Conjunto de boas gestões amplifica vendas

Crise evidencia setor comercial das empresas, mas ele só trará resultados se agir integrado com outros departamentos da corporação

Em tempos de crise, vender tornou-se, mais do que nunca, uma arte. Por isso, a gestão comercial ganha espaço dentro das empresas. Mas o que vem a ser gestão comercial? Conceitualmente, trata-se do conjunto de atividades mais próximas do cliente e onde se originam os maiores estímulos e as maiores pressões da companhia. Este conjunto de estímulos e pressões deve ser administrado pela área comercial da maneira mais produtiva possível em termos de resultados. E isto só é possível se instrumentos de gestão adequados forem estabelecidos.

A boa gestão comercial traz:
· Qualidade no atendimento (pré e pós-venda)
· Integração com os objetivos do negócio
· Melhoria da lucratividade das vendas
· Definição de políticas claras e motivadoras voltadas à remuneração por produtividade
· Documentação de referência e treinamento para as equipes de venda.

Para o professor de marketing da Universidade de São Paulo (USP), Francisco Alvarez, atualmente as empresas estão reaprendendo a utilizar os requisitos acima para conseguir comercializar seus produtos. “Estamos saindo de uma era em que a gerência dos negócios foi trocada pela especulação nas bolsas, o que gerou um conflito de realidade dentro das corporações. Agora, para sobreviver, elas terão de voltar a focar, irremediavelmente, na gestão de seus negócios. É isso que fará a cadeia econômica voltar a girar”, resume.

Mas a gestão comercial, por si só, não alavanca as vendas de uma empresa. Ela só traz resultados positivos se agregar um grupo de gestões. “Ela deve abranger a gestão de pessoas, de clientes, da marca, de compras e produtos e de resultados”, afirma Alvarez. Essa composição ajudará a resolver a seguinte fórmula comercial: Saber comprar + Saber atender o cliente + Marketing + Ética + Equipe bem treinada e focada.

Ivo Kleber de Lima: hoje não se concebe mais uma empresa existir sem ERP
Ivo Kleber de Lima: hoje não se concebe mais uma empresa existir sem ERP

O resultado desta combinação será o aprimoramento do relacionamento com o cliente, junto com mais competitividade estratégica para a empresa. “Conhecendo o cliente, seus hábitos de consumo e suas preferências, viabiliza-se a antecipação das suas necessidades e o incremento da fidelização”, afirma o especialista em marketing Ivo Kleber de Lima, que ressalta ainda que os chamados sistemas integrados de gestão empresarial, mais conhecidos pela sigla em inglês ERP, são fundamentais para ajudar a detectar o que o cliente quer.

Segundo Lima, a ERP é ainda mais necessária nas pequenas e médias empresas. “Esses são clientes que dependem muito de bons fornecedores para manter uma base sólida de vendas. Por isso, gestores financeiros, de faturamento e de compras de materiais são estratégicos para o bom desempenho da empresa, facilitando tomadas de decisão mais rápidas e certeiras”, explica, confirmando que uma boa gestão comercial é fruto de um conjunto de boas gestões.

Entrevista Complementar

Sistemas integrados de gestão garantem sobrevivência da empresa

Do inglês ERP, eles permitem que a corporação obtenha respostas mais rápidas e certeiras, desde questões financeiras a comerciais

Os sistemas integrados de gestão empresarial, mais conhecidos pela sigla em inglês ERP (Enterprise Resource Planning), são hoje uma questão de sobrevivência para as empresas, segundo o consultor Ivo Kleber de Lima. A questão é: como usá-los com eficiência? O recomendável é que uma empresa que ainda não implantou ERP comece pelo módulo básico e vá acrescentando outros conforme suas necessidades. “Erros na forma de escolher e implementar o sistema podem decepcionar o cliente”, alerta Ivo Kleber. Porém, quando bem usado, o ERP permite a obtenção de indicadores de desempenho para a empresa, facilitando a tomada de decisão mais rápida e certeira. É o que é explicado na entrevista a seguir. Confira:

Quais os principais aspectos que uma empresa deve considerar ao escolher um ERP?
Primeiramente, se o software é indicado para os processos da empresa. Para isso, a empresa deve mapear e definir bem seus processos. Buscar referências na mesma área de atuação também é importante para que, ao menos parcialmente, os processos sejam atendidos, mas o ideal é ter seu próprio mapeamento atendido. Após o filtro da aderência aos processos, deve-se selecionar a empresa que forneça uma capacidade de atendimento suficiente em termos de suporte local e consultores. Obviamente, a tecnologia também deve ser avaliada, para saber se teremos integridade nas informações, e se ela tem suporte de empresas mundialmente estabelecidas.

De que forma a linguagem na qual o ERP foi desenvolvido influencia a qualidade final do produto?
Tecnicamente, há uma influência na qualidade do produto, mas é um item muito delicado de se avaliar sem ser especialista da área de tecnologia. E mesmo as áreas de tecnologia fazem, muitas vezes, análises tendenciosas desse aspecto, buscando valorizar o que conhecem, e não o que é bom. Nas pequenas e médias empresas, o cliente deve ter foco nos aspectos de adaptação ao negócio e idoneidade do fornecedor. Um fornecedor sem uma boa tecnologia, fatalmente não conseguiria manter uma base de clientes sólida e crescer. Se esses aspectos forem validados, o aspecto tecnológico estará contemplado.

Especificamente sobre gestão comercial, quais os benefícios que a utilização de ERP pode trazer?
O grande benefício de todo ERP é a integração e maior controle sobre todas as áreas da empresa. Na atuação comercial, essa integração permite que os processos evoluam de uma simples abordagem de vendas para as melhores práticas de gestão do relacionamento com o cliente. Cada etapa do processo de vendas pode ser sinalizada e monitorada quanto ao seu potencial de fechamento, alimentando, de forma mais precisa, projeções de vendas que se desdobram em projeções de aquisição de insumos e planejamento da produção. As informações sobre as vendas não concluídas indicam caminhos a ser tomados ou rotas a ser alteradas para a conquista do cliente. Com esses passos, já estamos migrando de uma abordagem tradicional de vendas para um monitoramento de nossos relacionamentos comerciais.

Para uma empresa que ainda não implantou ERP, o senhor a aconselharia a começar a implantação do sistema por qual módulo?
Toda construção começa pelo alicerce, e nada é mais básico numa empresa do que gerir eficientemente contas a pagar, contas a receber e obrigações fiscais. A maioria das empresas, em qualquer ramo, adota essa trilha. Atendida essa realidade, o módulo de gestão comercial já inicia contribuindo para a gestão integrada do negócio, refletindo nas gestões de finanças e de faturamento a ação comercial efetiva.

Quando uma empresa deve investir em um ERP?
Se ela já não tem um ERP, deve buscá-lo imediatamente. Se já o tem, mas sente que chegou ao limite do que o software atual pode fornecer, deve conversar com o fornecedor para saber se lhe falta conhecimento para obter mais com o ERP em uso. Esgotada essa possibilidade, deve procurar um sistema mais abrangente.

Qual o maior benefício que um ERP traz para uma empresa?
Hoje, pode-se afirmar que seja a sobrevivência. Parece brincadeira, mas não se concebe mais uma empresa existir sem ERP. Essa exigência decorre de uma padronização na execução e automatização de processos. Além da possibilidade de se ter uma base de dados gerenciais, que permita a obtenção de indicadores de desempenho para a empresa, facilitando a tomada de decisão mais rápida e certeira.

O senhor cita que ter ERP hoje é uma questão de sobrevivência. Há algum case de sucesso que poderia citar sobre uma empresa que não tinha ERP e, ao implantar o sistema, experimentou mudanças positivas?
Podemos citar todos os cases publicados no site da CIGAM (http://www.cigam.com.br), no qual há vários testemunhos e casos de sucesso e de benefícios alcançados.

Em quanto tempo os benefícios do ERP podem ser percebidos e avaliados?
No início, a impressão será de que tudo piorou, pois o ERP vem como algo a mais em um dia a dia já atribulado. Mas, após três meses de uso, já se percebem retornos significativos na operação da empresa. E não se concebe mais viver sem o ERP.

O que é mais importante em um ERP: modularidade, facilidade de instalação, conectividade ou ele ser amigável?
A possibilidade de modularidade é fundamental para uma pequena e média empresa, pois permite que os investimentos sejam graduais. Compra-se um conjunto de módulos, implanta-se, obtém-se o benefício e parte-se para outros módulos.

No caso da indústria da construção civil, o senhor sabe se esse é um setor que tem procurado se conectar ao ERP ou ainda está defasado se comparado com outros segmentos da economia?
A cadeia produtiva da construção civil é muito abrangente. É preciso pensar que, além das construtoras, há as empresas de planejamento, de engenharia e arquitetura, os fabricantes de materiais e muitos outros.
A construção civil está defasada na adoção de sistemas integrados de gestão, se comparada às indústrias metalúrgica, calçadista e de confecção. Mas a questão central reside no estágio de vida da empresa. Há um momento, em toda a empresa, em que ela vive o que podemos chamar de crise de crescimento. O seu mercado de atuação está em plena expansão e se somam as exigências de qualidade e de prazo, tornando imprescindível um salto em termos de gestão. É necessário responder com agilidade e precisão às demandas do mercado e de tomada de decisão nos negócios. Não há, humanamente, como gerir todas as variáveis que se apresentam somente nessas duas questões, sem implementar ferramentas de gestão integrada.
Particularmente, na construção civil, é preciso separar o problema em duas partes, para impedir que uma impeça a outra de caminhar. Há a gestão do negócio, e gestão da obra ou do serviço. Ao longo do tempo, o setor aguardou que surgissem soluções que respondessem as duas partes, e somente aqueles que podiam bancar uma solução por encomenda implementaram ferramentas de gestão integrada.
Hoje, o mercado oferece solução para os dois problemas e integra as duas partes com módulos de gestão de serviços e de gestão de projetos, que permitem acesso e atualização pela internet, além de realizar o gerenciamento do relacionamento com o cliente. Aqueles players do mercado de construção civil que adotaram ou estão implantando sistemas de gestão integrada consideram esse cenário.

Entrevistado: Ivo Kleber de Lima: ivo.lima@repullo.com.br

Link complementar
Acesse http://tinyurl.com/m5oo3s e veja uma apresentação sobre módulo de gestão de projetos

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Linha Verde terá mais concreto na segunda etapa

 Nova fase da principal obra urbana de Curitiba espera liberação de recursos para começar em 2010
Linha Verde, em Curitiba: segunda etapa aguarda recursos e começará em 2010
Linha Verde, em Curitiba: segunda etapa aguarda recursos e começará em 2010

A Prefeitura de Curitiba finaliza a obtenção de recursos para iniciar as obras da segunda fase da Linha Verde, que irá do bairro Jardim Botânico até o Atuba. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) já anunciaram que financiarão o novo trecho, que custará US$ 138 milhões (cerca de R$ 270 milhões). Assim que vier o dinheiro, o projeto, que já está consolidado, começa a sair do papel - provavelmente no início de 2010. O certo é que, por circunstâncias da topografia, a segunda fase da Linha Verde terá mais concreto do que a etapa em fase final de conclusão, que liga o Pinheirinho ao Jardim Botânico.

Segundo o engenheiro civil Wilson Justus, coordenador-geral da Unidade Técnica Administrativa de Gerenciamento (Utag), órgão ligado à Secretaria Municipal de Obras Públicas da Prefeitura de Curitiba, o conceito da nova etapa do eixo urbano seguirá o mesmo do trecho sul, com canaleta central para ônibus, vias locais e vias marginais. "A diferença é que nesta etapa a topografia permitirá a construção de trincheiras e haverá uma adaptação dos viadutos existentes, que precisarão ser alargados para permitir a canaleta exclusiva do ônibus e as três faixas de rolamento em cada sentido", revelou.

Justus também anunciou que haverá mais obras em concreto na segunda etapa. "Se você considerar que nós vamos mexer com trincheiras e viadutos, além da canaleta, podemos dizer que teremos mais concreto no trecho norte da Linha Verde". Nesta nova etapa, a Prefeitura de Curitiba continuará contando com a parceria da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para a pavimentação da canaleta e para as adaptações dos viadutos sobre as avenidas Afonso Camargo e Victor Ferreira do Amaral.

Pontes novas

A primeira fase da Linha Verde também incluiu a construção de duas pontes em concreto, cada uma medindo 70 metros, e que estão em fase final de construção no bairro Prado Velho. As obras permitiram que fossem erguidas galerias mais largas para a passagem do rio Belém. Com a obra, diminuirão os alagamentos na região. "Quer dizer, além das obras visíveis em concreto, há outras, que não são tão perceptíveis, mas que também absorvem uma boa quantidade do material", afirmou Justus.

 

Curiosidades
* Quando concluída, a Linha Verde se tornará a maior avenida de Curitiba, com aproximadamente 18 quilômetros, cortando 14 bairros da cidade.
* O eixo urbano terá capacidade de tráfego para 100 mil veículos por dia.
* A primeira etapa da Linha Verde custou R$ 121 milhões.

 

Texto complementar

Eixo tem homônimo em Belo Horizonte

Linha Verde, em Belo Horizonte: eixo liga capital com região metropolitana e custou R$ 400 milhões
Linha Verde, em Belo Horizonte: eixo liga capital com região metropolitana e custou R$ 400 milhões

A Linha Verde não é uma exclusividade de Curitiba. Belo Horizonte também tem a sua. A coincidência entre os eixos das capitais paranaense e mineira é que eles urbanizaram rodovias que cortavam as cidades. No caso da obra em Minas Gerais, ela liga o centro da cidade ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana de BH. A construção tem 35,4 quilômetros de extensão, custou R$ 400 milhões e incluiu 20 viadutos e duas trincheiras.

Ao contrário da Linha Verde de Curitiba, a de Belo Horizonte não recebeu pavimentação em concreto. "O sistema viário deles não previu canaleta exclusiva, que é uma característica única da nossa Linha Verde", observou Wilson Justus, coordenador-geral da Unidade Técnica Administrativa de Gerenciamento (Utag), órgão ligado à Secretaria Municipal de Obras Públicas da Prefeitura de Curitiba.

A obra mineira beneficia mais de 3 milhões de pessoas e corta 100 bairros de Belo Horizonte, além de dez municípios que integram a região metropolitana da cidade. O empreendimento, bancado pelo governo de Minas Gerais, começou em maio de 2005 e foi entregue em dezembro do ano passado.

Segundo o gerente regional da ABCP-Sul, Carlos Roberto Giublin, a tendência das grandes cidades brasileiras é adotar anéis viários como os construídos em Curitiba e em Belo Horizonte. "Eles agregam viadutos, passarelas e contornos que permitem maior fluidez do tráfego. Se bem construídos, os anéis viários redistribuem o fluxo de veículos ao longo de todo o perímetro de uma cidade. Mas é preciso tomar cuidado. Se ficarem cheios de sinaleiros, podem se transformar em vias entupidas de gente e de carros", alerta.

Entrevistados:
Wilson Justus: justus@smop.curitiba.pr.gov.br
Carlos Roberto Giublin: roberto.giublin@abcp.org.br

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Carbonatação do concreto

Resultado de uma reação química afeta pH do material e pode reduzir a durabilidade da estrutura

Engª Naguisa Tokudome – Assessora Técnico Comercial da Itambé.

Ensaio de fenoftaleína para avaliação da profundidade de carbonatação (coloração rosa) do concreto
Ensaio de fenoftaleína para avaliação da profundidade de carbonatação do concreto

O composto químico que desencadeia o fenômeno da carbonatação do concreto é bem conhecido, facilmente encontrado nos centros urbanos. Um bom exemplo são os túneis e viadutos. Nestes ambientes, o concreto está exposto à alta concentração de gás carbônico (CO2). Esse dióxido de carbono penetra nos poros do concreto, dilui-se na umidade presente na estrutura e forma o composto chamado ácido carbônico (H2CO3).

Este ácido reage com alguns componentes da pasta de cimento hidratada e resulta em água e carbonato de cálcio (CaCO3). O composto que reage rapidamente com (H2CO3) é o hidróxido de cálcio (Ca(OH)2).
O carbonato de cálcio não deteriora o concreto, porém durante a sua formação consome os álcalis da pasta (ex: Ca(OH)2 e C-S-H) e reduz o pH.

O concreto normalmente possui pH entre 12,6 e 13,5. Ao se carbonatar, estes números reduzem para valores próximos de 8,5. A carbonatação inicia-se na superfície da estrutura e forma a “frente de carbonatação”, composta por duas zonas com pH distintas (uma básica e outra neutra). Esta frente avança em direção ao interior do concreto e quando alcança a armadura ocorre a despassivação do aço e este se torna vulnerável.

Após a despassivação, o processo de corrosão será iniciado se ao mesmo tempo houver umidade (eletrólito), diferença de potencial (exemplo: diferença de aeração ou tensões entre dois pontos da barra ou do concreto), agentes agressivos (exemplo: CO2 ou fuligem) e oxigênio ao redor da armadura.

Os danos causados são vários, como fissuração do concreto, destacamento do cobrimento do aço, redução da seção da armadura e perda de aderência desta com o concreto.

Resumidamante, a carbonatação depende de fatores como:

* Condições ambientais: altas concentrações de CO2 aumentam as chances de ataque ao concreto

* Umidade do ambiente: poros parcialmente preenchidos com água na superfície do concreto apresentam condição favorável

* Traço do concreto: altas relações a/c, resultam em concretos porosos e, portanto, aumentam as chances de difusão de CO2 entre os poros

* Lançamento e adensamento: se o concreto tiver baixa permeabilidade (compacto), dificultará a entrada de agentes agressivos

* Cura: processo fundamental para reduzir o efeito da carbonatação

O concreto mal curado possui microfissuras que o enfraquecem. A pré-existência de fissuras nas estruturas facilita a entrada do CO2 e pode acelerar a carbonatação. No livro Propriedades do Concreto, Adam Neville cita que através de pesquisas observou-se que o aumento do período da cura, ampliando a molhagem de um dia para três dias, reduziu a profundidade de carbonatação em cerca de 40%.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Futuro da Holanda pode passar por construções anfíbias

Se não podes vencê-la junta-te a ela

Créditos: Engª. Naguisa Tokudome - Assessora Técnico Comercial Itambé

A ideia está subjacente num projeto em curso na Holanda e que visa dar mais espaço à água.
Após anos de investimento em sistemas de drenagem, a população debate-se com o aquecimento global e a inveitável subida do nível do mar.

Um casal, que passou os últimos verões numa casa anfíbia garante que não há nada melhor:

“Temos um aquecimento central normal e água quente como em qualquer casa. É ótimo viver dentro e muito seguro”, afirma Marianne van Raak.

Esta é, apenas, uma das 46 casas-barco construídas em Maasbommel, no centro do país, uma das áreas inundadas em 1995. Aqui foi edificado um bairro com casas anfíbias, que graças a fundações ocas em cimento, atuam como o casco de um navio, subindo e descendo com as marés. A estrutura está ligada a postes de atracagem para impedir que flute para longe.

O arquiteto Ger Kengen explica que se trata de “uma caixa de cimento” com madeira incorporada na parte superior. Em cima é leve e em baixo pesada. Quando a água chega a esta caixa, adianta, começa a flutuar. É este o princípio. “Temos duas fundações, uma na parte dianteira e outra na parte traseira que permitem à casa subir e descer verticalmente.”

Cerca de metade da Holanda encontra-se abaixo ou ao mesmo nível das águas mar onde vive 60% da população. Durante séculos, os holandeses tentaram recuperar terra, apostando, numa complexa rede de diques e de canais.
Conscientes da necessidade de alterar hábitos e da incapacidade de vencer esta batalha, os investigadores decidiram fazer da água uma aliada.

Jeroen Warner da Universidade de Wageningen considera que “o mais importante é o fato de termos alternativas, onde deixa de ser necessário escolher entre o espaço para as pessoas e o espaço para o rio já que há espaço para ambos.” O investigador defende, no entanto, que é necessário trabalhar mais para encontrar soluções que permitam beneficiar “um maior número de pessoas, e não apenas, as de Maasbommel.”

Mas a mudança climática tem, também, um impacto social. Perto de Maasbommel, 13.000 habitantes recusaram ver inundada a área onde vivem ao abrigo de um plano governamental, que visava prevenir inundações em zonas mais populosas.

Harry Sandes refere que os habitantes vivem aqui como qualquer outra pessoa noutra zona do mundo, acrescentando, que têm bons diques e não receiam a água.

O Painel Intergovernamental das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas admite que no próximo século, a precipitação na Holanda possa aumentar 25% e o nível do mar mais de um metro.

As casas anfíbias são a primeira étapa de um projeto, que promete revolucionar a arquitetura do país.

Fonte: http://pt.euronews.net/2009/05/11/futuro-da-holanda-pode-passar-por-construces-anfibias/

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Construindo Melhor

Concretos e argamassas podem ser coloridos com corantes artificiais (pigmentos), que possibilitam muitas combinações de cores e não reduzem a resistência do concreto se aplicados de acordo com as instruções do fabricante.

Créditos: Engº. Carlos Gustavo Marcondes -  Assessor Técnico Comercial Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330 - Tempestade Comunicação


Fôrmas e escoramentos ganham confiabilidade

Norma que recentemente entrou em vigor tende a padronizar uma importante etapa da construção

Fernando Rodrigues, coordenador da ABNT: objetivo da NBR 15696 é minimizar acidentes e retrabalhos em obras
Fernando Rodrigues, coordenador da ABNT: objetivo da NBR 15696 é minimizar acidentes e retrabalhos em obras

Desde 15 de maio deste ano está em vigor a NBR 15696 - Fôrmas e escoramentos para estruturas de concreto - Projeto, dimensionamento e procedimentos executivos. A norma define os procedimentos para todos os tipos de fôrmas, como as de madeira, aço e alumínio. Um de seus méritos é a padronização de critérios de cálculo, de ensaios e de equipamentos.

Além disso, segundo o coordenador da Comissão de Estudos de Fôrmas e Escoramentos do CB-02 (Comitê Brasileiro de Construção Civil) da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), Fernando Rodrigues, a nova norma tende a alavancar esta etapa da construção. “O fato de o setor ter uma norma específica leva os construtores a agregarem técnica e os consumidores a confiarem mais nos processos e empresas que seguem essa norma”, avalia.

A NBR 15696 mudará o status das fôrmas e escoramentos dentro de uma obra. “Esse tema sempre foi tratado sem a técnica necessária de cálculos e procedimentos e, como conseqüência, uma das maiores causas de acidentes em obras”, diz Fernando Rodrigues, que explica que a norma se fazia necessária porque o concreto moldado “in loco” é o sistema mais utilizado no Brasil, por sua flexibilidade e facilidade de execução.

O coordenador da ABNT também esclarece que a norma não veta os sistemas de fôrmas que já tenham sido ou que venham a ser importados. “A NBR 15696 fixa os procedimentos e condições mínimas a serem obedecidas na execução de estruturas de fôrmas e escoramentos, e isso não tem o intuito de restringir nenhum tipo de solução técnica ou de equipamentos. O objetivo é minimizar ao máximo acidentes e retrabalhos em obras”, completa.

A norma também não tem incumbência de influenciar a respeito dos materiais das fôrmas, alumínio, plástico ou madeira, por exemplo. “A norma não tem esse poder nem o direito de indicar a solução A ou B, pois as variáveis e disponibilidades dentro de cada obra são muitas e a melhor opção deve ser estudada caso a caso”, afirma Fernando Rodrigues.

Histórico

O debate em torno da criação da NBR 15696 iniciou-se em 2003, devido a uma demanda de padronização de processos, cálculos, procedimentos e projetos de fôrmas e escoramentos levantados pela ABRASFE (Associação das Empresas de Sistemas de Fôrmas e Escoramentos). Desde então o comitê técnico da ABRASFE trabalhou para fazer um esboço do que seria a primeira norma de fôrmas e escoramentos e, em 2006, foi instalada, dentro do CB-2 da ABNT, uma comissão de estudos para implementar a norma junto a todos os setores envolvidos da construção civil, dentre eles consumidores (construtoras), neutros (universidades e laboratórios) e produtores (fabricantes).

Texto complementar
Para saber como é elaborada uma Norma Brasileira, acesse o link:
http://cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/categoria/normas-abnt/

Email do entrevistado: Fernando Rodrigues: fsantos@ulma.com.br

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Gestão do Conhecimento

Crise global tende a acelerar processo de mudanças dentro das empresas brasileiras, avalia especialista

Dicionários do mundo corporativo definem Gestão do Conhecimento como “a capacidade da empresa de captar, gerar, criar, analisar, traduzir, transformar, modelar, armazenar, disseminar, implantar e gerenciar a informação, tanto interna quanto externa, permitindo que todos os setores da corporação tenham acesso a ela”.

Sônia Gurgel, presidente do ABRH-PR (Associação Brasileira de Recursos Humanos, seção Paraná)
Sônia Gurgel, presidente do ABRH-PR (Associação Brasileira de Recursos Humanos, seção Paraná)

Disseminada nos Estados Unidos, onde a sigla KM (Knowledge Management) tornou-se o paradigma do setor empresarial, a Gestão do Conhecimento ainda é um tabu no Brasil. O motivo, segundo Sônia Gurgel, presidente do ABRH-PR (Associação Brasileira de Recursos Humanos, seção Paraná), é uma questão cultural. “Boa parte das empresas brasileiras ainda precisa educar seus funcionários e gestores para a questão. E isso deve ser gradativo”, afirma.

De acordo com pesquisa encomendada pela revista HSM Management, e que abrangeu 200 empresas de grande porte no país, entre nacionais e multinacionais, os empresários brasileiros ainda têm a seguinte visão sobre Gestão do Conhecimento: 55,9% a veem como “modelo empresarial”, 18,2% como “uma política da empresa”, 13,3% como “uma filosofia corporativa”, 7,2% como “tecnologia” e 5,4% como “estratégia”.

Na mesma pesquisa, 34% afirmaram que, “no presente”, não pretendem adotar a Gestão do Conhecimento em suas corporações, enquanto 29,6% disseram que se o fizerem a farão “informalmente”, 28,1% pensam em adotá-la “formalmente” e 8,2% não cogitam em nenhuma hipótese adotá-la. “Talvez isso se deva à questão de que a Gestão do Conhecimento é um processo de mudança que afeta também as relações de poder dentro da empresa, além de exigir investimento. Esses fatores são suficientes para tornar moroso qualquer processo de transformação”, avalia Sônia Gurgel.

Porém, a crise econômica global é vista pela especialista como uma oportunidade de as empresas passarem por um processo de reavaliação e adoção de novas tendências. Para ela, fenômenos econômicos de alcance mundial são responsáveis por reestruturações no ambiente de negócios.

No entanto, Sônia Gurgel alerta que o capital humano da empresa é que vai impulsionar as mudanças. “É sempre o capital humano que gera conhecimento e que gera os processos”, diz. Segunda ela, empresas que já adotaram a Gestão do Conhecimento como ferramenta estão alcançando as seguintes conquistas:

* Segurança com relação à continuidade de seus processos estratégicos.
* Maior possibilidade de treinar e desenvolver pessoas.
* Democratização do conhecimento.
* Eficiência.
* Atualização constante do conteúdo.

A expectativa é de que a KM passe, a médio prazo, a ser cada vez mais incorporada pelas empresas brasileiras. Isso se dará na medida em que elas entenderem que o conhecimento é um ativo e não apenas um suporte para a tomada de decisões. “Será um processo natural, como foi no caso das certificações. Hoje, muitas empresas brasileiras são certificadas na ISO 9000, 14000 e 18000. Isso significa que boa parte do conhecimento dessas corporações já está registrada de alguma forma. Basta agora que ele seja disseminado”, observa Sônia Gurgel.

Email: Assessoria de imprensa da ABRH-PR: osnibermudes@brturbo.com.br

Texto complementar

Negócios passam por processo de seleção natural

Empresários estão tendo de se adaptar muito rapidamente às mudanças e vão sobreviver aqueles que adotarem novos métodos de gestão

Moacyr França Filho: Gestão do Conhecimento vem do compartilhar
Moacyr França Filho: Gestão do Conhecimento vem do compartilhar

Para o consultor, Moacyr França Filho, a Gestão do Conhecimento ainda é um assunto bastante distante do dia a dia dos empresários de pequenas e médias empresas. No entanto, o acirramento da competitividade está mudando esse quadro. Ele avalia que cresce a percepção, dentro das companhias, de que é preciso reduzir erros, melhorar o potencial de venda dos produtos e adotar práticas vencedoras. E isso só se consegue compartilhando conhecimento, conforme ele explica na entrevista a seguir. Confira:

O conceito de gestão do conhecimento parte da premissa de que todo o conhecimento existente na empresa, na cabeça das pessoas, nas veias dos processos e no coração dos departamentos, pertence também à organização. A questão que se coloca é como colocar isso em prática?
As empresas diferenciam-se entre si em função do porte, da cultura e do objetivo da sua existência. Temos empresas públicas, de economia mista, de bens de consumo, do sistema financeiro, de serviços, hospitais e isso faz com que não haja uma receita única. Porém, há aspectos comuns dentro do que se está convencionando chamar de Gestão do Conhecimento. Em primeiro lugar, é necessário identificar com clareza os pontos fundamentais da cultura da empresa, o grau de envolvimento e a ética presentes em todas as fases dos processos gerenciais e produtivos. É necessária também, como premissa, que as altas lideranças da organização percebam com clareza que o conhecimento é um ativo de muita importância a ser administrado. Uma vez conhecida a cultura da organização, e havendo disposição real da alta direção em implantar realmente a Gestão do Conhecimento, isso pode ser feito através dos seguintes passos:
* Incluir o assunto na discussão do planejamento estratégico da organização.
* Envolver profundamente RH e TI.
* Adotar metodologias auxiliares, cuja implantação ancoram a Gestão do Conhecimento. Entre elas: Aprendizagem Organizacional e Educação Corporativa, Gestão de Competências, Gestão do Capital Intelectual, Gestão de Processos e Gestão de Relacionamentos.

Boa parte das empresas brasileiras ainda tem uma administração familiar. Como conseguir implantar um programa de gestão de conhecimento em um ambiente desses?
As empresas familiares têm características peculiares, voltadas as nuances da sucessão e associadas à questão competências versus cargos. Quando a empresa cresce e começa a ganhar longevidade, isso tende a se agravar porque a família, em geral, cresce muito mais rápido e a empresa passa a não comportar todo mundo. Se a parte diretora da empresa já está consciente da importância da Gestão do Conhecimento, a implantação pode ser feita nos moldes do que eu citei anteriormente. Caso ainda tenha problemas de sucessão, um bom caminho seria primeiro profissionalizar a empresa.

Não é de hoje que se fala em gestão de conhecimento. No Brasil, o tema já é abordado desde o início da década. Mesmo assim, implantá-lo nas empresas do país ainda parece um tabu. Como romper esse paradigma?
Parte deste paradigma está sendo resolvido de uma forma “Darwiniana”, ou seja, assim como houve uma seleção natural das espécies, com a adaptação de algumas e o desaparecimento de outras que ficaram incompatíveis com a nova realidade, também no caso das empresas está havendo uma verdadeira seleção daquelas que se adequaram aos novos processos de gestão ou não. Nossa experiência, com um grande número de pequenas e médias empresas, é que, quando não há sucesso em conscientizar a parte que detém o poder de decisão da organização, resta pouco a fazer.

Daria para dizer que o empresário brasileiro sabe da importância da gestão do conhecimento, mas tem receio em adotá-la?
Apesar de o empresário brasileiro pertencer a uma classe, antes de tudo ele é uma pessoa. Em virtude das pessoas estarem vivendo mais, percebe-se em parte dos empresários um descompasso entre seus conhecimentos e atitudes e tudo aquilo que o contemporâneo apresenta como necessidades de gestão empresarial. Muitos têm dificuldade de assimilar, na velocidade necessária, as novas necessidades empresariais e as ferramentas mais atuais de gestão. Os empresários na ativa, que tem hoje 55 anos de idade, viram nascer a televisão em preto e branco e conviveram com trens de locomotiva a vapor e telex. Forjaram-se durante anos em uma economia com inflação absurda e agora se encontram num mundo globalizado e dentro de um Brasil com inflação controlada. Percebe-se um forte esforço dessa classe em se atualizar, sendo que alguns conseguem e outros não. É comum em empresas pequenas e médias terem donos que ainda não se adequaram aos princípios elementares da informática atual. O que dizer, então, dos processos mais elaborados de gestão? Eu diria que para uma parte do empresariado brasileiro esse assunto é bastante distante da sua realidade do dia a dia.

Quais os ganhos das empresas que ousaram romper esse paradigma e hoje navegam em um ambiente de gestão de conhecimento?
De cara podemos salientar o aumento da competitividade, pois é impossível dissociar competir e inovar de compartilhar conhecimento. Isso, claro, é o resultado de não se repetir erros, registrar o conhecimento dos colaboradores, registrar as melhores práticas, compartilhar, enfim, o conhecimento gerado dentro da organização. O que se vivencia, hoje, é que a qualidade dos produtos já perdeu a característica de diferencial de venda. Os carros, os alimentos, as ofertas de viagens de férias, os serviços em geral, enfim, todos os produtos acabaram se tornando muito iguais entre si e o que importa é fazer com que o cliente escolha o que é melhor para a organização. Aí é que a interação e o compartilhamento do conhecimento fazem a diferença no resultado.

Qual a assertiva correta: a gestão do conhecimento é que fortalece o capital humano da empresa ou é o capital humano da empresa que vai gerar a gestão do conhecimento?
Na realidade a gestão do conhecimento é uma metodologia que se aplica à totalidade do capital intelectual da empresa, ou seja, tudo que pode estar em desenhos de projetos, memórias de cálculos, fórmulas de produtos, procedimentos escritos, enfim, tudo que puder ser rastreado além daquilo que está na cabeça das pessoas através de suas experiências, conhecimentos e habilidades. A interação desses conhecimentos gera mais conhecimento e fortalece o capital humano que está interagindo. Esse fortalecimento vem do próprio conceito do que significa gestão do conhecimento. Vem do compartilhar.

Uma das maiores queixas dentro das empresas, por parte dos funcionários, é que eles não têm espaço para expor ideias ou temem sofrer algum tipo de constrangimento se o fizerem. A gestão do conhecimento se cria num ambiente desses?
A questão de mapear as resistências e identificar com clareza as razões desse temor ao constrangimento faz parte do processo da implantação. Identificar todas as barreiras e removê-las faz parte de uma mudança de cultura real e tem que ser verdadeira e respaldada pela alta gerência da organização.

Há modelos de boa gestão de conhecimento no Brasil?
No ambiente educacional poderia citar a ESAF – Escola de Administração Fazendária e a Universidade Metodista. No ambiente público, o SERPRO - Serviço Federal de Processamento de Dados, vinculado ao Ministério da Fazenda. No ambiente empresarial, a Natura Cosméticos. E mais: Sabesp (São Paulo), Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Datasul(Incorporada pela Totvs em 2008), citando algumas das mais conhecidas. Deve ser ressaltada a rapidez com que está sendo alterado o quadro empresarial no Brasil. Do que se conhece, e que tem sido muito exposto na mídia, fusões como Sadia/Perdigão, Itaú/Unibanco, Pão de Açúcar/ Ponto Frio tendem a gerar ainda mais transformações nas organizações.

O departamento de recursos humanos de uma empresa tem qual peso na implantação da gestão do conhecimento dentro da companhia?
Gestão do Conhecimento significa, antes de mais nada, trabalhar com pessoas na organização. É fundamental a participação do departamento de RH em virtude de que todo o investimento no capital humano tem de ser incentivado e preservado.
A preparação do elemento humano existente nas organizações, além da metodologia a ser adotada, tem que ter a participação ativa do RH. O próprio RH tem de estar preparado para entender que o conhecimento é regido pela teoria da abundância (quanto mais eu compartilho mais eu tenho), diferente das commodities, que seguem a teoria da escassez.

Quando se pensa em gestão do conhecimento, logo se imagina que isso é coisa para grandes corporações. Pergunto: médias e pequenas empresas também estão abertas para esse tipo de gestão?
A rigor, não há nada que impeça. Na realidade hoje existem duas grandes barreiras para implantação da gestão do conhecimento em pequenas e médias empresas. A primeira é que boa parte dos donos das pequenas e médias empresas tem visão muito própria de gestão, associando o sucesso ou o nível alcançado pela sua organização à sua maneira de pensar, intuindo que não há necessidades de maiores mudanças. A segunda é que em geral os sistemas de informática dessas empresas são muito fragmentados, sendo poucos os que têm um ERP estruturado e operando, e poucos os que têm área de TI implantadas. Assim sendo, uma ferramenta importante na operacionalização da gestão do conhecimento é falha nessas empresas. Há exceções, mas a regra é essa e estamos falando de empresas com faturamento abaixo de R$ 20 milhões de reais por ano.

Uma empresa que tem ruídos de comunicação consegue implantar uma boa gestão do conhecimento?
É bem difícil. Em geral, os ruídos de comunicação são efeitos e não causa. Nas indústrias é muito comum as pessoas sintonizarem a “rádio Peão” quando a empresa não se posiciona claramente em relação aos assuntos de interesse da coletividade da organização. Também esses ruídos fazem parte do inventário inicial de tudo que deve ser corrigido na empresa e que fazem parte do processo de implantação da Gestão do Conhecimento.

O Brasil está muito defasado, em comparação com outros países (EUA e Europa, em especial), no quesito gestão do conhecimento?
Até um ano atrás haveria uma resposta mais assertiva. Nos tempos atuais, onde o furacão financeiro global ainda está em atividade e já fez desabar ícones do calibre de uma GM, dá para dizer que o Brasil está em evolução. O país definiu uma parceria muito grande com a França, voltada para a defesa, e há o retorno de cérebros e executivos, em virtude de terem se extinguido postos no exterior. Enfim, percebe-se uma redefinição do atual quadro. Normalmente os processos de gestão chegavam ao Brasil através das empresas com matriz no exterior (Japão, Estados Unidos e Alemanha). Agora, há a perspectiva de que as economias emergentes, da qual o Brasil faz parte, criem seus próprios modelos de gestão.

Site do entrevistado: www.nivel10consultoria.com.br

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Analistas veem na construção civil oferta consistente de vagas

Redução dos juros básicos, crédito habitacional farto e o programa Minha Casa, Minha Vida devem estimular setor nos próximos meses

Os sinais de recuperação de atividade e, consequentemente, de oferta de empregos com carteira assinada neste início de ano são mais consistentes na construção civil dentre todos os setores da economia brasileira, na avaliação de especialistas em mercado de trabalho.

Fatores como a redução dos juros básicos, o apetite dos bancos por aumentar sua fatia no crédito habitacional e o programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida, devem estimular a construção civil nos próximos meses, com reflexos positivos na geração de empregos. "São fatores que dão ânimo às construtoras para investirem e esperarem bom retorno", afirmou o supervisor do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sérgio Mendonça.

O professor da USP, José Pastore, disse concordar que o potencial futuro de crescimento da construção civil é "excelente". "Se os projetos do 'Minha Casa, Minha Vida' realmente saírem do papel, esse setor pode até explodir." Para Pastore, o desenho do programa habitacional é favorável às construtoras porque coloca a Caixa Econômica Federal como intermediária da oferta e da demanda, evitando que as empresas tenham que buscar compradores. "E essa garantia é um grande diferencial", disse.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, comprovam que a construção civil é um dos setores com recuperação mais rápida na geração de ocupações formais de janeiro a abril deste ano, após o tombo de dezembro do ano passado. No entanto, todas as vagas fechadas no último mês de 2008 ainda não foram recuperadas.

No primeiro quadrimestre de 2009, o setor acumulou um saldo positivo entre demissões e contratações de 43.667 postos de trabalho, um pouco mais da metade que os 82.432 empregos perdidos apenas em dezembro. A indústria de transformação, por outro lado, só fechou vagas de dezembro a março, voltando a abrir apenas 183 empregos formais em abril.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Juros da casa própria vão cair mais

Executivo de finanças acredita que em dois meses taxas serão ainda menores, conforme economia for se recuperando

O consumidor interessado em comprar um imóvel financiado deve esperar por pelo menos mais dois meses, na opinião do vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. Segundo ele, as taxas de juros, que já estão sendo reduzidas pelos bancos, devem cair ainda mais, com a percepção de melhora na economia e com as reduções da taxa básica de juros, a Selic.

Recentemente, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal anunciaram redução de juros, com condições diferenciadas de acordo com a forma de pagamento das prestações, ou se o interessado é correntista, por exemplo. Bancos privados, como o Bradesco, também estão de olho no mercado. Em maio, a instituição anunciou a ampliação do prazo de financiamento da casa própria de 25 para 30 anos em todas as modalidades previstas no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e reduziu as taxas de juros. Confira dicas do especialista sobre a compra de imóveis financiados.

As condições para a compra de imóveis estão melhorando?
Depois que a crise financeira internacional se agravou, principalmente no período de setembro de 2008 até fevereiro deste ano, os bancos subiram as taxas de juros, encurtaram o prazo de financiamento e passaram a ser mais seletivos. Estavam preocupados com a possibilidade de que a crise pudesse se agravar e levar à inadimplência de seus clientes. Os bancos públicos, pressionados pelo governo, passaram a emprestar mais para compensar a queda na oferta de crédito dos bancos privados. Passado esse momento, os bancos privados perceberam que tinham boas oportunidades pela frente e que os públicos pegaram o espaço deles e voltaram a emprestar. Atualmente, há uma competição maior nesse segmento, o que possibilita aos consumidores melhores condições. Os bancos vêm alongando prazos. Atualmente é possível encontrar prazo de até 30 anos. Tem os bancos anunciando redução das taxas de juros e em algumas situações financiando 100% do valor do imóvel. Entretanto, essas condições tendem a ficar ainda melhores. Mas aquele consumidor que não pode esperar deve ficar atento para não comprometer demais a renda, preferencialmente escolher o sistema Sacre [Sistema de Amortização Crescente] que possibilita pagar a um custo menor. Claro que tem uma desvantagem porque as parcelas inicialmente são maiores. Mas a dívida é amortizada de forma mais rápida. O consumidor deve prestar atenção também que quando vai comprar o imóvel, além dos juros, tem seguros e a Taxa Referencial (TR).

Quanto tempo mais as pessoas que querem financiar um imóvel devem esperar?
As condições de crédito no segundo semestre vão estar melhores. Daqui a dois ou três meses, haverá uma quantidade maior de bancos oferecendo condições melhores, o que possibilita uma competição maior e beneficia os consumidores. Taxas menores, prazos maiores, menor burocracia no sentido de que deve haver uma liberação maior.

Os efeitos da crise no financiamento imobiliário estão passando?
Tenho a convicção de que o pior da crise já passou, o que se reflete na própria atitude dos bancos. Se os bancos acreditassem que a situação estaria complicada, não fariam o que estão fazendo agora. Agregado a isso, temos a Selic sendo reduzida, o que possibilita aos bancos diminuir mais as taxas de juros.

Qual é o efeito da Selic nas taxas de juros de financiamento de imóveis?
A Selic é uma taxa de juros que referencia todas as demais. Quando a Selic sobe, todas as taxas de juros sobem. Por se tratar de financiamento de longo prazo e de alto valor, qualquer um ponto percentual de redução da Selic traz um enorme efeito no custo do financiamento de imóveis.

Os bancos estão realmente baixando os juros ou só estão retomando ao patamar anterior à crise?
Aconteceram as duas coisas. Alguns bancos subiram as taxas de juros no momento de crise e agora estão levando as taxas aos patamares que cobravam anteriormente. Mas também tivemos bancos que mantiveram a taxa e agora, acreditando que a economia vai ficar melhor, baixaram os juros. Tanto aquele banco que retornou à taxa anterior como o que reduziu vão continuar reduzindo. A competição está iniciando nesse segmento e vai levar a quedas mais fortes nas taxas de juros.

Qual a diferença entre os sistemas de amortização Price (Sistema Francês de Amortização), Sacre e SAC (Sistema de Amortização Constante)?
Quando você faz um financiamento, paga sempre os juros sobre o saldo devedor. Entretanto, tem alguns tipos de sistema que definem como vai ser amortizada a dívida. Tem o sistema Price, que é o mais conhecido pelos brasileiros, em que você paga parcelas iguais durante o financiamento. Tem o sistema Sacre, que é crescente, adotado pela Caixa, em que as prestações iniciais são maiores e vão sendo reduzidas a cada 12 meses. O SAC, usado tanto pela Caixa quanto por bancos privados, é muito parecido com o Sacre. Com esses dois sistemas, você começa igualmente a amortizar mais no início do financiamento. Para se ter uma idéia, no caso de um financiamento de dez anos, o consumidor que optar pelo sistema Price vai pagar 10% a mais do que pagaria nos outros dois sistemas.

Para quem não tem disciplina para juntar dinheiro, o financiamento pode ser uma boa opção, já que a pessoa terá que reservar os recursos para pagar as prestações?
Em qualquer hipótese é melhor juntar dinheiro para comprar à vista ou para financiar uma parcela menor do valor do imóvel. Assim, o consumidor economiza com juros. Mas para aquele consumidor que não é muito regrado, a melhor indicação é o sistema de consórcio, porque vai ter a obrigatoriedade de pagar todo o mês.

E o financiamento é melhor opção do que pagar aluguel?
Oliveira - Hoje em dia, eu diria que sim. As condições de crédito melhoraram, o que possibilita pagar o mesmo valor de um aluguel. Atualmente, os juros de financiamento estão, em média, entre 0,90% e 1% ao mês. O aluguel corresponde em geral de 0,80% a 1% do preço do imóvel.

Quais são as dicas na hora de pesquisar nos bancos?
Estamos falando que as taxas de juros estão caindo. Mas isso não quer dizer que todas as taxas estejam iguais e que todos os bancos reduziram. Nem sempre que os bancos dizem que reduziram os juros, a redução foi para todas as categorias. Às vezes, caíram para financiamento de dez anos, por exemplo, ou em uma situação em que o consumidor ofereça uma boa entrada. A melhor alternativa é pesquisar muito. O consumidor deve procurar o seu banco e os demais para saber quais são a taxa de juros e os demais encargos. Ele só vai saber onde é mais barato, se fizer uma comparação de custos.

Fonte: Agência Brasil

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação


Engenharia e Direito tornam-se áreas irmãs

Cada vez mais expostos a leis, normas e códigos, engenheiros mergulham no mundo jurídico para se adequar à nova realidade da profissão

Engenheiros civis são os que mais procuram se especializar em Direito
Engenheiros civis são os que mais procuram se especializar em Direito

Na Escola Politécnica (Poli) da USP (Universidade de São Paulo), um grupo de pesquisadores liderado pelo professor Pedro Luís Próspero Sanchez desenvolveu estudos para aproximar duas áreas aparentemente distantes entre si, mas que, nos dias atuais, se influenciam reciprocamente: Engenharia e Direito. De acordo com o professor, a ideia surgiu a partir da constatação de que, no Brasil, a atividade pericial - que é frequentemente realizada por engenheiros civis -, apresenta uma formação deficiente.

Em 2003, a linha de estudos foi aprovada pela Comissão de Pesquisa da Poli. Em 2004, começaram a ser oferecidas as disciplinas de pós-graduação: Tópicos de Direito Tecnológico, Ciência Forense aplicada a Sistemas de Informação, Fundamentos da Ciência Forense e Metodologia da Prova Pericial.

Atualmente, a equipe é composta por cerca de 20 pesquisadores, mestrandos e doutorandos e atrai profissionais como engenheiros, advogados, auditores, contadores, peritos criminais, policiais federais e professores. Em 2007, o conhecimento da área passou a estar disponível não apenas aos alunos da pós, mas para a estrutura curricular da graduação, com a criação da disciplina Engenharia Legal.

Doutor na área, o professor Pedro Luís Próspero Sanchez concedeu a seguinte entrevista sobre a aproximação entre Engenharia e Direito:

Apesar de os cursos de Engenharia terem disciplinas sobre legislação, jamais se imaginou que o Direito passasse a ser tão requisitado pelos engenheiros, como atualmente, a que se deve isso?
Eu acho que é uma percepção pelo profissional da área tecnológica de que o Direito é que regula a sociedade e é, de certa forma, uma consequência dos valores e dos parâmetros que a sociedade entende como adequados. Então, a percepção do Direito é um elemento importante na profissão do engenheiro. A atividade de Engenharia não acontece assim isolada no vazio, ela depende das relações humanas, ela atende necessidades humanas e, sob este ponto de vista, entender do Direito é essencial.

No caso da construção civil, hoje temos o código do consumidor, que torna o comprador de um imóvel mais protegido de obras defeituosas. Isso também influenciou na aproximação da Engenharia e do Direito?
O código do consumidor na verdade tem a sua influência, porque a Engenharia, de modo geral, e a Engenharia Civil, especificamente, acaba significando uma prestação de serviço, seja para o consumidor diretamente ou para o fornecedor de um produto. Direta ou indiretamente, ela atende ao consumidor. Agora, eu diria o seguinte: o código do consumidor conscientizou a população de que o serviço, o trabalho, o produto têm uma garantia de qualidade, de segurança. Isso levou o engenheiro a ser mais preventivo, até naquilo que concerne às leis que envolvem a construção de um imóvel.

Qual área da Engenharia que mais busca a especialização jurídica?
Na engenharia civil existe um número expressivo de engenheiros em busca dessa formação. Por quê? Existem muitos engenheiros que trabalham como peritos judiciais em avaliação de imóveis. É comum uma construtora erguer um edifício ao lado de casas e isso requer uma perícia preventiva nas residências vizinhas para evitar que se atribuam danos futuros àquela obra. Então, os engenheiros-peritos precisam de uma boa base jurídica para poderem se comunicar melhor com o juiz e com os advogados, para que haja um entendimento melhor sobre o objetivo daquela perícia e qual é a implicação jurídica daquele resultado.

O senhor citou a comunicação entre as áreas técnicas e jurídicas. Hoje há muitos ruídos nesta relação?
Na essência a comunicação é inadequada entre o profissional de engenharia e o profissional jurídico. Às vezes, o profissional é extremamente competente, faz um trabalho tecnicamente impecável, mas não consegue passar o significado técnico para uma pessoa que, por definição, é leiga em engenharia civil. No caso, o juiz. Então, o trabalho técnico não pode ser perfeito só para o engenheiro, mas para o juiz. O profissional de engenharia civil tem de saber o que é importante, o que é relevante e qual é o objetivo do juiz. Mas aí existe um problema mais grave, que é o Código Civil. Nele, diz o seguinte: em não havendo alguém com especialização técnica na comunidade - e vai se entender comunidade como a comarca em que juiz tem jurisdição - não precisa. Se formos interpretar a lei como está, ela quer dizer que se lá na comarca não tem engenheiro civil-perito até o farmacêutico serve. E é bem isso que acontece.

Então é o caso de haver uma legislação mais clara quanto a estas questões de perícia?
A legislação atual não entra nas questões técnicas e nem é possível, pois a tecnologia está sempre evoluindo e é muito complicado você engessar em normas legais estas questões. O que é necessário é criar varas judiciais especializadas para o tratamento de matérias técnicas. Hoje, por exemplo, existem varas especializadas em falências, em recuperação de empresas e isso é uma área do Direito Empresarial. Assim como existem varas criminais. Então é preciso criar varas especializadas em tecnologia e, especificando um pouco mais, varas que envolvam questões de Engenharia Civil. Se isso ocorresse, os juízes, que num primeiro momento não têm experiência com o tema, passariam a adquirir experiência e começaria a se criar uma jurisprudência um pouco mais firme, um pouco mais uniforme sobre certos temas. Outra coisa importante é que as escolas de magistratura dessem aos juízes uma capacitação maior sobre questões que envolvem ciência, tecnologia, perícia, o que eles não têm.

Não seria relevante também que advogados e magistrados se especializassem em engenharia para entender da matéria que, por ventura, venham a julgar?
Exatamente. Eu conheço vários engenheiros, em especial os civis, que também são advogados e até alguns anos atrás não conhecia nenhum advogado que também fosse engenheiro civil, por exemplo. Só em 2008 eu conheci dois. Ou seja, engenheiro que depois faz o curso de Direito não é maioria, mas é um fato comum. A gente acha sem grandes dificuldades. Agora, que seja advogado, que tenha feito exame de Ordem (dos Advogados do Brasil), já é mais difícil. Existem muitos engenheiros civis com formação jurídica e destes, cerca de 20% a 30%, são advogados que prestaram exame de Ordem. Mas é raro ver advogados exercendo a engenharia.

* Pedro Luís Próspero Sanchez é engenheiro eletricista, doutor e livre-docente em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. É bacharel em direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. É professor livre-docente do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, onde lidera a área de ensino e pesquisa em Engenharia Legal, Ciência e Tecnologia Forenses. É coordenador do grupo de Engenharia Legal, Ciência e Tecnologia Forenses da Universidade de São Paulo. Na USP, ministra a disciplina Engenharia Legal, no nível de graduação, e em pós-graduação ministra as disciplinas Tópicos de Direito Tecnológico, Metodologia da Prova Pericial, Fundamentos de Ciência Forense e Ciência Forense Aplicada a Sistemas de Informação.

Email Pedro Luís Próspero Sanchez: pl@lsi.usp.br

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação