Tetrápodes reforçam proteção e durabilidade em áreas costeiras
Revitalização da orla de Matinhos utilizou blocos de concreto pré-moldados para conter erosão marítima
A revitalização da orla de Matinhos (PR), concluída em 2025, utilizou sistemas de tetrápodes em diferentes trechos da obra de contenção costeira.
“Os tetrápodes são blocos de concreto pré-moldados utilizados como camada de proteção em obras costeiras. Seu formato com quatro braços permite que as peças se encaixem de forma irregular, formando uma estrutura estável e permeável. Esse sistema funciona dissipando a energia das ondas. Em vez de refletir a onda, como acontece em estruturas rígidas, os tetrápodes permitem a passagem parcial da água, reduzindo a força do impacto sobre a estrutura e ajudando no controle da erosão costeira. Eles integram um sistema maior de proteção, composto por núcleo, camadas filtrantes e camada externa (carapaça), garantindo estabilidade e eficiência hidráulica”, explicam Gabriel Spuldaro, engenheiro civil e coordenador de obras da GEPLAN, e Issac Vitorino, engenheiro civil da GEPLAN.
Na revitalização da orla de Matinhos, foram utilizados tetrápodes na Praia Brava (340 peças), Flórida (681), Riviera (681), Rio Matinhos Norte (469), Paraná Sul (1.241) e Rio Matinhos Sul (1.259). As peças empregadas têm cerca de 3 metros de altura e 4,3 metros cúbicos de volume, pesando, cada uma, entre 10 e 12 toneladas.
De acordo com Spuldaro e Vitorino, a solução com tetrápodes foi adotada por apresentar melhor desempenho em regiões sujeitas a ondas de alta energia e ocorrência de ressacas.
Em comparação a outras técnicas, como enrocamento simples, muros ou geobags, os engenheiros da GEPLAN enumeram as vantagens dos tetrápodes:
- maior capacidade de dissipação de energia
- maior estabilidade estrutural
- menor risco de deslocamento
- maior durabilidade em ambiente marinho
“Essa escolha prioriza segurança, eficiência e desempenho a longo prazo”, pontuam.
Critérios para uso de tetrápodes na Orla de Matinhos
De acordo com Spuldaro e Vitorino, os principais critérios para adoção do sistema foram:
- energia das ondas e intensidade das ressacas
- estabilidade hidráulica da estrutura
- controle da erosão costeira

“O dimensionamento dos blocos foi feito para resistir às forças atuantes, garantindo que permaneçam estáveis mesmo em condições severas. Aspectos como custo e execução foram considerados, mas o fator determinante foi o desempenho técnico”, justificam Spuldaro e Vitorino.
Os tetrápodes possuem um custo inicial mais elevado em relação a soluções mais simples, como enrocamento ou geobags, segundo Spuldaro e Vitorino. “No entanto, a maior densidade das peças — proporcionada, inclusive, pelo uso de magnetita — aumenta a estabilidade e reduz a necessidade de manutenção, resultando em melhor desempenho e maior durabilidade ao longo do tempo”, sugerem.
Tipo de concreto
No caso da obra de Matinhos, foi utilizado concreto de alta resistência (não UHPC), com fck da ordem de 40 MPa, adequado para ambientes marinhos agressivos (locais próximos ao mar onde as estruturas de concreto ficam expostas a condições que aceleram sua deterioração, como maresia, ondas, vento, cloretos presentes no sal, entre outros).
“Este material atende plenamente às exigências estruturais e de durabilidade desse tipo de obra. O concreto apresenta elevada trabalhabilidade, com alta fluidez, permitindo o correto preenchimento das formas e garantindo qualidade das peças. Para isso, são empregados aditivos como plastificantes ou superplastificantes. Um diferencial importante é o uso de magnetita como agregado, que aumenta a densidade do concreto. Isso torna os tetrápodes mais pesados e, consequentemente, mais estáveis frente à ação das ondas, reduzindo o risco de deslocamento”, destacam Spuldaro e Vitorino.
Construção industrializada
Os tetrápodes são produzidos de forma industrializada, em ambiente controlado, garantindo padronização, qualidade e maior rigor no controle do processo produtivo. Posteriormente, após a fabricação e período de cura, as peças são transportadas por carretas especiais até o canteiro de obras. “No local, são movimentadas e posicionadas com o uso de guindastes ou equipamentos de grande porte”, relatam os engenheiros Spuldaro e Vitorino.
Por fim, o assentamento é feito de forma controlada, buscando o intertravamento entre os blocos, o que é essencial para garantir a estabilidade da estrutura e sua eficiência hidráulica.
Desafios de execução em obras costeiras
De acordo com Spuldaro e Vitorino, os principais desafios de execução em obras costeiras estão:
- condições variáveis do mar e do clima
- necessidade de trabalhar com janelas operacionais limitadas
- logística de transporte e manuseio de peças pesadas
- execução em terreno instável (areia e zona de arrebentação)
- precisão no posicionamento das estruturas
“Além disso, é comum a necessidade de ajustes durante a execução para garantir o desempenho final da obra”, concluem os engenheiros.
Fontes
Gabriel Spuldaro é engenheiro civil e coordenador de obras da GEPLAN.
Issac Vitorino é engenheiro civil da GEPLAN.
Contato
geplan@geplangerenciamento.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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