Coprocessamento ganha protagonismo diante da pressão energética global
Setor cimenteiro acelera investimentos em combustíveis alternativos diante da instabilidade geopolítica
O primeiro trimestre de 2026 encerrou com crescimento de 1,8% nas vendas de cimento, enquanto março registrou o maior volume de comercialização da história da indústria, com 5,8 milhões de toneladas vendidas — avanço de 9,1%, segundo dados divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Apesar do desempenho positivo, a entidade alerta que o atual cenário geopolítico exige cautela. O conflito no Oriente Médio provocou instabilidade nos mercados de energia, impactando diretamente os preços do petróleo e do gás natural.
De acordo com a ABCP, os reflexos para a indústria brasileira são imediatos. Cerca de 80% do coque de petróleo utilizado nos fornos é importado, e esse insumo representa quase um terço dos custos energéticos das fábricas. Soma-se a isso a alta de 30% no preço do óleo diesel, que pressiona ainda mais a logística de um setor em que aproximadamente 90% do transporte é realizado por rodovias.
No cenário internacional, as tensões no Oriente Médio ampliam a volatilidade de curto prazo e elevam as incertezas nos mercados globais, criando desafios adicionais para indústrias intensivas em consumo energético, como a cimenteira.
Coprocessamento ganha protagonismo
Para Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP, o desempenho do setor em 2026 dependerá tanto da duração dos impactos externos quanto de fatores internos, como a taxa de juros e os custos logísticos. “A robusta diversificação da matriz energética, pilar central do Roadmap Net Zero 2050 do setor, mostra-se como a melhor rota para reduzir a exposição à volatilidade do mercado internacional”, afirma.

Entre as principais alternativas adotadas pela indústria estão a biomassa e o Combustível Derivado de Resíduos Urbanos (CDRU). Como parte dessa estratégia, o setor projeta investir R$ 3,5 bilhões até 2030 na modernização de fábricas e unidades de preparo de resíduos. A meta é viabilizar o processamento anual de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de resíduos urbanos — volume equivalente a cerca de 300 mil caminhões de lixo que deixarão de ser descartados inadequadamente.
A Cimento Itambé é uma das empresas que vêm se destacando no avanço do coprocessamento no país. Segundo Israel Vaz, gerente técnico e de coprocessamento da Cimento Itambé/Rio Bonito Soluções Ambientais, o protagonismo da empresa está ligado não apenas à adoção de tecnologias avançadas e à qualificação das equipes, mas também ao compromisso histórico da alta direção com sustentabilidade e inovação industrial.
“A alta diretoria, os acionistas e os proprietários sempre mantiveram uma visão estratégica alinhada às práticas sustentáveis, incorporando o coprocessamento não apenas nos projetos específicos da área, mas também aos próprios processos de fabricação de clínquer. Não se trata apenas de produzi-lo, mas de fazê-lo com foco em coprocessamento”, afirma Vaz.
Atualmente, a média de substituição térmica entre os três fornos da companhia está em linha aos objetivos propostos. O principal destaque é o Forno W1, modernizado após um amplo projeto de revamp concluído no ano passado, que já alcança índices de 65% de substituição térmica. A meta da empresa, no entanto, é atingir uma média global de 80% — índice considerado referência em plantas europeias e adotado pela companhia como benchmark para o futuro das operações.
Segundo Vaz, o desempenho posiciona a unidade como referência não apenas no Brasil, mas em todo o continente americano. “Hoje, trata-se do forno com a maior taxa de substituição térmica das Américas, incluindo América do Sul, Central e do Norte”, afirma.
Vaz atribui os resultados a uma trajetória de mais de 30 anos de atuação em coprocessamento, aliada a investimentos robustos em modernização industrial. O projeto de atualização do Forno 1, por exemplo, demandou cerca de R$ 500 milhões e teve o coprocessamento como um dos pilares centrais desde sua concepção.
Desafios técnicos
Apesar dos avanços, ampliar as taxas de coprocessamento ainda representa um desafio técnico significativo. Segundo Vaz, os resíduos gerados no Brasil possuem características extremamente heterogêneas, com grande variação de poder calorífico, composição química e presença de contaminantes.
“Os resíduos chegam às fábricas com características muito distintas, e isso exige um controle rigoroso antes da utilização nos fornos”, explica.
Embora o coprocessamento seja estratégico para a sustentabilidade do setor, a prioridade da empresa continua sendo a qualidade do clínquer e do cimento produzidos. Nesse contexto, um dos principais desafios é transformar resíduos de diferentes origens em um combustível alternativo mais homogêneo, capaz de ser utilizado sem comprometer a estabilidade operacional nem a qualidade final do produto.
Para garantir esse controle, a companhia mantém dois laboratórios dedicados ao monitoramento contínuo dos materiais utilizados no coprocessamento. As unidades realizam análises por raio X, plasma e um rigoroso controle analítico. Um dos laboratórios, localizado em Rio Bonito, possui certificação NBR 17025 pelo INMETRO, assegurando a confiabilidade técnica dos resultados obtidos.
Novas tecnologias
A inovação tecnológica é considerada peça-chave para ampliar as taxas de substituição térmica. Segundo Vaz, diversas soluções já estão em desenvolvimento dentro do grupo Itambé, atuando em duas frentes principais: o tratamento dos resíduos e a otimização do processo de clinquerização.
Uma das linhas de atuação busca tratar a heterogeneidade dos resíduos recebidos pela fábrica, tornando os materiais mais homogêneos antes de sua utilização nos fornos. Nesse sentido, a empresa vem investindo em tecnologias de análise e trituração, incluindo a aquisição de um equipamento triturador austríaco de alta performance.
Paralelamente, a companhia também desenvolve soluções voltadas à remoção de contaminantes metálicos e não metálicos presentes nos resíduos, reduzindo riscos de interferência no processo produtivo e aumentando a confiabilidade operacional.
Outra frente estratégica envolve o próprio processo de clinquerização. Os estudos atuais buscam otimizar os processos de produção, aumentar o tempo de residência dos resíduos, permitindo uma combustão mais eficiente e completa. Com isso, torna-se possível ampliar gradualmente as taxas de substituição térmica sem comprometer a estabilidade da operação.
Fontes
Paulo Camillo Penna é graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-MG e MBA em Desenvolvimento de Projetos. Possui mais de 30 anos de experiência em altos cargos executivos no setor público, empresas e em entidades nacionais representativas de diversos segmentos. É membro do Conselho de Administração da Federação Interamericana de Cimento (FICEM) e integrante do Global Cement and Concrete Association (GCCA). Atualmente, é presidente executivo da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).
Israel Vaz é gerente técnico e de coprocessamento da Cimento Itambé / Rio Bonito Soluções Ambientais. Profissional graduado em engenharia química pela UFPR (2012), pós-graduado em MBA lean manufacturing pela UTFPR (2015) e pós-graduado em Gestão da Produção e Recursos Humanos pela FAVENI (2021). Vasta experiência na área industrial, atuando com ênfase no monitoramento, avaliação, controle e otimização do processo produtivo de fabricação de cimento (Fornos de Clínquer, Moagens de Crú, Moagens de Combustível, Moagens de Cimento, Coprocessamento, Ensacadeiras e Paletizadoras). Gestor de equipes e responsável por garantir a performance operacional, monitorando suas etapas e mapeando oportunidades de melhoria, a fim de assegurar a eficiência dos processos com o objetivo de alavancar a excelência operacional. Atuação conjunta com todos os níveis hierárquicos da Cia.
Contatos
snic@fsb.com.br (Assessoria de Imprensa)
israel.vaz@cimentoitambe.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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