Simpósio sobre argamassas reúne especialistas em inovação e sustentabilidade
O 14º SBTA - Simpósio Brasileiro de Tecnologia das Argamassas foi realizado de 3 a 5 de outubro em João Pessoa, na Paraíba, com a presença de especialistas que trataram de temas relacionados ao desempenho, à sustentabilidade e à inovação.
Os debates contaram com a participação de professores, estudantes, empresários, construtores, fabricantes de insumos, pesquisadores e outros convidados, que contribuíram para o compartilhamento de informações neste que é considerado o principal evento técnico do Brasil voltado às argamassas de construção e aos revestimentos em edificações.
Um dos destaques do Simpósio foi a presença de Adolpho Guido de Araújo, professor do curso de Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco, que apresentou o seminário "Proposta para a avaliação do desempenho ambiental aplicada aos revestimentos em argamassa".
O especialista, que possui doutorado em Construção Civil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestrado em Construção Civil pela Escola Politécnica de Pernambuco (POLI/UPE), avalia que o setor da construção no país apresentou avanços no tema da sustentabilidade, mas que ainda há espaço para mais empenho, integrando os estudos acadêmicos com as práticas da indústria.
"Em comparação com outros países, o Brasil está caminhando na direção certa, mas há muitos desafios a serem superados", afirma Araújo, em entrevista ao Massa Cinzenta. "Observamos algumas iniciativas sustentáveis, tais como: o uso de materiais alternativos, a implementação de práticas de eficiência energética e a adoção de certificações ambientais. No entanto, urge a necessidade de um maior comprometimento e conscientização por parte da indústria da construção civil para que a sustentabilidade seja realmente prioritária nas suas três dimensões (social, ambiental e econômica) durante todas as etapas do processo construtivo."
Em relação aos impactos causados especificamente pelo uso de argamassas, o professor diz que as alterações ambientais dependem de muitos fatores, mas que os estudos indicam que as principais delas podem ser divididas e simplificadas em três etapas. "O impacto na extração da matéria-prima finita (impacto no consumo dos recursos naturais), na fabricação (impacto na produção de gases do efeito estufa e no consumo de energia) e na aplicação (impacto na geração de resíduo da construção civil e no uso de água)."

Crédito: Divulgação
Para isso, a indústria, de forma geral, vem buscando alternativas para oferecer produtos e soluções cada vez mais adequados à nossa realidade. De acordo com Araújo, alguns dos exemplos são que empresas já oferecem argamassas com baixa emissão de CO2 (eficiência energética na produção), realizam estudos para adições de materiais alternativos com base em itens reciclados, promovem a racionalização dos insumos para reduzir o consumo direto dos componentes das argamassas (dosagem racional) e adotam técnicas de aplicação que minimizam perdas no processo construtivo.
Quando perguntado sobre quais mudanças precisam ser feitas a curto e médio prazo para que o setor se torne menos nocivo ao meio ambiente, o professor destaca, como prioridade, a conscientização e a capacitação dos profissionais da construção civil sobre as práticas sustentáveis em todos os níveis das organizações.
"Outra mudança significativa seria identificar, quantificar e mitigar os aspectos ambientais na fase de projetos, monitorando durante a fase de construção. Por fim, uma integração público-privada na formulação de políticas públicas que estimulem e incentivem as indústrias da construção civil a adotarem práticas sustentáveis, por meio de incentivos fiscais, tributos e benefícios", afirma.
Fonte
Adolpho Guido de Araújo, professor de Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco, doutor em Construção Civil pela UFPE e mestre em Construção Civil pela POLI/UPE, com MBA pela FGV
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
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Construção civil gerou mais de 243 mil empregos de janeiro a setembro no Brasil
Os dados mais atualizados do Novo Caged mostram que a construção civil gerou 20.941 empregos com carteira assinada no Brasil, em setembro, ficando em quarto lugar na divisão por ramos de atividade, que também contempla serviços (98.206), comércio (43.465), indústria (43.214) e agropecuária (5.942).
Quando se realiza a divisão por segmentos, identificamos que a maior parte das vagas do setor ficou com obras de infraestrutura (8.047), seguida por serviços especializados (6.671) e construção de edifícios (6.223).
Já no acumulado do ano, a construção registrou 243.410 novos postos de trabalho no país e quase ultrapassou o número obtido durante todo o ano de 2021 (245.157), que foi o recorde desde a implementação do Novo Caged, em 2020. Para efeito de comparação, o setor computou 192.682 em 2022 e 94.712 em 2020.
Previsão de crescimento de vagas para 2024
Os dados do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que o Sudeste é o Estado que contribui com a criação de mais vagas de emprego, chegando a 11.371, com São Paulo na primeira posição (4.948), Rio de Janeiro em segundo (3.386) e Minas Gerais em terceiro (2.435). Em relação a Minas, o registro de novas carteiras de trabalho em setembro superou o dos dois meses anteriores, sendo mais do que o dobro na comparação com agosto (1.019).
Renato Michel, presidente do Sinduscon-MG, prevê crescimento ainda maior em 2024 e destaca o fato de que a construção civil é um setor com forte geração de emprego e renda na economia. "Quando o setor está crescendo, os reflexos são sentidos imediatamente no mercado de trabalho. A tendência é que a construção continue criando novas vagas com carteira assinada no próximo ano", avalia, em entrevista ao Massa Cinzenta.
O executivo cita alguns fatores que justificam essa projeção. "As novas condições do programa 'Minha Casa, Minha Vida', que devem movimentar o mercado de segmento econômico; 2024 é um ano eleitoral e, geralmente, nesses períodos, observa-se incremento no número de obras, e, portanto, de empregos; temos o processo de redução da taxa de juros, a taxa Selic, e, com isso, espera-se uma redução nas taxas de juros de financiamento imobiliário; e, ainda, os lançamentos realizados em 2023 estão se transformando em obras, e, portanto, em novos empregos."

Crédito: Sinduscon-MG/Divulgação
Mesmo com muitos pontos jogando a favor, Renato Michel aponta os principais desafios observados atualmente no mercado, tanto em Minas como no país, de forma geral. "A taxa de juros elevada, há cerca de um ano, é o principal problema enfrentado pela construção", diz, referindo-se aos dados divulgados pela Sondagem da Indústria da Construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (ENIC), com empresários do setor em todo o país.
"Os juros altos retiram recursos dos setores produtivos, como a construção, e direcionam para o mercado financeiro. Além disso, a caderneta de poupança, que é uma das principais fontes de financiamento imobiliário, perde recursos para outros tipos de aplicação, com maior rendimento", explica. "Com menor volume de recursos, observa-se recuo no financiamento imobiliário com recursos da poupança. Ou seja, menor volume de recursos ao financiamento imobiliário, maior dificuldade de aquisição da casa própria."
Além de fatores como elevada carga tributária e burocracia excessiva, o presidente do Sinduscon-MG também destaca a escassez de mão de obra qualificada como um dos principais problemas para o setor. "A construção vivenciou um grande período de queda de atividades (2014 a 2019) e, com isso, perdeu trabalhadores para outros segmentos. Além disso, o setor está avançando com a utilização de novos métodos construtivos, novos produtos, etc., e isso requer, cada vez mais, profissionais capacitados, com treinamentos específicos."
Fonte
Renato Michel, presidente do Sinduscon-MG
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
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ABNT apresenta norma ESG no 64° Congresso Brasileiro do Concreto
Em outubro, Mario William Esper, presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), participou como representante da entidade no 64° Congresso Brasileiro do Concreto, promovido pelo Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON).
Durante o evento, Esper destacou a relevância da indústria da construção civil, com especial ênfase no setor do concreto. “De 2019 a 2022, nossa entidade lançou 2.591 normas. Deste total, 272, ou seja mais de 10%, são referentes à construção civil”, ressaltou.
Nesta edição, o congresso teve como tema “Concretizando a inovação e a sustentabilidade” e promoveu discussões a respeito de assuntos como metodologias construtivas, gestão e normalização, materiais e suas propriedades, análise estrutural e sustentabilidade.
Norma ESG
De acordo com Esper, a ABNT e o IBRACON assinaram um termo de cooperação para desenvolver normas na área de concreto e, principalmente, aquelas que impactam mudanças climáticas.
“Durante o IBRACON, apresentamos a norma ESG (ABNT PR 2030), que foi lançada em 2022 e foi muito bem aceita. Estamos trabalhando em conjunto nesse tema de sustentabilidade e mudanças climáticas. Esse é o assunto do momento,”, afirma Esper.
Esta norma estabelece conceitos, diretrizes, critérios de avaliação e orientações para organizações no contexto da agenda ESG (ambiental, social e de governança). Trata-se de um documento normativo pioneiro não apenas no Brasil, mas também no cenário global relacionado a ESG. Embora não seja uma lei, essa norma serve como uma orientação para as empresas do país. O documento faz referência à Agenda 2030 da ONU, que estabelece os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Para disseminar a norma, a ABNT e o IBRACON firmaram uma parceria para oferecer cursos de ESG para os associados do IBRACON, segundo Esper.
NBR 6118
No Congresso do IBRACON, Esper também lembrou o recente lançamento da edição revisada da NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto, que foi a primeira norma técnica do Brasil, publicada em 1940. Esse projeto de revisão, iniciado em 2018, cancelará e substituirá a NBR 6118:2014 por completo. “A ABNT e o IBRACON firmaram uma parceria muito forte na revisão desta norma”, lembra Esper.
A revisão se fez necessária por tratar de um assunto (Projeto de Estruturas de Concreto) que está em constante evolução tecnológica, tanto nas pesquisas como nas aplicações práticas, bem como no desenvolvimento de novas metodologias e de novos materiais.
Nesta revisão, a base de 2014 foi mantida. Ao todo, foram analisadas 182 sugestões nas plenárias, dentre as quais 134 foram aprovadas. A grande maioria das novidades consiste na introdução de textos e figuras, certas vezes com a imposição de limites, cujo objetivo é esclarecer os procedimentos e requisitos. “Não há alterações significativas nas metodologias e formulações atuais, com exceção para concretos de alta resistência, em que foi introduzido um novo coeficiente de fragilidade, baseado no código-modelo europeu” informaram a engenheira Suely B. Bueno, diretora de Normas Técnicas da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE), e Alio Kimura, diretor-adjunto de Normas Técnicas da ABECE, em entrevista ao Massa Cinzenta.
Entrevistados
Mario William Esper é presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
A engenheira Suely B. Bueno é diretora de Normas Técnicas da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE) e coordenadora da CE-002:124.015 – Comissão de Estudo de Estruturas de Concreto – Projeto e Execução, que revisou a NBR 6118.
O engenheiro Alio Kimura é diretor-adjunto de Normas Técnicas da ABECE e secretário da CE-002:124.015.
Contatos
ABECE: prefixo@prefixocomunicacao.com.br
ABNT Assessoria de imprensa – daniela.nogueira@fsb.com.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
Selic a 12,25%: qual o impacto para a construção civil?
O Banco Central, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), diminuiu a taxa Selic pela terceira vez seguida, estabelecendo-a em 12,25% ao ano, o nível mais baixo desde maio de 2022.

Crédito: Envato
De acordo com o Informativo Econômico da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), produzido pela economista Ieda Vasconcelos, o Copom ainda se reúne mais uma vez neste ano (12 e 13 de dezembro) e a expectativa é que a taxa volte a ter uma nova redução de 0,5 ponto percentual. “Assim, ela encerraria 2023 em 11,75%. Para 2024, espera-se a continuidade do processo de queda. A pesquisa Focus, divulgada semanalmente pelo Banco Central, projeta que a Selic encerre 2024 em 9,25% a.a”, explica a economista.
Desafios nacionais e internacionais
Embora haja a perspectiva de futuras reduções na taxa Selic, existem inquietações tanto no âmbito doméstico quanto no cenário internacional. “As incertezas em relação às contas públicas do país e os juros elevados nas economias desenvolvidas podem impedir uma aceleração no processo de redução da Selic. Neste contexto, é importante ressaltar que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central nos Estados Unidos, manteve sua taxa de juros de referência entre 5,25% e 5,50%, o que corresponde ao maior patamar dos últimos 22 anos. A inflação persistente e o crescimento da economia americana pode levar o Fed a aumentar os juros, impactando mais as economias emergentes”, afirma Ieda.
No que se refere às finanças públicas no Brasil, é relevante notar que na ata da reunião de setembro, o Copom já enfatizou a necessidade de manter o foco na meta estabelecida. “É importante destacar que a arrecadação federal começou a declinar em junho. Conforme os últimos resultados divulgados pela Receita Federal, a arrecadação de impostos, contribuições e demais receitas federais registrou queda em junho, julho, agosto e setembro de 2023 (última informação disponível). Em termos reais, os recuos em relação a igual mês de 2022 foram de -3,37%, em junho, -4,20% em julho, -4,14% em agosto e -0,34% em setembro”, aponta Ieda.
Taxa de juros x construção civil
Para os empresários do setor da Construção Civil, a taxa de juros elevada tem sido apontada como o principal desafio nos últimos doze meses. Essa é a conclusão extraída dos resultados do 3º trimestre/23 da Sondagem Nacional da Indústria da Construção, conduzida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em colaboração com a CBIC.
Em entrevista ao Massa Cinzenta, Paulo Camillo Penna, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), destacou que a taxa de juros inibe a atividade econômica e tem um impacto direto sobre a indústria do cimento em renda, em massa salarial, atividade econômica, além de gerar disputa com o mercado de ativos financeiros e uma série de outros problemas que fazem com que haja um crescimento pouco significativo da economia brasileira. “Estamos falando de um pouco mais de 2% do PIB do ano que vem. Para este ano, será em torno de 2,9%. Mas ainda é suficiente para a economia decolar de maneira adequada. Para melhorar este cenário e estimular o consumo do cimento, é preciso melhorar a massa salarial, diminuir o endividamento da população, reduzir a taxa de juros e aumentar a confiança do empresariado na economia e na construção. Por fim, o consumidor ter uma visão positiva a respeito do país”, conclui Penna.
Ainda segundo o informativo da CBIC, além de desestimular os setores produtivos, como a Construção, a taxa de juros provoca queda em uma das principais fontes de financiamento imobiliário. De acordo com os dados divulgados pelo Banco Central, de janeiro a setembro/23, a caderneta de poupança já perdeu R$ 72,291 bilhões. Segundo informações fornecidas pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), durante os meses de janeiro a setembro de 2023, o montante financiado atingiu a cifra de R$ 114,6 bilhões, representando uma redução de 16% em comparação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo período, 380,4 mil imóveis foram financiados, refletindo uma diminuição de 32% em relação ao período correspondente de 2022.
Fontes
Ieda Vasconcelos é economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Paulo Camillo Penna é presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).
Contatos
CBIC - imprensa@cbic.org.br
Assessoria de imprensa ABCP e SNIC – daniela.nogueira@fsb.com.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
Estudo revela melhorias na segurança do trabalho no setor da construção civil
As informações oficiais do Anuário Estatístico da Previdência Social e os dados abertos sobre as Comunicações de Acidentes de Trabalho (CATs) serviram de base para o novo estudo realizado pela Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT/CBIC), em correalização com o Sesi Nacional.
O levantamento, desenvolvido pelo médico e especialista em Segurança e Saúde do Trabalho (SST), Gustavo Nicolai, reuniu o número de incidências de doenças e acidentes no setor da construção entre 2010 e 2022. E o resultado mostrou uma redução de 11,7% na categoria de incidências de doenças de trabalho, deixando o setor na 8ª colocação, na comparação com outras atividades econômicas. No levantamento divulgado em 2022, a construção havia ficado na 7ª posição.
Já em relação aos índices de acidentes de trabalho, a construção mostrou valores 12 vezes menores do que a atividade de maior sinistralidade e se manteve no 6º lugar, o mesmo posto ocupado em 2022.
"Os números mostram como o nosso setor vem se desenvolvendo no sentido da prevenção de acidentes", diz Ricardo Michelon, presidente da CPRT, da CBIC. "São dados que permitem o desenvolvimento de estratégias mais eficientes de prevenção aumentando a nossa assertividade nas ações."
A CPRT informou ao Massa Cinzenta que informações mais detalhadas sobre o estudo são divulgadas apenas aos associados da CBIC.
Semana Canpat discutiu saúde e segurança no trabalho
De 2 a 6 de outubro, mais de 20 entidades se reuniram durante a Semana Canpat, promovida pela CBIC, para discutir o tema "Gestão da Segurança e Saúde na Construção: Como um Ambiente Seguro Favorece a Produtividade?".
Foram realizados diversos painéis técnicos com a presença de especialistas de diferentes áreas, que, de forma on-line, compartilharam informações sobre assuntos como sistema de ancoragem, cintos de segurança para trabalho em altura e principais mudanças e avanços nas normas reguladoras.
Um dos convidados foi Luiz Carlos Lumbreras Rocha, auditor fiscal do trabalho, que falou sobre as obrigatoriedades para que o trabalhador realize atividades em altura, de acordo com a NR-35. Segundo ele, o profissional precisa ser aprovado no processo de capacitação, que envolve treinamento, teórico e prático, inicial, periódico e eventual.
"A aptidão e a capacitação estão ligadas à atividade desenvolvida pelo trabalhador, e, consequentemente, a autorização que é dada pela empresa tem que levar em conta isso: o que ele vai fazer, o tipo de capacitação (se é suficiente para o que ele vai fazer) e a aptidão que foi avaliada (se considerou o que ele vai fazer)", explicou Rocha.
Rodrigo Fonseca, engenheiro e membro da comissão de estudo, implantação e uso do Sistema Individual Contra Queda pela Animaseg, também participou da Semana Canpat e falou sobre alguns erros que podem causar graves acidentes ou até morte.
Seguindo a cartilha Trabalho em Altura, da SIT (Secretaria de Inspeção do Trabalho), ele cita como exemplos de "o que não fazer" durante obras de construção o uso de vergalhão dobrado e de anel de suspensão. "Apesar de alguns dispositivos de ancoragem terem esse formato [do anel de suspensão], a configuração de projeto, de material e de testes é muito diferente", enfatiza.
Fontes
Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT)
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
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Quais os impactos do conflito entre Israel e Hammas para o cimento?

Crédito: Envato
A disputa territorial entre palestinos e judeus se arrasta por décadas. Em outubro de 2023, o grupo Hamas realizou um ataque surpresa a Israel, deixando centenas de mortos. O governo israelense, por sua vez, declarou guerra e prometeu retaliações. Como este conflito deve afetar o setor de cimento e construção civil no Brasil?
Para Paulo Camillo Penna, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), no conflito entre Rússia e Ucrânia, houve um desarranjo generalizado que impactou no preço do petróleo. “Houve uma escalada da guerra, até porque envolve a OTAN e outros países como Estados Unidos e Europa, fornecimento de gás (a Rússia tem um gasoduto importante em termos de fornecimento) e um desarranjo em termos de transporte marítimo. O coque já era objeto de reajuste já há algum tempo, desde 2020 ele subia com outros insumos da cadeia do cimento, mas ele foi impactado porque ele guarda uma correlação com o petróleo e com o carvão. O preço do carvão se descolou do preço do petróleo e houve um reajuste significativo do preço do coque, mas apenas durante o início da guerra, quando ele chegou a subir 40%. Isso fez com que houvesse uma mudança na operação da energia na composição do preço. A energia é o maior custo da indústria do cimento – seja ela elétrica ou térmica. A composição anterior já era alta: cerca de 50% do custo do cimento era energia (no ápice do crescimento coque chegou a 70%). A composição era 35% coque e 15% da energia elétrica. Houve um aumento significativo tanto no custo da energia elétrica quanto do coque antes da guerra. E, durante o período do conflito, também houve um reajuste importante (40%). Entre janeiro de 2020 e março de 2022, houve uma alta de 740%, influenciado pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Houve também um desarranjo no frete marítimo, devido a dificuldades logísticas e aumento do gasóleo (combustível marítimo). Posteriormente, houve uma redução importante no preço, mas ainda com valores acima do início dos reajustes, que foi em janeiro de 2020”, explica.
No entanto, o cenário neste conflito entre Israel e o Hammas é um pouco diferente. “No dia 07 de outubro, houve um aumento no preço do petróleo que chegou a US$ 90 o barril. Depois houve um recuo para US$ 85 e hoje estamos em US$ 87. Em termos de preço do coque, ainda não fomos afetados – e espero que isso não aconteça. 90% do coque utilizado no Brasil é importado do Golfo do México, então a preocupação reside na escalada desta guerra. Isto é, o agravamento dela pode afetar o mercado internacional de petróleo de forma significativa. Se isto ocorrer, poderia haver um reflexo para o coque. No entanto, hoje ainda não houve impacto, já que barril do petróleo está variando entre US$ 85 e US$ 87, valores menores, inclusive, do que antes do conflito”, afirma Penna.
Como diminuir a dependência do coque
Diante destes momentos instáveis que o mundo tem passado, como os conflitos e a pandemia, uma das saídas é buscar alternativas ao uso do coque. “Essa instabilidade fez com que acelerássemos de uma forma significativa os esforços da redução do uso do coque”, pontua Penna.
A indústria brasileira tem seguido um grande programa de redução de emissões de CO2, que foi lançado em 2019. “Um dos pilares para a diminuição dessas emissões é o uso de combustíveis alternativos. Esta diversificação também traz uma proteção para a indústria. Dentre as opções estão os pneus e biomassas feitas a partir de casca de babaçu (Norte e Nordeste), caroço de açaí, licuri, casca de arroz provenientes das plantações (Sul) e cavacos de madeira de reflorestamento (Centro Oeste e Sudeste). Além de substituírem o coque como uma fonte de energia alternativa, estas opções também livram o ambiente de passivos e até mesmo de ameaças sanitárias. Também tem o CDR (combustível derivado de resíduos) e CDRU (combustível derivado de resíduos urbanos). Com o uso dessas opções, também se reduz a necessidade dos aterros sanitários, que produzem o gás metano, que é mais poluente que o CO2. Tudo isso também gera riquezas em linha com a economia circular a partir de resíduos. Este processo traz riquezas para as populações, bem-estar ao reduzir o risco de doenças e aumento de renda. Com esta estratégia, os aspectos sociais, ambientais e econômicos se reúnem, o que gera vários benefícios”, pondera Penna.
Impactos no crescimento do setor
Apesar do cenário de incertezas, Penna acredita que hoje este conflito não deve impactar em novas construções. “A desaceleração dos últimos anos não foi motivada por nenhum desses conflitos. O que tivemos foi uma desaceleração econômica gerada pela pandemia, desajustes de natureza política, a economia que não cresceu e um alto nível de endividamento da população brasileira. A demanda por cimento está intimamente ligada à massa salarial e renda. Estes aspectos, por sua vez, estão conectados a empregos e indicadores macroeconômicos. A taxa de juros, que chegou a um nível alto, desestimulou e estabeleceu uma competição grande entre os ativos imobiliários e os ativos financeiros. Ou seja, aqueles que estão investindo em ativos financeiros estão despidos de preocupação com relação aos resultados. Isto é, o nível de risco que se apresentou fez com que boa parte dos investimentos que poderiam ser feitos na construção civil fossem canalizados para investimentos financeiros. Além disso, houve a redução da renda das famílias. Nós já estamos praticamente com o mesmo número de empregos existentes de antes da pandemia, mas a massa salarial, o volume de renda, ainda é inferior. Nós tivemos um aumento dos postos de trabalho, mas não tivemos o aumento da renda. E isso afeta diretamente o setor de construção. Depois disso, em 2022 e 2023, estamos em queda. Nossa expectativa é que tenhamos uma melhora, mas ainda assim o ano fechará negativo, em -1% em relação a 2022. Nós vamos acumular uma queda de vendas importante”, conclui Penna.
Entrevistado
Paulo Camillo Penna é presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).
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Marina Pastore
DRT 48378/SP
Especialista avalia mercado de paredes e pavimentos de concreto
Fatores técnicos, econômicos, ambientais e estéticos são alguns dos aspectos levados em conta na hora de escolher por utilizar paredes de concreto em um projeto. Indicado para uma variedade de tipos de obras, o método é uma opção especialmente válida para aquelas que requerem alta resistência estrutural.
"A escolha de utilizá-las dependerá das necessidades específicas do projeto, das regulamentações locais e das preferências do construtor", diz Alvaro Sérgio Barbosa Jr., coordenador técnico de Programas e Projetos da Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem). "É importante envolver engenheiros e arquitetos experientes no processo de tomada de decisão para garantir que a escolha seja apropriada para a obra em questão."
O especialista, que participou de um seminário no 64º Congresso Brasileiro do Concreto com o tema "Desenvolvimento de Mercado de Paredes e Pavimento de Concreto", destaca a consistência do setor de paredes de concreto e projeta avanços ainda maiores. "Nós, da Abesc, acreditamos que o mercado, quanto ao sistema, está consolidado, mas que existe um grande espaço a ser conquistado nos modelos até médio e alto padrão", avalia, em entrevista ao Massa Cinzenta. "Esse é o motivo que levou a Abesc a trabalhar modelagens mais otimizadas em consonância com as novas versões das normas atualizadas."
Ainda em relação às paredes de concreto, Alvaro S. Barbosa Jr. ressalta alguns dos diferenciais e vantagens desse método construtivo, como, por exemplo, a sua capacidade de suportar cargas pesadas - por isso, são ideais para armazéns, estacionamentos subterrâneos e edifícios de múltiplos andares, por exemplo. Além disso, as paredes moldadas in loco (concretagem no local) aceleram o processo de construção, em comparação com as de alvenaria, e oferecem flexibilidade de design, já que podem ser personalizadas com acabamentos diversos.
Onda crescente dos pavimentos de concreto
Quando o assunto é o PUC (Pavimento Urbano de Concreto), o representante da Abesc afirma que esse é um sistema sustentável, econômico e replicável. "O que estamos observando é uma onda crescente, por meio do trabalho coordenado pela Abesc em conjunto com a cadeia técnica e produtiva do concreto."
Alvaro Jr. explica que esses pavimentos vêm ganhando espaço em vias urbanas no Brasil e em outros lugares devido à sua durabilidade e baixa manutenção. "Não inventamos nada, apenas aplicamos as melhores práticas e colocamos de uma forma clara e transparente para todos os agentes públicos (Federal, Estadual e Municipal), loteadores, construtoras", diz.
Segundo ele, algumas medidas podem ser adotadas para incentivar prefeituras e governos a optarem por esta tecnologia, como: demonstrar o custo-benefício, apresentar projetos-piloto e estudos de caso, promover parcerias com a indústria, estimular a pesquisa e a inovação e viabilizar normas e regulamentações favoráveis.
Já sobre o mercado de concreto de forma geral, o coordenador da Abesc cita algumas tendências que podem indicar um cenário positivo, em relação a construções de infraestrutura e urbanismo. Uma delas tem a ver com o crescimento populacional, que deve levar a uma demanda constante por novas estruturas de concreto, incluindo pavimentos e paredes.
O investimento em infraestrutura também é fundamental, já que muitos governos ao redor do mundo estão colocando em prática projetos que, geralmente, envolvem construção de estruturas de concreto, impulsionando o mercado. Sustentabilidade, durabilidade, inovações tecnológias e políticas de incentivos são outros fatores que podem contribuir para o desenvolvimento ainda maior do setor.
Fontes
Alvaro Sérgio Barbosa Jr., coordenador técnico de Programas e Projetos da Abesc
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Fabiana Seragusa
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Estratégia BIM-BR deverá ser atualizada

Crédito: Envato
O Building Information Modeling (BIM) já é uma realidade na construção civil. Em 2022, FURNAS Centrais Elétricas e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) desenvolveram um projeto pioneiro que integra o BIM ao Sistema de Informação Geográfica (GIS) e ao Enterprise Resource Planning (Planejamento de Recursos Empresariais). Neste mesmo ano, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur), de Salvador, expediu o primeiro alvará de construção em formato BIM para um empreendimento na cidade. Outro exemplo é a Arena do Galo, o primeiro estádio brasileiro construído 100% com o emprego da tecnologia BIM. Estes são só alguns exemplos de como esta metodologia vem sendo utilizada. No entanto, ainda há diversos desafios para ampliar o seu uso no Brasil.
Retomada da Estratégia BIM-BR
A estratégia BIM, delineada no Decreto Nº 9.983 de 22 de agosto de 2019, encontra-se atualmente em processo de revisão para incorporar novos participantes ao Comitê Gestor do programa, bem como para ajustar-se às novas diretrizes governamentais. Estas políticas abrangem preocupações relacionadas à sustentabilidade e à industrialização do setor. Dentre os recém-incluídos no Comitê, destacam-se os Ministérios das Cidades e da Educação. O primeiro, em virtude de sua priorização da tecnologia BIM nas obras do programa "Minha Casa Minha Vida". O segundo, devido à necessidade de capacitar mão de obra especializada para a utilização efetiva do sistema integrado.
Recentemente, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reuniu representantes de entidades ligadas à Construção Civil para tratar da retomada da Estratégia BIM-BR. A partir do próximo ano, os principais projetos governamentais relacionados à habitação, mobilidade e infraestrutura, entre outros, deverão dar preferência à adoção dessa tecnologia.
Uma das entidades presentes no encontro foi a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que recebeu de forma positiva a retomada do programa e se comprometeu em contribuir com a pauta. “A CBIC se comprometeu a enviar sugestões para a reformulação do Decreto Nº 9.983, e está à disposição para todos os tipos de parcerias que viabilizem o BIM em concorrências públicas e em projetos da importância do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida (MCMV)”, apontou Dionyzio Klavdianos, presidente da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da CBIC.
Outra questão abordada na reunião foi o desafio da capacitação de profissionais e gestores públicos para disseminação do BIM. “O BIM está no centro da nova política industrial, foi incluído no Novo PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e tem função importante no Minha Casa Minha Vida. O governo está encaminhando sua parte, mas as entidades são de fundamental importância para o desenvolvimento da tecnologia. Além de ser um setor estratégico para geração de emprego e renda em áreas como habitação, infraestrutura e lazer”, afirmou Rafael Codeço, diretor de Desenvolvimento da Indústria de Bens de Consumo Não Duráveis e Semiduráveis do MDIC.
O decreto para atualizar a Estratégia BIM e o Comitê Gestor deve ser publicado nos próximos meses, segundo o MDIC.
Desafios do BIM
Dentre os principais desafios de utilizar o BIM é a integração de todos os agentes da cadeia de produção. Em entrevista ao Massa Cinzenta, Rodrigo Koerich, presidente do BIM Fórum Brasil, afirmou que esta metodologia ainda está mais restrita à fase do projeto, que é onde as tecnologias que estão disponíveis para projeto conseguem ser integradas. No entanto, na fase de execução, existem tecnologias, mas elas estão desconectadas. “Muitas startups fazem pedacinhos do processo de gerenciamento da construção, mas não o fazem de maneira integrada”, destacou.
Fontes
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Rodrigo Koerich é presidente do BIM Fórum Brasil
Contatos
MDIC - imprensa.sepec@economia.gov.br
CBIC - imprensa@cbic.org.br
BIM Fórum Brasil - contato@bimforum.org.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
64º Congresso Brasileiro do Concreto reúne mais de 1.500 participantes

Crédito: Reprodução Ibracon
Mais de 1.500 participantes compareceram diariamente ao 64º Congresso Brasileiro do Concreto, realizado de 18 a 21 de outubro em Florianópolis. Desse total, 1.273 foram congressistas nacionais e internacionais responsáveis por apresentar artigos científicos e promover conferências e seminários sobre diversos assuntos relacionados ao tema desta edição, Inovação e Sustentabilidade.
"É, sem dúvida, o maior fórum de engenharia de concreto do país e quiçá do mundo, conforme depoimentos de experientes congressistas estrangeiros", afirma o professor e engenheiro civil Paulo Helene, diretor-presidente do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto), entidade organizadora do evento.
O especialista ressalta a importância do Congresso conseguir integrar tecnologistas de concreto, academia, projetistas, construtores, consultores, laboratórios de controle, empresários, industriais e órgãos públicos. "Toda a cadeia esteve presente interagindo e construindo consensos nas interfaces das áreas, ainda que seja essa uma ação dinâmica e permanente no tempo, ou seja passível de mudanças e aperfeiçoamentos."
Novidades no Congresso Brasileiro do Concreto
O professor Paulo Helene conta que, nesta edição do Congresso, foi apresentada pela primeira vez uma peça pré-fabricada em Concreto de Ultra-Alto Desempenho (UHPC Ultra High Performance Concreto), por meio de uma passarela projetada pela Unisinos e construída pela Cassol, com 8 metros de vão por 2 metros de largura, que deu acesso ao saguão principal do evento.
Outra novidade foi que os participantes também puderam acompanhar ao vivo uma demonstração de concretagem completa de pavimento urbano, com concreto autoadensável, gerenciada pela Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem). "Incluindo a sub-base, a base, a concretagem da laje de concreto com fibras, a cura e o acabamento vassourado, com corte de juntas com disco de corte", explica o diretor-presidente do Ibracon.
Participantes do evento
A 64ª edição do Congresso Brasileiro do Concreto contou com 12 seminários temáticos, tendo a inovação e a sustentabilidade como elementos transversais em todos eles. Segundo Paulo Helene, "seminários como pré-fabricação e a industrialização, produção de concreto em centrais, reforços e reparos, sustentabilidade, argamassas, materiais poliméricos, reação álcali-agregado e inspeção de pontes e viadutos se destacaram, com público de alto nível".
Participaram nomes como Ricardo Couceiro Bento, que falou sobre Avaliação do Ciclo de Vida para Projetos de Estruturas Sustentáveis, Luiz Alberto Trevisol, com o tema Cuidados na Produção de Argamassa Estabilizada, e Jorge Christófolli, que tratou de Concretagem de Grandes Blocos de Fundação.

Crédito: Reprodução Ibracon
Já em relação a especialistas internacionais, o evento teve a presença de renomados pesquisadores, como o professor da Universidade Estadual do Michigan (Estados Unidos), Venkatesh Kodur, que apresentou estratégias para mitigação do fogo em estruturas com novas gerações de concreto, o professor da Universidade Loughborough (Inglaterra), Sérgio Cavalaro, que abordou a impressão 3D em concreto, e o professor emérito da Drexel University (Filadélfia, Estados Unidos), Ahmad Hamid, que demonstrou como o projeto pode melhorar o desempenho estrutural e ambiental das estruturas de concreto.
"A inserção internacional do Ibracon e o intercâmbio com experts de várias nações é fundamental para o nosso meio técnico desenvolver-se rapidamente com espírito crítico, confiança e segurança", avalia Paulo Helene. "Os problemas graves de mudança climática, de novas forças da natureza, de incêndios, vendavais, enchentes, são comuns a todos os povos, e cabe à engenharia dominá-los para dar boas respostas de segurança e qualidade de vida à sociedade à qual serve."
Fontes
Congresso Brasileiro do Concreto
Paulo Helene, professor, engenheiro civil e diretor-presidente do Ibracon
Jornalista responsável
Fabiana Seragusa
Vogg Experience
Concretagem de grandes blocos de fundação tem diversos desafios

Crédito: Jorge Luiz Christófolli
A concretagem de grande volume se tornou cada vez mais comum, especialmente em blocos de fundações, trazendo consigo desafios específicos que demandam procedimentos técnicos complexos e uma atenção minuciosa. Para garantir a qualidade e durabilidade da estrutura, é essencial aplicar conceitos avançados de tecnologia do concreto. Durante o 64° Congresso Brasileiro do Concreto, o engenheiro Jorge Luiz Christófolli, gerente de desenvolvimento técnico da Concrebras, falou sobre os desafios e técnicas envolvidos na concretagem de grandes blocos de fundação.
Desafios da Concretagem de Grandes Blocos de Fundação
A concretagem de grandes blocos de fundação é uma tarefa complexa, que envolve diversos desafios técnicos. Christófolli menciona alguns dos principais:
Composição do Concreto: Determinar a composição da dosagem do concreto é fundamental para garantir a qualidade e durabilidade da estrutura de fundação.
Logística da Concretagem: Planejar a logística da concretagem é crucial para garantir que o concreto seja aplicado de forma eficiente.
Logística de Insumos: Além do concreto, é essencial planejar a logística de fornecimento e aplicação dos insumos necessários, como agregados e aditivos.
Monitoramento de Temperatura: Durante a fase de execução, é importante monitorar a temperatura para evitar problemas como a formação de Etringita Tardia (Delayed Etringite Formation - DEF).
“Todas as medidas que foram tomadas na fase de planejamento são essenciais. Sobretudo, elas são importantes para que a obra seja concluída, executada sem nenhum tipo de intercorrência. O planejamento tem que ser muito bem feito para que no momento de execução, não haja nenhum tipo de situação que comprometa a qualidade da estrutura. E este plano tem que abranger todas as possibilidades de falha – estoque de matéria prima, atendimento dos fornecedores, energia elétrica necessária para o funcionamento dos equipamentos, entre outros fatores. Tudo isso deve ser previsto, sempre tendo um plano b ou c em mente”, afirma o engenheiro.
Etringita Tardia (DEF) e Suas Implicações
A formação de Etringita Tardia (DEF) é um fenômeno que pode prejudicar a durabilidade do concreto. De acordo com Christófolli, trata-se de uma manifestação patológica, uma “doença” da estrutura. Descoberta na década de 1980 na Alemanha e Inglaterra, a Etringita Tardia é caracterizada pela expansão da pasta matriz e na região de interface com os agregados. Ela resulta de uma reação química entre íons de sulfato (SO42-) e aluminato tricálcico (C3A), formando o sulfo-aluminato de cálcio hidratado. “São comportamentos que ocorrem em determinadas situações e prejudicam a durabilidade da estrutura. Como já é uma manifestação patológica conhecida, então é preciso tomar as medidas necessárias para que isso não ocorra. Isso pode se dar através da adição de gelo e das sílicas ativas. Trata-se de ações que são tomadas na fase de construção para que a formação da Etringita Tardia não ocorra”, explica o engenheiro.
O processo de formação da DEF envolve várias etapas, incluindo a formação da Etringita Primária na fase inicial de hidratação, a decomposição da Etringita primária devido a altas temperaturas (>65 ºC) durante o processo de cura, e a adsorção e dessorção dos íons sulfato pelo C-S-H (silicato de cálcio hidratado). A formação da Etringita Tardia pode ocorrer sob determinadas condições, como alta permeabilidade, liberação de íons SO4 pelo C-S-H, e estrutura em contato com água, como em locais com lençol freático próximo.
Análise de Risco e Classes de Exposição
O Laboratório Central de Pontes e Estradas da França (Laboratoire Central des Ponts et Chaussés) faz algumas recomendações baseadas em estudos históricos e também estabelece alguns parâmetros para projeto e execução dessas fundações. Eles definem dois critérios: risco de segurança da estrutura e classe de exposição das estruturas.
A análise de risco de segurança da estrutura está dividida em três níveis. “A categoria I abrange estruturas onde as fissuras têm baixas ou aceitáveis consequências. A categoria II abrange a maioria das estruturas de concreto, onde a ocorrência de fissuras não afeta e pode contribuir para a deterioração da capacidade de suporte. A categoria III é reservada para situações em que a ocorrência de fissuras é inaceitável, como em contenções de radiação nuclear, túneis e barragens”, expõe o gerente de desenvolvimento técnico da Concrebras.
Além disso, as classes de exposição da estrutura, como XH1, XH2 e XH3, levam em consideração o ambiente (principalmente o solo) em que a estrutura será construída, variando de ambientes secos a úmidos e permanentemente úmidos (em locais onde há lençóis freáticos, por exemplo).
Ao “cruzar” os riscos de segurança da estrutura e classes da exposição das estruturas, obtém-se os níveis de prevenção da formação da Etringita Tardia. Neste contexto, o nível com maior risco é quando há uma construção de categoria III e um ambiente classificado como XH3. “Nestes casos, a temperatura máxima deve ficar abaixo de 65 °C nas condições normais e o limite pode ser definido em 75 °C se houver adição mineral como a ‘sílica ativa, metacaulim’ e a validação da composição for feita por um laboratório especializado em DEF”, comenta Christófolli.
Reação álcali-agregado (RAA)
De acordo com Christófolli, trata-se de um outro desafio da concretagem de grandes blocos de fundação. “São reações químicas que ocorrem ao longo do tempo dentro da estrutura e que provocam a expansão da matriz. Consequentemente, este processo gera fissuras que comprometem a estabilidade e durabilidade da estrutura”, comenta o engenheiro.
Definição das Características Reológicas do Concreto
A concretagem de grandes blocos de fundação geralmente envolve a aplicação de diferentes camadas de concreto, cada uma com características específicas, por exemplo:
- 1º - Camada inicial para proteção da armadura de base: concreto fck (1º) CAA (concreto autoadensável) ou Fluido – Refrigerado e Estabilizado
- 2º - Camada intermediária: Concreto Refrigerado e Estabilizado I – fck (2º)
- 3º - Camada final: Concreto Refrigerado – fck (2º).
“Existem duas fases do concreto – a plástica e a endurecida. A primeira delas é a fase plástica, que é quando há a mistura dos elementos – cimento, areia, água e aditivos. Este estado dura cerca de duas a três horas e é quando você consegue aplicar o concreto ou lançá-lo em fôrmas na obra para atingir o formato desejado para fazer pilares, vigas ou outros elementos. Quando ele está suficientemente maleável, permite a passagem pela tubulação das bombas de concreto. Depois de três ou quatro horas, o concreto entra em fase de hidratação, endurecimento e resistência. Para volumes muito grandes, é necessário mais de um dia para a concretagem. No entanto, se no dia seguinte o concreto já estiver endurecido, gera-se uma “junta fria”, uma interface de contato do material antigo com o material novo em estado plástico. Isto é, cria-se uma superfície de transição. Só que isso nem sempre é adequado numa estrutura, pois cria uma região de fragilidade. Para evitar isso, utilizamos aditivos estabilizantes, produtos químicos que neutralizam a hidratação do cimento por determinado tempo. E isso deve ser determinado no planejamento”, defende Christófolli.
Case Yachthouse
Durante a palestra, Christófolli usou o case do edifício residencial de alto luxo Yachthouse Residence Club, localizado em Balneário Camboriú (SC), para ilustrar os desafios da concretagem em grandes blocos de fundação. Com duas torres, o bloco de fundação foi construído em duas etapas totalizando 8.792 m3. Para lançar o concreto nos blocos de fundação das duas torres do empreendimento, foram mais de nove etapas de planejamento – este processo demandou dois meses de pesquisa. “Como a resistência do concreto especificada no projeto era o fck 50,0 MPa, foram elaboradas simulações matemáticas do comportamento térmico da estrutura com diversas combinações de dosagem. Uma das conclusões dos estudos teóricos foi a necessidade do uso da incorporação de gelo na mistura do concreto, para a redução da temperatura de lançamento. Isso acontece, pois, as reações de hidratação do cimento são exotérmicas, ou seja, liberam calor nessa fase. Conforme as dimensões das peças concretadas, o calor gerado poderia atingir valores acima de 65 °C, o que em determinadas condições pode gerar produtos secundários na hidratação, e que comprometem a durabilidade e a vida útil da estrutura. Foram realizados ensaios de dosagem experimental em laboratório, simulações teóricas de modelagem do comportamento térmico da estrutura, ensaios de comportamento reológico de concreto, resistências à compressão aos 7, 28 e 63 dias, módulo de elasticidade, além dos ensaios de caracterização de todos os materiais utilizados”, explica Christófolli.
Entrevistado
Jorge Luiz Christófolli é engenheiro e gerente de desenvolvimento técnico da Concrebras.
Contato
jorge@concrebras.com.br
Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP
















