Brasil corre risco de ter normas técnicas canceladas

Documentos com mais de cinco anos sem revisão têm sido vetados pela ABNT, o que força setores da construção civil a correr contra o tempo

Por: Altair Santos

Desde 2010, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) decidiu que normas com mais de cinco anos sem revisão poderão ser submetidas a processos de extinção, caso não sejam criadas comissões para atualizá-las dentro de seus respectivos setores. Por isso, o CB-18 - Cimento, Concreto e Agregados - atravessa um processo de intenso trabalho. Vinculado ao comitê atua a Comissão de Estudo Especial de Inspeções de Estrutura de Concreto (ABNT/CEE-169) que cumpre exatamente a função de atualizar os documentos. Recentemente, esta comissão adotou, em caráter de urgência, uma série de normas técnicas ameaçadas de cancelamento e consideradas relevantes para as obras de infraestrutura do país.

Alerta sobre ameaça às normas técnicas sem revisão foi dado em seminário da ABCIC, na Road Expo 2014

Tratam-se de quatro normas em uma - as chamadas normas de aparelhos de apoio:  ABNT NBR 9783: 1987 - Aparelhos de apoio de elastômero fretado; ABNT NBR 9784: 1987 -  Aparelho de apoio de elastômero compressão simples; ABNT NBR 9785:1987 - Aparelho de apoio de elastômero distorção, e ABNT NBR 9786:1987 - Aparelho de apoio de elastômero deslizamento . "As normas foram levadas para a comissão especial de estudo da ABNT, a fim de que sejam aprovadas do jeito que estão, para não serem canceladas, e paralelamente já começou o trabalho para atualizá-las", lembra Júlio
Timermann, presidente em exercício do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto).

Timermann deu a informação no seminário Projeto, Construção, Sistemas Construtivos e Manutenção de Obras de Infraestrutura Viária e Mobilidade Urbana, promovido dentro do congresso da Brazil Road Expo 2014, numa parceria entre o Ibracon e a Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto). "As normas técnicas traduzem a cultura de um povo. Temos muitas conquistas. Somos, por exemplo, o único país da América Latina que conta com uma norma própria de concreto, a 6118 (ABNT NBR 6118 - Projeto de estruturas de concreto - Procedimento) enquanto os demais seguem a norma dos Estados Unidos, a ACI 318. Portanto, devemos cuidá-las", completa Timermann.

O alerta sobre o risco de cancelamento de normas foi passado pelo presidente em exercício do Ibracon e pela superintendente do CB-18, Inês Battagin. Desde 2012, o comitê debruça-se sobre revisões e atualizações de cerca de 300 normas. Só em 2013, 90 documentos foram colocados em dia. A questão, diz Battagin, é que uma revisão de norma exige tempo. “Algumas podem levar até três anos”, afirma, destacando que o processo de revisão é contínuo. “À luz das novas exigências e tecnologias, elas não param nunca”, destaca.

Função das normas

O conjunto de normas ABNT NBR 9793, 9794, 9785 e 9786 define que os aparelhos de apoio de elastômero simples se aplicam a tensões mais baixas e são utilizados em obras prediais, residenciais, pré-moldadas, elementos de sacrifício, atenuantes de vibração, estúdios de som. Os fretados são apoios constituídos de elastômero e aço, suportam tensões normais mais elevadas graças à adesão borracha-metal e são apropriados a obras de pontes, viadutos, passarelas, prediais, plataformas de petróleo, hidrelétricas. Os apoios deslizantes podem ser fretados ou simples e têm a finalidade de liberar parcial ou totalmente esforços horizontais, através de uma película de teflon vulcanizada em uma das superfícies horizontais.

O presidente em exercício do Ibracon lembrou ainda que o CB-18 já efetuou a revisão de outras normas importantes para o setor de obras de infraestrutura, que são a ABNT NBR 7188 - Carga móvel em ponte rodoviária e passarela de pedestre - e a ABNT NBR 9452 - Vistorias de pontes e viadutos de concreto - procedimento.

Entrevistado
Engenheiro civil Júlio Timermann, presidente em exercício do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto) e diretor-geral da Engeti Consultoria e Engenharia SS Ltda
Contato: projetos@engeti.eng.br

Crédito Foto: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Tecnologia permite reconstruir pontes em 15 dias

Sistema ABC (Accelerated Bridges Construction) já é adotado como padrão nos Estados Unidos e, lentamente, começa a ser testado em rodovias no Brasil

Por: Altair Santos

Em 2007, o colapso de uma ponte em Minneapolis, que resultou em 13 mortes e 145 feridos, levou o Federal Highway Administratiom (FHWA) a investigar patologias em todas as obras de arte dos Estados Unidos. O organismo, que equivale ao Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) no Brasil, detectou que 75 mil, das 600 mil pontes e viadutos no país, estavam em risco. O plano de recuperação das estruturas mais comprometidas veio de uma tecnologia que já estava amadurecendo na Florida International University (FIU): o sistema ABC (Accelerated Bridges Construction).

Júlio Timermann, no Summit Congress da Road Expo: em 90% das pontes das rodovias brasileiras é possível adotar esta tecnologia

A inovação não reabilita construções, mas as substitui por um processo de industrialização baseado em estruturas pré-fabricadas e pré-moldadas.  "Além de gerar menos transtornos, pois a recuperação de uma obra pode levar até cinco meses, o sistema é mais simples. Utiliza soluções modulares pré-fabricadas e pré-moldadas, substituindo o tabuleiro e as obras de arte. É mais econômico e mais rápido do que recuperar estruturas antigas", diz o presidente em exercício do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto) Júlio Timermann, em palestra no seminário Projeto, Construção, Sistemas Construtivos e Manutenção de Obras de Infraestrutura viária e mobilidade urbana, promovido pelo instituto em parceria com a Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada) durante a Brazil Road Expo 2014.

Nos Estados Unidos, o Accelerated Bridges Construction (veja vídeos ao final da reportagem) tem conseguido viabilizar novas pontes e viadutos em até 15 dias. "Há um forte investimento em planejamento, materiais e métodos inovadores industrializados e modulares que permitem cumprir esses prazos. Eles têm implementado uma obra completa em 15 dias", confirma Timermann. O presidente em exercício do Ibracon conta que as empreiteiras norte-americanas instalam o canteiro de obras ao lado da estrutura a ser substituída e garantem um empreendimento com menor impacto ambiental e maior sustentabilidade. "Além disso, é uma obra que aumenta a segurança do trabalhador", completa.

Padronização

Sistema ABC: industrialização substitui reforma de pontes por peças pré-moldadas e pré-fabricadas

Transportando para o Brasil, ainda há poucas iniciativas com o sistema ABC. A primeira foi realizada pela concessionária Arteris na rodovia dos Tamoios, em São Paulo. A CCR também já estuda a tecnologia. Para Timmermann, a maioria das obras de arte existentes nas rodovias brasileiras pode ter acesso à inovação, pois tem tabuleiros inferiores a 50 metros e estão em áreas secas ou sobre rios com curso d'água que não atrapalha a operação de equipamentos. Para ele, o importante é que o Dnit intervenha para criar um modelo único. O sistema ABC, chegando ao Brasil, precisa de uma padronização de pilares, travessas e lajes de aproximação", alerta.

No sistema ABC, enquanto se está cravando as estacas fabrica-se as longarinas no canteiro de obras. Já o tabuleiro vem pronto. "As estruturas trabalham solidarizadas e atuam como se fosse uma obra monolítica", afirma. Para disseminar e padronizar a tecnologia nos Estados Unidos, o FHWA tem investido em palestras, seminários e treinamento.

Veja vídeos sobre o Accelerated Bridges Construction

Entrevistado
Engenheiro civil Júlio Timermann, presidente em exercício do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto) e diretor-geral da Engeti Consultoria e Engenharia SS Ltda
Contato: projetos@engeti.eng.br

Créditos Fotos: Divulgação/FHWA/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Até o fim da década, BIM estará em todos os projetos

Reino Unido espera cumprir meta em 2016, seguido da União Europeia. No Brasil, governo de Santa Catarina e DNIT são os primeiros a tomar iniciativa

Por: Altair Santos

Os primeiros registros sobre conceitos de BIM (Building Information Modeling) surgiram em 1974 e são creditados ao professor Charles M. Eastman, do Instituto de Tecnologia da Geórgia - EUA. Mas foi o arquiteto e analista industrial americano Jerry Laiserin, em 2008, quem aplicou a tecnologia pela primeira vez em um projeto. Propagado em todo o mundo, o sistema, antes focado em projetos de edifícios, agora começa também a ser intensamente utilizado nas obras de infraestrutura.

Júlio Calsinski: modelos atuais de BIM permitem compartilhar informação on-line

A ponto de alguns países estarem definindo prazos para que o BIM seja a ferramenta obrigatória em projetos para obras públicas. "O Reino Unido estabeleceu em 2012 um prazo de quatro anos para que as construtoras adotem o sistema, ou seja, até 2016 o BIM estará em todos os projetos. A União Europeia está no mesmo caminho. Aqui no Brasil, Santa Catarina foi o primeiro estado a exigir que a tecnologia esteja presente em todas as licitações de obras públicas até 2018. Na esfera federal, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) está adotando resolução semelhante", afirma Júlio Calsinski, da Nemetscheck, multinacional alemã que passou a desenvolver o BIM no Brasil.

Calsinski palestrou no seminário Projeto, Construção, Sistemas Construtivos e Manutenção de Obras de Infraestrutura viária e mobilidade urbana, promovido pelo Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto) em parceria com a Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada) durante a Brazil Road Expo 2014. "O uso do BIM em projetos de obras de infraestrutura é um caminho sem volta", garante o especialista, explicando o porquê desta profusão do sistema. "O CAD não dá mais conta, pois o engenheiro calculista está recebendo modelos de arquitetura cada vez mais complexos e isso também exige projetos mais complexos", completa.

Implantação nas empresas

Júlio Calsinski revelou em sua palestra que uma pesquisa realizada na Inglaterra mostrou que o BIM pode gerar economia de 20% a 25% no custo da obra. "Um projeto precisa evitar três riscos: a falta de informação, a informação errada e a informação conflitante. O BIM minimiza isso e, por isso, gera economia", explica. O especialista faz um comparativo com a indústria automobilística: "Os modelos virtuais de projeto ajudaram a indústria automobilística a produzir carros em maior número, melhores e mais baratos. Se funciona lá, funcionará na construção civil."

Calsinski alerta, porém, que as empresas precisam ter um bom planejamento para adotar o sistema. "A diretoria da companhia é decisiva para implantar o BIM. Não se pode terceirizar essa medida. Também é preciso definir a equipe que irá desenvolver o sistema, e é importante que, entre eles, estejam os melhores. Outra recomendação importante é que se dê tempo para essa equipe aprender o sistema", revela. "Outra prioridade é que o projeto-piloto da empresa, aquele que será desenvolvido pela primeira vez através do BIM, tenha tempo de maturação. Não pode ser para ontem. A equipe precisa de tempo para trabalhar nele", finaliza.

Entrevistado
Engenheiro calculista Júlio César Calsinski, managing director na Nemetschek do Brasil
Contato: j.calsinski@scia-online.com

Crédito Foto: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Itambé lança aplicativo sobre patologias do concreto

Disponível gratuitamente no site da companhia de cimento, ferramenta serve de apoio para profissionais e estudantes de engenharia civil e de arquitetura

Por: Altair Santos

Patologias do concreto estão entre os temas mais recorrentes dentro da cadeia produtiva da construção civil. Por que elas surgem, como evitá-las e como tratá-las são os questionamentos mais comuns entre os profissionais que atuam no setor, sejam eles da engenharia ou da arquitetura. A ponto de, atualmente, ter aumentado significativamente os estudos nesta área.

Visual do aplicativo sobre patologias do concreto: disponível para smartphones e tablets

O impasse é que, num canteiro de obras, nem sempre é possível contar com uma literatura adequada ou mesmo com um especialista em patologias de forma imediata. Na maioria das vezes, detecta-se o problema e busca-se uma resposta rápida. Foi pensando em dar agilidade ao processo de diagnosticar essas "doenças" que a Cia. de Cimento Itambé desenvolveu uma ferramenta inovadora: um aplicativo sobre as sete patologias que mais atingem o concreto.

Criado pela Redirect Digital Marketing, parceira da Itambé em serviços e produtos ligados à internet , o aplicativo sobre patologias do concreto trata com uma linguagem bastante simples de casos como corrosão de armaduras, desplacamento em pisos, eflorescências, esfarelamento do concreto, expansão dos componentes do concreto, falhas ou ninhos e trincas ou fissuras. Além de explicações, a ferramenta mostra imagens de como as patologias se manifestam.

De acordo com Paulo Bart, diretor de criação da Redirect, o grande desafio no desenvolvimento do aplicativo foi gerar um conteúdo que desse apoio técnico e ao mesmo tempo tivesse uma linguagem simples. "Neste ponto, a assessoria técnica do Jorge Aoki (gerente de assessoria técnica da Itambé) foi fundamental. Ele desenvolveu uma pesquisa completa e orientou na elaboração do aplicativo", diz Bart.

Paulo Bart, diretor de criação da Redirect: conteúdo do aplicativo é de fácil compreensão

A ferramenta tem o propósito de ser um material de apoio tanto para os profissionais da área quanto para estudantes de engenharia civil e arquitetura, assim como para os educadores destes cursos. "Tanto na sala de aula como numa obra, o aplicativo está disponível para trazer as informações básicas sobre o assunto patologias do concreto, e com uma usabilidade muito fácil", explica o diretor de criação da Redirect.

Serviço
Para baixar gratuitamente a ferramenta basta acessar o portal da Cia. de Cimento Itambé

Entrevistado
Paulo Bart, diretor de criação da Redirect
Contato: www.redirectdigital.com.br/#contato
Crédito Foto: Divulgação/Redirect

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Mercado formiguinha merece atenção do poder público

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas avaliam que deveria haver campanhas para população de baixa renda que pratica autoconstrução

Por: Altair Santos

Em 2013, o chamado mercado formiguinha da construção civil consumiu R$ 76 bilhões. Dados do sistema Anamaco/Acomacs/Fecomacs, que engloba o comércio do setor, estima que, desde 2008, 70% do que é vendido no varejo é comprado por esse público, que investe em pequenas reformas e na autoconstrução. Atento a esse modelo de consumo, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo, avalia que se trata de um segmento da construção civil que merece maior atenção.

Ércio Thomaz, do IPT: mercado formiguinha compra 70% do que é vendido no varejo da construção

Na opinião de Ércio Thomaz, doutor em engenharia civil e pesquisador de sistemas construtivos do IPT, não só os fabricantes de materiais de construção, mas, especialmente, os profissionais da área e o poder público deveriam estar mais atentos ao que esse público busca. “Estamos falando de consumidores que moram, geralmente, na periferia dos grandes centros, são mais humildes, desinformados e com menor poder econômico. Mas, mesmo assim, consomem um volume enorme de material de construção. Certamente, muito mais do que o mercado formal”, cita.

Por isso, o pesquisador entende que o poder público deveria ter a preocupação de orientar esse consumidor. Principalmente, prestando assistência técnica aos que optam pela autoconstrução. “Engenheiros e arquitetos devem ser treinados para ir a essas regiões e dar amparo técnico a esse pessoal, que continua comprando pelo preço, pela cor e pela textura”, avalia Ércio Thomaz, para quem a indústria também tem um papel relevante na orientação. “Grandes fabricantes deveriam produzir catálogos técnicos pensando neste público, além de investir no treinamento dos vendedores que atuam no varejo, e que, muitas vezes, são os que prestam uma assessoria técnica informal ao consumidor-formiguinha”, completa.

Para Ércio Thomaz, cuidar deste público consumidor é uma questão de custo-benefício.  Estudos acadêmicos confirmam a tese do especialista. A autoconstrução gera muito mais entulhos e desperdiça muito mais material do que uma obra com orientação técnica. Dependendo do tamanho do empreendimento, o gasto pode chegar a 30% a mais. “Por se tratar de uma população de baixa renda, ela precisa ser orientada a construir da forma mais eficiente possível”, finaliza Thomaz que comentou sobre o tema em evento promovido pelo IPT e pelo SindusCon-SP, em fevereiro de 2014, denominado “Impactos da Norma de Desempenho”.

Entrevistado
Engenheiro civil e professor-doutor Ércio Thomaz, coordenador da cadeira de patologias da construção, do mestrado profissional do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)
Contato: ethomaz@ipt.br

Crédito Foto: Divulgação/IPT

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Nova ponte sobre o Guaíba, enfim, sai do papel

Obra terá 1.900 metros de extensão e outros 5.400 metros de acessos e elevados. Ao todo, consumirá 170 mil m³ de concreto e 17.600 toneladas de aço

Por: Altair Santos

Antiga reivindicação da população que mora em Porto Alegre-RS e no entorno da capital gaúcha, a segunda ponte sobre o rio Guaíba finalmente sairá do papel. A obra, que será custeada por recursos federais, teve seu contrato assinado no final de março de 2014 e a instalação do canteiro de obras está prevista para junho. Avaliado em R$ 649,6 milhões, o empreendimento terá 1.900 metros de extensão e tende a acabar com os seguidos congestionamentos causados pelo esgotamento da ponte antiga, cujo vão é móvel, e que está em operação desde 1958.

Jorge Fraxe, do DNIT: nova ponte atenderá grande fluxo de veículos pesados

O responsável pela construção será o Consórcio Ponte do Guaíba, das empresas Queiroz Galvão e EGT Engenharia. O resultado da licitação para a contratação dos responsáveis pela elaboração dos projetos básico e executivo de engenharia, e pela execução das obras de construção, foi homologado pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). “Além dos 1.900 metros da ponte, o complexo rodoviário ligado à obra terá um total de 7,3 quilômetros, considerando acessos e elevados”, explica o diretor-geral do DNIT, Jorge Fraxe.

Pelo projeto aprovado na licitação, a obra vai utilizar um total de 170 mil m³ de concreto e consumir 17.600 toneladas de aço. A previsão que haja a contratação de 1.100 operários. Parte do complexo rodoviário que se erguerá em torno da ponte receberá pavimento em concreto, pois é esperada uma grande demanda de veículos pesados (caminhões). Também por esse motivo, as dimensões da pista foram projetadas para receber esse fluxo. “Em cada sentido, haverá  duas faixas de trânsito de 3,6 metros, refúgios central e lateral de, no mínimo, 1,20 metros, acostamento de, no mínimo, três metros de largura”, diz Fraxe, que é graduado em engenharia civil e general do exército.

Nova ponte sobre o Guaíba substituirá obra de 56 anos e terá investimento de R$ 650 milhões

Previsão de entrega: 2017  
A segunda ponte sobre o rio Guaíba ficará interligada às rodovias federais BR-116, BR-386 e BR-448. Ela fará a conexão da capital gaúcha com o sul do Rio Grande do Sul, passando pela Ilha do Pavão até a Ilha Grande dos Marinheiros. A expectativa é de que 50 mil veículos utilizem diariamente a nova ponte. É quase o mesmo fluxo que hoje trafega na ponte antiga. Outra previsão é de que a obra seja concluída até o final de 2017. Isso se todas as licenças ambientais forem obtidas. Um dos impasses é a realocação de 850 famílias, que hoje residem no percurso onde passará a ponte.

O esgotamento de capacidade do sistema atual começou em 1999. A ponte Getúlio Vargas tem um vão móvel  que eleva um trecho de pista de 58 metros de extensão e 400 toneladas de peso a uma altura de 24 metros (cada torre tem 43 metros até a base, sob a água). O vão é içado sempre que é necessária  a passagem de embarcações de grande porte. Mensalmente, esse movimento da ponte ocorre 45 vezes, em média. Os constantes içamentos do vão móvel geram congestionamentos no sistema viário da capital e rodovias da região. Desde 1999, a ponte já foi interditada oito vezes em consequência da fadiga e do envelhecimento do vão móvel.

Entrevistado
Jorge Fraxe, diretor-geral do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes)
Contato: imprensa@dnit.gov.br

Crédito Foto: Divulgação/Dnit

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Em alta, crédito imobiliário bate recorde de 20 anos

Primeiro bimestre de 2014 fecha com volume de R$ 17 bilhões para aquisição e construção de imóveis e equivale a 36% a mais do que igual período de 2013

Por: Altair Santos

Em fevereiro de 2014, o volume de empréstimos para aquisição e construção de imóveis somou R$ 8,8 bilhões. O total de recursos representa o melhor resultado para o mês em 20 anos. Se comparado a fevereiro de 2013, o crescimento foi de 52%. Somados os desempenhos de janeiro e fevereiro, o primeiro bimestre de 2014 alcançou R$ 17 bilhões em financiamentos - 36% superior a igual período de 2013. No acumulado de 12 meses (março de 2013 a fevereiro de 2014) o total de empréstimos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) alcançou R$ 113,7 bilhões, superando em 35% o apurado nos 12 meses precedentes, o que também é um recorde.

Em fevereiro de 2014, houve liberação de R$ 8,8 bilhões, diz Abecip

Os dados são da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e foram divulgados no dia 31 de março de 2014. Boa parte destes recursos foi empenhada em contratações vinculadas ao programa Minha Casa Minha Vida, que de 2009 para cá já atendeu 1,4 milhão de famílias e tem contratadas mais 1,7 milhão de habitações, entre casas e apartamentos. Esse esforço do governo federal em proporcionar acesso à casa própria contribuiu para que a oferta de financiamento para a compra de imóveis saísse de 1,5% para 8% do PIB, entre 2008 e 2013. De acordo com o Banco Central (BC), o financiamento imobiliário alcançou R$ 146 bilhões no ano passado. Dos quais, R$ 32,3 bilhões oriundos do FGTS e o restante originário do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE).

Efeito colateral
Da mesma forma que incentiva a liberação de recursos para o financiamento da casa própria, o Minha Casa Minha Vida é visto por economistas como o principal propulsor para o encarecimento dos imóveis. A maior oferta de crédito estimulou as famílias a optarem pelo imóvel próprio, pressionando a demanda no mercado imobiliário. O índice FipeZap confirma: de fevereiro de 2013 a fevereiro de 2014, o preços dos imóveis registraram, na média nacional, alta de 13,1%. Mesmo assim, a demanda segue em alta. Segundo o balanço da Abecip,  em fevereiro foram emprestados recursos para aquisições e construções de 46,4 mil imóveis - número 58% maior em relação ao registrado no mesmo mês do ano passado.

Ao todo, em 2014, já foram financiadas 86 mil unidades, o volume é 33% maior que em igual período do ano passado. Já nos últimos 12 meses, ocorreram financiamentos de 551,1 mil imóveis. Questionado sobre o risco de uma bolha, o governo federal nega. Recentemente, em comunicado, o Banco Central atestou a solvência do mercado financeiro em caso de crise no setor imobiliário e negou o risco de bolha imobiliária. "Não há bolha imobiliária no Brasil. Não temos elementos que caracterizem bolha", disse o BC, em nota assinada pelo diretor de fiscalização do Banco Central, Anthero Meirelles.

Entrevistado
Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensa@abecip.org.br

Créditos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Arena Amazônia e Beira-Rio dizem "presente" à Copa

Pré-moldado e estruturas mistas de concreto e aço ajudaram estádios a ficar prontos para o mundial, apesar do atraso nas obras e estouro no orçamento

Por: Altair Santos

A Copa do Mundo começa dia 12 de junho de 2014, mas três estádios correm contra o tempo para ficar 100% prontos. Além da Arena Pantanal, no Mato Grosso, estão nesta situação a Arena Corinthians, em São Paulo, e a Arena da Baixada, em Curitiba. Ao todo, nove palcos do mundial estão concluídos. Os entregues recentemente foram a Arena Amazônia e o Beira-Rio, em Porto Alegre. Como as demais obras para o evento, os dois estádios também sofreram atrasos e estouraram o orçamento. No entanto, foram salvos, assim como os outros empreendimentos, pelas estruturas pré-fabricadas, pré-moldadas e mistas (concreto e aço).

Beira-Rio: emprego de 26 mil m³ de concreto para as novas estruturas do estádio e de 15 mil m³ de peças pré-moldadas

O Beira-Rio, apesar de ser um estádio reformado, precisou de várias soluções de engenharia para alcançar o padrão exigido pela Fifa. Como boa parte de suas estruturas de concreto tinha mais de 40 anos, havia uma série de patologias que precisaram ser tratadas. Em algumas partes da arquibancada superior foi necessário hidrojetar (remover com potente jato d’ água) o concreto que existia, deixando aparente a armadura de aço, para depois reimplantar uma nova camada de concreto. As obras da reforma do Beira-Rio foram capitaneadas pela construtora Andrade Gutierrez, que explorará comercialmente o estádio por 20 anos.

Entre a troca do material velho pelo novo e a construção de estruturas no entorno do estádio, para sustentar a cobertura, foram consumidos 26 mil m³ de concreto. Outros 15 mil m³ foram aplicados em pré-fabricados para construir a arquibancada inferior. As peças foram feitas em Santa Catarina e viajaram cerca de 250 quilômetros até o estádio. Mesmo com a industrialização de vários processos na reforma do estádio, o Beira-Rio sofreu atraso de quatro meses. O estádio foi inaugurado dia 6 de abril.

Arena da Amazônia: desafio foi produzir concreto longe dos grandes centros urbanos

Arena Amazônia
Do projeto original ao projeto que concebeu a obra, a Arena Amazônia precisou passar por várias adaptações. Uma das consequências foi a elevação do custo final do empreendimento; outra, foi o atraso no cronograma. Um dado relevante é que o estádio, antes previsto para consumir 58.039 m³ de concreto estrutural, acabou exigindo o emprego de 66.226 m³. Este aumento na produção de concreto levou a Andrade Gutierrez a instalar no canteiro de obras uma central de pré-moldados de concreto, uma central de armação e uma central de concreto, a fim de atingir a produção requerida para um cronograma tão apertado.

No auge da produção, a central de pré-moldados chegou a produzir 880 peças por mês, entre degraus de arquibancada, vigas planas, lajes Pi e vigas inclinadas. Na fabricação destas estruturas de concreto, a Andrade Gutierrez utilizou 95% do material demolido do estádio antigo que ocupa a área onde foi erguida a Arena Amazônia. O uso de resíduos foi uma exigência para que a obra obtivesse a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) dada pelo Green Building Council, que atesta a sustentabilidade do empreendimento, desde sua fase de projeto até a sua utilização e manutenção.

O projeto executivo da Arena da Amazônia foi contratado pela Andrade Gutierrez ao escritório alemão GMP (Architekten von Gerkan, Marg und Partner).

Entrevistado
Secretaria da Copa de Porto Alegre (SecopaPoa), Unidade Gestora do Projeto Copa (UGC Manaus) e Construtora Andrade Gutierrez
Contatos
poa2014@secopa.prefpoa.com.br
redacao@agecom.am.gov.br
www.andradegutierrez.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/Secopa-AM/Secopa-RS

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Túnel de vento: vital para prédios esbeltos

Engenharia civil brasileira investe em projetos de edificações com mais de 150 metros e demanda por ensaios aumenta em centros de pesquisa

Por: Altair Santos

Projetos de edifícios esbeltos, e com altitudes que podem chegar até 150 metros, têm gerado um novo tipo de demanda para os centros de pesquisa que fazem ensaios em túneis de vento.

Os equipamentos realizam testes com modelos em escala reduzida e são essenciais para esse tipo de edificação, pois aumentam a confiabilidade e a efetividade da construção, além de reduzirem os custos de projetos estruturais.

Túnel de vento do IPT: realizando ensaio para projetos de arranha-céus em todo o Brasil

O Laboratório do Túnel de Vento do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) está entre os mais requisitados do país para esse tipo de ensaio. Segundo o coordenador do centro de pesquisa, Gilder Nader, a expectativa é de que aumente ainda mais a demanda.

O motivo está no fato de as grandes metrópoles brasileiras estarem revendo seus planos diretores, os quais tendem a permitir edificações com mais de 200 metros de altura. O Brasil começa a entrar na era dos arranha-céus e os ensaios em túneis de vento tornam-se essenciais a esse tipo de projeto. É o que o especialista explica na entrevista a seguir. Confira:

Qual a principal característica que uma obra precisa ter para que seja importante que ela passe por ensaios em túnel de vento?
Há vários tipos de construções que necessitam passar por ensaios em túnel de vento, tanto para dar maior segurança ao projeto estrutural quanto economia. As que devem passar por testes em túnel de ventos são: pontes estaiadas e penseis, edifícios altos e esbeltos, edifícios com fachadas ou coberturas curvas e coberturas de estádios de futebol, aeroportos e ginásios olímpicos.

Grande parte das demandas no túnel de vento do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) está relacionada a edificações habitacionais ou obras de infraestrutura também são submetidas a testes em túnel de vento?
O túnel de vento do IPT tem uma grande demanda por todos os tipos de projeto da construção civil e naval. Por exemplo, ensaiam-se desde edifícios residenciais a comerciais, assim como galpões, plataformas oceânicas de petróleo e também se fazem testes de conforto ambiental e dispersão de contaminantes.

Há uma legislação que obrigue os projetos, antes de serem executados, a passarem por teste em túnel de vento?
Não há obrigação. Porém, principalmente em casos como os de pontes estaiadas, coberturas de estádio de futebol e edificações altas e esbeltas, se não é realizado um teste em túnel de vento, a obra pode ser superdimensionada ou ainda os efeitos de vibração induzida pelo vento na estrutura podem trazer grandes danos. Não só na parte estrutural como também no revestimento e nas esquadrias.

A escassez de terrenos tem elevado a altura das edificações, fazendo surgir os chamados edifícios esbeltos. O IPT tem recebido esse tipo de demanda em maior volume?
Nos dois anos recentes (2012 e 2013) a maior demanda por ensaios foram de edificações altas e esbeltas, não só da cidade de São Paulo, como também de cidades como Sorocaba-SP, Campina Grande-PB, Caruaru-PE, entre outras.

Qual ou quais normas devem ser seguidas quando um projeto é testado em túnel de vento?
No Brasil se procura seguir a norma NBR 6123:1988 - Forças Devidas ao Vento em Edificações. Porém, pode-se também seguir outras normas complementares, como a australiana que trata melhor a parte de resposta dinâmica da edificação.

Quando pega um trabalho para teste em túnel de vento, o IPT também constrói a maquete?
O IPT pode tanto construir a maquete quanto terceirizar o serviço. Tudo depende da complexidade do projeto.

Gilder Nader: novos planos diretores das cidades tendem a permitir edifícios cada vez mais altos nas metrópoles brasileiras

Antes do ensaio, os pesquisadores vão ao local em que será construída a edificação e fazem que tipo de coleta de dados?
Na maioria dos casos não há necessidade de visitar o local da obra. As informações fundamentais, que são a topografia do terreno e a cota média vizinha (altura das edificações na vizinhança) são obtidas por meio de softwares como Google Earth. Após essa análise do terreno, utiliza-se as definições da norma quanto ao vento natural daquele tipo de terreno. A NBR 6123 define cinco categorias de terreno e como deve ser, por exemplo, o perfil de velocidades do vento para cada um deles, assim como a cota média.
As categorias são as seguintes:
I - Superfícies lisas de grandes dimensões, com mais de cinco quilômetros de extensão, medida na direção e sentido do vento incidente.
II - Terrenos abertos em nível ou aproximadamente em nível, com poucos obstáculos isolados, tais como árvores e edificações baixas.
III - Terrenos planos ou ondulados com obstáculos, tais como sebes e muros, poucos quebra-ventos de árvores, edificações baixas e esparsas.
IV - Terrenos cobertos por obstáculos numerosos e pouco espaçados, em zona florestal, industrial ou urbanizada.
V - Terrenos cobertos por obstáculos numerosos, grandes, altos e pouco espaçados.

Se um construtor tem um projeto de um prédio e o submete a ensaio em túnel de vento para construí-lo em uma cidade, mas depois decide erguer a obra semelhante em outra localidade, é necessário que se faça outro ensaio?
O ideal é que se faça um ensaio para cada construção. Porque há fatores que alteram de modo significativo o carregamento do vento na edificação, afetando as ações estáticas do vento na edificação, assim como o comportamento dinâmico da edificação. Esses fatores, como explicado anteriormente, são a topografia do terreno e a vizinhança. Por exemplo, há alterações significativas nos efeitos da ação do vento na edificação se ela é construída em um terreno aberto e plano, ou se ela é construída acima de um talude, isso sem contar a cota média das edificações vizinhas.

O túnel de vento do IPT precisou ser adaptado para testar projetos de prédios cada vez mais altos e esbeltos?
Não houve necessidade, pois o túnel de vento do IPT é um dos maiores do mundo para ensaios de edificações. Sua seção de testes é de três metros de largura por dois metros de altura, e podem ser ensaiados modelos com até 1,40 m de altura.

Há uma tendência de que o Brasil entre no rol dos países que constroem edificações acima de 200 metros de altura?
A tendência atual é a construção de edificações entre 100 metros e 140 metros de altura. Porém, se os planos diretores das cidades permitirem que se construam edifícios na faixa de 200 metros, o desafio será aceito pelos engenheiros estruturais do Brasil, que são altamente qualificados.

Mundialmente já se pensa em edificações de até mil metros de altura.  Fora do Brasil há tuneis de vento com capacidade para atender esse tipo de demanda?
Os túneis de vento do Brasil quanto de outros países são capazes de realizar ensaios de edificações com mil metros de altura. Porém, o ensaio precisaria ser realizado de duas formas. O primeiro ensaio seria realizado com um modelo na escala 1:1.000 para determinação do carregamento estático do vento. Porém, uma edificação desse porte tende a vibrar muito na sua extremidade. Assim, seria necessário realizar o ensaio, por exemplo, só dos 100m finais do topo do edifício, numa escala 1:100, para se determinar os efeitos dinâmicos do vento na edificação. Esse é basicamente o procedimento adotado pelos túneis de vento para se ensaiar edificações com essas dimensões.

Entrevistado
Gilder Nader, físico e engenheiro mecânico, coordenador do Laboratório do Túnel de Vento do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) onde atua nas áreas de engenharia do vento, medição de vazão e velocimetria de fluidos
Contato: cmf@ipt.br

Créditos Fotos: Divulgação/IPT

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Construção civil exige direito com cara de engenharia

Demanda por arbitragens cresceu exponencialmente no Brasil. Especialização pode ser obtida por cursos de pós-graduação recentemente criados no país

Por: Altair Santos

Cada vez mais detalhista em relação a projetos e contratos, a construção civil também tem exigido tratamento diferenciado nas questões jurídicas. Por isso, o advogado vinculado a essa área não deve reter apenas conhecimento do direito comercial, mas caminhar em direção a ramos específicos, como o direito em infraestruturas. É nele que se encontram soluções para conflitos complexos dentro da engenharia. No Brasil, com o aumento da demanda, percebeu-se que havia poucos profissionais especializados para atuar neste modelo de arbitragem. A escassez levou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) a ser pioneira na criação de um curso de pós-graduação voltado ao assunto.

Fernando Marcato: obras de infraestrutura no país geraram demanda por arbitragens

A pós em direito de infraestrutura da FGV já está em seu terceiro ano. Em 2012, especializou 14 alunos; em 2013, 23, e, este ano, conta com 21. O mesmo modelo do curso passou a ser aplicado também para os advogados que atuam na Procuradoria Geral do Estado da Bahia. "A pós aborda todos os aspectos de arbitragem em um projeto de infraestrutura, além de oferecer disciplinas não jurídicas que permitam uma maior compreensão aos alunos. Entre elas, finanças, contabilidade e gerenciamento de projetos. O curso trata tanto de arbitragem entre empresas privadas e governo quanto entre empresas privadas (investidor e construtor)", explica o professor Fernando Marcato, que coordena a pós.

No Brasil, o aumento da arbitragem na construção civil pode ser medido pelo volume de recursos envolvidos nos processos. Em 2005, foram R$ 247 milhões. Em 2009, chegaram a R$ 2,4 bilhões. Desde então, tem crescido em média 20% ao ano. "O aumento de obras de infraestrutura gera mais demanda por arbitragens", diz Marcato, lembrando que, por isso, o curso da FGV não é procurado apenas por advogados. "Embora a pós em infraestrutura seja eminentemente jurídica, o curso poderá ser de muita utilidade para profissionais de outras áreas. Razão pela qual, em 2012 tivemos a participação de um aluno economista. Em 2013, tivemos dois engenheiros civis e um economista matriculados", completa.

Poder público
Entre os litígios mais comuns no país, estão os que envolvem o poder público e as construtoras. Normalmente, estão ligados a inadimplemento contratual ou reequilíbrio financeiro de obras públicas. Segundo o professor Fernando Marcato, o ideal, para se evitar arbitragens judiciais, é que haja gestão contratual. "O recomendável é que se forme um comitê com  representantes de todas as partes envolvidas na obra, a fim de que ele possa solucionar eventuais problemas rapidamente, mitigando os prejuízos", sugere o especialista. Como não há nenhuma lei específica que trate da arbitragem na construção civil, esses casos no setor são tratados pela 9.307/96, que é uma lei genérica para arbitragem.

No caso de arbitragem internacional - obra em país diferente da que está sediada a empreiteira -, o julgamento será feito por uma câmara arbitral definida em contrato. Nesses casos, costuma-se escolher um país neutro para tratar o caso. Quando trata-se do Brasil, a decisão arbitral sempre deve ser homologada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Uma vez homologada, ela passa a ter a mesma força que uma decisão judicial.

Entrevistado
Fernando Marcato, mestre em direito e coordenador do curso de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas em direito da infraestrutura
Contatos
gvlaw@fgv.br
contato@goassociados.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330