Pesquisadores britânicos desenvolvem concreto que se regenera sozinho

Cicatrização ao longo do tempo em fissura de 0,5 mm, devido à atividade bacteriana.
Crédito: Universidade de Bath

Pesquisadores da Universidade de Bath, no Reino Unido criaram um concreto autorregenerativo. De acordo com os professores Kevin Paine, do Departamento de Arquitetura e Construção Civil, e Sussanne Gebhard, do Departamento de Biologia e Bioquímica, geralmente este tipo de concreto é feito com bactérias que podem formar esporos, que são muito duráveis. 

“Formas resistentes das bactérias podem sobreviver a ambientes hostis por muito tempo. Isso é necessário para que as bactérias sobrevivam sendo adicionadas ao concreto quando ele é moldado. E, claro, as bactérias têm que ser capazes de formar calcita, o mineral de carbonato de cálcio que é o produto de cura para selar as fissuras do concreto. Muito trabalho foi e ainda é feito com bactérias como Bacillus pseudofirmus ou Bacillus cohnii, que são bem conhecidas e inofensivas para pessoas, animais e o ambiente. Atualmente, usamos principalmente bactérias naturais que isolamos de amostras de solo e rocha em ambientes calcários. Elas estão intimamente relacionadas com as espécies que mencionei, podem fazer esporos e calcita, e usamos o sequenciamento do genoma para garantir que sejam seguros para uso. Uma vez que elas já vêm do meio ambiente, não estamos introduzindo novas bactérias nos espaços onde o concreto autorregenerativo é usado, novamente evitando quaisquer impactos negativos”, explicam Paine e Sussanne.

-Bactéria pode dar “imortalidade” ao concreto

Para que a autocura funcione, as bactérias precisam formar calcita, que é o mineral que compõe o calcário. “É um mineral de carbonato de cálcio, então basicamente você precisa de íons de cálcio, que são abundantes no concreto, e íons carbonato. Este último pode ser visto como uma solução dissolvida de CO₂. As bactérias que nós usamos produzem CO₂ como parte de seu metabolismo quando degradam substâncias orgânicas, muito similar ao que acontece no corpo humano”, apontam Paine and Sussanne.

Processo

Em primeiro lugar, as bactérias são incluídas no concreto como esporos, um tipo de célula muito durável que algumas bactérias podem fazer. Para protegê-los quando o concreto é lançado, eles são encapsulados dentro de um agregado.

-Pesquisa usa fungos para combater patologias do concreto

Também são misturados nutrientes para as bactérias no concreto autorregenerativo. “Assim, quando ocorre uma rachadura e a água entra neste espaço, as bactérias são liberadas de suas cápsulas e têm acesso aos nutrientes. Eles começam a degradar os nutrientes e formam CO₂, que por sua vez pode reagir com o cálcio já no concreto para produzir o mineral calcita que queremos. As células bacterianas também ajudam na formação dos minerais atuando como partícula inicial para que os cristais minerais cresçam. Ao final, a fissura é fechada por uma camada de calcita feita pelas bactérias, evitando que mais água entre na rachadura. Isto protege então o interior do concreto de mais danos e ele é “curado”, afirmam Paine and Sussanne.

Tecnologia usa camada de calcita feita pelas bactérias para fechar rachaduras
Testes foram realizados em condições de laboratório em torno de 20°C.
Crédito: Universidade de Bath

Uma vez que uma rachadura se forma, a precipitação de calcita dentro dessa rachadura pode ser vista após cerca de sete dias. No entanto, a cura completa leva cerca de dois meses.

De acordo com Paine and Sussanne, a maioria dos testes foram realizados em condições de laboratório em torno de 20 °C quando os espécimes estão parcialmente submersos em água. “Certamente, o concreto precisa de acesso à água e oxigênio ou as bactérias morrerão. No entanto, também demonstramos a cura em uma série de condições, muitas das quais não haviam sido demonstradas anteriormente, inclusive em idade precoce (28 dias), em idades posteriores (9 meses), após carbonatação, em condições frias (7,5 °C) e em águas residuais (em colaboração com a Universidade de Newcastle)”, pontuam Paine and Sussanne.

Uso do concreto autorregenerativo na construção civil

Na opinião de Paine and Sussanne, o concreto autorregenerativo não é viável para todo o tipo de construção. “É um material a ser usado onde os problemas associados a rachaduras são muito frequentes. É o caso, por exemplo, das estruturas de retenção de líquidos onde é essencial que as rachaduras não cresçam para não vazar. Os tanques de águas residuais são um exemplo óbvio. Outro caso onde pode ser empregado é quando há uma grande necessidade de reparar uma estrutura, mas a obra é desafiadora. Um bom exemplo são estruturas de difícil acesso (debaixo d'água) ou onde o reparo exige o fechamento de um ativo importante (como uma linha de trem de alta velocidade ou autoestrada)”, expõem Paine and Sussanne.

-Concreto cicatrizante mostra eficácia em obras especiais

Ainda de acordo com os pesquisadores, não é possível permitir que o concreto seja considerado um material descartável. “O problema é que quando as rachaduras surgem, se você não as reparar com rapidez suficiente, o concreto se degradará e precisará ser substituído. O concreto autorregenerativo sela as rachaduras assim que elas emergem, o que evita a degradação e traz maior durabilidade. Talvez, nunca precise ser substituído. Há também argumentos de que, ao tornar a autocura concreta, torna-se mais confiável e podemos usar camadas mais finas”, pontuam Paine and Sussanne.

Entrevistados
Kevin Paine é professor do Departamento de Arquitetura e Construção Civil da Universidade de Bath.
Sussanne Gebhard é professora sênior no Departamento de Biologia e Bioquímica da Universidade de Bath.

Contato
sg844@bath.ac.uk

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Nova parceria na área de cimento elimina combustíveis fósseis na produção

ECoClay espera iniciar a construção da primeira instalação elétrica de calcinação de argila em grande escala até o final de 2025
Crédito: Envato

O uso de argila calcinada para substituir o clínquer tradicional à base de calcário na produção final de cimento é essencial para reduzir os danos ao meio ambiente. Para descarbonizar ainda mais a indústria de cimento, especialistas líderes da indústria formaram uma nova parceria chamada ECoClay. Com o objetivo de reduzir em até 50% as emissões de CO₂ da produção de cimento, os parceiros da ECoClay desenvolverão e comercializarão a tecnologia necessária para substituir os combustíveis fósseis na calcinação da argila, eletrificando totalmente o processo. Ao fazer isso, a parceria ECoClay espera reduzir as emissões de CO₂ em 10%.

Com base na pesquisa e em testes compartilhados sobre geração de calor elétrico de alta temperatura, soluções de armazenamento e integração de rede renovável, a parceria ECoClay construirá uma planta piloto no Centro de P&D da FLSmidth na Dinamarca. O consórcio procurará demonstrar como o processo ECoClay é superior aos processos de combustão convencionais, além de emissões significativamente menores de poluentes atmosféricos.

De acordo com o plano do projeto, os parceiros da ECoClay esperam poder iniciar a construção da primeira instalação elétrica de calcinação de argila em grande escala até o final de 2025.

Como funciona?

De acordo com John O’Donnell, CEO da Rondo Energy – uma das parceiras envolvidas na iniciativa-, a tecnologia captura eletricidade renovável intermitente e a armazena para entrega como calor contínuo em escala industrial de alta temperatura, oferecendo benefícios de ordem econômica, ambiental e social ao substituir os combustíveis. “A argila calcinada não tem emissões intrínsecas (processo mineral). Ao substituir a combustão de combustível que alimenta o processo de calcinação por eletricidade renovável, a parceria EcoClay proporcionará reduções de emissões rápidas, práticas e de baixo custo em grande escala. Com isso, poderá construir a base para o cimento zero”, explica O’Donnell.

“A produção de argilas calcinadas é uma excelente chamada para materializar as oportunidades que a eletrificação pode trazer à nossa indústria.”, explica Tomás Restrepo, vice-presidente de Pessoas e Transformação na Cementos Argos.

Redução de CO₂ no Brasil

O Brasil é atualmente uma das referências mundiais quando o assunto é a redução da quantidade de clínquer no cimento. O Roadmap Tecnológico do Cimento, publicado pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), prevê que, com a diminuição da razão clínquer/cimento de 67% em 2014 para 52% em 2050, seria possível evitar a emissão cumulativa de 290 Mt de CO2. Segundo o relatório, isto representa 69% do potencial de redução do setor até 2050. A expectativa de diminuição na disponibilidade de escórias siderúrgicas e cinzas volantes no longo prazo levará o setor a buscar outras soluções, como ampliar o uso de fíler calcário e argilas calcinadas.

Ainda de acordo com o Roadmap, o Brasil já possui razoável experiência no uso de argilas calcinadas, que possuem distribuição quase irrestrita em todo o território. “Seu uso isolado como adição já dispõe de uma base normativa. Sua fabricação, entretanto, implica menor potencial de mitigação de CO2, já que diferentemente das outras adições, a calcinação destas argilas irá demandar consumo de combustíveis e, consequentemente, CO2 resultante, embora cerca de um quarto das emissões do clínquer evitado. Adicionalmente, exige investimentos em maquinários e calcinação”, informa o relatório.

Assim, o relatório também aponta que a taxa média de substituição do clínquer deve ser menor que a do fíler calcário, mas pode ter seu uso estimulado em conjunto com o fíler calcário, mitigando seus efeitos indesejáveis na reologia do concreto. “Para tanto, uma nova base normativa deve ser criada, à semelhança do que já existe na Europa com outros materiais pozolânicos. Em menor escala e com potencial de crescimento difícil de prever, deve-se considerar as escórias ácidas e de aciaria. O incremento de seu uso em cimento vai depender de ações da indústria siderúrgica e da pressão da legislação ambiental, com investimentos para transformá-los em materiais utilizáveis pela indústria de cimento”, conclui o Roadmap Tecnológico do Cimento.

Fontes
EcoClay/FLSmidth

Roadmap Tecnológico do Cimento

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SNIC - Assessoria de imprensa – celso.souza@fsb.com.br

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Marina Pastore
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Bairro Novo do Caximba terá pavimento de concreto

Nas novas vias, as calçadas serão feitas de pavimento permeável, enquanto as ruas terão pavimento de concreto.
Crédito: IPPUC

Localizado no região sul de Curitiba (PR), onde desaguam os rios Barigui e Iguaçu, está o Caximba, bairro que é fruto de uma invasão que começou em 2010. Além do acúmulo de lixo e do entulho, a região também sofreu com as cavas decorrentes da exploração de argila para fabricação de tijolos e telhas.

“A ocupação foi feita em cima de um aterro dessas lagoas, que tinham a pior qualidade possível. O lixo presente na região foi aterrando as cavas. Foi um cenário que causou grande preocupação porque é uma ocupação em forma de palafitas, mas em um aterro de péssima qualidade”, destaca Mauro Magnabosco, arquiteto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC).

Para melhorar a qualidade de vida da população local e oferecer uma estrutura adequada de moradia, foi criado o projeto de reestruturação urbana do Bairro Novo do Caximba

A iniciativa prevê a criação de infraestrutura de transporte, lazer e a implantação de um grande parque linear para a conservação da Área de Preservação no encontro das bacias dos rios Barigui e Iguaçu. Ainda, a ação contará com a construção de um dique para contenção de cheias – problema recorrente no cotidiano dos moradores.

O edital de licitação para participação em oito lotes do projeto já está aberto e prevê a construção das primeiras 792 unidades de habitação. 

Reforço da sustentabilidade

Um dos motes do projeto é a sustentabilidade. Dentro da região, há três extratos de preservação: a área de preservação ambiental (APA), o corredor sanitário (uma faixa em torno do rio, com cerca de 200 m, que tem restrições para ocupação) e a área do bugio.  

Realocação de famílias

Bairro Novo do Caximba prioriza soluções que evitam alagamentos, como o dique e lagoas de contenção.
Crédito: IPPUC

Uma das primeiras fases deste projeto prevê a realocação das famílias. “Essa é uma questão que vinha se arrastando por vários anos. Essa invasão, além de estar em uma região de várzea, está em uma área de preservação ambiental. Mesmo sendo uma área de extremo risco – tanto ambiental como de enchentes – não havia nenhuma ação neste sentido. Desde 2017, tem sido feito um cadastramento das famílias para, posteriormente, a realocação das mesmas. Foram levantados mais de 1.693 domicílios. Destes, 1.147 serão realocados e 546 regularizados. Estas pessoas serão levadas para uma quadra após o dique e terrenos vizinhos entre a Rua Delegado Bruno de Almeida e a ocupação. Serão construídas 1.149 novas casas”, explica Magnabosco.

Foi realizado um novo zoneamento na região, que ganhou uma zona residencial de ocupação controlada. “Provavelmente, dentro de cinco a dez anos, essa será uma área fortemente de expansão de construção de habitações para a cidade. Como tínhamos a preocupação de que a Vila 29 de Outubro ficasse desligada da estrutura urbana, ela passará a ser preenchida e fará parte da malha viária da cidade como um todo”, pontua Magnabosco.

Consequentemente, esta região ganhará uma nova estrutura de pavimento, energia, água e esgoto. 

Infraestrutura pública

No local, haverá uma região destinada aos equipamentos de infraestrutura urbana: unidades de saúde, escolas, CMEIs, CRAS, creches, entre outros. 

Dique e lagoas de contenção

O projeto prevê ainda a construção de um dique, como barreira de inundação. Próximo a este dique, haverá pistas de caminhada, praças de lazer, locais para corridas, ciclovias. Além disso, haverá a criação de lagoas de contenção de cheias e uma área de plantio, que proporcionará uma fonte de renda para economia circular da população.

Parque

Em Curitiba, temos vários parques ao longo do Rio Barigui que funcionam como um local de drenagem. “É o caso, por exemplo, do Tingui, Tanguá e do Barigui. Eles funcionam como esponjas que absorvem as grandes enxurradas. Dessa forma, a água é levada aos poucos para o rio, retardando as enxurradas”, expõe Magnabosco

Nesta área, está prevista também a construção de um parque linear, como forma de absorção para as grandes chuvas. 

Pavimento de concreto no Bairro Novo do Caximba

Um dos grandes destaques do empreendimento do Bairro Novo do Caximba é a construção de novas vias para realocar a população que já está lá. “Eles vão retirar a área de invasão e construir habitações novas. Com isso, haverá uma série de vias novas para alimentar esses empreendimentos”, explica Alexsander Maschio, gerente regional Sul da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Neste espaço, tem algumas soluções em concreto que serão utilizadas. “Tem a Via do Comércio, por exemplo, que é uma rua compartilhada. No meio, tem pavimento de concreto convencional e tem o permeável nas calçadas. Há também as vias de tráfego mais intenso que seguem a mesma linha desta, com pavimento de concreto no trecho carroçável e o permeável nas calçadas. Por último, há as vias do tipo B, que são mais estreitas e tem em torno de 5 m e 7 m de largura. Nestes casos, tanto as calçadas como as ruas são em pavimento permeável. Essa questão da permeabilidade foi adotada por estar em uma região onde costumam haver muitos alagamentos. Inclusive, fez com que conseguisse uma redução de custo de implantação de drenagem”, afirma Maschio.

O pavimento de concreto e o pavimento permeável se encaixaram no contexto do projeto pela questão da sustentabilidade. “O pavimento permite absorção de água – que é direcionada para o solo. Desta forma, vai retroalimentar lençol freático, evitando o acúmulo d’água na superfície e o efeito enxurrada. A ideia é minimizar escoamento superficial”, justifica Maschio. 

Ainda, o pavimento de concreto se provou uma boa solução pelo fato de ser algo sustentável e de menor manutenção. “O objetivo era fazer um investimento e não ter que retornar pra fazer manutenção em pouco tempo. O que não deixa de ser sustentável. Nessa linha, o pavimento de concreto se encaixou perfeitamente. E, com a questão da permeabilidade, ganhou ainda mais pontos. Com isso, há os benefícios como retroalimentação do lençol freático, minimização do efeito de enxurrada na superfície – todas essas questões que são bem problemáticas”, defendem Maschio.

Entrevistados

Mauro Magnabosco é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná em 1982, possui especialização em Fotografia Casa Alfredo Andersen Museu e Escola de Arte de Curitiba (1978). Em 1994 assumiu a Presidência do IPPUC, coordenou vários projetos, dentre estes a reestruturação do setor histórico de Curitiba, Casa Vermelha, Casa da Memória, Cinemateca, Memorial da Cidade, Praça Rui Barbosa e Rua da Cidadania Matriz; projetou o Memorial Árabe, as Ruas da Cidadania do Pinheirinho, Santa Felicidade, Fazendinha e Boa Vista.

Alexsander Maschio é Gerente Regional Sul da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

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IPPUC - annfranco@ippuc.org.bralexsander.maschio@abcp.org.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
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Indústria da construção aumenta perspectiva de crescimento em 2022

Crescimento do setor de construção civil tem superado aumento da economia mundial
Crédito: Envato

A indústria brasileira da construção elevou em abril a previsão de crescimento neste ano de 2% para 2,5%, segundo dados divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

De acordo com Ieda Vasconcelos, economista da CBIC, no início da pandemia, em março de 2020, era impossível fazer qualquer prognóstico diante de uma situação tão caótica como a que se instalou. “Entretanto, com o passar dos dias, a construção civil foi declarada um setor de atividade essencial e continuou trabalhando. Além disso, aquela situação fez com que as pessoas ressignificassem o valor da casa própria. Ainda, as taxas de juros chegaram aos menores patamares históricos do crédito imobiliário. Então tudo isso impulsionou o setor imobiliário, especialmente a partir do segundo semestre de 2020. 

“Esse estímulo também se replicou em 2021, de modo que esperávamos crescer, mas quando fizemos a projeção do crescimento, projetamos uma alta em torno de 8%. Quando saiu o resultado do PIB do IBGE relativo ao último ano, os números nos surpreenderam: a construção cresceu 9,7%. Foi o maior crescimento dos últimos dez anos. Este avanço aliado aos primeiros números que pesquisamos neste ano, como intenção de investimento de empresários do setor, indicadores de confiança e nível de atividade, eles também vieram positivos. Então, quando projetamos essa alta de 2%, ainda não tínhamos o resultado do ano passado. E este é um dado que acaba influenciando, especialmente no primeiro semestre de 2022. Da mesma forma, também não tínhamos os resultados dos três primeiros meses do ano, onde o setor se destacou na geração de empregos. De janeiro até março de 2022, já foram criados mais de 100 mil novos postos de trabalho com carteira assinada. Todos esses fatores nos impulsionaram e as estimativas foram revisadas de 2% para 2,5%”, declara Ieda.

Aparentemente, parece um crescimento mais modesto. No entanto, de acordo com Ieda, o crescimento de 9,7% foi em cima de um PIB negativo do primeiro ano da pandemia. “Em 2020, o setor como um todo – envolvendo serviços especializados, construção de edifícios e infraestrutura - chegou a cair 6,6%. Em 2021, recuperamos este número e crescemos um pouco mais. Já o crescimento de 2,5% será em cima do 9,7%, que já é uma base mais elevada. Portanto, é um resultado importante”, pontua Ieda.

Além disso, se a previsão se confirmar, será o segundo ano consecutivo de crescimento no setor. “E, ainda por cima, é um aumento acima da economia nacional. Em 2021, enquanto a construção cresceu 9,7%, a economia cresceu 4,6%. Em 2022, enquanto a projeção da construção está em 2,5%, a da economia está entre 0,8% e 1%”, explica Ieda.

Processo produtivo longo

Como o setor de construção civil trabalha com um processo produtivo longo, tudo o que foi vendido em 2021, será construído em 2022 e 2023. “Estamos num processo de construir para então honrar os compromissos do último ano. O que é necessário é que esse ciclo produtivo se renove e o setor continue a crescer, mesmo encerrando esse ciclo do segundo semestre de 2020. Se houver um equilíbrio de vendas e lançamentos com relação a 2021, já será um resultado positivo”, aponta Ieda. 

Desafios de 2022 para a construção civil

Segundo Ieda, o ano de 2022 terá uma série de desafios. “O ano se iniciou com uma forte preocupação com a variante Ômicron do Coronavírus, em especial na China, que está levando a um lockdown de importantes cidades. Tivemos recentemente acesso a indicadores da economia chinesa e todos surpreendendo negativamente. A economia mundial também está crescendo menos em função do conflito entre Rússia e Ucrânia. A inflação tem sido também um problema da economia global”, destaca Ieda. 

No Brasil, em especial, as taxas de juros no maior patamar real do mundo, com a taxa Selic subindo de 12% para 12,75%. “Embora a taxa de juros do crédito imobiliário não esteja diretamente atrelada à Selic, esta acaba influenciando as demais taxas de juros da economia. No entanto, a taxa de crédito imobiliário, por sua vez, é a menor do país. Quando a taxa Selic estava em 2%, a taxa de juros do crédito imobiliário estava entre 6,5% e 7%. Agora, com a Selic a 12,75%, a taxa de juros do crédito imobiliário está em torno de 9,5% geral. Então, enquanto a primeira subiu 10,75%, a outra não subiu no mesmo patamar. Apesar de estarem um pouco maior do que no início da pandemia, continuam em um valor muito atrativo. Na verdade, a preocupação com a Selic é o que ela pode provocar na perda de dinamismo da economia. No segundo semestre, nós teremos essas taxas de juros gerando impacto maior no nível de atividade econômica. Aí temos uma preocupação, como todos os segmentos produtivos”, defende Ieda. 

Também é um ano de eleição no Brasil, que costuma ser um período de incertezas. “Todo este cenário indica um ano cheio de desafios”, afirma Ieda. 

Entrevistada
Ieda Vasconcelos é economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Contato
Assessoria de imprensa – ascom@cbic.org.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Ministério do Trabalho e Previdência modifica normas regulamentadoras

Ministério do Trabalho e Previdência modifica normas regulamentadoras
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Foto: Envato

Em abril de 2022, o Ministério do Trabalho e Previdência modificou sete normas regulamentadoras da Segurança e da Medicina do Trabalho, presentes na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Estas regulamentações foram publicadas na PORTARIA MTP Nº 806, de 13 de abril de 2022.

Dentre elas, estão:

-NR 12 - Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos; 

-Anexo 13-A (Benzeno) da NR 15 - Atividades e Operações Insalubres; 

-NR 20 - Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis; 

-NR 22 - Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração; 

-NR 29 - Segurança e Saúde no Trabalho Portuário; 

-NR 32 - Segurança e Saúde nos Trabalhos em Serviços de Saúde; 

-NR 34 - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, Reparação e Desmonte Naval.

“Tudo começou em maio de 2019, quando o Governo votou que iria regularizar as Normas de Segurança e Saúde do Trabalho. Isso foi anunciado pelo Rogério Marinho, que na época era secretário especial da Previdência e Trabalho. No Brasil, temos 37 normas regulamentadoras - NR 1 a NR 37. Existe uma norma específica do setor da construção civil, que é a NR 18, que passou por uma grande alteração. As demais normas têm relação com a construção civil, mas são mais abrangentes e servem para outros tipos de indústria”, explica Haruo Ishikawa, vice-presidente do Sinduscon-SP e coordenador da bancada patronal que fez alterações da NR18.

De forma geral, o tripé destas atualizações englobava simplificação, desburocratização e harmonização. “Esses eram os objetivos do governo. Acredito que estas normas melhoraram bastante, ficaram mais simplificadas, tirando a burocratização com uma harmonia entre elas”, pontua Ishikawa.

Apesar de não abordarem diretamente a questão da construção civil, as demais normas têm alguns pontos relacionados. “A NR 1, por exemplo, aborda a questão do gerenciamento de riscos. Já na NR 5, aborda-se a questão da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). Quando foi discutida a NR 18, a CIPA estava dentro dela. Mas conseguimos tirá-la da NR 18 para voltar para a NR 5. Com isso, sugeriram que a bancada da construção civil tentasse ajudar na questão da CIPA. Fomos convidados e colocamos um aditivo na NR 5, uma vez que a CIPA da construção civil é um pouco diferente. Já que um estabelecimento é uma obra que começa e termina”, aponta Ishikawa.

Atualizações de abril

Dentre as normas publicadas na Portaria 806, as que melhor se relacionam com a construção civil são:

-NR 12 - Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos

Para Ishikawa, esta é uma norma que melhorou bastante, uma vez que era muito rígida. “Agora tem uma abrangência maior, separou ferramentas e máquinas. Facilitou tanto para a fiscalização como para a equipe de produção”, aponta. 

A esta norma foram adicionadas medidas de controle de riscos adicionais, provenientes da emissão ou liberação de agentes químicos, físicos e biológicos de máquinas e equipamentos.

-NR 34 - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, Reparação e Desmonte Naval.

O ajuste feito nesta norma prevê que o Plano de Proteção Radiológica deve estar articulado com os demais programas da empresa, especialmente com o Programa de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais - PGR e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO. 

Entrevistado
Haruo Ishikawa é vice-presidente do Sinduscon-SP e coordenador da bancada patronal que fez alterações da NR18 

Contato
Assessoria de imprensa - DBarbara@sindusconsp.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Pesquisa revela escassez de mão de obra na construção civil no Brasil

Liberação de atividades após restrições da pandemia geraram maior otimismo em vários setores, incluindo o da construção civil
Crédito: Envato

Uma pesquisa realizada pela Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT), da Câmara Brasileira da Indústria e da Construção (CBIC), verificou as dificuldades na contratação de mão de obra qualificada para o setor da construção civil no país. De acordo com o estudo, que foi realizado em fevereiro de 2022 e divulgado em abril, cerca de 90% das empresas brasileiras encontram dificuldade para contratação de pessoal, contra 77% em outubro/2021.

Segundo o levantamento, as áreas de maior escassez profissional foram de pedreiros (82%) e carpinteiros (78,7%), bem como de gestão de obra – mestre de obras (74,7%) e encarregado (70%). Outro dado levantado foi a falta de qualificação da mão de obra terceirizada (94,67%).

Aprimoramento da mão de obra

Ainda segundo a pesquisa, 72,67% das empresas do setor estão dispostas a custear a qualificação dos seus empregados. 43,33% delas prefere que a qualificação dos profissionais seja com aulas práticas e teóricas no próprio canteiro de obras, ministradas por escolas contratadas pelas empresas.

Para o professor Abílio Weber, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), é interessante entender que há aqueles profissionais que buscam por si mesmos o aprimoramento ao mesmo tempo em que há empresas que solicitam cursos para seus funcionários que podem ser realizados na escola ou diretamente no canteiro de obras.

“Quando nosso atendimento é para interessados que vêm diretamente na escola, na maioria das vezes, depois de realizar o curso, o mesmo prefere trabalhar por conta própria, muitas vezes formalizando sua micro empresa, pois entende que é o melhor caminho a seguir, devido às possibilidades de remuneração. Já no atendimento às empresas, dentro do universo de prestadoras de serviços na área de construção civil, são poucas as que buscam capacitar seus funcionários. Para essas capacitações, há inclusive alguns programas gratuitos dependendo da modalidade de curso, porém muitas empresas alegam a falta de tempo para os treinamentos sem pensar nos benefícios que poderia ter depois de capacitar. As que já enxergaram esses benefícios até contratam mão de obra não qualificada, mas no programa de integração já inclui a qualificação profissional deles, para garantir um trabalho correto e com segurança”, pontua Weber.

Infelizmente, segundo Weber, há um certo receio em capacitar e depois ter que abrir mão dos profissionais por conta da rotatividade de mão de obra no setor. “Mas, se todas investissem em capacitações, quando houvesse a rotatividade, teríamos mais profissionais qualificados chegando nos novos postos de trabalho”, pontua.

Uma outra questão é a falta de valorização desses profissionais. “Eles acabam não se fidelizando no setor por falta de reconhecimento”, opina Weber.

Como funciona no exterior?

Em alguns países, é possível ver profissionais do setor de construção civil com salários maiores e até mesmo sendo mais valorizados. Por que isso acontece? De acordo com Weber, nessas nações, um profissional da área deve ter formação para a realização dos serviços e assim a mão de obra é valorizada (bons salários). 

“Para que seja replicado em nosso país é necessário que os profissionais sejam capacitados para serem valorizados”, explica Weber.

Para Weber, a conta deve ser pensada em longo prazo pelas empresas para investir nos benefícios que podem ser conseguidos, como por exemplo: 

-Retrabalho zero;

-Redução de perdas / desperdício;

-Redução de acidentes de trabalho;

-Redução de atendimentos pós obra.

Entrevistado
Abílio Weber é professor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) 

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Assessoria de imprensa - alexdesouza@sesisenaisp.org.br

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Marina Pastore
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Índice de confiança da construção sobe 4,8 pontos em abril

Liberação de atividades após restrições da pandemia geraram maior otimismo em vários setores, incluindo o da construção civil
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Em abril de 2022, o Índice de Confiança da Construção (ICST), da Fundação Getulio Vargas (FGV), cresceu 4,8 pontos comparado com março do mesmo ano. Com isso, o indicador chegou a 97,7 pontos, o maior patamar desde janeiro de 2014 (97,8 pontos). O ICST varia de 0 a 200 pontos.

Ao mesmo tempo, em médias móveis trimestrais, o índice registra a primeira alta no ano ao avançar 1,6 ponto. Outra questão a ser levada em consideração é que o Índice de Situação Atual, que avalia a confiança dos empresários da construção no presente, subiu 2,4 pontos e chegou a 94,4 pontos. Este é o maior nível desde junho de 2014, quando atingiu 95,2 pontos.

Entretanto, o Índice Nacional de Custo da Construção – (INCC-M), também calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou inflação de 0,87% em abril deste ano. A taxa é superior ao índice 0,73% de março, mas ficou abaixo do 0,95% de abril de 2021.

O que gerou este otimismo? De acordo com Ana Castelo, coordenadora de Projetos de Construção do FGV IBRE, a sondagem da construção foi a primeira a ser divulgada em abril. Depois, foram liberadas as informações de outras áreas. “Sobretudo, observamos que, com exceção do segmento de comércio, todos os outros setores empresariais – serviços e indústrias – também tiveram um aumento da confiança. Então, há esse componente que vai além da questão setorial e diz respeito a uma melhora em função da retração da pandemia e da recuperação – ainda que muito gradativa – das atividades de maneira geral”, pontua.

Por outro lado, Ana acredita que o aumento das taxas de juros vai afetar a demanda. “Não teria como não afetar. A própria postura dos bancos já começa a mudar. No resultado do último crédito habitacional, é possível ver claramente a mudança de ritmo de concessão. Isso tem a ver com o fato de que os bancos costumam ficar mais rigorosos. É um quadro que exige maior comprometimento de renda em relação ao que você tinha no início de 2021, por exemplo. O cenário mudou. A perspectiva é de que você não terá um ano tão favorável para o setor imobiliário como foram nos dois últimos anos em termos de vendas”, opina Ana. 

No entanto, segundo Ana, esse otimismo reportado em abril pode refletir um cenário que não está tão ruim assim. “Estamos falando ainda muito de curto prazo e precisamos verificar a evolução nos próximos meses das pesquisas de mercado imobiliário. Mas, a minha opinião é de que principalmente a média renda deve sofrer mais. Isso porque na baixa renda você tem o Casa Verde e Amarela, enquanto para a alta renda isso interfere pouco. Então, o segmento de média renda deve padecer com essa conjuntura que engloba um crescimento da taxa de juros junto com o aumento do preço dos imóveis”, explica Ana. 

Obras públicas

Um outro fator que pode pesar neste otimismo dos empresários é o fato de ser um ano eleitoral, que é quando muitas obras públicas e de infraestrutura são realizadas. “Este é um ponto que está atuando positivamente no setor. “As finanças estaduais estão em uma situação bastante favorável. Em função da inflação, que tem um efeito positivo sobre a arrecadação, e das medidas mitigadoras que foram anunciadas para postergar pagamento de dívidas nos estados. Tudo isso gerou um efeito positivo sobre a finança dos estados, que realmente estão com orçamentos bastante robustos e de posição bastante favorável de investimento”, justifica. 

No entanto, ao olhar para os empregos, de acordo com o CAGED, essa infraestrutura acaba frustrando um pouco essa expectativa. “O grande crescimento de emprego está vindo do mercado imobiliário e do segmento de serviços auxiliares – preparação do terreno, obras de acabamento, de instalações. O que pode estar por trás dessa frustração? Ele está crescendo, de fato, mas menos do que imaginamos. Tem uma questão que a sondagem traz que é a do aumento dos preços dos insumos muito forte que ocorreu nesse último ano e que a tendência de desaceleração é maior agora e em função do novo contexto da guerra da Ucrânia, do aumento do preço das commodities e dos combustíveis. Tem aumentos em cima de uma base muito alta e isso está gerando um comprometimento dos contratos. Uma coisa é o mercado imobiliário, que você tem na entrega do imóvel a indexação das parcelas do INCC. No caso dos contratos de obras públicas, na hora que é feito o leilão de concessão você já põe ali a expectativa de inflação esperada no período. Se há movimentos muito fortes, isso quebra completamente essas expectativas e projeções e acaba atingindo muito as empresas do setor, no sentido de diminuir o ritmo dos investimentos”, afirma Ana. 

Índice Nacional de Custo da Construção

No indicador de abril, segundo Ana, um dos principais itens que influenciou na inflação foi o grupo de materiais e equipamentos, que passou de 0,37% de inflação em março para 1,24% em abril. “Houve uma aceleração neste sentido. Na frente, tem o cimento, elevador, argamassa, concreto e aço. Foram os principais componentes da cesta de materiais que pressionaram, contribuindo para a aceleração do mês de abril. Isso pode ajudar a entender porque o ritmo de obras públicas está aquém do que imaginávamos”, destaca Ana. 

Por outro lado, os serviços e mão de obra tiveram queda na taxa. Os serviços passaram de 0,79% para 0,73%, enquanto a mão de obra recuou de 1,12% para 0,46%. 

“No caso dos serviços, os itens mais importantes da cesta têm reajustes mais fortes no início do ano que estão atrelados às taxas de licenciamento e dos cartórios. Ou seja, prefeitura e cartório que indexam pela inflação. Outro componente são as tarifas de ônibus. Mas poucas capitais que compõem o INCC tiveram reajuste neste início de ano. Então não houve esse efeito tão forte. Passado esse movimento no início do ano, a tendência é ter aumentos menores no segmento de serviços, porque a maior parte já ocorreu. No caso da mão de obra, boa parte dos acordos coletivos das capitais que fazem parte do INCC ocorrem no primeiro semestre. A que tem maior peso é São Paulo, que é no mês de maio. Talvez só em junho a gente sinta os efeitos. Então, a mão de obra deve voltar a subir com o fechamento do acordo coletivo de São Paulo e Brasília”, conclui Ana.

Entrevistada
Ana Castelo, coordenadora de Projetos de Construção do FGV IBRE.

Contato
Assessoria de imprensa - assessoria.fgv@insightnet.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Programa revitaliza Rio Pinheiros, em São Paulo

Até o momento, mais de 558.213 mil imóveis já foram conectados ao sistema de tratamento de esgotos
Crédito: Divulgação SIMA

Com o crescimento da população paulistana ao longo do século XX, o Rio Pinheiros teve seu percurso canalizado e retificado, a calha aprofundada e as águas bombeadas rio acima para a recém construída Represa Billings. No entanto, estas mudanças trouxeram consequências graves: a poluição se acentuou e o rio se tornou desfavorável para vida aquática e impróprio para a navegação. No entanto, em 2019, o Governo do Estado de São Paulo lançou o Programa Novo Rio Pinheiros, com o objetivo de revitalizar a região. 

Sobretudo, esta é uma obra cuja principal ação é utilizar o serviço de saneamento básico para melhorar a qualidade das águas. De acordo com o Governo do Estado de São Paulo, até abril de 2022, mais de 558.213 mil imóveis já tinham sido conectados ao sistema de tratamento de esgotos. Com esta medida, prevê-se que o esgoto produzido nestes locais não chegue até o rio. 

Como consequência, espera-se uma melhora do odor existente, abrigo de vida aquática, além de uma revitalização da região através da recuperação ambiental e paisagística do seu entorno.

Ao todo, R$ 4 bilhões foram investidos neste projeto de recuperação do rio Pinheiros e na sua despoluição, segundo a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA).

Em março de 2022, de acordo com a SIMA, 85% das águas já têm mais oxigênio e menos poluição. Ainda, a entidade apontou que dos 13 pontos de monitoramento do rio, 11 já apresentaram o chamado DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) abaixo de 30 mg/l, quantidade mínima para que a água não tenha odor, melhore a turbidez e permita vida aquática.

Limpeza do Rio Pinheiros

Em paralelo a esta ação de saneamento básico, foi realizada também a remoção de mais de 66 mil toneladas de lixo entre garrafas pet, bicicletas, pneus e plásticos ao longo dos 25 km do canal, por meio de barcos, redes e boias. 

66 mil toneladas de lixo já foram retiradas do Rio Pinheiros.
Crédito: Divulgação SIMA

Da mesma forma, há um trabalho de desassoreamento que já removeu mais de 705.651 m³ de sedimentos do fundo do rio. De acordo com a SIMA, isso equivale a mais de 25 mil caminhões basculantes.

Unidades de Recuperação de Qualidade

Além das etapas anteriores, o programa de revitalização do Rio Pinheiros também contará com unidades de recuperação da qualidade das águas. Nestes locais, o sistema recolhe a água contaminada, realiza o tratamento e devolve ao rio.

Ao todo, serão cinco URs instaladas próximo aos córregos: Jaguaré, Pirajussara, Antonico, Cachoeira e Água Espraiada. A previsão é que esta obra seja concluída até o segundo semestre de 2022 e que retire 1.560 litros de esgoto por segundo.

Integração com a cidade

Por fim, o Programa Novo Rio Pinheiros tem como objetivo promover a revitalização do entorno, por meio de diversas ações. 

A primeira delas é a manutenção de ciclovias, que terão conexão intermodal com as estações de ônibus, metrô e CPTM. A área ganhou novas sinalizações de pontos, placas de orientações, guaritas de alvenaria com banheiro e ar condicionado. Além disso, o asfalto danificado foi refeito. Para garantir a acessibilidade a bicicletas adaptadas para pessoas com deficiência, as lombadas foram retiradas. Outra mudança importante foi o do sistema de iluminação inteligente, que ganhou 260 pontos.

Outra obra importante na região é a reforma da Usina São Paulo, uma área de 29.804 m² que no futuro abrigará atrações como restaurantes, lojas nacionais e internacionais, cinema ao ar livre com a maior tela da América Latina, escritórios, rooftop com cafés e restaurantes, mirante com vista 360º, academia, entre outras.

Ainda, a região contará com um parque linear, que se chamará Bruno Covas, que terá dois trechos. O primeiro deles será de 8,2 km entre a sede do Pomar Urbano e a Ponte Cidade Jardim, na margem oeste do canal. Enquanto o outro será de 8,9 km, entre a ponte Cidade Jardim e a área de Retiro da CPTM.

Fonte
Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA).

Contato
imprensasima@sp.gov.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP


Como fazer o descarte correto do concreto?

Descarte incorreto do concreto pode gerar multa e apreensão do veículo
Crédito: Envato

Recentemente, em abril, funcionários de uma empresa de construção civil de Brasília (DF) foram flagrados despejando restos de concreto em uma área pública. O resultado disso foi uma multa no valor de R$ 2.544,08. Neste mesmo mês, na cidade de Hortolândia (SP), concreto descartado irregularmente foi removido de boca-de-lobo no Jardim São Jorge. A prefeitura da cidade, em parceria com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), realiza regularmente a desobstrução das redes de esgoto e águas pluviais

De acordo com Levi Torres, coordenador da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), casos como estes são comuns, uma vez que concreteiras têm problema com desvio de resíduo, além de ter um custo para fazer este descarte.

Como fazer o descarte correto do concreto?

De acordo com Jorge Luiz Christófolli, Gerente de Desenvolvimento Técnico da Concrebras, o concreto passa por dois estados durante o seu processo de produção. Portanto, a forma de descarte varia de acordo com o estado em que o material se encontra.

“Primeiro tem o estado plástico que inicia durante a mistura dentro do balão betoneira do caminhão e vai até o lançamento nas estruturas. Posteriormente, após a hidratação do cimento, ele se transforma em material rígido e aí sim pode se tornar um resíduo sólido. É o caso, por exemplo, quando há alguma demolição na obra”, explica Christófolli.

Descarte do concreto no estado plástico

No estado plástico, Christófolli esclarece que, conforme a norma brasileira ABNT 7212:2021, o concreto retornado pode ser reutilizado em uma nova entrega desde que cumpra alguns requisitos técnicos para garantir a sua qualidade final. 

“Quanto aos resíduos aderidos ao balão, a referida norma permite que sejam reaproveitados através do uso de aditivos estabilizantes de pega e atendendo a alguns pré-requisitos para garantir a qualidade do concreto”, pontua Christófolli. 

Ainda segundo Christófolli, caso as condições estabelecidas pela norma NBR 7212 não sejam atendidas para a reutilização do concreto no seu estado plástico, os resíduos podem ser lançados em fôrmas previamente preparadas na central para a produção de blocos ou peças pré-moldadas para uso não estrutural. “Também podem ser classificados em equipamentos adequados para uso dos agregados reciclados (areia e pedra)”, comenta Christófolli.

Descarte do concreto no estado rígido

O concreto no estado rígido vira resíduo e é 100% reciclável. “Inclusive, ele é o melhor resíduo da construção. Dentre os resíduos da construção, nós temos diversos tipos: classes A, B, C e D. Os de classe A e B são 100% recicláveis. Já os tipos C e D não são recicláveis e são perigosos. A construção usa diversos tipos de materiais. Em uma casa, você tem, por exemplo, a alvenaria, o conduíte, tintas, verniz, madeiras, entre outros. Na demolição, estes resíduos são misturados.  Então, ali existe uma fração reciclável e uma fração não reciclável”, pontua Torres. 

No caso do concreto, a destinação mais indicada é o envio para usinas de reciclagem de entulho. “Descartar qualquer tipo de resíduo no lixão é crime. Aterro sanitário só pode receber resíduos de classes C e D. Não pode receber entulho, porque são densidades distintas. Mandar entulho para aterro sanitário é uma infração ambiental”, assegura Torres.  

 Problemas gerados pelo descarte incorreto do concreto

Os problemas gerados pelo descarte incorreto do material são diversos. “No caso do concreto ainda em estado plástico, você tem diversos problemas. Se ele for descartado no solo, você tem a contaminação do solo pela parte úmida. Então, você pode atingir, por exemplo, uma nascente, uma bica d’agua, contaminando a água com resíduos perigosos. Já com o entulho, você tem contaminação do solo, além da atração de ratos, baratas, pernilongos e depósito de lixo. Naturalmente, é um prejuízo para a cidade, uma vez que a prefeitura vai ter que remover aquele ponto clandestino. E a prefeitura paga em média R$ 150 para cada metro cúbico de entulho descartado de forma clandestina”, afirma Torres.  

Portanto, trata-se de um prejuízo fiscal, social e prejuízo ambiental. “Social porque ninguém quer ter uma área descarte próximo a sua casa”, explica Torres. 

Consequentemente, as empresas que fizerem este descarte irregular podem ser penalizadas. “Se ela for pega despejando entulho ou o concreto em área pública ou qualquer área que não seja legalizada pode ter o bem apreendido, ou seja, o caminhão. Além disso, pode receber uma multa. Dependendo do local, se for uma área de preservação permanente, a pessoa pode ser presa e responder por crime ambiental”, alerta Torres.  

Entrevistados

Levi Torres é coordenador da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon) 

Jorge Luiz Christófolli é Gerente de Desenvolvimento Técnico da Concrebras

Contatos
rcd@abrecon.org.br
jorge@concrebras.com.br

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Marina Pastore
DRT 48378/SP


Plataforma calcula pegada de carbono de produtos da construção

Sidac poderá servir como apoio em decisões de projeto ou em processos de seleção de fornecedores com base em indicadores ambientais
Crédito: Envato

Atualmente, a sustentabilidade tem sido uma grande preocupação do setor de construção civil. No entanto, uma dificuldade enfrentada era justamente mensurar a pegada de carbono dos materiais. Para suprir esta demanda, foi lançado o Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção (Sidac), uma ferramenta que permite calcular a pegada de energia e de carbono de produtos de construção fabricados no Brasil.

De acordo com a Dra. Clarice Degani, coordenadora executiva do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) - atual operador do Sidac, este é um sistema que funciona em plataforma web, de acesso público, e que permite ao usuário conhecer a demanda de energia primária e a emissão de CO₂ de produtos de construção, desde a extração dos recursos naturais necessários para fabricar o material de construção até a porta da fábrica. 

“O Sidac tem funcionalidades que permitem aos fabricantes cadastrar seus inventários de ciclo de vida, submeter seus dados à revisão de especialistas e publicar as declarações de desempenho ambiental de seus produtos. Ao mesmo tempo, possibilita aos projetistas, construtoras, consultores e pesquisadores consultar estas informações, realizar comparativos e calcular a 'pegada' ambiental de suas escolhas”, pontua Clarice.

O Sidac tem sua metodologia baseada em uma abordagem simplificada da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), focada nas questões ambientais mais importantes para a cadeia de valor da construção, segundo Clarice.

Origem da ferramenta 

O Sidac surgiu do programa Strategic Partnerships for the Implementation of the Paris Agreement (SPIPA), coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), financiado pelo Instrumento de Parceria da União Europeia em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Natureza, Segurança Nuclear e Defesa do Consumidor (BMUV, em alemão) e implementado pela Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), que forneceram recursos para que o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável a desenvolvesse. 

“Esse processo envolveu o Ministério de Minas e Energia (MME), o Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Eletrobras-Procel, associações de fabricantes de materiais, projetistas e construtoras, entidades ligadas à pesquisa e inovação, entre outros”, esclarece Clarice. 

Uso da ferramenta 

O Sidac está disponível em sidac.org.br e suas funcionalidades já são utilizadas por empresas fabricantes de materiais, projetistas, construtoras, consultores, pesquisadores e órgãos públicos que poderão se basear em suas informações para a elaboração de políticas públicas de incentivo à construção sustentável e de baixo carbono. 

“A ferramenta foi lançada em 27 de abril de 2022, oficialmente pelo MME e seus resultados serão avaliados na medida das adesões ao sistema, tanto por parte da indústria que o alimentará quanto por parte de seus usuários, demandantes da informação”, declara Clarice.

Ainda, Clarice prevê que a ferramenta poderá ser aplicada na emissão de declarações de desempenho ambiental de produtos. “Poderá servir como apoio à melhoria contínua de processos industriais, em decisões de projeto, em processos de seleção de fornecedores com base em indicadores ambientais, como plataforma de benchmark setorial de desempenho ambiental de produtos de construção, como elemento de governança em princípios ESG, dentre outros”, conclui.

Entrevistada
Dra. Clarice Degani é coordenadora executiva do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) 

Contato
sidac@cbcs.org.br

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