Tecnologia em concreto recupera estradas no PR
Concessionárias reconstroem pontes e investem em contenção de encostas para superar danos causados pelas chuvas nas BR-277 e BR-376, no litoral paranaense
Por: Altair Santos
Em março de 2011, duas das principais rodovias federais que cruzam o Paraná foram afetadas por enxurradas, que causaram destruição de pontes e deslizamentos. Na BR-277, entre Curitiba e Paranaguá, a concessionária Ecovia estima que até setembro todas as obras de recuperação estejam finalizadas. Elas incluem a reconstrução de três pontes: a do km 26, sobre o Rio Sagrado II, que teve sua cabeceira danificada, e as do km 24, no Rio Sagrado I, e km 18, no Rio Jacareí, que foram totalmente destruídas.

Para acelerar as obras, a Ecovia optou por recuperar a ponte sobre o Rio Sagrado II, na região do município de Morretes, utilizando estruturas em aço. O uso desta tecnologia é permitido por que a estrutura da obra não foi comprometida. “Somente suas cabeceiras foram danificadas. Daí a utilização da técnica. Já as pontes do quilômetro 24 e do quilômetro 18 terão novos projetos da engenharia, com estrutura em concreto”, revela Evandro Couto Vianna, diretor-superintendente da concessionária.
O representante da Ecovia explica que a causa dos danos nas pontes não foi o fato de elas serem antigas - algumas com mais de 30 anos - mas a quantidade de entulhos trazida pela enxurrada, o que gerou pressão sobre as estruturas, resultando na queda. “Além do que, apesar de terem estruturas antigas, as pontes são periodicamente inspecionadas por equipes da concessionária e recebem manutenção sempre que necessário”, completou.
Além das obras de recuperação a cargo da Ecovia, outras pontes em rodovias estaduais localizadas no litoral paranaense também serão recuperadas. O investimento soma R$ 7.440.808,00 e será feito pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para reerguer quatro pontes em concreto na PR-408 - sobre o Rio Sagrado II, com 50 metros de extensão; sobre o Rio Sambaqui, com 28 metros; sobre o Rio Sapitanduva, com 44 metros, e sobre o Rio São Joãozinho Feliz, com extensão de 40 metros. “Nosso objetivo é restabelecer, até o segundo semestre do ano, a trafegabilidade em toda a malha rodoviária estadual do litoral”, destaca o superintendente Leste do DER, engenheiro Gilberto Loyola.
BR-376
Na BR-376, principal ligação entre o Paraná e o litoral de Santa Catarina, as chuvas causaram queda de barreiras em vários trechos. Para acabar com esses transtornos, a concessionária Autopista Litoral Sul informa que as obras para contenção de encostas na rodovia estão em andamento e incluem drenagem, estabilização, implantação de barreiras de contenção, aplicação de concreto (cortina atirantada) e grampeamento do solo.
A cortina atirantada é uma tecnologia de contenção em concreto armado e é recomendada para cortes em terrenos com grande carga ou que apresentem pouca estabilidade. O processo de execução normalmente é dividido em quatro etapas: perfuração, instalação dos tirantes (monobarra ou cordoalha de aço), injeção da nata de cimento e protensão dos tirantes. Já o grampeamento do solo é uma técnica de reforço de solo em que se empregam inclusões semi-rígidas denominadas grampos, que podem ser barras de aço, barras sintéticas de seção cilíndrica ou retangular, microestacas ou, em casos especiais, estacas.




Entrevistado
Evandro Couto Vianna, diretor-superintendente da Ecovia
Currículo
Crédito fotos: Divulgação/Ecovia/Orlando Kissner/AEN/PRF
Por: Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330s
- Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia Kennedy, de Belo Horizonte (MG)
- Possui especialização em MBA em Gestão Empresarial – Faculdade Internacional Facinter de
Curitiba/IBPEX (PR)
- Foi engenheiro chefe das áreas de Planejamento e Controle de obras da Mendes Júnior Engenharia S.A e Via Engenharia S.A
- Foi Gerente de Administração do Contrato e Gerente de Operação na Ecovia
- É diretor-superintendente da Ecocataratas, desde março de 2008, e também da Ecovia desde janeiro de 2007
Contatos: comunicacaosul@ohlbrasil.com.br / erika.martins@br.mslworldwide.com (assessoria de imprensa) / imprensa@ecovias.com.br / eversonm.nqm@ecovia.com.br (assessoria de imprensa) / http://www.ecovia.com.br
http://www.autopistalitoralsul.com.br/
Garagem vira patrimônio valioso nas grandes cidades
Crescimento da frota nacional causa disputa intensa para estacionar veículos e desafia engenheiros e arquitetos
Por: Altair Santos
A cidade de São Paulo atingiu em abril de 2011 a marca de 7.012.795 veículos. São 5.124.568 de carros, 889.164 motos, triciclos e quadriciclos, 718.450 microonibus, caminhonetes e utilitários, 158.190 caminhões e 42.367 ônibus. Se todos resolvessem circular ao mesmo tempo pelos 17,4 mil quilômetros de ruas e avenidas da capital paulista causariam um colapso no trânsito. Enfileirados, precisariam de pelo menos 42 mil quilômetros para não se amontoarem. Diante destes números, a pergunta que se sobressai é: há lugar para guardar tantos veículos? Seguramente, não. Por isso, cada vez mais, as garagens têm se tornado um patrimônio valioso nas grandes cidades.

Em municípios brasileiros com mais de 400 mil habitantes, o mercado imobiliário já registra uma inversão de valores. Os consumidores estão preferindo mais vagas de garagem que área útil. “O apartamento pode não ser tão grande, mas se oferecer duas ou três vagas a compra será concorrida. Hoje, dependendo da cidade, uma vaga extra de garagem valoriza o imóvel em até R$ 150 mil”, revela o arquiteto e consultor Eduardo Araújo Junqueira Reis, especialista em circulação urbana e diretor da ONG Ruaviva, Instituto da Mobilidade Sustentável. Por conta dessa necessidade de espaço para os veículos, construir prédios está cada vez mais desafiador para engenheiros e arquitetos.
Projetar garagens virou um jogo de xadrez para os profissionais da engenharia. Até por que, muitas vezes, o terreno onde será erguida uma edificação nova não tem tamanho suficiente para comportar um número máximo de vagas, que contemple todos os apartamentos. “Exige cálculos apurados, por que arquiteto e engenheiro têm de conseguir o número máximo de vagas sem uma atrapalhar a outra”, diz Eduardo Junqueira, citando que em alguns edifícios de São Paulo a solução arquitetônica encontrada tem sido construir garagens com o pé direito alto, o que permite a instalação de equipamentos hidráulicos (elevadores de veículos) que aproveitam o espaço aéreo do estacionamento.
Outra opção são os edifícios-garagem, que em algumas cidades fora do Brasil, como Paris, na França, estão veementemente proibidos de serem construídos. “Há décadas eles proíbem a construção de edifícios-garagem. A decisão é acertada, por eles concluírem que esse tipo de edificação atrai veículos e gera mais congestionamento”, afirma o arquiteto da ONG Ruaviva. “Essa é uma tendência que se propaga entre as prefeituras de cidades do primeiro mundo. Elas então reduzem as áreas de estacionamento nas regiões centrais, para forçar a utilização do transporte público”, completa.
Nem Curitiba escapa
Investir maciçamente em transporte público é a tese da qual compartilha Eduardo Junqueira, para que os espaços urbanos não se tornem reféns dos veículos. “Vai chegar um momento em que a própria situação física das cidades não vai permitir mais a circulação de automóveis. Aí a sociedade vai cair em si e verificar que é incompatível o número de veículos com a área urbana oferecida”, resume. Neste caso, nem Curitiba, que exportou ao mundo o modelo de transporte coletivo com base em corredores de ônibus, está conseguindo contornar o problema. A capital paranaense, segundo a mais recente estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados disponibilizados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), ocupa o topo do ranking do número de carros per capita.
Com 1,8 milhão de habitantes, Curitiba conta atualmente com uma frota de 1.210.507 automóveis - média de um carro para cada 1,53 pessoa. Entre as capitais, supera inclusive São Paulo, que tem um automóvel para cada 1,57 pessoa, e fica distante também das demais capitais da região Sul. Florianópolis, com 408.161 habitantes, tem 248.673 carros - um para cada 1,64 pessoa -, enquanto Porto Alegre tem um automóvel para cada 2,10 pessoas. Não é à toa que, em Curitiba, segundo dados do Secovi-PR (Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná), as assembleias de condomínio saltam de uma taxa de presença de 30% para 70% quando o assunto a ser debatido é vaga para veículos. O que move os condôminos é a disputa por espaço para estacionar os veículos - o desafio das grandes cidades brasileiras.
Capitais com mais automóveis por habitante*
Curitiba-PR: 1.851.215 habitantes. Frota de 1.210.507 – média de 1 carro para 1,53 habitante
Goiânia-GO: 1.281.975 habitantes. Frota de 827.077 – média de 1 carro para 1,55 habitante
São Paulo-SP: 11.037.593 habitantes. Frota de 7.012.795 – média de 1 carro para 1,57 habitante
Florianópolis-SC: 408.161 habitantes. Frota de 248.673 – média de 1 carro para 1,64 habitante
Palmas-TO: 188.645 habitantes. Frota de 99.785 – média de 1 carro para 1,89 habitante
Belo Horizonte-MG: 2.452.617 habitantes. Frota de 1.253.773 – média de 1 carro para 1,96 habitante
Vitória-ES: 320.156 habitantes. Frota de 156.933 – média de 1 carro para 2,04 habitantes
Campo Grande-MS: 755.107 habitantes. Frota de 368.760 – média de 1 carro para 2,05 habitantes
Porto Alegre-RS: 1.436.123 habitantes. Frota de 683.325 – média de 1 carro para 2,10 habitantes
Brasília-DF: 2.606.885 habitantes. Frota de 1.182.308 – média de 1 carro para 2,20 habitantes
Cuiabá-MT: 550.562 habitantes. Frota de 249.294 - média de 1 carro para 2,21 habitantes
Boa Vista-RR: 266.901 habitantes. Frota de 103.116 – média de 1 carro para 2,59 habitantes.
Porto Velho-RO: 382.829 habitantes. Frota de 142.848 – média de 1 carro para 2,68 habitantes.
Aracaju-SE: 544.039 habitantes. Frota de 193.347 – média de 1 carro para 2,81 habitantes.
Natal-RN: 806.203 habitantes. Frota de 262.143 – média de 1 carro para 3,08 habitantes.
Rio de Janeiro-RJ: 6.186.710 habitantes. Frota de 1.991.786 – média de 1 carro para 3,11 habitantes.
Rio Branco-AC: 305.954 habitantes. Frota de 97.893 - média de 1 carro para 3,13 habitantes.
Teresina-PI: 802.537 habitantes. Frota de 256.461 – média de 1 carro para 3,13 habitantes.
João Pessoa-PB: 702.235 habitantes. Frota de 212.713 - média de 1 carro para 3,30 habitantes.
Recife-PE: 1.561.659 habitantes. Frota de 465.038 - média de 1 carro para 3,36 habitantes.
Fortaleza-CE: 2.505.552 habitantes. Frota 666.372 - média de 1 carro para 3,76 habitantes.
Manaus-AM: 1.738.641 habitantes. Frota de 422.039 - média de 1 carro para 4,12 habitantes.
Macapá-AP: 366.484 habitantes. Frota de 85.442 - média de 1 carro para 4,29 habitantes.
São Luís-MA: 997.098 habitantes. Frota de 226.469 - média de 1 carro para 4,40 habitantes.
Maceió-AL: 936.314 habitantes. Frota de 192.582 - média de 1 carro para 4,86 habitantes.
Salvador-BA: 2.998.056 habitantes. Frota de 615.908 - média de 1 carro para 4,87 habitantes.
Belém-PA: 1.437.600 habitantes. Frota de 272.107 - média de 1 carro para 5,28 habitantes.
*Pesquisa IBGE, sobre dados de Denatran, de setembro de 2010
Entrevistado
Eduardo Araújo Junqueira Reis, arquiteto e urbanista ligado à ONG Ruaviva
Currículo
- Graduado em Arquitetura, pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP)
- Possui mestrado em Engenharia Urbana, pela Universidade Federal de São Carlos (SP)
- Curso de aperfeiçoamento em 1983: La Sécurité des Piétons en Milieu Urbain, École Nationalle des Ponts et Chaussées, em Paris (França)
- Foi diretor de Trânsito da BHTRANS e da Secretaria de Transportes de Santo André (SP), onde coordenou programas de segurança e cidadania no trânsito
- Atualmente é consultor em trânsito e Diretor do RuaViva, Instituto da Mobilidade Sustentável
Contato: eduardo@ruaviva.org.br
Crédito foto: Divulgação/ Ruaviva
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Construção civil redescobre engenheiro de minas
Profissão é uma das mais antigas do Brasil e vive atualmente forte demanda no mercado de trabalho. Especialista tem sido requisitado para várias áreas
Por: Altair Santos
Uma das graduações mais antigas do país é a de Engenheiro de Minas. Ela remonta do século 19, quando foi criada em Ouro Preto-MG a Escola de Minas de Ouro Preto – hoje, Universidade Federal de Ouro Preto. A formação de profissionais nesta área vem desde 1876 e atualmente trata-se de um setor que tem à disposição um intenso mercado de trabalho. “Está excelente o mercado, tanto para planejamento e projeto quanto operação de minas e de beneficiamento mineral”, revela o professor Adriano Heckert Gripp, coordenador do curso de graduação em Engenharia de Minas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

O engenheiro de minas Plínio Cristiano Camboim de Oliveira, membro do conselho setorial da indústria mineral da FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), confirma que a situação para os profissionais da área é de pleno aquecimento. “O mercado tem se mostrado muito bom para a Engenharia de Minas. Após muitos anos de estagnação ou pouco crescimento, tem absorvido muito a mão de obra qualificada deste profissional. Um bom exemplo da crescente demanda, é que nos últimos anos foram abertas novas faculdades no Brasil, inclusive faculdades particulares”, relata.
Os cursos mais tradicionais de Engenharia de Minas estão nas universidades federais de Ouro Preto, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Campina Grande, Bahia e Pernambuco, além da Universidade de São Paulo (USP). Desde 2004, o curso tem se propagado para outros centros de ensino superior, como a Universidade Federal do Pará, a Universidade Estadual de Minas Gerais e a Universidade Federal de Goiás. Para Osvaldo Lameiras Claus, que é engenheiro de mineração formado pela UFMG, em 1985, e que atualmente é gerente de mineração da Cia. de Cimento Itambé, as universidades do Paraná já deveriam pensar em oferecer o curso. “Com a demanda crescente por esse profissional, seria interessante que ele fosse ofertado no Estado”, diz.
Hoje a atuação do engenheiro de minas é extremamente diversificada. Ele está presente em toda a atividade de mineração, seja na exploração mineral, na lavra das minas (explotação), nas usinas de beneficiamento mineral, em projetos para estas áreas ou na comercialização dos produtos. “Ele ainda pode agir na interface entre a mineração e o meio ambiente e, fora do setor mineral, atuar também em obras de túneis, estabilização de maciços, construções de barragens e outros empreendimentos que apliquem as tecnologias e conhecimentos de escavações”, explica Plínio Camboim.
Do ferro ao cimento

Para os profissionais que queiram se especializar, no Brasil já há um bom número de cursos de pós-graduação que abrangem a Engenharia de Minas. “Várias universidades também oferecem programas de mestrado e doutorado, principalmente na área de beneficiamento mineral”, informa o professor Adriano Heckert Gripp, da UFMG. “Há também especializações em áreas técnicas específicas, como lavra de bens minerais, processamento mineral, avaliação de recursos minerais, avaliação econômica, engenharia de petróleo e gestão ambiental”, completa Camboim.
O setor da mineração de ferro é o que hoje mais absorve engenheiros de minas, mas o cimenteiro tem aumentado a demanda por esse profissional. “Nós mesmos estamos com processo aberto para contratar um engenheiro de minas”, revela Osvaldo Lameiras Claus, da Itambé. Segundo ele, na indústria cimenteira o especialista nesta área precisa abastecer com quantidade e qualidade a fábrica. Além disso, atuar, junto com geólogos, na prospecção de calcário, que é a matéria-prima para a produção de cimento. Atualmente, em sua mina, a Cia. de Cimento Itambé tem uma reserva de 300 milhões de toneladas de calcário, com capacidade de abastecimento estimada em 150 anos.
Entrevistados
Adriano Heckert Gripp, Coordenador do curso de graduação em Engenharia de Minas da UFMG
Plínio Camboim, membro do Conselho Setorial da Indústria Mineral da FIEP
Osvaldo Lameiras Claus, gerente de Mineração da Cia. de Cimento Itambé
Currículos
Adriano Heckert Gripp
- Graduado em Geologia, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
- Possui especialização em Geoestatística, pela Escola Nacional Superior de Minas de Paris, na França
- Doutorado em Geologia, Universidade de Nice, na França
- Atua na coordenação e participação em projetos com financiamento FINEP, CNPq, FAPEMIG e de várias empresas de mineração
- Atualmente é coordenador do curso de graduação em Engenharia de Minas da UFMG
Plinio Cristiano Camboim de Oliveira
- Engenheiro de Minas formado na Universidade Federal de Ouro Preto, em 1993
- Mestre em Engenharia Mineral pela Escola Politécnica da USP, em 2000
- Desde 1994 é sócio da Terra Engenharia em Mineração Ltda, empresa de consultoria no setor de mineração, com sede em Curitiba
- Foi presidente da AEMPAR (Associação dos Engenheiros de Minas do Paraná)
Osvaldo Lameiras Claus
- Graduado em Engenharia de Minas pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 1985
- Gerente de Mineração da Cia. de Cimento Itambé
Contatos: gripp@demin.ufmg.br / pliniocamboim@terraminer.com.br
Créditos fotos: Divulgação/Arquivo pessoal
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Só empresas preparadas vão lucrar com a Copa
Estudo encomendado pelo Sebrae à Fundação Getúlio Vargas mostra que evento vai gerar muitos negócios para a construção civil, mas também será seletivo
Por: Altair Santos
Recente pesquisa encomendada pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) à FGV (Fundação Getúlio Vargas) aponta que a construção civil é a mola-mestra dos negócios que já estão sendo gerados em torno da Copa do Mundo de 2014. Para o setor, o evento deve ser visto como mobilizador e acelerador de processos e oportunidades.

É o que revela Dival Schmidt Filho, coordenador do comitê técnico do Programa Nacional para Atuação do Sistema Sebrae na Copa de 2014. Ao mesmo tempo, o gestor revela que as empresas precisam estar organizadas para se candidatar às possibilidades de negócios que despontam no país. As que não estiverem adequadas, avalia o estudo do Sebrae, não terão como competir. Confira na entrevista a seguir como se dará esse processo seletivo:
O “Mapa de Oportunidades para as Micro e Pequenas Empresas nas Cidades-Sede” apontou que a Copa do Mundo criará 128 grandes oportunidades para as pequenas empresas da construção civil. Que oportunidades são essas?
São oportunidades vinculadas às várias funções do setor, mas as principais dizem respeito às atividades como canteiros de obras, parte administrativa, fornecimento de alimentação, manutenção e proteção patrimonial. Tem também as áreas de fiscalização e gerenciamento, ligadas a certificação de qualidade, controle tecnológico de resistência de concreto, auditorias, serviços médicos e de saúde, equipes de proteção, equipamentos tipos EPI’s, meio ambiente, proteção e segurança no trabalho, além das obras civis propriamente ditas, que dizem respeito ao parque de instalações, paisagismo, pavimentação, sinalização e terraplanagem. Incluem-se ainda a parte de projetos, como elaboração e serviços especializados, além da função relacionada a materiais e insumos, que está mais vinculada ao fornecimento à parte comercial da construção civil.
A construção civil é o setor que mais irá se beneficiar do evento? O estudo mostra com qual fatia ela ficará do total de recursos a serem investidos na Copa?
Obviamente é um dos setores que mais se beneficiará, até por que os investimentos estão fortemente vinculados à parte relativa a infraestrutura, mobilidade urbana e arenas desportivas. Então, o conjunto destes investimentos iniciais atinge ao redor de 20 bilhões de reais. Agora, na própria construção civil o setor de serviços é fortemente beneficiado, assim como o setor de tecnologia da informação. Mas a construção civil é a mola-mestra, pois hoje ela é o setor mais procurado e mais demandando para a Copa do Mundo, e a partir dela forma-se um encadeamento produtivo, beneficiando outros setores.
Qual a lição de casa que uma pequena empresa da construção civil precisa fazer para estar entre as que irão se beneficiar do evento?
Para que estas empresas estejam realmente aptas para participar deste processo de oportunidades elas precisam ter requisitos que as credenciem. Trata-se de um conjunto de processos, tanto na área de gestão como na parte de formalização e de documentação em geral. Como o foco do evento é fazer uma Copa Verde, empresas que tenham programas voltados à sustentabilidade e com certificações levam vantagem. É fundamental para as empresas que elas comecem o dever de casa identificando e avaliando se têm ou não requisitos para entrar neste jogo. O estudo do Sebrae preceitua isso, junto com a Fundação Getúlio Vargas, como condição sine qua non para entrada neste processo de oportunidades.
Quem ainda não está estabelecido como empreendedor da construção civil e quer entrar no mercado agora, para aproveitar oportunidades de negócios gerados pela Copa, tem alguma chance de prosperar?
O Sebrae tem programas para novos empreendedores, novos entrantes que vislumbrem neste evento mobilizador a oportunidade de desenvolver negócios. Agora, é importantíssimo ressaltar que a Copa do Mundo é um evento mobilizador, acelerador de processo, é um evento de oportunidades, mas não é a solução para a expansão de negócios. É preciso que, quando se pense em estabelecer novos negócios para aproveitar oportunidades, se vislumbre também a perspectiva da estratégia do médio e longo prazo para que não haja nenhum processo de frustração. A Copa tem data de vencimento, que é 2014. Pode haver uma expansão até 2016, por conta das Olimpíadas, mas volto a ressaltar: o evento é mobilizador e acelerador de processos.
Das 12 subsedes da Copa, quais devem gerar mais negócios?
Existe um cronograma de investimentos públicos que beneficiam a todas elas. Os valores vão variar, logicamente, em função dos planejamentos e dos programas que estão definidos. Algumas delas, que já têm boas estruturas, vão aperfeiçoar estas estruturas; outras vão criar estas estruturas, principalmente na área de mobilidade urbana e na área de infraestrutura. Todas vão ter benefícios de fluxo de investimento para garantir uma participação efetiva de oportunidade.
Por regiões do país, em específico o Sul, há dados sobre o impacto do evento na construção civil do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul?
Especificamente, no Rio Grande do Sul e no Paraná, que serão subsedes, há uma situação peculiar, pois os dois estados terão arenas privadas. Além disso, são cidades que já têm uma organização urbana bastante razoável e cujo investimento maior será na mobilidade. Tem também a parte ligada à infraestrutura aéreo-portuária, mas o volume de investimentos estão extremamente direcionados em três grandes vetores: infraestrutura; mobilidade urbana e serviços em geral. Esta última parte alcança o turismo, que num determinado período, principalmente durante o evento, vai ter um efeito muito significativo.
O Sebrae prepara seminários para que essas empresas possam saber aproveitar as oportunidades geradas pela Copa? Que seminários são esses?
Começamos no ano passado um processo de divulgação em algumas cidades. A partir deste mês de maio, vamos começar um programa de doze eventos que vão exatamente colocar em prática o programa e os seus principais efeitos, que visam a busca da convergência dos interesses dos ofertantes e das demandas decorrentes destas oportunidades.
O “Mapa de Oportunidades para as Micro e Pequenas Empresas nas Cidades-Sede” revela o quanto de emprego será criado e quais as especialidades que serão mais procuradas pelo setor da construção civil?
O que nós temos hoje, em termos de estudo que quantifica emprego, está na ordem de uns três milhões e meio, mais ou menos. Este é um estudo econométrico feito pela Ernest&Young e pela Fundação Getúlio Vargas. Então, eles sinalizam esse volume de empregos, mas na sua grande maioria temporários. O esforço dos agentes de desenvolvimento do país é fazer com que a maioria destes empregos temporários se torne permanentes.
Dos 9 setores da economia mapeados pelo Sebrae, quais serão os mais beneficiados, além da construção civil?
O turismo vai ser extremamente ativo, assim como a tecnologia de informação, o agronegócio, principalmente no campo de produtos orgânicos, e áreas como madeira e móveis, vestuário, moda, têxtil e confecção. São setores que poderão tirar bom proveito do evento mobilizador que é a Copa do Mundo.
Entrevistado
Dival Schmidt Filho, coordenador do comitê técnico do Programa Nacional para Atuação do Sistema Sebrae na Copa de 2014
Currículo
Graduado em economia, já atuou na Embratur (Empresa Brasileira de Turismo) e hoje ocupa a coordenação do comitê técnico do Programa Nacional para Atuação do Sistema Sebrae na Copa de 2014
Contato: dival.schmidt@sebrae.com.br
Crédito: Bernardo Rebello/Agência Sebrae
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Reordenar as cidades é desafio para o Brasil
Arquiteto Carlos Leite defende que país crie agências para gerenciar a transformação nas metrópoles e ressalta que a construção civil está fazendo seu papel
Por: Altair Santos
Se o Brasil quiser mudar a cara de suas grandes cidades, estimulando um reordenamento urbano, precisa criar agências que promovam essa transformação. A ideia é defendida pelo arquiteto e urbanista Carlos Leite, que usa casos de sucesso pelo mundo afora para sustentar a tese. “Todos os países que promoveram redesenvolvimento urbano fizeram isso. Criaram agências para garantir a continuidade de um plano para além do mandato ou da gestão de um prefeito ou de um governante. O grande truque é este. É a grande razão do sucesso no mundo inteiro, seja nos Estados Unidos, na Europa ou na Ásia. É a agência quem faz a gestão. No Brasil, não tem isso. Nós até hoje não conseguimos criar nenhum tipo de agência de desenvolvimento urbano”, alerta.

Segundo Carlos Leite, apesar de Barcelona, na Espanha, ser o exemplo costumeiramente citado pelos urbanistas, é na cidade de Portland, nos Estados Unidos, onde ocorrem atualmente as transformações mais significativas. “A sociedade civil, com a participação intensa do mercado imobiliário, está revitalizando o centro da cidade, fazendo com que as famílias troquem o modelo de morar no subúrbio. Com isso, a classe média está voltando para o centro, usando menos o carro e optando pelos transportes públicos modernos”, diz, citando que outra cidade que passa por processo semelhante é Bogotá, na Colômbia. “Hoje ela é um case em termos de sustentabilidade e isto acontece em um país mais pobre, o que mostra que é possível”, completa o arquiteto.
No Brasil, o modelo de agência de desenvolvimento urbano defendido por Carlos Leite poderia promover a compactação das cidades. “Fazendo cidades mais compactas a gente otimiza todas as infraestruturas, sejam elas de mobilidade, abastecimento de água, energia ou coleta de lixo”, avalia. Para ele, São Paulo poderia ser um exemplo de que é possível fazer esse reordenamento urbano. “A cidade não está mais crescendo no ritmo em que cresceu no século passado, quando teve 27.000% de expansão populacional e 43.000% de expansão territorial. Agora dá para planejar, investindo na mobilidade, reurbanizando as áreas industriais e projetando novos bairros. O tempo perdido no século 20 pode ser recuperado no 21”, analisa Carlos Leite.
Atores da transformação
Como o Brasil não possui organismos que fomentem o urbanismo sustentável, o que acontece é que instituições ligadas à construção civil, como SindusCon, CREA, Institutos de Engenharia e de Arquitetura, além do SECOVI, é que têm desempenhado esse papel. “Todos eles demonstram um grau de competência muito grande, orientando e capacitando seus filiados para construírem edifícios sustentáveis de todos os usos. Com isso, vai se moldando um novo espaço urbano, num processo que começou há quatro anos no Brasil e tem crescido”, diz o arquiteto, que vê o setor da construção civil como elemento protagonista nesta transformação. “Precisamos usar esta força, este ator econômico importante, para ajudar no processo de crescimento e desenvolvimento urbano sustentável”, completa.
Entrevistado
Carlos leite, arquiteto e urbanista
Currículo
- Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP)
- Mestre em Habitação pela California Polytechnic State University
- Arquiteto do Stuchi & Leite Projetos
- Consultor da Fundação Dom Cabral
- Professor titular da Fundação Instituto de Administração
- Especializações em City Sustentabilidade e Inovação (Smart/Cidades Criativas), Desenvolvimento Sustentável e Gestão, Regeneração Urbana e Arquitetura
Contato: carlos@stuchileite.com
Crédito Foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Nova política de desenvolvimento prioriza inovação
Plano ainda está em fase de elaboração pelo governo federal, mas especialistas avaliam que investimento em infraestrutura e logística não pode ser esquecidos
Por: Altair Santos
O governo federal tem a expectativa de lançar ainda neste semestre a nova versão da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), que substituirá a que prevaleceu de 2008 a 2010. O plano é que a PDP2, como está sendo chamada, norteie a indústria nacional até 2014 e corrija equívocos decorrentes da PDP. A expectativa é de que o foco da nova política, que está em fase de elaboração na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abdi) – vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – valorize cadeias produtivas mais intensivas em tecnologia e inovação, para gerar produtos de maior valor agregado para o país. Para isso, o governo estaria disposto a investir R$ 37 bilhões em três anos.

Segundo a assessoria de comunicação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a ideia é que a presidente Dilma Rousseff lance a nova Política de Desenvolvimento Produtivo entre o final de maio e começo de junho de 2011. Apesar de o governo dar poucos detalhes sobre o que virá no conteúdo da PDP2, especialistas sinalizam que a carta n.º 461 do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), publicada em abril, traz um escopo do projeto. Um dos trechos aborda a questão da sustentabilidade, que também deve ser uma das prioridades da PDP2, principalmente ao que se refere à indústria da construção civil.
Diz trecho da carta n.º 461: “Sabe-se que as sociedades estão cada vez mais exigentes com relação a um crescimento sustentável e que fronteiras de investimento estão aparecendo de forma exponencial nessa área. Caberia à PDP identificar setores promissores voltados para a produção de bens e tecnologias “verdes” e contemplá-los em sua política. Um estudo ainda inédito do IEDI sobre as experiências de diversos países nessa área mostrou que estão se desenvolvendo grandes oportunidades de negócios em setores ligados à chamada economia verde.”
Mas para o presidente da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), Gerson Schimitt, que vem acompanhando o desenvolvimento da nova versão da Política de Desenvolvimento Produtivo, não é apenas por causa da sustentabilidade que o setor da construção civil será estratégico se a PDP2 quiser mesmo enfrentar os gargalos que impedem o Brasil de ter uma indústria mais competitiva. “A principal prioridade do plano deve ser desenvolvimento. Ele deve estar muito focado em investimentos de obras de grande porte, infraestrutura, fomento e inovação”, avalia.
Gerson Schimitt acha que no item inovação, o governo deve privilegiar investimentos na área de Tecnologia da Informação. “O Brasil precisa gerar conhecimentos replicáveis que possam ser levados a mercados, que gerem patentes, que gerem propriedade intelectual para que o país forme um arcabouço de ofertas cada vez melhor, mais sofisticado, tanto para o mercado interno como para reverter a nossa balança comercial que é negativa no setor”, completa.
É consenso entre quem acompanha com expectativa o lançamento da PDP2, que o pré-sal, pelo tamanho que ele representa em termos econômicos, deve dominar boa parte da nova política. Mas, de acordo com Gerson Schimitt, pode ser um erro se ela der prioridade máxima à descoberta de petróleo em alto mar. “O pré-sal pode ser uma grande fonte de recursos, mas sua exploração não será eterna. Acho que as questões estruturais do país, na parte agrícola, na infraestrutura de logística e na questão de tecnologia de ponta devem ser prudentemente tratadas, por que senão, em longo prazo, o preço será alto”, analisa o presidente da ABES.
A opinião coincide com outras sugestões dadas na carta n.º 461 do IEDI, que são:
1) Caberia valorizar mais as cadeias produtivas que agregam maior valor, que são mais intensivas em tecnologia e difusoras de inovação. A perspectiva de maior crescimento de longo prazo da economia autoriza que venhamos a conceber programas mais ousados de atração de inversões internas e internacionais para os setores de tecnologia.
2) Uma política mais ambiciosa de formação de recursos humanos também merece maior atenção da política industrial, o que poderia ser estimulado pela aproximação do Ministério de Educação, das instituições já existentes de fomento à pesquisa e aperfeiçoamento de pessoas e das demandas das empresas.
3) Um ponto crucial será reforçar e ampliar as medidas para área de exportação de manufaturas. Além de avançar na desoneração tributária das exportações, é preciso centrar esforços para conciliar, com mais eficácia, as restrições impostas por acordos e negociações internacionais e os objetivos da política industrial. Deve-se reconhecer também que a diplomacia brasileira pode atuar como uma grande aliada da PDP. Reforçar nosso setor exportador passa também por medidas que visam a aumentar a internacionalização das empresas brasileiras e dotá-las de maior capacidade inovadora.
4) No campo de sua coordenação e gestão a PDP deveria merecer uma reflexão em profundidade. A estrutura de governança da PDP é bem formulada. No entanto, é imprescindível que sua execução prime pela celeridade e não fique comprometida por falta de decisão e coordenação das iniciativas ou pela divisão de poderes. Nesse aspecto, a PDP poderia talvez se inspirar no que foi feito no PAC, que tinha no titular da Casa Civil uma liderança com autoridade para articular instrumentos, coordenar ações e cobrar resultados.
Entrevistados
Gérson Schmitt, presidente da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software)
IEDI (Instituto de Estudos para o desenvolvimento Industrial)
Currículo
- Gérson Maurício Schmitt é mestre em Administração de Empresas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP)
- Possui 25 anos de experiência no mercado de TI (Tecnologia de Informação), é sócio da Paradigma Tecnologia de Negócios S/A e anteriormente atuou como presidente do Grupo Battistella.
- Desde 2010 é presidente da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software)
Contatos: administrativo@abes.org.br / diretoria@abes.org.br / instituto@iedi.org.br
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Engenharia Civil da UEM destaca-se em ranking nacional
Investimento na qualificação dos professores fez com que curso da Universidade Estadual de Maringá ocupasse o 7.º lugar, segundo levantamento do MEC
Por: Altair Santos
O mais recente ranking sobre o desempenho das instituições de ensino superior do país, divulgado em janeiro de 2011 pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), destacou as 100 faculdades, centros universitários e universidades que têm os melhores cursos de Engenharia Civil. A lista se utiliza das notas do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) de 2009. No Paraná, a melhor ranqueada foi a Universidade Estadual de Maringá (UEM), que obteve nota 3,89.

O Enade é aplicado a alunos ingressantes e concluintes de cursos superiores, com o objetivo de aferir a qualidade do ensino. Cada graduação recebe uma nota em uma escala de 1 a 5, sendo que 1 e 2 são considerados desempenho insatisfatório; 3, razoável; e 4 e 5, bom. Dos cursos de Engenharia Civil que se submeteram ao Enade, apenas cinco obtiveram nota acima de 4 (confira abaixo o ranking completo).
Ressalte-se que, por não ser obrigatória, algumas universidades não participaram da avaliação. Por isso, cursos superiores que reconhecidamente são bem conceituados na graduação Engenharia Civil, como os casos da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade de Campinas), além da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), não aparecem no ranking do INEP, que é ligado ao Ministério da Educação (MEC).
No Paraná, além da UEM, aparecem no ranking a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), em 15.º, com nota 3,57; Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 26.º, com 3,18; a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em 33.º, com 3,04; a Universidade Positivo, em 38.º, com 2,88; a Pontifícia Universidade católica do Paraná (PUC-PR), em 67.º, com 2,33; a Universidade Tuiuti do Paraná, em 79.º, com 2,19, e a Faculdade Dinâmica das Cataratas, em 96.º, com 2,01.
Para ocupar o 7.º lugar na lista, a Universidade Estadual de Maringá priorizou a qualificação dos professores. “Hoje contamos com um quadro de professores que tem 80% de doutores. Associado a isso, promovemos práticas de melhoria da nossa infraestrutura de laboratório e infraestrutura de sala de aula. Também reformulamos o projeto pedagógico. Tentamos colocar um conteúdo mais avançado para incorporar novas tecnologias e dar a ele um perfil mais prático. Hoje o curso é mais direcionado a práticas de laboratório e práticas de projetos, principalmente”, explica Jeselay Hemetério Cordeiro dos Reis, coordenador do curso de Engenharia Civil da UEM.
O curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Maringá vai completar 40 anos em 2012. Para comemorar a data, houve investimento na modernização dos laboratórios. “Para dar exemplo, renovamos os laboratórios de topografia, onde os teodolitos foram substituídos por equipamentos que usam GPS. Além disso, estamos melhorando os laboratórios de geoprocessamento, de materiais de construção, de mecânicas de solo e de pavimentação. Por isso, atualmente, temos 36 projetos de pesquisa em andamento”, revela o coordenador do curso, que conta atualmente com 470 alunos.
Alta empregabilidade
Para manter essa taxa de estudantes a UEM desenvolveu uma série de ações para combater esta evasão. A universidade diagnosticou que boa parte dos alunos trazia como herança formação inadequada no ensino médio e desconhecimento da profissão de engenheiro civil. “Agimos nas duas pontas, para primeiro fornecer um nivelamento básico para os nossos alunos e depois orientá-los sobre a profissão, principalmente nas séries iniciais. Isso fez com que a nossa evasão, que chegou a quase 40%, hoje esteja em torno de 5%. Abrimos anualmente 84 vagas e estamos formando 80”, diz Jeselay Hemetério Cordeiro dos Reis.
O nível de empregabilidade dos alunos formados em engenharia civil pela UEM está em 87%. A região de Maringá absorve 40% deles. Os demais obtêm vagas em outras regiões do Paraná, em Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e interior de São Paulo. Há graduados da UEM também atuando nos estados do Pará, da Paraíba, Rondônia e Acre.
Ranking dos 100 melhores cursos de Engenharia Civil, segundo o INEP
1 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO - PUC-RIO - 4,59
2 - INSTITUTO MILITAR DE ENGENHARIA - IME - 4,43
3 - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA - UNB - 4,22
4 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS - UFSCAR - 4,10
5 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA - UFSC - 4,02
6 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS - 3,90
7 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ - UEM - 3,89
8 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ - 3,89
9 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL - 3,87
10 - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO- UNESP - 3,83
11 - FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA - UFV - 3,78
12 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS - UFG - 3,77
13 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO - UENF - 3,75
14 - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO - UNESP - 3,70
15 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ - UNIOESTE - 3,57
16 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE - UFRN - 3,46
17 - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - UNIJUI - 3,39
18 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA - UFU - 3,33
19 - FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC - 3,31
20 - UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO - UPF - 3,30
21 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS - 3,30
22 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS - UFMG - 3,30
23 - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE - UFF - 3,27
24 - UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - UERJ - 3,20
25 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA - UFSM - 3,18
26 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA - UEL - 3,18
27 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE - 3,17
28 - UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL - ULBRA - 3,13
29 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO - UFES - 3,13
30 - UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS - 3,07
31 - UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE - MACKENZIE - 3,06
32 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL - PUCRS - 3,05
33 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA - UEPG - 3,04
34 - CENTRO UNIVERSITÁRIO DO INSTITUTO MAUÁ DE TECNOLOGIA - CEUN-IMT - 3,01
35 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE - FURG - 2,98
36 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ - UFC - 2,94
37 - UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA - UNOESTE - 2,92
38 - UNIVERSIDADE POSITIVO - UP - 2,88
39 - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO - UNESP - 2,87
40 - UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP - 2,85
41 - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - UFBA - 2,80
42 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA - UFJF - 2,80
43 - UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - UNIVALI - 2,77
44 - UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP - 2,73
45 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO - UFMT - 2,72
46 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA - UFRR - 2,70
47 - UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI - UAM - 2,70
48 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE - UFAC - 2,69
49 - UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ - UNITAU - 2,69
50 - UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ - UNOCHAPECÓ - 2,64
51 - UNIVERSIDADE GAMA FILHO - UGF - 2,63
52 - UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU - USJT - 2,59
53 - FACULDADE ASSIS GURGACZ - FAG - 2,57
54 - CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL INACIANA PE SABÓIA DE MEDEIROS - FEI - 2,56
55 - UNIVERSIDADE DE FORTALEZA - UNIFOR - 2,51
56 - UNIVERSIDADE ANHANGUERA - UNIDERP - UNIDERP - 2,50
57 - UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA - UNOESC - 2,48
58 - UNIVERSIDADE REGIONAL INTEGRADA DO ALTO URUGUAI E DAS MISSÕES - URI - 2,46
59 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ - UFPI - 2,45
60 - UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ - UNESA - 2,45
61 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS - PUC MINAS - 2,44
62 - UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA - UNISANTA - 2,42
63 - UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA - UVA - 2,36
64 - CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE BARRETOS - UNIFEB - 2,36
65 - UNIVERSIDADE DE MARÍLIA - UNIMAR - 2,35
66 - UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA - UNISUL - 2,34
67 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ - PUCPR - 2,33
68 - UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PELOTAS - UCPEL - 2,33
69 - FACULDADE IDEAL - FACI - 2,32
70 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO - UFOP - 2,31
71 - UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP - 2,30
72 - FACULDADE DE ENGENHARIA DE SOROCABA - FACENS - 2,29
73 - UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO - UNINOVE - 2,28
74 - FACULDADE DE ENGENHARIA SÃO PAULO - FESP - 2,27
75 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS - UFAM - 2,24
76 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE - UFCG - 2,22
77 - UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL - UNICSUL - 2,19
78 - UNIVERSIDADE DE FRANCA - UNIFRAN - 2,19
79 - UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ - UTP - 2,19
80 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ - UFPA - 2,18
81 - UNIVERSIDADE DE UBERABA - UNIUBE - 2,18
82 - FACULDADE ANHAGUERA DE JUNDIAÍ - - 2,18
83 - UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO - USF - 2,17
84 - UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC - 2,15
85 - FACULDADE REDENTOR - FACREDENTOR - 2,13
86 - FACULDADE DE ENGENHARIA DA FUNDAÇÃO ARMANDO ALVARES PENTEADO - FEFAAP - 2,12
87 - CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA - UNISUAM - 2,11
88 - UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA - UNIVAP - 2,08
89 - ESCOLA DE ENGENHARIA DE PIRACICABA - EEP/FUMEP - 2,07
90 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS - PUC GOIÁS - 2,07
91 - UNIVERSIDADE POTIGUAR - UNP - 2,06
92 - CENTRO UNIVERSITÁRIO LUTERANO DE PALMAS - CEULP - 2,05
93 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS - PUC-CAMPINAS - 2,04
94 - UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU - FURB - 2,03
95 - UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB - 2,02
96 - FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS - UDC - 2,01
97 - CENTRO UNIVERSITÁRIO MOURA LACERDA - CUML - 2,00
98 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS - UEG - 2,00
99 - FACULDADE DE ENGENHARIA SOUZA MARQUES - FESM - 2,00
100 - CENTRO UNIVERSITÁRIO NOSSA SENHORA DO PATROCÍNIO - CEUNSP - 1,99
Entrevistado
Professor Doutor Jeselay Hemetério Cordeiro dos Reis, coordenador do curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Maringá
Currículo
Graduado pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP/São Carlos), com doutorado em 2006 pela mesma escola, defendendo a tese Modelo de atrito estático em interfaces de contato entre concreto e areia.
Contatos: jhcreis@uem.br / jeselay@hotmail.com
Crédito Foto: Divulgação/UEM
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Minha Casa, Minha Vida 2 esbarra em gargalos
Aprovação de Medida Provisória no Congresso, redefinição da faixa de zero a três salários mínimos e burocracia para viabilizar inovações tecnológicas atrasam programa
Por: Altair Santos
O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) se pretende mais ambicioso nos próximos quatro anos. A meta do governo federal é construir mais dois milhões de moradias na segunda etapa do plano habitacional, até 2014. Segundo a Medida Provisória (MP) 514, que detalha essa nova fase do MCMV, serão investidos R$ 16,5 bilhões no programa. A liberação destes recursos ainda depende da aprovação da MP no Congresso e a expectativa é de que apenas no segundo semestre de 2011 a Caixa Econômica Federal inicie a liberação destes recursos.

A segunda etapa do Minha Casa, Minha Vida terá como foco central as famílias com renda até R$ 1.395,00 – a chamada faixa de zero a três salários mínimos. O plano é direcionar 60% do investimento para essa camada de assalariados. O problema é que, com o reajuste do salário mínimo - hoje em R$ 545,00 -, essa faixa de zero a três precisa ser redefinida, assim como os subsídios custeados pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). No Paraná, hoje, esse valor chega a R$ 17 mil.
Segundo Waldemar Trotta Júnior, engenheiro civil e vice-presidente financeiro do SindusCon-PR, é essa questão que precisa ser resolvida. “O que não tem é uma definição do zero a três. O governo não passou preço novo, não passou projeto novo e é isso que precisa ser formalizado, pois na época eram três salários mínimos, continua se falando zero a três, mas hoje não é mais zero a três”, explica. A faixa a que se refere Trotta ainda tem preços vinculados ao salário mínimo de R$ 465,00, que prevalecia em 2009.
Os mais prejudicados por esse impasse são os chamados pequenos construtores. Em 2010, em todo o país, eles foram os responsáveis por absorver 80% dos projetos voltados à base da pirâmide do Minha Casa, Minha Vida - exatamente a que se concentra na faixa de zero a três salários mínimos. Para eles, o problema é que os valores definidos pelo governo estão congelados, mas o custo da obra, o custo dos terrenos e a demanda só fazem aumentar. “Os imóveis estão sendo avaliados acima deste valor, os imóveis estão subindo muito”, alerta Waldemar Trotta Júnior.
Mesmo assim, de acordo com o vice-presidente financeiro do SindusCon-PR, é viável atingir a meta de dois milhões de moradias até 2014, desde que, além desta questão do financiamento, sejam resolvidos gargalos estruturais. “É preciso investir em inovações tecnológicas nas novas construções, tendo em vista que a mão de obra está em situação de quase pleno emprego. Para você aumentar a produção de moradias é preciso industrializar, que é o que as empresas construtoras estão tentando fazer. Só que a aprovação dos chamados sistemas construtivos inovadores demora muito para receber a liberação de recursos da Caixa Econômica. Se esta aprovação tiver uma celeridade maior, o patamar de dois milhões será atingido e até superado”, avalia Trotta.
Mais casas no Paraná
O SindusCon-PR se mostra otimista com os recentes programas habitacionais lançados no Paraná. Em março de 2011, saiu do papel o Morar Bem Paraná, que pretende atender 100 mil famílias do Estado em quatro anos. O plano será encabeçado pela Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná). Já a Cohab (Companhia de Habitação Popular de Curitiba) tem agido mais para a faixa de zero a três salários mínimos. Atualmente, em parceria com a Caixa Econômica Federal, a companhia viabiliza 2.858 unidades habitacionais no bairro Ganchinho, em Curitiba. Com recursos do MCMV, as obras estão estimadas em R$ 146,7 milhões. “Para zerar o déficit habitacional brasileiro o Minha Casa, Minha Vida precisa de celeridade. Caso isso não ocorra, devido ao crescimento vegetativo da população, o déficit não vai acabar nunca”, destaca o vice-presidente financeiro do SindusCon-PR.
Entrevistado
Waldemar Trotta Júnior, vice-presidente financeiro do SindusCon-PR
Currículo
Waldemar Trotta Júnior é graduado em engenharia civil e diretor-presidente da Trocon Engenharia Civil Ltda.
Contato: trocon@trocon.com.br / imprensa@sindusconpr.com.br (assessoria de imprensa)
Crédito: Divulgação/Cohab
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Febrace faz geração Z redescobrir engenharia
Promovida desde 2003 pela USP, Feira Brasileira de Ciências e Engenharia estimula jovens do ensino fundamental e médio a abraçarem a profissão
Por: Altair Santos
Em 2012, a Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia) comemora sua 10.ª edição. O evento, promovido pela Universidade de São Paulo (USP), tornou-se referência no Brasil para a captação de jovens talentos voltados para a pesquisa e a inovação tecnológica. Anualmente, ele atrai estudantes do ensino fundamental, médio e técnico de todas as regiões do país. Em 2011, a feira contou com 302 projetos desenvolvidos por 670 estudantes. O que chamou a atenção foi a quantidade de trabalhos voltados especificamente à engenharia. Foram 68, com destaque para a eletrônica, a mecânica e a civil.

Segundo a coordenadora da Febrace, Roseli de Deus Lopes, o que se percebe é que a feira tem conseguido estimular a chamada geração Z – termo que define os nascidos desde a segunda metade da década de 90 – a redescobrir a engenharia. “Eles têm potencial para a área de engenharia e a gente tem tido todos os anos uma quantidade razoável de projetos nesta área”, diz. Na edição de 2011, a engenharia eletrônica foi contemplada com 30 projetos, a mecânica com 12 e a civil com 8. “O interesse é despertado quando eles veem que estão usando o conhecimento para resolver um problema de verdade”, avalia Roseli de Deus Lopes.
Dos trabalhos voltados para a engenharia civil, um dos que mais chamou a atenção foi o que estudava escória de alto forno como matéria-prima para produzir areia artificial. “Houve também projetos que envolviam engenharia civil e elétrica, como os de residências inteligentes. Além disso, entre os estudos com materiais alternativos de baixo custo, tinha um que agregava fibras de aço como elemento estrutural no cimento”, explica a coordenadora da feira. “Eram todos projetos muito focados e interessados em apresentar soluções. Isso mostra que quando os jovens são provocados pelos educadores eles vão fundo”, completou.
Semeando o futuro
Como resultado do que é apresentado na Febrace está a qualificação dos alunos que participam da feira em boas universidades e a viabilidade de alguns projetos, quando são encampados por parceiros da Febrace. “As empresas enxergam a Febrace como um semear para colher lá na frente. Elas sabem que em pouco tempo os jovens que se apresentam na feira estarão aptos para entrar no mercado de trabalho. Então, elas investem para que eles continuem se desenvolvendo”, revela Roseli de Deus Lopes, destacando que uma das virtudes da Febrace é dar visibilidade aos jovens e identificar talentos.
A feira também abre portas para que alguns trabalhos participem de feiras internacionais, como a Intel Isef (International Science and Engineering Fair), que acontece na Califórnia (EUA) e reúne cerca de 60 países. “Tem também outras iniciativas. No ano passado (2010) a gente levou cinco estudantes para um acampamento científico na Coréia do Sul. Tem também a indicação de alunos para o Instituto Weissman, de Israel, onde os selecionados fazem uma imersão em pesquisas”, afirma a coordenadora da feira. De acordo com dados da Febrace, entre 60% e 70% das escolas participantes da feira são técnicas públicas. Há também uma boa adesão de escolas bancadas por fundações sem fins lucrativos.
Para a edição 10 da Febrace, em 2012, Roseli de Deus Lopes revela que o eixo principal será buscar parcerias mais sólidas para a feira. “Principalmente com empresas em que a gente possa investir no desenvolvimento destes talentos, pois não basta chegar lá na ponta e descobrir que ele existe. É importante fazer um acompanhamento, para que eles realmente cresçam e não fiquem com aquela sensação de que mostraram um projeto na feira, mas não conseguiram viabilizar. A meta é ajudá-los a transformar a ideia em um produto de verdade”, finaliza a coordenadora da Febrace.

Entrevistada
Roseli de Deus Lopes, coordenadora da Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia)
Currículo
- Professora Doutora Livre-Docente do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
- Graduada em Engenheira Elétrica pela Universidade de São Paulo, mestrado e doutorado pela Escola Politécnica da USP.
- Participa ativamente em organizações técnicas e profissionais nacionais e internacionais como a SBC (Sociedade Brasileira de Computação), IEEE (The Institute of Electrical and Electronics Engineering) e ACM (Association for Computing Machinery).
- Coordena projetos de desenvolvimento de jogos colaborativos. É responsável pela concepção e viabilização da FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia) onde atua como coordenadora geral desde 2003.
- Atua, desde meados de 2005, na análise técnico-econômica e de aplicabilidade na Educação Básica do projeto Um Computador por Aluno (UCA), por meio do LSI-EPUSP com apoio do MCT e MEC.
- É membro do Grupo de Trabalho Assessor do MEC relacionado ao projeto UCA, desde janeiro de 2007.
Contatos: roseli@lsi.usp.br / roseli.lopes@lsi.usp.br / gim.arruda@hotmail.com (assessoria de imprensa) / elena@lsi.usp.br (assessoria de imprensa) / vitor@lsi.usp.br (assessoria de imprensa)
Crédito Fotos: Divulgação/USP
ornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Balanço ecológico é favorável ao setor de cimento no Brasil
Arnaldo Forti Battagin, gerente dos laboratórios da ABCP, afirma que indústria cimenteira do país é referência para o mundo em inovações ambientais
Por: Altair Santos
Um setor que tem índice de conformidade às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) de quase 100% e que investe maciçamente em seu parque industrial, sobretudo em inovações voltadas ao meio ambiente. É assim que se comporta a indústria nacional de cimento, como revela a entrevista com o gerente dos laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) Arnaldo Forti Battagin. Segundo ele, as cimenteiras do país são hoje referência mundial, além de tornarem-se estratégicas para o desenvolvimento econômico do Brasil. Confira:

O cimento brasileiro é um dos produtos de mais alta qualidade produzido no país. Pelo PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat) atingiu índice de conformidade de 99,6%. A que se deve essa excelência do produto?
Sem dúvida esses números foram conseguidos pela cultura da qualidade estabelecida no setor de cimento há muito tempo. Quando se fala sobre conformidade, o termo se refere à conformidade às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e é necessário esclarecer que as primeiras normas da ABNT, envolvendo todos os setores, foram sobre cimento. São as antigas EB-1 e MB-1 - Especificação de cimento e Métodos de ensaio de cimento -, respectivamente. Portanto, é tradição do cimento brasileiro primar pela qualidade.
Além do PBQP-H e das normas da ABNT, existe também o selo de qualidade da ABCP. O que esse selo exige para que uma empresa possa conquistá-lo?
Existe um procedimento que regula a concessão do selo e a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) usa o modelo 5 da ISO. Na verdade, o selo é concedido ao produto e não à empresa, e para consegui-lo essa empresa precisa ser associada da ABCP e evidenciar conformidade de seu cimento às normas da ABNT. Em linhas gerais, isso é feito através de amostragens periódicas de cimento nas próprias fábricas, geralmente feitas por órgãos coletores, qualificados pela ABCP. Essas amostras são divididas e uma parte é analisada na fábrica e outra na ABCP ou no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Os resultados são confrontados e não havendo diferenças significativas servem para avaliar os resultados do autocontrole. Esse autocontrole consiste na análise diária de todo cimento produzido e a cada 45 dias o conjunto desses resultados de análise - no jargão, conhecido como mapão de autocontrole. Os resultados são enviados à ABCP, para tratamento estatístico, que decide pela continuidade ou não da concessão do selo de qualidade ABCP para cimento Portland.
Hoje todas as cimenteiras do Brasil estão adequadas à ABNT, ao PBQP-H e têm o selo de qualidade da ABCP?
Os sites dessas entidades indicam quais produtos possuem esse diferencial, mas o importante para o consumidor é ter a garantia de que estão adquirindo um produto que tenha um selo ou marca de conformidade concedida por uma entidade idônea.
Em quais áreas a indústria cimenteira mais investiu recentemente: tecnologia para melhorar o produto, equipamentos para fazer o controle ambiental ou na expansão de seus pólos industriais?
Os investimentos vêm progredindo ao longo do tempo. Tanto, que hoje o setor apresenta um parque industrial moderno, que opera com 99% dos fornos pelo sistema via seca, o que garante a diminuição do uso de combustíveis em até 50%. Além disso, os altos níveis de eficiência energética são conseguidos com pré-aquecedores e pré-calcinadores que reaproveitam os gases quentes da saída do forno para pré-aquecer a matéria-prima, previamente à entrada do forno, diminuindo o consumo de combustíveis. Multiqueimadores desenvolvidos para queima simultânea de combustíveis alternativos e convencionais (coque de petróleo, óleo combustível e carvão mineral e vegetal), sistemas de filtro de alto desempenho, monitoramento on line de gases para controle ambiental e do processo fazem com que sejam praticados índices específicos de consumo térmico médio de 2730 MJ/t de cimento (653 kcal/kg ou 825 kcal/kg de clínquer). Adicionalmente, graças aos moinhos e separadores de alta eficiência, o consumo elétrico de 107 kWh/t de cimento, atingiram metas que são reconhecidas como parâmetros de referência em âmbito mundial segundo a Agência Internacional de Energia.
A indústria do cimento no Brasil, comparado com outros setores, emite bem pouco CO₂. No entanto, sempre é citada como uma das vilãs quando o assunto é agressão ao meio ambiente. Por que ela não consegue ser excluída deste grupo? Falta mais divulgação das ações, no que se refere ao controle ambiental?
Não acredito que deva ser considerada vilã, mas é necessário reconhecer que a fabricação de cimento gera impactos ambientais. Isso não é exclusividade do setor, mas de toda a cadeia da construção, como a produção de agregados, a indústria da cal, da areia, do aço, dos aditivos químicos e das tintas. Ao mesmo tempo, essa mesma indústria da construção é considerada um dos principais indicadores de desenvolvimento de uma nação, representando o crescimento real das áreas urbanas, organização e reorganização dos sistemas de infraestrutura e obras necessárias ao desenvolvimento social. O cimento, através do concreto, está presente nesse processo como o material mais produzido e utilizado nas construções brasileiras, sendo empregado em edificações, pontes, estradas, barragens e outros tipos de obras. Resumindo, seu uso crescente implica também em atividades impactantes, assim como o próprio desenvolvimento econômico de um país gera situações de impacto ao ambiente. Enfrentar esse desafio é um dever de todo o setor da construção civil. Neste sentido, a ABCP, como representante dos fabricantes de cimento, procura cumprir seu papel ao promover boas práticas e difundir o conhecimento sobre vantagens competitivas do concreto, novas tecnologias e prevenção de patologias, que visam o aumento da durabilidade e da vida útil das estruturas de concreto, com o objetivo de reduzir o consumo de matérias-primas, a geração de poluentes, o consumo energético e os custos adicionais com reparos, renovação e manutenção das construções. E assim demonstrar que o balanço ecológico é favorável para o setor de cimento.
No universo acadêmico brasileiro, o cimento é objeto de pesquisas ou são incipientes os estudos sobre o produto nos centros de pesquisa das universidades?
Para responder essa questão torna-se oportuno esclarecer que diferentemente do concreto, cuja inovação é bastante visível, com pesquisas acadêmicas que resultaram no aparecimento dos concretos de pós-reativos, concretos de elevadíssimas resistências, concretos autolimpantes, concretos autoadensáveis, o cimento Portland, como material, já atingiu um alto patamar de qualidade e competitividade e de tecnologia de fabricação. O grande desafio que ora se configura para a indústria de cimento mundial é a diminuição das emissões dos gases de efeito estufa, principalmente o CO₂, por fazer parte do processo de fabricação desse insumo. Portanto as inovações ou pesquisas têm se direcionado à mitigação das emissões de CO₂. Embora existam importantes pesquisas em várias universidades brasileiras, elas são essencialmente pontuais. A universidade não vem contribuindo efetivamente para o tema.
Em termos de inovação, o que a indústria cimenteira brasileira tem feito para melhorar os agregados do cimento e aproveitar os resíduos na fabricação do produto?
A geração de resíduos representa um dos maiores desafios para a sociedade contemporânea. Atenta a essa questão, a indústria de cimento está utilizando seus fornos para a eliminação de resíduos industriais, numa atividade conhecida como coprocessamento. Para praticar o coprocessamento vem fazendo investimentos constantes para adaptar o processo produtivo para uso dos resíduos, quer como combustível alternativo quer como substituto de matéria-prima. Além dos benefícios ao meio ambiente, a atividade contribui para a economia de combustíveis fósseis e recursos naturais não renováveis, possibilita o melhor aproveitamento das matérias-primas, gera expressiva quantidade de empregos diretos e indiretos. O coprocessamento representa uma integração ambientalmente segura dos resíduos industriais com o processo de elaboração do cimento e é regulamentada, em nível nacional, pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). É uma alternativa economicamente competitiva com relação à disposição em aterros e incineração, e, ao contrário desses, se caracteriza pela destruição total de grandes volumes de resíduos, sem geração de novos passivos ambientais. Isso está contemplado como técnica de gestão ambiental na nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada pelo governo em agosto de 2010. Os principais resíduos coprocessados como combustíveis nas fábricas são: pneus, resíduos de tecidos, plásticos, misturas de resíduos sólidos das indústrias petroquímica, química, automobilística, siderúrgica, de alumínio, de embalagens e celulose, mistura de resíduos pastosos da indústria química e petroquímica, como borras de tintas; líquidos e outros. Como substituto de matéria-prima: resíduos das indústrias de alumínio e siderúrgica, solos contaminados, lamas de estação de tratamento de esgotos e similares.
Recentemente, por causa da alta demanda de consumo no Brasil, algumas grandes construtoras importaram cimento, principalmente o chinês. Além disso, algumas cimenteiras também importaram clínquer. Esse cimento vindo de fora, assim como o clínquer, tem qualidade ambiental?
Desconheço o assunto no que diz respeito à qualidade ambiental, pois a questão é inerente ao país de origem. O que a ABCP tem feito, efetivamente, é monitorar a qualidade desses cimentos importados pelas nossas associadas. Posso afirmar que eles são comparáveis aos cimentos brasileiros.
Comparado com o cimento produzido em outros países, dá para dizer que o cimento brasileiro é o mais ambientalmente correto do mundo?
Indubitavelmente a indústria do cimento no Brasil tem sido referência mundial na questão ambiental em publicações da Agência Internacional de Energia e da CSI, do WBCSD, sigla em inglês da Iniciativa de Sustentabilidade do Cimento do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável. Os números e gráficos a seguir economizam as palavras. De fato as figuras 1 e 2 apresentam a comparação dos índices de eficiência pelos vários países segundo dados referentes a 2003, compilados pelo SNIC (2009).

Figura 1 – Consumo comparativo de energia elétrica na produção de cimento (SNIC, 2009).

Figura 2 – Consumo comparativo de energia térmica na produção de cimento (SNIC, 2009).
A Figura 3 mostra que a indústria de cimento no Brasil apresenta um dos menores índices de emissão específica de CO₂: ou seja, aproximadamente 620 kg/tonelada de cimento, constituindo referência mundial do setor.
Figura 3– Comparação das taxas de emissão de CO2 no período 1990 a 2008 (WBCSD-CSI, 2009)
Entrevistado
Arnaldo Forti Battagin, gerente dos laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
Currículo
- Geólogo pelo Instituto de Geociências da USP (1974)
- Gerente dos laboratórios da ABCP
- Especialista nas áreas de tecnologia básica de cimento e concreto, durabilidade do concreto, técnicas experimentais e gestão da qualidade
- Representante da ABCP nas comissões de estudos de normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
- Autor e co-autor de mais de 60 trabalhos técnico-científicos publicados em revistas e congressos nacionais e internacionais
- Membro e representante da ABCP no Conselho Diretor do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON).
Contato: arnaldo.battagin@abcp.org.br
Crédito: Divulgação/ABCP
