Com ponte mais alta do mundo, China tem outra megaobra

Beipanjiang Bridge: se fosse possível, o One World Trade Center, de Nova York, caberia debaixo do vão central

Com ponte mais alta do mundo, China tem outra megaobra

Com ponte mais alta do mundo, China tem outra megaobra 600 359 Cimento Itambé

Beipanjiang Bridge está a 565 metros do rio Nizhu e confirma vocação do país de empreender os maiores projetos da engenharia moderna

Por: Altair Santos

Beipanjiang Bridge: se fosse possível, o One World Trade Center, de Nova York, caberia debaixo do vão central

Beipanjiang Bridge: se fosse possível, o One World Trade Center, de Nova York, caberia debaixo do vão central

Desde a construção da Muralha da China, os chineses estiveram ligados a megaobras. A partir do início do século 21, quando se tornou uma das potências econômicas, o país passou a colecionar ainda mais construções emblemáticas. Da maior hidrelétrica à maior ponte sobre o mar, passando pela mais longa ferrovia de trem-bala. Agora, os chineses acabam de inaugurar a ponte mais alta do mundo. O empreendimento fica a 565 metros acima do rio Nizhu, entre as províncias de Yunnan e Guizhou. Com 1.341 metros de extensão, a obra precisou de três anos para ser construída e foi inaugurada em 29 de dezembro de 2016.

A nova estrutura rebaixa a ponte sobre o rio Sidu, também na China, para o posto de segunda mais alta – a 500 metros do solo. O território chinês, aliás, tem oito das 10 pontes mais altas do planeta. A tendência é que essas obras superlativas continuem a crescer no país. Nos próximos três anos, o governo chinês vai investir 500 bilhões de dólares para viabilizar 303 novos projetos de infraestrutura, que englobam rodovias, ferrovias e metrô. Uma das metas é fazer com que a China tenha a maior rede de metrô do mundo. Atualmente, existem 2.800 quilômetros em 220 cidades. O objetivo é duplicar essa extensão até 2020.

Foto mostra instalação da última estrutura de aço para finalizar a ponte

Foto mostra instalação da última estrutura de aço para finalizar a ponte

Shangai, com 570 quilômetros, e Pequim, com 465 quilômetros, já são as cidades com as maiores redes de metrô do mundo. Parte desta obsessão chinesa por grandes obras de infraestrutura se deve a dois fatores: a acelerada urbanização do país e a necessidade de gerar emprego para uma população que se aproxima de 1,5 bilhão de habitantes. Com mão de obra abundante – e cada vez mais qualificada – e investimento maciço em tecnologia e planejamento, a China consegue também ser extremamente ágil em seus cronogramas de obra. A Beipanjiang Bridge, por exemplo, ficou pronta em três anos.

Concreto de alta resistência
Para construir a ponte mais alta do mundo, o engenheiro-chefe da construtora chinesa CCCC Highway Consultants, Liu Bo, afirma que o desafio foi projetar as estruturas de concreto para sustentar os estais que suportam o tabuleiro de 1.341 metros, com vão livre de 718 metros. “Sobre um precipício com mais de 500 metros de altura, a velocidade média do vento pode chegar a 60 km/h, mesmo em um dia ensolarado”, explica. Outro desafio envolveu a logística. “Transportar materiais para o cânion foi muito difícil. Geralmente, transportamos seções montadas. Mas nesse projeto, fizemos o oposto, transportando peças e montando-as no local”, observou Wang Chao, engenheiro-sênior do instituto de planejamento rodoviário do Ministério dos Transportes da China.

Estruturas de concreto que suportam os estais têm 450 MPa de resistência e foram projetadas para suportar fortes ventos

Estruturas de concreto que suportam os estais têm 450 MPa de resistência e foram projetadas para suportar fortes ventos

Como a ponte foi construída com estrutura mista (aço e concreto), Wang Chao explica que, para montar a estrutura do tabuleiro, a opção foi usar o cantilever por lançamento longitudinal. “Isso também deu agilidade para a obra”, completou. A ponte Beipanjiang, sob a qual cabe um prédio como o One World Trade Center, teve custo de US$ 440 milhões. Todo o desenvolvimento do concreto usado em suas estruturas ocorreu na Universidade de Jiao Tong, em Shangai. O material de alta resistência atingiu 450 MPa após a cura, usando fibras de carbono e aditivos superplastificantes em sua composição. O volume empregado nas estruturas que suportam a ponte chegou a aproximadamente 55 mil m³, segundo registros da universidade.

 

 

 

Veja vídeo sobre a etapa final da obra:

Entrevistados
– China Communications Construction Company Limited (via departamento de comunicação)
– Ministério dos Transportes da China (via departamento de comunicação)
– Universidade de Jiao Tong (via departamento de comunicação)

Contatos
ir@ccccltd.cn
english@mail.gov.cn
iso.gs@sjtu.edu.cn

Crédito Fotos: Governo da China

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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