato-Sensu.
A especialização em engenharia de confiabilidade exige que o profissional tenha uma formação em engenharia?
Depende do nível de especialização desejada pelo profissional. A graduação de engenharia é muito solicitada pelas pós-graduações quando no tema da Confiabilidade. Isto se explica facilmente, pois o assunto envolve conceitos e definições que constroem o ciclo básico de formação de todo engenheiro. Se o nível de especialização buscado é para o uso da metodologia, com interpretações para o convívio operacional, objetivando aplicações práticas e rápidas sem o mérito docente, as já mencionadas consultorias são uma excelente opção para os técnicos e outras áreas de ciências exatas.
A requisição deste profissional já é perceptível no mercado brasileiro?
Sem compararmos com outras categorias, o mercado ainda é muito restrito, industrialmente falando. Posso dizer que em anos de exercício profissional, esta categoria teve sua taxa média de profissionais triplicada. Ou seja, passou a ser um interessante diferencial possuir esta habilidade ou competência no mercado, porém com restrições nas grandes empresas ou aquelas que acompanham a tecnologia e as novas tendências. O site CRP - https://www.reliasoft.org/crp/crps.aspx - é um importante veículo internacional no qual encontramos os profissionais mais dedicados do mercado profissional no tema confiabilidade aplicada.
Em quais países a engenharia de confiabilidade está bem difundida?
Sem dúvida alguma, os Estados Unidos são referência na condução, aplicação e tratamento quando nos referimos ao tema. Embora de natureza sueca, seu mais famoso artigo foi apresentado em 1951 nos Estados Unidos: a A Statistical Distribution Function of Wide Applicability , honrado com medalhas de ouro pela ASME (American Society of Mechanical Engineers) em 1972. O artigo apresentava estudos de casos com a distribuição de Weibull que é de longe, a função estatística mais utilizada entre os engenheiros de confiabilidade. O engenheiro Waloddi Weibull conduziu seus estudos de Fratura, Fadiga e Confiabilidade, que tiveram ampla aplicação na engenharia de projeto durante mais de trinta anos e, historicamente, um requisito nato da sociedade americana ainda hoje.
Com quais ferramentas o engenheiro de confiabilidade trabalha?
Eu costumo utilizar o termo ferramentas para softwares e/ou sistemas que facilitam e dinamizam a vida profissional do engenheiro ou técnico. E, assim sendo, posso garantir que diante de uma infinidade de metodologias e técnicas que um engenheiro precisa compreender e utilizar, a aplicação da engenharia de confiabilidade pede o uso de softwares dedicados e práticos quanto à interpretação dos resultados analisados. As metodologias e teorias fundamentais do tema vão desde análises quantitativas como a LDA (Life Data Analysis), a SRA (System Reliability Analysis), a RGA (Reliability Growth Analysis), a FTA (Fault Tree Analysis) dentre outras e também análises qualitativas como a FMEA (Failure Mode and Effects Analysis) e o FRACAS (Failure Reporting Corrective Actions System), por exemplo.
O simpósio que o ReliaSoft promove está relacionado ao desenvolvimento sustentável. Dentro deste conceito, qual a aplicação da engenharia de confiabilidade na construção civil?
O tema é neutro e isto significa que, seja qual for a segmentação do mercado profissional, a sua aplicação é viável e sempre rentável quando afirmamos seus benefícios. No caso da construção civil, e dentro do conceito do desenvolvimento sustentável, com certeza o desperdício de materiais e a segurança operacional do usuário final são questões mais precisamente tratadas. O 8.º Simpósio Internacional de Confiabilidade, que será realizado em maio de 2010, em São Paulo, trará mais de trinta excelentes materiais que aplicam o tema confiabilidade e este ano mostrarão os benefícios gerados também para o mundo sustentável.
Na construção civil, a engenharia de confiabilidade poderia ser aplicada também na escolha dos materiais, valorizando durabilidade da obra, custo e sustentabilidade?
A engenharia de confiabilidade é também utilizada para seleção e especificação de materiais. Estuda o comportamento de vida e, com isso, a durabilidade do elemento de estudo com todas as métricas que acompanham este ciclo. Define com mais exatidão analítica os custos envolvidos tanto no projeto como na operação e manutenção, o que acaba definindo uma gestão mais apurada e linearmente precisa na tomada decisória das melhorias realmente necessárias. A sustentabilidade é uma tendência mundial que traz um conceito social, em minha opinião, extremamente importante por que lida com a questão do esgotamento dos recursos naturais do qual nos foi concebido. A engenharia de confiabilidade tem total parceria neste sentido.
Na engenharia civil há algum case que possa ser citado?
Na engenharia civil uma aplicação que vem ganhando muito know-how é a Confiabilidade Estrutural. Tal teoria avalia variáveis que validam uma estrutura segundo os aspectos, como o cisalhamento e resistência que são muito importantes para o segmento. Existem já muitas aplicações em estruturas de torres quanto aos extremos esforços que surgem com grandes tornados e ventos sobre elas. Na USP de São Carlos, o professor André Beck é um pioneiro brasileiro que ministra esta teoria e possui vários cases experimentais.
A engenharia de confiabilidade envolve equipamentos e projetos ou ela trata também do aspecto humano, podendo ajudar na montagem de uma equipe de profissionais, por exemplo?
Sem dúvida, o tema se mostra aplicável em quaisquer cenários que se deseja encontrar o comportamento de vida funcional de um objeto. O objeto humano é passível de falha e, portanto, estudar seu comportamento traz inúmeros benefícios. A profissão das Estatísticas ministra a Análise de Sobrevivência que, por teoria, acompanha a metodologia da confiabilidade e muito tem se aplicado desde a diagnose ao tratamento e pesquisa no campo da medicina. Escolher uma equipe de profissionais, por exemplo, envolve conhecer aspectos comportamentais cujas variáveis são estudadas pela Confiabilidade Humana. O tema já existe e se trabalha justamente nesta direção, a fim de buscar as melhorias mais atrativas e a melhor harmonia profissional seja numa equipe de trabalho, seja em toda a organização. Vale destacar o volume 10 da coleção do professor Doutor Carlos Amadeu Pallerosi, que relata exatamente a teoria e prática já conhecida deste tema.
Quem é o entrevistado
O engenheiro mecânico Denis Mazzei, formado pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), atua há nove anos como consultor da ReliaSoft. Mazzei iniciou sua atuação em confiabilidade como engenheiro da EMBRAER, onde realizou análises de confiabilidade e disponibilidade para o mercado de defesa (área militar).
Como consultor de confiabilidade da ReliaSoft, Mazzei atuou na implementação da metodologia na Petrobras e também ministra treinamentos em todos os países da América do Sul para empresas como Mineração Rio do Norte, RECAP (Refinaria de Capuava), Johnson&Johnson, MWM International, Scania, Mectrom, TV Globo, Pan America, PDVSA, entre outras.
Contato com Denis Mazzei - Carolina Mendes: carolina.mendes@2pro.com.br (assessoria de imprensa)
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Obras ágeis e com qualidade
É função do engenheiro fazer uma análise consistente dos sistemas disponíveis com o objetivo de otimizar o trinômio prazo x qualidade x custo final
Executar empreendimentos com agilidade sem perder a qualidade é um dos atuais desafios da construção civil brasileira. Além de encarar prazos apertados e falta de profissionais capacitados, o setor ainda se depara com a necessidade de se adaptar a novos processos e tecnologias. O resultado é uma corrida contra o tempo em busca de soluções rápidas e viáveis para atender a demanda.

No caso da Copa de 2014, as cidades-sede dos jogos têm até 31 de dezembro de 2012 para apresentar as obras de estádios e infraestrutura, que já deverão estar prontas para receber a Copa das Confederações em 2013. Desburocratização e menos rigidez na fiscalização são algumas medidas previstas pelo governo para facilitar o cumprimento dos prazos estipulados. Já no caso das obras do programa Minha Casa, Minha Vida a questão será conciliar agilidade e qualidade a um orçamento reduzido.
Para falar sobre o assunto, o Massa Cinzenta entrevistou o presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE), engenheiro Marcos Monteiro. Confira a entrevista:
Os prazos para a construção de obras públicas e privadas para atender a demanda da Copa do Mundo e das Olimpíadas são suficientes? O que o setor da construção civil deverá fazer para que as obras fiquem prontas em tempo hábil, sem perder a qualidade?
Os prazos, principalmente, no que diz respeito à Copa do Mundo, já começaram a ficar apertados; especialmente, se levarmos em consideração que o primeiro evento da Copa de 2014 é a Copa das Confederações, realizada um ano antes. Esse evento, que deveria ser um teste para a Copa, com certeza já está prejudicado. Temos que considerar que obras de instalações esportivas, infraestrutura e as demais que cercam eventos dessa envergadura, implicam em tempos de execução entre três e quatro anos. Quanto ao que deve ser feito para que as obras sejam executadas em tempo hábil, sem perder a qualidade, existe um tripé que deve servir de apoio para qualquer obra de engenharia: Projetos, Planejamento e Fiscalização. Se qualquer uma dessas pernas for deficiente, seja qual for o motivo, teremos problemas na execução.
Os maiores desafios serão burocráticos ou a fase de execução das obras é a que mais preocupa?
O que mais preocupa, sem dúvida, é a burocracia. Teríamos que já ter o planejamento global de todas as obras a serem licitadas. Temos as mais diversas demandas: água, esgoto, iluminação pública, instalações esportivas, estacionamentos, hospitais, transporte (urbano, aeroportuário, marítimo, etc.), entre outras obras que se inter-relacionam em função das demandas dos eventos e dos cadernos de encargos. Esse planejamento das cidades sede começa agora, de maneira lenta, a ser conhecido. Daí, teremos o grande problema que afeta as obras: como os prazos ficam apertados demais, os projetos são feitos de maneira atabalhoada e o planejamento da execução acontece junto com a obra. Essa situação leva aos problemas já conhecidos: projetos inadequados, licitações mal feitas, planejamento inexistente, obras sendo feitas sem orçamento adequado, retrabalhos, aditivos contratuais, serviços mal executados pela falta de fiscalização, etc.
Atualmente, existem diversas opções de sistemas construtivos que permitem a realização de obras com mais agilidade e qualidade. Portanto, em relação à parte técnica, há alguma coisa que ainda impeça a realização de obras dentro destes requisitos?
Talvez, o principal entrave na utilização de sistemas industrializados (sistemas pré-moldados ou estruturas metálicas), seja a falta de conhecimento, por parte dos executores, sobre as possibilidades que cada sistema oferece e os custos e prazos do processo completo. Como os sistemas convencionais têm um histórico conhecido acabam sendo a primeira opção considerada. Mas, hoje temos grande facilidade para obter informações e fazer análises adequadas de diferentes sistemas estruturais. Essa é uma das principais funções do engenheiro: fazer uma análise consistente dos sistemas disponíveis, objetivando otimizar o trinômio prazo x qualidade x custo final.
Como o setor está lidando com a escassez de mão de obra? Essa falta, sobretudo de profissionais qualificados, pode interferir no atraso e até mesmo na qualidade das obras?
Esse é um fator que já nos trouxe preocupação há dois anos e, sem dúvida, voltará a trazer. É verdade que várias ações vêm sendo conduzidas para formar profissionais para a construção civil, em especial, pelo SENAI. Mas, ainda assim, acredito que teremos problemas com a escassez de mão de obra, o que trará para a construção pessoas sem a formação adequada, o que compromete a qualidade do produto final. Daí, a importância da fiscalização. Se a fiscalização, seja em obras públicas ou privadas, não for eficiente, teremos problemas não só com os custos dos empreendimentos, mas também com os resultados obtidos.
Qual a importância do planejamento para a execução de uma obra com agilidade e qualidade?
O planejamento é o roteiro para execução de uma obra. Um planejamento bem feito irá prever não só o cronograma de execução, mas também a ordenação dos serviços e como eles se inter-relacionam, o dimensionamento das equipes para execução desses serviços, os quantitativos de materiais a serem empregados e o momento em que deverão estar disponíveis, as datas chave de entregas parciais de serviços, além dos desembolsos necessários em cada uma dessas fases. Portanto, um bom planejamento fornece informações importantíssimas para que se tomem ações corretivas caso os prazos não estejam sendo cumpridos, bem como fornece à fiscalização instrumentos para atuar de forma adequada. Por outro lado, é importante observar que um planejamento adequado pode ser efetuado a partir de projetos executivos bem elaborados, compatibilizados e detalhados.
As construtoras precisarão mudar a forma de gerenciar a obra? O que ainda pode ser melhorado na gestão?
Na verdade, o que precisa ser mudada é a cultura do improviso, do jeitinho brasileiro. Todo curso de graduação ou pós-graduação enfatiza a importância do planejamento e da utilização de ferramentas de gestão. O grande problema é o choque de realidade que o profissional vive ao chegar em uma obra. Pressões com relação a prazos e custos, projetos e planejamento inconsistentes, empreiteiros com grande rotatividade e outros problemas que dificultam, se não inviabilizam, a implantação do discurso de transformar a obra em uma linha de montagem.
Em um evento realizado no início do ano, em Brasília, o presidente Lula pediu "menos rigor" ao Tribunal de Contas da União e aos órgãos ambientais na fiscalização dos projetos e obras da Copa de 2014. O objetivo seria o de agilizar o andamento dos preparativos para o Mundial. Se, por um lado, a fiscalização menos dura pode contribuir para agilizar os processos, por outro, a falta de uma fiscalização mais rígida poderá fazer com que as obras percam qualidade, sejam mais caras e tragam danos ao ambiente. Como equilibrar isso?
A premissa da pergunta, a meu ver, é totalmente verdadeira. Afrouxar a fiscalização implica em obras mais caras, com menos qualidade e com maiores danos ao meio ambiente. E já vimos na história recente o quanto é perigoso o discurso que os fins justificam os meios. O que temos é que repensar os sistemas de fiscalização e licenciamento ambiental. É de conhecimento público inúmeras estórias de rigor excessivo nessas ações, muito além das exigências da legislação, em função da preocupação dos funcionários públicos em serem acusados de conivência ou leniência. Já passou do momento de se realizar um trabalho conjunto entre os três poderes para que estabeleçam critérios inteligentes e eficientes para fiscalização e licenciamentos, simplificando a legislação, tornando as regras claras ao fiscalizador e ao fiscalizado, removendo os entraves à produção e ao crescimento sustentável.
Em algumas regiões que receberão a Copa, o Ministério Público criou um grupo especial para acompanhar o planejamento e a execução das obras, como é o caso de Cuiabá. Porém, em relação à qualidade, quem fará este acompanhamento?
Creio que esse é um importante papel do Ministério Público. Mas, para que esse acompanhamento alcance os objetivos desejados, é de extrema importância que o órgão se estruture com a criação de um grupo técnico, formado por profissionais experientes, que se preocupe não só com os aspectos formais do contrato, mas sim com a adequação dos serviços executados. Esse acompanhamento deve ser anterior ao início da execução, avaliando os projetos desenvolvidos, as exigências da licitação e as informações prestadas aos participantes, e os compromissos assumidos pelo vencedor. Daí percebe-se a importância de que os órgãos públicos forneçam, na fase de licitação, não apenas os projetos básicos, mas os projetos executivos completos. Apenas dessa forma, a licitação fornecerá todas as informações necessárias a todos os participantes, uniformizando o nível de informações e dando ao Ministério Público e ao grupo técnico de apoio ferramentas para realizar uma fiscalização adequada.
E-mail de contato: Assessoria de imprensa da ABECE: jornalista Rosana Córnea, da Prefixo Comunicação: prefixocom@terra.com.br
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Novo horizonte tecnológico na construção
Investimento em pesquisa, intercâmbio e inovação faz surgir um novo modelo para a construção civil brasileira
A busca de intercâmbio na construção civil brasileira é um acontecimento relativamente recente. O marco é 1996, quando o governo federal criou o PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat). O instrumento nasceu com metas claras: melhorar a qualidade do habitat e agregar tecnologia à cadeia produtiva do setor. A partir daí foi que as empresas acordaram para a necessidade de fomentar seus colaboradores a trocar conhecimento e a investir em inovação.
O PBQP-H envolveu um conjunto de ações que estimularam uma reviravolta na construção civil, antes considerada excessivamente artesanal. Passados 14 anos da implantação do programa, o setor hoje coleciona avanços que vão desde a qualidade dos materiais até a qualificação de mão de obra, passando por normalização técnica, capacitação de laboratórios e a incorporação de tecnologias inovadoras.
Indústria do cimento e do concreto
Um dos vértices da cadeia produtiva da construção civil que mais ganhou com o investimento em pesquisa, intercâmbio e tecnologia foi a indústria do concreto. Segundo o consultor do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Marcos Kahtalian, o Brasil atualmente é referência mundial em pesquisa em concreto. O setor hoje produz um material de qualidade indiscutível. Por quê? Porque houve investimento em pesquisa e na evolução dos materiais, como o cimento, por exemplo.
Para Kahtalian, a indústria cimenteira se posiciona, dentro da cadeia produtiva da construção civil, entre as líderes em destinação de recursos para a pesquisa. É um setor que compete de igual para igual com a metalurgia, a cerâmica e a indústria de plásticos e PVC. São os que mais agregam inovação à construção civil, diz.
A entrada no mercado brasileiro de construtoras estrangeiras, como a norte-americana CH2MHill, que chega ao país para prospectar negócios em geração de energia, petroquímica e infraestrutura de portos e aeroportos, também estimula o setor a buscar intercâmbio. Quem hoje não investir em procurement internacional (aquisição de tecnologias fora do Brasil) vai ficar para trás, atesta Maurício Vizeu de Castro, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Método Engenharia, uma das principais construtoras de São Paulo, e que recentemente tornou-se parceira da CH2MHill.

Minha Casa, Minha Vida
Através do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, o governo federal lançou em março mais um incentivo ao aprimoramento da construção civil. Acordo entre Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal pretendem assegurar mais qualidade e tecnologia aos programas habitacionais e de infraestrutura.
O acordo, que também exige o atendimento dos materiais componentes e sistemas construtivos ao Sistema de Avaliação da Conformidade de Serviços e Obras (Siac) do PBQP-H, inclui obras do Programa Minha Casa, Minha Vida e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O Siac tem como objetivo avaliar, do nível A ao D, a conformidade do sistema de gestão da qualidade das empresas de serviços e obras, considerando as características específicas da atuação dessas empresas no setor da construção civil, e baseando-se na série de normas ISO 9000.
O objetivo é enquadrar as construções às normas do PBQP-H. No caso dos programas habitacionais, as empresas que contratarem serviços e empreendimentos junto à Caixa, cuja somatória seja de até 500 unidades habitacionais, deverão ter no mínimo nível D no PBQP-H e o prazo para atingir o nível A será de 24 meses.
Já as empresas que contratarem de 501 a 750 unidades habitacionais deverão ter, no mínimo, nível C, e têm 18 meses para chegar ao nível A. De 751 a 1000 unidades, nível B, e até 12 meses para chegar ao nível A. Já para as empresas, cuja somatória fique acima de 1000 unidades, as empresas terão que ter nível A, o mais elevado.
O acordo terá vigência de 12 meses. Para o presidente da CBIC, Paulo Safady Simão, a importância do acordo está em garantir a qualidade dos projetos nessa área e induzir as empresas incluídas no programa a aperfeiçoar, cada vez mais, seus projetos e suas práticas.
Emails dos entrevistados:
Marcos Kahtalian é professor de Marketing de Serviços da UniFAE - Centro Universitário e consultor do Sinduscon-PR: marcosk@swi.com.br
Método Engenharia: Assessoria de imprensa: carolina.braziel@metodo.com.br
Ministério das Cidades: Assessoria de imprensa: sonia.barbosa@cidades.gov.br
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Kandovan Village
Casas esculpidas em rochas vulcânicas
Créditos: Vanda Pereira Cúneo - Assistente de Marketing
Kandovan é uma cidade turística perto de Osku e Tabriz, Irã. É famosa por suas casas especiais que estão dentro de rochas esculpidas. Algumas das casas têm pelo menos 700 anos e ainda são habitadas.
O que faz Kandovan aldeia tão singular é que muitas das suas casas foram feitas em cavernas localizadas em forma de cone, naturalmente formada pelas cinzas vulcânicas comprimidas que faz a paisagem parecer uma colônia gigante de cupim.
Devido à forma das residências, seus moradores são conhecidos como residentes de caverna moderna ou troglotidas (pessoa que vive em caverna).
A forma cônica se deve às cinzas vulcânicas e fragmentos de rochas expelido durante uma erupção do Monte Sahand, endurecido e modelado durante vários anos.
A combinação da paisagem natural e única e a maneira como os habitates adaptaram o ambiente, tornou Kandovan um destino popular para visitantes.
Cerca de 300.000 turistas visitam por ano a vila com 670 habitantes e o hotel caverna com 10 quartos acomoda os visitantes que desejam permanecer no local.
Utilização de cavernas como Habitação Humana
O material endurecido dos pilares é forte o suficiente para funcionar como paredes e pisos de uma casa enquanto permitindo, inclusive, uma maior formação de cavernas. O material também é um isolante eficiente e as casas trogloditas têm a reputação de ser muito eficiente em relação a energia, mantendo-se fresca no verão e quente no inverno.
A maioria das casas da caverna possuem entre dois e quatro andares de altura. Em uma típica casa de quatro andares, no chão ou primeiro andar é usado como um abrigo de animais, nos próximos dois andares são utilizados como áreas residenciais, e no piso superior é usado para armazenamento. Há relatos de túneis ligando as torres de propriedade de uma pessoa ou família.





Fonte: Heritage Institute
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NBR 15575 impõe novos desafios à construção civil
Norma de desempenho de edifícios entra em vigor em maio e mexerá com toda a cadeia produtiva do setor

Em 12 de maio entra em vigor, no Brasil, a NBR 15575 (partes 1 a 6) conhecida como a norma brasileira de desempenho de edifícios. Ela estabelece o desempenho mínimo obrigatório para alguns sistemas, ao longo da vida útil de um empreendimento. Com isso, há a expectativa no meio técnico de que sua aplicação possa mudar a forma como as habitações brasileiras passarão a ser construídas. Mas a pergunta que mexe com o setor é a seguinte: o que de fato a norma pode trazer de novo para a construção civil e qual o impacto que sua adoção pelas construtoras pode acarretar nos processos construtivos?
A principal característica da NBR 15575 - Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos Desempenho é que ela foi concebida com base no conceito de desempenho, diferentemente do arcabouço normativo brasileiro, que está baseado em prescrição. A mudança é que a abordagem de desempenho está preocupada com os resultados que um edifício ou sistema deve atingir quando em utilização (comportamento em uso) e não com a forma com que foi construído.
A pretensão da Norma de Desempenho foi traduzir tecnicamente as necessidades dos consumidores brasileiros de imóveis, levando em conta o estágio técnico e sócio-econômico do Brasil. Foi definido um desempenho mínimo obrigatório para alguns sistemas (estruturas, pisos internos, paredes e vedações, coberturas e sistemas hidrossanitários), seguindo as diretrizes da ISO 6241 de 1984, que define requisitos de desempenho.
Alguns destes requisitos são: segurança estrutural, segurança contra incêndio, desempenho térmico, acústico, de iluminação, de manutenção, conforto tátil e antropodinâmico. A estrutura da norma está baseada nos requisitos que são quantitativos e nos métodos de avaliação que permitem mensurar o atendimento ou não do desempenho.
Do ponto de vista prático, o principal impacto para as construtoras está na necessidade de uma nova metodologia de projeto. O desempenho de um sistema ou edifício tem que ser resolvido no nível do projeto, que responde por mais de 50% do desempenho de uma obra. É importante salientar que o desempenho de um edifício ou dos sistemas que o compõem depende de uma série de agentes, que vão desde os incorporadores, construtores, projetistas, fabricantes de materiais, até os administradores pós-obra. Neste caso, todos os agentes do setor da construção civil são sócios do desempenho, querendo ou não.
É sobre as mudanças práticas da NBR 15575 que a engenheira Maria Angélica Covelo, diretora da NGI Consultoria, fala na entrevista abaixo. Ela explica, por exemplo, que não se trata de uma padronização das obras, mas que, independentemente do sistema construtivo, alguns requisitos passam a ser obrigatórios desde a concepção do projeto. Confira:
A Norma de Desempenho NBR 15575 entra em vigor em maio. O que ela vai mudar para o consumidor que busca comprar um imóvel?
Em resumo, o consumidor terá direito a comprar um imóvel que atenda requisitos de comportamento em uso dos edifícios, com respeito a itens relacionados à segurança, à habitabilidade e à sustentabilidade. Na prática, se pretende evitar que as construções fiquem menos expostas a problemas estruturais, tenham maior proteção contra incêndio e sejam mais fáceis de receber operações de manutenção.
Para os construtores, o que muda?
As empresas incorporadoras e construtoras passam a ser responsáveis por assegurar que os empreendimentos atendam a estes requisitos e, para tanto, precisarão introduzir novas práticas de projeto, de especificações e escolha de materiais e sistemas construtivos, de seleção de fornecedores, de execução das obras e de instruções de uso e manutenção.
Trata-se de uma medida para padronizar as construções?
Não. A metodologia de desempenho não estabelece como se deve atingir estes requisitos. Na metodologia de desempenho, o que importa é que os materiais, componentes e sistemas construtivos sejam caracterizados quanto à sua capacidade de atender aos requisitos de desempenho. Cabe aos projetistas, construtores e fabricantes comprovarem que o resultado final, seja qual for o sistema construtivo, é capaz de atender os requisitos estabelecidos ao longo da vida útil do edifício. O padrão que se estabelece é que um edifício, seja de que sistema construtivo for, precisa atender aos requisitos mínimos estabelecidos pela norma.
A nova norma vai encarecer as construções?
Nos requisitos em que, até hoje, trabalhamos abaixo de um mínimo aceitável pelos padrões internacionais, como é o caso do desempenho acústico, talvez tenhamos custos a mais. Mas isso se deve ao fato de que trabalhamos em níveis de desempenho inadequados e agora, para adequar, haverá esta consequência. Para outros itens, as empresas que já trabalham atendendo as normas prescritivas existentes não terão custos a mais. Já aquelas que não atendem normas, que trabalham com padrões construtivos muito abaixo dos níveis de desempenho mínimo da norma, terão acréscimo de custo para chegar ao que exige a norma.
Sob o ponto de vista jurídico, quem não cumprir a norma está sujeito a que tipo de pena?
O Código de Defesa do Consumidor estabelece que nenhum produto ou serviço pode ser colocado no mercado sem atender às normas técnicas pertinentes. Quem não cumprir fica sujeito aos encargos decorrentes do não atendimento deste artigo do código, dependendo do julgamento de cada situação.
Quem vai fiscalizar o cumprimento da norma?
Nenhuma norma brasileira é fiscalizada por algum órgão, a não ser as normas do Ministério do Trabalho, da Anvisa e outras agências regulatórias do governo. As normas técnicas não são leis. Funcionam como lei apenas aquelas que estão vinculadas às leis, como é o caso da norma de acessibilidade (NBR 9050), que é vinculada a um decreto de lei federal de 2004. A força de lei, em função do Código de Defesa do Consumidor, faz com que o maior fiscal de seu cumprimento seja o consumidor, que tem o direito de exigir seu cumprimento. Exigências serão posteriormente feitas por instituições financeiras, como a Caixa Econômica Federal, que já está exigindo o cumprimento da norma por parte de sistemas inovadores, através do SINAT (Sistema Nacional de Aprovações Técnicas).
Por que surgiu a necessidade de se criar a norma: havia muita diferença de uma obra para outra?
A necessidade da norma veio da falta de parâmetros para avaliar sistemas, componentes e materiais que fossem inovadores (não consagrados pelo uso), e que só podiam ser avaliados por requisitos de desempenho que não existiam no Brasil. Em países desenvolvidos, norma de desempenho semelhante à NBR 15575 já existem desde o início dos anos 80.
A norma abrange apenas construções residenciais ou envolve também edificações industriais?
A norma publicada abrange apenas edifícios residenciais. Num segundo momento serão elaboradas normas equivalentes a esta para outros tipos de obras.
Por que ela se refere apenas a edificações de 5 pavimentos? Se for feito um edifício de 10 andares, a norma é outra?
Existem requisitos de desempenho que são dependentes da altura do edifício e outros que não dependem. A norma tem uma nota que diz claramente que os requisitos que não dependem de altura são aplicáveis a edifícios de mais de cinco pavimentos. Ainda será elaborada uma norma complementar para os requisitos que dependem de altura. Mas o construtor não deve deixar de aplicar requisitos que independem da altura em edifícios de mais de cinco pavimentos. O foco principal da norma foi esse: priorizar edifícios de empreendimentos do segmento econômico.
A partir da vigência da norma, as edificações habitacionais brasileiras vão se equiparar a padrões internacionais ou elas hoje já têm qualidade comparável a de outros países?
Em alguns requisitos já temos níveis adequados aos padrões internacionais de países desenvolvidos, como, por exemplo, na segurança estrutural. A norma NBR 6118, que é a norma de projeto de estruturas de concreto, já é baseada em requisitos de desempenho estrutural e o Comitê ISO/TC71/SC4 (Performance Requirements for Structural Concrete) aprovou nossa norma como norma de padrão internacional e ela faz parte da ISO 19338, podendo ser utilizada por projetistas fora do Brasil. Em outros requisitos estamos muito aquém dos países desenvolvidos, como é o caso do desempenho acústico de edifícios.
Obras do programa Minha Casa, Minha Vida começaram antes de a norma entrar em vigor. Como ficam essas construções que não seguem as novas regras?
O governo perdeu uma grande oportunidade de melhorar a qualidade das edificações habitacionais ao definir os padrões do Minha Casa, Minha Vida fora dos padrões da norma que ainda não estava em vigor, mas estava publicada. Itens como o pé-direito mínimo aceito pelo Programa (de 2,40 m) comprometem o desempenho térmico, por exemplo, (a norma define um mínimo de 2,50 m). Mas como a norma não estava em vigor o consumidor não poderá fazer nada quanto a isso. O consumidor só poderá exigir que atendam os requisitos os empreendimentos cujo projeto tenha sido protocolado para aprovação nas prefeituras após seis meses depois de ela entrar em vigor (12 de novembro, já que ela entra em vigor em 12 de maio).
Quem é a entrevistada
Maria Angélica Covelo Silva é engenheira civil pela Universidade Estadual de Londrina (PR), mestre em engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutora em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Também é diretora da NGI Consultoria e Desenvolvimento, em São Paulo.
Email da entrevistada: ngi@ngiconsultoria.com.br
Site: www.ngiconsultoria.com.br
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Construção civil projeta PIB alto em 2010
É o que revela a 42.ª sondagem trimestral do setor, realizada pelo SindusCon-SP com empresas de todo o país
O PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil deverá crescer 8,8% em 2010. As previsões são do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), com base na 42.ª Sondagem Nacional da Indústria da Construção Civil, que o organismo realiza trimestralmente, e cujos dados mais recentes serão divulgados no final de março.

Através do diretor de economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, o Itambé Empresarial conseguiu antecipar algumas informações. Entre elas, a consolidação de expectativas projetadas na 41.ª sondagem, como a forte a percepção de que o crédito imobiliário crescerá e que boa parte dos empreendimentos será voltada para as famílias de média e de baixa renda. Os investimentos imobiliários deverão passar de R$ 170 bilhões em 2009 para R$ 202 bilhões em 2010, prevê o estudo.
Há, adicionalmente, um sentimento geral de que os investimentos em infraestrutura terão maior vigor neste ano. Além disso, a percepção dos empresários do setor é de que em 2010 os efeitos de eventos como Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas Rio 2016 já comecem a ser sentidos. A construção civil vive de investimentos. Nestes eventos, cerca da metade dos investimentos que serão feitos na economia brasileira passarão pelas mãos do setor. Estádios, alojamentos, estradas, aeroportos, hotéis, telecomunicações, enfim, tudo o que será necessário fazer para esses dois grandes espetáculos terão grande influência no nível de atividade da construção civil, disse Eduardo Zaidan.
O impacto desta expansão deverá se refletir em novo aumento no nível de emprego na construção civil. A expectativa é de que os postos de trabalho com carteira assinada no setor cresçam 8% em 2010. Isto significa que deveremos chegar a cerca de 2,4 milhões de empregos formais no ano que vem, avalia Zaidan, acrescentando: Os empresários mostram-se satisfeitos com o desempenho atual das construtoras e revelam uma expectativa futura ainda melhor.
Referência
A Sondagem Nacional da Indústria da Construção Civil, realizada pelo SindusCon-SP, é uma referência para o setor. Realizada trimestralmente, desde 1999, ela ouve, em média, 300 empresas de todo o país a cada consulta. Nesta 42.ª edição, foram incluídas perguntas sobre insumos, mão de obra, desempenho passado, futuro e percepção de inflação. As construtoras de pequeno e médio porte são as que mais participam da pesquisa.
Entrevistado: Eduardo Zaidan, diretor de economia do SindusCon-SP.
Email: ezaidan@sindusconsp.com.br
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Lei de segurança no trabalho pode desonerar empresas
No início deste ano entrou em vigor a nova legislação sobre segurança no trabalho. Especialista explica o que muda
Em janeiro de 2010 entrou em vigor a nova lei de acidentes de trabalho e doenças contraídas em ambientes corporativos. A intenção da legislação é melhorar o regimento de proteção aos trabalhadores e fixar valores mais próximos à realidade de cada empresa.

Ela altera, por exemplo, o cálculo da contribuição paga pelas empresas à Previdência Social, que antes recolhia uma taxa fixa de 1%, 2% ou 3% sobre a folha de pagamento (de acordo com o grau de risco de seu ramo de atuação). Agora, essa taxa será calculada separadamente.
Para explicar o que muda na lei, seus benefícios e como as empresas devem se adaptar a elas, o especialista Alex Rocha, coordenador do curso de Segurança no Trabalho da Facear (Faculdade Educacional Araucária), concedeu a entrevista a seguir. Confira:
Desde janeiro está em vigor a nova lei de acidentes de trabalho e doenças contraídas em ambiente corporativo. O que essa lei muda para as empresas?
O que muda para as empresas é para melhorar as condições de trabalho, tanto da empresa em questões de qualidade e produtividade, quanto relativo à saúde, segurança e assistência ao trabalhador.
Por que a lei mudou? A anterior era ineficiente?
Não, porém ficava a cargo do INSS comprovar que o acidente ou doença que o trabalhador estava contraindo era causado pela funcionalidade, ou seja, pelo cargo que ele exercia e agora, a empresa vai ter de provar para o INSS que a causa da doença não é relativa ao cargo do trabalhador.
Todas as empresas estão enquadradas na nova lei?
Não, as pequenas e as micro-empresas não adeptas ao Simples não serão afetadas.
Essa lei não vai acabar tributando ainda mais as empresas?
Depende. Se as empresas cumprirem a nova lei, algumas terão redução em até 50% dos encargos relativos a este imposto. Porém, aquelas que não cumprirem, e dependendo do cargo do funcionário, vão ter acréscimo, podendo até dobrar o imposto pago.
Com relação aos direitos dos colaboradores, o que a lei muda para eles?
Foi criado para eles o auxílio acidentário, que vai garantir o recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço durante o tempo de afastamento e ainda vai proporcionar a este trabalhador uma estabilidade temporária de 12 meses.
Existe algum artigo da lei que vai exigir mais atenção dos departamentos das empresas que cuidam de segurança do trabalho?
A própria alteração da lei vai exigir mais atenção daquelas empresas com mais acidentes e acidentes mais graves, pois passarão a contribuir mais se não sanearem estes problemas.
A lei terá capacidade, por exemplo, de reduzir o número de acidentes na construção civil?
Acredito que sim, e bastante, desde que também haja uma fiscalização desta lei.
Como está a construção civil hoje, em termos de acidente de trabalho? Ela ainda lidera o ranking ou melhorou bastante sua posição?
O setor melhorou sensivelmente em relação ao que era, porém com esta nova lei a tendência é que melhore ainda mais.
As perícias médicas mudam com a nova lei de segurança no trabalho?
Sim. Agora, as empresas terão de provar que o problema do funcionário não é relacionado ao seu cargo e sim que ele já vinha com este problema. Então não cabe mais ao perito do INSS fazer esta comparação, por que antes ele tinha que fazer esta relação acidente com nexo-causal do empregado.
Hoje, quais os acidentes de trabalho ou doenças geradas em ambiente corporativo mais comuns?
Em ambiente corporativo uma das mais comuns é a LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e lombalgias. Outro grande problema nos ambientes corporativos é o estresse, que está no topo do ranking. Ele está relacionado a outros problemas de saúde do funcionário, inclusive a problemas psicológicos. O estresse desencadeia insônia, fadiga excessiva e desânimo, mas normalmente o empregado não o correlaciona ao trabalho e isso se torna uma doença crônica. É como se o estresse desse o start para as outras doenças.
Entrevistado: Alex Rocha, coordenador do curso de Segurança no Trabalho da Facear (Faculdade Educacional Araucária): coord.seguranca@facear.edu.br
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ABNT prepara nova norma para a construção civil
Norma de Coordenação Modular para Edificações entra em consulta pública nacional pela Internet
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) colocou em consulta pública nacional, pela internet, a Norma de Coordenação Modular para Edificações. A fim de que toda a cadeia produtiva da construção civil tenha condições de participar, o prazo de consulta se estenderá até 1.º de junho de 2010.
Esta norma definirá os termos, o valor do módulo básico e os princípios da coordenação modular que se aplicam a todos os tipos de projetos de edificações, projeto e produção de componentes construtivos e à construção de edificações. A norma deve ser observada também na elaboração de normas específicas concernentes à definição de medidas e tolerâncias de componentes construtivos.
Sua aplicação possibilitará, entre outros benefícios, a intercambialidade entre componentes/sistemas, ganhos de escala e produtividade, e redução significativa das perdas (sobras de obras), destacou Claudionel Leite, especialista de projetos da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entidade ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
A elaboração do texto-base foi realizada ao longo do segundo semestre de 2009 por cerca de 60 entidades/empresas do setor da Construção Civil de todo o país, além de representantes do Governo. A implantação da coordenação modular é uma medida definida na Agenda de Ação do setor Construção Civil, dentro da categoria Programas Para Fortalecer a Competitividade, da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP).
Como acessar a consulta pública: http://www.abntonline.com.br/consultanacional/
Fonte: assessoria de Comunicação Social ABDI
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Mutuário terá direito de escolher seguradora
Valor do seguro habitacional varia atualmente de aproximadamente 0,5% a 20% do total do financiamento
A partir do dia 17 de fevereiro, os mutuários passaram a ter o direito de escolher a instituição que querem contratar o seguro habitacional, na hora da compra da casa própria.
Antes das novas regras, a instituição de crédito que financiava o imóvel também fazia o seguro habitacional, com uma seguradora escolhida pelo banco.
Agora, as financeiras devem oferecer duas opções de seguradoras, sendo que uma delas não pode ser do mesmo grupo do banco, e o cliente poderá ainda cotar em uma terceira opção. Nesse último caso, o mutuário terá de pagar taxa de até R$ 100.
Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o valor do seguro habitacional varia atualmente de aproximadamente 0,5% a 20% do total do financiamento. O valor cobrado depende da idade do mutuário, do tipo de imóvel e do valor do financiamento.
Fonte: Agência Brasil
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