ABNT prepara nova norma para a construção civil
Governo federal quer que seja preparada normativa única sobre coordenação modular em edificações
A pedido do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), baseada em seis padrões internacionais, vai preparar normativa única sobre coordenação modular em edificações. O objetivo é revisar todas as normas de coordenação modular brasileiras, que estão em vigor desde os anos 1970 e 1980, além de estabelecer novos padrões que garantem economia e qualidade nas construções.
De acordo com o superintendente do Comitê Brasileiro de Construção Civil (CB-02) da ABNT, Carlos Alberto Borges, a nova normativa foi considerada prioridade pelo governo federal, que solicitou a revisão. O indutor foi o programa Minha Casa, Minha Vida, que demandará a construção de uma grande quantidade de habitações populares, que poderiam ter um custo menor se houvesse a coordenação modular. Nós já temos recursos públicos e todo o apoio necessário para o desenvolvimento da norma. Vamos criar uma norma única para eliminar a redundância e simplificar o trabalho das construtoras e consumidores, revela.
A Comissão de Estudo de Coordenação Modular para Edificações vai receber a colaboração de acadêmicos e profissionais da construção civil, que voluntariamente vão oferecer contribuições técnicas. Além da demanda do Ministério, existe um consenso na área acadêmica de que a coordenação modular é importante e vai trazer benefícios para todos, já que vai otimizar os gastos e os desperdícios. A partir do sistema de compartilhamento da ABNT, chamado live link, vamos receber contribuições de profissionais de todo o país, disse Borges.
Coordenação Modular
Nos Estados Unidos, é comum encontrar nas redes de comércio produtos com o termo do-it-yourself, que traduzido significa faça você mesmo. Os produtos estimulam a pessoa participar na sua montagem. Isso é possível porque as fabricantes americanas adotaram um padrão de coordenação modular no qual permite encaixes perfeitos dos materiais de construção.
A população brasileira ainda não conta com uma norma como a usada pelos Estados Unidos e Europa. Para se ter uma idéia, o padrão internacional de coordenação modular existente e aplicados por vários países existe desde 1983 (ISO 6513:1982). Os especialistas consideram que o Brasil está com 16 anos de atraso em relação à qualidade adotada para modulação.
Esse novo padrão vai beneficiar a construção de mutirões de habitação de interesse social, como o programa Minha Casa Minha Vida, uma vez que as indústrias vão desenvolver novos materiais com procedimentos mais sustentáveis com a padronização de medidas, que vão evitar os desperdícios. Por conseqüência, também abrirá o mercado brasileiro para o internacional, que consome um produto sustentável e com medidas exatas.
Menor custo
O consumidor será beneficiado com a redução de gastos nas obras, já que haverá um ajuste modular no qual vai evitar a quebra de um tijolo, por exemplo, para se encaixar naquele cantinho que ficou faltando completar. Outro benefício será a facilidade para reformas ou manutenção da casa, uma vez que os materiais de construção vão ter dimensões exatas.
O diretor do departamento de competitividade industrial do ministério do desenvolvimento, Marcos Otávio Prates, revela que o Brasil vem experimentando um crescimento no mercado da construção civil. A questão modular é importante. No ano passado, o sistema imobiliário do país movimentou R$ 30 bilhões. O mercado de habitação está crescendo e as normas estão muito defasadas para aumentar a produtividade, revela.
De acordo com Prates, hoje as construtoras criaram um padrão próprio para construir. Elas fazem a encomenda diretamente para as fábricas com as dimensões que usam. Estamos num caos dimensional. Ao estabelecer uma regra voluntária, de composição de medidas, o prazo da entrega da obra é reduzido, a qualidade técnica é maior, o desperdício é reduzido e o consumidor é beneficiado, esclarece.
A edição da nova norma para modulação é a primeira etapa que o governo precisará realizar para equiparar o Brasil com a qualidade internacional. A expectativa é que até o final deste ano a nova norma já esteja pronta. Mas ainda será necessário investir em qualificação e principalmente conscientização dos benefícios que trará para todo mundo, já que a aplicação dessa norma é voluntária, afirma Prates.
A nova norma modular terá base em seis normas internacionais. São elas:
ISO 1791:1983, que define os termos necessários para a concepção e construção de edifícios de acordo com a coordenação modular;
ISO 1006:1983, que estabelece o valor do módulo básico para ser usado na coordenação modular de edifícios;
ISO 2848:1984, princípios e regras da coordenação modular;
ISO 6513:1982, séries de medidas multimodulares preferíveis para dimensões modulares;
ISO 6514:1982, que determina os valores dos incrementos submodulares;
ISO 1040:1983, que define as medidas dos multimódulos para dimensões coordenadoras horizontais.
ABNT
As Normas Técnicas Brasileiras são uma referência mundial para as empresas e a certificação garante conceitos, análises e estratégias que podem ser adotadas por empreendimentos que buscam se tornar competitivos com padrão internacional de qualidade.
No Brasil, cerca de 10 mil empresas têm certificação em conformidade com a ABNT. Já no exterior, as organizações certificadas em qualidade estão perto da marca de 1 milhão. A ABNT disponibiliza as Normas Técnicas Brasileiras para os profissionais de engenharia, arquitetura e agronomia do Brasil. O profissional pode escolher as normas e efetuar o pagamento diretamente na tela do seu computador. Basta acessar o site da ABNT e seguir as instruções.
Fonte: Correio Braziliense 03/07/09.
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Lançada etiqueta que classifica edifícios conforme o consumo de energia
Construções participantes do programa serão analisadas em três aspectos: envoltório, sistema de iluminação e condicionamento de ar
A Eletrobrás e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) lançaram no dia 2 de julho a Etiqueta de Eficiência Energética de Edificações Comerciais, de Serviços e Públicos, que vai classificar os prédios conforme seu consumo de energia. A iniciativa faz parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE).
As construções participantes do programa serão analisadas em três aspectos: envoltório (fachada e entorno), sistema de iluminação e condicionamento de Ar. A partir dessa avaliação, os edifícios receberão etiquetas que vão de A (melhor nível de eficiência,) até E (pior qualificação). Na fase inicial do projeto, a participação é voluntária, mas, gradualmente, ela passará a ser obrigatória. Há ainda previsão de incluir os prédios residenciais na classificação.
A intenção é facilitar o entendimento da eficiência energética das construções para que o consumidor possa escolher o melhor prédio de acordo com seus interesses de ter uma conta de energia menor e de poder contribuir para resolver o problema da sustentabilidade do mundo, ressaltou o presidente do Inmetro, João Jornada.
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo, Sergio Watanabe, embora possa levar a aumento no preço dos imóveis, a etiqueta terá um apelo para o consumidor. Ele explicou que, apesar de o valor subir no primeiro momento, os edifícios economicamente sustentáveis devolverão esse aumento de preço durante a manutenção da edificação em seu período de vida útil.
A incorporação de edifícios antigos também está entre os objetivos do programa. Segundo João Jornada, uma boa reforma pode proporcionar economia de até 30% na conta de luz de um condomínio.
O presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz, destacou que a adequação das construções brasileiras à necessidade de sustentabilidade ambiental gera um impacto enorme no papel do Brasil como player na questão da emissão de gases causadores do efeito estufa.
Fonte: Agência Brasil
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Empresas são desafiadas a se conectar às redes sociais
Intenção de fidelizar clientes é o que mais motiva as corporações a recorrerem às novas mídias. Especialistas, no entanto, alertam para os prós e os contras
Twitter, MySpace, Facebook e Orkut são algumas das dezenas de ferramentas das redes sociais que recentemente passaram a despertar a atenção das empresas. Motivo: as corporações estão em busca de respostas para se aproximar cada vez mais dos consumidores. As antenadas já mantêm equipes somente para atuar neste segmento de mídia, tentando um contato com o público-alvo e verificando formas de melhorar a imagem.

Há também as que resistem, acreditando que as redes sociais são mero modismo e não trarão as respostas de que necessitam. Quem tem razão? Ambas. O que ocorre, explica o professor do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), Luciano Salamacha, é que as redes sociais não vão funcionar em todas as empresas. Tudo depende muito do nicho em que elas atuam. Se a empresa obtiver eficácia, as redes sociais vão entrar para o seu dia a dia. Caso contrário, serão vistas como modismo, diz.
Ainda segundo Salamancha, quando você tem um mercado mais específico, dá para trabalhar bem nas redes sociais. Agora, quando se vai para atividades empresariais que dependem de mais experiência, de contato, de desenvolvimento, talvez as redes sociais não sejam relevantes. Veja o caso de uma empresa que vende móveis. Ela não consegue induzir o consumidor a sair de casa para comprar um guarda-roupa da marca tal. Isso funciona bem com a indústria automobilística e da moda, por exemplo.

No entanto, independentemente de seu nicho de atuação, a empresa que quiser entrar nas redes sociais precisa saber que aquele ambiente não é dela. É como se estivesse entrando na casa de uma pessoa. Por esse motivo é que se prega tanto a necessidade de critérios de transparência e de entrega de valor. Como explica Sérgio Coelho, diretor de mídia da Midiaweb empresa especializada em internet. A rede social é do povo. Então, quando uma empresa adentra esse mundo precisa entender que, em um primeiro momento, está ali como intrusa, afirma.
Transparência
A palavra-chave para as empresas que entram nas redes sociais é transparência. Há casos de algumas que sondam o ambiente como usuários comuns. Fazer isso é perigoso, explica Luciano Salamacha. Não considero isso ético e não considero uma atitude com longevidade garantida. Ao contrário, acredito que as empresas devem assumir o seu papel dentro destas comunidades declarando efetivamente qual é o seu propósito e o que eles estão fazendo. A opção pelo anonimato é muito perigosa, alerta.
Sérgio Coelho cita a Nike como modelo em transparência. Ela desenvolve redes para atletas e promove comunidades, convidando as pessoas que gostam de corrida, de futebol e outras modalidades. O moderador da rede dá dicas bacanas, promove debates e estimula as comunidades a criarem seus próprios conteúdos. Cabe aos empresários perceber o que seu público pensa e, a partir disso, se aprimorar, diz.
No universo empresarial brasileiro, os especialistas admitem que são poucos os donos de empresas que já entenderam bem o que é e para que servem as redes sociais. No entender de Luciano Salamacha, o que acontece é um choque de gerações. As decisões ainda são tomadas pela geração X, que são aqueles nascidos entre 1965 e 1978, mas é a geração Y, nascida entre 1979 e 1992, que efetivamente mais conhece as redes sociais. Trazer e gerenciar estas pessoas nas empresas ainda está sendo um desafio.
Sérgio Coelho recomenda que essa identificação seja feita por especialistas no assunto. Quando se decide investir em redes sociais é preciso ter o suporte de uma empresa especialista, capaz de criar, monitorar as redes e seus resultados. Para ele, a grande maioria das empresas ainda precisa conhecer as oportunidades das redes sociais. Porém, quando apresentamos os dados sobre os usuários brasileiros da rede e quando deixamos claro o quanto este mercado é promissor, os empresários abrem os olhos para a necessidade de investir em redes sociais, garante.
Entrevistados:
Luciano Salamacha - Email: luciano@salamacha.com.br
Site: www.salamacha.com.br
Sérgio Coelho - Email: sergio@midiaweb.com.br
Textos complementares
Benefícios que uma empresa tem ao adotar as redes sociais
* Capacidade de geração on-line de informação.
* Possibilidade de mapear e rastrear clientes.
* Customização da mensagem.
* Capacidade de construir conceitos.
* Difusão da marca.
Investir em mídias sociais aumenta receita de empresas, diz estudo
Segundo uma pesquisa realizada pela Altimer Group e Wetpaint, as empresas que investem em mídias sociais apresentam melhores resultados e receitas. A pesquisa foi feita com as 100 empresas mais valiosas do mundo, apontadas pela Business Week.
O investimento em mídias sociais representou um crescimento, em média, de 18% nos últimos 12 meses. As empresas que investiram menos ou se mostraram pouco engajadas diminuíram 6%, em média, na receita no mesmo período.
Starbucks, Dell, eBay, Google e Microsoft lideram a lista das empresas mais engajadas na mídia social e com melhores resultados, seguidas pela Thomson Reuters, Nike, Amazon, SAP, Tie - Yahoo!/Intel.
O estudo considerou como mídias sociais canais como blogs, Facebook, Twitter, wiki e fóruns de discussão.
Fonte: comunique-se.com.br
Definição para redes sociais
Redes sociais são comunidades on-line em que as pessoas podem se agrupar e compartilhar ideias, perspectivas, opiniões, experiências. Utilizam como ferramentas das mídias sociais texto, imagem, áudio e vídeo. As redes sociais podem ser definidas como uma forma diferente de se expressar.
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Arquitetura Bioclimática vira referência para construções
Conceitos que levam em consideração o clima e o ambiente ganham relevância na elaboração de obras

Construções que respeitam o meio onde estão inseridas, levando em consideração os aspectos climáticos e culturais. A isso se denomina Arquitetura Bioclimática. O conceito é relativamente novo e completou 10 anos em 2008.
Uma das principais referências mundiais é a revolução arquitetônica feita na região portuária de Lisboa (Portugal), para receber a Expo 1998. Lá foram aproveitados princípios de uso das tecnologias passivas para a climatização dos edifícios do evento. As obras revitalizaram o local sem agredir a energia do ambiente. É, sem dúvida, um excelente exemplo de bioclimatismo, explica a professora da UnB (Universidade de Brasília), Marta Adriana Bustos Romero.
Autora de uma coleção de livros sobre o assunto, a especialista defende que todo repertório do meio ambiente urbano (edifícios, vegetação, praças e mobiliário urbano) deve ser desenhado em combinação com o objetivo de satisfazer as exigências de conforto do homem e da interação social. Em resumo, a concepção arquitetônica deve servir de mediadora entre o homem e o meio onde a obra é construída, diz, citando que o Brasil é referência em Arquitetura Bioclimática graças à Norma ABNT do Zoneamento Bioclimático Brasileiro. Ela balizou governos e organismos de classe e os fez interagirem sobre o tema, além de estimular certificações que colocam o país entre um dos que têm leis mais modernas sobre o assunto, revelou.
Marta Adriana Bustos Romero cita alguns cases de construções grandiosas, mas que não se tornaram invasivas. Uma delas é o Shopping Galeria, em Campinas, cuja obra utilizou técnicas de acondicionamento ambiental passivo, sem o uso intensivo de ar condicionado. Trata-se de um shopping aberto, com um tratamento paisagístico muito bem realizado, diz. Ela também ressalta edificações que preservaram fachadas antigas como bons exemplos de Arquitetura Bioclimática: Tudo o que preserva a cultura e faz parte da identidade do homem se entende como bioclimático.
A tese defendida pela pesquisadora é que se todas as obras aplicassem conceitos bioclimáticos, levando em conta aspectos e critérios como localização, ventos, incidência de raios solares, vegetação e qualidade do ambiente construído, hoje não se falaria tanto em patologias da construção. Infelizmente, algumas edificações já prontas, e doentes, estão buscando as respostas no bioclimatismo para se curarem. O custo desta recuperação é um desperdício, caso elas tivessem sido erguidas sob preceitos bioclimáticos, atesta.
Bem nascidos
Para a professora da UnB, dois grandes projetos em andamento no Brasil, que são o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida e a construção de estádios para a Copa de 2014, estão bem nascidos sob o ponto de vista do bioclimatismo. O projeto Minha Casa, Minha Vida prevê o uso da energia solar térmica em substituição aos chuveiros elétricos. Além disso, está prevista a aplicação de outras soluções sustentáveis como o reaproveitamento de água, sistemas de coleta e tratamento de esgoto e uso de madeira de origem certificada. Também, no programa, as tecnologias e materiais ambientalmente sustentáveis vão variar dependendo da região do país. Isso é propriamente arquitetura bioclimática, comenta.
Sobre os estádios, Marta Adriana Bustos Romero afirma que o Brasil deve perseguir modelos de dois recentes acontecimentos esportivos: as Olimpíadas de Sidney, em 2000, na Austrália, e a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Esse dois eventos incorporaram os princípios do bioclimatismo e se aproximaram o máximo possível de construções sustentáveis. Cito o estádio de Allianz Arena, em Munique, como modelar. Ele faz a reutilização de águas pluviais, tem elementos zenitais bloqueadores do sol e painéis-membrana de ETFE (etileno-tetrafluoretileno), formando almofadas infladas resistentes a mudanças climáticas. Isso funciona como colchão de ar com propriedades de isolamento térmico, entre outros princípios, diz, mostrando que tecnologia e Arquitetura Bioclimática são compatíveis, e não o contrário.
Entrevistada
Marta Adriana Bustos Romero: romero@unb.br
Graduação pela Universidad de Chile e pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1978), Especialização em Arquitetura na Escola de Engenharia, USP de São Carlos (1980). Mestrado em Planejamento Urbano pela Universidade de Brasília (1985) e Doutorado em Arquitetura - Universitat Politecnica de Catalunya (1993), Pós Doutorado em Lanscape Architecture na PSU (2001). Atualmente é professora Associada I da Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Tecnologia da Arquitetura e do Urbanismo, atuando principalmente nos seguintes temas: sustentabilidade, bioclimatismo, desenho urbano, espaço público e arquitetura e clima. Líder do Grupo de Pesquisa A Sustentabildade em Arquitetura e Urbanismo, coordena o Laboratório de Sustentabilidade Aplicada - LaSUS. Coordena Curso de Especialização à Distancia, Lato Sensu "Reabilita - Reabilitação Ambiental Sustentável Arquitetônica e Urbanistica".
Autora das obras: Princípios Bioclimáticos para o Desenho Urbano,
Sistemas Construtivos, As Modalidades de Construção Tecnologicamente Significativas, Arquitetura Bioclimática dos Espaços Públicos e Reabilitação Ambiental Arquitetônica e Urbanística.
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Peso, massa ou densidade?
Na engenharia civil, são tantas as designações que não é de se estranhar que causem desordens
Créditos: Engº. Carlos Gustavo Marcondes - Assessor Técnico Comercial Itambé

Sabe-se que peso nada mais é que uma força gravitacional sofrida por um corpo. Matematicamente, peso é igual a massa multiplicada pela aceleração da gravidade, que na terra é de 9,80665 m/s² (P = m * g).
A massa é uma grandeza física diferente. É a quantidade de matéria que constitui um corpo. Exemplo: quanto maior for a massa de um planeta, maior será a força gravitacional que ele exerce sobre os corpos colocados à sua superfície.
Já a densidade é a relação entre a massa de um corpo sobre o volume que esse mesmo corpo ocupa. A diferença é que, neste caso, a água é normalmente usada como referencial. Por exemplo: quando se fala que tal material possui uma densidade 4, quer dizer que tem uma massa volúmica 4 vezes superior a da água. A densidade da água à pressão normal e à temperatura de 25ºC, é de 1,00 g/cm³, já a 4ºC é de 1,03 g/cm³.
Se estes três conceitos já confundem, o que dizer de densidade de massa, densidade de massa teórica, massa específica normal, densidade absoluta, densidade aparente, massa unitária, peso específico?
Na engenharia civil, são tantas as designações que não é de se estranhar que causem desordens, até mesmo entre os mais experientes.
Com intuito de facilitar o entendimento destes termos é que foram listadas abaixo algumas designações e suas respectivas normas.
Veja o resumo abaixo.
Densidade de massa
Norma NBR 13278:2005 Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos - Determinação da densidade de massa e do teor de ar incorporado. Calcula densidade da argamassa no estado fresco, considera os vazios existentes na argamassa e serve para calcular o teor de ar incorporado na argamassa.
Densidade de massa teórica
É expressa em g/cm³ e é calculada considerando um corpo sólido, sem vazios.
Densidade de massa aparente
Norma NBR 14086:2004 Argamassa colante industrializada para assentamento de placas cerâmicas - Determinação da densidade de massa aparente. O resultado é expresso em g/cm³. Determina a massa da argamassa em estado solto. Na prática, se destina ao trabalho de assentamento de placas cerâmicas em pisos e paredes, pelo método da camada fina.
Massa especifica normal
NBR 6118:2003 Projeto de estruturas de concreto Procedimento. Este termo aplica-se a concretos que depois de secos em estufa possuem massa específica compreendida entre 2.000 kg/m³ e 2.800 kg/m³.
Massa unitária
NM 45:2006 Agregados - Determinação da massa unitária e do volume de vazios (substituiu a NBR 7251:1982). É a relação entre a massa do agregado lançado em um recipiente e o volume desse recipiente. No entanto, a amostra é seca em estufa e, por isso, é usada também para calcular o índice de volume de vazios. Tem-se o resultado expresso em kgf/m³.
Massa específica
NM 52:2002 Determinação de massa específica e massa específica aparente. É a relação entre a massa do agregado seco e seu volume, excluindo os poros permeáveis. Expressa em g/cm³.
Massa especifica aparente
É a relação entre a massa do agregado seco e seu volume, incluindo os poros permeáveis.
Massa especifica relativa
É a relação entre a massa da unidade de volume de um material - incluindo os poros permeáveis e impermeáveis - a uma temperatura determinada e a massa de um volume igual de água destilada, livre de ar, a uma temperatura estabelecida. O conceito de massa específica relativa pode ser aplicado tanto à massa específica quanto à massa específica aparente, dividindo os resultados obtidos pela massa específica da água. Trata-se de uma grandeza adimensional, devendo ser expressa sempre em função da temperatura.
Massa especifica na condição seca
NBR 9935:2005 - Agregados - Terminologia. É a relação entre a massa do agregado seco e seu volume, excluídos os vazios permeáveis.
Massa especifica na condição saturada superfície seca
É a relação entre a massa do agregado na condição saturada, mas com a superfície seca, e o seu volume, excluídos os vazios permeáveis, que são descontinuidades diretamente ligadas à superfície externa do agregado e que, na condição saturada superfície seca, são passíveis de reter água.
Massa unitária no estado solto
NM 45 Agregados - Determinação da massa unitária e do volume de vazios. É o quociente da massa do agregado lançado em recipiente com o seu volume. Normalmente é usada para calcular o índice de volume de vazios. É expressa em kg/m³.
Massa unitária no estado compactado seco
É o quociente da massa do agregado lançado e compactado em recipiente e o seu volume. Também usada para cálculo do volume de vazios.
Mas e se for preciso dimensionar um silo de cimento, por exemplo, o que devo usar? Ou ainda, se a areia ou brita estiver no pátio (soltas) qual seria o conceito equivalente? Para estas questões, deve ser usada a densidade aparente ou massa unitária, isto é, do cimento ou material (brita e ou areia) solto considerando os vazios existentes entre os grãos.
No caso do cimento, este número varia de acordo com o tipo de cimento, mas para efeito prático são considerados valores entre 1,35 t/m³ e 1,40 t/m³. Não são raros os casos onde involuntariamente, ao invés de massa unitária, algumas pessoas usam massa específica. A massa específica dos cimentos também varia com o tipo e o fabricante.
Dos cimentos produzidos pela Itambé, este número fica entre 2,82 g/cm³ a 3,12 g/cm³. O mais leve refere-se ao CP IV-32 e o mais pesado ao CP V-ARI. A título de curiosidade, um saco de cimento com 50 kg tem em média 36 litros ou 0,036 m³.
Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 - Tempestade Comunicação
Dasparkhotel
O hotel no parque
Créditos: Engº. Carlos Gustavo Marcondes - Assessor Técnico Comercial Itambé

Talvez inspirado pela tão constante composição "park hotel" em nomes de hotéis pelo mundo, o arquiteto austríaco Andreas Strauss criou o dasparkhotel que é um complexo hoteleiro instalado em tubos de concreto em um parque na cidade austríaca Ottensheim, próximo da margem do rio Danúbio.
O dasparkhotel funciona entre maio e outubro e pode ser reservado pela internet. Além do quarto instalado no tubo de concreto com uma cama de casal, o hóspede encontra à disposição cobertores, sacos de dormir, iluminação e energia (para recarregar aparelhos como celular) e compartimento para guardar pertences. A estrutura em concreto funciona também como isolador da alta temperatura externa e a porta é fechada com senha pessoal criada pelo hóspede.
Banheiros públicos, restaurantes e cafeterias na vizinhança do parque complementam a infra-estrutura ausente nos tubos de concreto. Por conta disso, o valor da diária é estipulado pelo próprio hóspede, que paga o quanto achar válido para apoiar o projeto.

Fonte: http://apaixaosegundosg.wordpress.com/2009/02/10/dasparkhotel-o-hotel-no-parque/
Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 - Tempestade Comunicação
Construindo Melhor
Para minimizar a ocorrência de fissuras em argamassas de revestimentos (reboco), sugere-se molhar a superfície antes de aplicar a argamassa e após a aplicação, fazer a cura, molhando a argamassa. No preparo da argamassa, usar pouca água e atentar para que a cal esteja bem hidratada.
Créditos: Engº. Carlos Gustavo Marcondes Assessor Técnico Comercial Itambé
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Cinpar e SBTA apontam novos rumos para a construção civil
Eventos realizados recentemente em Curitiba reuniram alguns dos principais especialistas sobre patologias na construção e tecnologia de argamassa
Nos meses de maio e junho ocorreram, em Curitiba, dois eventos importantes para a construção civil: o SBTA (Seminário Brasileiro de Tecnologia das Argamassas) e o Cinpar (Congresso Internacional sobre Patologia e Reabilitação de Estruturas). Os simpósios serviram para apontar novos rumos para o setor no Brasil e aproximar o país do que está em debate atualmente em outras regiões do mundo. Para falar sobre os conteúdos tratados nos dois eventos, foram entrevistados os professores Cesar Henrique Sato Daher, do Instituto IDD (Instituto De Luca e Daher), e Marienne do Rocio de Mello Maron da Costa, do departamento de construção civil da Universidade Federal do Paraná. Confira:
Entrevista 1
Cinpar revela que patologias de obras é preocupação mundial

O debate sobre patologias em construções é um assunto recorrente, correto? Desde quando o tema entrou na pauta aqui no Brasil e quais as correções de rumos que ele ajudou a serem tomadas ao longo deste processo?
Cesar Henrique Sato Daher - O assunto patologia em construção entrou na pauta do país na década de 80. Foi a partir de estudos dos professores Paulo Helene e Antônio Carmona Filho, feitos no Instituto Eduardo Torroja em Madri (Espanha), que eles trouxeram essa ciência para o Brasil. Antes disso, havia o conceito de que as obras eram eternas, que o concreto era eterno, mas comprovou-se que o material, ao longo do tempo, está sujeito a corrosões das armaduras e a colapsos das estruturas. Quando isso ocorre, principalmente em obras de vulto, como o metrô de São Paulo, por exemplo, causa grandes impactos na sociedade e na engenharia civil em si. Então, com os estudos sobre patologias, tem-se procurado dar mais segurança e durabilidade às nossas obras. Hoje está comprovado que uma boa prática de execução de engenharia está diretamente ligada com a prevenção de patologias. Não só a patologia do ponto de vista de uma ciência que estuda o pós-ocorrido, mas do diagnóstico das causas para evitar que obras futuras venham a sofrer do mesmo mal.
Daria para dizer que essa discussão sobre patologias também ajudou a construir determinadas normas da ABNT focadas em edificações?
Cesar Henrique Sato Daher - Com certeza. Houve mudanças principalmente nas normas de projetos e estruturas. Antigamente não se priorizava a parte de durabilidade das estruturas. A partir de 2001, quando começou a discussão da norma de cálculo estrutural, que foi revisada em 2003 e editada em 2004, na versão definitiva, começou-se a levar em consideração essa questão de vida útil. A partir daí vieram novas normas, em especial a de desempenho de edifícios até cinco andares, que entra em vigor em 2010. Ela também reforça a questão da vida útil e define maiores cobrimentos de armaduras na parte de estrutura, assim como concretos com menor relação água/cimento, mais duráveis, com mais resistência à corrosão, seja por cloreto, carbonatação, ataque a sulfato ou, como ocorreu em Recife, onde edifícios tiveram ataques de álcali-agregado, conhecido como câncer do concreto. Sobre isso saiu uma norma em 2008, que ensina a prevenir essa patologia. Então, as recentes normas vieram para ajudar a prevenir, já que o custo para recuperar uma construção com esses problemas é extremamente alto.
Quais as principais causas de patologias em construção: uso de material inadequado, mau uso do material ou má qualidade dos profissionais envolvidos na construção?
Cesar Henrique Sato Daher - É uma superposição de fatores. Mas, sem dúvida nenhuma, a maior parte está relacionada ao projeto inadequado, à especificação de materiais inadequados e à falta de controle dos materiais usados, ou seja, receber o material na obra e avaliar se ele tem condições de ser usado e se está de acordo com a normatização vigente. Também entra nesta lista o processo construtivo, haja vista que a mão de obra tem deixado a desejar.
O clima brasileiro influencia de que forma no favorecimento de patologias, já que boa parte das grandes cidades está próxima ao mar?
Cesar Henrique Sato Daher - Essa condição geográfica e climática influencia muito. Tem, por exemplo, a questão da névoa salina em beira-mar, que propicia a geração de sulfato e ataca diretamente os revestimentos, principalmente os concretos de sacadas. As armaduras são altamente afetadas por conta da névoa salina. Tudo isso exige um concreto adequado, combinado com uma execução que leve em conta os fatores ambientais. É importante ressaltar que só usar material de boa qualidade não é suficiente. O material não é milagroso. É preciso que quem vai executar o projeto, no caso o engenheiro de obras, tenha os cuidados adequados.
Especificamente sobre as cidades localizadas no sul do país, em função do frio e da chuva, quais as patologias mais comuns?
Cesar Henrique Sato Daher - O frio não afeta diretamente as construções. A não ser em casos isolados, onde há climas com temperaturas muito abaixo de zero, onde pode ocorrer o problema da expansão da água dentro do concreto e ocasionar rompimentos de estrutura, gerando uma abertura para que intempéries ataquem o material. Mas, sobre o inverno brasileiro, ele não oferece nenhum grande risco às obras. No Brasil, a situação mais preocupante ocorre no nordeste, onde a alta salinidade e o calor fazem uma combinação que afeta muito o concreto das edificações. Ainda sobre essa questão de influencia do clima, descobriu-se recentemente na Inglaterra que a utilização de agregados de fonte carbonática, agregados de calcário, em presença de sulfatos, e combinados com o frio, geram problemas sérios nas estruturas de pontes. O fenômeno causa o derretimento do concreto, pela formação de talmazita por ataque de sulfato. Essa reação está estimulando um amplo estudo no Reino Unido e as primeiras conclusões começam a chegar ao Brasil.
Obras de recuperação hoje respondem por quanto dos investimentos em construção civil?
Cesar Henrique Sato Daher - Há um estudo mundial que concluiu que nas próximas duas décadas se gastará mais com recuperação de obras do que com a construção de novas edificações. Existe a lei de Sitter, comumente chamada de lei dos cinco, que diz o seguinte: projeto inadequado aumenta o custo em 5%, construção errada eleva preço da obra em 25% e falta de manutenção amplia gastos para 125%. Ou seja, o custo cresce exponencialmente a cada etapa que é quebrada na construção correta e na manutenção de uma obra.
Do 5.º Cinpar, realizado em junho em Curitiba, quais as principais conclusões tiradas?
Cesar Henrique Sato Daher - O congresso revelou que há uma preocupação mundial com o estudo das patologias. Esse é um dos maiores focos da engenharia hoje. Está se pesquisando desde novos materiais que possam combater as patologias até o aprofundamento de diagnósticos precoces, que possam aplacar esses mecanismos de degradação. Um tema revelado no congresso foi o estudo de nanoestrutura do concreto, trazendo a nanotecnologia para a construção civil. Mas isso ainda está no campo das pesquisas e vai levar algum tempo para chegar ao dia a dia das construções.
Um tema que está na pauta atualmente é o programa Minha Casa, Minha Vida. Ele foi debatido no congresso?
Cesar Henrique Sato Daher - Um dos palestrantes, o professor José Marques, falou sobre essas obras programáticas do governo e defendeu que elas precisam se pautar pela sustentabilidade. Neste caso, ele não abordou apenas a construção de casas, mas de estradas, barragens e outras obras de infraestrutura do país.
Uma obra que é construída tomando cuidado para evitar patologias gera que tipo de economia?
Cesar Henrique Sato Daher - O que tem de se imaginar é o seguinte: toda obra, principalmente as de uso comum da sociedade, se precisar de reparos após sua construção, vai gerar impacto social, impacto ambiental e impacto financeiro muito grandes. Então é preciso levar isso em conta na hora de se projetar e de se construir obras vultuosas.
No caso das obras públicas, rodovias e viadutos são as mais atingidas por patologias. Por que isso ocorre?
Cesar Henrique Sato Daher - Ocorre pela falta de preocupação com a monitoração e a manutenção. Há muitas falhas nos sistema de fiscalização durante a obra, inspeção após a obra concluída e manutenção ao longo da existência da obra. Então, as licitações, já desde o projeto, deveriam prever essas etapas, o que, na maioria das vezes, não ocorre. No que isso resulta? Boa parte das obras públicas tem pouca durabilidade.
Entrevista 2
SBTA prioriza influencia de agentes climáticos na argamassa

Qual o tema que centralizou os debates no VIII Simpósio Brasileiro de Tecnologia das Argamassas (SBTA)? Quais as principais conclusões tiradas do encontro?
Marienne do Rocio de Mello Maron da Costa - O evento abordou muitas das discussões voltadas ao impacto das propriedades das argamassas no desempenho de revestimento e a importância de se considerar os agentes climáticos. No estado fresco, o foco das discussões foi na caracterização reológica das misturas, com atenção especial para o procedimento de mistura e teores de água. No estado endurecido, a propriedade permeabilidade teve destaque fundamental. O desempenho do revestimento aplicado foi também amplamente discutido, assim como a importância do intercâmbio de conhecimento através da interação entre indústrias, universidades e construtoras. Os trabalhos científicos apresentados nesse evento estarão disponibilizados em breve no site do Infohab (www.infohab.org.br).
Entre as novidades tecnológicas apresentadas no simpósio, qual ou quais mais se destacaram?
Marienne do Rocio de Mello Maron da Costa - A palestra do professor-doutor Vasco Peixoto de Freitas, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (Portugal), no tema Tipificação de Patologias de Argamassas, trouxe novidades surpreendentes sobre a abordagem de patologias em argamassas através de uma visualização conjunta da edificação. Esse trabalho gerou uma relação de fichas orientativas disponibilizadas no site www.patorreb.com, divulgado no evento. Trata-se de um trabalho inédito.
Questões como mudanças climáticas foram debatidas no simpósio, já que elas influenciam nos sistemas construtivos?
Marienne do Rocio de Mello Maron da Costa - A importância do clima no desempenho dos revestimentos de argamassa é uma questão debatida já faz alguns anos nos SBTAs. O que se observa é que o público de pesquisadores tem pleno entendimento que o clima influencia, mas ainda faltam ações efetivas sobre o tema. Nesse sentido, o objetivo do GT Argamassas da Antac, a partir de então, será orientar grupos de pesquisa localizados em diversas regiões do Brasil para a investigação das influências climáticas locais, de forma a proporcionar para o IX SBTA discussões quantitativas sobre o tema.
De que forma as conclusões de um simpósio desta envergadura chegam ao consumidor final?
Marienne do Rocio de Mello Maron da Costa - Foi realizado um levantamento sobre o público no evento e pudemos constatar que aproximadamente 70% dos presentes estavam relacionados com a indústria (de insumos, equipamentos, etc) de praticamente todos os estados brasileiros. Isso nos surpreendeu positivamente, pois a constatação é que haverá a conexão mais rápida e direta dos assuntos abordados nesse evento com o consumidor final. Cabe destacar também que um dia específico do simpósio foi dedicado ao construtor, com a apresentação de palestras e estudos de caso de construtoras.
Em termos de normas da ABNT, hoje elas atendem plenamente a qualidade da argamassa ou novas normas estão em estudo para melhorar ainda mais o produto?
Marienne do Rocio de Mello Maron da Costa - As normas da ABNT referentes às argamassas possuem ainda deficiências. Há a necessidade que se evolua para a especificação de argamassas por região do país, tendo-se em vista a importância das influências climáticas regionais no desempenho do material. Atualmente, a normalização de argamassas de revestimento e assentamento está em fase de revisão e alguns métodos de ensaios, assim como limites de requisitos de qualidade, estão sendo reavaliados.
Como está o estudo da argamassa no Brasil. O país é destaque na produção deste produto ou ainda importa tecnologia?
Marienne do Rocio de Mello Maron da Costa - A pesquisa em argamassas evoluiu sobremaneira nos últimos cinco anos, para o entendimento do comportamento reológico de argamassas no estado fresco. O Brasil foi pioneiro na proposta de um novo ensaio que caracteriza este comportamento reológico, também chamado Squeeze Flow. Trata-se de um ensaio adaptado do setor de alimentos para o setor de argamassas, de fácil implantação em laboratórios de materiais, no qual se entende a deformabilidade do material quando solicitado por uma carga. Ou seja, procura-se verificar o comportamento da argamassa na fase prática de aplicação, se é adequada ou não para aquele serviço.
Algumas universidades desenvolvem estudos sobre argamassa. Essas pesquisas poderiam abranger mais escolas ou o nível de busca do conhecimento está adequado?
Marienne do Rocio de Mello Maron da Costa - A busca pelo conhecimento deve ser perene. O que se descobre hoje deve ser mais um suporte para as descobertas do amanhã. Muitas universidades do Brasil, incluindo-se a Universidade Federal do Paraná, desenvolvem pesquisas na área de argamassas. Há projetos comunitários entre universidades e outros isolados. O que se observa é que há uma exigência muito importante em editais de agências de fomento à pesquisa para a inovação tecnológica e a redução de desperdícios. Quando se fala em desenvolvimento tecnológico não podemos perder de vista esses dois pilares principais. Assim, um programa inovador na área de materiais de construção, mais especificamente em argamassas, é o Consitra (Consórcio Setorial e para Inovação em Tecnologia de Revestimentos de Argamassa). Criado em 2004, o Consitra é uma iniciativa inédita, pois integra vários agentes da cadeia produtiva em um projeto com objetivo comum: desenvolver, no âmbito dos revestimentos, novas tecnologias pautadas por atributos como confiabilidade, produtividade, durabilidade e custo compatível com o mercado nacional. Seus integrantes são: Abai, ABCP, Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Construção Civil (Abratec), Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e Universidade Federal de Goiás. O Programa está sendo revisto este ano e o objetivo será agregar um número maior de universidades para o grupo de pesquisa.
O governo tem participação no incentivo aos estudos ou participa pouco?
Marienne do Rocio de Mello Maron da Costa - O governo, através das agências de fomento à pesquisa, como Finep, CNPQ e Capes, tem incentivado a pesquisa através da publicação de editais diversos na área de construção. O que se observa é que quase sempre as mesmas universidades acabam sendo contempladas dentro dos critérios estabelecidos, pois mais dinheiro gera mais equipamento e mais mão de obra e, consequentemente, mais publicação. O currículo lattes do corpo de pesquisadores representa um peso grande na avaliação dos projetos contemplados.
Na cadeia construtiva a argamassa ganha cada vez mais destaque. Desde quando o produto passou a ter essa importância?
Marienne do Rocio de Mello Maron da Costa - As argamassas mais antigas eram à base de cal e areia. O primeiro emprego de argamassa como material de construção é da pré-história, há cerca de 11 mil anos. Existem também vários registros do emprego de argamassas de cal e gesso pelos egípcios, gregos, etruscos e romanos. Com as alterações das técnicas de construção foram introduzidos à argamassa de cal, o cimento, aditivos ou adições, transformando-a numa argamassa mista. Entretanto, o uso da argamassa de cal continua. Porém, no final do século XIX surgiram na Europa e nos Estados Unidos as misturas prontas de argamassa (argamassa industrializada), necessitando apenas da adição de água. Pode-se dizer ainda que a pesquisa tecnológica em argamassas teve seu início com a publicação dos primeiros trabalhos no I SBTA, ocorrido em Goiânia em 1995. Daí em diante o desenvolvimento tecnológico nessa área vem crescendo sobremaneira.
Um tema que está na pauta atualmente é o programa Minha Casa, Minha Vida. Ele foi debatido no simpósio, de que forma?
Marienne do Rocio de Mello Maron da Costa - Esse é um programa importante para a sociedade, visto que disponibilizará em um futuro próximo a construção de um milhão de moradias para famílias de baixa renda, através da promoção de parcerias entre as iniciativas privada e pública. Esse tema não foi debatido no simpósio, mas certamente muitas das discussões ocorridas no simpósio contribuem para a redução do custo da construção com a manutenção da sua qualidade.
Entrevistados:
Professor Cesar Henrique Sato Daher: daher@institutoidd.com.br
Professora Marienne do Rocio de Mello Maron da Costa: mariennecosta@uol.com.br
Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 - Tempestade Comunicação
Ser resiliente é a nova missão do RH
Setor se reinventa e abre caminho para que as empresas mudem para melhor e ofereçam mais qualidade de vida aos colaboradores

Mudanças contínuas na empresa, prazos curtos, administração de pessoas, demitir e contratar. Essa tem sido a atual rotina de profissionais de RH. Por isso, a área busca novos métodos e ganha destaque dentro das empresas, acumulando funções estratégicas. O setor passou a ter como definição-chave a palavra resiliente. O conceito vem da Física e é aplicado ao comportamento humano, permitindo mudanças nas atitudes e na qualidade de vida das pessoas. Essa é a nova missão do RH, como explica a consultora Marcia Regina Portella Gracia, diretora de eventos de desenvolvimento da Associação Brasileira de Recursos Humanos, seção Paraná. Confira a entrevista.
Como está a área de recursos humanos atualmente no Brasil? Há muita disparidade entre o que os departamentos de RH de multinacionais vêm fazendo e o RH de empresas nacionais?
Atualmente, a área de RH das empresas nacionais está em vantagem, se comparada com a de outros países. No Brasil, ela está acostumada a um mercado de oscilações. Isso desenvolveu a flexibilidade para trabalhar com a diversidade de situações e, principalmente, com recursos escassos. Por outro lado, independentemente de ser multinacional ou nacional, o importante é que a empresa tenha um RH forte e sintonizado com as necessidades da organização.
O RH hoje não se limita apenas às questões administrativas. Ele tornou-se algo mais macro e opera em outras frentes. No que um RH que se comporte assim traz de benefícios para a empresa?
Ele torna-se imprescindível quando está sintonizado ao planejamento estratégico das organizações. É aí que o RH poderá fazer a diferença. A área deverá ter os subsistemas alinhados ao estilo e à cultura da empresa. Com isso, ela saberá mapear as competências essenciais que trazem resultado mais rápido e efetivo à organização e valorizar a meritocracia. O profissional de Recursos Humanos precisa entender que ele é tão responsável pelos resultados do negócio, seja lucro, qualidade dos serviços, fidelização dos clientes ou satisfação dos acionistas, quanto os profissionais das demais áreas da empresa. Cuidar só de gente é passado. O presente e o futuro requerem cuidar do negócio, por meio das pessoas, para que a organização tenha sustentabilidade financeira e social.
O RH hoje tem de atuar interligado com outros setores. Como isso é encarado dentro das empresas?
Se o papel do RH estiver bem disseminado ou internalizado, ocorre normalmente. Isso depende dos próprios profissionais de RH em conquistar o espaço e apresentar propostas que viabilizem a eficácia das ações. Portanto, é preciso conhecer as necessidades e expectativas dos clientes internos e, principalmente, conhecer e entender do negócio. É necessário ter clareza, entendimento e compartilhamento da missão, visão e valores da empresa.
E quando o RH encontra resistência, o que fazer?
Daí o RH pode ser estratégico, com soluções ligadas ao negócio e um sistema baseado em indicadores de gestão que ofereça possibilidades de gerenciar e focar nos resultados, verificando os pontos de melhoria para estabelecer ações corretivas rápidas, bem como ações preventivas. Para isso, é importantíssimo que a toda a equipe de RH seja composta por pessoas que tenham, entre outras características, visão, planejamento, capacidade de assumir riscos, ser comunicativo, saber trabalhar em equipe, saber alinhar objetivos, ser resiliente, organizado, responsável e líder.
Daria para dizer que hoje o RH é quem puxa pelas inovações a serem implementadas dentro das empresas?
Esse ainda é um sonho de consumo, mas acredito que estamos caminhando nessa direção. Teoricamente, o RH seria a área mais preparada para fazer e puxar as inovações, pois pode fluir por todos os processos e ambientes da organização e tem uma visão do todo. Mas para isso, é fundamental que a alta direção da empresa tenha coragem e determinação para dar ao líder maior da área de RH autoridade e responsabilidade de atuar efetivamente como um RH estratégico, participando de todas as decisões da empresa e montando uma equipe que possa ser reconhecida como estratégica.
Qual a metodologia mais adequada que um RH inovador deve adotar para implantar mudanças em uma empresa gerida ainda com conceitos antigos?
É conhecer a cultura e o estilo de gestão, além de entender o mercado no qual a organização está inserida. Isso ajuda a ultrapassar as barreiras do operacional para atuar com o objetivo de atender aos interesses do negócio, com ações pragmáticas, positivas e focadas.
Administrar pessoas, demitir e contratar não são mais as regras tácitas do RH, mas ela ainda segue sendo essencial. Em tempos de crise, como administrar isso?
Isso é e sempre fará parte dos processos do RH, mas esses subsistemas, se bem administrados e ligados ao estilo e cultura da empresa, podem ajudar muito a tornar a empresa rentável, contratando pessoas dentro do perfil e com competências que gerem resultados rapidamente. Não adianta possuir as melhores ferramentas de treinamento e desenvolvimento se as pessoas contratadas não estão dentro do perfil e da cultura da organização. Em caso de demissão, é preciso cuidar para efetuar somente em último caso e de forma responsável, possibilitando que o colaborador tenha tido tempo e oportunidade de reverter a situação. Outra prioridade é preservar a organização com uma forma adequada de realizar o desligamento, para preservar a imagem e evitar processos trabalhistas posteriores.
No Paraná há bons exemplos de RH que implementaram mudanças positivas nas empresas?
Posso citar a Herbarium, a Langs gyr e a SNR Rolamentos. São empresas que estabeleceram programas modelares de trainée, de retenção e de qualidade de vida.
Entre essas características novas do RH, quais as mais difíceis de serem colocadas em prática: recrutamento e seleção; treinamento e desenvolvimento; qualidade de vida, cargos e salários ou avaliação de desempenho e processo de comunicação?
Eu não diria a mais difícil, mas a mais importante é o recrutamento e seleção. Não adianta implantar o melhor modelo se o novo colaborador não for contratado dentro do perfil. Dessa forma todo o investimento será perdido.
A pesquisa hoje se tornou ferramenta essencial para o RH detectar problemas ou há outras ferramentas que trazem mais resultados?
Uma das ferramentas essenciais é investir em treinamento para ter gestores sensibilizados e preparados para fazer a gestão de RH e trabalhar em sintonia com a visão, a missão e os valores da organização. Com isso, a área de RH acumula informações que podem anteceder as pesquisas de clima.
As escolas têm formado bons RH ou há uma desconexão da realidade das empresas com o que é ensinado hoje?
Já melhorou bastante, mas ainda falta uma parceria maior com as empresas para ajudar na elaboração dos conteúdos programáticos dos alunos que seguirão a carreira de RH.
Entrevistada: Marcia Regina Portella Gracia: marciag@barigui.com.br
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação
Construção civil será 1.º setor a sair da crise
Carta de Conjuntura, divulgada pelo IPEA, mostra que estímulo forte gerado pelo governo vai alavancar o setor
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) acredita que a construção civil deverá ser o primeiro a se recuperar dos efeitos da crise econômica entre os setores que compõem a formação bruta de capital fixo (FBCF) no Brasil.
As razões para isso estão no estímulo a ser gerado por uma série de medidas do governo, como a introdução de novas linhas de financiamento imobiliário; a isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre os produtos ligados ao setor, o programa para a construção de casas para a população de baixa renda e os investimentos no âmbito do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)", diz a Carta de Conjuntura, recentemente divulgada pelo Instituto.
Para o Ipea, a queda da FBCF no primeiro trimestre foi o principal destaque negativo do lado da demanda no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre. O Instituto lembrou que, tanto na comparação com igual período de 2008, quando a queda foi de 14%, quanto na série dessazonalizada, em que o recuo foi de 12,6%, a formação bruta de capital fixo apresentou o pior resultado da série iniciada em 1996.
"O tombo dos investimentos refletiu o fraco desempenho tanto do consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came), quanto da construção civil. Enquanto o Came caiu 18,1% no primeiro trimestre, influenciado pela queda da produção e da importação de bens de capital, o setor da construção civil também sofreu forte recuo, registrando variação de -10,3%", diz a Carta de Conjuntura.
Fonte: Valor Econômico
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Tempestade Comunicação