Mario Franco, o decano da engenharia estrutural brasileira

Além de assinar mais de 2 mil projetos, professor ajudou a formar gerações de engenheiros e arquitetos na USP

Mario Franco, o decano da engenharia estrutural brasileira

Mario Franco, o decano da engenharia estrutural brasileira 1024 865 Cimento Itambé
Mario Franco, em palestra em 2012, na ABECE: referência mundial na engenharia de cálculos de estruturas de concreto Crédito: ABECE

Mario Franco, em palestra em 2012, na ABECE: referência mundial na engenharia de cálculos de estruturas de concreto
Crédito: ABECE

A engenharia estrutural brasileira está de luto. Morreu dia 4 de setembro de 2019, aos 90 anos, o engenheiro civil Mario Franco. Nascido em Livorno-Itália, em 1929, ele viabilizou mais de 2 mil projetos com seus cálculos precisos. Também ajudou a formar gerações de engenheiros e arquitetos no período em que deu aulas na Universidade de São Paulo (USP), entre 1971 e 1998. Franco lecionou no departamento de engenharia de estruturas e fundações da Poli e na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Seu escritório, o KPMF – fundado em 1952, junto com o também engenheiro estrutural Julio Kassoy, que morreu em 2016, aos 93 anos – assina obras icônicas, principalmente na cidade de São Paulo. Entre elas, o Othon Palace Hotel, o Palácio das Convenções do Anhembi, o CENU (Centro Empresarial Nações Unidas), o Hotel Unique, o edifício Rochaverá, o Instituto Tomie Ohtake  e, mais recentemente, o Pátio Victor Malzoni e o complexo comercial e hoteleiro Cidade Matarazzo , ainda em construção na capital paulista.

O Cidade Matarazzo tornou-se mundialmente conhecido por preservar a capela Santa Luzia, construída em 1922 e tombada pelo patrimônio histórico do estado de São Paulo. Foi Mario Franco quem teve a ideia de sustentá-la sobre pilares independentes, o que permitiu a escavação do terreno sem afetar a antiga construção. Primeiro, a capela foi assentada sobre uma laje de concreto e depois sustentada por 8 pilares, cada um com 31 metros de altura e mais 23 metros encravados no solo. Cada pilar tem 1 metro de diâmetro e recebeu 54 m3 de concreto.

Engenheiro viveu todas as fases da engenharia estrutural: da régua de cálculo ao BIM

Mario Franco também assina vários projetos que contribuíram para a infraestrutura da cidade de São Paulo, como pontes e viadutos. Em 2003, a ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) concedeu a ele o título de “associado honorário”, pelo reconhecimento aos relevantes serviços prestados à engenharia estrutural brasileira. O IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) também agraciou Mario Franco com o prêmio “Emilio Baumgart”.

Além da matemática, o concreto era a matéria-prima de Mario Franco. Ele foi um dos primeiros engenheiros estruturais do mundo a projetar edifícios esbeltos, quando a principal ferramenta dos projetistas era a régua de cálculo. Em palestra concedida em 2012, Franco relatou a evolução dos equipamentos que permitiram o aprimoramento dos cálculos e, consequentemente, projetar edifícios com mais precisão, robustez e arrojo arquitetônico. “Com a chegada do computador, e de softwares como o BIM, vivemos uma época gloriosa para os calculistas”, disse, na época, o decano da engenharia estrutural brasileira.  

Entrevistado
Reportagem com base na biografia do engenheiro estrutural Mario Franco

Contato: jkmf@jkmf.com.br

 

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