Construção civil versus acidentes de trabalho
Setor está ganhando a batalha ao investir em equipamentos e tecnologia de segurança. Agora, é o trabalhador quem precisa fazer a sua parte
O emprego da tecnologia na criação de máquinas mais seguras e novos equipamentos de proteção, tanto individuais quanto coletivos, além de programas de segurança com a participação de órgãos de governo, empregadores e empregados, criou um novo ambiente de trabalho na construção civil. Hoje o setor, segundo dados de 2008 dos ministérios da Previdência Social e do Trabalho e Emprego, é o 7.º no ranking de acidentes de trabalho entre as atividades econômicas.
Esta posição, acredita o engenheiro José Luiz Souza, presidente da Associação Paranaense dos Engenheiros de Segurança (APES), pode despencar ainda mais se as recentes iniciativas conseguirem atingir seu objetivo central, que é alterar a cultura do setor. Antes, reclamava-se da falta de equipamentos de segurança; hoje, a meta é conscientizar os trabalhadores a utilizarem os equipamentos, explica.
Outro fator que contribuiu para o decréscimo de acidentes foi a evolução da legislação. Para o ano que vem, a APES entende que virá o golpe fatal nos acidentes de trabalho dentro da construção civil. Entrará em vigor o novo seguro para acidentes de trabalho. Ele vai variar de 0,5% a 6% da folha de pagamento e vai pesar no bolso das empresas que não investirem em segurança. Imagine, 6% da folha de pagamento de uma grande empresa é dinheiro suficiente para investir bastante em segurança do trabalho, avalia José Luiz Souza.
Mas se a lei é moderna, e coloca o Brasil entre os países com uma das regulamentações mais consistentes do mundo, a fiscalização ainda é falha. As delegacias regionais do trabalho não têm gente suficiente para poder autuar. A solução reside em parcerias. No Paraná, um convênio entre o Crea (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), a Delegacia Regional do Trabalho e o Corpo de Bombeiros reforçou a fiscalização em torno de 30%.
Dados coletados entre os Sinduscon de cada estado revelam que no universo do setor da construção civil brasileira 92% das empresas são de micro e pequeno porte, com média de 30 empregados. Os acidentes mais comuns são quedas de andaime, choque elétrico, soterramento e o trabalhador ser atingido por algum objeto. Especificamente, entre as pequenas empresas instaladas no Paraná, a APES trabalha para que elas apliquem as normas OHSAS 18000, relativas à saúde e segurança do trabalho. Depois de nossas ações, sentimos uma adesão maior às normas, diz o presidente da Associação Paranaense dos Engenheiros de Segurança.
Redução da informalidade, insistência nos cursos de treinamento e modernização dos equipamentos de segurança são algumas das mudanças que se percebe na construção civil. O foco está na prevenção, alerta José Luiz Souza. Por isso, para um canteiro de obras ser declarado seguro, ele precisa ter o seguinte kit básico para os operários: óculos e cinto de segurança, protetor auricular, luvas, uniforme, capacete e botas. É o conhecido EPI (Equipamento de Proteção individual). Com esses itens, e a cultura de que eles precisam ser utilizados, o risco de acidentes cai para menos de 70%, apontam as estatísticas.
Texto complementar
Você sabia?
* Boa parte dos acidentes de trabalho ocorre antes do horário do almoço. Estudos revelam que operários que iniciam o turno sem se alimentar têm crises de hipoglicemia (baixa taxa de açúcar no sangue) e acabam vítimas de tonturas e até desmaios por volta do meio-dia, principalmente se trabalhando em dias quentes.
* Uma obra segura é aquela que tem alvará de construção emitido pela prefeitura local, foi fiscalizada e liberada pela Delegacia Regional do Trabalho e pelo Crea, tem responsável técnico permanentemente no local e municia o canteiro da obras com equipamentos aprovados pelas normas de segurança.
* As atividades econômicas com mais ocorrências de acidentes de trabalho são, pela ordem, segundo anuário do ministério da Previdência Social e do Ministério do Trabalho e Emprego:
1.º) Indústria de Transformação
2.º) Transporte, Armazenagem e Comunicação
3.º) Comércio, Reparação de Veículos Automotores
4.º) Objetos Pessoais e Domésticos
5.º) Agricultura, Pecuária, Silvicultura e Exploração Florestal
6.º) Atividades Imobiliárias, Aluguéis e Serviços Prestados às Empresas
7.º) Construção Civil
Entrevistado: José Luiz Souza presidente da APES, Associação Paranaense dos Engenheiros de Segurança: joseluizs@bomjesus.com.br ou comunicacao@crea-pr.org.br
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Vogg Branded Content
Um enorme pátio chinês
Zaha Hadid Architects divulga projeto do maior edifício comercial já planejado em Beijing
Créditos: Vanda Pereira Cúneo - Assistente de Marketing

O estúdio da arquiteta britânica Zaha Hadid acaba de divulgar detalhes sobre o projeto Chaoyangmen SOHO III, que será desenvolvido no centro da cidade de Beijing, na China. Baseada em um tradicional pátio chinês (correspondente ao átrio interno), a construção terá 334.000 m² de área, dos quais 166 mil serão destinados a escritórios e 86 mil a uma parte comercial com bancos, lojas de conveniência, posto de gasolina etc.

O desenho do projeto idealiza uma arquitetura sem esquinas ou transições repentinas de forma. Fortemente inspirado na natureza, Chaoyangmen SOHO III contará com um jardim em faixa que comporá toda a parte frontal externa.
Cercado de espaços ao ar livre, escritórios e residências, o empreendimento será localizado no anel rodoviário Leste 2 da cidade, a oeste do edifício-sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros e ao sul de seus precedentes Chaoyangmen SOHO I e II. Até o momento, este é o maior projeto comercial da região.
Fonte: Revista Casa e Jardim
Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 - Vogg Branded Content
Um raio x da engenharia brasileira
Em entrevista exclusiva, Joseph Young, diretor editorial da Revista O Empreiteiro, fala sobre o ranking que lista as maiores empresas do país no setor

O tradicional ranking da engenharia brasileira trouxe no mês de julho sua 38.ª edição. Elaborada pela revista O Empreiteiro, a lista revela as 500 maiores empresas do país nos segmentos de construção, projeto e consultoria, montagem mecânica e elétrica e serviços especiais de engenharia.
A versão 2009 do ranking foi elaborada de acordo com o faturamento das empresas em 2008. No ano passado, as construtoras expandiram sua receita bruta em 49%, em média. Trata-se do melhor resultado desde 1995.
Apesar de não estarem nas primeiras posições da lista, as empresas do Sul do país também apresentaram crescimento. Na avaliação do diretor editorial da revista O Empreiteiro, Joseph Young, além do bom momento econômico do Brasil, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) também foi responsável pela melhora significativa do nível de atividade das construtoras e das empresas de engenharia no geral. Havia uma demanda reprimida desde os anos 80, que o programa ajudou a destravar, ainda que não completamente, afirmou.
Joseph Young revela mais detalhes do ranking na entrevista a seguir.
Ao longo das 38 edições do ranking, se percebe muitas alterações entre as primeiras posições. Isso tem a ver com as empresas mais envolvidas com obras de infraestrutura?
A verdade é outra. No passado, a economia brasileira teve diversas crises econômicas, planos econômicos, novas moedas e inflação que chegou a 80% ao mês. Isso foi extremamente prejudicial para a capacidade de investimento dos governos e se refletiu em algumas construtoras tradicionais, que desapareceram por conta das crises. Boa parte delas trabalhava para o governo e não recebia. Ou, quando recebia, a inflação já tinha comido metade do valor da dívida. Um exemplo é a construtora Rabelo, que trabalhou na construção de Brasília, trabalhou na Argélia, construiu a universidade de Argel, e hoje não existe mais. Assim com a construtora CCDE, que também não existe mais. Estes são dois exemplos bastante eloquentes de como a crise dizimou grandes empresas e fez o ranking sofrer alterações ao longo destes anos. Hoje, se aparecem na lista algumas das mais antigas, é porque elas foram as sobreviventes. São aquelas que conseguiram driblar as crises sucessivas. São as grandes sobreviventes da engenharia brasileira.
Como nasceu a ideia do ranking da engenharia brasileira?
O ranking não é uma ideia nova. Uma das maneiras de mensurar a competência de uma empresa, as condições do mercado, principalmente quando essas condições mudam, é aferir o quanto ele continua faturando. Usamos o critério do faturamento bruto, pois achamos que é o que espelha melhor a capacidade de geração de caixa de uma empresa. É claro que poderia ter outros critérios como lucro, etc. A ideia é reunir numa única fonte uma avaliação das empresas de engenharia do Brasil divididas em quatro categorias. Então, o ranking abrange construtoras, projetistas, empresas de montagem industrial, também chamada de construção mecânica e elétrica, e os prestadores de serviços especializados em construção.
O que a presença de uma empresa no ranking da engenharia brasileira muda em relação ao seu perfil e aos negócios que ela passa a atrair?
O ranking da engenharia brasileira já é, há décadas, a bíblia do setor. As empresas que estão no ranking sempre se referem a este fato como uma credencial a mais. Naturalmente, existem outros, como a ISO de qualidade a respeito das ações da empresa, que também é outra credencial. Então, existem vários outros parâmetros de natureza internacional, que as empresas já têm. Mas, especificamente sobre o ranking, o fato de uma empresa estar dentro dele há muitos anos é uma credencial no setor.
Em relação à região Sul, observa-se no ranking que as empresas estão em posição intermediária. Algumas vezes, elas estão atrás de empresas do Norte/Nordeste. Há algum diagnóstico para que isso aconteça?
Nestas ultimas três décadas foram criadas algumas novas fronteiras, como no Pará e no Maranhão. O projeto Ferro-Carajás da Vale, que era uma empresa estatal há pouco mais de 20 anos, abriu uma nova fronteira econômica. Criou-se toda uma cadeia de prestadores de serviços de fabricantes, que hoje já está consolidada na região. Então, isso significa que as construtoras que estão na região Norte também foram beneficiadas pelo surgimento desta nova fronteira. No Nordeste, um exemplo recente é o complexo industrial portuário de Suape, em Pernambuco, que também representa uma nova fronteira econômica. Naturalmente, as construtoras do Nordeste, os projetistas e os prestadores de serviços de uma forma geral estão se beneficiando destes polos de atividades regionais.
Com os recentes programas de incentivo à construção, como PAC, Minha Casa, Minha Vida e Copa 2014, deu para sentir mudanças no ranking, no sentido de que algumas empresas já cresceram apoiadas nestes projetos governamentais?
Sem dúvida, o PAC, que já faz uns dois anos que o governo vem priorizando, a despeito de problemas de gerenciamento e lentidão de recursos financeiros, é o principal responsável pela melhora significativa do nível de atividade das construtoras e das empresas de engenharia no geral. Eu diria que os resultados de 2008 espelham este fato. O programa Minha Casa, Minha Vida só foi anunciado agora. Então os efeitos só vão se sentir ao longo de 2010 e 2011, assim como a Copa de 2014.
No ano passado a engenharia experimentou seu melhor momento após vários anos. Qual a perspectiva para este ano, que vai refletir no ranking de 2010?
Este ano é, de certa forma, uma continuação de 2008. Só que a crise global impediu ou atrasou a assinatura de novos contratos e serviços em empreendimentos de porte, que sofreram paralisações ou foram reduzidos ou suspensos. Então, as entidades do setor hoje estão mais preocupadas com o que vai acontecer em 2010 e 2011. Porque eles vão sentir os empreendimentos que foram suspensos ou reprogramados este ano. Portanto, os efeitos da crise global vão se refletir no faturamento de 2010 e 2011.
Hoje qual é a grande obra no país que deve influenciar no ranking dos próximos anos?
Não tem uma grande obra, mas diversas obras de porte. Por exemplo, na área de hidroelétrica têm duas usinas do complexo do rio Madeira que, com certeza, vão influenciar positivamente em toda a cadeia de produção do setor, que começa no projetista, passa pela construtora, a empresa de montagem industrial, empresas prestadoras de serviços e até os fabricantes de insumos e equipamentos. Em transporte de massa, acho que as obras do metrô de São Paulo e de outras capitais, como Salvador e Fortaleza, também vão refletir. As futuras etapas de concessões rodoviárias a nível federal e estadual também são perspectivas de melhores resultados nos próximos anos. Sem falar nas melhorias urbanas e nos complexos esportivos que a Copa do Mundo de 2014 vão implicar nas cidades sedes. A perspectiva que o setor de engenharia e construção tem é muito positiva para os próximos anos.
No que os entraves burocráticos atrapalham no desempenho da engenharia no Brasil?
Burocracia é aquilo que o Luiz Fernando Santos Reis, presidente do SINICON (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada), resume no Tribunal de Contas da União (TCU) e nos órgãos ambientais do governo. Estas duas áreas são as que hoje mais interrompem obras e atrasam licenciamentos. Quer dizer, uma obra que poderia ser concluída em cinco anos acaba levando sete, oito anos.
Por que grandes multinacionais da engenharia não investem no mercado brasileiro?
Esta é uma história antiga, mas basicamente porque o mercado de engenharia brasileira é fechado. Ele tem uma série de barreiras oficiais e técnicas que desestimula, pelo menos em grande número, as empresas estrangeiras. Isso não impediu, entretanto, que empresas multinacionais que souberam se adaptar às condições brasileiras ingressassem aqui. Um exemplo é a Impregilo, uma construtora italiana que há muitos anos está instalada no país. Outro exemplo é a Skanska, empresa de montagem industrial que pertence a um grupo sueco, e que também está aqui há mais de uma década.
Por outro lado, há empresas brasileiras da engenharia que já são multinacionais. O ranking leva em consideração o desempenho destas empresas fora do país?
Não leva porque normalmente o faturamento no exterior destas empresas acaba consolidado numa subsidiária no exterior. Nos critérios que usamos, de certa forma os resultados das empresas brasileiras já embutem resultados e projetos no exterior.
Entrevistado: Joseph Young, diretor editorial da revista O Empreiteiro: josephyoung@terra.com.br
Texto complementar
Ranking do ranking
Confira as empresas do Sul do Brasil posicionadas entre as 500 melhores, de acordo com o segmento de atuação.
Construtoras
C.R. Almeida-PR (16.º)
Toniolo, Busnello-RS (37.º)
Cesbe-PR (45.º)
Grupo Thá-PR (54.º)
Plaenge-PR (55.º)
Goldsztein-RS (60.º)
Conpasul-RS (61.º)
Goldsztein Cyrela-RS (66.º)
J. Malucelli-PR (70.º)
Ivai-PR (74.º)
Gel Engenharia-PR (82.º)
A. Yoshi-PR (89.º)
Brasília Guaíba RS (95.º)
Sultepa-RS (105.º)
Castilho-PR (108.º)
Pedrasul-RS (110.º)
Viero-RS (113.º)
FMM Engenharia-PR (114.º)
Stein-SC (124.º)
Lavitta-PR (131.º)
Premold-RS (134.º)
Zita-SC (135.º)
Vanguard Home (139.º)
Ernesto Woebcke-RS (143.º)
Pelotense-RS (144.º)
Sulcon-RS (151.º)
Andrade Ribeiro-PR (158.º)
Melnick-RS (160.º)
Bortoncello-RS (169.º)
Construção mecânica e elétrica
Intecnial-RS (9.º)
Elco-PR (34.º)
Emisa Plaenge-PR (44.º)
Projeto e Consultoria
Interterchne-PR (19.º)
Prosul-SC (24.º)
STE-RS (34.º)
Ecoplan-RS (35.º)
Magna-RS (36.º)
Veja Engenharia-PR (46.º)
JPPA-RS (70.º)
Dalcon-PR (79.º)
Beck de Souza-RS (84.º)
MPB Saneamento-SC (85.º)
Simon-RS (95.º)
Unidec-PR (102.º)
Andrade&Rezende-PR (103.º)
Serviços especiais de engenharia
Medabil-RS (3.º)
Brafer-PR (8.º)
Esteio-PR (37.º)
Manoel Marchetti-SC (38.º)
Engefoto-PR (46.º)
Aeroimagem-PR (62.º)
Ispersul-RS (77.º)
Aeromapa-PR (78.º)
Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330 Vogg Branded Content
Geração Y, seja bem-vinda
Empresas estão cada vez mais preparadas para mostrar aos nascidos a partir de 1980 que há, sim, espaço para eles desenvolverem suas virtudes nas corporações
Multidisciplinar, mas também impaciente, ansiosa e egoísta. Em tese, esta é a definição que o mundo corporativo dá à chamada geração Y. Mas será que na prática é assim mesmo que se comportam os profissionais nascidos depois de 1980? Para a Coordenadora de Desenvolvimento de Pessoas da Cimento Itambé, Sílvia Branquinho, esses são conceitos que ajudam o gestor a decodificar as características de uma geração que chega ao mercado, mas não significa necessariamente que todos tenham comportamentos iguais. Assim como as empresas, cada indivíduo tem a sua particularidade. Então, o importante é saber como extrair o melhor do colaborador. E isso se dá através de treinamento e desenvolvimento de competências e liderança, afirma.

Autor do livro Geração Y, Era das Conexões Tempo dos Relacionamentos, o consultor em gestão empresarial Sidnei Oliveira destaca que a principal característica da geração Y é a conectividade. É o jovem que vê conexões em coisas do cotidiano que aparentemente não têm ligação nenhuma, que soam abstratas para outras gerações. Por exemplo, ele pode conectar uma experiência de trabalho com uma experiência de lazer, o que é inconcebível para gerações anteriores. Expressões como primeiro o trabalho, depois o lazer não fazem sentido para ele, explica. Isto tem a ver com o fato de a internet pertencer a esta geração, o que tornou a comunicação dela mais rápida e a faz ser mais flexível também, completa Sílvia Branquinho.
Os conceitos de geração Y já levam alguns setores, sobretudo o financeiro e o tecnológico, a dar preferência aos nascidos após 1980. São empresas que buscam profissionais que atendam às demandas rápidas do mercado e que também têm um perfil inovador. No entanto, não significa que a geração Y não encontre espaço em corporações mais tradicionais. Neste caso, prevalece a velha máxima: a pessoa certa no lugar certo. O importante é aliar a capacidade técnica com a comportamental e mostrar que uma empresa se dá a partir de diferenças pessoais. É o que a gente chama de unidade na diversidade. Para isso, a negociação é o melhor caminho para que eles se adaptem ao nosso ambiente de trabalho, define Sílvia Branquinho.
A fim de evitar os chamados conflitos de gerações sobretudo entre as X (nascidos entre 1965 e 1979) e Y -, o papel do gestor é cada vez mais importante para harmonizar estilos e personalidades de cada um. De certa forma, coube às lideranças empresariais esta função de buscar entender a geração Y, já que as escolas acordaram tarde para o tema. Só a partir da segunda metade dos anos 90 é que disciplinas como relação interpessoal e liderança passaram a integrar os currículos de alguns cursos, principalmente os da área técnica. Hoje o desafio está justamente em mostrar a eles que a experiência e a vivência dos mais velhos são válidas e importantes para seu desenvolvimento, e que isso não vai impedi-los de deixar sua marca no projeto que estão vivendo, destaca Sidnei Oliveira.
O ponto de equilíbrio, ressalta o consultor, é fazer a geração Y entender que o momento de ela liderar está se aproximando, mas ainda não chegou. Esse é o papel dos atuais líderes tradicionais e experientes. Eles têm de descobrir que precisam desenvolver novos líderes em uma geração de profissionais que são questionadores por natureza, muito bem formados e informados, ambiciosos, focados em resultados de curto prazo e motivados por desafios e reconhecimento, diz Sidnei Oliveira. Um aspecto fundamental para esta formação é o foco de equipe, até mesmo pela característica de certa impaciência, esta competência pode ficar relegada, o que de certa forma pode impactar nos resultados globais. Isto precisa ser trabalhado, finaliza Sílvia Branquinho.
Site do entrevistado: Sidnei Oliveira: http://www.sidneioliveira.com.br
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Empreendedorismo no Brasil
Pesquisas revelam a alta capacidade de empreendedorismo do brasileiro, mas em termos de educação empreendedora ainda há muito chão pela frente

Por que tantas empresas brasileiras fecham antes de completarem cinco anos? Quais são as maiores dificuldades? O que é preciso fazer para que o empreendimento dê certo? Essas são algumas questões que vem à mente quando se fala em empreendedorismo no Brasil. Para o administrador e consultor de empresas, Jerônimo Mendes, é preciso considerar os dois tipos de empreendedores: o que abre o negócio por necessidade e o que abre por iniciativa. Geralmente quem empreende por necessidade toma uma atitude precipitada quando a pressão financeira vem. E nesse caso, a falta de planejamento e de estratégias contribui para aumentar ainda mais o índice de mortalidade das empresas.
No entanto, nesta entrevista o consultor organizacional diz que com apoio, incentivo e crédito por parte do governo e com planejamento, foco, determinação e persistência por parte dos empreendedores, o Brasil tem tudo para se tornar o país do empreendedorismo.
O Brasil é, de fato, o país do empreendedorismo?
Ainda não, mas tem tudo para se transformar no maior de todos. Temos tecnologia, demanda, força de vontade, escolas, gente para trabalhar. O que falta é apoio, incentivo e acesso ao crédito. A Lei das Micro, Pequenas e Médias Empresas, conhecida como Super Simples, reduziu em parte a burocracia, mas não facilitou o acesso ao crédito, conforme anunciado com toda pompa pelo Governo. O crédito continua restrito e, assim como nos Estados Unidos, creio que menos de 3% dos interessados consegue dinheiro para empreender. Você pode ter um bom plano de negócio, mas, como empreendedor iniciante, ainda não tem credibilidade e isso só se conquista depois de não precisar mais do crédito. É meio contraditório. Contudo, acredito muito no Brasil e boa parte dos nossos problemas só será resolvida com muita educação e empreendedorismo.
Há uma cultura, que é a do empregado, que se vê demitido e então decide usar seus recursos em um empreendimento, mas sem muito planejamento. Essa é a regra geral do empreendedor brasileiro ou isso está mudando?
Isso ainda existe, em menor proporção, entretanto, de uma forma ou de outra, ex-empregados continuam tentados a empenhar todos os recursos no seu negócio, muitas vezes sem o mínimo de planejamento. O fato é que planejamento demanda tempo, dinheiro e dedicação e, como regra geral, o brasileiro prefere arriscar sem planejar, imaginando que a experiência é suficiente para decolar no empreendimento e pode eliminar essa etapa. Não há nada que sobreviva sem planejamento, foco, determinação e persistência. Esses são pressupostos básicos para quem deseja empreender.
A informalidade pode ser vista como uma forma de empreendedorismo? Qual a diferença?
As pesquisas conduzidas pelo GEM (Global Entrepreneurship Monitor), coordenador mundial sobre a questão do empreendedorismo no mundo, consideram a informalidade também, dividindo os negócios em empreendedorismo por iniciativa e empreendedorismo por necessidade. Particularmente, como defendi no meu livro, considero empreendedor todo aquele cidadão que, independentemente das condições, tomou a iniciativa e empreendeu por conta própria e risco. A única diferença está na classificação. Empreender por iniciativa demonstra vontade de empreender e de seguir o próprio caminho, de maneira formal ou informal, e empreender por necessidade significa que você faz o que faz por uma questão de sobrevivência.
Em termos de números, a crise atual afetou o empreendedorismo no Brasil ou ela causou efeito contrário, e estimulou o empreendedorismo no país?
Os números do empreendedorismo variam de acordo com a situação econômica de cada país. Em tempos de crise, as pessoas tendem a empreender mais, pois a oferta de empregos no mercado formal de trabalho diminui. De acordo com as pesquisas do GEM, iniciadas em 1999, a relação entre iniciativa e necessidade vem se equilibrando, ou seja, as pessoas já estão empreendendo mais por iniciativa, diferente dos números obtidos no início da pesquisa quando os empreendimentos surgiam muito mais por necessidade. Nesse sentido, devemos reconhecer o trabalho do SEBRAE que tem contribuído muito para melhorar essa estatística. Acredito que existe uma consciência mundial em torno da importância do empreendedorismo e os governos sabem que não existe outra saída. Penso que ainda voltaremos aos índices anteriores da Revolução Industrial onde mais de 80% das pessoas atuavam como empreendedores nas profissões passadas de pai para filho: ferreiros, escultores, pintores, marceneiros etc. Daí a importância cada vez maior da especialização.
Em recente artigo seu, o empreendedor do futuro, o senhor afirma: o grande desafio será o empreendedorismo sustentável, integrado ao ritmo da natureza, incapaz de comprometer a sobrevivência das próximas gerações. Como conseguir isso?
Não imagino que seja possível obter essa consciência coletiva na nossa geração. Como eu sempre digo, acredito mais nos netos dos meus netos. Apesar do esforço das ONGs e de alguns países, é difícil criar uma consciência em torno da necessidade de preservação. O desequilíbrio entre consumo e a necessidade de preservação é grande. Enquanto uma minoria trabalha para estimular o consumo consciente, a grande maioria trabalha para vender mais aparelhos de TV, carros, telefones celulares, computadores etc., portanto, a única alternativa é a educação pelo exemplo que vem de casa. Se os pais não derem o exemplo, dificilmente livrarão os filhos da influência da mídia e a mídia é impiedosa, ela precisa desse desequilíbrio para sobreviver. Infelizmente, ela tem mais influência sobre o meio do que nós, entretanto, não se deve perder a esperança. Por mínimo que seja, cada um deve fazer a sua parte. E o empreendedor não pode se furtar a isso.
Qual o perfil do empreendedor brasileiro?
De acordo com o último relatório do GEM (2008), a Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TEA) foi de 12,02%. Isso significa que, de cada 100 brasileiros, 12 realizavam alguma atividade empreendedora, pelo menos até o momento da pesquisa. Dentre os 43 países pesquisados, o Brasil ficou em 13º lugar no ranking de empreendedorismo, com aproximadamente 15 milhões de empreendedores. Isso confirma a alta capacidade de empreendedorismo do brasileiro, entretanto, apesar de apresentar características positivas para empreender, como força de vontade, iniciativa, ousadia, predisposição para o risco moderado e persistência, o brasileiro atua muito na informalidade, pensa que não precisa pagar impostos, oscila muito entre a vontade de empreender e a vontade de ser empregado, continua avesso à tecnologia e não aceita ou não entende o planejamento como ferramenta de crescimento e de sustentabilidade. Em termos de educação empreendedora, temos ainda muito chão pela frente.
Há quem defenda a tese de que nossas escolas não preparam as novas gerações para o empreendedorismo, ou seja, prega-se ainda a cultura do emprego. É isso mesmo, o que precisa mudar?
De fato, não preparam. Existem poucas iniciativas nesse sentido. Somos filhos da Revolução Industrial e ainda carregamos a sina de que o emprego formal e a carteira profissional assinada são sinônimos de segurança. Os dois lados têm vantagens e desvantagens, portanto, o que importa é o foco de atuação. Ser empregado exige postura diferente de ser empreendedor. O fato é que não dá para ser empregado pensando o tempo todo em ser empreendedor e vice-versa. Primeiro, decida o que você quer, depois, empenhe toda a sua energia para fazer bem feito aquilo que, com muito trabalho e persistência, lhe dará dinheiro algum dia. Dependendo do seu posicionamento, você consegue ser feliz em qualquer um dos lados, mas precisa decidir corretamente o que quer para evitar desperdício de energia. Se dependesse de mim, o empreendedorismo seria difundido nas escolas desde a idade pré-escolar.
Quando é que o empreendedor percebe que fez a opção certa?
Não existe opção certa, existe aquela que dá certo. O tempo dirá se a opção foi correta ou não, entretanto, quanto mais o empreendimento estiver alinhado com a sua profissão, experiência e, principalmente, vocação, maior a chance de prosperar. Tudo na vida é uma questão de escolhas e quanto mais acertada a escolha, menor a dor. Por essas e outras razões é que somente 60% das empresas sobrevivem ao primeiro ano de funcionamento. Empreender e prosperar é coisa para pessoas fortes de espírito, cujo único lema é vencer ou vencer.
Qual a avaliação que o senhor faz do empreendedor que monta um negócio com a seguinte ideia: abrir um empreendimento, trabalhar por 10 anos, ganhar dinheiro, passar o negócio para frente e ir curtir a vida?
Não é tão simples assim. Qualquer negócio exige, no mínimo, de 10 a 20 anos para se consolidar. O tempo médio de vida das empresas ao redor do mundo é de 40 anos. Conta-se nos dedos quantas empresas têm mais de 40 anos. Se isto for possível e esse for o desejo do empreendedor, não vejo nada de mais. Como disse anteriormente, tudo é uma questão de escolha. Aliás, essa é a opção de muitos executivos que conheço, entretanto, quando pensam em curtir a vida, a energia não é mais a mesma e eles acabam voltando para a ativa. A essência do ser humano está no trabalho, na contribuição, na valorização e no reconhecimento. O segredo está no equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.
Existe uma receita de sucesso para quem deseja empreender?
Penso que sim. No meu livro MANUAL DO EMPREENDEDOR (Atlas) - explorei o conhecimento de alguns pesquisadores sobre o assunto e também me baseei na minha própria pesquisa realizada com pequenos e médios empreendedores da Região Metropolitana de Curitiba e batizei de A Receita de Sucesso nos Negócios. Antes de empreender, a leitura deve ajudar na decisão, portanto, divido aqui a experiência sobre o assunto:
* Desenvolva uma estratégia convincente e clara.
* Comunique a essência da visão e da missão; não perca o principal objetivo de vista; mantenha o foco.
* Crie um diferencial nos seus produtos e serviços; é a sua vantagem competitiva.
* Não há segredos; somente o trabalho duro dará resultados.
* Nada é mais importante do que um fluxo de caixa positivo.
* Se você ensina uma pessoa a trabalhar para outras, você a alimenta por um ano; se você a estimula a ser empreendedor, você a alimenta, e a muitas outras, durante toda a vida.
* Um negócio bem-sucedido, antes de ser técnico ou financeiro, é fundamentalmente um processo humano; as pessoas são importantes.
* Realizar com o sentido de contribuir é mais importante do que ganhar dinheiro.
* A sorte favorece os que são persistentes; enquanto a sorte não vem, continue caminhando.
* A felicidade é um fluxo de caixa positivo.
Entrevistado: Jerônimo Mendes: jeronimo.mendes@consult.com.br
Administrador, Consultor e Professor Universitário
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE Curitiba/PR
Autor dos livros:
* Manual do Empreendedor: como construir um empreendimento de sucesso
* Oh, Mundo Cãoporativo! Lições e Reflexões
* Benditas Muletas
Vogg Branded Content Jornalista responsável Caroline Veiga DRT/PR 04882
Copa 2014 deve gerar 3,5 milhões de empregos na construção civil
Previsão da Associação Brasileira de Engenharia Industrial é que a cada R$ 1 milhão de investimentos no setor serão criadas 58 vagas
A Copa do Mundo no Brasil pode mudar a vida de muitos brasileiros. Para os fanáticos por futebol, é a chance de assistir aos jogos da seleção. Já para outros, será a oportunidade de conseguir emprego. Isso porque em alguns setores, como o da construção, haverá grande demanda.
No caso da construção, a Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial) estima que o setor seja responsável pela criação de 3,5 milhões de empregos. Especialistas preveem ainda que, a cada R$ 1 milhão de investimentos na construção civil, serão criadas 58 vagas de emprego, sendo 33 diretas e 25 indiretas.
Na opinião do diretor-presidente da Abemi, Carlos Maurício Lima de Paula Barros, as áreas da construção que mais devem empregar são as empresas de projeto, consultorias, edificações e construção industrial.
Investimentos
A preparação do país para a Copa do Mundo em 2014 deve transformar o Brasil, assim será muito fácil percorrer as cidades e encontrar obras e mais obras. Essa expectativa permite ao setor fazer planos para reiniciar a trajetória de crescimento interrompida por conta da crise econômica mundial. Com isso, as contratações irão aumentar para atender toda essa demanda.
Engana-se quem pensa que essa procura por profissionais do setor de construção só ocorrerá nas 12 cidades-sede que irão sediar os jogos da Copa e que, por isso, deverão se adequar às exigências da Fifa. "Tais melhorias deverão acontecer também em cerca de 200 municípios vizinhos que receberão seleções e, principalmente, turistas", ressalta Barros.
Na avaliação de especialistas no setor, a construção civil deverá ganhar maior participação no PIB (Produto Interno Bruto) a partir do ano que vem. "A Copa do Mundo de 2014 vai aumentar os investimentos em infraestrutura pelo menos até o ano da sua realização, aquecendo a construção civil em diversos segmentos", diz Barros.
O otimismo das empresas é impulsionado pelo volume de investimentos prometidos para o setor, que variam de R$ 60 bilhões a R$ 100 bilhões.
Fonte: Folha de Londrina
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Procuram-se engenheiros. De novo
Recuperação da construção civil volta a expor carência de profissionais no país. Déficit só deve ser suprido daqui a três anos
Mal começou a recuperação econômica e o setor de construção civil já se depara com a disputa por engenheiros. O setor foi um dos menos atingidos pela crise econômica e um dos que mais rapidamente voltou a crescer, graças à resistência do mercado interno e a estímulos como o pacote habitacional "Minha Casa, Minha Vida", lançado em março.
No primeiro semestre de 2009, foram criadas 3,1 mil vagas para profissionais com diploma universitário na construção civil, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O número ainda está longe dos 7 mil postos criados no mesmo período de 2008, ano considerado excepcional, mas já está próximo das 3,5 mil vagas criadas nos primeiros seis meses de 2007.
De acordo com o presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo, mesmo com um ritmo menor de abertura de postos de trabalho, o reaquecimento já trouxe de volta a disputa por engenheiros. "Ainda temos um déficit grande de profissionais que só vai ser suprido daqui a dois ou três anos", diz. Um dos retratos desse déficit é a relação entre profissionais registrados no Confea e a abertura de vagas, que até outubro de 2008 se manteve abaixo das vagas abertas no mercado formal.
Melo diz que o aquecimento do mercado começou há três anos, como um reflexo do investimento em infraestrutura. "Em 2009, teremos um mercado puxado principalmente pela construção civil, que está fortemente aquecida, em todos os Estados", diz.
No ano passado, a disputa por engenheiros elevou os salários pagos no setor. De acordo com o presidente do Confea, o salário de um profissional sênior, que era de cerca de R$ 6 mil reais saltou para até R$ 18 mil em alguns casos. "Havia uma disputa brutal no primeiro trimestre do ano passado", diz.
Após a crise, no entanto, algumas empresas estão mais cautelosas em relação à oferta de maiores salários. "Temos visto empresas que oferecem outras formas de atrativo, como cursos e planos de carreira para os profissionais", diz o gerente da divisão de engenharia da consultoria de recrutamento Robert Half, Roberto Britto.
Na consultoria, que tem presença internacional, o Brasil foi um dos países que mais se manteve aquecido durante a crise. A área de engenharia, uma exclusividade do País, é a que tem o melhor desempenho.
As incorporadoras Gafisa e Tenda, pertencentes ao mesmo grupo, adotaram essa linha de estímulos para atrair os profissionais. Em 20 de julho, as empresas abriram as inscrições para o programa Comece Bem, que pretende contratar jovens engenheiros civis e de Produção no segundo semestre. "Vamos fornecer para o profissional um período formação profissional", diz Rodrigo Pádua, diretor de Recursos Humanos da Gafisa. Segundo ele, o grupo pretende se fortalecer para um crescimento que virá no curto e médio prazo.
Outro atrativo da empresa, de acordo com Pádua, é a solidez econômica, um atributo que passou a ser relevante após a crise. "Agora, o profissional está mais seletivo, principalmente porque, após a crise, muitas empresas que pareciam que iriam virar grandes se tornaram pouco representativas."
Além do programa para novos profissionais a Gafisa já tem um programa de desenvolvimento de lideranças estruturado. "Atualmente, cerca de 70% dos nossos cargos de gestão são formados internamente", diz Pádua. Graças a essa possibilidade de ascensão, Pádua diz que a incorporadora não enfrentou problemas no ano passado, quando a disputa por profissionais foi mais intensa.
A possibilidade de evolução na carreira foi o principal motivo que levou o engenheiro civil Tiago de Oliveira Evangelista, de 27 anos, a mudar de emprego. Ele trabalhava num escritório especializado em grandes edifícios e há uma semana começou a trabalhar na construtora Homex do Brasil, que trabalha com a habitação popular. "Percebi que teria maior oportunidade de desenvolvimento profissional nessa área", diz.
Para as construtoras menores, a procura fica mais difícil. "Tive de contratar uma pessoa especializada para buscar um engenheiro em Santos", diz o sócio-diretor da Etemp Engenharia, José Carlos Molina. Britto, da Robert Half, diz que, após a crise, os profissionais passaram a exigir um salário maior para mudar de emprego. "Muitos têm medo da mudança e, para trocar de emprego, pedem agora um salário mais alto", afirma ele.
Para o presidente do Confea, a carência de profissionais só vai acabar quando se construir um plano nacional para a formação de engenheiros planejado pelo Ministério da Educação. "Hoje, a falta de engenheiros é um dos gargalos do Brasil, responsável, por exemplo, pelo atraso no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)", diz.
Fonte: jornal O Estado de S. Paulo
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A cor do cimento e a cor do concreto
Estudos científicos do material comprovam que é mito acreditar que quanto mais escuro o cimento mais resistente ele é
Créditos: Engº. Carlos Gustavo Marcondes - Assessor Técnico Comercial Itambé

O cimento mais escuro é melhor ou pior que o cimento mais claro? Como a cor do cimento influencia na cor do concreto? O que provoca a diferenciação de cor em um concreto aparente? O que a cor do concreto pode dizer sobre ele? Estas são algumas perguntas curiosas a respeito de um dos materiais mais utilizados no planeta: o cimento.
É comum a associação da cor do cimento à sua resistência. Comumente se diz que quanto mais escuro o cimento mais resistente ele é. Será? A resposta é não. A cor do cimento não interfere na qualidade do produto. Isto porque o produto respeita diversas normas técnicas para ser produzido e comercializado - e estas devem ser cumpridas pelos fabricantes a fim de respeitar o código de defesa do consumidor.
A cor do cimento está basicamente relacionada com a origem de suas matérias primas (calcário, filito, quartzito e magnetita) e adições (gipsita, cinza pozolânica, escória de alto-forno e fíler calcário).
As cinzas pozolânicas, por exemplo, possuem diversas tonalidades em função dos óxidos metálicos que contêm e podem, por isso, ter colorações que variam desde o esbranquiçado até ao cinzento-escuro, incluindo variedades avermelhadas e rosa, alterando assim a cor do cimento.
As diferenças de tonalidades do cimento vão de um cinza mais claro para um mais escuro e até mesmo um cinza esverdeado ou puxando para o marrom. E como cada fabricante possui um fornecedor diferente de matérias-primas, um mesmo tipo de cimento pode apresentar diferentes tonalidades de acordo com o fabricante. Logo, em uma obra com concreto aparente é recomendável a utilização de apenas um tipo e marca de cimento de um mesmo fabricante.
Cuidados com o concreto aparente para uma coloração homogênea
Quando se confecciona o concreto aparente, ou seja, sem pintura ou revestimentos, busca-se obter um concreto com coloração homogênea. Para isso, alguns cuidados são necessários:
* O excesso de água, além de provocar eflorescência, deixa o concreto mais claro do que aquele com fator água/cimento baixo. Assim, é importante que na dosagem seja mantido o mesmo fator água/cimento para garantir uniformidade de cores.
* A proporção dos materiais componentes do concreto pode influenciar também na sua coloração. Por isso, deve-se obedecer a um rigoroso critério. É preferível a utilização de balanças para dosar o concreto ao invés de fazê-lo por volume (caixas, pás, baldes etc.).
* A mistura do concreto deve garantir a perfeita homogeneidade do produto final, para evitar diferenças de tonalidades entre uma mistura e outra.
* Embora os agregados influenciem pouco na cor do concreto, cuidados quanto à seleção de baixos teores de materiais pulverulentos, controle de granulometria e homogeneidade dos agregados sempre se faz necessário. O ideal é não mudar o fornecedor durante o período de consumo de concreto pela obra.
* Um fator que também pode influenciar na coloração é a variação no processo de cura. A falta de cura resulta em um concreto poroso e isto pode causar eflorescências, que se manifestam por meio de manchas esbranquiçadas na superfície do concreto. As eflorescências são depósitos de sais na superfície do concreto. Normalmente estes são removidos com ácido clorídricos diluídos em água e, de acordo com Adam Neville, quando as eflorescências são removidas com este ácido a superfície do concreto pode tornar-se mais escura.
* Outro defeito superficial no concreto aparente é o surgimento de manchas escuras de forma irregulares, visíveis conforme a direção da luz. Sua origem é completamente diferente das eflorescências. São compactos de pasta de cimento quase sem poros e podem estar relacionados à agregação de partículas grossas de cimento, pouco hidratadas, em locais onde o fator água/ cimento é muito baixo. Trata-se de falta de hidratação e, portanto, de produção de hidróxido de cálcio, que resulta uma cor mais escura.
O concreto também pode ter sua coloração alterada devido ao ataque por sulfatos. As consequências do ataque por sulfatos não compreendem somente a desagregação por expansão e fissuração, mas também a perda de resistência do concreto devido à perda de coesão na pasta de cimento e à perda de aderência entre a pasta de cimento e as partículas de agregado. Os concretos atacados por sulfatos têm uma aparência esbranquiçada característica.
Por último, os concretos com agregados silicosos ou calcários mostram uma mudança de cor, com relação à temperatura. Como essa mudança é devida à presença de certos compostos de ferro, são diferentes as respostas dos diversos concretos. Esta mudança de cor é permanente, de modo que a temperatura máxima atingida durante um incêndio, por exemplo, pode ser estimada posteriormente. Como curiosidade, a sequência de cores é aproximadamente a seguinte: rosada ou vermelha, entre 300ºC e 600ºC; cinza, até cerca de 900ºC, e amarela, acima de 900ºC.
Assim, a resistência residual do concreto pode ser aproximadamente avaliada e, geralmente, é suspeito o concreto cuja cor tenha mudado para além da rosada e além da cor cinza, pois o concreto provavelmente estará friável e/ou poroso.
Como se pode perceber, existem diversos cuidados a serem adotados para que o concreto não tenha divergências de tonalidades. Mesmo o concreto aparente sendo confeccionado dentro das melhores práticas, é recomendável algum tipo de tratamento superficial com produtos específicos para esta finalidade, a fim de facilitar a manutenção e evitar o acúmulo de fuligens provenientes do tráfego de automóveis.
Referências Bibliográficas:
NEVILLE, Adam M. - Propriedades do Concreto - São Paulo: PINI, 1997.
ISAIA, Geraldo C. - Concreto: Ensino,Pesquisa e Realizações -São Paulo: IBRACON, 2005.
Jornalista responsável - Altair Santos MTB 2330 -Tempestade Comunicação
Uma nova construção civil está nascendo
Opção por sistemas construtivos que priorizem a sustentabilidade é caminho sem volta, revelam pesquisadores

Em um futuro que não está muito distante, a construção civil, como a conhecemos, deixará de existir. Além de sofrer mudanças conceituais, ela tenderá a passar também por uma transformação de nomenclatura. Será definida como construção civil sustentável e estará voltada para a redução do impacto ambiental. Esta foi a principal conclusão extraída do 2.º Simpósio do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), que aconteceu no final de agosto, em São Paulo.
De fato, as mudanças já começaram. Hoje não se inicia uma obra sem levar em consideração o sistema construtivo mais adequado ao projeto, além da busca pelo menor custo com energia e pela diminuição do consumo de água. Neste quesito, a tecnologia é cada vez mais aliada da construção civil.
Prédio verde
Segundo Marcelo Takaoka, presidente do Conselho Deliberativo do CBCS, recente pesquisa do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) mostrou que um edifício construído com base em conceitos de sustentabilidade pode reduzir seu impacto ambiental de 20% a 30%.
Outro dado mostrado por Takaoka, que no simpósio palestrou sobre a relação entre as mudanças climáticas e a construção civil, é que os consumidores estão cada vez mais interessados em edificações adequadas ao conceito de prédio verde. Isto já reflete nos negócios das incorporadoras. Edifícios erguidos com tecnologia verde alcançam uma valorização de até 10% no mercado, segundo a própria pesquisa da WBCSD, revela.
Hoje, sabe-se que o impacto da construção civil é em torno de 30% sobre o consumo de energia, 40% sobre os recursos naturais e de 30% sobre a água. No entanto, se as obras forem construídas de modo que seus usuários economizem energia e água ao longo da vida útil do edifício, esse impacto tende a sofrer uma redução de até 80%. É neste ponto que estamos tentando conscientizar as pessoas, no sentido de construir prédios que sejam eficientes quando estiverem habitados, explica Marcelo Takaoka.
Países como Inglaterra e Holanda, além do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, já possuem legislação que privilegiam a construção de prédios verdes. No Brasil, a cidade de São Paulo caminha para ser a primeira a ter lei neste sentido. Existem iniciativas pipocando no mundo inteiro, cada uma com suas características. Isto, aos poucos, vai mudando o setor da construção civil como um todo. O mundo rema para a construção civil sustentável, explica o presidente do Conselho Deliberativo do CBCS.
Materiais de construção sustentáveis
Em relação aos efeitos destas mudanças sobre o setor de material de construção, Marcelo Takaoka considera que eles já podem ser notados. Hoje não se começa uma obra sem avaliar se determinado material é mais ou menos adequado à finalidade que ele está se propondo, e se ele está de acordo com o local em que a obra é executada. Questões como o transporte do material, por exemplo, influenciam muito na construção, diz. Por fim, ele cita uma frase do professor Vanderley Moacyr John, docente da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e coordenador geral da Conferência Latino-Americana de Construção Sustentável: Não existe material bom ou ruim para a construção civil. Existe material adequado ao fim a que ele se destina.
Entrevistado:
Marcelo Takaoka é presidente do Conselho Deliberativo do CBCS, coordenador do Comitê Temático Econômico e Financeiro do CBCS, membro do Conselho do SBCI, do Conselho de Administração da Bolsa de Valores Sociais e Ambientais, membro do Conselho do Greenpeace Brasil, membro do Conselho do Instituto Ethos, doutor em Engenharia Civil, pesquisador do Núcleo de Real Estate e Professor do MBA de Real Estate do Programa de Educação Continuada da Escola Politécnica.
Email: comunicacao@cbcs.org.br
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Empreendimento ecológico em forma de libélula
O edifício Dragonfly propõe a reinserção da natureza no cotidiano das grandes metrópoles
Créditos: Vanda Pereira Cúneo - Assistente de Marketing

O projeto Dragonfly é um edifício ecológico "em forma de libélula" que foi desenvolvido pela empresa Vincent Callebaut Architectures para resolver o problema da poluição e reconectar a população de Nova York à natureza. Sua estrutura conta com duas torres simétricas transparentes, no formato de asas, que se conectam por meio de uma estufa, climatizada graças ao sistema interno de recolhimento de energia solar. Todas as paredes são preenchidas com hortas e a água utilizada é coletada, tratada e reaplicada nas plantações. Além da arquitetura inteira focada no ideal verde, o projeto do edifício ainda destaca uma belíssima vista do skyline de Nova York.

Com áreas residenciais e comerciais cercadas de jardins, orquidários, pontes suspensas, plantações de arroz e surpreendentemente fazendas cheias de animais, o empreendimento terá como objetivo a produção de alimentos que possam satisfazer os habitantes da cidade. Tudo o que for colhido nesse universo verde será distribuído com maior rapidez e facilidade. Consequentemente, a circulação dos grandes caminhões que, hoje, transportam produtos agrícolas do campo para a metrópole será bastante reduzida.


Fonte: Revista Casa e Jardim
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