CBIC elege Renato Correia como novo presidente; confira entrevista

Crédito: Diego Bresani
O engenheiro Renato de Sousa Correia foi eleito em maio de 2023 como o novo presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) para o próximo triênio (2023-2026). Antes de assumir o cargo, em 1º de Julho de 2023, ele exercia o segundo mandato consecutivo de vice-presidente da Região Centro-Oeste da CBIC.
Para a sua gestão, ele pretende continuar com o foco no planejamento estratégico adotado nos últimos anos pela entidade. Confira a entrevista completa com o novo presidente da CBIC.
Quais são os principais planos e desafios para seu mandato?
Renato Correia: A indústria da construção é um setor muito relevante para a economia do país. Grande gerador de emprego e renda, leva bem-estar e qualidade de vida aos brasileiros. Mas precisamos avançar sempre. A CBIC e toda sua base de associações vêm focando sua atuação em melhorar o ambiente de negócios, levar previsibilidade, simplificação e segurança jurídica ao setor. Além disso, é fundamental reforçarmos nossas ações para combater a informalidade e aumentar os investimentos no setor para atender as necessidades da população com saneamento, habitação, estradas, escolas, creches. A construção é para as pessoas.
A CBIC tem um legado, é uma entidade séria e comprometida com o Brasil, com a sociedade, com a melhoria das empresas, dos processos e do bem-estar social. Colocar nosso serviço a serviço dos brasileiros é o que a CBIC faz.
Você afirmou que habitação e saneamento não se resolvem sem uma indústria da construção adequada. Quais são os planos da CBIC neste sentido?
Renato Correia: A principal ação é fazer com que poder público e iniciativa privada caminhem de forma integrada na resolução dos gargalos de moradia e saneamento. É inaceitável que 100 milhões de brasileiros não tenham acesso a coleta de esgoto. Também é preciso reduzir o déficit habitacional de quase 7 milhões de famílias sem moradia digna. São demandas importantes e nós somos instrumento de solução para isso.
Durante a discussão do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida no Congresso, a CBIC levou uma série de sugestões técnicas no sentido de melhorar e dar eficiência ao programa, por exemplo, dar condição de valor, assegurar que as empresas vão receber, ter continuidade, segurança jurídica. Grande parte das sugestões foi acatada, pois levamos a experiência do setor, de quem atua no dia a dia e sabe os desafios e as oportunidades.
Precisamos que o poder público destine recurso para isso, que consiga utilizar de forma eficiente e que, de forma especial, proteja o FGTS. O FGTS foi criado como forma de proteger o trabalhador em caso de demissão, para que ele tenha uma subsistência nesse período adverso, e para financiar habitação e saneamento. Mas, à medida em que se retira para outras funções, em que pese ser necessário atender a população, essa reserva patrimonial é reduzida. É como se vendesse a janela da casa para atender o consumo imediato. Não é o melhor para a família e nem é o melhor para população brasileira.
A sustentabilidade é uma das grandes questões da construção civil atualmente. Quais avanços a CBIC pretende conquistar nessa área?
Renato Correia: A CBIC tem fomentado bastante o tema da sustentabilidade. Trabalhamos muito a conscientização do setor, para que todos se envolvam e se compreendam como parte do processo. A construção tem grande responsabilidade nas emissões de carbono, por exemplo, e assumimos o compromisso de trabalhar para amenizar os efeitos do processo construtivo ao meio ambiente. Temos trabalhado bastante temas que agregam alternativas com menos emissão de carbono do setor. É o caso da construção com madeira engenheirada, que traz ganhos ambientais e deixa os canteiros mais limpos e sustentáveis. Também temos feito parcerias importantes e a IFC (International Finance Corporation, braço do Grupo Banco Mundial) é uma delas por financiar construções sustentáveis, edifícios verdes. Essas são algumas iniciativas e que serão reforçadas cada vez mais com as práticas ESG.
O Minha Casa, Minha Vida é um dos principais projetos do governo atual e recentemente anunciou uma ampliação para atender famílias de classe média. Como você vê esse movimento? Quais as sugestões da CBIC para o programa?
Renato Correia: O movimento de ampliação do programa é muito positivo, inclusive sugerimos ao governo essa iniciativa. Todas as nossas sugestões foram no sentido de melhorar e de dar eficiência ao programa, como dar condição de valor, adequar o teto, dar segurança às empresas, garantir a continuidade do programa. O que queremos é que a moradia chegue à ponta, que as pessoas possam ter uma habitação de qualidade. A habitação é a porta de entrada de todos os outros direitos do cidadão.
Você comentou que para atender a demanda da sociedade é preciso um ambiente de negócios adequado e isso passa pela melhoria da legislação. Na sua opinião, quais leis precisariam de melhoria?
Renato Correia: Temos um acompanhamento intensivo dos projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional. São centenas de propostas que acompanhamos e fazemos uma atuação direta, tanto em Brasília quanto nos estados, com nossos associados. A indústria da construção é uma atividade pujante, longa e que acaba sendo atingida e impactada por muitos projetos. Destaco a Reforma Tributária, que é um tema desafiador e que precisa caminhar no sentido de alavancar o crescimento do país e promover maior igualdade social. O Brasil precisa se modernizar, simplificar e trazer uma tributação mais justa para toda a economia, permitindo que tenhamos um ambiente propício para o desenvolvimento, com menos burocracia e mais eficiência.
Tem havido muitos debates no setor de construção civil em relação à tecnologia e inteligência artificial. Quais avanços devemos ter nos próximos anos? Como a CBIC vê esta questão?
Renato Correia: A inteligência artificial tem ganhado espaço em todas as atividades econômicas e na construção não tem sido diferente. A IA tem tido papel importante em etapas como na modelagem e design, inclusive considerando fatores como sustentabilidade, eficiência energética e otimização de espaços; na automação da construção, deixando o processo mais eficiente e seguro; e no gerenciamento de projetos e planejamento, pela capacidade de analisar um grande volume de dados.
Mas é importante ressaltar que esses avanços ainda estão em processo de desenvolvimento e implementação, e podem variar de acordo com as regulamentações, investimentos e adoção da tecnologia por parte das empresas do setor. No entanto, a tendência é que a tecnologia e a inteligência artificial continuem desempenhando um papel cada vez mais relevante na transformação da indústria da construção nos próximos anos.
Recentemente, houve um debate sobre a questão da baixa concorrência em leilões no setor da infraestrutura. Por que isto acontece e qual seria a solução para esta questão?
Renato Correia: Essencialmente, projetos de grandes dimensões, seja de saneamento ou de extensão de rodovias, se feitos em lotes grandes e valores muito expressivos, podem diminuir a concorrência e aumentar o custo. Além disso, em eventuais problemas, a correção de rumo é mais difícil.
A CBIC tem defendido bastante a segmentação dos projetos, permitindo que mais empresas de médio porte sejam contratadas para lotes menores, favorecendo a concorrência e permitindo aos contratantes menos riscos e menores custos, em especial com seguros.
Entrevistado:
Renato Correia é engenheiro civil e presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), com mais de 30 anos de experiência no setor imobiliário. Sócio-diretor da Vega Incorporações de Goiânia, foi presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), vice-presidente da CBIC na Região Centro-Oeste e vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO). Representou o setor na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) na elaboração da norma de desempenho das edificações habitacionais NBR 15575, que trata dos requisitos e características indispensáveis de uma obra para o consumidor. Também presidiu o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico (Codese) de Goiânia, entidade apartidária e sem fins lucrativos responsável por envolver a sociedade civil no planejamento de médio e logo prazo das cidades.
Contato:
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Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
Mercado de locação de equipamentos de construção cresce no país

Crédito: Envato
O segmento de locação de equipamentos de construção tem crescido nos últimos anos. De acordo com a Associação Brasileira de Locadores de Equipamentos e Bens Móveis (ALEC), o cenário atual do mercado de locação no país é promissor. A instituição aponta que o setor teve um forte crescimento em 2020 e 2022, acompanhando o ritmo da construção civil que registrou um aumento de 17,7%, em comparação com os 8,2% da economia brasileira no mesmo período. Para 2023, a ALEC estima um crescimento de 4% para o setor de locação de equipamentos para construção da linha leve.
Além disso, estima-se que existam aproximadamente 20.000 locadoras no Brasil apenas na área de equipamentos de linha leve. Segundo a ALEC, nos últimos anos, houve o surgimento de muitas empresas novas e a geração de mais de 210 mil empregos, fatores que evidenciam o aquecimento desse mercado. Este tema, inclusive, fará parte do Concrete Show 2023, com um seminário intitulado “Alugar São Paulo”.
“O setor de locação de equipamentos para construção é diversificado e cada tipo de máquina ou equipamento desempenha um papel fundamental em diferentes fases da obra. Desde a preparação do terreno até o acabamento, diversos equipamentos são utilizados para realizar tarefas específicas de forma eficiente e produtiva”, explica Bruno Arena, vice-presidente da ALEC.
No Brasil, o perfil das empresas e construtoras que costumam optar pela locação de equipamentos é bastante diversificado. “Essa prática abrange desde mestres de obras, empreiteiros e engenheiros autônomos até construtoras de pequeno, médio ou grande porte. Além disso, pessoas físicas também estão entre os clientes que optam por esse serviço. O conceito de locação de equipamentos tem se tornado cada vez mais difundido e sua adoção em detrimento da compra tem se consolidado. Isso se deve ao fato de que a locação é uma alternativa mais econômica e sustentável, permitindo que as empresas e profissionais tenham acesso a uma ampla gama de máquinas e ferramentas especializadas sem o custo elevado de aquisição e manutenção. Dessa forma, a locação oferece maior flexibilidade e eficiência para atender às necessidades específicas de cada projeto, independentemente do porte ou escopo da obra”, aponta Arena.
Desafios do setor

Crédito: ALEC
Um dos desafios enfrentados pelo setor é o equilíbrio entre a manutenção e a rentabilidade. “A manutenção adequada dos equipamentos é fundamental para o equilíbrio financeiro de uma locadora. O foco principal dessas empresas é fornecer equipamentos com as melhores tecnologias e em ótimas condições para seus clientes. Para garantir isso, cada equipamento passa por uma inspeção rigorosa após cada locação. Caso esteja em boas condições, é prontamente disponibilizado para outra locação. Caso necessite de reparos mais profundos, é encaminhado para uma manutenção completa. Uma prática comum é a renovação da frota a cada quatro anos, permitindo que a locadora ofereça constantemente equipamentos de última geração aos clientes. No entanto, para viabilizar essa renovação periódica, é essencial que a locadora pratique preços de locação compatíveis com o mercado. Ainda, ela deve manter uma gestão financeira sólida e examinar cuidadosamente seus gastos”, afirma o vice-presidente da ALEC.
Outra questão importante para as empresas do setor é a adoção de práticas e medidas preventivas para evitar golpes e fraudes. Dentre elas, Arena destaca o cadastro completo do cliente, consultas em órgãos de proteção ao crédito, verificação de documentos, análise de site dos possíveis clientes, comprovante de residência, troca de informações com outras locadoras e cautela em transações suspeitas.
Mercado global de locação de equipamentos
No mundo, o mercado global de locação de equipamentos de construção apresenta boas taxas de crescimento, principalmente com o retorno da demanda no cenário pós pandemia. “Diferentemente do observado no Brasil, o setor se destaca principalmente pela locação de máquinas pesadas e para concretagem. Nos EUA, por exemplo, apenas nos estados da Califórnia, Texas e Flórida são encontradas mais de 3 mil empresas de locação de equipamentos (no país são encontrados alguns dos principais players do setor como a United Rentals, Sunbel, Herc Rentals e H&E Equipment Services)”, revela o vice-presidente da ALEC.
Para equipamentos compactos, espera-se que o mercado global se expanda constantemente à medida em que se observa um crescimento da demanda por ferramentas, principalmente em países em desenvolvimento, segundo Arena. “O destaque de participação nesse mercado permanece com a região da América do Norte e Europa que juntas correspondem a grande parte de todo este setor”, conclui.
Entrevistado:
Bruno Arena é vice-presidente da Associação Brasileira de Locadores de Equipamentos e Bens Móveis (ALEC).
Contato:
Assessoria de imprensa: imprensa@alec.org.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
Mudanças no Índice Nacional de Custo da Construção já estão em vigor
Começou a valer no último dia 17 de julho o novo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que sofreu uma revisão metodológica pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
É a primeira vez desde 2009 que uma atualização da estrutura de ponderação do Índice é feita. A alteração tem como base os orçamentos analíticos disponibilizados pelas principais construtoras do país, com dados referentes a empreendimentos residenciais efetivamente executados entre 2018 e 2022.
Uma das mudanças tem a ver com a coleta de informações sobre o preço da mão de obra, que, em vez de se basear somente em acordos coletivos, agora será feita diretamente pelas empresas prestadoras de serviços.
Outra importante inovação está no fato de que o Índice será apresentado, a partir de então, de acordo com o padrão construtivo, considerando os blocos econômico, médio e alto, com base na segmentação atual do mercado brasileiro. O INCC de cada cidade será calculado a partir da média ponderada dos padrões, e o número final será obtido considerando o peso de cada capital.
De acordo com o relatório oficial divulgado, "a separação dos orçamentos analíticos por padrão construtivo também revelou como materiais e equipamentos podem ter peso distinto entre construções de diferentes padrões e tecnologias, revelando quais itens influenciam construções destinadas a diferentes públicos."
"Isso vai contribuir para o mercado, com certeza", avalia Renato Lomonaco, diretor de Assuntos Econômicos da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). "O Índice tem mesmo que refletir o máximo possível a realidade, e a gente está muito mais seguro agora. Esperamos que nos próximos anos tenhamos atualizações mais periódicas, talvez a cada 4, 5 anos, porque isso é fundamental. Nosso setor evolui, e o INCC precisa acompanhar", completou o diretor, durante webinar promovido pela FGV para discutir as mudanças colocadas em prática.
Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre, falou sobre a necessidade dessa revisão no INCC, após 14 anos sem alterações. "Muitas mudanças ocorreram, tanto no cenário macroeconômico do país quanto setorial, principalmente. Uma mudança muito importante se deu justamente no formato de contratação da mão de obra, de gestão das obras", explica.
"Por exemplo, as empresas passaram a ter menos mão de obra própria e passaram a contratar mais serviços especializados naquela atividade. Esse é um processo importante, que apresenta uma mudança estrutural e que afeta, sim, portanto, o indicador", conclui a coordenadora. Segundo o relatório, a participação do setor de Serviços Especializados representava 19% do VA (Valor Adicionado) do setor em 2007 e alcançou 28% em 2019. Da mesma forma, as inovações e melhorias nos processos produtivos são incorporadas às obras e se traduzem em novas cestas de insumos e produtividade.
Criado em 1944, o INCC foi um dos primeiros índices desenvolvidos para monitorar a evolução dos custos da construção no Brasil. Com 79 anos de existência, tornou-se um dos mais importantes indicadores de preços para o segmento da construção, sendo, ainda, um dos componentes levados em conta pelo Índice Geral de Preços (IGP), do FGV Ibre.
Fontes
Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre
Renato Lomonaco, diretor de Assuntos Econômicos da Abrainc
Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre)
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
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Cidades do Nordeste vêm ampliando o investimento em pavimento de concreto
De Norte a Sul do país, a escolha pela pavimentação de concreto vem sendo uma realidade cada vez mais presente. E no Nordeste não é diferente.
A Prefeitura de Fortaleza (CE), por exemplo, adotou uma medida importante nesse sentido, que diz que todos os projetos viários da cidade serão concebidos a partir do uso do pavimento intertravado com blocos de concreto. A decisão, que visa estabelecer uma base sólida para o desenvolvimento urbano, levou em conta os benefícios que o sistema proporciona, como a redução de custos, a sustentabilidade e a menor necessidade de manutenção.
Para a utilização de outros tipos de pavimento, caso necessário, será exigido um relatório que justifique a escolha, que passará por análise e aprovação (ou não) pela equipe técnica responsável.
A cidade de Jequié, na Bahia, também optou pelo uso de pavimento de concreto em várias de suas vias, por meio da Secretaria de Infraestrutura, que intensificou as obras de pavimentação para ampliar a abrangência do programa de urbanização. Segundo o secretário da Infraestrutura do município, Lucindo Menezes, a utilização do concreto usinado começou como alternativa para pavimentar vias públicas muito estreitas, nas artérias de menor extensão ou em locais de difícil acesso.
Só em julho, foram concluídos diversos projetos em bairros, distritos e povoados na região, a partir de investimentos feitos com recursos próprios do município, iniciativa que vem propiciando melhor trafegabilidade aos condutores e mais acessibilidade às vias contempladas.
Para saber mais sobre a adoção da pavimentação de concreto no Nordeste, o Massa Cinzenta conversou com Glécia Vieira, gerente da regional Norte-Nordeste da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).
A ABCP tem informações sobre o aumento do número de cidades do Nordeste que vêm adotando soluções em concreto para pavimentação em obras públicas? Esse crescimento é algo perceptível?
Glécia Vieira - O investimento em obras públicas e infraestrutura está sendo retomado em diversas regiões brasileiras, com destaque para o Nordeste, onde tecnologias que colaboram para a pavimentação e urbanização estão sendo amplamente adotadas, especialmente o pavimento intertravado e o pavimento de concreto.
O pavimento intertravado tem se destacado como a principal tecnologia utilizada nos municípios para vias, calçadas e praças, substituindo pavimentos tradicionais de paralelepípedos e pedra tosca. Um exemplo notável é a cidade de Fortaleza, que nos últimos anos tem adotado amplamente o pavimento intertravado com blocos de concreto em suas vias. Essa escolha estratégica tem trazido uma série de benefícios significativos para a região.
A experiência adquirida pela Prefeitura de Fortaleza, por meio de projetos recentes e iniciativas de pavimentação e drenagem, tem reforçado a preferência pelo uso do pavimento intertravado. Além de considerar a questão econômica, com a redução dos custos em comparação aos pavimentos asfálticos devido às variações periódicas e aos aumentos de preços dos insumos derivados de petróleo, a sustentabilidade também é um fator relevante na escolha dessa tecnologia.
O pavimento intertravado com blocos de concreto oferece facilidade de manutenção, pois os blocos podem ser reaproveitados em intervenções subterrâneas, o que reduz custos e prazos. Essa abordagem sustentável tem sido levada em conta nas decisões da Prefeitura de Fortaleza, que, diante desse panorama, optou por conceber todos os projetos viários da cidade com o uso do pavimento intertravado com blocos de concreto. Essa decisão segue as normas técnicas aplicáveis e visa estabelecer uma base sólida para o desenvolvimento urbano.
Nos casos de requalificação urbana, a Prefeitura realizará estudos técnicos e econômicos para avaliar a viabilidade da manutenção do pavimento existente ou a substituição pelo pavimento intertravado. Caso surja a necessidade de utilizar outros tipos de pavimento, será exigido um relatório justificativo para análise e aprovação pela equipe técnica responsável.
Acha que a escolha por pavimentação de concreto é uma tendência que veio para ficar?
Glécia Vieira - Sim, a pavimentação urbana com o uso do concreto apresenta diversos benefícios que vão além da sua durabilidade. Além de ser uma solução mais duradoura, de alto desempenho e com custo inferior ao asfalto, o pavimento de concreto também traz vantagens significativas para o meio ambiente.
Uma das principais contribuições do pavimento de concreto para o meio ambiente é a redução das emissões de CO2 na atmosfera, uma vez que proporciona uma diminuição no consumo de combustível. Sua durabilidade é notável, podendo ultrapassar 30 anos, o que representa um ciclo de vida cerca de 5 vezes maior em comparação ao asfalto.
Além disso, o pavimento de concreto oferece benefícios adicionais para a segurança do usuário, promovendo uma melhor aderência e resultando em uma menor distância de frenagem necessária em casos de emergência, além de prevenir aquaplanagem do veículo em condições de chuva.
Para as cidades do Nordeste, que frequentemente possuem temperaturas acima de 28 ºC durante a maioria dos dias do ano, o pavimento de concreto proporciona melhoria no microclima urbano. Sua coloração clara contribui para uma menor absorção de calor, o que resulta em maior conforto térmico e ainda contribui para a economia de energia elétrica.
São muitas as vantagens do uso desse tipo de pavimentação. O que falta, em sua opinião, para que mais Estados e municípios adotem o sistema?
Glécia Vieira - A cultura é o grande paradigma a ser rompido, falta por vezes a segurança para a mudança, muitas vezes diante do desconhecimento. Como forma de suportar a adoção das soluções à base de cimento, a ABCP promove sistematicamente capacitações, demonstra a viabilidade técnica e econômica das soluções e oferece apoio técnico aos municípios brasileiros, além de fortalecer a cadeia produtiva para o atendimento da demanda.
Fontes
Glécia Vieira, gerente da regional Norte-Nordeste da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)
Prefeitura de Fortaleza (CE)
Prefeitura de Jequié (BA)
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
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Secovi-SP divulga desempenho do mercado imobiliário em cidades do interior
A Secovi-SP e a Brain Inteligência Estratégica divulgaram, em junho, uma análise do mercado imobiliário do interior de São Paulo, com dados detalhados de 31 cidades, referentes ao primeiro trimestre de 2023. A pesquisa incluiu municípios situados nos principais polos econômicos do Estado, com informações referentes a lançamentos, vendas, oferta, valor do metro quadrado, tipologia e outras categorias.
O resultado mostrou que, de janeiro a março de 2023, foram lançadas 8.536 unidades nas 31 cidades participantes, uma queda de 38% na comparação ao mesmo período do ano passado, quando o número chegou a 13.768. Já em relação às vendas, o total chegou a 12.174 unidades, recuo de 23% frente a 2022, que obteve 15.761 comercializações.
“Trata-se de ferramenta fundamental para empresários do setor que atuam nessas regiões”, ressaltou o vice-presidente do Interior do Secovi-SP, Frederico Marcondes Cesar, sobre a abrangência e a importância da pesquisa.
O levantamento mostra que 66% das unidades lançadas (5.628) se encaixam no padrão econômico, referentes às construções do atual Minha Casa, Minha Vida, antigo Casa Verde e Amarela. Os demais padrões completam os 34% restantes. Já em relação ao preço médio do metro quadrado, a análise aponta que o maior valor fica com a Baixada Santista (R$ 8.296,00), seguida pela Região Campinas (R$ 7.808,00), Grande ABC (R$ 7.632,00) e Região Metropolitana de São Paulo (R$ 7.630,00).
"Eu tenho a expectativa de que esse ano não vai ser muito diferente do ano de 2022", avalia Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP. "Esse mercado [apresentado na pesquisa], mesmo com a queda de vendas, é de 50, 60 mil unidades por ano. Isso é praticamente mais de 100 unidades vendidas todos os dias do ano, pelo interior de São Paulo."
Durante o webinar promovido para a divulgação dos dados, o especialista aproveitou para fazer uma reflexão sobre o cenário geral do setor. "Nós temos demanda para o primeiro imóvel até 2030. Com todo o crescimento que teve nos últimos anos, o mercado não teve condições de atender a necessidade do país de formação de domicílios permanentes. Por isso que a gente olha o déficit habitacional e ele não abaixa, porque continuamos fazendo puxadinho, continuamos construindo em áreas que não deveríamos construir, continua acontecendo esse tipo de coisa."
Petrucci também destaca que o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) financiou 2 bilhões em 2002 e chegou a 200 bilhões em 2021. "Chega uma hora que as coisas precisam de uma certa acomodação. Eu acho que nós chegamos em um pico de crescimento em 2021 e estamos em uma certa decrescente."
"E, finalmente, eu acho que quem está mais atento hoje à economia, quem está mais olhando a macroeconomia e a microeconomia, é o incorporador. As empresas estão projetando lançamentos, hoje, de uma forma muito mais conservadora, muito mais cuidadosa e com muito mais governança do que faziam há alguns anos, e mesmo em relação ao ano passado", explicou o economista-chefe.
Fontes
Secovi-SP
Brain Inteligência Estratégica
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
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Investir em capacitação é fundamental para garantir empregabilidade na construção
Cerca de 90% das empresas do setor da construção dizem ter dificuldade de contratação de mão de obra. É isso o que mostra o último levantamento realizado pela Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT), da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em 2022. Em 2021, os dados indicavam 77%, ou seja, houve um aumento muito grande de um ano para outro.
Ainda segundo a última pesquisa, o maior problema é referente à contratação de funcionários de produção qualificada, principalmente em relação a pedreiros (82%), carpinteiros (78,7%), mestre de obras (74,7%) e encarregados (70%). Só para se ter uma ideia, o cargo com menor dificuldade de preenchimento de vagas é o de engenheiro (33,3%).
O levantamento também apontou que 72,67% das empresas participantes estão dispostas a custear a qualificação de seus empregados - e que a maioria (43,33%) considera que a melhor forma é por meio de aulas práticas e teóricas no próprio canteiro de obras, ministradas por escolas contratadas pelas empresas.
Como essas ações nos próprios ambientes de trabalho nem sempre são possíveis, várias instituições oferecem cursos específicos e completos em diferentes áreas da construção civil, possibilitando que os trabalhadores se especializem e consigam aquele tão sonhado emprego - ou um crescimento profissional.
Cursos para especialização em todas as áreas
O Senai-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) é uma das principais opções quando o assunto é qualificação para a indústria da construção. De acordo com Vânia Aparecida Caneschi Oliveira, coordenadora do Senai-SP, a instituição oferece mais de 35 cursos nesta área. "Os mais procurados de Formação Inicial e Continuada são Instalação de Drywall, Assentador de Revestimento Cerâmico, Construtor de Alvenaria e Eletricista Instalador Residencial, entre outros", afirma.
Sobre o perfil dos alunos que costumam procurar pelas aulas, Vânia diz que há diversos tipos de público. "Colaboradores de empresas, microempreendedores, profissionais autônomos, pessoas que buscam uma nova área ou mais um ramo de atuação."
Outras opções de cursos disponíveis atualmente pelo Senai-SP, que englobam especificações diversas, são os de carpinteiro de estruturas de telhado, mestre de obras, instalação de sistemas de aquecimento solar, construtor de alvenaria e leitura e interpretação de desenhos e projetos de obras civil, entre várias sugestões.
"A construção civil não para e, essa é uma grande vantagem, pois sempre há trabalho", avalia Vânia. "Quando não é obra nova, é reforma. Investir em capacitação faz com que o profissional seja certeiro no seu atendimento, garantindo a satisfação do cliente e a recomendação para novos trabalhos. E, para quem é funcionário, garante a sua empregabilidade e possibilita a ascensão profissional."
Para continuar traçando um panorama da mão de obra na indústria da construção, a CPRT/CBIC já está preparando um novo levantamento para este ano, com base nas respostas e avaliações de empresas deste segmento. A nova pesquisa começou a ser realizada em maio, mas ainda não há previsão de quando os dados serão finalizados e divulgados.
Fontes
Assessoria Senai-SP
Vânia Aparecida Caneschi Oliveira, coordenadora do Senai-SP
Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT)
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
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Norma de coordenação modular será atualizada
A partir de 2023, a NBR 15873:2010, conhecida como a norma brasileira para Coordenação modular para edificações, deverá passar por uma revisão e ganhar uma atualização.
Segundo Dóris Zechmeister Bragança Weinmann, arquiteta e urbanista, mestre e doutora em Engenharia Civil com ênfase em Construção pelo Núcleo Orientado para a Inovação da Construção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Norie – UFRGS), a coordenação modular é uma teoria de organização dimensional dos elementos, sistemas e componentes da construção civil provenientes de diferentes fabricantes. Dóris menciona uma definição do professor Hélio Adão Greven sobre a coordenação modular: “trata-se da ordenação dos espaços na construção civil”.
Dóris ainda cita uma definição presente no documento ME-EDITAL N0 32019 - RELATÓRIO 8.2.1; 2022, da Rede Catarinense de Inovação: “É a coordenação dimensional mediante o emprego do módulo básico (10 cm) ou multimódulo (n x 10 cm), na qual há a inter-relação de medidas dos componentes, elementos e sistemas e das edificações que os incorporam, sendo usada para seu projeto, sua fabricação e sua montagem”. Um exemplo disso, mencionado por Dóris é o da placa de gesso acartonado, que pode ser empregada em diversos sistemas construtivos. “Ela possui uma dimensão de largura de 1,20 m, o que corresponde a 12 módulos. Esse 1,20 m também pode ser dividido cada 40 cm, por exemplo – o que seria 4M, porque M é a representação dos 10 cm”, explica Dóris.
De acordo com Dóris, os principais objetivos da coordenação modular são:
- Ampliar a cooperação entre os agentes da cadeia produtiva;
- Racionalizar a variedade de medidas modulares empregadas na fabricação de produtos;
- Aumentar a intercambialidade dos produtos construtivos;
- Reduzir tempo de projeto e detalhamento;
- Trazer benefícios através do aumento do uso de softwares como o BIM;
- Reduzir os custos da fabricação e instalação;
- Promover a industrialização aberta;
- Alinhar a construção civil aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável;
- Reduzir desperdício de materiais, mão de obra e tempo;
- Usar conscientemente os recursos naturais;
- Facilitar a pré-fabricação;
- Aumentar a competitividade.
Revisão da norma
Dóris aponta que a teoria da coordenação modular passou a fazer parte da norma de diversos países e o Brasil foi um dos primeiros a ter norma sobre o tema. “Isso é datado das décadas de 50-60. Em 2010, foi feito um esforço para que as 25 normas que existiam antes fossem agrupadas em uma única – antes elas estavam espalhadas. O resultado pode ser visto na NBR 15873:2010. Ela ficou muito bem escrita e fez um apanhado bom. Recentemente, fizemos nossa primeira reunião e abrimos o comitê para revisar a norma de 2010”, revela Dóris.

Crédito: Envato
Um dos acontecimentos que motivou a reformulação da norma foi Projeto Construa Brasil, um edital do Ministério da Economia, do qual participaram muitas entidades, universidades, os mais diversos setores da construção civil. Segundo Dóris, ele estava focado em três grandes eixos: desburocratização, digitalização e industrialização. Fazia parte dele a meta 8, uma nota específica de coordenação modular. Dóris, que foi uma das coordenadoras da equipe executiva, conta que foi feita uma identificação e mapeamento das normas da construção civil. “Reunimos 1.288 normas e fizemos uma avaliação de todas. Dessas, selecionamos aquelas que poderiam ter a ver com questões dimensionais, já que coordenação modular é uma questão de dimensão. Nós identificamos em torno de 113 normas para dialogar com a norma de coordenação modular”, afirma.
Consequentemente, o Projeto Construa Brasil teve como produtos duas normas: uma de plataformas (norma nova) e outra de Coordenação Modular (revisão da NBR 15873:2010). A primeira diz respeito aos sistemas base que oferecem suporte a diversos componentes e módulos, viabilizando a integração e a combinação de elementos construtivos de forma modular.
Para a atualização da NBR 15873:2010, dentre as sugestões de mudanças está a inserção de novos termos e definições. “Entre 2010 e 2023, muita coisa mudou na construção civil. O termo BIM, por exemplo, ainda não estava presente na norma de 2010. Então, acrescentamos esta definição e as relações que ela traz para as questões de projeto. Dentre outros termos que devem ser adicionados estão construção modular, industrialização aberta e industrialização fechada”, lembra Dóris.
Além dos termos e definições, há uma nova parte que traz a representação gráfica. “Já existiam imagens representando graficamente o que era a coordenação modular, mas não existia uma explicação de como fazer uma representação no projeto arquitetônico dizendo que ele é coordenado modularmente. Para isso, devem ser inseridas notações gráficas”, justifica Dóris.
Tal como a versão anterior, a norma ainda traz os princípios de coordenação modular. Segundo Dóris, esta parte foi reorganizada e dividida em quatro princípios: sistema de referência, sistema modular de medidas, sistema de ajustes e tolerâncias, sistema de números preferenciais. Ainda foram inseridos novos objetivos, mais alinhados com as questões atuais, além de uma complementação da referência normativa.
A parte final da norma deve ganhar dois novos capítulos. O primeiro deles é sobre diretrizes projetuais para edificações, que é focado no projetista/arquiteto, para que ele saiba como fazer um projeto coordenado modularmente. E o segundo trata de diretrizes projetuais para produtos, direcionado para uma indústria que quer adequar seus produtos à coordenação modular.
Entrevistada:
Dóris Zechmeister Bragança Weinmann é arquiteta e urbanista, mestre e doutora em Engenharia Civil com ênfase em Construção pelo Núcleo Orientado para a Inovação da Construção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Norie – UFRGS).
Contato: doris.zechmeister@ufrgs.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
Índice Nacional da Construção Civil sobe nos últimos dois meses
Em maio, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), uma produção conjunta do IBGE e da Caixa, apontou uma variação de 0,36%. Esse índice mostra um aumento de 0,09 ponto percentual (p.p.) em relação a abril (0,27%). Em junho de 2023, este mesmo índice foi de 0,39%, subindo 0,03 ponto percentual em relação a maio.
Com este resultado, nos últimos 12 meses, a alta foi de 4,82%. Este índice ficou bem abaixo dos 6,13% registrados nos doze meses anteriores. Em maio de 2022, o índice mensal foi de 2,17% e, em junho, foi de 1,65%.
Custo nacional da construção
Em maio, o custo nacional da construção, por metro quadrado, que em maio fechou em R$ 1.699,79, passou em junho para R$ 1.706,50. Este custo é calculado levando-se em consideração custos e índices para o setor habitacional, e de séries mensais de salários medianos de mão de obra e preços medianos de materiais, máquinas e equipamentos e serviços da construção para os setores de saneamento básico, infraestrutura e habitação. Em junho, por exemplo, o custo dos materiais foi de R$ 1.001,63 e da mão de obra foi de R$ 704,87.

Crédito: Envato
“A parcela dos materiais apresentou variação negativa de 0,28%. Com isso, manteve a tendência de queda observada no último mês. Consequentemente, ficou 0,04 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa do mês de maio. Essa taxa colabora para que o segmento dos materiais termine o primeiro semestre com um acumulado de 0,04%, índice muito próximo da estabilidade”, afirma Augusto Oliveira, gerente do Sinapi.
Segundo Augusto, os materiais estão apresentando desaceleração com índices negativos em janeiro, maio e junho. E em muitos estados houve variações negativas nos preços de diversos produtos. “É o mercado retornando a um cenário mais comportado, sem a influência de uma situação atípica como a pandemia, em que houve uma alta expressiva nos materiais. Agora eles estão tendo um comportamento mais próximo do período pré-pandemia. Uma prova é que os índices acumulados têm caído constantemente”, destaca Oliveira.
Já a mão de obra, com a taxa de 1,36%, registrou um aumento de 0,12 ponto percentual (p.p.) em relação ao mês de maio (1,24%).
“Em junho, a parcela de mão de obra acabou contribuindo para a alta do indicador mensal. Este índice foi influenciado por oito acordos coletivos firmados este mês – Rondônia, Acre, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo, Santa Catarina e Goiás. Ao comparar com junho de 2022, houve uma diminuição de 0,99 ponto percentual (2,35%)”, lembra Oliveira.
Região Sul tem maior variação mensal
Em junho, devido ao reajuste observado nas categorias profissionais em Santa Catarina, a Região Sul teve a maior variação regional em junho, que foi de 0,98%. Nas demais regiões, observaram-se os seguintes resultados: 0,44% (Norte), 0,66% (Nordeste), -0,04% (Sudeste) e 0,49% (Centro-Oeste).
Ao olhar os estados isoladamente, o Espírito Santo foi o estado que registrou a maior taxa em junho, 2,54%. De acordo com o Sinapi, isto se deu devido à captação dos novos salários acordados em dissídio coletivo e à alta na parcela dos materiais. Em seguida, veio Santa Catarina, com 2,38%. Minas Gerais foi estado com menor variação, de -0,50%.
Fonte:
Augusto Oliveira é gerente do Sinapi.
Contato:
Assessoria de imprensa: comunica@ibge.gov.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
Seminário internacional discute durabilidade de estruturas de concreto
Aconteceu nos dias 27 e 28 de junho o V Seminário Internacional sobre Desempenho e Durabilidade de Estruturas de Concreto (V Durar), com a participação de especialistas da França, Espanha, África do Sul e Brasil. Os palestrantes se dividiram em três painéis temáticos, para apresentar estudos e conhecimentos sobre os principais agentes causadores de degradação, técnicas de monitoramento e pesquisas relacionadas ao aumento da vida útil das estruturas de concreto.
Realizado no auditório do Sinduscon-GO, em Goiânia, o evento contou com o respaldo da Rilem (União Internacional de Laboratórios e Especialistas em Materiais, Sistemas e Estruturas de Construção) e o apoio institucional do Instituto Brasileiro de Concreto (Ibracon), da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), do Grupo de Estudos em Durabilidade do Concreto Armado (GEDur) da UFG, da Comunidade da Construção Polo Goiano e do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO).
Alguns dos participantes foram a Dra. Alexandra Bertron, professora e pesquisadora da INSA Toulouse França, que abordou os fenômenos de deterioração de estruturas de produção de biogás, detalhando os níveis de agressividade e o desempenho dos materiais cimentícios, e o Prof. Mark Alexander, da University of Cape Town, na África do Sul, que falou sobre indicadores e critérios baseados em desempenho para a durabilidade do concreto sujeito à carbonatação e cloretos.
Já o Prof. Dr. Oswaldo Cascudo, titular da Universidade Federal de Goiás (UFG) e coordenador-geral do V Seminário Durar, discorreu sobre o processo de carbonatação do concreto de cobrimento e seu impacto na corrosão da armadura, apresentando o comportamento de 18 concretos com adições minerais frente à carbonatação natural em clima tropical, ao longo de 20 anos.
O especialista compartilhou com o Massa Cinzenta sua visão sobre o evento, os destaques do seminário e falou um pouco mais sobre o estudo que lidera há mais de duas décadas.

1) O seminário Durar reúne especialistas brasileiros e internacionais, de diferentes áreas. Qual é a principal importância dessa conexão e troca de experiências para a construção civil, de modo geral?
Oswaldo Cascudo - A troca de experiência com pesquisadores internacionais é muito rica, seja pelas diferentes óticas profissionais, seja porque, no caso em questão, alguns dos convidados são expoentes mundiais em seus temas de trabalho.
A mescla de Professores eméritos e sêniores, como Mark Alexander e Carmen Andrade (ex-presidentes da RILEM) e Gilles Escadeillas, com pesquisadores mais jovens (como Alexandra Bertron e Túlio Honório), trouxe ao evento um equilíbrio muito interessante entre as convicções e fundamentos dos formadores de opinião e a produtividade e o "frescor" de jovens pesquisadores.
O nivelamento de conteúdos técnico-científicos a partir dessa profícua interação internacional aponta caminhos sustentáveis no campo da durabilidade e desempenho de estruturas de concreto, com efetivas contribuições à construção civil brasileira.
2) Cada edição do evento conta com temas relevantes na área. Quais assuntos abordados durante os painéis desta edição você destacaria?

Oswaldo Cascudo - Os temas mais importantes do evento consideraram os seguintes pontos: 1) o projeto e a especificação de concretos voltada à durabilidade, destacando os processos em nanoescala, os indicadores e os critérios de durabilidade; 2) os processos de deterioração pela ação de microorganismos; e 3) os modelos preditivos de vida útil, destacando uma abordagem contemporânea baseada em desempenho.
Além desses macro temas, outros assuntos no campo da durabilidade do concreto foram enfocados, tais como: ensaios não destrutivos aplicados às inspeções estruturais, técnicas de avaliação da corrosão das armaduras e da estrutura interna de concretos, estudos da solução do poro, indicadores gerais de durabilidade, etc.
3) Sobre a sua apresentação no seminário, sobre os modelos comportamentais de concretos com adições minerais após 20 anos de exposição natural, seria possível detalhar alguns dos pontos compartilhados?
Oswaldo Cascudo - Este estudo que tenho a honra de liderar há mais de 20 anos representa uma importante pesquisa no campo da durabilidade de estruturas de concreto, talvez a mais emblemática pesquisa brasileira envolvendo a carbonatação do concreto, por se tratar de uma investigação natural de longo prazo, em que se é possível detalhar os fenômenos naturais incidentes.
Este estudo envolveu uma larga variação de concretos compostos com adições minerais (5 adições e o concreto de referência), sob duas condições extremas de cura (cura úmida e cura ao ar) e três relações água/ligante. Foram produzidos 108 protótipos de viga, que se mantiveram expostos em ambiente externo abrigado por mais de 20 anos. A carbonatação, os modelos preditivos de avanço da frente carbonatada, as caracterizações da solução do poro em camadas carbonatadas e não carbonatadas, entre outros, foram temas-alvo do estudo.
A partir desta pesquisa, subsídios consistentes foram produzidos no campo preditivo de vida útil das estruturas de concreto, com forte contribuição à durabilidade e ao desempenho estrutural.
4) Em sua opinião, há estudos científicos suficientes no Brasil sobre o tema do desempenho e durabilidade de estruturas de concreto? Ou deveria haver mais investimento?

Oswaldo Cascudo - Existem muitos estudos nessa área atualmente no Brasil, mas poderiam existir muito mais. A durabilidade de estruturas de concreto remonta uma vertente socioeconômica e ambiental muito importante. Não existe desenvolvimento sustentável sem a durabilidade das construções, ao mesmo tempo que não se pode permitir a inserção de riscos a usuários.
Por tudo isso, a norma de desempenho de edificações (ABNT NBR 15575) prevê, atualmente, vidas úteis de projeto mínimas de 50 anos, 63 anos ou 75 anos para os sistemas estruturais, considerando, respectivamente, níveis mínimo, intermediário ou superior de desempenho. Portanto, a durabilidade é um aspecto compulsório a ser buscado pela área técnica e pelo setor produtivo, sendo essenciais os investimentos em pesquisa dentro deste escopo.
Fontes
Prof. Dr. Oswaldo Cascudo
Assessoria de imprensa V Seminário Durar
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
Vogg Experience
Laboratório de alta tecnologia para a Construção Civil é construído no RJ
Foi inaugurado o Laboratório de Materiais e Sistemas Construtivos da Firjan SENAI, na cidade de Três Rios (RJ). Trata-se de um laboratório de alta tecnologia que atenderá todo o Brasil com ensaios das normas de desempenho, análises técnicas e acústicas completas.

O laboratório é o primeiro no estado do Rio e o terceiro do país a realizar as análises e ensaios técnicos em câmara acústica, que permite a realização através de protótipos a serem aplicados na obra antes de iniciar. Há ensaios que avaliam também a resistência de guarda-corpo, estanqueidade das esquadrias (se veda a entrada de chuva e vento), permeabilidade das paredes, conforto térmico e de luminosidade, certificando empreendimentos como mais eficientes e seguros. Em novembro de 2023, o laboratório passará também a fazer testes de resistência a fogo, estudos sobre chamas, fumaça e resíduos.
“Nós conseguimos realizar ensaios desde o início da obra, como a parte de estudo do solo, até a entrega final que são os ensaios de desempenho. Antes da obra ser entregue, ela precisa ser avaliada conforme os requisitos da Norma de Desempenho (NBR 15.575). Hoje o laboratório está bem completo – lá conseguimos fazer materiais como blocos de concreto e cerâmicos, agregados, além do próprio concreto”, revela Thais Guirau, especialista em Serviços Tecnológicos da Firjan SENAI.

Antes da construção do laboratório, os testes eram realizados in loco, em diversos estados. “Anteriormente, por exemplo, nós fazíamos o ensaio de acústica no local. No entanto, se não fosse aprovado, o custo para fazer uma adequação era muito maior. Com esse laboratório, conseguimos antecipar tudo o que vai ser construído. Para a construtora, o teste em laboratório já vai garantir que aquilo que será construído atenderá à norma. Com relação à acústica, por exemplo, a construtora constrói a parede e nós realizamos todos os ensaios. Se por acaso não passar, a empresa consegue melhorar seu sistema construtivo antes”, aponta Thais.
Para Thais, o fato de as empresas poderem antecipar aquilo que irão construir é uma garantia para elas, principalmente com relação à questão da segurança. “Nós fizemos um estudo que mostrou que 65% dos guarda-corpos que nós ensaiávamos não passavam. É um número alarmante. E não é uma questão que se refere somente ao atendimento da norma, mas também à segurança das construções”, pontua a especialista.
Em termos de equipamento, segundo Thais, ele é um dos mais avançados. “Trouxemos o que tinha de mais avançado no mercado – a parte de acústica, por exemplo, veio da Dinamarca”, concluiu.
Fontes:
Thais Guirau é especialista em Serviços Tecnológicos da Firjan SENAI.
Contatos:
Assessoria de imprensa Firjan SENAI: nrrocha@firjan.com.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP















