Patrimônio da arquitetura de SP, prédio da FAU será restaurado

Patrimônio da arquitetura de SP, prédio da FAU será restaurado

Patrimônio da arquitetura de SP, prédio da FAU será restaurado 150 150 Cimento Itambé

Edifício abriga a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e foi construído em concreto aparente. Obras levarão dois anos para ficar prontas

Por: Altair Santos

Em 1969, na inauguração do prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo, o arquiteto João Batista Vilanova Artigas, que realizou o projeto, definiu sua obra com a seguinte frase: “Pensei-o como a espacialização de democracia, em espaços dignos, sem portas de entrada, porque o queria como um templo, onde todas as atividades são lícitas”, disse. Para passar esse conceito, Artigas apostou em um edifício todo em concreto aparente, com grandes espaços para materializar sua ideia. Passados mais de 40 anos, o edifício da FAU tornou-se patrimônio da arquitetura paulistana, mas também foi vítima do tempo. Quase sem manutenção, ganhou várias patologias. Por isso, uma ampla restauração está em curso.

De acordo com a arquiteta Eunice Aparecida Rosa Bruno, coordenadora executiva do GEEF (Grupo Executivo de Gestão dos Espaços Físicos da FAU) as intervenções para recuperar o edifício vão durar no mínimo dois anos. Os trabalhos irão se concentrar mais no teto. A cobertura tem infiltrações que causam goteiras em várias áreas do prédio e já levaram à interdição de alguns setores. Por se tratar de um prédio tombado, as reformas propostas pelo GEEF tiveram de passar pelo crivo do Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico) e do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo). “Como a recuperação propõe revitalização, e não mudança de uso, não teve problema para a liberação”, diz a arquiteta.

Em processo final de licitação, as obras serão bancadas pela própria Universidade de São Paulo e deverão custar pelo menos R$ 6 milhões. A logística para que as intervenções aconteçam preveem horários alternativos para não atrapalhar as aulas. Aliás, os estudantes usaram a reforma como laboratório. Na elaboração do plano diretor, eles incorporaram sugestões. “Atualmente, três alunos seguem vinculados ao projeto”, diz Eunice Aparecida Rosa Bruno, que avalia o porquê de a recuperação ter demorado tanto. “Teve o período de falta de verba e teve o período dos debates sobre novas alternativas para a cobertura. Agora, é premente esta reforma”, completa.

O prédio Artigas, como também é chamada a sede da FAU, tem 18.600 m² de área e abriga oito pavimentos, interligados por rampas, escadas e um elevador. A laje de cobertura em grelha é recoberta por domos translúcidos, que permitem que o edifício priorize a luminosidade natural. As obras previstas para esse setor do edifício vão contar com a aplicação de poliuréia – produto químico que será aplicado no teto como isolante. A fachada da FAU também receberá reformas. “A empena, que é a fachada, vai sofrer uma recuperação, mas vamos preservar ao máximo a estrutura original. Desde a coloração do cimento até a manutenção das juntas, por que ali o concreto é aparente e como tem muitos problemas por falta de manutenção vamos retirar tudo o que está solto e refazer de novo, da mesma forma que foi feito no original”, explica a coordenadora executiva do GEEF.

Área interna do prédio Artigas, da FAU: cobertura com infiltrações receberá aplicação da poliuréia como isolante

Edifício da FAU, no campus da USP, em São Paulo: plano diretor da reforma contou com a participação dos estudantes de arquitetura

Cobertura do prédio da FAU: patologias causadas pela falta de manutenção exigem que as reformas sejam prementes

Saiba mais
O prédio da FAU levou três anos para ficar pronto. A construção começou em 1966 e foi finalizada em 1969. O arquiteto João Batista Vilanova Artigas (1915-1985) recebeu a encomenda do projeto em 1961 e o fez em parceria com o também arquiteto Carlos Cascaldi. O engenheiro Figueiredo Ferraz foi o responsável pela execução da obra.

Entrevistada
Eunice Aparecida Rosa Bruno, coordenadora executiva do GEEF (Grupo Executivo de Gestão dos Espaços Físicos da FAU)
Currículo
: Graduada em Arquitetura, Eunice Aparecida Rosa Bruno integra o COCESP (Coordenadoria do Campus da Capital do Estado de São Paulo)
Contato: faugeef@usp.br

Créditos Fotos: Divulgação/ Cláudia Oliveira /USP

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
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