IBGE aponta aumento de pessoas morando sozinhas e setor da construção civil investe em moradias funcionais
Imóveis compactos, áreas compartilhadas e soluções voltadas à praticidade e ao envelhecimento da população impulsionam projetos
O retrato mais recente dos domicílios brasileiros divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirma uma mudança no perfil das famílias do país. Hoje, um em cada cinco lares brasileiros é ocupado por apenas uma pessoa. O fenômeno, que já vinha sendo percebido pelo mercado imobiliário, tem provocado transformações nos projetos residenciais e nas estratégias da construção civil.
Ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas morando sozinhas, o país também registra aumento dos imóveis alugados e desafios ligados à infraestrutura urbana, como a falta de saneamento em parte das moradias. Para especialistas do setor, o cenário aponta para uma demanda cada vez maior por empreendimentos compactos, funcionais e localizados próximos aos centros urbanos.
Segundo Adalberto Scherer, diretor comercial da Cibraco Imóveis, o movimento acompanha mudanças sociais observadas em diversos países. “A pesquisa do IBGE simplesmente reflete uma tendência mundial. Hoje as pessoas têm menos filhos, são menos patrimonialistas e procuram muito mais uma qualidade de vida individual”, afirma.

De acordo com ele, fatores como envelhecimento da população, mudanças nas relações familiares e a busca por praticidade têm alterado o perfil de consumo imobiliário. “As pessoas querem ter facilidade na vida delas. E a construção vem se adaptando rapidamente, montando empreendimentos menores e que ofereçam bastante prestação de serviço para os moradores”, diz.
Apartamentos compactos se tornam protagonistas
O crescimento dos chamados domicílios unipessoais acelerou a procura por studios e apartamentos compactos, principalmente em regiões urbanas com boa oferta de serviços e mobilidade. Para Gustavo Selig, CEO do Grupo Hestia, o mercado precisou rever conceitos tradicionais de moradia. “Os dados mais recentes do IBGE só chancelam o que a gente já via no canteiro de obras. Esse salto das unidades unipessoais nos últimos anos é um fenômeno urbano consolidado”, afirma.
Segundo ele, imóveis entre 20 e 45 metros quadrados passaram a ocupar posição de destaque nos lançamentos imobiliários. “O boom dos studios e microapartamentos não é um modismo passageiro, mas uma resposta direta a esse novo perfil de morador que prioriza praticidade e eficiência no cotidiano”, explica.
A mudança não se limita ao tamanho dos imóveis. Os empreendimentos passaram a incorporar soluções para otimização dos espaços internos, integração tecnológica e ampliação das áreas compartilhadas. “A engenharia de produto hoje trabalha com plantas super funcionais e otimização máxima do espaço, prevendo marcenaria inteligente para que o morador tenha tudo sem aperto”, afirma Selig.
Áreas comuns ganham importância
Com unidades menores, as áreas comuns passaram a ter papel estratégico nos empreendimentos. Segundo Selig, a lógica atual do mercado combina metragem reduzida com oferta ampliada de serviços dentro do condomínio. “Se a área privativa é menor, o condomínio precisa compensar com áreas comuns robustas, como coworking, lavanderia coletiva, academia e espaços de convivência”, afirma.
A localização também se tornou um fator decisivo. Imóveis próximos ao trabalho, ao transporte coletivo e a centros comerciais tendem a atrair mais esse público, que busca reduzir deslocamentos e ganhar tempo na rotina.
Outro aspecto valorizado é a tecnologia integrada aos empreendimentos. Sistemas automatizados, fechaduras biométricas e infraestrutura para veículos elétricos passaram a fazer parte dos novos projetos voltados ao público urbano.
Envelhecimento da população cria novas demandas
O aumento de mulheres acima dos 60 anos vivendo sozinhas também tem levado construtoras a desenvolver projetos voltados à autonomia e segurança desse público.
Segundo Selig, o conceito conhecido como “senior living” vem ganhando espaço no Brasil, mas com uma proposta diferente dos modelos tradicionais de moradia assistida. “Elas não buscam um ambiente com cara de clínica, mas sim um lar moderno que ofereça segurança e independência”, afirma.
Entre as adaptações presentes nos novos empreendimentos estão pisos antiderrapantes, iluminação automatizada, portas mais largas e sistemas de monitoramento integrados à arquitetura.
Além da acessibilidade, os projetos também apostam em espaços de convivência e serviços sob demanda. “Serviços como limpeza contratada e pequenos reparos ajudam a manter a autonomia e permitem que a moradora tenha mais controle sobre a própria rotina”, destaca.
Mercado vê oportunidade de expansão
Para o setor da construção civil, a mudança no perfil demográfico representa uma oportunidade de expansão em diferentes segmentos. Além dos compactos de alto padrão, o mercado também observa crescimento de projetos voltados à longevidade e à moradia acessível. Selig afirma que já existem empreendimentos privados e iniciativas habitacionais públicas focadas exclusivamente na população acima de 60 anos, com estruturas adaptadas para garantir segurança, saúde e convivência social.
Já para Adalberto Scherer, a tendência deve continuar nos próximos anos, impulsionada pelas transformações sociais e pelo envelhecimento da população brasileira. “Em breve teremos mais idosos do que jovens no Paraná. A construção civil percebeu isso e passou a desenvolver unidades menores, mais funcionais e próximas dos centros urbanos”, afirma.
O avanço das moradias unipessoais mostra que o conceito de habitação no Brasil está em transformação. Mais do que metragem, os novos consumidores buscam praticidade, mobilidade, segurança e qualidade de vida. E o setor da construção civil já começou a adaptar seus projetos a essa nova realidade.
Entrevistados
Adalberto Scherer Filho é graduado em Administração de Empresas pela FAE e Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba. Especialista em Marketing pela FAE). Atua há 30 anos como diretor executivo da Cibraco Imóveis.
Gustavo Selig é engenheiro civil graduado pela PUC-PR, mestre em Administração de Empresas e Negócios pela FGV-PR. Cofundador e presidente do Grupo Hestia, atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário paranaense.
Contato
contato@rafaelasalomon.com.br (Assessoria de Imprensa)
gustavo.selig@grupohestia.com.br
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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