Grande oferta de imóveis muda comportamento do investidor
Modalidades como o aluguel residencial já não são mais atrativas. Em compensação, fundos imobiliários despertam cada vez mais o interesse do mercado
Por: Altair Santos
Tornar-se investidor em imóvel no Brasil requer cuidados. Não que seja um negócio de risco. Pelo contrário. No entanto, é preciso respeitar o que os especialistas em mercado imobiliário chamam de “inércia” deste tipo de investimento. A reação do dinheiro aplicado em imóveis não é igual à obtida quando se recorre a outros mercados, como ações e fundos de renda fixa, por exemplo. “A inércia é maior”, explica o economista Luiz Paulo Pompéia, diretor da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio).

Significa que se trata de um investimento de longo prazo. Imediatistas não devem recorrer aos imóveis, principalmente se a intenção é obter lucros com aluguéis. Apesar da rentabilidade do setor ter disparado na década passada, o investidor que tirou dinheiro do banco para apostar em aluguel teve mais decepções que alegrias. Em alguns casos, o retorno foi inferior ao da poupança ou perdeu para a inflação. O que explica isso é a grande oferta de imóveis, que passou a concorrer com o próprio investidor. “Isso ocorre especialmente em locais aonde determinadas demandas têm sido reduzidas com investimentos habitacionais”, diz Luiz Pompeia.
Enquanto no ano passado a compra de imóveis na planta chegou a valorizar mais de 50% em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, o aluguel, que segue regras mais rígidas de reajuste e normalmente acompanha o IGP-M, teve aumento de 11,32% em 2010 – perdeu para os fundos de renda fixa. “A compra de imóveis para locação deve considerar especialmente os segmentos não residenciais (escritórios, centros comerciais planejados, lojas, flats e condomínios de logística ou industrial). Via de regra, eles têm retorno mais rápido”, ensina o diretor da Embraesp.
Outro setor de interesse, para aqueles que podem aguardar de 5 a 10 anos, é o de terrenos. Mais precisamente grandes glebas, nos limites das cidades ou de regiões metropolitanas. São áreas que têm trazido expressivas valorizações, às vezes bem mais significativos que outros segmentos imobiliários. Investidores também têm escolhido a modalidade de fundos imobiliários, que oferecem risco menor por envolver um sistema de compra de cotas e capital menor se comparado à compra direta de um imóvel. “Os fundos escolhem produtos bem planejados, com boa localização e demanda garantida”, avalia Luiz Pompéia.
Casa própria
A Embraesp detecta que o investimento em imóveis ainda é um privilégio da minoria dos brasileiros. Dados apurados pela empresa mostram que quase 90% dos que aplicam dinheiro no mercado imobiliário o fazem para adquirir a casa própria. Por isso, o diretor analisa que o Brasil não corre nenhum risco imediato de sofrer com bolhas imobiliárias, como a que atingiu os Estados Unidos e países da Europa em 2008. “O mercado imobiliário no Brasil tem um cenário muito diferente. A grande maioria da população compra apenas um imóvel em toda sua vida”, aposta Pompéia.
Deste modo, o economista lista cuidados para fazer uma boa compra da casa própria:
1- Localização.
2- Tamanho da família.
3- Mobilidade urbana (vias de acesso e transporte público).
4- Infraestrutura do bairro (escolas, núcleos comerciais e de prestação de serviços).
5- Valor do imóvel compatível com a renda.
6- Condições de pagamento.
7- Custo do condomínio.
8- Tamanho da unidade.
Entrevistado
Luiz Paulo Pompéia, diretor da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio)
Currículo
Consultor imobiliário e um dos fundadores da Embraesp, criada em 1973.
Contato: lpp@embraesp.com.br / embraesp@embraesp.com.br
Crédito Foto: Divulgação/Embraesp
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Crescimento da construção civil carece de cuidados com qualidade das obras
Pujança do setor deve vir acompanhada de melhor qualificação profissional, adoção de sistemas construtivos inovadores e confiáveis e boa gestão nos canteiros
Por: Altair Santos
No 1.º semestre de 2011, o setor da construção civil foi o segundo que mais gerou empregos formais no país. Foram abertos 186.224 novos postos de trabalho, perdendo apenas para a agricultura, que absorveu 235.381 trabalhadores no mesmo período. São números que deixam explícito o quanto se mantém aquecido o mercado no Brasil, e revelam que há sinais de que o segmento caminha para um crescimento sustentável. No entanto, existem gargalos a serem superados, como bem lembrou o recente editorial da revista Téchne, da Editora PINI, que, ao analisar as consequências do crescimento da construção civil, expôs os entraves que ameaçam a consolidação desses avanços.

A Téchne cita, por exemplo, a evasão de engenheiros para o mercado financeiro entre as décadas de 1980 e 2000. “Tal fenômeno criou uma lacuna de profissionais atuantes que, após a retomada dos negócios, começou a ser fortemente notada. Onde estão, afinal, os engenheiros civis, com boa experiência profissional, que possuem entre 30 e 45 anos de idade? Poucos são vistos nos canteiros de obras”, questiona a revista, que se atém, sobretudo, à qualidade da mão de obra que hoje atua nas construções pelo país afora. Segundo o artigo, essa falta de qualificação tem gerado “aparecimento precoce de patologias, crescimento do número de acidentes de trabalho, atraso no cronograma das obras e queda da qualidade do produto final”.
Especialistas e profissionais ligados às entidades de classe da construção civil concordam com o alerta dado pela revista. No entanto, se mostram confiantes de que o Brasil conseguirá superar esses gargalos, principalmente porque já há empenho dos organismos do setor para que isso ocorra. “Os gargalos viraram desafios. Para superá-los, as construtoras precisam investir em tecnologia e formação de profissionais para aumentar o número de unidades e obras realizadas com o mesmo custo. Se não tivermos um salto importante na produtividade, vai ser difícil mantermos os mesmos patamares de crescimento experimentados nos anos anteriores”, diz Eduardo Zaidan, diretor de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).
“Jeitinho brasileiro”
Já a presidente do IBAPE-PR (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná) Vera Lúcia de Campos Corrêa Shebalj, avalia que os problemas apontados pelo editorial da Téchne têm um pouco a ver com o chamado “jeitinho brasileiro”. “O Brasil é um dos países com as melhores normas específicas na área da construção civil. Talvez só a Alemanha tenha regras tão rigorosas. Então, o problema nosso não é a lei nem o desconhecimento, mas talvez o descaso. É o problema do jeitinho brasileiro, de querer levar vantagem em tudo. Aliado a isso tem a mão de obra com pouca qualificação. Recordo que, quando me formei, e isso faz 33 anos, havia mestres de obras que eram verdadeiras sumidades. Hoje não existe mais esse profissional no mercado”, ressalta.
Para o presidente da ANAMACO (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) Cláudio Elias Conz, o momento é de se pensar no consumidor. “A sustentabilidade precisa sair do discurso. Para isso, a cadeia produtiva da construção civil tem que pensar mais no produto e no consumidor”, avalia. A opinião é compartilhada pelo presidente da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) Melvyn Fox, para quem o desafio é suprir a demanda sem deixar cair a qualidade. Segundo ele, isso passa pela melhoria da mão de obra. “O profissional tem que enxergar a construção civil como uma carreira. Por isso, incentivamos a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) a produzir normas que qualifiquem melhor o armador, o eletricista, o pintor, o pedreiro, o assentador cerâmico, entre outros, para que eles tenham definido quais são os saberes, os conhecimentos e as práticas necessárias para poder exercer a profissão”, analisa.

Mais professores
De acordo com Renato José Giusti, presidente da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) as universidades têm papel relevante para ajudar a qualificar a construção civil, principalmente na formação de professores. “Eu pergunto: temos professores suficientemente capacitados nas escolas de engenharia civil? Antes de pensar em sistemas construtivos maravilhosos, precisamos ter quem ensine, por exemplo, a aplicação dos produtos cimentícios. Uma obra só é bem acabada se os produtos cimentícios foram bem empregados. É isso que é preciso ensinar”, diz.
Mas há quem enxergue que os problemas não estão apenas relacionados à qualificação da mão de obra ou à qualidade dos produtos empregados. A essência destes entraves talvez esteja nos projetos. "Tudo é resultado da antiga mania de querer fazer uma obra sem elaborar projetos de qualidade. Esse é o X do problema", avalia o presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), Luciano Amadio Filho. O diretor da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Newton Azevedo, reforça que esse é um problema principalmente em empreendimentos públicos. "Com projetos ruins, o processo licitatório na maioria dos casos não vai para frente ou é embargado por decisões judiciais”, relata.

Por isso, o vice-presidente da Ademi (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário) Paulo Henrique Fabbriani entende que a indústria da construção civil precisa de reordenamento, no sentido de que não pode eliminar etapas para chegar ao objetivo final. “Temos que começar pelo princípio, entendendo que a indústria está distribuída por processos, projeto, planejamento, engenharia e produção. Essas etapas estão intimamente ligadas e são sequenciais. Melhorar processos, qualificando cada etapa trará como resultado a produção qualificada de nossos produtos. Mas a mudança acontece sempre pelo início: o projeto”, reforça.
Fique atento
Preocupada com a qualidade da construção civil brasileira, a 83ª edição do Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), que acontece na segunda semana de agosto de 2011, em São Paulo, vai debater temas relacionados ao assunto. Entre eles:
- Programas de Construção Sustentável (PCS)
- Programas de Inovação Tecnológica (PIT)
- Programa Minha Casa, Minha Vida
- Avanço dos financiamentos imobiliários
- Contexto atual e a perspectivas das obras públicas e de infraestrutura
- Esforços da indústria para a capacitação de mão de obra
- Ações de responsabilidade social
- Importância das normas de segurança
Entrevistados
- Eduardo Zaidan, diretor de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP)
- Vera Lúcia de Campos Corrêa Shebalj, presidente do IBAPE-PR (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná)
- Cláudio Elias Conz, presidente da ANAMACO (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção)
- Melvyn Fox, presidente da ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção)
- Renato José Giusti, presidente da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
- Luciano Amadio Filho, presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop)
- Newton Azevedo, diretor da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib)
- Paulo Henrique Fabbriani, vice-presidente da Ademi (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário)
Créditos Fotos: Divulgação/ABCP/Ademi/SMCS/
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Alunos qualificados impulsionam curso de engenharia civil da UnB
Criada em 1969, graduação ocupa terceiro lugar no ranking do INEP e é referência para estudantes das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste do país
Por: Altair Santos
O curso de graduação de engenharia civil da Universidade de Brasília (UnB) desponta como o terceiro melhor do país, de acordo com o ranking do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) com base no desempenho do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Segundo o diretor do departamento, Sérgio Kóide, o que fez o curso obter essa posição foi o maior interesse dos estudantes pela engenharia. Ele explica que a demanda pela profissão atrai, desde 2008, alunos de melhor qualidade para o vestibular. “Além de a procura ser maior, a seleção também melhorou, porque a nota de corte aumentou. Então, a gente recruta alunos cada vez mais qualificados. Com material bom, formamos bons profissionais”, diz.

Criado em 1969, a engenharia civil da UnB tem, atualmente, além da graduação, cursos de pós-graduação consolidados no meio acadêmico. Na avaliação do professor Sérgio Kóide, isso permite que os estudantes aprimorem o conhecimento. “A oferta de pós-graduação leva o aluno a ser estimulado a pensar em termos de pesquisa, ou seja, pensar um pouco mais à frente”, diz o diretor do departamento de Engenharia Civil e Ambiental (ENC) da Universidade de Brasília, que conta com 430 alunos matriculados no curso de graduação. Referência na região centro-oeste do país, e com influência em estados como Minas Gerais e Bahia, a UnB atrai principalmente estudantes do oeste e sul de Minas, região de Goiás e Tocantins.
O aquecimento do mercado para engenheiros civis está levando a UnB a rever o currículo da graduação. Uma das disciplinas que deve ser implantada em breve no curso é o do estágio orientado. A ideia é que o aluno, ao começar a ser absorvido pelo mercado de trabalho, seja assistido pelos professores. “Esta é uma discussão que estamos tendo agora e faz parte do bojo de uma melhoria do curso. Temos um grupo de professores dentro do departamento que está constantemente repensando a graduação. Em 2010, decidimos criar o curso de engenharia ambiental vinculado com a engenharia civil, pois entendemos que há uma interface muito grande entre eles”, revela Sérgio Kóide.
O aprimoramento do curso leva o departamento a expandir fisicamente. Até 2015, haverá a construção de três novas áreas no setor. Uma de 800 m², para abrigar novas salas de aula para as graduações de engenharia civil e engenharia ambiental; outra de 1.000 m², para a expansão dos laboratórios de graduação e salas dos professores, e mais uma área de 2.500 m² para laboratórios de pesquisa. Com o financiamento de organismos como CNPQ, Capes e fundações de apoio, o departamento de engenharia civil da UnB desenvolve atualmente 30 modelos de pesquisa, entre eles estudos voltados ao concreto. “Nesta área, temos uma linha de pesquisa forte na pós-graduação”, comenta o diretor do departamento.
O curso de graduação de engenharia civil é hoje o terceiro mais procurado e o segundo com a maior nota de corte da UnB. “Isso tudo é reflexo do mercado”, avalia Sérgio Kóide. Em função de programas como PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e Minha Casa, Minha Vida, o espectro de oportunidades para engenheiros civis em Brasília ampliou consideravelmente. Aumentaram, sobretudo, as vagas nos órgãos públicos da capital federal, assim como surgiram consultorias e empresas de construção civil disputando os profissionais que saem da Universidade de Brasília.
Ranking dos 10 melhores cursos de engenharia civil, segundo o INEP
1 - PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO - PUC-RIO - 4,59
2 - INSTITUTO MILITAR DE ENGENHARIA (Rio de Janeiro) - IME - 4,43
3 - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA - UNB - 4,22
4 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS - UFSCAR - 4,10
5 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA - UFSC - 4,02
6 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS - 3,90
7 - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ - UEM - 3,89
8 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ - 3,89
9 - UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL - 3,87
10 - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO- UNESP - 3,83
Entrevistado
Sérgio Kóide, diretor do departamento de Engenharia Civil e Ambiental (ENC) da Universidade de Brasília
Currículo
Graduado em engenharia civil pela Universidade de Brasília (1975)
Tem especialização em engenharia de terminais e oleodutos pela Petrobras (1976)
Mestrado em engenharia civil (recursos hídricos) pela COPPE-UFRJ (1984)
Ph.D (recursos hídricos) pelo Imperial College - Universidade de Londres(1990)
Atualmente é professor Associado da Universidade de Brasília
Contato: skoide@unb.br / enc@unb.br / http://www.unb.br/ft/enc/
Crédito Foto: Divulgação/UnB
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Custo dos terrenos muda foco de empreendimentos imobiliários
Regiões metropolitanas das capitais e cidades do interior se tornam mais atraentes para construtoras e incorporadoras, desde que ofereçam infraestrutura
Por: Altair Santos
Interior e regiões metropolitanas tendem a atrair mais investimentos imobiliários do que as grandes cidades. Entre as principais razões estão o custo dos terrenos e também o tamanho das áreas disponíveis. O comportamento do consumidor e a melhoria da infraestrutura das cidades no entorno das metrópoles é outro motivo que influencia esta mudança. Na cidade de São Paulo, por exemplo, onde não há mais metro quadrado por menos de R$ 3 mil, a saída encontrada pelo mercado imobiliário foi prospectar áreas em municípios até 100 quilômetros distante da capital paulista.

Com isso, cidades como Jundiaí, São José dos Campos e Santos convivem com altos índices de lançamentos de imóveis. Quase todos são comprados por pessoas que trabalham em São Paulo, mas que, por questões de custos e também de qualidade de vida, decidiram fixar residência no entorno da metrópole. Em Jundiaí, que fica a 60 quilômetros da capital paulista, segundo levantamento da Ademi-SP, 30% dos imóveis lançados na cidade são comprados por paulistanos. Neste caso, os empreendimentos chegam a custar até 50% mais barato do que se fossem adquiridos em São Paulo.
Em outras capitais, que ainda não estão com as áreas totalmente saturadas, a aposta de construtoras e incorporadoras está em bairros mais periféricos. Em Curitiba, onde nos primeiros cinco meses de 2011 a emissão de alvarás para novas construções subiu 21% em relação a 2010 (10.680 contra 8.814) a região mais contemplada é a que engloba os bairros Pinheirinho, Capão Raso e Portão. “Nestes locais, os apartamentos ainda têm valores mais baixos, mas lançamentos de unidades mais caras vão começar a acontecer”, garante Gustavo Selig, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR).

Nas regiões mais valorizadas da capital paranaense, e onde já há saturação na oferta de áreas para construções novas, o preço dometro quadrado é um dos mais caros do país e ultrapassa os R$ 4 mil. Essa supervalorização é sentida também em outras cidades do Paraná. Como Londrina, onde, ao contrário de Curitiba, tem oferta grande de terrenos, mas também com preços elevados. “Aqui em Londrina não tem escassez de áreas, mas elas sofreram uma majoração bastante grande de preço”, explica Nestor Dias Correia, vice-presidente da regional norte do Secovi-PR (Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná) citando que áreas que antes valiam de R$ 500,00 a R$ 600,00 hoje são negociadas de R$ 1.000,00 a R$ 1.100,00 o metro quadrado.
Tendência nacional
A escassez de terrenos para construir parece ser mesmo uma marca dos grandes centros do país, e que ainda não atingiu o interior dos Estados. Em Porto Alegre, por exemplo, a situação não é diferente da de São Paulo e de Curitiba. “Para empreendimentos verticais ainda se encontram terrenos. Caros, mas se encontra. Porém, para condomínios horizontais, até na região metropolitana de Porto Alegre está difícil”, explica Gilberto Cabeda, vice- presidente de comercialização de imóveis do Secovi-RS.

No Rio de Janeiro, o cenário é semelhante. De 2006 para cá, a Barra da Tijuca perdeu a dianteira do mercado de construção de moradias no Rio. Dados da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio (Ademi-RJ) mostram que, no período de 2006 a 2010, o bairro foi ultrapassado por Jacarepaguá, que no acumulado lançou 1.665 habitações a mais: foram 14.768 unidades, contra 13.113 da Barra. Na avaliação de especialistas, os números mostram que o vetor de construção imobiliária na capital fluminense tende a se modificar nos próximos anos.
Para o presidente da Ademi-RJ, José Conde Caldas, a Barra terá menos empreendimentos

imobiliários, devido à escassez de terrenos e aos problemas no trânsito. Por outro lado, a oferta de crédito deve continuar a incentivar a construção em regiões populares dos arredores, como Campo Grande. “A cidade está se realocando. Há cinco anos, 70% dos lançamentos eram feitos na Barra e no Recreio. Hoje, este índice caiu para menos da metade. Os gargalos do trânsito têm sido um entrave. Há ainda ações de governo, como a pacificação dos morros e as alterações dos Planos de Estruturação Urbana (PEUs), que modificaram gabaritos e criaram oportunidades na Tijuca e em Vargem Grande, São Cristovão e Campo Grande”, diz Conde, apontando para uma tendência nacional: a de que regiões metropolitanas das capitais e cidades do interior irão se tornam mais atraentes para construtoras e incorporadoras, desde que ofereçam infraestrutura.

Entrevistados
- Nestor Dias Correia, vice-presidente da regional norte do Secovi-PR
- Gilberto Cabeda, vice-presidente de Comercialização de Imóveis do Secovi-RS
- José Conde Caldas, presidente da Ademi-RJ
- Gustavo Selig, presidente da Ademi-PR
Currículos
- Nestor Dias Correia é administrador de empresas, consultor imobiliário, professor universitário e empresário a 30 anos do mercado imobiliário de Londrina
- Gilberto Cabeda é advogado, corretor de imóveis e empresário. Diretor da CIM Consultoria Imobiliária e presidente da Rede Gaúcha de Imóveis
- José Conde Caldas é arquiteto e urbanista e atua no ramo da indústria da construção civil há mais de 20 anos, com mais de 100 empreendimentos erguidos no estado do Rio de Janeiro
- Gustavo Selig é engenheiro civil graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Mestre em Administração de Empresas e Negócios pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-PR), Selig é também diretor-presidente da Hestia Construções e Empreendimentos
Contatos: paulacostab@yahoo.com.br (assessoria de imprensa da seção norte do secovi-PR) /
joni.imprensa@gmail.com (assessoria de imprensa do Secovi-RS) / atendimento@ademi.org.br (assessoria de imprensa da Ademi-RJ) / contato@memilia.com (assessoria de imprensa da Ademi-PR)
Créditos Fotos: Divulgação / Secovi-PR/ Secovi-RS / Ademi-PR / César Brustolin / SMCS
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
UFPR tem centro de excelência para projetos de infraestrutura
Universidade abriga o Instituto Tecnológico de Transporte e Infraestrutura (ITTI) que é referência para estudos que viabilizam construções de estradas, pontes, hidrovias e portos
Por: Altair Santos
Dentro da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, funciona atualmente um dos mais importantes centros de estudo e viabilização de projetos na área de infraestrutura do Brasil. Trata-se do ITTI (Instituto Tecnológico de Transporte e Infraestrutura) que foi criado em 2009 e tornou-se em pouco tempo referência para organismos como DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) e Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente). “Um dos nossos objetivos é dar agilidade aos processos para a execução das obras. Fazemos consultorias específicas, usando o conhecimento dos professores da universidade”, explica o coordenador do ITTI, Eduardo Ratton.

Uma peculiaridade do instituto é que ele pode requisitar o conhecimento de qualquer setor da UFPR. “Não são apenas os professores da área de engenharia da universidade que prestam serviço. Os estudos são multidisciplinares e exigem uma série de profissionais. Por exemplo, o porto de Manaus recentemente nos solicitou uma análise de contratos de concessão. Neste caso, foram convocados professores do departamento de contabilidade da universidade”, revela o coordenador do ITTI. “Para cada solicitação, montamos um grupo de trabalho”, completa.
O ITTI não se envolve em execução de obras, mas pode determinar qual sistema construtivo é o mais adequado para o projeto. Isso é normal quando o instituto é acionado para realizar estudos sobre rodovias. “Em nossas análises de viabilidade técnica, econômica e ambiental contamos com um software que aponta, por exemplo, qual o pavimento mais adequado para determinado tipo de estrada. Ele considera o tráfego que aquela rodovia vai receber, o desgaste que isso vai gerar e recomenda se o ideal para aquele trecho é receber pavimento asfáltico ou de concreto. São vários parâmetros que entram nesta análise, e que permitem ao DNIT optar pela melhor solução”, revela Ratton.
Pelos projetos que abraça, o ITTI agrega não só inovação à UFPR, mas cria um orçamento extra para a universidade, gerando recursos para o investimento em equipamentos e pesquisa. “Estamos constantemente comprando máquinas, comprando computadores, comprando uma série de instrumentos auxiliares, que permitem que esta prestação de serviços seja realizada. E estes equipamentos depois ficam todos na universidade”, diz o coordenador do instituto. Segundo Eduardo Ratton, perto de 30% dos valores recebidos pelo ITTI é investido em equipamentos.
O instituto tem três programas: G Pontes, G Rodovias e G Hidrovias. São estudos de gestão ambiental - mais conhecidos como EIA (Estudo de Impacto Ambiental) - para obras já realizadas ou que estão em andamento. Entre elas, uma ponte de 1.400 metros sobre o rio Paraná, na BR-262, que vai ligar as cidades de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, e Castilho, em São Paulo. “Mais um exemplo: fizemos uma avaliação para a BR-285, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que está para ter sua construção anunciada”, diz o coordenador do ITTI.
Outra avaliação do instituto abrange a construção de uma hidrovia no rio Paraguai, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. “Fizemos uma modelagem hidrodinâmica e morfológica para verificar que consequências a dragagem do rio trará para o meio ambiente da região”, finaliza Eduardo Ratton. Desde que foi criado, o ITTI já analisou projetos para obras em dez estados do Brasil.
Entrevistado
Eduardo Ratton, coordenador do ITTI (Instituto Tecnológico de Transporte e Infraestrutura) da UFPR
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela UFPR
- Possui mestrado em Geotecnia, pela Universidade Livre de Bruxelas (Faculdade de Ciências Aplicadas)
- Tem doutorado em Ciências Aplicadas, na área de Planejamento e Transportes da Universidade livre de Bruxelas (Faculdade de Ciências Aplicadas)
- Conta com pós-doutorado em Ciências da Terra pela Universidade de Bonn (Alemanha)
Professor titular do departamento de transporte da UFPR
Contato: eduardo@ambientec.brtdata.com.br
Crédito Foto: Divulgação/UFPR
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Theatro Municipal de São Paulo vira modelo de restauração
Arquitetos e engenheiros se uniram para recuperar construção original de um dos mais importantes patrimônios históricos do Brasil
Por: Altair Santos
Dia 12 de setembro de 2011, o Theatro Municipal de São Paulo festeja 100 anos de construção. Para celebrar o centenário, o patrimônio da capital paulista passou por uma nova intervenção arquitetônica. As obras começaram em 2008 e a reabertura ocorreu em junho de 2011. Inspirado na Ópera de Paris, e concebido pelos arquitetos Ramos de Azevedo e os italianos Cláudio e Domiziano Rossi, desta vez o teatro esteve sob os cuidados de duas arquitetas: Lilian Jaha e Rafaela Bernardes, do departamento de patrimônio histórico da Secretaria Municipal da Cultura - vinculada à prefeitura de São Paulo.

Essa é a terceira vez que o Theatro Municipal passa por reformas. A primeira, em 1951, teve no comando o arquiteto Tito Raucht. Foi a que mais interveio nos espaços do teatro. Ocorreram modificações na sala de espetáculos, como o tratamento acústico, a retirada dos pilaretes de sustentação dos balcões e a mudança na disposição das poltronas, para eliminar os “pontos surdos” e “pontos cegos” da plateia. Para aumentar a boca de cena, foram eliminados os "camarotes de boca”, que deram lugar aos tubos do órgão Tamburini. Além disso, a área do teatro localizada do lado da Rua 24 de Maio, no centro de São Paulo, que continha os camarins dos artistas e dos figurantes, teve seu miolo completamente demolido, dando lugar a um novo edifício, ficando este setor com sete pavimentos, servido por dois elevadores.
A segunda obra ocorreu entre 1986 e 1991, já sob os cuidados do departamento de patrimônio histórico. Os serviços incluíram, além da modernização, a recuperação da infraestrutura do teatro. Assim, toda a instalação elétrica e hidráulica foi trocada. As fachadas, a ala nobre e a sala de espetáculos também passaram por restauração. Na época, no salão nobre, meticuloso trabalho de escoramento foi feito para salvar a pintura de Oscar Pereira da Silva, que ameaçava desabar do teto. O subsolo foi completamente escavado, criando-se o salão dos Arcos. Além disso, a cúpula foi remodelada para ser utilizada como sala de ensaios. Essa foi a reforma que mais precisou de intervenções na construção do prédio. “Devido ao estado precário de conservação do forro do salão nobre, foram substituídas algumas estruturas de estuque (um tipo de argamassa) por concreto. Houve também a escavação para criar o salão dos Arcos”, relatam as arquitetas Lilian Jaha e Rafaela Bernardes.
Já a mais recente intervenção na arquitetura do Theatro Municipal de São Paulo permitiu o restauro completo das fachadas e da ala nobre do edifício. Também foi realizada a modernização tecnológica do palco. Foram recuperados os elementos de pedra, as esculturas de bronze, as esquadrias de madeira e ferro, a cobertura de cobre e os vitrais. No caso do palco, todos os equipamentos de cenotecnia foram substituídos. Houve ainda um acréscimo do número de varas cênicas e da capacidade de elevação de carga das mesmas. O fosso da orquestra recebeu novo tratamento acústico e nova concha foi concebida para melhorar a sonoridade da sala. “Em virtude do aumento do número de varas e da capacidade de cargas, foi necessária a implantação de um reforço estrutural, na cobertura do palco, composto por treliças metálicas. Atualmente, as varas cênicas, que antes aguentavam 180 quilos, agora suportam 780 quilos”, revelam as arquitetas.
Desafio
A recuperação da fachada principal, em arenito, foi a que mais exigiu da equipe do departamento de patrimônio histórico. “O arenito é muito poroso e absorve muita água, o que causa degradação. Ela se inicia no interior para, então, atingir a superfície. Nas áreas em que essa degradação era extensa, foram colocadas próteses do mesmo material. Nas menores, foram realizadas obturações com material que utilizava pó do arenito e resina. A limpeza foi feita com jateamento de microesferas de vidro”, explicam Lilian Jaha e Rafaela Bernardes, que lideraram uma equipe de 60 profissionais. Segundo elas, como o Brasil tem um trabalho recente em recuperação de patrimônio, a mão de obra especializada para esse tipo de intervenção ainda é rara.
Dos profissionais envolvidos na obra estiveram engenheiros com várias especialidades, entre eles das áreas de mecânica, elétrica e civil. A reforma contou também com a participação de engenheiros químicos, que realizaram diagnósticos dos materiais a serem restaurados. No caso do Theatro Municipal de São Paulo, houve o cuidado de se utilizar produtos similares ao da construção original. Para o uso de argamassa, por exemplo, foram realizados testes laboratoriais para a recomposição de traço, buscando um material semelhante ao original. O mesmo ocorreu na recuperação do contrapiso do salão nobre do teatro e dos balaústres. “O projeto teve uma extensa pesquisa para ter uma aparência o mais próxima possível da que tinha na década de 1950, antes da primeira intervenção”, contam as arquitetas. A recuperação do patrimônio paulista custou R$ 28 milhões e os recursos vieram através de financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e da própria prefeitura de São Paulo.

Entrevistadas
Arquitetas Lilian Jaha e Rafaela Bernardes, do departamento de patrimônio histórico da Secretaria Municipal da Cultura da prefeitura de São Paulo
Currículos
- Lilian Jaha é arquiteta formada pela PUC de Campinas
- Trabalha desde 1984 na Secretaria Municipal de Cultura, desenvolve projetos na área cultural, com destaque para as obras do Theatro Municipal de São Paulo, além de atuar também na organização e realização de exposicões e eventos culturais, como Brasil-Itália e Navegar é Preciso
- Como bolsista da Fundação Japão, na área de administração cultural, conheceu e pesquisou a arquitetura e as formas de administrar dos principais espaços culturais japoneses
- Concluiu em 2009 o curso de MBA (Master of Business Administration) do Instituto Mauá de Tecnologia
- Rafaela Bernardes é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP)
- Tem pós-graduação em “Teoria e Prática da Preservação e Restauro do Patrimônio Arquitetônico e Urbanístico”, pela Universidade Católica de Santos
- Ocupa o cargo de arquiteta-chefe da seção Laboratório de Restauro/Divisão de Preservação, do departamento do patrimônio histórico da Secretaria Municipal da Cultura da prefeitura de São Paulo
Contato: smcimprensa@prefeitura.sp.gov.br / agajardoni@prefeitura.sp.gov.br (assessoria de imprensa)
Créditos Fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Lentamente, construção civil está descobrindo o assesment
Ferramenta de gestão profissional tem sido aplicada em fusões de empresas do setor e pode ser útil para reduzir o turnover no canteiro de obras
Por: Altair Santos
A palavra que melhor define assesment é avaliação. O conceito vem dos métodos de recrutamento militar usados para a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). No pós-guerra, a Inglaterra passou a utilizar o modelo para selecionar servidores públicos. Até que, a partir de 1956, nos Estados Unidos, o assesment chegou à iniciativa privada, com empresas como AT&T, IBM, Sears, Standard Oil, General Electric e J.C. Penney tornando-se pioneiras no uso da ferramenta. Agora, quase 60 anos depois, quem começa a descobrir esse sistema de gestão é a construção civil brasileira.

Segundo a especialista em assesment, Claudia Riecken, um dos locais em que o método poderia ser bem aplicado é no canteiro de obras. “Com os públicos de chão de fábrica, canteiro de obras ou atividades primárias de operações em supermercados, o resultado tem sido esclarecedor e positivo”, diz. Para isso, ela ressalta que precisa haver um investimento em qualificação. “Para o assessment funcionar, é importante que os sujeitos de pesquisa possuam um grau mínimo de leitura e compreensão”, alerta. Neste caso, a ferramenta funcionaria mais como conceito de gestão profissional. Serviria para avaliar competências e conhecer com maior eficiência e critério as pessoas. “De posse deste entendimento, o RH de uma empresa da construção civil poderá realizar contratações mais estratégicas”, completa Claudia Riecken.
Atualmente, nos canteiros de obras prevalece o que os especialistas em Recursos Humanos chamam de contratação intuitiva. O encarregado da obra entrevista candidatos que vêm por indicação de outros operários, de colegas, de parentes. Esse líder confia em seu “olho clínico” para escolher a equipe e leva em consideração referências como família, antecedentes e até questões religiosas. Para não conflitar com essa metodologia já enraizada na construção civil brasileira, Claudia Riecken sugere que o assesment entre aos poucos no processo. “Ele pode ser usado numa etapa subsequente, como o treinamento, por exemplo, e não necessariamente no recrutamento dos operários”, diz.
Um dos benefícios que a introdução do assesment na construção civil pode trazer é a redução do turnover – a alta rotatividade de contratações e demissões na obra. Neste caso, quando os candidatos têm sua tendência comportamental mapeada, o chefe tem mais informações para diagnosticar os pontos fortes e fracos do trabalhador. Por exemplo: como seria um bom assentador de pisos e azulejos? Ele precisará ter mais iniciativa, pensar mais por conta própria ou obedecer e ajudar mais? Ele precisará ter comunicação fluente ou é melhor que seja concentrado? Paciência é uma qualidade desejável ou ele deverá ser rápido? É preciso que ele siga regras ou que ele tenha jogo de cintura para inovar?
A aplicação do assesment na construção civil também tem sido usada para conduzir modelos de governança. Um case recente é o que deu origem ao Nex Group, no início de 2011. A nova companhia nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, como resultado da fusão das empresas Capa Engenharia, DHZ Construções, EGL Engenharia & Lomando e Aita. Para ajustar o compasso dos 2,9 mil funcionários, o grupo aplicou o assesment combinado com a elaboração do BSC (Balanced Scorecard) - ferramenta utilizada para medir gestão de desempenho e usada para o gerenciamento dos resultados da nova companhia.
Segundo as empresas que utilizam esse tipo de metodologia, o benefício é conseguir, de forma rápida, ajustar pessoas, processos e estruturas às demandas de resultados dos ambientes corporativos. Ela também permite observar melhor a produtividade, a qualidade do profissional (já que ele passa a ser instruído para otimizar suas capacidades) e a fidelizar o colaborador. “O assesment torna os colaboradores mais resilientes, capazes de suportar melhor as mudanças e de se superarem”, avalia Claudia Riecken.
O que o assesment mapeia nos profissionais
Estilo de ação
As pessoas têm mecanismos internos de decisão diferentes. Há os que são independentes, atirados, têm iniciativa, assumem riscos, saem na frente, ousam, se expõem. E há os que cooperam, auxiliam, pensam em equipe, dão apoio à liderança, são solícitos, põem “panos quentes”, são os “conselheiros do rei”.
Estilo de comunicação
Indica como cada um se comunica. Há os que se relacionam bem com as pessoas, falam bem, têm poder de persuasão, de convencimento, vendem ideias, são simpáticos, eloquentes. E há os mais concentrados, os que têm um diálogo interno mais frequente que o externo, focam-se numa atividade, têm raciocínio analítico, inventivo, imaginativo, com senso de adequação. “Só abrem a boca quando têm certeza”.
Relação com o tempo
Cada um se relaciona de uma forma com o tempo. Encontramos pessoas que são calmas, pacientes, sabem esperar o tempo certo para cada coisa, calculam bem de quanto tempo precisam, fazem uma coisa de cada vez e vão até o fim. Outras são agitadas, rápidas, aceleram os colegas, fazem diversas coisas ao mesmo tempo e sabem reorganizar as prioridades quando necessário.
Relação com referenciais externos
Regras, normas e procedimentos têm significado diferente para cada um. Há os que seguem bem regras e procedimentos, precisam da “receita do bolo” para trabalhar bem, são detalhistas, minuciosos, acompanham cada etapa, têm alto senso de dever, necessitam de ambientes controlados para se sentirem seguros, gostam de rotina. E há os que seguem seus referenciais internos, criam melhores maneiras de fazer as coisas, inventam, improvisam, dão um jeito pra tudo e não se preocupam. Com eles “não tem tempo ruim”.
Entrevistada
Claudia Riecken, especialista em assesment e presidente do Grupo Quantum Assessment
Currículo
- Graduada como Design Human Engineering (DHE) nos Estados Unidos e também no México (Instituto de Psicologia Sistêmica do Ocidente – IPSO, credenciado pela Universidade Santa Cruz, Califórnia)
- Foi membro-diretor do grupo mundial Quantum Leap, USA-CA, de John Grinder, co-criador da Programação Neurolinguística
- Conferencista e escritora, é responsável por dezenas de pesquisas sobre a personalidade e a estrutura emocional dos empreendedores, dos sobreviventes, dos contraventores, bem como das tendências comportamentais e suas relações
- Recebeu o prêmio especial “Ser Humano” da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) por meio de uma de suas publicações
- É a criadora do Método Quantum, uma ferramenta comportamental, 100% brasileira, que mapeia detalhadamente os comportamentos preferenciais de uma pessoa, além de dizer como a pessoa está se sentindo em seu momento atual.
Contato: autora@claudiariecken.com.br / fernando@universidadequantum.com.br (assessoria de imprensa) / www.claudiariecken.com.br
Crédito Foto: Divulgação/Quantum
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Consumidor de material de construção pede sofisticação
Consultor avalia que lojas do setor precisam mudar perfil de meros depósitos de mercadorias e conquistar, principalmente, as mulheres
Por: Altair Santos
No primeiro semestre de 2011, o consultor Eugênio Faganholo liderou a missão brasileira na Euroshop 2011 - a maior feira do mundo de materiais e equipamentos para exposição de produtos no ponto de venda. O evento ocorre anualmente na Europa e um dos segmentos destacados foi o da construção civil.

Faganholo avalia que muito do que foi mostrado no velho continente pode ser aplicado no Brasil, principalmente em termos de layout, de apresentação de loja e de distribuição dos produtos. Para o consultor, o modelo de venda de material de construção no país tem um amplo espaço para ser aperfeiçoado. É o que ele explica na entrevista a seguir. Confira:
Em termos de layout, de apresentação de loja, da distribuição dos produtos, como o senhor avalia as lojas de material de construção no Brasil?
No Brasil existe um extraordinário campo de oportunidades para que as lojas de material de construção ganhem uma apresentação mais adequada dos produtos e serviços para os seus clientes. Eu vou exagerar um pouco aqui, mas pecando para poder colocar mais fortemente o meu pensamento. No Brasil, muitas lojas de material de construção têm mais aparência de depósito do que de loja. E o que significa isso? No depósito as mercadorias ficam empilhadas, não tem ordenamento ou há muitos balcões, o que faz com que o cliente dependa muito do atendimento pessoal do vendedor. Isso contraria a tendência atual, que é a valorização da tomada de decisão do consumidor final do material de construção. É preciso fazer uma loja cada vez mais próxima do consumidor final, daquele que toma efetivamente a decisão de comprar A, B ou C. Por isso é que eu vejo um grande campo de oportunidades no sentido de repensar a forma de apresentar a loja para os consumidores e também para os profissionais.
Alguns comércios mais parecem um canteiro de obras que uma loja propriamente dita. É isso?
Exatamente. O comerciante de material de construção precisa entender que a loja dele é um meio para que o consumidor realize um sonho. É o sonho de fazer o puxadinho, é o sonho de fazer um novo cômodo, é o sonho de construir a sua casa, é o sonho de reformar um dormitório. Então este ambiente de sonho é o que muitas vezes falta nas lojas de material de construção no Brasil. Na maioria, elas são muito rústicas, muito espartanas. Então existe um campo de oportunidades a serem exploradas pelas lojas de material de construção. E quando eu falo isso, não significa sofisticar a loja. Significa se organizar melhor para o consumidor final. O objetivo é fazer com que o consumidor enxergue o produto de forma simples e rápida.
Hoje uma tendência forte é que o consumidor pesquise pela internet antes de ir comprar na loja. No que isso tem influenciado na maneira como o ponto de revenda se relaciona com o consumidor?
Atualmente o consumidor, através da internet, tem uma grande fonte de informação e essa informação precisa estar cada vez mais completa dentro do ponto de venda. O quer dizer isso? O pessoal de atendimento de uma loja precisa estar absolutamente bem treinado, porque o consumidor muitas vezes chega tendo um grau de informação muito grande sobre aquela categoria, ainda que jamais tenha comprado aquela categoria. Então os atendentes têm que estar muito bem informados para ratificar a escolha do consumidor. Há uma tendência de que o consumidor compre cada vez melhor e compre aquilo que ele realmente precisa ou necessita na sua obra.
Como o senhor avalia a venda de cimento na loja de material de construção?
Eu diria o seguinte: como é um produto gerador de fluxo e gerador de percepção de preço, é um produto que as lojas entendem, entre aspas, como vendedor por si só. No entanto, por mais que o produto seja gerador de fluxo, ele merece uma atenção, um destaque e um posicionamento na loja que realmente valorize não só a categoria, mas valorize as marcas que ali estão. Porque ele passa a ideia para o consumidor de que é uma commodity. Não importa a marca, se é A ou B, tudo parece ser igual aos olhos do consumidor, principalmente aquele que não está acostumado ou não tem elementos para tomar a decisão pela marca A ou B. Então eu diria que aí também existe uma frente muito significativa para poder fixar a categoria, como uma categoria realmente com mais valor, com mais percepção de valor perante o consumidor final.
O senhor liderou a missão brasileira na Euroshop 2011. O que foi visto lá que se adequaria bem ao mercado brasileiro?
A Euroshop é a maior feira do mundo de materiais e equipamentos para exposição de produtos no ponto de venda. O que a gente verificou ali é que existem tendências muito grandes de simplificar, de baratear, enfim, de fórmulas cada vez mais sustentáveis. Sempre no sentido de ter uma boa exposição, de divulgar e de informar cada vez melhor, de forma impessoal, a mercadoria para o consumidor final. O que nós vimos ali foi exatamente a supremacia cada vez maior do requinte em expor. E quando eu digo requinte não é como sinônimo de sofisticar. Mas é o requinte no organizar, é o requinte no informar, é o requinte em usar materiais que sejam sustentáveis.
Hoje as mulheres vão comprar material de construção na loja, o que antes era uma prerrogativa masculina. No que isso muda na forma de abordagem e de técnica de venda?
Muda na apresentação do produto. Lojas que se assemelham a um depósito não só não atraem a mulher como elas não se sentem à vontade de ir lá. Ao contrário, lojas que sejam mais acolhedoras para o público feminino acabam tendo a grande benesse de atrair mais fluxo, e não só de mulheres. Elas acabam levando os seus maridos e acabam sendo, como constatam as pesquisas, absolutas na decisão do processo, principalmente em material de acabamento e decoração. Portanto, relegar a mulher a um segundo plano, em venda de material de construção, é simplesmente colocar em xeque a sua própria sobrevivência.
Os vendedores das lojas de material de construção estão conseguindo se capacitar para acompanhar as mudanças ou eles ainda carecem de capacitação?
Há um caminho bastante longo pela frente, que é exatamente o da maior e melhor capacitação. Claro que isso tem uma série de dificuldades, pela rotatividade, pelo lançamento cada vez mais constante de produtos novos, mas isso é algo que precisa ser buscado por todas as lojas de material de construção do Brasil.
Como o senhor avalia o setor de venda no varejo da construção civil, comparando com outros setores da economia. Ele está num patamar top ou precisa melhorar?
Alguns segmentos de varejo no Brasil evoluíram de uma forma muito significativa nos últimos 30 anos. Um exemplo é o do setor de supermercados. Já outros setores de atividade varejista evoluíram muito pouco nestes últimos 30 anos, como é o caso de venda de calçados. O segmento material de construção, no meu ponto de vista, evoluiu mais do que média do mercado brasileiro dos segmentos de varejo. No entanto, todo segmento de varejo, independentemente de qual seja, e em particular o de material de construção, tem que ter uma constância evolutiva muito significativa.
Hoje a grande venda de material de construção no Brasil ainda é pelo processo chamado de “formiguinha”. Isso atrapalha ou estimula mudanças no modelo de venda do varejo da construção civil?
Isto na realidade é um grande estímulo, porque faz com que seja um canal privilegiado de venda de material de construção. Este comportamento típico do brasileiro, que é a compra “formiguinha” (venda individualizada e que comercializa pequenos volumes de material), demanda esta evolução absolutamente constante das lojas de material de construção do país.
As megalojas de materiais de construção se propagam pelo país. Esta é uma tendência ou o pequeno comerciante do bairro ainda seguirá tendo seu espaço perante o consumidor, até em função da venda “formiguinha”?
As megalojas de materiais de construção ainda têm algum campo de evolução e crescimento no Brasil. Tem várias cidades no país em que caberiam uma ou mais lojas deste porte, indiscutivelmente. No entanto, o que a gente observa no comportamento do consumidor brasileiro é que ele é cada vez mais multiformato. O que significa isso? Ele não só eventualmente vai comprar numa megaloja, mas ele necessita para o seu dia a dia, para a sua reposição ou até para a sua compra de abastecimento, da loja do seu bairro. Então eu diria que o mercado brasileiro, pelo menos a médio prazo, não só assegura lugar definitivo para as megalojas, mas também para as médias e pequenas lojas, que desempenham uma função que as grandes não conseguem exercer.
Entrevistado
Eugenio Foganholo, diretor da MIXXER Desenvolvimento Empresarial Ltda., consultoria especializada em bens de consumo e varejo.
Currículo
Mestre em administração de empresas, especialidade em marketing, pela EAESP-FGV (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas)
É professor titular de pós-graduação das disciplinas “marketing de varejo e canais de distribuição” na BSP (Business School São Paulo) e no INPG (Instituto Nacional de Pós-Graduação)
Diretor da MIXXER, é palestrante e consultor especializado em varejo e bens de consumo, com elevada experiência no assessoramento de fabricantes, redes varejistas e associações do segmento, como APAS (Associação Paulista de Supermercados), ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café), Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e Sebrae.
Contato: eugenio.foganholo@mixxer.com.br
Crédito Foto: Divulgação/MIXXER
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Londres 2012 é modelo de planejamento para o Brasil
A um ano dos Jogos Olímpicos, capital inglesa está praticamente pronta para o evento. Bem diferente do país-sede da Copa do Mundo de 2014
Por: Altair Santos
O Brasil está a dois anos e meio do evento Copa do Mundo, que vai acontecer no país, e ainda há muito por fazer. Na opinião do presidente do SINAENCO (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), José Roberto Bernasconi, trata-se de uma oportunidade desperdiçada. “O Brasil foi definido como sede da Copa 2014 em 31 de outubro de 2007. Portanto, com prazo mais que suficiente para planejar bem as obras necessárias, algo que não foi feito. Isso tem o grande demérito de jogar no lixo todo o conhecimento acumulado pela arquitetura e engenharia brasileira”, lamenta o dirigente, para quem o país deveria se espelhar em Londres 2012.

Daqui a um ano, entre 27 de julho e 12 de agosto, a capital inglesa irá sediar os Jogos Olímpicos. Com pontualidade britânica, as obras estão dentro do cronograma. Todos os equipamentos para sediar os eventos esportivos devem começar a ser testados no segundo semestre de 2011 e a mão de obra envolvida na construção se concentra agora na vila olímpica e nas construções de infraestrutura. São mais de 12 mil trabalhadores envolvidos no projeto, cujo canteiro de obras é o maior da Europa. “A principal lição que o Brasil pode extrair da preparação britânica para a Olimpíada 2012 é o planejamento”, avalia Bernasconi.
De fato. Faz sete anos que Londres trabalha diuturnamente para receber as Olimpíadas. Em 2005, os britânicos criaram a Olimpic Delivery Authority (ODA), responsável pela gestão e coordenação de todas as obras relacionadas ao evento. Os dois primeiros anos foram gastos para detalhar rigorosamente os estudos e os projetos. “A construção, contratada com base nesses projetos, está sendo executada rigorosamente dentro do cronograma e do valor global estipulado na contratação”, diz o presidente do SINAENCO. Londres disponibilizou o equivalente a R$ 16 bilhões para as obras – quase cinco vezes menos do que foi gasto em Pequim 2008, que consumiu R$ 74 bilhões.
Todo o complexo dos Jogos, que ocupa uma área de 2,5 milhões de m², está localizado na região de East London, uma das áreas mais pobres da capital inglesa, com índices altos de criminalidade e desemprego. Com o evento, os britânicos aproveitaram para revitalizar a localidade. A ideia é deixar um legado social para a região, criando oportunidades de emprego, de infraestrutura e de moradia para a população. Após as Olimpíadas, a Vila Olímpica irá se transformar em 3 mil apartamentos para famílias carentes de East London. “Infelizmente, a Copa 2014 perdeu a chance de deixar esse legado positivo ao Brasil”, compara José Roberto Bernasconi.
O presidente do SINAENCO avalia que ainda dá tempo para usar o bom exemplo de Londres 2012 e o mau exemplo da Copa 2014 para “salvar” as Olimpíadas de 2016, que vão acontecer no Rio de Janeiro. “O Rio de Janeiro está desenvolvendo, até agora, um bom planejamento. É necessário, porém, que esse planejamento seja seguido por estudos rigorosos sobre o dimensionamento dos equipamentos e instalações públicas para os Jogos Olímpicos, a fim de evitar o que aconteceu nos Jogos Pan-americanos de 2007. Naquele evento, por falta de planejamento, os gastos previstos em R$ 400 milhões transformaram-se em R$ 3,6 bilhões”, lembra Bernasconi.
Como em Londres, onde foi criada a Olimpic Delivery Authority (ODA), no Rio de Janeiro foi instalada a Autoridade Pública Olímpica (APO). Para o presidente do SINAENCO, trata-se de um bom sinal, desde que o organismo tenha, na prática, autonomia para gerenciar a preparação dos Jogos Olímpicos de 2016. “Resta ver se, como os ingleses fizeram ao criar a Olimpic Delivery Authority (ODA), responsável por todo o planejamento e execução das obras em Londres, a APO terá de fato a autoridade e os recursos necessários para realizar essa coordenação geral das obras e serviços envolvidos”, diz, garantindo que o grande exemplo para o Brasil está em Londres 2012.


Entrevistado
José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (SINAENCO)
Currículo
Engenheiro civil, pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1965) e advogado, pela Faculdade de Direito UNIP (Universidade Paulista de São Paulo) (2005)
Foi presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo, de 1985 a 1989, e professor da Poli-USP
Contato: sinaenco@sinaenco.com.br / silverio@mandarim.com.br (assessoria de imprensa)
Créditos Fotos: Divulgação/SINAENCO/London2012
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Tradição, estrutura e pesquisa fazem do IME um dos melhores do Brasil
Engenharia de Fortificação e Construção, do Instituto Militar de Engenharia, ocupa segundo lugar no ranking dos melhores cursos de engenharia civil
Por: Altair Santos
O curso de Engenharia de Fortificação e Construção do Instituto Militar de Engenharia (IME) é o mais antigo do Brasil. Ele surgiu no tempo do Império, oficialmente em 1792, com a criação da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, que em seguida recebeu várias denominações: Academia Real Militar (1811), Imperial Academia Militar (1822), Academia Militar da Corte (1832), Escola Militar (1840) e Escola Central (1858). Em 1874, a Escola Central foi desmembrada da Escola Militar e passou a formar exclusivamente engenheiros civis. Daí vem o nome da profissão no país.

No século passado, em 1930, outra mudança: passa a funcionar a Escola de Engenharia Militar, que em 1933 foi rebatizada como Escola Técnica do Exército. Em 1949, surge o Instituto Militar de Tecnologia, que em 1959 realiza fusão com a Escola Técnica do Exército para dar origem ao Instituto Militar de Engenharia, que carrega quase 220 anos de tradição. “Hoje, o IME procura semear esta experiência em alunos de alta capacidade intelectual, que alimentam um processo de ensino e aprendizado mútuo entre discentes e docentes”, explica o major Marcelo de Miranda Reis, coordenador do curso de Engenharia de Fortificação e Construção.
A graduação do IME equivale aos cursos de engenharia civil das demais universidades e obteve em 2011 o 2.º lugar no ranking do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), com base no desempenho do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). A diferença para as outras escolas é que o Instituto Militar de Engenharia forma engenheiros civis e militares. “Os militares são absorvidos pelo próprio Exército e os civis têm encontrado bom espaço no mercado, por serem profissionais generalistas”, explica o major Marcelo de Miranda Reis.
O curso de graduação em Engenharia de Fortificação e Construção do IME tem a duração de cinco anos. “O currículo reúne um conjunto de disciplinas que integram conhecimentos científicos aprofundados, com uma visão interdisciplinar e sistêmica nas áreas de estruturas, recursos hídricos, meio ambiente, geotecnia, edificações e transportes”, afirma o coordenador. Para a formação de seus engenheiros, o campus do IME, no Rio de Janeiro, oferece laboratórios de recursos hídricos, saneamento e máquinas hidráulicas; materiais de construção e concreto; informática; modelagem computacional; ligantes e misturas asfálticas e de solos.
Estudos sobre concreto
O Instituto Militar de Engenharia também investe maciçamente em pesquisas, com o incentivo de órgãos de fomento, como FAPERJ, FINEP, CAPES e CNPq. Alguns dos trabalhos já renderam prêmios, entre eles o de melhor dissertação na área de engenharia civil, com o estudo “metodologia de produção e emprego de agregados de argila calcinada para pavimentação” (Prêmio Dirceu Velloso). Também foram premiadas as pesquisas “características resilientes de solos residuais da região metropolitana de Curitiba” (38.ª RAPv), “comportamento de solos do Estado do Rio de Janeiro estabilizados com emulsão asfáltica” (Prêmio PETROBRAS), “pisos alternativos para passagem de nível” (VIII Prêmio AmstedMaxion de Tecnologia Ferroviária) e “avaliação do comportamento mecânico de misturas asfálticas elaboradas com cimento asfáltico de petróleo modificado por asfalto Natural (CAP TLA)” (Prêmio Oscar Niemeyer-CREA).
Estudos sobre uso do concreto também são contemplados pelo curso, que tem disciplinas específicas como Materiais de Construção II; Teoria das Estruturas I, II e III; Estruturas de Concreto Armado I e II e Estruturas de Concreto Protendido. Além disso, muitos docentes do IME são sócios e representantes dos quadros de diversas associações, dentre as quais IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) e ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). “Há ainda parcerias com organismos de pesquisa nacionais e internacionais, entre os quais a Paristech e a Universidade de Coimbra”, lembra o major Marcelo de Miranda Reis.
Outra peculiaridade do curso é o número reduzido de alunos. Atualmente, menos de cem estudantes integram o corpo discente do Instituto Militar de Engenharia. “Isso permite um ensino muito mais individualizado e um controle mais efetivo e pessoal do rendimento do aluno”, analisa o coordenador do curso. Sobre o corpo docente, ele é constantemente incentivado a se atualizar profissionalmente, o que resulta em um quadro em que a quase totalidade dos professores são doutores, alguns inclusive com curso de pós-doutorado. “O Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro tem uma preocupação constante com o desenvolvimento do curso e de pesquisas aplicadas, empregando anualmente um volume de recursos para esta finalidade”, finaliza Marcelo de Miranda Reis, mostrando o porquê de a Engenharia de Fortificação e Construção do Instituto Militar de Engenharia estar entre as melhores do país.

Entrevistado
Major Marcelo de Miranda Reis, professor-adjunto e coordenador de graduação do curso de Engenharia de Fortificação e Construção do Instituto Militar de Engenharia (IME)
Currículo
Mestre em Planejamento Energético e Ambiental, COPPE/UFRJ, 2001 e doutor em Engenharia Civil, COPPE/UFRJ, 2009
Contato: marceloreis@ime.eb.br
Créditos Fotos: Divulgação/IME