Obras olímpicas: piscinões viram área de lazer
São cinco reservatórios projetados para conter enchentes na cidade do Rio de Janeiro, principalmente na região conhecida como Grande Tijuca
São cinco reservatórios projetados para conter enchentes na cidade do Rio de Janeiro, principalmente na região conhecida como Grande Tijuca
Por: Altair Santos
Das obras de infraestrutura urbana vinculadas aos jogos olímpicos, os piscinões estão entre as mais relevantes para a cidade do Rio de Janeiro. Grandes escavações revestidas com concreto conseguem armazenar até 60 milhões de litros de água em períodos de chuva, anulando o risco de enchentes em áreas antes consideradas vulneráveis a transbordamentos. Outro benefício trazido pelos piscinões é que eles melhoraram a cena urbana. Tampados, receberam estruturas de lazer para a população dos bairros, incluindo praças, quadras poliesportivas e academias ao ar livre.

São cinco piscinões projetados, mas apenas dois estarão em pleno funcionamento até os jogos olímpicos. O da Praça da Bandeira, inaugurado em 2013 e com capacidade para armazenar 18 milhões de litros das águas, é o menor deles. Sobre a estrutura foi construído um novo espaço urbano. Idem para a Praça Niterói, onde os três reservatórios comportam 58 milhões de litros de água e equivalem – cada um – a um prédio de oito andares. Nas novas instalações, com 4.568 m² e inauguradas em outubro de 2015, a reurbanização conta com uma quadra poliesportiva, uma academia da terceira idade e um parque infantil.
Segundo o presidente da Fundação Rio-Águas – empresa vinculada à Prefeitura do Rio, e responsável pelas obras -, Marcelo Sepúlvido, a opção por construir espaços de lazer sobre os piscinões foi a decisão correta para devolver qualidade de vida aos bairros onde acontecem as obras, e que eram constantemente atingidos por enchentes. “Quando foram concebidas, as cisternas tinham a intenção de ajudar na reurbanização. É isso o que está acontecendo. Quem visitar essas praças não vai perceber que embaixo existem reservatórios com mais de 20 metros de profundidade”, diz.

Obras pós-Olimpíadas
O próximo piscinão, o da Praça Varnhagen, vai comportar 43 milhões de litros. A previsão era que a obra ficasse pronta até o final do primeiro trimestre de 2016, mas deverá ser concluída apenas em julho deste ano. Esse reservatório será ligado ao desvio do Rio Joana – maior túnel de drenagem do país, com 2.400 metros. Para a secretaria de saneamento e recursos hídricos do Rio, os piscinões estão entre os principais legados que as Olimpíadas deixarão para a cidade. “Trata-se de um programa ambiental que está acabando com as históricas inundações, e que são reivindicações de décadas dos habitantes”, avalia o secretário Pierre Batista.
Para depois dos jogos olímpicos ficarão os piscinões na rua Heitor Beltrão e no Alto Grajaú. Essas intervenções ainda não entraram em fase de execução. Segundo a Rio-Águas, o atraso ocorreu por causa do processo de desapropriação. Como os demais reservatórios, áreas de lazer também ficarão sobre as obras de contenção de enchentes. Abaixo das praças, mais de 60 mil m³ de concreto foram injetados nas estruturas da Praça da Bandeira, da Praça de Niterói e da Praça Varnhagen. Nos outros dois reservatórios são previstos mais 25 mil m³ de concreto. O sistema construtivo usado nas obras utiliza paredes diafragma, com escavação mecânica.

Entrevistados
Fundação Rio-Águas e secretaria de saneamento e recursos hídricos da Prefeitura do Rio de Janeiro (via assessoria de imprensa)
Contato: ascom.smar@gmail.com
Créditos Fotos: Divulgação/Rio-Águas
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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