SindusCon-PR prevê mais crédito imobiliário para 2012

Estimativa é que oferta cresça até 30% e consolide o Paraná como um dos cinco estados que mais recebem investimentos na construção civil

Por: Altair Santos

Em seu mais recente balanço anual, o SindusCon-PR (Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Paraná) apresentou números positivos. Previu um VAB (Valor Acrescentado Bruto) - o PIB do setor - consolidado em 4,8% para 2011 e estimou que em 2012 o índice atingirá 5,2%. Além disso, estimou que o crédito imobiliário seguirá em alta. A expectativa é que haja crescimento de 30% na oferta de recursos para construções habitacionais, o que fará com que o segmento siga como a locomotiva da construção civil no Paraná.

Paraná alcançou em 2011 o posto de número um no mercado imobiliário da região sul.

Segundo o presidente do SindusCon-PR, Normando Baú, as projeções para 2012 são sustentáveis, sobretudo por que o programa Minha Casa, Minha Vida tem uma demanda grande de contratos a serem firmados no Estado e por que a tendência é que as obras vinculadas ao evento Copa do Mundo de 2014 finalmente ganhem intensidade. "Teremos um volume grande de obras, principalmente em Curitiba, e isso garante um crescimento sustentável", diz Baú, cujo sindicato engloba três mil construtoras no Paraná - a maior parte de pequeno porte.

Além da capital paranaense, Londrina é a outra cidade do Estado com previsão de um número acentuado de obras. Por isso, avalia o SindusCon-PR,  o Paraná seguirá liderando a região sul na construção civil, consolidando-se como o quinto principal do Brasil no setor. "A economia estadual desacelerou menos no fim de 2011 do que em outros estados, o que estimula projeções positivas", analisa Marcos Kahtalian, diretor de marketing do SindusCon-PR.

Outra expectativa é que a construção civil paranaense se mantenha aquecida por conta do programa recentemente lançado pela prefeitura de Curitiba para mudar o perfil urbano da Linha Verde, e cujo investimento estimado é de R$ 3 bilhões. No balanço divulgado pelo SindusCon-PR, esse empreendimento é considerado um dos mais relevantes para 2012. "Com a possibilidade de ampliar as construções em altura, teremos maior volume de habitações e, consequentemente, mais emprego, renda e arrecadação ao município”, afirma Normando Baú.

O SindusCon-PR, no entanto, considera que há gargalos a serem superados no Estado para que a construção civil paranaense apresente números ainda mais relevantes. Entre eles, está a qualificação da mão de obra e o investimento na industrialização do setor. Por isso, em 2012, o sindicato pretende incentivar o combate à informalidade no interior do Paraná, para que os canteiros de obra atinjam níveis iguais aos já alcançados em Curitiba e região metropolitana. Também está nos planos do SindusCon-PR estimular o uso de tecnologia e racionalização de processos. “Ainda é necessário consolidar o setor, principalmente no que se refere a melhorar etapas de industrialização", conclui Marcos Kahtalian.

Entrevistados
Normando Baú e Marcos Kahtalian, respectivamente presidente e diretor de marketing do SindusCon-PR (via assessoria de imprensa)
Contato:
imprensa@sindusconpr.com.br (assessoria de imprensa)

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Projeto muda perfil urbano da Linha Verde

Prefeitura de Curitiba  estimula mercado imobiliário a construir no entorno da avenida, que envolve 22 bairros da capital 

Por: Altair Santos

A cadeia produtiva da construção civil instalada em Curitiba ganhou o incentivo que precisava para manter-se superaquecida. A prefeitura da cidade vai colocar em andamento, a partir de 2012, a Operação Urbana Consorciada Linha Verde. Trata-se de um programa que pretende estimular o mercado imobiliário a construir no entorno da avenida, e que engloba 22 bairros da capital paranaense. O plano será incentivado pela emissão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). São títulos de potencial construtivo, que, segundo projeções da prefeitura, devem gerar investimento de R$ 3 bilhões ao longo de 4 anos. 

Linha Verde: certificados de potencial construtivo devem atrair R$ 3 bilhões em 4 anos.

 

Os Cepacs potencializam uma área de construção de 4,475 milhões m2 ao longo do eixo urbano que corta Curitiba de norte a sul. Os títulos serão lastreados pela Câmara de Valores Mobiliários (CVM) e terão valor mínimo de R$ 200,00. A partir da vigência da lei, que ainda tramita na Câmara de Vereadores de Curitiba, o município poderá negociar os Cepacs na Bovespa (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo) emitindo em etapas 4,83 milhões de títulos, que poderão ser comprados por pessoa física ou jurídica. "O projeto representará um incremento significativo de obras, a partir da parceria público-privada”, avalia o presidente do SindusCon-PR, Normando Baú. 

A operação pretende mudar o perfil do entorno da Linha Verde, que hoje ainda concentra empreendimentos muito vinculados aos tempos em que o eixo era apenas uma extensão da BR-116. "A intenção do projeto é a diversificação de uso. Então, um percentual será para o setor habitacional e outros para negócios, como shopping centers, edifícios comerciais ou de uso misto", explica o arquiteto e urbanista Alexandre Pedrozo, da Ambiens Sociedade Cooperativa - Observatório de Políticas Públicas. Para implementar a mudança, a prefeitura de Curitiba dividiu a avenida em 3 setores: norte, central e sul. 

Ao norte serão 1,28 milhão m2, dos quais 75% (960 mil m2) para empreendimentos residenciais e 25% (320 mil m2) para não residenciais (comércio e serviços). Na área central, 1,27 milhão m2 - 60% (765 mil m2) para residências e 40% (510 mil m2) para edificações não residenciais. Ao sul, 1,92 milhão m2 de área adicional de construção, sendo 80% (1.535 mil m2) para habitações e 20% (385 mil m2) para empreendimentos comerciais. 

Revisão do atual projeto 

Os 3 setores somam 4,475 milhões de m2 de área, sendo 73% (3,26 mil m2) para habitações e 27% (1,21 mil m2) para o comércio e serviços. "A Operação Urbana redesenha o produto imobiliário da cidade. Ao invés de eu lançar o meu empreendimento de escritórios na rua X, eu vou lançar na Operação Urbana da Linha Verde. Em termos de diversificação de uso, o projeto está bem interessante", complementa Alexandre Pedrozo, destacando que a operação também irá propiciar uma revisão do atual projeto da Linha Verde, permitindo, por exemplo, que cruzamentos sejam substituídos por trincheiras. "Haverá também uma requalificação no projeto." 

O plano prevê a construção de 9 trincheiras e 18 praças (duas por trincheira, uma em cada lado) para o acesso e a transposição segura da Linha Verde por pedestres e ciclistas. Os equipamentos serão implantados entre as estações de transporte. Serão passagens livres, sem cruzamentos, distantes um quilômetro entre si, que valorizarão os empreendimentos pela facilidade de transposição e a existência de áreas verdes. Sob o gerenciamento do Ippuc e das secretarias municipais de Meio Ambiente e Obras Públicas, o projeto também irá mapear áreas de riscos de enchentes no entorno da Linha Verde. 

Entrevistado
Alexandre Pedrozo, arquiteto e urbanista da Ambiens Sociedade Cooperativa - Observatório de Políticas Públicas
Currículo

- Arquiteto e urbanista pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
- Especialista em políticas do solo, formado pelo Lincoln Institute, e em produção do espaço urbano e regional
- Trabalha desde 1997 com planos diretores municipais no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul (2003-2006)
- Atuou como consultor do ministério das Cidades e integrou equipes de planos de estruturação urbana nas províncias de Luanda e Kwanza Norte em Angola.
- Também foi professor de especialização da UFPR na disciplina instrumentos de gestão urbana e ambiental
Contato: alexandre@coopere.net

 Crédito: Joel Rocha/SMCS 

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Cimento é material didático da Universidade ABCP

Projeto destina-se a levar aos estudantes de engenharia soluções e tecnologias à base do material que compõe o DNA da associação

Por: Altair Santos

Braço tecnológico da indústria de cimento, a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) tem dado cada vez mais ênfase ao Projeto Universidades, que consiste em levar o ensino dos sistemas construtivos à base de cimento e concreto aos alunos de engenharia civil e arquitetura de várias instituições de ensino. O projeto interage com entidades de ensino técnico e superior e oferece atualização e material didático aos professores. É o que explica o coordenador do projeto, o engenheiro Hugo da Costa Rodrigues Filho, que é gerente de comunicação da ABCP, na entrevista a seguir. Confira:

Hugo da Costa Rodrigues Filho: até 2012, dez universidades estarão conveniadas.

O Projeto Universidades,  da ABCP, foi implantado quando e qual o objetivo?
Oficialmente, ele começou há três anos, em 2008, embora ações similares junto às escolas de engenharia do estado de São Paulo tenham sido conduzidas entre 1997 e 2001, dando à ABCP a base para organizá-lo como hoje ele tem sido conduzido. Entretanto, vale ressaltar que transferir tecnologia através de palestras e cursos faz parte do DNA da associação desde a sua fundação, em 1936. Portanto, há 75 anos ela atua junto às universidades, uma vez que é na academia que está grande parte do conhecimento.

O projeto é direcionado aos professores das universidades de engenharia e arquitetura ou atinge diretamente os alunos?
O projeto destina-se a atingir diretamente os alunos. Isto é, levar a eles o que existe de mais atual sobre sistemas, soluções e tecnologias à base de cimento e que estão sendo aplicados no mercado. Porém, os professores são o canal principal para levar tais informações aos alunos. Daí, sem a participação direta e entusiasmada do corpo docente, é impossível atingir de modo abrangente os alunos. Também deve-se destacar que tão importante quanto o entusiasmo dos professores, é o compromisso da direção da entidade de ensino com a implementação da proposta. Assim, a apresentação do Projeto Universidades da ABCP sempre é feita na presença dos coordenadores e diretores dos cursos ou das reitorias universitárias.

Quantas universidades já são parceiras do projeto?
Somamos hoje dez universidades, sendo sete conveniadas e três em processo, cuja formalização do convênio acontecerá no princípio de 2012. Entretanto, há 26 escolas que já manifestaram interesse e com as quais nos reuniremos para iniciar o processo, que passa pela apresentação à direção da escola e sua sensibilização, adequação de documentos, formalização da parceria e materialização da 1ª edição da proposta acordada.

E sobre as disciplinas, o material didático e a duração do curso?
Por sermos um país tradicionalmente construído em concreto, temos o privilégio de assistir a constante presença do cimento Portland na construção civil. Isso faz com que muitas das disciplinas da grade curricular deem ênfase às soluções que empregam cimento. Por outro lado, isso não é suficiente, porque há sistemas construtivos que são, a cada dia, mais estudados e aplicados no país, e que não são tratados nas escolas. É o caso, por exemplo, dos pavimentos de concreto, que ainda participam de modo tímido do modal de transportes do Brasil, mas cujo emprego está crescendo de modo expressivo, demandando futuros profissionais que conheçam ou já tenham ouvido falar da tecnologia. Desse modo, iniciamos todo o Projeto Universidades com o tema pavimento de concreto, porque ficou claro e comprovado que se trata de assunto não explorado no ensino superior, principalmente porque há uma cultura voltada a pavimentação flexível, ou seja, feita com asfalto. Assim, uma de nossas prioridades é tratar do tema pavimento em concreto, a ser contemplado nas disciplinas de estradas ou transportes dos cursos de engenharia civil.

E quanto ao material didático?
O material didático é totalmente fornecido pela ABCP, composto de cerca de 600 telas de apresentação em power point, mais vídeos e livros, que compõem 16 horas-aula, distribuídas em 5 módulos sequenciais e evolutivos sobre o tema. As aulas devem ser conduzidas diretamente pelos professores da escola, porém se houver alguma dificuldade inicial, em função do ainda pouco conhecimento do tema, instrutores especialistas da ABCP ministram a 1ª edição da atividade. Para 2012, material similar está sendo finalizado sobre alvenaria estrutural com blocos de concreto - outro tema bastante aplicado no mercado e que busca profissionais que o conheçam, mas que também não é tratado nos bancos universitários.

Qualquer universidade pode requisitar a participação no projeto ou a ABCP exige alguns requisitos, como a necessidade de laboratórios equipados, por exemplo?
Qualquer escola pode tomar parte do Projeto Universidades da ABCP. Basta ter interesse e solicitar conhecê-lo, visitando-nos ou pedindo uma visita para apresentação do projeto. Com respeito aos laboratórios, deve-se destacar que boas escolas de engenharia e arquitetura dispõem naturalmente de laboratórios equipados. Entretanto, para os temas mencionados – pavimento de concreto e alvenaria estrutural com blocos de concreto – caso não exista um laboratório, não prejudica o ensinamento dessas tecnologias.

São apenas as universidades que participam ou as escolas técnicas também são contempladas pelo projeto?
Apesar do nome do projeto, as escolas técnicas ou de tecnologia (as FATECs de São Paulo, por exemplo) podem também manifestar seu interesse pelo projeto e solicitar a adesão. Quanto antes acontecer uma ampla e sistematizada abordagem de sistemas ou soluções construtivas à base de cimento comumente aplicadas no mercado, mais cedo aqueles que virão a atuar na cadeia produtiva da construção civil conhecerão o tema e poderão gerenciar mais adequadamente a correta aplicação dessas soluções.

Quantos profissionais da ABCP estão envolvidos no projeto?
Todos os profissionais técnicos da ABCP se envolvem com os projetos da associação, uma vez que todos – projetos e profissionais - são vocacionados e preparados para transferir tecnologias por cursos e palestras. Este é o alicerce do Projeto Universidades: fortalecer uma tecnologia na graduação, por meio da transferência estruturada por cursos e palestras. Neste caso específico, os profissionais que se dedicam aos escritórios regionais da associação assumem um papel fundamental e executam uma tarefa diferenciada, uma vez que são os primeiros a serem acionados no atendimento às escolas interessadas em desenvolver atividades de ensino com a ABCP. Não bastasse o elenco de profissionais próprios, o projeto conta ainda com um grupo de colaboradores terceirizados – consultores especializados – que fortalecem ainda mais a qualidade da abordagem do tema. A coordenação está sob a minha responsabilidade e eu a divido com a equipe da área de comunicação da ABCP que gerencio. São, portanto, mais três profissionais que dedicam parte de suas atividades em me auxiliar na infraestrutura organizacional do projeto.

A duração dos cursos sobre sistemas construtivos à base de cimento e concreto é de quanto tempo?
Cada disciplina que compõe a grade curricular dispõe - em geral – se for semestral, de cerca de 60 horas ou de 120 horas, no caso de uma cadeira anual, o que é uma limitante importante a ser considerada. Em outras palavras, com um número de horas limitado para se cuidar de todos os tópicos da ementa da disciplina, não se pode dispor do tempo que se deseja ou que se considera ideal para tratar de uma determinada tecnologia dentro da ementa. Assim desenhou-se o curso de pavimento de concreto para ser tratado em 16 horas-aula como sendo o tempo “ideal”. Claro que ele pode ser adequado para 8 (mínimo) ou 12 horas e até para mais tempo, o que seria ainda melhor. Entretanto, cada caso é cuidadosamente estudado, uma vez que o mais importante é ter a oportunidade de apresentar uma tecnologia não abordada, ainda que o tempo não seja o mais adequado.

Hoje a ABCP está presente em todos os estados da União? Caso sim, no que isso ajuda no projeto?
Estamos presentes em 12 capitais brasileiras, o que confere à ABCP uma presença marcante. Isso só é possível pelos escritórios e representações regionais, cuja importância para o projeto é fundamental. É através das nossas regionais que damos início, prosseguimento e solidez aos projetos da associação.

Quanto à industrialização na construção civil, o Projeto Universidades tem que tipo de posicionamento?
Pelo que conheço do ensino de graduação de engenharia e arquitetura, não se privilegia, como deveria, a industrialização da construção, pois ela leva à competitividade da obra e da empresa que executa, além de racionalização, ganho de qualidade, redução de desperdício, sem contar que exige maior qualificação da mão de obra. Dentro desses aspectos, os pré-fabricados são a grande vedete da industrialização e o Brasil não fará frente aos desafios da cadeia produtiva da construção civil se continuar empilhando tijolinhos como ainda segue fazendo. Somente a adoção de uma construção industrializada, tendendo à pré-fabricação, é que permitirá atingir melhores resultados. Essa consciência tem de nascer nos bancos universitários e, nesse aspecto, a ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), nossa irmã mais jovem - completou 10 anos de vida em 2011, frente aos 75 da ABCP – também desenvolve importante ação junto ao meio universitário, levando formação sobre o tema para os professores, de modo que eles os transmitam para os alunos. Essa soma de esforços, em breve permitirá ampliar o interesse pela industrialização na construção civil.

Entrevistado
Hugo da Costa Rodrigues Filho, é gerente de comunicação da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)
Currículo
- Engenheiro civil pela FEB (1977), mestre em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, EPUSP (1993) e especialista em Comunicação e Marketing pelo MBA da Escola Superior de Propaganda e Marketing, ESPM (2002)
- Profissional da ABCP há 35 anos, iniciou sua carreira como pesquisador em cimento e concreto nos laboratórios da Associação, onde trabalhou por 10 anos.
Contato: hugo.rodrigues@abcp.org.br

Créditos foto: Divulgação / ABCP

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Brasil busca modelo próprio para industrializar obras

Dois dos principais especialistas em construção civil revelam o que o país precisa para produzir habitações em alta escala

Por: Altair Santos

A tecnologia está cada vez mais presente na construção civil brasileira, o que permitiria que ela industrializasse sobremaneira os canteiros de obras. No entanto, há obstáculos que impedem esse avanço. Entre eles, a legislação, principalmente a tributária, e também a qualificação da mão de obra. Essas amarras, aliadas a travas culturais, só serão superadas quando o país conseguir encontrar um modelo de industrialização que se adapte às suas exigências legais e às peculiaridades de cada uma das regiões do país, principalmente no setor habitacional. É o que avaliam dois especialistas em industrialização de obras: o professor de engenharia legal Rui Nogueira Paes Caminha Barbosa e a consultora em engenharia civil Maria Angélica Covelo Silva. Confira a entrevista simultânea:

Rui Nogueira: "Existem entraves culturais, técnicos e legais a serem superados”.

Hoje, há um debate sobre a necessidade de o Brasil promover a industrialização da construção civil, para o setor tornar-se mais competitivo. Quais os entraves a serem superados para que isso ocorra?
Rui Nogueira - Em ordem de dificuldade a serem superadas, percebo que existem entraves culturais, técnicos e legais. Não há uma cultura difundida de utilização de processos industriais na construção civil, principalmente no setor residencial. Isso ocorre por algumas razões: rejeição ao novo, por se entender que se perde em identidade de projeto quando há industrialização e ainda porque parte considerável desse setor remanesce bastante pulverizado em pequenas e médias construtoras que entendem, por não terem produção em alta escala, que não aufeririam grandes vantagens com a industrialização do canteiro de obras. Esse elemento cultural pode ser superado pelo próprio mercado, que tende a replicar sempre o que é mais rentável. Ou seja, a partir do momento que as grandes construtoras forem aplicando esses conceitos e que o consumidor perceba vantagem financeira nisso, naturalmente os demais deverão seguir o modelo que melhor responda ao binômio custo x benefício. Nos termos técnicos, é preciso verificar que o Brasil é um país continental e com grandes diferenças regionais, de forma que um modelo de construção civil utilizado no sudeste do país pode não ser a melhor opção para outras regiões mais quentes, como norte e nordeste por exemplo. Nesse caso, talvez um processo descentralizado que aproveite os materiais em abundância de uma determinada região, e que tenha uso mais adequado para aquela área, seja melhor do que uma alternativa homogênea num país extremamente heterogêneo como o nosso Brasil. Também no aspecto técnico há uma carência de pesquisa especializada na área. Por fim, os entraves legais são os de ordem tributária.
Maria Angélica Covelo Silva - Os principais entraves são: capacidade de elaboração de projetos de sistemas industrializados incluindo padronização e coordenação modular, tributação de sistemas industrializados e capacitação de mão de obra para apropriar adequadamente os benefícios dos sistemas industrializados.

Há setores em que a industrialização já é predominante, principalmente em construções como shopping center e supermercados. Por que para essas obras a industrialização funciona e para outras não?
Rui Nogueira - No setor residencial, características como projeto e ambientação são mais relevantes do que nos setores comercial e industrial. A industrialização traz uma série de benefícios, mas com isso também vem algumas padronizações que pode importar em rigidez de projeto. Acomodar mercadorias, em tese, será sempre mais fácil do que acomodar seres humanos, o que demanda um grau maior de personalização em termos de projeto. Também deve-se levar em conta nesse caso o que foi dito anteriormente, com relação ao fato de que o setor comercial e industrial é mais comum às grandes construtoras, as quais têm mais facilidade de adaptação a novas tendências.
Maria Angélica Covelo Silva - Por que nestas obras o investidor/empreendedor precisa colocar o edifício em operação num ciclo curto para ter o retorno do investimento. Então, está disposto a assegurar um fluxo de caixa para a obra que viabiliza os sistemas industrializados. A conta que se faz é que a entrada em funcionamento rapidamente do shopping ou do supermercado representa um faturamento diário de "x" reais. Daí o atrativo de fazer a obra em ciclo curto.

No caso do setor habitacional, haja vista os programas governamentais e a grande demanda por imóveis, por que a industrialização não consegue se fixar?
Rui Nogueira - Acredito que isso esteja mudando e que a industrialização no setor residencial será uma realidade cada vez mais evidente, principalmente no que concerne a grandes projetos habitacionais e àqueles incentivados pelos programas governamentais.
Maria Angélica Covelo Silva - Principalmente em função do fluxo de recursos financeiros que está baseado numa lógica de desembolso mais lenta do que a lógica da industrialização.

O Brasil dispõe de tecnologia, referindo-se a estruturas pré-moldadas, para construir prédios habitacionais?
Rui Nogueira - Diria que o Brasil dispõe de tecnologia para certos tipos de prédios habitacionais, mas possui condições para incrementar aquilo que já possui e desenvolver novas técnicas. Outras regiões do mundo, como Europa e Estados Unidos, estão mais avançadas do que nós nesse quesito.
Maria Angélica Covelo Silva - Sim, dispõe mas isto não é homogêneo em todo o país.

Se fossem adotados processos de industrialização para a construção de habitações populares, por exemplo, o Brasil poderia reduzir o déficit habitacional em um tempo mais curto?
Rui Nogueira - Sim, pois um dos objetivos da industrialização é a redução do prazo da execução do serviço.
Maria Angélica Covelo Silva - Poderia, mas isso não basta para essa redução. Há que ter um programa inteligente de destinação de recursos, a fim de reconhecer quais sistemas industrializados podem ter desempenho superior no setor habitacional.  Outro item importante é a infraestrutura urbana para que se possa instalar estes empreendimentos.

Em termos de custo, uma obra industrializada ainda não consegue ser competitiva com uma obra convencional, por causa da legislação fiscal?
Rui Nogueira - A legislação fiscal atual não permite àqueles que adotam um regime de construção industrializada a tirar o máximo proveito dessa medida. Podemos citar dois casos de entraves tributários: (i) ICMS – as elevadas alíquotas sobre os insumos que integram os sistemas construtivos industrializados acabam por incentivar uso de processos tradicionais (artesanais), com alíquotas inferiores, o que resulta na produção de componentes no próprio canteiro; (ii) INSS – O custo previdenciário na construção civil é tradicionalmente pautado em tabelas de consumo de mão de obra por área construída associado a sistemas construtivos convencionais. Contudo, esse sistema não consegue abarcar os benefícios em economia de mão de obra alcançados pela substituição da produção manufatureira pela industrialização da obra, na qual a produção em fábrica reduziria, em consequência, a mão de obra empregada.
Maria Angélica Covelo Silva - Isso também é forte, mas porque não há uma medição adequada da produtividade e da transferência de ganhos para os preços dos serviços.

O que poderia ser feito para incentivar processos industriais na construção civil?
Rui Nogueira - Dirimir os entraves que mencionamos antes, cultural, técnico e fiscal. Os dois primeiros podem ser resolvidos pelo próprio setor privado da construção civil, o que torna mais fácil a solução. O terceiro item, entraves fiscais, como depende de alteração da legislação, ou pelo menos do entendimento do fisco no caso do ICMS, é mais complicado e acaba por influenciar no processo de industrialização como um todo. Mesmo que haja disposição do mercado consumidor em adquirir unidades cada vez mais pré fabricadas e ocorra um incremento na tecnologia disponível, o risco fiscal pode inviabilizar a opção por esse sistema. Assim, para que se possa traçar o perfeito equilíbrio entre eficiência e celeridade mediante a industrialização do processo construtivo e a acessibilidade do produto ao consumidor final, é latente a necessidade de uma reforma da legislação tributária voltada ao setor da construção civil, acompanhada de incentivos à industrialização e inovação tecnológica do setor, que contemplem os avanços desse mercado e seja comprometida com o desenvolvimento isonômico do país.
Maria Angélica Covelo Silva - Mudar a tributação, criar incentivos de retirada de operações de canteiro de obra, como incentivo às obras com maior grau de industrialização, além de capacitar projetistas, capacitar empresas prestadoras de serviços, inclusive quanto à apropriação da produtividade.

A industrialização esbarra também na pouca capacitação de profissionais que atuam nos canteiros de obras?
Rui Nogueira - Acredito que o Brasil carece de mão de obra qualificada como um todo, especialmente a de ordem técnica. Nesse sentido é louvável que o governo federal e alguns governos estaduais tenham voltado esforços nos últimos anos para a maior formação de técnicos no país. Isso significa que a pouca capacitação de profissionais do setor de construção civil é sim um óbice que precisa ser superado. Contudo, essa já é uma barreira atual, independentemente da industrialização, e que pode ser superada mediante treinamento específico.
Maria Angélica Covelo Silva - Também. Mas é mais fácil capacitar para sistemas industrializados do que para o artesanato do convencional.

Sob o ponto de vista da legislação ambiental, há também entraves que atrapalham a industrialização?
Rui Nogueira - A legislação ambiental no Brasil é tida como avançada e rígida em vários aspectos. No caso da industrialização na construção civil ela não atrapalha, mas é um item a ser observado. Toda atividade que gera impactos ambientais, e esse é o caso da atividade industrial, deverá estar sujeita a licenciamento próprio.
Maria Angélica Covelo Silva - Não, pelo contrário, os sistemas industrializados colaboram com o meio ambiente pela menor geração de resíduos.

Significa que, em termos de sustentabilidade, a industrialização da construção civil deveria ser incentivada?
Rui Nogueira - Essa é uma pergunta que pode gerar respostas divergentes, pois em ambos os processos (artesanal e industrial) tem-se a utilização de insumos e criação de resíduos, que são elementos de impacto ambiental. Contudo, na minha opinião, com vista ao caso específico da construção civil, vejo que o processo industrial mostra-se mais adequado, pois racionaliza o uso da matéria prima e evita os desperdícios comuns aos canteiros de obra. Assim, não há que se falar em entrave ambiental, mas ao contrário, em nome da sustentabilidade, deve ser percebido esse quadro de evolução e serem criadas políticas que estimulem a industrialização por se mostrar medida mais adequada aos caros ideais de sustentabilidade atuais.
Maria Angélica Covelo Silva - Sim, pensando no tripé econômico, social e ambiental só há fatores positivos com a industrialização.

Entrevistados
- Rui Nogueira Paes Caminha Barbosa, advogado e especialista em engenharia legal
- Maria Angélica Covelo Silva, engenheira civil e sócio-fundadora das empresas Centro de Tecnologia de Edificações (CTE) e Núcleo de Gestão e Inovação (NGI)

Currículos
- Rui Nogueira Paes Caminha Barbosa é advogado, sócio-fundador do escritório Caminha Barbosa & Siphone Sociedade de Advogados
- Bacharel em direito pela Universidade de São Paulo
- Possui MBA em Conhecimento, Tecnologia e Inovação pela Fundação Instituto de Administração (FIA)
- Foi professor de engenharia legal na Faculdade de Engenharia de São Paulo
- É administrador de empresas do ramo imobiliário e hoteleiro e consultor imobiliário para investidores internacionais no Brasil
- Palestrante da Athena – Instituto Brasileiro de Soluções Jurídico-Empresariais
- Maria Angélica Covelo Silva é engenheira civil e mestre pela Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, além de doutora pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
- É sócio-fundadora das empresas Centro de Tecnologia de Edificações (CTE) e Núcleo de Gestão e Inovação (NGI)
- Autora de cerca de 100 artigos técnicos publicados em revistas especializadas em engenharia e construção, no Brasil e no exterior
- Também possui livros publicados, dentre eles "Sistema de gestão da qualidade para empresas construtoras"
Contatos: rui.caminha@cbcsadvogados.com / ngi@ngiconsultoria.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

PGRCC não deve ser visto só como obrigação legal

Benefícios do Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil não estão na documentação, mas na efetiva gestão do problema

Por: Altair Santos

Em 2012, a resolução nº 307 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) completa 10 anos. Publicada em julho de 2002, com entrada em vigor em janeiro de 2003, ela estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Entre as medidas mais relevantes, está a que obriga as construtoras a elaborarem o PGRCC (Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil) como condição para que possam obter o alvará de funcionamento de seus canteiros de obras junto às prefeituras.

Elcio Herbst, especialista em gerenciamento ambiental: "Fiscalização de todo este processo ainda é muito incipiente.”

Quase uma década depois, o que deveria ser regra ainda é exceção. Atualmente, no Brasil, apenas 37% dos municípios possuem legislação adequada sobre a gestão de resíduos da construção. Falta, sobretudo, fiscalização. Há um bom número de casos em que as construtoras elaboram documentalmente o PGRCC, mas não o implantam efetivamente. "A gestão dos resíduos na prática, e a própria fiscalização de todo este processo ambiental, ainda está muito incipiente em boa parte dos municípios do país", alerta o consultor em meio ambiente do SindusCon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Paraná) Élcio Herbst.

Isso, segundo Herbst, acaba dividindo as construtoras em dois grupos.  Em um estão aquelas que apenas elaboram o PGRCC meramente como uma obrigação legal; no outro, as empresas que já perceberam os reais benefícios de uma efetiva gestão dos resíduos de construção. "Este último grupo certamente fará a implementação do PGRCC na íntegra e se beneficiará de uma correta gestão dos resíduos", avalia.

No Paraná, Curitiba e Londrina são as cidades mais atuantes no controle de resíduos da construção civil. Na capital, a absorção da resolução do Conama ocorreu em duas etapas. Em 2004, foram baixados dois decretos: o 1068/04 (sobre projetos de resíduos de construção civil) e o decreto 1120/04 (sobre o transporte e a destinação final dos resíduos de obras). Finalmente, em 2008, veio a portaria 07/08, que instituiu o relatório do PGRCC - obrigatório para qualquer obra acima de 600m².

Em Curitiba, onde em 2011 a produção de resíduos da construção civil atingiu a marca de 3 mil toneladas por dia, os organismos responsáveis pela fiscalização são a Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA). O não cumprimento das resoluções podem impor às empresas sanções administrativas e penais, com base na Lei 9605 (Lei de crimes ambientais) e na nova legislação pertinente aos resíduos sólidos (Lei 12305 – Política Nacional de Resíduos Sólidos).

Élcio Herbst destaca que o principal instrumento de fiscalização é o relatório do PGRCC que deve ser apresentado no final da obra, onde a construtora deverá relatar toda a movimentação de resíduos durante o empreendimento, em especial quanto à destinação praticada para cada grupo de materiais. "Somente após análise deste documento, o qual deverá ter anexados todos os MTRs (Manifestos de Transporte de Resíduos) é que o organismo ambiental fará a liberação da Licença de Operação (LO) ou do Certificado de Vistoria e Conclusão da Obra (CVCO)", explica.

Como fazer um PGRCC

A elaboração de um Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil deve obedecer os termos de referência normalmente disponibilizados pelos municípios, além de ser elaborado por profissionais capacitados. A quantidade de resíduos deverá seguir uma estimativa, onde a equipe de engenharia e os mestres de obras devem atualizá-la conforme o andamento da obra. "O mais importante no PGRCC diz respeito a definição dos transportadores e ao destino dos resíduos. Essa é a principal preocupação dos órgãos ambientais", destaca Herbst.

De acordo com o consultor do SindusCon-PR, a resistência por parte das construtoras em implementar a gestão de resíduos está relacionada à falsa ideia de aumento nos custos. Outro empecilho está no pouco incentivo à instalação de usinas de reciclagem. Em Curitiba e região metropolitana há apenas três unidades em funcionamento (São José dos Pinhais, Colombo e Almirante Tamandaré).  "A grande dificuldade dessas usinas ainda paira no fato de as prefeituras autorizarem a existência de terrenos bota-fora para os resíduos de construção classe A. Muitas empresas acabam direcionando seus resíduos para estes locais, até pela questão financeira, deixando de fornecer às usinas. Por outro lado, se não houver incentivos fiscais ou até mesmo uma política de aquisição dos materiais agregados (oriundos dos resíduos da construção) pelo próprio município, o mercado desses materiais alternativos acaba ficando muito restrito", alerta.

Saiba mais:

O que diz a resolução n.º 307 do Conama
http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res02/res30702.html

Leia também:

Da teoria à prática, é hora de gerir resíduos da construção civil
http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/da-teoria-a-pratica-e-hora-de-gerir-residuos-da-construcao-civil/

Entrevistado
Élcio Herbst, consultor em meio ambiente do SindusCon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Paraná)
Currículo
- Administrador de empresas formado pela FARESC, com especialização em gerenciamento ambiental na indústria, através do SENAI e da UFPR
- Tem experiência como consultor na área de gerenciamento integrado de resíduos, de origem industrial, urbanos, portos e aeroportos e de serviços de saúde.
- Participou de treinamentos na Alemanha, no tocante a gerenciamento de resíduos. Possui cadastro como auditor ambiental junto ao IAP (Instituto Ambiental do Paraná)
 - Atua em cursos de pós-graduação latu sensu, com a disciplina gestão de resíduos sólidos industriais, e em cursos de auditoria ambiental
- É mestre em meio ambiente pela UFPR, SENAI-PR e Universidade de Stuttgart

Contato: elcio.herbst@pr.senai.br

Créditos Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Ecológico, tijolo solocimento ganha impulso

Produto à base de solo arenoso e cimento Portland tem desempenho semelhante aos blocos de concreto e aos tijolos cerâmicos

Por: Altair Santos

Apesar de ainda ser pouco industrializado, o tijolo solocimento começa a ganhar corpo no mercado da construção civil. Antes, o produto se limitava às organizações comunitárias do interior do país, que estimuladas pelas prefeituras instalavam centrais de produção para fabricar o material e usá-lo em programas de habitações sociais. Atualmente, por ser um elemento ecológico e com alto grau de sustentabilidade, o tijolo solocimento ganha impulso.

Tijolos de solocimento: tão eficientes quanto os tijolos cerâmicos e os blocos de concreto

Outro aspecto que conta a favor do produto é que ele tem desempenho equivalente ao tijolo cerâmico e aos blocos de concreto. Desde que fabricado com materiais de qualidade, pode ser empregado em praticamente todo tipo de construção. "Sendo tijolo, tem a mesma aplicação de um tijolo comum. Pode ser usado na construção de edifícios com estrutura de concreto normal ou em parede monolítica", explica Suely da Silva Guimarães, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CEPED), ligado à Universidade Estadual da Bahia.

O CEPED desenvolveu pesquisas com tijolo solocimento para auxiliar o governo baiano a construir habitações populares na região cacaueira do estado.  O baixo custo e a facilidade para produzi-lo permitiram construir casas a baixo custo. "Conseguimos desenvolver paredes monolíticas, sem rejunte e com encaixe macho e fêmea, como nas construções pré-fabricadas, o que reduziu sensivelmente o preço das habitações", revela Suely da Silva Guimarães.

No projeto do centro de pesquisa da Universidade Estadual da Bahia foi usado o cimento Portland comum para a construção das paredes monolíticas de solocimento. O material nasce de uma mistura de solo arenoso - o ideal é que tenha teor de areia acima de 50% para dar uma liga consistente -, água e cimento. A ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) recomenda o uso de cimento Portland Composto CP II-F (com adição de material carbonático - fíler) para a produção de um solocimento mais resistente.

Neste caso, o produto pode ser utilizado até em pavimentação, que foi como ele começou a ser empregado no Brasil. A estrada Caxambu-Areias, em Minas Gerais, construída em 1939, foi a primeira a utilizar solocimento. Na época, o empreendimento já teve a assessoria técnica da ABCP. O país chegou a ter 25 mil quilômetros de estradas com esse tipo de pavimento. Hoje, o solocimento é utilizado como base de pavimentos flexíveis e sub-base de pavimentos de concreto. O material é eficiente também como contenção de encostas.

Vantagens

- Um de seus principais componentes, o solo arenoso, é abundante em várias regiões do Brasil.
- O processo construtivo é simples e facilmente assimilado por mão de obra não qualificada.
- Tem nível de conforto acústico e térmico semelhante ao do tijolo cerâmico.
- Apresenta alta durabilidade e boa impermeabilidade.
- No caso de paredes monolíticas, dispensa chapisco, emboço e reboco.
- Baixo custo de produção e ideal para a construção de habitações de interesse social.

Desvantagens

- Pouco produzido industrialmente.
- Ainda tem penetração limitada no mercado da construção civil, principalmente nas regiões sul e sudeste do país.
- Quase nenhum incentivo governamental para que possa ser produzido em escala industrial.

Entrevistado
Suely da Silva Guimarães, pesquisadora da Universidade do Estado da Bahia
Currículo
- Engenheira civil graduada pela Universidade Federal da Bahia (1973)
- Tem mestrado em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1977)
- Atualmente é pesquisadora da Universidade do Estado da Bahia no Programa Incubadora Tecnológica de Cooperativas populares da Pró-reitoria de Extensão
- Tem experiência em projetos de pesquisa e extensão nos temas: materiais e componentes de edificações, fibras vegetais, solocimento, habitação popular, incubação de cooperativas populares e economia solidária
Contato:sguimaraes@uneb.br

Créditos Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Multidisciplinar, engenharia física expande mercado

Boa parte dos estudantes é contratada antes de concluir a graduação. Cursos têm cada vez mais ofertas de vagas nas universidades

Por: Altair Santos

Estados Unidos, Alemanha e França há décadas absorvem engenheiros físicos em seus processos industriais e de pesquisa. No Brasil, a demanda começou a partir de 2000. Antes, sequer cursos de graduação havia no país. A primeira universidade a ofertar a especialidade foi a UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) que abriu 40 vagas e hoje tem 200 alunos matriculados. A UEMS (Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul) foi a segunda a oferecer o curso e recentemente UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e USP (Universidade de São Paulo) também passaram a disponibilizar a graduação.

Curso de engenharia física: no Brasil, os melhores estão na UFSCar, UFMS, UFRGS e USP

Segundo o coordenador do curso da UFSCar, professor Cláudio Antônio Cardoso, a característica multidisciplinar da engenharia física tem atraído não só interesse dos estudantes como de setores industriais. "A proposta da engenharia física é um pouco diferente do usual das outras engenharias. A gente busca uma formação básica, sólida, que permita ao aluno, posteriormente, se especializar naquilo que ele tiver interesse ou achar mais importante no trabalho dele. A profissão é multidisciplinar dentro da engenharia e tem sido muito requisitada para áreas de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento)", explica.

Setores como biotecnologia, nanotecnologia, energia e biocombustível são os que mais têm recrutado engenheiros físicos. "Hoje, 80% dos nossos formandos são absorvidos pela indústria. Uma boa parte concilia o trabalho com cursos de pós-graduação, para atingir uma especialidade maior. Os outros 20% seguem se dedicando ao universo acadêmico", diz Cláudio Antônio Cardoso, revelando que o ambiente onde o engenheiro físico mais se sente à vontade é dentro de laboratórios de pesquisa.  "Em Campinas, o LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron) é um dos que mais absorve nossos formandos", completa.

Construção civil

A aplicabilidade da engenharia física na construção civil está diretamente relacionada com a pesquisa de materiais. Na UFSCar, indústrias do setor já incentivaram estudos relacionados com a acústica de determinados produtos. "Tivemos uma demanda para estudar um tipo de argamassa que um fabricante iria lançar no mercado, e cujo diferencial era a sua boa capacidade termoacústica", revela o coordenador do curso da Universidade Federal de São Carlos. "A pedidos, também já realizamos ensaios de resistência de concreto", complementa Cardoso.

Saiba mais:

Confira outras informações sobre a graduação em engenharia física:
http://chasqueweb.ufrgs.br/~ckrug/cardoso-cobenge-2010.pdf

Entrevistado
Cláudio Antônio Cardoso, coordenador do curso de engenharia física da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos)
Currículo
- Possui mestrado e doutorado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (2001)
- Atualmente é professor adjunto II e Coordenador de Graduação em Engenharia Física do Departamento de Física da Universidade Federal de São Carlos
- Atua na área de Física do Estado Sólido experimental e no estudo de óxidos complexos com propriedades magnéticas ou supercondutoras
- Suas linhas de pesquisa atuais envolvem também a busca por novos compósitos multiferróicos e a aplicação de nanopartículas em problemas de biotecnologia. Atua como colaborador de revistas internacionais de física, tais como Physical Review B, Materials Letters e Physical Review Letters

Contato:  cardoso@df.ufscar.br / http://www.eng-fis.df.ufscar.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Brasil foi o centro das atenções na Batimat 2011

Feira mundial da construção civil, que acontece a cada dois anos em Paris, estimulou mercado europeu a buscar negócios no país

Por: Altair Santos

Considerada a principal feira mundial da construção civil, a Batimat 2011 aconteceu de 7 a 12 de novembro em Paris, na França, e colocou o Brasil no centro das atenções do evento. O país foi cortejado pelos empreendedores europeus, visto como um "canteiro de obras em plena atividade no mundo".  Por isso, o estande montado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) esteve entre os mais concorridos da feira.  "Procuramos mostrar várias modalidades de negócios para eles e o interesse foi surpreendente", disse José Carlos de Oliveira Lima, vice-presidente da Fiesp, presidente do Consic (Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp) e do conselho deliberativo do Sinaprocim/Sinprocim (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Cimento/Sindicato da Indústria de Produtos de Cimento do Estado de São Paulo).

Pavilhão da Batimat, em Paris: vários segmentos da cadeia produtiva da construção civil internacional estão interessados em investir no Brasil

Aos investidores que foram à Batimat, a Fiesp apresentou o relatório Construbussiness, que projeta as perspectivas de negócios que devem ser viabilizados no Brasil até 2022. "Até o bicentenário da nossa independência, o país deve construir mais 27 milhões de habitações, além de estar plenamente envolvido com a questão do pré-sal e as obras de infraestrutura. Estimamos que tudo isso irá requerer investimento da ordem de R$ 2 trilhões até 2022", avalia José Carlos de Oliveira Lima, revelando os tipos de negócios que mais atraem os estrangeiros para a cadeia da construção civil brasileira: "Eles buscam joint ventures, seja para exportar materiais ou tecnologia, e também têm interesse em aquisições de empresas brasileiras. Com a crise que está acontecendo lá na Europa, o Brasil é visto como uma janela de oportunidades."

Outro ponto de interesse dos empreendedores que visitaram a Batimat, em relação ao Brasil, foi procurar saber quais são os entraves para investimentos no país. "O que eles mais perguntaram foi sobre a alta carga tributária e também a questão de juros altos, ou seja, este é o maior problema sob o ponto de vista da competitividade. Há também a questão da tecnologia. Na Batimat, pudemos ver materiais, equipamentos e técnicas de construção que ainda não chegaram no Brasil. A feira também mostrou que o caminho é o mesmo da industrialização dos canteiros de obras. Isso, aqui, está só começando. É um campo a ser explorado por eles", previu o dirigente da Fiesp, que integrou a comitiva que esteve em Paris.  A feira, que ocorre a cada dois anos, atraiu em 2011 mais de 400 mil visitantes, dos quais 80 mil eram estrangeiros. Do Brasil, 2.500 passaram pela Batimat 2011.

Durante a feira, foram encaminhados 125 negócios voltados para o Brasil dentro dos sete setores contemplados no evento: estrutura, carpintaria, acabamentos e decoração, material e ferramentas, durabilidade dos edifícios, informática e serviços empresariais. Também foi assinado um acordo de cooperação com a Sorbonne, Universidade de Paris, para que o país avance na qualificação da mão de obra e na aplicação de novas tecnologias na construção civil. Entre as disciplinas que a Sorbonne irá participar, dentro de convênios a serem firmados com universidades brasileiras, estão Tecnologia dos Materiais, Métodos e Sistemas de Padronização, Arquitetura Sustentável, Planejamento Urbano e Produção em Escala de Residências Populares. "Colheremos muitos frutos desta nossa participação na Batimat", finalizou José Carlos de Oliveira Lima.

Veja também:

Relatório Construbussiness apresentado na Batimat 2011
http://www.fiesp.com.br/observatoriodaconstrucao/downloads/palestra-batimat-portugues.pdf

Entrevistado
José Carlos de Oliveira Lima, vice-presidente da Fiesp, presidente do Consic (Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp) e do conselho deliberativo do Sinaprocim/Sinprocim (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Cimento/Sindicato da Indústria de Produtos de Cimento do Estado de São Paulo)
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas
- Preside o conselho deliberativo do Sinprocim (Sindicato da Indústria de Produtos de Cimento do Estado de São Paulo) 1992-2014
- Preside o conselho deliberativo do Sinaprocim (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Cimento) 1998-2014
- Fundou da Abilaje (Associação Brasileira da Indústria de Lajes)
- É presidente e fundador do Instituto Construbusiness desde 2002
- É vice-presidente eleito da FIESP (2007-2015)
- Preside do Conselho Superior da Indústria da Construção (CONSIC/FIESP)
Contato: sinaprocim@sinaprocim.org.br

Créditos fotos: Divulgação / Batimat 2011 / Sinaprocim

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Nova norma agrega qualidade às lajes alveolares

A ABNT NBR 14861 já está em vigor e foi bem recebida pelo mercado, que aposta na tendência de industrialização da construção civil

Por: Altair Santos

Desde 28 de novembro de 2011, está em vigor a ABNT NBR 14861:2011, que estabelece requisitos e procedimentos a serem atendidos no projeto, na produção e na montagem das lajes alveolares pré-moldadas de concreto protendido. A nova norma cancela e substitui a edição anterior de 2002.

Inês Battagin, superintendente da ABNT/CB-18: norma alavanca setor da pré-fabricação em concreto no Brasil.

O Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados (ABNT/CB-18) foi o responsável pela publicação. À frente esteve a superintendente do CB-18, Inês Battagin. Para ela, além de melhorar a qualidade das lajes alveolares, a NBR 14861:2011 - Lajes alveolares pré-moldadas de concreto protendido — Requisitos e procedimentos é um passo importante para o processo de industrialização da construção civil no país. Confira a entrevista:

Com a nova norma NBR 14861:2011, quais são as mudanças mais relevantes na fabricação das lajes alveolares pré-fabricadas de concreto protendido?
A nova norma é mais completa e detalha as especificidades das lajes alveolares com muita propriedade, valendo ressaltar algumas diferenças fundamentais:

1) Os requisitos ficaram mais claros em relação ao documento publicado em 2002 (versão anterior da norma).
2) Na nova norma há um capítulo que detalha como deve ser realizado o dimensionamento das seções transversais das lajes alveolares, considerando a necessidade de resistirem à flexão, à força cortante, à punção, ao fendilhamento longitudinal e estabelece também a resistência das chavetas ao esforço cortante.
3) A ABNT NBR 14861:2011 estabelece as tolerâncias dimensionais das lajes alveolares e dá as diretrizes para sua produção, prescreve os materiais a serem utilizados, as metodologias produtivas, os cuidados com a cura e posterior corte da armadura ativa para liberação da protensão, bem como a verificação das perdas de protensão para aceitação do produto ainda na fábrica.
4) A nova norma estabelece ainda como deve ser realizado o projeto estrutural composto por lajes alveolares, bem como a movimentação das lajes pré-fabricadas e a montagem das estruturas.
5) O capeamento estrutural, que pode complementar a laje e é moldado no local, tem suas especificidades de cálculo e execução estabelecidas.
6) A documentação de cada etapa do processo construtivo (fabricação, projeto, movimentação e montagem) está relacionada na norma, de forma a orientar o meio técnico adequadamente.

Hoje, muito se fala em industrialização da construção civil no Brasil. Em termos de normas que regem o setor, o país está preparado para entrar na era da industrialização?
O Brasil tem crescido muito nas questões de industrialização da construção, especialmente no que diz respeito à pré-fabricação em concreto. A busca por cronogramas enxutos, racionalização nos canteiros e durabilidade da estrutura são os fatores que mais têm contribuído para esse crescimento. Nesse contexto, as ações da ABCIC (Associação Brasileira da Indústria da Construção Industrializada de Concreto) sempre focadas na qualidade, têm alavancado o setor da pré-fabricação em concreto no Brasil. Assim, em termos de normalização, o país está evoluindo em função de suas novas características e das exigências inerentes a esse crescimento. A norma de projeto e execução de estruturas pré-moldadas de concreto (ABNT NBR 9062) foi revisada e publicada em nova edição em 2006; a ABNT NBR 14861, de lajes alveolares, foi publicada este ano e já estamos trabalhando na normalização de estacas pré-fabricadas de concreto.

Lajes alveolares pré-fabricadas de concreto protendido: utilizada em construções de grande porte, como shopping centers, supermercados e prédios industriais.

As lajes alveolares pré-fabricadas de concreto protendido são mais usadas em que tipo de construção?
As lajes alveolares pré-fabricadas de concreto protendido podem ser utilizadas em todo tipo de construção, seja ela em estrutura pré-moldada de concreto, estrutura moldada em loco e até em estruturas mistas e compostas. Por sua elevada capacidade portante, e facilidade de vencer grandes vãos, é comum sua utilização em construções de grande porte, como shopping centers, supermercados, prédios industriais e outros empreendimentos. Mas sua aplicação se estende ao uso em construções de todo o tipo.

Comparativamente a outros países, o Brasil constrói mais ou menos edificações com lajes alveolares protendidas de estruturas de concreto pré-fabricadas?
Sei que em alguns países da Europa, como Bélgica e Holanda, são muito utilizadas as lajes alveolares pré-fabricadas.

Normalmente, uma norma da ABNT é revisada de quanto em quanto tempo? E mais: no caso da NBR 14861, foi a primeira vez?
É desejável que as normas brasileiras sigam o padrão internacional da ISO (International Organization for Standardization) e sejam revisadas a cada 5 anos, o que nem sempre é possível. Esta foi a primeira revisão da ABNT NBR 14861.

Quanto tempo levou entre a elaboração da norma até a sua publicação?
Os trabalhos de revisão da norma começaram em julho de 2008 e foram encerrados em agosto de 2011. Como a data de publicação é de 28 de novembro de 2011, passaram-se três meses após sua aprovação final até a norma estar publicada.

Quais organismos participaram da elaboração da norma?
Diversas empresas, entidades e profissionais tomaram parte nos trabalhos, tendo-se, na comissão de estudo a presença de projetistas estruturais, fabricantes de lajes alveolares, laboratórios de controle, universidade e diversos profissionais que atuam na área, somando mais de 80 pessoas envolvidas com o desenvolvimento da norma. Elas representaram 44 empresas e entidades, valendo salientar especialmente a presença constante da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) da ABCIC (Associação Brasileira de Construção Industrializada em Concreto) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Entrevistada
Inês Laranjeira da Silva Battagin, superintendente do Comitê ABNT /CB-18
Currículo

- Engenheira civil, superintendente do ABNT/CB18 e consultora da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) nas áreas de normalização técnica e patologias de edificações
- Participa no desenvolvimento de normas técnicas (ABNT/CB-18 e ABNT/CB-02, ISO e MERCOSUL)
- É diretora de publicações e divulgações técnicas do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto)
Contato: ines.consult@abcp.org.br / inesbattagin@terra.com.br / cb18@abcp.org.br

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Mercado recebe com otimismo norma NBR 14861:2011

Segundo o engenheiro civil José Paulo Grings, diretor da Preconcretos Engenharia, em Porto Alegre-RS, a NBR 14861:2011 trará benefícios tanto para fabricantes e projetistas quanto para os clientes.  "Ela ficou muito mais específica e agregou uma série de embasamentos que regulam e padronizam a utilização da laje alveolar. Isso para o projetista e para o cliente é excelente, pois eles sabem exatamente o que vão receber", elogiou.

José Paulo Grings, da Preconcretos Engenharia: norma especifica, dá e padroniza a utilização da laje alveolar.

Grings avalia que a nova norma vai coibir algumas práticas, como o uso de capa na incorporação do elemento estrutural. "Muitas vezes uma laje um pouco mais fina dava uma contra-fecha e exigia que se desse uma protendida forte embaixo, o que chama-se de capeamento. Só que acabava gerando alto consumo de concreto, porque lá no meio tinha um capeamento de 5 e lá na ponta tinha um capeamento de 12. Com a norma, ficou limitada a espessura da contra-flecha", explica.

Ainda de acordo com o engenheiro, a expectativa é que as lajes alveolares pré-moldadas de concreto protendido passem a ser mais consumidas a partir da NBR 14861:2011. "A tendência da industrialização está muito forte. No caso da laje alveolar, ela está abrindo leques em outros segmentos da construção civil. É um produto muito versátil e os maiores consumidores são os projetos de shopping centers. Esse tipo de obra utiliza uma quantidade exorbitante de laje alveolar", revela José Paulo Grings.

A rapidez na montagem é uma das principais vantagens das lajes alveolares pré-moldadas de concreto protendido. O diretor da Preconcretos Engenharia afirma que por dia podem ser montados até 600 m². "Esse produto permite vencer grandes vãos com espessuras relativamente baixas, sem precisar de escoramento, pois a laje alveolar é autoportante. Além disso, ela tem bom desempenho térmico e acústico", avalia.

Sobre o tipo de concreto usado na fabricação das lajes alveolares, José Paulo Grings destaca que o produto deve ter fck (resistência) em torno de 50 MPa. "É um concreto que trabalha com abatimentos muito baixos, com uma quantidade de água muito pequena. É um concreto muito seco, muito farinhento, com plasticidade mínima, que só pode ser moldado em equipamento adequado e com a vibração certa", finaliza.

Preconcretos ganha prêmio "obra do ano" da ABCIC

A Preconcretos Engenharia foi contemplada em dezembro de 2011 com o prêmio "Obra do ano em estruturas pré-fabricadas em concreto", concedido anualmente pela ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto). O título é dado à estrutura que tenha sido executada com concreto pré-fabricado ou protendido produzido em instalações industriais, em conformidade com a ABNT.

A obra vencedora foi o Complexo Cultural  Feevale, no Vale dos Sinos em Novo Hamburgo-RS. O empreendimento conta com dois prédios, teatro e estacionamento, além de anexos como estacionamento externo, acessos e passarela. Foram usadas mais de 400 tipos de peças na construção, totalizando 3.195 m³ de concreto, distribuídos entre pilares, vigas, painéis protendidos, balcões, escadas, elementos de arquibancadas, muros de contenção, lajes e tirantes.

Inaugurado no dia 20 de setembro de 2011, o Complexo Cultural Feevale tem capacidade para 1.800 espectadores e é hoje o maior teatro do Rio Grande do Sul. Trata-se de mais uma obra que usou o know-how da Preconcretos Engenharia, empresa gaúcha fundada em 1973, e que é pioneira no Rio Grande do Sul no ramo de pré-fabricados.

Entrevistado
José Paulo Grings, diretor da Diretor da Preconcretos Engenharia S/A
Currículo

- José Paulo Grings é engenheiro civil formado pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) em 1985
- Possui especializações em estruturas (PUC-RS), gestão empresarial (PPGA/UFRGS),  Marketing (FGV) e Engenharia de Produção (UFRGS)
Contato: josepaulo@preconcretos.com.br

 Normas necessárias para a aplicação da ABNT NBR 14861:2011:

ABNT NBR 11768:2011 (Aditivos químicos para concreto de cimento Portland – Requisitos)
ABNT NBR 12655:2006 (Concreto de cimento Portland - Preparo, controle e recebimento - Procedimento)
ABNT NBR 14931:2004 (Execução de estruturas de concreto - Procedimento)
ABNT NBR 15200:2004 (Projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio)
ABNT NBR 15421:2006 (Projeto de estruturas resistentes a sismos - Procedimento)
ABNT NBR 15823-1:2010 (Concreto auto-adensável Parte 1: Classificação, controle e aceitação no estado fresco)
ABNT NBR 5733:1991 (Cimento Portland de alta resistência inicial)
ABNT NBR 5738:2003 (Concreto - Procedimento para moldagem e cura de corpos-de-prova)
ABNT NBR 5739:2007 (Concreto - Ensaios de compressão de corpos-de-prova cilíndricos)
ABNT NBR 6118:2007 (Projeto de estruturas de concreto - Procedimento)
ABNT NBR 6120:1980 Versão Corrigida: 2000 (Cargas para o cálculo de estruturas de edificações)
ABNT NBR 6123:1988 Versão Corrigida: 1990 (Forças devidas ao vento em edificações)
ABNT NBR 7808:1983 (Símbolos gráficos para projetos de estruturas)
ABNT NBR 8522:2008 (Concreto - Determinação do módulo estático de elasticidade à compressão)
ABNT NBR 8681:2003 Versão Corrigida: 2004 (Ações e segurança nas estruturas - Procedimento)
ABNT NBR 9062:2006 (Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado)
ABNT NBR NM 67:1998 (Concreto - Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone)

Créditos Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330

Previsão para 2012: será o ano dos trainees

Melhor compreensão da Lei do Estágio e reaquecimento da economia  projetam maiores oportunidades de trabalho para os estudantes

Por: Altair Santos

Criada em setembro de 2008, a Lei do Estágio, assim que foi promulgada, causou dificuldades de adaptação tanto para as empresas  quanto aos estudantes. Por isso, o impacto inicial não foi positivo. Segundo dados do Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios) houve redução média de 40% na oferta de vagas entre 2008 e 2009. Em 2010, o cenário começou a mudar. "Hoje, o mercado para estagiários já está normalizado. Todos os instrumentos jurídicos foram adequados à nova lei e as dúvidas dos empresários em relação a alguns pontos que eram novidades na legislação também estão sanados", diz José Ribamar Brasil dos Reis, presidente do Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná (CIEE-PR).

José Ribamar Brasil dos Reis, do CIEE: área da engenharia civil tem aberto, em média, 50 vagas por mês no Paraná.

Segundo José Ribamar, o que causou o período de inércia no mercado de estágios foram as interpretações dúbias da lei, quando ela foi implantada. "Primeiro, tentaram compará-la à CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) trazendo muitas dúvidas por parte dos empresários, principalmente se o custo de contratar um estagiário seria igual a contratar um empregado. Neste período, a oferta teve uma redução significativa, com a suspensão temporária das contratações. Mas agora estão definidas as obrigações da parte concedente de estágio, da instituição de ensino e do agente de integração , o que foi suficiente para reaquecer o mercado ", admitiu.

Por isso, a expectativa é que 2012 seja um dos melhores anos para estudantes que buscam estágios e vagas de trainees. O CIEE, por exemplo, estima que apenas no primeiro trimestre do ano devem ser abertas mais de 70 mil vagas em todo o país. Uma das áreas mais requisitadas será a engenharia. No Paraná, atualmente, o Centro de Integração Empresa-Escola já oferta cerca de 50 vagas por mês para estudantes de engenharia civil. "Metade delas é para o mercado de Curitiba", afirma o presidente do CIEE paranaense, completando que tradicionalmente o primeiro trimestre de cada ano é o período de maior oferta de estágios. "Muitos estagiários se formam no final do ano anterior e são efetivados pelas empresas. Com isso, abrem-se novas vagas para reposição entre janeiro e março".

Diferenças

Antes de buscar uma vaga no mercado, o estudante precisa saber diferenciar o que é estágio e o que é trainee. Diferentemente do trainee, que é um empregado registrado pela empresa, o estagiário não pode ser considerado um empregado, pois não possui registro em carteira profissional. Significa que o estagiário não tem direito a aviso prévio, férias e 13º salário. Além disso, a empresa não contribui com o INSS (Instituto Nacional de Serviço Social) e nem com o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Pela lei n.º 11.788, o estagiário ganhou os seguintes direitos: recesso remunerado, redução da jornada de trabalho para 6 horas, auxílio-transporte e bolsa-auxílio. Atualmente, numa média nacional, um estagiário do ensino superior ganha R$ 825,00 enquanto um estudante do ensino médio recebe cerca de R$ 477,00 por mês.

Já um contratado para ser trainee - no caso, apenas os que estão no ensino superior podem se candidatar a essas vagas - chegam a ganhar até três vezes mais que um estagiário. São dois os motivos para que isso ocorra: os programas de trainee buscam os mais qualificados e são desenvolvidos para que o treinado ocupe um cargo estratégico dentro da organização. Na maioria deles, o objetivo é que o trainee galgue uma posição gerencial em até cinco anos. Já os programas de estágio possuem um período determinado (que não pode ser inferior a seis meses) podendo ou não efetivar o estagiário na empresa depois deste tempo. "O estudante precisa ter noção de que o mercado, tanto para trainees quanto para estagiários, exige comprometimento, dinamismo, disciplina, trabalho em equipe, relacionamento interpessoal e disposição para enfrentar desafios", alerta José Ribamar Brasil dos Reis.

Entrevistado
José Ribamar Brasil dos Reis, presidente do Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná (CIEE-PR)
Currículo

- Bacharel em Ciências Econômicas. Tem especialização na Fundação Getúlio Vargas (Rio de Janeiro) em Sistema de Controle e Execução de Projetos.
- Na área profissional, foi funcionário da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) 
- Entre 2006 e 2010 foi vice-presidente do Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná (CIEE-PR).
- No início de abril de 2011, tomou posse como presidente eleito do CIEE-PR para o biênio 2010/2012
Contato: comunica@cieepr.org.br (assessoria de imprensa)

Crédito: Divulgação/CIEE

Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330