O que faz um imóvel valorizar?

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Em 2024, as vendas de imóveis novos no Brasil aumentaram 11,8% em relação ao mesmo período de 2023, de acordo com o indicador ABRAINC-FIPE, um levantamento realizado com 20 empresas associadas à Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).
Mas o que faz um imóvel valorizar? Para Thiago Bernardes, head comercial do QuintoAndar, regiões com fácil acesso ao transporte público, boa oferta de comércio, serviços essenciais e segurança tendem a se valorizar ao longo do tempo. “Além disso, projetos de infraestrutura, como novas estações de metrô e investimentos públicos, podem impulsionar os preços de imóveis em áreas antes pouco valorizadas”, complementa.
Fatores que impulsionam a valorização
Um estudo recente da Proptech, em parceria com o Datafolha, apontou que os principais fatores que valorizam um imóvel são:
• Localização: É um dos elementos mais determinantes na hora de precificar um imóvel. A pesquisa indica que 65% dos compradores e locatários, assim como 62% dos vendedores e proprietários, consideram a localização um fator essencial.
• Características do imóvel: Dois imóveis com a mesma área podem ter valores bem diferentes, dependendo do número de quartos, da organização dos cômodos e da funcionalidade dos espaços. Ambientes versáteis são especialmente valorizados. “Um quarto menor pode ser adaptado como escritório, por exemplo – algo que ganhou relevância após a pandemia, ampliando o público interessado”, afirma Bernardes.
• Condições e reformas: Melhorias estruturais e funcionais costumam valorizar o imóvel, enquanto alterações muito personalizadas podem limitar o interesse de potenciais compradores. Segundo levantamento do Datafolha, identificar possíveis problemas estruturais é a segunda maior dificuldade enfrentada por quem pretende comprar ou alugar um imóvel. Investir em manutenção constante e acabamentos modernos pode facilitar a venda ou locação.
• Infraestrutura do condomínio: Comodidades como portaria 24 horas, academia, piscina e salão de festas contribuem para o valor final do imóvel. Esses itens também impactam no valor do condomínio, que tende a ser mais alto devido aos custos de manutenção desses serviços.
De acordo com Fabrício Bellini, executivo do mercado imobiliário com mais de 20 anos de atuação na área e na liderança da construtora Blue Heaven Empreendimentos, uma sugestão para quem não atua no setor é observar a escassez do imóvel, compreender o potencial construtivo do terreno e identificar a fração de terreno atribuída a cada unidade. “A lógica é que quando um prédio tem muitas unidades, o terreno é dividido entre todos e cada apartamento fica com uma parte muito pequena dele. Já em empreendimentos mais exclusivos, com poucas unidades, cada imóvel carrega uma parte maior do terreno, e isso, obviamente, faz toda a diferença no valor e no potencial de valorização”, afirma Bellini.
Em toda avaliação imobiliária, o terreno deve ser considerado como ponto inicial, é ele que define as possibilidades de construção, seja uma casa térrea ou um edifício de 30 andares, segundo Bellini. “O método mais comum utilizado no mercado brasileiro ainda é o comparativo, que analisa os valores praticados em imóveis semelhantes na mesma região. Porém, esse método pode ser falho, já que muitas vezes considera imóveis com preços acima do valor real ou desvalorizados por venda forçada. Isso distorce o valor de mercado, gera insegurança e compromete a tomada de decisão do investidor”, comenta.
Bellini cita como exemplo Balneário Camboriú (SC), que lidera o ranking do metro quadrado mais valorizado do Brasil segundo o Índice FipeZap. “Imóveis na região das praias agrestes, como o Estaleiro, têm se destacado rapidamente. Além de ser uma área que começou a ser explorada pela construção civil há poucos anos, e que integra um município ‘fora da curva’ em valorização, ela carrega vantagens como uma praia paradisíaca e perto de grandes centros. Além disso, por estar em uma Área de Proteção Ambiental (APA), a legislação local permite apenas construções com até três pavimentos e 40% de ocupação do terreno. O resultado é um número reduzido de unidades por empreendimento, o que aumenta, consequentemente, o potencial de valorização de cada imóvel”, destaca.
Curitiba: a capital com maior alta nos preços de imóveis residenciais
Curitiba foi a capital com maior alta nos preços de imóveis residenciais do Brasil em 2024, de acordo com pesquisa da FipeZAP. Entre as capitais monitoradas, os maiores avanços no ano foram em Curitiba (18%), Salvador (16,38%), João Pessoa (15,54%) e Aracaju (13,79%). Os dados de dezembro mostram que o valor médio para venda de um imóvel em Curitiba foi de R$ 10.703,00 por metro quadrado. Desta forma, um apartamento de 50 metros quadrados custou, em média, R$ 535.150,00. O valor médio ficou atrás apenas dos de Vitória (ES), Florianópolis (SC) e São Paulo (SP), segundo a pesquisa. Em 2023, imóveis de luxo e superluxo em Curitiba registram recorde de vendas.
Segundo o Índice FipeZAP, Curitiba vem se destacando por unir qualidade de vida, boa infraestrutura urbana e um ritmo de crescimento econômico consistente, fatores que têm atraído cada vez mais investidores e novos moradores.
Entre os bairros com maior valorização no último ano, destacam-se:
• Campo Comprido: 32,2%
• Batel: 29,8%
• Água Verde: 16,5%
• Portão: 15,4%
• CIC: 13,2%
Já de acordo com a pesquisa mais recente da ABRAINC, com dados da Brain Inteligência Estratégica (GeoBrain), o preço médio do metro quadrado de imóveis privados vendidos em Curitiba subiu 10% em setembro de 2024, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. O bairro Água Verde registrou o maior Valor Geral de Vendas (VGV) médio por empreendimento, concentrando imóveis de médio, alto padrão e luxo. Na sequência, destacaram-se os bairros Centro, Campo Comprido, Vila Izabel e Batel.
Inteligência artificial para avaliar valorização de imóveis
De acordo com Daniel Pazinatto, empresário e especialista em Gestão de Empreendimentos Privados de Desenvolvimento Urbano, a inteligência artificial tem incidido na insegurança ao investir em imóveis por possibilitar a análise de dados em uma escala e velocidade que nenhum ser humano poderia igualar.
“Um dos principais benefícios da IA no mercado imobiliário é a capacidade de cruzar milhares de dados para estimar se um imóvel tende a valorizar ou desvalorizar ao longo dos anos. Entre os principais fatores analisados estão o crescimento populacional, a infraestrutura planejada, o histórico de valorização, a segurança e a qualidade de vida na região, bem como a demanda por aluguel. Esses são alguns dos aspectos cruciais que influenciam o valor de um imóvel e que podem ser precisamente avaliados pela tecnologia, proporcionando informações valiosas para qualquer tomada de decisão”, conclui Pazinatto.
Fontes
Daniel Pazinatto é empresário e especialista em Gestão de Empreendimentos Privados de Desenvolvimento Urbano. Com 25 anos de experiência, foi presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (Aelo) RMC e diretor do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação ou Administração de Imóveis (SECOVI) de Campinas/SP. Atualmente, o profissional é sócio-diretor da Antonio Andrade Empreendimentos Imobiliários, fundada em 1978 pelo seu tio e referência no mercado de loteamento de alto padrão no estado de São Paulo.
Fabrício Bellini é diretor da Blue Heaven Empreendimentos e especialista em mercado imobiliário com mais de 20 anos de experiência.
Thiago Bernardes é head comercial do QuintoAndar.
Contatos
Daniel Pazinatto - Assessoria de imprensa - pedro.assis@mention.net.br
Assessoria de imprensa QuintoAndar - izabelly.lopes@agencia.pub
Assessoria de imprensa Blue Heaven – redacao2@rotascomunicacao.com.br
A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
“São Paulo pra Toda Obra” terá mais de 1.500 obras públicas e privadas

Crédito: Pablo Jacob/Governo de SP (enviada pela assessoria)
O Governo de São Paulo apresentou em abril o programa “São Paulo pra Toda Obra” — considerado o maior plano de modernização da malha rodoviária já realizado no estado. Ao todo, serão investidos R$ 30 bilhões em melhorias nas rodovias públicas e concedidas.
A iniciativa contempla mais de 1.500 intervenções com foco na melhoria da infraestrutura e da segurança viária, na criação de empregos e no impulso ao desenvolvimento econômico, promovendo mais qualidade de vida para a população.
“O SP pra Toda Obra não trata só de asfalto, concreto, máquina e engenharia. Estamos falando de gente, porque são as pessoas que vão se beneficiar desse empreendimento, com a diminuição do tempo de viagem e o aumento da segurança. Estamos falando do pai que vai ficar mais tempo com os filhos, da mãe que ficará despreocupada porque o filho vai sair e voltar em segurança e do produtor rural que vai deslocar sua produção com menos custos e transtornos. É prosperidade nos quatro cantos do estado”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas durante o evento de lançamento do programa.
De acordo com o Governo do Estado de São Paulo, a expectativa é que o programa gere um total de 252,6 mil postos de trabalho, sendo 86,7 mil nas obras já entregues e 168,8 mil nos serviços em andamento e nos projetos futuros.
Obras previstas
O SP pra Toda Obra prevê intervenções em 22,3 mil quilômetros de vias, abrangendo grandes rodovias, estradas estaduais, concedidas e vicinais. Das cerca de 1.500 obras previstas, 544 já foram entregues, 208 estão em execução e outras 829 ainda serão iniciadas. Desse total, 617 obras são de responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER – SP), com investimentos de R$ 14,5 bilhões. Já nas rodovias sob concessão, há 964 obras gerenciadas pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP), que somam R$ 15,4 bilhões em investimentos.
Durante o evento, o governador Tarcísio de Freitas anunciou o início de 62 novas obras, que somam um aporte de R$ 1 bilhão. Dessas ordens de serviço, 61 são convênios para melhorias em estradas vicinais que beneficiam 70 municípios e uma relativa a um viaduto na rodovia estadual SP 322, em Bebedouro, na região de Barretos, com aporte de R$ 67,1 milhões.
As melhorias envolvem pavimentação, restauração funcional, duplicações, interseções viárias, iluminação, adequações de trevos e recapeamento. As regiões com os maiores volumes de investimento, considerando os projetos do DER e da Artesp, são: Grande São Paulo (R$ 4,3 bilhões), região Central (R$ 3,19 bilhões), São José dos Campos (R$ 3,14 bilhões), Campinas (R$ 2,99 bilhões) e São José do Rio Preto (R$ 2,94 bilhões).
Parceria público-privada
Durante o lançamento do programa, o governador Tarcísio de Freitas ressaltou o desafio de consolidar uma mudança efetiva no modelo de regulação. “Não adianta pensar em transferir ativos para a iniciativa privada sem antes fortalecer a regulação. Mais uma vez, a Assembleia Legislativa foi protagonista: o arcabouço regulatório que temos em São Paulo é único no país. Não se pode ampliar a participação privada sem garantir uma regulação sólida e eficiente", afirmou.
Tarcísio de Freitas destacou ainda o papel essencial do capital privado nos investimentos em infraestrutura. “Estamos falando de R$ 30 bilhões apenas neste programa. E, no total, os investimentos em rodovias concedidas devem se aproximar de R$ 100 bilhões em breve. É um volume expressivo. Não é possível atender à demanda por infraestrutura apenas com recursos do Tesouro, que são limitados e sujeitos a oscilações econômicas. O Estado de São Paulo não é uma ilha, depende também do desempenho do Brasil como um todo", informou.
O governador lembrou ainda os avanços obtidos por meio do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). “Já temos cerca de R$ 354 bilhões contratados por meio do PPI, com leilões realizados em áreas como saneamento básico, mobilidade urbana, transporte sobre trilhos, entre outros. Estamos fazendo a nossa parte para impulsionar o crescimento do país, buscando e atraindo investimentos que geram desenvolvimento e melhoram a vida da população”, concluiu.
Lançamento do programa SP Pra Toda Obra:
Fonte
Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo/Lançamento do Programa SP Pra Toda Obra.
Contato: agenciadenoticias@sp.gov.br
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Projeto pretende transformar a mobilidade no município de Fazenda Rio Grande

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Fazenda Rio Grande, município da Região Metropolitana de Curitiba, vive um momento decisivo. Com uma população que quase dobrou em pouco mais de uma década, saltando de 81 mil habitantes em 2010 para 149 mil em 2022, a cidade sofre diariamente com congestionamentos, sobretudo na BR-116, principal ligação com Curitiba e com outros municípios do sul do Paraná.
O desafio de modernizar a mobilidade urbana encontrou resposta no projeto desenvolvido pela Geplan, que coordena uma das maiores intervenções viárias já realizadas na cidade. A obra, fruto de uma parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura, tem orçamento de R$ 160 milhões e prevê a construção de dois viadutos, reestruturação de vias marginais e revitalização de áreas de lazer.
“O município enfrenta várias dificuldades no planejamento estratégico urbano. O aumento populacional e o fluxo transitório dificultam o deslocamento das pessoas e causam congestionamentos, especialmente nos horários de pico”, explica Ricardo Amaral, fundador do escritório Ricardo Amaral Arquitetos Associados e da Geplan – Gerenciamento e Planejamento de Obras.
Diagnóstico técnico e participação comunitária
Antes de pôr a mão na massa, a Geplan realizou um mapeamento detalhado dos gargalos de mobilidade na cidade. A metodologia incluiu pesquisas em escolas, terminais urbanos e oficinas comunitárias. “Buscamos acessar famílias de diferentes regiões da cidade para obter um diagnóstico mais preciso”, afirma.

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O projeto também foi alinhado com diretrizes de órgãos como a Agência de Serviços Metropolitanos do Paraná (AMEP), a concessionária Arteris, a prefeitura e a Paraná Projetos. O objetivo foi garantir sinergia com outras intervenções já planejadas e evitar sobreposição de obras.
Segundo Amaral, o uso de softwares especializados de engenharia permitiu simular diferentes cenários de tráfego e avaliar o comportamento do sistema viário com os novos elementos previstos, como ruas, rotatórias, semáforos e binários. “Essa tecnologia nos permitiu testar soluções e prever a evolução da mobilidade a curto, médio e longo prazos”, detalha.
Obras estruturantes: dois viadutos e 1,5 km de vias revitalizadas
O projeto de engenharia prevê a construção de dois viadutos: o primeiro na Rua Nelson Claudino dos Santos, ligando os bairros Eucaliptos e Pioneiros, e o segundo na Rua Jatobá, nas proximidades do Posto Pelanda 21. Juntas, essas estruturas deverão melhorar significativamente o fluxo de aproximadamente 100 mil veículos que trafegam diariamente pela BR-116.
Além dos viadutos, serão revitalizados 1,5 km de vias marginais. A licitação será feita em modelo de contratação semi-integrada, modalidade que prevê a execução do projeto executivo e da obra pela mesma empresa, aumentando a eficiência e a agilidade do processo.
Requalificação urbana com foco em lazer e sustentabilidade
Mas o projeto vai além da mobilidade. A iniciativa também contempla melhorias em espaços públicos, como a Praça Brasil e o Parque Verde. Entre as novidades estão a construção de uma ponte sobre o vertedouro, ampliação do estacionamento, instalação de espaços gastronômicos para food trucks, criação de quadras esportivas e modernização do playground com piso emborrachado. Também haverá estrutura para esportes aquáticos.
As ruas Lapa, Paranaguá e a Avenida Paraná serão revitalizadas para facilitar o acesso ao Parque Verde, cujo objetivo é fomentar o turismo e integrar os espaços com calçadas acessíveis, ciclovias, pistas de corrida e estacionamento. “Avaliamos fatores como resistência e durabilidade dos materiais, impacto ambiental e custo-benefício. A experiência com outros projetos foi fundamental para garantir uma execução eficiente e duradoura”, ressalta.
Expectativa de impacto econômico e social
Com previsão de início das obras ainda este ano e conclusão em 24 meses, esse projeto representa um marco para Fazenda Rio Grande, não apenas por resolver os gargalos do trânsito, mas por impulsionar o desenvolvimento urbano e econômico da cidade. “Esse projeto foi pensado para transformar a mobilidade e a qualidade de vida da população. É uma intervenção que vai muito além da infraestrutura viária”, finaliza.
Entrevistado
Ricardo Amaral é arquiteto graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), fundador do escritório Ricardo Amaral Arquitetos Associados e da Geplan – Gerenciamento e Planejamento de Obras. Membro da AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura), possui mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento de projetos urbanos e corporativos.
Contato
contato@ricardoamaralarquitetos.com.br
Quais os impactos do Tarifaço de Trump para a construção civil brasileira?

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No dia 12 de março de 2025, passou a valer nos Estados Unidos a taxação de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio. A nova tarifa afeta diretamente o setor siderúrgico de importantes parceiros comerciais dos EUA, como Canadá e México. O Brasil, segundo maior exportador de aço para o mercado norte-americano, também será atingido pela medida. Qual será o impacto para a construção civil do Brasil?
Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), acredita que esta questão da guerra tarifária gera uma incerteza muito grande. “Ainda não temos a dimensão do que pode ocorrer. O aço consumido aqui no Brasil não pode ser importado da China. Lá, o vergalhão utilizado é o CA40 e as nossas normas exigem o CA50 – trata-se de uma característica técnica diferente. O que está acontecendo, muito provavelmente, é uma sobra de produtos chineses. Na nossa opinião, isso vai afetar mais o varejo do que a construção civil. Nós nos preocupamos mais com a subida do dólar do que com esta questão tarifária. De toda a forma, é uma incerteza que se gera no mercado e que não sabemos como isso vai se desdobrar”, pontuou durante a coletiva de imprensa da CBIC.
Segundo Ieda Vasconcelos, economista chefe da CBIC e do Sinduscon-MG, a preocupação maior é com a incerteza que ela estabelece nos investimentos – especialmente nos produtivos (aqueles que visam melhorar a capacidade de produção de uma empresa ou de um setor da economia, como máquinas, equipamentos e construção de instalações) – que já estão prejudicados com o patamar de alta taxa de juros. “O nível de incerteza não é só no Brasil, isso gera uma incerteza com relação à economia global como um todo. E o menor crescimento do mundo, conforme projetado pelo FMI, impacta todos, inclusive o Brasil. O que preocupa com relação a isso é o efeito que ela pode causar no crescimento da economia mundial e isso afetar a economia brasileira”, destaca.
Para Celso Zaffarani, fundador da Zaffarani Design Build, mesmo que não pareça à primeira vista, as decisões econômicas dos Estados Unidos acabam impactando os canteiros de obra por aqui. “Como empresário da construção civil, vejo com preocupação o modo como o aumento das tarifas e a valorização do dólar afetam diretamente o custo dos materiais que usamos diariamente. Quando o governo americano impõe tarifas sobre matérias-primas como aço, alumínio ou cobre, o efeito se espalha pelo mundo. Aqui no Brasil, esses insumos sobem de preço, mesmo quando são produzidos localmente, porque fazem parte de uma cadeia global. Isso pressiona os orçamentos, especialmente em obras com margens mais ajustadas e cronogramas rígidos”, explica.
Já Milton Bigucci Junior, diretor técnico da construtora MBigucci, acredita que o momento atual é de incerteza. “É difícil prever o cenário a médio e longo prazo, uma vez que as taxas ainda podem sofrer alterações. O Brasil, na verdade, é um dos maiores exportadores de aço para os EUA. Com a taxação — atualmente em 25% para aço e alumínio, e 10% para outros insumos — pode haver uma redução nas exportações e, consequentemente, um aumento da oferta no mercado interno, o que poderia até baratear alguns produtos da construção civil. Mas, a princípio, a expectativa é de que o mercado, de forma geral, se mantenha estável por enquanto”, prevê.
Impactos para as construtoras
Na opinião de Zaffarani, o impacto já é evidente no dia a dia das construtoras. “Estamos vendo orçamentos sendo revisados com muito mais frequência e decisões estratégicas sendo tomadas com base na volatilidade dos preços dos insumos. A imprevisibilidade dos custos tem levado até à reavaliação ou ao adiamento de projetos”, destaca.
Bigucci Junior, por sua vez, aponta que, no caso de sua construtora, a MBigucci, os impactos ainda não foram sentidos, uma vez que não depende de produtos importados para suas obras. “Mas o clima, no geral, ainda é de incerteza”, enfatiza.
Consequências
Com relação à expectativa de demanda de imóveis, assim como em 2024, Ieda afirma que há uma projeção de que o mercado continuará se destacando neste ano.
Correia complementa: “O mercado imobiliário é muito mais em função do que se tem de crédito ao cliente, porque demanda existe bastante. O FGTS hoje vai aplicar R$ 127 bilhões – mais ou menos o que fez no ano passado – e a extensão do faixa 4, renda de R$ 8 mil a R$ 12 mil, vai aplicar mais R$ 30 bilhões. Então este segmento certamente estará abastecido e poderá comprar um imóvel. Agora aquele imóvel acima de R$ 500 mil, ele vai ser um pouco mais seletivo, na nossa opinião, porque você vai ter menos dinheiro de caderneta de poupança. No ano passado, nós tivemos R$ 184 bilhões, aproximadamente, e para este ano espera-se R$ 150 bilhões aplicados em poupança. Então, deverá ter menos oportunidade de crédito, porque os bancos serão mais seletivos. Mas ainda assim é um valor muito importante”.
Zaffarani acredita que o risco de repasse ao consumidor final é bastante concreto — e preocupante. “No caso de obras públicas ou projetos voltados à habitação popular, que operam com margens muito justas e regras rígidas de reajuste, os aumentos de custo nem sempre conseguem ser absorvidos. Isso pode levar, infelizmente, à suspensão de contratos, à desaceleração dos canteiros e até à inviabilidade de certas obras”, afirma.
Já no setor privado, existe, de fato, maior flexibilidade para repassar parte desses aumentos ao consumidor final. “No entanto, é um movimento delicado, pois o encarecimento da construção costuma vir acompanhado de crédito mais restrito e mais caro, o que reduz a capacidade de compra da população. Ou seja, o impacto acaba sendo duplo: a obra custa mais para ser feita e o cliente tem mais dificuldade para financiá-la”, comenta Zaffarani.
Quando se trata de empreendimentos voltados à população de menor renda, essa equação se torna ainda mais sensível. “A elasticidade de preço é alta, e qualquer variação significativa pode comprometer a viabilidade do projeto. Por isso, o setor como um todo precisa buscar soluções criativas e sustentáveis para mitigar esses efeitos — e garantir que o acesso à moradia continue sendo possível para quem mais precisa”, pondera Zaffarani.
De acordo com Bigucci Junior, sempre existe o risco de repasse de preços aos consumidores finais, para mais ou para menos, conforme a oferta e a demanda no mercado de materiais de construção. “Entretanto, o momento ainda é de incerteza e, por enquanto, segue estável”, justifica.
Impactos do dólar na construção civil
Outro fator a ser considerado é que, com o dólar mais alto, tudo o que depende de importação — de equipamentos a componentes técnicos — fica mais caro. “Isso nos obriga a rever estratégias, antecipar compras e agir com muito mais cautela. Não é só uma questão de custo, mas de garantir que a obra continue, que o cliente não seja impactado e que a entrega mantenha o padrão de qualidade que defendemos. Além disso, lidamos com tarifas voláteis impostas pelo governo norte-americano e com toda a evolução dessa situação, o que gera um clima constante de incerteza. Essa instabilidade afeta diretamente os custos e a composição de preços, exigindo ainda mais planejamento e resiliência das empresas do setor”, opina Zaffarani.
Estratégias para mitigar os impactos
Zaffarani comenta que está atualmente executando uma obra cujo projeto vem dos Estados Unidos. “Os materiais de acabamento especificados são de origem italiana, espanhola, alemã e também americana, e estavam inicialmente previstos para serem adquiridos por meio de representantes nos Estados Unidos. Para manter os preços orçados e reduzir os impactos causados pelas tarifas e custos adicionais, adotamos uma mudança estratégica: estamos realizando a importação direta dos fabricantes europeus, eliminando a intermediação dos representantes norte-americanos. Essa decisão tem nos permitido maior controle sobre os custos e os prazos de entrega. Além disso, incluímos a importação direta de peças sob medida, como um lustre feito sob encomenda na China, o que também contribui para manter a previsibilidade orçamentária da obra”, relata.
Bigucci Junior destaca que, por enquanto, não houve grandes alterações que exigissem renegociações ou antecipação de compras.
Entrevistados
Renato Correia é presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Ieda Vasconcelos, economista chefe da CBIC e do Sinduscon-MG.
Celso Zaffarani é CEO da Zaffarani Construtora, uma empresa especializada no desenvolvimento de empreendimentos de alto padrão, com um olhar inovador para o mercado imobiliário de luxo. Com expertise em projetos diferenciados, a construtora tem acompanhado de perto a transformação dos shoppings centers em hubs multifuncionais, um fenômeno que tem impactado diretamente a valorização imobiliária em seu entorno.
Milton Bigucci Junior é diretor técnico da MBigucci e presidente da Associação dos Construtores do Grande ABC.
Contatos
CBIC - ascom@cbic.org.br
Celso Zaffarani – Assessoria de imprensa: abigail.reis@baronesarp.com.br
Milton Bigucci Junior – Assessoria de imprensa: imprensa@mbigucci.com.br
A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
Inovações trazem benefícios para as obras e construção

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Inovações tecnológicas vêm transformando a construção civil, trazendo mais agilidade, precisão e eficiência para as obras. Soluções como vistorias remotas, inteligência artificial e plataformas digitais estão sendo incorporadas por construtoras para otimizar processos, reduzir custos e melhorar a experiência do cliente — tanto durante a execução quanto nas etapas pós-entrega dos empreendimentos. Confira algumas soluções:
Primeiro chat de IA do setor de construção civil
Recentemente, a construtora BRZ Empreendimentos lançou o Kintú, um chat de inteligência artificial (IA) desenvolvido internamente pelo setor de Tecnologia e Inovação. De acordo com Francis Navarro, CTO na BRZ Empreendimentos, a ferramenta foi criada para ampliar a capacidade analítica dos times. “Treinado com base em dados estratégicos da empresa, ele permite que qualquer colaborador envie documentos próprios, como contratos, apresentações e planilhas complexas com grandes volumes de dados, e receba respostas inteligentes, organizadas e contextualizadas em segundos. O KINTÚ eleva o nível das análises, amplia a autonomia dos times e fortalece a maturidade operacional. Na prática, cada colaborador passa a contar com um assistente pessoal, com conhecimento ilimitado e senioridade elevada, capaz de trazer mais segurança, agilidade e precisão ao dia a dia”, informa o CTO.
Segundo Navarro, desde a implementação do KINTÚ, a BRZ Empreendimentos tem observado ganhos expressivos em agilidade, precisão e produtividade. “As áreas que mais se beneficiaram até agora foram Engenharia, Jurídico, Financeiro, Gente e Gestão e Comercial, especialmente em rotinas que exigem análise de documentos extensos, interpretação de dados e apoio a decisões operacionais. Além disso, temos percebido redução no retrabalho, maior autonomia dos times e aceleração nos ciclos de decisão. O KINTÚ tem se consolidado como um reforço estratégico no dia a dia, transformando tarefas operacionais em decisões mais rápidas e inteligentes”, pontua.
Navarro destaca que optaram por desenvolver uma IA própria, pois o custo de licenciar uma IA genérica, como o ChatGPT, para mais de mil colaboradores superaria R$ 1,5 milhão por ano, com limitações de uso individual e pouca flexibilidade de personalização.
O primeiro grande entrave para a criação de uma IA própria é estratégico: superar a resistência natural à mudança em um cenário onde a inteligência artificial ainda é, para muitos, uma abstração. Do ponto de vista técnico, os desafios são complexos. “É necessário escolher entre diferentes motores de IA como OpenAI, Anthropic ou Google, avaliando desempenho, custo por token, velocidade e profundidade contextual. No caso do KINTÚ, foi fundamental implementar uma camada de autenticação exclusiva para colaboradores, garantindo que apenas usuários autorizados possam acessar o conteúdo e interagir com dados estratégicos da empresa”, destaca Navarro.
Gêmeos digitais em diferentes tipos de obras
Os gêmeos digitais são réplicas virtuais dinâmicas que permitem simular, emular ou espelhar dados coletados em tempo real de ativos físicos, como edifícios, rodovias, fábricas etc. “O modelo BIM pode ser utilizado como base para a criação do gêmeo digital, no qual dados dinâmicos provenientes de sensores podem ser vinculados para permitir a visualização em tempo real”, expõe Natália Nakamura Barros, arquiteta no Tech Lab - Hub de BIM e Inovação - da Sondotécnica.

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Algumas referências trazem que o primeiro estágio de maturidade do gêmeo digital é o ativo virtual, que pode ser um modelo BIM, e que estágios mais avançados de maturidade incluem a conexão com dados de sensores, análise preditiva e ativos conectados. “Deste modo, os gêmeos digitais consistem em ativos virtuais que refletem o que está acontecendo no ativo físico em tempo real, permitindo análises preditivas e decisões baseadas em dados atualizados”, destaca Natália.
Segundo a arquiteta, o gêmeo digital pode ser utilizado em todo o ciclo de vida do empreendimento:
- Concepção: dados agregados ao ativo virtual, ou modelo BIM, podem ser utilizados para auxiliar nas simulações e requisitos operacionais.
- Construção: sensores instalados no canteiro de obras podem monitorar progresso, qualidade e segurança, sincronizando dados com o modelo virtual.
- Operação e manutenção: o gêmeo digital se torna uma ferramenta essencial, recebendo dados em tempo real sobre variáveis como temperatura, consumo energético e condições de operação, o que permite a manutenção preditiva, eficiência energética e gestão proativa de ativos.
Apesar de hoje ser mais comum o uso de gêmeos digitais em grandes empreendimentos, a viabilidade em empreendimentos de médio e pequeno porte está crescendo, segundo Natália. “Soluções baseadas em nuvem podem reduzir custos com infraestrutura física, enquanto módulos específicos — como os dedicados à manutenção preditiva de ativos — permitem uma adoção gradual”, aponta.
Atualmente, o setor industrial está à frente na adoção de gêmeos digitais, devido à complexidade dos ativos e à necessidade de manutenção preditiva:
- Fábricas e plantas industriais, por exemplo, dependem de monitoramento constante para evitar paradas não programadas.
- O setor de infraestrutura, como rodovias e redes de saneamento básico, está avançando, uma vez que requerem gestão eficiente ao longo de décadas.
- O setor de edificações, especialmente em projetos de edifícios inteligentes e certificações sustentáveis, também está crescendo rapidamente, impulsionado pela demanda por eficiência energética e conforto dos usuários. A evolução desses setores serve como um laboratório para práticas que, futuramente, podem ser replicadas em outros setores da construção civil.
Vistoria remota na pós-entrega
Setores da construção civil têm adotado plataformas digitais para vistorias remotas, especialmente no pós-obra ou pós-entrega. Na Octágora, por exemplo, após a entrega das chaves, o cliente avalia o imóvel e pode relatar problemas via atendimento por vídeo. “A vistoria remota permite registrar os apontamentos do cliente em um laudo padronizado, sem necessidade de visita presencial”, explica Daniel Cussi, cofundador e CTO da empresa.
Além disso, formulários digitais permitem iniciar o atendimento de forma assíncrona, coletando fotos e descrições que passam por análise técnica. Se necessário, uma videochamada é agendada para aprofundar o diagnóstico. Essa abordagem reduz custos, acelera o atendimento e traz mais comodidade às partes envolvidas.
Segundo Cussi, a vistoria remota é eficaz quando o suporte visual é suficiente. Em casos mais complexos, ela funciona como triagem, permitindo que a equipe vá ao local já preparada, muitas vezes evitando visitas adicionais.
Entrevistados
Francis Navarro é CTO na BRZ Empreendimentos.
Natália Nakamura Barros, arquiteta no Tech Lab - Hub de BIM e Inovação - da Sondotécnica.
Daniel Cussi é cofundador e CTO da Octágora.
Contatos
Assessoria de imprensa BRZ Empreendimentos: annacarolina@nbpress.com.br
Natália Nakamura Barros: natalianakamura.arq@gmail.com
Assessoria de imprensa Octágora: cassio.valler@camp1.co
A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
Plano Nacional de Economia Circular propõe novo modelo de desenvolvimento sustentável

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O Brasil está se preparando para uma mudança significativa na forma como lida com recursos naturais, resíduos e cadeias produtivas. O governo federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), está elaborando o Plano Nacional de Economia Circular (PNEC).
A proposta busca promover uma transição do modelo linear de produção, baseado em extrair, consumir e descartar, para uma lógica circular, que valoriza o reuso, a regeneração e o reaproveitamento de recursos.
“O plano parte da premissa de que precisamos de uma abordagem sistêmica, intersetorial e integrada para lidar com os desafios ambientais, sociais e econômicos do país”, afirma Flávio Ribeiro, coordenador da Cooperação Técnica alemã da GIZ no Brasil para a agenda de economia circular.
Estratégia ampla e participação ativa
O PNEC está sendo construído com a contribuição de representantes do setor produtivo, poder público, academia e sociedade civil. Segundo Ribeiro, o objetivo é que o plano seja não apenas uma política pública, mas um verdadeiro pacto nacional pela transformação do modelo de desenvolvimento brasileiro.
“Estamos focando em quatro grandes eixos estratégicos: promoção da circularidade nas cadeias produtivas, incentivo a modelos de negócio circulares, estímulo à inovação e melhoria do ambiente regulatório”, explica o coordenador. Além disso, estão previstas medidas de educação, formação profissional e financiamento para iniciativas sustentáveis.
Entre os setores que podem se beneficiar dessa transição e já atuam com economia circular, está a indústria cimenteira. De acordo com Ribeiro, o setor tem diversas oportunidades para aplicar os princípios circulares de maneira prática e estratégica.
“O setor cimenteiro pode adotar tecnologias de coprocessamento de resíduos, substituindo parte do combustível fóssil por resíduos sólidos urbanos, industriais e da agricultura”, afirma.
Exemplo disso é a Rio Bonito, empresa do grupo Itambé especializada em coprocessamento e que em 2024 processou 155.786 toneladas de resíduos. “Hoje, o coprocessamento é uma técnica consolidada, reconhecida por sua eficiência no tratamento de resíduos. A diversidade de vias de introdução de resíduos nos fornos é um diferencial técnico que posiciona a Rio Bonito como líder no mercado”, assinala Israel Wisniewski Vaz, gerente técnico e de coprocessamento da Rio Bonito.
A economia circular é reconhecida mundialmente por seus efeitos positivos na geração de empregos, redução de emissões e estímulo à inovação. De acordo com Flávio Ribeiro, a experiência norueguesa mostra como é possível implementar soluções concretas e eficientes no setor da construção civil, promovendo a circularidade desde o início das obras.
“Na Noruega, está sendo adotado um modelo no qual os estandes de vendas de imóveis já são construídos com planejamento para serem desmontados e reutilizados em outras obras. Ou seja, nada é descartado após a venda do empreendimento”, destaca Ribeiro.
Essa prática alia sustentabilidade à redução de custos, ao evitar o desperdício de materiais e gerar menor impacto ambiental. Além disso, ela representa uma mudança na mentalidade do setor, priorizando o design reversível e reutilizável desde a concepção do projeto arquitetônico. “É uma aplicação clara do conceito de economia circular. O que antes era visto como lixo passa a ser entendido como recurso”, completa.
Para o Brasil, as oportunidades são especialmente promissoras nos setores da construção civil, agronegócio, indústria e saneamento. “É um caminho para tornar o país mais competitivo internacionalmente, com produtos mais sustentáveis, e ao mesmo tempo promover inclusão social e melhoria na qualidade de vida”, reforça Ribeiro. Ele também destaca que o plano prevê indicadores para medir os avanços e identificar áreas prioritárias para políticas públicas.
Brasil como protagonista
O PNEC representa uma oportunidade para o país liderar uma agenda ambiental moderna e inclusiva. Para Ribeiro, o momento é de ação coordenada e construção de consensos. “A economia circular nos convida a repensar processos, valores e formas de produzir. É uma proposta transformadora, que pode gerar benefícios para as atuais e futuras gerações.”
O plano, que já passou pela fase de consulta pública, deve ser finalizado ainda este ano, e a expectativa é de que se torne referência para estados e municípios. “Nosso desafio é construir um modelo que funcione na prática, com metas claras, recursos e governança. E estamos no caminho certo para isso”, conclui.
Iniciativa prática: Caçamba do Bem
Um exemplo concreto de economia circular em prática é o projeto Caçamba do Bem, idealizado por Marília Bender Almeida, designer de interiores e empreendedora social. O projeto funciona como um brechó da construção civil, evitando o descarte de materiais e promovendo seu reaproveitamento.
“Nós reinscrevemos no mercado peças que seriam jogadas fora, por meio da venda ou da doação desses materiais. Em 2024, já ressignificamos mais de 6 mil peças”, afirma Marília. A ação ajuda a reduzir resíduos em canteiros de obras e democratiza o acesso a materiais de construção.
Entrevistados
Flavio Ribeiro é embaixador do Movimento Circular, consultor e professor de Economia Circular, Logística Reversa e Regulação Ambiental Empresarial. Engenheiro Mecânico, especialista em Gestão e Tecnologias Ambientais e Análise Pluridisciplinar do Estado do Mundo. Mestre em Energia e Doutor em Ciências Ambientais. Conselheiro para Economia Circular do Pacto Global da ONU. Professor na Pós-Graduação em Direito Ambiental Internacional da Universidade Católica de Santos e na FIA Business School.
Marília Bender Almeida é formada em direito pela Universidade Positivo e designer de interiores pelo Centro Europeu. Sócia do escritório Bender Arquitetura e fundadora e CEO do Caçamba do Bem
Israel Wisniewski Vaz é graduado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduado em Gestão da Produção e Recursos Humanos pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI), MBA em Lean Manufacturing pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Atualmente, é gerente técnico e coprocessamento da Cimento Itambé e Rio Bonito Soluções Ambientais.
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A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
Rooftops impulsionam valorização de empreendimentos imobiliários

Crédito: Rottas Construtora
Em grandes metrópoles como Nova York, Paris e Londres, os prédios com rooftops já fazem sucesso há bastante tempo. Mais recentemente, essa tendência passou a fazer parte da cultura brasileira também. De acordo com um levantamento da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), empreendimentos com rooftops podem apresentar uma valorização de até 25% no metro quadrado.
Para Felipe Silveira, diretor comercial e de marketing da Rottas Construtora, o rooftop valoriza significativamente o empreendimento como um todo. “Ele eleva o padrão das áreas comuns, cria espaços mais agradáveis e desejados e ainda oferece uma vista exclusiva da cidade — algo que realmente faz diferença na experiência do morador. Isso agrega valor ao imóvel e à percepção que o cliente tem do produto”, afirma.
A valorização pode chegar a 20% em comparação com produtos semelhantes que não contam com essa estrutura, segundo Silveira. “Hoje, o rooftop é um diferencial claro de mercado e influencia tanto o valor de venda quanto a atratividade para locação”, expõe.
Este movimento veio em conjunto com a valorização das áreas de lazer na pandemia. “Este momento mudou o comportamento do cliente. Ele passou a dar muito mais valor a áreas ao ar livre, espaços integrados, comodidades como coworking, academia, salão gourmet e o rooftop ganhou ainda mais protagonismo nisso tudo”, destaca Silveira.
Como são os rooftops hoje?
Os rooftops se destacam por oferecer áreas comuns diferenciadas, como espaços para coworking, piscinas, academias e áreas gourmet, proporcionando aos moradores experiências únicas sem que precisem sair do condomínio.
"O rooftop vai além da estética; ele redefine o uso das áreas comuns dos empreendimentos, oferecendo espaços que integram lazer, trabalho e bem-estar, tornando o dia a dia mais prático e funcional", comenta Silveira.
Vantagens dos rooftops
Dentre as vantagens de ter um rooftop em um prédio residencial estão:
• Maior privacidade — especialmente nos casos em que a piscina fica no topo;
• Vista privilegiada;
• Menor chance de ter áreas com sombra de outros prédios.
Desafios de projetar rooftops
De acordo com Silveira, o primeiro ponto é o planejamento do terreno. “Para que o rooftop realmente tenha valor, a vista precisa estar garantida, sem risco de ser bloqueada no futuro”, explica.
Além disso, é importante cuidar do conforto acústico. “No empreendimento DOOR, por exemplo, usamos manta acústica e laje com maior espessura para barrar os ruídos das áreas comuns”, pontua o diretor comercial e de marketing da Rottas Construtora.
Entre outros pontos de atenção, estão:
– O atendimento às normas de segurança, como a ABNT NBR 14.718 de Guarda-Corpo (que prevê a necessidade de aplicar um corrimão acima de 1,10 m);
– A existência de pontos apropriados para manutenção e limpeza de canos de água pluvial, caixa-d'água e máquinas de ar-condicionado;
– O acesso à casa de máquinas dos elevadores.
Entrevistado
Felipe Silveira é diretor comercial e de marketing da Rottas Construtora.
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Usinas hidrelétricas devem investir R$ 12 bilhões em atualizações até 2030

Crédito: Envato
O setor elétrico brasileiro atravessa um momento decisivo de transformação. Até 2030, pelo menos 40 usinas hidrelétricas no país passarão por um amplo processo de modernização e atualização tecnológica, com investimentos que devem somar R$ 12 bilhões. A iniciativa busca enfrentar os desafios de um parque gerador envelhecido, aumentar a eficiência dos equipamentos e garantir maior confiabilidade no fornecimento de energia.
As informações foram confirmadas por Sérgio Fagundes, CEO da Insight Energy, empresa responsável pela modernização da usina de Salto Grande, em Minas Gerais. “A maioria dos geradores já ultrapassou os 40 anos de uso, que é a vida útil estimada para esse tipo de equipamento. A modernização é fundamental para garantir segurança e confiabilidade para o setor elétrico brasileiro”, explica.
Equipamentos novos, estrutura renovada
O trabalho de modernização inclui a troca de peças danificadas, a implementação de novas tecnologias e a atualização de sistemas de controle. “Além de aumentar a eficiência e a durabilidade dos equipamentos, as atualizações também reduzem os impactos ambientais ao promover um uso mais racional dos recursos naturais”, explica.
O engenheiro civil e professor Ariston da Silva Melo Junior, do Centro Universitário FMU, destaca que o investimento em manutenção e infraestrutura é imprescindível. “É preciso garantir maior confiabilidade e eficiência na geração de energia com a minimização dos custos e riscos. Isso só é possível com uma manutenção preventiva eficaz, que deve utilizar sensores e sistemas de monitoramento para prever falhas antes que se tornem problemas graves”, defende.
O papel do concreto e da engenharia de manutenção
Ele aponta que o concreto é protagonista nas estruturas das hidrelétricas, presente na barragem, no vertedouro, na casa de força e nas edificações auxiliares. “A estrutura deve passar por reparos em fissuras, substituição de componentes desgastados e impermeabilizações atualizadas. Hoje, temos materiais mais resistentes que garantem maior vida útil e segurança às obras”, explica.
Além disso, a diversidade do concreto é aplicada conforme a demanda de cada estrutura. “Usa-se concreto-massa em grandes volumes, como nas barragens, concreto compacto com rolo para maior permeabilidade e concreto armado em elementos que exigem resistência, como vigas e pilares”, complementa Ariston.
Segurança de barragens: foco prioritário
A segurança das barragens também é um dos focos do processo de modernização. Melo ressalta a importância da implantação de planos emergenciais: “As usinas devem adotar um Plano de Ação Emergencial (PAE), que envolve o monitoramento contínuo, inspeções de segurança especiais e a instalação de sistemas redundantes, como drenos e vertedouros emergenciais, para lidar com situações de risco”, afirma.
De acordo com o professor, esses procedimentos vêm sendo atualizados constantemente. “O Operador Nacional do Sistema (ONS) informa que os planos de segurança de barragens estão em dia e os níveis dos reservatórios estão acima de 50%, garantindo estabilidade energética. Ainda assim, o monitoramento não pode ser interrompido”, completa.
Para debater essas questões, a Semana de Barragens 2025, também conhecida como Damsweek 2025, vai ocorrer em Porto Alegre de 24 a 29 de agosto de 2025, com o objetivo de contribuir com soluções técnicas para a segurança e sustentabilidade de barragens.
Parcerias internacionais e tecnologia de ponta
Para viabilizar as atualizações, Fagundes tem buscado parceiros internacionais. Durante uma missão empresarial à China, o executivo firmou um acordo com uma empresa de equipamentos pesados. “Fiquei impressionado com a infraestrutura chinesa e, em termos de tecnologia, o Brasil não fica para trás. Visitamos fábricas em que os equipamentos são idênticos aos nossos”, informa o empresário.
Ele reforça que a modernização é, antes de tudo, uma medida estratégica. “É um movimento necessário para manter a competitividade do setor energético e garantir segurança à população e às empresas que dependem da estabilidade do fornecimento de energia elétrica”, conclui.
Entrevistados
Sérgio Fagundes é engenheiro eletricista formado pela Universidade Norte do Paraná (Unopar) e pós-graduado em Gestão de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas/Senai.
É fundador da Insight Energy, empresa especializada na fabricação, conserto e manutenção de equipamentos para o setor de energia.
Ariston da Silva Melo Junior é engenheiro civil, agrícola e de segurança do trabalho pela Unicamp, Mestre em Engenharia de Águas e Solos, Doutor em Engenharia de Recursos Hídricos pela Unicamp e pós-doutor em Engenharia de Materiais, Poluição Atmosférica, Saneamento e Infraestrutura Hídrica pelas Unicamp e IPEN/USP. Professor visitante na Unicamp, professor dos cursos de Engenharia Civil; Engenharia Ambiental; Engenharia de Petróleo e Arquitetura e Urbanismo pela FMU- FIAM FAAM. Membro do comitê de bacias hidrográficas de São Paulo, professor da FATEC/SP no curso de hidráulica e saneamento. Associado à AESABESP, órgão de engenheiros da Sabesp.
Contatos
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Construção modular avança no Brasil e promete transformar o setor com agilidade e precisão

Crédito: Envato
A construção modular está deixando de ser uma promessa para se tornar realidade no Brasil. Baseado na fabricação de módulos pré-moldados em ambiente industrial, esse sistema vem conquistando espaço, principalmente em setores que exigem rapidez, durabilidade e precisão, como o agronegócio e a indústria.
Com peças como pilares, vigas e lajes produzidas fora do canteiro de obras e depois transportadas para o local da montagem, o processo se torna mais previsível e eficiente. E os resultados já chamam a atenção. “A construção modular tem ganhado espaço no setor agroindustrial devido à sua flexibilidade, eficiência e rapidez na execução dos projetos”, explica o engenheiro Rafael de Souza Castello, da Engebel, empresa especializada no segmento.
Eficiência começa no projeto
A diferença começa no papel. Ao contrário do modelo convencional, que costuma sofrer ajustes no decorrer da obra, a construção modular exige um projeto executivo detalhado desde o início. Cada peça é planejada, dimensionada e executada com precisão em ambiente fabril, o que garante qualidade e padronização.
“Essa etapa permite um controle de produtividade e de qualidade que dificilmente se alcança em um canteiro tradicional”, afirma Castello. A fabricação controlada também gera menos desperdício e mais sustentabilidade, já que o uso dos materiais é otimizado e as perdas são mínimas.
Com módulos prontos e equipe treinada, o tempo de execução da obra é significativamente reduzido. Além disso, o sistema minimiza a dependência da mão de obra local e evita problemas comuns na construção tradicional, como atrasos por conta do clima ou falta de materiais.
“Reduzimos a volatilidade no canteiro e entregamos com mais rapidez e previsibilidade. Isso se traduz em economia e melhores resultados para o cliente”, pontua o engenheiro.
Em estruturas específicas do agronegócio, como armazéns de fertilizantes, o uso do concreto com alto grau de proteção à corrosão também é um diferencial importante, garantindo maior durabilidade e segurança.
Uma escolha cada vez mais estratégica
Embora ainda represente uma fatia modesta do mercado, a construção modular cresce a passos largos. Na Espanha, por exemplo, espera-se que 10% das casas passem a adotar esse sistema até 2030. No Brasil, essa evolução já é visível em projetos agroindustriais e corporativos.
Para empresas que pensam em migrar para o modelo modular, Castello recomenda planejamento e bons parceiros: “É fundamental trabalhar com fornecedores experientes e investir em um projeto executivo bem feito. A mudança exige ajustes, mas os benefícios compensam”.
Com obras em andamento como armazéns em Paranaguá, a Engebel é uma das empresas que apostam nesse futuro. A construção modular mostra que inovação e produtividade podem caminhar juntas no canteiro de obras.
Entrevistado
Rafael de Souza Castello é engenheiro civil graduado pela União de Ensino do Sudoeste do Paraná (UNISEP), pós-graduado em Estruturas de Concreto e Fundações pela Universidade Paranaense (UNIPAR). Atualmente, é engenheiro da Engebel.
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Como as mudanças climáticas impactam o saneamento?

Crédito: Envato
As mudanças climáticas devem se acentuar até 2050. De acordo com um estudo do Instituto Trata Brasil, divulgado em 2024, secas, ondas de calor e tempestades podem impactar o abastecimento de água no país.
Ainda segundo o documento, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Rio de Janeiro são os Estados com mais risco de terem o seu abastecimento de água afetado por tempestades. Já o Rio Grande do Sul e Santa Catarina são os Estados com maior risco de contaminação de águas superficiais (aquelas que se acumulam e escoam na superfície da terra, como rios, riachos, lagos, lagoas e pântanos) e impacto no sistema de esgotamento sanitário em tempestades. O Mato Grosso do Sul e Amazonas apresentam os maiores riscos de seu abastecimento de água ser afetado por ondas de calor. Por fim, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba possuem o sistema de abastecimento de água mais vulnerável a secas meteorológicas.
“Essas variações climáticas não apenas afetam a infraestrutura física das companhias de abastecimento, mas também evidenciam a necessidade de planejamento estratégico baseado em cenários climáticos futuros. Para a população, estes riscos climáticos intensificam a desigualdade no acesso a serviços de saneamento básico de qualidade, especialmente em áreas urbanas periféricas e rurais, já que enfrentam dificuldades de infraestrutura”, informou o relatório “As Mudanças Climáticas no Setor de Saneamento: Como tempestades, secas e ondas de calor impactam o consumo de água?”.
Desafios
Para Gustavo Leite, CEO da Ecossis Soluções Ambientais, as mudanças climáticas já estão pressionando muito os sistemas de saneamento no Brasil. “As chuvas intensas sobrecarregam as redes de esgoto e drenagem, enquanto as secas tornam a operação de estações de tratamento muito mais difícil. O que antes era exceção agora virou rotina. Isso compromete não só a eficiência dos sistemas, mas também a qualidade da água disponível para a população”, pontua.
Leite acredita que um dos grandes desafios é que a infraestrutura de saneamento das cidades foi, em sua maioria, pensada para um clima que já não existe mais. “Hoje, planejar soluções exige muito mais integração. Planos de Saneamento Básico, Planos de Bacia Hidrográfica, e outros instrumentos de gestão territorial são fundamentais para tornar as ações mais sinérgicas e sistêmicas. São eles que permitem enxergar o problema em toda a sua complexidade, porque o saneamento não pode mais ser tratado isoladamente — ele precisa dialogar com a gestão de recursos hídricos, com a ocupação do solo, com a preservação ambiental. E há as limitações orçamentárias e de capacidade de execução. Muitos municípios estão sem dinheiro para este projeto e acaba por restar apenas ações pontuais, paliativas ou de pequena escada, com o que "dá pra fazer". Isso é um problema real e sério”, alerta.
Outro ponto muito crítico é o conflito de competências entre municípios, Estados e a União. “Quando falamos de água, de mananciais e de infraestrutura, o dano nunca respeita fronteiras políticas. Um município a montante pode impactar todo o sistema de abastecimento a jusante, e o atual modelo de gestão fragmentada dificulta demais a construção de soluções efetivas. Precisamos de um debate sério sobre como superar esses conflitos de atribuição, para que as ações sejam integradas e realmente funcionem no território. Entender que o dano é sempre coletivo, que a poluição ou a escassez da água em uma região afeta todas as outras, é um passo essencial. Sem essa visão mais sistêmica e cooperativa, vamos continuar apenas reagindo a crises, e não construindo um sistema de saneamento resiliente e preparado para os desafios que o clima nos impõe”, destaca Leite.
Uso de tecnologias para enfrentar problemas de saneamento
Atualmente, o enfretamento dos problemas de saneamento passa muitas vezes pela mensuração de dados dos rios e chuvas. Veja alguns exemplos:
- Rede de telemetria para monitorar em tempo real a vazão dos rios e as chuvas. O Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo mantém uma rede com 500 pontos de medição;
- Uso de gêmeos digitais para prover dados em tempo real de sensores. Na Inglaterra, a Thames Water implementou um projeto com gêmeos digitais, que mostram uma representação digital do estado atual de um sistema do mundo real. Isso permite a tomada de decisões orientadas por dados e a identificação proativa de problemas.
Entrevistado
Gustavo Leite é CEO da Ecossis Soluções Ambientais.
Contato: gustavo.leite@ecossis.com.br
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