SEMTEC 2026 destaca o uso de combustíveis alternativos e coprocessamento
Evento discutiu a substituição de clínquer por materiais suplementares, como argila calcinada
Entre os dias 19 e 21 de maio, foi realizado em Belo Horizonte (MG) o SEMTEC 2026, o Seminário Técnico da Indústria de Cimento e de Cal. O evento contou com mais de 50 palestras que abordaram boas práticas e inovações no setor.
O tema central do evento foi a fábrica do futuro. As apresentações foram divididas em áreas específicas, como transformação digital e uso de novas ferramentas com IA, manutenção preditiva e prescritiva, melhor controle de processos e produção, transformação da sacaria de 50 kg para 25 kg, otimização energética e, com especial enfoque, a pegada de carbono.
O evento foi bastante abrangente, cobrindo todas as áreas de uma fábrica de cimento. O SEMTEC visa abarcar desde estagiários até diretores e, por isso, é gratuito e realizado próximo aos polos cimenteiros. Entre os patrocinadores, estiveram presentes 67 companhias com forte atuação nas indústrias de cimento e cal”, afirma Tiago Couto, diretor da Densit do Brasil, empresa responsável pela realização do SEMTEC.
Para Douglas de Conto, assessor técnico da Cimento Itambé, que compareceu ao evento, o SEMTEC 2026 mostrou que a indústria de cimento e cal está vivendo uma transformação muito mais estratégica do que apenas operacional.
“Os debates deixaram claro que hoje o setor precisa equilibrar três grandes pilares: descarbonização, eficiência energética e competitividade econômica”, pontua.

Uso de combustíveis alternativos e coprocessamento
Dentre as grandes tendências debatidas no SEMTEC 2026, Tiago Couto aponta os cimentos com menor razão clínquer/cimento, o aumento do consumo de combustíveis alternativos e melhores consumos energéticos.
Segundo o assessor técnico da Itambé, o setor busca produzir mais, consumir menos energia fóssil e reduzir a pegada de carbono do cimento.
“A questão da diversificação energética gerou debates relevantes. O setor está cada vez mais pressionado pelos custos dos combustíveis tradicionais e pelas metas ambientais, então temas como biomassa, resíduos industriais, RDF e coprocessamento aparecem como soluções técnicas e econômicas ao mesmo tempo”, afirma Douglas.
Uma das tecnologias destacadas , segundo o assessor técnico da Itambé, é o uso de combustíveis alternativos e do coprocessamento, porque já está trazendo impacto direto nas fábricas. “A indústria vem substituindo parte do coque de petróleo por biomassa, resíduos industriais e combustíveis derivados de resíduos, reduzindo custos energéticos e emissões de CO2 ao mesmo tempo”, justifica.
De Conto também ressaltou o uso da argila calcinada e de materiais cimentícios suplementares, que ajudam a reduzir a quantidade de clínquer no cimento, diminuindo a pegada de carbono da produção.
Após esta edição do SEMTEC, Tiago Couto acredita que um dos grandes desafios do setor é a mudança da norma brasileira, visando minimizar o uso de clínquer, que hoje limita o uso de calcário a 25%, e a implementação do saco de 25 kg como obrigatório.
Aplicação de oxigênio via VPSA em fornos de cimento
Douglas e Tiago apontam que a aplicação de oxigênio via VPSA em fornos de cimento, associada ao uso de combustíveis alternativos, esteve entre os temas mais debatidos do evento.
“O tema mostrou como a indústria cimenteira está buscando aumentar eficiência energética, produtividade e sustentabilidade ao mesmo tempo. Chamou-me atenção, principalmente, a forma como o enriquecimento com O2 pode compensar limitações operacionais dos combustíveis alternativos, permitindo maior substituição de combustíveis fósseis sem perder estabilidade do processo. Foi uma palestra muito interessante porque uniu visão técnica, impacto econômico e sustentabilidade industrial de maneira bastante prática”, comenta o assessor técnico da Cimento Itambé.
Sustentabilidade
De Conto acredita que um ponto muito forte desta edição foi perceber que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser uma necessidade de mercado. “Hoje, reduzir emissões significa também reduzir custos energéticos, aumentar eficiência e garantir competitividade futura para as cimenteiras. Sobre o mercado atual do cimento e da cal, a grande ideia que conecta praticamente todos os temas do evento é como tornar a indústria mais sustentável, eficiente e competitiva em um cenário de pressão ambiental, energética e econômica”, destaca.
Neste contexto, De Conto vê que tecnologias ligadas à captura de carbono, à eficiência térmica e à economia circular tendem a ganhar cada vez mais espaço.
Transformação digital: automações e IA
Para De Conto, o Semtec 2026 mostrou que a indústria brasileira de cimento e cal está avançando de forma consistente na transformação digital. “A indústria 4.0 já está chegando às plantas por meio de automação avançada, sensores online, monitoramento em tempo real e sistemas inteligentes de controle de processo. Os debates mostraram que as fábricas estão buscando operações cada vez mais eficientes, previsíveis e sustentáveis, utilizando análise de dados e otimização operacional para reduzir o consumo energético, aumentar a produtividade e diminuir emissões”, comenta.
“O uso de sensores online, análise de dados em tempo real e inteligência artificial permite prever falhas, reduzir paradas não programadas e otimizar o desempenho dos fornos e moinhos. Além disso, sistemas digitais de controle ajudam as plantas a operar com maior estabilidade, menor consumo energético e mais produtividade, tornando a manutenção mais preventiva e estratégica. Da mesma forma, automação e controle inteligente de processo ajudam as fábricas a operar com menor consumo energético e maior eficiência”, explica De Conto.
Fontes
Tiago Couto é diretor da Densit do Brasil, empresa responsável pela realização do SEMTEC.
Douglas de Conto é assessor técnico da Cimento Itambé, Engenheiro Civil – UNIFACEAR e Tecnólogo em Concreto – UTFPR. Especialista em Patologia nas Obras Civis – IDD, possui mais de 15 anos de atuação na área da construção civil, com foco em tecnologia do concreto. Consultoria técnica de campo em concreteiras, indústrias de pré-fabricados e fabricantes de artefatos de concreto. Diagnóstico e análise de manifestações patológicas em estruturas. Desenvolvimento de soluções técnicas aplicadas à durabilidade e desempenho do concreto.
Contatos
douglas.deconto@cimentoitambe.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
Vogg Experience
Cadastre-se no Massa Cinzenta e fique por dentro do mundo da construção civil.
Cimento Certo
Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.

Massa Cinzenta
Cooperação na forma de informação. Toda semana conteúdos novos para você ficar por dentro do mundo da construção civil.
15/05/2024
MASP realiza o maior projeto de restauro desde a sua inauguração
MASP passa por obras de restauro em…
27/05/2026
Uso do concreto aparente cresce em projetos voltados à eficiência térmica e integração urbana
O concreto deixou de ocupar apenas a função estrutural das edificações para assumir protagonismo estético e funcional na arquitetura contemporânea. Em projetos de diferentes…
27/05/2026
IBGE aponta aumento de pessoas morando sozinhas e setor da construção civil investe em moradias funcionais
O retrato mais recente dos domicílios brasileiros divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirma uma mudança no perfil das famílias do país. Hoje,…
21/05/2026
Como fazer a interpretação técnica em ensaios de concreto?
Em ensaios de concreto, interpretar corretamente um resultado é tão importante quanto executá-lo. A análise isolada de um valor de resistência à compressão pode resultar em…
Cimento Certo
Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.
Cimento Portland pozolânico resistente a sulfatos – CP IV-32 RS
Baixo calor de hidratação, bastante utilizado com agregados reativos e tem ótima resistência a meios agressivos.
Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-32
Com diversas possibilidades de aplicações, o Cimento Portland composto com fíler é um dos mais utilizados no Brasil.
Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-40
Desempenho superior em diversas aplicações, com adição de fíler calcário. Disponível somente a granel.
Cimento Portland de alta resistência inicial – CP V-ARI
O Cimento Portland de alta resistência inicial tem alto grau de finura e menor teor de fíler em sua composição.
Cimento Certo
Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.









