ABCP e IAB lançam concurso para estudantes de Arquitetura e Urbanismo
O concurso é válido em todo território nacional e as inscrições já estão abertas
A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) está promovendo o Prêmio Soluções para Cidades 2010, destinado a premiar 3 (três) projetos elaborados por estudantes de graduação em Arquitetura e Urbanismo, regularmente matriculados em faculdades brasileiras, orientados por professor(a) arquiteto(a) dos quadros de suas faculdades, sobre o tema Mobiliário Urbano em Praças Públicas. O prêmio é organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento São Paulo (IAB/SP).
Serão 5 (cinco) elementos de mobiliário urbano a serem elaborados em produtos à base de cimento, como: bancos, postes de iluminação, lixeiras, bicicletário e um elemento de livre escolha. Os prêmios a serem conferidos aos três primeiros colocados têm os seguintes valores:
1º Prêmio - R$ 5.000,00
2º Prêmio - R$ 3.000,00
3º Prêmio - R$ 2.000,00
Cronograma:
09 de junho de 2010 - Lançamento do Edital e abertura das inscrições.
13 de agosto de 2010 - Encerramento das inscrições e consultas.
16 de agosto de 2010 - Entrega dos trabalhos.
19 de agosto de 2010 até às 18h - Data limite para o recebimento dos trabalhos postados até o 16 de agosto de 2010.
20 à 23 de agosto de 2010 - Análise dos trabalhos pela Comissão de Seleção.
27 de agosto de 2010 - Divulgação dos resultados.
Veja o regulamento no site: www.abcp.org.br
Fonte: ABCP - 22/06/2010
O 82º ENIC oferece propostas para a construção civil do país
Uma das questões levantadas durante o Encontro envolve recursos para crédito imobiliário
Por: Lilian Julio

Entre os dias 09 e 11 de junho ocorreu na capital de Alagoas um dos maiores eventos da construção civil do país. É o Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC) realizado pela 82ª vez. O evento acontece uma vez por ano em capitais e cidades brasileiras reunindo engenheiros, empresários do setor e estudantes de arquitetura e engenharia.
O 82º ENIC foi promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e do Sinduscon de Alagoas e recebeu no dia da abertura a presença do presidente Lula, que defendeu a importância do aquecimento do setor da construção para o desenvolvimento da economia do país.
Debates
Entre os temas que foram abordados durante o ENIC está o financiamento imobiliário. O esgotamento das fontes desses recursos foi o assunto principal na reunião da Comissão de Indústria Imobiliária (CII), no segundo dia do evento. De acordo com o presidente da Comissão, João Crestana, há uma necessidade urgente de se buscar alternativas para o crédito imobiliário. “As projeções mais recentes apontam uma futura escassez dos recursos da poupança e do fundo de garantia”, afirma Crestana.
A falta de financiamento também contribui para aumentar ainda mais o déficit habitacional no Brasil – que atualmente está em 7 milhões de moradias. “Essa carência de unidades habitacionais requer R$ 2 trilhões, enquanto o volume disponível de recursos das linhas de crédito para tal finalidade (poupança e FGTS) é de apenas R$ 465 bilhões”, adverte o diretor executivo da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Natalino Gazonato. “Se continuar nesse ritmo os recursos irão acabar em dois anos”, afirma.

Além dos temas envolvendo recursos, a 82ª edição do ENIC teve seu foco na sustentabilidade que, de acordo com o presidente do Sinduscon-AL Marcos Holanda, é o maior desafio para as empresas da construção civil. Para ele o ENIC serviu como incentivo para que práticas mais sustentáveis fossem apresentadas, buscando a conscientização do setor. “Pretendemos, a partir de agora, consolidar esse conceito sustentável até o final de 2010 para que no próximo ENIC, em junho do ano que vem, possamos mostrar o que já foi feito”, destaca Holanda.
O Programa de Construção Sustentável apresentado durante o ENIC engloba temas como água, mudanças climáticas, desenvolvimento humano, energia, resíduos, materiais e sistemas, meio ambiente, infraestrutura e desenvolvimento urbano. Outros tópicos, como poder de compra e inovação tecnológica, também foram abordados em discussões durante o evento.
Lançamento
Durante o evento a CBIC lançou o portal do Programa de Inovação Tecnológica (PIT), uma iniciativa que visa estudar, analisar e definir diretrizes para o desenvolvimento, difusão e avaliação de inovações tecnológicas da construção civil brasileira.
O PIT tem como principal objetivo transformar a inovação tecnológica em um caminho estratégico das empresas que buscam um diferencial competitivo.
Para o presidente do Sinduscon-AL o encontro é uma grande possibilidade de estreitar laços e tornar o setor mais unido. “Este evento é um dos mais importantes do país e este ano batemos o recorde de público de todas as edições já realizadas, o que significa mais interesse da classe”, revela Holanda.
Programação do ENIC
Entre os temas mais abordados durante o evento, as palestras focaram as discussões em projetos como:
- Programa Minha Casa, Minha Vida
- Fonte de Recursos de financiamento
- Meio ambiente, infraestrutura e desenvolvimento urbano
- Urbanismo
- Legislação ambiental e licenciamento de empreendimentos
- Gestão de resíduos sólidos
- Eficiência energética das edificações
- Sistemas sustentáveis
Público
Participaram do 82º ENIC cerca de duas mil pessoas. Entre os inscritos nas palestras e apresentações de propostas somaram 1.320 pessoas, entre engenheiros e estudantes de universidades, que tiverem um espaço para divulgar projetos, também voltados para o apelo das construções mais sustentáveis, visando um planeta melhor.
Entrevistado: Marcos Holanda
- Engenheiro Civil formado em 1983 pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL);
- Fez mestrado em Engenharia de Estrutura na Universidade de São Paulo (USP);
- Foi Conselheiro do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Alagoas (CREA);
- Atualmente, além de presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de Alagoas – Sinduscon, gestão 2007/2011 é, também, vice- presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), gestão 2008/2011;
- Professor do Curso de Engenharia da Universidade Federal de Alagoas, e Presidente Diretor da Empresa Nacional de Engenharia e Construções Ltda. (ENENGI).
Email: presidente@sinduscon-al.com.br
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
O 82º ENIC oferece propostas para a construção civil do país
Uma das questões levantadas durante o Encontro envolve recursos para crédito imobiliário
Por: Lilian Julio

Entre os dias 09 e 11 de junho ocorreu na capital de Alagoas um dos maiores eventos da construção civil do país. É o Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC) realizado pela 82ª vez. O evento acontece uma vez por ano em capitais e cidades brasileiras reunindo engenheiros, empresários do setor e estudantes de arquitetura e engenharia.
O 82º ENIC foi promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e do Sinduscon de Alagoas e recebeu no dia da abertura a presença do presidente Lula, que defendeu a importância do aquecimento do setor da construção para o desenvolvimento da economia do país.
Debates
Entre os temas que foram abordados durante o ENIC está o financiamento imobiliário. O esgotamento das fontes desses recursos foi o assunto principal na reunião da Comissão de Indústria Imobiliária (CII), no segundo dia do evento. De acordo com o presidente da Comissão, João Crestana, há uma necessidade urgente de se buscar alternativas para o crédito imobiliário. “As projeções mais recentes apontam uma futura escassez dos recursos da poupança e do fundo de garantia”, afirma Crestana.
A falta de financiamento também contribui para aumentar ainda mais o déficit habitacional no Brasil – que atualmente está em 7 milhões de moradias. “Essa carência de unidades habitacionais requer R$ 2 trilhões, enquanto o volume disponível de recursos das linhas de crédito para tal finalidade (poupança e FGTS) é de apenas R$ 465 bilhões”, adverte o diretor executivo da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Natalino Gazonato. “Se continuar nesse ritmo os recursos irão acabar em dois anos”, afirma.

Além dos temas envolvendo recursos, a 82ª edição do ENIC teve seu foco na sustentabilidade que, de acordo com o presidente do Sinduscon-AL Marcos Holanda, é o maior desafio para as empresas da construção civil. Para ele o ENIC serviu como incentivo para que práticas mais sustentáveis fossem apresentadas, buscando a conscientização do setor. “Pretendemos, a partir de agora, consolidar esse conceito sustentável até o final de 2010 para que no próximo ENIC, em junho do ano que vem, possamos mostrar o que já foi feito”, destaca Holanda.
O Programa de Construção Sustentável apresentado durante o ENIC engloba temas como água, mudanças climáticas, desenvolvimento humano, energia, resíduos, materiais e sistemas, meio ambiente, infraestrutura e desenvolvimento urbano. Outros tópicos, como poder de compra e inovação tecnológica, também foram abordados em discussões durante o evento.
Lançamento
Durante o evento a CBIC lançou o portal do Programa de Inovação Tecnológica (PIT), uma iniciativa que visa estudar, analisar e definir diretrizes para o desenvolvimento, difusão e avaliação de inovações tecnológicas da construção civil brasileira.
O PIT tem como principal objetivo transformar a inovação tecnológica em um caminho estratégico das empresas que buscam um diferencial competitivo.
Para o presidente do Sinduscon-AL o encontro é uma grande possibilidade de estreitar laços e tornar o setor mais unido. “Este evento é um dos mais importantes do país e este ano batemos o recorde de público de todas as edições já realizadas, o que significa mais interesse da classe”, revela Holanda.
Programação do ENIC
Entre os temas mais abordados durante o evento, as palestras focaram as discussões em projetos como:
- Programa Minha Casa, Minha Vida
- Fonte de Recursos de financiamento
- Meio ambiente, infraestrutura e desenvolvimento urbano
- Urbanismo
- Legislação ambiental e licenciamento de empreendimentos
- Gestão de resíduos sólidos
- Eficiência energética das edificações
- Sistemas sustentáveis
Público
Participaram do 82º ENIC cerca de duas mil pessoas. Entre os inscritos nas palestras e apresentações de propostas somaram 1.320 pessoas, entre engenheiros e estudantes de universidades, que tiverem um espaço para divulgar projetos, também voltados para o apelo das construções mais sustentáveis, visando um planeta melhor.
Entrevistado: Marcos Holanda
- Engenheiro Civil formado em 1983 pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL);
- Fez mestrado em Engenharia de Estrutura na Universidade de São Paulo (USP);
- Foi Conselheiro do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Alagoas (CREA);
- Atualmente, além de presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de Alagoas – Sinduscon, gestão 2007/2011 é, também, vice- presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), gestão 2008/2011;
- Professor do Curso de Engenharia da Universidade Federal de Alagoas, e Presidente Diretor da Empresa Nacional de Engenharia e Construções Ltda. (ENENGI).
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NBR 7212 será revisada para acompanhar a evolução do Concreto Dosado em Central
Após 26 anos a NBR 7212 – Execução do Concreto Dosado em Central volta a ser discutida pela ABNT no âmbito do CB-18 – Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados
Por: Engª. Giovana Medeiros – Assessora Técnico Comercial Itambé

O concreto é um dos materiais da construção mais utilizados em nosso país e no mundo. A busca constante da qualidade, a necessidade da redução de custos e a racionalização dos canteiros de obras, fazem com que o concreto dosado em central seja cada vez mais utilizado.
Desta forma, podemos observar que, nos últimos anos, as concreteiras atingiram um alto nível de desenvolvimento, impulsionadas principalmente pela evolução na área de tecnologia de concreto e sistemas de automação.
Este crescimento tecnológico não foi acompanhado pela NBR 7212 e agora completando seus 26 anos, a norma será discutida pela Comissão de Estudos 18:300.10 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
O Engº Arcindo Maior, coordenador da Comissão de Estudos e consultor da Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Concretagem – ABESC, descreve abaixo a importância desta revisão:
1. Para o senhor, qual a importância da revisão da NBR 7212?
Entendo que essa revisão é muito importante, pois a versão em vigor é de dezembro de 1984 e, 26 anos é muito tempo.
2. Neste período de tempo a tecnologia do concreto, em sua opinião, mudou bastante em relação aos materiais componentes, equipamentos e controle de qualidade?
Tudo mudou muito: os aditivos, os equipamentos de dosagem, os caminhões betoneira, a possibilidade de fazer ajustes de forma rápida nos traços.
3. Quais os principais itens da NBR 7212 que o senhor acha imprescindível revisar?
Pontos que acho importante:
- Como pedimos o concreto;
- Quando aferimos os equipamentos;
- A análise estatística deveria ser reformulada.
Alem disso, é importante referenciar as normas que foram atualizadas e que influenciam a NBR 7212, tais como a qualidade da água. Também acredito que temos de revisar essa norma com base no que virá pela frente: muita tecnologia.
4. Neste período de 26 anos, o senhor acha que a conscientização dos usuários do concreto mudou no sentido do recebimento, aplicação e outros cuidados que se deve ter com o mesmo?
Acho que sim. Felizmente os usuários de hoje são mais exigentes, o que é bom para as empresas associadas da ABESC.
A Comissão de Estudos que revisará esta Norma foi instalada no dia 09 de junho passado e tem como coordenador Arcindo A. Vaquero y Mayor e secretário Luiz Henrique Sartori.
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Sistemas construtivos: placa cimentícia
Entre seus benefícios estão a agilidade na execução da obra e a boa resistência às intempéries climáticas
Por: Tatiane Franco
A partir deste mês, o Massa Cinzenta inicia uma série de reportagens sobre sistemas construtivos. E a primeira delas tem como enfoque as placas cimentícias. Elas se destacam por apresentar aplicações diferentes na construção civil como vedação de paredes, pisos elevados, placas leves para forros, placas para fachadas e revestimento para pisos. A utilização deste sistema construtivo garante uma obra mais limpa, com menor desperdício de materiais e eliminação de trabalho no canteiro de obra.

Segundo o gerente do Projeto Indústria da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Cláudio Oliveira, a grande vantagem de optar por esse sistema construtivo é com relação ao tempo de execução da obra. “Se compararmos com o sistema convencional, o sistema industrializado dá mais agilidade à obra. No entanto, a utilização das placas cimentícias deve estar prevista e definida no projeto do empreendimento. De nada adianta optar por esse sistema se não tiver mão de obra especializada. Se os profissionais não souberem trabalhar com as placas, a obra pode demorar o mesmo tempo da convencional”, explica. Oliveira ainda salienta que a obra tem que estar preparada para o sistema industrializado e a construção deve ser encarada como uma linha de montagem.
A relação custo benefício do sistema compensa. Ao longo da vida útil da edificação, a manutenção é mais fácil, pois as peças podem ser removidas integralmente e reaproveitadas. Outras vantagens desse sistema construtivo estão relacionadas ao conforto térmico e acústico. No entanto, o gerente da área de indústria da ABCP ressalta que essas características só serão observadas se utilizado um material isolador entre as placas. O sistema ainda apresenta outros pontos positivos: baixo peso estrutural, resistência à impacto e umidade e compatibilidade com a maioria dos tipos de revestimentos.
Dependendo da aplicação, as placas cimentícias têm como concorrentes diretos a alvenaria com bloco de concreto, alvenaria com bloco cerâmico, paredes de concreto moldadas no local e os pré-fabricados de concreto. De acordo com Oliveira, cada sistema construtivo tem sua aplicação e cabe aos engenheiros responsáveis optar por aquele que mais se adapte às especificidades do projeto. Ele destaca que, se o quesito principal for o tempo, as placas cimentícias são a melhor opção.

Apesar dos benefícios de se utilizar esse sistema construtivo, as estatísticas apontam um percentual pequeno de uso das placas no Brasil. “Se analisarmos o mercado específico das peças para vedação de parede, as placas cimentícias ocupam menos de 3% do setor. Já nos EUA esse percentual chega a 80%. Ainda temos uma restrição cultural, pois as pessoas acreditam que se trata de um sistema mais frágil, o que não é verdade”, assegura Cláudio Oliveira.
Paredes de vedação
Compostas por cimento, agregados e fibras, as placas cimentícias para vedação de paredes são utilizadas em ambientes internos e externos, tanto em empreendimentos comerciais quanto nos residenciais. A facilidade de modulação é o grande atrativo desse sistema, lembra o gerente da ABCP. “Em uma casa construída com paredes de vedação é possível mudar a estrutura interna e ainda aproveitar a peça”. Ele ainda destaca que muitas empresas estão investindo em acabamentos diferenciados para atrair o público como texturas e placas imitando madeira.
Concorrendo diretamente com as placas de gesso, as paredes de vedação de concreto possuem vantagens: contam com boa resistência à umidade e ao calor – características que não são observadas na concorrente. Por estes motivos, podem ser usadas em locais úmidos, como banheiros, ou expostos à chuva, em áreas externas, tornando-se mais competitivas. Também podem ser empregadas em fachadas, beirais e módulos construtivos.
Outras aplicações

As placas cimentícias utilizadas como os pisos elevados, se destacam como uma solução prática e sofisticada para qualquer ambiente, como área comum de edificações residenciais e comerciais. Consiste na suspensão de placas por meio de pequenos pilares feitos à base de tubo PVC, tijolo, ou recipiente plástico, preenchidos com argamassa seca. A principal vantagem deste sistema é a facilidade de manutenção de cabos de lógica, elétrica e hidráulica que serão instalados sob ele. Os pisos elevados são menos propensos a rupturas e, de acordo com Cláudio Oliveira, proporcionam mais segurança à obra.
Outra aplicação desse sistema construtivo são as placas leves para forros, que foram desenvolvidas para atender às exigências atuais da arquitetura e engenharia. Apresenta como principais características a durabilidade, estabilidade, praticidade no manuseio, resistência ao fogo, facilidade de corte, além de permitir diversos tipos de acabamento. De acordo com Cláudio Oliveira Silva da ABCP, a entidade está desenvolvendo uma placa com densidade menor, feita de concreto celular, ainda sem prazo para chegar ao mercado.
Próxima edição: A próxima edição do Massa Cinzenta irá abordar o sistema construtivo: alvenaria estrutural.
Entrevistado: Cláudio Oliveira Silva
- Engenheiro Civil - pela Universidade de Guarulhos, 1993.
- Mestre em Engenharia na área de materiais de construção pela Escola Politécnica da USP, 2003.
- Doutorando em Engenharia na área de materiais pela Escola Politécnica da USP.
- Especialização em Marketing pela ESPM, 2005.
- Pós-graduação em Administração Industrial - Escola Politécnica da USP – 2009.
- Gerente da Área da Indústria de pré-fabricação na ABCP – responsável pelo desenvolvimento de produtos à base de cimento, coordenação da ABCP das Associações de fabricantes - ABCIC, BlocoBrasil, ABTC e Anfatecco.
- Representante da ABCP no Consitra e CBCS. Coordenador da norma de pavimento intertravado da ABNT.
Email: claudio.silva@abcp.org.br
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Sistemas construtivos: placa cimentícia
Entre seus benefícios estão a agilidade na execução da obra e a boa resistência às intempéries climáticas
Por: Tatiane Franco
A partir deste mês, o Massa Cinzenta inicia uma série de reportagens sobre sistemas construtivos. E a primeira delas tem como enfoque as placas cimentícias. Elas se destacam por apresentar aplicações diferentes na construção civil como vedação de paredes, pisos elevados, placas leves para forros, placas para fachadas e revestimento para pisos. A utilização deste sistema construtivo garante uma obra mais limpa, com menor desperdício de materiais e eliminação de trabalho no canteiro de obra.

Segundo o gerente do Projeto Indústria da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Cláudio Oliveira, a grande vantagem de optar por esse sistema construtivo é com relação ao tempo de execução da obra. “Se compararmos com o sistema convencional, o sistema industrializado dá mais agilidade à obra. No entanto, a utilização das placas cimentícias deve estar prevista e definida no projeto do empreendimento. De nada adianta optar por esse sistema se não tiver mão de obra especializada. Se os profissionais não souberem trabalhar com as placas, a obra pode demorar o mesmo tempo da convencional”, explica. Oliveira ainda salienta que a obra tem que estar preparada para o sistema industrializado e a construção deve ser encarada como uma linha de montagem.
A relação custo benefício do sistema compensa. Ao longo da vida útil da edificação, a manutenção é mais fácil, pois as peças podem ser removidas integralmente e reaproveitadas. Outras vantagens desse sistema construtivo estão relacionadas ao conforto térmico e acústico. No entanto, o gerente da área de indústria da ABCP ressalta que essas características só serão observadas se utilizado um material isolador entre as placas. O sistema ainda apresenta outros pontos positivos: baixo peso estrutural, resistência à impacto e umidade e compatibilidade com a maioria dos tipos de revestimentos.
Dependendo da aplicação, as placas cimentícias têm como concorrentes diretos a alvenaria com bloco de concreto, alvenaria com bloco cerâmico, paredes de concreto moldadas no local e os pré-fabricados de concreto. De acordo com Oliveira, cada sistema construtivo tem sua aplicação e cabe aos engenheiros responsáveis optar por aquele que mais se adapte às especificidades do projeto. Ele destaca que, se o quesito principal for o tempo, as placas cimentícias são a melhor opção.

Apesar dos benefícios de se utilizar esse sistema construtivo, as estatísticas apontam um percentual pequeno de uso das placas no Brasil. “Se analisarmos o mercado específico das peças para vedação de parede, as placas cimentícias ocupam menos de 3% do setor. Já nos EUA esse percentual chega a 80%. Ainda temos uma restrição cultural, pois as pessoas acreditam que se trata de um sistema mais frágil, o que não é verdade”, assegura Cláudio Oliveira.
Paredes de vedação
Compostas por cimento, agregados e fibras, as placas cimentícias para vedação de paredes são utilizadas em ambientes internos e externos, tanto em empreendimentos comerciais quanto nos residenciais. A facilidade de modulação é o grande atrativo desse sistema, lembra o gerente da ABCP. “Em uma casa construída com paredes de vedação é possível mudar a estrutura interna e ainda aproveitar a peça”. Ele ainda destaca que muitas empresas estão investindo em acabamentos diferenciados para atrair o público como texturas e placas imitando madeira.
Concorrendo diretamente com as placas de gesso, as paredes de vedação de concreto possuem vantagens: contam com boa resistência à umidade e ao calor – características que não são observadas na concorrente. Por estes motivos, podem ser usadas em locais úmidos, como banheiros, ou expostos à chuva, em áreas externas, tornando-se mais competitivas. Também podem ser empregadas em fachadas, beirais e módulos construtivos.
Outras aplicações

As placas cimentícias utilizadas como os pisos elevados, se destacam como uma solução prática e sofisticada para qualquer ambiente, como área comum de edificações residenciais e comerciais. Consiste na suspensão de placas por meio de pequenos pilares feitos à base de tubo PVC, tijolo, ou recipiente plástico, preenchidos com argamassa seca. A principal vantagem deste sistema é a facilidade de manutenção de cabos de lógica, elétrica e hidráulica que serão instalados sob ele. Os pisos elevados são menos propensos a rupturas e, de acordo com Cláudio Oliveira, proporcionam mais segurança à obra.
Outra aplicação desse sistema construtivo são as placas leves para forros, que foram desenvolvidas para atender às exigências atuais da arquitetura e engenharia. Apresenta como principais características a durabilidade, estabilidade, praticidade no manuseio, resistência ao fogo, facilidade de corte, além de permitir diversos tipos de acabamento. De acordo com Cláudio Oliveira Silva da ABCP, a entidade está desenvolvendo uma placa com densidade menor, feita de concreto celular, ainda sem prazo para chegar ao mercado.
Próxima edição: A próxima edição do Massa Cinzenta irá abordar o sistema construtivo: alvenaria estrutural.
Entrevistado: Cláudio Oliveira Silva
- Engenheiro Civil - pela Universidade de Guarulhos, 1993.
- Mestre em Engenharia na área de materiais de construção pela Escola Politécnica da USP, 2003.
- Doutorando em Engenharia na área de materiais pela Escola Politécnica da USP.
- Especialização em Marketing pela ESPM, 2005.
- Pós-graduação em Administração Industrial - Escola Politécnica da USP – 2009.
- Gerente da Área da Indústria de pré-fabricação na ABCP – responsável pelo desenvolvimento de produtos à base de cimento, coordenação da ABCP das Associações de fabricantes - ABCIC, BlocoBrasil, ABTC e Anfatecco.
- Representante da ABCP no Consitra e CBCS. Coordenador da norma de pavimento intertravado da ABNT.
Email: claudio.silva@abcp.org.br
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Cresce a procura por construções sustentáveis
Empreendimentos que diminuem as agressões ao meio ambiente são tendência no mundo todo, estimulando a procura pelo selo LEED, de sustentabilidade
Por: Lilian Júlio
O conceito de sustentabilidade está presente em diversos setores da sociedade e tem conquistado o respeito da construção civil. No entanto, são poucos os empreendimentos brasileiros com o selo LEED, voltado para edificações sustentáveis. A razão, de acordo com o Green Building Council (GBC) Brasil, instituição responsável por conceder a certificação de sustentabilidade, é o custo inicial elevado dos materiais de construção para esse nicho.

No entanto, de acordo com o gerente de marketing da rede de lojas Leroy Merlin, Marco Gala, a venda de produtos voltados para a construção sustentável cresceu 30% no último ano. Isso pode significar o início do processo de mudanças em favor do meio ambiente. O gerente técnico do GBC Brasil, Marcos Casado, concorda com a afirmação: “há algum tempo já existe no mercado essa nova demanda por produtos com menor impacto ao meio ambiente”.
Selo LEED
Certificado pelo GBC, o selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é concedido às edificações que proporcionam economia de recursos naturais (água, energia elétrica, etc), que não degradam novas áreas verdes e que sejam construídas em torno de estações de transporte público, para evitar o estímulo à poluição.
Atualmente, existem 16 empreendimentos no país certificados e outros 180 registrados para obter o selo. “Apesar do crescimento da procura pela certificação e também por materiais sustentáveis esses números representam apenas 1% do mercado brasileiro”, avalia Casado. Os trabalhos do GBC Brasil iniciaram em 2008 e a certificação LEED foi adaptada à realidade brasileira.
Investimento futuro
Os produtos que causam menor impacto ao meio ambiente possuem um valor mais elevado, no entanto, o investimento compensa, afirma Marcos Casado: “são produtos com alta eficiência energética e baixo consumo, além de usarem menos recursos naturais”. Entre esses produtos encontramos arejadores de torneiras, que impedem o gotejamento constante, válvulas de descarga com duplo fluxo (para resíduos líquidos e sólidos), lâmpadas frias (que duram quatro vezes mais que as comuns), além de produtos com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis, de reuso e com conteúdos reciclados.
Casado justifica que a pequena parcela de empreendimentos sustentáveis se deve ao custo da obra, que é cerca de 7% maior do que uma construção convencional. “Porém, não é levado em conta que o investimento é recuperado em, no máximo, três anos devido à redução de custos na operação desses prédios, com economia de água e energia elétrica”, defende o gerente técnico.
Construção sustentável no Brasil
Mesmo considerando que as construções sustentáveis representam uma pequena parcela do mercado nacional, a procura e a execução destes empreendimentos vêm aumentando. “O conceito da construção sustentável tem crescido exponencialmente no país”, explica Casado. Prova deste crescimento é a procura pelo selo LEED: em janeiro de 2009, existiam 100 empreendimentos registrados para obter a certificação; hoje esse número é de 180.
Além de contribuir para a preservação do meio ambiente uma construção sustentável traz retorno econômico. O custo da obra acaba sendo maior porque utiliza tecnologias mais modernas, como sistemas de aproveitamento de águas pluviais e tratamentos de água, e este valor gasto a mais é recuperado em pouco tempo. “A venda do empreendimento é mais rápida, além da redução dos custos operacionais da edificação”, revela Casado.
Os gastos são reduzidos a partir da diminuição do consumo de água (que gira em torno de 40%), do consumo de energia elétrica (30%) e a redução da produção de resíduos (que atinge 70%). Um exemplo de empreendimento sustentável de sucesso é a agência Granja Viana do Banco Real, em Cotia (São Paulo), que foi o primeiro prédio da América do Sul a receber o selo de construção sustentável.
Empreendimento sustentável
A agência Granja Viana do Banco Real, em Cotia (SP), foi a primeira edificação a receber o selo LEED no Brasil. Segundo a assessoria de imprensa do banco, a iniciativa de construir um prédio de acordo com as normas da certificação contribui para a imagem da empresa. “É um reconhecimento da estratégia de sustentabilidade que vem sendo disseminada pelo Banco Real”.

- Cobertura Verde: no lugar das telhas convencionais o prédio possui terra e vegetação como telhado, o que melhora o isolamento térmico e acústico. A escolha foi feita com base em espécies nativas e que precisam de pouca água.
- Espaço: um quarto do terreno é ocupado por áreas verdes.
- Água: o prédio possui um sistema de captação de água da chuva, que é reaproveitada nas descargas de vasos sanitários. A estrutura dos banheiros conta com torneiras com sensores e bacias sanitárias com válvulas de descarga duplo fluxo, evitando o desperdício de água. Além disso, o esgoto é tratado e a água aproveitada para irrigação do telhado e da área verde. Com estas medidas o consumo de água potável foi reduzido em 85%.

- Energia: 78% dos ambientes têm acesso à iluminação natural, com redução do consumo de energia elétrica. O prédio utiliza energia solar fotovoltaica e todos os ambientes possuem sensores de presença que desligam a iluminação quando o espaço não está ocupado.
- Materiais: o cimento utilizado na construção foi produzido com resíduos de fornos siderúrgicos, as tintas não continham solventes, os carpetes são feitos com fibras de garrafas PET e a madeira (inclusive dos móveis) é certificada pelo Forest Stewardship Council (FSC).
Obtendo a certificação LEED
Para receber a certificação do GBC, a concepção, construção e operação da edificação devem seguir conceitos de sustentabilidade ambiental. “O selo LEED leva em conta questões como espaço sustentável, eficiência do uso da água, energia e atmosfera, materiais e recursos, qualidade ambiental interna e inovação e processos”, detalha Marcos Casado. A construção recebe pontos (no mínimo 40 de 110), e de acordo com esta pontuação, a certificação é enquadrada entre quatro categorias:
- Certificado verde (40 a 49 pontos)
- Certificado prata (50 a 59 pontos)
- Certificado ouro (60 a 79 pontos)
- Certificado platina (80 a 110 pontos)
O processo para obter a certificação LEED é feito, primeiramente, na plataforma online do GBC International. Os interessados devem preencher formulários específicos e enviar toda a documentação, como projetos, memórias de cálculo, relatórios e registros fotográficos. Feito isto, o GBC irá analisar toda a documentação e conceder ou não a certificação.
Conheça as construções brasileiras que já receberam a certificação LEED:
- Banco Real Agencia Bancaria Granja Viana (Cotia – SP)
- Rochavera Corporate Towers - Torre B (São Paulo – SP)
- Ventura Corporate Towers - Torre Leste (Rio De Janeiro – RJ)
- Eldorado Business Tower (São Paulo – SP)
- Morgan Stanley (São Paulo – SP)
- Delboni Auriemo - Dumont Villares (São Paulo – SP)
- Centro de Distribuição Bomi Matec (Itapevi – SP)
- Edifício Cidade Nova – Bracor (Rio De Janeiro – RJ)
- WTorre Nacoes Unidas 1 e 2 (São Paulo – SP)
- Centro de Cultura Max Feffer (Pardinho – SP)
- Torre Vargas 914 (Rio De Janeiro – RJ)
- Escritório Brasken (São Paulo – SP)
- Pão de Açúcar – Loja Indaiatuba (Indaiatuba SP)
- Mc Donalds – Riviera São Lourenço (Bertioga – SP)
- Fleury Medicina e Saúde – Rochaverá Corporate Towers (São Paulo – SP)
- Laboratório Boehringer Ingelheim (São Paulo – SP)
Entrevistado: Marcos Casado
- Gerente técnico do Green Building Council Brasil
- Engenheiro civil
VOCÊ ACREDITA QUE IRÁ AUMENTAR O NÚMERO DE EMPREENDIMENTOS SUSTENTÁVEIS NO BRASIL?
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
Cresce a procura por construções sustentáveis
Empreendimentos que diminuem as agressões ao meio ambiente são tendência no mundo todo, estimulando a procura pelo selo LEED, de sustentabilidade
Por: Lilian Júlio
O conceito de sustentabilidade está presente em diversos setores da sociedade e tem conquistado o respeito da construção civil. No entanto, são poucos os empreendimentos brasileiros com o selo LEED, voltado para edificações sustentáveis. A razão, de acordo com o Green Building Council (GBC) Brasil, instituição responsável por conceder a certificação de sustentabilidade, é o custo inicial elevado dos materiais de construção para esse nicho.

No entanto, de acordo com o gerente de marketing da rede de lojas Leroy Merlin, Marco Gala, a venda de produtos voltados para a construção sustentável cresceu 30% no último ano. Isso pode significar o início do processo de mudanças em favor do meio ambiente. O gerente técnico do GBC Brasil, Marcos Casado, concorda com a afirmação: “há algum tempo já existe no mercado essa nova demanda por produtos com menor impacto ao meio ambiente”.
Selo LEED
Certificado pelo GBC, o selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é concedido às edificações que proporcionam economia de recursos naturais (água, energia elétrica, etc), que não degradam novas áreas verdes e que sejam construídas em torno de estações de transporte público, para evitar o estímulo à poluição.
Atualmente, existem 16 empreendimentos no país certificados e outros 180 registrados para obter o selo. “Apesar do crescimento da procura pela certificação e também por materiais sustentáveis esses números representam apenas 1% do mercado brasileiro”, avalia Casado. Os trabalhos do GBC Brasil iniciaram em 2008 e a certificação LEED foi adaptada à realidade brasileira.
Investimento futuro
Os produtos que causam menor impacto ao meio ambiente possuem um valor mais elevado, no entanto, o investimento compensa, afirma Marcos Casado: “são produtos com alta eficiência energética e baixo consumo, além de usarem menos recursos naturais”. Entre esses produtos encontramos arejadores de torneiras, que impedem o gotejamento constante, válvulas de descarga com duplo fluxo (para resíduos líquidos e sólidos), lâmpadas frias (que duram quatro vezes mais que as comuns), além de produtos com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis, de reuso e com conteúdos reciclados.
Casado justifica que a pequena parcela de empreendimentos sustentáveis se deve ao custo da obra, que é cerca de 7% maior do que uma construção convencional. “Porém, não é levado em conta que o investimento é recuperado em, no máximo, três anos devido à redução de custos na operação desses prédios, com economia de água e energia elétrica”, defende o gerente técnico.
Construção sustentável no Brasil
Mesmo considerando que as construções sustentáveis representam uma pequena parcela do mercado nacional, a procura e a execução destes empreendimentos vêm aumentando. “O conceito da construção sustentável tem crescido exponencialmente no país”, explica Casado. Prova deste crescimento é a procura pelo selo LEED: em janeiro de 2009, existiam 100 empreendimentos registrados para obter a certificação; hoje esse número é de 180.
Além de contribuir para a preservação do meio ambiente uma construção sustentável traz retorno econômico. O custo da obra acaba sendo maior porque utiliza tecnologias mais modernas, como sistemas de aproveitamento de águas pluviais e tratamentos de água, e este valor gasto a mais é recuperado em pouco tempo. “A venda do empreendimento é mais rápida, além da redução dos custos operacionais da edificação”, revela Casado.
Os gastos são reduzidos a partir da diminuição do consumo de água (que gira em torno de 40%), do consumo de energia elétrica (30%) e a redução da produção de resíduos (que atinge 70%). Um exemplo de empreendimento sustentável de sucesso é a agência Granja Viana do Banco Real, em Cotia (São Paulo), que foi o primeiro prédio da América do Sul a receber o selo de construção sustentável.
Empreendimento sustentável
A agência Granja Viana do Banco Real, em Cotia (SP), foi a primeira edificação a receber o selo LEED no Brasil. Segundo a assessoria de imprensa do banco, a iniciativa de construir um prédio de acordo com as normas da certificação contribui para a imagem da empresa. “É um reconhecimento da estratégia de sustentabilidade que vem sendo disseminada pelo Banco Real”.

- Cobertura Verde: no lugar das telhas convencionais o prédio possui terra e vegetação como telhado, o que melhora o isolamento térmico e acústico. A escolha foi feita com base em espécies nativas e que precisam de pouca água.
- Espaço: um quarto do terreno é ocupado por áreas verdes.
- Água: o prédio possui um sistema de captação de água da chuva, que é reaproveitada nas descargas de vasos sanitários. A estrutura dos banheiros conta com torneiras com sensores e bacias sanitárias com válvulas de descarga duplo fluxo, evitando o desperdício de água. Além disso, o esgoto é tratado e a água aproveitada para irrigação do telhado e da área verde. Com estas medidas o consumo de água potável foi reduzido em 85%.

- Energia: 78% dos ambientes têm acesso à iluminação natural, com redução do consumo de energia elétrica. O prédio utiliza energia solar fotovoltaica e todos os ambientes possuem sensores de presença que desligam a iluminação quando o espaço não está ocupado.
- Materiais: o cimento utilizado na construção foi produzido com resíduos de fornos siderúrgicos, as tintas não continham solventes, os carpetes são feitos com fibras de garrafas PET e a madeira (inclusive dos móveis) é certificada pelo Forest Stewardship Council (FSC).
Obtendo a certificação LEED
Para receber a certificação do GBC, a concepção, construção e operação da edificação devem seguir conceitos de sustentabilidade ambiental. “O selo LEED leva em conta questões como espaço sustentável, eficiência do uso da água, energia e atmosfera, materiais e recursos, qualidade ambiental interna e inovação e processos”, detalha Marcos Casado. A construção recebe pontos (no mínimo 40 de 110), e de acordo com esta pontuação, a certificação é enquadrada entre quatro categorias:
- Certificado verde (40 a 49 pontos)
- Certificado prata (50 a 59 pontos)
- Certificado ouro (60 a 79 pontos)
- Certificado platina (80 a 110 pontos)
O processo para obter a certificação LEED é feito, primeiramente, na plataforma online do GBC International. Os interessados devem preencher formulários específicos e enviar toda a documentação, como projetos, memórias de cálculo, relatórios e registros fotográficos. Feito isto, o GBC irá analisar toda a documentação e conceder ou não a certificação.
Conheça as construções brasileiras que já receberam a certificação LEED:
- Banco Real Agencia Bancaria Granja Viana (Cotia – SP)
- Rochavera Corporate Towers - Torre B (São Paulo – SP)
- Ventura Corporate Towers - Torre Leste (Rio De Janeiro – RJ)
- Eldorado Business Tower (São Paulo – SP)
- Morgan Stanley (São Paulo – SP)
- Delboni Auriemo - Dumont Villares (São Paulo – SP)
- Centro de Distribuição Bomi Matec (Itapevi – SP)
- Edifício Cidade Nova – Bracor (Rio De Janeiro – RJ)
- WTorre Nacoes Unidas 1 e 2 (São Paulo – SP)
- Centro de Cultura Max Feffer (Pardinho – SP)
- Torre Vargas 914 (Rio De Janeiro – RJ)
- Escritório Brasken (São Paulo – SP)
- Pão de Açúcar – Loja Indaiatuba (Indaiatuba SP)
- Mc Donalds – Riviera São Lourenço (Bertioga – SP)
- Fleury Medicina e Saúde – Rochaverá Corporate Towers (São Paulo – SP)
- Laboratório Boehringer Ingelheim (São Paulo – SP)
Entrevistado: Marcos Casado
- Gerente técnico do Green Building Council Brasil
- Engenheiro civil
VOCÊ ACREDITA QUE IRÁ AUMENTAR O NÚMERO DE EMPREENDIMENTOS SUSTENTÁVEIS NO BRASIL?
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
Brasil se prepara para a Copa do Mundo de 2014
Doze cidades irão sediar os jogos e o setor da construção civil começa a planejar a recuperação dos estádios
Por: Vanessa Bordin – Vogg Branded Content
A partir deste mês, o Massa Cinzenta vai apresentar uma série de reportagens sobre as reformas nos estádios e a preparação do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014. Esta é a primeira matéria, abrindo a rede de informações sobre concreto e curiosidades nos estádios brasileiros. A próxima irá abordar o novo estádio de Natal (RN).
No mês de junho começam os jogos da Copa do Mundo na África do Sul, mas em quatro anos será a vez do Brasil receber as delegações internacionais. Em algumas cidades que vão sediar os jogos da Copa de 2014 os estádios já começaram a passar por reformas e em outras a FIFA determinou que fossem construídos novos prédios. E o concreto armado é um dos elementos mais sugeridos para ser utilizado nas obras.

A reforma e a construção de novos estádios no Brasil começaram em janeiro deste ano. Segundo informações da FIFA, a conclusão dos empreendimentos está prevista até dezembro de 2012, sendo que no ano seguinte o país deverá sediar a Copa das Confederações. Os estádios do Morumbi, em São Paulo, e do Mineirão, em Minas Gerais, são os alvos das grandes reformas.
Patologias do concreto
As duas primeiras etapas de reforma do Estádio Governador Magalhães Pinto – Mineirão – somam R$ 11,6 milhões, oriundos tanto do setor público como do privado, pois assim como o Maracanã, a arena é pública. No Mineirão, no entanto, estão previstos reforços estruturais, correção de patologias no concreto, rebaixamento do gramado e demolição do anel inferior da arquibancada.
Muitas foram as obras de concreto armado realizadas no país, a partir da década de 50, e o Mineirão é um exemplo. A falta de manutenção destas estruturas neste longo período causou um quadro de deteriorização que, em certos casos, tem como única solução a demolição total e a reconstrução. O fenômeno da carbonatação é um dos principais agentes nestas patologias de longo prazo. Seu aparecimento se deve principalmente à falta de cuidados na fase de construção, que tem como consequência o surgimento de porosidades, trincas e fissuras, porta aberta para a penetração de agentes agressivos como o CO2 mais presente nos grandes centros. A consequência mais grave para o concreto armado provocado pela carbonatação é a perda da proteção das armaduras e a inevitável corrosão.
Hoje em dia, porém, as tecnologias da construção civil permitem e oferecem mais durabilidade aos materiais empregados em obras de grande natureza como estádios. Pode-se reduzir ou até interromper a evolução da carbonatação, por exemplo, por meio de impermeabilização. Porém, todos os cuidados do processo de concretagem devem ser observados para garantir a necessária vida útil das estruturas.
Reformas do Mineirão
A reforma do estádio será feita em três etapas:
- A primeira será feito um reforço na estrutura das bases de sustentação e na cobertura do estádio.
- A segunda, que deve começar agora em junho, serão a modernização da arquibancada e a instalação de cadeiras.
- Por último, o rebaixamento do campo e a criação do Memorial do Esporte – espaço que irá reunir a história de todas as modalidades esportivas praticadas no estado de Minas Gerais.
O projeto vai preservar a fachada original e, além disso, vai ser construída uma área multiuso no acesso ao estádio ligando o Mineirão ao ginásio do Mineirinho para facilitar o fluxo do público.
Capacidade atual do Mineirão: Pouco mais de 75 mil torcedores, sendo o 2º maior estádio do Brasil, ficando atrás apenas do Maracanã, no Rio de Janeiro.
Após reforma para a Copa de 2014: Previsão de pouco mais de 69 mil torcedores. Redução do número de assentos devido à construção das novas salas e a implementação das novas estruturas de concreto no projeto exterior.
Cidades sedes
O Brasil vai receber os jogos da Copa em 12 cidades:
- Belo Horizonte (MG)
- Brasília (DF)
- Cuiabá (MT)
- Curitiba (PR)
- Fortaleza (CE)
- Manaus (AM)
- Natal (RN)
- Porto Alegre (RS)
- Recife (PE)
- Rio de Janeiro (RJ)
- Salvador (BA)
- São Paulo (SP)
Exigências da FIFA na recuperação dos estádios
Abertura da Copa do Mundo de 2014: a previsão é que aconteça em São Paulo, no estádio do Morumbi, que deverá ter, pelo menos, 60.000 assentos.
Encerramento da Copa do Mundo de 2014: a previsão é que aconteça no Maracanã, no Rio de Janeiro, e o estádio deverá contar com mais de 80.000 lugares.
Demais estádios: precisam ter pelo menos 40.000 assentos.
Assentos nos estádios: a recomendação da FIFA é de que todos os espectadores tenham cadeiras individuais numeradas, com encosto de pelo menos 30 centímetros de altura.
Acessos: os corredores de entrada e saída devem ser largos para facilitar o acesso dos espectadores.
A tribuna de imprensa deve ser bem equipada; é recomendada a proximidade a hospitais; e estacionamento próximo a arena para atender a demanda dos torcedores.

A entrevista a seguir é com o presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE), Marcos Monteiro, que fala sobre o trabalho da ABECE em relação aos estádios brasileiros.
1 – Como está o andamento das obras em estádios para a Copa aqui no Brasil?
O setor da construção civil está muito preocupado. Aqueles problemas que estamos acostumados a encontrar em obras públicas, e que gostaríamos de não ver repetidos, já estão ocorrendo. Dificuldades nas licitações, recursos na justiça, falta de planejamento e de financiamento. Um bom exemplo é Belo Horizonte, que fez um planejamento sério, aprovado pela FIFA, e vem cumprindo seu cronograma rigorosamente. É um exemplo que deveria ser seguido pelas demais sedes.
2 – Qual é o trabalho da ABECE nesse caso? Qual a responsabilidade da entidade?
A ABECE, como entidade representativa do setor, vem participando das diversas discussões setoriais, com o objetivo de conscientizar os órgãos públicos da necessidade de que se faça um planejamento sério, não só das obras que envolvem a construção ou reforma dos estádios, mas, também, de toda a infraestrutura necessária para abrigar eventos desse porte. O grande benefício previsto pelos organizadores do evento são os legados na área de transportes, saneamento, reurbanização, entre outros. Mas, apenas com transparência na concepção, planejamento e execução é que poderemos ter certeza que esse legado será positivo.
3 – Há algum tipo de fiscalização das obras?
Esse é outro ponto de muita preocupação. Uma fiscalização adequada deve se basear nos planejamentos efetuados e nos projetos desenvolvidos. Se o planejamento é deficiente e os projetos são desenvolvidos “a toque de caixa”, todo o processo de fiscalização fica prejudicado, pois, a qualquer momento, pode-se alegar que as falhas durante a execução devem-se a deficiências do início do projeto (planejamento e projetos). Infelizmente, as sinalizações que já vêm do governo vão em outra direção: como o tempo começa a ficar escasso, já se começa a falar da liberação de contratações emergenciais, dispensa de licitação e outras medidas que podem gerar um grande passivo para o país, como já ocorreu em sedes anteriores (a Grécia, por exemplo).
4 – E com relação às intervenções em estádios?
Basicamente, temos suas situações: estádios que serão reformulados e os que serão demolidos para a construção de novas arenas. Na primeira situação, estão o Mineirão, Arena da Baixada (Curitiba), Castelão (Fortaleza), Beira-Rio (Porto Alegre), Maracanã (Rio de Janeiro) e Morumbi (São Paulo). Nesses estádios estão previstas intervenções de diversas naturezas para adequá-los às exigências da FIFA. Essas intervenções passam pela necessidade de demolição de estruturas e alteração de nível do gramado para melhorar as condições de visibilidade dos jogos, pela construção de novas arquibancadas e adequação das existentes, entre outras.
5 – Nas reformas do Mineirão, por exemplo, são estimados reforços na patologia do concreto. O senhor saberia dizer quais são essas patologias?
Como sabemos, as estruturas de concreto devem sofrer manutenções preventivas para evitar a sua deterioração. Os estádios brasileiros em geral e, em especial, os públicos, raramente têm passado por procedimentos de vistoria e manutenção preventiva. Assim, pequenos problemas na estrutura, que poderiam ser facilmente recuperados a custos baixos, com o avanço da degradação tornam-se problemas graves, de solução mais complexa e envolvendo grandes custos de recuperação. Essas intervenções vão desde a recuperação de fissuras até a necessidade de recuperação de estruturas cujas armaduras já se encontram em processo de corrosão e a necessidade de substituição do material de vedação de juntas.
6 – O que o senhor pode falar sobre o uso de concreto, nos estádios em geral, para a Copa de 2014?
Por suas próprias características de concepção e utilização, com grandes vãos, grande acesso ao público e carregamentos dinâmicos, as arenas esportivas precisam de estruturas robustas e funcionais. Por esse motivo, o concreto armado é o material preferencial para sua execução. Por outro lado, a necessidade de racionalização e de maior produtividade na execução dos estádios abrirá uma grande oportunidade para a utilização de sistemas em concreto pré-moldado. É importante salientar que, apesar de termos construído poucos estádios nos últimos anos, os projetistas estruturais brasileiros estão afinados com as tecnologias disponíveis e estão amplamente capacitados para enfrentar os desafios que serão impostos para execução dessas novas estruturas.
Veja mais uma matéria da série especial da preparação para a Copa de 2014: “Estádio de Brasília é inspirado em Niemeyer”
Entrevistado
Marcos Monteiro
-Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie
- Pós-Graduado pela EPUSP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo)
- MBA em Engenharia pela Escola de Administração Mauá do Instituto Mauá de Tecnologia
- Professor da disciplina Estruturas de Concreto Armado I na Escola de Engenharia Mauá do Instituto Mauá de Tecnologia
- Sócio diretor da Planear Engenharia e presidente da ABECE na gestão 2008-2010
Emails: prefixocom@terra.com.br; abece@abece.com.br
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
Brasil se prepara para a Copa do Mundo de 2014
Doze cidades irão sediar os jogos e o setor da construção civil começa a planejar a recuperação dos estádios
Por: Vanessa Bordin – Vogg Branded Content
A partir deste mês, o Massa Cinzenta vai apresentar uma série de reportagens sobre as reformas nos estádios e a preparação do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014. Esta é a primeira matéria, abrindo a rede de informações sobre concreto e curiosidades nos estádios brasileiros. A próxima irá abordar o novo estádio de Natal (RN).
No mês de junho começam os jogos da Copa do Mundo na África do Sul, mas em quatro anos será a vez do Brasil receber as delegações internacionais. Em algumas cidades que vão sediar os jogos da Copa de 2014 os estádios já começaram a passar por reformas e em outras a FIFA determinou que fossem construídos novos prédios. E o concreto armado é um dos elementos mais sugeridos para ser utilizado nas obras.

A reforma e a construção de novos estádios no Brasil começaram em janeiro deste ano. Segundo informações da FIFA, a conclusão dos empreendimentos está prevista até dezembro de 2012, sendo que no ano seguinte o país deverá sediar a Copa das Confederações. Os estádios do Morumbi, em São Paulo, e do Mineirão, em Minas Gerais, são os alvos das grandes reformas.
Patologias do concreto
As duas primeiras etapas de reforma do Estádio Governador Magalhães Pinto – Mineirão – somam R$ 11,6 milhões, oriundos tanto do setor público como do privado, pois assim como o Maracanã, a arena é pública. No Mineirão, no entanto, estão previstos reforços estruturais, correção de patologias no concreto, rebaixamento do gramado e demolição do anel inferior da arquibancada.
Muitas foram as obras de concreto armado realizadas no país, a partir da década de 50, e o Mineirão é um exemplo. A falta de manutenção destas estruturas neste longo período causou um quadro de deteriorização que, em certos casos, tem como única solução a demolição total e a reconstrução. O fenômeno da carbonatação é um dos principais agentes nestas patologias de longo prazo. Seu aparecimento se deve principalmente à falta de cuidados na fase de construção, que tem como consequência o surgimento de porosidades, trincas e fissuras, porta aberta para a penetração de agentes agressivos como o CO2 mais presente nos grandes centros. A consequência mais grave para o concreto armado provocado pela carbonatação é a perda da proteção das armaduras e a inevitável corrosão.
Hoje em dia, porém, as tecnologias da construção civil permitem e oferecem mais durabilidade aos materiais empregados em obras de grande natureza como estádios. Pode-se reduzir ou até interromper a evolução da carbonatação, por exemplo, por meio de impermeabilização. Porém, todos os cuidados do processo de concretagem devem ser observados para garantir a necessária vida útil das estruturas.
Reformas do Mineirão
A reforma do estádio será feita em três etapas:
- A primeira será feito um reforço na estrutura das bases de sustentação e na cobertura do estádio.
- A segunda, que deve começar agora em junho, serão a modernização da arquibancada e a instalação de cadeiras.
- Por último, o rebaixamento do campo e a criação do Memorial do Esporte – espaço que irá reunir a história de todas as modalidades esportivas praticadas no estado de Minas Gerais.
O projeto vai preservar a fachada original e, além disso, vai ser construída uma área multiuso no acesso ao estádio ligando o Mineirão ao ginásio do Mineirinho para facilitar o fluxo do público.
Capacidade atual do Mineirão: Pouco mais de 75 mil torcedores, sendo o 2º maior estádio do Brasil, ficando atrás apenas do Maracanã, no Rio de Janeiro.
Após reforma para a Copa de 2014: Previsão de pouco mais de 69 mil torcedores. Redução do número de assentos devido à construção das novas salas e a implementação das novas estruturas de concreto no projeto exterior.
Cidades sedes
O Brasil vai receber os jogos da Copa em 12 cidades:
- Belo Horizonte (MG)
- Brasília (DF)
- Cuiabá (MT)
- Curitiba (PR)
- Fortaleza (CE)
- Manaus (AM)
- Natal (RN)
- Porto Alegre (RS)
- Recife (PE)
- Rio de Janeiro (RJ)
- Salvador (BA)
- São Paulo (SP)
Exigências da FIFA na recuperação dos estádios
Abertura da Copa do Mundo de 2014: a previsão é que aconteça em São Paulo, no estádio do Morumbi, que deverá ter, pelo menos, 60.000 assentos.
Encerramento da Copa do Mundo de 2014: a previsão é que aconteça no Maracanã, no Rio de Janeiro, e o estádio deverá contar com mais de 80.000 lugares.
Demais estádios: precisam ter pelo menos 40.000 assentos.
Assentos nos estádios: a recomendação da FIFA é de que todos os espectadores tenham cadeiras individuais numeradas, com encosto de pelo menos 30 centímetros de altura.
Acessos: os corredores de entrada e saída devem ser largos para facilitar o acesso dos espectadores.
A tribuna de imprensa deve ser bem equipada; é recomendada a proximidade a hospitais; e estacionamento próximo a arena para atender a demanda dos torcedores.

A entrevista a seguir é com o presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE), Marcos Monteiro, que fala sobre o trabalho da ABECE em relação aos estádios brasileiros.
1 – Como está o andamento das obras em estádios para a Copa aqui no Brasil?
O setor da construção civil está muito preocupado. Aqueles problemas que estamos acostumados a encontrar em obras públicas, e que gostaríamos de não ver repetidos, já estão ocorrendo. Dificuldades nas licitações, recursos na justiça, falta de planejamento e de financiamento. Um bom exemplo é Belo Horizonte, que fez um planejamento sério, aprovado pela FIFA, e vem cumprindo seu cronograma rigorosamente. É um exemplo que deveria ser seguido pelas demais sedes.
2 – Qual é o trabalho da ABECE nesse caso? Qual a responsabilidade da entidade?
A ABECE, como entidade representativa do setor, vem participando das diversas discussões setoriais, com o objetivo de conscientizar os órgãos públicos da necessidade de que se faça um planejamento sério, não só das obras que envolvem a construção ou reforma dos estádios, mas, também, de toda a infraestrutura necessária para abrigar eventos desse porte. O grande benefício previsto pelos organizadores do evento são os legados na área de transportes, saneamento, reurbanização, entre outros. Mas, apenas com transparência na concepção, planejamento e execução é que poderemos ter certeza que esse legado será positivo.
3 – Há algum tipo de fiscalização das obras?
Esse é outro ponto de muita preocupação. Uma fiscalização adequada deve se basear nos planejamentos efetuados e nos projetos desenvolvidos. Se o planejamento é deficiente e os projetos são desenvolvidos “a toque de caixa”, todo o processo de fiscalização fica prejudicado, pois, a qualquer momento, pode-se alegar que as falhas durante a execução devem-se a deficiências do início do projeto (planejamento e projetos). Infelizmente, as sinalizações que já vêm do governo vão em outra direção: como o tempo começa a ficar escasso, já se começa a falar da liberação de contratações emergenciais, dispensa de licitação e outras medidas que podem gerar um grande passivo para o país, como já ocorreu em sedes anteriores (a Grécia, por exemplo).
4 – E com relação às intervenções em estádios?
Basicamente, temos suas situações: estádios que serão reformulados e os que serão demolidos para a construção de novas arenas. Na primeira situação, estão o Mineirão, Arena da Baixada (Curitiba), Castelão (Fortaleza), Beira-Rio (Porto Alegre), Maracanã (Rio de Janeiro) e Morumbi (São Paulo). Nesses estádios estão previstas intervenções de diversas naturezas para adequá-los às exigências da FIFA. Essas intervenções passam pela necessidade de demolição de estruturas e alteração de nível do gramado para melhorar as condições de visibilidade dos jogos, pela construção de novas arquibancadas e adequação das existentes, entre outras.
5 – Nas reformas do Mineirão, por exemplo, são estimados reforços na patologia do concreto. O senhor saberia dizer quais são essas patologias?
Como sabemos, as estruturas de concreto devem sofrer manutenções preventivas para evitar a sua deterioração. Os estádios brasileiros em geral e, em especial, os públicos, raramente têm passado por procedimentos de vistoria e manutenção preventiva. Assim, pequenos problemas na estrutura, que poderiam ser facilmente recuperados a custos baixos, com o avanço da degradação tornam-se problemas graves, de solução mais complexa e envolvendo grandes custos de recuperação. Essas intervenções vão desde a recuperação de fissuras até a necessidade de recuperação de estruturas cujas armaduras já se encontram em processo de corrosão e a necessidade de substituição do material de vedação de juntas.
6 – O que o senhor pode falar sobre o uso de concreto, nos estádios em geral, para a Copa de 2014?
Por suas próprias características de concepção e utilização, com grandes vãos, grande acesso ao público e carregamentos dinâmicos, as arenas esportivas precisam de estruturas robustas e funcionais. Por esse motivo, o concreto armado é o material preferencial para sua execução. Por outro lado, a necessidade de racionalização e de maior produtividade na execução dos estádios abrirá uma grande oportunidade para a utilização de sistemas em concreto pré-moldado. É importante salientar que, apesar de termos construído poucos estádios nos últimos anos, os projetistas estruturais brasileiros estão afinados com as tecnologias disponíveis e estão amplamente capacitados para enfrentar os desafios que serão impostos para execução dessas novas estruturas.
Veja mais uma matéria da série especial da preparação para a Copa de 2014: “Estádio de Brasília é inspirado em Niemeyer”
Entrevistado
Marcos Monteiro
-Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie
- Pós-Graduado pela EPUSP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo)
- MBA em Engenharia pela Escola de Administração Mauá do Instituto Mauá de Tecnologia
- Professor da disciplina Estruturas de Concreto Armado I na Escola de Engenharia Mauá do Instituto Mauá de Tecnologia
- Sócio diretor da Planear Engenharia e presidente da ABECE na gestão 2008-2010
Emails: prefixocom@terra.com.br; abece@abece.com.br
Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content