Gestão de marca
Especialista em branding comenta as estratégias das empresas em tempos de World Wide Web (www)
Michel Mello

A força da marca traduzida em retorno financeiro para a empresa. Esse é o objetivo da gestão de marca, ou gestão de branding. Para o consultor e especialista em gestão de branding, Eduardo Tomiya, “o valor de uma marca é sim um patrimônio e pode representar uma vantagem competitiva, ou mesmo ser sinônimo de lucratividade”. A consultoria BrandAnalytics, de São Paulo, realizou uma pesquisa em escala global chamada de Brand Z, que identifica e ranqueia as empresas que possuem as marcas mais fortes junto ao público. Essas empresas possuem o premium price, associado a seus produtos e à marca. Isso seria como ter a preferência em termos percentuais de uma parcela do público consumidor.
Um estudo publicado pelo Journal of the Academy of Marketing Science, no ano de 2006, indica que as empresas com marcas fortes, possuem rendimentos maiores se comparadas com outras marcas de menor destaque. Um estudo publicado pelo jornal Financial Times publicou a pesquisa Brand Z 2010 com as marcas globais de maior destaque. No Brasil, a marca de maior evidência identificada foi a da empresa brasileira de economia mista, Petrobras.
Pesquisa Brand Z

Na abordagem utilizada pela pesquisa Brand Z, o conhecimento do público em relação à marca foi o elemento diferencial em termos de critérios. “Um exemplo pode ser dito sobre uma empresa fictícia X. De 100% de todos os seus clientes, apenas 4% podem ser definidos como ‘consumidores leais’. Isso pode parecer pouco, mas esses mesmo 4% vão representar 37% no volume total de vendas. E isso se deve ao fato de que essa lealdade é transmitida para outros produtos da marca e, também, na comunicação direta desses produtos da empresa X”, afirma o consultor.
Eduardo Tomiya diz que: “a fidelidade à marca aumenta exponencialmente as vendas na medida em que a confiança do consumidor daquele branding é transmitida a outros itens da mesma marca e na propaganda e publicidade feita no boca a boca pelos clientes”. Segundo o consultor, as empresas devem focar seus esforços em ações de marketing e para que a base atual de clientes, para que estejam sempre satisfeitos, de tal maneira que esses mesmos clientes satisfeitos se tornem fiéis e também divulgadores de seus produtos e serviços.
Google Co.
Desse modo, além de comprarem, também divulgam a marca ou a empresa. São consumidores e propagandistas de branding, pois recomendam a marca para outras pessoas. “Um exemplo muito forte disso foi a Google Co. que de 100% do total de seus clientes, 42% são leais e recomendam a marca. Isto representa exponencialmente 60% do volume total ou de consumo das vendas”, destaca Tomiya.
“A empresa precisa ter um posicionamento claro e que se traduza em branding positivo. O que resulta em uma marca forte que gera lucro e rentabilidade”, defende Eduardo Tomiya. “As empresas do segmento da construção civil, devem ter um relacionamento forte com todos os seus públicos. E isso vai desde o canteiro de obras que começa com os mestres de obras conhecendo e divulgando os seus produtos, as vantagens e especificações de cada marca, até os pontos de vendas, seguindo para as construtoras e todos os demais públicos”.
“A grande dificuldade de muitas empresas reside em encontrar um posicionamento único entre todos os seus diferentes públicos. Isso é conseguido estabelecendo prioridades para os canais de comunicação. Utilizando-se as mídias disponíveis, tradicionais e digitais, e isso inclui as mídias sociais, como páginas de internet, blogs e twitter”, observa Tomiya.
O consultor lembra que em se tratando de mercado muitas vezes é preciso arriscar para obter lucro, porém “lembre-se que grandes oportunidades, muitas vezes representam grandes riscos. E isso deve ser bem planejado”, ressalta o consultor.
Em tempos de World Wide Web (www), a velocidade de propagação através dos canais específicos é muito rápida. “O que pode ser bom e ruim, dependendo da repercussão, pois as pessoas estão todas conectadas, entre si e entre vários fornecedores e consumidores, o que envolve, também, toda a cadeia produtiva. De olho nesse canal, devemos planejar e desenvolver ações específicas que geram branding positivo. E um nome será feliz, se houver lealdade e interação dos formadores de opinião”, recomenda Eduardo Tomiya.
O posicionamento, e mais outros atributos, é o que torna uma marca efetivamente positiva. Por isso, a imagem da empresa é o ponto de contato entre acionistas e diversos públicos, e pode ser traduzido em valor e rentabilidade, ou mesmo na força de uma marca.
Entrevistado
Eduardo Tomiya
- Sócio-fundador da BrandAnalytics Consultoria de Marcas.
- Engenheiro de produtos, mestre, PhD em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
- Professor de branding na Fundação Armando Alvares Penteado, Fundação Getulio Vargas, Instituto Nacional de Pesquisa Industrial e Faculdade Rio Branco.
Contato: eduardo.tomiya@brandanalytics.com.br
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
Ações para surpreender o consumidor no ponto de venda
Varejo deve investir em treinamento e avaliação dos funcionários para atrair os clientes
Por Marina Pastore

Para atrair a atenção dos consumidores, as lojas de varejo, especialmente as lojas de materiais de construção, utilizam vários recursos. “O marketing e a comunicação no ponto de venda podem se manifestar nas diversas formas de contato da marca com os clientes – seja o atendimento dos vendedores, a logomarca exposta em displays, uniformes, ações de relacionamento, promoções, etc”, explica Marcelo Ermini, vice-presidente de Treinamento e Educação da POPAI Brasil (Associação Brasileira de Merchandising).
Entretanto, uma das ações que mais tem poder de cativar ou afastar os consumidores é o atendimento dos vendedores. “Atender o cliente com educação, simpatia e presteza é uma obrigação hoje, não é mais sinônimo de atendimento excelente. Se a empresa não fizer isto, certamente perderá o cliente”, afirma o professor de marketing da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da Lupoli Jr. & Consultores Associados, José Lupoli Junior.
Para ele, hoje, a grande expectativa do consumidor que frequenta os home-centers é ser recebido por alguém que conhece o produto e que possa oferecer um suporte técnico na hora da compra.
Generalistas ou especializados?
Dentre as lojas de materiais de construção, algumas preferem utilizar um atendente especializado para cada setor, enquanto outras optam por um vendedor generalista que acompanha o cliente do começo ao fim da compra.
Lupoli Junior recomenda a especialização. “É importante ter o apoio técnico na hora da compra, pois muitos consumidores finais vão às lojas sem a ajuda de um especialista e não possuem conhecimento sobre os materiais”, afirma.
Ermini também acredita que a especialização é o melhor caminho, mas nem sempre isto é possível por algumas razões: tamanho da loja, perfil do consumidor e quantidade de itens expostos. Caso isso não seja viável, o ideal é levar em consideração os setores que necessitam maior atenção ou que a empresa deseja dar foco e colocar vendedores especializados somente nestas áreas.
Treinamento

Na opinião de Lupoli Junior, o treinamento para vendedores das lojas de varejo é essencial, pois ele é um influenciador importante para os clientes. Ele ainda ressalta que o treinamento pode ser um fator de motivação para o funcionário, uma vez que ele se sente importante ao ver que a empresa está investindo nele.
“Ao chegar na empresa, o funcionário tem que ser treinado e capacitado para conhecer profundamente o departamento. A ideia é que a loja não tenha ‘vendedores’ e sim consultores de vendas”, enfatiza Lupoli Junior.
O que muitas companhias costumam criticar sobre os treinamentos é que algumas vezes os funcionários acabam sendo “roubados” por outras lojas. Entretanto, Lupoli Junior questiona esta visão. “Geralmente as pessoas pensam: eu treino, mas o vendedor pode ir embora. Mas ele deveria se perguntar: e se eu não treino e o funcionário continua na loja?”.
Para evitar que os vendedores treinados migrem para outras empresas, Lupoli Junior sugere algumas medidas:
- Uma política salarial compatível com o mercado, com remuneração variável (bônus por vendas).
- Um programa de retenção de talentos.
- Um bom clima organizacional.
- Políticas de atendimento claras e bem comunicadas.
No exterior
De acordo com o professor Lupoli Junior, em países da Europa e nos Estados Unidos, os home-centers não são muito diferentes dos brasileiros. Segundo ele, a principal diferença é que os consumidores, na maioria das vezes, vão às compras sem o acompanhamento de um profissional, como um arquiteto, por exemplo. Por isso, é necessário que os vendedores tenham um conhecimento técnico ainda mais aprofundado que no Brasil.
“O treinamento destes funcionários é feito de forma mais aprofundada porque eles dão quase todo suporte ao consumidor final, que, muitas vezes, não tem o conhecimento técnico sobre o produto”, explica.
Avaliação dos vendedores
Para Lupoli Junior, uma avaliação frequente dos vendedores é muito importante para o desempenho da empresa. Ele propõe algumas formas de medir o desempenho dos funcionários de equipes comerciais:
- Volume de vendas: Quantidade de vendas em números absolutos.
- Qualidade de vendas: Avaliar apenas o volume pode ser um erro, pois pode incentivar a “queima” de produtos.
- Ticket médio: Uma média do valor que os clientes de determinado vendedor levam por compra.
- Fidelização de clientes: Atualmente, é possível que as lojas obtenham dados sobre a visita dos consumidores nas lojas e é possível fazer uma relação clara entre o vendedor e o comprador.
Comportamento do consumidor
Os home-centers também devem ficar atentos ao perfil e desejos dos seus consumidores. Uma pesquisa publicada pelo POPAI, em 2009, intitulada “Comportamento do Consumidor em Lojas de Materiais de Construção e Home-Centers”, 71% dos consumidores finais decidem a compra direto no ponto de venda. Já entre os consumidores profissionais, 56% das decisões de compra são tomadas no ponto de venda. Portanto, é necessário que o vendedor saiba lidar com dois tipos de público : “consumidores domésticos” e “consumidores profissionais”.
Em entrevista ao Blog Massa Cinzenta, em fevereiro de 2010, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Materiais de Construção no Paraná (Simaco) e vice-presidente da Federação do Comércio do Paraná (FecomercioPR), Cesar Luiz Gonçalves, afirmou: “o consumidor espera que o vendedor ofereça a ele o melhor produto para a sua necessidade, pelo menor custo possível”.
Saiba mais aqui: http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/quem-e-o-consumidor-de-materiais-de-construcao-2/
Entrevistados
José G. Lupoli Junior
- Doutor e mestre em Administração pela FEA/USP.
- Postgraduate: Retailing Management, by The Youngstown State University, Ohio, USA.
- Pós-Graduado pela EAESP-FGV em Finanças: CEAG.
- Professor do Departamento de Marketing da USP/Leste.
- Professor do MBA Varejo da FIA/USP.
- Consultor em gestão estratégica e Varejo do Programa de Administração do Varejo – PROVAR – FIA.
- Professor de cursos in company nas áreas de gestão estratégica, marketing estratégico e gestão estratégica de lojas pela FIA.
- Consultor sênior em Varejo e Gestão Estratégica.
- Realizou projetos de consultoria e treinamento em diversas empresas, entre elas: Votorantim Cimentos, Grupo Center Norte, L`Oreal de Paris, Martins Atacadista, Ultragáz, Walt Mart, Bridgestones Firestones do Brasil, Coca-Cola in Company,, PortoBello Shopp, Fran´s Café, SOS Computadores, Casas Pernambucanas, entre outras.
- Professor de cursos de pós-graduação de diversas Universidades, como: Mackenzie, FEI, BBS, IMES, entre outras.
Contato: http://lupolijrconsultores.com.br/
Marcelo Ermini
- Vice-presidente de Treinamento e Educação POPAI Brasil (Associação Brasileira de Merchandising); Membro do Conselho Consultivo da ABRATRADE (Associação Brasileira do Trade Marketing) e do Núcleo de Varejo da Associação Comercial de São Paulo.
- Diretor Titanium agência especializada na área de Trade Marketing e Ativação de Marca.
- Professor Cursos: Trade Marketing, Merchandising
o ESPM; FIA/Provar; FGV
o MBA, Pós Graduação e Intensivos In Company
- Palestrante de seminários e congressos sobre o tema “Marketing e Comunicação no Ponto de Venda”, “Times de Venda”, ”Merchandising” e “Trade Marketing”.
- Experiência adquirida em empresas do mercado de consumo: Parmalat, Arla Foods (Danubio), Revlon/Bozzano, Bunge (Santista Alimentos) e Vigor, com atuação nas áreas de marketing, vendas e trade marketing.
- MBA – Gestão Empresarial pela ESPM, formado em Comunicação Social com especialização em Marketing e diversos cursos no Brasil e Exterior.
Contato: http://www.ti22.com.br/
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
Sistema de Indicadores de Projeto em Edifícios de Alvenaria Estrutural
Programa estima os custos médios de materiais nas obras. Ferramenta auxilia os engenheiros
Por: Michel Mello
O Departamento de Engenharia Civil (Deciv) e o Departamento de Estatística da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) criaram um sistema on-line para estimar valores de consumo médio de materiais em canteiros de obras. O sistema chama-se Consalv e essa ferramenta ajuda a reduzir o desperdício de material e prevê mais agilidade na execução das obras. Esse sistema atende edifícios a partir de dois andares.
As informações levantadas relativas à arquitetura são:
- Índice de compacidade;
- Índice de circulação;
- Densidade de paredes;
- Relação da área de alvenaria estrutural por alvenaria total.

O sistema pretende facilitar o trabalho dos engenheiros que desejam confirmar os cálculos para o consumo de materiais. O usuário tem a seu alcance a possibilidade de comparar os valores obtidos em seu projeto com os bancos de dados disponíveis no Sistema On-Line de Indicadores de Projeto em Edifícios em Alvenaria Estrutural.
Os pesquisadores calcularam os gastos médios das construções e que serviram como base para o banco de dados desse sistema. O coordenador do curso de Engenharia Civil da UFSCar, Guilherme Aris Parsekian, afirma que “antes do programa não havia parâmetros para cálculo do sistema construtivo. Então, em virtude da demanda por um recurso que calculasse esses custos foi desenvolvida essa ferramenta”, ressalta.
Com a consulta, o engenheiro civil pode estimar valores de consumo médio em uma obra baseado nos dados disponíveis, além disso, pode comparar os valores obtidos em um novo projeto com os do banco de dados (benchmark). A partir desta comparação o sistema cadastra, automaticamente, os dados do engenheiro para uma possível atualização do banco de dados no futuro.
Também foi criado um banco de dados que tem como base 140 projetos de edifícios. São três níveis de acesso: o primeiro nível é mais rápido e simples e atende razoavelmente bem ao usuário comum. O segundo nível visa atender aos profissionais onde são elencados os parâmetros arquitetônicos do projeto – orçando a variação na estrutura e cálculo do perímetro. Já o terceiro e último nível é para a inclusão de dados, onde o usuário colabora inserindo os dados na base do programa.
Segundo a professora, Teresa Cristina Martins Dias, que é chefe do Departamento de Estatística da UFSCar, “as técnicas estatísticas devem ser utilizadas para a melhoria e otimização dos procedimentos e sistemas da área da construção civil. Tais procedimentos como a avaliação de quantidade de concreto, aço e outros materiais são variáveis necessárias em uma construção. Isso pode diminuir o custo das obras e representar uma economia significativa no valor total da obra.
Os interessados podem acessar o sistema por meio do endereço: www.deciv.ufscar.br/consalv
Entrevistados
Guilherme Aris Parsekian
Currículo
- Engenheiro civil pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
- Coordenador do curso de Engenharia Civil da UFSCar.
- Mestre em Engenharia de Estruturas - Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP).
- Doutor em Engenharia Civil – Escola Politécnica da Universidade do Estado de São Paulo (EPUSP).
- Pós-doutorado na Universty of Calgary.
Contato: parsekian@ufscar.br
Teresa Cristina Martins Dias
Currículo
- Doutora em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
- Mestre em Computação e Matemática Computacional pelo Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC-SC-USP).
- Graduada em Estatística pelo Departamento de Estatística Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Contato: dtmd@ufscar.br
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
Plano Estadual de Logística e Transporte do Paraná 2020
O futuro do estado a partir de uma malha viária eficiente
Michel Mello
O Plano Estadual de Logística e Transporte do Paraná (PELT) é fruto de uma parceria entre o Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado do Paraná (Sicepot-PR), o Conselho Regional de Engenharia do Paraná (Crea-PR), a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e o Instituto de Engenharia do Paraná (IEP). Essas entidades tiveram a ousadia de pensar, planejar e formular o PELT 2020 para os próximos dez anos no estado e para além das legendas e partidos políticos. Existem PELT´s em vários outros estados da união, o Paraná agora começa a pensar sobre o futuro.
Após uma lacuna de 30 anos sem grandes investimentos em infraestrutura de transportes no estado, o Paraná sofre com o sucateamento das rodovias e, principalmente, com a falta de um planejamento de políticas públicas neste setor. Com isso, existe um enorme déficit e uma necessidade urgente por obras que possam garantir o crescimento econômico do estado e acompanhar o ritmo do desenvolvimento do país.
De acordo com o presidente do Crea-PR, Álvaro Cabrini Júnior, “para que o Brasil se torne a 5ª economia do mundo, é preciso que o Paraná se torne mais competitivo, planeje sua infraestrutura para o futuro e reveja a logística dos transportes no estado. O Paraná está parado, enquanto o Brasil é um canteiro de obras”, ressalta Álvaro.
Situação atual
O Paraná possui uma posição geoeconômica privilegiada no país: está na área de maior potencial econômico do Mercosul. É uma importante ligação entre Argentina, Brasil e Paraguai. Sendo o Porto de Paranaguá o escoadouro das safras de Mato Grosso do Sul e do próprio estado. Juntos, esses estados são a primeira e segunda maior colheita do país em termos de grãos.
O PELT 2020 está dividido em quatro modais: rodoviário, ferroviário, hidroviário e aeroviário. No plano, cada uma das subdivisões surge da identificação de gargalos e da necessidade de obras em cada uma dessas áreas, sempre pensando em um aspecto do desenvolvimento macroeconômico para o estado.
Vocação

A vocação do Paraná é a agricultura. O estado é o maior produtor de grãos, com duas safras anuais. Isso responde por 25% de toda a produção brasileira. Sérgio Picinelli, presidente do Sicepot-PR, foi o responsável pela elaboração modal rodoviário do PELT 2020. Ele destaca que: “considerando a logística de transportes é fundamental que exista uma malha viária eficiente. Pois o acesso a outros meios de transportes sejam eles: ferroviário, hidroviário ou aéreo só se dá através das estradas”, completa Sérgio.
Sucata
Foram mais de 20 mil quilômetros rodados, realizados durante quatro meses de reconhecimento em campo, para que o engenheiro Sérgio Picinelli tivesse a noção exata dos problemas rodoviários e pudesse sugerir ações para esse plano intermodal. “A falta de um planejamento para o estado, se transforma em prejuízo econômico e financeiro. Nossas estradas estão sucateadas e nunca houve um planejamento viário feito no estado”, ressalta Sérgio Picinelli.
O PELT 2020 tem esse nome, pois as ações pensadas hoje e tão necessárias ao desenvolvimento macroeconômico do estado ainda precisaram de pelo menos dez anos, entre a fase de projeto, licenciamento e execução. “Se isso não for feito agora, passaremos mais vinte anos com um terrível gargalo que é o acesso feito ao Porto de Paranaguá por apenas uma estrada a BR-277. E isso representa um retrocesso econômico, que é o estrangulamento viário”.
Intervenções necessárias

O plano prevê como saída a esse estrangulamento viário a construção de uma nova rodovia. “O Paraná é o único estado a não possuir em seu território um trecho da BR-101. Isso acontece porque a ligação a leste feita a partir de São Paulo passa por Curitiba. Não há uma ligação direta com o Porto de Paranaguá. Do mesmo modo que não existe essa ligação com o sul, através do estado de Santa Catarina”, enfatiza Sérgio Picinelli.
Nas chamadas intervenções necessárias, o plano prevê a ampliação e o asfaltamento de um trecho já existente de rodovias. O presidente do Sicepot reitera, “dessa maneira o Paraná ganharia três acessos ao Porto de Paranaguá ao invés desse único que temos hoje”. A proposta seria pavimentar um trecho de 23 km entre Garuva e Cubatão, trazendo acesso ao Porto e a cidade de Pontal do Sul. E ligar a região de Alpino, na BR-116, com o município de Antonina, passando por Cachoeira de Cima, em um trecho de 24 km.
“Hoje o atraso do Paraná está nesses 50 km e na falta de vontade política de se construir um estado que seja economicamente competitivo e viariamente ligado, para além dos interesses políticos e dos governos. E desse modo beneficiar o estado e o povo do Paraná”, conclui Sérgio.
As ligações viárias do Paraná são ainda tributo do período colonial e têm origem nos antigos caminhos de tropas que afirmaram as cidades-pólo como centros urbanos centralizadores. Por isso, as ligações rodoviárias passam por Curitiba ou Ponta Grossa. Essa ligação hoje se faz desnecessária e representa o maior entrave a falta de ligações entre os eixos norte-sul e nordeste-leste.
Algumas das reduções apresentadas por Sérgio e sua equipe representam reduções de mais de 100 km em trechos de vital importância para a integração e comunicação. “Isso representa a diminuição do custo inicial do transporte e ajudaria a baratear os custos tornando os produtos brasileiros econômica e competitivamente viáveis para o mercado consumidor externo”, ressalta o engenheiro.
Entrevistado
Sérgio Picinelli
Currículo
- Graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
- Chefe do laboratório da Seção de Geologia, Solos e Fundações do Departamento Estradas de Rodagem DER/PR.
- Membro do Fórum das Entidades de Engenharia do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP).
- Membro do Conselho Temático de Infra-Estrutura da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP).
- Coordenador da Comissão de Parcerias Público-Privadas da FIEP.
- Membro do Grupo de Trabalho Relações Institucionais com a Área Empresarial do Crea-PR.
- Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado do Paraná (Sicepot-PR).
Contato: presidência@sicepot-pr.com.br
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
Mercado imobiliário
Entre as incertezas do mercado imobiliário surge a questão: haverá bolha imobiliária no Brasil?
Por Michel Mello
A economia brasileira avança a passos largos, o que é bastante positivo para os setores da construção civil, mercado imobiliário e das matérias-primas da construção. Este movimento amplo é em parte resultado do estímulo econômico que deriva dos programas de crédito do governo federal, como o Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV), linhas de crédito e financiamento habitacional e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC I e II).
No caso dos mercados imobiliários, existe uma forte tendência ao superaquecimento desse setor, com imóveis apresentando alta nos preços – seja para a compra, venda ou locação. Entre os fatores que provocam a alta do setor estão presentes o aumento da renda média da população brasileira, em particular nas classes B e C.

Eventos como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 tendem a encarecer ainda mais o valor de imóveis, novos, na planta ou ainda nas edificações já existentes. De todo esse frenesi e especulação surge uma ponderação interessante: o Brasil corre o risco de sofrer uma bolha do mercado imobiliário?
Durante o ano de 2009, a economia americana entrou em uma das piores crises de sua história, com a crise dos títulos podres das hipotecas dos imóveis nos EUA. Essa crise dos subprimes é comparada a da quebra da bolsa em 1929, período conhecido como “Grande Depressão Americana”.
Bolha americana
As bolhas têm origem em um comportamento humano chamado de Efeito de Manada (Schiller, 2007). Essa teoria diz que mesmo pessoas racionais podem ser levadas, pelo próprio comportamento de manada, a tomarem decisões erradas. Chama-se a isso de decidir erroneamente por contaminação. E é exatamente o caso americano.
Em especial os preços das ações ou dos imóveis subiram nos mercados americanos e isso teve grande repercussão pública. A mídia noticiou toda a questão, com histórias de pessoas que ganharam muito dinheiro em pouco tempo. Logo, houve uma procura por um tipo de lucro a partir de imóveis, mas além da capacidade do setor em se autorregular.
Porém, o Efeito Manada requer condições econômicas favoráveis ao seu desenvolvimento. Esse é o caso da recente economia americana, que teve um afrouxamento das normas de regulação imobiliárias, empréstimos em larga escala feitos para pessoas que não tinham condições de pagar e mecanismos de incentivo do crédito imobiliário.
Os ativos chamados de podres e que foram atrelados a taxas flutuantes de juros chegaram a 25% do total de investimentos no mercado americano no ano de 2006. Por outro lado, o sistema de securitização que estava amarrado às hipotecas não conseguiu regularizar toda a demanda de pagamentos e em função da inadimplência os fundos do tipo subprime se tornaram o estopim da crise financeira.
Bolha imobiliária no Brasil
Como identificar se o novo ciclo de expansão imobiliária é uma bolha ou não? A resposta a essa questão e a necessidade por certezas em um mercado tão incerto como é o caso do mercado imobiliário brasileiro levou a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) a encomendar a MB Associados um estudo sobre a existência de bolha no mercado imobiliário brasileiro. O estudo ficou pronto em julho de 2010 e aponta as principais tendências e perspectivas para o setor.
É com base neste estudo que a Abecip avalia a sua tomada de decisões. De acordo com o estudo, não existem séries históricas de preços de imóveis no Brasil. Isso dificulta bastante a compilação de dados, pois a análise do relatório foi feita de forma indireta.
O relatório destaca a atual trajetória sustentável e sem riscos da economia brasileira. Daí surge uma perspectiva de continuidade de crescimento da economia nos próximos anos, com projeção do PIB entre 4,5% a 5% até o ano de 2015. Também, não há sinal de mudança na política econômica. Uma garantia reside no Sistema de Informações de Crédito do Banco Central do Brasil.

O estudo aponta que é muito remota a possibilidade de o Brasil criar uma bolha imobiliária. O presidente da Abecip, Luiz Antonio França, afirma: “todo país que teve esse problema sofreu um processo de desregulamentação financeira, o que não está ocorrendo por aqui”. Ele ainda ressalta que uma das principais razões que justificam a não existência de uma bolha imobiliária no Brasil é a solidez dos bancos e da macroeconomia brasileira além de:
• Não há desregulamentação financeira;
• A classe média apresenta forte expansão de renda;
• Imóveis produzidos serão vendidos para pessoas com capacidade de pagamento;
• Não há aumento de preço sem fundamento, ou seja, os preços não se movem apenas em função do preço futuro;
• Ainda que o preço do imóvel valorizasse 11% ao ano, assim como nos Estados Unidos pré-crise financeira, a renda brasileira suporta esse reajuste de preços, porque o aumento dos valores de imóveis é fundamentado.
O relatório do estudo sugere que não parece haver sinais claros de que haja uma bolha nesse momento na economia brasileira. Entretanto, não quer dizer que não possamos tê-la um dia. O descontrole de crédito imobiliário aliado a uma conjuntura macro que permita alta liquidez em um mercado de ativos que não os títulos do governo poderiam levar a um crescimento de preços ainda mais forte do que visto atualmente”.
Entrevistado
Luiz Antonio França
Currículo
- Presidente da Abecip.
- Conselheiro da Confederação Nacional da Instituições Financeiras (CNF).
- Conselheiro na Companhia Brasileira de Securitização (Cibrasec).
- Diretor do Comitê Executivo de Negócios da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
- Membro da Competitividade da Cadeira Produtiva da Construção Civil.
- MDIC e Membro do Conselho Estadual de Habitação de São Paulo.
- Diretor Gerente do Banco Itaú desde 1995.
- Diretor de Crédito Imobiliário.
- Foi diretor do Credit Lyonnais Securities Corporate Finance (Nova York - USA)
Contato: franca@abecip.org.br
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
Tilt-up e suas múltiplas vantagens
Pré-moldado garante a racionalização construtiva e economia de tempo e custos
Por Michel Mello

O Tilt-up é o sistema construtivo mais amplamente utilizado entre os pré-moldados na América do Norte, chegando a 15 % do total das obras industriais. Esse sistema de pré-moldado é feito a partir de concreto no local da obra. Após nivelar o piso a laser, são moldadas as paredes em concreto em formas horizontais com qualquer desenho de estrutura ou texturas. Podem ser incorporados vãos para portas e janelas e ainda é possível adicionar detalhes técnicos de acabamento. Quando atingem a resistência necessária, as estruturas são içadas por guindastes e colocadas nos blocos das fundações.
No Brasil, essa tecnologia foi importada pela construtora Walter Torres Jr. no ano de 1993, diretamente dos EUA. Essa técnica ainda precisa ser mais bem difundida para ser empregada em escala industrial e, atualmente, apenas cinco construtoras empregam esse método de construção. O sistema apresenta muitas vantagens, entre elas está a grande economia de materiais e mão de obra, além do tempo reduzido de construção.
Esse método de construção surgiu e 1906, nos EUA. Seu nome tem origem na palavra inclinar que em inglês é “tilt”. Ao levantar as paredes pré-moldadas, em concreto armado, é necessário içá-las com a ajuda de guindastes, que a partir da base da construção – piso – levam as paredes pré-moldadas até o seu local definitivo no canteiro de obras. Esse processo todo que é chamado de Tilt-up, e que compreende da fase de concretagem até o levantamento das paredes, tem em média a duração de quatro a cinco semanas.
Racionalização construtiva
As construções em Tilt-up são racionalizadas e proporcionam mais qualidade e agilidade às edificações. Nesse sistema, as paredes são pré-moldadas in loco, a partir de uma base de concreto sobre um piso industrial, que é polido e nivelado a laser. Depois de atingir a resistência necessária, os painéis Tilt-up são alçados até sua posição e escorados.
Após a conclusão da montagem da estrutura, é feito o travamento da porção superior dos painéis. Com isso, são removidas as escoras da fase de montagem.
Esse sistema é totalmente executado no canteiro de obras e emprega a mão de obra local. Daí, não há a incidência de ICMS, IPI ou quaisquer outros custos envolvidos, como, por exemplo, transporte. Isso torna o sistema Tilt-up bastante competitivo, ao ser comparado a outros sistemas pré-fabricados.
Vantagens

Francisco Oggi é consultor e especialista em sistema construtivo Tilt-up no Brasil. Ele destaca as características dos pré-moldados: “as vantagens são inúmeras e, depois de um século de existência, a construção com pré-moldados é altamente competitiva e certas obras seriam impossíveis de serem executadas se não fosse o pré-moldado”, enfatiza Oggi.
• Baixo custo;
• Baixa manutenção;
• Durabilidade;
• Segurança;
• Baixo custo dos seguros; e
• Velocidade na construção.
O consultor destaca que o sistema é indicado para quaisquer tipologias, não há restrição técnica de uso, no entanto, é preciso apenas avaliar as condições e especificações de cada projeto. Atualmente, podem ser construídos prédios de até 30 andares. Mas, a tecnologia de paredes de concreto dosado em central não para por aí. Novidades são criadas diariamente. E nos Estados Unidos existe uma associação responsável pelo desenvolvimento e divulgação do sistema Tilt-up, é a Tilt-Up Concrete Association (TCA).
Oggi acredita que apenas por falta de informação e da acomodação da engenharia brasileira não seja mais utilizado esse sistema. “Nossa engenharia está baseada na ausência total de inovação e de assumir responsabilidades. Estamos passando por um período de crise humanística e o engenheiro está voltado a pilotar planilhas de controle ao invés de praticar engenharia”, lamenta.
Ele também destaca que a evolução dos materiais e processos de produção em Tilt-up. “A tendência é utilizar concretos cada vez mais resistentes e permitir a produção de peças cada vez mais esbeltas, propiciando edificações mais arrojadas e esteticamente mais agradáveis e mais duráveis também”, finaliza.
Entrevistado
Francisco Pedro Oggi
Currículo
- Engenheiro civil pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie.
- Curso Tilt-up Técnicas Especiais de Execução pela Tilt-up Concrete Association – TCA/USA.
- Especialização FIB – Master Course – Projeto de Estruturas Pré-Moldadas FIB-ABCIC.
- Curso Projeto e Execução de Estruturas de Concreto pela PINI – São Paulo.
Contato: francisco@emporiodopremoldado.com.br
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
Direito Ambiental no canteiro de obras
A adequação à legislação ambiental necessita de estudos e planejamento, caso contrário, as obras podem ficar paradas
Por Michel Mello
O Direito Ambiental é um ramo do direito que trata da proteção do meio ambiente a partir das relações humanas. Sua base está calcada na Constituição Federal e em normatizações e regulações específicas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que estabelecem os critérios legais a serem seguidos. Uma das preocupações do direito ambiental está na adequação das construtoras e das variadas tipologias da construção e empreendimentos, desde sua fase de planejamento e canteiro de obras, até a fase final do empreendimento.
Quem é quem
O órgão superior é o Conselho de Governo que elabora as políticas públicas para o meio ambiente. Através do Conama são definidas as políticas e normatizações do setor. Quem centraliza as atividades é o Ministério do Meio Ambiente (MMA). E através do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é que são executadas as ações de regulamentação e fiscalização em nível federal. A responsabilidade seccional de execução de programas, projetos e fiscalização cabe às entidades estaduais de proteção do meio ambiente. Os órgãos locais, como as entidades municipais são responsáveis pelo controle e fiscalização nas respectivas jurisdições.
Licenças ambientais
Antes de iniciar qualquer empreendimento é importante fazer o devido licenciamento ambiental. Efetuar o credenciamento junto aos órgãos responsáveis e adequar o empreendimento às normatizações. Isso compreende a obtenção da Licença Prévia (LP); da Licença de Instalação (LI); e Licença de Operação (LO) ou da Licença Corretiva (LC). Descritas a baixo:
- LP: concedida na fase de planejamento da iniciativa ou atividade. Define a viabilidade ambiental do empreendimento. Tem validade de quatro anos.
- LI: instrumento que autoriza a instalação do empreendimento ou atividade. Tem validade de seis anos.
- LO: autoriza a operação da atividade ou empreendimento. Validade de até seis anos.
Autorização Ambiental de Funcionamento (AAF)
O local de instalação de um canteiro de obras deve sempre ocorrer distante de Unidades de Conservação, definidas pela lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), em local onde se dispensa ou minimiza a intervenção na vegetação nativa. O que reduz o potencial de impacto ambiental. A instalação e a operação do canteiro de obras sem o uso de recursos hídricos ou corpos d’água, também simplifica os procedimentos de licenciamento ambiental.

O advogado, especialista em direito ambiental, Marcelo Buzaglo, considera que: “as maiores dificuldades residem em alguns excessos na interpretação da legislação ambiental, criando-se exigências indevidas que não decorrem da lei, mas de atos inferiores ou mesmo da imaginação de alguns dos atores envolvidos”. A seguir sua entrevista para o Massa Cinzenta:
Quais as maiores dificuldades das empresas privadas e indústrias em obter as licenças ambientais para as obras e como isso pode refrear o crescimento econômico?
Marcelo Buzaglo: Há as dificuldades de aparelhamento dos órgãos ambientais que contribuem muito para a demora na outorga das licenças, uma vez que faltam profissionais das áreas técnicas e infraestrutura de um modo geral. Ainda, há um profundo receio dos técnicos destes órgãos de outorgar as licenças, pois, não raro, os mesmos sofrem ameaças de responder a processos judiciais por conta disso. Certamente, esses e outros fatores atrapalham em muito o crescimento econômico, já que a demora na outorga das licenças acaba atrasando a realização de obras e atividades importantes para o desenvolvimento do país. Como se sabe, a legislação brasileira em vigor exige – acertadamente, aliás – que as atividades potencialmente causadoras de impactos ambientais se sujeitem ao licenciamento ambiental.
Que aspectos da legislação ambiental devem ser considerados na construção de empreendimentos de grande porte?
MB: Exigências como a realização de estudos prévios de impacto ambiental e de vizinhança, a análise da existência de espaços territoriais ambientalmente protegidos, dentre outras, devem ser consideradas para toda e qualquer atividade de grande porte.
O que recomenda para que os novos empreendimentos não sejam paralisados em virtude do não atendimento às leis ambientais?
MB: Não há outro meio senão a observância rigorosa de todas as normas legais que regulam a matéria. Outra medida preventiva interessante é buscar conversar com os atores envolvidos, especialmente o Ministério Público para evitar a surpresa de uma ação judicial futura.
O que destaca como exemplo positivo em termos de legislação ambiental?
MB: A legislação ambiental brasileira é uma das mais avançadas do mundo. Há alguns equívocos, mas, no geral, ela é boa e consegue compatibilizar a necessidade de crescimento econômico com a proteção ao meio ambiente. Se tivesse que destacar apenas um exemplo positivo, salientaria a exigência de estudo de impacto ambiental para obras e atividades potencialmente causadoras de significativa degradação do meio ambiente, pois é um meio de se atingir o desenvolvimento sustentável.
E o que destaca de negativo?
MB: O excesso de normas inferiores à lei, como Decretos, Resoluções, Instruções Normativas e Portarias, que deveriam servir apenas para regular aquela e acabam criando obrigações indevidas.
Entrevistado
Marcelo Buzaglo Dantas
Currículo
- Professor de Direito Ambiental consultor jurídico na área ambiental.
- Presidente da Comissão do Meio Ambiente da OAB/SC.
- Comissão do Meio Ambiente da OAB/SC, de que participa desde 1997.
- Especialista em Direito Processual Civil, mestre e doutorando em Direitos Difusos e Coletivos.
- É autor e coordenador de cinco obras na área do Direito Ambiental, tendo ainda publicado mais de 40 artigos em livros e revistas especializadas, no Brasil e no exterior.
Contato: marcelo@buzaglodantas.adv.br
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
Cobogós remodelados
Pesquisa aponta novas possibilidades para o elemento vazado como isolamento acústico
Por: Michel Mello

Um dos componentes bastante conhecidos da construção civil, o elemento vazado, ganha uma nova versão. É o que apresenta o estudo da arquiteta Bianca Carla Dantas de Araújo que oferece novas propriedades e possibilidades para o uso do elemento vazado. A pesquisa foi realizada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade do Estado de São Paulo (USP), e teve a orientação do professor Sylvio R. Bistafa, da USP.
Para Bianca, “a proposta foi o desenvolvimento de um elemento vazado acústico como componente aliado à acústica arquitetônica para projetos em climas quentes e úmidos”, explica a pesquisadora. Os elementos vazados, também conhecidos popularmente como “cobogós”, são blocos feitos a partir de diferentes materiais como argamassa de concreto, argamassa de cimento e areia, cerâmica, madeira ou vidro. São usados para iluminar e ventilar ambientes fechados. Seu uso é mais difundido em locais de clima quente e no Brasil é bastante comum na região nordeste.

O que a pesquisa da arquiteta Bianca introduziu foram mudanças na forma dos blocos. Foi essa alteração que permitiu um maior isolamento acústico. Para Bianca, “a pesquisa apresenta uma nova discussão sobre a dicotomia do conforto acústico e aberturas na arquitetura, pois revela uma porcentagem significativa de área aberta (12%) em uma fachada com atenuação acústica em algumas frequências (37 dB em 800 Hz)”. O resultado em termos de isolamento foi semelhante àquele proporcionado por paredes de alvenaria. O detalhe é que o material utilizado é o mesmo dos elementos vazados comuns, argamassa de cimento e areia, na medida de 1:5 partes.
Cobogó
“Esse produto alia questões técnicas, culturais e econômicas que foram preservadas da referência já existente, incluindo o controle dos ruídos como mais uma propriedade, além da minoração da radiação solar, iluminação e ventilação natural”, complementa Bianca.
O nome comercial dos elementos vazados que tem origem nas iniciais dos sobrenomes dos engenheiros que desenvolveram essa inovação: Coimbra, Boeckmann e Góis. Também pode ser encontrado com o nome de Combogó em algumas regiões do país.
Os “cobogós” são elementos vazados, normalmente produzidos na forma de blocos e com tamanho de 15 x 20 centímetros. Podem ter forma regular ou não. Apresentam uma grande diversidade de modelos e materiais em sua composição.
A inovação
A inovação consta de uma modificação na forma do desenho dos blocos, o que dificulta a passagem de ondas sonoras e cria isolamento acústico. Os blocos tiveram seu formato alterado, foram criados pequenos desvios para a passagem do ar, de modo a dificultar a propagação das ondas sonoras.
Para essa pesquisa, os cobogós que foram testados são produzidos em argamassa de cimento e areia. Essa composição foi a que apresentou melhor desempenho identificado para as médias e altas faixas sonoras. Quando submetido a uma faixa sonora de 800 hertz, o bloco vazado registrou uma redução máxima de 37 decibéis.
Produção
A produção do elemento vazado procurou utilizar os materiais mais simples disponíveis no mercado. Com isso, se reduziu os custos dos testes, o que facilita sua futura utilização e produção em escala industrial. Essa pesquisa deve prosseguir a partir do emprego de novos materiais na produção dos elementos vazados. A pesquisadora enfatiza que “a pesquisa irá avançar no sentido de aprimorar a atenuação em baixas frequências, e a permeabilidade à ventilação natural, além da iluminação natural”.
Existe a possibilidade de produzir blocos de elementos vazados a partir de outros materiais. O novo modelo de elemento está em fase de registro de patente, depois do qual será analisada a viabilização da produção em escala industrial.
“A metodologia utilizada foi baseada na norma internacional ISO (ISO 140-5), a qual determina, através de medições in situ, o cálculo da Diferença Padronizada de Nível. Além da simulação de desempenho de ventilação natural em Computational Fluid Dynamics (CFD) que revelou uma aceleração dentro do bloco e a manutenção da característica de elemento vazado”.
Entrevistada:
Bianca Carla Dantas de Araújo
>> Currículo
- Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
- Mestra em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP).
- Doutoranda do programa de pós-graduação em tecnologia da arquitetura da FAUUSP.
- Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Conforto Ambiental, além de licenciamento ambiental de empreendimentos, atuando principalmente nos seguintes temas: conforto ambiental, tratamento acústico, meio ambiente.
Contato: dantasbianca@gmail.com
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
Redes sociais
Veja como manter a privacidade nas comunidades virtuais e a forma adequada de utilizá-las a seu favor
Por: Marina Pastore
Antes utilizadas apenas para entretenimento, as redes sociais serviam para entrar em contato com os amigos e também para “investigar” a vida alheia. Mas, este cenário mudou e o Facebook, Twitter e Orkut também passaram a ser alvo dos empregadores e profissionais de RH, que utilizam estes sites para analisar os perfis de possíveis candidatos ou até mesmo para monitorar seus funcionários.

Muitas pessoas podem considerar como uma invasão de privacidade ter seu perfil pesquisado pelas empresas. No entanto, para o coach e vice-presidente da Top Executives Net, rede social focada no segmento corporativo, Octavio Pitaluga Neto, não se trata disso. “Foi o próprio usuário que postou o conteúdo. As pessoas têm a opção de deixar as informações como privadas, mas se escolheram deixar públicas, elas estão sujeitas a isso”, afirma.
“A liberdade de expressão está garantida pela Constituição Federal, mas o excesso da liberdade de expressão é punido tanto pelo Código Civil como pelo Código Penal. Podemos publicar o que pensamos, mas respondemos pelo que postamos”, adverte Patricia Peck Pinheiro, advogada especialista em Direito Digital autora do livro “Direito Digital”.
Tropeços virtuais
Cometer uma gafe na internet muitas vezes pode custar caro. No caso de candidatos a uma vaga de emprego, por exemplo, ter uma comunidade que diz “odeio trabalhar” ou postar fotos comprometedoras em sua página da internet podem minar as chances de ser contratado ou até mesmo de participar de um processo seletivo.
E quem já está empregado também não escapa de ser monitorado. Criticar a empresa em que se está trabalhando, falar mal de colegas ou clientes e o excesso de exposição da imagem são alguns dos problemas que podem gerar demissão por justa causa.

“Hoje as empresas estão mais rigorosas, com aplicação de ética e princípios de governança corporativa. E algo publicado na internet se torna de conhecimento público, não dá mais para fazer ‘vista grossa’ e o envolvido quase sempre perde o emprego”, diz a advogada.
Pitaluga apresenta uma solução para evitar que as empresas se envolvam em escândalos cibernéticos por conta de atitudes dos funcionários: definir um líder-coach especializado em redes de relacionamento e realizar um treinamento com a equipe. Segundo ele, a Companhia pode orientá-los sobre como se apresentar nas redes sociais.
Utilizando as redes sociais a seu favor
Para conseguir bons resultados no campo profissional nas redes sociais, Pitaluga sugere adotar um posicionamento claro na internet, sendo criterioso e seletivo. É preciso ter em mente quem você é, o que faz de bom e oferece de valor. Se a intenção é arranjar um emprego ou alavancar a carreira, é aconselhável focar o conteúdo das comunidades virtuais no trabalho, evitando expor a vida pessoal.
Caso o profissional queira impressionar possíveis recrutadores através de seu perfil on-line, o coach apresenta algumas sugestões:
- manter uma rede de contatos razoável (quanto mais, melhor), pois estes candidatos podem representar uma oportunidade de negócio para a empresa;
- colocar informações sobre a atividade profissional que exerce;
- evitar a divulgação de material que possa prejudicá-lo, tais como brincadeiras e fotos comprometedoras.
Redes sociais para “turbinar” sua carreira ou a empresa:
LinkedIn: é uma rede social direcionada para contatos profissionais. O perfil do usuário traz informações sobre seus conhecimentos e realizações na carreira. Para as empresas, pode representar uma boa oportunidade para recrutar funcionários ou para entrar em contato com clientes e fornecedores de serviços.
Indica: assim como o LinkedIn, é uma rede de contatos profissionais, porém oferece a possibilidade de usuários indicarem pessoas para concorrer às vagas das empresas. Também pode recompensar os “indicadores” que fizerem boas recomendações. O grande benefício deste site para as organizações é que ele permite anunciar vagas, aplicar testes on-line e fazer uma pré-seleção dos candidatos.
Viadeo: permite anunciar vagas, encontrar clientes e especialistas no setor, além de propiciar o encontro com antigos colegas de trabalho ou de escola.
Twitter: o microblog permite postar apenas mensagens com até 140 caracteres. Cada vez mais as empresas têm utilizado esta ferramenta para fazer contato direto com os clientes. Os profissionais também podem fazer o uso do site para divulgar seu trabalho e suas ideias.
Facebook e Orkut: são os dois sites que mais reúnem usuários brasileiros. O intuito principal é o de trocar mensagens entre amigos. Embora não tenham caráter profissional, é bom ser cuidadoso com as informações postadas nestas redes sociais, pois um recrutador pode estar de olho nelas. As empresas, por sua vez, podem utilizar estas comunidades virtuais para divulgar seus produtos e serviços.
Entrevistados:
Octavio Pitaluga Neto
- Vice-presidente da rede de relacionamento Top Executives Net, focada no segmento corporativo.
- Coach internacional de negócios, palestrante, treinador, business networker.
- Colunista do Clube do Vendedor (http://www.clubedovendedor.com.br).
- Atuou como diretor do Ecademy, plataforma de business networking para o Brasil e América Latina.
- Trabalhou na Grupo Tele2 Europe, 3C Communications, Seara Alimentos (Grupo Cargill) e Kanematsu do Brasil.
- Possui MBA/MBI pela RSM Erasmus University (Holanda) e especialização em Comércio Exterior pela UFRJ/ECEX.
Contato: http://www.topexecutivesnet.com
Patricia Peck Pinheiro
- Advogada especialista em Direito Digital, sócia fundadora do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados (PPP Advogados).
- Formada pela Universidade de São Paulo, com especialização em negócios pela Harvard Business School, MBA em marketing pela Madia Marketing School.
- É autora do livro “Direito Digital”, co-autora do audiolivro e do pocket book "Direito Digital no Dia-a-Dia", e também co-autora do audiobook “Eleições Digitais”.
- Colunista do Conta Corrente da Globonews, do IDG Now e articulista do Valor Econômico, Revista Visão Jurídica, Revista Partner Sales, entre outros.
- Ministra aulas na pós-graduação do Senac-SP, Impacta, IBTA, Fatec-SP, assim como realiza treinamentos in company para diversas empresas.
Contato: www.pppadvogados.com.br
Leia mais sobre o assunto e saiba como as empresas de construção civil utilizam a internet.
Link: http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/a-insercao-digital-das-empresas-de-construcao-civil/
Interatividade
O que você acha das empresas que utilizam as redes sociais para recrutar profissionais? O uso das redes de relacionamento pelos funcionários pode atrapalhar as organizações?
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
A Norma Técnica de Desempenho ABNT NBR 15.575 em discussão
Construtoras pedem maior prazo de adequação à Norma de Desempenho para edificações habitacionais de até cinco pavimentos
Michel Mello
A Norma Técnica de Desempenho para edificações habitacionais de até cinco pavimentos –ABNT NBR 15.575 – Partes 1 a 6 – foi publicada no dia 12 de maio de 2008 e entrou em vigor em 12 de maio de 2010. Mas, ainda hoje é motivo de muita polêmica no setor da construção civil. O Item 1.2 do escopo da norma determina que ela não se aplica a projetos protocolados nos órgãos competentes até seis meses após a data da entrada em vigor. Portanto, a validade real é no dia 12 de novembro de 2010, quando todos os projetos protocolados devem obedecer ao que determina a NBR 15.575: 2008. Uma questão que chama atenção é o pedido de prorrogação do prazo para a validade desta norma, solicitado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção – CBIC junto ao Comitê Brasileiro da Construção Civil – CB - 02 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
O objetivo da norma é estabelecer critérios de desempenho para atender às exigências dos usuários de edifícios habitacionais, independentemente da maneira como a obra foi construída, atender, bem como, definir critérios mínimos para materiais em termos de desempenho acústico, térmico, de iluminação, hidráulica, dentre outros, além das características técnicas de pisos e coberturas em edificações de até cinco pavimentos. E essa parcela da construção inclui, desde os programas habitacionais de moradias populares como o Programa Minha Casa Minha Vida – PMCMV, do governo federal, até edifícios com cinco pavimentos, o que engloba as diferentes classes sociais e as diversas tipologias da construção. Além disso, a NBR 15.575 inclui um mecanismo de rastreabilidade para a construção, que permite, em casos de falhas de materiais ou estruturas, indicar e determinar responsabilidades.
No embate em prol da qualidade das edificações, estão de um lado as construtoras, representadas pela CBIC e sindicatos da construção civil, que argumentam que precisam de mais tempo para adequação à norma e citam o aumento de custos para construção. Incluindo a sobretaxação do valor de obras junto ao Tribunal de Contas da União – TCU. Já a ABNT, pretende validar a norma e realizar alterações pontuais em termos necessários.
Posição da ABNT

O superintendente do CB-02 da ABNT, Carlos Borges, afirma que: “todas as normas técnicas têm por objetivo melhorar a qualidade das obras, regular o mercado e atender ao consumidor de imóveis quanto as suas necessidades. As normas são um meio para que este objetivo seja atingido, mas não são absolutas e perfeitas e podem eventualmente existir tecnologias não normatizadas que também atendam aos mesmos objetivos”. O superintende garante que: “A atualização das normas técnicas não acompanha a velocidade das mudanças tecnológicas e é legítimo que em algumas situações possam ser utilizadas soluções não normatizadas, desde que haja comprovação sobre sua eficácia. Quanto mais rapidamente as normas forem atualizadas, menor será esta defasagem, daí a necessidade de uma mudança permanente”, completa. Confira a entrevista completa.
Existem questões sobre o desempenho acústico, térmico e de iluminação, além das características técnicas do piso em edificações de até cinco pavimentos que precisam de mudanças e maior discussão. É o que alega o setor da construção civil. Em sua opinião, a ABNT NBR 15575 perturba as construtoras?
ABNT: A norma foi publicada em 12 de maio de 2008 e teve dois anos de carência para que o setor da construção civil se preparasse para atendê-la. Isto não aconteceu na prática e, com a vigência da norma, agora há uma preocupação do mercado quanto à dificuldade de atender aos requisitos de desempenho e o aumento de custo decorrente de sua aplicação. Acho que a norma precisa de revisão, de discussão, sem dúvida e poderia até ter a sua vigência adiada, mas de nada adianta isso acontecer se não houver um comprometimento setorial de mudança verdadeira na forma de conceber, projetar e executar as edificações para o desempenho.
Haverá prorrogação de prazo para a entrada em vigor da ABNT NBR 15.575?
ABNT: Será feito um pleito para a ABNT neste sentido e entendo que seja sensato adiar o prazo de vigência por certo período.
Há um argumento que essa norma pode impactar as construções, sobretaxando as obras pelos TCUs e, inclusive, trazendo impactos ao PMCMV. Isso realmente pode acontecer? Existem medidas para contrabalançar esse efeito?
ABNT: Grande parte da Norma de Desempenho, mais de 80%, significa simplesmente atender a normas técnicas já vigentes. Ela remete a 157 normas prescritivas existentes e para quem já as atende, o impacto nos custos é pequeno. Durante o processo de elaboração da NBR 15.575, se procurou definir níveis de desempenho compatíveis com a realidade técnico-econômica brasileira, mas existe uma abertura para revisar aquilo que eventualmente esteja exagerado ou tecnicamente difícil de ser atendido. Como ninguém ainda aplicou integralmente a norma, há muita desinformação e muita gente reclamando mais pelo medo do desconhecido do que propriamente por entender o que está sendo cobrado. De qualquer forma, a decisão de atender a norma é uma decisão da empresa e não do departamento de engenharia, pois os empreendimentos precisam ser concebidos desde a fase inicial para o desempenho. Uma obrigação do incorporador é identificar riscos previsíveis na época do projeto e caracterizar as condições do entorno, como o nível de ruído externo, clima, insolação, contaminações etc. Precisamos ter uma visão global da construção e não pensar apenas no custo da construção.
Posição das construtoras

Georgia Grace Bernardes, consultora especialista da CBIC, órgão de classe que representa as construtoras, argumenta em razão da prorrogação e esclarece na entrevista a seguir.
Qual a razão do pedido de prorrogação da data de entrada em vigor da ABNT NBR 15575?
CBIC: A cadeia produtiva da construção vem se reunindo sistematicamente para discutir as implicações da exigibilidade da norma e reconhece o importante avanço que o documento traz. Contudo, faltam informações técnicas (resultados de ensaios) de desempenho dos materiais e sistemas construtivos por parte dos fabricantes. O que inviabiliza a elaboração de novos projetos baseados em desempenho, já que o número de laboratórios capacitados é muito pequeno no país. Logo, existe a necessidade de investir em desenvolvimento e inovação de produtos e isso gera uma preocupação com o aumento de custos das obras. A isso se soma a necessidade de aprimorar o conceito vida útil de projeto e as responsabilidades decorrentes. Com isso, desenha-se um contexto de mercado ainda não preparado para atender a NBR 15575.
Quais pontos da norma geram mais dúvidas?
CBIC: Com relação ao desempenho acústico, há dúvidas sobre isolamento de janelas, portas externas, lajes e pisos. Já o desempenho térmico necessita de maior clareza nas metodologias de ensaio. O desempenho de iluminação, o coeficiente de atrito do piso e a vida útil do projeto que precisam de mais esclarecimentos também.
As mudanças geradas pela NBR 15575 podem aumentar os custos de programas habitacionais como PMCMV?
CBIC: Com certeza. Um exemplo disso é que hoje no mercado de janelas, apenas os modelos conhecidos como 'top de linha', ou seja, aqueles que possuem vidros duplos de 9mm e são usados em construções de alto padrão, atendem o parâmetro de desempenho acústico. Precisam ser desenvolvidos cálculos completos e consistentes para mensurarmos o real impacto na construção.
Adequação à NBR 15.575
Além disso, a Caixa Econômica Federal – CEF vem intermediando as discussões entre os diversos setores envolvidos e também alterando padrões e requisitos para os projetos de financiamento. Desde 2009, a Caixa vem financiando apenas obras em que o uso de madeiras tenha origem de procedência certificada. Esse é um grande passo em direção à normatização em termos de materiais e processos.
E está marcada para o dia 03 de setembro, às 14h, uma reunião na sede da ABNT. No encontro serão debatidos os termos de um possível adiamento da entrada em vigor da NBR 15575. Aguarde mais informações em nossa cobertura exclusiva sobre a repercussão da norma técnica de desempenho.
Entrevistados:
Carlos Borges
Currículo:
- Engenheiro civil, diretor da Construtora Tarjab.
- Superintendente do Comitê Brasileiro da Construção Civil (ABNT/CB-02).
- Coordenador da elaboração da norma ABNT NBR 15575:2009 - partes 1 a 6;
- Membro do Conselho Consultivo do SindusCon-SP e vice-presidente do Secovi-SP.
Contato: carlos.borges@tarjab.com.br
Georgia Grace Bernardes
Currículo:
- Engenharia Civil pela Universidade Federal de Uberlândia.
- Especialista em MBA em Gestão Ambiental.
- Consultora da CBIC desde janeiro de 2010.
Contato: assessoria.tecnica@cbic.org.br