Construindo Melhor
Não utilize a "nata de cimento" para ancorar (colar) as peças de concreto. Apesar do poder aglomerante do cimento, o excesso de água desta "nata" forma uma área de pouca resistência entre os concretos. Portanto, utilize corretamente os diversos produtos químicos existentes no mercado que conferem uma aderência satisfatória. Atente-se à perfeita limpeza (escova de aço), apicoamento (rugosidade do concreto) e lavagem com água, necessários para receber o produto químico.
Créditos: Engº. Carlos Gustavo Marcondes - Assessor Técnico Comercial Itambé
Florianópolis prioriza o futuro
Capital catarinense debate soluções que garantam a mobilidade dentro da ilha e a conexão com o continente

Em março deste ano, em meio às comemorações de seus 283 anos, Florianópolis lançou um fórum para debater o futuro. No centro da questão estava a mobilidade dentro da ilha e a conexão com o continente.
Coordenado pelo IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis), e com a participação de órgãos de trânsito e de engenharia de Santa Catarina, o fórum concluiu que se nada for feito até 2020 Florianópolis pode mergulhar em um caos urbano.
Das soluções apontadas, uma foi consensual: Florianópolis precisa urgentemente pensar na construção de mais uma ponte, que permita quadruplicar o fluxo de veículos que trafegam diariamente entre a ilha e o continente. Segundo cálculos do IPUF, nas pontes existentes hoje passam cerca de 160 mil veículos por dia quantidade que se equipara ao trânsito na ponte Rio-Niterói. Se a cidade seguir crescendo a taxas de 5% ao ano, como tem acontecido, em 2020 a frota de 160 mil passará a ser de 320 mil.
Para o engenheiro de trânsito Severino Soares Silva, diretor da ESSE (Empresa SulBrasileira de Serviços de Engenharia), pelos estudos do IPUF, Florianópolis não precisa nem esperar 2020 chegar. Se continuar assim, a cidade para em 2014. Quer dizer, entre atravessar as pontes, percorrer a via expressa e chegar ao centro levará, seguramente, mais de duas horas, avalia o especialista, que idealizou o projeto da construção da nova ponte e da ampliação da via expressa.
No plano apresentado pela ESSE, em parceria com a Sotepa (Sociedade Técnica de Estudos de projetos e Assessoria Ltda.), a quarta ponte seria construída entre as duas pontes já existentes. O projeto propõe ainda quadruplicar a via expressa. Desta forma as faixas de hoje permaneceriam normais e as faixas na nossa proposta teriam pedágio. Isso possibilita atrair a iniciativa privada para a construção, diz o engenheiro Severino Soares Silva. O valor da obra é estimado em R$ 350 milhões.
No fórum sobre as soluções de mobilidade para Florianópolis surgiu ainda a possibilidade da construção de um túnel ligando a ilha ao continente. A obra, no entanto, ficaria no mínimo dez vezes mais cara do que a construção de um novo viaduto. Antes, os especialistas acham que é preciso também pensar em desafogar o trânsito na área continental, ligando a ilha à BR-101. Um trecho de 2,4 quilômetros está em construção há cinco anos e já consumiu R$ 40 milhões. São precisos mais dez quilômetros para a ligação com a rodovia. O governo catarinense espera ser contemplado com recursos do PAC da mobilidade para finalizar a extensão continental da via expressa.
Enquanto as soluções definitivas não chegam, o IPUF tenta amenizar os congestionamentos na ilha em horários de pico. Uma medida foi criar faixas exclusivas nas pontes para o transporte público. Arquiteta e urbanista do IPUF, e coordenadora de projetos cicloviários, Vera Lúcia Gonçalves da Silva acredita que é preciso repensar o trânsito na cidade. Nós temos diferentes vias: uma principal, uma coletora, uma local, cada uma com velocidades diferentes. Para cada linha, pensamos em estabelecer prioridades para pedestres, ciclistas e transporte coletivo, planeja.
No entanto, o engenheiro de trânsito Severino Soares Silva acha difícil implantar esses conceitos. A única cidade do mundo que eu conheço que os administradores conseguiram tirar o automóvel da cidade é Londres. Lá fizeram um programa arrojado e lá se cumprem leis e lá se multam. Londres implantou uma restrição ao automóvel no anel central da cidade e quem quer trafegar lá paga hoje quase 20 euros. Só que mesmo assim se passaram três anos e se tirou apenas 2% dos automóveis. Não se tiram mais automóveis das cidades. Este é um bem que o homem inventou e não consegue abdicar mais dele. A solução está no investimento em obras que dêem mobilidade, aposta.
Fonte:
Severino Soares Silva: severino@esseconsultoria.com
Vera Lúcia Gonçalves da Silva: vera@ipuf.sc.gov.br
Ponte Hercílio Luz é patrimônio histórico
A ponte Hercílio Luz foi a primeira obra a ligar o continente à ilha de Santa Catarina

A obra é uma das maiores pontes pênseis do mundo e a maior do Brasil. Teve sua construção iniciada em 14 de novembro de 1922 e foi inaugurada a 13 de maio de 1926. O comprimento total é de 819,471 metros, com 259 metros de viaduto insular, 339,471 metros de vão central e 221 metros de viaduto continental.
A estrutura de aço tem o peso aproximado de cinco mil toneladas e os alicerces e pilares consumiram 14.250 m³ de concreto. As duas torres medem 75 metros, a partir do nível do mar, e o vão central tem altura de 43 metros.
A Hercílio Luz está em fase de restauração para aumentar sua segurança. A obra, segundo estimativa do governo de Santa Catarina, deve ser concluída em 2010. Há ainda um projeto de instalar um metrô de superfície que percorreria o leito da ponte, ligando o bairro de Barreiros, em São José, e o centro da capital. O valor da obra está orçado em R$ 250 milhões. Desde 1991 está proibido o tráfego de veículos na Hercílio Luz.
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Acredite: preocupação ambiental dá lucro
Empresas que despertarem para essa questão vão dar um salto de qualidade e amplificar os negócios, defende especialista

O gestor ambiental Maurício Roberto Maruca tem uma visão diferenciada sobre aplicação de conceitos ambientais no mundo empresarial. Para ele, o setor precisa despertar para a viabilidade que alia lucro e meio ambiente. Se a preocupação com o lucro e a preocupação ambiental não forem aliados nós não vamos chegar a lugar nenhum, defende.
O especialista também considera que já é hora de as rigorosas leis ambientais existentes no Brasil saírem do papel para punir quem ignora o meio ambiente. A curto prazo são necessárias soluções drásticas, diz, afirmando que a empresa que despertar para a questão da imagem ambiental vai dar um salto em seus negócios. É o que ele explica nesta entrevista. Confira:
O setor de meio ambiente diz que faltam profissionais qualificados. Por que isso ocorre?
No meu entender é porque só agora é que está havendo uma preocupação ambiental das grandes empresas. Era um mercado muito restrito até há pouco tempo e atraía apenas profissionais meio sonhadores, que pensavam o meio ambiente como um meio de vida. Hoje em dia, como a demanda por profissionais de meio ambiente está crescendo em função de tudo o que está acontecendo no mundo, as grandes empresas estão começando a ter uma preocupação de imagem ambiental, que requer a contratação de profissionais desta área, por isso que eu digo que existe ainda uma carência de profissionais capacitados para a área ambiental.
A carência deste tipo de profissional já estaria afetando programas de governo, como o de concessões públicas na Amazônia. É verdade?
Isso com certeza. Porque ainda se confunde o tratamento de meio ambiente, principalmente na gestão de governo, com o tratamento político comum. Então ainda se comete o erro de colocar pessoas que não são do setor, pessoas que não têm vivência no setor ambiental. Mas veja bem, eu não estou falando do que a gente chama de ecochato, e tal. Eu estou falando de profissionais capacitados, preparados e bem intencionados, principalmente. Isso o setor público tem uma carência muito grande.
Gestor ambiental, engenheiro ambiental e técnico florestal. Qual a diferença entre esses três profissionais?
O gestor ambiental pensa a política ambiental de um setor, que pode ser desde uma pequena empresa até um governo. Ele é um formador de teorias ambientais. O engenheiro ambiental já é mais específico, ele é um profissional que cuida de áreas específicas do setor ambiental. O técnico florestal é mais específico ainda, ele é mais afeito à teorias, principalmente à teorias de produção florestal. Ele é um ambientalista mais preocupado com a gestão de florestas.
Até onde vai a culpa das instituições educacionais por estarem faltando profissionais desta área no mercado?
Acho que elas não têm culpa. Acho que tudo na vida é uma questão de procura. Havendo procura no mercado as instituições de educação vão se preocupar em abrir mais vagas para isso.
Há ilhas de boa gestão ambiental no Brasil. Onde elas estão?
No meu entender a boa gestão ambiental, ou pelo menos a razoável - até porque o Brasil é um país novo na preocupação ambiental -, está mais nas regiões sul e sudeste do país.
A sustentabilidade das companhias já não é apenas analisada pelos consumidores, mas é exigência de seguradoras, bancos e parceiros de indústrias no mundo todo. As empresas brasileiras já se deram conta disso?
Estão se dando conta agora. Agora estão percebendo que a preocupação com sustentabilidade e com o meio ambiente não é só uma preocupação dos meios acadêmicos. Ela é uma preocupação de mercado mesmo. Principalmente nos países europeus e no Japão, onde as empresas que têm preocupação ambiental, que têm preocupação com a sustentabilidade, estão supervalorizadas. Nos Estados Unidos não tanto, por que se eles passarem a exigir terão uma preocupação ambiental diferente da que tiveram até hoje. Já no Brasil, as empresas exportadoras estão tendo que se preocupar com isso.
Fala-se muita em responsabilidade social, responsabilidade fiscal, mas a quantas anda a responsabilidade ambiental no Brasil?
A preocupação está começando apenas agora e na minha visão não adianta a gente ter a ilusão de que o meio ambiente vai ser uma preocupação do empresário independentemente do lucro dele. A gente tem que ter na cabeça que o empresário visa lucro e é normal. O progresso é isso aí. Então tudo no meio ambiente hoje depende de dinheiro. E se a preocupação com o lucro e a preocupação ambiental não forem aliados nós não vamos chegar a lugar nenhum. Então tem que haver esta associação de lucro e meio ambiente. É hipocrisia achar que sem lucro a gente vai conseguir controlar o meio ambiente. Não vai! Todo mundo depende de dinheiro. O empresário tem que entrar nesta luta, mas para entrar nesta luta ele tem que ter algum retorno, seja de imagem ou retorno financeiro mesmo. Mas que vai passar pelo lucro dele vai, não tenha dúvida.
Em algumas cidades, o entulho gerado pela construção civil já é um problema tão ou mais grave do que o gerado pelo lixo doméstico e industrial. Há uma solução para isso?
A solução é coerência. O entulho não tem que ser encarado como um problema. O entulho é muito rico, basta vontade política, vontade dos gestores públicos de dar uma solução definitiva para isso. Isto é, legislando sobre isso. Porque o entulho pode ser aproveitado. Tem um monte de coisas que podem ser reaproveitadas. Agora tudo depende da vontade política. Se o setor público não entender que isso é um problema que parte primeiro de governo não vai ter solução. Mas eu acho que tem solução e a solução é relativamente rápida. Mas volto a falar: falta vontade.
Para reverter esse quadro geral analisado pelo senhor, há algo a se fazer a curto e a médio prazo ou as soluções são apenas a longo prazo?
Tem soluções das três maneiras: a curto, a médio e a longo prazo. A curto prazo são soluções drásticas, isto é, a punição. A curto prazo tem que se aplicar a lei que já existe. Existem inúmeras leis que não são só punitivas, são educativas também. Mas tem que aplicar. O gestor público tem que aplicar a lei. Ele não está ali para construir, ele está ali para fiscalizar. E se ele não fiscalizar utilizando a lei que existe não adianta, não vamos chegar às outras etapas. O segundo passo, a médio prazo, é o que já vem acontecendo. É o setor particular entender que o meio ambiente tem que ser protegido, que o meio ambiente tem que ser mantido e isso não é vergonha para ninguém. Isso pode até gerar lucro. E a longo prazo é a educação. Não tem outro jeito. O gestor público tem que obrigar as escolas, em todos os níveis, a colocar na cabeça dos seres humanos que já existem e dos que vão nascer a idéia da sustentabilidade e do meio ambiente. Isso só com educação. Não tem jeito.
* Mauricio Roberto Maruca é administrador de empresas, formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e pós-graduado em Gestão de Projetos Ambientais. Também é especialista em administração de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e Protocolo de Kyoto, com ênfase em captação de biogás de aterros sanitários. No segmento ambiental desde 2002, é um dos pioneiros no Brasil a realizar negociações de créditos de carbono com diversas empresas, tendo se especializado em contratos desse segmento. Email: maruca@arauna.com.br
Gestão ambiental: faltam profissionais no mercado
Não é nenhuma novidade que estamos passando por uma grande crise econômica mundial e que o número de demissões vem crescendo vertiginosamente em vários setores. No Brasil, estima-se que foram eliminados mais de 800 mil empregos com carteira assinada de segmentos como automobilística e aeronáutico desde novembro de 2008. Mas na contramão deste movimento, o setor de meio ambiente diz que faltam profissionais qualificados e que vários postos de trabalho estão em aberto.
Além de índices de criação de novos empregos a crise também significa queda das vendas e retração da produção industrial. Porém, uma pesquisa conjunta dos institutos Greenhouse Gas Management e Sequence Staffing, apresentou que o mercado de carbono e outras atividades ligadas às mudanças climáticas não encontram profissionais qualificados para as vagas que oferecem.
A pesquisa entrevistou 700 executivos, cientistas e líderes de organizações dos setores público, privado e sem fins lucrativos, de todo o mundo, e revelou que 84% consideram difícil achar profissionais capacitados para o setor e que 87% acreditam que isso será um grave problema nos próximos anos.
Para o gestor ambiental Maurício Maruca, esses dados fazem sentido devido ao rápido crescimento do mercado ligado às mudanças climáticas nos últimos anos, desde a criação do Protocolo de Kyoto. "A necessidade por especialistas treinados para esse setor é de fundamental importância para que as empresas voltadas ao meio ambiente consigam desenvolver seus projetos de combate ao aquecimento global e, ainda, fazer que isso crie novas oportunidades", afirma Maurício.
Maruca ainda diz que existem inúmeras ONGs, programas governamentais e outras empresas oferecendo vagas que não são preenchidas pela falta de pessoal. Uma matéria publicada pelo jornal Valor Econômico mostrou que o programa do governo federal de concessões públicas na Amazônia está comprometido devido à falta de engenheiros e técnicos florestais.
Ainda de acordo com o relatório, 82% dos entrevistados acreditam que as instituições educacionais não estão fornecendo as habilidades e conhecimentos para treinar os profissionais que ingressarão na área.
Para 85% dos entrevistados a economia verde deve ter um crescimento de 25% no próximo ano e novas atividades devem ganhar ainda mais espaço no mercado. Trabalhos como o de cientista sócio ambiental, que analisa as questões de preservação do meio ambiente e especialista em aquecimento global, também conhecido como "climatologista", que prevê mudanças climáticas, serão muito valorizados.
Fonte: www.toppresscomunicacao.com.br
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Grande demanda por locação revela oportunidades de investimentos na compra de imóveis
Residências em alvenaria com um dormitório foram os imóveis que tiveram maior valorização de janeiro para fevereiro
Os índices do mercado imobiliário de Curitiba demonstram bons resultados para o segmento e, principalmente, para quem buscar fazer investimentos seguros e com bons rendimentos. De acordo com os números coletados em fevereiro pelo Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), um dos agentes de serviços do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), o índice de Locação Sobre a Oferta (LSO) de imóveis residenciais em fevereiro foi de 29,8%, cerca de nove pontos percentuais acima do índice de janeiro deste ano, de 20,6%. Ou seja, foram locados 29,8% dos imóveis disponíveis na capital paranaense.
Entre os imóveis que tiveram os maiores índices LSO estão apartamentos de um dormitório, com 45,6%, apartamentos com dois dormitórios, 37,9%, e kitinetes, com 37%. Este é um número que reflete a grande procura por locação, principalmente por estudantes vindos de outras regiões do Paraná e também de outros Estados, explica o diretor do Secovi-PR, Lino Moser.
Em relação ao preço de oferta, os valores de locação de imóveis residenciais tiveram variação média de 1,55% em fevereiro em relação a janeiro. Para quem procura por um bom investimento, o imóvel mantém maior estabilidade do que outros setores, principalmente neste momento em que ainda há reflexos da crise, completa Moser.
Os imóveis que tiveram maior valorização de janeiro para fevereiro no preço de oferta para locação foram as residências em alvenaria com um dormitório (8,05%) e residências em alvenaria com dois dormitórios (4,51%). Mas, nos últimos doze meses, a variação no valor de locação de imóveis em Curitiba foi de 14,4% comparado com o mesmo período anterior.
Imóveis Comerciais
Na área comercial, o LSO em fevereiro foi de 8,7%, cerca de três pontos percentuais acima do índice de janeiro de 2009 (5,9%). Nos últimos doze meses, a variação percentual deste índice não foi significativa. De março de 2008 a fevereiro de 2009 o LSO foi de 9,2%, já o mesmo período anterior registrou 8,6%. Mesmo sendo um mês atípico, fevereiro demonstrou que houve muito investimento por parte de empresários na locação de imóveis. A dificuldade de permanecer no emprego pode ser um indicador. Ou seja, muitas pessoas podem estar abrindo o próprio negócio. A grande procura fez com que o valor dos imóveis comerciais também tivesse variação. A média no preço da oferta para locação em fevereiro foi de 1,80% em relação a janeiro. Nos últimos 12 meses, esta variação foi de 13,04%.
Fonte: www.lidemultimidia.com.br
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Mercado aquecido gera disputa por engenheiros experientes
Escassez de profissionais causa grande concorrência entre empresas, que ficam com dificuldade de reter seus talentos
A escassez de engenheiros experientes e capazes de dar conta do crescimento do número de obras da construção civil tem resultado no aumento da rotatividade de profissionais no mercado, que partem em busca de melhores salários. "As empresas estão com dificuldade em reter seus talentos e os engenheiros e arquitetos estão trocando de companhia de duas a três vezes no ano", diz Giorgio Vanossi, diretor de obras da Setin Construtora.
Paulo Pereira, diretor da área de engineering & manufacturing da Michael Page, especializada no recrutamento de profissionais de níveis de gerência e de diretoria, confirma esse pula-pula. Segundo ele, o primeiro indicador dessa rotatividade é a inflação salarial. "Em média, os salários dos engenheiros tiveram um incremento de 30% a 40%, e até mesmo os estagiários estão ganhando acima do piso". Para Pereira, a disputa maior está entre os profissionais experientes na condução de obras. "No ano passado houve uma procura imensa por profissionais de incorporação, que agora se consolidou. Neste ano, o foco está na construção e, para 2009, a expectativa é de que cresça a demanda por especialistas em vendas".
No entanto, o que seria um bom momento para os engenheiros galgarem melhores oportunidades de carreira, tem virado armadilha. "Os profissionais, em geral, estão muito deslumbrados e acabam até se 'queimando' no mercado porque, na pressa de pegar uma nova oportunidade, acabam saindo às pressas, deixando clientes na mão, e não administrando sua reputação e imagem no longo prazo", diz Pereira.
O engenheiro Yorki Stefan, diretor da Tecnum Construtora e da Cytec Empreendimentos Imobiliários, concorda. Para ele, essa alta rotatividade, além de prejudicar a qualidade dos projetos, é contraproducente na medida em que os engenheiros estão sendo contratados não pelos seus currículos, mas pela passagem, ainda que breve, em algum outro grupo. "Essa situação chegou num momento muito excessivo em que os profissionais não se fixam e perdem a oportunidade de criar vínculos".
Fonte: www.construcaomercado.com.br
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Burocracia cria abismo entre o progresso e o atraso
Planos de desenvolvimento sempre esbarram na lentidão causada pela máquina pública. Nem as catástrofes escapam

Programa de Aceleração do Crescimento, pacote habitacional, plano de recuperação de rodovias, pacto pelo progresso. Seja qual for o nome que se queira dar a um projeto de desenvolvimento no Brasil, ele esbarra no mais cruel paradigma do atraso dentro do país: a burocracia.
Seus tentáculos seguram desde a liberação dos recursos até a documentação que permite que a obra se materialize. Por causa dela, muitos bons projetos jamais saíram do papel. Outros aguardam na fila. Pior: voraz, ela só faz aumentar. Recente estudo da Câmara Brasileira da Indústria de Construção (CBIC) aponta que a burocracia aumenta em 280% a 425% o custo dos imóveis para as construtoras. Esse aumento, segundo a CBIC, é atribuído não só à burocracia dos órgãos federais, mas também dos estaduais, dos municipais, do judiciário, dos cartórios e dos licenciamentos ambientais. Pior: com tantos procedimentos a serem cumpridos, a corrupção ganha espaço, tornando a conta ainda mais pesada para o bolso dos brasileiros.
Essa máquina de triturar planos não estimula apenas a corrupção, mas é um propulsor da informalidade. É o que diz Marcos Kahtalian, professor de marketing de Serviços da UniFAE - Centro Universitário - e consultor do Sinduscon-PR. Sempre que há um processo de burocracia, de alguma maneira crescem também os processos informais. Então a burocracia é importante, é relevante, quando é para definir critérios fundamentais. Agora, quando ela é apenas um processo de delonga, de morosidade, acaba que de alguma forma um mercado não formal aparece e isso não é positivo para ninguém, explica.
A burocracia não penaliza apenas projetos, mas também obras de recuperação. Santa Catarina é um exemplo. O estado, em novembro do ano passado, sofreu com destruições e mortes causadas por enchentes. O governo federal agiu rápido ao determinar a liberação de recursos, mas boa parte do dinheiro ainda não chegou ao seu destino. Motivo: a burocracia. "A exigência em Brasília, dentro dos parâmetros legais, provoca atraso no repasse de recursos ", reconhece o vice-governador catarinense Leonel Pavan.
Através de uma medida provisória (MP 448), o governo autorizou o repasse de R$ 360 milhões para Santa Catarina. Porém, só R$ 85 milhões chegaram. . "Um dos obstáculos é vencer a burocracia e o tempo. Outro é que, com a crise econômica mundial, a arrecadação brasileira irá diminuir e, por isso, precisamos garantir estes recursos para Santa Catarina", aponta o deputado federal Paulo Bornhausen. No estado, os que estão diretamente envolvidos com as obras, como o engenheiro Civil Romualdo Theophanes de França Júnior, presidente do Deinfra (Departamento Estadual de Infra-Estrutura, de Santa Catarina), ainda têm de encarar o sistema burocrático com diplomacia. "O que eu posso dizer é o seguinte: as leis brasileiras criaram uma série de procedimentos burocráticos e nós temos que segui-los", afirmou.
Diante da calamidade em Santa Catarina, o Palácio do Planalto até tentou desburocratizar ao elaborar o decreto número 6693. Mas só que ele facilitou a burocracia do governo federal para o governo do estado, mas não descomplicou a burocracia para o emprego destes recursos. É o que explica o diretor da Defesa Civil de Santa Catarina, major Márcio Luiz Alves. O problema é que o dinheiro está empenhado. O que é isso? Que ele está destinado para Santa Catarina, mas não está em Santa Catarina. Eu não posso contratar uma empresa para fazer reconstrução sem recursos, só com empenho. Até porque eu tenho de pedir dotação orçamentária. Ainda há muita burocracia para uma situação de desastre, reclama.
Diante dos entraves burocráticos, Santa Catarina ainda tem contado com a solidariedade para compensar os atrasos nos repasses de recursos. Boa parte do material para reconstruir vias e casas tem vindo de doações. É o que atesta Luiz Carlos Munhoz, gerente administrativo da Blocaus, em Curitiba, que doou blocos de concreto para as regiões destruídas naquele estado.
A minha empresa doou 1.200 blocos de concreto, mas ao todo foram 12.000 blocos doados por empresas e mais alguns particulares que doaram. Isso é importante, já que o poder público está falhando em alguns pontos. Estive lá em março e constatei que os moradores não estão conseguindo a ajuda que precisavam do governo. Sequer vi uma máquina para ajudá-los, disse. Há predisposição de ajudar mais, mas o acesso até áreas mais atingidas pelas enchentes continua difícil. Tem mais material para chegar lá, mas não tem como. Estamos no aguardo do retorno da associação dos moradores de lá para a gente poder retornar e fazer mais uma visita a eles, afirmou Munhoz.
A catástrofe também sensibilizou Eliel Lopes Ferreira Neto, gerente comercial da Bricka, em Curitiba. A empresa doou 1.000 blocos de concreto e fez parte de uma campanha mobilizada pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). Ficamos sensibilizados e aderimos à campanha, disse Eliel. A solidariedade da Bricka, assim como de outras empresas, vem ajudando os catarinenses a reconstruírem o que foi destruído. Cinco meses após o desastre natural muita coisa já foi feita, apesar da burocracia.
Eliel Lopes Ferreira Neto: placacimenticia@bricka.com.br
Luiz Carlos Munhoz: munhoz@blocaus.com.br
Major Márcio Luiz Alves: mluizalves@yahoo.com
Marcos Kahtalian: marcosk@swi.com.br
Romualdo Theophanes de França Junior, presidente do Deinfra: presidencia@deinfra.sc.gov.br
Deputado federal Paulo Bornhausen: dep.paulobornhausen@camara.gov.br
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Secos e Molhados
Assentar placas cerâmicas exige cuidados, por se tratar de um revestimento onde nota-se facilmente os defeitos de colocação. Para um bom resultado é importante observar o preparo da cerâmica antes do seu assentamento, além do esquadro e o recorte das placas
Créditos: Engª. Naguisa Tokudome - Assessora Técnico Comercial Itambé

Em algumas literaturas, como o Manual Prático de Materiais de Construção, de Ernesto Ripper (1995), recomenda-se que o azulejo fique imerso em água limpa durante 24 horas antes da sua aplicação, quando utilizada argamassa convencional (misturado em obra). Nos casos em que a argamassa colante é empregada, este procedimento de saturação não é necessário.
A explicação para estes dois procedimentos diferentes são bastante simples. A argamassa convencional geralmente é composta por cimento, cal hidratada, areia média e água. Quando a argamassa é aplicada na parede ou no piso, naturalmente ocorre uma pequena perda da água por meio de evaporação para a atmosfera. Além disso, a placa cerâmica chega a absorver líquidos de 3% a 20% do seu peso. Para evitar que o azulejo roube a água de amassamento através dos seus poros, recomenda-se a saturação da peça.
Sendo o cimento um aglomerante hidráulico, a redução de água na argamassa, resultará na falha da hidratação dos seus grãos. A consequência será a diminuição da ancoragem mecânica entre a placa e o substrato, com a provável queda do revestimento.

A argamassa colante por sua vez, possui na sua composição cimento, agregados minerais e aditivos retentores de água. A finalidade do aditivo é impedir a evaporação rápida e a absorção da água de amassamento pela placa. Portanto, a adição deste produto químico, eliminou a necessidade de preparar o azulejo 24 horas antes do seu assentamento.
Segundo fabricantes de cerâmica e argamassa industrializada, a utilização da placa cerâmica saturada, juntamente com a argamassa colante não é recomendada. O efeito será contrário, pois a água seguirá da placa cerâmica para a argamassa, aumentará a relação água/cimento e acarretará na redução da resistência de aderência, também com grande possibilidade de queda do revestimento.
Caso o azulejo apresente o tardoz (verso das placas) recoberto por uma camada de pó, este deve ser removido com um pano seco. Se forem lavadas, as peças devem ser utilizadas somente após secagem completa.
O porcelanato por sua vez, segundo fabricantes, deve ser aplicado somente com argamassa colante especial, também sem molhar, para garantir perfeito assentamento. A utilização da argamassa convencional acarretará, futuramente, no descolamento da placa.
Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 - Tempestade Comunicação.
Planejar pode reduzir em até 15% o valor da obra
É o que ensina o mestre Maurício Moreira e Silva Bernardes, em entrevista sobre planejamento na construção civil

Autor do livro Planejamento e Controle da Produção para Empresas de Construção Civil, da LTC Editora, o mestre em engenharia civil Maurício Moreira e Silva Bernardes não tem dúvidas: hoje não há obra sem planejamento. Infelizmente, no Brasil, esse conceito ainda é pouco valorizado. No país, ele reconhece, se gasta pouco tempo com o planejamento das obras e isso acarreta em edificações mais caras e até de qualidade inferior. Mas um movimento, ainda que lento, está mudando isso. Já há um bom número de construtoras valorizando o planejamento e obtendo redução no custo das obras, produto final de melhor qualidade e maior rapidez na construção. Esses são os pilares do planejamento, como ensina na entrevista abaixo:
A gestão da construção torna-se cada vez mais importante no processo de uma obra. Hoje há modernos conceitos e técnicas de planejamento da construção, bem como modelos de planejamento e controle da produção. Como engenheiros, arquitetos, alunos dos cursos de engenharia civil e arquitetura estão se preparando para encarar esses novos conceitos?
Através da realização de cursos de extensão, aperfeiçoamento e MBAs que existem no mercado. Estes cursos surgiram para suprir essa demanda desses profissionais. A procura pelos cursos é uma forma de se manter atualizado e entrar em contato com os novos modelos, técnicas e ferramentas que quando aplicadas de forma correta podem trazer ganhos significativos para as empresas de construção.
O que significa planejar a construção?
Significa tomar decisões sobre a forma de execução das atividades da obra, atendendo os requisitos de prazo, qualidade e custo do empreendimento. Esses requisitos são necessários para cumprir a estratégia produtiva da empresa construtora, ocorrendo através do estabelecimento de metas a serem atingidas e dos procedimentos necessários para atingi-las, sendo efetivo quando seguido de um processo de controle.
Entre o plano da obra e sua execução, o que não pode ser esquecido para que na hora de colocar a mão na massa tudo dê certo?
Gerenciar restrições. Isto é, se antecipar a problemas para evitar interferências no ambiente produtivo. Por restrição entende-se todo pré-requisito que não foi atendido no momento oportuno, e que causou algum inconveniente na obra.
O que mais pode afetar o planejamento de uma obra: tecnologia inadequada, desperdício, escolha de mão-de-obra pouco qualificada ou recursos incompatíveis com o tamanho do projeto?
Nenhum desses problemas. Tudo isso é decorrência de um mau planejamento. Se o planejamento for bem feito, certamente o gerente da obra terá escolhido uma tecnologia adequada, minimizado desperdício, gerenciando melhor a questão da contratação e avaliação do serviço da mão-de-obra, para melhorar a qualidade do produto, além de ter identificado melhor os recursos a serem ligados.
Há quem diga que no Brasil se gasta pouco tempo com o planejamento das obras e isso acarreta em edificações mais caras e até de qualidade inferior. Isso é mito ou verdade?
Verdade. O planejamento pode trazer inúmeros benefícios à uma empresa de construção, como por exemplo: estabelece uma visão clara de como o planejamento pode ser hierarquizado entre diferentes níveis gerenciais; define o papel de cada entidade no processo; reduz probabilidade de erros na execução do empreendimento devido à melhoria do layout e do projeto dos fluxos físicos, bem como facilita o estabelecimento de padrões para o controle da obra.
Quanto à logística, qual o peso dela no planejamento de uma obra?
Total. Muitos engenheiros e arquitetos se esquecem de planejar a logística. Uma melhoria da eficiência produtiva passa, necessariamente, por uma melhoria da logística da obra. Quanto melhor for o fluxo de trabalho, mais eficiente a obra vai ser.
Como estão os profissionais da área de engenharia e arquitetura quanto ao planejar uma obra: eles já têm consciência de que isso é essencial para o sucesso do empreendimento?
Alguém disse para eles que é importante, mas o problema é que eles pensam que sabem fazer planejamento e o que acontece na maioria das vezes é o oposto. Boa parte dos profissionais que eu vejo por aí tem problemas culturais de planejamento. Alguns acreditam que o planejamento é uma solução e sabem que devem procurar se especializar e buscar novos conteúdos de aprendizagem para poder mudar.
O governo acaba de lançar o maior pacote habitacional da história do Brasil. O senhor acha que houve planejamento suficiente ou, de repente, corre-se o risco de o plano não vingar por falta de planejamento?
A verba existe e os incentivos continuarão existindo. Mas o governo poderia, além de fornecer incentivos, exigir que as empresas comprovassem que fazem planejamento corretamente. Invariavelmente, as empresas teriam de se adaptar e a produtividade melhoraria. O governo poderia, com isso, fazer produzir mais com o mesmo montante de recursos.
Quanto uma obra planejada pode representar no custo final desta mesma obra?
Isso varia de caso para caso. Há quem diga que pode dar um retorno de até 15% do valor da obra, mas o pesquisador que mostrou isso não demonstrou como chegou no resultado. A percepção de que dá resultado é mais qualitativa do que quantitativa. Aqui, vale mais o conceito: planejar para garantir qualidade de vida para a empresa e para os funcionários.
Em termo de planejamento de obras, qual país pode ser citado como modelo, e por quê?
No Japão se pensa muito antes de se começar uma obra. Planejar primeiro de forma consistente para depois executar. Esse é o lema.
* Maurício Moreira e Silva Bernardes: bernardes@ufrgs.br
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação.
Construindo Melhor
Os agregados ideais para uso no concreto não devem conter grãos de um único tamanho. Os tamanhos devem variar gradualmente de finos a grossos, de maneira contínua.
Desta forma obtém-se um melhor desempenho do cimento.
Créditos: Engº. Carlos Gustavo Marcondes - Assessor Técnico Comercial Itambé
Pacote habitacional tem perguntas que não querem calar
Histórico, programa Minha Casa, Minha Vida, terá de desfazer alguns nós para viabilizar a meta de construir um milhão de moradias

O pacote habitacional lançado dia 25 de março pelo governo federal promete construir um milhão de moradias e investir até R$ 34 bilhões no projeto. Trata-se do mais ousado plano do Brasil para reduzir o déficit de mais de sete milhões de casas, porém anunciá-lo foi a parte mais fácil. Agora vem o mais difícil: como viabilizá-lo?
O governo, que durante o processo de elaboração do projeto, estimava que atingiria a meta de um milhão de moradias até 2010, já recuou. No lançamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trocou o entusiasmo pela prudência. É um desafio que, a princípio, imaginávamos que fosse possível cumpri-lo em dois anos. Não tem limite, não tem data. Portanto, ninguém me cobre que nós vamos fazer um milhão de casas em dois anos, avisou.
Independentemente do tempo, há predisposição dos setores envolvidos no plano para materializá-lo. O que falta é ajustar as energias. É como se fosse um time de futebol, onde os 11 jogadores precisam estar sintonizados com o objetivo. No caso do plano habitacional, são 11 metas a serem ajustadas e que especialistas respondem como elas poderão ser atingidas. Confira:
Haverá recursos para tantas obras?
Dos R$ 34 bilhões anunciados, estima-se que R$ 16 bilhões serão destinados à redução do déficit habitacional da população com renda familiar de zero a três salários mínimos. Outros R$ 10 bilhões serão investidos em casas para as famílias com renda entre três a seis salários mínimos. O restante deverá financiar os mutuários entre seis e dez salários mínimos. Desse montante, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) vai financiar R$ 12 bilhões. Do total, R$ 4 bilhões devem ser usados ainda neste ano. Os R$ 8 bilhões restantes serão incluídos na proposta orçamentária de 2010, que o Executivo encaminhará para o Congresso Nacional no segundo semestre. Já o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entrará com um montante inicial de R$ 1 bilhão, para dar suporte às empresas do setor da construção civil, especialmente pequenas construtoras e fabricantes de materiais de construção. O BNDES vai financiar também os empreendedores com projetos de infra-estrutura básica no entorno das obras, com recursos que podem chegar a até R$ 5 bilhões. A Caixa Econômica Federal financiará o restante, garante a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O agente gestor é a Caixa. Como ela está fazendo todo o financiamento e faz a gestão dos recursos, a capacidade dela de enxergar é muito grande, assegura.
A indústria da construção civil está preparada para a demanda?
Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, a indústria hoje pode garantir pelo menos 600 mil unidades. Já segundo o presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (ABDIB), Paulo Godoy, quem deve definir a quantidade de moradias a serem construídas é a lógica de mercado. Para o diretor titular do Deconcic (Departamento da Indústria da Construção) da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), José Carlos de Oliveira Lima, a indústria de materiais, um dos elos da cadeia produtiva, atualmente registra 80% da sua capacidade de produção. Existem, portanto, condições para atender este desafio lançado ao setor", afirma.
Há mão-de-obra especializada suficiente?
De acordo com estimativa da Fundação Getulio Vargas (FGV), o pacote habitacional deve gerar 532 mil novos empregos e crescimento adicional de 0,7 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB). Para o consultor de marketing do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Paraná (Sinduscon-PR), Marcos Kathalian, pode haver problemas no recrutamento de mão-de-obra mais especializada. O grande problema do Brasil é justamente quando você vai para áreas de maior especialização de mão-de-obra. Quer dizer, pode haver pressão em alguns pontos específicos da cadeia, mas não no geral, afirma.
Qual o melhor padrão para as obras?
A tendência é que o governo federal deixe isso a cargo das companhias habitacionais dos municípios e dos estados. A questão é que os custos de uma casa popular variam muito de um estado para outro. Uma casa popular em São Paulo, por exemplo, custa R$ 60 mil. No Paraná, sai entre R$ 20 mil e R$ 22 mil, segundo dados da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) - os valores levam em conta urbanização do local e infra-estrutura. O governo federal, no entanto, quer implantar um programa padrão de captação de energia solar e de aproveitamento da água da chuva. Isso faz parte do Plano Clima, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou em dezembro. Ele vai gerar economia para as famílias e deixar de emitir oitocentas e trinta mil toneladas de carbono. Além disso, não precisaremos construir uma usina de quinhentos e vinte megawatts, disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Como contemplar nas construções as diferenças regionais?
Essa é uma questão que os especialistas colocam em segundo plano. Para eles, é mais importante estabelecer regras de uso do solo urbano nos grandes centros urbanos e políticas de transformação das favelas em bairros. Isso inclui não só a urbanização em termos de infra-estrutura, mas a regularização administrativa também. Precisamos investir pesadamente nesse modelo por pelo menos 15 anos para ter um cenário totalmente diferente, avalia a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, professora da Universidade de São Paulo (USP). No entanto, isso esbarra em um dos principais problemas do plano: não há terrenos disponíveis para construção de empreendimentos populares nos principais centros urbanos do país. Em São Paulo e Rio de Janeiro, cidades onde a verticalização já atingiu o pico, o problema é ainda mais grave: sobram lugares apenas na periferia. No Paraná, esse problema causa menos impacto. Segundo Cohapar e COHAB (Companhia de Habitação de Curitiba) , há espaço nas regiões metropolitanas de Curitiba, Londrina e Maringá as áreas do estado que devem ser as mais favorecidas pelo pacote. Garantimos recursos para cerca de 12 mil unidades habitacionais, mas nossa intenção de aumentar a fatia que caberá a Curitiba", disse o presidente da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (COHAB), Mounir Chaowiche. No estado, a expectativa é que o plano possibilite a construção de 44.172 unidades habitacionais.
Qual deve ser o critério para escolher fornecedores e construtoras?
A Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico vão coordenar a cadeia produtiva do setor da construção civil. O objetivo será promover a competitividade entre as construtoras. Haverá uma preferência em financiar as micro, pequenas e médias empresas. O limite de crédito será de R$ 500 mil por empresa. As empresas vão poder financiar material de construção, componentes de sistemas construtivos e serviços de certificação. A segunda linha de atuação para o financiamento da cadeia produtiva tem como objetivo elevar o nível de qualidade das construtoras, fornecedoras de material e sistemas construtivos em conformidade com o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Hábitat (CPBQP-H). Os itens que poderão ser financiados nesse caso são: avaliação da conformidade; capacitação técnica e pessoal; implementação dos sistemas de gestão da qualidade de processos e produtos. A terceira linha de financiamento para a cadeia produtiva é voltada para a construção industrializada e tem como objetivo promover investimentos em alternativas construtivas de menor custo, prazo de entrega, impacto ambiental e maior qualidade construtiva. Essa linha poderá financiar a implantação, modernização e expansão de unidades industriais de casas pré-moldadas ou pré-fabricadas; desenvolvimento de produtos pré-moldados ou pré-fabricados; capacitação técnica de pessoal; capital de giro associado a projetos de investimentos; máquinas e equipamentos nacionais.
Como deve funcionar a logística?
Para dar agilidade ao pacote habitacional,o governo federal pretende priorizar os municípios com mais de 50 mil habitantes. No entanto, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) alerta que essa logística pode excluir aproximadamente 60 milhões de pessoas do Programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo a entidade, no formato como o programa habitacional do governo foi apresentado, 85% dos municípios não serão atendidos. O argumento é de que os pré-requisitos para o acesso aos recursos do pacote dão prioridade às capitais e às regiões metropolitanas. Isso equivaleria a 573 municípios e, em condições especiais, a 254 municípios com população entre 50 a 100 mil habitantes. Como os municípios com menos de 50 mil habitantes não foram incluídos no pacote, a entidade calcula que 4.737 municípios não poderão ter acesso aos recursos. para que possa atingir os objetivos propostos, o pacote precisa ser aperfeiçoado no sentido de garantir o acesso de todos os municípios", disse o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.
Quais órgãos de governo estão mais capacitados para gerenciar as obras?
O consultor de marketing do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Paraná (Sinduscon-PR), Marcos Kathalian, avalia que do ponto de vista de financiamento essa é uma função da Caixa Econômica. O banco já dispõe de programas de financiamento e habitação em andamento. Além disso, as companhias de habitação estaduais e municipais, que já têm tradição na área, devem ser um elo importante nesse processo, afirma. No dia do lançamento do programa, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, reforçou isso. O agente gestor é a Caixa. Como ela está fazendo todo o financiamento e faz a gestão dos recursos, a capacidade dela de enxergar é muito grande, afirmou.
Como superar a burocracia governamental para entregar as obras no prazo previsto?
Para o consultor de marketing do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Paraná (Sinduscon-PR), Marcos Kathalian, esse é o principal desafio. Na nossa visão o programa não acontece ou acontece de maneira muito deficiente se emperrar na burocracia, que sempre foi extremamente grande para licenciamento de obras. E não só licenciamento de obras, mas para agilizar processos de financiamentos. Então, de modo geral, se esta burocracia não for agilizada a meta do governo não vai ser atingida nos dois anos e nem nos próximos anos. Veja, o governo já diminuiu em parte a burocracia. A partir de agora, quem procurar financiamentos só precisa juntar 50 documentos. Eles diminuíram a burocracia, mas mesmo assim a pessoa tem de levantar 50 documentos para pleitear um financiamento. Um exemplo muito banal que a gente costuma dar é o seguinte: para eu comprar um carro eu vou em uma concessionária e em meia hora eu compro um carro e saio de carro. Para comprar uma casa é extremamente mais complicado. Isso é um ponto crítico e o governo vai ter que trabalhar muito nisto, principalmente a Caixa Econômica vai ter de trabalhar muito nesta questão, avalia.
O que esse programa vai representar para reduzir o déficit habitacional no Brasil?
O pacote habitacional tem o objetivo de reduzir em 14% o déficit habitacional do país, estimado em 7,2 milhões de moradias. A região Sudeste deverá ser a mais beneficiada, com a construção de 36,4% das unidades. Em seguida, vêm Nordeste (34,3%), Sul (12%), Norte (10,3%) e Centro-Oeste (7%). No ano passado, pela primeira vez em 15 anos, o déficit habitacional caiu 9,5%, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas encomendado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon SP). Apesar da queda,o déficit no país ainda é grave. "A falta de moradia para os pobres é uma chaga social. No resto do mundo já construíram as casas que deveriam construir, só no Brasil é que os carentes ainda precisam de um teto", diz João Crestana, presidente do Sindicato do Setor Imobiliário de São Paulo (SECOVI). Para Crestana, uma alternativa para resolver o déficit imobiliário é a desoneração tributária para moradias de pessoas com baixa renda. "Cerca de 35% do valor do imóvel são impostos. Então, se a casa custar R$ 50 mil, quase R$ 20 são tributos", diz.
O programa pode simbolizar uma reação do país contra a crise?
No dia do lançamento do programa, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescerá 2% a mais com a construção de um milhão de casas. Podemos crescer muito, com solidez e sem risco, ao contrário do que ocorreu nas crises anteriores, fazendo uma política anticíclica e anti-recessiva por meio do aumento de crédito e de investimentos, de forma a abreviar a duração da crise, disse o ministro. Mantega afirmou que o programa Minha Casa, Minha Vida vai duplicar a construção de moradias no país. Além disso, acrescentou, mobilizará uma cadeia produtiva que usa apenas insumos produzidos no Brasil, o que beneficia a economia sem trazer risco de causar déficit na balança comercial. A construção de um milhão de casas terá impacto imediato no setor. Com certeza com a aprovação do pacote conseguiremos atingir a nossa meta de crescimento para 2009, sentindo reflexos já neste primeiro semestre, avalia Cláudio Elias Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).
Fontes:
* Marcos Kathalian, professor de Marketing de Serviços da UniFAE - Centro Universitário e consultor do Sinduscon-PR: marcosk@swi.com.br
* Cláudio Elias Conz, presidente da Anamaco: imprensa@anamaco.com.br
* Mounir Chaowiche, presidente da COHAB-CTBA: mounir@cohab.curitiba.pr.gov.br
* Paulo Safady Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic): presidência@cbic.org.br
* Sites Agência Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Cohapar, COHAB, Fundação Getulio Vargas, Ipea
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação.