A energia de Belo Monte

Obra irá consumir 3,7 milhões de m³ de concreto e mais de 750 mil toneladas de cimento

Por: Tatiane Franco
Trecho do Rio Xingu onde será construída a usina de Belo Monte

Há mais de 20 anos que a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte é tema de debate e polêmica entre governos, sociedade e movimentos sociais e ambientais. Considerada a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, em 2010, o empreendimento finalmente saiu do papel. Um consórcio formado por empresas públicas e privadas venceu o processo licitatório, que dá início a construção da barragem em trecho do Rio Xingu, na vila de Belo Monte, a 60 km de Altamira, no Pará. O investimento pode chegar a R$ 20 bilhões.

A previsão do governo é que o Complexo Hidrelétrico Belo Monte inicie a primeira fase de operação em 2015 e que esteja concluída e funcionando com capacidade total em 2019. Com potencial energético de 11 mil megawatts (MW), a usina será a terceira maior hidrelétrica do mundo, atrás apenas de Três Gargantas, na China, e da binacional de Itaipu, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai.

Este montante irá representar uma adição de 4.571 MW médios de energia ao sistema elétrico brasileiro. O volume a ser produzido pela usina de Belo Monte será suficiente para abastecer 40% das residências brasileiras e irá criar quase 20 mil empregos diretos, além de inúmeras frentes indiretas de trabalho.

A escolha do Rio Xingu para construção da represa foi embasada em pesquisas comparativas da matriz energética brasileira. Geograficamente, os rios da margem direita do Rio Amazonas – destaque para o Xingu – apresentam declividades propícias à geração de energia. A Bacia Hidrográfica do Xingu tem um potencial hidrelétrico de 22 mil megawatts, sendo um dos maiores do país. O local escolhido para construir Belo Monte fica em uma queda de 96 metros, onde o rio quadruplica de largura e forma diversas cachoeiras e ilhas.

O projeto

O projeto inicial concebido na década de 80 foi remodelado, em 1994, com o objetivo de reduzir os impactos ambientais e se adequar à nova demanda do país. Uma das mudanças diz respeito à redução do reservatório da usina, de 1.225 km² para 400 km², evitando a inundação de uma área indígena.

Estão previstas duas casas de força. A casa principal contará com 20 máquinas, ou turbinas, com potência de 550 MW cada. Já a segunda casa de força foi concebida para melhorar o aproveitamento da vazão do rio e reduzir os impactos ambientais.

Ainda constam no projeto a construção de dois canais de adução – com cerca de 12 quilômetros de extensão e 250 metros de largura – que irão auxiliar na pressão da águas às turbinas. Para executar esta parte do projeto será necessário escavar 144 milhões de m³ de terra e 51 milhões de m³ de rocha. Estudos de viabilidade apontam que o material oriundo da escavação poderá ser reaproveitado.

De acordo com um estudo oficial da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério das Minas e Energia, Belo Monte deve consumir 3,7 milhões de m³ de concreto e 753.222 toneladas de cimento. Só para ter uma ideia, para construir Itaipu foram utilizados 12,6 milhões de m³ do material e Três Gargantas consumiu 27,9 milhões de m³ de concreto. 
 

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O desafio de saber empreender

O povo brasileiro é o segundo mais empreendedor – entre os 13 países que fazem parte do G20 financeiro –, atrás apenas da China
 

Por: Vanessa Bordin

Para se manter no mercado é preciso saber empreender. Dados do Sistema SEBRAE mostram que o planejamento estratégico, que busca adquirir conhecimento antes de abrir um negócio, traz resultados positivos para o sucesso de uma empresa. E foi esse planejamento, com visão estratégica, que auxiliou um dos maiores exemplos de empreendedorismo no Brasil, o empresário Joel Malucelli que possui, hoje, nada menos do que 45 empresas. Para ele, saber empreender exige “estar sempre muito bem informado e atento à realidade de mercado para aproveitar as oportunidades”, ressalta.

Conceito de empreendedor

Baltazar Melo

Segundo Baltazar Melo, consultor em marketing e professor de cursos MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os empreendedores são aquelas pessoas que fazem com que as coisas aconteçam. “São profissionais que conseguem fazer a diferença para si mesmos e para o mundo ao seu redor”, afirma. Melo diz que empreender depende, fundamentalmente, de querer. “É preciso ter visão de futuro, ser capaz de avaliar tendências, acreditar e, finalmente, agir, fazer acontecer”, explica.

Outro ponto que deve ser levado em conta pelo empreendedor, de acordo com Melo, é a competitividade. “O conceito de competitividade está muito atrelado ao conceito de sustentabilidade. Investir em um empreendimento que seja competitivo, mas que não tenha sustentabilidade, com certeza levará ao fracasso”, ressalta. Para ele, o verdadeiro empreendedor consegue ter essa percepção e, ao planejar o seu negócio, procura avaliar o mercado de forma que possa ser ao mesmo tempo competitivo e sustentável.

Joel Malucelli

Na visão do empresário Joel Malucelli a receita de sucesso vem ao encontro das palavras de Melo. “Para ser um empreendedor é necessário correr atrás das ideias, não se acomodar e construir uma imagem de seriedade e credibilidade”, revela.

DNA Empreendedor

Hoje, o brasileiro é o segundo povo mais empreendedor do mundo, ficando atrás somente da China. Foram avaliados os 13 países que fazem parte do G20 financeiro (que reúne as nações mais ricas e principais emergentes) e o Brasil encontrou destaque por contar com cerca de 18,8 milhões de empreendedores, ou seja, 15,3% da população do país. A pesquisa foi realizada em 2009, pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), e lançada em abril deste ano.

Paulo Tadeu Graciano

O consultor do SEBRAE/PR, Paulo Tadeu Graciano, confirma outros dados da pesquisa: o brasileiro tende a enxergar na crise uma oportunidade e isso é resultado de um amadurecimento profissional. Segundo Graciano, de cada 100 empresas, 95 são micro ou pequenas e são delas que surgem os grandes empreendedores, aqueles com mais visão estratégica.

Já nas corporações brasileiras, o empreendedorismo está começando a ser mais estimulado e isso tem acontecido de forma prática e eficiente. Paulo Tadeu Graciano explica que o empreendedor corporativo é aquele com capacidade de criar e, como consequência, promove transformações. “Empresas vencedoras são feitas de funcionários empreendedores”, destaca.

Segundo Baltazar Melo o primeiro estímulo para que uma equipe se torne empreendedora, dentro de uma empresa, faz parte de num processo chamado delegação. “Gestões centralizadas não praticam a delegação plena e, se isso não ocorre, as pessoas se sentem presas, travadas, inibidas. Por outro lado, quando a gestão é exercida por um autêntico líder o processo tende a ser mais natural. O líder mostra o caminho, delega, estimula a equipe a tomar decisões e acompanha a equipe para nunca perder o foco nos resultados”, destaca Baltazar.

Surgimento

O empreendedorismo passou a ser mais estudado e valorizado no Brasil a partir dos anos 90, após a abertura econômica e as mudanças no quadro socioeducacional, que fez muitas empresas se modernizarem. Mas já existe “desde que o mundo é mundo”, defende Graciano. O termo era quase que desconhecido no Brasil antes desse período. A ousadia de profissionais, que deixaram suas empresas para abrir o próprio negócio e o surgimento de treinamentos – oferecidos por entidades como SEBRAE, SESI, SENAI – que trabalham as competências do empreendedor, fizeram com que o empreendedorismo ganhasse força no país.

Trajetória de um empreendedor

No Brasil, temos um paranaense, entre os milhões de exemplos de empreendedores, que aos nove anos de idade já sabia o que queria para sua vida. Joel Malucelli é empresário, economista, pós-graduado em administração e dono de 45 empresas em diferentes ramos. Entre eles estão o da construção civil, previdência e seguradoras, banco, equipamentos, hotelaria, entre outros. O destaque são os projetos sociais na área esportiva e o setor de energia. Este último com investimentos que passam dos R$ 2 bilhões, na construção de uma usina hidrelétrica no país.

Em 40 anos de trabalho mostrou que saber empreender também pode ser algo nato. Para ele, uma das principais características do bom empreendedor é ter visão estratégica. “Desde criança eu pensava em ganhar dinheiro e fiz disso um estímulo para conquistar minhas empresas”, revela.

O investimento em diversas áreas empresariais se deu, em primeiro lugar, por sinergia aos negócios anteriores. “Comecei com um trator e depois já estava fundando a primeira construtora”, revela Joel Malucelli.

Ao longo de sua história profissional, o empresário conta que busca oportunidades onde os nichos de mercado não são tão concorridos. “Dentro de cada nicho, faço o melhor”, expõe.

Estilo de Gestão

O estilo de gestão de Joel Malucelli é o de delegar e confiar nas pessoas. Aos 64 anos, participa mensalmente de 48 reuniões do grupo. Hoje, se prepara para deixar boa parte das responsabilidades das empresas nas mãos de um dos filhos. “É uma forma de me afastar, mas não totalmente. Farei parte do conselho das 45 empresas que temos, no entanto, será meu filho que irá ocupar o meu lugar. O estilo dele é diferente do meu, mas valorizo as diferenças e o diálogo que temos”, afirma.

Segundo Malucelli, saber delegar é, também, saber se prevenir de crises ou superá-las. “O primeiro passo é organizar o negócio. Em seguida, eliminar dívidas. A terceira e não menos importante dica é aproveitar as oportunidades e creio que foi isso que fiz ao longo de minha trajetória como empreendedor”, afirma.

Entrevistados:
Baltazar Melo
- Pós-graduado em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
-Professor da FGV em cursos de pós-graduação “MBA”.
-Formação em Coaching pelo Integrated Coaching Institute (ICI).
-Médico formado pela UFMG com formação em Tanatologia, especialidade que cuida das perdas.
- Atua na área comportamental desde 1975.
-Consultor em Marketing, Vendas e Atendimento a Clientes.
-Autor do livro “mQr – Melhoria da Qualidade das Relações”
- co-autor dos livros: Paixão pela Venda, CiberDOM, DOM e Cibernética (Editora Luz).
Email: baltazar@bmfca.com.br

Joel Malucelli
- Empresário paranaense
- Fundador do Grupo J. Malucelli no ano de 1966.
- Presidente do Grupo J. Malucelli
- Formado em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduação em Administração de Empresas FGV.
Email: presidência@jmalucelli.com.br

Paulo Tadeu Graciano
- Economista pela UFPR
- Especializado em Gestão Internacional pela PUC-PR e Empreendedorismo pela Universidade  Positivo.
- Consultor Sênior do Sebrae.
Email:  pgraciano@pr.sebrae.com.br

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Gestão de obras

O profissional responsável pelo gerenciamento de uma obra deve possuir características específicas e saber prever dificuldades

Por: Lilian Júlio

A qualidade final da obra depende de muitas variáveis: orçamento, prazos, planejamento e mão de obra são apenas alguns dos pontos a serem avaliados durante a execução de um projeto. Com tantos pontos a serem levados em conta, é importante que um profissional capacitado em Gestão de Obras se responsabilize por todas as etapas do processo, garantindo assim o bom andamento da operação.

Na construção civil, várias atividades estão entrelaçadas e muitas vezes opiniões diferentes são expressas no canteiro de obras. Para evitar problemas é necessário que o gestor da obra tenha conhecimento de todas as atividades a serem desenvolvidas e também saiba montar um planejamento adequado. Algumas habilidades são fundamentais para o gestor poder fazer um bom trabalho, como organização, liderança, habilidades gerenciais e capacidade de planejamento.

Pedro de Seixas Corrêa

Em resposta à necessidade do mercado de contar com profissionais especializados em gestão de obras várias instituições lançaram cursos de MBA voltados para esta questão. Um deles é o MBA em Gestão de Negócios Imobiliários e da Construção Civil do Instituto Superior de Administração de Negócios da Fundação Getúlio Vargas (ISAN-FGV), cujo coordenador é Pedro de Seixas Corrêa. Em entrevista exclusiva ao Massa Cinzenta, o professor dá dicas de como gerir uma obra com excelência.

Do início ao final da obra, qual é o papel do gestor?
Entendo que o principal papel do gestor da obra é garantir que a construção seja realizada dentro do prazo, respeitando os custos previstos na viabilidade econômico-financeira do empreendimento ou do contrato e atendendo aos padrões de qualidade e desempenho desejados pelo cliente.  Prazo, custo e qualidade são, portanto, as principais variáveis a serem controladas pelo gestor.  E cada uma delas tem enorme influência sobre as demais, ou seja, são interdependentes.  Por exemplo: o eventual atraso em uma das etapas da obra exigirá a recuperação do prazo nas etapas seguintes, o que poderá comprometer os custos e também a qualidade final dos serviços.

Qual é a pessoa mais indicada para se responsabilizar pela obra?
A responsabilidade do gestor da obra não se restringe às questões técnicas.  Em um empreendimento imobiliário, dependendo de seu padrão, os custos de construção variam entre 30% e 60% do valor geral de vendas.  Este percentual é maior nos empreendimentos destinados ao segmento econômico,  como os que se enquadram no programa Minha Casa, Minha Vida.  Apesar da maior parcela dos custos incorrer na construção, as definições de produto e projeto que influenciam estes custos não estão nas mãos do gestor da obra.  Este profissional deve ter não apenas conhecimentos técnicos, mas também um amplo conhecimento do negócio como um todo.  Precisa dominar custos, contratos, prazos e ser um bom gestor de equipes.

Quais são as recomendações de postura para o gestor da obra?
Planejamento e criatividade são fundamentais.  Antecipar-se aos problemas, evitando que eles apareçam, ajuda a eliminar futuras dificuldades com prazo e custo – por consequência, também com qualidade.  Estamos passando por um momento muito positivo para o setor de construção, que está bastante aquecido, e uma das maiores preocupações hoje dos gestores de obras é com relação à disponibilidade de recursos.  Felizmente hoje a questão não é mais a falta de recursos financeiros, mas sim a escassez de mão de obra, materiais e equipamentos.  Usei a palavra “felizmente” pois, por cerca de duas décadas, o setor permaneceu estagnado, sem capacidade para atrair investidores, mas isso não significa que podemos relaxar e comemorar o bom momento.  O desafio é muito grande, os gargalos a serem superados (mão de obra, material, equipamentos) exigirão do gestor muito planejamento e também criatividade.  Planejamento para evitar sustos e criatividade para buscar formas diferentes de fazer, de contratar, de comprar, de realizar a construção.

Quais são os problemas mais comuns em gestão de obras que podem ser evitados?
Um dos principais problemas diz respeito à administração de equipes, sejam elas equipes próprias ou de terceiros.  A construção envolve um grande número de atividades, com muitas interfaces entre elas.  Planejar adequadamente as atividades ajuda não apenas a eliminar os gargalos, garantindo a realização dos serviços dentro do prazo, mas também contribui para a redução do desperdício de tempo e de material.  Outro problema diz respeito à contratação de serviços e aquisição de materiais.  Um Cronograma de Suprimentos bem elaborado é uma importante ferramenta de gestão, pois permite antever dificuldades e indicar a adoção de medidas que, mesmo que não garantam a eliminação dos problemas, possibilitem reduzi-los a ponto de não comprometer os prazos e custos assumidos.

Uma obra mal gerida sofre quais dificuldades?
Uma obra sem um gestor competente é uma fábrica de problemas, que tendem a crescer cada vez mais, como uma bola de neve.  Sem um gestor que indique a direção a ser seguida, cada equipe passa a atuar buscando resolver o seu próprio problema, mesmo que isso represente uma dificuldade para as demais equipes.  Outro exemplo de dificuldade é o provocado pela falta de planejamento na aquisição de materiais, que pode gerar atrasos e desperdícios irrecuperáveis.  Há materiais que precisam ser comprados com meses de antecedência, sob pena de não tê-los disponíveis, ou de ter que se pagar um preço bem acima do previsto no orçamento.

Como o gestor deve comandar a obra?
O bom gestor de obra procura antecipar-se aos problemas, evitando que aconteçam.  O bom gestor nunca perde a visão do todo, mesmo quando está envolvido na solução de um pequeno problema.  Ter a visão do todo significa ter completo domínio dos custos e prazos, conhecer muito bem o orçamento e o planejamento da obra.  É fundamental também dimensionar adequadamente as equipes, capacitando seus integrantes e mantendo todos comprometidos com suas metas de qualidade e produtividade.

Que conhecimentos o responsável pela obra precisa ter?
O conhecimento técnico é essencial, mas não é suficiente para qualificar um profissional para se tornar um bom gestor de obras.  Habilidades gerenciais, capacidade de planejamento, organização, liderança, noções de custos, ser um bom negociador, entre outros conhecimentos, são também muito importantes.

Qual é o passo a passo para gerir uma obra?
Entendo que para se capacitar para assumir a gestão de uma obra, antes de tudo, o profissional precisa ter conhecimento total do projeto. É como um executivo que assume a direção de uma empresa e que precisa ter domínio completo sobre a atividade desta empresa.  Somente após ter completo conhecimento sobre o que vai gerenciar é que o gestor tem condições de iniciar o planejamento da obra.  Como elementos fundamentais para a boa gestão de uma obra, em ordem cronológica, acho importante citar:

- Planejamento Físico-Financeiro Detalhado da obra (com base no orçamento e compromissos de prazo assumidos)

- Programação de Aquisição de Materiais e Serviços

- Planejamento Operacional e Logístico da obra (incluindo o planejamento do canteiro, dimensionamento das instalações provisórias, fluxo de tráfego de pessoas e materiais, escolha e dimensionamento de equipamentos de transporte etc)

- Controle e Acompanhamento das Atividades (com medições de indicadores de produtividade, verificação da qualidade dos serviços, eliminação de desperdícios de tempo e materiais)

- Retroalimentação do Planejamento Físico-Financeiro (com a adoção de medidas corretivas visando o cumprimento das premissas de custo e prazo)

Planejamento e controle são muito importantes, mas o controle praticamente não tem valor sem um planejamento adequado.  O conselho que dou ao gestor de obras é que, se por acaso estiver em dúvida sobre o quanto investir em planejamento e controle, não hesite em destinar a maior parte de seus recursos (de tempo e material) ao planejamento. Controlar algo que foi mal planejado é como se limitar contabilizar os problemas, sem se permitir resolvê-los ou, o que seria melhor, evitá-los.
O Massa Cinzenta já publicou outras matérias sobre Gestão de Obras. Saiba mais sobre esse tema nos links abaixo:

Gerenciamento e fiscalização de obras (http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/gerenciamento-e-fiscalizacao-de-obras/)

Improviso é o grande vilão das obras (http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/improviso-e-o-grande-vilao-das-obras/?email=arci53%40gmail.com)

Comunicação vira alicerce da boa construção (http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/comunicacao-vira-alicerce-da-boa-construcao/)

FRASE FINAL: VOCÊ CONCORDA QUE UMA OBRA MAL GERIDA É UMA FÁBRICA DE PROBLEMAS? PARTICIPE E DEIXE SUA OPINIÃO NOS COMENTÁRIOS.

Entrevistado
Pedro de Seixas Corrêa
- Mestre em Sistemas de Gestão pela Universidade Federal Fluminense (UFF/RJ) e Engenheiro Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
- Entre 1991 e 2000 atuou no município do Rio de Janeiro nos setores de orçamento, planejamento e obras da AC Lobato Engenharia, mais tarde Atlântica Empreendimentos Imobiliários.
- Atualmente é sócio-diretor da SEICOR Projetos e Obras Ltda, empresa especializada na coordenação e desenvolvimento de projetos de engenharia e arquitetura, com mais de 20 anos de prestação de serviço para construtoras e incorporadoras de atuação nacional.
- Coordenador acadêmico do MBA em Gestão de Negócios Imobiliários e da Construção Civil na Fundação Getulio Vargas, atua como professor nos cursos de pós-graduação da FGV desde 2001.
Email: pedro.seixas@fgv.br

 
 

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Transformando cana de açúcar em concreto

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos estudam a substituição da areia pelas cinzas de cana de açúcar na produção de concreto

Por: Lilian Júlio
Almir Sales

Há mais de dez anos pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) buscam soluções para substituir matérias como areia e brita na construção civil. Uma das pesquisas desenvolvidas pela instituição descobriu que é possível substituir parte da areia utilizada na produção de concreto e argamassa por cinzas de cana de açúcar. A pesquisa, chefiada pelo professor e engenheiro civil, Almir Sales, será finalizada em março de 2011, mas os resultados até agora indicam que esta pode ser uma boa alternativa na construção civil.

É o fator ambiental a causa de maior preocupação dos pesquisadores. A extração dos agregados naturais, como brita e areia, causa danos irreparáveis ao meio ambiente, e o bagaço da cana de açúcar é um resíduo sem utilidade, que acabava sendo queimado e suas cinzas depositadas em aterros sanitários (anualmente são produzidas cerca de 3,8 milhões de toneladas de cinzas de cana de açúcar pela indústria sucroalcooleira nacional). “Os agregados naturais estão se tornando mais caros, já que a forma de extração desses produtos degrada o meio ambiente”, explica Sales.

Com o setor da construção civil aquecido, a procura por matéria prima também irá aumentar nos próximos anos. A previsão do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) é que os empregos na construção cresçam 8,8% este ano. Esse crescimento preocupa alguns pesquisadores, que temem o alto custo do concreto, que é a principal matéria prima da construção civil. É a lei da oferta e procura, pois quando a demanda por um produto é maior do que a sua disponibilidade o seu preço tende a aumentar. 

A partir dessas constatações o professor Sales começou a pesquisar alternativas para amenizar o problema. “Com a substituição por cinzas de cana de açúcar haverá menor impacto na necessidade de extração de areia natural e, simultaneamente, a diminuição da formação de novos aterros sanitários para depositar esses resíduos no ambiente”, explica o pesquisador.

Pesquisa em andamento

Por ainda não estar finalizada a pesquisa gera algumas dúvidas, como a resistência e durabilidade do concreto com cinzas de cana de açúcar em sua composição. “As vantagens e desvantagens só poderão ser apresentadas ao final dos estudos, com a análise comparativa desse concreto com o convencional”, afirma o professor Sales. Mas os resultados preliminares são animadores na questão da resistência do material. “Para um teor de substituição de 30% a 50% houve um incremento de até 15% na resistência à compressão, mostrando que o concreto com cinzas de cana de açúcar é mais resistente do que o com areia”, revela o engenheiro.

Apesar das boas constatações iniciais, o estudo ainda está sendo feito em escala laboratorial e é preciso aguardar o resultado final para verificar se o produto é ideal para o mercado – o que só acontecerá no próximo ano. “O custo final, por exemplo, só poderá ser aferido ao final da pesquisa”, analisa Sales. Se os resultados confirmarem que a substituição é viável os pesquisadores entrarão em outra fase para levar o produto adiante. “Aí precisaremos de investimentos de empresas ou instituições públicas para passar para uma escala de produção”, afirma Sales.

Entrevistado:

Almir Sales
- Docente e orientador no Curso de Pós-Graduação em Engenharia Urbana e no Curso de Pós-Graduação em Construção Civil da Universidade Federal de São Carlos.
- Líder do grupo de pesquisa intitulado Grupo de Estudos em Sustentabilidade e Ecoeficiência em Construção Civil e Urbana.
Email: almir@ufscar.br

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Transformando cana de açúcar em concreto

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos estudam a substituição da areia pelas cinzas de cana de açúcar na produção de concreto

Por: Lilian Júlio
Almir Sales

Há mais de dez anos pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) buscam soluções para substituir matérias como areia e brita na construção civil. Uma das pesquisas desenvolvidas pela instituição descobriu que é possível substituir parte da areia utilizada na produção de concreto e argamassa por cinzas de cana de açúcar. A pesquisa, chefiada pelo professor e engenheiro civil, Almir Sales, será finalizada em março de 2011, mas os resultados até agora indicam que esta pode ser uma boa alternativa na construção civil.

É o fator ambiental a causa de maior preocupação dos pesquisadores. A extração dos agregados naturais, como brita e areia, causa danos irreparáveis ao meio ambiente, e o bagaço da cana de açúcar é um resíduo sem utilidade, que acabava sendo queimado e suas cinzas depositadas em aterros sanitários (anualmente são produzidas cerca de 3,8 milhões de toneladas de cinzas de cana de açúcar pela indústria sucroalcooleira nacional). “Os agregados naturais estão se tornando mais caros, já que a forma de extração desses produtos degrada o meio ambiente”, explica Sales.

Com o setor da construção civil aquecido, a procura por matéria prima também irá aumentar nos próximos anos. A previsão do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) é que os empregos na construção cresçam 8,8% este ano. Esse crescimento preocupa alguns pesquisadores, que temem o alto custo do concreto, que é a principal matéria prima da construção civil. É a lei da oferta e procura, pois quando a demanda por um produto é maior do que a sua disponibilidade o seu preço tende a aumentar. 

A partir dessas constatações o professor Sales começou a pesquisar alternativas para amenizar o problema. “Com a substituição por cinzas de cana de açúcar haverá menor impacto na necessidade de extração de areia natural e, simultaneamente, a diminuição da formação de novos aterros sanitários para depositar esses resíduos no ambiente”, explica o pesquisador.

Pesquisa em andamento

Por ainda não estar finalizada a pesquisa gera algumas dúvidas, como a resistência e durabilidade do concreto com cinzas de cana de açúcar em sua composição. “As vantagens e desvantagens só poderão ser apresentadas ao final dos estudos, com a análise comparativa desse concreto com o convencional”, afirma o professor Sales. Mas os resultados preliminares são animadores na questão da resistência do material. “Para um teor de substituição de 30% a 50% houve um incremento de até 15% na resistência à compressão, mostrando que o concreto com cinzas de cana de açúcar é mais resistente do que o com areia”, revela o engenheiro.

Apesar das boas constatações iniciais, o estudo ainda está sendo feito em escala laboratorial e é preciso aguardar o resultado final para verificar se o produto é ideal para o mercado – o que só acontecerá no próximo ano. “O custo final, por exemplo, só poderá ser aferido ao final da pesquisa”, analisa Sales. Se os resultados confirmarem que a substituição é viável os pesquisadores entrarão em outra fase para levar o produto adiante. “Aí precisaremos de investimentos de empresas ou instituições públicas para passar para uma escala de produção”, afirma Sales.

Entrevistado:

Almir Sales
- Docente e orientador no Curso de Pós-Graduação em Engenharia Urbana e no Curso de Pós-Graduação em Construção Civil da Universidade Federal de São Carlos.
- Líder do grupo de pesquisa intitulado Grupo de Estudos em Sustentabilidade e Ecoeficiência em Construção Civil e Urbana.
Email: almir@ufscar.br

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Como conservar o concreto aparente

Robustez com elegância do concreto aparente chama a atenção de engenheiros e arquitetos. Mas precisamos protegê-lo

Por: Engª. Giovana Medeiros – Assessora Técnico Comercial Itambé

O concreto aparente tem sido utilizado pelos engenheiros e arquitetos para realçar a beleza de grandes construções. Ele tem como característica deixar à vista sua coloração e textura naturais e, no Brasil, não faltam exemplos marcantes que tiram bastante proveito da beleza plástica deste material.

Em São Paulo, encontram-se os edifícios da IBM, o Masp e o Hotel Unique, que utilizam três cores de concreto aparente. Em Curitiba, o Teatro Guaíra e a estátua do Homem Nu são obras que se tornaram ícones e exploraram a beleza do concreto aparente. 

Teatro Guaíra - Curitiba (PR)

O sucesso ou não da execução de estruturas de concreto aparente depende de alguns cuidados, começando pelo projeto. Tanto o projeto arquitetônico como o estrutural devem considerar as condições de exposição.

Outros aspectos que devem ser levados em consideração são: a utilização do mesmo tipo de cimento e agregados, os cuidados na execução das fôrmas, a aplicação uniforme de desmoldantes, os cuidados de lançamento, adensamento do concreto e o cumprimento do tempo de cura adequado, vão definir a qualidade final da obra.

O próprio concreto deve ser especificado para ficar aparente, ou seja, deve ter bom teor de argamassa e trabalhabilidade que permita uma concretagem sem bolhas e vazios. O uso de fungicidas e bactericidas para evitar o ataque de fungos, também deve ser considerado.

Hotel Unique - São Paulo (SP)

O concreto aparente, principalmente nos grandes centros, sofre a ação de diversos agentes agressivos. Fuligem, CO2, sulfatos e cloretos são alguns exemplos. Mas, as próprias condições climáticas com sol e chuva, ao longo do tempo, deterioram as estruturas e o aspecto fica bem prejudicado. Por este motivo é necessário tomar precauções para manter o concreto aparente conservado.

Para proteger superficialmente o concreto aparente comumente são utilizados os vernizes e hidrofugantes. Os vernizes formam filme contínuo e são mais eficientes na proteção de agentes agressivos. Os vernizes foscos têm a vantagem sobre os brilhantes, pois não alteram o aspecto original do concreto e não evidenciam as imperfeições do material bruto. Já os hidrofugantes são capazes de penetrar alguns milímetros nos poros do concreto, impedindo a penetração de água e de substâncias agressivas nela dissolvidas.

Outras formas de conservar o concreto, sendo ele aparente ou não, são as inspeções periódicas, além da limpeza adequada e reaplicação de eventuais sistemas de proteção superficial existentes.

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Cidade da Música: obra grandiosa e polêmica

Construção do complexo idealizado para receber eventos musicais pode prejudicar construções vizinhas

Por: Tatiane Franco
Cidade da Música

Idealizada para receber eventos de música erudita e ser a nova sede da Orquestra Sinfônica Brasileira, o complexo cultural da Cidade da Música, localizado no coração da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ainda não foi concluído e gera muita polêmica. A questão trata de possíveis rachaduras em viadutos da região, que possui intenso tráfego de veículos. Após denúncia, em agosto de 2009, dois engenheiros da prefeitura do Rio de Janeiro foram convocados a prestar esclarecimentos sobre a obra.

A construção do complexo cultural da Cidade da Música iniciou em 2002 e mesmo ainda não finalizada, a obra foi paralisada em janeiro de 2009. De acordo com a Secretaria de Obras da Cidade do Rio de Janeiro, a atividade foi retomada em novembro do ano passado e a previsão é que o empreendimento seja concluído no primeiro semestre de 2011. O órgão informa que desconhece a veracidade das informações sobre rachaduras em viadutos.

Presidente do Crea-RJ : “Falta de planejamento compromete as obras da Cidade da Música”.

Segundo o engenheiro civil, Bruno Contarini, consultor do projeto Cidade da Música, não existe nenhum comprometimento nas obras adjacentes. “O empreendimento foi feito com tubulão normal e isso não afeta em nada as construções próximas”, defende o engenheiro Contarini.

Para o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Agostinho Guerreiro, é difícil afirmar sobre os possíveis problemas nos viadutos, pois não existem estudos que avaliem a obra. “Não podemos garantir que a obra esteja interferindo no desgaste dos viadutos, uma vez que o trânsito na região é intenso e isso causa a deterioração do local. É preciso um estudo aprofundado, o que, até hoje, não foi feito ou o Crea não teve conhecimento. O que podemos afirmar é que houve falta de planejamento e de um projeto com cronograma rígido. Essas falhas interferiram diretamente no alto orçamento e na demora da obra”, declara Guerreiro.

Segundo o Tribunal de Contas do Município do Rio, até o final do ano passado, haviam sido gastos R$ 518,6 milhões. A previsão é que a prefeitura invista mais R$ 50 milhões para concluir a obra da Cidade da Música.

O Complexo

Em estilo modernista e com o concreto como material estrutural, a Cidade da Música foi projetada pelo arquiteto francês, Christian de Portzamparc, e promete ser a maior sala de concerto para orquestra sinfônica e ópera da América Latina. Em um terreno de 95 mil metros quadrados, sendo quase 88 de área construída, o empreendimento de cinco andares conta ainda com 28 salas para concertos, música de câmara, aulas e ensaios; salas de cinema; lojas, restaurante, cafeteria, foyer musical e midiateca. Até agora foram utilizados 65 mil metros cúbicos de concreto de alto desempenho para a realização do projeto.

A Grande Sala de Concerto possui 1.800 lugares e pode ser adaptada para ópera, ficando com 1.300 lugares. O espaço possui uma sala para Música de Câmara com 800 poltronas, reversível para 500. O complexo terá uma ligação direta com terminal da Alvorada e estacionamento com 738 vagas.
 

Leia mais sobre a Cidade da Música na matéria “Uma cidade com notas musicais”, publicada no Massa Cinzenta em 11 de dezembro de 2008. (http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/uma-cidade-com-notas-musicais/)

Entrevistados:

Bruno Contarini - Engenheiro Civil, trabalhou diversas vezes em parceria com o arquiteto Oscar Niemeyer (como no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, e no Museu de Arte Contemporânea, em Niterói) e também participou da concepção e execução da ponte Rio-Niterói.
Email: bceng@veloxmail.com.br

Agostinho Guerreiro - Presidente do Crea-RJ
Email: presidente@crea-rj.org.br

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content

Cidade da Música: obra grandiosa e polêmica

Construção do complexo idealizado para receber eventos musicais pode prejudicar construções vizinhas

Por: Tatiane Franco
Cidade da Música

Idealizada para receber eventos de música erudita e ser a nova sede da Orquestra Sinfônica Brasileira, o complexo cultural da Cidade da Música, localizado no coração da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ainda não foi concluído e gera muita polêmica. A questão trata de possíveis rachaduras em viadutos da região, que possui intenso tráfego de veículos. Após denúncia, em agosto de 2009, dois engenheiros da prefeitura do Rio de Janeiro foram convocados a prestar esclarecimentos sobre a obra.

A construção do complexo cultural da Cidade da Música iniciou em 2002 e mesmo ainda não finalizada, a obra foi paralisada em janeiro de 2009. De acordo com a Secretaria de Obras da Cidade do Rio de Janeiro, a atividade foi retomada em novembro do ano passado e a previsão é que o empreendimento seja concluído no primeiro semestre de 2011. O órgão informa que desconhece a veracidade das informações sobre rachaduras em viadutos.

Presidente do Crea-RJ : “Falta de planejamento compromete as obras da Cidade da Música”.

Segundo o engenheiro civil, Bruno Contarini, consultor do projeto Cidade da Música, não existe nenhum comprometimento nas obras adjacentes. “O empreendimento foi feito com tubulão normal e isso não afeta em nada as construções próximas”, defende o engenheiro Contarini.

Para o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Agostinho Guerreiro, é difícil afirmar sobre os possíveis problemas nos viadutos, pois não existem estudos que avaliem a obra. “Não podemos garantir que a obra esteja interferindo no desgaste dos viadutos, uma vez que o trânsito na região é intenso e isso causa a deterioração do local. É preciso um estudo aprofundado, o que, até hoje, não foi feito ou o Crea não teve conhecimento. O que podemos afirmar é que houve falta de planejamento e de um projeto com cronograma rígido. Essas falhas interferiram diretamente no alto orçamento e na demora da obra”, declara Guerreiro.

Segundo o Tribunal de Contas do Município do Rio, até o final do ano passado, haviam sido gastos R$ 518,6 milhões. A previsão é que a prefeitura invista mais R$ 50 milhões para concluir a obra da Cidade da Música.

O Complexo

Em estilo modernista e com o concreto como material estrutural, a Cidade da Música foi projetada pelo arquiteto francês, Christian de Portzamparc, e promete ser a maior sala de concerto para orquestra sinfônica e ópera da América Latina. Em um terreno de 95 mil metros quadrados, sendo quase 88 de área construída, o empreendimento de cinco andares conta ainda com 28 salas para concertos, música de câmara, aulas e ensaios; salas de cinema; lojas, restaurante, cafeteria, foyer musical e midiateca. Até agora foram utilizados 65 mil metros cúbicos de concreto de alto desempenho para a realização do projeto.

A Grande Sala de Concerto possui 1.800 lugares e pode ser adaptada para ópera, ficando com 1.300 lugares. O espaço possui uma sala para Música de Câmara com 800 poltronas, reversível para 500. O complexo terá uma ligação direta com terminal da Alvorada e estacionamento com 738 vagas.
 

Leia mais sobre a Cidade da Música na matéria “Uma cidade com notas musicais”, publicada no Massa Cinzenta em 11 de dezembro de 2008. (http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/uma-cidade-com-notas-musicais/)

Entrevistados:

Bruno Contarini - Engenheiro Civil, trabalhou diversas vezes em parceria com o arquiteto Oscar Niemeyer (como no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, e no Museu de Arte Contemporânea, em Niterói) e também participou da concepção e execução da ponte Rio-Niterói.
Email: bceng@veloxmail.com.br

Agostinho Guerreiro - Presidente do Crea-RJ
Email: presidente@crea-rj.org.br

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Normas técnicas focam o desempenho das edificações

Nova normativa da ABNT, que ainda gera dúvidas no setor da construção civil, será um parâmetro de qualidade para os consumidores

Residências que não oferecem conforto ambiental e prédios que em poucos anos de uso apresentam problemas estruturais estão entre os alvos da Norma de Desempenho das Edificações (NBR 15.575) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que entrou em vigor em maio de 2010, mas passará a ser exigida em empreendimentos com projetos protocolados nas prefeituras a partir de 12 de novembro deste ano.

Objeto de discussão no setor da construção civil, a normativa será uma ferramenta legal para que os consumidores tenham a confiança de que os sistemas que compõem os edifícios, como a estrutura, instalações hidrossanitárias, fachadas e coberturas, atendam a requisitos mínimos de desempenho ao longo de uma determinada vida útil.

A presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná (Ibape-PR) e ex-conselheira do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Paraná (Crea-PR), Vera Lúcia de Campos Correa Shebdalj, diz que os critérios para definição da vida útil e do desempenho estão embasados nas necessidades dos usuários de imóveis, como segurança, conforto, funcionalidade e durabilidade. “Ao contrário das normas prescritivas, que definem como os sistemas devem ser construídos, essa visa o desempenho explorando a questão do conforto dos usuários”, analisa.

A NBR 15.575 sugere o desempenho de prédios habitacionais de até cinco pavimentos, mas a expectativa da ABNT é que os parâmetros se tornem referência para outros tipos de edifício.

Principais pontos

O texto é dividido em seis partes que devem ser aplicadas simultaneamente para atender a todos os quesitos. O sistema elétrico não é contemplado por integrar um conjunto mais amplo de normas. “Muito do que está ali não é novo para os arquitetos e engenheiros, porque faz referência às normas já existentes e que deveriam ser cumpridas”, diz o engenheiro civil e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Luiz Fernando Crema.

Aspectos de saúde e salubridade são pontos importantes, destacando-se a estanqueidade à água de chuva e à umidade do solo e o conforto termoacústico no interior das unidades.

As edificações devem ser planejadas com índices que atendam às características climáticas da região e em acordo com as condições do entorno. Também deve ser considerada a transmissão sonora de um ambiente para outro. “Essa não é a primeira cartilha que aborda o tema do conforto acústico, a diferença é que a NBR 15.575 diz como medir os níveis de decibéis pelo desempenho de materiais e sistemas”, explica o engenheiro e superintendente do Comitê Brasileiro da Construção Civil (ABNT/CB-02), Carlos Alberto de Moraes Borges.

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná (Sinduscon-PR), Hamilton Pinheiro Franck, entre os avanços está o reconhecimento de empresas e profissionais sérios e a determinação da responsabilidade de todos os agentes, dos incorporadores aos usuários. “Se é exigida vida útil de 20 anos do sistema hidrossanitário, por exemplo, o projeto deve determinar a periodicidade de inspeções, prazos para a substituição de peças e condições de manutenção que levarão a se atingir a longevidade esperada”, ressalta.

A partir da vigência da norma, o comprador, ao adquirir o imóvel, deve ser informado sobre a vida útil da edificação e como fazer a manutenção conforme previsto no manual elaborado pelos construtores e incorporadores. “É como um carro. A fábrica dá a garantia, mas o comprador sabe que precisará trocar óleo na quilometragem certa. É preciso que os construtores elaborem manuais completos e de fácil compreensão”, alerta Crema.

A nova normatização não sugere qual método construtivo deve ser utilizado.“A norma está concentrada no desempenho do conjunto. Isso serve como balizador para o desenvolvimento de novos produtos que comprovem ter o desempenho exigido”, destaca o pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), Ércio Thomaz.

A indústria de materiais de construção também deverá se adequar, comprovando que o produto oferecido atende o desempenho desejado. “Os institutos de pesquisa terão papel fundamental nesse processo. É preciso incentivar a criação de outros órgãos com a capacidade de testar e certificar produtos, porque os construtores passarão a exigir a contrapartida da indústria”, aponta Crema.

Impacto no mercado

Após apresentação da NBR 15.575, muitos temas entraram em discussão. O presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário no Estado do Paraná, Gustavo Selig, teme que haja impacto nos custos, especialmente nas habitações de interesse social, como as construções para o programa do governo federal, Minha Casa, Minha Vida. “As margens de lucro são reduzidas nesse segmento. É preciso fazer um estudo criterioso para viabilizar essas obras”, diz.

Entre as definições da normativa está um limite oficial contra a redução de metragem, garantindo ao usuário realizar atividades essenciais com um nível mínimo de conforto. A norma não especifica a área mínima para cada unidade nem para cada ambiente, mas exige cômodos com dimensões capazes de acolher móveis e equipamentos de tamanho padrão.

Para o pesquisador do IPT, que participou da elaboração da norma, a indústria da construção não sentirá impacto de custo. “Se fizermos a decomposição em preço inicial, mais os custos de operação e manutenção, veremos que a tendência é empatar ou reduzir custos.” Crema acrescenta outro ponto. “O fato de ser uma residência de interesse social não pode significar falta de qualidade. Uma família levará uma vida inteira para pagar o imóvel, que precisa ser durável e confortável”, comenta.

Para Thomaz e Crema, a saída para a viabilidade econômica dos empreendimentos populares é o investimento em tecnologia, desde que testada e comprovada a eficácia. “Não adianta lançar um novo sistema construtivo sem saber se resiste ao tempo. Há um bom movimento de pesquisa, mas, por vezes, sem muito critério antes de lançar no mercado”, critica Crema.

Projetos integrados ganham mais importância

A NBR 15.575 ao determinar os parâmetros de desempenho das edificações fará com que o trabalho de projetistas e especificadores de materiais se torne ainda mais importante, assim como o acompanhamento da obra. “A figura do profissional (engenheiro ou arquiteto) que unifica os projetos, arquitetônico, estrutural, elétrico e todos os outros será de máxima importância. Os construtores precisarão ter controle do começo ao fim da obra, estando atentos também para a formulação de um manual de uso bem redigido, de forma clara para a compreensão dos usuários”, diz o professor de Engenharia Civil da PUC-PR, Luiz Fernando Crema.

Para o pesquisador do IPT, Ércio Thomaz, a norma incentiva medidas preventivas na concepção e construção dos edifícios, o que diminui patologias. “A norma permite a definição da responsabilidade de cada agente envolvido, criando condições de rastreabilidade. Em alguns casos, responsabilizava-se o construtor, mesmo que o problema estivesse no projeto. A partir desse momento, passa a existir a responsabilidade compartilhada e parâmetros para regular o mercado e ações judiciais”, destaca.

Na opinião de Crema e da presidente do Ibape-PR, Vera Lúcia de Campos Correa Shebdalj, um passo urgente é a capacitação das equipes de engenharia e arquitetura, reciclagem de projetistas e introdução do ensino do conceito de desempenho nas universidades.

 

Fonte: Gazeta do Povo  - 20/06/2010


Normas técnicas focam o desempenho das edificações

Nova normativa da ABNT, que ainda gera dúvidas no setor da construção civil, será um parâmetro de qualidade para os consumidores

Residências que não oferecem conforto ambiental e prédios que em poucos anos de uso apresentam problemas estruturais estão entre os alvos da Norma de Desempenho das Edificações (NBR 15.575) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que entrou em vigor em maio de 2010, mas passará a ser exigida em empreendimentos com projetos protocolados nas prefeituras a partir de 12 de novembro deste ano.

Objeto de discussão no setor da construção civil, a normativa será uma ferramenta legal para que os consumidores tenham a confiança de que os sistemas que compõem os edifícios, como a estrutura, instalações hidrossanitárias, fachadas e coberturas, atendam a requisitos mínimos de desempenho ao longo de uma determinada vida útil.

A presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná (Ibape-PR) e ex-conselheira do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Paraná (Crea-PR), Vera Lúcia de Campos Correa Shebdalj, diz que os critérios para definição da vida útil e do desempenho estão embasados nas necessidades dos usuários de imóveis, como segurança, conforto, funcionalidade e durabilidade. “Ao contrário das normas prescritivas, que definem como os sistemas devem ser construídos, essa visa o desempenho explorando a questão do conforto dos usuários”, analisa.

A NBR 15.575 sugere o desempenho de prédios habitacionais de até cinco pavimentos, mas a expectativa da ABNT é que os parâmetros se tornem referência para outros tipos de edifício.

Principais pontos

O texto é dividido em seis partes que devem ser aplicadas simultaneamente para atender a todos os quesitos. O sistema elétrico não é contemplado por integrar um conjunto mais amplo de normas. “Muito do que está ali não é novo para os arquitetos e engenheiros, porque faz referência às normas já existentes e que deveriam ser cumpridas”, diz o engenheiro civil e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Luiz Fernando Crema.

Aspectos de saúde e salubridade são pontos importantes, destacando-se a estanqueidade à água de chuva e à umidade do solo e o conforto termoacústico no interior das unidades.

As edificações devem ser planejadas com índices que atendam às características climáticas da região e em acordo com as condições do entorno. Também deve ser considerada a transmissão sonora de um ambiente para outro. “Essa não é a primeira cartilha que aborda o tema do conforto acústico, a diferença é que a NBR 15.575 diz como medir os níveis de decibéis pelo desempenho de materiais e sistemas”, explica o engenheiro e superintendente do Comitê Brasileiro da Construção Civil (ABNT/CB-02), Carlos Alberto de Moraes Borges.

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná (Sinduscon-PR), Hamilton Pinheiro Franck, entre os avanços está o reconhecimento de empresas e profissionais sérios e a determinação da responsabilidade de todos os agentes, dos incorporadores aos usuários. “Se é exigida vida útil de 20 anos do sistema hidrossanitário, por exemplo, o projeto deve determinar a periodicidade de inspeções, prazos para a substituição de peças e condições de manutenção que levarão a se atingir a longevidade esperada”, ressalta.

A partir da vigência da norma, o comprador, ao adquirir o imóvel, deve ser informado sobre a vida útil da edificação e como fazer a manutenção conforme previsto no manual elaborado pelos construtores e incorporadores. “É como um carro. A fábrica dá a garantia, mas o comprador sabe que precisará trocar óleo na quilometragem certa. É preciso que os construtores elaborem manuais completos e de fácil compreensão”, alerta Crema.

A nova normatização não sugere qual método construtivo deve ser utilizado.“A norma está concentrada no desempenho do conjunto. Isso serve como balizador para o desenvolvimento de novos produtos que comprovem ter o desempenho exigido”, destaca o pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), Ércio Thomaz.

A indústria de materiais de construção também deverá se adequar, comprovando que o produto oferecido atende o desempenho desejado. “Os institutos de pesquisa terão papel fundamental nesse processo. É preciso incentivar a criação de outros órgãos com a capacidade de testar e certificar produtos, porque os construtores passarão a exigir a contrapartida da indústria”, aponta Crema.

Impacto no mercado

Após apresentação da NBR 15.575, muitos temas entraram em discussão. O presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário no Estado do Paraná, Gustavo Selig, teme que haja impacto nos custos, especialmente nas habitações de interesse social, como as construções para o programa do governo federal, Minha Casa, Minha Vida. “As margens de lucro são reduzidas nesse segmento. É preciso fazer um estudo criterioso para viabilizar essas obras”, diz.

Entre as definições da normativa está um limite oficial contra a redução de metragem, garantindo ao usuário realizar atividades essenciais com um nível mínimo de conforto. A norma não especifica a área mínima para cada unidade nem para cada ambiente, mas exige cômodos com dimensões capazes de acolher móveis e equipamentos de tamanho padrão.

Para o pesquisador do IPT, que participou da elaboração da norma, a indústria da construção não sentirá impacto de custo. “Se fizermos a decomposição em preço inicial, mais os custos de operação e manutenção, veremos que a tendência é empatar ou reduzir custos.” Crema acrescenta outro ponto. “O fato de ser uma residência de interesse social não pode significar falta de qualidade. Uma família levará uma vida inteira para pagar o imóvel, que precisa ser durável e confortável”, comenta.

Para Thomaz e Crema, a saída para a viabilidade econômica dos empreendimentos populares é o investimento em tecnologia, desde que testada e comprovada a eficácia. “Não adianta lançar um novo sistema construtivo sem saber se resiste ao tempo. Há um bom movimento de pesquisa, mas, por vezes, sem muito critério antes de lançar no mercado”, critica Crema.

Projetos integrados ganham mais importância

A NBR 15.575 ao determinar os parâmetros de desempenho das edificações fará com que o trabalho de projetistas e especificadores de materiais se torne ainda mais importante, assim como o acompanhamento da obra. “A figura do profissional (engenheiro ou arquiteto) que unifica os projetos, arquitetônico, estrutural, elétrico e todos os outros será de máxima importância. Os construtores precisarão ter controle do começo ao fim da obra, estando atentos também para a formulação de um manual de uso bem redigido, de forma clara para a compreensão dos usuários”, diz o professor de Engenharia Civil da PUC-PR, Luiz Fernando Crema.

Para o pesquisador do IPT, Ércio Thomaz, a norma incentiva medidas preventivas na concepção e construção dos edifícios, o que diminui patologias. “A norma permite a definição da responsabilidade de cada agente envolvido, criando condições de rastreabilidade. Em alguns casos, responsabilizava-se o construtor, mesmo que o problema estivesse no projeto. A partir desse momento, passa a existir a responsabilidade compartilhada e parâmetros para regular o mercado e ações judiciais”, destaca.

Na opinião de Crema e da presidente do Ibape-PR, Vera Lúcia de Campos Correa Shebdalj, um passo urgente é a capacitação das equipes de engenharia e arquitetura, reciclagem de projetistas e introdução do ensino do conceito de desempenho nas universidades.

 

Fonte: Gazeta do Povo  - 20/06/2010