Nova ponte do Guaíba melhora competitividade do RS
Complexo viário é considerado o mais importante entre as obras de infraestrutura do estado, mas esbarra na falta de um projeto definitivo
Por: Altair Santos
O Rio Grande do Sul enfrenta um gargalo em sua economia, que se materializa na ponte móvel que cruza o rio Guaíba, em Porto Alegre. Construída há 53 anos, a obra não comporta mais o volume de veículos que trafega diariamente pela BR-116 - cerca de 47 mil. Por isso, faz crescer a mobilização por um novo complexo viário na capital gaúcha. O empreendimento é vital para que o estado consiga ter uma logística competitiva. Estima-se que, por ano, os congestionamentos causados na travessia do Guaíba causem prejuízo de aproximadamente R$ 200 milhões.

A construção de uma nova ponte sobre o rio Guaíba, interligada às duplicações de trechos das rodovias BR-116, BR-386 e BR-448, é considerada a principal obra de infraestrutura do Rio Grande do Sul. O problema é que ela esbarra na falta de um projeto definitivo que possa viabilizá-la. Há incertezas sobre a extensão da ponte, sobre quais pontos ela irá interligar, assim como o modelo construtivo mais adequado e a forma como o empreendimento será financiado. Para se ter ideia, desde que o projeto foi colocado em discussão, em 2006, o comprimento da ponte já variou de 1,9 quilômetro a quase 5 quilômetros.
Segundo Luiz Domingues, vice-presidente do Movimento Ponte do Guaíba, o modelo de construção também sofreu alterações. "A princípio seria estaiada, mas isso foi descartado. Se fosse estaiada, iria precisar de uma torre de 105 metros para sustentar o vão de 40 metros, para a passagem de navios de grande porte. Isso, porém, interferiria no tráfego aéreo do aeroporto Salgado Filho", explica. Sem ser estaiada, a ponte, que teria 1,9 quilômetro de extensão, deverá ter seu cumprimento ampliado para 2,5 quilômetros, segundo um novo projeto de viabilidade técnica em andamento.
Por enquanto, o que parece ser consenso é que o pavimento no entorno da ponte e na própria estrutura que irá atravessar o rio Guaíba será em concreto, por causa do grande tráfego de caminhões que se locomovem para o Porto de Rio Grande. Mas o que precisa ser solucionado é quem vai bancar a obra. O governo federal, através do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) prometeu a liberação de R$ 900 milhões para o empreendimento, mas os recursos ainda não saíram. Os atrasos levam o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) a projetar que a obra não começa antes de 2015.

Por isso, surgiu um movimento no Rio Grande do Sul para viabilizar a ponte mais rapidamente. Recentemente, o secretário de Infraestrutura e Logística, Beto Albuquerque, levou o apelo ao Ministério dos Transportes. A alternativa é entregar a obra para a concessionária que já administra o trecho: a Concepa. Em troca da prorrogação do contrato de concessão, que acaba em 2017, a empresa teria se comprometido a fazer a nova ponte num prazo de 700 dias, utilizando tecnologia à base de pré-moldadas.
A proposta tem o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) mas depende da aprovação de Brasília, já que abrange trechos de rodovias federais. "A decisão está nas mãos da presidente Dilma, mas nós gaúchos não podemos ficar olhando o problema sem tomar uma iniciativa", conclui o secretário Beto Albuquerque. Enquanto isso, estima-se que o custo da ponte já esteja em torno de R$ 1,1 bilhão. Há seis anos, quando começaram os debates para sua construção, a ponte estava avaliada em R$ 385 milhões.
Entrevistado
Movimento Nova Ponte do Guaíba e Secretaria Estadual de Infraestrutura do Rio Grande do Sul
Contatos: http://www.novapontedoguaiba.blogspot.com/ novaponteguaiba@gmail.com / http://www.seinfra.rs.gov.br
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Marketing promocional embala venda de imóveis
Construtoras e incorporadoras investem em ações para se destacar da concorrência, fidelizar clientes e atrair futuros compradores
Por: Altair Santos
A nova realidade do mercado imobiliário no Brasil, com consumo em alta e forte concorrência setorial, mudou radicalmente o comportamento de construtoras e incorporadoras. Antes tímidas, essas empresas agora investem maciçamente em marketing promocional. A ação de distribuir folders publicitários de seus empreendimentos em cruzamentos das cidades tornou-se uma minúscula parte do movimento que é feito para atrair compradores e fidelizar clientes.

Hoje, o relacionamento com o futuro proprietário abrange de vistoria da obra à assembleia geral de instalação de condomínios. "As construtoras se viram no cenário de inovar sempre, para estar em evidência e conseguir o resultado das vendas no menor tempo possível. Seus stands tornaram-se verdadeiras butiques, com um trabalho intenso para que o produto conquiste o consumidor", explica a publicitária Tatyane Luncah, especialista em eventos corporativos e marketing promocional.
As ações começam antes mesmo do lançamento do empreendimento, com os corretores submetidos a um meeting que os prepara para as futuras vendas. "Neste caso, são contratados artistas como mestres de cerimônia e cantores famosos para animar a equipe de vendas. Tudo é feito para que os vendedores fiquem hipermotivados e consigam os resultados o mais rápido possível", cita Tatyane Luncah, lembrando que no meeting é apresentado o planejamento estratégico, baseado em pesquisas, para que o modelo de venda atinja corretamente o público desejado. "As construtoras voltadas para a classe A fazem trabalhos mais suntuosos. Já as que atendem a classe C buscam resultados mais objetivos", complementa.
Atingidas as vendas, o marketing promocional das construtoras não cessa. Após essa etapa, o cuidado se estende ao atendimento ao cliente. "Há construtoras que agendam visita às obras e promovem café da manhã para os futuros proprietários. Também ocorrem eventos marcantes para a entrega das chaves e nas assembleias de condomínios. O objetivo é sempre valorizar o sonho da casa própria, para conquistar o cliente e contar com ele para fazer o marketing boca a boca", evidencia a especialista.
Tatyane Luncah relaciona algumas ações promovidas pelas construtoras para fidelizar os clientes e atrair novos compradores. "Dependendo do empreendimento, há degustação de feijoadas, buffet de sorvetes, festival de fondues, customização de camisetas e chinelos e até test-drive de carros de luxo", afirma.
A publicitária também lembra que para valorizar o marketing boca a boca muitas construtoras têm adotado ações do tipo "indique seu vizinho". Neste caso, o cliente sugere um futuro comprador e pode ser contemplado com um presente. Segundo Tatyane Luncah, essa e outras ações de marketing promocional têm conseguido receptividade em torno de 90%. "Como o planejamento é feito para que ele seja muito assertivo, geralmente as ações se tornam muito populares e cumprem plenamente seu objetivo. Além disso, têm um custo menor que a publicidade convencional”, destaca.
Entrevistada
Tatyane Luncah, publicitária, sócia e fundadora do Grupo Projeto e especialista em marketing promocional
Currículo
- Graduada em gestão administrativa pela AESE (Escola de Direção e Negócios) em Lisboa (Portugal) e especialista em comunicação com foco em criatividade e inovação pela na ESERP Business School em Barcelona (Espanha)
- Atua no atendimento ao mercado de eventos corporativos e de marketing promocional há 15 anos, na gerência e coordenação de feiras e eventos
- É sócia e fundadora do Grupo Projeto, constituído por seis empresas que abraçam há dez anos o mercado BTL de eventos corporativos, marketing promocional, criação, gastronomia e solução em logística
Contato: www.grupoprojeto.com / imprensa@kbcomunicacao.com.br (assessoria de imprensa)
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Vistorias periódicas impediriam desastres no RJ e em SP
Poucos municípios no Brasil têm leis que exigem inspeções em prédios. Além disso, seguir as normas é fundamental para a saúde das edificações
Por: Altair Santos
Os desabamentos ocorridos recentemente no Rio de Janeiro e em São Bernardo do Campo, na grande São Paulo, deixaram uma lição: a de que as vistorias periódicas dos edifícios não podem ser ignoradas. Quem faz a observação é o engenheiro civil José Eduardo Granato, membro do Comitê de Impermeabilização e Isolação Térmica da ABNT, e que há mais de 20 anos trabalha em soluções de patologia em prédios residenciais e comerciais.

Segundo o especialista, duas normas precisam ser religiosamente seguidas para que colapsos que aconteceram no começo de 2012 sejam evitados. São a ABNT NBR 6118:2007 (projetos de estruturas de concreto) e a NBR 5674:1999 (manutenção de edificações). É o que ele explica na entrevista a seguir:
Os desabamentos ocorridos recentemente nas cidades do Rio de Janeiro e São Bernardo do Campo, em São Paulo, remetem a seguinte pergunta: o que é preciso preservar nos principais sistemas de infraestrutura dos edifícios quando eles entram em manutenção ou reforma?
Tudo depende de como a obra foi concebida. Alguns edifícios, infelizmente, carregam problemas de qualidade de construção, principalmente em aspectos de estanqueidade e cobrimentos de armaduras não bem executados. Se for esse o caso, vai exigir um tipo de manutenção mais aprimorada. Mas se o prédio requer manutenção periódica, os moradores precisam contratar um profissional qualificado para a inspeção. O que ocorre é que muitas vezes os condôminos acham o serviço caro e acabam não fazendo o regime de manutenção preventiva e nem corretiva, provocando deterioração precoce das edificações, o que pode provocar a redução da vida útil do prédio.
Como se chega ao melhor modelo de reforma e de manutenção, de acordo com o tipo de infraestrutura, e como planejar os serviços em cada caso?
Para isso, é preciso estar atento ao que diz a NBR 6118. Trata-se da norma de cálculo estrutural de concreto armado, que é dividida conforme a agressividade ambiental que afeta o concreto. São quatro tipos. O tipo I é para uma estrutura de concreto protegida de umidade, cuja deterioração é insignificante. O tipo II refere-se à edificação sujeita a um ambiente mais agressivo, como a umidade. O tipo III trata de ambientes ainda mais agressivos, como uma área industrial ou a orla marítima, onde a ação do cloreto é agressiva à armadura do concreto. Já o tipo IV abrange obras que têm contato constante com água salgada, como um pier ou uma ponte. Baseada em cada uma delas é que é montado o modelo e o roteiro de periodicidade das manutenções periódicas.
Além da ABNT NBR 6118:2007, há outras normas que precisam ser observadas na manutenção e na reforma predial?
Tem a norma de manutenção predial (NBR 5674:1999 - Manutenção de edificações – Procedimento) que orienta o que deve ser verificado na inspeção, como preparar o relatório e como coordenar as equipes que farão a manutenção. Só que ela não é impositiva, não determina de quanto em quanto tempo tem que fazer isso ou aquilo na manutenção. Já a NBR 6118 abrange a questão da durabilidade, qualificando a agressividade a que o concreto será exposto.
O que é manutenção preventiva, preditiva ou corretiva?
Preventiva é aquela que, como o nome diz, previne riscos. Ela trata de uma vistoria regular na edificação. Comparando com a medicina, é como o check-up. A preditiva, ainda comparando, é como se o paciente tivesse algum sintoma que o faz perceber que precisa fazer uma visita ao médico. Neste caso, exige inspeções regulares para ver se o problema evolui ou não. Já a corretiva é aquela para consertar o problema. Assim, existem diferenças de custos entre elas. A corretiva é mais cara, porque ele envolve um problema que pode afetar outras partes do prédio. Imagine se eu tenho que promover uma pintura no prédio. Se for apenas pintar o edifício, estou realizando uma manutenção preditiva. Agora, se ao fazer a pintura eu detecto que degradou os revestimentos atrás da tinta, aí será preciso uma manutenção corretiva. Então, prevenção preventiva sempre a ideal, pois ela antecipa futuros problemas, tem custo menor e prolonga a vida da edificação.
Por que é tão importante manter em dia os documentos administrativos, técnicos e legais das edificações?
Primeiro, é uma questão legal. Segundo, porque se o prédio for organizado neste sentido facilita a manutenção. Muitas vezes, o edifício apresenta uma trinca numa viga, mas não tem a planta e outros documentos que permitam avaliar como é que foi calculada aquela estrutura. Se eu não tenho arquivado o cálculo estrutural, o calculista, para fazer o cálculo de reforço, terá de fazer uma prospecção na própria estrutura para ver como foi calculada. Além de retrabalho, pois vai precisar quebrar um pedaço do concreto para ver que armadura tem lá, o custo da manutenção aumenta. Então, toda a documentação - tanto a legal quanto a de serviços - precisa estar arquivada. É o prontuário do edifício.
Quando é melhor optar por uma equipe de manutenção residente e quando vale à pena contar com equipe volante?
Depende do porte da obra e do tamanho da manutenção. Se é um shopping ou uma indústria, é preferível uma equipe residente, porque ela terá intimidade com a edificação e sabe o histórico do empreendimento. Quando esse serviço é terceirizado, corre-se o risco de perder informações valiosas sobre o prédio. Agora, também precisa ser levado em conta a relação custo-benefício. Se a equipe residente fica muito tempo ociosa ou é insuficiente para atender a manutenção exigida, é melhor ter um meio termo: mantém-se uma equipe pequena para as manutenções preventivas e contrata-se outra para o caso de manutenções maiores.
De acordo com a idade do edifício, de quanto em quanto tempo deve ser feita uma vistoria técnica e as respectivas manutenções?
No Brasil, poucos municípios têm leis sobre inspeções periódicas em edificações. Onde existe, ela determina o seguinte: o prédio tem que ser vistoriado a cada dez anos até que ele tenha 20 anos de construção. Após 20 anos de idade, uma vistoria tem que ser feita a cada cinco anos. A partir de 30 anos, o edifício tem que passar por uma vistoria a cada três anos. Isto para edificações unifamiliares, ou seja, edifícios e prédios de apartamentos não comerciais. Para prédios comerciais, tem que fazer uma vistoria a cada cinco anos, para os com até 30 anos de construção, e a partir de 30 anos uma vistoria a cada três anos.
Em termos de tecnologia, o que existe hoje para assegurar que reformas e manutenções prediais ocorram sem comprometer as estruturas dos edifícios?
Tudo parte da construção. Se ela tem estruturas de qualidade, adotou revestimentos adequados e uma impermeabilização capaz de suportar as agressividades do meio ambiente, a manutenção vai exigir técnicas de menor custo. Mas o importante é submeter a construção às normas adequadas. Se é utilizado produto de alto desempenho, de boa qualidade, a manutenção sempre será mais fácil de fazer.
No caso das tragédias ocorridas no Rio e em São Paulo, que lição se pode tirar do que ocorreu?
Que é preciso submeter os edifícios a vistorias periódicas. Um prédio não cai à toa, da noite para o dia. Ele vai dando sinais ao longo do tempo, surgem as patologias e a estrutura perde a capacidade de resistência. Se as inspeções e a manutenção tivessem sido feitas corretamente, certamente esses acidentes teriam sido evitados.
Confira os tipos de patologias que podem afetar uma edificação: Clique aqui
Entrevistado
José Eduardo Granato, membro do Comitê de Impermeabilização e Isolação Térmica da ABNT e especialista em soluções de patologias em prédios residenciais e comerciais
Currículo
- Engenheiro civil graduado pela Universidade de São Francisco– SP (1978). Atua há 35 anos no gerenciamento comercial e técnico em indústrias de produtos químicos para a construção civil
- É consultor na área técnica e de projeto nas especialidades de sistemas de impermeabilização, patologia de estruturas e das edificações, tratamento de concreto, revestimentos, pinturas e isolação térmica
- Ministrou mais de 200 cursos e palestras de impermeabilização, tratamento de concreto, isolação térmica e patologia da construção, em diversas entidades de engenharia
- Apresentou mais de 20 trabalhos técnicos em congressos no Brasil e no exterior, nas atividades de impermeabilização e patologia
- Atualmente é gerente comercial na Viapol, por meio do qual é responsável pela implementação da área de negócio Química para Construção, que engloba os segmentos de pisos industriais, aditivos para concreto e recuperação e reforço estrutural
Contato: granato@viapol.com.br
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Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
FGTS para reforma da casa própria anima Abramat
Crédito beneficia 33 milhões de trabalhadores e, dependendo da demanda, pode acrescentar R$ 1 bilhão no setor de material de construção
Por: Altair Santos
Desde fevereiro de 2012, o Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço autorizou que recursos do FGTS sejam utilizados para a reforma da casa própria. A linha de crédito é de até R$ 20 mil por trabalhador e o dinheiro poderá ser usado também para a aquisição de equipamentos que melhorem a sustentabilidade da residência, como aquecedores solares, por exemplo, até projetos de acessibilidade para portadores de necessidades especiais.

A norma pode beneficiar diretamente 33 milhões de brasileiros que recolhem recursos ao FGTS. Obtida através da Caixa Econômica Federal, a linha de crédito atende imóveis com valor de mercado de até R$ 500 mil. Por isso, há a expectativa do setor da construção civil de que a medida traga um impacto positivo nas vendas. É o que avalia Walter Cover, presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), na entrevista a seguir:
A Abramat vê de que forma a medida que permite utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a reforma da casa própria?
Achamos muito positivo, porque é um valor compatível, e que não compromete o fundo. Estamos falando de um programa que disponibiliza inicialmente 300 milhões de reais, e que pode evoluir para um bilhão se tiver demanda. Com os juros subsidiados, achamos que a medida vai impulsionar o setor de reformas, já que a captação destes recursos em bancos privados sairia muito mais cara.
Qual o impacto que a utilização de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a reforma da casa própria terá na venda de materiais de construção?
Veja, a indústria de materiais para a construção civil vendeu 110 bilhões de reais em 2011. Então, se formos analisar apenas os 300 milhões disponibilizados pelo programa, diria que o impacto não é muito grande. Mas não é assim que se deve pensar. O que se visualiza são os novos negócios, ou seja, serão incrementados mais 300 milhões de reais na venda global. Tratam-se de consumidores que não entrariam no mercado se não houvesse essa nova linha de crédito. Então, ela abre caminho para que no futuro a demanda chegue a um bilhão de reais, além de ser uma nova alternativa para o consumidor viabilizar a reforma de sua casa.
A tendência é estimular o comércio formiguinha? Aliás, qual a participação deste tipo de comércio no volume de vendas de material de construção no país?
O comércio formiguinha representa hoje 50% da venda da indústria e, com certeza, a medida vai estimular esse modelo de consumo. Só que mais interessante que isso é que a liberação de recursos do FGTS para reformas vai estimular também a venda legal de materiais de construção. O acordo prevê que somente poderão se beneficiar da linha de crédito produtos que estejam dentro das normas de qualidade do programa PBPQ-h, do Ministério das Cidades, e do Inmetro. Assim, a medida agrega qualidade e formalidade fiscal ao chamado comércio formiguinha, o que é muito positivo para a indústria e para o comércio de material de construção em geral.
Dentro da cadeia produtiva da construção civil, algum setor pode ser mais beneficiado por essa medida?
Acho que todos. Numa reforma ou numa ampliação, utilizam-se vários produtos. Desde materiais de base, como cimento e aço, até tubos e conexões, materiais de acabamento e elétricos. Todos os setores da indústria serão beneficiados.
A expectativa é que 2012 tenha vendas melhores que em 2011?
Em 2012, o setor espera um crescimento de 4,5% em faturamento real, ou seja, descontada a inflação, o que é melhor que 2011.
Além da medida governamental que libera o uso do FGTS, quais a Abramat avalia que deveriam ser tomadas para estimular o setor?
Primeiro, a expectativa é que o governo incremente os investimentos públicos no programa Minha Casa, Minha Vida. Além disso, temos que manter a disponibilidade do crédito. A previsão para este ano é que o crédito aumente 30%. Além disso, o setor espera que prossiga a política de redução de impostos. A Abramat está trabalhando intensamente para que isso ocorra.
Entrevistado
Walter Cover, presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção)
Currículo
- Graduado em engenharia agronômica pela UNESP- MS e em economia agrícola pela University of California
- É PhD em economia agrícola pela Michigan State University e cursou gestão empresarial avançada no INSEAD, da França
- Foi CEO, diretor e conselheiro em empresas de grande e médio porte, como Vale, Bunge, Lilly/Elanco, Teba Têxtil e CTM Citrus
- Atuou na Casa Civil da Presidência da República, coordenando uma estrutura multiministerial que apoiou a viabilização de projetos de investimentos privados e de parcerias público-privadas (PPP)
- Como superintendente geral da FIESP, conduziu um extenso programa de reestruturação e modernização da gestão
- Atualmente, é presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção)
Contato: presidencia@abramat.org.br
Créditos foto: Divulgação/Abramat
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Condomínios industriais impulsionam pré-fabricados
Entre as empresas especialistas neste tipo de empreendimento, a Perville constrói em Joinville o maior complexo multissetorial do Brasil
Por: Altair Santos
O setor de condomínios industriais atrai cada vez mais investidores e construtoras. O entorno do Rodoanel, em São Paulo, por exemplo, praticamente não tem mais vacância de terrenos para esse tipo de empreendimento. Segundo Inácio Rodrigo de Castro, da Catena & Castro Real Estate - empresa especializada em condomínios industriais -, a logística é que determina o sucesso dessas construções. "É necessário analisar os planos de desenvolvimento futuro de cada região. Isso inclui anéis viários de ligação, acessos práticos às principais rodovias em relação à capacidade de carga de estradas secundárias, praticidade de locomoção de funcionários das empresas que estarão locadas no condomínio e a infraestrutura local, principalmente fornecimento de energia e de água", alerta.

O negócio de condomínios industriais também se transformou no predileto de investidores internacionais. "A participação deles, seja como pessoa física ou através de fundos de investimento, está diretamente relacionado ao sucesso desse empreendimento no Brasil", revela Inácio Rodrigo de Castro. Por isso, construtoras e incorporadoras estão se especializando no modelo de construção. A Cyrela planeja, até 2014, investir US$ 300 milhões (R$ 525 milhões) em projetos de condomínios industriais. Outra construtora que investe maciçamente no setor é a Perville, que pertence ao grupo Perini. A empresa constrói no parque industrial de Joinville, em Santa Catarina, o maior condomínio multissetorial do país. Trata-se do Perini Business Park.
O complexo já conta com 244.000 m² de área construída, em um terreno de 2.800.000 m². Quando concluído, chegará a aproximadamente 550.000 m². Hoje já é o maior condomínio multissetorial do Brasil. "Desde 1999 trabalhamos na implantação deste condomínio industrial, que já conta com empresas nacionais e estrangeiras integradas ao empreendimento", explica Fabiano André Daltoé, engenheiro de vendas da Perville, cujo know how é a construção industrial pré-fabricada, aplicada ao conceito construtivo do condomínio industrial. "Desenvolvemos um sistema construtivo próprio, tratado conceitualmente como Sistema Perville", completa Fabiano.
De acordo com o engenheiro da Perville, as vantagens do modelo construtivo são as seguintes: painéis de fechamento fabricados com isolamento e acabamento granilhado, coleta e condução de águas pluviais embutidas nas peças pré-fabricadas, assim como a infraestrutura de aterramento. Além disso, todos os elementos são pré-fabricados, desde a fundação à cobertura, com o uso de protensão em algumas peças para melhorar seu desempenho. "Toda nossa produção é realizada em uma fábrica com capacidade de produção anual de 12 mil m³ de concreto. Destacamos que o fator principal não é a quantidade, mas a qualidade, a alta produtividade e a expertise de mercado", comenta Fabiano André Daltoé.

O interesse cada vez maior pela construção de condomínios industriais tornou-se um impulso para o consumo de pré-fabricados. No caso da Perville, entre 1999 e 2011, quase 75% da produção pré-fabricada da empresa foi direcionada para o empreendimento multissetorial em Joinville. "Utilizamos no condomínio 67.097 m³ dos 90.462 m³ produzidos pela Perville neste período", enumera Fabiano André Daltoé. "Não só por causa dos condomínios industriais, mas estamos em um momento muito importante para a construção pré-fabricada. Ela vem atendendo demandas dos investimentos público e privado seja em obras do setor industrial, comercial ou de eventos. Isto vai trazer à tona conceitos de excelência e sustentabilidade que ditarão os rumos do setor construtivo nos próximos anos. Apostamos nisso e estamos preparados para suprir as expectativas e nos posicionar no mercado", completa o engenheiro.
Entrevistados
- Fabiano André Daltoé, engenheiro de vendas da Perville
- Inácio Rodrigo de Castro, gestor de investimentos sênior e CEO da Catena & Castro Real Estate
Currículos
- Fabiano André Daltoé é engenheiro civil graduado pela UDESC (Universidade do Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina) com pós-graduação em gestão de negócios na Construção Civil (MBA pela FGV)
- Inácio Rodrigo de Castro tem MBA em real estate e desenvolve operações de private equity, build to suit e sale-leaseback, envolvendo estratégia e administração geral
- Tem experiência em estruturação e gestão de produtos financeiros e áreas de negócios no Brasil e América Latina
- É especializado em vendas corporativas, envolvendo imóveis comerciais e industriais e mercados de capitais.
Contatos: comercial@perville.com.br / rodrigocastro@catenaecastro.com.br
Créditos foto: Divulgação / Perville / Catena & Castro
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Mão de obra feminina se adapta ao canteiro de obras
Mais especializadas, mulheres convencem empregadores que podem desempenhar funções na construção civil e agora começam a chefiar obras
Por: Altair Santos
Presente em todos os setores profissionais, as mulheres veem na construção civil o mais novo eldorado de oportunidades. Segundo os dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego , a mão de obra feminina nos canteiros de obras já representa 12% do total em atividade no Brasil. Além disso, desde 2010 as construtoras - principalmente as voltadas para o segmento habitacional - têm destinado, em média, 40% das vagas abertas para as mulheres .

Apesar de a produtividade em relação aos homens ser menor, as mulheres são contratadas pela construção civil por terem um trabalho final melhor que a mão de obra masculina. "As mulheres são mais detalhistas e cuidadosas. Enquanto os homens agem mais pela rapidez, elas priorizam o capricho. Acho que isso tem ajudado a incrementar a participação da mulher no setor", avalia Nilvea Alcalai, superintendente do SindusCon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná).
Como tem sido comum a quase todas as entidades de classe ligadas à construção civil, o SindusCon-PR, desde 2010, promove cursos de qualificação da mão de obra feminina para o setor, em parceria com o Sesi/Senai. "Trabalhamos em um projeto que chama Mulheres Inventando Moda. Todas recebem um conhecimento inicial, para depois desenvolver uma função específica. Boa parte delas se destaca na parte de acabamento, na parte de revestimento, de pintura e eletricidade", comenta Nilvea Alcalai.
O programa incentivado pelo SindusCon-PR também faz o acompanhamento das mulheres no mercado. A expectativa é que, em breve, algumas delas já comecem a galgar postos de chefia dentro do canteiro de obras. "Com o aperfeiçoamento profissional destas mulheres que já estão atuando no setor, com certeza vamos ter muito em breve mestres de obras mulheres no Paraná", estima a superintendente do SindusCon-PR.
O curso Mulheres Inventando Moda tem uma carga de 160 horas. Gratuito, ele é voltado também para mulheres que queiram mudar de profissão e que buscam novas oportunidades. Nilvea Alcalai lembra que muitas ex-alunas continuam em busca de aperfeiçoamento, matriculando-se no curso técnico de edificações. A superintendente do SindusCon-PR ressalta ainda que a mão de obra feminina tem optado pela construção civil também pela questão financeira. "Existe piso salarial no setor e as mulheres ganham igual ao homem que desempenha a mesma função", revela.
Em todo o Brasil

Estima-se que atualmente a mão de obra feminina na construção civil brasileira abranja um universo de aproximadamente 360 mil mulheres. Esse número tende a aumentar com o surgimento de vários programas que qualificam a mulher na construção civil. Um dos pioneiros no país é o Mão na Massa, criado pela Federação de Instituições Beneficentes (FIB), com o apoio da Petrobras, da Eletrobras e da Fundação Interamericana (IAF). O projeto existe desde 2007 e só no Rio de Janeiro já qualificou 370 operárias. Em 2012, o plano será estendido para Bahia, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais.
O programa, idealizado pela engenheira civil Deise Gravina, atende mulheres de 18 e 45 anos e os cursos duram seis meses. Nesse período, é oferecida uma bolsa-auxílio de R$ 200 mensais às alunas. Ao final da capacitação, as recém-formadas recebem um kit de ferramentas para facilitar o acesso ao trabalho. Todas as alunas são cadastradas em um banco de empregos do projeto para quando uma obra ou um contrato se encerrar elas possam ser remanejadas para outras empresas clientes.
Entrevistada
Nilvea Alcalai, superintendente do SindusCon-PR
Currículo
- Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), com especialização em marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e qualidade total pela Fundação Cristiano Otoni
- Atuou no setor de consumo de 1985 a 2010 nas áreas administrativa, financeira e controladoria
- Desde 2011, atua como superintendente do Sinduscon-PR e é membro do Fórum de Ação Social da CBIC
Contato: nilvea@sindusconpr.com.br
Créditos foto: Divulgação/Sinduscon-PR/Rogério Theodorovy/Agência Fiep
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Anamaco vê busca por qualificação dobrar em 4 anos
Por: Altair Santos
A mão de obra que atua na construção civil tem se mostrado sedenta por qualificação. É o que se pode medir pela procura de cursos promovidos pela Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) e seus parceiros. Desde 2008, o número de interessados em aperfeiçoamento mais que duplicou. Só na loja-escola da Anamaco, em São Paulo, hoje são 120 alunos por final de semana. Há quatro anos, não passava de 50.

O impulso na capacitação da mão de obra se dá através do IBSTH (Instituto Brasileiro de Serviços e Tecnologia para o Habitat). Sua função é avaliar trabalhadores da construção civil, principalmente os que atuam de forma terceirizada. O instituto começou concedendo a avaliação TopS (Top em Qualidade de Serviços) que era um credenciamento para os profissionais ganharem mercado. Hoje, o TopS se transformou numa certificação, onde o foco é a alvenaria e o setor elétrico.
Segundo o presidente do IBSTH, José Antonio Andreasi Fantin, quando começaram a surgir os gargalos de mão de obra na construção civil, algumas empresas partiram para o improviso, o que foi um erro. "O mercado cresceu muito e a mão de obra não acompanhou. Com isso, diversas funções, como alvenaria básica, sistema de concretagem, vedação, impermeabilização, setor elétrico e assentamento de pisos, paredes e louças sanitárias, foram improvisadas. Isso desencadeou problemas", revela.
Por isso, o instituto assumiu um papel de protagonista para suprir a demanda nos canteiros de obras. De acordo com José Antonio Andreasi Fantin, o IBSTH tem o objetivo central de evitar a semiqualificação. "Nossos treinamentos têm trazido resultados para as empresas terceirizadas que atuam na construção civil. A resposta dada a nós é que os atrasos na entrega das obras por falta de profissionais qualificados diminuiu sensivelmente", atesta.
Os curso dos IBSTH, assim como o funcionamento da loja-escola da Anamaco, têm participação intensa das empresas que fabricam material de construção. "Elas assumem esses treinamentos, não só para propagar os seus próprios produtos, mas também para, principalmente, formar mão de obra que saiba trabalhar com seus produtos", cita o presidente do instituto.

Outra função dos cursos oferecidos pelo IBSTH e a Anamaco é reforçar a segurança no trabalho. Estatísticas revelam que profissionais bem orientados reduzem em pelo menos 70% o risco de acidentes nos canteiros de obras. "Ter trabalhadores que saibam manusear produtos, operar equipamentos e usar corretamente os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e Coletivo (EPC) é primordial para que haja poucos acidentes. Nossos cursos batem muito nesta tecla", reforça José Antonio Andreasi Fantin.
Como participar dos cursos do IBSTH e da Anamaco
As matrículas podem ser realizadas pelo telefone (11) 3393-3407 ou pelos emails:
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Entrevistado
José Antonio Andreasi Fantin, presidente do Instituto Brasileiro de Serviços e Tecnologia para o Habitat
Currículo
- Graduado em economia pela PUC-SP, atualmente é consultor empresarial, conselheiro em governança Corporativa pelo IBGC, presidente do IBSTH e professor universitário para os cursos de MBA e MBC da Fundação Getúlio Vargas
Contato: fantin@ibsth.org.br / www.ibsth.org.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Desafio do setor eólico é gerar mão de obra
Esforços são para que oferta de profissionais acompanhe o crescimento que esse modelo de geração de energia experimenta no Brasil
Por: Altair Santos
A energia eólica tende a se transformar no "pré-sal" das região Sul e Nordeste. Alguns estados, como a Bahia, saíram na frente e estão consolidando um pólo de construção de equipamentos aerogeradores. Isso tem demandado profissionais de engenharia e, como em outros setores, há falta de mão de obra.

Atentas, as universidades começam a se voltar para o setor eólico, lançando cursos de graduação em energias renováveis. Atenta ao mercado, a Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica) também estimula o treinamento de profissionais. Segundo a presidente-executiva Elbia Melo, os esforços são para que haja oferta de mão de obra suficiente para manter o crescimento do setor. Confira a entrevista:
Qual o potencial estimado do Brasil para produzir energia eólica?
O potencial de 2011 é 300 gigawats. Agora, este resultado é de um estudo que foi feito nos últimos anos, considerando a tecnologia atual e partindo dos dados do primeiro atlas eólico brasileiro - feito no início da década passada. Neste período, o nosso potencial estimado foi de 146 gigawats. Só que de lá para cá, com o ganho tecnológico, a melhora de tecnologia e o avanço na exploração dos ventos - naquela época a gente trabalhava com torre de 50 metros de altura e agora estamos com torres de 100 metros - o potencial eólico praticamente duplicou.
Está se consolidando na região Nordeste um pólo de construção de equipamentos aerogeradores. O Brasil tem mão de obra para atender a essa demanda da indústria eólica?
A mão de obra está crescendo junto com a necessidade da indústria. Inclusive, é uma das nossas preocupações buscar justamente instituições que treinem a mão de obra. Já firmamos parceria com o Sesi e o Senai, mas trata-se de um setor intensivo em tecnologia, e que exige mão de obra especializada. As regiões Nordeste e Sul são as que mais têm recebido investimento e as que mais demandam profissionais. Principalmente a Nordeste, por causa da implantação de indústrias de equipamentos para geração eólica.
Em 2011, a Universidade Federal do Ceará (UFC) lançou um curso de graduação em Engenharia de Energias Renováveis. Outras universidades deveriam seguir esse caminho?
Deveriam, e estão seguindo. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) por exemplo, tem o primeiro curso de mestrado em energia eólica. O Ceará já criou o seu e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) também está seguindo o mesmo caminho. Trata-se de uma indústria muito nova, no que se refere à cadeia produtiva, à cadeia de equipamentos, à necessidade de inovação, de pesquisa e de desenvolvimento. Essas instituições estão cada vez mais buscando oferecer cursos para capacitar as pessoas e atender as necessidades do mercado. Veja, no Brasil, os primeiros leilões foram em 2009 e os investimentos começaram a acontecer a partir de 2010. Você precisa de três anos para construir um parque eólico e colocar em operação. Então, a demanda está surgindo agora, assim como a oferta. Inclusive, aqui na AbeEólica temos um trabalho chamado Rede de Pesquisa. O objetivo é justamente aglutinar num locus de informação toda a demanda por mão de obra, demanda por inovação, por pesquisa e desenvolvimento. A ideia é ter um cadastro, para que a oferta encontre a demanda de maneira mais otimizada.
Hoje, o Brasil está precisando importar mão de obra ou já existe qualificação suficiente para o setor de energia eólica?
As fábricas que têm aqui utilizam 95% de mão de obra brasileira, o que, sem dúvida nenhuma, tem gerado muito emprego no país.
Ao que parece, a energia eólica no Brasil tem sido entregue para a iniciativa privada ou as estatais também têm se dedicado ao setor?
Não há preferência de capital, pois os setores são regulados, têm regras e isso faz com que os investimentos sejam privados ou públicos. No caso da energia eólica, temos muitas empresas privadas brasileiras, genuinamente brasileiras, e temos também empresas estrangeiras investindo no setor, assim como estatais como CEMIG, Furnas e Eletronorte.
As estatais que começam a entrar no ramo da energia eólica têm readaptado seus profissionais ou têm buscado no mercado especialistas em energia eólica?
Elas estão fazendo um mix. Em muitas situações, elas treinam o seu pessoal. Isso quando têm mão de obra disponível. Caso contrário, elas contratam lá fora. Como não havia o hábito de construir parques eólicos, mas essas empresas têm expertise em construir linhas de transmissão, e a lógica da construção de uma torre eólica é um pouco parecida com uma torre de transmissão, elas têm aproveitado bastante esses profissionais.
A maior parte dos especialistas em energias renováveis encontrados atualmente em empresas privadas estão saindo do universo acadêmico?
Tem uma parte, mas é um percentual pequeno. A gente tem que entender melhor o que é sair do ambiente acadêmico. Um aspecto é uma pessoa que termina a graduação e vai, naturalmente, ao mercado de trabalho. Isso não é buscar profissionais no mundo acadêmico. Outro é aquele profissional que é professor, que é pesquisador da universidade e que é contratado pelas empresas. Mas neste caso, os números de contratações não têm sido muito relevantes.
Esse gargalo na mão de obra pode prejudicar o desenvolvimento da energia eólica no Brasil?
Não chamo de gargalo, mas de desafio. Como é uma indústria que está crescendo com muita rapidez, não estávamos preparados para tanta velocidade e, então, está se buscando rapidamente ofertar mão de obra. Estamos conseguindo, a ponto de não chegar numa situação de dizer: olha, não vai dar para fazer obra porque não tem mão de obra especializada. Não chegou nesta situação, e possivelmente não vai chegar. Há um empenho grande para treinar e formar mão de obra.
Para o profissional de engenharia que quer se especializar em energia eólica, quais são as alternativas?
Geralmente, eles têm uma graduação básica de engenharia elétrica, de engenharia civil ou eletrônica. Daí, buscam um mestrado numa área mais especializada. Tem muitos profissionais que não são necessariamente engenheiros, mas economistas, administradores, e que buscam profissionalização nesta área. Até porque, a indústria exige várias formações. Desde uma qualificação para o chão da fábrica até para produzir equipamentos. Também tem muita demanda nas áreas de investimento.
Entrevistada
Elbia Melo, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica)
Currículo
- Elbia Melo é doutora em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2003), mestre em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina (1999), e bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Uberlândia (1997)
- É presidente Executiva da AbeEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica) desde setembro de 2011
- Foi membro da diretoria da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) de junho de 2006 a abril de 2011
- Foi conselheira da Eletrosul (2005-2006), economista-Chefe do ministério de Minas e Energia (2003-2006), coordenadora de política institucional do ministério da Fazenda (2002-2003), assessora na Eletrobras (2001), Assessora na Aneel (2001-2001), professora da Universidade Federal de Santa Catarina (1998-2000)
- Tem experiência na área de economia, com ênfase em economia industrial. É especialista em regulação e mercados de energia elétrica, tendo atuado nessa área desde 1998
Contato: comunicacao@abeeolica.org.br / elbia.melo@ abeeolica.org.br / @elbiamelo
Créditos foto: Divulgação/AbeEólica
Jornalista responsável: Altair Santos - MTB 2330
Congresso impulsiona estruturas subterrâneas
Engenharia brasileira já realizou grandes obras, mas recentemente há pouco investimento no setor de túneis. Evento faz alerta para essa situação
Por: Altair Santos
Entre 20 e 22 de março, acontece em São Paulo o 3º Congresso Brasileiro de Túneis e Estruturas Subterrâneas. O evento é considerado uma espécie de divisor de águas para o setor. Na década passada, houve pouco investimento nesta área, apesar de a engenharia brasileira ter obras relevantes e reconhecidas internacionalmente. Por isso, o objetivo do encontro é promover intercâmbio e debater 11 temas considerados fundamentais para impulsionar novos projetos e construções.

Para Tarcisio Barreto Celestino, presidente do Comitê Brasileiro de Túneis e um dos organizadores do encontro, nesta área a engenharia brasileira não está mais entre as melhores do mundo. "Já fomos melhores do que somos hoje. Em algumas áreas há o que melhorar, inclusive às obras relacionadas a túneis convencionais", diz o especialista, afirmando que atualmente não há nenhuma construção de vulto no país. "Nós já fizemos a usina hidrelétrica subterrânea de Serra da Mesa, que é uma obra inquestionável. Também tem a caverna da usina Paulo Afonso IV, feita há mais de 30 anos e viabilizada por um projeto nacional, mas atualmente não há nenhuma que impressione", completa.
Além de novas tecnologias, o tema estocagem subterrânea será um dos principais do congresso. "É inconcebível que o Brasil até hoje não tenha nada de estocagem subterrânea, apesar de ter tecnologia. Nos países nórdicos, todo o petróleo deles é estocado em subterrâneo, porque é mais barato e mais seguro. Por isso, teremos uma mesa redonda sobre o assunto", revela Tarcisio Barreto Celestino.
Outro assunto a ser destacado no 3º Congresso Brasileiro de Túneis e Estruturas Subterrâneas serão os túneis imersos. "Finalmente o Estado de São Paulo contratou um projeto para construir o túnel Santos-Guarujá. Vai ser o primeiro no Brasil, quando na realidade essa é uma técnica que existe há mais de 100 anos. Argentina e Cuba já têm obras de túneis imersos, mas só agora vamos construir uma aqui no Brasil", comenta o presidente do Comitê Brasileiro de Túneis. O túnel Santos-Guarujá deve ficar pronto em 2016 e vai custar R$ 1,3 bilhão.
Trabalhos de 14 países serão analisados no evento, com destaque para aqueles considerados donos das melhores tecnologias em construção de túneis, como Noruega, Suécia, Finlândia, Áustria e Suíça. Segundo Tarcisio Barreto Celestino, será a oportunidade para que o universo acadêmico possa ajudar a impulsionar esse setor da engenharia. Atualmente, apenas quatro universidades dedicam cursos de pós-graduação e doutorado em obras subterrâneas: a USP, em São Carlos, a UnB, a UFRJ e a PUC-RJ. "Profissionais nós temos, mas faltam obras", avalia o especialista.
Ainda de acordo com Tarcisio Barreto Celestino, o estímulo a esse tipo de construção é bom também para o setor de cimento e concreto. "O básico de uma estrutura de suporte, de um túnel, de uma obra subterrânea, é o concreto e o aço. A cada quilômetro de túnel, são consumidos 10.000 m³ de concreto, em média. Ou seja, são obras que estimulam a cadeia produtiva da construção civil", finaliza.
Serviço
Saiba mais sobre o 3º Congresso Brasileiro de Túneis e Estruturas Subterrâneas: Clique aqui
Entrevistado
Tarcisio Barreto Celestino, presidente do Comitê Brasileiro de Túneis
Currículo
- Graduado em engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1972)
- Tem mestrado em Engenharia Civil - University of California, Berkeley (1978) e doutorado em Engenharia Civil - University of California, Berkeley (1981)
- Atualmente é professor doutor da Universidade de São Paulo e gerente de engenharia civil da Themag Engenharia
- É presidente do Comitê Brasileiro de Túneis, Coordenador do Grupo de Trabalho de Concreto Projetado da International Tunnelling Association e consultor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
- Foi professor convidado do Programa de Mestrado em Obras Subterrâneas do IHE, em Delft, na Holanda
- Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Mecânicas das Rochas, atuando principalmente nos seguintes temas: túneis, mecânica das rochas, concreto projetado, barragens e aplicações de métodos numéricos.
Contato: tbcelest@usp.br
Créditos foto: Divulgação
Jornalista responsável Altair Santos - MTB 2330
Manutenção é o que dá vida ao "prédio verde"
Não basta construir uma edificação dentro dos padrões de sustentabilidade. É preciso engajamento do condomínio para que o conceito sobreviva
Por: Altair Santos
De acordo com o Green Building Council Brasil, o país ocupa atualmente o quarto lugar no ranking de prédios verdes com certificados LEED ™ (Leadership in Energy and Environmental Design). O conceito tem se destacado nos processos decisórios de players importantes da construção civil, principalmente quando envolve empreendimentos comerciais. No entanto, os padrões de sustentabilidade não se encerram nas etapas de projeto e construção do edifício. A certificação só se renova a cada cinco anos se a manutenção e a operação perseguirem as normas ao longo da vida útil do prédio.

Segundo João Alves Pacheco, diretor de engenharia e sustentabilidade da Cushman & Wakefield - empresa especializada em gestão de serviços e operação de edifícios verdes -, é fundamental assegurar que as premissas adotadas no projeto sejam mantidas para que os benefícios previstos se concretizem. "É imprescindível o engajamento e deve ocorrer uma campanha constante para que todos os ocupantes do condomínio entendam e se envolvam com as questões de sustentabilidade implantadas", explica. " É importante focar no desempenho contínuo dos sistemas que consomem recursos e também no conforto ambiental", complementa Tatiana Tostes, coordenadora de sustentabilidade da Cushman & Wakefield.
A certificação que trata da manutenção e da operação de prédios verdes é a LEED™ EB O&M (Existing Buildings: Operation & Maintenance) que possui validade e deve ser renovada a cada cinco anos. Ela ocorre após a etapa de construção, quando o prédio já está ocupado e operando. O selo é uma garantia de gestão consistente do empreendimento, embasada em políticas e processos de manutenção de equipamentos, que englobam consumo de energia e de água, destinação dos resíduos e serviços como os de limpeza e o paisagismo. O objetivo é maximizar a eficiência operacional e minimizar os impactos ambientais. "Por isso, é recomendável que os gestores do edifício recebam capacitação adequada", diz João Alves Pacheco.
A Green Building Council Brasil destaca que, apesar de receber investimento maior que o de um edifício comum - entre 2% e 7% do valor da obra -, os "prédios verdes" permitem uma redução do consumo de energia de até 30% e queda no consumo de água entre 30% e 50%. "Algum custo adicional que ocorra em função da inclusão de equipamentos ou sistemas deve ser coberto pelo melhor desempenho do edifício. Sua boa performance, através do monitoramento dos seus gastos, deve resultar em economia financeira, além de reduzir a agressão ao meio ambiente. Contudo, essa nossa afirmação considera que serão contratados serviços de gestão e operação de facilities de boa qualidade", ressalta Tatiana Tostes.
Confira os requisitos do LEED™ EB O&M
Terreno sustentável
- Substituição de produtos de limpeza convencionais por produtos com certificação Green Seal, que agridem muito menos o meio ambiente.
- Substituição de produtos utilizados para controle de pestes por outros menos tóxicos e com baixo impacto ambiental.
- Substituição de cortadores de grama movidos a combustão por equipamentos movidos a energia elétrica, o que reduz a emissão de poluente e o ruído durante a operação.
- Mais de 30% de todo o volume de chuvas é mantido no empreendimento, devido à infiltração da água em áreas verdes e ao sistema de captação e retenção de água pluvial.
- O paisagismo recebe espécies catalogadas e as plantas existentes são adequadas ao habitat natural da região.
- Localização do empreendimento estimula o uso de transporte coletivo.
Uso racional de água
- As caixas acopladas dos vasos sanitários são reguladas para eliminar vazamentos e garantir um consumo de 6 litros por acionamento.
- Os restritores de vazão existentes nas torneiras dos lavatórios foram aferidos, garantindo um consumo médio máximo de 0,5 litro por acionamento.
- Redução de, pelo menos, 35% no consumo de água.
- 100% da água utilizada para irrigação é proveniente de água de chuva.
Uso racional de energia
- Alteração de horário de funcionamento de determinadas áreas de estacionamento, permitindo a redução no consumo de energia com iluminação.
- Substituição de lâmpadas fluorescentes por instalações de LEDs.
- Instalação de um banco de capacitores, reduzindo a zero o custo de energia capacitiva e reativa.
- Alterações no sistema de automação para permitir que chillers de menor capacidade, antes utilizados apenas para circuitos 24 horas, assumam automaticamente a demanda de refrigeração dos escritórios durante o horário de ponta, reduzindo o consumo de energia. Os chillers são equipamentos responsáveis por refrigerar a água utilizada para condicionamento dos prédios.
- Reestruturação da iluminação do hall dos elevadores dos andares, permitindo que apenas parte da iluminação, a necessária para eficiência, fique acessa durante o período noturno.
Materiais e recursos
- Plano de gestão de resíduos sólidos do empreendimento inclui coleta de pilhas e baterias, cartuchos e toners de impressoras e bitucas de cigarros, sendo todos esses resíduos encaminhados para reciclagem.
- As lâmpadas fluorescentes são armazenadas em local específico e tratadas por empresa especializada.
Qualidade do ambiente interno
- Instalação, próximo às catracas (em caso de edifícios comerciais) de capachos com 3 metros de comprimento, capazes de reter mais de 80% dos contaminantes que seriam carreados para outros pavimentos pelas solas dos sapatos dos ocupantes.
- Medição rigorosa dos sistemas de fornecimento de ar, garantindo que o volume mínimo de ar necessário para manter a qualidade do ambiente interno seja fornecido aos ocupantes.
- Delimitação de área para fumantes, com permissão apenas à área do "fumódromo", distante de qualquer entrada ou tomada de ar das edificações para evitar a contaminação das áreas internas.
Entrevistados
João Alves Pacheco e Tatiana Tostes, da Cushman & Wakefield
Currículos
- João Alves Pacheco é graduado em Tecnologia Mecânica pela FATEC-SP e mestre em Administração de Empresas pela PUC-SP. Também é profissional acreditado (LEED™-AP) pelo USGBC (Conselho Americano de Prédios Verdes).
- Possui grande experiência em gerenciamento de facilities, tendo trabalhado como gestor nas áreas de engenharia e manutenção predial. Na Cushman & Wakefield há 14 anos, João Alves Pacheco é atualmente o diretor responsável pelas áreas de suprimentos, qualidade, planejamento, engenharia de manutenção e consultoria de certificação de edifícios verdes.
- Tatiana Tostes é coordenadora de Sustentabilidade da Cushman & Wakefield, com formação acadêmica em administração na Universidade Presbiteriana Mackenzie, na Universidade de São Paulo (USP) e na Fundação Getúlio Vargas
Contatos: joao.pacheco@sa.cushwake.com / tatiana.tostes@sa.cushwake.com / http://www.cushwake.com
Créditos foto: Divulgação