Futuro da industrialização da construção depende de planejamento integrado e novos modelos de financiamento
Índice da FGV IBRE aponta que 15,7% das obras brasileiras utilizavam sistemas construtivos industrializados, cenário que evidencia potencial de crescimento do setor
Embora a industrialização da construção brasileira ofereça oportunidades para aumentar a produtividade, reduzir desperdícios e melhorar a previsibilidade dos prazos e custos das obras, sua participação no mercado nacional ainda é limitada, especialmente nos empreendimentos residenciais e comerciais.
Na avaliação de Íria Doniak, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC), ampliar o uso dessas soluções depende não apenas da capacidade técnica da indústria, mas também de mudanças na forma como os empreendimentos são planejados, contratados e financiados. “A industrialização precisa ser considerada desde a concepção do empreendimento, integrando projeto, fabricação, logística, montagem e uso”, afirma.
A pré-fabricação em concreto tem papel relevante nesse processo. Com uma indústria consolidada no país e capacidade para atender projetos de diferentes portes e níveis de complexidades, o segmento oferece alternativas para obras que exigem produtividade, precisão e controle de qualidade.
Indicador mostra espaço para crescer
O Índice Geral de Industrialização da Construção (IGIC), desenvolvido pelo FGV IBRE, ajuda a dimensionar a presença desses sistemas nas obras brasileiras. Em junho de 2026, o indicador chegou a 15,7 pontos, ante 14,8 pontos no mesmo período de 2025. O resultado corresponde à utilização de algum sistema construtivo industrializado em aproximadamente 15,7% das obras. O levantamento considera sistemas produzidos em fábrica e posteriormente montados nos canteiros, incluindo estruturas e subsistemas. Processos racionalizados que não envolvem essa lógica de fabricação e montagem não são contemplados pela medição.
Os dados também revelam diferenças entre os segmentos. Em edificações, o índice passou de 16,1 pontos, em junho de 2025, para 18,8 pontos em 2026. Na infraestrutura, avançou de 15 para 16,1 pontos no mesmo intervalo, e nesse segmento, os pré-fabricados de concreto foram citados por 65,6% das empresas consultadas que utilizam soluções industrializadas. Para Íria, há oportunidades de expansão principalmente nos edifícios residenciais e comerciais e no mercado habitacional.
Planejamento e custos exigem outra abordagem

Um dos principais obstáculos à adoção mais ampla da industrialização está na concepção dos projetos. Diferentemente dos processos convencionais, nos quais determinadas alterações podem ser incorporadas durante a execução, os sistemas industrializados exigem definições antecipadas para assegurar precisão, produtividade e eficiência.
Por isso, arquitetos, engenheiros, fabricantes, construtoras e equipes de montagem precisam atuar de forma integrada desde as etapas iniciais. Aspectos como transporte, acesso aos canteiros e disponibilidade de equipamentos para içamento e montagem também devem ser previstas no planejamemto. “A decisão de industrializar deve considerar que o planejamento e o projeto demandam mais tempo do que a construção, pois os sistemas industrializados não admitem ajustes no canteiro. Ou se admitem, prejudicam um fator essencial: a produtividade”, explica a presidente executiva da ABCIC.
A avaliação econômica também precisa considerar todos os custos envolvidos. Segundo Íria, comparar apenas o preço inicial de um componente pode ocultar benefícios relacionados à redução do prazo de execução, à menor geração de resíduos, à diminuição da necessidade de mão de obra no canteiro e à maior previsibilidade da execução. A análise, portanto, deve abranger o custo global do empreendimento e seu ciclo de vida, além dos riscos associados à execução.
Crédito imobiliário é um dos entraves
No mercado habitacional, o financiamento representa outro desafio. Os modelos tradicionais de crédito foram estruturados considerando que os gastos e a evolução física da obra ocorrem principalmente no canteiro. Na construção industrializada, porém, uma parcela significativa dos custos é antecipada para a fabricação dos componentes.
Enquanto a indústria precisa receber pelos elementos produzidos antes da montagem, a liberação dos recursos costuma estar vinculada às medições e ao avanço físico da obra. Esse descompasso pode dificultar o fluxo financeiro dos empreendimentos e limitar a ampliação do sistema. “É necessário discutir modelos de financiamento que considerem as particularidades desse processo construtivo, com mecanismos de liberação de recursos compatíveis com a fabricação antecipada e prazos de execução mais curtos”, defende Íria. A adaptação do crédito à dinâmica industrial é especialmente relevante para ampliar a aplicação dessas soluções na habitação, segmento em que escala e previsibilidade de custos influenciam diretamente a viabilidade dos projetos.
Integração e tecnologia moldam o futuro
A expectativa para os próximos anos é de maior integração entre sistemas construtivos, digitalização dos projetos, automação industrial e utilização de ferramentas como o BIM (Building Information Modeling), que permite desenvolver e coordenar modelos digitais das edificações.
A combinação de materiais também deve ganhar espaço, com soluções híbridas que aproveitem as características e vantagens de cada tecnologia. No setor de pré-fabricados de concreto, as oportunidades incluem o aprimoramento dos materiais, a maior precisão dimensional, a automação das fábricas e a eficiência nos processos de montagem.
Para Íria, o país reúne conhecimento em engenharia, capacidade empresarial e recursos tecnológicos para ampliar a industrialização. O desafio está em transformar essas condições em maior adoção pelo mercado, com profissionais qualificados e planejamento integrado. “Com isso, será possível construir com mais produtividade, qualidade, segurança e sustentabilidade, atendendo às necessidades de habitação, infraestrutura e desenvolvimento do país”, conclui.
ENTREVISTADA
Íria Doniak é presidente
da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic).
Contato
sylvia@meccanica.com.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
Vogg Experience
Cadastre-se no Massa Cinzenta e fique por dentro do mundo da construção civil.
Cimento Certo
Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.

Massa Cinzenta
Cooperação na forma de informação. Toda semana conteúdos novos para você ficar por dentro do mundo da construção civil.
21/10/2026
67º Congresso Brasileiro do Concreto destaca inovação e sustentabilidade
Sob o tema “Novas Fronteiras Tecnológicas para o Concreto”, o 67º Congresso Brasileiro do Concreto, promovido pelo Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON), reuniu…
21/10/2026
ABRAMAT prevê retração de 0,8% no faturamento da indústria de materiais de construção em 2026
A recuperação do varejo de materiais de construção abaixo do esperado levou a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) a rever suas perspectivas…
Cimento Certo
Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.
Cimento Portland pozolânico resistente a sulfatos – CP IV-32 RS
Baixo calor de hidratação, bastante utilizado com agregados reativos e tem ótima resistência a meios agressivos.
Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-32
Com diversas possibilidades de aplicações, o Cimento Portland composto com fíler é um dos mais utilizados no Brasil.
Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-40
Desempenho superior em diversas aplicações, com adição de fíler calcário. Disponível somente a granel.
Cimento Portland de alta resistência inicial – CP V-ARI
O Cimento Portland de alta resistência inicial tem alto grau de finura e menor teor de fíler em sua composição.
Cimento Certo
Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.









