Construção civil mantém geração de empregos e financiamento em alta no primeiro trimestre
Câmara Brasileira da Indústria da Construção aponta que o setor segue sustentado pelo ciclo produtivo longo
A construção civil apresentou desempenho positivo de geração de empregos, na expansão do financiamento imobiliário e no aumento nas vendas de cimento no primeiro trimestre de 2026. Apesar dos indicadores favoráveis, o setor já sente os efeitos do cenário econômico mais desafiador, marcado por juros elevados, inflação persistente e aumento nos custos dos materiais de construção. Os dados foram apresentados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) durante coletiva sobre o desempenho do setor no primeiro trimestre do ano.
A entidade revisou a expectativa de crescimento da construção civil em 2026 de 2% para 1,2%. Segundo a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, o setor segue sustentado pelos resultados do mercado imobiliário registrados em 2025 e pelo volume de investimentos em infraestrutura previstos para este ano. “O número de lançamentos e vendas do ano passado continua movimentando o nível de atividade da construção em 2026, porque o ciclo produtivo do setor é longo”, afirmou.
Construção respondeu por 20% dos empregos gerados no país
Um dos principais destaques do trimestre foi o mercado de trabalho. Entre janeiro e março, a construção civil criou 120.547 empregos formais, resultado 18,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Com isso, o setor passou a responder por praticamente 20% de todas as vagas com carteira assinada criadas no país no período. A construção encerrou março com 3,063 milhões de trabalhadores formais. O resultado representa crescimento de 3,5% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Crédito: Divulgação/DER
De acordo com Ieda, o desempenho foi o melhor para um primeiro trimestre desde o início da atual série histórica do Novo Caged, iniciada em 2020. “O setor voltou a contratar em todos os segmentos após o período sazonal do fim do ano. O resultado do primeiro trimestre foi o melhor dos últimos sete anos”, destacou. Entre as cidades, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba registraram os maiores volumes de contratação. Curitiba destacou-se com a geração de 3.025 postos de trabalho, impulsionada principalmente por obras de infraestrutura e construção de edifícios.
Crédito imobiliário cresce com FGTS e SBPE
O financiamento imobiliário também apresentou expansão no primeiro trimestre. As operações com recursos do FGTS somaram R$ 32,5 bilhões, alta de 21,6% em relação ao mesmo período de 2025. Já os financiamentos via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) alcançaram R$ 42,3 bilhões, crescimento de 11,9%.
Em número de unidades financiadas, o FGTS respondeu por 142,4 mil imóveis entre janeiro e março. Pelo SBPE, foram 125,4 mil unidades.
Para o presidente da CBIC, Renato Correia, o FGTS continua sendo uma das principais bases de sustentação da habitação popular no país. “O FGTS é fundamental para financiar habitação de interesse social. O déficit habitacional brasileiro ainda é muito elevado e o setor depende desses recursos para ampliar o acesso à moradia”, afirmou.
Custos e juros pressionam setor
Mesmo com indicadores positivos, a construção enfrenta um cenário mais desafiador em 2026. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 5,84% em 12 meses até março, acima da inflação oficial do país, medida pelo IPCA, que ficou em 4,14%.
O maior impacto veio da mão de obra, com aumento de 8,82% no período. Além disso, a CBIC alertou para a aceleração recente dos custos de materiais e equipamentos, influenciada pelo aumento do petróleo. “O aumento do custo dos materiais preocupa porque não era previsto no início do ano. O setor já enfrenta juros elevados e dificuldade de contratação de mão de obra”, explicou Ieda.
A taxa Selic elevada voltou a aparecer como a principal preocupação dos empresários da construção. Em abril, o Índice de Confiança do Empresário da Construção caiu para 46,4 pontos, permanecendo abaixo da linha dos 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança.
Segundo Renato Correia, a combinação entre juros altos, pressão nos custos e redução das margens exige atenção, especialmente em obras públicas e projetos habitacionais de interesse social. “Os contratos de habitação popular trabalham com margens muito estreitas, concluiu.
Fontes
Renato Correia é presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Ieda Vasconcelos é economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Contato
imprensa@cbic.org.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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