Prédio de 15 andares é construído em seis dias

Na China, uma edificação de 15 pavimentos foi construída em apenas seis dias. Com a fundação pronta, a estrutura foi feita em materiais pré-moldados

Qual é o tempo de construção de um prédio de 15 andares? Na China, uma edificação de 15 pavimentos foi construída em seis dias. A fundação já estava pronta e a estrutura do prédio estava concluída em menos de 48 horas. O restante do tempo foi usado para o acabamento da obra.

O edifício é o Hotel Arca em Changsha e demorou somente seis dias para ser concluído, e isso graças aos materiais pré-fabricados utilizados a partir do momento em que a construção foi definida. Depois bastava colocar cada peça em seus respectivos lugares.

O empreendimento apresenta conforto térmico de acordo com normas chinesas, sua construção está dentro das leis ambientalmente corretas. O edifício possui nível 9 de segurança contra terremotos, as paredes são a prova de som, possui isolamento térmico, a iluminação é toda de LED, além de um sistema que garante a circulação do ar, com três níveis de purificação.

Os moradores da cidade de Changsha (长沙), na China, tiveram uma grande surpresa: em seis dias, a partir de uma fundação nasceu um novo hotel. O edifício é moderno, com isolamento térmico e acústico e capacidade para resistir a eventos sísmicos. O segredo dessa construção é que os componentes foram pré-fabricados e depois montados no local.

Changsha é a capital da província de Hunan. A cidade se localiza as margens do rio Xiang, na zona centro sul da China. O município tem uma área de 11.819 quilômetros quadrados e uma população de 6.017.600 (2003 estimativa intercensitário), a área urbanizada, tem cerca de 2,7 milhões de pessoas.

Veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=0_O1LeMQ3A8

Fonte: Tecnisa Idéias

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Os desafios da engenharia militar

Os desafios da carreira da engenharia que vão além dos canteiros de obras

Por: Michel Mello
A engenharia militar atua na execução de algumas das obras do PAC

O Massa Cinzenta inaugura uma série sobre profissões em que retrata os vários segmentos de mercado onde atuam os profissionais da engenharia. Para inaugurar esta série começamos com o perfil do engenheiro militar. Esse profissional tem a missão de desenvolver tecnologia no âmbito de defesa estratégica e tecnológica. Também atuam em obras como construção e ampliação das rodovias, a transposição do rio São Francisco e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

 

IME

Para atender ao desenvolvimento da questão tecnológica e militar no país, o Exército Brasileiro (EB) criou o Instituto Militar de Engenharia (IME), resultado da fusão da Escola Técnica do Exército com o Instituto Militar de Tecnologia, isso no ano de 1959.

O instituto se destaca por ter formado inúmeras gerações de engenheiros, civis e militares, que em muito contribuíram para o desenvolvimento da engenharia nacional. Não só no desempenho exclusivo da atividade profissional, mas também na qualidade de professores ou mesmo de fundadores de instituições de ensino espalhadas pelo Brasil.

A admissão aos cursos de graduação é oferecida tanto a militares, oriundos da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), quanto a civis, com escolaridade correspondente ao Ensino Médio, e realizada através de dois concursos de admissão distintos. O acesso aos cursos de pós-graduação é feita através de um processo de seleção acadêmica e exame médico.

Atualmente, o IME forma oficiais engenheiros militares da ativa e da reserva, sendo que a graduação em engenharia tem a duração de cinco anos junto à formação militar, que dura o mesmo tempo, para os optantes pela carreira e de um ano para os optantes pela reserva. Além disso, o instituto também admite engenheiros, homens e mulheres formados em instituições civis.

O coronel do Quadro de Engenheiros Militares (QEM), Marcelo Eschiletti Caldas Rodrigues, especialista em engenharia elétrica, fala que tinha o “desejo de ser engenheiro, mesmo antes de ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras”. Atualmente o coronel serve no Departamento de Engenharia e Construção (DEC), em Brasília (DF).

Missões

Para o engenheiro militar, “as missões mais marcantes foram aquelas realizadas na África, em virtude das condições enfrentadas. Uma lição aprendida foi a humildade, após a conclusão do curso de mestrado, quando constatei que a falta de conhecimento técnico não é motivo de vergonha e, sim, motivação para a busca das soluções”.

Atualmente, o coronel Eschiletti participa do processo de reestruturação do DEC e de um estudo sobre a viabilidade de implantação de um sistema de monitoramento do consumo de energia no Exército Brasileiro.

Ele destaca que na carreira de engenheiro militar não conheceu a rotina. “Tenho exercido as mais diferentes funções, em diversas organizações militares. O Exército me proporcionou um curso de graduação, um de pós-graduação e cursos na área de gerenciamento. Foram apresentados desafios e oportunidades de exercer minhas atividades na área de formação”, enfatiza o coronel.

“A carreira do engenheiro militar oferece várias oportunidades em termos de capacitação profissional, vários tipos de atividades: ensino, pesquisa, atuação como engenheiro de campo ou como projetista, em diversas áreas da engenharia (civil, elétrica, eletrônica, telecomunicações, mecânica, cartografia, computação, química, materiais), e a possibilidade de morar em diferentes regiões do país e, em alguns casos, inclusive no exterior” esclarece.

Atuação

Atualmente, existem engenheiros de fortificação e construção (engenharia civil) trabalhando na Missão de Paz, no Haiti; nas obras de duplicação da BR – 101 e nas obras de interligação do Rio São Francisco com as bacias do Nordeste Setentrional, no nordeste; nas obras da BR – 319 e BR – 163, na Amazônia; nos aeroportos de Guarulhos, em São Paulo; São Gonçalo do Amarante, em Natal; e no Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina etc.

“Temos engenheiros mecânicos e de materiais trabalhando no desenvolvimento da nova família de carros blindados do Exército; engenheiros de computação desenvolvendo sistemas de gerenciamento e de apoio à decisão, quer na área administrativa, quer na área operacional; engenheiros mecânicos, eletrônicos e de telecomunicações trabalhando em fábricas e arsenais ou desenvolvendo pesquisas no Centro Tecnológico do Exército, no Rio de Janeiro; engenheiros cartógrafos realizando inúmeros projetos ao longo de todo o território nacional. Enfim, o leque de oportunidades da engenharia militar é bastante amplo”, conclui o coronel Eschiletti.

Aluno

Heymann: Acredito que a formação militar é importante, pois ela transmite valores fundamentais, como a disciplina e a hierarquia, dois princípios básicos da carreira

O primeiro tenente Rafael Rocha Heymann, aluno do último ano, do curso de Engenharia Eletrônica do IME, afirma que “desde cedo eu tive interesse na carreira militar. Paralelo a isso, sempre tive facilidade nas matérias da área de exatas, como matemática e a física, além da curiosidade referente ao funcionamento, em termo de hardware, dos computadores e equipamentos eletrônicos em geral. Daí o desejo em realizar o curso de Engenharia Eletrônica”.

Heymann enfatiza, “desta forma, vi no IME uma oportunidade de alcançar estas duas metas profissionais. Somado a isso, acredito que seja gratificante pesquisar, projetar e produzir equipamentos úteis para a força, visando o desenvolvimento e a soberania nacional”.

Sobre o curso de formação ele diz: “Vários aspectos positivos são responsáveis pela tradição do IME em formar engenheiros de alto nível. Eu diria que os recursos humanos, selecionados através de um dos mais difíceis vestibulares do país, é o fator principal que o destaca em relação às outras instituições de formação de engenheiros”.

Formação militar

“Acredito que a formação militar é importante, pois ela transmite valores fundamentais, como a disciplina e a hierarquia, dois princípios básicos da carreira. Além disso, aprendemos a ter uma postura adequada como militares do Exército Brasileiro, mantendo o respeito, a camaradagem e a seriedade. Com o passar dos anos, a vivência nos ensina outras duas características importantes: a iniciativa e o bom senso” destaca o aluno. “No contexto geral, gosto muito do conceito de turma que é valorizado nas escolas militares. No âmbito do meu curso, engenharia eletrônica, eu gosto de poder trabalhar com a produção tecnológica cada vez mais presente na vida do ser humano, a eletrônica, bem como acompanhar a sua evolução tecnológica”, conclui Heymann.

Serviço militar

A vida no IME começa antes mesmo de ser aluno. Na adaptação, os estudantes têm o primeiro contato com a vida militar, aprendendo condutas básicas, começando a fazer ordem unida, executando o primeiro tiro de fuzil e, por fim, realizando a cerimônia de entrada pelos portões. No decorrer dos anos, a vida acadêmica é marcada por muito estudo.
 
Outro momento marcante ocorre no início do terceiro ano, quando os alunos saem do ciclo básico e escolhem a sua especialização: engenharia eletrônica, elétrica, telecomunicações, de computação, mecânica de armamento, mecânica de automóveis, materiais, cartográfica, de fortificação e construção ou química.

Atividades militares

“Durante o curso de formação de oficial, temos as atividades militares que incluem: apresentações e provas referentes às normas e regulamentos próprios da atividade militar; atividades e avaliações físicas constantes com formaturas gerais”, ressalta Heymann. “Também realizamos anualmente um acampamento em que ocorrem os treinamentos militares, onde executamos tiro de fuzil e pistola. Treinamentos para desfiles em dias festivos. Culminando, no último ano, com a cerimônia de encerramento e saída pelo portão como formandos”, esclarece.

Sobre as dificuldades o tenente Heymann conclui: “acredito que a grande dificuldade para o aluno no IME é conciliar a atividade acadêmica com a atividade militar. Pois, além do alto grau de exigência e dificuldade das avaliações na parte acadêmica, vivemos numa disciplina militar, com suas normas, condutas e atividades peculiares”.
 

Origem

Em 15 de janeiro de 1699, o Rei de Portugal sancionou uma Carta Régia que criava um curso de formação de soldados técnicos no Brasil Colônia. Esse curso tinha por objetivo capacitar os soldados nas técnicas de construção de fortificações, a fim de promover a defesa da colônia contra as incursões de outras nações.

Em 1795, foi criada no Recife (PE) uma Aula de Geometria, acrescida, em 1809, do estudo de cálculo integral, mecânica e hidrodinâmica, lecionados pelo Capitão Antonio Francisco Bastos. Essa aula existiu até 1812.

Engenharia Militar no Brasil

A Academia Real Militar, com data de fundação de 1811, mudou de nome quatro vezes: Imperial Academia Militar, em 1822; Academia Militar da Corte, em 1832; Escola Militar, em 1840; e Escola Central, a partir de 1858. Ali se formavam não apenas oficiais do Exército, mas, principalmente, engenheiros, militares ou civis, pois a Escola Central era a única escola de engenharia existente no Brasil.

>> Entrevistados:
Coronel do Quadro de Engenheiros Militares Marcelo Eschiletti Caldas Rodrigues
>> Currículo:
- Graduado em engenharia elétrica pelo Instituto de Engenharia Militar (IME).
- Pós-graduado em engenharia elétrica na Universidade de Brasília (UnB).
- Oficial de Gabinete do Ministro do Exército.
- Serviu como engenheiro da Seção de Engenharia do Departamento de Operações de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU).
- Assistente do Chefe do Departamento de Engenharia e Construção do Exército (DEC).
>> Contato: dec@dec.eb.mil.br

Primeiro tenente Rafael Rocha Heymann
>> Currículo:
- Aluno do quinto ano do curso de engenharia elétrica do Instituto Militar de Engenharia (IME).
>> Contato: depq@ime.eb.br

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Copa 2014: Estádio do Mineirão inova sem perder suas características fundamentais

Readequação do estádio se deve a excelente qualidade do projeto original

Por: Michel Mello
Imagem do Complexo da Pampulha com os estádios do Mineirão e Mineirinho modernizados

O Estádio Governador Magalhães Pinto, ou Mineirão, é o segundo maior estádio de futebol do Brasil em tamanho, ficando atrás apenas do Maracanã. O projeto de construção da arena é da década de 1940 e surgiu com a ideia de construir em Belo Horizonte um estádio para acompanhar a evolução do futebol no estado de Minas Gerais. A partir do anúncio das cidades sede da Copa 2014, a escolha de Belo Horizonte foi uma opção considerada certa, devido às qualidades e características do projeto do Mineirão. A partir daí, houve a seleção das propostas onde foi escolhido o escritório Gustavo Penna Arquitetos Associados, que teve a consultoria da empresa alemã Von Gerkanm Marg und Partners (GMP).

Para o arquiteto Ricardo Gomes Lopes, coordenador do Projeto Arquitetônico do Novo Mineirão do escritório Gustavo Penna Arquitetos e Associados, “o novo projeto representa uma mudança de paradigma ocorrida na forma de se assistir a partidas de futebol – que vem de um esporte que é voltado para espectadores. Quem vai ao estádio, quer uma experiência diferenciada, antigamente o Mineirão comportava em torno de 120 mil espectadores. Após as reformas, esse número cairá pela metade, serão 68 mil cadeiras, mas os torcedores contarão com mais conforto, serviços e maior proximidade do campo de jogo”.

Ricardo: A qualidade do projeto original permitiu uma readequação completa do estádio que pode ser modernizado sem perder as suas características originais

O novo Mineirão continuará como o segundo maior estádio do Brasil. Ainda está previsto a revalorização de área urbana de Belo Horizonte e contribuição para recuperação do Conjunto Arquitetônico e de Lazer da Pampulha.

No passado, o estádio foi construído utilizando-se amortecedores para o anel superior da arquibancada. Essa característica fez com que, a partir de movimento das torcidas, o estádio nesse setor vibrasse. “O novo projeto prevê acréscimo lateral nas vigas de sustentação do anel superior, além da adição de cabos protendidos que aumentam a força de tensão da estrutura”.

Havia problema em relação a um desnível existente entre as alas oeste e leste do estádio. Para a adaptação da arena às especificações da Fédération Internationale de Football Association (Fifa) esse desnível foi completamente retirado. Na fase atual estão acontecendo obras de rebaixamento do gramado, que chegaram até o bloco de fundação do estádio. Esse trabalho é bastante complexo e envolve a contenção de blocos e corte de cintas. 

 

 Elipse

A elipse será mantida no anel superior. No anel inferior será feita uma reconfiguração das arquibancadas para, desta forma, aproximar os assentos do campo em cerca de 30 metros, adequando-se aos mais modernos padrões internacionais que são recomendados pela Fifa.

Sustentabilidade

A sustentabilidade é um elemento essencial e indispensável para as obras da Copa 2014. As obras do projeto de modernização do Estádio Governador Magalhães Pinto estão na fase que prevê a demolição de estruturas e o rebaixamento do campo de jogo e, em acordo com o conceito de Estádio Verde, todos os resíduos resultantes dessas intervenções estão sendo reaproveitados.

Serão realizadas:

Reaproveitamento da água de chuva para irrigação do gramado, jardins e limpeza das áreas externas;

• Geração de energia elétrica através da captação de energia solar, por meio de células fotovoltaicas instaladas na cobertura existente e na nova cobertura;

• Reaproveitamento dos resíduos da construção civil no próprio canteiro de obras;

• Incentivo ao transporte público, através de dois terminais de ônibus no empreendimento, e às formas alternativas de transporte, como bicicletas (bicicletário) e vagas preferenciais para car pool (dois ou mais passageiros por veículos);

Retrofit de edificação – nesse conceito edificações mais antigas podem ser remodeladas para novos usos. É também uma atualização tecnológica de um elemento ou espaço existente ao invés de se construir algo novo;

• Locais de convívio público em áreas abertas e em contato com áreas verdes como esplanada e áreas adjacentes externas;

Iluminação de alta eficiência e baixo consumo (LED) e sistema elétrico inteligente;

• Reaproveitamento do calor do sistema de ar-condicionado para aquecimento de água dos vestiários de jogadores e sanitários da área VIP;

• Sistemas de válvulas de descargas com duplo acionamento e torneiras com fechamento automático;

• Sistema de coleta seletiva de lixo e armazenamento de resíduos sólidos.

Modernização do estádio

A modernização do Mineirão prevê o rebaixamento do gramado em 3 m, a demolição da geral e do anel inferior de arquibancadas. Além disso, o projeto conta com um novo anel inferior de cadeiras, mais próximo do gramado que avançou em cerca de 30 m em relação ao projeto original. Isso garante melhores condições de visibilidade do campo de jogo. Destaque também para a nova cobertura sobre o novo anel inferior, em estrutura metálica e policarbonato translúcido, complementar à cobertura de concreto existente.
 
No setor oeste, serão construídos dois níveis para assentos VIP e VVIP com camarotes e assentos diferenciados, áreas de apoio exclusivas, lounges executivos, restaurantes e acessos independentes. Haverá a criação de uma esplanada pública em todo o entorno do estádio no nível de acesso pela Avenida Abrahão Caram.

Está prevista também a criação de dois pavimentos em níveis abaixo da esplanada, aproveitando-se o desnível do terreno, para estacionamentos, áreas comerciais e de apoio ao funcionamento do estádio com acessos pelas avenidas Oscar Paschoal, Abrahão Caram e Avenida C. O contato destas áreas com as avenidas lindeiras permite que as áreas comerciais possam ter funcionamento independente durante os dias de jogo e assim garantir outras formas de sustentabilidade econômica para o empreendimento.

Fachada

O arquiteto Ricardo Gomes destaca: “A arquitetura do estádio do Mineirão e sua imagem são consideradas referências iconográficas, como imagens ou pinturas, que representam a cidade de Belo Horizonte. Além disso, o conjunto do estádio e o Mineirinho são tombados em conjunto com o Complexo Arquitetônico da Pampulha. Por isso, não pode haver alterações na vista a partir da lagoa. Portanto, a fachada não pode ser modificada e todas as novas intervenções devem estar restritas ao interior do estádio ou, externamente, abaixo do nível do tombamento, que foi parâmetro conceitual determinante para o projeto de modernização”.

Os pórticos existentes também serão recuperados estruturalmente, o acabamento será feito em concreto aparente e revitalizado com preenchimentos de fissuras superficiais, polimento e aplicação de proteção das superfícies em poliuretano bicomponente, a base de água, transparente, com proteção antigrafite.

Torcedores

O padrão Fifa considera o conforto dos torcedores como algo fundamental. Por isso, a obra prevê:

• Novos acessos ao estádio com entradas exclusivas e separadas para veículos e pedestres;

• Estacionamento com 3.900 vagas para veículos, sendo 3.200 cobertas;

• Criação de esplanada de público em torno de todo o estádio. Área controlada e segura contando com acessos aos estacionamentos, sanitários, áreas de apoio para venda de bebidas e alimentos, áreas para montagem de palcos e realização de eventos pré-jogo;

• Criação de novas áreas de circulação de público no anel inferior e otimização destas áreas no anel superior com áreas de apoio, novos sanitários e lanchonetes, seguindo os padrões internacionais recomendados pela Fifa;

• Serão 100% dos lugares em assentos (eliminação da geral), sendo 95% cobertos. Todos serão numerados, ergonômicos e feitos em um resistente material à base de polímero inquebrável e à prova de fogo. Os assentos VIPs serão mais largos e confortáveis e os assentos da arquibancada superior se fecham automaticamente assim que o ocupante se levanta;

• Segurança das rotas de emergência ligadas entre o campo e as vias de trânsito. Novos postos policiais, todos com acesso independente e seguro a partir do piso térreo e com vista para a área de jogo, podendo assim controlar a comunicação com os espectadores. Controle total da entrada de torcedores, com catracas eletrônicas, a partir do acesso à esplanada onde é feito o primeiro controle e realizadas as revistas. Segundo ponto de controle nos portões de acessos aos diversos setores. Monitoramento por câmeras de segurança de todas as áreas internas e das áreas externas no entorno imediato ao estádio.

Cronograma

O cronograma atual está em dia e se encontra na fase de finalização da segunda etapa de obras, que é o rebaixamento do gramado e demolição da geral. O término da obra está previsto para dezembro de 2012.

A quantidade de concreto utilizada é 154.100 m³, e de aço serão 12.450 toneladas. De acordo com o planejamento da obra, a estimativa é de que média de operários durante a 3ª etapa de obras seja de 1.188 homens. Sendo que o pico máximo de operários deve atingir os 2.258 homens. Vale destacar que o número de operários é estimado pelo Governo de Minas e é apenas um referencial. O valor total da obra está orçado em R$ 743,4 milhões.

O foco das intervenções, que acontecem até o final deste ano, está na demolição de estruturas e na remoção de terra. A previsão é de que a demolição da geral e de parte da arquibancada inferior gere aproximadamente 3,8 mil m3 de concreto e 1,4 mil m2 de alvenaria. Já o rebaixamento do campo de jogo, 90% concluído, implicará a retirada de 68,8 mil m3 de terra. Ao todo, estima-se que serão utilizados 5.700 caminhões para a retirada de todo o entulho gerado durante as obras.

>> Entrevistado
Ricardo Gomes Lopes
>> Currículo
- Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
- Coordenador do Projeto Arquitetônico do Novo Mineirão pelo escritório Gustavo Penna Arquiteto e Associados.
>> Contato: ricardo@gustavopenna.com.br

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Vaso sanitário em argamassa de cimento

Projeto pode ser uma alternativa para Habitações de Interesse Social (HIS)

Por: Michel Mello

O vaso sanitário de argamassa de cimento pretende ser uma solução para reduzir custos em projetos de habitação popular. Nessas Habitações de Interesse Social (HIS) ele pode substituir o vaso de cerâmica, aproveitando a argamassa de cimento, abundante nos canteiros de obra. Essa solução agrega valores estéticos, bom desempenho hidráulico (6 litros) com baixo custo e atende as mesmas normas técnicas que as louças sanitárias.

Déficit habitacional

A falta de acesso ao saneamento básico está entre as causas dos baixos índices de qualidade de vida da população brasileira. Os esgotos a céu aberto, falta de fossa séptica e a poluição dos recursos hídricos são agravantes dessa situação. O Brasil possui um déficit habitacional de mais de 20 anos. Esse atraso em relação às moradias é um dos responsáveis pela criação dos bolsões de pobreza, favelas e cortiços nos centros urbanos e em grande parte das cidades brasileiras. Para acabar com essa mazela social surgem os programas de financiamento habitacional, como o Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) do governo federal que procura ampliar o acesso à moradia da população.

Desenho

Munz: A produção dos vasos sanitários em argamassa de cimento através da forma de fabricação torna possível a produção com preços abaixo do mercado

A ideia do vaso foi tema de um Trabalho de Conclusão de Curso da Universidade Federal do Paraná (UFPR), dos alunos Denis Munz e Lígia de Azevedo Cafruni, no ano de 2003. Para Denis Munz, “através da forma de fabricação desse vaso é possível a produção de vasos sanitários com preços abaixo do mercado. Isso é o ideal para os projetos do Programa Minha Casa Minha Vida, principalmente, nas categorias que vão de zero a três salários mínimos, onde a margem de lucro das construtoras é bastante reduzida”.

O vaso em argamassa de cimento também atende aos critérios da categoria Volume de Descarga Reduzida (VDR 6 litros).“Um ponto bastante importante que foi considerado neste projeto é o uso racional da água e a possibilidade de oferecermos um produto que possui custos acessíveis e que também pode ser produzido através de mutirões”, destaca o designer.

“Também realizamos um estudo histórico da questão sanitária no Brasil e no mundo, onde acompanhamos o desenvolvimento do saneamento e da evolução dos vasos sanitários. E não foi preciso muito estudo para constatarmos os problemas de saneamento básico”, destaca Munz.

ABNT

Foram realizados ensaios técnicos do projeto de acordo com a ABNT NBR 9060 (atual NBR 15097:2004 – Bacia sanitária – verificação do funcionamento – Método de ensaio), que deram respaldo técnico à produção do modelo.

Cimento

Modelo do vaso sanitário em argamassa de cimento

Para a produção do vaso sanitário em argamassa de cimento recomenda-se a utilização dos critérios e normas recomendadas pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Boletim Técnico ABCP BT-113, BT-126.

O cimento utilizado é do tipo CP V-ARI – Cimento Portland de alta resistência inicial – que possui maior velocidade de cura e resistência. O tempo de cura do cimento tipo ARI é menor que o do cimento convencional. “Escolhemos esses materiais, a argamassa de cimento tipo ARI, devido ao seu ótimo comportamento estrutural e sua versatilidade de aplicação”, esclarece Munz.

Vaso

Para a fabricação do vaso em cimento é necessário a produção de um molde de fibra de vidro que pode ser reutilizado. São necessários dois moldes: um interno, para o sifão, e outro externo bipartido, para o corpo da bacia sanitária. Esse molde bipartido em duas seções é fechado por meio de parafusos.

Após a cura da massa, cerca de 24 horas, o vaso pode ser desmoldado para receber o acabamento, onde é passada uma espuma úmida e outra camada de cimento para tampar possíveis imperfeições. Depois de seco o vaso é lixado e fica com seus cantos arredondados. Cada vaso sanitário utiliza aproximadamente 9 litros de argamassa e o custo final fica em torno de R$ 40,00.

Para a utilização, o vaso deve secar durante uma semana e, após esse processo, recebe a pintura em qualquer cor desejada. A tinta nesse caso cumpre dois papéis, estético e  impermeabilizante. É recomendada a aplicação de revestimentos. Foram considerados aspectos ergonômicos para a fabricação do vaso em argamassa de cimento que difere apenas no material da fabricação do vaso de cerâmica.

>> Entrevistado
Denis Munz
>> Currículo
- Graduado em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
- Aluno de Arquitetura e Urbanismos da Universidade Tuiti do Paraná (UTP).
- Ambiente da Brinquedoteca da Casa Cor 2008.
>> Contato: denismunz@hotmail.com

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Normando Baú assume a presidência do Sinduscon-PR

Engenheiro civil estará à frente da entidade a partir de 2011 e comenta suas principais ações

Por: Michel Mello
Baú: Vamos racionalizar para tornar o canteiro de obra mais limpo e sustentável

O novo presidente do Sindicato das indústrias da Construção do Estado do Paraná (Sinduscon-PR) é o engenheiro civil, Normando Baú. Ele toma posse no dia 1º de janeiro de 2011 e promete uma gestão participativa para atender a todos os associados. Entre uma reunião e outra, Normando concedeu uma entrevista para o Massa Cinzenta e falou dos principais desafios da sua gestão.

>> Qual é a expectativa do Sinduscon-PR em relação à valorização dos imóveis?
Normando Baú:
Acredito que o mercado continuará demandando por imóveis. É o que as nossas pesquisas indicam. Sempre haverá espaço para a construção civil, até porque temos um déficit em relação às habitações no país. Porém, o preço é uma questão relativa. A tendência é que os preços acompanhem os custos. Temos para o ano que vem o aumento do salário mínino, que impacta diretamente nos custos com mão de obra. Os materiais serão também reajustados para acompanhar os preços do mercado. Porém, os custos não aumentarão por especulação, mas sim para acompanhar a demanda.
 
>> O que podemos esperar dessa nova gestão do Sinduscon-PR?
NB:
Temos duas linhas, basicamente. A primeira trata de atender as expectativas dos nossos associados, que será, é claro, a nossa principal demanda de atenção. Trataremos de suas necessidades e interesses. Temos – e isso já foi implantado em gestões anteriores – um modelo de gestão por demanda. Isto significa que os objetivos dos associados serão tratados de forma conjunta e objetiva por essa administração. E na segunda linha, de um modo geral, trataremos de combater a burocracia que é o maior entrave ao setor e acontece nas esferas municipais e estaduais, em processos de licenciamentos. Já na esfera nacional, trabalharemos com a Confederação Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que já prevê para o ano fiscal de 2011/2012 a escassez de recursos oriundos das poupanças. É nesse sentido que vamos agir.

>> E como combater essa burocracia?
NB:
O caminho eu acredito é o casamento entre o mercado imobiliário e o mercado de capitais, feito através de certificações e securitizações que ainda não foram utilizadas de maneira bastante ampla. E isso precisa ser feito em uma escala maior, como é caso de São Paulo, que tem um forte mercado de capitais atrelado ao de imóveis.  Para que desse modo, possamos atrair recursos da classe média.

>> E como ficam os programas de habitação?
NB:
Com a eleição da presidente Dilma Rousseff, que já sinalizou a continuidade dos Programas Habitacionais de Interesse Social (HIS), como o Programa Minha Casa Minha Vida 2 (PMCMV 2) e em obras e infraestrutura como o Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2), esperamos que não faltem recursos  do FGTS e de outros fundos.

>> Qual o objetivo da sua gestão?
NB:
Um dos principais objetivos dessa gestão será o de promover o treinamento e a qualificação da mão de obra e, desse modo, suprir a falta de profissionais nos canteiros de obra no estado. Não falta apenas mão de obra, mas sim mão de obra qualificada, especializada. Então promoveremos treinamentos e parcerias nos canteiros de obras.

>> Quais ações serão desenvolvidas?
NB:
Em nosso modelo de gestão participativa, os vice-presidentes das áreas trabalharão em uma postura pró-ativa para com os prestadores de serviços e associados. Promoveremos reuniões mensais, visitas técnicas, eventos e palestras de forma que tenhamos mais dinâmica e agilidade nessa gestão.

>> Como aumentar a produtividade da cadeia da construção?
NB:
As indústrias estão com a sua capacidade plena ou quase plena de produção. Hoje em dia a palavra-chave é planejamento de obras e ações. Os prestadores de serviços, as construtoras e os fornecedores de materiais precisam estar em sintonia em um mesmo cronograma. E isso precisa ser feito hoje para que em 2011 as obras no Paraná não parem. Pretendemos explorar mais as tecnologias disponíveis. Com o dólar mais controlado desenvolveremos novas tecnologias em maquinário e sistemas construtivos também. Vamos racionalizar para tornar os canteiros de obra mais limpos e sustentáveis.

>> Qual é a sua mensagem como presidente do Sinduscon-PR?
NB:
A mensagem que eu deixo às indústrias e aos empresários do setor da construção é de que não tenham medo de investir. E investir, principalmente, em qualificação de mão de obra, em materiais e tecnologias e nas próprias empresas. Pois, o horizonte para as indústrias da construção se mostra bastante positivo. Traremos uma gestão competitiva e bastante produtiva.
     

>> Entrevistado:
Normando Baú

>> Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
- Pós-graduado em educação financeira pela Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e de Administração Professor de Plácido e Silva (FCECAP).
- Presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-PR).
- Câmara Estadual da Indústria da Construção - PR (CEIC-PR)
- Presidente Sindicato da Indústria da Construção Civil - PR (Sinduscon-PR), Gestão 2011/2013.
>> Contato: normandoabau@bauconstrutora.com.br

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Concurso Habitação para Todos: Casas térreas

Projeto vencedor na categoria enfocou a felicidade, o bem-estar na qualidade de vida dos moradores

Por: Michel Mello
Blocos modulares rompem a monotonia dos antigos conjuntos habitacionais e trazem mais alegria e bem-estar às HIS

O Concurso Nacional de Projeto de Arquitetura de Novas Tipologias para Habitação de Interesse Social Sustentáveis (HIS Sustentáveis), premiou em primeiro lugar na categoria de Unidade Unifamiliar Térrea, ou simplesmente casas térreas, o projeto número 03 da equipe do escritório 24.7 Arquitetura, de Campinas (SP). O grupo é formado pelos arquitetos Giuliano Pelaio, Gustavo Tenca e Inacio Cardona, que conversaram com o Massa Cinzenta.

Para o arquiteto Gustavo dos Santos Corrêa Tenca, um dos idealizadores do projeto, “o maior desafio foi a busca por uma solução lógica e racional capaz de demonstrar que a qualidade de uma habitação não deve corresponder apenas ao padrão econômico de uma determinada classe social, mas sim, aos conhecimentos técnicos do seu momento histórico, rompendo um paradigma antigo e dominante de que as casas populares devem ser marcadas pela simplicidade de suas construções”.

Esse concurso é fruto de uma parceria entre o Instituto dos Arquitetos do Brasil, seção São Paulo (IAB-SP), e da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) e teve por objetivo fomentar a produção de projetos arquitetônicos em diferentes categorias habitacionais na esfera pública estadual.

Projeto

Detalhes da vista da fachada dupla da Unidade Unifamiliar Térrea a serem implantados em novos conjuntos habitacionais

Um dos diferenciais do conceito vencedor foi a concepção de um projeto bioclimático que, além de considerar a felicidade e o bem-estar dos futuros moradores, enfocou a qualidade de vida. Isto significa que, além de um bom sistema natural de ventilação dos edifícios, é necessária uma alta inércia térmica, ou seja, um pequeno efeito de estufa que ocorre no interior da residência através da radiação solar direta em áreas envidraçadas e de uma correta orientação para o norte.

O projeto se aproveita ao máximo dos recursos naturais, tais como o sol (para esquentar a casa), o vento (para refrescar e regularizar a alta umidade) e a água da chuva (para regar o jardim e descarga do banheiro).

Na parte externa foi utilizada uma pintura a base de cal virgem que permite a troca de calor através da própria alvenaria. Outro ponto importante é que foram utilizadas telhas termoacústicas do tipo sanduíche, aumentando o desempenho e o conforto para essas habitações.
 
O projeto consiste na idealização de uma casa compacta que possa dar mais liberdade aos seus moradores, inclusive, com espaços livres dentro de suas dependências sem deixar de lado a qualidade visual e volumétrica. A preocupação com a fachada, a identidade, a heterogeneidade e a descompactação do tradicional modelo da casa retangular foram pontos chaves na elaboração dessa proposta.

A modularidade imposta pelo sistema construtivo é visto como um fator muito positivo, já que se eliminam os resíduos sólidos da construção, otimizando o tempo de construção. De fato, o simples e tradicional método construtivo permite que os próprios usuários possam construir mais da metade da residência sem a mão de obra especializada.

Casa

A residência consiste em um conceito reduzido, que foi resolvido a partir de dois blocos estruturais lineares interligados por um terceiro bloco com funções distintas. Um módulo para os dormitórios e o banheiro, outro para a área de serviços (cozinha e lavanderia) e um terceiro - de ligação - que abriga a sala de refeições e a sala de estar.
 
Existem dois tamanhos de habitação. O primeiro, com dois quartos, foi pensado para abrigar quatro habitantes e tem 53,10 m² de área. E o outro, com três quartos, foi planejado para seis habitantes e possui área de 61, 65 m².

O concurso foi pensado para obras públicas executadas pela CDHU do estado de São Paulo. Um dos critérios estabelecidos é a taxação do metro quadrado. Para a categoria de casas térreas o valor do m² fica entre R$ 950,00 a R$ 1.150,00 Com isso os valores ficam:
a) 53,10 m² = R$ 56 mil no total; e
b) 61,65 m² = R$ 63 mil no total.

Os arquitetos Gustavo Tenca, Inacio Cardona e Giuliano Pelaio da equipe responsável pelo projeto: novos conceitos

Giuliano Pelaio, um dos arquitetos da equipe, garante que “o formato alongado e estreito visa garantir a iluminação e radiação direta total dos ambientes da casa, já que, de acordo com a inclinação do sol para a latitude das cidades do estado de São Paulo, o formato quadrado ou retangular de certas dimensões impossibilitaria o alcance da luz em toda a sua extensão. O mesmo terreno, com as mesmas dimensões, foi pensado para abrigar a casa de dois e três dormitórios, prevendo, assim, a expansão de mais um dormitório da menor habitação (53,10 m²), em caso de crescimento do número de integrantes da família”.

O conceito fundamental das residências parte de uma modulação simples de 0,90 m. Essa ideia surge a partir de um estudo sobre um denominador comum que pudesse atender tanto as necessidades da construção como as necessidades básicas de acessibilidade. As habitações foram construídas com blocos estruturais nos módulos de 0,90 m, o qual é usado quando se utilizam blocos estruturais de concreto da família 29 (29 x 14 cm). Além disso, a modulação de 0,90 m permite acessibilidade ao cadeirante, que pode realizar um deslocamento ideal no interior da residência.

Opinião dos moradores

Pelaio acrescenta: “Acreditamos que a qualidade dos espaços projetados influencia diretamente na qualidade de vida e bem-estar dos ocupantes e foi assim que procuramos trabalhar. Contamos com a opinião de moradores do atual sistema habitacional do CDHU e estivemos dispostos a ouvir e compreender a respeito das atuais carências, problemas, necessidades, preocupações e anseios, a fim de desenvolver um trabalho com a aprovação do usuário final”.

A equipe do projeto trabalhou em conjunto com a CDHU e aplicou questionários e entrevistas com moradores de outros conjuntos habitacionais do estado de São Paulo. Entre as várias questões colocadas pelos moradores estava a necessidade de segurança nas casas. “Uma demanda dos moradores é que o projeto fosse fechado com muros. Outro ponto curioso foi que muitos desses moradores apontaram a necessidade de ter uma lavanderia coberta para poderem lavar as roupas a noite”, destaca Tenca.

Layouts

Os moradores podem intervir e criar os mais diferentes tipos de layouts externos em suas residências de acordo com as necessidades de cada família. O mais importante é que, mesmo tendo a mesma concepção, cada casa pode ter uma identidade visual totalmente diferente. As fachadas podem ser facilmente modificadas, se alteradas as cores da caixa d’água e núcleo central e os elementos de fechamento frontal utilizados na frente da lavanderia. “Esses itens são suficientes para se conseguir diferenciar uma casa da outra, mudando o aspecto de que todas as casas são exatamente iguais”, afirma Gustavo Tenca.

Paradigmas e rompimentos

Inacio Cardona defende que, “o projeto também rompe como paradigma de que habitações de programas habitacionais precisam ser todas iguais de forma hegemônica. A ideia de rompimento da monotonia causada pela repetição em grande parte do atual sistema de habitação de interesse social no Brasil, nos fez pensar na possibilidade de diferentes identidades que as casas poderiam alcançar”.

É consenso entre os autores que “os atuais padrões de habitação popular são feitos de modo rápido e com má qualidade. Essas unidades habitacionais podem ter uma rápida construção, porém também podem ser sinônimo de baixa qualidade e baixo desempenho”, assegura Tenca.

Cardona acerta que, “os espaços podem ser iluminados naturalmente, com ventilação constante e pátios internos que procuram aumentar a qualidade de vida dos moradores. Desejamos que não exista a criação de guetos em periferias e sim a ocupação de vazios urbanos centrais, compactando as cidades”.

Pelaio defende “a minimização dos gastos com a manutenção das residências, por isso devemos escolher sempre materiais resistentes, de boa qualidade e de longa vida útil. E não pensar somente nos lucros oriundos da economia de materiais. Como é caso de muitos programas habitacionais que são feitos atualmente”.
Interessa? Confira a sequência dos projetos vencedores do Concurso Nacional de Projeto de Arquitetura de Novas Tipologias para Habitação de Interesse Social Sustentáveis (HIS Sustentáveis) nas próximas edições do Massa Cinzenta Itambé.

Deixe sua opinião sobre o projeto.

Veja também:
http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/concurso-habitacao-para-todos/

>> Entrevistados:

Gustavo Tenca
>> Currículo
- Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).
- Cursou a Escuela Técnica Superior de Arquitectura da Universidad de Sevilla, em Sevilha, Espanha.

Giuliano Pelaio
>> Currículo
- Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela PUC-Campinas.
- Pós-graduado em Sistemas Tecnológicos e Sustentabilidade Aplicados ao Ambiente Construído pela Universidade Federal de Minas Gerias (UFMG).
- Master em Arquitetura Sustentável na cidade de Valência, Espanha, pela Asociación Nacional para la Vivienda del Futuro (ANAVIF).

Inacio Cardona
>> Currículo

- Graduado em Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas.
- Cursou a School of Architecture da Oklahoma State University em Stillwater - OK, EUA.
>> Contato: 24.7arquitetura@gmail.com

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content

A maior Árvore de Natal interativa do mundo

Um dos ícones de São Paulo, a ponte Octávio Frias de Oliveira, a ponte estaiada, foi transformada em uma bela Árvore de Natal. Veja os detalhes na matéria

Os moradores de São Paulo já podem ver e admirar o presente de Natal que a prefeitura deu à cidade. Esse é o segundo ano consecutivo, que um dos maiores ícones de São Paulo, a ponte Octávio Frias de Oliveira, também conhecida como ponte estaiada, é transformada na maior Árvore de Natal interativa e iluminada do mundo, capaz de conectar a população ao verdadeiro espírito natalino e atrair turistas de todo o país.

A decoração pode ser vista por cerca de 8 mil motoristas a cada hora, isso porquê o número correspondente à capacidade de tráfego nas duas pistas da ponte, localizada na zona sul da capital paulista.

A Ponte Iluminada Telefônica vai mostrar durante todas as noites como está o “estado de espírito” da cidade através de cinco animações diferentes. A população pode escolher em que ritmo a capital está pulsando e qual sentimento geral através de uma votação no hotsite: www.telefonica.com.br/ponteiluminada.

 Além disso, os internautas poderão personalizar um cartão de Natal animado, customizado com a mensagem e as cores da ponte desejadas para enviar via web para quantas pessoas quiser.

Mais de 40 mil clusters de LED compõem a iluminação especial em forma de pinheiro gigante, com 138 m de altura e 70 m de largura. Parte dos clusters de LED foi instalada no centro e, este ano, também no topo da ponte, para a realização de sequenciais de luz sincronizados com os estais. Esta tecnologia traz uma intensidade luminosa muito superior a de lâmpadas normais, com um consumo de energia cerca de 90% menor, podendo ser vista a mais de 3 km de distância. Por meio de uma técnica que regula a intensidade das luzes, a árvore brilhará em diversas cores, formando imagens natalinas em movimento.

Fonte: Prefeitura da cidade de São Paulo – Secretaria de Turismo

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content

PELT 2020: Modal Ferroviário

Paraná precisa investir na malha viária para desenvolver a economia

Por: Michel Mello

As ferrovias se apresentam como um modelo rápido, eficaz e econômico para o transporte de diversos tipos de cargas. A falta de investimentos em infraestrutura, como centros de distribuição e logística e linhas ferroviárias, comprometem o crescimento da economia do estado. O Plano Estadual de Logística e Transportes (PELT 2020), desenha ações estratégicas em intervenções intermodais de desenvolvimento para o Paraná nos próximos dez anos. São eles: modal rodoviário e modal hidroviário (já tratados em edições anteriores do Massa Cinzenta), além do modal ferroviário e do modal aeroviário. Tratam-se de obras em infraestrutura e transportes necessárias ao fortalecimento da economia paranaense.

Essa lacuna, remonta a anos de descaso e falta de investimentos no estado. Reflete, também, a falta de políticas nacionais para o setor ferroviário. Ficam as questões: por que não investir em modelos mais econômicos de transporte de cargas, desenvolver setores estratégicos da economia no estado e ainda reduzir a pressão sobre as rodovias?

Pastori: Precisamos desenvolver o modal ferroviário a partir de centros de distribuição de cargas

Para o especialista em  ferrovias, Antonio Pastori, “a falta de investimento em ferrovias reflete a falta de vontade dentro das políticas nacionais de transporte. Mesmo que se fale em Ferrovias Leste – Oeste, Ferrovia Norte – Sul, Transnordestina e Trem-Bala Rio – São Paulo, esses projetos ainda não são suficientes para um país com as dimensões continentais, como é o Brasil”.

Pastori destaca ainda as vantagens das ferrovias:

• São economicamente viáveis, mais baratas em termos de construção e custos;
• São transportadas muito mais cargas com 1 l de óleo diesel;
• Tem maior segurança e menos risco de acidentes;
• É sustentável, pois  produz menos poluição;
• A capacidade de carga de uma locomotiva equivale a 300 caminhões.

“Com os recursos que serão investidos no Trem-Bala Rio – São Paulo, algo em torno de R$ 34 bilhões, poderíamos redimensionar e repontecializar todo o sistema ferroviário brasileiro. Além de melhorar todos os trens do país. E não apenas ligar Rio de Janeiro a São Paulo”, afirma o especialista.

Para Antonio Pastori: “Acredito que a escolha pelo modelo rodoviário de transporte seja fruto de um grande lobby que parte desse setor, mas a opção mais desenvolvimentista e que melhor se enquadra em nossas necessidades é ainda a opção por trens”.

Locomotivas 

Desenvolver o transporte ferroviário de cargas é uma das alternativas de desenvolvimento econômico do estado

O sistema ferroviário é composto por locomotivas movidas a óleo diesel, vagões de carga e malha ferroviária. No estado do Paraná, 25 % de toda a movimentação das cargas é feita através de ferrovias. Esse número representa o escoamento da safra do agronegócio até o Porto de Paranaguá, além do transporte de insumos e produtos da indústria paranaense. O Paraná está em melhor situação se comparado ao estado de São Paulo, onde apenas 10% do volume de cargas é transportado no modal ferroviário. No entanto, esse número ainda não é suficiente para atender a demanda do estado.

Ferrovias

Existem dois ramais ferroviários no Paraná, são eles: a estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste), com 248, 6 km de extensão entre as cidades de Cascavel e Guarapuava; e as linhas da América Latina Logistíca (ALL), no sentido norte – sul, e que liga o Paraná com São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.  Ambas possuem bitolas métricas.

A malha ferroviária brasileira tem 29,3 mil quilômetros, que são operados por 11 concessionárias. O que predomina são os transportes de minério de ferro, que responde por 66% do total das cargas, e de soja e farelo, com 10% do total.

A estrada de Ferro Paraná Oeste pertence a uma empresa de sociedade mista que está subordinada à Secretaria de Estado dos Transporte (SET-PR). No sentido leste, a ferrovia escoa principalmente grãos de soja, milho e trigo, farelos e contêineres com destino ao Porto de Paranaguá. Com direção ao interior do estado são transportados insumos agrícolas, adubos, fertilizantes, cimento e combustíveis.

A ALL opera uma concessão para o transporte das cargas na malha sul, que envolve os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além do trecho estadual da extinta Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), por um período de 30 anos de serviço. São aproximadamente 2.100 km de malha ferroviária sob a responsabilidade da ALL no estado.

O Paraná possui cerca de 2.350 km de ferrovias em operação. Para atender a atual demanda do estado, o PELT 2020 prevê a necessidade de mais 600 km em obras ferroviárias, isso sem contar o crescimento econômico esperado para os próximos anos.

PELT 2020

O Plano Estadual de Logística de Transporte, o PELT 2020, trata do desenvolvimento intermodal para o estado do Paraná. O Plano foi concebido pelo Conselho de Engenharia e Arquitetura do Estado do Paraná (Crea-PR), Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado do Paraná (Sicepot-PR), o Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) juntos com o Sistema da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), e propõe linhas de desenvolvimento para o estado durante os próximos 10 anos.

Intervenções necessárias

O PELT prevê intervenções necessárias e propostas para trechos ferroviários em diversos pontos do estado. As principais ações são:

• Contorno ferroviário de Curitiba – Construção de uma variante ferroviária o que desviaria o tráfego de trens da área urbana de Curitiba;
• Novo trecho Guarapuava - Paranaguá – Implantação de um traçado alternativo, passando pelas cidades de Irati e Lapa;
• Ligação Foz do Iguaçu - Cascavel – Construção de um novo trecho com 170 km de extensão;
• Trem de alta velocidade Curitiba – São Paulo.

Também são necessárias obras de unificação das bitolas em todo o país, além do fomento de trens de passageiros com linhas operando em nível nacional. Essa alternativa de transporte se apresenta como uma opção de turismo e desenvolvimento do setor ferroviário.

No Brasil, o modal ferroviário apresentou um crescimento de 20,63% entre os anos de 1996 e 2000. Esse número é ligeiramente maior ao crescimento da produção de transporte do país no mesmo período, que foi de 19,96%. Logo, se percebe um crescimento, ainda que pequeno, na participação relativa às ferrovias na matriz de transportes brasileira.

>> Entrevistado
Antonio Pastori
>> Currículo
- Mestre em Economia pela Universidade Cândido Mendes (UCAM).
- Contabilidade pela Pontifícia Universidade Católica de Petrópolis (PUC- Petrópolis).
- Economia pela UCAM.
- Membro do Movimento de Preservação Ferroviário (MPF).
- Analista de Projetos do Departamento de Transportes & Logística do BNDES.
 >> Contato: acdpastori@gmail.com

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content

Reutilização de materiais na construção

Oportunidades de reuso e reciclagem de materiais da construção podem se mostrar como soluções sustentáveis

Por: Michel Mello
Wilson: A reutilização de materiais é, na verdade, aproveitar resíduos de demolição, em novas edificações

A reutilização de materiais na construção civil trata de transformar os resíduos das obras, normalmente encarados como entulhos e caliça, em produtos comerciais que possam ser novamente utilizados. Com isso, criar oportunidades de reuso e reciclagem que se traduzam em sustentabilidade social e ambiental.

Quase todas as atividades desenvolvidas pelo setor da construção civil geram resíduos como caliça e entulhos. Isto se deve aos altos índices de perdas durante o processo construtivo e à falta de uma cultura de reutilização e reciclagem no país.

No Brasil, em média 50% de todo o material desperdiçado, o que representa por volta de 850 mil toneladas de entulho por mês, é depositado sem critério em lixões ou aterros sanitários. O Reino Unido produz cerca de 53 mil toneladas/ano e o Japão pode ser considerado uma referência em reaproveitamento, com apenas 6 mil toneladas/ano.

A prática de reuso e reciclagem pode ser encarada do ponto de vista da viabilidade econômica para revenda desses materiais. Outra destinação é servir de sub-base para pavimentos de vias de menor tráfego e em aterros sanitários para a conservação das estradas. Já existem iniciativas de usinas de reciclagem desses materiais nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

Resultados do reaproveitamento

As vantagens ambientais do reaproveitamento estão em reduzir as matérias-primas bases dos materiais de construção, abater a quantidade de lixo em aterros sanitários e diminuir o volume de detritos e resíduos da construção. Estas ações, com certeza, diminuirão a poluição das cidades.

Conceitos

• Reuso – significa reprocessar e reinstalar materiais sem remanufatura;
• Reciclagem – é a completa remanufaturação onde se produz outro elemento construtivo a partir de uma peça já existente; e
• Downcycling – é o reprocessamento completo de outro produto diferente da origem e que possui menor qualidade.

Problemas

Um dos problemas enfrentados quando se fala em reuso de materiais de construção reside no fato de que esses produtos não foram concebidos para serem desmontados. Considerando que desconstruir leva de duas a dez vezes mais tempo que demolir, isso reflete a falta de técnicas para essa prática no país. 

A demolição seletiva ainda não é praticada comercialmente no Brasil, isso significa que temos que incentivar a reciclagem de forma sustentável a partir de uma nova cultura de sustentabilidade, de mão de obra especializada e da armazenagem correta dos materiais.

Para o professor, Wilson Jesus da Cunha Silveira, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutor em engenharia de materiais, “a reutilização de materiais é, na verdade, aproveitar materiais de demolição em edificações novas. Isso pode dar um bom aspecto à construção”.  Confira a seguir entrevista completa com o especialista.

>> A resolução 307 do CONAMA vem de fato sendo cumprida?
Wilson Jesus da Cunha Silveira: As normas técnicas e resoluções de órgãos ambientais sempre sofrem certa resistência na sua aplicação por parte dos usuários bem como toda inovação. Normalmente, somente indústrias exportadoras as respeitam devido às exigências dos importadores, de acordo com as Normas ISO 9000 e ISO 14000. Empresas que não respeitam os códigos e normas não conseguem exportar.

>> Como transformar resíduos das obras em produtos comerciais?
Wilson: Essa produção pode ser feita com pequenas máquinas, principalmente as trituradoras que transformam o resíduo em pó. Depois é só misturar com um pouco de aglomerante, que transforma o material resultante em uma argamassa utilizada para diversos usos.

>> A que se deve os altos índices de perdas de materiais nas obras?
Wilson: Principalmente aos projetos, que não são concebidos de forma racionalizada, ou seja, para aproveitamento otimizado dos materiais. Essa utilização se faz nos projetos executivos, específicos para a obra, feitos depois da aprovação do desenho nos órgãos públicos. Os desenhos executivos sobrepõem os projetos de instalações, planos estruturais e plantas da edificação, com as vedações que podem ser alvenarias, painéis ou chapas. O que tem resolvido bastante a redução de desperdício em obras é a industrialização, que retira os serviços do canteiro, transferindo-os às indústrias e agregando qualidade pelo uso de mão de obra especializada.

>> É possível reutilizar materiais nos canteiros de obras e evitar a produção de caliça e entulhos?
Wilson:
O canteiro de obras reproduz os planejamentos de obra feitos nos projetos executivos. Hoje se pode empreitar esses serviços com material e mão de obra mais baratos que executados no canteiro.

>> Por que a técnica da desconstrução ainda não é utilizada no país?
Wilson: Desconstrução é um conceito de projeto e é usado por muitos profissionais. Somente agora os construtores, engenheiros e arquitetos estão se conscientizando da necessidade de uma formação complementada com mestrados e doutorados para aprofundar conhecimentos. Parece-me que o termo desconstrução está sendo usado de maneira equivocada. Reaproveitar é esquecer os conceitos antigos de simetria, proporção e elaborar um projeto sem preocupações de alinhamento, esquadro e prumo.

Entrevistado
Wilson Jesus da Cunha Silveira
>> Currículo
- Arquiteto Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
- Mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
- Doutorado em Engenharia de Produção pela UFSC.
>> Contato: wilson@arq.ufsc.br

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Concretagem da base do silo de clínquer da linha 3

Novo silo terá a capacidade de armazenamento de 56 mil toneladas de clínquer

Por: Michel Mello

A Concrebras realizou nos dias 12, 13 e 14 de novembro a maior concretagem da sua história. A obra foi a base do silo de clínquer da linha 3 de produção de cimento na fábrica da Cia. de Cimento Itambé, em Balsa Nova (PR). O diâmetro da base é de 44,50 m, com altura de 2 m, e o volume de concreto lançado foi de aproximadamente 3.200 m³, com 300 toneladas de aço.

Foram usadas duas centrais para ao fornecimento do concreto, uma na própria fábrica, no município de Balsa Nova; e outra na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). A logística contou com 17 caminhões betoneira.

Bressani: O sucesso desta concretagem se deve ao bom planejamento aliado à uma execução criteriosa

Paulo Bressani, coordenador da área civil da linha 3, afirma que, “o sucesso dessa grande concretagem – que é uma das maiores já feitas pelas empresas envolvidas – está associada ao bom planejamento e detalhamento de todas as atividades que foram feitas com bastante antecedência. Começamos a pensar essa obra com dois meses do prazo”.

A concretagem foi realizada a partir de três bombas lança que trabalharam, simultaneamente, sem parar, lançando o volume médio aproximado de 65 m³/h. A obra teve a participação de cerca de 200 funcionários, entre ajudantes, pedreiros, carpinteiros, eletricistas, mecânicos, motoristas, operadores, técnicos e engenheiros.

Volume

A base do silo de clínquer está apoiada sobre 232 estacas com 1 m de diâmetro por 19,5 m de profundidade, sendo que cada estaca pode suportar uma carga de 470 toneladas. “Ao final da concretagem, este silo da linha 3 terá a capacidade de armazenamento de 56 mil toneladas de clínquer e deve estar pronto para entrar em funcionamento no primeiro trimestre de 2012. Servirá aos fornos das linhas 2 e 3, ainda com a possibilidade de atender uma nova linha 4”, conclui Bressani.

Logística

Fator importante na logística desta concretagem foi a não utilização de gelo, que normalmente é usado em grandes massas de concreto, permitindo assim agilidade no processo de mistura e de lançamento.

Planejamento

A preocupação com os detalhes técnicos dessa concretagem evidencia e destaca o planejamento antecipado. Foram dois meses programando o evento que contou com equipamentos de terraplenagem para manutenção das vias de concretagem, equipamentos de levantamento de cargas, geradores de energia no caso de corte de fornecimento de eletricidade e algumas tendas para proteger os trabalhadores no caso de chuva.

As empresas Bianco e Unidec, ambas do setor de tecnologia, prestaram auxílio em controle tecnológico, estudos técnicos, confirmação dos traços e corpo de provas, além da equipe de técnicos da Concrebras e da Itambé que estiveram presentes. A Serpal Engenharia e Construtora foi a empreiteira contratada para o serviço.

Concrebras

Jorge L. Christófolli

Para Jorge Christófolligerente de desenvolvimento técnico da Cia. de Cimento Itambé - Divisão Concreto – Concrebras, “a principal preocupação foi a temperatura gerada na hidratação do cimento, que não poderia ultrapassar o limite de 64°C. Como a estrutura, um bloco dodecaedro com 44,50 m de diâmetro e altura de 2 m, tinha de ser concretado sem juntas frias, a obra teve de ser executada continuamente”, ressalta Christófolli.

Para o gerente: “Uma das dificuldades foi estabelecer a espessura das camadas e a distribuição das bombas de lançamento para que não fosse lançado concreto fresco sobre um concreto já endurecido.  Outro ponto importante foi a formulação do concreto, que tinha de ser concebida visando a menor geração de calor possível”.

Christófolli ressalta que, “essa condição foi atingida com o uso de cimento tipo CP IV-32 POZ – com baixo calor de hidratação –, de adição mineral de sílica ativa, aditivos superplastificantes e plastificante polifuncional”.

Tempo de concretagem

Concretagem do dodecaedro da base do silo do clínquer da Linha 3

O tempo de concretagem foi de 49 horas, sendo lançados 65 m³/hora. A temperatura de lançamento do concreto ficou na ordem de 23°C devido à baixa temperatura ambiente entre 10°C, durante a noite; e 26°C durante o dia. Devido à estocagem prévia de cerca de mil toneladas de cimento CP IV- 32 nos silos da Itambé, esse material já se encontrava presente no local da obra.

O monitoramento das temperaturas no interior do bloco foi feita com o uso de 10 termopares posicionados em pontos estratégicos e com leituras a cada 10 minutos.  O pico térmico ocorreu 72 horas após a concretagem no ponto central do bloco à uma altura de 1,30 m, registrando o valor de 56,5°C.

Números da concretagem

Concreto: 3.200 m³ do concreto fck 30 MPa, a partir de três bombas de concreto e duas centrais dosadoras
Cimento: tipo CP IV-32 POZ
Brita: 2.600 m³
Areia: 2.400 m³
Viagens: 398 viagens de caminhão betoneira com 8 m³
Caminhões: 20 caminhões betoneira
Funcionários: 200 envolvidos em dois turnos contínuos

Entrevistados:

Jorge L. Christófolli
Currículo
- Engenheiro civil pela Faculdade de Engenharia de São Paulo (FESP - SP).
- Pós-graduado em patologia das construções pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
- Mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
- Gerente de Desenvolvimento Técnico da Cia. de Cimento Itambé – Divisão Concreto – Concrebras.
Contato: jorge@concrebras.com.br

Paulo Bressani
Currículo
- Graduado em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
- Coordenador da área civil da linha 3.
Contato: paulo.bressani@cimentoitambe.com.br

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content