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Demora transforma obras de infraestrutura em lendas

Gestão, Gestão de Obras, Infraestrutura, Mercado da Construção 3 de julho de 2013

Em boa parte dos casos, falta de planejamento e má gestão de projetos resultam em construções que não saem do papel ou param no meio do caminho

Por: Altair Santos

Em sua edição 2012-2013, o tradicional anuário Exame-Infraestrutura lista 1.200 projetos de obras lançados pelos governos federal e estaduais no período de cinco décadas. São empreendimentos nas áreas de energia, saneamento, telecomunicações e transportes, dos quais 731 começaram a ser executados. Destes, porém, apenas 11% foram totalmente concluídos. Algumas das construções estão inacabadas há 50 anos. Um caso emblemático é o do Perímetro de Irrigação Jaíba, em Minas Gerais – agora prometido para entrar em funcionamento em 2017.

João Carlos Boyadijan: processo é lento, burocrático e arcaico.

Mas não para por aí a relação de obras inconclusas. Tem o metrô de Salvador, a Ferrovia Norte-Sul, a transposição do rio São Francisco, a ponte ligando Brasil e Guiana, a hidrelétrica Belo Monte e a duplicação integral da rodovia BR-101, entre centenas delas. A cada ano de atraso na lista de obras de infraestrutura, o custo para os cofres públicos – o principal financiador dos empreendimentos – encarece R$ 40 bilhões, estima o grupo permanente sobre Infraestruturae Soluções Ambientais da Fundação Getúlio Vargas.

Mas se custa tanto para o país a demora em concluir obras de infraestrutura, a ponto de algumas delas se tornarem lendas, por que os governos (federal e estaduais) não as viabilizam? Segundo João Carlos Boyadijan, coordenador dos cursos de pós-graduação em gestão de projetos do IETEC (Instituto de Educação Tecnológica, localizado em Belo Horizonte-MG) a ineficiência da administração pública está no centro do problema. “Ela não contrata a obra como um todo e não acompanha o cronograma das execuções. Falta gestão pública. Mais pessoas que atuem tecnicamente e não politicamente”, avalia.

Boyadijan explica como funciona hoje o processo de viabilização de uma obra de infraestrutura no Brasil. “Lançam-se os projetos, porém não possuem capacidade de gestão. Não licitam, e quando licitam, licitam atrasado, de forma descoordenada e sem estratégias definidas. Por exemplo, não atacam projetos vitais e necessários e sim projetos políticos. Quando contratam, há o problema dos orçamentos superestimados, sem contar os problemas técnicos na definição de projetos. Falta governança”, enumera o especialista.

Canteiro de obras da usina hidrelétrica Belo Monte: seguidas paralisações fizeram custo da obra duplicar.

O coordenador de gestão de projetos do IETEC entende que a lista de obras inconclusas só andaria se o poder público intensificasse as privatizações e as parcerias público-privadas (PPPs) assim como desburocratizasse as análises ambientais. “Se fossem menos burocráticas e mais eficientes, elas não impactariam nada nos projetos. Mas o processo é lento, burocrático e arcaico. Tudo isso passa por uma organização pública moderna e eficaz”, alerta João Carlos Boyadijan, reafirmando que tudo passa pela gestão de projetos das obraspúblicas.

O especialista, junto com outros profissionais da área, participa dias 16 e 17 de julho de 2013 do 16º Seminário Nacional de Gestão de Projetos. “Tendências em Gestão de Projetos: Pessoas, Tecnologias e Métodos” será o tema central do encontro realizado pelo IETEC, e que ocorre em Belo Horizonte.


Saiba mais informações

 

Transposição do rio São Francisco: trechos inacabados são marca registrada da obra.

Entrevistado
João Carlos Boyadijan, coordenador dos cursos de pós-graduação em gestão de projetos do IETEC (Instituto de Educação Tecnológica)
Currículo
– João Carlos Boyadijan é graduado em administração de empresas pela Universidade São Judas Tadeu (1977)
– É mestre em engenharia naval e oceânica pela Universidade de São Paulo (2006). – Especializado em planejamento e finanças pela NYU-EUA e planejamento de produção pela FGV
– Profissional em gerenciamento de projetos, PMP pelo PMI-Project Management Institute, EUA
– Membro da APICS – American Production Inventory Control Science – EUA
– Palestrante, coaching e consultor desde 1972 em gerenciamento de projetos e planejamento e controle de produção
– Professor da FIA (Fundação Instituto de Administração) da FGV (Fundação Getúlio Vargas) do IETEC (Instituto de Educação Tecnológica) do INPG (Instituto Nacional de Pós-graduação) da UFSCar em EAD de Gerenciamento de Projetos e da FATEC (Faculdade de Tecnologia de São Paulo)
– Presidente da CPLAN Consultoria e Planejamento Ltda
Contato: jcb@cplan.com.br
Créditos fotos: Divulgação/EBC

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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