Projeto Profissão Construir capacita mão de obra para construção civil

Apoiada pela Cimento Itambé e Concrebras, iniciativa conecta formação técnica às demandas reais do setor

Há anos, a construção civil brasileira enfrenta um desafio persistente: a escassez de mão de obra qualificada. Diante desse cenário, o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Joinville (SINDUSCON Joinville) tem adotado uma postura mais propositiva. Em vez de apenas apontar o problema, a entidade passou a investir em soluções concretas, dando origem ao projeto Profissão Construir, estruturado sobre três pilares: valorização das profissões, formação técnica e empregabilidade.

O primeiro eixo trata da valorização das funções operacionais, muitas vezes subestimadas no imaginário coletivo. “Ser carpinteiro, armador ou pedreiro exige habilidade e conhecimento. É uma arte, não é algo que qualquer pessoa pode executar. Por isso, é essencial reconhecer e valorizar essas funções”, destaca Carlos Lopes, presidente do Instituto Profissão Construir. A proposta é justamente reposicionar essas atividades como carreiras dignas, técnicas e com potencial de crescimento.

Projeto é estruturado sobre três pilares: valorização das profissões, formação técnica e empregabilidade.
Crédito: Divulgação/ Instituto Profissão Construir

Curso

O segundo pilar está diretamente ligado à formação profissional. A iniciativa busca transformar ocupações tradicionalmente vistas como informais em trajetórias estruturadas, com capacitação contínua e possibilidades de evolução. Para isso, o projeto passou por um processo de reformulação profunda.“A proposta foi desenvolver conteúdos mais atuais, organizados de forma modular, que sejam de fácil compreensão para os alunos e, ao mesmo tempo, alinhados às reais necessidades do mercado”, afirma Lopes.

Essa reformulação deu origem ao Instituto Profissão Construir, uma entidade sem fins lucrativos criada para ampliar o alcance da iniciativa e consolidar sua atuação na qualificação de mão de obra. A estrutura conta com a participação de diversos agentes do setor, incluindo professores do SENAI, profissionais da administração pública e especialistas das próprias empresas apoiadoras. Essa integração permite que o conteúdo oferecido em sala de aula reflita, de fato, a realidade dos canteiros de obras.

A metodologia adotada combina teoria e prática em proporções equilibradas, garantindo que o aluno desenvolva não apenas conhecimento técnico, mas também habilidades aplicáveis no dia a dia. Todos os participantes iniciam pelo módulo de Iniciação na Construção Civil, etapa obrigatória para quem não possui experiência prévia. Após essa fase, já é possível ingressar no mercado como ajudante e, a partir daí, avançar para módulos mais específicos, como elétrica, alvenaria e pintura.

Metodologia adotada combina teoria e prática em proporções equilibradas. Crédito: Divulgação/ Instituto Profissão Construir

Empregabilidade

O terceiro pilar do projeto é a empregabilidade, que se conecta diretamente à demanda do setor. “O projeto busca conectar os profissionais formados às oportunidades do mercado, garantindo inserção e continuidade no setor”, revela Lopes. Esse vínculo entre formação e mercado é um dos principais diferenciais da iniciativa, contribuindo para reduzir o descompasso entre oferta e demanda de mão de obra.

Atuação dos parceiros

A Cimento Itambé e a Concrebras estão entre as apoiadoras do programa. Mais do que aporte financeiro, contribuem ativamente na construção dos conteúdos, compartilham conhecimento técnico e garantem insumos para as aulas práticas. “É uma participação direta, conectando quem demanda a mão de obra, quem fornece tecnologia e quem está em formação. O Instituto atua como esse elo entre todos os agentes do setor”, afirma Lopes.

Resultados

Os resultados já demonstram o impacto positivo do projeto. Atualmente, mais de mil pessoas estão matriculadas e cerca de 850 já concluíram os cursos. “Desses, aproximadamente 80% já atuam na construção civil. Há também aqueles que buscam o curso para uso próprio, como pequenas reformas em casa — o que, para nós, também é positivo”, comenta Lopes. Além de gerar empregabilidade, a iniciativa contribui para ampliar a percepção de valor do setor.

Desafios: escala de formação e atração de jovens

Participantes iniciam pelo módulo de Iniciação na Construção Civil e, após essa fase, já é possível ingressar no mercado como ajudante. Crédito: Divulgação/ Instituto Profissão Construir

Apesar dos avanços, ainda há desafios a serem superados. Um dos principais gargalos é a limitação no número de instrutores, o que restringe a capacidade de expansão dos cursos.

A ausência de programas estruturados para jovens também é um ponto de atenção. “Sabemos que a escolha profissional acontece, em geral, entre os 14 e 17 anos. Se não nos conectarmos com esse público, dificilmente conseguiremos atrair novos talentos”, pondera Lopes.

Formação técnica como resposta a um risco estrutural

Nesse contexto, o Instituto atua não apenas na formação técnica, mas também na transformação cultural da construção civil. A proposta é romper com o estigma de subemprego e apresentar o setor como uma opção profissional sólida, com boas perspectivas de renda e crescimento. “Estamos mostrando que é possível construir uma carreira sólida dentro do setor, com aprendizado estruturado e perspectivas concretas de evolução”, afirma.

A iniciativa também se insere em um debate mais amplo sobre o futuro do trabalho. Em países desenvolvidos, já se observa um desequilíbrio entre formação acadêmica e mão de obra técnica, com escassez de profissionais qualificados na execução. O Brasil, segundo Lopes, ainda tem a oportunidade de evitar esse cenário, desde que invista de forma estruturada na base da formação.

Mais de mil pessoas estão matriculadas e cerca de 850 já concluíram os cursos.
Crédito: Divulgação/ Instituto Profissão Construir

Com alta demanda por habitação e infraestrutura, a construção civil segue como um dos motores da economia nacional. No entanto, sem mão de obra qualificada, o crescimento do setor pode ser comprometido. Nesse sentido, o Instituto Profissão Construir surge como uma resposta concreta e estratégica, capaz de alinhar formação, mercado e desenvolvimento social. Para Lopes, o caminho é claro: “O Brasil é, essencialmente, um grande canteiro de obras. Se não prepararmos essa mão de obra agora, enfrentaremos um gargalo nos próximos anos. Mas, se fizermos o dever de casa, o setor pode crescer com mais qualidade, produtividade e segurança.”

Fonte

Carlos Lopes é presidente do Instituto Profissão Construir.

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP 

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